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21 março 2012

Evitar o Mal e fazer o Bem - Waldenir Aparecido Cuin



EVITAR O MAL E FAZER O BEM

“— Será suficiente não fazer o mal, para ser agradável a Deus e assegurar uma situação futura?

“— Não, é preciso fazer o bem, no limite das próprias forças, pois cada um responderá por todo mal que tiver ocorrido por causa do bem que deixou de fazer.” (Pergunta 642, de “O Livro dos Espíritos” — Allan Kardec)

Acreditamos muitas vezes que para obtermos, no futuro, uma posição cômoda e tranquila nas paragens espirituais para onde iremos após a desencarnação, basta que não pratiquemos o mal. Sem dúvida, não vivenciar o mal é uma grande conquista da criatura humana, mas é pouco para quem realmente deseja encontrar a perfeição.

Sugerem os Espíritos na questão acima que é sumamente interessante fazer o bem dentro do limite das nossas forças, isto é, com todos os esforços possíveis, significando dizer que não devemos nos limitar a algumas ações benéficas, mas desencadear todos os recursos que temos à disposição para exercitar o bem.

E, com bastante definição, alertam para as consequências do mal que se originam do bem que não fizemos. Nesse ponto é que precisamos declinar maiores reflexões, pois a nossa omissão ou indiferença, poderão nos acarretar enormes prejuízos. Assim, quando temos a oportunidade de realizar alguma ação em favor do bem geral, jamais devemos perdê-la.

Vivendo na Terra, a cada instante estamos diante de uma situação inusitada, diferente, requerendo decisões, e o rumo delas determinarão o reflexo que virá nos dias do porvir. Se foram boas, temos o retorno do bem; se ruins, a resposta expressará o mesmo conteúdo.

Conhecendo então, essa insofismável realidade, a nossa opção definitiva será, inquestionavelmente, fazer o bem em nosso favor e em favor de todos aqueles que nos rodeiam, na qualidade de nossos familiares, amigos ou mesmo desconhecidos. Oportuno sempre será servir onde estivermos, dentro dos recursos que possuímos, como afirmam os Benfeitores da Humanidade, no limite das nossas forças.

Então bastará uma olhada ao derredor e de imediato estaremos verificando onde devemos agir, para nos candidatarmos a fiéis seguidores do Cristo, pois ser cristão, é, acima de tudo seguir Jesus, procurando, mesmo com dificuldades a vivência prática do “amai-vos uns aos outros como eu vos amei” e “fazei ao próximo exatamente aquilo que deseja para si mesmo”.

E, à medida que caminhamos fazendo aquilo que é nobre, sublime e belo, aos poucos vamos apagando as tendências maléficas que ainda insistem em seguir nossos passos, entristecendo a nossa vida e pontilhando de problemas e dores os dias da nossa jornada.

Assim, não nos limitemos a não fazer o mal, mas cuidemos de também realizar o bem, utilizando para tanto todas as possibilidades que a vida nos oferecerá, para que não venhamos a sofrer no futuro as consequências do bem que deixamos de fazer.

Em nossa vida imitemos a fonte que serve sem parar, nunca exigindo nada, e a árvore que sofre o ataque do vento, a agressividade da poda e continua dando frutos.

O bem direcionado ao próximo hoje, será o farol que iluminará nosso caminho amanhã.


De “Em Busca da Paz”
De Waldenir Aparecido Cuin

20 março 2012

Suportar Nossa Cruz - Emmanuel


SUPORTAR NOSSA CRUZ

A cruz do Cristo é a do exemplo e do sacrifício, induzindo-nos à subida espiritual, nos domínios da elevação.

A nossa, porém, será, sobretudo, nós em nós mesmos.

Aguentar-nos como temos sido nas múltiplas existências passadas.

Carregar-nos com as imperfeições e dívidas que inadvertidamente acumulamos; entretanto, agradecendo e abençoando a lixívia de suor e pranto no resgate ou na tribulação com que as extirpamos.

*****

Em muitos episódios difíceis da existência, consideramos demasiadamente amargo o cálice da prova redentora que se nos destina, mas, de maneira geral, não é a medicação providencial nele contida que nos aflige e sim a nossa própria debilidade em aceitá-la.

Em numerosas crises do mundo, julgamos excessivamente pesada a carga dos desenganos que nos fustigam o espírito; no entanto, não é o volume das desilusões educativas, que nos são indispensáveis, aquilo que nos faz vergar os ombros da alma e sim o nosso orgulho ferido a se nos esfoguear por dentro do coração.

*****

Suportar nossa cruz será tolerar as tendências inferiores que ainda nos caracterizam, sem acalentá-las, mas igualmente sem condenar-nos, por isso, diligenciando esgotar em serviço, em paciência, em serenidade e em abnegação a sucata de sombras que ainda transportamos habitualmente no fundo das nossas atividades de autoaprimoramento ou reabilitação.

*****

Chorar, em muitas ocasiões, mas nunca desesperarmos.

Errar ainda vezes muitas, no entanto, retificar-nos, em todos os lances da estrada, tantas vezes quantas se fizerem necessárias.

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Reconhecer-nos no espelho da própria consciência, resignar-nos com as nódoas e cicatrizes emocionais da culpa que ainda se nos estampam na face espiritual e acatar no trabalho e no sofrimento a presença de cirurgiões divinos, cujo esforço nos regenerará os tecidos sutis da alma, preparando-nos e instruindo-nos para o Mundo Melhor.

*****

Suportar nossa cruz jamais será maldizê-la ou lamentá-la e sim acolher-nos imperfeitos como ainda somos, perante Deus, mas procurando, por todos os meios justos, melhorar-nos e burilar-nos, avançando sempre, mesmo que vagarosamente, milímetro por milímetro, nos caminhos de ascensão para a Vida Eterna.

De: “Rumo Certo”
Médium: Francisco Cândido Xavier
Psicografia de Emmanuel

19 março 2012

Aborto: Fuga ao Dever - Emmanuel


Aborto: Fuga ao Dever

Questão 358 do Livro dos Espíritos: Constitui crime a provocação do aborto, em qualquer período da gestação?

Resposta: Há crime sempre que transgredis a Lei de Deus. Uma mãe, ou quem quer que seja, cometerá crime sempre que tirar a vida a uma criança antes do seu nascimento, por isso que impede uma alma de passar pelas provas a que serviria de instrumento o corpo que se estava formando.

Falamos naturalmente acerca de relações internacionais, socias, públicas, comerciais, clareando as obrigações que elas envolvem; no entanto, muito frequentemente marginalizamos as relações sexuais – aquelas em que se fundamentam quase todas as estruturas da ação comunitária.

Esquece-se, habitualmente, de que o homem e a mulher, via de regra, experimentam instintivo horror à solidão, e que, à vista disso, a comunhão sexual reclama segurança e duração para que se mostre assente nas garantias necessárias.

Impraticável, sem dúvida, impor a continuidade da ligação entre duas criaturas, a preço de violência; no entanto, em face das contingências e contratempos pelos quais o carro da união esponsalícia deve passar pelas estradas do mundo, as leis da vida, muito sabiamente, estabelecem nos filhos os elos da comunhão entre os cônjuges, atribuindo-lhes a função de fixadores da organização familiar; com a colaboração deles, os deveres do companheiro e da companheira, no campo da assistência recíproca, se revelam mais claramente perceptíveis, e o lar se alteia por escola de aperfeiçoamento e de evolução, em marcha para a aquisição de mais amplos valores do espírito, no mundo maior.

De todos os institutos sociais existentes na Terra, a família é o mais importante do ponto de vista doa alicerces morais que regem a vida.

É pela conjunção sexual entre o homem e a mulher que a Humanidade se perpetua no planeta; em virtude disso, entre pais e filhos residem os mecanismos da sobrevivência humana, quanto à forma física, na face do orbe.

Fácil entender que é assim, justamente que nós, os espíritos eternos, atendendo aos impositivos do progresso, nos revezamos na arena do mundo, ora envergando a posição de pais, ora desempenhando o papel de filhos, aprendendo, gradativamente, na carteira do corpo carnal, as lições profundas do amor – do amor que nos soerguerá, um dia, em definitivo, da Terra para os Céus.

Com semelhantes notas, objetivamos tão-só destacar a expressão calamitosa do aborto criminoso, praticado exclusivamente pela fuga ao dever.

Habitualmente – nunca sempre – somos nós mesmos quem planificamos a formação da família, antes do renascimento terrestre, com o amparo e a supervisão de instrutores beneméritos, à maneira da casa que levantamos no mundo, com o apoio de arquitetos e técnicos distintos.

Comumente, chamamos a nós antigos companheiros de aventuras infelizes, programando-lhes a volta em nosso convívio, a prometer-lhes socorro e oportunidade, em que se lhes reedifique a esperança de elevação e resgate, burilamento e melhoria.

Criamos projetos, aventamos sugestões, articulamos providências e esternamos votos respeitáveis, englobando-nos com eles em salutares compromissos que, se observados, redundarão em bênçãos substanciais para todo o grupo de corações a que se nos vincula a existência. Se, porém, quando instalamos na Terra, anestesiamos a consciência, expulsando-os de nossa companhia, a pretexto de resguardar o próprio conforto, não lhes podemos prever as reações negativas e, então, muitos dos associados de nossos erros de outras épocas, ontem convertidos, no plano espiritual, em amigos potenciais, à custa das nossas promessas de compreensão e de auxílio, fazem-se hoje – e isso ocorre bastas vezes, em todas as comunidades da Terra – inimigos recalcados que se nos entranham à vida íntima com tal expressão de desencanto e azedume que, a rigor, nos infundem mais sofrimento e aflição que se estivessem conosco em plena experiência física, na condição de filhos-problema, impondo-nos trabalho e inquietação.

Admitimos seja suficiente breve meditação em torno do aborto delituoso, para reconhecermos nele um dos grandes fornecedores das moléstias de etiologia obscura e das obsessões catalogáveis na patologia da mente, ocupando vastos departamentos de hospitais e prisões.

Livro Vida e Sexo, Cap. 17
Psicografia de Emmanuel
Médium: Chico Xavier.

18 março 2012

Compromisso com o Espiritismo - Felinto Martins


Compromisso com o Espiritismo

Amigos caros,

Que o Senhor nos deixe a Sua paz.

Vivemos, desde sempre, sob os intensos desafios que a vivência do Espiritismo nos impõe, mundo afora, o que nos leva a realizar inauditos esforços para testemunhar amor à causa que nos abriu espaço de trabalho e de emancipação espiritual.

