Total de visualizações de página

Mostrando postagens com marcador Dolores Bacelar. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dolores Bacelar. Mostrar todas as postagens

30 março 2011

A Pedra da Sabedoria - Espírito “Um jardineiro”


A PEDRA DA SABEDORIA

Quando a primavera nos envolvia em desejos vãos, dúvidas e inquietações, deixávamos a pequena aldeia onde vivíamos, à margem do grande rio, e buscávamos a sombra do olmeiro, recanto aprazível onde costumava meditar um paciente "rishi", longe do tumulto das aglomerações urbanas.

Ali nos reuníamos, os jovens da aldeia, todas as manhãs e tardes, sentados em torno do mestre para melhor aproveitar suas lições. E então, fitando seus olhos mansos, aguardávamos as histórias que sempre ele reservara para nossos ouvidos ávidos.

Assim, ensinava-nos a distinguir a verdade da mentira, o bem do mal.

Suas histórias eram simples, tinham a pureza das águas correntes. Em meu desejo de aprender, eu lhe bebia as palavras como terra sedenta sorve a água das chuvas; por isso, guardei-as todas na memória.

Por muito tempo, como sementes em um canteiro, ficaram plantadas em minha lembrança... Um dia, senti que germinavam, ansiosas de floração. Eis por que deixo que venham à luz, narrando-as agora como costumava ouvi-las à sombra do olmeiro.

- Se um homem se julga superior - disse-nos, uma tarde, o "rishi" - mas escolhe um caminho errado, antecipa seu próprio fim. Não serei eu que lhe direi: Segues um caminho errado. Como me acreditaria, se o homem se considera sábio e a mim ignorante?

Então, contou-nos a história do homem que rejeitou a pedra da Sabedoria:

- Certo homem, que se acreditava sábio, encontrou, durante uma viagem de negócios que fizera a uma cidade vizinha, um mercador astuto que comerciava com pedrarias falsas, embora as apregoasse como legitimas e puras.

Ofuscado pelo brilho mentiroso das pedras, o homem que se julgava conhecedor das coisas e das almas, na ânsia de adquirir bens conquistados pelo ouro, não pelo esforço e experiência, comprou algumas, e pagou por elas grande quantia.

De volta à sua cidade, expunha, feliz, o seu pretenso tesouro a amigos e conhecidos. Até que, certa vez, exibiu-o a um perito, e este lhe revelou, finalmente, que as gemas não passavam de pedras sem valor.

Sabendo-se ludibriado, mais ferido em seu orgulho que na boa fé, atirou fora todas as pedras, indignado, esquecido de que fora vitima da própria presunção.

Tempos depois, um outro homem, que recebera a missão de ofertar as preciosas pedras da Sabedoria, a ele confiadas por Sivã, a todos que delas necessitassem, graciosamente, como o sol oferta luz, ao saber do logro aplicado ao homem que se considerava sábio, bateu à sua porta, ao entardecer.

Quando aquele o atendeu, o emissário de Sivã apresentou-lhe na palma da mão uma de suas valiosas pedras. Ao ver a gema, que cintilava em transparências azuladas à meia luz do poente, como se conservasse toda pureza e luminosidade do dia, o homem que se considerava conhecedor das coisas e das almas não lhe deu nenhuma importância, e repeliu o visitante, esbravejando:

- Não me enganarão mais! Fora da minha porta, cúpido homem... Do meu rico dinheiro não me levarás uma só moeda de cobre.

Tranquilo, respondeu-lhe o emissário, enquanto guardava sua preciosa pedra:

- Não vim te vender um tesouro, mas sim ofertá-lo a ti. Porém o repeles.
Melhor, não saberias aproveitá-lo...

Despediu-se então o enviado de Sivã e seguiu calmamente seu caminho, a distribuir dádivas como os pássaros ofertam cânticos e as plantas suas flores...

O homem que se considerava sábio conhecedor das coisas e das almas ficou parado em sua porta, a olhar, com desprezo, o vulto do emissário que aos poucos desaparecia no noturno que procedera à tarde.

Orgulhoso, monologava:

- Ninguém mais me enganará, ninguém...

No infinito, algumas estrelas fulgiam entre flocos de nuvens...

Ao vê-las, pensou o homem:

- São pirilampos... - e fechou a porta.

Fonte: Correio Fraterno
Espírito “Um jardineiro”
Médium: Dolores Bacelar

23 maio 2009

Anjos Tutelares - Momento Espírita

Anjos Tutelares

Joana era uma garotinha de pouco mais de três anos. Em sua curta existência, já conhecera muita dor. Desde a morte de sua mãe, sentira solidão, abandono e sofrera maus tratos.

O pai, para prover o sustento familiar, necessitava viajar para longas distâncias, onde se detinha por semanas inteiras.

Logo após a viuvez, tentara se reaproximar dos sogros, para que eles cuidassem da neta.

Mas, eles, ainda feridos pelo casamento que fora a seu contragosto, sequer o quiseram receber.

Entregue a vizinhos e a mãos mercenárias, nem sempre a pequena recebia cuidados esmerados.
Por vezes, grosserias a feriam. De outras, o simples descaso.

Afagos e carinhos, somente quando o pai retornava de suas viagens. Então ela se aninhava em seu regaço e ali se demorava, rogando em seu coração infantil que aqueles momentos se eternizassem.

Contudo, breves dias passavam e eis José de novo a empreender suas viagens.

Certa tarde, em que a tristeza mais a envolvia, Joana percebeu aproximar-se do portão uma jovem mulher, de beleza invulgar e sorriso bondoso.

Atraída por aquele halo de bondade que dela se exalava, a pequena se aproximou e, sem temor, como se a conhecesse de longo curso, estendeu-lhe a mão e a acompanhou.

Atravessaram ruas, parques, jardins.

Finalmente, a gentil senhora lhe apontou um pequeno chalé, de grades brancas e muitas flores no jardim.

Sabe quem mora ali? - perguntou.

Não, foi a resposta de Joana.

São seus avós, pequena. Vá até lá, bata à porta. Quando atenderem diga apenas:"Eu sou Joana, filha da Luísa."

A menina parecia teleguiada e tudo fez, conforme lhe foi dito.

A avó, ao olhar a garota, teve um sobressalto. Era o retrato vivo de sua filha, morta há pouco mais de dois anos.

Filha que ela não via há muito mais tempo, desde que, contra a vontade dos pais se casara com um rapaz pobre e de cultura inferior à sua.

Trêmula, a velha senhora chamou o marido e logo desejou saber quem trouxera Joana até ali.
Ela insistia em afirmar que fora uma mulher, mas não sabia declinar o nome.

Então, entrando na sala, conduzida pelas mãos dos avós, emocionados, ela apontou para um quadro na parede e disse:

Foi aquela mulher que me trouxe!

E ambos reconheceram que ela apontava para o quadro da filha.

* * *

Porque desencarnam, as mães não deixam de ser anjos tutelares dos seus filhos, ainda encarnados.

De onde se encontram, assistem e velam pelos que lhes foram entregues à guarda e cuidados pela Providência Divina.

* * *

A morte não mata senão o corpo físico. A alma prossegue vivendo e, nesse mundo onde vive, alimenta os mesmos sentimentos que tinha quando ainda na carne.

A morte não destrói os sentimentos elevados, como o amor, a dedicação, a amizade.

É por isso que, em verdade, não há verdadeiros órfãos, pois os Espíritos dos que os amam os assistem de onde se encontram.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. Joaninha, do livro A canção do destino, por Espíritos diversos, psicografia de Dolores Bacelar, ed. Correio fraterno do abc.