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19 julho 2019

O ódio no Plano Espiritual - Hugo Lapa



O ÓDIO NO PLANO ESPIRITUAL



Existe ódio entre os espíritos?

Com o espírito que já se reconheceu como sendo espírito, não existe nem o menor fragmento de ódio. Mas com o espírito que ainda se vê como um ser humano, sim… esse pode ter muito ódio dentro de si mesmo.

O espírito que se reconhece, se vê e sabe que é espírito, não tem nenhum motivo para ter ódio. Mas por que isso ocorre? O espírito que se enxerga como um espírito não tem razão para se abalar com as coisas que aconteceram durante a sua vida na Terra. Seria o mesmo que se deixar atingir e ficar com ódio daquilo que aconteceu durante um jogo de games. Se a pessoa sabe que eu não é aquele personagem do game, ela sabe que nada do que ocorreu com aquele personagem faz parte da sua vida normal. Então, porque se deixar levar por essas coisas?

Pode o espírito que se reconhece como espírito continuar com mágoa daquele que o assassinou numa encarnação? O espírito que se vê como espírito sabe que sua vida não terminou com o assassinato… ele sabe que a morte é apenas um retorno à pátria espiritual. Ele sabe que nada ocorre por acaso e se sua morte foi naquele momento, essa foi uma experiência válida para sua evolução.

Se ele é espírito e encontrou uma plena felicidade em sua condição cósmica, por que se importar com a perda dos bens terrenos e de sua encarnação? Por que se importar com a doença que degenerou seus órgãos se o espírito não tem corpo material? Por que se preocupar com a perna que foi amputada se o espírito não tem perna? O espírito que ainda se identifica como um ser humano, com uma pessoa que tem uma história e uma personalidade, esse sim pode entrar em depressão com a amputação de uma de suas pernas e ficar com raiva de tudo. Mas o espírito que compreendeu a sua condição espiritual, onde nada pode destruir a essência eterna que é a sua natureza, como isto poderia alterar um milímetro de sua paz?

Aquele que se reconhece como espírito sabe que ele não morre, que ele não padece, que ele não é destruído, que ele nada pode perder, que ele não pode sofrer, ele não pode sentir falta e não pode se abater por coisa alguma. Se ele não é desse mundo, por que sofrer com as catástrofes do mundo? Quem sabe que está além desse mundo não pode se deixar atingir por alguma coisa que exista aqui.

Como se diz na pergunta 322 de O Livro dos Espíritos: “Os Espíritos esquecidos, cujas tumbas não são visitadas por ninguém, comparecem apesar disso e sentem algum desgosto por não verem nenhum amigo lembrar-se deles — Que lhes importa a Terra? Somente pelo coração se prendem a ela . Se não mais o amam, nada mais há que faça o Espírito voltará Terra. Ele tem todo o Universo pela frente.”

Sim, “temos todo o universo pela frente”, como diz O Livro dos Espíritos. O infinito e a eternidade está a nossa disposição… ao nosso alcance. O que mais podemos querer se já temos tudo como espíritos? O que podemos perder se o espírito é infinito e eterno? Quais problemas mundanos podem nos prejudicar se não somos desse mundo? “Eu não sou desse mundo” disse Jesus. Por que Jesus disse que não era desse mundo? Por que ele tinha a experiência de ser espírito, de sentir a essência imortal do seu ser mais profundo. Jesus sabia que não era um corpo, uma personalidade… Jesus sabia que ele não podia ser morto pelos romanos na cruz, pois se ele é espírito, quem pode matar aquilo que é imortal? Jesus se entregou aos romanos com a certeza de que toda a via crucis ocorreria com seu corpo e com a personalidade “Jesus”, mas não com seu espírito imortal, pois este é perene… e nada pode atingir. Buda também tinha certeza desse princípio, pois o vivenciava… tanto é assim que ele mesmo que disse: “Eu atingi o imortal”.

O corpo material nós ganhamos em algum momento e, por isso, sofremos quando o perdemos. Mas aquele que sabe que nada pode ganhar e, por conta disso, nada pode perder… o que o faria sofrer? A essência do espírito nunca teve começo e nem sequer terá fim… é infinita, eterna, incognoscível, indestrutível e totalmente inabalável. Aquele que já compreendeu que é espírito, esse nada pode afetar… e consequentemente, não pode ter qualquer resquício de ódio.

Hugo Lapa


18 julho 2019

Desavenças de outras vidas - Nilton Cardoso




DESAVENÇAS DE OUTRAS VIDAS



Antes de nascermos e ainda quando nos encontramos no Plano Espiritual, praticamente todos os espíritos procedem ao planejamento da vida que vai levar aqui na Terra, ou em outro planeta de categoria similar. Disse praticamente todos, pois existem aqueles que ainda estão numa fase de rebeldia, que os próprios benfeitores é que procedem nas diretrizes a serem seguidas após o nascimento.

Mas nem tudo está delineado. Apenas os tópicos importantes é que nos aparecem como metas a serem atingidas, pois do contrário seríamos como máquinas, e não é assim que acontece, pois temos o livre arbítrio que vai nos possibilitar a oportunidade de seguirmos ou não determinado rumo. Teremos sempre o poder de decidir qual a atitude tomar diante das provas que nos forem apresentadas.

Ainda no período de planejamento temos consciência das vidas anteriores vividas e por isso vamos ajustar nossa futura vinda à carne de acordo com aquilo que fomos anteriormente, procurando sempre vivenciar questões que permitam nosso crescimento dentro dos parâmetros da Lei Divina. Se mal fizemos, teremos de reparar. Se fomos vítimas, temos de possibilitar que outrem faça o reparo em relação a nós, se realizando assim a lei de causa e efeito.

Poderíamos pensar então em não reparar o mal que fizemos, mas isso de nada adiantaria a nossa vinda ao mundo, pois ficaríamos estacionados na evolução. Então escolhemos sempre resgatar dentro de uma intensidade que possamos concretizar. Por isso dizemos que Deus nunca nos da o fardo maior que podemos carregar.

É lógico que dentro desse resgate estaremos nos reencontrando com outros espíritos que tivemos desavenças em vidas pretéritas e é bastante difícil para nós ter este contato, por isso Deus permite que ao nascermos na nova vida, nos esqueçamos de tudo, pois assim quando nos encontrarmos com desafetos, poderemos sentir algum resíduo de energia negativa, mas certamente como não nos lembramos de nada, haverá grande possibilidade de convívio e de revertermos à aversão sentida, em aproximação amorosa.

Temos então uma explicação do motivo de existir muitas aversões familiares, rejeições entre pais, filhos, irmãos. É que certamente em algum momento do passado estivemos em posicionamentos contrários e quem sabe até inimigos fomos e agora nos reencontrando sentimos a dificuldade do diálogo, dado ao esquecimento Misericordioso.

Muitas vezes não basta uma vida física para resolver as contendas, são necessárias várias reencarnações para que as diferenças sejam sanadas, pois no cotidiano vemos confrontos bastante sérios, envolvendo violência e muito desamor, e isso deixa marcas que se alongam por várias e várias vidas, até que um dia como é o desejo do Pai, o amor volta a fazer parte destes seres e acaba eclodindo a evolução efetivamente.

Portanto ao nos depararmos com situações difíceis de relacionamento, devemos dar tempo ao tempo, evitando confrontos que só agravariam. Recorramos à prece sempre que estivermos em vias de desavenças, pois que certamente ali estão presentes pessoas que tiveram embates em vidas passadas.


Autor: Nilton Cardoso

 

17 julho 2019

Espiritualidade em comportamento de crise - Jane Maiolo



ESPIRITUALIDADE EM COMPORTAMENTE DE CRISE


Então disseram os fariseus entre si: vede que nada é proveitoso! Eis que o mundo vai atrás dele. ¹

As anotações contidas no capítulo 12 do versículo 19 do Evangelho de João nos traz o diálogo dos fariseus sobre a infrutífera armadilha de prender Jesus, que dias antes houvera ressuscitado Lázaro, o amigo de Betânia. Lidar com a verdade e a superação não é tarefa fácil ao homem contemporâneo, arraigado ao materialismo e ao imediatismo da vida terrestre.

Vivemos em tempos de crises sob o guante do conflito existencial, da subversão de valores éticos, das deficiências morais. Em face disso, é flagrante a incapacidade humana de lidar com os desafios das experiências do cotidiano. Nos escandalizamos com o comportamento dos outros, ficamos assombrados com a liberdade do próximo, discordamos dos propósitos de muitos e quase sempre nos iludimos com aquilo que diz respeito ao nosso eu.

Na verdade, todo crescimento é doloroso segundo explicação de Allan Kardec, contida em A Gênese: “(...) a Humanidade se transforma, como já se transformou noutras épocas, e cada transformação se assinala por uma crise que é, para o gênero humano, o que são, para os indivíduos, as crises de crescimento”.²

O homem atormentado, produto do século XXI, não se permite aquietar-se a fim de comprazer-se ante a beleza da vida. Entretanto, há silenciosas vitórias diárias e imensas conquistas no mundo íntimo daquele que desperta gradativamente para a sua realidade de espírito imortal que é. De tal modo que não tem faltado empenho do mundo espiritual a fim de oferecer luzes aos nossos dias. O comportamento de crise que agora se manifesta em abundância, demarca um período de grandes e profundas decisões.

