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15 agosto 2021

A Babel do Espiritimo - Marcelo Henrique Pereira


 A BABEL DO ESPIRITISMO

Ufanismos Espíritas: dos Espíritos, de Kardec ou dos Espíritas?

Muitas vezes me pego folheando a Revue Spirite, esse notável repositório de informações acerca do Espiritismo. E comparo várias dissertações com os textos de Kardec esparsos nas obras “mais densas” em que está presente a Filosofia Espírita e, nesse caso, sob a chancela do controle universal. Já destaquei inúmeras vezes que os textos da Revista devem ser lidos com atenção e interesse, mas sem a intenção de colocá-los, de pronto, como verdades indiscutíveis. O laboratório de Kardec permitiu-lhe, de 1857 a 1869, colocar “n” temas para debate e maturação, tanto é que, em variadas situações, as páginas mediúnicas foram motivo para alterações do pensamento de Kardec (e dos Espíritos) na revisão de algumas de suas obras.

Há um entusiasmo por vezes exacerbado de Kardec em relação à “proposta do Espiritismo”. Esperava ele que a difusão dos conhecimentos espiritistas pudesse levar a novas mentalidades – individuais e coletivas – as quais, sob bases espíritas, permitiriam a construção de novas sociedades e conduziriam o planeta, a passos largos, ao progresso.

Isto fica patente no texto em que Kardec fala dos “períodos do Espiritismo”, analisando passado, presente e futuro – naquele quadrante da segunda metade do século XIX – quando ele projetou para meados do século XX a entrada do planeta numa era de regeneração. Já estamos caminhando para a segunda década do século XXI, e a barbárie, as sandices, as violências e as intolerâncias nos dão provas cabais de que regenerados é que os homens em geral, em sua imensa maioria, não estão.

Há quem diga que o planeta permanece evoluindo a passos largos (Lei do Progresso) e que as descobertas e experimentos científicos, a modernidade das relações e das comunicações, a conquista de direitos de gerações mais adiantadas (quarta, quinta), são demonstrativos das “previsões” dos Espíritos Superiores. Como se o conhecimento e o progresso tecnológico, material, científico fosse atestado de dianteira na senda evolutiva, tão-somente.

"As contingências sócio-político-econômicas, as relacionadas à linguagem e às relações entre indivíduos, povos e Estados, o diálogo interfilosófico e inter-religioso, os acordos de convivência política no plano internacional, ainda sofrem em face da intransigência dos interlocutores e, ao passo que em dada década avançam, em outras recrudescem, como resultado da aplicação de ideias pessoais, crenças e paixões, ainda primitivas, ou voltadas à conversão, escravização e dominação de consciências. O que falar, então, das barreiras ideológicas, das de crença, e as derivadas da dificuldade de compreensão em face da língua que se fala?"

Erasto, um dos Espíritos Superiores mais marcantes em toda a Codificação tem esse traço de otimismo exacerbado – ou, como pontuo no título deste artigo, um UFANISMO ESPÍRITA. Sim, porque ao falar “dentro” da obra do Espiritismo, Erasto, personagem conhecido do Cristianismo se destaca como intérprete espírita e suas ideias devem ser interpretadas como espiritistas – e não como signatárias da verdade cristã, anterior a 1857.

Em um trecho contido na Revue (Novembro, 1862, “Origem da linguagem”), ele ditou (a cento e cinquenta e sete anos atrás, portanto): “a Humanidade marcha para uma língua única, como consequência forçada de uma afinidade de ideias em Moral, em Política, e sobretudo em Religião”. Incrível! Afinidade de ideias morais, políticas e religiosas como condutoras da unificação da linguagem humana planetária!

O que podemos dizer disso? Você, amigo ou amiga, vê algum traço disso ao seu derredor? Ligando a TV ou acessando sites de notícias e informações, percebe algum sinal (ainda que de fumaça, em distante horizonte) de sinergia, entendimento, esforços conjuntos, para o estabelecimento de BASES reais e claras em termos de Moral (filosofia), Política e Religião! Tirando, aqui ou ali, um evento isolado, promovido quase sempre por entidades educacionais ou ONGs voltadas a questões de interesse coletivo, não se consegue divisar quase nenhum traço dessa proposta conciliatória. E conciliar, aqui, simboliza o gesto de desprendimento que minimiza posições pessoais e busca acordos em que não há vencedores ou vencidos, superiores ou inferiores, líderes ou seguidores.

O Ufanismo de Erasto contagiou Kardec em inúmeros trechos da obra. É fato que, ao se deparar com inúmeras páginas de elevação moral, genuínas propostas para a caminhada, relatos de realidades extrafísicas que aguardam os seres que se adiantam na trajetória de progresso, cumpridas as etapas anteriores de provas e expiações – como é a tônica deste orbe – Kardec se “empolgou” com a perspectiva de raiar uma Nova Era para a Humanidade, com indivíduos e coletividades despertos, conscientes, fraternos e construtores desta nova realidade. Mas tal (ainda) não ocorreu. E, a olhos vistos, deve tardar, diante de tantas iniquidades e pouquíssimos rasgos de lucidez em termos de consciência e ação, nos nossos dias.

E o que vemos, então, senão ESPÍRITAS DEMASIADAMENTE ENTUSIASMADOS, falando em “datas limites” para a “transição planetária”, compondo histórias fantásticas, que bem poderiam ser enredos de películas cinematográficas (ou já são!), com a encarnação de seres “alados” (Espíritos de Luz) a povoar o planeta e a assumirem postos de liderança e condução de “rebanhos”. Por falar em rebanho, a postura e a manifestação dos “arautos espíritas” (os mais conhecidos, nacional e internacionalmente, assim como os mais modestos, “astros” locais da oratória dos centros e eventos) continuam a repetir seus bordões que cultuam a religião espírita como o ponto de convergência de todas (!) as demais religiões (“em nome do Cristo”) e que irão espalhar os “princípios espíritas” mundo afora, pois todos hão de reconhecer sua validade e aplicabilidade (!), levando um sem-número de adeptos à posição genuflexa de “crer cegamente” (ainda que se fale em fé raciocinada), porque “Deus está no comando”, “os Espíritos Superiores nos orientam e fazem por nós” e que muitos “guias”, já encarnados, estarão à frente da nau (espírita e planetária), com “Jesus no leme”.

"O ufanismo “dos Espíritas”, infelizmente, não me seduz nem me tem como membro do séquito que, dia após dia, repete esses mantras como “verdades”. E ai de quem – com a Filosofia Espírita como diretriz – disser o contrário! É “acusado” de tudo! É considerado como “obsedado”. Ou então se questiona: – quem é você para duvidar dos “mentores” ou dos “palestrantes”? Vá fazer, primeiro, o que fulano ou beltrano tem feito, apra depois dizer algo diferente das “orientações” que ele nos traz… "
 
É isso , amigos, a Babel Planetária prossegue e, de modo pontual, também é visualizada entre os espíritas. Os espíritas “crentes” não admitem que lhes confrontem ou lhes advirtam em nome da razão – bem poderia ser a kardeciana fé raciocinada, não é mesmo? – e os diversos grupos que se intitulam espíritas, laicos, científicos, filosóficos, religiosos, federados, e as demais adjetivações que vemos por aí, associadas a determinados autores ou médiuns e expositores, prosseguem cada qual com as suas “verdades”, sem nenhum interesse nem esforço de buscarem atentar para a proposta de Erasto. Sem a mínima compreensão da LINGUAGEM (que não se refere, unicamente, a idiomas) continuaremos proclamando o UFANISMO ESPÍRITA e muito distantes da Terra de Regeneração.

Por fim, até compreendo o Ufanismo de Erasto (por estar, ele, mais adiantado e “de fora” do mundo físico que é a nossa morada atual), o de Kardec (que estava diante de uma doutrina nascente, com a qual permaneceu à frente por cerca de doze anos). Mas não posso me contentar com o dos espíritas, pois já temos as diretrizes da Filosofia Espírita há praticamente cento e sessenta anos, mais de um século e meio, considerando que seria muito mais adequado do que teorizar acerca do Espiritismo, dar-lhe as condições efetivas de se tornar realidade de entendimento mundial. E por que não o fazemos, então?
 
Marcelo Henrique Pereira

14 agosto 2021

Filhos Adotivos e Processo Reencarnatório - Fernanda Oliveira

 
FILHOS ADOTIVOS E PROCESSO REENCARNATÓRIO

“Não habitou meu ventre ,mas mergulhou nas entranhas da minha alma.
Não foi plasmado do meu sangue, mas alimenta-se no néctar de meus sonhos. 
Não é fruto de minha hereditariedade, mas molda-se no valor de meu caráter.
Se não nasceu de mim, certamente nasceu para mim.
E se mães também são filhas, e se filhos todos são duplamente abençoado és, meu filho do coração.”  (Autor desconhecido)

Adoção do latim adoptio, do verbo adoptare, escolher, adotar. A adoção cria o vínculo de parentesco civil semelhante ao da paternidade-maternidade e filiação legítimas, análogo ao que resulta da filiação biológica. Constitui um parentesco eletivo, pois decorre exclusivamente de um ato de vontade. Modalidade de filiação construída no amor, constituindo vinculo de parentesco por opção e afeto, enraizado no exercício da liberdade.

Kardec esclarece em O Evangelho segundo o Espiritismo: “Os laços do sangue não criam forçosamente os liames entre os Espíritos. O corpo procede do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito, porquanto o Espírito já existia antes da formação do corpo. Não é o pai quem cria o Espírito de seu filho; ele mais não faz do que lhe fornecer o invólucro corpóreo, cumprindo-lhe, no entanto, auxiliar o desenvolvimento intelectual e moral do filho, para fazê-lo progredir.” A genética define o físico, não o espírito.

