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13 agosto 2015

O Câncer - Richard Simonetti



O CÂNCER


1 – O câncer é uma enfermidade cármica?

Segundo informam os mentores espirituais, doenças graves, como o câncer, podem surgir por válvulas de escoamento de desajustes perispirituais, nascidos de nossos desatinos no passado, observada a lei de causa e efeito, que rege nossa evolução. Representam uma espécie de tratamento de beleza para o Espírito.

2 – O fumante inveterado, que fuma dois a três maços de cigarro por dia, dificilmente escapará do câncer no pulmão. Não haveria aí uma exceção?

Ainda aqui temos um princípio de causa e efeito, remontando não ao passado remoto, mas à existência presente. O carma do fumante inveterado será o câncer no pulmão. É um problema de uso. Se usamos mal a máquina física, submetendo-a a excessos e viciações, fatalmente colheremos as conseqüências dos desajustes que lhe estamos impondo.

3 – E no caso do fumante passivo? Hoje está demonstrado, estatisticamente, que há uma incidência significativa de câncer no pulmão em pessoas que “fumam” indiretamente, absorvendo a fumaça de ambientes saturados pelas baforadas dos viciados.

Incontáveis problemas de saúde surgem a partir das condições de vida na Terra, a começar pela poluição dos grandes centros urbanos, gerando não apenas o câncer, mas, também, moléstias do aparelho respiratório. Na atualidade há grande preocupação com a incidência de câncer de pele que é assustadora, em decorrência do desgaste da camada de ozônio, provocada também pela poluição. A relação de causa e efeito, nesses casos, está na indiferença e no desrespeito do homem com a Natureza.

4 – Diríamos que as vítimas de câncer motivado por essas contingências não estão resgatando dívidas?

Há uma tendência no meio espírita de associarmos enfermidade a problemas cármicos, oriundos de vidas passadas, quando, em boa parte, ela surge como um problema de uso. O corpo é uma máquina que tem suas necessidades e limitações. Se não o atendemos em suas necessidades, se não observamos suas limitações, a tendência é ficarmos doentes, como um motorista que terá problemas com seu automóvel se não cuidar bem dele.

5 – Dentro desse contexto, como explicar as tendências genéticas ao câncer?

Filhos de pais que tiveram câncer têm uma possibilidade maior de contrair a doença, em virtude da herança genética. A expressão tendência significa que nem todos os filhos de pais com câncer irão contrair a doença. Aqui entram o carma, as condições ambientes, os cuidados com o corpo. Se não há no perispírito do filho desajustes que favoreçam o câncer, se o ambiente em que vive é saudável, se cuida bem com o corpo, dificilmente contrairá a moléstia, ainda que ela conste de seu histórico familiar.

6 – Para muita gente o câncer equivale a um anúncio de morte próxima. Deixam-se dominar pela doença e efetivamente morrem. É uma postura correta?

Totalmente incorreta. Foi-se o tempo em que o câncer equivalia a um atestado de óbito. A Medicina evoluiu muito nessa especialidade. O que o paciente não pode é entregar-se ao desânimo. A vontade de viver é fundamental para o sucesso de qualquer tratamento.

7 – Uns morrem de câncer, outros o superam e recobram a saúde. Não haveria aí a fatalidade da morte. Para uns chegou a hora, para outros não?

Pensando assim seria o caso de renunciar a qualquer medicação, deixando tudo por conta do destino. O que se sabe é que os que renunciam ao tratamento raramente escapam da morte. Os que se tratam, guardando os cuidados necessários, ganham maior espaço para viver. Podemos ter câncer por problema cármico, mas não temos necessariamente que morrer vitimados por ele. Na atualidade, são notáveis os avanços da Medicina, contabilizando índices altos de cura, principalmente quando o mal é detectado no início.

8 – Nesse aspecto, como podemos situar a ação da Medicina?

A Medicina é a misericórdia de Deus, minorando nossos padecimentos, quando inevitáveis, curando nossos males, quando possível. Em linhas gerais ela sustenta-nos a vida, oferecendo-nos condições para uma existência saudável e produtiva, atendendo às finalidades da jornada humana.


 Richard Simonetti

12 agosto 2015

Mães Más - Autoria desconhecida

 
MÃES MÁS

Um dia, quando os meus filhos forem crescidos o suficiente para entenderem a lógica que motiva os pais e as mães, eu hei de dizer-lhes:

"Eu os amei o suficiente para ter perguntado: onde vão, com quem vão e a que horas regressarão".

Eu os amei o suficiente para não ter ficado em silêncio, e fazer com que eles soubessem que aquele novo amigo não era boa companhia.

Eu os amei o suficiente para fazê-los pagar pelas balas que tiraram da mercearia, ou revistas do jornaleiro, e os fazer dizer ao dono: "Nós pegamos isto ontem e queríamos pagar".

Eu os amei o suficiente para ter ficado em pé duas horas junto deles, enquanto limpavam o quarto: tarefa que eu teria feito em 15 minutos.

Eu os amei o suficiente para deixá-los ver além do amor que eu sentia por eles, o desapontamento e também as lágrimas nos meus olhos.

Eu os amei o suficiente para deixá-los assumir a responsabilidade das suas ações, mesmo quando as penalidades eram tão duras que me partiam o coração.

Mais do que tudo, eu os amei o suficiente para dizer-lhes NÃO, quando eu sabia que poderiam me odiar por isso - e em alguns momentos até me odiaram.

Essas eram as mais difíceis batalhas de todas.

Estou contente, venci... porque no final eles venceram também!

E qualquer dia, quando meus netos forem crescidos o suficiente para entenderem a lógica que motiva os pais e as mães, meus filhos vão lhes dizer, quando eles lhes perguntarem se a sua mãe era má: "Sim... Nossa mãe era má! Era a mãe mais má do mundo..."

As outras crianças comiam doces no café da manhã, e nós tínhamos de comer cereais, ovos e torradas.

As outras crianças bebiam refrigerantes, comiam batatas fritas e sorvete no almoço, e nós tínhamos que comer arroz, feijão, carne, legumes e frutas.

E ela obrigava-nos a jantar à mesa, bem diferente das outras mães, que deixavam os filhos comerem vendo televisão.

Ela insistia em saber onde nós estávamos a toda hora - tocava nosso celular de madrugada.