Os trabalhadores espíritas, por isso mesmo, jamais deverão evadir-se desse repto, na maior parte das vezes assumido na Pátria Espiritual, a fim de desenvolver fidelidade corajosa nos trabalhos felizes do Consolador, recuperando-se de antigos processos de omissão ou de defecção, quando foram deixados à margem os ensinamentos luminosos do Senhor.

Fundamental é que haja sempre o espírito comprometido com as lições venturosas com que o Espiritismo nos aponta o norte onde pulsa o pensamento divino de Jesus, nessa nova etapa das nossas disposições morais para conquistar o próprio desenvolvimento.

O estabelecimento da convicção deve alicerçar-se, assim, nos estudos espíritas profundos e iluminadores e o sentimento fraterno deve firmar-se na prática da indulgência e da solidariedade produtivas.

Mas, é na vivência da fraternidade sempre crescente que, verdadeiramente, se estriba o amor, capaz de tornar-nos pequenos, mas gloriosos servidores, lidando sob a orientação mais expressiva dos diretos prepostos do Mestre Galileu.

Prossigam fortes e dispostos, meus irmãos, pensando e ensinando Espiritismo, demonstrando-o, sempre que possível, a toda a gente, em toda parte. No entanto, jamais se olvidem de que o nosso propósito maior precisa ser a prática vivencial do Espiritismo, na grandeza como nos foi ele apresentado por Allan Kardec.

Felinto Martins

Psicografia de José Raul Teixeira, em reunião ordinária do Conselho Federativo Nacional, da Federação Espírita Brasileira, em Brasília, DF, em 12 de novembro de 2011.

17 março 2012

Há necessidade de se atualizar os conteúdos das obras da Codificação? - Simão Pedro de Lima


Há necessidade de se atualizar os conteúdos das obras da Codificação?


Pergunta: Há, no movimento espírita, por parte de algumas pessoas, uma ideia de se atualizar as obras da codificação. Dizem que Kardec estaria, em parte, ultrapassado, principalmente levando-se em conta as novas conquistas da ciência. Há aqueles que dizem ser necessário reescrever a codificação ou, então, fazer nova edição “revista, corrigida e atualizada”, ajustando as respostas ao conhecimento científico moderno. Também há uma ideia de se fazer novas perguntas aos Espíritos visando rever certas respostas tidas como erradas. Isso é necessário? Não seria um desvirtuamento?

Salvo melhor entendimento de minha parte, penso ser um assunto que demanda certo cuidado para dele se tratar. Exponho minha opinião, respeitando a quem pensa de maneira diferente e sujeitando-me a ser corrigido se, por ventura, incorrer em erro de fundamentação, de conteúdo ou de argumentação.

No livro Eclesiastes, no Velho Testamento, está escrito, no capítulo 3 que “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu”. Pode-se dizer que cada escrito guarda relação com o conhecimento do seu tempo. Há elementos que, na época da codificação, eram vistos sob um prisma diferente do que hoje se vê. Os Espíritos passavam informações em conformidade com o conhecimento de então, tal qual o Cristo o fez, conforme ele mesmo nos disse: "muitas coisas eu ainda vos tenho que dizer, mas vós não podeis suportá-las agora...". (Jo 16: 12).

O conhecimento científico do século XIX estava se desabrochando e descobertas várias surgiram depois, principalmente no campo da física, química e biologia. A teoria de Darwin começava se esboçar, conceitos astronômicos modernos ainda estavam em embrião e por aí vai...

É natural, então, que Allan Kardec ficasse inserido nesse contexto e que seus comentários guardassem relação com a época. Depois dele, no tempo imediato, outros pensadores avançaram no conhecimento científico-filosófico-espírita, dentre eles Leon Denis, Camille Flammarion, Ernesto Bozzano, Alexandre Aksakov, Gabriel Delanne, Charles Richet, Cesare Lombroso, Willian Crookes e outros.

No tempo presente e passado próximo, tivemos ainda, Hernani Guimarães Andrade, Herculano Pires, Hermínio Miranda, Carlos Imbassahy, Deolino Amorim, Jorge Andréa, Sérgio Felipe, dentre outros que, em diversos campos, deram sua contribuição para o esclarecimento dos fatos espíritas. Tivemos, também, testemunhos práticos da verdade espírita nas pessoas de Bezerra de Menezes, Eurípedes Barsanulfo e Chico Xavier. Da espiritualidade, por mãos laboriosas, Espíritos vários trouxeram-nos e, ainda nos trazem, informações preciosas, dentre eles, Emmanuel, André Luiz, Humberto de Campos, Joanna de Ângelis, Vianna de Carvalho, Victor Hugo, Manoel Philomeno de Miranda e vários outros.

Todos esses nomes contribuiram para a "atualização do pensamento espírita", sem necessitar fazer mudanças nas obras trazidas por Allan Kardec. Nenhum deles solicitou novas edições ou mesmo notas explicativas em rodapés de páginas. Nem por isso deixaram de nos trazer novos ensinos (complementares ou mesmo atualizações).

Temos obras valiosas da filosofia, que foram escritas ha séculos, seguindo padrões de cada época e nem por isso vemos pessoas querendo alterá-las. Protágoras, Tales, Demóstenes, Pitágoras e outros filósofos jônicos, eleáticos, atomistas buscavam o elemento primordial; e, todos, fizeram seus ensaios quanto a esse elemento, no entanto ninguém reescreve suas obras para mudar esses pontos. Sócrates, Platão, Pitágoras e outros não tiveram suas obras originais revisadas. De pintores famosos do renascimento, tivemos quadros inacabados, mas que ninguém, depois deles, se propôs a acabá-los. Em que pesem os "erros" conceituais nas obras de Newton, Galileu, Copérnico, Keppler, Falópio, Descartes, Kant, Nitch, Hegel; nenhum deles teve suas obras alteradas... Outras as atualizaram sem, com isso, precisar reescrevê-las.

Os evangelhos... quantos exegetas e hermeneutas, além de historiadores, apontaram "falhas" de estrutura ou construção historiográfica? Continuam, os evangelhos, intactos, servindo-nos de fonte inesgotável de bons ensinos. Apóstolos, dentre eles Saulo Paulo de Tarso, escreveram suas epístolas, suas orientações, trazendo alguns pontos que os evangelhos não abordaram, mas não se propuseram a contraditar nada do que já estava escrito. No Atos dos Apóstulos há os ágrafos, que são passagens sobre Jesus, que não se encontram nos evangelhos. Os escritores da fértil época do cristianismo nascente, dentre eles Orígenes, Atanásio, Antão, Agostinho e Crisóstemo deixaram bons escritos, bases interessantes para a exegese bíblica e, depois deles, mesmo os reformadores (aqui incluo todos os pensadores, quer protestantes ou não) não reescreveram suas obras, apenas deram seguimento ao conteúdo sem, com isso, fazerem ilações quanto a estarem certas ou erradas, atualizadas ou não.

Assim, não vejo o porquê de tanta celeuma. Deixemos a obra kardeciana intacta, da forma que foi escrita, sem notas de rodapé ou reedições "revistas e atualizadas". (Fizeram isso, ou seja, atualizaram e revisaram a tradução bíblica de João Ferreira de Almeida e, com isso, acabaram com a profundidade semântica do texto). Que novos conhecimentos sejam trazidos a lume; que novas obras, bem fundamentadas no conhecimento científico-filosófico, surjam; que congressos e mais congressos apresentem experimentos científicos, mas que tudo isso seja publicado como obra nova, tal qual tivemos a obra de André Luiz, que nos descortinou o mundo espiritual sem, com isso, "alterar" nada nas obras kardecianas.

Talvez seja vaidade intelectual naqueles que se sentem "ridicularizados" com as questões contidas nos livros kardecianos e que hoje não se coadunam com os novos conhecimentos científicos. Isso não diminui, não enfraquece, não ridiculariza a obra primeira, pelo contrário, dá-nos a oportunidade de mostrar que não há cristalização no pensamento espírita, pois obras novas, sérias, se inserem no conjunto espiritista, sem que, com isso, desrespeitem a originalidade das obras primeiras, kardecianas.

A base é o ensino trazido a Kardec e por Kardec. Os subsídios ou "complementos" serão frutos de novas e reais descobertas. Não há porquê mudar nada na obra kardeciana. Aprendamos mais com as obras novas que se mostrarem fundamentadas na boa lógica e nas reais descobertas científicas.

Um fraternal abraço do amigo em Cristo


Simão Pedro

SIMÃO PEDRO DE LIMA – Professor universitário, historiador e contabilista, com Mestrado em Educação Superior e três Especializações em Administração (na área de Gestão Empresarial), História Moderna e Economia Contemporânea. Atualmente, é membro da “Sociedade Espírita Casa do Caminho” em Patrocínio (MG), onde exerce as atividades administrativas e doutrinárias e membro do Conselho Regional Espírita do Alto Paranaíba - MG, onde auxilia na área de assuntos da mediunidade.

16 março 2012

Adoração, sentimento inato x Ateísmo - Simão Pedro de Lima


Adoração, sentimento inato x Ateísmo

Ao estudar a questão 650 do livro dos espíritos em que os Espíritos afirmam que "a adoração é um sentimento inato como o da Divindade", ficou-nos uma dúvida: como explicar o Ateu? A pessoa que afirma que Deus não existe? Onde está este sentimento inato nele?

Vamos à resposta, que, claro, está sujeita a erros de interpretação de minha parte e, por isso, deixo aos companheiros a liberdade de corrigi-la ou melhorá-la.

O sentimento é inato, pois é do Espírito. Vejamos que parte da resposta da questão 650 diz que "A consciência de sua fraqueza, leva o homem a se curvar diante daquele que o pode proteger". Isso quer dizer que, mesmo sendo um sentimento inato, depende do nível de consciência do indivíduo. Os que, pela arrogância e vaidade materialistas, colocam o “Ser Humano” como o limite de todas as coisas, logicamente, por obinubilação de pensamento, têm a consciência diminuída e, portanto, não querem se curvar diante de tal ideia.

A título de comparação basta ver as atitudes das pessoas diante do bem. Todos nós sabemos (e os malfeitores também) que fazer o bem alegra as pessoas e é o melhor para uma boa convivência. Entretanto, alguns praticam o mal, agridem os outros, matam, roubam... O sentimento do bem é sabido por eles, mas refutam-no, em benefício próprio. Isso é questão de consciência. Se conhecimento levasse a nova postura de consciência, não teríamos tantas pessoas malévolas; sabem, mas não agem em conformidade com o que sabem.

