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05 junho 2017

As aparições de Nossa Senhora na Visão Espírita - Morel Felipe Wilkon,



AS APARIÇÕES DE NOSSA SENHORA NA VISÃO ESPÍRITA


Você certamente já ouviu falar nas aparições de Nossa Senhora – ou Maria, a mãe de Jesus. Aqui vai a minha opinião a respeito do assunto. Assista o vídeo ou, se preferir, leia o artigo logo abaixo.

Uma das dificuldades que um espírita tem quando estuda a Bíblia (na verdade o Novo Testamento) é explicar o que é o espírito santo. Nos meus estudos sobre o Evangelho de Lucas e o Evangelho de João, no Youtube, eu demonstrei que na maior parte das vezes a melhor tradução é um espírito santo, e não o espírito santo. Não vou discutir isso agora.

Nós não sabemos exatamente qual era a visão que os evangelistas tinham do espírito santo, o que eles queriam dizer com espírito santo. Muitas vezes parece se referir a um espírito, como nós entendemos hoje, mas nem sempre.

A verdade é que eles não tinham o conhecimento que nós temos hoje. Os seus conceitos não eram bem estabelecidos, não eram bem definidos.

A Igreja resolveu esse problema inventando a santíssima trindade: pai, filho e espírito santo.

Mas o que passa despercebido por quase todo mundo é que até nisso o machismo imperou. O machismo vigente tanto entre os israelitas no tempo de Jesus quanto entre os primeiros cristãos – e mantido até hoje – não deixou espaço para a mulher.

Tem o pai, tem o filho, e tem o espírito santo. Mas cadê a mãe? Não tem mãe na divindade. A divindade é masculina, a ideia de Deus que nos foi passada é masculina. Até hoje, quase todos nós, que tivemos uma orientação religiosa tradicional na primeira infância, inconscientemente formamos uma ideia antropomórfica de Deus, imaginamos um velho barbudo com cara de brabo.

Os israelitas viviam um regime patriarcal onde a mulher não tinha vez. Jesus tentou mudar isso. Jesus tratou a mulher como igual, mas os seus discípulos não souberam manter isso. Logo depois da morte de Jesus já houve disputa entre os discípulos homens e Maria Madalena, que era muito próxima de Jesus. A prova de que Maria Madalena era especial para Jesus é que mesmo nos quatro Evangelhos aceitos tradicionalmente a primeira pessoa a ver Jesus ressuscitado é Maria Madalena.

Mas os homens na época não podiam aceitar isso. O apóstolo Paulo chega a proibir a mulher de falar na Igreja, porque era uma vergonha uma mulher falar em público – se ela quisesse perguntar alguma coisa devia ficar quieta na Igreja e esperar chegar em casa para perguntar para o seu marido.

Mais tarde, quando a Igreja foi adotada por Roma, muitas antigas religiões pagãs foram absorvidas pelo Cristianismo. Os povos pagãos foram sendo cristianizados, só que eles tinham vários deuses e deusas, havia a crença na deusa mãe, na mãe divina. O jeito de resolver essa questão foi dar um papel de destaque para a mãe de Jesus.

Então criaram uma figura feminina próxima de Deus – já que Jesus para eles também é Deus. Mas nós não vemos esse protagonismo de Maria nos Evangelhos. Dizem que Maria intercede por nós junto ao seu filho Jesus. Mas não há nada disso no Evangelho. Maria aparece pouco no Evangelho e não é muito lisonjeada por Jesus.

Nada contra a devoção a Maria – a figura de Maria se tornou um importante arquétipo, essa figura resume em si importantes qualidades femininas, maternais. Quando uma pessoa ora fervorosamente a Maria essa pessoa está sintonizando com essas qualidades maternais, protetoras, que ela atribui a Maria.

A oração é, antes de mais nada, uma concentração do pensamento.

Como orar e ser atendido.

Se concentramos o nosso pensamento em Jesus, nós vamos sintonizar com as forças que nós atribuímos a Jesus – por que cada um de nós vê Jesus de forma ligeiramente diferente. Quanto mais alto for o nosso pensamento, quanto mais elevado, quanto mais grandiosas forem as qualidades que nós atribuímos a um ser (a Maria, por exemplo) mais nós nos elevamos – e nós colhemos das forças com que nós sintonizamos.

Existem muitos casos de aparições de Maria. Em várias partes do mundo. Em várias épocas. Existem livros e escritos sobre isso, estudos foram feitos sobre isso.

Um dos casos mais famosos da atualidade, aqui no Brasil, é o do advogado carioca Pedro Siqueira, uma pessoa que transpira credibilidade. Ele afirma ver e se comunicar com Maria desde que nasceu. Se analisamos os relatos dele, encontramos todas as evidências de um fenômeno mediúnico. Particularmente não tenho a menor dúvida em relação a isso.

É a própria Maria mãe de Jesus que se comunica com ele? Particularmente, eu tenho convicção que não.

Por que? Por que ele não é o único a afirmar que se comunica com Maria. Tem outros no Brasil, e se pesquisarmos, deve haver centenas de pessoas no mundo, atualmente, que afirmam a mesma coisa. Maria é um espírito assim como nós, é uma individualidade.

Um espírito não pode se apresentar em mais de um lugar ao mesmo tempo – e por mais dinâmico que seja um espírito, ele não terá condições de se apresentar pessoalmente a tantas pessoas pelo mundo todo praticamente a toda hora – somando todos os relatos, ela apareceria praticamente a toda hora.

Uma coisa que eu não entendia na adolescência é como uma determinada entidade – se vê muito isso na Umbanda – como um preto velho que se apresenta como Pai José, por exemplo, pode se apresentar em vários centros de Umbanda ao mesmo tempo. Eu pensava que podia ter alguma fraude ali.

Mais tarde eu fui entender que os pretos velhos – só pra ficarmos nesse exemplo – são ordens de trabalho. Existem algumas centenas ou milhares de espíritos que atendem pelo nome de preto velho Pai José. São espíritos humildes, uns bastante sábios, outros apenas bem intencionados, se esforçando para ajudar – espíritos que trabalham em nome de uma causa, abnegadamente, anonimamente, não se apresentam com o nome que usaram em alguma existência física.