Reencarnação significa o retorno do espírito em um novo corpo carnal. Vivemos uma única vida, já que somos, cada um, apenas um espírito. Ocorre que pela pluralidade de existências corpóreas, temos a oportunidade de inúmeras passagens pela Terra como encarnado para podermos evoluir. Durante essas inúmeras encarnações experimentamos uma serie de biótipos físicos, nascemos ora homem, ora como mulher; ora rico; ora pobre; ora saudável; ora doentes, etc.

Para nós, a vida começa quando Deus nos criou como espíritos. Nosso nascimento na verdade é um novo renascimento, uma nova chance de aprendizagem, Já nascemos e morremos inúmeras vezes antes dessa nova vida atual. Reencarnação é uma benção, é uma lei natural da evolução espiritual.

Grande parte dos fatos que ocorrem em nossa encarnação fazem parte do nosso planejamento reencarnatório, nada é por acaso, tudo foi planejado e elaborado pela espiritualidade para promover as alterações cármicas e de evolução necessárias paras as pessoas envolvidas. Porém durante a caminhada podemos através do nosso livre-arbítrio modificar e alterar esse planejamento com nossas escolhas e atitudes.

A cada encarnação trazemos em nossa “bagagem” o necessário para que nossa experiência seja a mais adequada ao que precisamos viver. Deus nos criou a todos iguais, simples e ignorantes, deixou-nos livres para escolhermos nosso caminho no bem ou no mal. Somos o resultado de múltiplas vivências em diferentes séculos.

Somos seres gregários viemos ao mundo para nos relacionar, o ser humano possui a necessidade de pertencer. Toda oportunidade nos conduz a um aprendizado novo, tornando-nos diferentes do que fomos. O bom vínculo é afetivo, comunicativo – o fato de alguém carregar o seu sangue não implica que não possa prejudicá-lo com o seu comportamento. Os genes estabelecem um vinculo hereditário que não implica um vinculo de afinidade. No conceito espírita de família importam o amor e a afinidade, não apenas a genética. O organograma da família atualmente é diferenciado com vários tipos e ramificações.

Família espiritual são aqueles que possuem afinidade conosco, que pensam e agem de forma parecido. A vida em família é um importante aprendizado para a vida em sociedade. A felicidade vem dos pequenos gestos éticos, pelo exemplo de atitudes de luz e da capacidade de mantermos relações empáticas.

“Procurando o bem para os nossos semelhantes, encontramos o nosso.”( Platão)

Adotar é um processo de procura, encontros e resultados. Ato de amor, aceitação, desprendimento e empatia. Vontade que vem da mente e do coração resgatando em nós o afeto, a compaixão e fraternidade. Na maioria das vezes é um encontro de seres planejado pela superioridade com muitas possibilidades de aprendizado e evolução.

A adoção não precisa necessariamente estar no planejamento de reencarnação dos envolvidos; pois gestos de afeto não estão condicionados necessariamente a outras encarnações ou dividas anteriores; ou ser necessariamente um acerto de contas ou resgate. Podem ser espíritos comprometidos pela lei do retorno e de ação e reação, que combinaram de forma planejada esse reencontro de forma madura e coerente. Há espíritos que reencarnam para serem filhos adotivos e em seu planejamento podem ou não escolherem seus pais. Cada nova encarnação é uma nova oportunidade para crescermos e superarmos imperfeições, a adoção é uma grande e iluminada oportunidade de elevação moral e aprendizado.

Não nos lembramos das nossas escolhas anteriores, que fazem parte da dinâmica natural da vida espiritual, se um acontecimento está no planejamento, ele fará tudo para ser realizado e será sempre para o bem e para o crescimento; mas a maneira que cada indivíduo irá agir será de acordo com as suas escolhas no momento das ocorrências, do uso do seu livre-arbítrio. A consciência pelos atos é proporcional ao entendimento e intenção. Através das escolhas o espírito é autor do seu próprio desenvolvimento.

Os espíritos superiores trabalham intensamente para que esses encontros sejam bem-sucedidos já que a adoção envolve fraternidade, afeto e é uma valorosa atitude de amor.

A doutrina espírita é favorável a tudo que reforce o amor, a caridade, solidariedade, as relações empáticas e de auxilio ao próximo. A gente é mais feliz quando caminha promovendo a felicidade dos outros.

Vamos caminhando com pequenos gestos do querer baseados no afeto e no respeito com muitas energias positivas.

"Somos feitos de átomos, mas a nossa essência tem que ser o amor." (Samanta Merlin)

Fernanda Oliveira
Fonte:
Blog Letra Espírita

Referências:
 
DIAS, Maria Berenice. Manual de Direito das famílias. Editora Juspodium 
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Editora Boa Nova 
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Editora EME 
NETO, Alexandre Caldini. A vida na visão do espiritismo. Editora Sextante https://ospontosdevista.blogs.sapo.pt/frases-do-facebook-se-nao-nasceu-de-1415083 (acesso em 12 de junho de 2021)

13 agosto 2021

Imagem da Dor - Orson Peter Carrara

 
IMAGENS DA DOR

Crianças paralíticas ou com deformidades variadas, inclusive cerebrais, cegos de nascença, tumores que se exteriorizam, abandono, fome, misérias morais que se expressam de tantas formas, perturbações intensas ou tragédias que se vê diariamente, expressam imagens de dor refletindo hoje, muitas vezes em desdobramentos de arbitrariedades de ontem...

Na verdade, constituem inicialmente convites para a compaixão e para o auxílio ao nosso alcance. Mas também nos fazem ver as consequências do mal a quem a ele se entrega. São imagens educativas para que saibamos: 
 
a) A Lei Divina não é omissa; 
b) Mais cedo ou mais tarde todos seremos chamados à corrigenda.

Somos chamados a ajudar. E indicam para que não façamos o que fazem aqueles que se deixam seduzir pela violência, para que não suceda conosco o mesmo ou pior.

Por Orson Peter Carrara
Com pequenas transcrições o texto acima é inspirado no capítulo de mesmo nome, Imagens da dor, que está no livro Vigiai e Orai, de Bacelli/Irmão José.

12 agosto 2021

A Saudade é uma Dor que Fere nos Dois Mundos - Jane Maiolo

 
A SAUDADE É UMA DOR QUE FERE NOS DOIS MUNDO

Um dos princípios básicos da Doutrina Espírita é a imortalidade da alma. A Doutrina Espírita é um conjunto de leis, reveladas pelos Espíritos Superiores, contidas nas obras de Allan Kardec, como o objetivo fundamental de esclarecer, orientar e consolar os homens. Entretanto, mesmo com o manancial rico e fecundo das escrituras codificadas por Kardec, quando o assunto é morte, sofremos.

Ela, a morte, muitas vezes vem sorrateira, devagarinho, se insinua, se inscreve, marca seu território e somos obrigados a encará-la cada dia um pouco, a ponto de até aceitá-la. Porém, às vezes, ela vem sem aviso, se intromete, se atreve, roubando os tesouros e nos deixando perplexos, abatidos, com uma interrogação afásica, sem chão.

E assim a vida segue. Os que ficam… ficam assim: devagarinho, marcados, roubados, empobrecidos. Talvez, a grande lição da vida seja aprender a conviver com as separações: lentas, bruscas, estúpidas. Definitivamente não sabemos! Não queremos saber e nos recusamos aceitar, quando a dor é insuportável, entretanto, a morte é surda, é audaciosa, ela só faz o que quer fazer. Nessa briga de foice iremos sempre perder. Talvez, a outra grande lição da vida seja viver hoje como se não houvesse o amanhã, pois, o amanhã definitivamente não nos pertence. Sabemos que teremos outras oportunidades, porém, em outras experiências, permitidas por Deus.

O luto é um processo necessário, nem sempre alcançado por todos que perdem seus afetos. A confusão emocional se instala, a ausência do ser amado transforma-se num imenso oceano incolor, insípido e inodoro.

O grande paradoxo da morte é que a ausência se torna presença e não sabemos lidar com tantos sentimentos confusos. A tristeza, a raiva, a saudade, a frustação e o sentimento de impotência se agigantam. Todavia seguir adiante é preciso. O auxílio para elaboração das fases do luto é de fundamental importância a fim de se reconstruir, mesmo na falta.

No processo de luto, às vezes, sentimos negação e isolamento, como se estivéssemos em um sonho ruim e em breve iremos despertar. Sentimos raiva porque no fundo pensávamos que de alguma maneira poderíamos evitar o desfecho, tentamos de maneira quase infantil negociar um outro final com a divindade, com os espíritos superiores e nos sentimos frustrados pela negativa às rogativas.

Muitos estacionam na fase da depressão e se negam a chance de novamente fazer investimento amorosos em todos os sentidos. Entretanto, se vivenciarmos esses momentos conscientes da natureza dos fatos, aceitando que estamos todos num processo de ir e vir, nascer, morrer, renascer ainda e progredir, passamos aceitar que a vida é o que é, assim nos permitiríamos viver, mesmo com a ausência. Cada um de nós elaboramos o luto com suas peculiaridades, tempo e intensidade. Não existe um tempo fixo para determinar a sua elaboração saudável, assim, o relevante é compreender que temos que nos permitir viver, apesar da dor da saudade!

Como diria Chico Xavier: A saudade é uma dor que fere nos dois mundos. Sejamos fortes, sigamos adiante, afinal, viver hoje agradecendo as oportunidades da vida é sinal de sabedoria emocional.

Jane Maiolo
Fonte:
Kardec Rio Preto

11 agosto 2021

O Novo Normal - Momento Espírita

 
O NOVO NORMAL

Quando um vírus desconhecido ganhou lastro por todos os continentes, instalou-se a pandemia em nosso planeta.