A inteligência emocional há que se desenvolver a duros entraves, mas haveremos de lidar com as situações de crescimento.

A advertência do Cristo persiste ativo e altivo, conclamando os homens de boa vontade para a luta, que é e sempre será individual e intransferível, em qualquer plano da vida. O Evangelho do Cristo é o único roteiro infalível para nossa redenção. Talvez sigamos outros itinerários mais animados, festivos, longos ou sinuosos, porém, é da Lei divina que, enquanto não incorporarmos a vivência evangélica cristã no nosso comportamento não haverá equilíbrio e lucidez para o espírito imortal.

O pensamento do homem deve inundar-se de espiritualidade. Os avanços científicos e tecnológicos não podem eliminar a ideia de Deus, de imortalidade, de esperança e de fé racional do homem. Toda ciência que promove esse afastamento do divino é desumana em si mesma. A espiritualidade é o canal invisível que possibilita ao homem continuar sua trajetória ascensional.

Oportuna a reflexão de João para os dias atuais: “Vede que nada é proveitoso! Eis que o mundo vai atrás dele”, prossigamos, mesmo que em crises, buscando Jesus, o Cristo, para nossa real transformação.


Jane Maiolo

Referências bibliográficas:

1-João 12:19
2- KARDEC, Allan /A Gênese - CAP.XVIII- São Chegados os Tempos

16 julho 2019

Comece perdoando a si mesmo - Morel Felipe Wilkon



COMECE PERDOANDO A SI MESMO


Perdoar a si mesmo é mais urgente que perdoar ao próximo. Se você não perdoar a si mesmo, como vai ter condições de perdoar a quem quer que seja? Se não perdoar seus próprios erros, suas próprias faltas, como conseguirá perdoar os erros e faltas alheias?

Perdoe primeiro a si mesmo, logo, urgentemente, se possível ainda hoje, pois ninguém merece viver carregando culpas velhas de erros cometidos no passado. Não faça essa injustiça consigo mesmo, perdoe-se!

O sentimento de culpa age como autopunição, mas a autopunição só é válida quando lhe faz querer reparar o mal cometido. Para chegar a esse ponto, você deve passar pelo estágio do remorso, que é o reconhecimento do mal realizado e consequente sofrimento; e do arrependimento, que é a ânsia de reparar ou compensar o mal que foi causado por você. Se você já passou desse ponto, a autopunição não tem mais serventia para você. É um peso morto. Se você não chegou a arrepender-se, não acha que seja necessário reparar ou compensar o mal que causou, talvez esteja entrando ou já entrou num processo de vitimização e autopiedade. Reconheça seus erros, levando em conta que muitas vezes erramos tentando fazer o que nos parece melhor em determinadas circunstâncias.

Reconheça seus erros, reveja os sentimentos e valores que o levaram a cometer deslizes e adotar comportamentos errados, abra-se consigo mesmo. Você certamente já se deu conta disso, mas não custa perguntar: Você já se deu conta de que você mesmo é sua única companhia obrigatória? Que você vai acompanhar você para o resto dessa vida e para além dela, para sempre? Você já percebeu que você está com você em todos os momentos da sua vida, bons e maus, aproveitando os benefícios e sofrendo os malefícios? Se importe mais consigo mesmo. Respeite mais a si mesmo. E, acima de tudo, seja seu melhor amigo! Abra-se consigo mesmo, conte de seus velhos medos, de suas vergonhas, fraquezas que só você conhece. Cure essas feridas, seja amoroso consigo. Você precisa de você.

Perdoe-se! Faça as pazes com você, e comece já a mudar seu padrão de pensamentos e sentimentos. Controle seus pensamentos, eles são determinantes para o que você faz de você. Ame mais, comece por amar a você mesmo. Se não amar a você, como vai amar a seu próximo? Devemos amar o próximo como a nós mesmos, e devemos amar muito ao nosso próximo. Isso quer dizer que você deve amar-se muito, muito mesmo. Devemos perdoar ao próximo: “Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido.” A quem você acha que está pedindo para perdoar as suas ofensas do mesmo modo que você perdoa a quem o ofendeu? Quem você acha que julga seus erros e ofensas? Deus? Não, Deus não julga, essa parte compete a nós mesmos, manifestações de Deus que somos.

Somos nós que nos julgamos, somos nós que nos condenamos e somos nós que na maioria das vezes nos esquecemos de nós mesmos no fundo do cárcere da autopunição. Depois de já ter cumprido a pena a que inconscientemente nos impomos, ficamos esquecidos na masmorra suja do remorso inútil esperando por nossa própria clemência. Então tenha consideração por você mesmo, reveja seus conceitos, tome mais cuidado com suas atitudes para com você mesmo e para com o próximo. Acima de tudo, seja um vigilante atento dos seus pensamentos. Conduza seus pensamentos para o lado positivo das coisas, pois tudo na vida tem seu lado bom, quando queremos vê-lo. É muito importante que você perdoe ao próximo. Na verdade, é imprescindível. Mas antes disso, perdoe a si mesmo.

Já está mais do que na hora.



Morel Felipe Wilkon

15 julho 2019

Mudanças Repentinas - Nilton Moreira



MUDANÇAS REPENTINAS


A vida de tempos em tempos impõe mudança. Às vezes pequenas que quase nem notamos e que não chegam a nos causar impacto, enquanto outras promovem muita angústia como é o caso da perda de pessoa amada, esta como sempre disse nosso irmão Chico Xavier, “não existir dor maior que o ser humano possa vivenciar”.

Mas tem mudança que é gratificante e que também são impostas pela vida.


Quantas vezes vamos para lugares que nem imaginávamos morar com objetivo de cumprir determinada missão, e até nem alcançamos o almejado e temos que seguir novos rumos! Nossa trajetória na Terra apesar de rápida proporciona um vasto campo de experiências e oportunidades de resgatar débitos de outras vidas e até mesmo desta, por isso que muitas vezes nos parece estranhos fatos relacionados conosco e ficamos a pensar e nos questionar o motivo de alguns, mas devemos estar sempre atentos ao que ocorre a nossa volta para conseguirmos aplicar nosso livre arbítrio com êxito.

A mudança pode ser no âmbito apenas dos sentimentos como também relacionada à localização que é o caso quando mudamos de cidade. Nesta situação devemos sempre vigiar nossas atitudes ao interagirmos diretamente com pessoas, pois na maioria das vezes não as vamos rever novamente, e cumprir nossos objetivos para com elas será determinante, pois do contrário é quase certo que em nova vida vamos ter de nos reencontrar.

Muitas mudanças não foram escolha nossa e sim da própria espiritualidade que nos coloca a disposição em determinada ocasião da vida, para possibilitar os resgates. Se vamos aceitar ou não, dependerá do livre arbítrio que Deus nos outorgou.

Jesus também teve mudanças impostas, pois quando criança ainda teve de ir para outro lugar em razão de perseguição da própria vida, e mais tarde para difundir a mensagem do Cristo mudou-se novamente e peregrinou por várias regiões. Outros antes dEle também tiveram grandes mudanças, foi o caso de Moisés que trouxe a primeira revelação Cristã.

Então não devemos nos questionar muito por ocasião da vida impor modificações, seja ela de que tipo for, pois tudo faz parte de objetivos que no primeiro momento podemos até não entender e acharmos injusto, mas com o passar de meses ou anos vamos ver que se fazia necessário e que foi o melhor que podia nos acontecer.

É importante ter sempre em mente força para os enfrentamentos das dificuldades momentâneas, buscando em Jesus o amparo necessário para novos desafios que se presentam. Lembrar sempre de agradecer a Deus a oportunidade de estarmos em qualquer lugar daqui da Terra, mesmo que estejamos passando algum tipo de dificuldade, pois sabemos que intempéries são passageiras e logo ali teremos mudança, já que chegam indistintamente de uma maneira ou de outra, e somos obrigados a nos adaptar para a nova realidade, para que a vida continue e concretizemos nossa tarefa por aqui.

Lembremos: Somos vencedores, já que tivemos a permissão de Deus para reencarnar, pois espíritos na erraticidade estão esperando e muitos até imploram oportunidade. Que o Mestre nos possibilite sempre o amparo caridoso na mudança que nos surgir.

Assim seja amigos.



Nilton Moreira
Coluna Semanal - Estrada Iluminada
Fonte: Spirit Book

14 julho 2019

Achei a causa – Orson Peter Carrara




ACHEI A CAUSA


Estive pensando nos conflitos de relacionamento, nas dificuldades todas que aí estão, inclusive nas artimanhas e intrigas de bastidores, em empresas, famílias, conhecidos, colegas e mesmo nas atividades voluntárias compartilhadas nas instituições movidas pelo ideal religioso, das variadas denominações no Brasil; estava meditando sobre os ciúmes, as manipulações, os desrespeitos, as agressões, as acusações e críticas sempre reinantes, nos comentários maldosos e mesmo nos desprezos calculados, nos crimes entre cônjuges, nos abandonos de crianças e idosos, nas enfermidades surgidas de abalos emocionais… campo vasto a se abrir quando começamos a pensar nos dramas humanos e na nossa mediocridade moral….

Foi quando me deparei com o trecho abaixo. Ele consta do livro Roteiro, de Emmanuel, e está no capítulo 1 – O Homem ante a vida.