Acontece algo semelhante no caso de Maria. Possivelmente o próprio espírito que foi Maria comande uma força de trabalho com o objetivo de ajudar os espíritos encarnados e os desencarnados no seu processo de espiritualização. Mas isso não quer dizer que seja ela mesma a se comunicar.

Temos que compreender que as nossas crenças são limitadoras. No próprio meio espírita nós temos uma série de crenças limitadoras.

E no caso de quem é católico, que não conhece o Espiritismo, não conhece ou não acredita em mediunidade – se um espírito se apresenta para ele, ele vai achar ou que está louco ou que é o demônio. Por que ele não acredita na comunicação com os espíritos.

Quem pode se comunicar são os santos, a virgem Maria e os demônios. O que eles não percebem é que mesmo isso são fenômenos mediúnicos.

Se um espírita tem uma tarefa a realizar o seu mentor ou o seu guia se comunica com ele . No caso de um católico esse espírito vai ter que assumir uma personalidade conhecida, vai ter que congregar uma ordem de trabalho e se apresentar, como é o caso que estamos tratando, como a virgem Maria.

É comum casos de pessoas que têm uma experiência mística, ou uma experiência de desdobramento, ou quando se aproxima o momento do desencarne, e que dizem ter visto Jesus ou a virgem Maria. Elas estão vendo um espírito amigo, talvez o mentor do seu grupo familiar – mas o próprio mentor se apresenta daquela forma para ser aceito, para tranquilizar a pessoa. O trabalho é o mesmo. O trabalho exercido pelos espíritos é o mesmo. Quem faz essas distinções somos nós, que vivemos muito iludidos neste mundo de aparências e rótulos.

Morel Felipe Wilkon

04 junho 2017

A Mediunidade dos Santos - Hugo Lapa

 
A MEDIUNIDADE DOS SANTOS


O livro “Mediunidade dos Santos” do espírita Clóvis Tavares é uma joia preciosa de saber espiritual. Primeiro por que traz uma rica coleção de relatos sobre fenômenos incomuns, geralmente associados à mediunidade, de indivíduos que foram canonizados na Igreja e hoje são reconhecidos como santos.

No entanto, após escrever o livro, Clóvis teve receio das reações conservadoras que esse livro poderia gerar. Avesso a polêmicas e não desejando criar animosidades com espíritas e católicos conservadores, Clovis optou em não publicar esta obra. Mas parece que seu filho, Celso Vicente, não acatou a vontade do pai, que chegou a cogitar queimar as folhas do livro. Por sorte do público ávido pelo melhor entendimento e pelo estudo da universalidade do fenômeno mediúnico, o livro foi mantido e até mesmo publicado pela Editora Prestígio e pela Editora IDE.

Embora ainda permaneça desconhecido pela maior parte dos espíritas, a obra contempla uma ampla gama de casos de santos que apresentavam fenômenos espontâneos de mediunismo. Chico Xavier se referiu a este livro como “uma obra de unificação, e não de sectarismo”. Chico foi um dos que fez de tudo para que o livro fosse publicado e assegurou a família que o livro era “a obra prima do Clóvis”. Ele escreveu na primeira edição da obra que “O Evangelho é um livro de mediunidade por excelência”.

No livro Clóvis cita santos como Santa Teresa D´Ávila, São Pedro de Alcântara, Santa Brígida (1302-1373), Teresa Neumann (1898-1962), Santa Margarida Maria Alacoque, Dom Bosco, São Francisco de Assis, Santa Joana D´Arc, Santo Antônio de Pádua, Vicente de Paulo (1581-1660), etc.

O fato de estes indivíduos serem ícones da Igreja católica não altera em nada a fenomenologia que apresentam, apenas se tem uma interpretação diferente de seus prodígios. Como diz Clóvis Tavares “Nós reconhecemos a existência de Missionários da Luz em todos os tempos e em todas as agremiações filosóficas ou religiosas da Terra. Não importa o nome que os designe: benfeitores espirituais, como comumente os chamamos, Missionários ou Santos, Gurus, Sufis, ou Arhats… Eles se encarnam em todas as pátrias e desfraldam em todos os ambientes humanos a bandeira da espiritualidade superior de que são intérpretes e mensageiros. Naturalmente, condicionam sua linguagem ao seu meio e ao seu tempo, como também é natural que sejam influenciados humanamente pela sua época e pelo seu ambiente”.

Os estudiosos da mediunidade sabem que ela não é um fenômeno restrito de nosso tempo e cultura. Se assim fosse, ela seria apenas um produto da imaginação humana que deseja enxergar o sobrenatural, e não estaria fundada na verdade. Por este motivo, encontramos referências dos fenômenos mediúnicos em praticamente todas as tradições, culturas, civilizações e tribos arcaicas. Essa universalidade, quando avaliada de forma desapaixonada e sem ortodoxias, permite uma apreciação mais clara e pura de como se processam os fenômenos que o Espiritismo associa a mediunidade. Colher e apurar, com mente aberta, relatos tradicionais e oficiais da Igreja sobre a mediunidade dos santos é entender com mais profundidade esse universo gigantesco do potencial transcendente da consciência humana.

Uma das referências mais antigas sobre sonhos e visões pode ser encontrada no Velho Testamento, nos sonhos e visões do profeta Daniel. Vemos escrito que “Quanto a estes quatro jovens, Deus lhes deu o conhecimento e a inteligência em todas as letras, e sabedoria; mas a Daniel deu entendimento em toda a visão e sonhos”. (1:17) e ainda “Então foi revelado o mistério a Daniel numa visão de noite; então Daniel louvou o Deus do céu. Daniel” (2;19). Daniel apresenta também o fenômeno da precognição, visão do futuro, quando prevê a queda do império persa e o destino do povo hebreu. 

Esta é apenas uma referência de muitas que poderiam ser citadas do fenômeno da profecia, ou conhecimento do futuro, encontrada na Bíblia. Este, porém, não é um fenômeno mediúnico, mas algo produzido pela visão psíquica do próprio indivíduo. Não há aparentemente nenhuma intervenção espiritual na produção dessa visão. As visões que teve em sonhos, por outro lado, pode ser anímica (do próprio espírito) ou mediúnica (de um espírito alheio) dependendo das circunstâncias do sonho.

