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20 janeiro 2009

Não Te Permitas - Joanna de Ângelis

NÃO TE PERMITAS

Creia-se ou não, o intercâmbio espiritual sucede, naturalmente, dentro das leis de afinidade que regem a vida.

Onde o homem estagie o pensamento e situe os valores morais, aí ocorrem os mecanismo da sintonia que facultam o intercurso espiritual.

Afinal, os Espíritos são os homens mesmos, desvestidos do invólucro material, prosseguindo conforme as próprias conquistas.

Quando atrasados, perseveram nos estados primeiros do seu processo de evolução; malévolos, continuam atados à malquerença; perversos, permanecem comprazendo-se nas aflições que promovem; invejosos, estagiam na paixão desgastante que os intoxica;

perseguidores, dão larga às tendências selvagens que cultivam;

odientos, ampliam o círculo em que estertoram, contaminando aqueles que lhes tombam nas armadilhas.

Assim também ocorre com os que vivem a beleza e o amor, fomentam o trabalho e as artes, exercitam as virtudes e promovem o progresso, entesourando conquistas relevantes, de que se fazem depositários, irradiando o bem e mimetizando as criaturas que lhes facultam a assistência benéfica.

Não te permitas, desse modo, deslizes morais.

Instaura o período da vigilância pessoal e vitaliza o dever na mente para exercê-lo nos sentimentos junto ao próximo.

Os que partem da Terra, fortemente imantados aos vícios, retornam ávidos, sedentos, ansiosos, tentando continuar o infeliz programa, ora interrompido, utilizando-se de áulicos afins que lhes cedam os órgãos físicos...

Em conseqüência, a caravana das vítimas-inermes, padecendo as rudes obsessões espirituais, é muito grande.

Liberta-te das paixões inferiores, trabalhando as aspirações e plasmando o futuro mediante a ação correta.

Muda os clichês mentais viciosos e renova as paisagens íntimas.

Faze a oração do silêncio, reflexionando sobre os reais valores da vida.

Vincula-te ao amor ao próximo, contribuindo de alguma forma para o bem de alguém, para o bem geral.

Sentindo açuladas as tendências negativas, desperta e reage, não te deixando hipnotizar pelos Espíritos perturbadores.

Sintoniza com Jesus, e Ele, o Amigo Incondicional e Libertador, virá em teu socorro, favorecendo-te com a paz e a alegria.

Autor: Joanna de Ângelis (espírito)
Psicografia de Divaldo Franco
Da obra: Alerta

19 janeiro 2009

Surge a Nova Era - Joanna de Ângelis

SURGE A NOVA ERA

O sol da esperança desbasta as trevas da ignorância.
Pequenos grupos de servidores verdadeiros do Evangelho, no silêncio da renúncia, estão levantando os pilotis sobre os quais será erguida a Era Nova.
Sem alarde, em luta ingente, esses corações convidados constituem segurança para o mundo melhor de amanhã.
Não obstante o vendaval, as ameaças do desequilíbrio e o predomínio aparente das forças da violência, o bem, corno fluido de libertação, penetra todo o organismo terrestre preparando o mundo novo.
Não engrossam as fileiras dos desanimados, nem aplaudem a insensatez dos perversos ou apóiam a estultícia dos vitoriosos da ilusão.

Quem aprendeu a confiar em Jesus põe as suas raízes na verdade. São minoria, não, porém, grupo ao abandono.
Todos os grandes ideais da humanidade surgem em pequeninos núcleos, que se alargam em gerações após gerações.
O Cristianismo restaurado, por sua vez, é a doutrina do amanhã, no enfoque espírita, porque, enquanto a mensagem de Jesus teve de destruir as bases do paganismo para erguer o santuário do amor, o Espiritismo deve apenas erigir, sobre o Cristianismo, o templo luminoso da caridade.
Chamados para este ministério, não duvidam, alegrando-se por ter seus nomes inscritos, como diz o Evangelho, no livro do reino dos céus e serem conhecidos do Senhor.

