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08 junho 2022

Espiritismo e Penas Futuras - Martins Peralva



ESPIRITISMO E PENAS FUTURAS


LE - Questão 1004: Em que se baseia a duração dos sofrimentos do culpado?
R. — No tempo necessário a que se melhore. Sendo o estado de sofrimento ou de felicidade proporcionado ao grau de purificação do Espírito, a duração e a natureza de seus sofrimentos dependem do tempo que ele gaste em melhorar-se.
Em matéria, pois, de castigos, depois da morte, reflitamos, sim, na justiça da Lei que determina realmente seja dado a cada um conforme as próprias obras. - Emmanuel



* * *


Estudaram os Espíritos minuciosamente, com Allan Kardec, o insigne e valoroso missionário da codificação, o tema “Das penas e gozos futuros”.

Surgiu, assim, com o advento do Espiritismo, numa época de intenso materialismo e de profundas transfor- mações sociais, nova era para a humanidade estonteada.


Era de esperanças e consolações.

Consolações e esperanças que nenhuma outra doutrina, além do Cristianismo, por ele revivido, conseguiram trazer à face planetária.

Com a Doutrina dos Espíritos, que desde o século passado brilha na consciência e no coração humanos, não mais a terrível concepção de um inferno absurdamente eterno, nem, os horrores de impiedoso purgatório.

E Emmanuel completa: “o Céu começará sempre em nós mesmos e o inferno tem o tamanho da rebeldia de cada um”.

Com o Espiritismo, o Amor de Deus passou a nova e sublime dimensão, alicerçada na magnanimidade.

Cada um de nós se tornou responsável pelos próprios atos.

Mensageiros de Mais Alto vieram nos falar de situações transitórias, nos círculos espirituais inferiores, destinadas aos processos de auto-retificação.

Ê possível — sinceramente o admitimos — que o ensino do inferno e do purgatório haja cumprido, nos idos da Humanidade, sua tarefa de reprimir, pelo temor, os abusos do homem, o que, no entanto, não mais se justifica, em nossos dias, quando somos convidados pela razão consciente a refletir, e, refletindo, darmos rumo ao nosso próprio destino.

Muito devemos a André Luiz no tocante a esclarecimentos sobre a vida além da morte, bem assim a outros autores, desencarnados e encarnados, cabendo-nos realçar a excelente monografia “A Crise da Morte”, de Ernesto Bozzano.

O ex-médico brasileiro, no entanto, vem transmitindo — de “Nosso Lar” a “Libertação” — farta literatura (seis notáveis livros) em que fornece segura orientação aos encarnados, que, antes, perguntavam, angustiados :

- Como será a vida do Espírito, após a morte?
- Para onde iremos e como iremos?
- O que nos estará reservado?
- O que faremos lá e o que de nós será feito?
- Haverá céu? e inferno?

Com o advento do Espiritismo — o Consolador prometido —, dissiparam-se, inteiramente, as dúvidas.

Monografias de notáveis escritores focalizam o assunto.

Os Espíritos, atentos à argúcia filosófica de Allan Kardec, respondem às indagações, em todos os detalhes.

Emmanuel estuda as diversas conceituações do inferno, referindo-se ao que, sobre ele, pensam hindus, chineses, egípcios e gregos, hebreus e persas, romanos e escandinavos, muçulmanos e vários setores da atividade cristã.

E, ao estudar tão velho quanto palpitante tema, o esclarecido Instrutor acentua: “Disse-nos o Cristo: O Reino de Deus está dentro de vós, ao que, de acordo com ele mesmo, ousamos acrescentar: e o inferno também”.

André Luiz, especialmente, servindo-se da missionária mediunidade de Francisco Cândido Xavier, tornaria mais claros, ainda, estes ensinos.

Que não há penas eternas, di-lo a Codificação.

Duvidamos, mesmo, que a idéia das penas eternas, mesmo nos círculos não-espíritas, tenha, na atualidade, sólida e convicta aceitação.

Cremos nós que entre os divulgadores das penas eternas exista, já, para uso interno, a certeza de sua irrealidade.

As leis humanas tendem a modificar-se e vão-se modificando sempre, com o objetivo, indisfarçável, de amparar o culpado.

De dar ao criminoso oportunidade não “de sofrer”, mas de “regenerar-se”, a fim de que, recuperado moral e cspiritualmente, seja reintegrado na sociedade.

Teriam de ser as leis divinas, criadas para tornar o homem feliz, inexoráveis, punitivas, cruéis, impiedosas, contrastando com a tolerante flexibilidade das leis dos homens! . . .

Em regiões sombrias do mundo espiritual, próximas à crosta terráquea, localizam-se, efetivamente, Espíritos culpados — criminosos, suicidas, hipócritas, devassos, etc. — mas “pelo tempo necessário a que se melhorem" , pois que Deus nunca “obra caprichosamente”.

De dias, semanas, meses e anos pode ser, para o culpado, o tempo de sofrimento, segundo a natureza das faltas cometidas.

Tão logo surja, porém, a bênção do arrependimento sincero, começa o Espírito a preparar-se para a etapa seguinte: a da reparação dos males que haja praticado.

Criadas pela vontade do culpado as condições de reabilitação, na Espiritualidade ou na Terra, encontram os Mensageiros de Deus recursos para instilar, em sua mente arrependida, já tocada pelo desejo de felicidade e de fuga ao desespero, elevados princípios que o levarão a soerguer-se, confiante, do báratro escuro para a renovação luminosa.

É profundamente humana a mensagem que o Espiritismo trouxe à Humanidade.

Confortador é o ensino por ele trazido a todos os homens que lhe dediquem alguns momentos de atenção, buscando conhecer-lhe as sublimes verdades.

Nada, portanto, de inferno, nem de purgatório, com suas penas eternas e seus terríveis efeitos.

A Doutrina Espírita preconiza, como realidade espiritual depois da morte, regiões de sofrimento transitório, criadas pelas mentes culpadas, cuja duração estará na razão inversa do esforço do culpado para readaptar-se ao Bem, jamais condicionada ao cruel arbítrio de inexoráveis leis que o banissem das planícies da alegria e da esperança renovadora, para lançá-lo nos ignescentes labirintos do eterno desespero...

Martins Peralva
Livro: Pensamento de Emmanuel - 38


25 maio 2022

Renovação e Entendimento - Martins Peralva

 
RENOVAÇÃO E ENTENDIMENTO

LE - Questão 838: Será respeitável toda e qualquer crença, ainda quando notoriamente falsa?
R. - Toda crença é respeitável, quando sincera e conducente à prática do bem. Condenáveis são as crenças que conduzem ao mal.

Importa reconhecer que renovação e entendimento são cultiváveis no solo da alma, como acontece a qualquer vegetal nobre que não prescinde da cuidadosa atenção do agricultor. - Emmanuel

* * *

Em complementação ao que asseveraram os Espíritos no século passado, quando organizavam, com Allan Kardec, a Codificação Espírita, erguendo-lhe a estrutura filosófico-científico-religiosa, lembremos observação de André Luiz, em nossos dias, de que se acham em perigo os irmãos "que pretendem transformar o próximo, de um dia para outro, a golpes verbais".

Realmente, não é fácil a prática, simples e pura, desvestida de qualquer roupagem simbólica, do Espiritismo.

Nem a completa transformação moral do homem de uma hora para outra.

No que toca ao problema da prática espírita, convém recordar que a grande maioria dos que se agregam às fileiras de luz da Doutrina dos Espíritos guarda distorções e vícios acumulados em longa vivência noutras confissões religiosas, mescladas de estranhas fórmulas.

No que diz respeito à transformação moral, de uma noite para o dia, não pode, igualmente, corrigir o homem imperfeições e hábitos sedimentados durante milênios de milênios.

Emmanuel, em harmonia com Allan Kardec e confirmando o pronunciamento de André Luiz, traz-nos, também, sua luminosa e respeitável opinião, advertindo que o ser humano recolhe e retém da verdade uma parcela que corresponde, invariavelmente, ao seu próprio entendimento.

Mente nenhuma renova-se a golpes de força.

Mesmo o sofrimento, moral ou físico, doutrinariamente considerado elemento purificador da alma, trabalha, exaustivamente, na intimidade do ser, operando-lhe, em silêncio, a renovação espiritual.

Eis por que "importa reconhecer que renovação e entendimento são cultiváveis no solo da alma, como acontece a qualquer vegetal nobre que não prescinde da cuidadosa atenção do agricultor".

Aceitando essa tese, sábia e benevolente, tornar-nos-emos mais tolerantes, mais compreensivos, melhor ajudando os que lutam na retaguarda das conquistas edificantes.

Seremos mais caridosos para com aqueles que se não libertaram, ainda, de certas fraquezas, ou não superaram, embora o desejem, determinadas formas de práticas religiosas, uma vez que tal superação depende, essencialmente, do fator tempo, sustentado por uma vontade firme.

Nossos vícios religiosos, nossos hábitos pessoais vêm de longe, da noite fuliginosa dos milênios que se foram, assinalando experiências que se alicerçaram no fanatismo e na crueldade.