Hugo Lapa

03 junho 2017

As energias da alma - Momento Espírita

 

AS ENERGIAS DA ALMA


O quarto dele mais parecia um depósito. Sobre um móvel havia quadros, fotos, tudo amontoado, sem ordem alguma.

Pelo chão, estavam espalhadas caixas de aparelhos eletrônicos, há muito tempo sem utilidade.

Pastas, cadernos, livros, papéis faziam pilhas pelos cantos, em cima de mesas e cadeiras.

Numa grande estante, estavam fitas cassete, de vídeo, DVDs e CDs. Notava-se, além da desorganização, o desleixo, porque uma grossa camada de poeira podia ser vista.

O armário, por sua vez, mal podia ter as portas encostadas, abarrotado que estava de roupas, casacos, sapatos, chinelos.

Interessante que a quase totalidade desses itens já não lhe servia. No entanto, tudo ficava ali guardado para ser utilizado, algum dia.

A casa toda era uma grande confusão, demonstrando que organização e limpeza, andavam longe dali, há muito tempo.

A organização do ambiente em que vivemos ou no qual trabalhamos, dos móveis, objetos, roupas, retratam o nosso mundo interior.

Por causa disso, importante aprendamos a renovar a energia dos ambientes em que nos encontramos, abrindo janelas, permitindo que os raios do sol a tudo invadam e que o vento realize a sua visita benfazeja, varrendo para longe os miasmas acumulados.

Da mesma forma, nos disciplinarmos para manter estantes e armários organizados, descartando ou doando a terceiros tudo o que não mais nos seja de utilidade.

Roupas que permanecem o verão, primavera, outono e inverno sem deixarem as gavetas, as prateleiras, estão exigindo doação.

Quando abrimos espaços em caixas, baús, estantes, ao mesmo tempo estamos dilatando nossas próprias percepções mentais.

Arejando a casa, o escritório, igualmente arejamos a mente.

E se nos dispomos a doar roupas e utensílios que não nos estão sendo úteis, pensemos em quantos benefícios poderemos proporcionar a quem deles necessita.

Dilatando espaços físicos, nos sentiremos mais leves, com um ar de renovação a nos envolver.

Com o nosso ambiente externo organizado, é igualmente importante analisar mais profundamente outra situação.

Na maioria das vezes, também costumamos guardar entulho dentro de nós mesmos.

São mágoas, desgostos, tristezas, sofrimentos passados, lembranças de dores vividas e revividas que vamos arquivando na intimidade.

E se objetos amontoados se enchem de poeira e roupas encerradas em armários tendem a ficar emboloradas e se tornarem alimento para traças, esses sentimentos e emoções retidos em nossa intimidade, somente nos causam incômodos, desconforto, gerando doenças.

E, da mesma forma que a luz solar fica impedida de adentrar um local abarrotado de coisas, a luz do amor fica impossibilitada de adentrar um coração cheio de sentimentos negativos.

Para nosso próprio bem, façamos circular as energias, as boas energias.

Ventilemos os ambientes externos, organizando e retirando o que não usamos, e renovemos nossos sentimentos, deixando o amor fluir.

A higiene física nos auxilia a ter boa saúde. As boas energias da alma nos auxiliam a manter o equilíbrio interior.

Pensemos nisso. 


Por Redação do Momento Espírita



02 junho 2017

Existe realmente um Destino? - Décio Ney Rocha Naves



EXISTE REALMENTE UM DESTINO?


Estimados e amoráveis Irmãos, um pensamento sobre forma de dúvidas que, em meu íntimo, não quer calar: existe ou não existe o Destino? Pois afirmamos com letras maiúsculas que as coisas não ocorrem por acaso. Se tudo está determinado, onde ficaria meu livre arbítrio e a decisão para mudar as coisas e processar a evolução, por exemplo:

Nessas mortes coletivas, como esse acidente do avião onde estava a comitiva Chapecoense, p.e., tsunamis, enchentes, destruição em massa como no Haiti.... etc.,

Nesses casos todos, estavam adredemente planejado para tudo isso ocorrer e as pessoas que foram “vítimas”, como a espiritualidade as reuniram para que aquele evento se processasse com as mesmas. E como ficam aquelas pessoas que estavam para viajar, para participarem de um dado evento onde a ocorrência de morte em massa se processou, por alguma razão desistiu ou ficou impossibilitada na hora? A espiritualidade superior teve alguma dificuldade em reuni-las para aquele fenômeno da morte coletiva? 

Fazemos as seguintes considerações: Kardec diz que é para o melhoramento das pessoas e promover a evolução espiritual, bem como sensibilizar os encarnados para a prática do amor;

Leon Denis fala, sobretudo em um complemento de existências, de alguma forma, suprimidas em encarnações anteriores;

Emmanuel diz muito a respeito dessas mortes coletivas, são espíritos comprometidos em vidas transatas e que, de certa forma, com provas similares ou iguais a serem resgatadas, vêm na presente reencarnação e sofrem esses reveses cármicos adredemente planejados na vida espiritual.

Relativamente à questão 851 está ali bem consignada à existência de um destino, vamos dizer assim, quanto ao nascimento e morte, contudo podemos utilizar o livre arbítrio e alterá-lo. Sabemos também que por forças morais, podemos alterar uma prova previamente traçada, etc.

Algumas pessoas não espíritas, inclusive nos criticam por esse destino tão propalado e que dá-nos uma comodidade tal que e como somos sabedores que tudo deve acontecer dessa ou daquela forma, então por que vou fazer diferente para mudar uma situação que está determinada? Gera, com isso, comodismo e inação do ser humano.... etc. Dizem mais, que é uma doutrina do sofrimento.

Outra: nem “bala perdida” existe em nossa doutrina, aquela pessoa estava passando ou estava no lugar certo, no momento exato e deveria morrer daquela forma. Ora, se a pessoa que deu o tiro em função de uma briga, por exemplo, deveria ser "punida" com uma punição mais branda porquanto a mesma ajudou aquela outra a cumprir seu destino?