Os Espíritos (bons ou maus) sabem da existência de Deus, mas refutam tal conhecimento pelo orgulho e vaidade. Tola vaidade! Em reuniões mediúnicas, quantas vezes já ouvimos relatos de Espíritos que, quando encarnados, se diziam ateus, e, agora, estão desiludidos com suas ideias ao verem-se "mortos vivos"? E quantos Espíritos, mesmo na erraticidade, ainda se mostram endurecidos em favor do materialismo e do ateísmo, mesmo sabendo que já passaram pela morte?. Preferem negar a morte a aceitar a vida espiritual.

Segundo os Espíritos, a adoração é um ato de contrição, de contato íntimo com Deus, e não com o deus apregoado pelos religiosos. O ateísmo, salvo melhor juízo, se coloca contrário a esses deuses.

Os ateus repudiam o deus feito pelos homens e, por isso, são contrários, de fato, às religiões. Vejamos o que disse Feuerbach, materialista hegeliano do século 18, no livro a Essência do Cristianismo: "está escrito que Deus fez o homem à sua imagem e semelhança; eu, porém, digo que o homem fez deus à sua imagem e semelhança, pois o deus dele, tem mais defeitos humanos do que qualidades divinas". Esse é o deus repudiado e negado. Um deus mal explicado, que possui sentimentos mesquinhos, humanos; muito distante da ideia de Deus, inteligência suprema e causa primária de todas as coisas.

Com outros nomes ou outras formas todos (inclusive os ateus) fazem uso da adoração: quando meditam, por exemplo, é um ato de adoração; quando se mostram reflexivos em relação à humanidade, estão em ato de adoração. Como bem disseram os Espíritos (LE 653), a adoração não é um ato exterior, das religiões, mas sim um ato interior, da consciência.

Diria que, por força de expressão, em vez de serem ateus, estão mais para agnósticos. Veja o que disseram os benfeitores espirituais na questão 651 de O livro dos Espíritos: "todos acreditam que há, acima deles, um ser supremo". Esse Ser supremo pode receber vários nomes: Deus, deus, consciência cósmica, verdade, ideia universal, ordem universal, ciência natural, força interior, pensamento positivo, força estranha, dinâmica universal e por aí vai... Os ditos ateus, quando diante de uma situação difícil, apelam para alguma força superior (interna ou externa), com esses nomes ou outros, porque, no íntimo se sentem impotentes para certas situações.

Podem os ateus não quererem saber da existência de Deus, porém Deus sabe da existência e deles.

Um fraternal abraço, com votos de paz.

Simão Pedro

SIMÃO PEDRO DE LIMA – Professor universitário, historiador e contabilista, com Mestrado em Educação Superior e três Especializações em Administração (na área de Gestão Empresarial), História Moderna e Economia Contemporânea. Atualmente, é membro da “Sociedade Espírita Casa do Caminho” em Patrocínio (MG), onde exerce as atividades administrativas e doutrinárias e membro do Conselho Regional Espírita do Alto Paranaíba - MG, onde auxilia na área de assuntos da mediunidade.


15 março 2012

Combatida por Engano - Orson Peter Carrara


Combatida por Engano

Há um mecanismo sábio que explica as gritantes diferenças do comportamento humano e seus tão variados estágios de entendimento ou vivência moral e intelectual, em raciocínio que também se aplica aos condicionamentos psicológicos e emocionais. Afinal não somos iguais, por força das experiências, gostos, tendências e bagagens.

O mais interessante é que o mesmo mecanismo traz embutido um alto sentido de justiça perante as conquistas, carências e diferenças individuais. Aliás, é seu principal critério, porque, essencialmente, é a única explicação racional para os extremos humanos.

Por outro lado, além do já citado critério, referido mecanismo ainda propicia a grande vantagem de oferecer a oportunidade de realizar depois o que não se consegue agora, além de nunca privilegiar esse ou aquele ou mesmo castigar ou premiar. Não! Em absoluto. E isto é realmente uma característica marcante: não há privilégios, não há castigos, não há prêmios, mas simplesmente consequências lógicas, decorrentes de posturas, opções e decisões.

O mais incrível, porém, é que são oportunidades incessantes que se renovam, não destroem laços de afeto, não prejudicam conquistas morais e intelectuais, e ainda traz a quebra de rotina, tirando-nos o foco das ideias fixas e abrindo perspectivas imensas de novas conquistas.

Paradoxalmente, porém, ainda é desconhecida e combatida, até por preconceito e falta mesmo de aprofundar em sua essência e conhecê-la em profundidade.

Estamos falando da pluralidade das existências, ou reencarnação, que, embora não inventada nem exclusividade ou privilégio do Espiritismo, é lei da vida. A Doutrina Espírita a tem em seus fundamentos, estuda-a continuamente e explica seus mecanismos com uma lógica impressionante.

Observe-se, com pesquisa, na história humana, e se verá que a ideia reencarnacionista já existe desde as civilizações antigas. Jesus falou nela claramente e atualmente as pesquisas científicas a indicam com clareza.

Vemos, pois, que ela é combatida por engano. Falta aprofundar as questões antes de emitir juízos ou julgamentos.

Convido, pois, o leitor, a aprofundar seus estudos, pesquisar mais. Não para se tornar espírita, mas verificar a lógica e coerência, justiça e grandeza da reencarnação, única teoria capaz de explicar as diferenças, a menos que aceitemos um Deus parcial que dê preferência para uns em detrimento de outros...


Orson Peter Carrara (Matão/SP)
Escritor e orador espírita. Constultor Editorial residente em Matão/SP
e-mail: orsonpeter@yahoo.com.br
Blog: http://orsonpetercarrara.blogspot.com/

13 março 2012

Endeusamento de Médiuns - Alamar Régis Carvalho


Endeusamento de Médiuns

Mais uma vez um monte de espíritas vai ficar morrendo de raiva do Alamar, porque eu vou dizer coisas aqui que muita gente sabe, muita gente percebe, quem tem consciência do que de fato é o Espiritismo sabe que eu tenho razão, mas pouca gente, ou quase ninguém, tem coragem de dizer, posto que temos que ser “humildes” e “caridosos” para com os outros, temos que ter “compreensão” para com as imperfeições dos outros e temos que ser POLÍTICOS, para ficarmos “bem na fita” com todos, e sermos considerados agradáveis e dóceis por todo mundo.

Não importa se estamos sendo honestos e decentes, porque isto é irrelevante, basta que sejamos políticos, e está tudo resolvido.

Em todos os segmentos religiosos há pessoas que adoram endeusar determinados líderes.

Os muçulmanos adoram endeusar os aiatolás, porque acham que eles são verdadeiros representantes de Alá... o nome como eles identificam aquele que chamamos de Deus... católicos tratam o papa como o “Santo Padre”, se ajoelham diante dele, beijam-lhe as mãos, assim como muitos fazem com cardeais, bispos e padres. Protestantes também consideram pastores das suas igrejas como autênticos mensageiros de Deus e há aqueles que acham que o simples tocar nas vestes do pastor, podem receber um milagre.

No meio espírita isto não é diferente. Já que não tem papa, não tem cardeal e não tem pastor, vamos endeusar quem? Os médiuns, obviamente, porque esses contatam diretamente com os que já morreram e, principalmente, com os que chamamos espíritos de luz.

Partindo do princípio que muitos espíritas consideram alguns espíritos, como Bezerra de Menezes, Emmanuel, Joanna de Ângelis, André Luiz e outros como verdadeiros santos, embora não há costume em nosso meio de chamá-los de santos, os vêem como operadores de milagres, curas e “resolvedores” dos problemas da nossa vida.

Quando se vêem diante de um médium que “recebe” um desses espíritos, aí, misericórdia, acham que podem mandar um recado aos espíritos, através daquele que fala diretamente com eles, fazendo os seus pedidos, na certeza de que ocorrerá o atendimento, posto que se trata de espíritos bons, caridosos e com poderes de curas e tudo quanto é poder.

Se eu sei que o Espiritismo trata do intercâmbio do mundo material com o mundo espiritual e sei que o médium é o elemento que fala com aquele que está desencarnado, qual o entendimento que vem à minha cabeça?

Que ele pode falar a vontade com os meus entes queridos que estão desencarnados, que possa saber onde eles estão, como eles estão e, por causa deste poder, me dá notícias.

Este entendimento faz com que muitos espíritas recorram aos médiuns como se fossem criaturas poderosas, super dotadas, fantásticas e sempre dotados de elevação espiritual irreparável, conduta moral sempre ilibada.

Durante toda a vida de Chico Xavier, enquanto encarnado, todos sabemos das inúmeras caravanas que se deslocavam de todos os estados em direção primeiro à Pedro Leopoldo depois à Uberaba, para beijar-lhe as mãos, em busca de estabelecerem um contato com o seu desencarnado.

Do mesmo jeito que a igreja católica diz que Jesus está em todas as suas igrejas e que a missa celebrada pelo padre João, do interior do Ceará, tem o mesmo valor da que é celebrada pelo padre Jerônimo, do interior de São Paulo ou de qualquer parte do mundo, o Espiritismo diz que o intercâmbio mediúnico realizado num pequeno e modesto centro espírita localizado perto da sua casa tem o mesmo valor daquele realizado nos centros onde estão presentes aqueles que consideramos como grandes e famosos médiuns.

Podemos afirmar, até com certa segurança, que ninguém estabeleceu contatos com os espíritos como Chico Xavier. Muitos receberam e recebem espíritos, mas ninguém como ele, é o que todo mundo diz, de certa forma com razão.

Todavia, se isto aconteceu, não é porque o Chico fosse privilegiado pela administração espiritual superior como o super médium, e sim porque os espíritas de outras regiões e outros centros não entenderam o Espiritismo como ele entendeu, não se esforçaram para conhecer profundamente a doutrina em toda a sua potencialidade, limitando-se apenas ao conhecimento superficial, suficiente para conduzir a sua “igrejinha” espírita, chamada de centro.

O cuidado excessivo e exagerado de muitos, terminou por colocar freios nas mediúnicas e a constranger os médiuns que estão pertos de nós, haja vista o patrulhamento à conduta do médium que, para precaver-se e evitar maiores problemas, faz um esforço danado para exercer a sua mediunidade da forma mais “discreta” possível, bloqueando até mesmo determinados espíritos, por acharem que não são “merecedores” de tais comunicações por seu intermédio, em nome de uma “humildade” muito mal entendida, o que ocorre com a maioria dos espíritos.