Da compreensão superior nasce, obviamente, o sentimento de integral respeito à sinceridade com que tais criaturas abraçam aquilo que lhes parece o caminho certo, aquilo que lhes repleta de esperanças o espírito.

As Entidades codificadoras, no trabalho com Allan Kardec, o incomparável missionário, foram claras a respeito deste assunto, declarando não ser lícito a ninguém escandalizar, com sua crença, um outro "que não pensa como ele", assegurando: "Isso é faltar com a caridade e atentar contra a liberdade de pensamento".

É natural que esta ou aquela crença perderá sua respeitabilidade se conducente ao mal, embora se deva descontar, em harmonia com a premissa destas considerações, o atraso mental, a obliteração cultural dos que a ela consagram seu tempo, sua atividade, seu idealismo, suas energias.

Aos espíritas, por conseguinte a todos nós, cabe, especialmente, difundir os princípios doutrinários, os preceitos evangélicos, as normas edificantes, para que, à maneira de abençoada chuva, fertilizem, com a luz do amor e o orvalho do esclarecimento, consciências que dormitam, ou, simplesmente, começam a despertar, atordoadas, para superiores programas de elevação.

Admitem os Espíritos, convém acentuar, possamos reprimir atos que causem perturbações à sociedade. "A crença íntima, no entanto, é inacessível", advertem eles. O gesto de o espírita, ou qualquer outra pessoa simplesmente educada, tolerar, pela compreensão cristã, a crença de quantos viajam pelas estradas terrestres, integrando a numerosa e diversificada, moral e culturalmente, caravana dos Espíritos necessitados, é, além de simpático, profundamente humano.

Pudéssemos computar os benefícios que a difusão espírita, dentro e fora do Brasil, tem proporcionado a milhões de consciências indiferentes ou recalcitrantes, sofridas ou cruéis, verificaríamos, perplexos, o acerto dos Espíritos Superiores no preconizarem a tolerância construtiva, acerto que muitos encarnados já incorporaram à própria vida no plano físico, aceitando-o por norma de ação evangelizadora.

Repletaríamos nossas almas das mais santas alegrias ante a paisagem de almas que se redimiram pela força do amor, que "cobre a multidão de pecados".

Nunca desanimaríamos, por mais reinem a incompreensão e o desajuste, por mais se acendam os estopins da intolerância, no abençoado esforço de tornar claros, pela expansão do bem e pela criteriosa divulgação evangélico-doutrinária, caminhos religiosos ou confusos atalhos trilhados por nossos companheiros de romagem evolutiva.

Aconselham os Espíritos a melhor forma de auxiliarmos os que cristalizaram mentes e consciências no mal: ensiná-los com amor e perseverança, servindo-nos "da brandura e da persuasão e não da força". E preceituam: "A convicção não se impõe".

Temos imenso campo a trabalhar.

Fabulosa lavoura espera a nossa iniciativa.

Há muita coisa a fazer, no que se relaciona com o bem.

O progresso, sob o inelutável impulso da lei, aguarda-nos o concurso.

Os ideais de fraternidade luminosamente exemplificados pelo Mestre dos mestres requisitam definitiva implantação junto à humanidade..

Leiras enormes solicitam-nos adubo e semente.

Amparo à infância e à juventude, afeiçoando-lhes inteligências e corações aos princípios renovadores do Evangelho, revividos pela Doutrina dos Espíritos.

Ajuda aos necessitados do corpo, na administração do remédio, na doação do vestuário e do alimento, a fim de que materializemos, em nome da Terceira Revelação, as normas que assinalaram, nas cercanias de Jerusalém, com Pedro, Jeziel e outros, as santificantes atividades dos "homens do Caminho".

Serviços mediúnicos, em harmonia com a pureza da Codificação, em favor dos desequilibrados dos planos espiritual e material.

Explanações simples e convincentes, nas reuniões normais das nossas Casas de fé espírita, sobre temas doutrinários que se relacionem, sobretudo, com problemas comuns a todos nós, almas encarnadas em busca de redenção.

Culto do Evangelho na intimidade do lar, segundo a interpretação espírita, a fim de que plasme nas mentes infantis, desde cedo, os princípios do amor e da sabedoria, que lhes modelarão o caráter para as dolorosas porfias da existência.

Uma série infinita de tarefas, realizadas com alma e coração, em favor da imensa família humana de que fazemos parte, em trânsito para a luz, no entendimento maior.

Martins Peralva
Livro: O Pensamento de Emmanuel - 31


15 maio 2022

Casamento e Sexo - Martins Peralva


CASAMENTO E SEXO

LE - Questão 695: Será contrário à lei da Natureza o casamento, isto é, a união permanente de dois seres?
R. - É um progresso na marcha da Humanidade.


O casamento ou a união permanente de dois seres, como é óbvio, implica o regime de vivência pelo qual duas criaturas se confiam uma à outra, no campo da assistência mútua. - Emmanuel

* * *

Allan Kardec suscitou o problema.

Os Espíritos deram-lhe, na época, adequada resposta.

Emmanuel, em nossos dias, disserta com segurança sobre o problema, atualizando conceitos.

Casamento é compromisso e compromisso gera, evidentemente, responsabilidade.

Pelo reencontro de almas, que se endividaram entre si, casamento é, sobretudo, ensejo de reabilitação e progresso.

No matrimônio autêntico, em que predominem, essencialmente, princípios de afinidade superior, unem-se, em geral, ideais e sentimentos, Sobrevindo, por lógica decorrência, a união dos corpos.

A destinação da esmagadora maioria dos seres humanos há de ser, por sem dúvida, o casamento, a união permanente, através do qual "duas criaturas se confiam uma à outra, no campo da assistência mútua", conforme definição de Emmanuel em "Vida e Sexo".

As páginas de Emmanuel e André Luiz, queridos benfeitores de todos nós, têm-nos fornecido valiosos conhecimentos em torno do binômio "casamento-sexo".

O estudo do casamento relaciona-se, sem dúvida, com a análise do sexo. Impossível será dissociá-los, seja qual seja o ângulo a examinar, num e noutro, pois casamento e sexo interligam-se de maneira inelutável.

O Instrutor Alexandre, em "Missionários da Luz", livro ditado por André Luiz, adverte-nos de que "o uso respeitável dos patrimônios da vida" constitui, na problemática do casamento, "programa de elevação".

Os impulsos biológicos, que determinam manifestações de natureza especificamente sexuais, são criação de Deus, Nosso Pai.

Abençoada criação, fruto de leis sábias e justas, que o homem não desconsiderará impunemente, tendo em vista a sublimidade de seus objetivos, uma vez que as reencarnações, sejam missionárias ou provacionais, realizam-se, na Terra, graças, exclusivamente, às permutas afetivas, no campo do entendimento sexual.

Impossível seria em nosso mundo, é bem de ver, a corporificação dos Espíritos, para os esforços evolutivos, sem a realidade do encontro entre dois seres de sexos opostos, eis que, pela combinação dos recursos genéticos, masculinos e femininos, é que se organizam, no Plano Terrestre, as formas físicas.

Emmanuel, no livro "Pão Nosso", recorda-nos, em frase que mais parece um poema do céu, que "o sexo fez o lar e criou o nome de mãe".

Considerando, pois, os fundamentos, as manifestações e os objetivos do sexo, realmente sagrados em face de Deus, da Vida, do Homem e da Consciência, conclui-se que o casamento se impõe por elemento de equilíbrio moral da sociedade, para que se evitem deslizes e excessos que se refletirão, inevitavelmente, no destino dos seres, segundo as Leis de Causa e Efeito, que definem responsabilidades e cominam reparações.

"Mas - assevera o Codificador - na união dos sexos, a par da lei divina material, comum a todos os seres vivos, há outra lei divina, imutável como todas as leis de Deus, exclusivamente moral: a lei do amor".

No Plano Físico, onde somos chamados a evoluir, a união dos corpos é, naturalmente, o único recurso para que se efetivem os renascimentos, cabendo a nós outros, apenas, atentarmos para a notável advertência de Emmanuel, em "O Consolador", de que, "ao invés da educação sexual, pela satisfação dos instintos, é imprescindível que os homens eduquem sua alma para a compreensão sagrada do sexo".

Sem a permuta sexual, a reencarnação seria impossível.

O comparecimento de almas nobilitadas, na paisagem terrestre, para as grandes realizações da cultura e do sentimento, depende, obviamente, do processo reencarnatório.

O reingresso de almas medianamente evolvidas, nas correntes da vida física, também depende da reencarnação.

Espíritos infernizados no ódio e na crueldade encontram na bênção do recomeço a grande oportunidade de, no cadinho purificador do sofrimento, redimirem-se do pretérito.

Só há vida humana, em nosso orbe, porque existe a reencarnação. E a reencarnação existe, em última análise, porque vigem as uniões físicas, que modelam as formas - templos onde habitam, transitoriamente, as almas.