Nossa Casa tem ação. É hoje reduto festivo, santuário que alberga Espíritos mensageiros da luz, oficina onde se trabalha, escola de educação e hospital de recuperação de vidas.
Com outros Obreiros aqui temos estado, mantendo a chama da verdade acesa - como ocorria com os antigos faróis com a flama ardente, apontando a entrada dos portos e mais tarde dando notícias dos recifes e perigos do mar.

Filhos da alma, nunca desistam de fazer o bem, face ao aparente triunfo do mal em desgoverno, em torno de suas vidas.
Passada a tempestade, a luz volta a fulgir.
A sombra é somente ausência da claridade. Não é real.
Só Deus é Vida; somente o Bem é meta.

Autor: Joanna de Ângelis (espírito)
Psicografia de Divaldo Franco
Do livro: Momentos Enriquecedores

18 janeiro 2009

Gentilezas Salvadoras - Marco Prisco

GENTILEZAS SALVADORAS

“Aquele cuja afabilidade e doçura não são fingidas nunca se desmente: é o mesmo, tanto em sociedade, como na intimidade" - Allan Kardec. E.S.E. Cap. IX. Item 6

Quando você afasta do piso uma casca de fruta deixada pela negligência de alguém, não pratica apenas um ato de gentileza. Evita que algum desavisado escorregue, sofrendo tombo violento.

Ao ceder o lugar no transporte coletivo a um ancião, você não realiza um gesto de cortesia somente. Atende a um corpo cansado, poupando as energias de quem poderia ser seu genitor.

Se você oferece braço moço à condução de um volume, poupando aquele que o carrega, não pratica unicamente uma delicadeza. Contribui fraternalmente para o júbilo de alguém que, raras vezes, encontra ajuda.

Portando a boa palavra em qualquer situação, você não atende exclusivamente à finura do trato. Realiza entre os ouvintes o culto do verbo são, donde fluem proveitosos e salutares ensinamentos.

Silenciando uma afronta em público, você não atesta apenas o refinamento social. Poupa-se à dialogação violenta, que dá margem a ódios irremediáveis.

Se você oferece agasalho a algum desnudo, não só atende à delicadeza humana, por filantropia. Amplia a cultura da caridade pura e simples.

Ao sorrir, discretamente, dando ensejo a um desafeto de refazer a amizade, você não age tão-somente em tributo à educação. Apaga mágoas e ressentimentos, enquanto "está no caminho com ele".

Procurando ajudar um enfermo cansado a galgar e vencer dificuldades, você não procede imbuído apenas de gentileza. Coopera para que a vida se dilate no debilitado, propiciando-lhe ensejos evolutivos.

Atendendo impertinente criança que o molesta, num grupo de amigos, você não se situa só na formosura da conduta externa. Liberta um homem futuro de uma decepção presente.

No exercício da gentileza, a alma dilata recursos evangélicos e vive o precioso ensino do Mestre ao enfático doutor da lei, com afabilidade e doçura, quando Ele afirmou: "Vai e faze o mesmo!".


Autor: Marco Prisco (espírito)
Psicografia de Divaldo Franco

Da obra: Glossário Espírita-Cristão

17 janeiro 2009

Coragem de Mudar - Joanna de Ângelis

CORAGEM PARA MUDAR
Por: Joanna de Ângelis

Muitos dos conflitos que afligem o ser humano decorrem dos padrões de comportamento que ele próprio adota em sua jornada terrestre.

É comum que se copiem modelos do mundo, que entusiasmam por pouco tempo, sem que se analisem as conseqüências que esses modos comportamentais podem acarretar.

Não se tem dado a devida importância ao crescimento e ao progresso individual dos seres.

Alguns crêem que os próprios equívocos são menores do que os erros dos outros.

Outros supõem que, embora o tempo passe para todos, não passará do mesmo modo para eles.

Iludem-se no sentido de que a severidade das leis da consciência atingirá somente os outros.