Por conta disto, restringiram a mediunidade a uns poucos, emprestando a eles toda a deferência, admiração, respeito especial e até idolatria, que é o que chamo de endeusamento.

Chico Xavier deixou de ser apenas o espírita dedicado, fiel, disciplinado e verdadeiramente humilde e bom, para ser visto como São Chico; Divaldo, também, por sua vez passou a ser visto com São Divaldo e assim muitos fazem em relação a Medrado, a Raul, como fizeram com Arigó, Peixotinho, Júlio Cezar Grande Ribeiro, Dona Yvone Pereira e outros no passado.

Há pessoas que se excedem tanto que chegam a ser inconvenientes e chatas mesmo. Chico Xavier, ao contrário do que muita gente imagina, chegou a perder a paciência muitas vezes e até a se irritar com o excesso de frescura de muita gente que o ia visitar.

Há pessoas que chegam diante do médium, beijam, lambem, abraçam, pegam na mão e não querem soltar mais e outras até se descontrolam e descambam a chorar, “emocionadamente”, para impressionar ao médium e a platéia que está em volta.

- “Divaldo, quando eu cheguei aqui eu estava péssima, foi só tocar em você eu estou me sentindo ótima”.

- “Alamar, eu vou te contar: Eu estava péssima aqui, o tempo todo, foi Medrado entrar, eu senti aquele cheiro de éter e agora estou ótima. Com certeza doutor Bezerra estava com ele”.

- “Olha, quando eu estou mal, corro lá em Dona Celeste e volto boazinha. Sei lá, ela recarrega as minhas energias. Só em estar ao lado dela eu me elevo.”

- “Eu entrei na fila para pegar um autógrafo do Raul. Na hora, abracei ele e fixei-me naqueles seus olhos verdes. Parece que eu estava olhando para Jesus e senti um alívio impressionante. Fiquei ótima”.

Existem, de fato, pessoas que têm energias muito boas e que conseguem transmiti-las para outras, com um abraço, um beijo, um aperto de mão e até um contato via telefone e até mesmo por MSN ou um meio destes modernos de comunicação, mas isto independe dela ser médium, padre, pastor ou qualquer líder religioso, visto que a poderosíssima energia do Amor está muito acima da religião. Há pessoas comuns que com o simples colocar as mãos em nossa cabeça, já nos dão um certo alívio assim como há, também, outras, cujo abraço, o toque de mão e até o olhar nos causam um tremendo mal estar.

Os variáveis níveis de energia estão aí no mundo, dentro das variáveis freqüências de vibração de cada um.

Chico transmitia, sim, essas energias, mas não pelo fato de ser médium e sim por ser um homem de bem, de caráter, de conduta moral elevada e que se sintonizava sempre com valores elevados. Outros confrades espíritas, a mesma coisa. Há também médiuns pilantras e até os que se apresentam como médiuns, sem ser.

Ser médium não quer dizer que tenha super poderes, energia privilegiada e capacidades curativas e transformadoras de ninguém.

Médiuns como Divaldo, Medrado e Raul, por exemplo, não têm podido permanecer nos locais, onde acabam de fazer as suas palestras, não é porque ficaram metidos a bestas não, é por causa dos exageros que muitas pessoas fazem.

Há pessoas que chegam, aproveitando a oportunidade rara dele estar em sua cidade, e de estar frente a frente com ele, querem contar toda a sua vida, falar dos problemas do seu cônjuge, dos seus filhos, falar de um parente que já desencarnou... enfim, esquece que tem um monte de gente na fila que só quer um autógrafo no livro e uma fotografia.

Acham sempre que o seu problema é mais sério do que o de todas as outras pessoas que foram àquele local.

É por isto que muitos deles, quando ficam, é no máximo, sentados, para atender a um autógrafo de livros ou tirar as fotografias e se retiram imediatamente, porque sabem o que vêm depois.

Há casos até engraçados, principalmente quando fazem determinados pedidos, como alguns que já fizeram a Medrado.

- “Medrado, o que quero pedir a você é muito reservado, mas é muito sério, eu gostaria que outras pessoas não ouvissem, porque é coisa muito minha”.

- “O que é, minha irmã, pode falar, se eu puder ajudar...”

- “Medrado, é pelo meu marido. O que quero lhe pedir é com muita caridade, para o bem dele, porque eu não quero que ele comprometa a encarnação dele mais do que está comprometida”.

- “Mas sim, minha irmã. O que o seu marido tem? Como eu posso ajudá-lo?”

- “Sabe, Medrado, eu sei que você é assim com Dr. Bezerra, não é?. Dá pra pedir ao Dr. Bezerra para levar o meu marido?”

- “Levar pra onde, minha irmã?”

- “Desta para uma melhor, Medrado, para o bem dele”.

- “Minha irmã, você está querendo que eu peça ao Dr. Bezerra para desencarnar o seu marido?”

- “É, ééé, é mais ou menos isto. Mas isto com muita caridade, Medrado, porque só eu sei o que ele anda fazendo e quero o melhor para o seu espírito”.

E o diabo da mulher insistia em querer relatar para Medrado tudo o que a peste do marido fazia, sem levar em consideração que tinha um monte de gente numa fila enorme também querendo dar um abraço nele ou tirar uma foto.

Medrado, já perdendo a paciência, sem querer ser desagradável em ter que dizer a ela que não poderia mais continuar lhe dando atenção, ainda mais com aquele papo apelativo e desagradável, porque tinha muita gente para atender, politicamente saiu-se com esta:

- “Tá bom, minha irmã, tá bom, tá bom, eu vou sim fazer o seu pedido a Dr. Bezerra, tá? Que Deus proteja a você e a ele. Tchauuuu”

- “Eu sabia, Medrado, que podia contar contigo. Mas olha: não precisa dizer a ninguém não, viu?”

E foi-se embora, feliz da vida.

Uma semana depois, ao sair do trabalho, no TRT de Salvador, um amigo convida Medrado a dar uma passada numa capela, no caminho, para visitar um velório de um freqüentador da Cidade da Luz, que ele não sabia bem quem era, e ele aceitou.

Ao entrar, foi se aproximando do caixão e a primeira pessoa que percebeu era a viúva, chorando, quando a reconheceu: Era a dita cuja.

Quando se dirigiu a ela para os cumprimentos formais, ao abraçá-la:

- “Meus sentimentos, minha senhora, que os bons espíritos o recebam no seu retorno”.

- “Êta mediunidade desgraçada essa sua, Medrado. Inda há quem duvide. Muito obrigado, Medrado, mas eu lhe pedi com muita caridade, viu?”

- “Minha irmã, peraí, eu não tenho nada a ver com isso não. Você está confundindo as coisas, eu não pedi isto pra ninguém não”.

- “Pediu, sim, mas eu entendo a sua humildade, meu irmão, não se incomode não. Terça-feira eu tô lá de novo.”

Tem gente que é assim e termina até comprometendo aos outros.

Há pessoas que hospedam Divaldo em suas casas e, aproveitando-se da sua presença no lar, chamam os seus filhos, muitas vezes até envolvidos com drogas, botam pra sentar na sala, forçada, para terem uma conversa com o médium e pedem pra Divaldo falar para eles um monte de coisas que eles não querem ouvir. Fazem isto com Raul e com vários outros expositores espíritas.

Outro dia um casal me hospedou e, na hora do jantar, todos sentados à mesa, inclusive o casal, quando ela começou a puxar um papo me pedindo para dar uns conselhos para o seu marido, que era muito sem vergonha, que vivia dando em cima da vizinha do apartamento ao lado. E olha que eu nem sou médium!

Já pensou o constrangimento que a gente fica?

Amar os nossos médiuns é dever de todos nós, tratá-los com carinho e o indispensável respeito e consideração é algo que não se questiona, mas concebê-los da forma como muita gente concebe é absurdo, gera inconveniência, desconforto e em muitas das vezes deixa a pessoa em situação difícil, levando-a inclusive ao ridículo.

Outra coisa que eu já contei em artigo anterior e que nunca é demais repetir:

Com todo respeito ao livre arbítrio de quem fuma e, provavelmente, deve achar o cigarro uma delícia e uma maravilha; para quem não fuma é uma verdadeira desgraça ter que tolerar cheiro de cigarro e ainda mais ficar fedendo a cigarro.

Pois bem: Há aquela pessoa, fumante, que não está fumando ali no local, onde foi realizada a palestra e onde está a fila para pedir autógrafos e cumprimentos ao palestrante, mas que, depois que termina a palestra, antes de entrar na fila, dá aquela saidinha, vai lá fora, fuma o seu cigarro e depois volta para a fila.

Aí agarra o médium, que detesta cigarro, abraça, aperta a sua mão com aquela mão que está impregnada de nicotina e ainda beija, deixando aquela baba na buchecha da pessoa.

Sangue de Jesus tem poder! Misericórdia! Quem é que agüenta?

E quando o homi recebe cinco ou dez beijos daqueles, numa noite de autógrafos?

Não tem santa Joanna de Ângelis que dê jeito, não tem são Camilo que dê jeito, né Raul?

Quando eu falei exatamente sobre isto, em outro email que abordei este mesmo assunto, uma amiga, de uma determinada cidade, me mandou um email, danada da vida.

- “Eu já sei, Alamar, que esse seu recado foi pra mim, que lhe abracei e lhe beijei, quando você esteve aqui e foi muito bem recebido por todos nós. Olha, eu quero lhe dizer que eu não vou largar o meu cigarro, porque quem manda na minha vida sou eu. Tem muito espírita que não fuma mas faz muitas coisas piores. Você está muito metido, viu?”

É por isto que eu disse, no início do artigo, que algumas pessoas iriam ficar com raiva de mim, por causa do artigo.

Toda pessoa que é portadora do problema que está sendo enfocado em algum artigo tem a tendência natural de ficar com raiva da pessoa que escreveu. Ela não admite que tem o problema, ou melhor, que aquilo seja um problema, mas fica com raiva e aquela raiva é característica do peso na consciência.

Sempre depois de um artigo deste, um escrito qualquer que toca em alguma ferida, traz, invariavelmente, um retorno do tipo: “Eu gostaria que você retirasse o meu email da sua lista. Não tenho interesse em receber os seus emails”.

Aí, já que gosto muito de estudar o comportamental humano, antes de retirar o email do meu banco de dados, o que faço sempre, claro, eu procuro dar uma olhadinha no histórico de emails que essa mesma pessoa me mandou antes, e deparo-me muito com elogios aos artigos, coisas do tipo “adoro os seus artigos”, “adoro esse seu jeito de escrever” e, de uma hora para outra, vem o “não tenho interesse em receber os seus emails”. Termino sabendo o porquê não quer mais receber.