Era quase uma prisão; mamãe tinha que saber quem eram os nossos amigos e o que eles faziam.

Insistia que lhe disséssemos com quem íamos sair, mesmo que demorasse só uma hora ou até menos.

Nós tínhamos vergonha de admitir, mas ela violou as leis de trabalho infantil.

Nós tínhamos que tirar a louça da mesa, arrumar nossas bagunças, esvaziar o lixo e todo o tipo de trabalhos que achávamos cruéis.

Eu acho que ela dormia à noite, pensando em coisas para nos mandar fazer.

Ela insistia sempre conosco para lhe dizermos a verdade, e apenas a verdade.

E quando éramos adolescentes, ela até conseguia ler nossos pensamentos.

A nossa vida era mesmo chata.

Ela não deixava os nossos amigos tocarem a buzina para que nós saíssemos.

Tinham que subir, bater à porta para ela os conhecer.

Enquanto todos podiam voltar à noite com 12, 13 anos, nós tivemos de esperar pelos 16 para chegar mais tarde, e aquela "chata" levantava para saber se a festa foi boa - só para ver como estávamos ao voltar.

Por causa de mãe, nós perdemos algumas experiências da adolescência.

Nenhum de nós esteve envolvido com drogas, em roubos, atos de vandalismo, violação de propriedade, nem fomos presos por nenhum crime.

Foi tudo por causa dela.

Agora que já somos adultos, honestos e educados, estamos fazendo o nosso melhor para sermos "Pais Maus", tal como a nossa mãe foi.

Eu acho que é um dos males do mundo de hoje: não há suficientes.


Autoria Desconhecida

11 agosto 2015

A Pessoa - Personalidade, Identificação e Individualidade - Joanna de Ângelis

 
A PESSOA
Personalidade, Identificação e Individualidade



A personalidade


Em permanente representação dos conteúdos mentais, e dominada pela imposição das leis e costu­mes de cada época e cultura, a personalidade repre­senta a aparência para ser conhecida, não raro, em distonia com o eu profundo e real, gerador de conflitos.

A personalidade é transitória e assinala etapas reencarnacionistas, definidoras de experiências nos sexos, na cultura, na inteligência, na arte e no relacio­namento interpessoal.

Cada pessoa reencarna com as características herdadas das experiências anteriores e submete-se aos condicionamentos de cada fase, por ela transitan­do com os seus sinais tipificadores.

Assimilar todos os condicionamentos e exteriori­zar uma personalidade consentânea com o ser real, eis o desafio da terapia transpessoal, trabalhando a pessoa para que assuma a sua realidade positiva e superior, crescendo em conteúdos mentais e desen­carcerando-se, até permitir-se a perfeita harmonia entre ser e parecer.

A identificação


De duas formas a pessoa se identifica com os va­lores do progresso: externa e internamente. A identificação externa impõe as lutas e os confli­tos da assimilação dos comportamentos sociais, nos quais o apego assume a condição mais importante, a primeira e última da existência.

O apego externo, no entanto, é menos danoso do que o interior, responsável pelos vícios e paixões de­generativos, que conduzem a patologias dolorosas, crueis.

A identificação assinala o estágio de evolução de cada pessoa, fadada à elevação, que, para conseguir, deve liberar-se daqueles valores, desidentificando-se de hábitos milenários, fixados, alguns, atavicamente, aos painéis do ser, gerando falsas necessidades, que se tornam fundamentais, portanto responsáveis pelo sofrimento nas suas várias facetas. A psicologia oriental estabelece na ilusão, na impermanência da vida física, com as quais a pessoa se identifica, algumas preponderantes razões para o so­frimento.

A desidentificação induz à conquista de patama­res elevados, metafísicos, nos quais o ser se auto-en­contra e se realiza. 

A individualidade


Somatório de todas as experiências, a individua­lidade é o ser pleno e potente, que alcançou a auto-realização. Imperecível, a individualidade é o Espírito em si mesmo, que reúne as demais dimensões e sabe cons­cientemente o que fazer, quando fazê-lo e como reali­zá-lo, para ser a pessoa integral, ideal.

Enquanto a filosofia informava que a pessoa não é o indivíduo, na visão da psicologia profunda, este, que superou os condicionamentos e comportamentos pessoais de consciência livre, é o ser total, pessoa tran­sitória, individualidade eterna.


Joanna de Ângelis
Obra: O Ser Consciente
Psicografia de Divaldo Pereira Franco

10 agosto 2015

Definição de Amigo - Fátima Irene Pinto

 

DEFINIÇÃO DE AMIGO


Amigo é alguém que está envolvido com os nossos ideais e serve de alavanca para que, juntos, os realizemos.

Amigo não compete: soma forças e acrescenta.

Amigo é alguém que tem mais ou menos o nosso rítmo e não nos deixa esperando quando o assunto é importante. Aliás, Amigo sempre sabe o que é muito importante para nós.

Amigo, quando não concorda ou não aprova alguma atitude que venhamos a tomar, coloca-se de forma direta, sem rodeios. Ele não some, não fica emburrado, não faz jogo nem nos dá a retaliação do silêncio indecifrável.

Amigo é alguém que, estando acima de nós, nos ensina com bondade e estando abaixo de nós, aprende com simplicidade. Amigo é instrutor e aprendiz simultaneamente.

Amigo entende de diferenças individuais e as respeita, sem contudo traçar linhas divisórias intransponíveis que causam desapontamentos e bloqueiam a livre expressão da nossa maneira de ser.

Amigo é alguém a quem confiamos desde uma confidência até um testamento.
É alguém para quem podemos ligar ou procurar a qualquer hora porque há horas na vida que não podem esperar mais um minuto.

Amigo rejubila-se com a nossa vitória e sabe tornar a nossa derrota suportável.

Para um Amigo podemos contar os nossos feitos sem que pareça arrogância ou ostentação e podemos narrar as nossas fraquezas e fracassos sem que pareça humilhação.

Quem tem um amigo assim pode dizer que encontrou um tesouro.
Os demais não são amigos. São colegas eventuais sem comprometimento e estes sempre temos às dúzias.

Se você tem ao menos um Amigo, erga as mãos para o céu pela dádiva.
Seja para ele tudo que ele é para você e um pouco mais.

Aos colegas eventuais ... a eventualidade.
Ao Amigo verdadeiro, a incondicional Amizade!