Embriagados pelo orgulho e pelo egoísmo deixam-se levar pelos desvarios da multidão sem refletir a respeito do que é necessário realmente buscar-se.

É chegado o momento em que nós, espíritos em estágio de progresso na Terra, devemos procurar superar, de forma verdadeira, o disfarçado egoísmo, em busca da inadiável renovação.

Provocados pela perversidade que campeia, ajamos em silêncio, por meio da oração que nos resguarda a tranqüilidade.

Gastemos nossas energias excedentes na atividade fraternal e voltada à verdadeira caridade.

Cultivemos a paciência e aguardemos a benção do tempo que tudo vence.

Prossigamos no compromisso abraçado, sem desânimo, sem vãs ilusões, confiando sempre no valor do bem.

É muito fácil desistir do esforço nobre, comprazer-se por um momento, tornar-se igual aos demais, nas suas manifestações inferiores.

Todavia, os estímulos e gozos de hoje, no campo das paixões desgovernadas, caracterizam-se pelo sabor dos temperos que se convertem em ácido e fel, passados os primeiros momentos.

Aprendamos a controlar nossas más inclinações e lograremos vencer se perseverarmos no bom combate.

Convertamos sombras em luz.

Modifiquemos hábitos danosos, em qualquer área da existência, começando por aqueles que pareçam mais fáceis de serem derrotados.

Sempre que surgir a oportunidade, façamos o bem, por mais insignificante que nosso ato possa parecer.

Geremos o momento útil e aproveitemo-lo.

Não nos cabe aguardar pelas realizações grandiosas, e tampouco podemos esperar glorificação pelos nossos acertos.

O maior reconhecimento que se pode ter por fazer o que é certo é a consciência tranqüila.

Toda ascensão exige esforço, adaptação e sacrifício, enquanto toda queda resulta em prejuízo, desencanto e recomeço.

Trabalhemos nossa própria intimidade, vencendo limites e obstáculos impostos, muitas vezes, por nó mesmos.

Valorizemos nossas conquistas, sem nos deixarmos embevecer e iludir por essas vitórias.

Há muitas paisagens, ainda, a percorrer e muitos caminhos a trilhar.

Somente a reforma íntima nos concederá a paz e a felicidade que almejamos.

A mudança para melhor é urgente, mas compete a cada um de nós, corajosa e individualmente, decidir a partir de quando e como ela se dará.

16 janeiro 2009

Piedade - Scheilla

Piedade

Um dos mais belos gestos humanos é a caridade.
Doar, socorrer e auxiliar são virtudes que fazem suscitar alegria e reconforto por onde quer que passem.

Gestos que engrandecem e embelezam a alma de quem os pratica com sinceridade, levam esperança e fé aos corações aparentemente infelizes e que a necessidade da provação experimenta e burila rijamente...

No entanto, como iniciantes até mesmo na arte de expressar sensações e sentimentos, não raro inutilizamos qualquer iniciativa fraterna por não saber ou não possuir, para o momento, a sensibilidade necessária na escolha correta de posturas e palavras, de modo a ajudar sem ferir, de orientar sem espezinhar e de doar sem humilhar.

Piedade não será exclamar interjeições a esmo, por mais piedosas, qual estivéssemos situados em segura e inabordável redoma, mas será colocarmo-nos sempre no lugar daquele que nos recolhe a dádiva, para que a nossa iniciativa no campo da caridade fale ao coração do beneficiado qual brisa renovadora, deixando nele a certeza de que Deus não se ausenta jamais de seus filhos, socorrendo-os amorosamente, sempre que possível, através dos outros filhos.

Diz André Luiz, na mensagem da semana, que "piedade é caridade e caridade é amor."
E amor, por mais bem intencionado, se faz mal pode ser tudo, menos amor...
Piedade, na maior parte dos modos com que nos acostumamos a cultivá-la, exige revisão.

