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23 janeiro 2022

Guerras à Luz da Doutrina Espírita - Camila Vieira



GUERRAS À LUZ DA DOUTRINA ESPÍRITA


Quando pensamos na palavra “guerra”, é inevitável não surgir imagens de destruição, morte e sofrimento em nossa mente. Sendo a Espiritualidade a força motriz na condução da evolução dos Espíritos, definindo estratégias e caminhos rumo ao progresso espiritual, será que as guerras são necessárias para nossa progressão? As guerras são fruto do planejamento da Espiritualidade?

Antes de respondermos a estes curiosos questionamentos, importante trazermos o que O Livro dos Espíritos diz a respeito das guerras. A obra básica de Allan Kardec possui um capítulo dedicado às leis morais que regem a vida espiritual, dentre elas a “Lei de Destruição”.[1] Ora, então é da natureza do Espírito a guerra? Sim e não.

Sabemos que existem Espíritos em diferentes graus de evolução, de forma que a sintonia do Espírito o atrai para mundos mais evoluídos se estes estiverem em ascensão espiritual, e para mundos menos evoluídos caso se encontrem ainda em grau de desenvolvimento primitivo. Sabemos também que o Planeta Terra se encontra no estágio de provas e expiações, ou seja, não tão primitivo na escala de progressão, mas ainda em busca da regeneração.

As guerras ocorrem em mundos selvagens habitados por Espíritos que ainda possuem fortes laços com a matéria e as paixões, civilizações que traçam um jogo de força entre seus interesses individuais.[2] Mas a guerra tende a desaparecer na medida em que estes Espíritos evoluem e praticam as leis divinas.[3]

Assim, não é correto afirmar que a guerra é inerente à natureza do Espírito, mas sim que está presente em trajetória espiritual por um período transitório, enquanto o Espírito não desenvolve totalmente suas capacidades pautadas nas leis do Cristo. Logo, não há guerras em mundos mais evoluídos, visto que os Espíritos que lá habitam adquiriram elevação espiritual incompatíveis com eventos mais rudimentares, como as guerras.

Então as guerras são necessárias? São planejadas pela Espiritualidade?

A Espiritualidade jamais realiza planejamentos que visam prejudicar a evolução dos Espíritos, muito pelo contrário. Na medida em que um Espírito se encontra na sua forma primitiva ou em desenvolvimento, passará por provas e expiações em mundos condizentes com referido grau evolutivo. Não é razoável dizermos que a Espiritualidade programa guerras, mas sim monitora o risco da ocorrência destes eventos em mundos marcados por civilizações ainda não evoluídas, jamais os desamparando. Lembrando que todo Espírito detém o livro arbítrio, tomando as rédeas de sua caminhada evolutiva; ainda que a Espiritualidade trace rotas para a condução deste Espírito, é ele que tem controle de seus passos.

Mas então por que a Espiritualidade não evita as guerras? Os Espíritos Benfeitores bem que tentam intervir sobre aqueles que estão em vias de cometerem atos de guerra, mas, como dito, os Espíritos possuem livre arbítrio em suas decisões. Estes Espíritos contam ainda com a influência de Espíritos inferiores, que, em manobra oposta aos Benfeitores, os persuadem para a guerra.

Contudo, uma guerra não só representa destruição sob a ótica espiritual, mas também reflete restabelecimento do equilíbrio; afinal, de toda destruição haverá uma reconstrução.

Esta lógica condiz com a lei moral do progresso: os Espíritos não nascem perfeitos, eles se desenvolvem em busca da perfeição. Assim, o caos será transformado em harmonia, e o desajuste em evolução. A Espiritualidade não dorme e está em constante assistência aos Espíritos em suas caminhadas rumo à evolução moral.

Camila Vieira
Fonte: Blog Letra Espírita


Referências:

[1] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Capivari, SP: Editora EME, 2019, capítulo 6.

[2] Idem, Ibidem, pergunta 742.

[3] Idem, ibidem, pergunta 743.


10 janeiro 2022

Como o Espírito se Apresenta após o Desencarne? - Camila Vieira

 
COMO O ESPÍRITO SE APRESENTA APÓS O DESENCARNE?