Fátima Irene Pinto

09 agosto 2015

Cremando as tolices no fogo do discernimento - Wagner Borges

 
CREMANDO AS TOLICES NO FOGO DO
DISCERNIMENTO


Não se preocupe tanto com a eventual cremação do seu corpo.

Preocupe-se mais com a cremação do seu orgulho e de sua ignorância.

Queime suas tolices na fogueira do discernimento. E, depois, disperse as cinzas de suas ilusões no mar da vida...

Não será o tipo de morte - ou a transformação dos seus despojos densos -, que determinará a qualidade de seu viver, na Terra ou em qualquer outro plano de manifestação. Isso é determinado pelo que você pensa, sente e faz.

Fogo ou sete palmos abaixo do chão, nada disso tem a ver com a sua consciência imortal.

Não se prenda a nada disso!

Enterre apenas os seus medos e queime suas culpas.

Que fogo poderá queimar o eterno?

Que terra poderá cobrir o princípio imperecível?

Só o seu corpo poderá ser incinerado ou enterrado. Você, não!

Então, como estudante espiritual, por que você está tão preocupado com isso?

Seus estudos são só teóricos e não lhe dão certeza alguma?

Será que você nunca sentiu a pulsação do Eterno em seu coração?

Nunca sentiu o amor iluminando os seus dias?

Talvez você nunca tenha escutado o seu coração, só sua mente.

Por isso, sua luz ficou fraca e a dúvida capturou o seu raciocínio.

Eu não sei se você deve mandar cremar ou enterrar o seu corpo depois da morte. Aliás, o corpo é seu - e a dúvida também. Então, por que outro deve lhe dizer o que fazer?

O que sei é que se deve prestar atenção à vida e ao momento presente.

Cremar ou enterrar? Sei lá. O que isso tem a ver com sua consciência?

Você não é o corpo. Desde o momento em que você cair fora dele definitivamente, o planeta o absorverá de volta, de uma maneira ou de outra.

Seja "in natura", ou "flambado", os seus elementos físicos serão transformados pela alquimia planetária. Na natureza, nada se perde, tudo se transforma!

Enquanto vive no corpo, cuide bem dele, pois é seu parceiro de viagem terrestre. Mas, depois que sair dele, pense em outros planos de manifestação e decole para o infinito, sem medo.

Por enquanto, que tal viver o agora?

Queime a sua ânsia e enterre os seus dramas.

E, um dia, na hora certa que o Alto determinar, caia fora do corpo e voe bem alto, como espírito livre...

E deixe o corpo ser transformado em paz, seja no seio da terra ou purificado pelo fogo.

De toda maneira, ele voltará a fazer parte dos elementos planetários.

Assim como você voltará para as estrelas e aos espaços livres, em seu corpo de luz, podendo até mesmo brincar com os devas* do fogo, por aí...

Você é filho do Eterno e carrega o fogo estelar em seu próprio Ser.

Com a luz do sol em seus olhos, queime seus medos. E ilumine sua vida, aqui e agora!

Seja feliz, com corpo ou sem corpo, na Terra ou no Espaço.

Em qualquer lugar ou condição, o que vale é o que você pensa, sente e realiza. É o que você é. É o que faz consigo mesmo. O que importa é sua consciência!

Cremação ou enterro? Sei lá, tanto faz.

O importante é ser feliz**.

Então, seja.


Wagner Borges

Dia dos Pais - Deivison Pedroza



DIA DOS PAIS

Pai...

Estava agora olhando pela janela, tentava antecipar sua chegada.

Fiz isso muitas vezes quando era criança.

Outro dia fingi que dormia e esperei você vir me cobrir.

Mas percebi que isso não era mais possível.

Estava aqui nesse quarto sozinho, lamentava os dias em que fui rude com o senhor e das inúmeras vezes em que precisou de mim
e eu não estava lá.

Lembrei-me então, dos tempos de criança e adolescência, quando apesar de todos os seus problemas e cansaço você sempre arrumava tempo para ir até a minha cama simplesmente para ver se eu estava bem, colocava as mãos sobre minha testa para ver se eu estava com febre, ajeitava o cobertor, às vezes deixava algumas moedas embaixo de meu travesseiro.

Eram poucas naquela época, e com certeza, sem muito valor, mas hoje as desejo como se fossem ouro porque esses simples gestos não saem da minha cabeça.

Achava que era forte, mas tudo isso me enfraquece.

Quando você saía para trabalhar ou viajar, eu ficava apreensivo, nunca lhe contei, mas meu coração doía de saudades.

Pedia a Deus que lhe protegesse e lhe trouxesse de volta.

Você sempre voltava.

Sofrido, abatido, sujo, mas voltava.

Hoje fico pensando, será que meus filhos sentem minha falta como eu sentia a sua?

Será que sou importante para eles como você foi e ainda é para mim?

Será que consigo transmitir a eles os mesmos valores que aprendi com você?

Também me pergunto, se você é tão importante para mim, por que às vezes eu o esqueço?

Por que não tenho tempo para lhe dar um simples "alô"?

Por que às vezes não consigo retribuir o seu carinho?

O engraçado é que hoje tenho tudo que você nunca pôde ter: casas, apartamentos, carros, dinheiro.

Por que nada disso é seu, se você merecia tanto?

Você me carregou no colo muitas vezes, pegou filas e filas para um atendimento médico, pediu dinheiro emprestado para me alimentar,
até vendeu sua casa quando tudo estava difícil.

Por quê?

Hoje lhe vejo frágil, com a coluna desgastada pelo tempo, a pele queimada pelo sol, seus setenta e tantos anos lhe deixaram indefeso.

Apesar de tudo isso, quando me recebe em sua casa, está sempre alegre e disposto.

Seja para ir até a padaria para comprar aquele pãozinho que eu gostava tanto, ou para fazer outros agrados.

Não entendo.

Apesar de toda sua receptividade, às vezes ainda sou rude, reclamo da vida, dos negócios feitos ou desfeitos e mesmo assim você tem toda paciência comigo.

Então, pai, se ainda der tempo, queria dizer que hoje também sou um pai, e que tento ser você todos os dias, tento ser para meus filhos o que você sempre foi para mim.

Já não me importo mais com a idade.

Hoje, mesmo com meus quarenta e poucos anos, quero que me segure no colo como segura seus netos, pois quando lhe vejo, sinto que ainda sou criança e você continua a ser o meu herói.