Foi inevitável. Ao ler, nesse momento de tantas dificuldades que nos afetam a todos, em âmbito familiar, social, profissional, nacional…. pude constatar: achei a razão maior. Achei o “fio da meada”. Eis a causa. Acompanhe atentamente. Peço ler vagarosamente… Eis:

“(…) Confinado ao reduzido agrupamento consanguíneo a que se ajusta ou compondo a equipe de interesses passageiros a que provisoriamente se enquadra, sofre a inquietação do ciúme, da cobiça, do egoísmo, da dor. Não sabe dar sem receber, não consegue ajudar sem reclamar e, criando o choque da exigência para os outros, recolhe dos outros os choques sempre renovados da incompreensão e da discórdia, com raras possibilidades de auxiliar e ser auxiliado (…)”

Sugiro releia. E vá pensando nas dificuldades que tem constatado. O amigo leitor se surpreenderá ao encaixar no acanhado ponto de vista que ainda nos situamos – seja no agrupamento familiar ou na equipe de interesses passageiros –, alimentando ilusões e pretensões descabidas, buscando autopromoção , exigindo além do equilíbrio, tentando imposições ou mesmo agredindo muitas vezes, seja com a omissão ou as posturas que não se conectam ao dever do bem que nos cabe.

Aí surgem os choques variados que temos experimentado, fruto todos de nossa imaturidade e mesmo leviandade muitas vezes. E pior, criando barreiras para ajudarmos e nos ajudarmos na superação de todas essas lamentáveis mazelas morais.

Claro que isso não é nenhuma novidade. Todos já sabemos. O título foi para provocar curiosidade e levar ao precioso trecho do texto de Emmanuel.

O capítulo em questão é muito valioso e aborda as grandezas da vida, mas nos faz reconhecer a pequenez que ainda nos situamos. A solução continua na vivência cristã que teimamos em nos manter afastados. Estamos convocados a essa nova postura. Seja por gratidão à vida, seja pelo dever de progredir, seja para sairmos da mediocridade que ainda estamos. A vida conspira a nosso favor e o dever que se apresenta é respeitar a vida em toda sua amplitude. 

Orson Peter Carrara


13 julho 2019

Tatuagens e Piercings – Opinião Espírita - Felipe Gama

 
TATUAGENS E PIERCINGS


No espiritismo nada se julga, tudo se entende e se esclarece. Assim um tema polêmico como a tatuagem sempre foi alvo dos mais ferrenhos debates dentro dos estudos doutrinários. Afinal é errado se tatuar? colocar vários piercings no corpo? seriam mutilações ou expressões artísticas? qual a visão espírita do assunto?

Bem, para iniciarmos devemos sempre lembra a posição de neutralidade que o espiritismo tem diante das escolhas. Estas são de cada um, e a ninguém cabe a autoridade moral de julgar. Dito isso, vejamos o que tem a nos dizer os Espíritos, pois que deles advêm o grande conhecimento acerca das leis divinas.

André Luiz elucida que o perispírito não é reflexo do corpo físico; este é que reflete a alma. “As lesões do corpo físico só terão, pois, repercussão no corpo espiritual se houver fixação mental do indivíduo diante do acontecido ou se o ato praticado estiver em desacordo com as leis que regem a vida.” (evolução em dois mundos, chico xavier e waldo vieira, Edição FEB) . Mas o que entender disso ? bem, como quase tudo na doutrina o ato em si tem gravidade ou não, valor ou não, dependendo principalmente da intensão pro detrás do gesto. Muitas vezes o significado e o intuito de tal atitude pode valorizar ou desmoralizar esta.

Partindo deste ponto inicial há de se passar pelo crivo da lógica como Allan kardec nos instruiu: A tatuagem não tem finalidade útil alguma, sendo portanto um ato primordialmente estético. Como atos estéticos, a intensão por detrás desta busca pode dizer se o ato em si é bom ou mal. Tatuar uma frase de um filósofo ou até mesmo uma frase espírita é um ato com nobre intensão, mesmo que sem nenhuma utilidade maior, porém um ato pensado por si com uma causa dita nobre, portanto, sem uma intensão negativa o ato não se torna negativo em si. Tatuar-se com caveiras, símbolos que remontem a sexualidade, preconceito ou sensações de baixa vibração são diretamente ligados a atitudes de mal gosto.

Tendo em vista isso, passemos agora para o lado perispiritual. O perispírito – um medianeiro entre o espírito e o corpo material – é carregado das impressões de ambas dimensões da vida. Se sentimos raiva, nosso perispírito é marcado com a mancha deste sentimento ruim o que causa angustias na alma e desequilíbrios no corpo somático, causando até mesmo doenças físicas. Portanto, a tatuagem ou o uso de piercings é um ataque ao perispírito visto que há lesão nas camadas da epiderme. Porém, esta lesão não é de caráter profundo e, portanto, a questão física em si não é o problema. Mais uma vez voltamos ao parágrafo anterior, onde a intensão e o que foi marcado que poderão dar a gravidade ou não do ato.

“Todo corpo físico merece respeito e cuidados, carinho e zelo contínuos, por ser a sede do Espírito, o santuário da vida em desenvolvimento.” (Joana de Ângelis)

Outro fator a atentar é que a tatuagem pode ser uma insígnia que marcará o espírito e então se o que foi marcado era um simbolo com significado de mal gosto o seu espírito poderá ser marcado com este símbolo e atrairá a estirpe de espíritos condizentes com aquela significação. Se sua tatuagem remonta a demônios ou assombrações, seu espírito pode ser assolado por espíritos com vibrações condizentes com esta marca, tudo é claro dependendo de nossos sentimentos para agravar ou amenizar.

Segundo Divaldo Pereira Franco, pessoas que tatuam o corpo inteiro ou o enchem de piercings, são almas que ainda trazem reminiscências vivas de encarnações em épocas bárbaras, quando guerreiros sanguinários se utilizavam desses meios para se impor frente aos adversários. Essa afirmação, claro, não serve para todos os casos. Muitas vezes adolescentes que estão em época de formação de opinião fazem tatuagens por estar na moda, ou querendo expressar algum sentimento ou opinião. É um estado transitório mas que deve ser comedido e pensado de forma a não corromper seu perispírito de forma fútil e que possa causar arrependimentos posteriores.

Há casos de obsessões que levam pessoas a tatuar seus corpos, a fazerem mutações até ficarem com formas reptilianas ou animalescas. Estes casos raros podem significar desequilíbrio espiritual, pois que são a retomada de instintos mais primitivos do ser e a sua animalização pela aparência a fim de causar tremor, e desafiar as pessoas, uma rebeldia espiritual. Mas nem todos os casos são obsessões, na verdade, boa parte são nossa ansiedade em querer fazer algo, mas também em muitos casos por mera vontade de fazer um procedimento “estético” e de eternizar algum simbolo.

Que dizer de tatuagens do rosto de jesus ?, de frases de Chico Xavier ? seriam essas marcas espirituais algo de ruim? É claro que não! E mais : Será que uma marca física poderia se sobrepor às qualidades morais do ser ? Logicamente, não! Por isso devemos ter essa questão de estudo como mera curiosidade e esclarecimento, nunca como ponto principal e principalmente; nunca como foco de julgamento. O espiritismo não proíbe nada, apenas esclarece e deixa ao Livre-arbítrio de cada um o julgamento de si mesmo. O objeto deste estudo é somente a parte prática observada de alguns casos do ato de tatuar-se e da mutilação corporal.

Por trás dessas questões simplistas há sempre a questão moral. Porque as pessoas acabam se marcando, as vezes se mutilando, se modificando? seria as vezes por mero capricho ? outras por obsessão? noutras ainda um estado transitório evolutivo ainda preso a remanescências de encarnações mais selvagens ? Todas as perspectivas estão corretas, porém, cada caso um caso, não nos cabe julgar, lembrando que estamos todos numa escola e que nossas escolhas definem nossos aprendizados e destinos de luta.

Kardec nos leva ao auto-conhecimento, ao entendimento de si mesmo a fim de procurarmos nossas necessidades evolutivas e por isso mesmo fica claro que são escolhas oriundas do livre-arbítrio do espírito, o corpo é estado passageiro que reflete a alma do espírito e existem milhares de formas mais de mutilação da alma que não só a auto-flagelação mas até mesmo o desequilíbrio de emoções, portanto, o que é uma tatuagem marcando um perispírito quando muitos “tatuam” no perispírito símbolos de egoismo, de vingança, de ódio, de orgulho…

Não é a tatuagem, os piercings, ou qualquer fator físico que influenciará primordialmente na evolução do ser humano. Claro os exageros com o templo do corpo serão pagos, mas isso não se estabelece som com tatuagens mas também com excessos de toda sorte como alcoolismo, glutonismo, fumo, etc. O mais importante é o pensamento, o que atrai bons ou maus espíritos são nossas vibrações que emanam do ser, das suas atitudes e seus pensamentos. Por isso antes de tudo meus amigos, cuidem dos pensamentos, pois o corpo perfeito com pensamentos ruins é como Jesus via os fariseus, sepulcros caiados.

Apenas quando o homem for capaz de compreender que mais importante do que temos é o que SOMOS, essas questões não terão maior importância moral e meramente serão grandes reflexões científicas da doutrina. Se possuir uma tatuagem não se atenha a isso, foi uma escolha sua e só a ti cabe o entendimento disto, o foco deve ser sempre na reforma moral do ser integral, da sua melhoria com as virtudes e somente através do “conhece-te a ti mesmo” chegaremos a lograr exito em seguir os caminhos de Jesus na seara do bem,

Muita paz!