Usamo-la, por vezes, como se desenrolássemos a frase em forma de chibata, vergastando a quem nos aguarda o consolo ou qual se entregássemos a moeda beneficente aquecida em ponto de brasa, queimando as mãos que a recebem.

"Graças a Deus, nunca sofri penúria", dizemos, de escantilhão, a companheiros que esmolam socorro material, dando a entender que Deus lhes seria perseguidor e não Pai.

"Dou sempre o que posso, embora saiba que há malandros em toda parte", proclamamos com altivez diante do irmão que nos solicita o concurso, esquecidos de que assim falando estamos a situá-lo nos meandros de vadiagem.

Visitamos uma viúva e perguntamos de chofre se o marido desencarnado lhe deixou montepio, indiferentes à dor da mulher que se vê solitária, aspirando recolher palavras de fé ao invés de comentários sobre dinheiro.

Em algumas ocasiões, ingressamos num hospital a título de fazer assistência e levamos lenço ao nariz ou recuamos perante o doente que a enfermidade carcome, sem considerar a posição vexatória com que lhe rebaixamos os sentimentos.

Piedade não é alguém supor reconfortar a outro alguém, ilhando-se em virtude hipotética. Em muitos casos, a compaixão que deitamos assemelha-se à soda cáustica: branca na aplicação e corrosiva no efeito. A golpes de orgulho presumimos animar e desencorajamos, cremos suprir dificuldades e agravamos problemas, por ausência de tato e delicadeza. Piedade é caridade e caridade é amor.

O amor coloca-se na posição dos que sofrem para servir.
Imaginemo-nos na luta dos outros e reflitamos na maneira ideal com que estimaríamos recolher-lhes o auxílio. Não raro, os que se encontram nas sombras da provação não mais precisam de nossas dádivas, nem de nossas meras palavras; esperam tão-somente por nosso coração com a ansiedade e o enternecimento de quem aguarda uma luz...

André Luiz
Do livro "Sol nas Almas", 36, edição CEC

15 janeiro 2009

A Terapêutica da Prece - Francisco Menezes Dias da Cruz

A TERAPÊUTICA DA PRECE

No tratamento da obsessão é necessário salientar a terapêutica da prece como elemento valioso de introdução à cura.

Não ignoramos que a psiquiatria, nova ciência do mundo médico, apesar de teorizada nos hospícios, somente corporificou-se na prática que a define, nos campos de guerra do século presente.

Chamados ao pronto-socorro das retaguardas, desde o conflito russo-japonês, os psiquiatras esbarram com numerosos problemas da neurose traumática, identificando as mais estranhas moléstias da imaginação e usando a palavra de entendimento e simpatia como recurso psicoterápico de incalculável importância.

Por isso, dispomos, atualmente, na moderna psicanálise, da psicologia do desabafo como medicação regeneradora. A confissão do paciente vale por expulsão de resíduos tóxicos da vida mental e o conselho do especialista idôneo age por doação de novas formas-pensamento, no amparo do cérebro enfermiço.

Invocamos semelhante apontamento para configurar na luta humana verdadeiro combate evolutivo em que milhares de almas caem diariamente nos meandros das próprias complicações emocionais, entrando, sem perceber, na faixa das forças inferiores que, a surgirem de nosso passado, nos espreitam e geram em nosso prejuízo dolorosos processos de obsessão, retardando-nos o progresso, por intermédio dos pensamentos desequilibrados com que se justapõem à nossa vida Intima.

É por essa razão que vemos, tanto nos círculos terrestres, como nas regiões inferiores da vida espiritual, as enfermidades-alucinações que se alojam na mente, ao comando magnético dos poderes da sombra, com os quais estejam em sintonia.

E a técnica das Inteligências que nos exploram o patrimônio mento-psíquico, baseia-se, de maneira invariável, na comunhão telepática, pela qual implantam naqueles que lhes acendem ao domínio as criações mentais perturbadoras, capazes de lhes assegurar o continuísmo da vampirização.