Há uma infinidade de assuntos quando o tema é desencarne dos Espíritos, conteúdo inclusive que gera muita curiosidade em todos. No artigo de hoje vamos explorar um pouquinho sobre como o Espírito se apresenta após o seu desencarne. O desencarne acontece de forma imediata? O espírito mantém a mesma aparência de quando encarnado? As memórias das outras vidas voltam?

Primeiro, é importante entender o que é o desencarne. Consiste no desligamento dos laços que ligam o corpo físico terreno ao Espírito. Sabemos que diferentemente do Espírito, que é infinito, o corpo físico é um envoltório material com prazo de validade. Após a morte do corpo físico o Espírito continua a perpetuar suas existências independentemente de estar em um corpo físico.[1]

O desligamento do corpo físico com o desencarne não é imediato, há processos físicos e espirituais necessários para tanto. Não há um tempo específico, mas é certo que a forma que se dá o desencarne e o nível de evolução influenciam no tempo que o Espírito leva para concluir seu desligamento, sendo que desencarnes mais abruptos, como por morte violenta, suicídio e acidente, bem como espíritos menos evoluídos, demoram mais tempo no processo de desenlace.[2]

Questionado se o processo de desencarne é doloroso, Kardec nos responde que não, as vivências do Espírito ainda encarnado são mais penosas[3]. Contudo, por se tratar de um processo gradual[4], é muito comum que os Espíritos demorem a tomar consciência que houve o desencarne, gerando inclusive muita perturbação e inconformismo. [5] É comum que Espíritos nesta condição de revolta mantenham-se grudados em seus corpos físicos, acompanhando o processo de decomposição, por negar-se a aceitar o desencarne.

A vida terrena gera nos Espíritos esse sentimento de pertencimento, sendo o instinto de conservação inerente ao ser humano, o que justifica essa dificuldade na transição do plano físico para o plano espiritual.

É comum que familiares já desencarnados e Espíritos Superiores recebam o Espírito recém desencarnado como forma de acolhimento[6]. Inclusive, mesmo durante o processo de desencarne, o Espírito permanece recebendo as energias fluídicas. Assim, a sintonia dos familiares, amigos e pessoas encarnadas influencia neste processo, de forma que o inconformismo dificulta o desprendimento e o envio de boas vibrações ajuda no processo de transição e aceitação do Espírito desencarnado.

No início do processo de transição do plano terreno para o plano espiritual, os Espíritos podem sim permanecer com a aparência que assumiu na última encarnação, inclusive apresentando hábitos terrenos. Conforme dito anteriormente, trata de um processo que leva tempo.

Com o passar do tempo e com os tratamentos espirituais adequados, os Espíritos retomam a consciência e a lembrança das experiências anteriores, podendo assumir inclusive formas de encarnações anteriores que lhe são mais afetas.

Importante lembrar que a Espiritualidade acompanha integralmente todo o processo de desencarne, jamais deixando o Espírito desemparado. O acesso ao conhecimento do processo de desencarne durante a vivência terrena auxilia os Espíritos a passarem por este processo de forma mais harmoniosa, assim a importância de propagarmos os valiosos ensinamentos da Doutrina Espírita para o próximo.

Camila Vieira
Fonte: Blog Letra Espírita

Referências:

[1] Pergunta 155,a
[2] Pergunta 165
[3] KARDEC, Allan. Pergunta 154 do Livro dos Espíritos.
[4] Pergunta 155,a
[5] Pergunta 163
[6] Pergunta 160


03 janeiro 2022

Previsões, Vidência e Revelações sob o Olhar Espírita - Camila Vieira

 
PREVISÕES, VIDÊNCIA E REVELAÇÕES SOB O OLHAR ESPÍRITA

Entramos naquela típica época do ano em que as previsões para o novo ano começam a ganhar manchetes. Muitas pessoas investem em consultas com médiuns na tentativa de buscar evidências do que lhes aguarda no novo ciclo que se iniciará.

Sabemos que a Doutrina Espírita nada proíbe, isto é, um indivíduo tem o livre arbítrio para tomar suas ações e pensamentos, mas cabe uma reflexão acerca destas previsões sobre a ótica espiritual, partindo principalmente das obras básicas do Espiritismo para não nos deixarmos levar pelo sensacionalismo que muitas vezes envolve este tema tão sério.

