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17 fevereiro 2021

Desrespeito aos Direitos Humanos - Divaldo Pereira Franco

 
DESRESPEITO AOS DIREITOS HUMANOS

Uma existência digna é pautada em compromissos éticos e legais, estabelecidos pela sociedade, a benefício de todos.

O esforço de cada cidadão ou cidadã, na construção de valores que facultam a honra do ser humano, constitui-lhe o patrimônio que deve ser cuidado para preservar-lhe o direito de propriedade.

Esse direito de propriedade é considerado em toda parte onde vige a democracia e os indivíduos respeitam-se reciprocamente.

Graças a esse comportamento, a sociedade progride e os valores humanos são mantidos pela honorabilidade dos seus membros.

A psicografia de obras mediúnicas é um dos mais belos exemplos desse direito. Os Espíritos escritores cedem aos médiuns, que são os seus cooperadores da construção da obra, esse legado que, invariavelmente, é cedido a instituições dedicadas ao bem, conforme o princípio básico do Evangelho: Dar de graça o que de graça se recebe.

O verdadeiro médium, aquele que cumpre com os seus deveres, conforme a Codificação Espírita, deve esforçar-se para ser hoje melhor do que ontem, lutando sempre contra as suas imperfeições, conforme o definiu Allan Kardec.

Por isso que a pauta dos seus deveres morais é muito vasta e deve estar sempre iluminada pelas diretrizes do Evangelho de Jesus, sacrificando as mazelas, transformando-se em servidor do bem. Mesmo quando acusado e levado ao palco do ridículo, manter-se silencioso e fiel aos compromissos aceitos com prazer e dedicação.

A elaboração de um livro mediúnico é um trabalho que absorve tempo, dedicação, sacrifício e comportamento saudável, a fim de permitir a escrita por Espíritos nobres, culminando numa grave disciplina moral.

Ao publicar-se o livro, normalmente, no Brasil, o médium cede os direitos autorais em Cartório, a fim de auxiliar a manutenção de alguma sociedade que trabalha em favor da promoção humana, da sua saúde, das criaturas necessitadas.

Assim, são duas as finalidades: o conteúdo moral do livro, sempre com um sentido de elevação espiritual, e auxílio na prática da caridade.

Não é crível que uma pessoa digna transcreva o livro publicado, no caso em tela como e-book, seja adaptado ao sistema PDF e colocado à disposição do público gratuitamente, a fim de que o leia sem qualquer recompensa aos proprietários e chame esse furto de caridade para quem os transcreva do WhatsApp, solicitando uma ajuda (contribuição) espontânea.

Assim tem ocorrido com diversos livros de nossa psicografia já há tempos, especialmente agora que publicamos NO RUMO DO MUNDO DE REGENERAÇÃO, um verdadeiro best-seller que, em menos de um mês, vendeu 40.000 exemplares e tem sido o livro de caráter religioso mais vendido pela Amazon.

Essa é uma conduta lesiva, reprochável.

Divaldo Pereira Franco.
Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 21.1.2021.

16 fevereiro 2021

A Polêmica do Uso de Células-Tronco (Na Visão Espírita) - Oswaldo Magalhães Rodrigues

 
A POLÊMICA DO USO DE CÉLULAS-TRONCO (NA VISÃO ESPÍRITA
 
 
 
A capacidade das células-tronco de se multiplicarem, reparando e formando diversos tecidos do corpo, como os da própria pele, do cérebro, dos ossos, do coração e dos músculos, torna essa pesquisa um importante avanço da medicina no tratamento de doenças até hoje incuráveis, como câncer (a leucemia, inclusive), lesões na coluna (problemas de paralisia), danos cerebrais (traumas e doenças como os males de Alzheimer e de Parkinson), tratamentos para doenças neurodegenerativas, danos no coração entre outras.

Alguns métodos de coleta das células-tronco não geram polemicas ético-religiosas, como a coleta pelo cordão umbilical ou da medula óssea do próprio paciente. A polêmica surge quando se trata da retirada de células-tronco de embriões, visto que isso implica a destruição deles. Muitos argumentam que o extermínio desses embriões é tão criminoso quanto o aborto, uma vez que acaba com uma forma de vida. Aliás, embriões e fetos provenientes de abortos seriam fontes para a coleta desse material.

As células-tronco podem ser encontradas mais comumente em duas regiões do corpo: na medula óssea e no sangue do cordão umbilical, que permanece na placenta após o nascimento do bebê. E elas podem ser uma alternativa, por exemplo, para os casos de leucemia, em que o transplante de medula óssea nem sempre pode ser realizado, embora seja um procedimento de sucesso. Já com o sangue do cordão umbilical congelado, as células-tronco ficam disponíveis para serem usadas em casos como esse durante, pelo menos, 15 anos após a coleta, embora alguns estudos considerem a possibilidade de estocagem por até 50 anos.

Clonagem terapêutica

Muitas pessoas pensam que a clonagem serve apenas para a criação de cópias de seres humanos. Entretanto, vários cientistas a vêem como uma possibilidade de cura para diversas doenças que atualmente não podem ser tratadas. Trata-se da tão falada clonagem terapêutica.

Esse processo consiste em obter um embrião da pessoa doente por meio da clonagem e retirar as células-tronco dele. Essas células têm potencial para se transformar em qualquer tipo de célula adulta do nosso corpo, como, por exemplo, células cardíacas ou nervosas. Assim, elas poderiam ser estimuladas a se transformar no mesmo tipo de célula que estão lesadas no organismo do doente. Por exemplo: uma pessoa com leucemia que necessitasse de um transplante de medula seria clonada, dando origem a um embrião, do qual seriam retiradas células-tronco. Dessa forma, a pessoa seria doadora para si mesma, sem correr o risco de que seu organismo viesse a rejeitar o transplante, pois as células utilizadas seriam retiradas de seu clone, que apresentaria a mesma constituição genética que ela.

Mas ainda existe uma séria e relevante discussão envolvendo a técnica: embriões teriam de ser sacrificados em prol da vida do doente. Muitas pessoas no mundo inteiro se manifestam contra esse procedimento, alegando que, se o embrião não tivesse seu desenvolvimento interrompido, uma pessoa nasceria. Isso é comparar essa forma de clonagem a um aborto. Por outro lado, muitas pessoas portadoras de doenças genéticas ou lesões medulares que impedem a locomoção defendem essa técnica porque enxergam nela a única possibilidade de cura definitiva atualmente conhecida.

Conclusão pessoal do autor: A meu ver, existindo a possibilidade do uso de células-tronco originárias da medula óssea ou de cordões umbilicais seria o mais indicado no auxílio ao tratamento das diversas enfermidades supra citadas. Mas por outro lado, não existindo a possibilidade desses dois meios e restando somente a alternativa de clonagem de um embrião, penso que não seria o mesmo que um aborto.

Primeiro, no aborto provocado, a mãe age por seu livre arbítrio sem o consentimento de Deus, que em muitos casos enviou aquele espírito sem a intenção de fazer com que sofresse essa prova, e pela vontade dela haveria o aborto ou não, consequentemente ela pagaria por esse ato de uma forma ou de outra.

No caso da clonagem do embrião em laboratório, tudo isso já estaria premeditado, com a intenção de curar e salvar outras vidas, e Deus não enviaria um espírito para sofrer um aborto (a não ser que fosse para pagar uma prova), para reencarnar em um embrião que já estaria destinado a ciência para este fim.

Oswaldo Magalhães Rodrigues

Referências:

1. O debate sobre o uso de células-tronco de 14/05/2004: Por Diogo Dreyer no site www.portalpositivo.com.br

2. Clonagem terapêutica: Por Silvia Schaefer — Professora de Biologia do portal no site www.portalpositivo.com.br

3. Brasil realiza 1º transplante com cordão umbilical: Por Reuters site http://noticias.terra.com.br

15 fevereiro 2021

Contendas - Joanna de Ângelis


CONTENDAS

Quanto possível evita contender mesmo que nominalmente convocado ao debate.

Contenda pode representar semeadura de espinhos para colheita de aflições futuras.

Há muitos companheiros que acreditam na eficácia da disputa verbal e o refrão popular assevera que: “da discussão nasce a luz”, mas nem sempre...

Raramente a discussão é mantida no alto nível da exposição serena.

Os discutidores, quase sempre inseguros sobre o que debatem, pretendem, personalistas, impor opiniões não amadurecidas, antes nem mesmo pensadas, defendidas, no entanto, com vigor e entusiasmo apaixonado.