Atentos, assim, à psicogênese desses casos de desarmonia espiritual, quase sempre formados pela influenciação consciente ou inconsciente das entidades infelizes, desencarnadas ou encarnadas, que se os associam à experiência cotidiana, recorramos à prece como elemento de ligação com os Planos Superiores, exorando o amparo dos Mensageiros Divinos, cujo pensamento
sublimado pode criar, de improviso, novos motivos mentais em nosso favor ou em favor daqueles que nos propomos socorrer.

Não nos esqueçamos de que possuímos na oração a nossa mais alta fonte de poder, em razão de facilitar-nos o acesso ao Poder Maior da Vida.

Assim sendo, em quaisquer emergências da tarefa assistencial, em nosso benefício ou em benefício dos outros, não olvidemos o valor da prece em terapia, recordando a sábia conceituação do Apóstolo Tiago, no versículo 16 do capítulo 5 em sua Epístola Universal: - "Ora uns pelos outros, a fim de que sareis, porque a prece da alma justa muito pode em seus efeitos".

Francisco Menezes Dias da Cruz
De "À LUZ DA ORAÇÃO",

de Francisco Cândido Xavier - Autores diversos

14 janeiro 2009

Mensageira Divina - Momento Espírita

Mensageira Divina

Conta uma escritora ter, como hábito, ler nos jornais o chamado Correio Sentimental. Feliz no casamento, o seu não é o propósito de encontrar um novo amor mas, simplesmente, ler por ficar fascinada por esses anúncios.

Certo dia, um desses lhe chamou a atenção de forma muito especial. Dizia: Henrietta. Lembra de termos namorado em 1938? Nunca me esqueci de você. Por favor, me telefone.Irving.

A curiosidade não a deixou em paz enquanto não tomou do telefone e ligou para Irving. A voz que atendeu era uma voz madura e, depressa, ela foi dizendo que não era Henrietta.

Porque mostrasse interesse, Irving contou que, em 1938, ele conhecera Henrietta e se haviam apaixonado. A família dela, contudo, achava que ela era muito nova para casar.

Por isso, logo mandaram a jovem para a Europa por alguns anos. Ela acabou casando com um outro homem que conheceu naquele continente.

Irving também se casara. Estava viúvo há 3 anos e só. Pensou que se Henrietta também estivesse só, talvez pudessem reatar aquele doce amor da juventude.

A escritora ficou muito comovida com a esperança que revelava aquele homem. Durante dois anos acompanhou as buscas por Henrietta, sem nenhum resultado.

Então, um dia, no ano de 1993, no metrô de Nova York, enquanto lia o Correio Sentimental, foi interrompida por uma voz feminina que perguntou:

Procurando um novo marido, querida?

Não, respondeu. Leio por curiosidade. Nunca teve vontade de ler tais anúncios?

Absolutamente, disse a senhora. Acredito que há muito sofrimento nessas páginas.

A conversa evoluiu e a jornalista acabou por concordar com a desconhecida, que havia muito sofrimento naquelas páginas.

Contou-lhe, na seqüência, a história de Irving e Henrietta. Ao finalizar, falou:

Gostaria de dizer que Irving encontrou o seu amor. Infelizmente, isso não aconteceu. Ou ela morreu, ou mora em outra cidade ou então não lê o Correio Sentimental.

A mulher falou baixinho: É a terceira opção. Acredite, eu tenho certeza.

E logo em seguida: Você ainda tem o número do telefone?

E aquele rosto enrugado, revelando uma beleza que já não dispunha de brilho agora, iluminou-se quando a jornalista lhe entregou o número do telefone de Irving.

Henrietta fora encontrada.

* * *

A esperança se constitui em apoio dos fracos e dos fortes, dos pobres e dos ricos, dos poderosos e dos necessitados.

A esperança é uma mensageira divina que ante o ardor do verão, quando tudo resseca, fala com suavidade do outono que se avizinha.

Na doença, ela fala sobre as bênçãos da saúde, inspirando coragem.