Sua participação é muito importante, mesmo que falando sobre algum item acima, pois com isso, irá contribuir com várias pessoas.

Bjs em vosso coração!!!




01 junho 2017

Parentesco e Filiação - Emmanuel



PARENTESCO E FILIAÇÃO


1 – A morte arquiva os serviços inacabados das criaturas humanas?
No mundo, a morte parece uma estação de problemas insolvíveis, arquivando serviços inacabados. Entretanto, isso é apenas aparência.

2 – As consequências dos crimes obscuros dos homens terminam com a morte?
Dramas passionais, crimes que não foram investigados pelos juízes humanos, tragédias íntimas e assaltos na sombra, cujos protagonistas sabemos identificar por vítimas e carrascos, não desaparecem no silêncio do túmulo, porque a vida prossegue, além da morte, desdobrando causas e consequências.

3 – O Princípio de causa e efeito funciona além da morte?
O princípio de causa e efeito tanto funciona na existência humana, quanto além dos implementos físicos perecíveis.

4 – Para onde nos conduz a morte?
Porque nós outros, seres humanos, encarnados e desencarnados, somos ainda discípulos imperfeitos e inexperientes da vida, a morte não nos impele, em definitivo, às esferas superiores e nem nos rebaixa, indefinidamente, a círculos degradantes.

5 – Para as criaturas humanas, o que significa a vida terrestre?
Considera-nos a Lei Divina por inteligências juvenis, sob o patrocínio da escola, concedendo-nos, na vida terrestre, o mais alto campo edificante e reeducativo.

6 – Qual a conexão entre a consanguinidade e o destino?
Nos elos da consanguinidade, reavemos o convívio de todos aqueles que se nos associaram ao destino, pelos vínculos do bem ou do mal, através das portas benditas da reencarnação.

7 – Que precisamos para vencer na luta doméstica?
Devemos revestir-nos de paciência, amor, compreensão, devotamento, bom ânimo e humildade, a fim de aprender e vencer, na luta doméstica. No mundo, o lar é a primeira escola da reabilitação e do reajuste.

8 – O que foram, em vidas anteriores, os pais despóticos?
Quase sempre, os pais despóticos de hoje são aqueles filhos do passado, em cuja mente inoculamos o egoísmo e a intolerância.

9 – E o filho rebelde?
O filho rebelde e vicioso é o irmão que arrojamos, um dia, à intemperança e à delinquência. 10 – E a filha desatinada? A filha detida nos desregramentos do coração é a jovem que, noutro tempo, induzimos ao desequilíbrio e à crueldade.

11 – E o marido desleal?
O marido ingrato e desleal, em muitas circunstâncias, é o mesmo esposo do pretérito, que precipitamos na deserção, com os próprios exemplos menos felizes.

12 – E a esposa desorientada?
A companheira desorientada que nos amarga o sentimento, é a mulher que menosprezamos, em outra época, obrigando-a a resvalar no poço da loucura.

13 – E os parentes abnegados?
Os parentes abnegados, em que nos escoramos, são os amigos de outras eras, com os quais já construímos os sólidos alicerces da amizade e do entendimento, propiciando-nos o reconforto da segurança recíproca.

14 – Como influi o nosso passado no clima familiar e na atividade profissional?
Cada elo de simpatia ou cada sombra de desafeto, que surpreendemos na família ou na atividade profissional, são forças do passado a nos pedirem mais amplas afirmações de trabalho na vitória do bem.

15 – Em vista de tudo isso, que nos cabe fazer ante os parentes?
Diante dos parentes e dos companheiros de jornada, consagremo-nos à felicidade de todos e façamos o melhor ao nosso alcance, a benefício de cada um.

16 – O que devemos fazer se a presença de alguém nos é penosa?
Se a presença de alguém nos é penosa ou difícil ao coração, anulemos os impulsos negativos que nos surjam na alma e convertamos as nossas relações com esse alguém numa sementeira constante de paz e luz.

17 – Todo laço de parentesco possui razão de ser?
Ninguém possui sem razão esse ou aquele laço de parentesco, de vez que o acaso não existe nas obras da Criação.


Pelo Espírito Emmanuel
Livro: Leis de Amor
Francisco Cândido Xavier,/Waldo Vieira
 

31 maio 2017

Fez-nos falíveis - Orson Peter Carrara



FEZ-NOS FALÍVEIS


Não é difícil constatar a realidade das imperfeições morais que todos carregamos. Ainda somos seduzidos pela vaidade, pela ganância, pela arrogância. Também sucumbimos às variadas paixões, pelos interesses egoísticos, pelo orgulho desvairado. Somos capazes de manipular nos bastidores, transitamos com malícia e libertinagens nos caminhos da mentira e da corrupção; mentimos, trapaceamos, enganamos, enganamos a própria consciência. Cobiçamos bens alheios, invejamos posições, ficamos enciumados e carregamos boa dose de prepotência e pretensões descabidas, sem qualquer sentido que as justifiquem.

A realidade atual do planeta é bem destacada demonstração da mediocridade interior que ainda caracteriza nossa condição humana. O Brasil, por sua vez, mostra o total desequilíbrio que fomos nos situar por força dessas imperfeições todas que nos faz discutir por bagatelas, perdendo-nos dos verdadeiros interesses do viver para aprender.

Desanimador? Não! Motivador, ao contrário.
A Sabedoria Divina nos fez falíveis. Criou seres ignorantes justamente para que aprendessem e amadurecessem pela experiência das vivências, nos enfrentamentos todos que todos os dias são verificáveis. Fazendo-nos falíveis, passíveis de equívocos variados, dominados e seduzidos por paixões e interesses diferentes, sabia desses salutares enfrentamentos e equívocos que nos permitiríamos por ignorância e principalmente por ILUSÃO. Sim, iludidos pelo poder, pela autoridade, pela ganância, por pretensa superioridade.