Raros são aqueles que conseguem, terminado o debate, guardar a paz íntima e alinhar o equilíbrio da emoção.

Quase sempre a contenda deixa fel nos lábios e desorganização mental, entorpecendo os centros do discernimento. Não poucas vezes conduz os discutidores ao auto-envenenamento, absorvendo elevadas doses dos fluidos da ira ou da cólera imprevistas.

Contender não significa esclarecer.

Quem esclarece, examina com calma a questão, expõe o assunto e deixa a mensagem de que se faz instrumento.

Reserva ao outro o direito de digerir o conceito apresentado para aceitá-lo ou não.

A concorrência do ouvinte alegra o expositor mas a recusa não o magoa. O ensejo de elucidar é também ocasião de aprender, raciocinar na medida mental de quem escuta, conseguindo novas conclusões dos esclarecimentos examinados.

* * *

Em contendas campeiam oportunidades de interferência das mentes desencarnadas infelizes, em comércio de exasperação.

Consomem-se energias na inutilidade.

Desarmonizam-se os painéis mentais.

Encorajam-se as disputas em favor do personalismo inferior.

Intensificam-se animosidades.

A disposição combativa, adquirida nas lutas da vaidade, gera o clima de rebeldia, predispondo à violência.

Silencia a palavra-debate quando o argumento da serenidade seja recusado com acrimônia. Talvez, amanhã, tenhas mudado de opinião ou, possivelmente, depois, o antagonista concorde contigo.

Seja o objetivo ajudar e não vencer...

Vencer é apelo seguro para vencer-se a si mesmo.

O homem que sabe, compreende a relatividade das coisas que conhece e o incomensurável do que ignora. Silencia para meditar, examina para aprender melhor e, quanto mais sabe, mais se compenetra da humildade de que necessita para considerar a vida.

Os homens superiores ignoram os triunfos sobre os outros, em contendas, preocupados que estão em se superarem.

Se, todavia, já podes manter o equilíbrio no debate, quando a ele chamado fiscaliza as palavras e mantém a serenidade, para que o verbo a perfumar os teus lábios exale o aroma da sabedoria e da compreensão.

* * *

Interrogado, e ao debate convidado diretamente, no Pretório, por Pilatos, a respeito da Verdade, o Mestre circunvagou o olhar pela multidão próxima, e no entanto tão distante, fitou o atormentado questor, respondendo com serenidade: “É o Pai que está nos Céus”, encerrando o assunto, como a dizer-nos da necessidade de fiscalizar com quem, em quais circunstâncias e com quais recursos, deveremos explicar e esclarecer, principalmente evitando contender.

Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Pereira Franco


14 fevereiro 2021

Participam do Imaginário Humano - Orson Peter Carrara

 
PARTICIPAM DO IMAGINÁRIO HUMANO

Crendices e superstições não são deletérias em si mesmas. De certa forma, pois que participando do imaginário humano, despertam o interesse pela verdadeira dimensão da vida.

O mal está na consagração do falso, na exaltação da ilusão, admitindo como verdades fatos não comprovados ou deturpações oriundas das paixões humanas, normalmente utilizadas como ferramentas de manipulação que acabam se transformando em prisões emocionais, em seus lamentáveis desdobramentos psicológicos.

O raciocínio acima, em outras palavras, é do amigo Humberto Vasconcelos, de Recife-PE, e consta do livro O Silêncio foi quebrado, no capítulo Onda Mística, onde o autor faz um referencia magnífica sobre a postura de Allan Kardec na Codificação do Espiritismo, e que resumo a seguir, com transcrição parcial. Cita o autor:

“(…) Tratando de fenômenos mediúnicos, o mestre lionês chega a sugerir que na análise dessas ocorrências, deve o estudioso buscar explicações em causas materiais conhecidas, para não correr o risco de classificar como de origem espiritual um fenômeno produzido por causas fortuitas, mas bem materiais e comprováveis. Essa (…) a primeira hipótese. Vencida essa hipótese – aí sim – procure-se uma causa remota, estranha à influência material ou pessoal e então poderá surgir a causa espiritual. (…)

Um fato, uma ocorrência, uma circunstância, um fenômeno à primeira vista inexplicável, poderá ter causas humanas ou materiais, antes de ser mediúnico. Daí a recomendação que nunca pode ser esquecida: o uso do bom senso, do discernimento.

Para não cair no ridículo.

Orson Peter Carrara
Fonte
: Kardec Rio Preto


13 fevereiro 2021

Apreensões - Rogério Miguez


APREENSÕES

Depois disto, que nos resta a dizer? Se Deus está conosco, quem estará contra nós? (1) Romanos 8:31

Em uma possível interpretação deste ensino, podemos concluir ser de longa data a preocupação do ser humano sobre seus possíveis inimigos ou desafetos. Cremos que a consciência de culpa gerada pela multidão de pecados perpetrados, alguns ainda não revelados e reparados, poderia criaras condições necessárias para o aparecimento desta apreensão, sempre rondando as mentes devedoras.

Por outro lado, destacando ainda o ensino de Paulo sob outro ângulo, embora a pergunta use o pronome quem, sugerindo uma pessoa, outra forma de entendê-lo é o reconhecimento da existência de inúmeros percalços sucedendo-se durante a jornada física, aparentemente trabalhando contra nós, tais como: reveses financeiros, contrariedades afetivas, amizades desfeitas, desilusões amorosas, doenças inesperadas, “perda” de entes queridos.

Existem também as angústias criadas pela imprensa alarmista, muitas vezes polarizada por privilegiarem notícias referentes apenas a desgraças e agruras, esquecendo-se quase sempre das nobres realizações e bons exemplos existentes. Alardeiam-se prováveis conflitos nucleares, ameaças terroristas de toda ordem, sequestros relâmpagos, meteoros “assassinos” se aproximando perigosamente da Terra, futuros desastres coletivos causados por condições climáticas extremas e adversas, catástrofes naturais, bruscas oscilações do mercado financeiro… Ou seja, anunciadas e inesperadas desgraças não faltam; todas podem igualmente trabalhar contra a nossa paz.

Além disso, como se não bastasse, perturbamo-nos por variados temores, desconhecidos, sem sentido e nenhuma razão plausível, incompreensíveis. Talvez a mesma consciência culpada seja fonte destes receios, ou, quem sabe, alguma influenciação ardilosa de um Espírito desencarnado, provisoriamente desorientado e abatido com a sua situação espiritual, ou mesmo de um encarnado visando a nos prejudicar.

Como resultado, o ser humano aturdido por tamanha gama de fobias e ansiedades, ignorando como proceder, fecha-se em sua casa, instala alarmes e câmeras modernas, sofisticadas fechaduras eletrônicas, cercas eletrificadas, contrata serviço de segurança privada via telefone, tudo para resguardar-se de possíveis ameaças, tendo ele mesmo, em muitos casos, dificuldade em definir especificamente quais seriam. Esquece-se de que existem ameaças imateriais mais contundentes e perigosas.

Tempos estranhos!

Mas, afinal, por quais razões nos afligimos tanto, imaginando opositores de toda ordem? Pela perda dos bens materiais, da própria vida, medo da dor física proveniente de um corpo doente, ou mesmo da dor moral provocada pela solidão?

Todas estas adversidades anteriormente citadas são características de mundos pouco evoluídos como ainda é o caso do nosso. Se por aqui ainda transitamos é porque necessitamos destes contratempos, de modo a dar testemunhos de nossa fé em Deus e em sua justiça perfeita. Caso contrário, passaremos pela Mãe Terra escondidos em nossas residências, tal qual fazíamos no passado, quando ocupávamos, temerosos, furnas e cavernas, sem nos atrevermos a enfrentar os supostos perigos do mundo. Contudo, é bom entender e principalmente admitir, no “pior caso”, do nosso ponto de vista, o maior prejuízo que qualquer deles poderia nos causar seria o de colocar-nos diante da tão temida e indesejada morte.

Mas quem tem medo de morrer? Tudo indica que todos nós, pois ainda não aceitamos só existir vida, e como disse Jesus, vida em abundância. Esta é a verdadeira lei divina. Tudo se transforma, não há destruição de absolutamente nada, apenas de nossas ilusões, quando, deslumbrados pelos atraentes apelos materiais, somos levados a cultuar este ou aquele bem, esta ou aquela forma física, para mais tarde compreender que tudo é passageiro, inclusive e principalmente os nossos devaneios.