Felipe Gama


12 julho 2019

Materializações de espíritos - Helaine Ciqueto

(Fotos de Materializações em Pedro Leopoldo, através do médium Peixotinho, com a participação de Chico Xavier)


MATERIALIZAÇÕES DE ESPÍRITOS
 

O conhecimento que temos a respeito do universo, de nosso mundo e de nós mesmos é extremamente limitado. Segundo André Luiz, conhecemos apenas a oitava parte do que ocorre ao nosso redor. Então, se desconhecemos a essência, a finalidade e a causa da maioria das coisas que vemos, como conheceremos aquilo que não vemos? E as energias sutis do espírito estão nesse rol imensurável e desconhecido para nós, seres humanos limitados.

Ao retomarmos um estudo feito por André Luiz, deparamos com sua afirmação de que tudo emana do "plasma divino", que, conforme os ensinamentos superiores compilados por Allan Kardec, é o fluido cósmico universal. Ou seja, é o princípio elementar de tudo que existe, um único elemento material dando origem a tudo, o fator básico da criação, como nos relata o espírito Galileu no livro A Gênese. O fluido cósmico universal é uma matéria cósmica primitiva que vai do incomensurável ao mensurável, da invisibilidade à visibilidade e do ponderável ao imponderável dependendo da forma, do estado e da dimensão em que se encontra, sendo detectável ou não para nossos sentidos humanos.

As energias sutis são matéria quintessenciada, não detectáveis nesta terceira dimensão em que estamos, ou seja, são imperceptíveis aos nossos olhos. Porém, causam impacto na estrutura de nosso organismo tanto quanto o raio x, por exemplo, constituído por partículas subatômicas que penetram na intimidade de nosso corpo, fotografando-o interiormente, sem que sejam percebidas pelos sensórios terrenos.


Teoria das manifestações


Em O Livro dos Médiuns, Allan Kardec compilou algumas explicações do espírito São Luís sobre a teoria das manifestações físicas. Ele disse que o que anima a matéria ou os objetos que se movem, bem como o que materializa os espíritos, é uma combinação do fluido cósmico universal com o fluido perispiritual do próprio médium e o fluido do perispírito de espíritos mais ligados à matéria, ou seja, menos evoluídos. Essa composição fluídica "anima" a matéria, envolvendo os objetos entre o espaço molecular e penetrando igualmente os corpos, como um imenso oceano.

A vontade do espírito coordenador do fenômeno conduz o movimento dos objetos, por isso, ela é a causa do fenômeno, enquanto que a mescla de fluidos é o veículo condutor deste. Imaginemos, por exemplo, um espírito materializado que escreve ou toca piano. Ele deita seus dedos sobre as teclas, porém, não é sua "força muscular" que as impulsiona. Na verdade, é o fluido que as anima, interpondo-se no espaço entre as moléculas da matéria de que é composto e acatando a vontade do espírito.

Com as "mesas girantes" acontece o mesmo. Não é o espírito que as levanta e gira, mas são elas que se animam com uma vida fictícia ou artificial, movendo-se pelo impulso mental que o espírito lhes dá.

O ectoplasma


Em Nos Domínios da Mediunidade, André Luiz nos descreve um de seus aprendizados sobre o assunto, quando observou uma sessão de materialização ocorrida aqui na Terra, cujos indícios nos levam a acreditar que tenha sido com o médium Francisco Peixoto Lins, o Peixotinho.

Ele nos conta que, durante esse fenômeno especialíssimo, o médium é desdobrado e afastado do corpo, semelhante a um desencarne. "Assim prostrado, sob o domínio dos técnicos de nosso plano, começou a expelir o ectoplasma, pasta flexível à maneira de uma geléia viscosa e semilíquida, através de todos os poros e, com mais abundância, pelos orifícios naturais, particularmente a boca, as narinas e os ouvidos, com elevada porcentagem a se exteriorizar igualmente do tórax e das extremidades dos dedos", explica. Esse fluido condensado era de uma alvura extraordinária, ligeiramente luminosa, comparável à clara de ovo, com um cheiro característico e indescritível.

Dessa forma, o médium começa a se desmaterializar. Por sua vez, o ectoplasma, definido na biologia como a parte periférica do citoplasma celular e, na parapsicologia, como a substância visível que emana do corpo de certos médiuns, envolve o perispírito do espírito a ser materializado como peças de tecido leves e finos ou interpenetra os objetos, dando-lhes forma e movimento. O fenômeno independe das qualidades morais e do caráter do médium, pois são emanações psicofísicas das quais o citoplasma é uma das fontes de origem. Portanto, o fato do médium fumar, beber, ingerir drogas ou abusar da alimentação inadequada não faz com que seja mais ou menos apto, mas influencia pelas toxinas que contaminam o ectoplasma a ponto de prejudicar o organismo dele próprio.

Como exemplo, temos os ensinamentos dos espíritos envolvidos no caso do médium Peixotinho, que sempre alertavam acerca dos vícios, classificando-os como uma escolha para a mediunidade, com conseqüências nefastas e tóxicas para o médium. Em muitas reuniões realizadas pelo grupo dele e que não tiveram êxito, a explicação foi de que os resíduos que impregnavam o organismo do médium, decorrentes desses vícios e da alimentação inadequada, não propiciaram o efeito desejado sem atingir com gravidade o corpo físico dele. Os espíritos falavam e ensinavam com brandura, mas eram enérgicos e severos com relação à participação de pessoas com esses vícios e do próprio médium nas reuniões. Até mesmo o toque nesse fluido condensado por uma pessoa estranha ao fenômeno, quando não planejado pelo espírito coordenador, pode levar o médium a sofrer conseqüências gravíssimas, como aconteceu com o próprio Peixotinho, ou mesmo ao desencarne, tamanha a seriedade e complexidade da manifestação.

Materializações luminosas


Segundo o dicionário, este termo se refere à individualização de uma forma pela matéria, à atribuição de qualidades desta para algo (no caso, o espírito) ou à manifestação do espírito sob forma material, tornando-o corpóreo. Indica ainda um tipo especial de mediunidade, no qual ocorre o fenômeno da corporificação de espíritos pelo ectoplasma do médium.

Diante de diversas obras sobre o assunto, nas quais os autores analisaram o fenômeno por anos a fio, de forma fria e racional, podemos concluir que ele apresenta um tipo de ocorrência padrão, em que sempre há a participação do médium que apresenta tal faculdade mediúnica, das demais pessoas que assistem e auxiliam materialmente na realização do fato, de um ou mais espíritos evoluídos que coordenam a elaboração espiritual do fenômeno e de algumas entidades com caráter menos elevado e maiores ligações com o mundo material.

Algumas dessas materializações chegam a ter uma intensa luminosidade, que chega a desafiar qualquer pensamento de incredulidade a respeito do fenômeno. Isso ocorre devido à grande quantidade de fosfato de lecitina que o médium apresenta em seu organismo. Por isso, em certas ocasiões, o famoso médium Peixotinho era orientado pelos espíritos a comer muito peixe, alimento que possui essa substância.

O fenômeno através dos tempos


Se analisarmos a história da humanidade através dos tempos, certamente teremos elencados muitos casos de manifestação da mediunidade de efeitos físicos antes mesmo que ela fosse assim denominada e compreendida, uma vez que, antigamente, era considerada um fenômeno sobrenatural. Nos dias de hoje, à luz do Espiritismo, podemos compreendê-la melhor e explicá-la cientificamente.

Em seu livro Pensamento e Vontade, Ernesto Bozzano nos ensina que a substância ectoplasmática já era conhecida pelos alquimistas do século XVII, como Paracelso, que a denominou como "mysterium magnum", e Thomas Vaogan, que a chamou de "matéria prima". Emmanuel Swedenborg, um dos precursores do Espiritismo, também realizou experimentos de ectoplasmia, além de outros importantes pesquisadores científicos, como o dr. Gustav Geley, que descreveu essas manifestações no livro Do Inconsciente ao Consciente, Hartmann, Aksakof, Du Prel e Albert de Rochas, que baseou suas conclusões nas experiências realizadas com a também famosa médium Eusápia Paladino.

Outro caso interessante de materialização de corpo humano exercida por uma entidade inteligente e com o auxílio da posse temporária do corpo fluídico exteriorizado foi observado e pesquisado exaustivamente pelo cientista inglês William Crookes por volta de 1870. Por mais de 30 anos, ele estudou a manifestação do espírito Katie King através de uma médium chamada Florence Cook, apresentando diversos fenômenos, como levitação, escrita, materialização etc.

Mais recentemente, por volta da década de 40, Fábio Machado, um médium que morava em Belo Horizonte (MG), produzia fenômenos de materialização. Através dele, ocorriam as mesmas manifestações observadas no médium Peixotinho e com os mesmos espíritos, apesar de não se conhecerem ou terem conhecimento da existência um do outro. A única diferença é que as materializações de Fábio eram opacas.

O trabalho de Peixotinho


Entre os vários casos relatados pela literatura espírita, um dos que mais impressionam, pela total autenticidade e abundância do fenômeno, é o de Francisco Peixoto Lins, médium que, segundo uma profunda análise dos relatos, foi alvo das observações de André Luiz em suas visitas de aprendizado em nosso meio.