Ele se alastrou na velocidade de um mundo sem fronteiras e distâncias, globalizado desde há muito.

Não tardou para que novos hábitos e costumes se inserissem no nosso cotidiano, exigindo atenção a detalhes antes desconsiderados.

Os apertos de mãos, abraços e rostos sem proteção foram rareando, nos necessários cuidados sanitários.

E tivemos que nos isolar uns dos outros, permanecendo em nossos lares.

Rapidamente passamos a comentar, nos noticiários e nas conversas informais, a respeito da instauração de um novo normal.

Aquilo que era tido como comportamento e atitudes normais, deviam, agora, ser repensados, reelaborados, para se inserir em novo contexto.

Efetivamente, é isso que a pandemia nos pede: uma reflexão, um novo olhar sobre o mundo e, acima de tudo, sobre nós mesmos.

Será que, efetivamente, o mundo estava em um estado normal? Será que nós estávamos na normalidade?

Podemos dizer que eram normais os nossos comportamentos ou os valores que conduziam nossas atitudes?

Talvez possamos pensar a esse respeito, antes de estabelecermos o nosso novo normal.

Há mais de dois mil anos, um homem especial propôs um novo normal.

Ele encontrou um mundo onde os poderosos sobrepujavam os fracos, onde a mentira poderia construir impérios e onde os frágeis, débeis e doentes eram desprezados, descartados.

Ele nos aconselhou a amar aos inimigos, e mesmo orar por aqueles que nos perseguem.

Ensinou que amar é uma questão de opção, e que a felicidade está na nossa capacidade de amar ao próximo como a nós mesmos.

Apontou que a ventura da vida se encontra em outros rumos, distante dos palácios e das riquezas temporárias. Está na intimidade do coração.

Esclareceu que Deus é Pai que nos ampara e provê a todas as nossas necessidades, porque nos ama infinitamente, mesmo nos enganos e nos tropeços.

Cantou as grandiosidades do Universo e a generosidade das Leis Divinas com simplicidade, para que, de coração simples, pudéssemos entender.

Porém, ao longo dos séculos, poucos nos convencemos de que era necessário estabelecer esse novo normal.

Quase todos permanecemos encastelados em nosso orgulho, cultivando atitudes egoístas.

Veio a pandemia para nos despertar e provocar reflexões.

Agora, sob os aguilhões da dor, não mais sob a bênção do amor, na doce proposta do meigo Rabi Galileu.

Busquemos, dessa forma, um novo normal. Mas que ele nasça não pautado apenas nos cuidados sanitários do vírus que a ciência analisa e estuda.

Em nossas almas, existem muitos vírus, que a ciência não detecta, mas que nos adoecem: os vírus da indiferença, da maldade, do egoísmo e do orgulho.

Para esse novo normal, que pretendemos construir, não permitamos todos esses vírus em nossas almas.

Busquemos a proteção para essas enfermidades, no tratamento maior que a figura incomparável de Jesus nos propôs: Amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a nós mesmos.

Redação do Momento Espírita

10 agosto 2021

Visão Espírita da Família - Vera Critisna Marques de Oliveira Millano


VISÃO ESPÍRITA DA FAMÍLIA


Qual seria para a sociedade o resultado do relaxamento dos laços familiares? Uma recrudescência do egoísmo. “O Livro dos Espíritos” – pergunta 775

“A família é a base fundamental sobre a qual se ergue o imenso edifício da sociedade. Toda vez que a família se enfraquece a sociedade experimenta conflitos, abalada nas suas estruturas.” Joanna de Ângelis  -  Obra: “Constelação Familiar”

Por desconhecer a finalidade desta instituição chamada família, grande parcela da humanidade duvida de sua importância, despreza sua estrutura e desvaloriza seus laços consanguíneos e afetivos.

Mas a Doutrina Espírita alargou nossos horizontes para além da vida física e revelou-nos a vida do Espírito imortal. Impulsionados pela Lei do Progresso somos submetidos a vivenciar diferentes experiências no plano físico, nas mais diferentes situações, para aquisição do conhecimento e da mais elevada moral. Impossível progredir sem reencarnar. E a alma que reencarna vem do Mundo Espiritual para progredir. Hoje já temos informações suficientes para que possamos conhecer o objetivo da família, a origem da sua formação e a sua finalidade.

Ensinam-nos os Benfeitores Espirituais, na questão 913 do “O Livros dos Espíritos” que o egoísmo é o vício mais radical e que dele deriva todo o mal. Dizem eles: “Estudai todos os vícios e vereis que no fundo de todos existe egoísmo… Quem nesta vida quiser se aproximar da perfeição moral deve extirpar do seu coração todo sentimento de egoísmo porque é incompatível com a justiça, o amor e a caridade: ele neutraliza todas as outras qualidades.”

É necessário extirpar o egoísmo que existe em nós e substituí-lo pela prática do amor e da caridade.

Deus, o Pai Nosso, conhecendo profundamente a fragilidade de seus filhos e os perigos que o egoísmo oferece para o nosso progresso, criou um mecanismo para nos auxiliar a combatê-lo: DEUS criou a FAMÍLIA, onde a proximidade física e os laços de afetividade trabalham na destruição deste vício.

Na busca do progresso e da evolução, indispensável reencarnarmos quantas vezes forem necessárias, e para que este retorno ao mundo material aconteça, necessitamos adquirir um novo corpo físico que somente será possível através da união de um óvulo com um espermatozoide, dando início à formação do feto que, desenvolvendo-se, nos colocará de volta ao palco da vida.

Portanto, já chegamos ao mundo físico, devendo gratidão aos nossos pais biológicos, pela oportunidade do regresso, como nos ensina “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, capítulo XIV: “Os laços de sangue não estabelecem necessariamente os laços entre os espíritos. O corpo procede do corpo, mas o espírito não procede do Espírito, porque o Espírito já existia antes da formação do corpo. O pai não gera o Espírito do filho: fornece-lhe apenas o envoltório corporal. Mas deve ajudar seu desenvolvimento intelectual e moral, para fazê-lo progredir. Os espíritos que se encarnam em uma mesma família, sobretudo entre parentes próximos, são o mais frequentemente, Espíritos simpáticos, unidos por relacionamentos anteriores que se traduzem por sua afeição durante a vida terrena. Mas pode ainda acontecer que esses Espíritos sejam completamente estranhos uns para os outros, separados por antipatias igualmente anteriores, que se traduzem também por seu antagonismo na Terra, a fim de lhes servir de prova”.

Concluem que “Os verdadeiros laços de família não são, pois, os da consanguinidade, mas os da simpatia e da comunhão de pensamentos que unem os Espíritos ANTES, DURANTE E APÓS SUA ENCARNAÇÃO”.

Existem as famílias espirituais e as famílias corporais. As espirituais, ligadas pelos laços do espírito, pelas afinidades, são duráveis, fortalecem-se pela depuração, crescimento e evolução dos seres e reencontram-se no mundo dos Espíritos, através de diversas migrações da alma. A misericórdia Divina proporciona também seu reencontro periódico no plano físico. Seus membros estão ligados pelos laços eternos do amor. As famílias corporais, ligadas somente pelos laços corpóreos, são frágeis como a matéria e as diferenças e as dificuldades de convivência revelam a necessidade do esforço, da dedicação e do empenho para que possamos transformá-la em extensão da nossa família espiritual. A obrigação de vivermos com os laços consanguíneos faz com que acabemos desenvolvendo os vínculos de afetividade entre Espíritos afins ou devedores que se reencontram, para que um dia possamos formar a família universal que Jesus mencionou: “Um só rebanho, um só pastor”.

Não existe acaso na Criação, e a benfeitora Joanna de Ângelis em “Constelação Familiar”, esclarece no capítulo 1:

“Esse grupamento familiar não é resultado casual de encontros apressados no mundo físico, havendo ocorrido nas esferas espirituais antes do renascimento orgânico, quando são desenhadas as programações entre os espíritos comprometidos, positiva ou negativamente, para os ajustamentos necessários ao progresso a que todos se encontram submetidos. Analisando-se as necessidades evolutivas, aqueles que se encontram com responsabilidades a cumprir juntos, constatam a excelência do cometimento que lhes ensejará reparação e crescimento intelecto-moral, em face dos erros passados, facultando-se a tolerância e o perdão das ofensas como fundamentais para a aquisição da harmonia”.

Família é instituição divina, com planejamento que antecede esta vida física, e que tem por objetivo o crescimento espiritual de todos os seus membros.

O nosso reencontro com o passado é inevitável. Não alcançaremos os mais altos degraus da evolução sem nos harmonizarmos com todos a nossa volta. Algumas vezes, impossibilitados de nos reencontrarmos, através dos laços da consanguinidade, Deus possibilita-nos através da adoção receber em nosso lar, o companheiro do passado, ligado a nós por amor ou tragédias, para que possamos nos amparar e sublimar as desavenças do pretérito. A adoção é um grandioso ato de amor, comprova a fragilidade dos laços consanguíneos e a certeza de que a paternidade e a maternidade do coração são mais vigorosas, e Deus jamais nos nega a possibilidade de sermos pais e educadores.

Não importa o lado formal da família, qual a estrutura que ela apresenta neste momento. O que realmente importa é aproveitar a oportunidade de aprendizado que Deus nos oferta através da convivência que poderá ser de carinho, alegrias com nossos afetos, ou de conquistas futuras com os desafetos do momento. Os afetos de hoje serão nossos amores de amanhã. Esta é a grande proposta de Deus para estabelecer na Terra a Família Universal, a humanidade unidade pelos laços do respeito e da fraternidade.