Não existe a morte. Somente o corpo físico é dissociado pelos fenômenos químicos já bem conhecidos, retornando ao grande laboratório da natureza proporcionando uma vez mais a reciclagem dos elementos constituintes desta desgastada estrutura material, agora desfazendo-se. Este processo cíclico visa à formação de novas “temporárias residências” para outros Espíritos, que como nós mesmos, mais uma vez reingressarão nas lides terrenas, tentando aproveitar oportunidades de modo a oferecer novos testemunhos de aprendizado nas particulares caminhadas.

Dar testemunhos de compreensão dos desígnios divinos quando tudo está correndo bem é o primeiro passo em nossa marcha evolutiva. Contudo, aceitar a vida tal qual é, sem reclamos, queixumes, rebeldia, tristeza e desgosto diante das contrariedades oriundas muita vez de nossos anseios pueris, é um desafio maior. Estes últimos testemunhos nos fortalecem e nos preparam para o enfrentamento das adversidades superiores, às quais estamos todos destinados a enfrentar.

Entretanto, diante de tantos supostos perigos, há um em especial cujo traço insinuante nos traz de fato preocupação. Não é uma utopia, uma abstração, fruto de propaganda alarmista, pois é imaterial: as nossas muitas personalidades. Este é o grande “inimigo” oculto, o adversário cruel que pode levar-nos mais uma vez ao fracasso em nossa nova existência.

Este “inimigo” é a resultante dos vícios e tendências negativas forjados em inúmeras existências passadas, quando, não aproveitando as oportunidades regularmente oferecidas pela vida, deixando escapar ou escondendo os talentos colocados em nossas mãos pela Divindade, construímos, em consequência, traços de personalidade agora difíceis de ser superados ou mesmo controlados.

A luta é árdua, pois este “inimigo” é poderoso, supera todos os outros juntos!

Entretanto, nada é impossível ao que não apenas crê, pois, mais do que apenas fé, sabe, tem consciência de poder enfrentar a razão face a face, sob qualquer situação inusitada.

Não temamos os entraves da vida. Não emprestemos valor indevido aos passageiros infortúnios da caminhada, sejam quais forem. Não sejamos intimidados por situações já esperadas e comuns no variado rol de nossas provas e expiações.

Caminhemos destemidos, rumo ao amanhecer que a todos aguarda, jamais nos imaginemos perdidos na noite escura das dúvidas e incertezas, pois, se Deus está conosco, quem estará contra nós?

Rogério Miguez

Referências Bibliográficas:

(1) BÍBLIA DE JERUSALÉM. Trad. Gilberto da Silva Gorgulho et al. 8. imp. São Paulo: Paulus Editora, 2012.

12 fevereiro 2021

O medo que eu desconhecia em mim - Adriana Machado

 

 O MEDO QUE EU DESCONHECIA EM MIM

Mais uma vez, percebemos como a vida é sábia.

Somente quando somos testados pelas alegrias e adversidades, somente quando os nossos interesses são glorificados ou colocados em “perigo” é que deixamos emergir para a superfície de nossas ações aquilo que ainda trazemos em nossos corações, aquilo que ainda nos acompanha como parte de nossa essência.

Enquanto vivemos uma existência sem tormentos, enquanto vivenciamos um mar de tranquilidade antes as circunstâncias que nos rodeiam, não temos noção das mazelas que carregamos nas profundezas de nossa alma, tampouco a nossa capacidade de fazer o bem.

Mas, não é para isso que viemos aqui neste planeta escola? Não é para nos conhecermos e nos lapidarmos, para nos conhecermos e nos aprimorarmos?

A espiritualidade há muito tem nos avisado que passaríamos por momentos de aprendizado; que deveríamos nos preparar para enfrentar os nossos temores mais íntimos; que também nos escandalizaríamos com as nossas boas e não tão boas ações e pensamentos, porque as máscaras iriam cair e que nos enxergaríamos por inteiro.

O momento chegou. O momento de turbulência está aí para quem quiser admitir!

O nosso povo está dividido, realmente, dividido. Uns mais exaltados, outros mais comedidos, outros preocupados e outros tantos não estão nem aí, mas o que conta é o que flagramos em nossos corações.

Pense com honestidade, sem buscar justificativas: o que está acontecendo aí dentro do seu Eu? Quais os sentimentos que estão borbulhando, que estão se fazendo presentes a cada experiência boa e não tão boa que vivencia? Elas o incomodam? Se sim, o que fará a respeito?

Percebo muitas em mim! Me surpreendo com algumas que antes eu mesma afirmava (ou até condenava) ser inconcebível para um ser cristão! Elas estão aqui e o que faço? Tenho de me envergonhar por tê-las? Não.

Como não?

Não tenho de me envergonhar porque elas são aquilo que estou, mas não significa que eu as aceitarei por muito tempo em meu ser. Se eu as estou abominando em mim, posso trabalhá-las pacificamente para transmutá-las. Diante de tantas lutas externas que assolam o nosso mundo, não preciso criar outra batalha dentro de mim para me lapidar. Posso fazer isso no silêncio de minha vontade, na minha vontade de querer mudar.

Mas, além das circunstâncias, o que fez ressurgir e alimentar tais sentimentos em cada um de nós?

Eu acredito que o maior impulsionador de nossos sentimentos exacerbados é o nosso medo!

Estamos com medo! Medo desta instabilidade, medo da violência, medo do nosso presente, medo de vermos que, efetivamente, a nossa vida está na mão de outras pessoas e de uma doença ainda não contida que poderão moldar um futuro que nos parece aterrorizador.

Somente agora, ante as adversidades vivenciadas pelo mundo, muitos estão aprendendo que não podemos nos alienar ou nos isentar de nossas responsabilidades. Muitos de nós tomaram consciência de seu papel como cidadão do mundo, como pessoa e que a escolha do coletivo fará diferença para a condução de sua vida e do mundo. Mas, são todos? Infelizmente, ainda não.

O engraçado é que esse nosso papel na coletividade nunca fugiu deste contexto. Pela nossa ignorância das verdades espirituais, não dávamos o devido valor ao nosso comportamento e, por isso, sempre estivemos à mercê de qualquer decisão mal direcionada por nós, podendo-nos trazer o caos e a decadência. Ademais, tomamos consciência que tais decisões interferem no todo porque somos parte da mesma moeda, onde um for, o outro lado vai também!

Se o medo nos "assusta e paralisa", também nos mostra como estamos nos vendo intolerantes em relação àqueles que não querem enxergar o momento perturbador, mas de muito aprendizado, que todos estamos vivenciando. Por temermos um futuro sombrio podemos usar da intolerância, da agressividade como escudos de proteção.

O medo nos leva a acreditar que o caos impera. O medo nos leva a agir com violência verbal ou física contra aqueles que acreditamos que concretizarão o que mais tememos. O medo nos faz enxergar um inimigo a cada esquina.

Voltemo-nos para o Cristo. Voltemo-nos para quem realmente nos ampara a cada momento e ajamos conforme Ele ensinou[1]:

“Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. Porque, aquele que pede, recebe; e, o que busca, encontra; e, ao que bate, abrir-se-lhe-á.”

Nesta passagem bíblica, Ele nos dizia que precisamos fazer a nossa parte. Não podemos cruzar os braços, mas, agirmos seguindo os Seus ensinamentos no império da paz, do consolo e da compreensão.

Voltemo-nos para o nosso Ser. Busquemos compreender o medo que nos assola para que a nossa fé seja mais forte do que ele. Vibremos na energia do amor para que construamos um campo de saúde e paz para o nosso planeta.

Assim, com esse novo entendimento, mataremos de fome o medo que nos inunda e incomoda e fortaleceremos a nossa fé na Providência Divina de que toda experiência tem o seu tempo e esta, em que vivemos, também terá.

[1] Matheus, 7:7-8

Adriana Machado
Fonte: Adriana Machado

11 fevereiro 2021

Arrependimento - Sidney Fernandes


ARREPENDIMENTO

Se arrependimento matasse, eu precisaria de outra vida. Zé Neto e Cristiano

Ildefonso era filho de Dona Malvina, senhora virtuosa e devotada à causa do bem. Inválido, preso ao leito, o jovem parecia um cordeiro, tão resignado se comportava diante da enfermidade.

Portadora de muitos méritos junto aos amigos espirituais, Dona Malvina pôs-se a orar e a interceder em favor de Ildefonso. Foi então que, do Alto, surgiu a ordem de reajuste físico do inválido.