Na soledade ou no abandono, ela faculta a ligação com Deus e sempre oferece uma palavra de bom ânimo.

A força da esperança é tão grande que vence o tempo. Vence também a morte porque descobre a imortalidade que fala dos afetos que, embora sem o corpo físico, vivem e continuam a amar.

Redação do Momento Espírita com base em relato extraído do livro Pequenos milagres, de Yitta Halberstam e Judith Leventhal, ed. Sextante, e no cap. 19 do livro Perfis da vida, pelo Espírito Guaracy Paraná Vieira, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal

13 janeiro 2009

Tudo é Possível Àquele que Crê - Momento Espírita

Tudo é Possível Àquele que Crê

Você é uma pessoa otimista? Acredita que tudo pode se resolver com esforço, calma e perseverança?

Ou você já desacredita de muitas coisas? Acha que existem muitas situações contra as quais não adianta lutar?

O Apóstolo Marcos registrou em seu Evangelho que tudo é possível ao que crê. Será mesmo?

Narra uma antiga lenda que, na Idade Média, havia um homem extremamente religioso. Pois aconteceu que um crime bárbaro agitou a cidade. Uma mulher fora brutalmente assassinada.

O autor era uma pessoa influente do reino. Por isso mesmo, logo se tratou de procurar alguém em quem pudesse ser colocada a culpa.

O homem religioso foi o escolhido e levado a julgamento. Ao ser preso, ele pressentiu que não poderia se salvar. Seu destino seria a forca. Tudo conspirava contra ele.

Sabia que o desejavam culpar. O próprio juiz estava com tudo acertado para simular um julgamento e o condenar.

Resolveu orar, rogando socorro e inspiração para enfrentar o interrogatório e sair-se bem.

Em certo momento, o juiz lhe propôs o seguinte: Por ser um homem de profunda religiosidade, vou deixar que o Senhor Deus decida o seu destino.

Vou escrever em um pedaço de papel a palavra “culpado” e em outro a palavra “inocente”. Você sorteará um dos papéis. O que você escolher, será o seu veredito. Deus decidirá a sua sorte.

O pobre homem suou frio. De imediato ele percebeu que uma armadilha lhe estava sendo preparada. Naturalmente, o juiz, que o desejava condenar, prepararia os dois papéis com a mesma e única palavra: culpado.

Como ele poderia se salvar? Não havia alternativa. Nenhuma saída.

O juiz, finalmente, colocou os dois papéis sobre a mesa e mandou o acusado escolher um deles. Um enorme silêncio se fez na sala.

Podia-se ouvir a respiração acelerada do acusado. Todas as cabeças presentes se voltavam para ele, à espera da sua escolha. Sua decisão.

O homem pensou alguns segundos. Depois, aproximou-se confiante da mesa, estendeu a mão e pegou um dos papéis. Rapidamente o colocou na boca e o engoliu.

Os presentes ao julgamento reagiram indignados com a atitude dele.

Como saber agora qual o seu veredito?

Simples, respondeu ele. Basta olhar o outro pedaço de papel. O que sobrou em cima da mesa. Naturalmente, aquele que eu engoli é o contrário.

Imediatamente, o homem foi libertado.

* * *

A esperança sempre acalma o desespero e contorna a dificuldade. A sua voz nunca pára de cantar. A sua música abençoada luariza a noite do sofrimento, acalmando o infortúnio.

Ninguém consegue avançar, nos caminhos rudes da vida, sem a sua presença.

Ninguém a pode dispensar.

Onde quer que apareça, a esperança altera a paisagem, inspirando coragem, tudo embelezando com cor, perfume e beleza.

Redação do Momento Espírita com base em história de autoria ignorada e no cap. 19 do livro Perfis da vida, pelo Espírito Guaracy Paraná Vieira, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.