A família é o meio que Deus criou para que o Espírito, algumas vezes até mesmo de forma compulsória, possa aprender a pensar no outro, conviver com o diferente, vivenciar tolerância e resignação, exercitar perdão e assim desenvolver-se mais rapidamente.

Atualmente, com estrutura bastante diversificada, a família está exigindo de seus membros atitudes corajosas de renúncia e dedicação, oferecendo oportunidades grandiosas de revermos relacionamentos e de estendermos o amor e o perdão a todos que compartilham conosco as quatro paredes de nosso lar. Nos lares atuais encontramos situações delicadas e desafiadoras onde a dependência química, a violência, as dificuldades financeiras, as doenças, a ingratidão, a solidão, a traição e o desrespeito incorporam-se à rotina da família, que, quando frágil, desconhecendo o endereço do amor ensinado por Jesus, deixa-se vencer pelo desânimo, abandono, desespero, ódio, culpa, mágoas e pela revolta.

Torna-se urgente o despertar do Ser para o conhecimento de sua realidade espiritual para que possa compreender que as situações difíceis dentro e fora do lar não são castigos e, portanto, não existem vítimas na criação Divina. São situações geradas por nós mesmos, Espíritos imortais em trabalho de aprendizado e evolução, e existe sempre uma finalidade útil para todos os desafios que vivenciamos. As experiências na trajetória física transformam-se em lições de sabedoria para tornar mais fácil a ascensão do Espírito, para que, inclusive, ele possa ultrapassar os limites de progresso em que se encontra. Todas as aflições poderiam ser vivenciadas dentro de outro clima, caso o amor fosse escolhido como guia e roteiro. Somente o amor dispõe de recursos valiosos para que possamos enfrentar as situações penosas que se avolumam em nosso caminho. Somente o amor nos oferece os recursos poderosos da paciência, coragem, perseverança, perdão, compreensão e confiança em Deus.

A nossa tarefa mais importante é trabalhar a boa convivência na família. Na sociedade poderemos ser bons profissionais, ótimos executivos, grandes oradores, pessoas de fama e projeção social, mas se no lar estivermos devendo paciência, perdão, tolerância, respeito, atenção, indulgência, de nada nos valerá a evidência no mundo, pois estaremos falhando em nossos maiores compromissos, e nada disso é mais importante do que o sucesso nas nossas relações familiares.

E é assim que, neste convívio familiar, vamos sendo obrigados a nos procuparmos com os nossos próximos mais próximos, vamos diminuindo o nosso egoísmo, aprendendo a dividir, a repartir, a dar atenção, a conviver com o diferente de nós e a aceitar as pessoas como elas são. Fora do lar é mais fácil pensarmos somente em nós, usamos máscaras que favorecem nossos relacionamentos com as outras pessoas, para que possamos ser aceitos. Mas, é na intimidade da família que demonstramos nossos valores morais e quem realmente somos.

O lar é a escola que Deus criou para que pudéssemos aprender a convivência fraterna, a amar de diferentes formas. Amar como pais, amar como filhos, enteados, irmãos, primos, avós, tios, sogro, sogra, genro, nora, madrasta, padrasto e todos aqueles que a vida traz para perto de nós. Se a família fracassar nesta tarefa de reeducar o Espírito que chega, a sociedade sofrerá as consequências trágicas deste fracasso, abalada na sua estrutura e mergulhará no caos.

Em “Jesus no Lar”, capítulo um, Néio Lúcio, através de Francisco Cândido Xavier, relembra Jesus orientando-nos: “O berço doméstico é a primeira escola e o primeiro templo da alma. A casa do homem é a legítima exportadora de caracteres para a vida comum… A paz do mundo começa sob as telhas a que nos acolhemos. Se não aprendermos a viver em paz, entre quatro paredes, como aguardar a harmonia das nações? Se não nos habituarmos a amar o irmão mais próximo, associado à nossa luta de cada dia, como respeitar o Eterno Pai que nos parece distante?”

A família é a estrutura da sociedade, é a exportadora de homens e mulheres que formam a nossa sociedade, que constroem o nosso dia a dia. É instituição Divina e irá sobreviver heroicamente aos golpes que lhe têm sido desferido. Jamais desaparecerá da sociedade terrestre, sendo, portanto urgente a sua valorização, para que dentro dela eduque-se o homem renovado pela força poderosa do amor, que construirá a Nova Era, o Mundo de Regeneração.

Diante dos desafios que vivenciamos em nosso convívio familiar, é imprescindível buscarmos apoio na Verdade, e amparo no Evangelho de Jesus, para que possamos perseverar e vencer os compromissos luminosos que elaboramos no mundo espiritual.

Muitas vezes, visando nobres aprendizados em relação à construção da família Universal, solicitamos à Providência Divina a oportunidade de vivenciarmos a ausência de uma família física, para que possamos adquirir, no exercício da solidariedade e da amizade, os laços de afinidade que nos confortarão o coração, avançando assim para a elevada expressão de caridade conforme Jesus a pregou e a viveu em todos os momentos, antes e depois do Seu desencarne.

Importante lembrar que não importa qual seja a nossa atual estrutura familiar, a solução é, e sempre será, amar dentro do nosso lar! Para sustentarmos estes compromissos divinos é urgente levarmos Jesus para dentro de nossos lares, pois somente o amor, em suas infinitas expressões, ensinadas e vividas por Ele, é capaz de nos auxiliar nesta missão sagrada.


Vera Critisna Marques de Oliveira Millano
Livro: Evangelho no Lar, Nosso Encontro Com a Paz - Cap. 6
Fonte: Federação Espírita do Estado de S.Paulo (FEESP)

09 agosto 2021

Vários Mundos Habitados - Nilton Moreira

 
VÁRIOS MUNDOS HABITADOS

Certa ocasião um Homem disse: “na casa de meu Pai existem muitas moradas”.

Posteriormente através de estudos das palavras proferidas há quase 2000 anos por Ele, e com informações complementares da Espiritualidade, compreendemos que a casa é o universo e as moradas são todos os mundos espalhados e que são habitados, pois se existe casa tem de existir habitante.

Quem nos garante que existem vários mundos habitados é Jesus. E mesmo nosso raciocínio racional nos diz que Deus não criaria Astros apenas para recriar nossos olhos.

Essas moradas são de várias categorias, ou seja, umas mais evoluídas que outras, e no caso a Terra é uma que precisa evoluir muito ainda, pois é um Planeta onde ainda predomina o mal.

Por outro lado esclarecemos que as moradas referidas, no que a Terra se inclui, estão disponibilizadas em mundos superiores e inferiores ao nosso, e na mesma categoria do nosso existem vários.

Nos mundos superiores não tem doenças, desconhecendo-se os ódios, os mesquinhos ciúmes, não existindo o mal, sendo os sentidos mais apurados. A morte de modo algum acarreta os horrores da decomposição; longe de causar pavor, é considerada uma transformação feliz.

É evidente que não somos capacitados a enxergar com os olhos físico os habitantes de tais orbes, pois que neles habitam espíritos que possuem corpos adaptáveis a cada ambiente planetário!

O homem busca incessantemente descobrir vida fora da Terra, e certamente conseguirá deparar-se no momento oportuno, pois que ainda não estamos preparados para este encontro. Falta em nós evolução de sentimentos perseverados no bem para que possamos ter a revelação de mundos habitados, pois até hoje a Terra vive em conflito numa disputa de poder o que certamente seguiria acontecendo se tivéssemos o contato.

Mesmo agora quando foi necessária uma pandemia para apressar a depuração no Planeta, e mudar o comportamento de muitos no entendimento da necessidade do amor ao próximo e disciplina, ainda existe uma grande quantidade de mentes que continua refrataria em perseverar no bem. Nada na Criação foi sem objetivo. Deus é perfeito, e no momento certo os contatos acontecerão e isso possibilitará que o mundo passe a ter uma visão diferente da vida. Levará tempo, mas vivenciaremos.

Nilton Moreira
Artigo da Semana - Estrada Iluminada
Fonte:
Espirit Book

08 agosto 2021

Para onde você vai esta noite? - Vinícius Moura

 
PARA ONDE VOCÊ VAI ESTA NOITE?

A Doutrina Espírita se destaca pela análise profunda dos aspectos comuns de nossas vidas. Ela ilumina e amplia, por exemplo, o nosso entendimento do nascimento e da morte, da saúde e da doença e o papel do corpo na evolução do espírito. Biologicamente, o corpo requer descanso e chamamos este período de sono. Acontece que insuspeitáveis fenômenos ocorrem todos os dias durante o descanso do corpo. A nossa saúde física e mental, nosso estado de ânimo, a predisposição para o trabalho, a qualidade das relações e a evolução moral do espírito dependem deste instante, conhecido entre os espíritas como emancipação da alma.

Emancipar é sinônimo de libertar-se, tornar-se independente. Também significa ter responsabilidade pelos nossos atos. Muitos creem que o sono é uma atividade automática, ou seja, passiva, guiada única e exclusivamente pelo domínio do sistema neuroendócrino. Quem assim o concebe acaba por abdicar-se de seu controle, o que significa abrir mão de aproximadamente um terço da nossa vida. Agindo assim, negligenciamos o processo e somos os únicos responsáveis pelas consequências que se apresentarão no dia seguinte. Segundo a obra máxima da codificação, “O Espírito jamais está inativo. Durante o sono, afrouxam-se os laços que o prendem ao corpo e, então, não precisando o corpo de sua presença, o espírito se lança no espaço e entra em relação mais direta com os outros espíritos1 ”. Frequentemente, essa liberdade deixa lembranças na forma de sonhos bem objetivos ou, ao contrário, intensamente enigmáticos. Conclusão, a emancipação da alma, algumas vezes chamada de desdobramento espiritual, é uma das maneiras em que se estabelece o intercâmbio entre o plano físico e o espiritual.