No Brasil, não há registro de médiuns que provocassem materializações como as de Peixotinho. Muitos fenômenos foram observados, descritos e testados por várias pessoas de bem, cultas e estudiosas, além de terem sido acompanhados criteriosamente por um delegado de polícia da época, R. A. Ranieri, que publicou o livro Materializações Luminosas. Eram flores naturais e orvalhadas que apareciam em abundância do nada, luvas e flores moldadas em parafina, moldes do rosto de espíritos, materializações completas e incompletas (apenas o busto) de entidades, apport de pedras de diversas localidades do planeta, chuvas de flores e pétalas naturais, brisas suaves e frescas, perfumes deliciosos, vozes (garganta ectoplasmática) e escritas diretas, biombos e cadeiras que levitavam, fabricação de remédios homeopáticos, surgimento de água mineral francesa, letreiros luminosos com frases inteiras ditadas no exato momento pelos participantes, além das curas e tratamentos inacreditáveis que ocorriam todos os dias.

Era um verdadeiro espetáculo a cada sessão. Em uma única reunião, chegaram a moldar cerca de 100 flores em parafina. Para distrair os participantes e evitar que suas mentes divagassem por outras paragens, as entidades usavam a música como recurso. Tocavam violão e espíritos dançavam. Letras e músicas de hinos eram enviadas por escrita direta, isso quando não era eles mesmos que se sentavam à mesa e tomavam a caneta comum para escrever. Sempre se ouvia no ambiente, com perfeição e nitidez, os sons produzidos pelos espíritos corporificados, seus movimentos de ir e vir da cabine, dirigindo-se ao balde de parafina fervente, e o som típico do molhar das mãos em água fria para resfriar e endurecer as moldagens.

O início dos trabalhos era marcado por um sinal: o apport de uma ou várias pedras que surgiam do nada. E uma voz a enunciar o êxito ou não da sessão sempre era ouvida no final. Muitas vezes, por meio da voz direta, diziam que não tinham conseguido o objetivo esperado e, ao se acenderem as luzes, botões de rosas, cravos, margaridas ou outras flores eram encontrados, ofertados pelos espíritos aos presentes.

Os mentores explicavam que extraíam energia ectoplasmática dos médiuns para tratarem os doentes. Explicavam também que as tarefas em torno da mediunidade são resultado de um trabalho de equipe, baseado na unidade de propósitos e capaz de formar um campo psíquico ou, como comumente se diz, uma "corrente de energias". Nesse campo, movimentam-se os fluidos por força da mente, que plasma e cria segundo as determinações do espírito diretor ou controlador.

Ensinamentos dos espíritos


Segundo as entidades orientadoras, o objetivo dos fenômenos mediúnicos é despertar, aprender e curar, como no caso de Peixotinho. Dois fatores ficaram bem evidenciados: a necessidade do constante estudo das instruções contidas em O Livro dos Médiuns e o aprendizado do trabalho em grupo, demonstrando que a mediunidade voltada para as instruções espíritas exige mentalidade de equipe, atenção, estudo, respeito e, consqüentemente, espírito de participação.

Constantemente, os espíritos orientavam os presentes para eliminarem a curiosidade e mentalizarem os doentes ordenadamente, ajudando-os nos processos de tratamento. Explicavam que a base do fenômeno está na mente e que essas energias sutis são extremamente sensíveis ao pensamento. Por isso, a postura mental do grupo era fundamental.

Certa ocasião, sugeriram que contos espiritualizados, canto de hinos e leituras do evangelho, entre outros, fossem utilizados para auxiliar a manutenção da vibração positiva do grupo. Outra sugestão foi a de organizar grupos com um número reduzido de pessoas, pois o excesso de componentes com pensamentos e propósitos heterogêneos atrapalhava o êxito do trabalho. No início, eram os próprios espíritos que enumeravam aqueles que estavam aptos para participar das reuniões e os demais, que realizariam as visitas à casa dos doentes que seriam tratados à distância para "fazer ambiente".

Os espíritos insistiam nos ensinamentos, entretanto, a maior parte dos participantes se aglomerava em torno de Peixotinho, uma vez que aquilo lhes encantava os olhos ou lhes atendia os interesses mais imediatos. Nem sempre procuravam a essência, as causas e as conseqüências.

De todo esse universo de pesquisas e experimentos científicos sobre a existência, a atuação e as conseqüências das energias sutis do espírito através dos tempos, concluimos que, como o próprio Kardec nos ensinou, a maior ou menor incidência desses fenômenos físicos está diretamente relacionada à necessidade de despertamento da humanidade para o aspecto espiritual de sua existência. Portanto, observamos que, na atualidade, esses fenômenos se tornaram escassos devido à evolução do homem e sua condição no estágio seguinte a esse despertamento, que é o burilamento moral interior em direção à escala ascendente da evolução da humanidade.


Helaine Ciqueto
Artigo publicado na Revista Cristã de Espiritismo, edição especial 05

11 julho 2019

Escravos do vício - Magaly Sonia Gonsales



ESCRAVOS DO VÍCIO


O vício das drogas caracteriza-se pelo impulso praticamente incontrolável do viciado procurar satisfação no ilusório prazer que as mesmas possam proporcionar-lhe.

A procura da droga evidencia a escravidão em que se encontra o viciado, que busca por meio dela manifestar sua independência em relação aos seus semelhantes, ou a uma situação que aparentemente diminui sua posição na família ou na sociedade, e reage aos seus agressivamente, procurando evidenciar um sentimento de superioridade.

A indução às toxicomanias decorre, quase sempre, da influência ou da convivência com viciados, que podem despertar, inicialmente a curiosidade das pessoas para seu uso, chegando, assim, às primeiras experiências, aparentemente inofensivas e que podem proporciona-lhes um estado de euforia, de ilusória disposição e coragem para enfrentar situações na vida, mas que exigem a continuidade de sua ingestão.

Os principais efeitos dessas substâncias no organismo estão subordinados à área neuropsíquica, afetando o seu próprio julgamento. É onde vão surgindo lacunas progressivamente crescentes, que podem se caracterizar pelo desrespeito aos valores humanos, levando a pessoa a tornar-se um ser anti-social, quase sempre levando-a a perder o respeito por seus semelhantes.

Para satisfazer suas necessidades, pode realizar assaltos, roubos, seqüestros ou chegar até mesmo ao homicídio. Tudo pela droga!

São vícios que não poupam idade, sexo, raça, profissão, ou situação social, envolvendo, paralelamente, inúmeras pessoas que se enquadram como traficantes e passadores da droga, pondo em risco a segurança e a tranqüilidade da sociedade.

Portanto, as drogas podem ser consideradas como um dos piores flagelos de que a Humanidade tem notícia. Afeta o homem já na vida intra-uterina, gerando deformações pela via da hereditariedade, quando pais já são viciados. Já na vida física, tem atacado o homem em tenra idade, sob os mais diversos aspectos. Penetra, como dissemos, todos os segmentos da sociedade, em todos os países do mundo, minando-a a ponto de dominar governantes, líderes religiosos, educadores etc.

Os vícios estão alterando o curso da história da criatura humana e a violência tem descambado para as conquistas fáceis e a mola disso é a prática dos vícios. Além dos casos de overdose, anualmente milhares desencarnam em acidentes de trânsito, provocados pelo consumo de drogas ou álcool. Muitos são os que contraem doenças contagiosas, pela prática invigilante dos sexo desequilibrado, aprisionados pelos efeitos infelizes do álcool e das drogas.

Por faltas ao trabalho, queda de produção e qualidade, estimam os estudiosos que se perdem anualmente 25 bilhões de dólares em produtividade. São números arrasadores, espantosos, dramáticos e parece que as autoridades e a própria sociedade começam a considerá-los irreversíveis.

A publicação intitulada O mosaico da droga, de responsabilidade da UNESCO, declara que em certos países parece diluir-se a preocupação que o problema da droga suscitava há cerca de uma década.

Há uma tentativa de "desdramatizar" a questão. Nítida postura de cruzar os braços, portanto. Em alguns países, como na Holanda, o usa da maconha tornou-se lícito.

O espiritismo e os tóxicos


O viciado em drogas assemelha-se a uma embarcação em que, por invigilância, põe-se a navegar na correnteza forte de um caudaloso rio, desapercebendo ou mesmo desafiando as águas que mais à frente irão despencar numa gigantesca cachoeira.

O espiritismo não propõe soluções específicas, procurando regulamentar cada atitude ou ditar normas de comportamento humano.

Prefere acatar, em toda a sua amplitude, os dispositivos das Leis Divinas que asseguram a todos o direito de escolha e a responsabilidade conseqüente pelo que fizerem. Prefere a atitude do Cristo, que condena o pecado, mas oferece sua ternura e compreensão ao pecador, procurando mostrar-lhe o que precisa fazer para livrar-se do erro, construindo oportunidades de acerto.