Infelizmente, após a cura, a mãe generosa começou a desiludir-se com o filho. Certa noite, ao repudiar violentamente as repreensões maternas, Ildefonso agrediu a nobre genitora de forma covarde e rebelde. Foi então que Dona Malvina voltou a orar.

— Senhor de infinita bondade. Meu filho tornou-se um monstro. Modifica-lhe a rota desventurada. Faça-se a tua vontade, Senhor.

De repente, intensa luminosidade espiritual resplandeceu sobre aquela cabeça venerável, em forma de nova bênção do Alto. Para surpresa de todos, no dia seguinte Ildefonso acordou paralítico.

Dona Malvina chegou à conclusão de que o filho ainda não estava preparado para a cura. Talvez, se ela tivesse atentado para esta frase de Sócrates, filósofo grego, teria pensado melhor no assunto:

Se alguém te procurar em busca de saúde, pergunta-lhe primeiro se está disposto a evitar as causas da doença; em caso contrário, abstém-te de o ajudar.

Chico Xavier preparava-se para a sessão no Centro Espírita Luiz Gonzaga, quando um viajante perguntou:

— Que é bom para arrependimento?

Indicaram Chico como portador do remédio.

O Irmão viajante havia brigado com a esposa por motivos fúteis. Estava, portanto, arrependido e desejoso de um remédio. A leitura do Evangelho e a reunião no centro lhe foram recomendadas.

No fim, estava satisfeito. Ganhara o de que necessitava através do abraço do Chico e dos comentários da lição da noite, em que focou o assunto da cólera, fazendo-o compreender os seus malefícios.

Na manhã seguinte, seguiu para Belo Horizonte, onde residia. Chico teve o prazer de revê-lo, pois ele estava esperando-o para lhe apresentar sua esposa.

Ela foi dizendo a Chico:

— Meu esposo fez as pazes comigo, arrependeu-se do que me disse, em momento de raiva, e jamais nos sentimos tão felizes! No Evangelho Segundo o Espiritismo ganhou o remédio para o arrependimento, um roteiro novo para nossa vida no lar e fora do lar.

***

Jamais sofri mágoa que uma hora de leitura não tenha curado.

Esta frase de Charles de Secondat (Montesquieu), filósofo francês, foi perfeitamente completada pelo episódio vivenciado por Chico Xavier, que nos convida, todas as vezes que magoemos ou nos sintamos magoados, à reflexão, através do Evangelho de Jesus.

***

Fiquemos com Emmanuel:

O aluno que não se retira dos exercícios no alfabeto nunca penetra o luminoso domínio mental dos grandes mestres.

Que dizer do operário que somente visitasse a porta de sua oficina, louvando-lhe a grandeza, sem, contudo, dedicar-se ao trabalho que ela reclama? Existem milhares de crentes da Boa Nova nessa lastimável posição de estacionamento.

Evitemos, assim, a posição do aluno que estuda… e jamais se harmoniza com a lição, recordando também que se o arrependimento é útil, de quando em quando, o arrepender-se a toda hora é sinal de teimosia e viciação.

Sidney Fernandes
1948@uol.com.br
Fonte: Agenda Espírita Brasil

Referência: 
 
Luz Acima, Irmão X; “Levanta-te! ”, Lindos Casos de Chico Xavier, Ramiro Gama; Fonte Viva, Emmanuel.

10 fevereiro 2021

Transmissão de Pensamento - Cláudio C. Conti


TRANSMISSÃO DE PENSAMENTO

Falar no meio acadêmico sobre o tema em questão, a transmissão de pensamento de uma pessoa para outra, causa embaraço e não é aceito, por isso, muito ainda é evitado.

Um exemplo interessante é que, no campo da Ciência, é ressaltado a grande importância de William Crookes, em suas diversas áreas de estudo e descobertas na Física e na Química. Todavia, não se ouve nada a respeito da sua atuação nos fenômenos do espiritualismo. Inclusive, foi Crookes que cunhou o termo “matéria radiante”, muito citado no meio espírita, apesar de ser um termo incorreto. O termo correto para o quarto estado da matéria é “plasma”, o qual se estabelece em condições muito específicas.

Outro exemplo similar está relacionado com o Eletroencefalograma - EEG. Seu inventor, Hans Berger, psiquiatra alemão, quando ainda jovem e morando longe de seus familiares, sofreu uma queda enquanto cavalgava. Naquela noite, recebeu um telegrama de sua família que estava preocupada com seu bem-estar, pois, sua irmã teve um pressentimento [1].

Este evento lhe causou uma profunda transformação e, a partir deste episódio, direcionou seu interesse para a psique humana e, na busca de entendimento, descobriu uma forma de detectar as ondas cerebrais, hoje conhecido como EEG [1].

Hans Berger conduziu numerosos experimentos visando compreender os processos da psique humana e a neurociência moderna tem muito o que agradecer a este pesquisador [1].

Apesar de, como dito anteriormente, não ser um assunto amplamente abordado no meio acadêmico, a transmissão de pensamento, ou telepatia, atrai a atenção de muitos pesquisadores que estudam o tema. Uma importante obra que apresenta extensa análise desta questão é intitulada Mentes Entrelaçadas, em tradução livre. O autor, Dean Radin, é um cientista com ampla experiência.

Neste livro, Dean Radin apresenta o resultado de vários experimentos envolvendo a transmissão de pensamento, assim como teorias sobre seu funcionamento. O título, Mentes Entrelaçadas, faz uma alusão ao conhecido entrelaçamento quântico, no qual partículas se encontram de tal forma conectadas, quando originadas de um único fenômeno, que apresentam comportamentos iguais quando sujeitos à alguma interferência, mesmo estando à longa distância uma da outra.

Na abordagem espírita, temos que os espíritos podem se comunicar independentemente do estado em que se encontrem, seja na vigília ou no sono. Contudo, no estado de vigília a comunicação é mais difícil [2]. Talvez, esta dificuldade esteja em ser menos perceptível.

Não menos interessante é a questão número 421 de O Livro dos Espíritos, na qual Kardec pergunta se haveria uma explicação para que "duas pessoas, perfeitamente acordadas, tenham instantaneamente a mesma ideia” [3]. A resposta apresentada é se tratar de “dois espíritos simpáticos que se comunicam e veem reciprocamente seus pensamentos respectivos” [3].

Nesta nossa análise vemos uma semelhança entre mentes entrelaçadas, conforme expresso por Dean Radin, e espíritos simpáticos, conforme a Doutrina Espírita. Assim, de alguma forma, espíritos simpáticos apresentam a propriedade de sentirem, ou perceberem, interferências que possam afetar um deles, conforme o ocorrido entre Hans Berger e sua irmã. Nesta relação, um espírito poderá perceber, inclusive, a repercussão do pensamento de outro espírito sobre si mesmo.

A transmissão do pensamento de uma pessoa à outra não é trivial, podemos dizer, até mesmo, ser de difícil entendimento. Inclusive, podemos ressaltar que a terminologia utilizada, transmissão de pensamento, é comumente interpretada como “algo”, o pensamento, viajando de um ponto a outro. Todavia, o entendimento de mentes entrelaçadas e de que espíritos simpáticos se comunicam e veem reciprocamente seus pensamentos respectivos, não deve ser entendido como “algo" cruzando o espaço, mas uma interferência direta de processos mentais no fluido, independentemente do espaço. É importante ter em mente que “os espíritos atuam sobre os fluidos espirituais, não os manipulando como os homens manipulam os gases, mas empregando o pensamento e a vontade” [4].

Nesta visão podemos considerar que o espírito elabora processos mentais - lembranças, decisões, ponderações, aprendizado, sentimentos, emoções, etc. - que repercutem no fluido de alguma forma, o que dependerá da natureza do processo mental. Poderíamos, então, considerar o pensamento como a resultante relacionada com o processo mental, isto é, a repercussão. Em outras palavras, o pensamento não viaja, não percorre espaço, mas age pontualmente segundo o interesse do ser pensante.

Podemos, desta forma, considerar três níveis de entendimento para o pensamento: 
 
1) Transmissão através de um condutor, tal como o telégrafo na época de Kardec ou telefones com fio; 
2) Transmissão semelhante às ondas eletromagnéticas, em que não há necessidade de um fio condutor, tal como na telefonia sem fio - o telefone celular e; 
3) Processos quânticos de ação do observador sobre o fluido, o qual pode ser percebido e reconhecido por outro espírito.