Para os leigos no conhecimento espírita, vale a pena ressaltar que não foi a doutrina codificada por Allan Kardec que inventou a emancipação da alma e tudo mais que lhe sucede. Sua veracidade é encontrada muito bem descrita em todos os tempos e em todas as artes. No evangelho de Mateus, encontramos a seguinte narrativa: “Depois que partiram, eis que um anjo do Senhor apareceu a José em sonho e lhe disse: ‘Levanta-te, toma o menino e sua mãe, e foge para o Egito. Permanece lá até que eu te diga, pois Herodes há de procurar o menino para o matar’”2 . Inúmeros relatos, inclusive autobiográficos, encontram-se na literatura científica. Em 1845, o inventor Elias Howe Jr. sonhou que estava sendo atacado por canibais. Ele notou que as lanças do sonho tinham furos nas pontas e assim imaginou como as agulhas de uma máquina de costura poderiam funcionar. Conta-se também, sem uma comprovação oficial, que o DNA foi visualizado em sonho por James D. Watson e a estrutura da tabela periódica por Dmitri Mendeleiev. Muito conhecida também é a história da composição da canção Yesterday, a música mais regravada da história, composta por Paul McCartney em 1965. Essa canção surgiu durante um sonho quando Paul tinha apenas 22 anos. O pintor e fotógrafo polonês Zdzisław Beksiński surpreendeu a comunidade artística com suas obras inspiradas no surrealismo. A intenção do artista era “pintar de uma maneira como se estivesse fotografando sonhos”, mas, ao que parece, elas acabaram retratando pesadelos. De 1990 em diante, sua vida foi curiosa e lamentavelmente marcada por tragédias. Vale destacar que, durante as noites e neste mesmo período, tornou-se comum a presença de avisos nas portas dos artistas: “Poetas trabalhando”.

Este tema é muito útil para os que acreditam na existência do espírito e muito perigoso para os que descreem na atividade da alma mesmo durante o repouso do corpo. A grande questão que se apresenta aqui neste momento é: para onde vai e o que faz o espírito durante a emancipação da alma? Há quem diga que dormir é uma experiência da morte. Pela lei do esquecimento do passado, não posso assinar embaixo, pois não me lembro de como é morrer. No entanto, há muita similaridade entre dormir e morrer. Uma delas é que, durante o sono ou diante da morte, nós seguimos a direção dos nossos sonhos. Confuso? Explico. Cada alma vibra em determinada faixa e se move entre os limites extremos que nos sustentam. Nosso nascimento na Terra é a própria constatação dessa realidade. Nascemos na Terra e não em Júpiter, pois possuímos o passaporte “biopsiquicoespiritual” condizente com o planeta azul, e não com o gigante gasoso. Da mesma forma, seremos irresistivelmente atraídos para os ambientes e para as almas que se afinizam conosco. Nenhuma novidade aqui. Não é exatamente o que acontece hoje em sua vida? Você não está em ambientes e convivendo com pessoas necessárias para o seu progresso espiritual? De uma forma ou de outra, não foi você que escolheu? O Cristo resumiu esse fenômeno espiritual da seguinte forma: “Onde está o seu tesouro, aí estará o seu coração”. Simples assim. Suas preferências definirão paisagens, cenários, sensações e suas companhias espirituais.

Mas, o que fazer para evoluir nesse contexto? Estudo, humildade e mudança de hábitos são imprescindíveis. Assim como nos preparamos para sair de casa para trabalhar ou para ir a uma festa, é necessário nos prepararmos para adentrar a faixa sutil na qual a alma curtirá sua emancipação. E muita atenção ao longo do dia, pois o modo como vivenciamos as horas são determinantes para a qualidade do sono à noite. A boa notícia é que podemos elevar em diversos graus a nossa faixa vibracional. Mantenha conversações elevadas ao longo do dia, providencie alimentação mais leve antes de adormecer, pratique atividade física moderada, beba água, selecione vídeos, programas de TV e boa leitura antes de emancipar-se e não subestime a força da oração. Lembre-se: O sono é uma necessidade de repouso do corpo e a emancipação da alma uma oportunidade para o espírito. E por falar nisso, aonde você vai esta noite?


Referências:

[1] O Livro dos Espíritos. Parte Segunda – “Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos” – Capítulo VIII – “Da emancipação da alma”.
[2] Evangelho de Mateus (2:13).


07 agosto 2021

Efeito Colateral do Amor - Sidney Fernandes

 
EFEITO COLATERAL DO AMOR

Diante do sofrimento, há pessoas que fazem o bem buscando cura. Como alguém lhes disse que a assistência ao pobre, a contribuição à casa religiosa ou o trabalho voluntário pode lhes trazer alívio, assumem atitude altruística, visando benefícios, por interesse.

Muitas tomam gosto e, mesmo depois de curadas, tornam-se criaturas abnegadas, que sentem que é seu dever amenizar as dores do próximo. Com o passar do tempo, esquecem-se completamente do interesse, do dever, e passam a agir pela satisfação de ver o outro feliz, saudável e equilibrado. Eu diria que começaram a trilhar os primeiros passos do autêntico amor.

Detectei, caro leitor, não propriamente uma outra classe de caridosos, mas uma variação desta terceira, observando uma espécie de efeito colateral nos que, contínua ou esporadicamente, desprendem-se do egocentrismo humano e se tornam protagonistas de gestos inesquecíveis, ainda que de forma espontânea ou não intencional.

***

Roberto sofreu grave acidente de moto que o levou à morte encefálica. Sua irmã, que acompanhava de perto o paciente hospitalizado, autorizou o transplante de seu coração. A notícia deixou preocupada a mãe de Roberto, Izar, pois, com sua simplicidade, tinha dúvidas se o filho ficara bem e se havia aceito bem a decisão da irmã.

Izar foi quatro vezes a Uberaba. Na quarta viagem seu filho comunicou-se e lhe transmitiu o consolo e os esclarecimentos almejados, por intermédio de Chico Xavier. Eis um pequeno trecho de sua comunicação:

— Estou, mãezinha Izar, satisfeito por ter tido oportunidade de doar o coração, que se abeirava da imobilidade, a uma outra pessoa que com isto se beneficiaria. Segundo pode o seu generoso coração concluir, seu filho está feliz por ter encontrado o ensejo de cooperar em auxílio de alguém na hora da liberação que se achava prestes a se consumar.

Aqui temos, amigo leitor, um abençoado efeito colateral de um ato de amor. Roberto deixou bem claro que os reflexos benéficos que havia recebido no plano espiritual foram decorrentes da doação de seu coração.

***

Apeguemo-nos ao bem. No começo, incipientes no trato das coisas de Deus, talvez confundamos nosso comportamento, tentando estabelecer uma espécie de toma-lá-dá-cá com a divindade. Mas, no início é assim mesmo, porque pautamos nossas vidas pela partitura do egoísmo.

Mais adiante, mais equilibrados, tomaremos gosto e passaremos a fazer o bem por dever, para finalmente, ensaiarmos os primeiros passos em direção ao legítimo amor.

Fiquemos com Emmanuel:
O bem que praticares em algum lugar é o teu advogado em toda parte.

Sidney Fernandes
Fonte:
Kardec Rio Preto

06 agosto 2021

Sobre fomes, apetites, desesperos e gulodices - Marcelo Teixeira

 
SOBRE FOMES, APETITES, DESESPEROS E GULODICES

Há alguns anos, dois amigos de movimento espírita se casaram. A cerimônia foi no sítio da família do noivo, em uma cidade distante cerca de 100km de Petrópolis (RJ), onde moro. Decidimos fretar um ônibus. Assim, todos os convidados da Cidade Imperial iriam juntos. E chegariam com mais segurança ao local, já que nem todos conhecem a cidade, e o sítio está situado na zona rural. A família da noiva é de Petrópolis; a do noivo, de outra cidade vizinha. E havia também convidados de outras cidades, inclusive da capital.

A cerimônia civil estava marcada para o meio-dia, se não me engano. Em seguida, seria servido um opíparo almoço, já que a família do noivo é proprietária de vários restaurantes. Para que todos chegassem a tempo ao sítio, tiveram de acordar cedo e se produzir como convém à ocasião. E todo mundo tomou café da manhã bem cedo também. Eu, inclusive.

Era um sábado de feriado nacional, não me lembro qual. Casamento em zona rural, ou seja, nada de mercados, lanchonetes e afins. E se houvesse, talvez estivessem fechados. Tudo pronto para a cerimônia. Noivo e convidados a postos. Deram 12h, 13h, 13h30 e nada da noiva. Motivo: só havia um cabeleireiro e várias mulheres para serem penteadas. Além da nubente, havia a mãe e a sogra dela, além das madrinhas.

Uma agitação se instalou entre os convidados. Todos haviam tomado café da manhã muito cedo e ninguém conhecia a região para sair em busca de algum lanche. Mesmo porque, não havia nada por perto. E era feriado, ainda por cima. Quem poderia garantir se encontraríamos algo funcionando? A agitação foi se transformando em desespero causado pela fome; e nada da noiva chegar.

Foi quando o pai do noivo mandou improvisar uma tenda, na qual foram colocadas dezenas de pães franceses, além de fatias e mais fatias de queijo prato e presunto. Devem ter vindo de alguma padaria da região. Foi um Deus nos acuda! Os convidados, todos devidamente engalanados, maquiados e penteados, se acotovelaram, na disputa por um sanduíche.