Lembra, ainda, nosso admirável Emmanuel, que a união permanente de dois seres "reflete as Leis Divinas", em seu contexto de perfeição e sabedoria, o que dá a tais uniões sentido de grandeza e respeitabilidade.

A Doutrina dos Espíritos, com Allan Kardec, seu eminente codificador, fornece aos casais meios para que o problema sexual lhes não seja indução à queda moral.

O mestre lionês valoriza o casamento que, para ele, "constitui um dos primeiros atos de progresso nas sociedades humanas, porque estabelece a solidariedade fraterna e se observa entre todos os povos, se bem que em condições diversas. A abolição do casamento seria, pois, regredir à infância da humanidade e colocaria o homem abaixo mesmo de certos animais que lhe dão o exemplo de uniões constantes".

O pensamento de Jesus Cristo, magistralmente interpretado por Emmanuel e por ele ajustado às necessidades hodiernas, dá aos casais de nossos dias, que se podem abeberar, venturosamente, nas fontes de luz do Espiritismo, recursos para que o problema sexual lhes seja de cogitação secundária, com prevalência, nas uniões esponsalícias, dos imperativos do carinho e da bondade, da compreensão e do amparo, do respeito e da permuta afetiva, em bases de edificação.

Casais que orientam a vida conjugal, no que toca à coexistência íntima, segundo os padrões do amor que ultrapassa as fronteiras do interesse corporal, que se põe acima do desejo e da posse, exercitam, no dia-a-dia de santificantes renúncias, valores eternos que engrandecem corações em trânsito para o Supremo Bem.

Espiritismo e Evangelho contribuem, assim, de maneira inigualável, para que os alicerces do instituto do matrimônio se consolidem na esfera terrestre e se prolonguem nos Planos Espirituais, por ensinarem que as ligações humanas respeitáveis objetivam, em princípio, redimir almas.

Jesus e Kardec oferecem aos lares do mundo expressões de paciência e humildade, ternura e esclarecimento, capazes de, no clima do dever bem cumprido, muita vez ao preço de renovados sacrifícios, fortalecerem os compromissos do matrimônio.

Se todos os seres que se consorciam na Terra tivessem a vivência preconizada por Emmanuel, quando assegura que, no futuro, "as ligações afetivas obedecerão a princípios de afinidade inelutável" - tudo estaria muito bem.

Acontece, no entanto, que a grande maioria dos matrimônios terrenos caracteriza-se pela feição eminentemente reajustadora, comprovando, de maneira insofismável, a condição da Terra, de orbe expiatório e provacional.

Almas que se desavieram, ou se acumpliciaram no passado, em eventos infelizes, reúnem-se, na atualidade, pelos vínculos do casamento, necessitadas da tolerância mútua.

Kardec e Emmanuel, sob o pálio abençoado do Cristianismo Redivivo, ajudam, pelo esclarecimento nobre, essas almas a triunfarem, hoje ou amanhã, da prova redentora, descortinando-lhes as fecundas praias da harmonia e da felicidade.

Martins Peralva
Livro: O Pensamento de Emmanuel - 27

08 maio 2022

Atividade Espiritual - Martins Peralva

 
ATIVIDADE ESPIRITUAL

LE - Questão 401: Durante o sono, a alma repousa como o corpo?
R. - Não, o Espírito jamais está inativo.


Nos círculos mais elevados do Espírito, o trabalho não é imposto. A criatura consciente da verdade compreende que a ação no bem é ajustamento às leis de Deus e a ela se rende por livre vontade. - Emmanuel

* * *

Incessante é a atividade do Espírito, seja na vigília, seja durante o sono.

Habituados, sempre, a examinar os problemas em função das leis conhecidas, atuantes na esfera fisiológica, os menos afeitos aos temas espíritas encontram dificuldade em compreender não tenha a alma necessidade de repouso.

Levemos em conta, no estudo do assunto, o trinômio "Espírito-Perispírito-Corpo", para que se facilite nosso entendimento.

Para o corpo o descanso é imperativo, objetivando o refazimento da estrutura celular, cujo desgaste, naturalmente, provoca a exaustão, o enfraquecimento orgânico.

O perispírito, igualmente, por refletir, nas almas pouco evoluídas, o condicionamento a impressões e sensações de natureza fisiológica, acusa reações de cansaço e aflição, de dor e sofrimento, consoante observamos nas sessões mediúnicas, ao se comunicarem entidades ainda ligadas, mentalmente, ao veículo corpóreo. Além da referência dos Espíritos a Allan Kardec, a literatura de André Luiz comprova a necessidade do "descanso perispiritual", que se reflete, inclusive, em sua densidade e coloração.

O Espírito, a centelha divina, o elemento inteligente, incorpóreo, não repousa, não dorme, segundo os atuais conhecimentos doutrinários.

Tão logo entorpece o corpo, pelo sono, afasta-se o Espírito e demanda regiões do seu agrado, de sua preferência, para o desempenho de atividades peculiares ao seu estado evolutivo, o qual lhe dita os gostos.

Assegurando que O ESPIRITO JAMAIS ESTA INATIVO, a Codificação complementa o ensino:

"Durante o sono, afrouxam-se os laços que o prendem ao corpo e, não precisando este então da sua presença, ele se lança pelo espaço e entra em relação mais direta com os outros Espíritos".

Os sonhos - dizem os Amigos de Mais Alto - comprovam a liberdade e atuação do ser, enquanto dorme o homem.

Quantos encontros, à noite, realiza nossa alma com amigos e desafetos, com entidades inferiorizadas ou com almas superiores, causando-nos alegria ou tristeza, segundo for o caso, provocando um despertar suave e esperançoso, inquieto ou sufocante!

Os pesadelos - abstraindo-nos, é bem verdade, dos arrolados pela Medicina, e que se verificam por anomalias fisiológicas, envolvendo perturbações digestivas -, são, sob o ponto de vista espírita, o resultado de desagradáveis encontros com adversários, encarnados ou desencarnados, que nos atacam, que conosco duelam.

Leia-se André Luiz, entidade que não cessa de estudar, no plano espiritual, e de transmitir-nos o que vai aprendendo, e ter-se-á conhecimento de tudo isto.

Encontros felizes, reuniões encantadoras, aulas edificantes, tertúlias plenas de amor, dos quais guardamos, algumas vezes, clara recordação, realizam-se durante o sono, além da vida orgânica, em prolongamento das experiências diuturnas.

Problemas aparentemente insolúveis, no quadro dos argumentos e providências simplesmente humanos, são equacionados, via de regra, na Espiritualidade, no contato com almas generosas e amigas, que, dotadas de mais ampla visão, experientes e sábias, vislumbram ângulos e implicações que nos escapam, aqui no plano terrestre, onde mais limitadas são as nossas percepções.

A vida real é a espiritual.

A imersão da Alma no corpo de carne representa, apenas, a necessidade do comparecimento do viajor da eternidade ao cenário do mundo, no cumprimento de missão, de provas ou no resgate de enganos que lhe comprometeram a felicidade e o equilíbrio.

O Espírito movimenta-se, trabalha, atua e age enquanto dormem os sentidos físicos, muito mais do que imaginar se possa.

Durante o sono, apenas o consciente adormece.

Liberta-se o inconsciente, pelo afrouxamento da "vigília".

Os sonhos premonitórios e uma série de outros fenômenos psicológicos evidenciam, de maneira incontestável, a atividade do Espírito durante o sono, aglomerando fatos do passado e do presente e aspirações futuras.

Examinando o problema dos sonhos, no capítulo da atividade espiritual, consideramos oportuno recorrer, mais uma vez, à obra extraordinária de André Luiz - "No Mundo Maior", explanação de Calderaro, no capítulo "Casa Mental" -, para melhor entendimento da mecânica dos sonhos, em sua profunda complexidade, tendo em vista as naturais reações psicológicas do homem fisicamente adormecido, mas com o Espírito em plena atividade.

Eis o que nos diz o categorizado Instrutor:

"Não podemos dizer que possuímos três cérebros simultaneamente. Temos apenas um que, porém, se divide em três regiões distintas. Tomemo-lo como se fora um castelo de três andares."

Nossa visualização gráfica:

Casa Mental:

SUPERCONSCIENTE = Casa das noções superiores
CONSCIENTE = Domicílio das conquistas presentes
SUBCONSCIENTE = Residência dos impulsos automáticos.

Classificando, desta maneira, nos três andares do "prédio", o superconsciente, o consciente e o subconsciente, complementaríamos ainda - porque nosso propósito é tornar compreensivo o assunto - a elucidação, já suficientemente clara e lógica, porque sobretudo singela, com mais um esquema:

SUPERCONSCIENTE = Idealismo Superior = FUTURO
CONSCIENTE = Conquistas atuais = PRESENTE
SUBCONSCIENTE = Síntese dos serviços já realizados = PASSADO.


Lições maravilhosas são-nos ministradas à noite, enquanto repousa o corpo.

Experiências valiosas são-nos transmitidas enquanto passam, tranqüilas, as horas noturnas.

Oportunos avisos são-nos dados enquanto dormimos.