Deivison Pedroza

08 agosto 2015

Existirá Estatuto do "Menor" para delinquentes "mirins" no além-túmulo? - Jorge Hessen



EXISTIRÁ ESTATUTO DO “MENOR” PARA DELINQUENTES “MIRINS” NO ALÉM-TÚMULO?

Confrontando 100 países que registraram taxa de homicídios, entre 2010 e 2014, para cada grupo de 100 mil habitantes, a Organização das Nações Unidas revelou que o Brasil ocupa o sétimo lugar no ranking dos países mais violentos, isso mesmo, SÉTIMO!!!. Só ficando atrás de El Salvador, da Guatemala, de Trinidad e Tobago, da Colômbia, Venezuela e de Guadalupe. Ora, uma sociedade corrompida como a brasileira com certeza precisa de leis severas. Embora, na prática, as leis mais se destinam a punir o efeito do mal, do que a lhe combater a causa. Nesse sentido, “só a educação poderá reformar os homens, que, então, não precisarão mais de leis tão rigorosas.” [1]

No entanto, falar sobre a Educação no Brasil é quimera. Em verdade na pátria do “Cruzeiro do Sul” a irreflexão de mestres e educadores imaturos, não habilitados moralmente para os relevantes misteres de preparação das mentes e caracteres em formação, contribui com larga quota de responsabilidade no capítulo da delinquência juvenil, da agressividade e da violência vigentes na tal “Pátria do Evangelho”.

No Brasil paira no imaginário coletivo uma estranha sensação de impunidade. O que a população, ou a maioria, quer que não persista esse sentimento de um judiciário pusilânime quando crimes graves contra a vida são praticados por “menores” , sobretudo os que estão prestes a completar 18 anos. Essa percepção de absoluta desassistência judicial nas plagas debaixo do equador é inquietante. Notamos que muitos dos chamados “menores” zombam do judiciário quando são “apreendidos” [detidos] e postos logo em liberdade. Tais seres assaltam, estupram, sequestram e matam às pessoas de bem, produtivos pais de família, mulheres, idosos e tudo o mais que resolvam atacar, cientes que não serão punidos.

Mas, os códigos da Justiça do Criador estão escritas nas consciências humanas, sem exceção, sobretudo do “menor” criminoso (“infrator”), malgrado o Estatuto da Criança e do Adolescente. Será que um espírita consciente crê que um criminoso “menor” que desencarne cometendo crimes terá no além-túmulo um estatuto diferenciado do criminoso de 18 anos que também desencarnou cometendo crimes? Será que as leis divinas se dobrarão aos estatutos de ressocializações para o “menor” criminoso (“infrator”)? O Umbral é o destino dos criminosos “menores” e maiores, e por lá permanecem muito além de três anos (quem sabe séculos ou milênios). Deus é misericordioso, contudo, Suas leis são neutras, inexoráveis, justas e INDEFECTÍVEIS.

É óbvio que não será amontoando milhares de “menores” no xilindró que vamos resolver os problemas de violência neste país. Urge criar boas escolas com dignos professores, ainda assim pesquisas demonstram que o menor não quer estudar, a legislação não permite que trabalhe, diante disso ele vai fazer o que? Podemos culpar os pais?, Talvez sim, mas será que a sociedade está amparando o adolescente? Neste país de fábulas, carnavais e fantasias não há “níqueis de reais” para construção de casas de recuperação, mas sobram milhões de dólares para edificação das fraudulentas arenas de futebol.

Sem a recuperação do “menor” para a honra do bem, todo o progresso humano continuará agitando-se nos espinheiros da ilusão e do mal. Sei perfeitamente que é ingenuidade acreditar que a redução da maioridade para 16 anos resolverá o problema da criminalidade. O que o nosso país necessita é de ética, moralização, nacionalismo e educação. A única educação que poderia reduzir a criminalidade é a educação moral, aquela dada em casa pelos pais, a educação formal das escolas apenas instrui e há “menores “criminosos (“infratores”) muito bem instruídos.

No sistema correcional os presos (adultos) e os “apreendidos” (menores) deveriam aprender profissões úteis e trabalharem para fazer jus a salários. Tais criminosos deveriam pagar a comida e tratamento de saúde, e parte da remuneração deveria ser reservada para a família pobre daqueles que prejudicaram, como ressarcimento às suas vítimas. Tal sistema não devolveria vidas ceifadas pelo “menor”, nem eliminaria a dor familiar, mas poderia ser experimentado como opção de indenização.

Por certo a solução não deve ser tão simplista. Mas aos menores criminosos (“infratores”) deve haver punição, responsabilização e ressocialização. É dantesco sabermos que é alto o índice de reincidência em prisões que gira em torno de 70% e o nosso sistema prisional já não comporta mais presos. No Brasil, eles são, hoje, mais de meio milhão, a quarta maior população carcerária do mundo. Perdemos apenas para os EUA (2,2 milhões), China (1,6 milhão) e Rússia (740 mil). Já no sistema socioeducativo, o índice de reincidência é de 20%, o que indica que 80% dos menores infratores são recuperados. Menos mal!

No Brasil, a “maioridade penal” (idade em que o acusado pode ser processado como adulto) conta a partir dos 18 anos, e a “responsabilidade criminal” (idade em que o acusado pode ser penalizado em regime diferenciado) a partir dos 12 anos. Cremos necessário haver alteração do Estatuto da Criança e do Adolescente no que se refere ao aumento do tempo de “internação” (prisão), a fim de que o “menor” criminoso (“infrator”) com maior periculosidade possa receber, por mais tempo (o triplo do atual), visando um tratamento (corretivo) especial e qualificado, visando à sua reeducação e reinserção social. Não entendemos outro caminho.

Sem meios termos , apesar de ser a opinião dominante entre os especialistas que transformar de 18 para 16 anos a maioridade penal não restringirá a violência e não conseguirá afastar o “menor” da criminalidade, urge reconhecer que é consenso, na maioria da população incrédula do judiciário, que medidas drásticas precisam ser tomadas para garantir a redução da criminalidade para que não sejam trucidados por “menores” ou maiores os cidadãos produtivos nessa insana e infinda guerra urbana. Como recomendam os Bons Espíritos, oremos pelos criminosos (adultos ou “mirins”) sem esquecermos, no entanto, de deprecar paz a Deus a benefício de suas vítimas.