Eu e os amigos de movimento espírita apenas observávamos. Aliás, tiro o chapéu para a turma espírita que estava presente. Nenhum de nós, apesar da fome, avançou na tenda. Patrícia, uma amiga, pediu para que eu, de forma civilizada, fosse até lá e fizesse um sanduíche para ela. Aquiesci e me aproximei tranquilamente. À minha frente, uma elegante senhora, entre desesperada e esbaforida, terminava de colocar várias fatias de queijo e presunto no pão. Não me arrisquei a entrar no embate. Preferi aguardar um pouquinho que fosse. Subitamente, só eu fiquei no local. Todos já haviam preparado suas iguarias improvisadas e se afastado. Havia sobrado meia banda de pão francês. Achei curioso como tanta gente faminta havia deixado aquela metade de pão para trás. Será que alguém montou o sanduba só com a outra banda do pão? Vali-me, então, de um guardanapo que também sobrara, peguei aquele pão, levei até Patrícia e disse que era o que havia restado para contar a história. Como ela preferiu não comer meia banda de pão seco, coloquei a iguaria de volta na mesa da tenda. Vai que alguém ainda à cata de uma migalha pudesse se interessar? Felizmente, minutos depois, a noiva chegou, o casamento se concretizou, o almoço foi servido e todo mundo se refestelou.

Confesso a vocês que foi um experimento e tanto ver como a fome faz muita gente descer do salto. E isso num caso de fome momentânea! Fico imaginando como deve ser com quem padece de fome crônica.

É bem interessante notar como a comida que é ofertada causa a mais variada gama de reações. No caso que narrei, tratava-se de uma cerimônia formal. Um enlace matrimonial. Ninguém foi lá para comer, embora soubesse que haveria almoço seguido de mesa de doces, bolo de casamento etc. E de fato foi uma tarde bem farta e variada. Mas como todos estavam há muitas horas sem comer, os sanduíches improvisados – e nos quais muitos dos presentes não tocariam se fizessem parte do menu oficial – se transformaram num manjar dos deuses a saciar a fome de adultos e crianças solenemente trajados para a ocasião.

Festas de casamento, aliás, são excelentes ensejos para observamos a relação que temos com fartura de comidas e bebidas. Já presenciei cenas que foram do divertido ao patético. Entre elas, casamentos em que os convidados depenaram a mesa de doces logo no início da festa. De nada adiantou as famílias dos noivos pedirem para os convivas deixarem a mesa intacta até o momento das fotos e de cortar o bolo. As trufas, “fondants”, bem-casados e afins foram atacados sem dó, nem piedade. E isso com o jantar sendo servido! Creio que a profusão de cores, aromas e sabores faz a turma comer com os olhos. E como o olho é maior que a barriga, lá se vai a mesa de doces para o tombo! E tem a ver com falta de educação também, convenhamos! Tem gente que não pode ver comida bonita, arrumada e em profusão. Às vezes não sobram nem os objetos de decoração que pertencem ao local onde a festa aconteceu. Já ouvi de um cerimonialista que ele teve de cobrar dos noivos por alguns jarros que os convidados levaram para casa. Jarros que eram propriedade da empresa de cerimonial.

Não precisamos, contudo, de um casamento com pompa e circunstância para atestarmos como do egoísmo derivam todos os males que assolam a humanidade, como diz a questão 913 de “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec. Falarei sobre dois que têm a ver com o assunto em questão.

O primeiro mal é a gulodice, que faz o cidadão pensar só em si na hora de se servir. Certa vez, num restaurante a quilo, uma senhora se deparou com dois pratos à base de camarão. Um deles era chuchu com camarão. Do outro, não me lembro. Eu estava imediatamente atrás dela. A mulher ficou maravilhada e começou a falar para si mesma (e para mim também, creio) que adorava camarão, que era uma iguaria estupenda e coisa e tal. Em seguida, pegou todo o camarão que havia nos dois pratos. O chuchu com camarão virou chuchu com chuchu. O outro prato também ficou desprovido do apreciado fruto do mar. A mim não afetou, e por um motivo bem simples: detesto camarão! Mas os clientes que vinham em seguida a mim decerto gostariam de se servir de tão badalada iguaria. Não puderam porque a lépida senhorinha de classe média sequestrou o camarão só para si.

O outro mal é o parco acesso que boa parte da população tem a uma mesa farta, nutritiva e colorida. Por isso, quando se depara com uma situação de fartura, a gula fala mais alto. Uma gula que pode ser sinônimo de uma fome nunca dantes saciada. E não falo somente sobre barriga vazia, mas sobre barriga que nunca teve acesso a uma alimentação rica e variada. A isso, Maria Luíza, amiga e colega de trabalho por muito tempo, dá o nome de fome tardia.

Marilu, como eu a chamo, teve uma empregada que vivia comendo em excesso. Até de um vinho de baixa qualidade que minha amiga guardava para temperar a carne de vez em quando, a empregada deu cabo. O mesmo destino tiveram algumas garrafinhas de uma bebida que ela comprou porque iria receber um casal de amigos. Quando abriu a geladeira, dos seis exemplares que Maria Luíza havia comprado, só restavam dois. A empregada tomara quatro. E fazia a mesma coisa se Marilu comprasse quindins, cocadas, pastéis, caquis, morangos, quibes, pêssegos… É a fome de quem sempre come mal e, ao se deparar com fartura, engole tudo para compensar a fome por uma despensa cheia e por não saber quando haverá ensejo de comer bem novamente.

Na mesma questão 913 de “O Livro dos Espíritos”, Kardec ressalta que o egoísmo é incompatível com a justiça, o amor e a caridade. Já na questão 875-a, é dito que a base dessas três virtudes é querermos para os outros o mesmo que queremos para nós mesmos. Aí, cabe a pergunta: por que nem sempre queremos para os outros a qualidade do que queremos para nós mesmos? Isso me faz lembrar um então prefeito brasileiro, que sugeriu dar ração como merenda escolar. Acharíamos justo se nossos filhos comessem ração humana na hora do recreio? Ou será que pensamos que só nossas crianças têm direito a levar sucos, sanduíches, frutas e bolos na lancheira? Julgamos natural que algumas crianças tenham direito a uma merenda farta enquanto outras comem ração? Se a resposta é positiva, aconselho pesarmos direitinho na balança da nossa consciência o que de fato quer dizer a palavra cristão.

Volto a “O Livro dos Espíritos”. Dessa vez, na questão 803, a primeira do capítulo sobre a lei de igualdade. Kardec indaga se todos os homens são iguais perante Deus. Os amigos espirituais respondem que todos tendem para o mesmo fim, que o sol nasce para todos e que todos são submetidos às mesmas leis da natureza. Em suma, todos têm as mesmas necessidades, alegrias, dores físicas e morais. Tenhamos em mente que a dor da fome, seja ela crônica ou momentânea, é imensurável e, antes de tudo, imoral. Afinal, o mundo tem capacidade de sobra para que todos tenham uma alimentação rica e saudável. Se o sol nasce para todos, há água, terra, ar, além de frutas, legumes, verduras e cereais para todos. O que atrapalha é a proposital má gestão dos bens que o planeta produz a fim de que os poderosos de sempre sejam beneficiados. A isso se dá o nome de egoísmo, a maior de todas as chagas morais que aturdem o homem.


P.S.: ainda pretendo fazer esse assunto render. Ele requer uma abundância de interpretações.


Biblliografia:

KARDEC, Allan – O Livro dos Espíritos, 60ª edição, 1986, Federação Espírita Brasileira (FEB), Brasília, DF.

05 agosto 2021

Cura pela Fé - José Rodrigues

 
CURA PELA FÉ

O Japão, um país praticamente todo dedicado à doutrina Budista, no ano de 1973 logo após Chico fazer sua apresentação no programa Pinga Fogo da TV Tupi, um rapaz que sofria enorme mal estar pela doença perniciosa que tinha: leucemia, sonhava com a cura. Por ser de família tradicional daquele país e por ter posses, o rapaz foi tratado por toda a medicina disponível no mundo e nada que a ciência pudesse fazer pelo jovem com sede de viver.

Certo dia recebeu em sua casa alguns presentes de parentes que viviam no Brasil e entre esses, uma fita cassete com uma palestra de Chico Xavier e ao vê-la, disse aos familiares que aquele homem poderia lhe curar. Começou nesse momento seus pedidos ao seu Deus para que pudesse receber deste a cura que tanto queria.

Após alguns anos de quando suas forças já estavam se perdendo, numa noite fria daquele país, o jovem japonês em um fenômeno sonambulismo vê entrar em seu quarto três pessoas: um era o Chico e os outros dois eram desconhecidos; um dos dois desconhecidos tocou em sua coluna com o indicador direito e ele sentiu como se tivesse recebido uma injeção fluídica e após isso ficou curado causando espanto a ciência médica da época.

Agradecido a Deus pelo ensejo, resolveu o jovem vir ao Brasil visitar o médium mineiro e com a ajuda de um interprete foi até a Uberaba visitar Chico; contou a ele seu feito e agradeceu pela cura contando sobre a visita do médium ao país oriental. Chico com aquele jeitinho de sempre e sorridente abraçou o jovem e disse que Jesus sempre atende quem tem fé e tomando de um quadro que estava dependurado a parede, ofereceu como presente ao jovem japonês. O jovem assustado disse: _ foi esse homem que tocou a minha coluna naquela noite em que o senhor me visitou com mais dois homens... e virando os olhos a outro quadro dependurado do outro lado falou: _ e aquele alí é o outro!

Chico emocionado e com os olhos rasos de lágrimas respondeu: _ Esse de barba branca e de olhos azuis é Dr. Bezerra de Menezes e esse outro é Emmanuel!