12 janeiro 2009

O Hóspede - Rosângela

O Hóspede

Quando você se prepara, a fim de receber um hóspede estimado em seu reduto doméstico, organiza o que lhe é possível e da melhor maneira, de modo a oferecer o que guarda de bom, de mais especial. Por isso, alimpa e aromatiza o seu lar;

enfeita suas peças com flores risonhas;

faz silêncio para não perturbar-lhe o repouso, não permitindo o alvoroço ao redor, através de observações cuidadosas;

desdobra-se nas atenções devidas aos alimentos a servir;

substitui as expressões do seu vocabulário trivial por outras mais polidas e agradáveis; não há gritos, nem semblantes carregados.

Tudo se torna envolvimento carinhoso para que seu hóspede esteja à vontade em seu lar.

* * *

Irmão-amigo, há um Hóspede ansioso por penetrar-lhe a casa interna, para levar-lhe felicidade.

Há alguém que tem caminhado de um para outro lado, nas calçadas de sua vivenda emocional, diariamente, insinuando-se para que você tome a iniciativa de convidá-Lo.Com certeza, Ele conhece-lhe o íntimo atormentado, os sentimentos feridos, a alegria ansiosamente buscada, a saúde esperada, as esperanças acalentadas... Ele há de ter-lhe seguido nos corredores da solidão, quanto na algaravia da qual não participa em virtude de conduzir o coração amargurado e triste.

Quem sabe, ainda hoje, você O possa convidar?!

Inicie a higienização das peças interiores de sua alma, coloque perfumes em sua casa íntima, envolva cada compartimento interno com o necessário silêncio para que Ele se faça o mais suave Hóspede da sua vida, dela jamais, então, se apartando.

De quem se trata? Por ventura ainda não se apercebeu que lhe estou falando de Jesus ? Convide-O, pois, sem mais demora, e Hospede-O para sempre!

Rosângela
Psicografia de J. Raul Teixeira

11 janeiro 2009

Uma Data, um Portento - Camilo

Uma Data, um Portento

Primórdios e Avanços

Não há quem possa precisar a sua origem. A verdade é que o livro nasceu no mundo quando os homens sentiram a necessidade de repassar devidamente as suas idéias, no processo de sua comunicação, por meio de representações gráficas.

Nos tempos mais recuados do livro no planeta, a partir de onde se pode alcançar, deparamos povos antigos, tais como egípcios, fenícios, gregos e hebreus, trabalhando por fixar seus múltiplos e diferentes registros nos corpos dos cilindros de barro ou lajes de argila, cozidos, mas também em peças de madeira, em estelas de pedra e em tecidos.

Enquanto o tempo se move na ampulheta do desenvolvimento humano, chegamos à Alemanha do séc. XIV que recebe, em seu final, na cidade de Mainz, a figura notável de Johannes Gutenberg, que se tornou profissional da impressão gráfica, e que trabalhou secreta e afanosamente, até que conseguisse, já no séc. XV, fabricar os caracteres móveis que deveriam promover uma verdadeira revolução nas composições gráficas, desde aquela época, até os progressos mais exuberantes da linotipia manual, das máquinas elétricas e eletro-eletrônicas dos dias atuais, quando nada se compara às excelências dos serviços computadorizados.

Um Ano Muito Especial

No seio dos progressos que a Divindade programara para a Terra, coube ao ano de 1857 alguns dos mais felizes sucessos da década. É o ano em que o cientista francês Saint-Claire Deville conclui seu método de preparação industrializada do magnésio, o festejado Kekulé demonstra que o átomo de carbono é quadrivalente e que o afamado von Siemens estabelece a sua teoria dos condensadores.

Nesse mesmo ano, o pesquisador inglês Pogson consegue definir as grandezas estelares, sem dar-se conta de que as virtudes dos Céus já haviam codificado um roteiro para o norteamento do gênero humano e que, semelhantes a estrelas cadentes de inconcebível grandeza, tratariam de corporificá-lo em letra de forma, para que, desatados os nós da ancestral ignorância relativa às coisas espirituais, pudessem os habitantes da Terra firmar o passo para o ajustamento da sua consciência às orientações da Consciência Cósmica.