Primeiramente, quando iniciamos uma trajetória reencarnatória, passamos pelo véu do esquecimento. Ensina Allan Kardec no livro “O que é o Espiritismo?” que para que o indivíduo evolua, é necessário que ele perca a memória das vidas passadas enquanto estiver na vida terrena. Caso contrário, acontecimentos anteriores poderiam afetar a trajetória atual de um indivíduo.

Ainda, assim, todos os indivíduos possuem o livre arbítrio, sendo que os acontecimentos da vida não são estáticos, eles variam de acordo com cada ação tomada. Ainda que um indivíduo receba uma possível previsão, ele tem total liberdade de suas ações e pensamentos, podendo inclusive mudar o curso do seu planejamento reencarnatório, tanto para o bem quanto para o mal.

Neste raciocínio, faria sentido recebermos spoilers sobre os acontecimentos que estão por vir? Significa que alguém nunca receberá uma revelação ou previsão?

Alguns indivíduos encarnam na Terra com capacidades mediúnicas mais desenvolvidas, são os chamados “médiuns ostensivos” pela Doutrina Espírita. Diferente do que muitos pensam, não se trata de pessoas privilegiadas, mas sim pessoas com tamanha responsabilidade espiritual, de forma que o uso dessas faculdades de forma que desabone os preceitos espíritas gera consequências drásticas.

A importância de uma conduta pautada pela boa-fé e comprometimento dos médiuns motivou uma obra básica da Doutrina Espírita exclusiva para o assunto, o chamado “Livro dos Médiuns”. O livro dedica um capítulo completo para o tema “Charlatanismo e Trapaça”, tecendo considerações sobre médiuns interesseiros e fraudes espíritas.

Mas como saber se estamos diante de um médium sério ou não? A resposta não é fácil de responder, não existem critérios objetivos para aplicarmos, mas sem dúvidas encontramos indícios desta resposta estudando o Espiritismo.

A mediunidade é uma faculdade nata dada para o bem e para a coletividade. A mediunidade exercida para o enriquecimento financeiro e pessoal do médium, sob uma ótica egoísta e material, é charlatanismo. Sejamos cautelosos na absorção de previsões aleatórias, sem respaldo dos preceitos espíritas constantes nas obras básicas.

Mas será que já não somos intuídos das previsões futuras? Muitas delas sim, a todo momento. Pela lei natural de causa e efeito podemos chegar em muitos acontecimentos em nossa vida, visto que toda ação gera uma reação, muitas delas previsíveis. Se levo uma alimentação nada saudável, com o passar do tempo problemas de saúde chegarão, e para tanto não é necessário ser vidente.

O estudo e o desenvolvimento da nossa conexão espiritual abrem as portas para vermos com mais clareza o norte da nossa trajetória. É o chamado estado de intuição. Estamos a todo momento sendo assistidos pela Espiritualidade, que se manifesta de variadas formas.

Também não podemos generalizar e afirmar que toda e qualquer previsão é falsa e que todos os médiuns que realizam revelações são fraudulentos. A mediunidade exercida com responsabilidade e boa-fé harmoniza a vida terrena e a vida espiritual trazendo paz, amor e caridade, jamais proporcionando interesses desvirtuados dos pilares do Espiritismo.

Por merecimento e com o aval da Espiritualidade, um indivíduo pode sim receber algum tipo de previsão, mas lembrando que se trata de exceção, e não de regra, visto que somos dotados da lei do esquecimento para o bem da nossa caminhada terrena. Lembrando ainda que o livre arbítrio pode mudar o itinerário previsto.

Que possamos concentrar nossos esforços na busca da conexão espiritual dentro de nós, estreitando os laços com a Espiritualidade Superior. Se for da vontade D´Ele, que sejamos intuídos sempre ao caminho do bem pelos Espíritos de Luz que percorrem conosco esta estrada terrena.

Camila Vieira
Fonte: Blog Letra Espírita


Referências:

KARDEC, Allan. O que é o Espiritismo. 56. ed. 1. imp. – Brasília: FEB, 2013. Disponível em:  https://www.febnet.org.br/wp-content/uploads/2014/05/o-que-e-o-espiritismo.pdf. Acesso em 26/11/21.

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. São Paulo: Petit, 2004.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. São Paulo: Petit, 1999.

 

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. São Paulo: Petit, 2004.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. São Paulo: Petit, 1999.