Isto ocorre, com freqüência, quando escrevo sobre os desvios doutrinários, condutas de casas e dirigentes espíritas, absolutamente contraditórias ao que Kardec ensinou e ao que realmente é a doutrina. Quando você vai ver, trata-se de uma casa ou de um dirigente que faz exatamente aquilo que eu questionei no artigo, não muda, não quer mudar porque não faz o menor esforço em procurar dar uma olhada melhor no pensamento de Kardec, daí ser mais cômodo adotar o famoso “O Alamar é polêmico, é bom não convidá-lo para a nossa casa”, pois é, senão o freqüentador da casa vai começar a pensar, a raciocinar e poder ter condições de identificar um monte de bobagens que faz lá, em nome do Espiritismo.

Amém.

Abração

Alamar Régis de Carvalho (São Paulo–SP)
Alamar é orador espírita, Analista de Sistemas e Escritor em São Paulo, SP
e-mail: alamarregis@redevisao.net
Site: www.redevisao.net

12 março 2012

Pureza e Impureza - Maria Eny Rossetini Paiva


PUREZA E IMPUREZA
CONCEPÇÕES AO LONGO DA HISTÓRIA


Comentários inspirados no livro Evolução Espiritual do Homem de Herculano Pires

Herculano Pires, o autor espírita cuja obra infelizmente é pouco estudada nos dias de hoje, dignifica a Doutrina, um espírito de escol. Seu interessante estudo sobre “Pureza e Impureza na concepção espiritual da vida” em um pequeno livreto, “Evolução Espiritual do Homem” (Editora Paidéia), merece análise detalhada.

Começa o autor, dizendo que a pureza “nasce das relações sensoriais e portanto epidérmicas do homem com as coisas e os seres.” A sensação desagradável e repugnante determina esse conceito. Limpo é o que alivia, dá prazer, produz sensação agradável. O desagradável determina a impureza das coisas. Essa sensação é que desencadeia a idéia de puro e impuro.

A razão como compreensão dessa sensação primária, surge depois, e tenta modificar os conceitos inicialmente estabelecidos pelos sentidos. Certa vez, um médico me disse que se um índio passar mal com um alimento, mesmo que lhe dê prazer comê-lo esse alimento será considerado impuro para ele, que não deverá comê-lo mais. É o instinto de preservação. Sem conhecer sequer o termo alergia, instintivamente e mesmo por experiências anteriores, os “pajés” sabem que o alimento poderá, se ingerido, tornar-se danoso ou fatal. A experiência e a racionalidade alteram o conceito sensorial de alimento puro e impuro.

O problema maior aparece quando o critério religioso tenta alterar essa base natural e segura. As exigências do conceito de sagrado, e os preceitos de santificação, estabelecidos ainda nas fases tribais da evolução humana, criam o absurdo, o doentio e o bizarro.

Nas fases iniciais da evolução humana, muitos conceitos surgem simplesmente de determinações de “pajés , feiticeiros, pitonisas, ou outros tipos de liderança “mediúnica” ou baseada em poderes anímicos, que resolve estabelecer, por instinto, “revelação “ ou visão doentia de mentes “não muito equilibradas”, o que é puro e o que não o é. Estabelecem essas lideranças o puro e o impuro, rituais de santificação, que nem sempre tem por objetivo auxiliar a vida e disciplinar a utilização das faculdades humanas

Na fase das grandes civilizações centralizadas no poder imperial, real, ou sacerdotal, como no Egito, em Roma e na Antiguidade, os conceitos de puro e impuro, estão ligados a rituais de purificação estabelecidos por sacerdotes com objetivos também de manter o poder e aumentar a riqueza da casta sacerdotal, que dominava o estado como no Egito, e na Índia. Até hoje, na Índia, impuro é o pária. Se um pária esbarrar em você, você tem que solicitar a presença de um sacerdote da casta bramânica, para limpar toda a família com rituais de purificação. É claro que eles custam caro, como não? Só esses sacerdotes podem fazer o ritual certinho, com as palavras milenares e bem colocadas, senão não valerão...

Na época de Jesus havia muitos rituais de purificação. Para purificar imolavam-se pombos, carneiros, garrotes, que eram queimados para que as “narinas de Jeová, se satisfizessem com o cheiro de carne”. Claro, esse comércio, feito com dinheiro do Templo, rendia muito e ainda parte das carnes dos sacrifícios ficavam para quem os faziam, conforme a Lei, para alimentar os “donos da religião” e à sua família. Afinal, carne sempre foi muito cara e restrita às classes mais ricas.

Em Roma, os espíritos malignos tinham que ser afastados por procissões, dos ancestrais, cujas esfígies eram carregadas em andores, como nas procissões católicas. Assim, Herculano nos explica. É fácil concluir que a impureza nos contaminava a todos, pelas crenças difundidas pelos que nos deveriam esclarecer. Então eram exigidos ritos de purificação, para nos enganar e explorar.

É interessante verificar que nessa fase, como na fase tribal o desequilíbrio, o desejo de poder, o orgulho dos que “podiam conversar com os deuses e espíritos”, estabeleceram que a relação sexual era impura. Mas, os deuses, claro que obedecendo os rituais dos feiticeiros e depois sacerdotes, podiam torná-la pura.

Certa vez perguntei a um amigo meu, psicólogo social, com todos os títulos universitários, porque os religiosos implicam tanto com um ato tão bonito e natural como o ato sexual. Ele sorriu matreiramente e falou com simplicidade: “ É que o sexo, é uma grande fonte de poder, entre os seres humanos. O prazer compartilhado, gera poder entre os parceiros. Quem domina o seu sexo, domina você. Os líderes religiosos perceberam isso muito cedo, na história do homem. Daí estabelecerem a impureza do ato sexual, a não ser quando consagrado por eles.”

Com certeza tinha razão meu amigo. Os religiosos ao longo da história tem feito do sexo um problema. A virgindade era pura e sagrada. Tão somente virgens mães podiam quando fecundadas por um deus, ter um filho especial um semi deus ou uma criatura superior. Tal era a lenda que cercava Pitágoras. As virgens podiam gerar messias e profetas. As mulheres normais, que se consorciavam com homens comuns não. Em Roma, o culto ao Deus Apis, exigia a castração dos homens para serem sacerdotes. E pasmem, havia os se castravam publicamente, em cerimônias de sangue, onde o boi Apis, sacrificado em um tablado, recebia a castração de seus novos sacerdotes feita sob o sangue dele, em baixo desse mesmo tablado. As vestais do Templo de Vesta, deveriam permanecer virgens até os 30 anos, e se quebrassem essa obrigação eram enterradas vivas.

Por outro lado havia, os cultos fálicos. As casas romanas, tinham em seus pórticos uma representação do órgão sexual masculino, símbolo de fertilidade e virilidade que traria prosperidade para a família. “A prostituição sagrada existia oficiada nos templos de Vênus, dignificando as prostitutas”, esclarece-nos Herculano e nos fala de Afrodite cultuada desde os sumérios, com atos sexuais sagrados em seus altares. Havia ainda as bacanais e saturnais das quais nos restam ainda hoje as festas do carnaval. As bacanais, eram festas gloriosas com as quais os homens homenageavam Bacco, e as orgias nas festas, agradavam todo o Olimpo.

Conviviam assim, as proibições e castrações sexuais, os mitos da virgindade, com as orgias e atos sexuais sagrados, mas notemos bem, todos sob o domínio dos sacerdotes, que então utilizavam os mitos e rituais sobre as pulsões naturais, sempre com objetivo de manter e expandir o seu poder e riqueza. Não apenas no ocidente, nas no Oriente há lendas dos deuses e mitos que resumam os mesmos preconceitos e crenças. O próprio Buda, nasce de uma flor de Lótus, certamente porque nem mesmo uma virgem poderia ser digna de parir o Iluminado.

Era natural assim, que essa incoerência e essa confusão se imiscuíssem no Cristianismo nascente, em que podemos encontrar todas essas tendências de castração do sexo e de liberalização nas diferentes heresias perseguidas e às vezes dizimadas com violência, pela Igreja nos primeiros séculos. As mesmas crenças e mitos romanos e egípcios, são adaptados ao Evangelho, como nos explica Herculano Pires em seu magnífico livro “O Espírito e o Tempo”. Mas, foram as tendências de horror a matéria, proibição do prazer e exigência de castração, não de fato, mas nos votos de castidade, que venceram as batalhas travadas ao longo dos séculos e se impuseram no cristianismo da Igreja e também nos diversos evangelismos. O evangelismo dignifica o casamento, não aceita o voto de castidade, a não ser antes do casamento. Sempre se exige porém, as bênçãos dos homens de Deus, e ainda se faz da religião uma profissão, que tenta as “ambições secundárias” e faz surgir uma chusma de “novos profetas” como nos fala o Codificador ao nos explicar a dominação exercida pelas religiões. Cap I de A gênese item 8.

Maria Eny Rossetini Paiva
menylins@terra.com.br

Maria Eny Rossetini Paiva é professora, pedagoga e oradora espírita em Lins/SP

11 março 2012

Mediunidade - Chico Xavier


MEDIUNIDADE

O que é desenvolver mediunidade no conceito de Emmanuel?
Ele crê que desenvolvimento mediúnico deveria ser a nossa dedicação ao aperfeiçoamento pessoal para servirmos de intérpretes àqueles que habitam a vida espiritual e, ao mesmo tempo, começar muito cedo o trabalho na pauta da obediência e da fé de que todos carecemos perante as Leis de Deus.

Que é mediunidade, no significado real de sua essência?
Mediunidade, na essência, é afinidade, é sintonia, estabelecendo a possibilidade do intercâmbio espiritual entre as criaturas, que se identifiquem na mesma faixa de emoção e de pensamento.

Como alcançar bom aprimoramento de potencial mediúnico?
Reflitamos no assunto do ponto de vista da mediunidade em trabalho edificante. Que se aperfeiçoe o violino, e o artista encontrará nele as mais amplas facilidades de expressão. Sem cooperador habilitado, a tarefa surge deficiente. A mediunidade, em si, depende do médium.

Diga-nos o que deve fazer, dentro de suas capacidades, um médium, para poder ser completo e útil ao Plano Espiritual?
Devotamento ao Bem do próximo, sem a preocupação de vantagens pessoais - eis o primeiro requisito para que o medianeiro se torne sempre mais útil ao Plano Espiritual. Em seguida, quanto mais o médium se aprimore, através do estudo e do dever nobremente cumprido, mais valiosa se torna a execução de tarefas com os Instrutores da Vida Maior.