A história mostra que quando temos fé e merecimento, mesmo estando em lugares remotos os nossos amigos espirituais estão sempre presentes. Jesus disse: _ Onde estiver um ou dois reunidos em meu nome, alí estarei com eles! E Jesus não atende somente os Cristãos... Jesus atende quem D’Ele precisa sendo ou não cristãos... Jesus pode ser ao mesmo tempo todas as entidades conhecidas pelo mundo a fora indiferentemente de bandeira religiosa! Pensemos nisso.

José Rodrigues
Fonte: Espiritismo na Rede

04 agosto 2021

Desajustes - Emmanuel

 
DESAJUSTES

Sede indulgentes, meus amigos, porquanto a indulgência atrai, acalma, ergue, ao passo que o rigor desanima, afasta e irrita» O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO – Cap. X, Item 16

É comum observar-se que o casamento promissor repentinamente adoece.

Desvelam-se empeços dos cônjuges no ramerrão do cotidiano. Conflitos, moléstias, desníveis, falhas de formação e temperamento. Em certos lances da experiência, é a mulher que se consorciou acreditando encontrar no esposo o retrato psicológico do pai, a quem se vinculou desde o berço; em outros, é o homem a exigir da companheira a continuidade da genitora, a quem se jungiu desde a vida fetal..

Ocorre, porém, que o matrimônio é uma quebra de amarras através da qual o navio da existência larga o cais dos laços afetivos em que, por muito tempo, jazia ancorado. Na viagem, que se inicia a dois, parceiro e parceira se revelarão, um à frente do outro, tais quais são e como se encontram na realidade, evidenciando, em toda a extensão, os defeitos e as virtudes que, porventura, carreguem. Desajustes e inadaptações costumam repontar, ameaçando a estabilidade da embarcação doméstica, atirada ao navegar nas águas da experiência.

É razoável se convoque o auxílio de técnicos capazes de sanar as lesões no barco em perigo, como sejam médicos e psicólogos, amigos e conselheiros, cuja contribuição se revestirá sempre de inapreciável valor; entretanto, ao desenrolar de obstáculos e provas, o conhecimento da reencarnação exerce encargo de importância por trazer aos interessados novo campo de observações e reflexões, impelindo-os à tolerância, sem a qual a rearmonização acena sempre mais longe. Homem e mulher, usando a chave de semelhante entendimento, passam mecanicamente a reconhecer que é preciso desvincular e renovar sentimentos, mas em bases de compreensão e serenidade, amor e paz. Urge perceber que o “nós” da comunhão afetiva não opera a fusão dos dois seres que o constituem.

Cada parceiro, no ajuste, continua sendo um mundo por si. E nem sempre os característicos de um se afinam com o outro. Daí a conveniência do mútuo aceite, com a obrigação da melhoria do casal. Para isso, não bastarão providências de superfície. Há que internar o raciocínio em considerações mais profundas para que as raízes do desequilíbrio sejam erradicadas da mente. Aceitação, o problema.

Forçoso admitir o companheiro ou a companheira como são ou como se aboletam na embarcação doméstica. E, feito isso, inicie-se a obra da edificação ou da reedificação recíprocas.

Obvio que conclusões e atitudes não se impõem no campo mental; entretanto, não se arrependerá quem se disponha a estudar os princípios da reencarnação e da responsabilidade individual no próprio caminho.

Obtém-se da vida o que se lhe dá, colhe-se o material de plantio.

Habitualmente, o homem recebe a mulher, como a deixou e no ponto em que a deixou no passado próximo, isto é, nas estâncias do tempo que se foi para o continuísmo da obra de resgate ou de elevação no tempo de agora, sucedendo o mesmo referentemente à mulher. O parceiro desorientado, enfermo ou infiel, é aquele homem que a parceira, em existências anteriores, conduziu à perturbação, à doença ou à deslealdade, através de atitudes que o segregaram em deploráveis estados compulsivos; e a parceira, nessas condições, consubstancia necessidades e provas da mesma espécie.

Tão-somente na base da indulgência e do perdão recíprocos, mais facilmente estruturáveis no conhecimento da reencarnação, com as imbricações que se lhe mostram consequentes na equipe da família, conseguirão o companheiro e a companheira do lar o triunfo esperado, nas lides e compromissos que abraçam, descerrando a si mesmos a porta da paz e a luz da libertação.

Emmanuel
Psicografia de Francisco Cândido Xavier
Livro: Vida e Sexo - 12

03 agosto 2021

O Aborto Pode ser Considerado Livre-arbítrio? - Fernanda Oliveira

 
O ABORTO PODE SER CONSIDERADO LIVRE-ARBÍTRIO?

“Há, sim, a inconsciência prodigiosa
Que guarda pequeninas ocorrências.
De todas as vividas existências
Do Espírito que sofre, luta e goza.
Ela é a registradora misteriosa
Do subjetivismo das essências,
Consciência de todas as consciências,v Fora de toda a sensação nervosa.
Câmara da memória independente,
Arquiva tudo rigorosamente
Sem massas cerebrais organizadas,
Que o neurônio oblitera por momentos,
Mas que é o conjunto dos conhecimentos
Das nossas vidas estratificadas” (Augusto dos Anjos)


O livre-arbítrio é a capacidade que o ser humano tem de determinar a própria conduta, porque pode pensar e agir. Todos os seres possuem aptidão para progredir em virtude da sua liberdade de escolha, e cada um responde pelas conseqüências diretas e naturais dessas escolhas. O direito natural de liberdade está atrelado ao de responsabilidade, ou seja, quanto mais livre é o indivíduo, mais responsável ele deve ser. A responsabilidade produz o amadurecimento do ser ao longo das experiências vividas nos planos material e Espiritual.

A liberdade nos é concedida para que possamos ter uma visão mais lúcida de nós mesmos e das demais pessoas, de forma a discernir que papel devemos exercer na sociedade, quais são os nossos limites e possibilidades. Segundo Leon Denis no livro O Problema do ser, do destino e da dor:

O livre-arbítrio é, pois, a expansão da personalidade e da consciência. Para sermos livres é necessário querer sê-lo e fazer esforço para vir a sê-lo, libertando-nos da escravidão da ignorância e das paixões baixas, substituindo o império das sensações e dos instintos pelo da razão. (DENIS, 2005).

Todo Espírito encarnado ou desencarnado possui capacidade e aptidão para o exercício de diferentes atos; cada um tem a faculdade de escolher livremente a sua dinâmica de vida. Vidas são feitas de tempo, cada direção tomada é escolhida com base em algum conhecimento. Somos livres para seguir nossos valores e intuição e apostar no que o coração indica.

Segundo a definição do Dicionário Online de Português (ABORTO, 2021), aborto é a interrupção voluntária ou provocada de uma gravidez; o próprio feto expelido ou retirado antes do tempo normal; feticídio; interrupção intencional da gravidez da qual resulta a morte do feto. O aborto é um tema complexo que, muitas vezes, passa por crivos morais, ideológicos e religiosos e em muitos casos não é recebido pela ótica da saúde publica. É cercado de acusações íntimas, tornando-se um assunto difícil e delicado, com muitas nuances, divergências e discordâncias.

A cultura funciona para preservar e dar continuidade a um povo, é feita pelas pessoas e está sempre em transformação. A Revolução Agrícola modificou a forma de ser e viver dos indivíduos. Deixamos de ser nômades, sem habitação fixa e mudando sempre para sermos sedentários com residência fixa e cultivo dos próprios alimentos. A partir desse sedentarismo, construímos relações mais efetivas e afetivas com os nossos semelhantes, e a partir daí surge a família e as funções referentes aos papéis desempenhados dentro dela.

Quando o ser humano é reduzido a determinado papel retiramos a sua humanidade e o transformamos em objeto. Desde cedo as meninas são ensinadas a serem mães, divulgam uma idéia romântica e irreal da maternidade, mas toda mãe é um ser humano, um Espírito imperfeito em busca de evolução, e não alguém com superpoderes ou amor incondicional e infinito. A vida é feita de escolhas diárias, não precisamos problematizar tudo, pois não existe uma regra geral a ser seguida. Cada ser humano é um ser único, incomparável, nem melhor ou pior. Pessoas são diversas. São muitas as imposições criadas em nossa sociedade condicionando a mulher a assumir formas que agradam os outros, precisamos romper com uma visão única. A verdadeira consciência social é aquela que quer para os outros a mesma dignidade que quer para si. Não podemos florear toda gravidez, algumas são fruto de agressão, abusos, ignorância e muita dor. É necessário pensar além do senso comum, mulheres de classe privilegiadas pagam por procedimentos seguros, enquanto mulheres pobres ficam com danos graves à saúde ou morrem. O Ministério da Saúde registra 250 mil internações em decorrência de complicações no aborto.

Quando é mais significativo cativar uma crença, um dogma, um achismo e tornar-se escravo de padrões impostos, do que o respeitar a escolha de um ser humano, demonstramos a perda da capacidade de empatia e compaixão. Fala-se muito em empatia, colocar-se no lugar do outro é uma construção intelectual, moral e ética.

É imperioso superar crenças, dogmas religiosos ou sociais e superstições difundidas ao longo do tempo que terminam por impedir que cada indivíduo desenvolva com seu livre-arbítrio a sua personalidade e as suas competências.

A Justiça Divina se faz pelo tribunal da consciência, dotado de livre arbítrio, ou seja, da liberdade de escolha, é o Espírito o construtor de seu destino. Somos julgados por nosso próprio julgamento. Nossos sofrimentos são resultados de nossas condutas errôneas e indevidas no mundo terreno: “a cada um segundo as suas obras.” Deus espera que cada um faça a sua parte de acordo com as suas possibilidades.

O Espiritismo é a doutrina da liberdade de escolhas, da responsabilidade pessoal, da atitude autônoma diante da vida. As dificuldades, tribulações, dores enfrentadas na existência fazem parte de superação do Espírito que busca ganhar o domínio de si mesmo.