Muitas resoluções, tomadas durante o dia, constituem o resultado, a soma de conselhos, de orientações, de roteiros que os amigos espirituais - os "anjos da guarda" de nossos caros irmãos do catolicismo - fornecem-nos à noite, ocorrência que justifica, sem dúvida, o bem conhecido dito popular de que "a noite é boa conselheira".

Quem gosta de bons assuntos, bons assuntos procurará durante o sono.

Quem prefere bons ambientes, bons ambientes buscará, em Espírito.

A regra prevalece, é bom acentuar, em sentido inverso, indicando a predominância do Espírito nas ações humanas. Inclinações da criatura encarnada vigem no campo espiritual, no sono ou na desencarnação, não tenhamos a este respeito a menor dúvida.

Imperioso, portanto, cultivemos, aqui na Terra, tudo quanto representa amor e convicções nobres.

Indulgência para com os nossos semelhantes.

Desambição ante os valores do mundo.

Cultivo da solidariedade.

Exercitemos, na vigília, o que de melhor nos seja possível fazer, de modo não seja o sono, para nós outros, desagradável pesadelo, mas algumas horas de ventura, nas sociedades de Além-Túmulo, a garantirem, pela manhã, um suave despertar e reconfortante dia de trabalho.

O superconsciente poderia ser designado por "Região da Esperança", nela situando eminências espirituais que nos compete atingir. As intuições dos gênios e as criações dos santos significam penetrações no compartimento superconsciencial.

O consciente (zona intermediária), campo de atividade da vida presente, contém energias utilizáveis para as manifestações peculiares ao nosso "modo de ser" atual.

Vida moral equilibrada, estudos edificantes, amor evangélico, culto à verdade, etc., são recursos que, adotados na vida presente, criarão condições para que se formem os gênios e os santos.

Na zona subconsciente, situa-se a "residência de nossos impulsos automáticos". Ê a vida mecanizada, dela eclodindo impulsos que contam a nossa história pretérita.

A fim de nos mantermos equilibrados na direção do Mais Alto, devem as nossas mentes se valer das conquistas passadas, desde que nobres, na orientação do presente, que, por sua vez, deve-se amparar na luminosa esperança que flui do idealismo elevado, para que se concretizem os notáveis cometimentos do futuro - "meta superior a ser alcançada".

Martins Peralva
O Pensamento de Emmanuel - 21


21 abril 2022

Palingenesia - Martins Peralva

 
PALINGENESIA

LE - Questão 167: Qual o fim objetivado com a reencarnação?
R. - Expiação, melhoramento progressivo da Humanidade. Sem isto, onde a Justiça?

Não encomendes, pois, embaraços e aversões à loja do futuro, porque, a favor de nossa própria renovação, concede-nos o Senhor, cada manhã, o sol renascente de cada dia. - Emmanuel


* * *

O apreciador de assuntos transcendentes encontrará, em o Novo Testamento, diversas passagens em que Jesus se refere à reencarnação em termos tão claros que ninguém, em sã consciência, lhes pode atribuir ambígua interpretação.

Dentre elas, é extraordinário, a nosso ver, o formoso diálogo do Celeste Benfeitor com Nicodemos, que culmina na asserção "necessário vos é nascer de novo".

Deparou a reencarnação, em seu caminho, o que se nos afigura natural, tremendos obstáculos.

E não temos dúvidas de,que os encontrará sempre, até que se afirme, plenamente, no consenso universal, impondo-se, como já acontece esporadicamente, pelas constatações irretorquíveis.

Perquirições científicas, criteriosas, umas, apaixonadas, outras.

Obstáculos religiosos e objeções filosóficas.

Preconceitos sócio-raciais.

Barreiras humanas que ruirão, no entanto, à medida que os fatos, comprovados pela Ciência e por todos observados, desmoralizarem a negação, ridiculizarem a opo-sição por sistema, liquidarem as distorções de exegese.

Negar a lógica da reencarnação, tentando esconder-lhe as fulgurações misericordiosas, será, no porvir, tão insensato quanto negar a presença do homem na ribalta do mundo.

Ninguém pode esconder esta verdade: as idéias reencarnacionistas, por mais consentâneas com a razão, ganham terreno no pensamento humano, mercê da am-pliação dos valores culturais.

As indagações da Filosofia, as pesquisas da Ciência e as conjeturas da Religião vão conduzindo o espírito do homem para inequívocas, insofismáveis conclusões ligadas ao problema do Amor e da Justiça de Deus.

O Pai não teria nosso carinho e nossa gratidão se, para O entendermos, não nos tivessem fornecido a chave das vidas sucessivas.

Conceitos clássicos, a respeito da Vida, do Homem e do seu destino dentro da Eternidade não podem escapar a reformulações baseadas na filosofia espírita, levando as criaturas mais aferradas às religiões tradicionalistas, ou os céticos inveterados, a meditarem, mais profundamente, sobre problemas do cotidiano que, sem a hermenêutica reencarnacionista, jamais seriam explicados.

As diversidades na paisagem humana.

As diferenciações culturais. O gênio e o idiota.

Os desequilíbrios psicofísicos.

Os seres anatomicamente bem conformados.

Os fenômenos de teratologia, perene desafio à medicina.

Os contrastes raciais. Sociais. Econômicos.

Todas essas aparentes anomalias nos conduziriam a um Deus cruel, impiedoso, frio, pior do que os homens menos justos, não existisse a reencarnação, que a tudo aclara, que a tudo toma simples.

Na mais longínqua antigüidade, encontramos o pensamento reencarnacionista iluminando civilizações.

Na Índia, com os Vedas, há milhares de anos. Bramanismo e Budismo dão-lhe curso glorioso.

O Egito, na opinião de muitos orientalistas, absorveu do povo hindu a civilização e a fé, incorporando ao seu patrimônio cultural a pluralidade das existências.

Na Grécia, a par dos poemas órficos, Platão, o amado discípulo de Sócrates, conclama: "Almas divinas! Entrai em corpos mortais; ide começar uma nova carreira. Eis aqui todos os destinos da vida. Escolhei livremente; a escolha é irrevogável. Se for má, não acuseis por isso a Deus". Nele encontramos, ainda, o "aprender é recordar", evidente alusão às vidas preexistentes.

Na Gália, com os druidas.

No Cristianismo e, mais tarde, nas mais notáveis figuras do Catolicismo: Agostinho, Gregório de Nice, Clemente de Alexandria, Orígenes e outros.

Em todos, a Lei sábia, equânime, infalível, plenificada de Amor e Justiça Incorruptível, nas oportunidades de redenção e aperfeiçoamento.

Vem, pois, a reencarnação, de muito longe, no tempo e no espaço.

De muito longe, qual viajor incansável, consciente, a excursionar de maneira estupenda, imbatível, desafiando os temporais do preconceito e diluindo as sombras da intolerância.

O Espiritismo, desenvolvendo, em nossos dias, as idéias contidas em "O Evangelho segundo o Espiritismo" e em "O Livro dos Espíritos", através do labor mediúnico de Francisco Cândido Xavier, faz com que o princípio reencarnacionista brilhe no coração da Humanidade, empolgue consciências, ocupe lugar de excepcional relevo nas galerias culturais e no pensamento de eminentes homens do nosso século.

A admissão de outros planetas habitados, por exemplo, cria mais um ponto de conexão entre a Ciência clássica e o ensino palingenésico, sabido como é que a evolução, para se completar, envolve conhecimentos e virtudes que num só mundo, como a Terra, ou numa só encarnação, não podem ser obtidos. É pouco tempo, mesmo que centenárias fossem todas as existências, para uma bagagem, de saber e moral, que assegure ao Espírito a condição de perfeito.

Almas que transitaram por aqui e por mundos equivalentes, realizam, atualmente, em planos estelares, fecundas experiências, aprimorando manifestações de Amor, no rumo da universalização para a qual estamos marchando, ao ritmo penoso de provas acerbas.

O consenso da maioria, em nossa época, representa atualização da tese reencarnacionista.

Indivíduos ferrenhos inclinam-se a aceitá-la por único recurso capaz de logicamente explicar o mundo e a vida, os seres e a evolução que lhes compete efetivar, ao preço de consecutivas experiências e laboriosas acumulações de ordem moral e cultural.

Para que se harmonizem Amor de Deus e fenômenos humanos, em suas múltiplas manifestações, necessária se torna a aceitação do postulado básico, pedra angular da filosofia espírita: "Necessário vos é nascer de novo", preceito evangélico que a Doutrina dos Espíritos realça, em páginas indeléveis.

Os salutares efeitos da reencarnação se fazem sentir no passo-a-passo, no dia-a-dia da existência.

Nos lares que se organizam e se sustentam nas mo-tivações reencarnacionistas, apesar da distonia de seus componentes, misericordiosamente reunidos no cadinho da vivência em comum, entre as quatro paredes de uma casa, para que se reestruture o passado.

Nos grupos de trabalho que se esforçam na com-preensão mútua, ao preço da contenção de impulsos, a fim de que obras respeitáveis não sofram solução de continuidade.