Que é que pode ser mais prejudicial a um médium?
O egoísmo que se fantasia de vaidade e orgulho, quando o medianeiro procura irrefletidamente antepor-se aos Mentores Espirituais que se valem dele. Ou o mesmo egoísmo, quando se veste de ociosidade ou de escrúpulo negativo, para fugir à prestação de serviço ao próximo.

Qual a razão de algumas pessoas possuírem dons mediúnicos na Terra, desde o berço, e outras, após muito trabalho, é que conseguem conquistar alguns desses valores?
Quando se trate de mediunidade em ação na cultura ou no progresso espiritual, a bagagem de recursos do medianeiro emerge das suas próprias aquisições de Espírito, efetuadas em existências pretéritas, outorgando-lhe a possibilidade de colaborar com mais eficiência ao lado de quantos pugnam, no Além, pelo aperfeiçoamento e a felicidade da comunidade humana.

Como podemos entender o chamado "planejamento espiritual"?
Mentalizemos o planejamento que antecede a formação de um núcleo populacional ou de uma família na Terra, com os recursos possíveis de previsão e teremos exatamente a idéia do que seja o "planejamento espiritual" para qualquer organização que proceda do Plano Espiritual para o Mundo Físico.

Como encarar as diversas demonstrações mediúnicas existentes e praticadas fora da Doutrina Espírita?
Os fenômenos medianímicos existiram em todos os tempos. E, em todos os distritos da atividade humana, continuam a existir. A Doutrina Espírita é o Cristianismo Redivivo, esclarecendo mediunidade e médiuns para que as ocorrências mediúnicas edifiquem elevação e proveito em auxílio da Humanidade.

Os "anjos de guarda", que são?
Os bons Espíritos, benevolentes e sábios, mormente aqueles que se nos fazem familiares, se erigem, no Mais Além, à condição de mensageiro de apoio ou guardiães abnegados daqueles companheiros que ainda se vinculam à vida física.

Quais são os principais sintomas, tanto físicos quanto psicológicos, que a pessoa apresenta para que diagnostique-se mediunidade acentuada?
Os sintomas podem ser variados, de acordo com o tipo de mediunidade. Irritabilidade, sonolência sem motivo, dores sem diagnóstico definido, mau humor e choro inexplicável podem indicar necessidade de esclarecimento e estudo.

O que acontece para uma pessoa que se recusa a desenvolver sua mediunidade, já que esta mediunidade pode ajudar muitas outras? Haverá algum castigo ou cobrança?
Energias que não doamos podem ser fator de desequilíbrio em nossas vidas. Nossa consciência, em geral, nos cobra uma atitude perante as tarefas que nos cabem. Praticando o Bem em qualquer parte, estaremos colocando nossa mediunidade a serviço de todos. André Luiz afirma: "Todo Bem que não se faz é um mal que se pratica".

Como saber distinguir efeitos mediúnicos de doença física? Por exemplo: as dores de cabeça e de estômago.
A segurança em distinguir efeitos da mediunidade de sintomas de doenças físicas, só pode ser alcançada com a educação da própria mediunidade. O ideal é que inicialmente se procure um médico para certificar-se que o mal não é físico e, uma vez confirmada a inexistência de doença, deve-se procurar a orientação espiritual.

Dentro da psicofonia, se um médium dá passividade constantemente para irmãozinhos sofredores, tristes e chorosos, isso significa que o médium não está com a sintonia elevada?
Todo médium deve estar em equilíbrio para trabalhar num grupo mediúnico. Quando dá manifestação a Espíritos sofredores, pode lhes proporcionar alívio e paz. Existem médiuns que têm energias específicas para socorrer Espíritos suicidas, muito sofredores; essa é a missão dos médiuns de desobsessão. Não é, portanto, um desequilíbrio.

Muitos candidatos à mediunidade nos aparecem, confessando, no entanto, sua predileção pelo vício de fumar. Que fazer nestes casos?
Ponderam os Mentores da Vida Maior que o vício da utilização do fumo cotidianamente é considerado dos menores vícios da personalidade humana. Não obstante, qualquer candidato à mediunidade cristã deverá esforçar-se diariamente por superar suas próprias inibições, consciente de que o quadro de serviços redentores a que se candidata exigir-lhe-á renúncias e abnegações incessantes em favor do próximo. Dentro deste particular é que os Amigos Espirituais nos dizem que, principalmente nas tarefas de auxílio desobsessivo e nas tarefas de alívio aos doentes, é totalmente desaconselhável o hábito de fumar. Assim, sendo, os médiuns psicofônicos, os passistas e os de efeitos físicos fazem muito bem quando abandonam o cigarro.

Muitos candidatos à mediunidade nos dizem que sofrem assédio de entidades infelizes e acabam desistindo do serviço mediúnico, justificando-se pelos impedimentos emocionais que carregam. Que dizer de semelhante situação?
Curiosa esta pergunta, porque também passamos por esta experiência. Um ano antes de transferimos nossa residência de Pedro Leopoldo para a cidade de Uberaba, por volta do ano de 1959, uma crise alucinante de labirintite nos atacou. O desconforto que a doença causava, com aquele barulho característico, dentro do próprio crânio, nos alterou o estado emocional. Quase não conseguíamos a necessária concentração para a tarefa psicografia nas reuniões públicas do Centro Espírita Luiz Gonzaga. Estávamos intranqüilos. Quando aquele tormento atingiu seu ápice, procuramos nosso médico oftalmologista, na época o Dr. Hilton Rocha, de Belo Horizonte. Dissemos a ele:
Dr. Hilton Rocha, eu já não agüento mais esta labirintite que me atazana. Este barulho incessante me tonteia e já não posso atender às minhas obrigações de psicografia com a tranqüilidade desejável. De modo que o senhor tem a minha autorização, caso esta labirintite for causada pela minha enfermidade dos olhos, para remover os meus globos oculares. E o senhor pode arrancar os meus olhos, por que eu preciso continuar trabalhando...
O Dr. Hilton Rocha nos tranqüilizou dizendo que, de forma alguma, a labirintite era devida às nossas enfermidades oculares. Recomendou-nos paciência e disse-nos que tudo iria passar. De fato, quando instalamos em definitivo aqui em Uberaba a crise de labirintite passou. Recentemente, no entanto, a questão voltou, mais ou menos há uns dois anos, com grande intensidade. Desta vez não só ouvimos o barulho característico da labirintite, como também registramos a voz nítida dos espíritos inimigos da Causa Espírita-Cristã, perturbando-nos a tranqüilidade interior. Esta presença de espíritos infelizes, desde então, tem sido uma constante. Ouvimos-lhe diariamente os ataques à Mensagem Cristã e à Doutrina Espírita; as sugestões desagradáveis; as induções ao desequilíbrio; os sarcasmos em relação aos episódios por nós vividos no decorrer desta existência; as alusões ferinas às ocorrências menos dignas de nossos círculos doutrinários; as calúnias em relação a fatos conhecidos por nós; e até maledicências dirigidas ao nosso círculo de amizades. Tudo isto de forma tal que nos sentimos tolhidos na liberdade de pensar. Nossos Amigos Espirituais classificam este tipo de atuação como sendo PENSAMENTOS SONORIZADOS dos obsessores em nós mesmos. Dr. Bezerra de Menezes nos recomendou muita calma em relação ao assunto, incentivando-nos, inclusive, a conversar com estes irmãos infelizes pelo pensamento, mostrando-lhes o ângulo de visão que nos é próprio e rogando-lhes paciência e compreensão para as nossas atividades mediúnicas. Mesmo assim, apesar de estarmos tentando dialogar com estes espíritos, somente em 80% dos casos eles desistem do sinistro propósito de nos retardar as tarefas. Assim, ainda 20% deles continuam renitentes em seu desiderato infeliz. Outro dia mesmo recorremos à viligância de nosso mentor Emmanuel, e ele nos pediu mais paciência. Segundo a afirmativa dele, isto ainda duraria por algum tempo e em breve tudo voltaria ao normal.

Em algumas reuniões identificamos discussões estéreis em torno de opiniões particulares e pontos de vista exclusivistas de determinados médiuns, que os conduzem, muitas vezes, ao afastamento do serviço, carregando no coração mágoas e desapontamento com a direção das reuniões e dos Centros Espíritas. Como devemos agir diante dos que se afastam das tarefas?
O quadro de nossas responsabilidades diante da Mensagem Cristã do "Amai-vos uns aos outros" é tão vasto, os serviços ainda incompletos e as tarefas por realizar em nome do amor ao próximo se desdobram com tanta intensidade que, sinceramente, cabe-nos a solução de aproveitar o tempo disponível às nossas limitadas possibilidades, trabalhando e servindo sem cessar em nome do Bem geral. Não podemos nos dar ao luxo de correr atrás daqueles que abandonam o serviço espiritual, a pretexto de lhes oferecer explicações e homenagens. Isto porque nossas obrigações aí estão, exigindo-nos tempo e dedicação, e não podemos perder tempo. Se fulano ou ciclano considerou por bem abandonar as próprias obrigações espirituais, por este ou aquele melindre, que podemos nós fazer? Entreguemos-lhe, pela oração, à Bênção Misericordiosa de Deus, o Pai Amoroso de todos nós, e, por nossa vez, perseveremos no trabalho do Bem até o fim.

Qual o obstáculo mais difícil a vencer na mediunidade?
Os obstáculos mais difíceis ao desenvolvimento da mediunidade estão sempre em nós mesmos. Quando deixamos o trabalho mediúnico para entregar-nos a tipos de atividades inconvenientes, estamos habitualmente cedendo às tentações que ainda trazemos em nós mesmos, constantes das tendências inferiores que ainda remanescem dentro de nós, em nos referindo à herança pessoal que trazemos de existências passadas.

Existirá, na opinião dos Amigos Espirituais, alguma correlação entre disritmia cerebral e mediunidade?
Estamos na certeza de que no futuro dirá, do ponto de vista científico, que sim. A chamada disritmia cerebral, na maioria dos casos, funciona como sendo um implemento de fixação da onda mental do espírito comunicante; muitas vezes, também, essa mesma disritmia é um elemento importante no problema obsessivo. Achamo-nos aqui perante questões que o futuro nos mostrará em sua amplitude, com as chaves necessárias para a solução do problema.