Jorge Hessen


Referência:

[1] Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 2000, questão 796

07 agosto 2015

A melhora da morte



A MELHORA DA MORTE

Esclarecimentos sobre porque acontece a melhora repentina de doentes, antes da morte física ocorrer.

Diante do agonizante o sentimento mais forte naqueles que se ligam a ele afetivamente é o de perda pessoal.

"Meu marido não pode morrer! Ele é o meu apoio, minha segurança!"?

"Minha esposa querida! Não me deixei Não poderei viver sem você!"

"Meu filho, meu filho! Não se vá! Você é muito jovem! Que será de minha velhice sem o seu amparo?"

Curiosamente, ninguém pensa no moribundo.
Mesmo os que aceitam a vida além-túmulo multiplicam-se em vigílias e orações, recusando admitir a separação.

Esse comportamento ultrapassa os limites da afetividade, desembocando no velho egoísmo humano, algo parecido com o presidiário que se recusa a aceitar a idéia de que seu companheiro de prisão vai ser libertado.

O exacerbamento da mágoa, em gestos de inconformação e desespero, gera fios fluídicos que tecem uma espécie de teia de retenção, a promover a sustentação artificial da vida física. Semelhantes vibrações não evitarão a morte. Apenas a retardarão, submetendo o desencarnante a uma carga maiorde sofrimentos.

É natural que, diante de sério problema físico a se abater sobre alguém muito caro ao nosso coração, experimentemos apreensão e angústia. Imperioso, porém, que não resvalemos para a revolta e o desespero, que sempre complicam os problemas humanos, principalmente os relacionados com a morte.

Quando os familiares não aceitam a perspectiva da separação, formando a indesejável teia vibratória, os técnicos da Espiritualidade promovem, com recursos magnéticos, uma recuperação artificial do paciente que, "mais prá lá do que prá cá", surpreendentemente começa a melhorar, recobrando a lucidez e ensaiando algumas palavras...

Geralmente tal providência é desenvolvida na madrugada. Exaustos, mas aliviados, os "retentores" vão repousar, proclamando: "Graças a Deus! O Senhor ouviu nossas preces!"

Aproveitando a trégua na vigília de retenção os benfeitores espirituais aceleram o processo desencarnatório e iniciam o desligamento.

A morte vem colher mais um passageiro para o Além.

Raros os que consideram a necessidade de ajudar o desencarnante na traumatizante transição. Por isso é freqüente a utilização desse recurso da Espiritualidade, afastando aqueles que, além de não ajudar, atrapalham. Existe até um ditado popular a respeito do assunto:

"Foi a melhora da morte! Melhorou para morrer!”


Richard Simonetti
Fonte - Quem Tem Medo da Morte

06 agosto 2015

O pensamento bem direcionado - Joanna de Ângelis




O PENSAMENTO BEM DIRECIONADO


O pensamento é força viva e atuante, porque procede da mente que tem a sua sede no ser espiritual, sendo, portanto, a exteriorização da Entidade Eterna.

Conforme o seu direcionamento, manifesta-se, no mundo das formas, a sua realização.

A sua educação é relevante, porque se torna fator essencial para o enfrentamento dos desafios e encontro das soluções necessárias à vida saudável.

Normalmente, em razão do mau hábito de pensar, os indivíduos asseveram que tudo quanto pensam de negativo lhes acontece, e não se dão conta que são, eles próprios, os responsáveis pela construção mental do que anelam, inconscientemente, e elaboram pelo pensamento.

Alterassem a forma de encarar a vida e de pensar, e tudo se modificaria, tornando-se-lhe a existência mais apetecível e positiva.

A neurolingüística demonstra que as fixações mentais contribuem para as realizações humanas, e a neurociência confirma poder da força mental na atividade humana.

É de mau vezo cultivar-se pensamento destrutivo, pejorativo,

perturbador, porquanto a sua emissão vai criar fatores que lhe facultam a condensação na área das emoções, das realidades físicas.

Sempre que se pensar a respeito de uma ocorrência desagradável que se espera aconteça, e constate que a mesma sucedeu, estará na hora de alterar a maneira de elaborar as idéias, construindo-as de forma edificante ou positiva.

Ver-se-á que se alterarão os acontecimentos, tornando-os mais felizes e confortadores. Não desejamos com isso afirmar que, com o simples fato de elaborar-se uma idéia, necessariamente,

acontecerá como se quer ou como se planeja. No entanto, a onda mental emitida se transforma em fator propiciatório, que irá contribuir para tornar viável o desejo, que deve ser acompanhado do empenho, do esforço para torná-lo real, construtivo e edificante.

Vitimado por uma necessidade masoquista, o ser humano, que gosta de chamar a atenção pela piedade e não pelos seus incomparáveis valores morais, intelectuais, culturais, sociais e outros, sempre se fixa nos complexos de desgraça, cultivando mentalmente as atitudes que geram infelicidade, assim desenvolvendo uma grande capacidade para produzir os efeitos em que se compraz.

Modificando a estrutura psicológica, pelo sanear do conflito a que se apega, deve direcionar a força mental para a sua realização, a fim de que lhe surjam fatores especiais que o auxiliem na modificação das paisagens íntimas e das ocorrências externas, desde que está programado pelo Pensamento Divino para alcançar os patamares mais elevados da Vida.

Necessário que se adapte às alturas, de forma que o crescimento se dê natural e caracterizado pelas bênçãos da alegria, da saúde, da ventura.

A harmonia que predomina no Universo igualmente se encontra no ser humano, que momentaneamente está em desenvolvimento dessas belezas que cantam em toda parte, emulando-o ao avanço sem repouso, ao trabalho sem fadiga, à edificação do melhor em todos os momentos.

Desse modo, os desafios existenciais fazem parte da vida, sem os quais o ser seria destruído pela paralisia da vontade, dos membros, das aspirações, que se transformariam em doentia aceitação dos níveis inferiores do estágio da evolução. Viajar no rumo do inconsciente para liberá-lo das heranças primárias e enriquecer o Si com a luz do discernimento elevado, em ininterrupto esforço de engrandecimento e sintonia com a Vida, é a finalidade perspícua da reencarnação, que liberta o Espírito da roda automática das experiências do ir-e-vir sem conquistas correspondentes às propostas da Divindade. E porque esse fenômeno de conquista do Infinito não cessa, terminada uma etapa outra surgirá mais desafiadora, e mediante essas vitórias o ser se plenifica e se torna uno com Deus.