Fenômenos os mais surpreendentes, no campo social, reformulando estruturas antigas, aclaram-se, tão logo lhes apliquemos o prisma reencarnacionista.

Com a explicação das vidas que se interligam, neste e noutros mundos, em perfeito encadeamento, tudo se faz claro, tudo se torna simples.

Teimam alguns homens em não aceitar a reencarnação. Mas, em cada ser humano que pense com isenção, sem má-fé, nem preconceito, o imperativo é formal: re-encarnação, reencarnação...

Assim o cremos.

Por ela, o triunfo espiritual de todos nós.

Leiamos Allan Kardec, em "O Evangelho segundo o Espiritismo": "Com a reencarnação e o progresso a que dá lugar, todos os que se amaram tornam a encontrar-se na Terra e no Espaço e juntos gravitam para Deus. Se alguns fraquejam no caminho, esses retardam o seu adiantamento e a sua felicidade, mas não há para eles perda de toda esperança. Ajudados, encorajados e amparados pelos que os amam, um dia sairão do lodaçal em que se enterraram. Com a reencarnação, finalmente, há perpétua solidariedade entre os encarnados e desencar-nados, e daí o estreitamento dos laços de afeição".

Escreve o mestre lionês, em "O Livro dos Espíritos": "Todos os Espíritos tendem para a perfeição e Deus lhes faculta os meios de alcançá-la, proporciohando-lhes as provações da vida corporal. Sua justiça, porém, lhes concede realizar, em novas existências, o que não puderam fazer ou concluir numa primeira prova".

Emmanuel concita-nos no sentido de que, entendendo a vida e os problemas a ela afetos, busquemos o farol do amor e do entendimento, do bom ânimo e da paz, da solidariedade e do amparo aos que partilham, conosco, os caminhos evolutivos: "Não encomendes, pois, embaraços e aversões à loja do futuro, porque, a favor de nossa própria renovação, concede-nos o Senhor, cada manhã, o sol renascente de cada dia".

O sentido de eternidade do Evangelho reside na própria afirmativa do Divino Mestre: "Passarão o céu e a terra, porém jamais passarão as minhas palavras".

"O Evangelho segundo o Espiritismo", como repositório das lições morais do Cristo e pelo exame que faz, em alguns capítulos, do problema reencarnacionista, desafia o tempo e sintetiza leis que se não derrogam.

Ê a própria Lei de Amor que, na Terra e em todos os mundos, rege o destino das humanidades, conduzindo o Espírito imortal às culminâncias da luz.

"O Livro dos Espíritos", condensando a filosofia do Espiritismo, oferece a chave explicativa dos aparentemente inexplicáveis fenômenos humanos.

Emmanuel, popularizando o ensino evangélico-doutrinário, supre a humanidade, em nossos dias e para o futuro, do alimento espiritual de que tanto carecemos.

O mais evidente testemunho do prestígio e atualidade desses livros é a sua preferência, pelo público brasileiro, dentre as demais obras da Codificação.

Se houvesse superação de seus ensinos; ou se fossem livros que não atendessem às profundas necessidades humanas, estariam, decerto, nas prateleiras das livrarias, desestimulando os editores e entristecendo-nos a todos.

Edições esgotam-se, vertiginosamente, tão logo entregues ao mercado, constituindo, inclusive, lisonjeiro registro quando surge a reclamação de que ambos estão em falta nas livrarias! E assim, exemplar a exemplar, ou aos montes, vão sendo postos à cabeceira de famílias e mais famílias, espíritas ou não, cultas ou apenas alfabetizadas, que lhes absorvem, sequiosas, todas as noites, como prelúdio do sono, o sublime conteúdo.

Benditas as inteligências e os corações desencarnados que os transmitiram, para as sombras da Terra, ausentando-se, temporariamente, em missão sacrificial, dos Celestes Páramos.

Nosso tributo de gratidão a Allan Kardec, valoroso missionário que os corporificou para o mundo sedento de luz.

Nosso reconhecimento, na mesma dimensão, às almas generosas e lúcidas que, pelos condutos da mediunidade sublimada, dão-lhes, em nossos dias, incontestável atualidade, possibilitando caírem sobre as pepitas luminosas das obras codificadoras lições refertas de orientação e consolo.

Nossas almas, em comovedora genuflexão, agradecem a Deus e a Jesus.

Abençoado o formoso diálogo de Jesus com Nicodemos e glória a "O Livro dos Espíritos", no dedicar opulentos capítulos à palingenesia.

Martins Peralva
Livro: O Pensamento de Emmanuel - 7


14 abril 2022

Espiritismo e Pobreza - Martins Peralva

 
ESPIRITISMO E POBREZA

LE - Questão 166: Como pode a alma, que não alcançou a perfeição durante a vida corpórea, acabar de depurar-se?
R. - Sofrendo a prova de uma nova existência.

Tendo nascido na palha, para doar-nos a glória da vida simples, expirou numa cruz pelo bem de todos, a fim de mostrar-nos o trilho da eterna ressurreição. - Emmanuel


* * *

Os hindus denominam-na "roda dos nascimentos".

Os espíritas dão-lhe o nome de "reencarnação".

Emmanuel, em linguagem expressiva e bela, aponta-a por "benção do recomeço".

Com este ou aquele nome, a volta ao corpo constitui, evidentemente, oportunidade para que o Espírito eterno corrija o passado, pelo bom proceder no presente, edificando, assim, para o futuro, a felicidade e a iluminação.

As provas terrenas são necessárias para que a alma, depurando-se no cadinho terrestre, alcance seu glorioso destino: resgatar débitos e construir a vida melhor, no Reino da Luz Imortal.

Não sendo limitado o número das existências corporais, o Espírito virá ao plano físico quantas vezes se fizerem necessárias, dando, de cada vez, "um passo para diante na senda do progresso".

Uma das provas mais difíceis é a da pobreza, quanto o é a da riqueza.

Na primeira, pode sofrer o Espírito a tentação da revolta.

Na segunda, a do abuso dos bens da vida, deturpando-lhe os augustos objetivos.

Podemos dizer que três seriam as causas gerais que levam o homem ao estado de pobreza, aqui na Terra:

a) - Prova espontaneamente solicitada.
b) - Resgates expiatórios.
c) - Efeitos do próprio livre-arbítrio, após a reencarnação.

Espíritos realmente evoluídos, ou simplesmente esclarecidos sobre a Lei de Causa e Efeito, podem solicitar a prova da pobreza, como oportunidade para o acrisolamento de qualidades ou a realização de tarefas.

Algumas vezes, o mau uso da riqueza, em precedente existência, leva o Espírito a pedir condição oposta, com o que espera ressarcir abusos cometidos e pôr-se a salvo de novas tentações, para as quais não se sinta convenientemente forte.

As provas solicitadas resultam de méritos do Espírito, que pode, inclusive, escolher ambiente social e grupo familiar para neles realizar a experiência de que se julga necessitado.

Quando não há, de sua parte, qualquer mérito, a lei dos resgates compulsórios funciona, levando-o à expiação de faltas que ficaram no Livro da Vida, as quais lhe acompanham o quadro de necessidades.

O livre-arbítrio do homem pode levá-lo à pobreza, sem que se avoquem, precedentes espirituais, causas ligadas ao pretérito.

Falta de estímulo para as lutas humanas pode conduzi-lo à miséria.

Preguiça ou irresponsabilidade são fatores que, fatalmente, o conduzirão à dificuldade material.

Desapreço aos bens da Natureza, que florescem, exuberantes, por toda parte, pode ser o responsável pelos insucessos humanos.

Estudadas, assim, as causas gerais da pobreza, que a podem converter em miséria, pelo mau uso do livre-arbítrio, analisemos, agora, as conseqüências, não da miséria, mas da pobreza digna.

Aquele que, em provação ou resgate, reencarna em condições penosas, sob o ponto de vista material, deve suportá-las resignadamente, atento aos frutos espirituais que colherá no porvir.

Um dos grandes benefícios que o homem obterá, na vivência modesta e organizada, será o fortalecimento do caráter, uma vez que uma existência laboriosa não deixa, via de regra, tempo para que desrespeite os dons da vida.

A obrigatoriedade do trabalho, mantendo-o, incessantemente, ligado a compromissos irreversíveis, na esfera profissional, sedimentar-lhe-á as boas qualidades.

Suportando, resignada e confiantemente, a pobreza honrada, conquista o homem a meta prevista antes da reencarnação: acrisolamento de qualidades, realização de tarefas ou resgate de débitos.

Mais livre, pessoalmente, é o homem pobre.

Não responde por vastos patrimônios econômico-financeiros, que lhe exigiriam mais tempo, mais lutas, mais preocupações.

Suas responsabilidades limitam-se ao trabalho que realiza em determinado espaço de tempo.

Terminado o dia de labor, é homem livre para ir aonde deseja.

Essa idéia de liberdade pessoal dá-lhe, também, maior felicidade interior.

Com as naturais exceções de regra, o homem que luta e sofre, obtendo, ao preço de copioso suor, o sustento diário, tem maior visão de Deus e de Seu Amor, da amizade sincera e das coisas.