Mas aí está o grande “x” da questão. Justamente por sermos falíveis e tais equívocos nos encaminharem às colheitas da semeadura – mais cedo ou mais tarde –, somos levados igualmente às reavaliações de posturas e comportamentos, amadurecendo a consciência e elevando o sentimento.

Convenhamos! Em quantas ilusões nos apegamos! Quanta bobagem, quanta ilusão com valores perecíveis! Observemos as lutas de interesse do país. A que isso levará? A curto e médio prazo, a aflições que poderiam ser dispensadas. A longo prazo a experiência constatadora do quanto tempo perdemos com bagatelas.

A realidade é, pois, altamente motivadora aos aprendizados. Retirar dessas situações todas experiências reflexivas para sermos melhor. Melhorar o padrão moral, o comportamento, o palavreado, sublimar os interesses, desenvolver a fraternidade.

Estamos ainda muito iludidos pelo TER, esquecendo a principal finalidade de viver; o SER. O ser que ama, que respeita, que aprende, que reconhece sua pequenez e movimenta forças para viver solidário. Iludidos, ficamos nas infindáveis discussões, esquecendo o principal.

Verifique-se as esferas de poder. Retrato fiel do império do materialismo, total desconhecimento de nossa realidade imortal. Mas busque-se também a esfera individual, na própria consciência. Como estamos? O que estamos sentido? O que buscamos? Quais nossos verdadeiros interesses? Há um sentido para tudo isso: é o Divino Convite do Supremo Doador da Vida para que assumamos nossa condição de dignidade, saindo da esfera dos falíveis para a envergadura dos que se esforçam para a libertação dessa autêntica prisão da ignorância. Fazer-nos falíveis é Sabedoria que convida à permanente busca da perfeição, ainda que relativa. Em outras palavras, para síntese conclusiva: educação de nós mesmos, especialmente no sentir e viver a dignidade de nossa condição de filhos de Deus! Preconceitos e ilusões só levam a doloridos tropeções... melhor a disciplina do aprendiz que supera gradativamente a condição de falíveis. 


Por Orson Peter Carrara

30 maio 2017

O conflito da mentira - Jane Maiolo


O CONFLITO DA MENTIRA

Não lhes escrevo porque não conhecem a verdade, mas porque vocês a conhecem e porque nenhuma mentira procede da verdade. Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? (1 João 2:21-22)

O médico Sigmund Freud, nascido em maio de 1856, criador da psicanálise, afiançava que a causa da histeria era de fundo psicológico, e não orgânico. Sua hipótese servia de base para os demais conceitos que desenvolvia, sobretudo sobre a estratificação do inconsciente.

Um ano após o nascimento de Freud, em 1857, nascia a Doutrina Espírita, consubstanciada pelas pesquisas e observações fecundas de Allan Kardec, pseudônimo do professor Rivail, um exímio pensador francês, que apresentava ao mundo, à época, um novo e instigante princípio: a de que o espírito sobrevive ao túmulo e se comunica com os homens oferecendo novas revelações.

A imensa necessidade de reflexões que cogitavam um sentido maior para a vida começavam a ganhar espaço nas conversas entre os pensadores, educadores e cientistas da época.

A humanidade ainda carregava o ranço deixado pelos materialistas sistemáticos e niilistas.

O ser humano diante de inúmeras angústias, correspondentes aos períodos de aferição de valores morais, buscava respostas na ciência para suas anedônicas vidas, visto que estava desiludido com a religião oferecida pelos sacerdotes de todas as designações religiosas.

Ciência e a Filosofia encetam seus marcos ante ao homem afoito em encontrar respostas para os crescentes problemas existenciais. O “mundo espiritual” providenciava naquela conjuntura, a reencarnação de espíritos que colaborariam com as reflexões propiciando o avanço dos conceitos humanos sobre o ser espiritual e a vida real.

A Verdade sempre produz obras que edificam. E o Cristo sempre à frente das conquistas humanas.

A advertência joanina ainda ecoa na psicosfera planetária: “Não lhes escrevo porque não conhecem a verdade, mas porque vocês a conhecem e porque nenhuma mentira procede da verdade. Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo?”

Freud traz ao conhecimento acadêmico a teoria da consciência humana que subdivide-se em três níveis: Consciente, Subconsciente e Inconsciente – o primeiro contém o material perceptível; o segundo, o material latente, mas passível de emergir à consciência com certa facilidade; e o terceiro contém o material de difícil acesso, isto é, o conteúdo mais profundo da mente, que está ligado aos instintos primitivos do homem.

As teses psicanalíticas não se inteiraram da verdade sobre a imortalidade da alma e a conservação de suas memórias emocionais, contudo desconfiava que nem tudo pertencia ao cérebro. Freud mostrou a psique e Kardec o espírito e sua imortalidade. Ambos mudaram o conceito do Soma. Isto é, existe algo além dele. Não era a finalidade de Freud provar ou comprovar a existência do espírito, porém contribuiu com as ideias espiritualistas, indiretamente, mostrando o outro lado das doenças.

O Espiritismo comtempla e integra os seres humanos em suas três dimensões: física (orgânica), mental (psicológica) e espiritual. Desde que o homem atingiu as faculdades da razão ele busca caminhos para suavizar a sua performance ou soluções para minimizar os impactos indesejáveis nas suas relações com o outro, com o mundo e com a divindade. O consciente, o pré-consciente e o inconsciente compõem as estruturas do homem eterno.

A convivência com o próximo nem sempre é fator sereno e os conflitos de opiniões tendem a surgir nas experiências cotidianas. A neurociência afirma que os comportamentos mentais que se repetem constroem “pontes” de fácil acesso para que se estabeleçam os hábitos.

A rede neural é composta de uma capacidade plástica espantosa. Dizemos que uma rede neural "aprende" quando uma ação (repetidas vezes) alimenta os circuitos de tal forma que, em situações futuras análogas, o conjunto alcance resultados melhores e mais rapidamente.

As sinapses disparada vão construindo pontes a fim de encurtar a distância e quando se dá conta o comportamento mental fora modelado surgindo o hábito. Mentir, dissimular ou enganar passa-se a ser hábito dos fracos. O conflito sobre mentir ou não surge quando o homem jaz sob confusão de valores e adota o caminho da mentira, a partir de então, o indivíduo passa a ter o comportamento mentiroso, blindando o sentimento de culpa.