Pelo Espírito Joanna de Ângelis
De Vida Desafios e soluções, de Divaldo P. Franco

05 agosto 2015

Mediunidade e a Evolução do Psiquismo - Jorge Ândrea



MEDIUNIDADE E A EVOLUÇÃO DO PSIQUISMO

A dinâmica mediúnica revela um estado alterado de consciência; portanto, um autêntico estado de transe.

Transes existem de vaiada natureza, razão porque devemos estar atentos para as devidas distinções e avaliações. Assim é que podemos presenciar os transes ligados a ausência de oxigênio no sangue (anóxia), as doses oscilantes de glicose no sangue comuns dos diabéticos, além de outros transes causados por distúrbios metabólicos. Também substâncias farmacológicas, tais como álcool, drogas diversas (cocaína, maconha, heroína, etc.) são desencadeadoras de tal processo. Ainda mais, estão inclusos nestes parâmetros o transe hipnótico e aqueles observados nas distonias mentais(epilepsia, histeria, etc.).

O transe mediúnico, por ser condição fisiológica e absolutamente hígida, ou seja, saudável, necessita de avaliações e apreciações cuidadosas, a fim de não ser confundido com outros setores, principalmente o patológico, aliás o que já deu margem a intensos desencontros.

A dinâmica mediúnica, por se desenvolver em vários setores do psiquismo humano, é fenômeno de extrema complexidade, onde muitas nuanças nos escapam.

‘Quando a entidade espiritual procura comunicar-se com a organização psíquica do médium, ambos em sintonia buscam entrosamento. De um lado, o Espírito (vontade-apelo), do outro, o médium (vontade-resposta), a fim de que o mecanismo de ideação possa desencadear-se, nos diz André Luiz.

Inicialmente os campos de entrosamento se fazem através das respectivas zonas perispirituais - irradiações perispirituais do Espírito e recepção perispiritual do médium - que, assim enredados, dirigem-se aos campos físicos do receptor para as devidas elaborações psicológicas. Dessa forma, haverá necessidade de transformações nos respectivos campos do psiquismo. As energias vindas da dimensão hiperfísica (campos perispirituais) sofrerão transformações no psiquismo do médium, a fim de que o processo intelectivo se instale fornecendo a informação - mensagem.

Ante as informações espirituais, principalmente de A. Luiz, e os estudos realizados em França pelo dr. Thiebault, a glândula pineal está sendo novamente reconhecida como elemento valoroso nos processos nobres do psiquismo. Não seria apenas uma glândula passageira a controlar o sexo nos primeiros anos de vida, com posterior apagamento funcional, mas uma unidade endócrina de grande valor a responder por autêntico campo de filtragem, onde os dígitos de características perispirituais (dimensão hiperfísica) fossem transformados e adaptados para as recepções neuroniais da base cerebral(tálamo e hipotálamo). Daí as impulsões seriam direcionadas para a região cortical onde a intelecção se processará, proporcionando condições para o nosso entendimento intelectual. É bem possível que as coisas se passem dessa forma, acompanhando processos sutis, e ainda não definidos, de neurotransmissão.

Assim, a impulsão perispiritual da entidade perispiritual, captada pelo perispírito do médium, em acoplagem de mútua aceitação, passaria aos campos físicos da intelecção, após processo de seleção e autocrítica realizado nos campos perispirituais do médium ou zona inconsciente. Este processo seletivo e auto-crítico estaria relacionado ao grau de moralização do médium, cuja elaboração se faria, compreensivelmente, sem a análise ou conhecimento da zona consciente. É como se fora um mecanismo de automatismo inconsciente.

O médium moralizado e ajustado jamais deixará passar a mensagem em termos grosseiros e agressivos. As retificações serão elaboradas sem modificações da essência das mensagens, porém demonstrando o "colorido" do médium. Não haveria inserções anímicas do próprio médium, mas uma filtragem de ajuste a demonstrar as características[ individuais que o receptor possui. As mais perfeitas e ajustadas mensagens, sempre mostram o "selo" da máquina onde foram operadas. Com isso, jamais queremos dizer que o fenômeno autêntico seja combinado com fatores anímicos do médium, embora existindo mensagens que demonstram tais condições. Isso vem mostrar a importância do estudo da Doutrina Espírita, por ter sido quem melhor elaborou as condições de exercício da mediunidade, como um dos adequados caminhos de evolução psicológica. Exercício de mediunidade será o constante impulso de aperfeiçoamento a buscar todas as angulações no bem.

Nessa síntese, tentativa de descrição do fenômeno mediúnico, conhecido, comumente, como sendo mediunidade de incorporação (termo inadequado), são imensas e incontáveis as variações que, por sua vez, estariam atadas aos biótipo psicológicos de cada ser. Conforme as zonas dos centros corticais(no cérebro) que fossem mais solicitados, teríamos as variações mediúnicas refletidas nas conhecidas psicografias, psicofonias (zonas da linguagem), vidência(centro visuais) e tantas outras modalidades onde as ativações de locais específicos se mostrem mais contundentes.

Como não existem, no panorama da vida, posições estáticas, a dinâmica mediúnica avança em constante desenvolvimento, onde o processo de incorporação em suas variedades - consciente, semiconsciente e inconsciente - estarão na dependência da solicitação e dominância do comunicante (entidade espiritual).Desse modo, o processo mediúnico vai sendo como que, a pouco e pouco, substituído, sem apagamento definitivo, por mecanismo em que o próprio médium tem uma atuação mais dominante e efetiva. Na mediunidade de incorporação, a irradiação da entidade espiritual que se comunica é bem mais ativa do que a posição do médium, que se torna mais passiva. Esta condição pode ser denominada de mediunidade receptiva - o médium com sua passividade recebe o que lhe é imposto pelo comunicante.