Não podemos julgar sem conhecer os fatos envolvidos nas escolhas das outras pessoas; não podemos ter uma opinião absoluta e concreta. Não sabemos como já erramos em outras vivências, a transformação vem no caminhar com erros e acertos, e não estamos aqui para julgar, ofender e humilhar as escolhas alheias.

A Doutrina Espírita elucida que há crime sempre que a lei de Deus é descumprida. Apesar disso, no Livro Dos Espíritos (KARDEC, 2019), acautela-se que se deve sacrificar o ser que ainda não existe e não sacrificar o que já existe, quando a mãe está em risco de vida. Então, o princípio não é absoluto. É preciso respeitar as escolhas, cada indivíduo tem seu próprio caminho. O aborto pode ser um ato imediatista de ignorância e da incapacidade do ser encarnado de pensar e conhecer além de sua experiência e vivência; pode ser uma escolha que sabote um potencial de evolução Espiritual ou moral, comprometendo o próprio desenvolvimento pessoal. Mas é também uma proibição que acaba fazendo com que outras práticas coloquem em risco a vida de mulheres e meninas. As estatísticas dos países onde o aborto é legalizado mostram que o número de abortos diminuiu; quando uma mulher aborta, há a necessidade de uma vida insatisfeita. Pode ser que a mulher optou por essa escolha por não ter acesso a métodos contraceptivos, informação e instrução sobre saúde sexual, que ela tenha sofrido violência ou abuso. Se o aborto é descriminalizado, essa mulher confia nos profissionais de saúde e consegue ter conhecimento para prevenir um segundo aborto. Essa mulher passa ter informação e aprendizado, vira fonte de informação para outras mulheres e para a comunidade onde vive, mudando a cultura local.

A liberdade de escolher é atributo fundamental da alma humana, base de sua moral. O desenvolvimento do livre-arbítrio segue o da inteligência. O saber traz discernimento para as responsabilidades diárias.

Vamos caminhando buscando pautar nossas escolhas na seara do bem, procurando o caminho da paz e do amor.


Fernanda Oliveira
Fonte: Blog Letra Espírita

Referências:

ABORTO. In: DICIO, Dicionário Online de Português. Disponível em: . Acesso em: 20 de maio de 2021.

DENIS, Léon. O problema do ser, do destino e da dor: os testemunhos, os fatos, as leis. 28. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005.

FIGUEIREDO, Paulo Henrique de. Autonomia, a história jamais contada do Espiritismo. São Paulo: Feal, 2019.

SAMPAIO, Lucas. Nem céu nem inferno - As leis da alma segundo o Espiritismo. São Paulo: Feal,

2020. GONÇALVES, Marli. Feminismo no Cotidiano. São Paulo: Editora Contexto, 2019.

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Catanduva: Editora Boa Nova, 2005.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Capivari: EME, 2019.

KARDEC, Allan. O que é o Espiritismo: noções elementares do mundo invisível, pelas manifestações dos Espíritos. 52. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005.

XAVIER, Francisco Cândido. Parnaso de Além-túmulo: poesias mediúnicas. 17. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004.

02 agosto 2021

Comunicar-se com Espíritos - Nilton Moreira

 
COMUNICAR-SE COM ESPÍRITOS

Pode parecer estranho para algumas pessoas o ato de comunicar-se com espíritos, mas nesta vida tem coisas que embora achemos estranhas acontecem e são consideradas corriqueiras por muitos conhecedores.

Primeiro devemos levar em consideração que um espírito não está morto e que nós que dizemos estarmos no mundo dos vivos, aqui estamos temporariamente enquanto nosso corpo material tiver vitalidade, pois após retornaremos a espiritualidade a qual é a vida real.

Mas a comunicabilidade acontece normalmente todos os dias quando dormimos! Deixamos o corpo material em repouso e enveredamos espiritualidade adentro. Sabe-se lá onde vamos. Mantemos diálogos dos mais diversos visitando lugares e pessoas de interesse e até resolvemos situações conflitantes de nossa existência.

Esta comunicação é comum e na maioria das vezes não temos um amplo controle do que vamos vivenciar, pois tem mais relação com a vida do espírito que somos do que com a vida que estamos vivendo no momento com o corpo denso.

Mas existem outras modalidades de comunicação e uma delas é a vidência, onde entramos em concentração e passamos a ver o plano espiritual, e ai acontece a conexão com toda plenitude, onde há uma projeção do corpo astral, ficando o corpo carnal inerte. É muito comum para quem tem este tipo de mediunidade desenvolvida.

Outro tipo também de comunicação e que é bem comum é quando recebemos mensagens via psicografia. Basta para isso se estar vinculado a uma casa de oração espiritual e aguardarmos o momento oportuno de recebermos a comunicação, que nos é possibilitada através de um medianeiro que tenha a faculdade da psicografia, o que acontece por meio da escrita física.

Já na comunicação tipo psicofonia, situação que a mensagem nos chega pela voz do médium, é necessária uma preparação específica, que abrange desde alimentação condizente até pureza de pensamentos e desejo da prática no bem, possibilitando assim que o medianeiro receba boas mensagens.

Existem muitos outros tipos de intercâmbio que podem acontecer à revelia nossa, como movimento de objetos, quebra de objetos, pancadas, ruídos, sons. Também o médium sensitivo é capaz de sentir arrepios, euforias, náuseas, tristezas com vontade chorar, dor física, sonolência, chegando até dormir por ocasião de ouvir palestras, preces. Tudo é considerado normal e depende do aprofundamento nos conhecimentos doutrinários para entender.

Nilton Moreira
Artigo da Semana - Estrada Iluminada
Fonte:
Espirit Book


01 agosto 2021

A paz no mundo - Martha Triandafelides Capelotto


 A PAZ NO MUNDO

“A paz vos deixo, a minha paz vos dou. Não vo-la dou à maneira do mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize”.

Andamos ansiosos esperando por dias de paz, por mais equilíbrio, por mais justiça social, fraternidade e solidariedade. Vivemos o nosso dia a dia na expectativa de que algo miraculoso acontecerá e que, finalmente, vivenciaremos o que nos vai no âmago da alma. Sentir paz e ter paz!

Ledo engano! Triste e ledo engano!

A paz que almejamos não decorrerá de nada exterior, de nenhuma ocorrência catastrófica que poderia mudar os rumos da nossa humanidade, ensinando o homem a viver no mundo, respeitando as leis naturais, tampouco, suas leis transitórias e efêmeras.

Como bem nos ensina Emmanuel, mentor espiritual do nosso inesquecível Chico Xavier, “para que um homem seja filho da paz, é imprescindível trabalhe incessantemente no mundo íntimo, cessando as vozes da inadaptação à Vontade Divina e evitando as manifestações de desarmonia, perante as leis eternas.”

Exemplos mil poderíamos dar para que essa orientação seja bem compreendida, porém, basta que nós comecemos apenas nos observando em nossas atitudes diárias, examinando nosso campo mental, nossas palavras, os sentimentos que externamos em relação aos outros e já teríamos uma medida para lá de suficiente e vermos que ainda não sabemos cultivar a paz dentro de nós, quanto mais querermos que ela seja uma tônica na nossa humanidade.

É certo e incontestável que ninguém atingirá o bem-estar sem esforço no bem, sem disciplina elevada de seus próprios sentimentos.

Também é indispensável compreendermos o enunciado acima, referente à paz do mundo e à paz proposta pelo Cristo. Mais uma vez, Emmanuel preleciona e concordamos em todos os pontos: “Há muitos ímpios, caluniadores, criminosos e indiferentes que desfrutam a paz do mundo. Sentem-se triunfantes, venturosos e dominadores no século. A ignorância endinheirada, a vaidade bem-vestida e a preguiça inteligente sempre dirão que seguem muito bem.”

Quantos são os que dormitam no sono enfermiço da alma, acreditando terem a paz do mundo?

Por outro lado, e ao lado disso, existe por parte daqueles que já despertaram um pouco mais suas consciências para as verdades espirituais, uma inquietação que os levam a questionar o desenrolar dos acontecimentos, cobrando uma interferência ou uma colaboração mais direta dos emissários divinos. Distanciados das noções de justiça, não compreendem que seria terrível furtar ao homem os elementos de trabalho, resgate e elevação. Aborrecem-se, facilmente, com as reiteradas e afetuosas recomendações de paz das comunicações do além-túmulo, porque ainda não se harmonizaram com o Cristo.

Assim, em poucas palavras, já temos uma pálida ideia de quanto nos compete realizar em favor de nós mesmos e dos outros.

Enquanto o trabalho de regeneração individual não se efetivar, por meio de um esforço hercúleo de autoconhecimento e autotransformação, a paz estará distante, vivendo numa realidade que, por ora, não nos pertencerá.

Se desejamos a paz, se ansiamos pela paz, que ela se inicie dentro de nossos corações.

Certos estejamos que grande é a nossa responsabilidade. Cada um, individualmente, contribuirá e fará com que os dias de paz cheguem à nossa humanidade.

Não esperemos grandes sinais, pois estes já foram dados de há muito com o advento do Cristo no nosso orbe, com todo o seu Evangelho de Amor e, para que um dia possamos sentir a sua paz, não podemos nos quedar como os preguiçosos que respiram à sombra, à espera do fogo-fátuo do menos esforço.

Martha Triandafelides Capelotto
Fonte:
Agenda Espírita Brasil

Nota do editor:

Imagem ilustrativa e em destaque disponível em : https://www.perspectivestherapyservices.com/self-esteem/inner-peace-is-world-peace/. Acesso em: 25/06/21