Qual a receita que o Sr. apontaria contra o animismo?
Aprendi com o nosso abnegado Emmanuel que o médium é também um Espírito necessitado de socorro e de orientação. Desse modo, se o chamado animismo aparece em determinado grupo, devemos atender ao companheiro ou à companheira, envolvidos no assunto, com o mesmo carinho e atenção que dispensamos comumente ao Espírito desencarnado, quando no intercâmbio conosco.

O desenvolvimento da mediunidade se processa mais na corrente mediúnica ou nas ações, palavras e pensamentos de todos os minutos do médium?
O desenvolvimento da sublimação mediúnica permanece na corrente dos pensamentos, palavras e atos do medianeiro da vida espiritual, quando ajustado ao ministério de fraternidade e luz que a sua tarefa implica em si mesma.

A tese da mediunidade inconsciente estará sendo estudada e observada com consciência pela totalidade dos médiuns que se apregoam portadores de tal mediunidade? Cabe-nos significar-lhes nossas dúvidas ou aguardar o Tempo?
Na esfera do medíunismo, há realmente incógnitas que só o esforço paciente de nossos trabalhos conjugados no tempo conseguirá solucionar. Incentivemos o estudo e o auxílio, dentro da solidariedade cristã, e, gradativamente, diminuiremos as múltiplas arestas que ainda impedem a nossa sintonia na execução dos serviços a que fomos chamados, porquanto, o problema não deve ser examinado unilateralmente, reconhecendo-se que o serviço é de nossa responsabilidade coletiva nos círculos doutrinais.

Sendo verdade que o "clima" mental do médium atrai Espíritos condizentes, bons ou maus, como agiremos diante dos médiuns que se dizem inconscientes e que dão comunicações alternadas e seguidas?
O médium não deve perder de vista a disciplina de si próprio. A ordem é atestado de elevação.

Dons mediúnicos pronunciados, como por exemplo, o da vidência espiritual, que tantas pessoas anseiam e se esforçam por possuir, sob certas circunstâncias de ordem material, não significariam uma desvantagem ou, pelo menos, um transcendente compromisso para essas pessoas?
Dons mediúnicos não representam desvantagens, mas envolvem os compromissos e as responsabilidades que lhes são conseqüentes. Os candidatos ao trabalho mediúnico, junto das criaturas humanas, precisam refletir com segurança e discernimento antes de abraçá-lo, conscientes de que se encontram diante de um dos mais sérios compromissos espirituais da vida.

Quando um médium pode saber se realmente tem um compromisso mediúnico e que compromisso lhe traz essa mediunidade?
Através de sua predisposição. A mediunidade induz o indivíduo a uma posição consciente perante a vida desde que esta seja pautada em linhas de equilíbrio moral. Então, ele passa a receber intuições vigorosas que o impelem a atitudes positivas em relação ao próximo. Aparece de início, como lampejo de um ideal, como reminiscência de tarefas que ficaram interrompidas ou como uma verdadeira impulsão para realizar determinados compromissos em benefício da criatura humana. À medida que mergulha no mundo interior, desdobram-se as possibilidades e os Espíritos o conduzem a que execute a tarefa que, aos poucos, lhe vai sendo inspirada e conduzida. A mediunidade é uma faculdade para-normal, e todos podemos experimentar fenômenos que não são habituais, não comuns. Quando estes fenômenos especiais transcendem o habitual, refletem características de mediunidade, tais como: percepção de presença, visões e audições psíquicas, que seriam denominadas como alucinações psicológicas por psiquiatras desconhecedores da mediunidade...

Que dizer dos processos empregados atualmente pela maioria dos Centros, no que diz respeito ao desenvolvimento mediúnico? Como desenvolver médiuns?
Examinar as diretrizes das instituições não será trabalho compatível com as nossas responsabilidades singelas. Cada grupo doutrinário é a resultante dos propósitos e atividades dos seus componentes. Resumindo-se, porém, os programas do Espiritismo Evangélico, na sementeira do amor e da educação nos moldes que Jesus nos legou, acreditamos não encontrar outro código mais elevado para os serviços do nosso ideal, além do Evangelho sentido e vivido, nos diversos setores da experiência que nos é comum, código esse que deve presidir também não só o desenvolvimento dos médiuns, mas o processo espiritual de todos os doutrinadores e companheiros em geral.

Fontes:
Questão 1, do livro Kardec Prossegue - Editora UNIÃO.
Questão 2, do livro Novo Mundo - Editora IDEAL.
Questões 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12 e 13, do livro "Plantão de Respostas - Editora CEU.
Questões 14, 15 e 16, do Jornal "O Espírita Mineiro" - n 217.
Questões 17, 19, 20, 21, 22, 23, 24 e 25, do livro "Encontros no Tempo" - Editora IDE.
Questão 18, do livro "Chico Xavier, em Goiânia" - Editora GEEM.
Link da Página: http://www.grupoandreluiz.org.br/chico_ler_perguntas.php?id=5

09 março 2012

O Ciúme na Visão Espírita - Raimundo Pinheiro


O CIÚME NA VISÃO ESPÍRITA

O ciúme está envolvido com as nossas encarnações passadas e talvez seja uma perda muito grande que tivemos e por não querer perder de novo, vivemos inseguros achando que perderemos de novo assim como no passado. É como se fosse uma auto-defesa, uma tentativa de bloqueio a perdas futuras.

Talvez seja até alguma pessoa muito querida nossa que fugiu ou partiu com outro e por isso reencarnamos inseguros de tudo e de todos. Pode ser o caso de que estes ciumentos incontroláveis possam ter sidos suicidas que para não ficarem sozinhos e abandonados se suicidaram e agora tem que passar por tudo de novo para mostrar que estão recuperados.

O ciúme com certeza tem a ver com encarnações passadas e com grandes perdas e muita mágoa, porque hoje vemos que os ciumentos incontroláveis sofrem muito com uma simples "possibilidade" de perda, mesmo que seja coisa de sua mente, eles sofrem com essa situação, os ciumentos não agem assim por prazer por querer dominar, é uma coisa muito forte e pra eles é uma atitude muito correta e justa.

Lembrando que existe o ciumento movido pelo egoísmo, que não tem só ciúmes de pessoas, mas de objetos também e de tudo que outras pessoas possam vir a ter também. E tem os ciumentos que só sentem isso por determinada pessoa, como se fosse uma obsessão, onde pra esta pessoa só existe uma coisa importante neste mundo, a pessoa que eles tanto amam.

O tratamento a base de remédios pode ajudar, mas não de forma completa, já que é uma deficiência do espírito.

Com isso a pessoa para tentar amenizar a situação, deve primeiro se reconhecer como uma pessoa ciumenta e a partir daí, buscar uma ajuda psicológica, onde algum profissional desta área possa junto com o ciumento tentar achar um ponto de equilíbrio, ou até mesmo se for o caso da pessoa ser mais voltada ao lado espiritual,tentar fazer uma regressão por hipnose, pois é uma área que tem conseguido resultados fantásticos, feito está técnica por médicos espíritas e espiritualistas, onde a regressão deve ultrapassar o útero e alcançar encarnações passadas, para descobrir onde está o elo que ficou preso no tempo.

1) O ciúme é realmente o tempero do Amor? Por que?
R: Erradamente foi criada esta afirmação, ao meu modo de ver o ciúme não tem nada a ver com tempero nenhum, talvez seja o tempero da discórdia, das brigas, etc. Infelizmente as pessoas acham que quando demonstram ciúmes a pessoa amada fica feliz e se sente assim mais importante pro outro. Acham erradamente que quem tem ciúmes do outro é porque ama, só que este ciúme que faz tão bem no início pode vir a ser um empecilho ao prosseguimento da felicidade.

2) O ciúme realmente acontece intensamente nos relacionamentos mal correspondidos, na visão de quem dá atenção somente para a beleza externa, desconhecendo o interior?
R: Não, isso é muito relativo e cada caso é um caso.

3) É verdade que "Quanto mais amor, muito menos ciúme. Quanto mais amor, é possível até não existir o ciúme."? Por que?
R: O amor em si, puro e verdadeiro, ou seja, diferente de muitos "amores" que existem por aí, é um sentimento que combate determinados erros nossos. Explicando melhor, o amor quando é verdadeiro não há espaço para coisas pequenas como o ciúme, porque ele como sentimento nobre, nos envolve de certa forma que fica quase impossível vivê-los ao mesmo tempo. Podemos assim dizer que o ciúme é a falta ou o uso incorreto do amor.

4) É verdade que "Para haver ciúmes é preciso haver insegurança, falta de diálogo; no extremo, falta de tudo; especificamente, falta de uma decisão."? Por que?
R: Não, estes pontos descritos acima, são apenas conseqüências do ciúme, ou seja, desencadeados por ele. O ciúme vem acompanhado de diversas tendências que assumimos quando "aceitamos" o ciúme em nossas vidas (digo aceitar na forma de não lutar contra, pois isso pra mim é aceitar). Portanto para mim, para haver o ciúmes é preciso que as pessoas propensas a este sentimento não lutem contra este mal, e assim a propensão aumenta ao ponto de começar-mos a tê-lo no nosso dia-a-dia.

5) O ciúme pode ser uma obsessão? Por que?
R: O ciúme na nossa visão de encarnados é uma obsessão, onde a falta de controle e certas atitudes exclusivas para com determinadas pessoas. Agora levando num outro sentido a palavra obsessão, no sentido espiritual, acho que a obsessão pode ser apenas um aliado para alimentar o ciúme, como um combustível, que só queima se a máquina o processar, ou seja, a obsessão pode sim estar por de trás de um ataque de ciúmes, mas na verdade é preciso muitas coisas acontecerem antes para que um obsessor venha a nos incomodar e nos incentivar no ciúme. Lutar contra o ciúme é o caminho para evitar este tipo de assédio.

6) O ciúme pode gerar uma depressão?
R: Certamente que sim, se não houver busca de tratamento por achar natural os atos de ciúme.

7) O ciúme refere-se simplesmente a casais? Ou pode ser estendido a relacionamentos outros, tipo: de amizade, profissional, de relacionamentos em geral?
R: O ciúme por ser proveniente do espírito, pode sim ser extensivo a demais pessoas, não tendo como base apenas casais, mas sim duas ou mais pessoas ligadas num mesmo passado próximo. Vemos isso muito bem num ciúme natural e muito forte entre certo pai ou mãe a determinado filho, onde apenas um filho é alvo deste ciúme além do comum. Ainda existem pais que tem mais ciúmes dos filhos do que de um para com o outro.