No segundo caso, onde o médium exerceria, pela sua vontade, uma espécie de procura sobre as condições dos seus porquês, ele impõe, mesmo de modo inconsciente, forte carga afetiva-emocional, o que propiciaria alargamento e ampliação de suas antenas mediúnicas (campo de irradiação perispiritual). Com isso, passaria a trafegar nas correntes superiores de pensamento, buscando idéias mais precisas na definição das suas inquirições. Neste caso, teríamos a outra variedade mediúnica que poderíamos chamar de mediunidade captativa. A região cerebral mais adequada a tal cometimento seria a dos lobos frontais, onde centros nervosos específicos devem existir em virtude de suas apuradas funções, ao lado da ajuda e ativação do hemisfério cerebral direito; enquanto que, no outro tipo mediúnico(processo receptivo), as zonas do centro cerebral seriam as mais solicitadas. No mecanismo receptivo prepondera o processo analítico, no mecanismo captativo o processo sintético; no receptivo, portanto, o intelecto, no captativo a intuição. Hoje temos como assertiva que o lado esquerdo do cérebro, onde existem os centros de linguagem, é região da programação racional, dos fatos analíticos que compõem o nosso dia-a-dia da pesquisa intelectiva. 

O lado direito do cérebro estaria ligado aos processos criativos, imaginativos, aos dons artísticos e todos os componentes da intuição.

Desse modo, o fator evolutivo que acompanha a vida na sua eterna busca do Infinito também estaria presente na dinâmica mediúnica, onde a variedade denominada incorporação, de características analíticas, iria avançando para uma posição mais abrangente de totalidade, de síntese, a desembocar nos fatores da intuição.

Será bem lógico de compreender-se que os degraus evolutivos terão de ser experienciados, e que não se pode ter as antenas da intuição ativadas e bem ajustadas se não houver passagem pelos degraus das posições analíticas que, por sua vez, em esgotando os potenciais por maturação de vivências, despertariam no degrau superior, onde a intuição mostra uma nova gleba a ser trabalhada e elaborada. 

A mediunidade que vem acompanhando o homem, através das conhecidas civilizações se irá beneficiando dos imensos fatores aquisitivos, reconhecidos no dia-a-dia pelas pesquisas da ciência e da filosofia. Esta última, por sua vez, oferece no desfile dos pensamentos as condições éticas para um estado de religiosidade. 

Assim, o homem inquieto dos dias presentes, na busca de seu próprio estado de religiosidade, não mais atende moldes religiosos constituídos de aparatos externos, mas, sim, a busca de um Deus na intimidade de sua própria consciência.

Por Dr. Jorge Ândrea
Fonte: Revista "Presença Espírita", Jan/Fev.de 1994

04 agosto 2015

Água Fluidificada - Emmanuel

 

ÁGUA FLUIDIFICADA

“E qualquer que tiver dado só que seja um copo de água fria por ser meu discípulo, em verdade vos digo que, de modo algum, perderá o seu galardão”. Jesus (Mateus, 10:42)

Meu amigo, quando Jesus se referiu à benção do copo de água fria, em seu nome, não apenas se reportava à compaixão rotineira que sacia a sede comum. Detinha-se o Mestre no exame de valores espirituais mais profundos. A água é dos corpos o mais simples e receptivo da terra. É como que a base pura, em que a medicação do Céu pode ser impressa, através de recursos substanciais de assistência ao corpo e à alma, embora em processo invisível aos olhos mortais. A prece intercessória e o pensamento de bondade representam irradiações de nossas melhores energias. A criatura que ora ou medita exterioriza poderes, emanações e fluidos que, por enquanto, escapam à análise da inteligência vulgar e a linfa potável recebe a influência, de modo claro, condensando linhas de força magnética e princípios elétricos, que aliviam e sustentam, ajudam e curam.

A fonte que procede do coração da Terra e a rogativa que flui no imo d’alma, quando se unem na difusão do bem, operam milagres. O Espírito que se eleva na direção do céu é antena viva, captando potências da natureza superior, podendo distribuí-las em benefício de todos os que lhe seguem a marcha.

Ninguém existe órfão de semelhante amparo. Para auxiliar a outrem e a si mesmo, bastam a boa vontade e a confiança positiva. Reconheçamos, pois, que o Mestre, quando se referiu à água simples, doada em nome da sua memória, reportava-se ao valor real da providência, em benefício da carne e do espírito, sempre que estacionem através de zonas enfermiças. Se desejas, portanto, o concurso dos Amigos Espirituais, na solução de teus problemas orgânicos ou dos problemas de saúde e equilíbrio dos companheiros, coloca o teu recipiente de água cristalina, à frente de tuas orações, espera e confia. O orvalho do Plano Divino magnetizará o liquido, com raios de amor, em forma de bênção, e estarás, então, consagrando o sublime ensinamento do copo de água pura, abençoado nos Céus.

Pelo espírito de Emmanuel
Psicografia de Francisco Cândido Xavier

03 agosto 2015

Escândulos no Brasil e no Mundo - Divaldo P. Franco

 

ESCÂNDALOS NO BRASIL E NO MUNDO

Os brasileiros já nos estamos acostumados à sucessão de escândalos que, diariamente, aparecem na mídia.

A princípio, causavam surpresa e constrangimento. No entanto, em face da repetição incessante, já não produzem maior impacto, porque o mais recente é sempre mais grave e desastroso do que o anterior, influenciando a memória a esquecer o primeiro em razão do atual.

Na semana passada, porém, o escândalo envolvendo altas personalidades da Fifa e os seus comportamentos vergonhosos, atrelados a lavagem de dinheiro, suborno e outras condutas indignas, produziu um novo impacto.

As investigações estão apenas começando e espera-se que fatos novos venham somar-se aos desastres morais que estão sendo investigados por órgão federais dos Estados Unidos.

Homens que se apresentavam como honrados, na condição de padrões de seriedade e valor moral, foram encarcerados enquanto aguardam julgamento e os processos avolumam-se.

Infelizmente, esses escândalos na política nacional e no mundo dão a impressão de que estamos num caos, sem a mínima possibilidade de restabelecimento dos valores éticos-morais, em razão da ausência de mulheres e homens honrados.

A conclusão, porém, é falsa, porquanto, simultaneamente acompanhamos o progresso tecnológico, a severidade das leis em diversos países, quando surpreendem os seus infratores na prática de crimes, a divulgação corajosa pela imprensa em torno da indignidade que antes ficava às ocultas.

Naturalmente, ainda teremos muitos escândalos, todavia, não mais acobertados pelos mandatários governamentais, pelos grupos dominantes, demonstrando que ninguém está acima das leis.