Cláudio C. Conti
Artigo do Jornal:
Correio Espírita - Setembro 2019


 
Notas bibliográficas:

1. Dean Radin; Entangled Mind, Cap. 2.

2. Allan Kardec; O Livro dos Espíritos, Questão 420.

3. Ibidem; Questão 421.

4. ___; A Gênese, Cap. XIV, item 14.

09 fevereiro 2021

Coronavírus. Flagelos e Espiritismo - Wanderson Silva

 
CORONAVIRUS. FLAGELOS E O ESPIRITISMO

É sabido que a humanidade está passando por um período difícil atualmente, com a epidemia do Coronavírus, fazendo com que quase todos os países sofram com esses flagelos, e tomem medidas drásticas em relação a pandemia. Mas o que o Espiritismo tem a dizer sobre isso?

É ponto pacífico para os cientistas atualmente, que as revoluções geológicas, meteorológicas e biológicas, são coisas comuns e necessárias para a todo o ecossistema do nosso planeta, apesar dos estragos que causam, diante do ponto de vista humano. Por isso que, numa periodicidade impressionante, a humanidade presencia todo tipo de sinistro como terremotos, maremotos, furacões, nevascas, enchentes e dilúvios, erupções vulcânicas, epidemias, etc… causando um enorme constrangimento para as populações das regiões onde tais fenômenos acontecem, necessários do ponto de vista biológico/geológico, mas aparentemente do ponto de vista humano, só causam devastação, sofrimento e morte, fazendo o homem se perguntar se Deus realmente existe, por que deixa que tais coisas aconteçam a humanidade?

Essa pergunta sempre foi feita, através da História, tanto que esses fenômenos são conhecidos como Flagelos Destruidores. Todos os povos, de uma maneira ou de outra, já presenciaram e passaram por fenômenos assim, deixando seus relatos em livros sagrados e profanos que contaram a sua epopeia de luta e superação do ocorrido para as gerações futuras.

Muitas delas, acreditando na ira de Deus, ou seja, tais coisas acontecem por castigo divino aos homens corrompidos e egoístas, ou não. Como foi o caso, por exemplo, do Grande Terremoto de Lisboa, no século XVIII, onde milhares de pessoas morreram devido a um enorme Tsunami que se formou além mar e avançou contra a costa da capital Portuguesa, dizimando quase toda a sua a população. Ou o fato da grande Peste Negra que igualmente dizimou milhões na Europa, quando no período da Idade Média, ou até mesmo Pompeia, só para citar alguns.

Parece que a ideia da ira de Deus é um conceito bastante difundido e popular hoje em dia e isso foi também a causa da criação de filosofias seculares que não aceitavam essa ideia de um deus cioso, colérico e vingativo com sua criação que, segundo eles, absolutamente não pediu para nascer, demonstrando que ambas vertentes não conseguiram solucionar essa problemática, pois, os flagelos continuam a acontecer, apesar de tudo.

Sabendo disso, Allan Kardec reservou algumas perguntas aos espíritos superiores sobre essas questões, no Livro dos Espíritos; como conciliar a justiça de Deus diante da destruição causada pelos flagelos naturais?

Os bem feitores espirituais então, apresentaram a Kardec a Lei de Destruição, ou seja, a lei da impermanência de tudo que existe, inclusive o homem, pela ótica da imortalidade do espírito humano. Nada no universo é perene; perene somente Deus o É. Tudo no Universo evolui, nada é estático, parado; tudo é dinâmico, está na natureza portanto, a destruição dos seres e das coisas materiais para a evolução do próprio Universo. Nada se cria; tudo se transforma.

Muito dos flagelos que acontecem tem por objetivo somente a manutenção dos sistemas naturais do planeta, outras vezes tem por objetivo a própria humanidade egoísta e recalcitrante no mal, que vez por outra é abalada em seu orgulho e preguiça para que reconheça a necessidade do bem e das reformas. É necessário aqui refletir sobre o ponto de vista da imortalidade; são três os elementos constitutivos do Universo, a saber…Deus, Espírito e a Matéria.

Deus, a Inteligência Suprema, causa primária de tudo que o constitui o Universo.

A Matéria; tudo que ocupa lugar no espaço universal, o fluido formidável que pode tomar formas infinitas, tanto tangíveis quanto invisíveis, extrafísicas e dimensionais, pois inexistência não é sinônimo de invisibilidade. A ferramenta que o Espírito usa para sua evolução e trabalho.

E por fim…

O Espírito, o sinônimo de Vida ou Inteligência como força da Natureza, no sentido geral, Universal, capaz de se apresentar de formas que variam ao infinito. Assim como a matéria, pode tomar formas tanto físicas quanto extradimensionais, capaz de preexistir e sobreviver a tudo, ou seja, a imortalidade é o seu principal atributo.

Assim sendo, Kardec tomou conhecimento sobre a ótica dos espíritos superiores e imortais, a respeito da Destruição.

Encarando por esse prisma, os espíritos superiores esclarecem que os flagelos destruidores acontecem para fazer com que determinada leva de espíritos sejam obrigados a saírem da inércia moral em que se encontram; quanto mais materializados ficarem, mais estacionados estarão. Seria absurdo então conceber que em um Universo onde seu próprio Criador trabalha sempre existiram criaturas onde não fazem absolutamente coisíssima alguma por si mesmos ou pela criação. Logo, não é um castigo de Deus, e sim uma provação que Ele nos impõe para amadurecermos espiritual e moralmente, apesar de todos os recursos que ele nos proporciona para distinguirmos o bem do mal e que nós deliberadamente menosprezamos através de nossas vidas sucessivas.

É assim que de tempos em tempos, as humanidades de um planeta de provas e resgate, cada uma a seu turno, que por ventura estejam estacionadas em determinado ponto da evolução, são constrangidas a marcharem em direção a fraternidade e ao conhecimento, através de determinada epidemia ou desastre natural.

Mas aí, você, amigo leitor, leitora, pode se perguntar; e os mortos? O que eles ganharam com isso?

Como dito antes, devemos encarar a natureza pela ótica da imortalidade do espírito humano. De toda maneira, o homem desencarnará, mais cedo ou mais tarde, a grande diferença é que, nesses acontecimentos, muitos desencarnam juntos, constituindo uma expiação para os que partem dos quais reencarnarão novamente, no futuro, e uma prova para os que sobrevivem.

Contudo, além dos flagelos naturais, há os causados pelo próprio homem, devido a sua imprevidência, omissão e egoísmo, recebem o efeito do que causaram, mais cedo ou mais tarde. Atualmente, estamos passando por um período semelhante a isso. A epidemia do Coronavírus, é um flagelo causado por nós mesmos, através de ações humanas mal sucedidas, com o objetivo de beligerância. Podemos considerá-lo então como um flagelo antropológico, e por isso mesmo, estamos colhendo o que plantamos. Deus para nos provar deixa que nós colhamos o resultado de nossas ações e que nosso orgulho seja ferido, para que enfim tenhamos responsabilidade por nossos atos coletivos.

Ainda segundo os espíritos superiores, os efeitos bons dos flagelos naturais, geralmente, somente as gerações futuras desfrutarão. Como foi o caso da Peste Negra, falado supra. Ela foi causada pelo uso excessivo dela como arma de guerra, pois os exércitos inimigos costumavam jogar cadáveres com a moléstia, dentro dos lugares onde tentavam dominar, sem perceberem que, mais cedo ou mais tarde, se contaminariam também. Muitos desses soldados voltavam depois de guerras cruéis, a suas cidades de origem, totalmente contaminados com a doença que era extremamente contagiosa, que encontrou caminho fácil devido a ignorância e obscurantismo da Idade Média, conhecida também como a Idade da Trevas.

Depois de milhões de mortos, os sobreviventes de tal sinistro, se voltaram para a ciência e a filosofia, derrubando finalmente a Idade das Trevas e criando o período do Iluminismo, do qual pregava o conhecimento e a ciência como salvadoras da humanidade.

O mesmo aconteceu, de certa forma, com a destruição de Pompeia. Depois do ocorrido, um sobrevivente da destruição, chamado Plínio, relatou o que presenciou em um livro, explicando o que tinha acontecido dias antes do ocorrido. Segundo ele, o Vesúvio deu sinais claros de que iria explodir, soltando uma fumaça negra e criando pequenas erupções que o povo da época, orgulhoso e hedonista, se limitou a fazer oferendas a Efestus, um antigo deus romano, para que ele se acalmasse.