Em vez de condenar a civilização pelos nossos equívocos, os espíritos ensinaram a Kardec que "condenássemos antes os que dela abusam e não a obra de Deus" (O Livro dos Espíritos, questão 790). Pouco adiante, na pergunta 793, documentaram o entendimento deles acerca das correções necessárias, ao informarem que reconheceríamos uma civilização completa "pelo desenvolvimento moral". E prosseguem: "Credes que estais muito adiantados porque tendes feito grandes descobertas e obtido maravilhosas invenções; porque vos alojas e vestis melhor do que os selvagens. Todavia, não tereis verdadeiramente o direito de dizer-vos civilizados, senão quando de vossa sociedade houverdes banido os vícios que a desonram e puderdes viver entre vós, como irmãos, praticando a caridade cristã. Até lá, sereis apenas povos esclarecidos, não tendo percorrido senão a primeira fase da civilização".

A civilização em si não é um mal e nem pode ser, mas está sendo afetada e contaminada por mazelas humanas, por turbulências no comportamento dos próprios seres que a desenvolvem. A receita que a doutrina espírita prescreve para os males da civilização pode até parecer óbvia e simples demais, mas a questão é que a verdade é simples e óbvia, embora nem sempre atinemos rapidamente com ela.

Resumem-se tais prescrições na prática da caridade e do entendimento, em convivência fraterna, inteligente que dissipe os temores, não identificados alguns e conhecidos outros, que mantêm uma parte considerável da humanidade em permanente regime de estresse e de angústia. É esse o diagnóstico da ciência. Ou seja, especialistas que propõem mecanismos sociais de mútuo apoio e entendimento para exorcizar o fantasma aterrador do medo generalizado, do qual os mais desesperados fogem desabaladamente, despencando em abismos tenebrosos, empurrados por drogas alienantes.

Cresce assustadoramente a massa de desesperados, criaturas sem raízes, a vagarem sem rumo e sem destino, arrastados por circunstâncias que não sabem como superar porque não se empenham em entender a realidade da própria vida. Não sabem, tais pessoas, que são seres espirituais imortais, programados para a felicidade. Pensam muitos que são apenas um corpo físico pressionado por necessiades a serem satisfeitas, por temores de que é preciso escapar, por angústias que têm de ser sufocadas, quando temores e angústias são conseqüência e não causa da visão deformada da realidade.

Muitos dos que nascem em lares desajustados recorrem aos entorpecentes, mas quem está cogitando aí de investigar as verdadeiras causas do desajuste e o que fazer para promover atitudes e medidas de auxílio?

Partem para o uso de drogas muitos que sofrem de carência afetiva, certo. Mas o que desencadeou nessas criaturas o doloroso processo de carência? Não seria porque o afeto que hoje lhes falta eles próprios recusaram-se a doar em outros tempos? Buscam a alienação da droga os que perderam o endereço de Deus. Nem sabem que pertencem a uma comunidade de seres imortais ligados por vínculos industrutíveis e destinados à felicidade em algum ponto na intersecção espaço/tempo.

O problema aflitivo da droga, não é, portanto, basicamente, um caso de polícia. É um problema espiritual, distúrbio emocional do ser humano em atrito com as Leis Divinas.

Isto não quer dizer que devamos condenar aquele que recorre à droga porque rejeita a realidade. Ele precisa de compreensão e de esclarecimento.

Precisa descobrir sua própria realidade espiritual, sua condição de ser preexistente, sobrevivente e imortal, a caminho de perfeição, por mais distante que este se coloque afugentada pelos desacertos.

Compreensão e amadurecimento


" O homem não passa subitamente da infância à madureza" – disseram os espíritos a Kardec.


Para que amadureçam, os imaturos que recorrem ao processo de fuga proporcionando pelas drogas, precisam antes do amor que, na sua dinâmica, se converte em caridade. Envolvido pela sua turbulência íntima, o dependente da droga não está preparado para ser orientado e rejeitará sumariamente qualquer tentativa de pregação com a qual seja abordado. Não rejeitará, porém, a abordagem do amor fraterno, que é, precisamente, o componente pelo qual mais anseia, na tormentosa aflição e solidão em que vegeta. As multidões que se despedem a cada instante da vida física e retornam ao mundo invisível, continuam vivas, pensantes e atuantes, arrastando problemas que não conseguiram solucionar aqui, e que, lamentavelmente, conseguiram quase sempre agravar. Esta multidão desencarnada também exerce suas pressões sobre a que ficou na carne por mais algum tempo. Temos encontrado espíritos que nos falam de suas manobras para levar seres encarnados a se drogarem, a fim de poderem usufruir uma quota de alienação, pois eles também estão tentando aflitivamente, fugir da realidade que lhe é penosa demais para suas estruturas desarticuladas.


O problema das drogas oferece pois, no enfoque espiritual doutrinário do espiritismo, aspectos inusitados, surpreendentes e desconhecidos de muitos. O drogado pois, é um doente espiritual, carregado de problemas cármicos e que se deixa arrastar pela correnteza da vida na ilusão de que está sendo levado para longe da realidade que o assusta e aflige. Em verdade, porém, para onde for, aqui ou no mundo ultradimensional em que irá continuar a viver na condição de espírito, estará sempre ligado à realidade desagradável, que não é exterior e sim interior, com raízes profundamente mergulhadas no solo íntimo do passado. Somente através do amor poderá ele ser instruído acerca dessa realidade, a fim de que, entendendo-a, fique preparado para aceitá-la e vencer os obstáculos que estão a bloquear seu caminho rumo à felicidade a que todos temos direito inalienável. Entendimento e amor fraterno é o que nos recomendou o Espírito da Verdade, com extraordinário impacto e poder de síntese, numa frase que se tornou antológica. – "Espíritas! Amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo" – recomendou ele.

Consequências espirituais


Espiritualmente, os vícios acarretam vinculações perispirituais, cujas consequências se projetam na vida espiritual futura, depois que a alma se desprende do corpo físico, com a agravante de poder ser responsável por doenças cármicas em reencarnações vindouras.

É oportuno lembrar ainda que muitos viciados são pessoas dotadas de mediunidade, sofrendo a atuação de entidades espirituais que se sintonizam com os seus pensamentos e se comprazem em fazer com que se mantenham no vício e dificultam a sua recuperação, indicando a necessidade de um tratamento espiritual que deve ser feito paralelamente ao tratamento médico. Além da modalidade de tratamento, outros recursos são utilizados, como o passe magnético, a água fluidificada e a desobsessão, sempre que necessária.

Os vícios evidenciam a degradação dos seres humanos comprometidos, infelicitando famílias, agredindo a sociedade e a dignidade humana. Como estão vinculados à alma, constituem um atraso espiritual das criaturas que se mantêm presas a uma situação que macula sua própria condição humana.

A Psicologia revela que a consciência é o substrato secreto da alma que julga os atos de cada um. Embora presente em todas as pessoas, mantém-se apagada entre os viciados, que se encontram sob o domínio de ações instintivas que se agigantam, conduzindo inúmeras criaturas à degradação de sua personalidade, destruindo lares e traumatizando a sociedade. Segundo Allan Kardec, no livro O Céu e o Inferno, o ser humano é independente, atuando através da vontade e do livre-arbítrio, para praticar o bem ou mal, indicando que "o Espírito deve progredir por impulso da própria vontade, nunca por qualquer sujeição. O bem e o mal são praticados em função do livre-arbítrio e, conseqüentemente, sem que o Espírito seja fatalmente impelido para um ou outro".

O que vale dizer que, para se preservar dos vícios, a pessoa deve fortalecer os recursos da alma, com pensamentos positivos e disposição para dar à sua vida uma conotação condizente com sua aspiração mais nobre.

Ao desencarnar, o períspirito mantém integralmente as mesmas sensações experimentadas na jornada terrena. Encontra no mundo espiritual inúmeros espíritos, invariavelmente similares, em tendências, gostos, graus de evolução. Com eles conviverá. O toxicômano, em particular, conviverá com desencarnados viciados. Verá que seu perispírito (igual ao seu corpo físico), está depauperado, destrambelhado, cheirando mal, repleto de naúseas e mazelas – fome, frio, dor... Desgraçadamente, terá consciência desses tormentos, de maneira plena e permanente: não dorme, não desmaia... Fica vagando por regiões cinzentas sem água, sem sol.

Ficará sofrendo durante o tempo em que permanecer empedernido no vício.

Ao menor sinal de arrependimento sincero, ao primeiro pensamento de prece a Deus, significando o desejo de se corrigir, recomeçar um novo caminho e uma nova dia de reto proceder, a ajuda divina se apresentará de imediato, na forma de espíritos dedicados às tarefas socorristas.

A dor é a mestra maior e último recurso natural para reconduzir o homem ao caminho do Bem. O viciado, ao desencarnar, percebendo que agora tudo está mais difícil, pois além de não poder satisfazer a ânsia da droga, ainda está doente, fraco, faminto etc, mais do que nunca, desejará as drogas.

Carente e sem nenhuma proteção, ficará à mercê de legiões de malfeitores espirituais. Será sim, admitido nessas legiões, mas como elemento escravo, desprezível e inferior...

Aprenderá rápido, que só no plano material poderá dar vazão ao vício. Qual vampiro, poucas vezes sozinho – quase sempre em bandos – irá aos lares dos toxicômanos encarnados, aderindo aos mesmos mente a mente, induzindo-os ao consumo das drogas, caso já não o esteja fazendo. Sem nenhuma reserva moral, em troca de alguma satisfação do vício, será submetido a uma série de perversidades.