O pobre tem, geralmente, sob o ponto de vista das próprias necessidades e aspirações, uma vida mais simples, se a resignação - não a acomodação - é-lhe uma constante espiritual. Daí ter afirmado Emmanuel, a respeito de Jesus: "Tendo nascido na palha, para doar-nos a glória da vida simples, expirou numa cruz pelo bem de todos, a fim de mostrar-nos o trilho da eterna ressurreição".

Bons são os resultados da pobreza "resignadamente suportada".

Maus, quando "suportada sob revolta".

A revolta na pobreza é, sempre, um desastre para a alma, eis que impõe a necessidade de repetição da experiência, acrescida de responsabilidades.

Como se vê, a compreensão doutrinária, à luz do Evangelho, do problema da pobreza, é de grande valia para que o homem triunfe e alcance, vitoriosamente, a meta espiritual a que se destina, ou renove a experiência.

Se bem suportada, sem revolta, nem queixas, nem desestímulos, terá o homem vencido, em função da Vida Mais Alta.

Martins Peralva
Livro: Pensamento de Emmanuel - 6

07 abril 2022

Depois da Morte - Martins Peralva

 
DEPOIS DA MORTE

Por ocasião da morte, tudo, a princípio, é confuso. De algum tempo precisa a alma para entrar no conhecimento de si mesma. Ela se acha como que aturdida, no estado de uma pessoa que despertou de profundo sono e procura orientar-se sobre a sua situação. (Allan Kardec)

Não te esqueças, assim, de que terás também a boca hirta e as mãos enregeladas, na grande noite, e acende, desde agora, a luz do bem constante, na rota de teus dias, para que a sombra imensa te não furte ao olhar a visão das estrelas. (Emmanuel)


* * *

Com raríssimas exceções, as criaturas humanas sofrem perturbações durante e após a grande transição.

Em Doutrina Espírita, cremos que a afirmativa com que iniciamos o presente capítulo é aceita pela generalidade dos que a estudam, sendo também pacífico o entendimento de que tal perturbação não é igual para todos. Varia de indivíduo a indivíduo.

Naqueles que transpõem os pórticos espirituais inteiramente despreparados, em função do tipo de existência materialista e materializadora que levaram, mais forte é o desequilíbrio, dado que as impressões da vida corporal transferem-se, integralmente, para o plano da consciência desencarnada.

Os prejuízos e sofrimentos com que deparam os que vivem alheios a qualquer esforço pessoal, no campo das lutas renovadoras, podem ir de simples depressões, motivadas por complexos culposos, até os terríveis processos de tortura impostos pela mente que se liberou do corpo físico mas não se libertou das peias do remorso profundo.

Os que vivem em função do bem e da moral, embora sintam os efeitos do choque biológico da desencarnação, podem guardar, por algum tempo, impressões incomodativas; contudo, prontamente se reintegram nos trilhos do equilíbrio espiritual, com a conseqüente adaptação ao novo plano de vida, regido por leis até então por eles ignoradas.

De acordo com o Espiritismo, não há mistério, não há privilégios regendo a vida no plano subjetivo, ou espiritual.

Além da morte, a posição evolutiva é que determina o estado da alma desencarnada — negativo ou positivo, feliz ou desventurado.

“...acende, desde agora, a luz do bem constante, na rota dos teus dias, para que a sombra imensa te não furte ao olhar a visão das estrelas” — adverte, carinhosamente, o respeitável Mentor, descortinando ante nossos olhos, ainda baços, os clarões do amor e da sabedoria..

Acender a luz do bem, para que não haja prolongado aturdimento, após a morte física.

Usar o combustível do amor, para que menor seja a perturbação e, assim, mais rápido se dê o despertamento e mais breve a recuperação do equilíbrio “além-fronteiras”.

Ninguém, a não ser entidades com larga soma de experiência no trato com os enfermos desencarnados, poderá prever a intensidade e a duração das crises mentais que a maioria dos homens leva para o mundo espiritual.

É como acontece na esfera terrestre: somente o médico experimentado, de vasto tirocínio, poderá determinar, com razoável margem de probabilidades de acerto, a duração de certas crises orgânicas e, mesmo, a época aproximada da morte.

Em, determinados gêneros de desencarnação, a inconsciência parcial ou total sobrevém ao desenlace, especialmente nas chamadas “mortes violentas”.

A Providência Divina, caracterizando-se, invariavelmente, por infinita bondade e extrema misericórdia, funciona, em algumas ocasiões, por intermédio de Sublimes Mensageiros, no sentido de que seja retardado o despertamento além-túmulo, para evitar conseqüências e efeitos dolorosos.

Quando o despertamento pode contribuir para aumentar a dor do recém-aportado aos continentes ultrafísicos, a providência, generosa e magnânima, é aguardarem os Amigos Espirituais o concurso do tempo, o extraordinário benfeitor, a fim de que se não contrariem universais princípios de misericórdia que substancializam as leis divinas.

Em casos de acidentes não provocados pelo próprio desencarnado, é realmente doloroso para o Espírito sentir, vivamente, o corpo dilacerado, os miolos estourados, os membros mutilados.

A lei funciona, atenuando ou agravando, na proporção da responsabilidade de cada um, quanto ao gênero de morte.

A recordação dos lances que o levaram à desencarnação, na época aparentemente incontornáveis, acentua o sofrimento, causando terrível mágoa pela compreensão de que desperdiçou o tesouro da existência.

A “saudade da vida”, a saudade dos entes queridos que ficaram na retaguarda, no palco da Terra, punge-lhe o coração.

Em nome da Suprema Bondade, Emissários Celestes deixam, por vezes, os recém-desencarnados temporariamente envolvidos no magnetismo pesado com que se revestem. No entanto, tão logo o tempo funcione, beneficamente, os princípios de misericórdia, reconfortando e pacificando, dando coragem e bom ânimo, alcançam o coração em desequilíbrio, induzindo-o à confiança no Divino Poder.

Despertados no tempo próprio, os desajustados do coração e da inteligência, do sentimento e do raciocínio passam a receber os influxos da prece, que é o pão do Espírito, embora saibamos, todos nós, que a oração não nos exonera das lutas, mas ajuda-nos a transpô-las galhardamente.

Desta maneira, resumindo, doutrinariamente, os conceitos expendidos em “O Livro dos Espíritos” e a observação formulada, sabiamente, por Emmanuel, em torno da posição da alma após a morte física, podemos acentuar, por verdade doutrinária, que:

a) — A alma despreparada e culpada cristaliza a mente em situações, pessoas e sentimentos.

b) — Verdadeiros dramas de consciência se desenrolam no palco ensandecido da mente que faliu deliberadamente.

c) — A cristalização mental define-se por “uma parada no tempo e no espaço”.

d) — Vibrações pesadas e angustiosas constituem cativeiro para a alma.

e) — Amigos espirituais, em nome do Amparo Divino, observam, acompanham, contemplam e ajudam os que ingressam no mundo espiritual em posição de desajuste.

O esforço próprio é lei em todos os cometimentos evolutivos.

Na Terra e no Espaço, ninguém aprende, nem evolui, se não souber aproveitar o concurso, valioso, dos Benfeitores Espirituais.

Encarnados ou desencarnados, condicionamo-nos aos próprios recursos e valores espirituais; contudo, dadas as nossas milenárias imperfeições, dependemos, e muito, do auxílio dos Missionários da Luz...

Martins Peralva
Livro: Pensamento de Emmanuel - 40


31 março 2022

Vida Espírita - Martins Peralva

 
VIDA ESPÍRITA

LE Questão 153: Em que sentido se deve entender a vida eterna?
R. - A vida do Espírito é que é eterna; a do corpo é transitória e passageira. Quando o corpo morre, a alma retoma a vida eterna.

Dessa forma, se os atos louváveis são recursos de abençoada renovação e profunda alegria nos recessos da alma, as ações infelizes se erguem, além do túmulo, por fantasmas de remorso e aflição no mundo da consciência. (Emmanuel)

* * *

O sono é uma espécie de morte parcial, temporária. Assim o diz a Doutrina dos Espíritos, assim o confirmam elevados Instrutores Espirituais.

Durante o sono acontece o desprendimento do Espírito que, assim, readquirindo, de modo relativo, a liberdade assegurada pela desencarnação, pode entrar em contato com Espíritos desencarnados ou com pessoas que estejam também adormecidas.

A posição da alma, durante essas horas de provisória libertação, não é uniforme, padronizada, para todos, pois que há variações que decorrem do estado evolutivo, das condições mentais do indivíduo.

Quanto mais equilibrada a mente humana, dado o processo de assimilação e prática dos preceitos evangélico-doutrinários, mais livre estará a alma nesses momentos em que o corpo repousa do natural desgaste celular imposto pelo trabalho diuturno.

Há criaturas que, durante o sono, reingressam no mundo espiritual em situação de tal desajuste que seus Espíritos se confundem com os de entidades sofredoras ou endurecidas que, freqüentemente, se comunicam nas equipes mediúnicas de desobsessão.