O livro de Plínio – o sobrevivente, ficou tão famoso e seminal, que até hoje alguns fenômenos vulcânicos levam o seu nome, como as famosas “Erupções Plinianas”. Graças a ele, populações inteiras ao redor do mundo e através da História foram salvas, devido somente a um homem que, providencialmente, usou de inteligência. Inteligência essa que seus contemporâneos haviam esquecido.

Há então, dois tipos de flagelos; os naturais, dos quais o homem realmente não tem como fugir, somente encarar com coragem, emprenho e fé em Deus. E os flagelos antropológicos, ou seja, causados por nós. Um nós podemos deter ou conjurar somente nos melhorando moral e intelectualmente. O outro somente podemos encarar com coragem e fé, reconhecendo a onipotência de Deus na natureza, pedindo para que Ele tenha piedade de nós, até por que, a própria lei de destruição nos mostra que tudo passa, como bem frisou Emmanuel, pela pena de Francisco Candido Chico Xavier:

Todas as coisas, na Terra, passam… Os dias de dificuldades, passarão… Passarão também os dias de amargura e solidão… As dores e as lágrimas passarão. As frustrações que nos fazem chorar… um dia passarão. A saudade do ser querido que está longe, passará.

Dias de tristeza… Dias de felicidade… São lições necessárias que, na Terra, passam, deixando no espírito imortal as experiências acumuladas.

Se hoje, para nós, é um desses dias repletos de amargura, paremos um instante.

Elevemos o pensamento ao Alto, e busquemos a voz suave da Mãe amorosa a nos dizer carinhosamente: isso também passará…

E guardemos a certeza, pelas próprias dificuldades já superadas, que não há mal que dure para sempre.

O planeta Terra, semelhante a enorme embarcação, às vezes parece que vai soçobrar diante das turbulências de gigantescas ondas.

Mas isso também passará, porque Jesus está no leme dessa Nau, e segue com o olhar sereno de quem guarda a certeza de que a agitação faz parte do roteiro evolutivo da humanidade, e que um dia também passará…

Ele sabe que a Terra chegará a porto seguro, porque essa é a sua destinação.

Assim, façamos a nossa parte o melhor que pudermos, sem esmorecimento, e confiemos em Deus, aproveitando cada segundo, cada minuto que, por certo… também passarão…”

” Tudo passa……….exceto DEUS!”

É o suficiente!

Autor: Wanderson Silva
Fonte:
Vinhas da Luz

08 fevereiro 2021

Todos exultem - Joanna de Ângelis

 
TODOS EXULTEM

Segura as lágrimas que te coroam os olhos, coração amigo e devotado ao Bem.

O pranto que vertes, em decorrência das aflições que te povoam a casa emocional, sensibiliza os mentores que velam por ti.

Multiplicam-se os desafios para o cristão decidido na sua jornada redentora.

Em todo lugar defrontas problemas que testam as tuas energias e a carga dos teus valores nobres.

Todos que dizem conhecer-te em realidade ignoram quem tu és. Mesmo tu ainda não sabes o suficiente sobre ti mesmo, isto porque o vitimismo que toma conta da sociedade moderna, descomprometida com os significados éticos que sempre devem ser mantidos, aguarda ser servido em vez da vivência do dever de servir.

É sempre encantadora e agradável a postura de observador sem compromissos com a ordem, como se apenas um grupo tivesse o dever de tudo fazer em seu benefício, oferecendo-lhe o prazer de usufruir, de criticar e de justificar-lhe a inércia.

Todavia, o grupo social é constituído de membros diferentes que, de alguma forma, produzem a harmonia do conjunto.

Uma edificação exige que sejam cumpridas todas as múltiplas etapas da obra, para o resultado exitoso.

Há lugar nela para todos que mourejam no processo de evolução da sociedade.

Nesse sentido, há diferentes tipos de realizações, sem lugar para frívolos e ociosos.

A Terra é madre gentil que enseja a todos seus filhos oportunidades para embelezá-la e trabalhá-la nas imperfeições que ainda fazem parte da sua condição de mundo de provas e de expiações.

Felizmente, compreendes que te cabem altas responsabilidades, aquelas que dizem respeito às ações edificantes.

Desse modo, não te permitas magoar-te com aqueloutros que não te compreendem e geram embaraços para os teus pés caminheiros.

Enxuga o suor da face a abre-a num sorriso de júbilo por te encontrares a serviço da verdade.

Não há ninguém que atravesse um terreno pantanoso e não experimente preocupações com a própria delicada marcha.

Alguns não se encorajam a avançar, outros tombam a caminho do objetivo, mais alguns apresentam-se cansados e reclamam...

Sê tu aquele que avança, mesmo que o lodaçal se apresente volumoso e ameaçador.

Elegeste a porta estreita apresentada por Jesus.

A larga tem desvios, atrações que atrasam o avanço e, não poucas vezes, inebria o viandante que a aprecia, aí ficando retido, em meio ao compromisso da viagem interrompida.

***

Desde quando compreendeste que a função da oportunidade reencarnacionista é a de conquistar os recursos que antes foram malbaratados, tomaste a decisão de reabilitar-te.

Este é um compromisso firmado antes da reencarnação, quando foram estabelecidos os programas do teu processo de evolução.

Débitos e créditos foram examinados e o processo de resgate ficou estabelecido, em forma de bênção em favor do teu progresso espiritual.

Torna-se necessária a convicção de que há tempos para ensementar, assim como para colher.

Mantém o ideal de que, por mais longa pareça a via crucis, a meta será o teu lugar de repouso das aflições. Até lá, entretanto, deverás sorver a taça da amarga substância do resgate com alegria e sentimentos outros de paz pelo bem que decorrerá desse processo.

Para que te mantenhas em segurança evita as facilidades traiçoeiras, aquelas que iludem com promessas de vias comunicadoras mais brandas de serem percorridas.

Enfrenta, portanto, os obstáculos e eles te ensinarão a vencê-los.

Não negocies nem negaceies, porque quaisquer atividades não estruturadas nas leis de Justiça e Caridade, mais complicam o quadro de reabilitação no qual te encontras.

Igualmente não te envolvas com os problemas alheios na vã ilusão de que poderás resolvê-los. Desde que tens dificuldades com aquele que te dizem respeito, necessário investir no conforto moral ao necessitado, porém, cuidar da própria e inadiável renovação.

Ajuda sem comprometer-te, sabendo que o tempo resolverá amanhã as dificuldades que a todos hoje atormentam.

Não aceites que os teus amigos ou companheiros transfiram para ti a responsabilidade dos seus atos.

O Mestre, que é o Senhor e a Sabedoria, ensinava o caminho, mas a jornada era executada por aquele que lhe buscava ajuda.

Não tomes decisões quando estejas emocionalmente alterado, sem o discernimento próprio para o desiderato, porque o resultado será sempre perturbador.

A precipitação é companheira do desastre.

Primeiro acalma-te para depois assumires o comportamento compatível com a ocorrência em pauta. O conhecimento do Espiritismo te auxiliará a entender os ditos do Senhor e, dessa forma, haurirás forças para entender e solucionar todas as questões que, afinal, te pertencem.

Exulta sempre que a dor te bater à porta, pois que estás sendo convidado à transformação moral para melhor.

***

Vê o botão da flor: quando cerrado é um enigma. Lentamente abre-se um mundo de cor, de perfume e vida então desabrocha.

Assim é a existência humana. De início enigmática para depois transformar-se num poema de triunfo e glória.

Por isso, não chores, não lamentes e confia em Deus. 


Ele te ama, exulta!

Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, em 6 de maio de 2020, na Mansão do Caminho, em Salvador, Bahia.

07 fevereiro 2021

Calma! Cada coisa a seu tempo" - Orson Peter Carrara


CALMA! CADA COISA A SEU TEMPO!

Para prevenir os efeitos sempre lamentáveis das precipitações e ansiedades desnecessárias de tudo querer explicar, de fechar questão com temas ainda geradores de dúvidas e que, naturalmente, necessitam ainda de mais aprofundamento e até do amadurecimento da consciência humana, separo o valioso trecho do item 7 – capítulo 24 – de O Evangelho Segundo o Espiritismo.