Autor: Raimundo Pinheiro

08 março 2012

A Doutrina Espírita e o TOC - Transtorno Obsessivo Compulsivo


A DOUTRINA ESPÍRITA E O TOC
Transtorno Obsessivo Compulsivo


Inicialmente, cumpre-nos entender o que vem a ser o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC). Façamos isso com alguns casos ilustrativos. Historicamente, Pilatos, por exemplo, após deixar assassinar Jesus, em quem reconhecia a ausência de culpa, fez um quadro obsessivo-compulsivo, que o celebrizou, em face da situação aflitiva de sempre lavar as mãos, que lhe pareciam sujas pelo sangue do inocente. A sua desdita se teria encerrado, somente, quando se suicidou, atirando-se na cratera de um vulcão extinto na Suíça.

Na literatura de Shakespeare, Macbeth, após assassinar o rei, ajudada pelo marido, passou a sofrer o mesmo conflito das mãos sujas de sangue, que deveria lavar sempre, em estado sonambúlico ou não, atirando-se nos resvaladouros da loucura...

À semelhança dessas personagens, o conflito adquire robustez e apresenta-se em inúmeros pacientes, como a necessidade de se banharem continuamente, usando álcool e outras substâncias desinfetantes, a fim de se isentarem da imunidade que lhes parece cobrir o corpo. Outras vezes, são os impulsos irresistíveis para se assepsiarem, evitando contrair doenças infecciosas, ou supondo-se portadoras delas, por meio da eliminação de bactérias e micróbios outros alojados no corpo, como se isso fosse possível, já que a própria condição celular impede que haja uma ausência absoluta dessas vidas microscópicas.

Odores pútridos, quais os de cadáveres em decomposição, atormentam não pequeno número de enfermos, exigindo deles o uso de substâncias fortes e aromatizadas, que aspiram ou mascam em desesperada tentativa de se libertarem dessas desagradáveis manifestações que, no entanto, encontram-se no inconsciente e são somatizadas, gerando desespero e alucinação.


O TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO NA VISÃO DAS CIÊNCIAS

O Transtorno Obsessivo-Compulsivo é classificado como um transtorno de ansiedade pela quarta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV), da Associação Psiquiátrica Americana, e como um transtorno neurótico pela Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento (CID-10), da Organização Mundial de Saúde.

As obsessões são idéias intrusivas, sem sentido, recorrentes e persistentes que parecem vir "desde dentro". Já as compulsões são comportamentos repetitivos e sem propósito, de aspecto ritualístico e caracterizado por urgências irresistíveis. Alguns autores afirmam que as obsessões podem ser definidas como idéias, imagens ou ações que aumentam a ansiedade/o desconforto pela referência que fazem a eventos catastróficos, antecipados, e as compulsões como idéias, imagens ou ações que reduzem a ansiedade/o desconforto pela fuga ou neutralização daqueles eventos.

Ambas ocupam grande tempo do dia de um paciente (pelo menos mais de uma hora por dia) e, conseqüentemente, interferem no funcionamento adequado de sua vida.

Há quatro grandes categorias principais: as compulsões de limpeza (por exemplo, lavar as mãos repetidas vezes, usar máscaras ou luvas para tocar objetos/pessoas), as compulsões de verificação (retornar inúmeras vezes para verificar se uma porta foi fechada), as obsessões puras (pensamentos repetitivos, geralmente de conteúdo sexual agressivo) e a lentidão obsessiva primária (necessidade de se externar com precisão em tudo o que é feito, o que toma um tempo considerável).


ESTUDOS ESPÍRITAS SOBRE O TOC

A saúde, sob qualquer aspecto considerado - físico, mental, emocional, moral - é patrimônio da vida, que constitui meta a ser conquistada pelo homem e pela mulher no processo da sua evolução. Engrandecendo-se o ser por meio dos esforços que empreende na conquista dos múltiplos valores nele adormecidos, penetra-os, no mundo íntimo, a fim de exteriorizá-los em hinos de alegria e de bem-estar.

Porque desperdiça as oportunidades que deveriam ser utilizadas em favor da auto-iluminação, da conscientização de sua realidade, infelizmente envereda pela trilha dos prazeres exorbitantes e deixa-se arrastar pelos vícios perniciosos, estacionando na marcha ascensional e sofrendo as seqüelas que a insensatez lhe brinda, em forma de conseqüência dolorosa quase imediata.

É nesse mundo íntimo, no inconsciente pessoal, que se encontram as fixações perversas e desvairadas do primarismo do ser, que permanecem durante o período da razão, gerando distúrbios que reaparecem na consciência atual, desestruturando os equipamentos da saúde física, psíquica e, especialmente, da emocional.

Entre outros, pela sua gravidade, o Transtorno Obsessivo-Compulsivo se destaca, infelicitando não pequeno número de vítimas em toda a Terra.

Nesse capítulo, podemos anotar três diferentes itens, que são o pensamento compulsivo, a atividade compulsiva e a personalidade ou caráter obsessivo.

Quando se é portador de pensamento compulsivo , a consciência torna-se invadida por representações mentais involuntárias, repetitivas e incontroláveis, variando de paciente para paciente. Trata-se de idéias desagradáveis umas repugnantes outras, que infelicitam, e o enfermo não dispõem de meios lúcidos para enfrentá-las, superando-as. Trata-se de um objetivo defensivo do inconsciente pessoal, impedindo que o doente tome conhecimento da sua realidade interior, dos seus legítimos impulsos e emoções. Nele fixam-se pensamentos repetitivos, alguns ridículos, mas dos quais o enfermo não consegue libertar-se . Outras vezes, manifestam-se em forma de dúvidas inquietantes, que desequilibram o comportamento.

A atividade compulsiva apresenta-se como incoercível necessidade de ações repetidas. Desde o simples ato de traçar linhas e desenhos em papel ao de contar lâmpadas ou cadeiras num auditório, que parecem sem sentido, mas não se consegue evitar, incidindo-se sempre na mesma atividade. De alguma sorte, é um mecanismo para fazer uma liberação da ansiedade de que se é vítima. Nas tentativas para evitar a atividade compulsiva, em razão de circunstâncias poderosas, o paciente sofre, transtorna-se, terminando por entregar-se à ação tormentosa de maneira discreta, simulada que seja...

Por fim, os indivíduos portadores da personalidade ou caráter obsessivo se apresentam sistemáticos, impressionando pela rigidez do comportamento, inclusive para com eles próprios. São portadores de sentimentos nobres, confiáveis e dedicados ao trabalho, que exercem até o excesso. No entanto, foram vítimas de ambiente emocional duramente severo desde a infância, quando sofreram imposições descabidas e tiveram que obedecer sem pensar, pois essa era a única maneira de se livrarem das imposições e castigos dos adultos. Sentindo-se obrigados, desde cedo, a reprimir as emoções, tornam-se ambivalentes, escapando-lhes de controle os sentimentos que se constituem de natureza hostil, apresentando-se mais com intelectuais do que como sentimentais.

Cumpre destacar ainda as heranças dos atos de outras encarnações, que se encontram inscritos no inconsciente pessoal, como desencadeadores dos transtornos psicóticos. Estes ecos do passado acabam atraindo entidades desencarnadas que, vinculando-se às mentes dos portadores de transtornos obsessivos, impõem o direito de cobranças esdrúxulas, mediante processos espirituais devastadores.

Trata-se de Espíritos que foram vitimados por crimes perversos contra eles cometidos, e que não conseguiram superar os traumas e os ressentimentos. Agora, na condição de vingadores que vêm prestar contas com o passado, promovem obsessões vigorosas contra aqueles que foram seus adversários outrora.

Porque a dívida moral permanece impressa nos painéis do inconsciente pessoal, os pacientes assimilam as ondas mentais das suas antigas vítimas, que são convertidas em sensações penosas, em forma de consciência de culpa. Sob outro aspecto, esses endividados espirituais reencarnam com os fatores neurológicos e orgânicos, em geral impressos no corpo perispiritual, em face dos transtornos morais que se permitiram anteriormente, de forma a experimentarem a recuperação moral mediante o processo depurador a que ora fazem jus.

A psicoterapia cognitivo-comportamental ameniza ou até mesmo produz a cura dos efeitos danosos do transtorno obsessivo-compulsivo. Evidentemente, a contribuição de alguns fármacos apropriados, sob cuidadosa orientação psiquiátrica, torna-se de inestimável significado para o reequilíbrio do paciente.

Por outro lado, a terapêutica espírita pode ajudar nestes processos, orientando e confortando os agentes espirituais, que terminam por abandonar os seus propósitos de vingança, libertando os seus inimigos. Compete ainda à Doutrina Espírita orientar o enfermo, auxiliando-o na mudança de atitude perante a vida, de comportamento mental, de sentimento rancoroso e agressivo em relação ao seu próximo.

Ideal, portanto, que sejam tomadas providências para que as referidas terapêuticas – psicológica, espiritual e psiquiátrica – sejam utilizadas, a fim de facultar ao paciente a sua recuperação.

(Artigo elaborado com base no texto "Transtorno Obsessivo Compulsivo", de Joanna de Angelis, capítulo 6 do livro "Aspectos Psiquiátricos e Espirituais nos Transtornos Emocionais", de Divaldo Franco).

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Você tem TOC? Faça o teste


O teste abaixo não substitui uma consulta especializada. As perguntas servem para auxílio no diagnóstico de Transtorno Obsessivo Compulsivo. Caso você responda positivamente a alguma das questões seguintes é importante que procure um atendimento psiquiátrico especializado para melhor avaliação.
  1. Sua mente é invadida por pensamentos, impulsos, palavras, frases, música, ou imagens que não deseja, que o incomodam e não consegue afastar ?
  2. Preocupa-se demais com germes, contaminação, sujeira, ou doenças?
  3. Preocupa-se demasiadamente em ter certeza ou fazer as coisas de forma absolutamente perfeita, tendo por isso sempre muitas dúvidas, e a necessidade de repetí-las?
  4. Necessita lavar as mãos repetidamente ou de forma excessiva ?
  5. Tem necessidade de tomar vários banhos ao dia por se sentir sujo, contaminado ou por sentir culpa por algo que considera ter feito de errado ou imoral?
  6. Verifica portas, fogão, janelas, gás, torneiras, eletro-domésticos ou outras coisas de forma excessiva?
  7. Necessita fazer coisas de forma repetida e sem sentido (tocar, contar, repetir números, palavras ou frases?
  8. Preocupa-se demais em que as coisas estejam simétricas, perfeitas, organizadas ou alinhadas?