As condições, portanto, de maior ou menor felicidade, de maior ou menor equilíbrio no Mundo Espiritual, durante o sono, resulta de sua melhor ou pior situação mento-psíquica.

No que diz respeito à morte ou desencarnação, o fenômeno, em suas linhas gerais, é o mesmo: processos desencarnatórios e de liberação diferem de pessoa a pessoa, segundo, ainda, o mesmo princípio vigente para o "estado de sono".

Sendo a Terra um mundo de provas e expiações, onde a grande maioria dos seus residentes é formada de almas ainda bem atrasadas, apesar do avanço tecnológico e das conquistas intelectuais da humanidade, justo será admitir-se por normal o desajuste e comum a perturbação dos que desencarnam, dado que "as ações infelizes se erguem, além do túmulo, por fantasmas de remorso e aflição no mundo da consciência".

Ressalvam-se, obviamente, os casos de pessoas de ponderável gabarito evolutivo, uma vez que, ainda com Emmanuel, "os atos louváveis são recursos de abençoada renovação e profunda alegria nos recessos da alma".

A grande missão da Doutrina Espírita, altamente educativa e esclarecedora, é a de preparar-nos para essa vivência feliz no Plano Espiritual, para o qual inevitavelmente iremos, pelo sono ou pela morte, criando, assim, os gloriosos pródromos de nossa futura vinda ao mundo, não somente para desfrutar-lhe os benefícios, mas para viver-lhe os ideais engrandecidos, colaborando em sua consolidação.

Se os preceitos evangélicos, que funcionam no mundo sob os luminosos estímulos da Doutrina Espírita, não se fixarem em nosso coração, de forma definitiva, renovando-nos interiormente a alma e criando, em nós, o amor ao trabalho nobre, possível será que reencarnemos nas mesmas condições em que daqui partirmos, embalando, muita vez, tolas esperanças.

Geralmente, as imperfeições demasiado arraigadas em nossa individualidade eterna não se diluem no estado doutrinariamente denominado "Espírito errante" - permanência do Espírito no Espaço durante o tempo que vai do instante do desenlace ao do início de uma nova ligação a outro corpo que a reencarnação lhe proporciona, por bênção de Deus - daí, nossa opinião de que podemos voltar nas mesmas condições em que fôramos, apenas envergando outro traje.

Inúmeras comunicações mediúnicas, embora olhos corporais não o percebam, são dadas por desencarnados que se encontram amparados, sustentados, magneticamente, por abnegados Mentores Espirituais, embora tenham já abandonado o corpo há muito tempo. Quantos casos, desta natureza, ocorrem ?!...

A Doutrina Espírita não tem, todos o sabemos, como básico, o objetivo de melhorar-nos externamente.

O trabalho do Espiritismo é junto à alma eterna, junto ao coração, a fim de que, por seu influxo divino, removamos as impurezas que nos acompanham e possamos, assim, acender, no Templo da Consciência e no Santuário do Coração, as candeias da iluminação - divinos focos de redenção que a ventania, por mais forte, não apaga; a incompreensão, por mais sórdida, não perturba; o julgamento, por mais contraditório, não reduz sua intensidade.

Acentuando, desta maneira, os conceitos deste capítulo, devemos proclamar, em nome da Doutrina Espírita e sob o consenso dos elevados amigos de Mais Alto, que:
a) - Durante o sono, a alma desprende-se do corpo transitório, entrando em temporária relação com inteligências encarnadas ou desencarnadas, amigas ou adversárias.

b) - A morte do corpo não destrói, não aniquila o Espírito: libera-o por um período variável, segundo as necessidades evolutivas, até que possa desfrutar, de novo, das bênçãos da reencarnação.

c) - Os processos desencarnatórios e os recursos de liberação diferem de pessoa a pessoa, segundo o estado espiritual de cada um.

d) - É normal, é compreensível o desajuste e comum, em face do reconhecido atraso de nosso orbe, a perturbação dos que desencarnam, ressalvados, naturalmente, os casos de pessoas detentoras de seguras aquisições evolutivas.

A alma, enquanto encarnada, condiciona-se a fatores orgânicos que, por sua vez, estão sob o império de leis biológicas específicas. Fora do corpo, outras são as leis e, por conseguinte, outros os elementos de equilíbrio e funcionamento.

Daí as naturais dificuldades com que, em novo mundo vibratório, bem diverso do nosso, aqui no plano físico, lutamos todos nós ao trocarmos a densidade da matéria (envoltório físico) pela fluidicidade dos planos espirituais.

Martins Peralva
Livro: Pensamento de Emmanuel - 5


24 março 2022

Ante a Morte - Martins Peralva

 
ANTE A MORTE

LE Questão 149: Que sucede à alma no instante da morte?
R. - Volta a ser Espírito, isto é, volve ao mundo dos Espíritos, donde se apartara momentaneamente.

Tranqüiliza, desse modo, os companheiros que demandam o Além, suportando corajosamente a despedida temporária, e honra-lhes a memória, abraçando com nobreza os deveres que te legaram. (Emmanuel)

* * *

Além de seu papel eminentemente esclarecedor, caracterizando a base de sua filosofia, tem o Espiritismo outra função, não menos importante, junto à criatura humana, sujeita, por efeito da própria condição de nosso orbe, às mais dolorosas vicissitudes, no campo moral e físico: a de confortá-la, de consolá-la nos instantes cruciais da existência.

Apesar da "velhice do mundo" e da não menor "velhice das religiões", sob o ponto de vista da cronologia, muito pouca gente acostumou-se com a separação dos entes queridos, em conseqüência da morte, ou desencarnação.

A dor de quem fica é, bem o sabemos, motivada pela falsa e errônea idéia de que a morte seja o fim, separando, para todo o sempre, irreparavelmente, os que partem dos que ficam na ribalta do mundo.

É bem verdade que as religiões orientais apontaram sempre a morte por simples fenômeno de separação da alma do corpo, com a continuidade, por aquela, em lugares de gozo ou sofrimento, de sua vida.

Nem por isso, porém, tais mensagens de imortalidade ressoaram, positiva e beneficamente, na inteligência humana. Apesar de todos os preceitos imortalistas das religiões que precederam a Doutrina dos Espíritos, a perda dos entes amados ainda repercute como tragédia, de angústia e sofrimento, para familiares e amigos mais chegados.

A partir da codificação espírita, nos idos de 1857, quando Allan Kardec editou "0 Livro dos Espíritos", o assunto passou, na verdade, a ser encarado sob outro aspecto, atenuando, sensivelmente, a dor da separação e, por outro lado, acentuando a esperança de que, não sendo a morte o fim de tudo, a partida é, apenas, temporária ausência, com a certeza de que, mais cedo ou mais tarde, o reencontro se dará, em qualquer parte do Universo - no Espaço, noutros mundos, na própria Terra.

Não se vá dizer que esta compreensão espírita nos tornará isensíveis à dor ante a partida de um ente querido, familiar ou não. Não se predique seja o espírita uma pessoa proibida de sentir e chorar, realmente, a partida de um parente ou amigo, eis que uma e outra coisa representariam inexata idéia de que o Espiritismo seja uma Doutrina capaz de insensibilizar o coração humano, de extinguir as emoções normais da criatura, esterilizando-lhe o sentimento.

O conhecimento e a assimilação doutrinário-evangélicos têm a faculdade de fortalecer-nos o Espírito e o coração, tornando-nos capazes de, pela fé, pela certeza da imortalidade, chorarmos, sem dúvida, o desenlace do ser amado, sem, contudo, confiar-nos ao pranto enfermiço, doentio, por improdutivo, e que nunca se acaba.

A morte outra coisa não é senão uma viagem, quase sempre mais longa, que o Espírito realiza. E o reencontro com o "morto" muita vez se dá com muito maior brevidade do que nas viagens comuns, aqui na Terra, de pessoas encarnadas.

Não raro, especialmente num país como o Brasil, de imensa extensão territorial, um parente ou amigo despede-se de nós e, durante vinte, trinta ou quarenta anos não se dá o reencontro, e, às vezes, nunca mais ele é visto por nós ?!...

No fenômeno que o mundo impropriamente denomina "morte", muita vez a criatura que desencarnou volta ao convívio dos seus, na condição de filho, sobrinho ou o que for, dois-ou três anos depois.

Esta compreensão de que a morte não é o fim, mas um episódio inevitável, de transição, não impede o espírita de verter lágrimas ante o corpo inerte do ser amado. Emmanuel, na mensagem "Ante os que partiram", pondera: "Nenhum sofrimento, na Terra, será comparável ao daquele coração que se debruça sobre outro coração regelado e querido que o ataúde transporta para o grande silêncio".