“O Espiritismo vem atualmente lançar a sua luz sobre uma porção de pontos obscuros, mas não o faz inconsideravelmente. Os Espíritos procedem, nas suas instruções, com admirável prudência. É sucessiva e gradualmente que eles têm abordado as diversas partes já conhecidas da doutrina, e é assim que as demais partes serão reveladas no futuro, à medida que chegue o momento de fazê-las sair da obscuridade. Se a houvessem apresentado completa desde o início, ela não teria sido acessível senão a um pequeno número e teria mesmo assustado aqueles que não se achavam preparados, o que seria prejudicial à sua propagação. Se os Espíritos, portanto, ainda não dizem tudo ostensivamente, não é porque a doutrina possua mistérios reservados aos privilegiados, nem que eles ponham a candeia debaixo do alqueire, mas por que cada coisa deve vir no tempo oportuno. Eles dão a cada ideia o tempo de amadurecer e se propagar, antes de apresentarem outra, e aos acontecimentos, o tempo de lhes preparar a aceitação.”

A não observância de tão clara orientação tem sido causa de muitas polêmicas dispensáveis que só o que fazem é desviar do objetivo principal. Então, calma! Cada coisa vem mesmo a seu tempo. Isso não significa, dizer, em absoluto, que devemos cruzar os braços. Não! A pesquisa, o estudo, continuam!

Por Orson Peter Carrara

06 fevereiro 2021

Espírita diz “descanse em paz?” - Orleide Felix de Matos

 
ESPÍRITA DIZ "DESCANSE EM PAZ"?

Estudando os livros de Kardec, em especial O Livro dos Espíritos, aprende-se que existem diversas leis, dentre as quais a lei do progresso e a lei do trabalho.

Diferente de outras religiões cristãs, o Espiritismo ensina que o espírito não fica a esperar o juízo final, mas que trabalha e estuda conforme sua condição espiritual. Os espíritos são os executores das leis de Deus e com isso tornam-se úteis e colaboram com a própria evolução e com a evolução de outros espíritos.

O trabalho é colocado como uma fonte de bênçãos, uma oportunidade sagrada de refazimento espiritual antes e depois da desencarnação. É uma terapia para doenças do espírito, pois ajuda na renovação de pensamentos, no desfocar de problemas e no crescimento espiritual.
O trabalho voluntário possibilita o exercício de doação, de desprendimento, de anulação do egoísmo.

O trabalho foi colocado como algo desagradável, fonte de sofrimento e como um castigo, quando segundo a história de Adão e Eva contida na Bíblia, depois de pecar, Adão foi obrigado por Deus a obter seu sustento através do trabalho. E hoje em dia, a segunda-feira para muitos tem o peso de ir para o matadouro.

Dessa forma, depois de passarem anos de sofrimento obrigatório, as pessoas esperam o descanso eterno após a morte física, o “doce fazer nada”, já que o trabalho foi um peso e um castigo durante toda a sua vida. E o descanso tornou-se o momento mais esperado após a desencarnação. Porém, nem sempre esse descanso vem como prêmio esperado, já que o espírito muitas vezes passa por períodos de perturbação após o desenlace.

E o “descansou” brota de muitos lábios como um prêmio para uma vida de sacrifícios, de lutas ou de doenças, um troféu de liberdade.

O espírita, porém, conhece as leis do trabalho e do progresso e sabe que são leis divinas às quais todos estão submetidos. Sabe que o progresso não pode ser detido, mas algumas vezes entravado e que um dia o espírito preguiçoso ou rebelde será golpeado pela roda do progresso e deverá obrigatoriamente sair da inércia voluntária e trabalhar pelo seu crescimento espiritual.

Assim, sabendo que o trabalho e o progresso são leis divinas e que o espírito trabalha, a frase melhor adaptada levando em conta o conhecimento dessas leis deve ser “trabalhe e progrida em paz”.

Orleide Félix de Matos
Fonte:
Agenda Espírita Brasil


05 fevereiro 2021

Regeneração - Adriana Machado



 
REGENERAÇÃO 
 

REGENERAÇÃO: ATO DIÁRIO DE QUEM MUITO SE AMA

Percebo que todos os dias podemos nos dar mais uma oportunidade de irmos além de nossa própria concepção sobre nós mesmos. Todos os dias podemos nos dar mais uma chance para irmos além dos nossos sonhos mais secretos. Todos os dias acordamos e podemos escolher o que faremos de melhor. Este é o ato mais profundo de amor pela nossa própria regeneração.

ESCOLHER NOS REGENERAR

Esse verbo é fantástico! Ele significa tudo o que Deus deseja de nós.

Quando o usamos na concepção de aplicá-lo em nós, significa: nos gerar ou nos produzir novamente; formarmo-nos de novo; darmo-nos nova vida, nos revivificarmos.

Para tanto, precisamos nos enxergar como engenheiros de nossas vivências, responsáveis por nossos caminhos, porque senão, não há como agirmos em nossa regeneração.

Observem o nosso planeta: ele está em plena fase de regeneração. Está agindo e reagindo para que o equilíbrio se restabeleça, porque muito já foi e ainda está sendo feito de errado em seu ventre. Agora, como um ato de amor, toda a natureza está agindo para que o planeta se revivifique, mesmo que para isso venham as tormentas que parecem bagunçar tudo, mas que ao final somente estão promovendo o futuro equilíbrio de todo o ecossistema.

TORMENTAS REGENERATIVAS

Se, na natureza, que tudo segue um padrão dinâmico e estável, as ferramentas utilizadas podem ser abrutalhadas (tempestades, maremotos, terremotos...) para se voltar ao equilíbrio, como seria em nós que, na menor dificuldade, lutamos contra as correntezas sábias da vida?

Quantas vezes, acordamos não aceitando o que estamos vivendo, sem percebermos o quanto cada experiência está nos levando a uma maturidade e enriquecimento de alma que nos alçarão para mais além de nossas próprias dores temporárias desta vida encarnada?

MAS NÃO É FÁCIL

Sei que não é fácil. Estou no mesmo barco que todos.

Se, em minha vivência, vier as tempestades que todos temem, eu também naufragarei em muitas delas. Mas o que tenho como proposta de vida é, posso naufragar, mas não me deixarei afogar. Posso perder o barco; ele pode até se estraçalhar nas pedras, mas eu lutarei até o último ar que tiver em meus pulmões para que eu não me afogue em meus sofrimentos desenfreados.

As tempestades vêm, mas a bonança que estava antes voltará logo depois delas.

CERTEZA DO AMOR DE DEUS

Acreditar nisso é treinarmos a nossa confiança no Pai de que tudo poderá ser muito difícil, mas nada será impossível para um filho Dele.

Todas as experiências são enriquecedoras, mas, além de dolorosas, elas podem ser muito felizes. Isso já é algo a considerar.

Na nossa regeneração diária, vivenciaremos momentos árduos, penosos, mas outros serão de plenitude conosco e com Deus.

Se pararmos de dar atenção somente às circunstâncias que nos incomodam, valorizemos todas as oportunidades que vêm com elas, onde ao enfrentarmos as tormentas, entenderemos que, por vezes, sairemos delas sem um arranhão, mas em outras não conseguiremos superá-las e naufragaremos. A certeza do amor do Pai por nós é que, sobreviveremos a cada prova e sairemos mais experientes para novas oportunidades edificantes.

Assim, valorizando cada experiência nossa, enxergaremos e nos agarraremos aos detritos de nosso barco despedaçado e flutuaremos para longe do temporal.

Já pararam para pensar que muitos dos sobreviventes são aqueles que se agarram a algo que caiu de seu barco? Aqueles que não estão prestando atenção, verão o seu barco ir para longe sem se esforçarem para resgatá-lo e, se sentirão afogar pelo cansaço de se manter flutuando nas ondas altas e fortes do oceano.

Assim, precisamos estar atentos, para termos olhos de ver e ouvidos de ouvir, e compreendermos que as tábuas de salvação vieram de nós em nossas próprias tempestades.

MAS, POR QUE TEMOS DE ENFRENTAR TAIS TEMPORAIS?

Ora, se vivemos em meio a uma tormenta, quem nos colocou lá? Quem resolveu sair com o barco, sem se precaver e buscar saber como estaria as condições climáticas?

Tá bom, tá bom! Não somos marinheiros, nem precisamos saber as condições meteorológicas para evitar sair de casa e não passar aperto. Será?

Bem, primeiro preciso entender que a minha vida é uma consequência natural de minhas ações e escolhas. Preciso entender que o que vivo é um reflexo de meus pensamentos e desejos. Se não compreender e aceitar isso, não conseguirei aplicar em mim a regeneração que tanto almejo.