Com o tempo, poderá, pelo livre-arbítrio, tomar duas atitudes:


a) Arrepender-se do mal praticado, do desrespeito às leis naturais, almejando melhorar de vida. O nível de sinceridade desse arrependimento determinará a ajuda que virá em seu socorro.

b) Revoltar-se ainda mais e tornar-se desejoso de vingança contra seus algozes. O desejo de vingança lhe dará forças para desencadear uma fieira de maldades. Seu poder, ampliado, atingirá um ponto em que a Justiça Divina considera como saturação, dando um basta: compulsoriamente retornará à carne. Só que em tristes condições...

Nem poderia ser diferente!


A dor física e moral, num corpo deformado e sem defesas orgânicas, será constante em sua vida, como inigualável recurso educador.

Superando o vício


A superação dos vícios envolve a colaboração da sociedade, através da formação de bons hábitos de vida da juventude, que está particularmente exposta aos mesmos. São ações que devem envolver as famílias, associações esportivas e culturais, as instituições religiosas e, particularmente, as escolas, baseadas na educação integral, mostrando aos jovens que eles são seres humanos, são almas viventes, responsáveis perante a Criação, e que podem superar as tendências que as levam às ilusórias facilidades na vida.

A educação é uma força poderosa, que, vivificada pelo exemplo, pelo interesse e pelo esclarecimento no momento oportuno, pode contribuir para formar criaturas responsáveis, dedicadas ao trabalho e à solidariedade que devem envolver as atribuições da vida.

Considerando que os vícios estão relacionados a distúrbios da alma, não se pode esperar que os mesmos sejam sanados em um curto período de tempo.

A educação espiritual vai de encontro às necessidades de esclarecimentos da alma, mostrando-lhe sua natureza e suas possibilidades de ascender a planos mais elevados de esclarecimento, alcançando sua libertação, de maneira a que se mantenha jungida pela condição de sobrevivência humana. A educação espiritual visa promover o crescimento interior do ser humano, que assume nova dimensão de vivência, ao vencer esse degrau de sua evolução espiritual, tornando-se capaz de dirigir os seus próprios atos e alcançar planos mais elevados de desenvolvimento.

Tratamento espiritual


Para o tratamento dos males decorrentes do uso das drogas, a Medicina dispõe de admiráveis recursos importantes para controlá-los, praticamente em todos os recantos da Terra, embora esse trabalho não dependa apenas das ações médicas, requerendo da sociedade muita dedicação, respeito e amor.

Abordando esse problema, André Luiz, no livro No Mundo Maior, afirma: "A medicina inventará mil modos de auxiliar o corpo atingido em seu equilíbrio interno; por essa tarefa edificante, ela nos merecerá sempre sincera admiração e amor, entretanto, cumpre a nós outros praticar a medicina da alma, que ampare o espírito enleado nas sombras"... E continua no terceiro parágrafo: "É mister acender, em derredor de nossos irmãos encarnados na Terra, a luz da compaixão fraterna, traçando caminhos à responsabilidade individual. Haja mais amor ante os vales da demência do instinto e as derrocadas cederão lugar a experiências santificantes".

O tratamento médico baseia-se fundamentalmente na assistência médica e psiquiátrica. Paralelamente, deve ser feito o tratamento espiritual aplicado nos centros espíritas, como a fluidoterapia e demais recursos, tanto na prevenção, como no tratamento das doenças da alma.

Há muitas pessoas que procuram o tratamento espiritual e esperam obter a cura imediata, como num abrir e fechar de olhos, como se fosse um passe de mágica, que as fizesse voltar à normalidade. Em geral, a cura espiritual requer profundidade de propósitos e continuidade de ações, que levam à transformação íntima da pessoa diante do problema que está enfrentando. Essa transformação, também chamada de Reforma Íntima, é um processo que resulta da educação da alma e requer a completa adesão do doente ao tratamento instituído.

É a educação que se realiza com a liberdade de culto e com responsabilidade de propósitos, de acordo com o conceito segundo o qual Jesus não está enclausurado entra as paredes de um templo, mas alcança a imensidade do Universo, como Cristo Cósmico e está presente entre as pessoas de boa vontade que pautam suas próprias vidas segundo a Lei do amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.


Magaly Sonia Gonsales
Este artigo e a imagem foram publicados na Revista Cristã de Espiritismo, edição 32.


10 julho 2019

Sonhos e profecias - Edvaldo Kulcheski

 
SONHOS E PROFECIAS


Se a lembrança das vidas passadas e o conhecimento do futuro fossem de essencial importância para o progresso do homem encarnado, a natureza teria nos dotado de um sentido para tal.

Vejamos, então, o que nos falam os espíritos sobre o conhecimento do futuro, nas questões 868 a 871 de O Livro dos Espíritos. Dizem-nos eles que, em princípio, o futuro é oculto ao homem e só em casos raros e excepcionais permite Deus que seja revelado. A finalidade de se conservar o futuro oculto ao ser humano reside no fato de que, se o conhecêssemos, negligenciaríamos o presente e não obraríamos com a liberdade com que agimos, porque nos dominaria a idéia de que, se uma coisa tem que ocorrer, inútil será ocupar-se com ela, ou então procuraríamos obstar que tal coisa não acontecesse.

A certeza de um acontecimento venturoso nos lançaria na animação e a de um acontecimento infeliz nos encheria de desânimo.

O livre-arbítrio


Não podemos esquecer que uma das provas pela qual o espírito passa é a do livre arbítrio. Se nossa liberdade de agir fosse influenciada por alguma coisa, a ponto de entravá-la, a responsabilidade da ação seria menor ou nula. Por isso é que tanto o nosso passado espiritual quanto o conhecimento sobre o nosso futuro só são revelados em casos excepcionais e de forma natural, e isso quando o conhecimento prévio facilite a execução de alguma coisa.

Além de tudo, nunca devemos nos esquecer de que assim como os acontecimentos do presente têm sua causa na nossa vida passada, os acontecimentos do futuro têm como base as nossas ações presentes. É a lei de Ação e Reação.

Assim, não há razões para o homem viver em busca de informações sobre seu futuro. Tal atitude revela falta de confiança nos desígnios divinos.

O que ocorre é que, na maioria das vezes, encontrará exploradores e enganadores da boa fé alheia.


Se cremos em Deus, por conseqüência cremo-lo justo e infinitamente bom, nada melhor que, em todos os lances da vida, exercitarmos a confiança irrestrita nele.

As existências são planejadas 

Cada existência é planejada, com antecedência, no plano espiritual, antes da reencarnação. Exceto nos casos de reencarnação compulsória, a duração da existência, saúde, doenças mais sérias, riqueza, pobreza fazem parte do planejamento.

E todos os espíritos reencarnam com o objetivo de progredir, de só fazer o bem e de reparar os erros cometidos em outras existências. Ninguém vem à Terra para fazer o mal.

Depois de reencarnados, os espíritos conservam o livre-arbítrio, podem desviar-se dos rumos traçados no mundo espiritual, abandonar os planos de trabalhar pelo próprio aperfeiçoamento e desviar-se para o caminho do mal.

Os espíritos mais imperfeitos correm maior risco de cometer tais desvios, enquanto os que já conquistaram certas qualidades costumam cumprir os planos traçados antes da reencarnação. Deus não intervém. Deixa que suas leis se cumpram no momento oportuno.

Ensina-nos Allan Kardec: "A prosperidade do mau não é senão momentânea, e se ele não expia hoje, expiará amanhã, ao passo que aquele que sofre, está expiando o passado" (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. V, item 6).

O futuro depende do presente


Quanto mais evoluirmos, mais teremos livre-arbítrio e, na mesma proporção, diminuirá o determinismo sobre nós.

As nações, assim como as sociedades e os indivíduos, têm a sua liberdade de ação, de onde resulta o mérito ou demérito de cada um.

Grande é a liberdade individual, maior é a das sociedades e ainda mais ampla, é a das nações.

Todos nós só colheremos no futuro os frutos das sementes que semearmos hoje. Serão bons frutos quando semearmos bons frutos, serão maus frutos quando forem más as sementes.

Fica claro, pois, que o próprio espírito, utilizando o livre arbítrio que Deus concede a todos, escolhe a sua trajetória de deslizes e crimes hoje e grandes sofrimentos no futuro, ou de aprendizado, lutas e, talvez, sofrimentos hoje, mas felicidade no futuro.

Premonição/pressentimento


O pai do piloto do Fokker 100 que caiu, em São Paulo, matando mais de 100 pessoas, contou e repetiu, na televisão, que sonhara na véspera com o pavoroso desastre, ficando muito impressionado e comentando a visão com familiares e amigos.

Também a mulher de um passageiro declarou que sua filha pequena despertara e lhe dissera que o pai não voltaria mais, pois, o avião em que viajava caíra. Daí a pouco, assistia à catástrofe na TV.

Comprovadamente, a premonição sempre existiu. Mas o que é, como e por que acontece?

Quando o homem dorme, seu espírito deixa o corpo, sem, contudo, dele se desligar, e é nessas ocasiões que, às vezes, vislumbra o futuro próximo, com maior ou menor clareza.

Ao despertar, imaginará tratar- se de um sonho ou pesadelo. A isso chamamos "aviso ou premonição".

O espírito Adolfo Bezerra de Menezes, no livro Recordações da Mediunidade, psicografado por Yvonne Pereira, edição da Federação Espírita Brasileira, explica que tais possibilidades derivam de uma faculdade psíquica que possuimos, espécie de mediunidade.