A compreensão espírita apenas não o deixa eternizar o sofrimento, pois sabe que a separação é temporária, e que, além disso, a vida física não é a principal para as almas, malgrado sua importância, mas simples etapa destinada a favorecer-lhes o resgate de erros, o aprendizado indispensável à conquista da perfeição. A nosso ver, em nome da Doutrina Espírita ninguém deve reter as lágrimas sinceras, abundantes ou discretas, segundo as condições emocionais de cada um de nós, que, no instante da separação, brotam, dos olhos de quem fica; nossa idéia, a este respeito, é de que não devemos converter o pranto das primeiras horas ou dias em inconformada expressão de revolta, de insubmissão às leis divinas, que são sempre, o espírita esclarecido bem o sabe, de amor e misericórdia, de sabedoria e magnanimidade.

Há, ainda, sob o ponto de vista doutrinário, outros aspectos que situam o Espiritismo por mensagem altamente consoladora, ante o multimilenário problema da "morte": pelas abençoadas vias da mediunidade, os que ficam podem-se comunicar com os que se foram, como se no corpo físico ainda estivessem, sentindo-lhes as emoções, identificando-lhes as idéias, reconhecendo-lhes os hábitos e pontos de vista.

A mediunidade - maravilhosa ponte que liga o mundo físico ao espiritual, a Terra ao Espaço - descerra as portas do Infinito, possibilitando o amoroso reencontro das almas desencarnadas com as encarnadas.

Além da mediunidade, que proporciona ainda, algumas vezes, a materialização ou corporificação dos que se foram, temos os sonhos espíritas, quando podemos estreitar nos braços e envolver nas vibrações puras do amor e do carinho os seres amados.

Maravilhosa doutrina que "luariza de esperança a noite de nossas vidas" - di-lo, com rara e bela definição, o Espírito de escol que transitou pelo mundo, no solo glorioso da França, com o nome respeitável de Léon Denis!.

Como se observa, têm os espíritas elementos muito sérios, racionais e profundos, de ordem filosófica, para considerarem e conceituarem a nossa doutrina como a mais consoladora, a que maior soma de conforto pode dispensar ao homem nos instantes de dor, de maneira que, ao invés do pranto imoderado, possamos honrar a memória dos que partiram "abraçando com nobreza os deveres" que nos legaram, acentuando, assim, o outro aspecto, o educativo, que a caracteriza, que a situa por fator de extrema valia na obra de redenção da humanidade.

Que ninguém se entregue ao pranto inestancável, inconformado, ante o corpo estirado no esquife; que ninguém se envergonhe de ensopar os olhos com as lágrimas da saudade justa, compreensível, ante o coração amado que demanda outras regiões; mas, que o trabalho do bem seja a melhor forma de lhe cultuarmos a lembrança.

Esta é a mensagem que, em nosso pobre entendimento, o Espiritismo dirige a todos que se defrontam, em casa ou nos círculos pessoais de amizade, com o velho e sempre novo problema da "morte".

Martins Peralva
Livro: Pensamento de Emmanuel - 4


19 março 2022

Alma e Pensamento - Martins Peralva


ALMA E PENSAMENTO

LE 89-a. - O pensamento não é a própria alma que se transporta?
R. - Quando o pensamento está em alguma parte, a alma também aí está, pois que é a alma quem pensa. O pensamento é um atributo.


* * *

Nossas emoções, pensamentos e atos são elementos dinâmicos de indução. - Emmanuel

A força do pensamento, e sua conseqüente influenciação no próprio destino humano, constitui realidade que ninguém pode, nem deve ignorar.

Se a alma está no lugar onde projeta o pensamento, por maior seja a distância percorrida, ou a percorrer, evidentemente devemos sempre "pensar bem".

Pensar no bem, pelo bem e para o bem - nosso e de todos.

Pensar sempre no bem, a fim de que a nossa influenciação sobre os demais seja benéfica, salutar, construtiva.

O Espírito, elemento inteligente do Universo, pensa.

A Mente, "campo da consciência desperta", segundo Emmanuel, reflete.

O Corpo, "máquina divina", na feliz definição de André Luiz, executa, com o auxílio dos órgãos que lhe são peculiares.

"Cada Espírito - ensina Allan Kardec - é uma unidade indivisível, mas cada um pode lançar seus pensamentos para diversos lados, sem que se fracione para tal efeito." Quando o pensamento, traduzindo, assim, atividade anímica, reveste expressões de alegria e bom ânimo, de entusiasmo e equilíbrio, semelhantes expressões se pro-jetam no Tempo e no Espaço e tomam o rumo da criatura em quem pensamos, alcançando-a, inevitavelmente.

Em sua tríplice composição, pode o homem ser comparado a um "farol", significando :

a) - A Energia luminosa que se expande, ou seja: Espírito que pensa, por sua condição de elemento inteligente do Universo ("O Livro dos Espíritos", cap. II, parte 1., questão n.° 23). É o ser responsável, que prestará contas à Lei, agora ou mais tarde, aqui ou em qualquer parte.

b) - A Mente que coordena, integra, concentra e dirige a energia do pensamento. Espelho que reflete a energia espiritual ("Campo da consciência desperta" - Emmanuel), a refletir a dinâmica do ser inteligente.

c) - O físico, a estrutura material de que é construído o "farol" e que serve de veículo de manifestação do espírito no plano material. É a parte destrutível, que se refaz, se recompõe tantas vezes quantas necessárias, até que o ser pensante dela não mais precise na obra que lhe cabe cumprir: o aperfeiçoamento moral e cultural ("Máquina divina" - André Luiz).

O Espírito, encarnado ou desencarnado, edificado no Bem, sintonizado com as lições cristãs, projeta sua luz, sua claridade por toda parte. A todos beneficia e serve, à maneira do farol que indica o rumo certo, em pleno oceano e por maior seja o negrume da noite, às embarcações que demandam portos longínquos.

A criatura atingida pelo nosso pensamento recebe o fruto mental por nós elaborado.

Assim sendo, ficamos sabendo que:

- pensamentos de otimismo geram bem-estar,

- pensamentos de esperança conduzem bom ânimo,

- pensamentos de fé são instrumentos, vitais, de fortalecimento e coragem, de estímulo e segurança,

- pensamentos de fraternidade se refletem, junto aos que amamos, am forma de inexplicável felicidade, de indefinível júbilo interior.

Costuma-se dizer que "o pensamento elimina distâncias", mas, quase sempre, quem o diz não compreende a intrínseca e científica realidade do enunciado.

Todavia, com o preceito espírita de que, "se o pensamento está em alguma parte, a Alma também aí está", o problema se esclarece, em definitivo.

O pensamento põe psiquicamente juntas duas criaturas, ou dois grupos de criaturas, unindo-as, intimamente, em simbiose que pode ser de natureza superior ou deprimente.

Emmanuel, cujos ensinamentos se afeiçoam, singularmente, à índole da Doutrina Espírita, tornando-se esse elevado instrutor, por isso mesmo, depositário não só do nosso carinho, mas, igualmente, do nosso integral respeito - Emmanuel, ao dizer, em judiciosa mensagem, que os pensamentos "são elementos dinâmicos de indução", amplia-nos a responsabilidade, no que toca ao simples "ato de pensar".

Responsabilidade que nos impõe uma conduta evan-gélica na emissão de pensamentos.

Responsabilidade que nos impõe não só o controle e a disciplina da atividade mental, mas, também, a criteriosa seleção dos pensamentos.

O nosso pensamento, expressando idealismo nobre ou desejo de rotina, pode levar tranqüilidade ou inquietação aos que partilham, conosco, a experiência evolutiva.

O bom pensamento - pensamento de amor e solidariedade, de elevação e pureza - influencia não só do ponto de vista psíquico, como do físico.

O mau pensamento - pensamento de ódio e rancor, de inveja e despeito - produz as mais desagradáveis impressões, em conseqüência de cargas magnéticas que o destinatário recolhe, sente, mas, via de regra, desconhece a procedência.

A mente que vibra maldosamente desfere petardos maléficos, forças deletérias, fenômeno que a grande maioria da humanidade ignora.

Desta maneira, para que nos seja possível exercer influência, benéfica ou maléfica, sobre os nossos semelhantes, não há necessidade, precípua, de estarmos fisicamente aproximados, nem, tampouco, de assestarmos, contra eles, instrumentos materiais de destruição e morte.

Recolhamos, pois, das claras fontes do Evangelho do Senhor, a cristalina água da fraternidade, pura e desinteressada, para que nos seja possível:

- saciar os famintos,

- dessedentar os sequiosos,

- reconfortar os tristes,

- erguer os que tombaram nos desfiladeiros do sofrimento, enviando a todos os caravaneiros da redenção com Jesus, mesmo a distância, nas luminosas asas do pensamento reto, os suprimentos da alegria.

Os fertilizantes do bem.

O adubo do amor cristão.

A suave melodia do otimismo e da esperança.

A nossa presença, mesmo através do pensamento, junto aos que palmilham, conosco, os roteiros aprimoratórios, deve ser uma presença sadia e alegre, edificante e fraterna.

Isso depende, essencialmente, de cada um de nós. O meio é a seleção, criteriosa, dos nossos pensamentos. O coadjuvante, valioso e indispensável, é a nossa boa-vontade.

A boa-vontade que persevera até o fim.

Martins Peralva
Livro: O Pensamento de Emmanuel - 2