Não percamos a esperança de melhores dias, nem duvidemos da recuperação moral dos cidadãos e da perseverança dos atuais membros da elite espiritual que se encontram na Terra.

Diante dos descalabros dos corruptos, preservemo-nos, mantendo-nos conscientes das imensas possibilidades que se encontram ao nosso alcance em relação à sociedade feliz do amanhã.


 Divaldo Pereira Franco*

*Divaldo Franco escreve quinta-feira, quinzenalmente.
Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 04-06-2015.

02 agosto 2015

Coincidências Existem? - Anderson Coutinho



COINCIDÊNCIAS EXISTEM?

Muitas vezes nos surpreendemos com algum fato, situação, ventura, descoberta, presente, encontro, reencontro ou oportunidade, de um modo tão perfeito e conectado, que logo dizemos: "Mas que coincidência!”

Mas o acaso não existe e as coincidências nada mais são do que "desculpas" das quais os céticos fazem uso para justificar o que não conseguem explicar pelos limitados recursos de uma razão irracional.

Todas as situações pelas quais passamos, desde as mais simples às mais complexas, são cuidadosamente planejadas no mundo invisível, muitas vezes por uma necessidade nossa que talvez ainda nem saibamos conscientemente que exista - apesar de nosso subconsciente já saber. E assim é, ainda que insistamos crer que não seja.

A cada escolha que fazemos, ou a cada explosão atômica de pensamento que enviamos ao cosmos, vibra em nós uma força inacreditavelmente gigantesca, sendo enviada para o Universo, que responde, atendendo aos desejos subconscientes que nosso ser manifesta, muitas vezes sem que nós nem saibamos.

E se pensamento é força, nossas ações também o são!

Eis que então o Universo conspira para que recebamos exatamente aquilo que mais necessitamos, seja uma mudança, um emprego novo, novos vizinhos, aquele leve acidente de trânsito, uma decepção amorosa, a partida de alguém que amamos ou a sutil chegada de alguém que nos inspira. Nossas necessidades então são amoravelmente atendidas, e muitas vezes nem percebemos que o invisível nos abraça.

E uma das mais evidentes "respostas" do Universo às nossas necessidades ou carências, desejos ou vontades (inconscientes ou não), é a chegada de pessoas em nossas vidas, cada qual com um papel diferente. Alguns vêm para servir de exemplo. Outros, para nos inspirar. Há os que se achegam para nos ensinar lições. Outros, para compartilhar conosco o peso de um fardo. Há os amigos, os amores e também aqueles que representam dores. Seja pelo motivo que for, nunca entrarão ou sairão de nossas vidas por mero acaso.

E quão grandioso se faz o momento quando conseguimos perceber que até nas pequeninas coisas a Inteligência Maior está agindo em nossas vidas, sempre nos convidando a fazer mais e melhor, a seguir em frente, a buscar a luz para clarear nossos passos e nos conduzir ao encontro de nós mesmos.

Perceba a vida! Perceba que tudo e todos estão meticulosamente ligados à Inteligência Maior, que nunca deixa de responder ao nosso chamado.

Somos espíritos eternos! Já vivemos muitas vidas e diante de nós, existem estradas milenares a serem percorridas. Em cada uma delas, somos carinhosamente conduzidos por essa Força Maior que cria adiante um sem número de possibilidades, de modo que qualquer que seja nossa escolha, lá haverá um caminho específico que se ligará a outros, formando milhares de "futuros" cuidadosamente projetados em seus meandros, para que exerçamos com perfeição nosso arbítrio, que é livre. O acaso?

Ele nunca existiu!

Pense nisso!

Por Anderson Coutinho

01 agosto 2015

Embora Imperfeito - Joanna de Ângelis



EMBORA IMPERFEITO

Há quem, a pretexto de imperfeição, silencie o verbo edificante nos lábios, enjaulando a mensagem da consoladora.

Há quem, em nome da imperfeição, paralise os braços no ministério da saúde moral, encarcerando a ação salvadora.

Há quem, justificando a própria imperfeição, mobilize a preguiça, espalhando a inutilidade.V Há quem diga que, imperfeito, nada pode fazer pelo próximo, considerando estar arrojado nos mesmos sítios de infelicidade e afeição...

Unge-te, porém, de amor e levanta-te da iniqüidade para socorrer outros iníquos.

O amor é árvore que, para produzir, necessita ser plantada.

A doutrina Espírita ensina que ninguém renasce na Terra para o cultivo dos miasmas do pretérito nem preservação dos males dos tempos idos...

Reencarnação é bênção.

Bondade é luz.

Antes de mergulhar na carne, todos rogamos os títulos da dor e do sofrimento para compreendermos melhor as dores e os sofrimentos dos que seguem ao nosso lado.

Ninguém falará com precisão do que ignora, por falta de experiência pessoal.

É por essa razão que, muitas vezes, ensinarás resignação, embora avassalado pela inquietude;

falarás da enfermidade com a alma enferma;

consolarás, necessitado de consolação;

acenderás luz de entendimento, carecendo de compreensão; pregarás justiça para os outros, esmagado pela impiedade alheia;

colocarás bálsamo em feridas, guardando úlceras não cicatrizadas no cerne do ser.

Enquanto alguns aguardam sublimação para se disporem ao auxílio, ajuda tu.

Todos carregamos agonias nos íntimos tecidos da alma. E o trabalho de auxílio aos outros é medicação colocada em nossa própria dor.

Enquanto ensinas a paz, e sentes a ausência dela em teu coração, ou preconizas luta contra as tentações, perseguido pelas tenazes do mal, aprimoras-te, exercitando o espírito no dever claro e digno que se transforma, lentamente, em escada de ascensão libertadora.

E, crucificado na imperfeição, avança intimorato, recordando o Mestre que, amargurado e esquecido por quase todos os amigos, aparentemente vencido, numa Cruz de vergonha e impiedade, alçou a alma dorida ao pai Misericordioso, pensando as feridas do coração humano de todos os tempos, e ainda pediu, amoroso:

- "Perdoai, meu Pai! Eles não sabem o que fazem."

Perdoa, também tu, e ama, ajudando sempre.


Pelo espírito Joanna de Ângelis
Livro "Messe de Amor", mensagem "Embora Imperfeito"
Psicografia de Divaldo Pereira Franco