O hábito da mentira é danoso ao homem pois que este perde a referência de si mesmo.

A deformidade do caráter do indivíduo surge diante de pequenos episódios que por pusilanimidade e imaturidade moral não soube contornar.

A transparência, a autenticidade nas relações humanas constituiu um princípio ético a se conquistar.

Em que pese Sigmund Freud ter analisado os distúrbios de personalidade asseverando que muitos transtornos ofereciam um fator meramente psicológico e não necessariamente orgânicos, o Espiritismo vai além, pois aprecia a interação mente e corpo. Assim sendo, explica que os transtornos psíquicos e a saúde orgânica são espelhos de escolhas que fazemos, razão pelo qual urge moldarmos na mente sadia as obras da verdade, apresentando o Cristo nas obras diárias, edificando assim a verdade na interação com o semelhante.



Referência bibliográfica:

1 João 2:21-22

29 maio 2017

Espiritismo e Traição - Morel Felipe Wilkon



ESPIRITISMO E TRAIÇÃO



Como já é de se esperar, a traição é extremamente negativa, tanto para a pessoa que trai mas também por quem é traído. A traição é a essência da quebra de confiança entre duas pessoas. Mas o que tem a ver a traição e o espiritismo? Vamos mostrar alguns exemplos das consequências desses atos.

Antes de tudo é preciso esclarecer que existem diversas formas de traição. É possível trair um marido ou uma esposa, uma namorada, um pai, um filho ou até mesmo um colega de trabalho. Como falamos acima, a traição é a quebra de confiança entre duas pessoas, ou até entre um grupo de pessoas, no caso de um ambiente familiar ou de trabalho. Para este texto, vamos ficar somente no caso da infidelidade conjugal.

Normalmente a pessoa que traí o conjugue considera esse ato um pequeno deslize, um tropeço, mas é muito difícil para a pessoa traída superar este acontecimento.

O Espiritismo, através da literatura, nos apresenta vários de casos de traição que ocasionaram grandes tragédias, perseguições além-túmulo que perduram por muito tempo.

Talvez nenhum ato gere tanto sofrimento quanto a traição. Sei que pode haver traição em qualquer relação; Judas traiu Jesus, Dalila traiu Sansão, Brutus traiu César, Silvério traiu Tiradentes, Hitler traiu Stalin.

Mas eu me refiro à traição conjugal, à quebra de confiança entre duas pessoas que se relacionam amorosamente. Não sei se há maior motivo de mágoa e rancor do que o sentimento gerado pela traição. 

Vários gêneros musicais retratam a traição; o tango e a música sertaneja são exemplos. Há pessoas que se notabilizam por traírem ou serem traídos.

A traição abala estruturas emocionais frágeis. É um ato que atinge vários pontos fracos de uma vez só. O orgulho ferido, o amor-próprio despedaçado, o sentimento de posse desrespeitado, o sentimento desconsiderado, a decepção com alguém importante e, provavelmente, amado.

Conheci dezenas de casos de traição. Todos eles dolorosos. Poucos os traídos que superam a situação com facilidade, sem dar ao caso mais importância do que realmente tem. Porque se analisarmos friamente, o que mais gera dor é o orgulho, o sentimento de posse e a crença na própria importância.

Quando nos relacionamos seriamente ou nos casamos, nos sentimos de posse da pessoa amada. Queremos seus passos sob controle. 

Mesmo nas relações onde reina a confiança mútua e onde há mais liberdade, há códigos de proibições. Tem aquelas coisas, lugares, pessoas ou atividades que são proibidas de comum acordo. Uma dessas coisas, quase sempre, é o sexo fora da relação. É proibido. A cultura milenar monogâmica não admite a possibilidade de que uma pessoa estranha à relação possa se envolver, mesmo que só sexualmente, com um dos cônjuges.

Recebo relatos de pessoas que traíram ou foram traídas. Pedem conselhos, orientações. O que dizer, que já não seja dito para todo mundo? Perdoar, pedir perdão, orar, aprender com o erro e não repeti-lo. Não há orientação que resolva os conflitos gerados pela traição. Mesmo que haja o perdão, é difícil manter a relação. Como recobrar a confiança? Como não lembrar?

A traição conjugal deixa claro nossa condição moral precária, nosso acanhamento espiritual. Perdoar é conceder nova chance. Se a distância ou a separação for uma condição para o perdão, talvez não seja perdão verdadeiro…

A traição é um erro dos mais graves e deve ser evitada a qualquer custo. O preço de alguns momentos de prazer (que talvez nem sejam compensadores) é muito alto. É dor para quem trai, para quem é traído e para as demais pessoas envolvidas. No caso de adultério entre pessoas casadas, são famílias inteiras pagando o preço de uma irresponsabilidade nascida de um desejo carnal… Sem contar as consequências futuras. É muito provável que a traição deixe sequelas a serem sanadas depois do desencarne.

A dor da traição é tão forte nas pessoas que ela pode perdurar mais de uma encarnação, gerando prejuízos de longo alcance. A literatura espírita está repleta de casos sobre o assunto, quando a dor e o prejuízo da traição ultrapassa a vida do infiel e impacta sua vida, e a da pessoa que foi traída, nas encarnações que estão por vir.

A chave para superar uma traição é o perdão, seja ele sucedido por uma nova chance ou pelo fim da relação. Perdoar é o primeiro passo para superar e seguir em frente.


Morel Felipe Wilkon
Espírito Imortal

28 maio 2017

Sobre a liberdade e a obsessão - Antônio Carlos Navarro



SOBRE A LIBERDADE E A OBSESSÃO



Em se tratando de obsessão e liberdade sempre haverá o que reavaliar.

O livro Roteiro, ditado por Emmanuel ao grande médium Francisco Cândido Xavier, traz lições altamente esclarecedoras a respeito do intercâmbio mental entre as criaturas humanas, estejam elas encarnadas ou desencarnadas.

No capítulo vinte e cinco da referida obra, intitulado “Ante a vida Mental”, entre outras coisas, encontramos:

“A mente é manancial vivo de energias criadoras.