A premonição não existe no mesmo grau em todas as criaturas, embora seja disposição comum a qualquer ser humano.

O pressentimento é o conselho íntimo e oculto de um espírito que vos dedica afeição, decorrente da escolha que se tenha feito: antes de reencarnar, o espírito tem conhecimento das várias fases da sua nova existência, isto é, dos principais gêneros de provas a que vai se entregar.

José, por exemplo, relata Mateus, foi avisado por um anjo que, aparecendo-lhe em sonho, o aconselhou fugir de Herodes, para o Egito, com Jesus.

Os avisos por meio de sonhos são comuns nos livros sagrados de todas as religiões.

Sabemos que o tempo do sono é aquele em que o espírito, desprendendo-se dos laços materiais, entra momentaneamente no mundo espiritual, onde se encontra com conhecidos de outras encarnações.

Esse instante é, muitas vezes, escolhido pelos espíritos protetores para se manifestar aos seus protegidos e dar-lhes conselhos mais diretos. Neste caso, o que ocorre é uma adaptação, feita por espírito especializado neste assunto, das ondas mentais de 4ª dimensão que estão presentes no cérebro perispiritual para que possa ser interpretado pelo cérebro físico que sabe apenas interpretar as ondas de 3ª dimensão, ocorrendo assim, uma lembrança mais nítida das orientações que o espírito queira que a pessoa se lembre ao acordar.

As profecias e a doutrina espírita


A aceitação dos textos bíblicos ao pé da letra tem levado parcela significativa da Humanidade a ter a convicção de que haverá uma segunda volta de Jesus à Terra, completamente visível, para separar os eleitos do seu reino. Que todas as mudanças ocorrerão de forma brusca e violenta. É o juízo final e o fim do mundo. É a síndrome do fim do mundo.

Entretanto, Allan Kardec nos recomenda cautela. A doutrina espírita nos ensina que o progresso se processa de acordo com as leis imutáveis criadas por Deus.

Como a natureza não dá saltos, todas as mudanças previstas haverão de processar-se lenta, mas inexoravelmente em gradativa intensidade. Em A Gênese, Kardec, esclarece que as mudanças se realizam de duas maneiras: "uma gradual, lenta, imperceptível; outra por movimentos relativamente bruscos".

Certamente, a forma que ocorrerão essas mudanças anunciadas dependerão muito do rumo que a humanidade estiver seguindo. Trata-se de um movimento, a operar-se no sentido do progresso moral, durante o qual a rebeldia humana, pelo acúmulo de faltas e pelo predomínio do orgulho e do egoísmo, em muitos séculos, precisa ser refreada, em benefício dos próprios homens, antes que novos débitos venham agravar a situação espiritual do planeta. Portanto, as mudanças mais profundas ocorrerão no comportamento dos seus habitantes, que passarão a se conduzir pelas Leis Divinas. Os espíritos recalcitrantes no mal não poderão reencarnar mais neste planeta. Irão para mundos primitivos, onde expiarão os débitos contraídos aqui. No lugar destes espíritos reencarnarão outros com propensão para o bem.

O que são as profecias


Porque existem essas percepções do futuro? É um aviso, uma advertência, que algo muito provável, mas não certo poderá acontecer.

É um aviso que as coisas ficarão pior se não houver uma mudança de rumo.


Para entendermos o mecanismo das previsões, temos que primeiramente entender que tudo o que já passamos e o que projetamos para o futuro está gravado na nossa mente. Como alicerce de todas as realizações nos planos físico e extrafísico, encontramos o pensamento por agente essencial.

Entretanto, ele é matéria – matéria mental – em que as leis de formação das cargas magnéticas ou dos sistemas atômicos prevalecem.

Essas forças, em constantes movimentos sincrônicos ou estados de agitação pelos impulsos da vontade, estabelecem para cada pessoa uma onda mental própria.

A matéria mental dos seres se graduam nos mais diversos tipos de onda, passando pelas oscilações curtas, médias e longas.

A indução mental significa o processo através do qual um corpo que detenha propriedades eletromagnéticas pode transmiti-las a outro corpo sem contato visível. No reino dos poderes mentais a indução exprime processo idêntico.

Emitindo uma idéia, passamos a refletir, idéia essa que logo se corporifica, com intensidade correspondente à nossa insistência em sustentá-la. É nessa projeção de forças que se nos movimenta o espírito no mundo das formas-pensamentos, construções substanciais na esfera da alma.

Nós, os encarnados na Terra, vivemos na 3ª dimensão e nosso cérebro físico está preparado para as informações desta dimensão.

Os espíritos desencarnados que vivem no lado espiritual da Terra, vivem na 4ª dimensão. Tanto os encarnados como os desencarnados têm cérebro perispiritual, que está preparado para as informações da 4ª dimensão. Nosso passado e nosso futuro estão no nosso cérebro perispiritual, portanto estão sob a forma de ondas que se encontram na 4ª dimensão.

Nossos pensamentos formam ondas eletromagnéticas. Sabemos que a matéria é energia condensada, portanto, nossos pensamentos são energias, que inclusive adquirem as formas-pensamento. As formas mentais também são trabalhadas no cérebro perispiritual, portanto, se encontram em ondas de 4ª dimensão.

Entre nós existem pessoas com capacidade perceptiva de visualizar o que está em nosso cérebro perispiritual, ou seja, captam o passado que está armazenado em nosso inconsciente ou o futuro que está em nosso superconsciente (em forma de plano ou forma apenas de pensamento). Toda pessoa encarnada que vive na 3ª dimensão e que por efeito de determinado dom percebe o que acontece na 4ª dimensão é denominado de médium, ou seja, é intérprete, intermediário entre essas dimensões.

Se hoje eu consultar um médium que tenha esse dom, e estiver tudo em paz com meus pensamentos, ele irá fazer um ótimo prognóstico de minhas projeções futuras, mas se amanhã, acontecer um sério aborrecimento em minha vida, que afete meu estado mental e novamente consultar o mesmo médium, com certeza o prognóstico de minhas projeções futuras será outro.

Na verdade, o futuro e as formas-pensamento formam uma espécie de mundo virtual, não real, porque não aconteceu ainda, e poderá nunca acontecer, porque pode ser mudado, como poderá ser confirmado. Nossas projeções de futuro são muito dinâmicas, podem mudar minuto a minuto.

Desse futuro virtual faz parte tudo o mentalizamos, nossos planos, metas, enfim tudo o que pensamos. Por isso se diz que quando se quer alguma coisa temos que pensar, mentalizar para que aquilo se materialize.

Um Espírito também pode captar das pessoas os dados mentais referentes ao passado e ao futuro e repassá-las para o médium nas diversas forma de mediunidade, tais como audiência, psicofônia, psicografia, etc.

Não existem definições antecipadamente dos destinos dos indivíduos, das sociedades, das nações. O que existe são planos para novas etapas de progresso, que são preliminarmente traçados, depois acompanhados e avaliados, e quando necessário, se fazem ajustes para que as metas evolutivas sejam atingidas. Cada indivíduo, cada cidade, cada nação, cada planeta tem espíritos protetores, que ajudam traçar os planos, fazem o acompanhamento, avaliam a evolução e, muitas vezes fazem as correções do rumo. Foi de uma destas avaliações siderais, que o Apostolo João participou.

As visões de João


João achava-se na ilha de Patmos, por causa da difusão da palavra de Deus e do testemunho de Jesus.

Certo dia, achava-se em espírito (projeção) e ouviu por detrás grande voz. Voltou-se para ver quem falava e viu...

Assim como nós podemos prever, da árvore que hoje nasce, o tempo da frutificação, a qualidade dos seus frutos, ou que, se continuar a poluição dos rios faltará água, igualmente os espíritos de grande elevação podem perceber uma parcela considerável do futuro e deduzir acontecimentos. Em cada espírito se assinala o "dom da previsão"; uns têm em pequena escala, outros têm maior capacidade, de acordo com a sua capacidade moral e intelectual.

Se as profecias que estavam previstas não aconteceram, é porque a humanidade entendeu as advertências e mudou de rumo. Se atentarmos bem, vamos ver o quanto aumentou a busca pela espiritualidade. Uma evidência disso é o aumento de freqüentadores nas casas espíritas. Nunca se falou tanto em amor, em ecologia etc. Isto fez com que se alterasse o futuro, confirmando que a cada dia nós construímos o futuro. Isto aplica-se ao futuro individual, de uma localidade, de uma nação e até de um planeta, como foi o caso da Terra. Se continuarmos assim, não haverá necessidade de mudanças bruscas.

A impreessão que se tem é que a Humanidade não está muito bem, mas isto acontece por causa da mídia, que veícula mais as coisas negativas que acontecem, mas tenhamos certeza, existe muito mais coisa boa acontecendo dos que as ruins.

Quando a pessoa tem certa maturidade, não se preocupando com as profecias, buscará trabalhar mais intensamente sua reforma íntima, para que se for necessário passar por momentos mais difíceis esteja preparada. Quando a pessoa não tem preparo, passa a duvidar de Deus e ter medo, e esse medo a leva ao desânimo.

Temos que fazer o que for preciso, não interessando como estejamos – encarnados ou desencarnados. O importante é estarmos do lado do bem. Como disse Jesus, "Amai-vos uns aos outros".


Edvaldo Kulcheski
Este artigo foi publicado na Revista Cristã de Espiritismo, edição especial 08.