Colocando isso como uma verdade aceitável, começamos a entender por que muitas experiências não tiveram o resultado que desejamos: um relacionamento abusivo; um emprego mercenário...

Ora, pensem comigo: comecei a me relacionar com uma pessoa que, desde cedo, já demonstrava a sua tendência a não me valorizar como profissional, companheira... Mas, tudo o que acontecia, eu relevava, acreditando que depois, esta pessoa mudaria, seja porque veria a minha competência (no trabalho), seja porque ela me amava (vida pessoal)!

Então, o tempo passa e tudo só piora. Seja no primeiro exemplo, seja no segundo, teimo ainda em continuar acreditando que a maturidade irá fazer o seu papel, e a pessoa mudará o seu ponto de vista. Porém, nada muda e ela continua sendo alguém que não me entende, não me valoriza, que tem atitudes que não me agradam!

Quem foi que resolveu sair com o seu barco sem verificar ou acreditar nas condições climáticas que já estavam visíveis? E mesmo observando as mudanças do mar e do tempo, continuou querendo seguir em frente, sem se afastar daquele temporal ou voltar para o porto que era o local mais seguro?

São nossas escolhas que nos levam a vivenciar experiências que tendem a se agravar com o tempo porque teimamos em continuar seguindo o fluxo, mesmo enxergando a tormenta que está se formando e não querendo acreditar que ela nos alcançará.

Mas existem casos que realmente não enxergamos o temporal se formando...

ENTÃO?

Vamos cogitar essa situação: saí do porto e o sol brilhava. Tomei todas as providências devidas, tinha todas as provisões e equipamentos náuticos que me dariam condições de vivenciar a minha experiência com toda a segurança e felicidade. Será que não estamos esquecendo de algo?

Quem não sabe que estar no mar, com ou sem colete salva-vidas, é não ter onde se agarrar se tiver de abandonar o barco? Quem não sabe que o oceano pode nos surpreender com tempestades súbitas e que, mesmo com muita experiência, teremos dificuldades para enfrentá-las?... Quem não sabe que conviver com o outro é estar à mercê de suas ações e escolhas e, portanto, ter a chance de ser muito feliz, mas também se decepcionar, se frustrar...?

Só de sairmos com o nosso barco do porto já é uma escolha arriscada, porque tudo que nos rodeia foge de nosso domínio. Mas se queremos viver uma vida sem nada arriscar, podemos tentar ficar em casa e acreditar que nada nos incomodará (o que é quase impossível).

Ao escolhermos sair com o nosso barco, estamos nos colocando ativos para enfrentar as tempestades, mas também para experienciar momentos de grandes alegrias e satisfações, porque estaremos vivendo. Imagina ver a lua em pleno alto mar? As estrelas a nos direcionar para o nosso destino? Chegarmos onde queremos depois de todo o nosso esforço pessoal?

Afirmar que não sabíamos das possíveis dificuldades a serem enfrentadas na vida, não nos exime de vivenciá-las, mas, ao desejarmos vivê-las, fazemos escolhas que nos colocarão frente a experiências também muito satisfatórias.

REGENERAÇÃO: UM ATO DE AMOR

Quando chegamos ao nosso destino, seja ele o primeiro de muitos, seja ele o último daquela viagem, estamos em pleno processo de regeneração. A cada porto que atracamos o nosso barco é somente uma constatação do quanto estamos nos esforçando para progredir e, portanto, nos regenerando e crescendo, nos regenerando e nos revivificando.

Todas às noites, ao irmos dormir, estamos nos dando a oportunidade de ancorarmos o nosso barco e enxergarmos que vencemos todas as etapas de nossa viagem até ali. Felizes, podemos nos dar um tempo para recarregarmos as nossas energias e planejarmos novos destinos. Ao acordarmos, um novo dia nos é dado para que deixemos o porto e exploremos todas as nossas potencialidades, enfrentando momentos que nos farão avaliar nossa capacidade e refletir sobre como ultrapassarmos cada nova experiência.

Assim, vivenciamos um processo inteligente e divino de regeneração íntima que nos leva a termos certeza de que estamos hoje mais hábeis para dirigir a nossa embarcação do que no dia anterior e, que, se enfrentamos temporais, também aproveitamos a bonança para sentir o amor de Deus a nos guiar pelas estrelas.

Por isso, não importa quais experiências estamos vivenciando, todas elas serão sentidas por nós segundo a forma que as interpretarmos porque, seja pela dor ou pelo amor, em todas as situações a nossa busca regeneranda é o nosso mais puro ato de amor.

Adriana Machado
Fonte:
Editora Dufaux/Blog

04 fevereiro 2021

Existe em nós algo mais que matéria - Rogério Coelho


EXISTE EM NÓS ALGO MAIS QUE MATÉRIA

Aparecendo aos discípulos, nimbado de luz, Jesus disse: “paz seja convosco!” “Chegada, pois a tarde daquele dia, e cerradas as portas, pôs-Se no meio deles.” – João, 20:19

Leciona o ínclito Mestre Lionês no livro básico “A Gênese”(1): “(…) a química, que decompõe e recompõe a maior parte dos corpos inorgânicos, também conseguiu decompor os corpos orgânicos, porém, jamais chegou a reconstituir, sequer, uma folha morta, prova evidente que há nestes últimos o que quer que seja, inexistente nos outros”.

Notemos que já começamos a vislumbrar algo mais que matéria sem nem mesmo – ainda que superficialmente – cogitarmos do “princípio inteligente”.

No capítulo XI, item 6, do mesmo livro, esclarece o Mestre Lionês: “(…) as propriedades “sui generis” que se reconhecem ao princípio espiritual provam que ele tem existência própria, pois que, se sua origem estivesse na matéria, aquelas propriedades lhe faltariam. Desde que a inteligência e o pensamento não podem ser atributos da matéria, chega-se, remontando dos efeitos à causa, à conclusão de que o elemento material e o elemento espiritual são os dois princípios constitutivos do Universo”.

* Naquela tarde, “cerradas as portas”, pois os discípulos tinham medo dos judeus, após o drama do Morro da Caveira, eis que Jesus apareceu-lhes, nimbado de luz, dizendo: “paz seja convosco!”, provando, assim, que algo sobreviveu ao Seu decesso corporal…

* Testemunhamos, há alguns anos, um episódio muito interessante em nossa residência, quando hospedamos nosso querido Raul Teixeira, em visita à Zona da Mata Mineira: Ele chegou cansado e, à tarde, após o almoço, fechou-se no quarto para repousar, “mantendo cerrada a porta” enquanto eu e minha filha víamos na televisão um “tape” de uma apresentação sua de “jazz”, juntamente com as suas coleguinhas. Para não incomodar o visitante, tiramos o som da TV, de forma que só minha filha o escutava através de fone de ouvido. E as danças se sucediam…

Desligada, depois, a televisão, abre-se, mais tarde a porta, através da qual, sorridente e descansado aparece o dileto amigo. No decurso de um pequeno lanche antes da palestra ele diz para minha filha:

– “O tio viu você dançando na televisão”.

Ficamos sem entender. Como?! A porta permaneceu fechada todo o tempo em que a televisão funcionava (e ainda com o detalhe do som totalmente eliminado).

Aí Raul descreveu as cenas que se passaram, e explicou que assistiu à TV desdobrado. O Espírito emancipado pelo sono abandonou o corpo na cama, atravessou a porta fechada e postou-se em nosso meio. Declarou, então, o amigo Raul que era a primeira vez que havia assistido televisão daquela forma.

O episódio provou para todos nós (e há muito não duvidamos) que existe em nós algo mais que matéria…

Junte-se a tudo isso o testemunho de centenas de pessoas que passaram por episódios de “NDE” (Near Death Experiences), cujos relatos encontramos em livros de vários autores, como por exemplo, do Dr. Raymond Moody, “Life After Life”, do professor Dr. Michael Sabom, “A Medical Investigation”, e das exaustivas e centenas de experiências realizadas pela célebre psiquiatra suíça Drª. Elizabeth Kübler-Ross com doentes terminais, e não será difícil concluir que existe algo em nós… Algo mais que matéria palpável!…

“Veja quem tem olhos de ver, ouça quem tem ouvidos de ouvir”!

Rogério Coelho
Fonte:
Agenda Espírita Brasil

Referência:

(1) Kardec, Allan. A Gênese. 43.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2003, cap. X, itens 16 e seguintes.