O pensamento é substância, coisa mensurável.

Encarnados e desencarnados povoam o Planeta, na condição de habitantes dum imenso palácio de vários andares, em posições diversas, produzindo pensamentos múltiplos que se combinam, que se repelem ou que se neutralizam.

Correspondem-se as ideias, segundo o tipo em que se expressam, projetando raios de força que alimentam ou deprimem, sublimam ou arruínam, integram ou desintegram, arrojados sutilmente do campo das causas para a região dos efeitos.

Quem mais pensa, dando corpo ao que idealiza, mais apto se faz à recepção das correntes mentais invisíveis, nas obras do bem ou do mal.

E, em razão dessa lei que preside à vida cósmica, quantos se adaptarem, ao reto pensamento e à ação enobrecedora, se fazem preciosos canais da energia divina, que, em efusão constante, banha a Humanidade em todos os ângulos do Globo, buscando as almas evoluídas e dedicadas ao serviço de santificação, convertendo-as em médiuns ou instrumentos vivos de sua exteriorização, para benefício das criaturas e erguimento da Terra ao concerto dos mundos de alegria celestial.”

E no capítulo seguinte, o de número vinte e seis, intitulado “Afinidade”, esclarece o Grande Benfeitor como que a complementar o acima transcrito:

“O homem permanece envolto em largo oceano de pensamentos, nutrindo-se de substância mental, em grande proporção.

Toda criatura absorve, sem perceber, a influência alheia nos recursos imponderáveis que lhe equilibram a existência. Em forma de impulsos e estímulos, a alma recolhe, nos pensamentos que atrai, as forças de sustentação que lhe garantem as tarefas no lugar em que se coloca.

De modo imperceptível, “ingerimos pensamentos”, a cada instante, projetando, em torno de nossa individualidade, as forças que acalentamos em nós mesmos.

Por isso, quem não se habilite a conhecimentos mais altos, quem não exercite a vontade para sobrepor-se às circunstâncias de ordem inferior, padecerá, invariavelmente, a imposição do meio em que se localiza.

Se nos confiamos às impressões alheias de enfermidade e amargura, apressadamente se nos altera o “tônus mental”, inclinando-nos à franca receptividade de moléstias indefiníveis.

Se nos devotamos ao convívio com pessoas operosas e dinâmicas, encontramos valioso sustentáculo aos nossos propósitos de trabalho e realização.

Falamos sempre ou sempre agimos pelo grupo de espíritos a que nos ligamos.

Somos obsidiados por amigos desencarnados ou não e auxiliados por benfeitores, em qualquer plano da vida, de conformidade com a nossa condição mental.

Daí o imperativo de nossa constante renovação para o bem infinito.

Trabalhar incessantemente é dever.

Servir é elevar-se.

Aprender é conquistar novos horizontes.

Amar é engrandecer-se.

Trabalhando e servindo, aprendendo e amando, a nossa vida íntima se ilumina e se aperfeiçoa, entrando gradativamente em contato com os grandes gênios da imortalidade gloriosa.”

Estas informações são claríssimas, e seria de muito valor revisarmos os referidos capítulos integralmente, quando não o livro todo, para que possamos entender, definitivamente, que os processos obsessivos, ou a experiência da liberdade espiritual, começam em nosso próprio mundo mental, e consequentemente nas ações que perpetramos, porque estas sempre serão construções assentadas sobre o alicerce chamado pensamento.

Pensemos nisso.



Antônio Carlos Navarro

27 maio 2017

Consciência Reencarnatória - Richard Simonetti

 
CONSCIÊNCIA REENCARNATÓRIA


Avançam as pesquisas sobre a reencarnação. Há incontáveis livros publicados, particularmente na Europa e nos Estados Unidos.

Envolvem aspectos variados, com destaque para as reminiscências espontâneas.

É significativo o número de pessoas que se recordam de vidas passadas. Algo ponderável, principalmente por envolver, geralmente, crianças sem nenhum interesse ou capacidade para forjar histórias fantásticas. Por outro lado, a Terapia das Vivências Passadas (TVP) coloca médicos e psicólogos em contato com vidas anteriores dos pacientes, acumulando evidências e farto material para pesquisa.

Dizia-nos um psicólogo:

– Já não tenho dúvidas sobre a Reencarnação. Eu a vejo, clara, inconfundível, nas reminiscências induzidas, em que meus pacientes descobrem, surpresos, acontecimentos de ontem que estão repercutindo hoje em seu psiquismo, originando males variados. Eles superam muitos problemas a partir dessas experiências. Passam a lidar melhor com fobias e desajustes diretamente relacionados.

Não há como negar o peso da reencarnação na balança de nossa economia psíquica. Freud estava no caminho certo quando concebeu que nossos males guardam relação com experiências traumáticas do passado. Infelizmente, por não aceitar a reencarnação, resvalou para a fantasia em suas conclusões.

Para nós, espíritas, o avanço das pesquisas sobre a reencarnação constitui motivo de satisfação. Gratificante ver nossa crença disseminada, nossos princípios evidenciados, influenciando os profissionais de saúde, a caminho de uma medicina psicossomática, interessada em desvendar os mistérios do Espírito imortal para resolver os problemas do homem perecível.

Consideremos, entretanto: Não basta constatar uma realidade. Imperioso que repercuta em nossa vida. Não basta admitir ideias. É preciso cultivar ideais.

A reencarnação não é apenas um princípio lógico e racional, que explica as diferenças humanas. Fundamental ver nela um precioso estímulo, ajudando-nos a superar nossas próprias limitações.

Para tanto, é preciso formar uma consciência reencarnatória, a convicção de que estamos em trânsito pela Terra, numa viagem que se iniciou há milênios antes do berço, e se estenderá rumo ao infinito, além-túmulo.

Não podemos nos limitar aos interesses materiais, à satisfação de nossos desejos em relação ao imediatismo terrestre, visando sucesso, conforto, riqueza, prazer… Acima de tudo, cogitemos da edificação de nossas almas, o empenho em superar imperfeições, valorizando o ensejo de aprendizado da jornada humana.

Oportuno indagar, diariamente, a nós mesmos:

O que cultivo – iniciativas, desejos, interesses, atividades – diz respeito a minha condição de Espírito imortal?

Estou crescendo em conhecimento, responsabilidade e discernimento? Ou tenho privilegiado o homem perecível, a perseguir ilusões?

Fundamental essa análise introspectiva. Há algo de vital importância em jogo: O nosso futuro!


Richard Simonetti

26 maio 2017

Conselhos Úteis - Joanna de Ângelis

 

CONSELHOS ÚTEIS


Utilize as horas com moderação,realizando cada tarefa por sua vez,sem interrupção.

Trabalho continuado-rendimento virtuoso.

Modifique sem mais tardança o conceito negativo a respeito de quem você conheceu num momento infeliz.

A opinião má que se renova não contribui para a sementeira da fraternidade.

Antes que os labores diurnos o surpreendam,realize no leito a comunhão com o Senhor,através da meditação.

O homem mantém a comunicação com o Pai celeste pelos invisíveis fios do pensamento.

Resguarda-te da enfermidade cultivando a higiene mental.

Mente asseada,corpo equilibrado.

Recolha em cada dificuldade a mensagem oculta de advertência para a vida.

Obstáculo vencido,aprendizagem inesquecível.

Acomode-se ao temperamento alheio,vencendo as imposições de instinto,quando a serviço do auxílio.

Quem relaciona dificuldades,não dispõe de tempo para ajudar

Receba o intrujão com delicadeza,expondo-lhe a verdade sem arrogância deliberada.

Todo usurpador se transforma em algoz de si mesmo.

Precavenha-se da agressão do ódio pelo exercício do amor.

A constância no bem imuniza o homem contra o contágio das misérias morais.

Aceite o sofrimento como fenômeno natural da experiência evolutiva.

A infibratura moral,consolida-se no fragor das batalhas diária.

Repare a terra submissa e boa,sulcada pelo arado para a dádiva do pão.

Aprenda com ela a lição de humildade e deixe que o agricultor compassivo transforme sua vida num seminário de amor para o bem de todos.

Harmoniza-te com a vida,adquirindo o tesouro valioso da paciência e use-a como instrumento de luta.

Nas competições destrutivas,aguarda a tua vez.

Nas lutas de predomínios,espera o teu lugar.

Nos choques da ambição,permanece em paz.

Não te desequilibre quando os múltiplos convites ao desespero estiverem assolando as tuas resistências.

Cada experiência te brindara maior capacidades para outros cometimentos,preparando os seus sentimentos para vitórias mais amplas. Assim fica alerta e paciente,conhecendo a lei de justiça,compreendendo que tudo acontece para a necessidade da sua evolução,não fique aflito,nem te apresses,sem tardança,porém com paciência tenha atitudes dignas,sempre aguardando o correto resultado das tuas realizações.

Com paciência conquistaras tudo,conquistaras a si mesmo para o bem e para a paz.

Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo P.Franco

25 maio 2017

Em relação ao próximo - Momento Espírita


EM RELAÇÃO AO PRÓXIMO

Conviver, relacionar-se é inerente à condição humana.

Para bem vivermos em sociedade, desenvolvemos, ao longo dos séculos, conquistas civilizatórias capazes de tornar a convivência mútua mais suave, mais agradável.

Assim, hoje não é mais aceitável que dejetos sejam jogados em via pública. Na Idade Média, no entanto, isso era corriqueiro. Considerado comportamento comum.

Na atualidade, faz parte da educação respeitar os locais públicos, tais como prédios, jardins, parques, o transporte coletivo, a escola.

Esse é nosso primeiro movimento positivo em relação ao próximo: a educação.

Agimos educadamente quando cedemos o lugar à pessoa idosa no transporte, assim como quando respeitamos a fila e a vez das pessoas, em qualquer lugar.

Porém, pensando no próximo, podemos ir um pouco mais além.

Por exemplo, além de educados, podemos ser simpáticos.

Assim, se somos educados ao cumprimentar o caixa do supermercado, poderemos ser simpáticos se o cumprimentarmos com um sorriso.

Somos simpáticos quando perguntamos ao porteiro Como vai?, extrapolando a educação que nos pede simplesmente para saudá-lo.

A simpatia gera laços de relação com nosso próximo, o que a mera educação não exige e a civilização não obriga.

Entretanto, podemos não nos limitar a sermos simpáticos, agradáveis. Em alguns momentos, a vida nos sugere que sejamos mais que isso.

É o convite para nos servirmos da empatia, esse exercício de nos colocarmos no lugar do outro para compreendermos suas dificuldades.

A empatia nasce, justamente, da compreensão emocional das dificuldades e problemas alheios.

Com empatia, julgamos menos e compreendemos mais porque entendemos as limitações e circunstâncias do próximo. Como consequência, teremos um olhar mais doce para ele.

Até mesmo as reações mais desagradáveis do outro nos atingirão de forma mais amena, com menor intensidade.

E, além da empatia, é possível estreitar ainda mais os nossos laços, em relação ao próximo.

Nesse sentido, o movimento mais nobre que podemos exercitar é o da compaixão. Se a empatia é a compreensão, a compaixão é a ação. Tomados de compaixão, somos capazes de extrapolar nossos interesses a fim de agir em benefício do outro, sem nenhum ganho pessoal.

Na compaixão nosso movimento é o de minimizar as dores de quem padece, física ou moralmente.

A compaixão é a dinâmica do amor colocada em ação.

Educação, simpatia, empatia e compaixão são movimentos amorosos.

Ao exercitá-los, lembremos que há sempre um patamar acima, onde podemos avançar nas conquistas íntimas de nossa alma.

Se somos educados, adicionemos ao nosso comportamento a simpatia.

Se a simpatia já é nossa conquista, avancemos pelos degraus da empatia.

Se já compreendemos o outro nas suas dificuldades, avancemos tentando minimizá-las, tomados de compaixão.

Dessa forma, a pouco e pouco, avançaremos, no grande desafio que nos propõe Jesus, de amar ao próximo como a nós mesmos.


Redação do Momento Espírita