Foi assim que veio à lume O Livro dos Espíritos, num sábado chuvoso de abril, dia 18, em plena primavera, no coração da cidade de Paris, coroando a luminosa programação do Infinito, o que ensejaria, doravante, maior atilamento da mente humana no tocante aos seus deveres para com a terrena existência.

Estupenda Vanguarda

Refletindo os interesses do Criador para com Seus filhos terrestres, sob a guarda do Cristo, o rol de orientações trazido do além para o mundo é de grandíssima atualidade, impondo-nos verificar o seu caráter de vanguarda no campo do esclarecimento planetário, em vários níveis e em distintos temas.

O Livro dos Espíritos sacode o pó que recobria a mente humana em todos os domínios da intelecção, abrindo espaços para profundas reflexões e para exercício de formidáveis raciocínios lógicos.

Desestabiliza os fundamentos teológicos vigentes, remanescentes da Idade Média, dos tempos de compreensíveis limitações conceituais e trata de Deus, dos anjos e demônios, do céu e do inferno com tamanha lucidez que desmistifica todo o tratado de horrores, de amedrontamentos, de castigos; livro que fez ruir a absurda construção dos ódios e iras divinos, mostrando-nos o Deus de perfeição absoluta em quaisquer das Suas realizações.

Explica-nos que ninguém poderia ter sido criado perfeito, sem experimentar os tempos de ignorância, de pelejas, de aprendizados dos erros e acertos, até alcançar os níveis mais alteados da evolução. Em caso contrário, o Criador representaria a suprema injustiça e incoerência absoluta, impondo a uns esforços e sacrifícios para a conquista da vitória sobre o atraso, enquanto a outros tudo daria graciosamente, num preferencialismo absurdo e sem sentido.

Ensina que a morte do corpo não pode, de nenhum modo, selar a sorte definitiva dos indivíduos, remetendo-os a determinados lugares físicos, para usufruir prazeres tão intermináveis quanto insuportáveis ou para suportar sofrimentos tão irracionais quão inestancáveis.

Ensinou-nos Jesus Cristo que o reino dos céus não tem aparências exteriores e, por conseqüência, o inferno também não. Ambas as dimensões, a da luz ou a das sombras, têm nascedouro e manutenção no cerne de cada criatura, na intimidade de cada alma.

O Livro dos Espíritos faz levantar as discussões científicas sobre o átomo, o éter, a matéria, enfim, antecipando a sua existência em condições inabordáveis ao pensamento e não captáveis pelos terrenos instrumentos mensuradores.

Diante dos avanços da microfísica, dos estudos do plasma, da quântica, da matéria escura, que extasiam o pensamento formal das ciências, ressalte-se o caráter vanguardista do Espiritismo que todo esse movimento predisse nos termos próprios, como apresentado em sua obra fundamental.

O Livro dos Espíritos antecede as preocupações sócio-político-religiosas que adentram a área médica, em torno do abortamento, quando estabelece que qualquer transgressão às leis de Deus se caracteriza como um crime.

Quando explodem discussões a respeito do abortamento de anencéfalos, de portadores de deficiências orgânicas de grave porte, num indisfarçável programa eugênico; quando surgem defensores do abortamento por causa da violência sexual ou por enfermidades pré-existentes, ou, ainda, por problemas sócio-econômicos, sentimos a lucidez com que o Espiritismo trata a questão, opondo-se, definitivamente, aos arrazoados pífios e aos desculpismos sócio-políticos que denunciam a incapacidade geral de se educar os lares, as escolas e as massas sociais, tornando-se mais práticos e mais cômodos o rechaço e o extermínio, a pena de morte, com certeza.

O Livro dos Espíritos lança luz sobre as análises e críticas políticas e educacionais, deixando-nos ver os dramas causados pelos desmandos da corrupção e do roubo, pelas falcatruas, a fuga deliberada dos princípios éticos mais simples.

Quando acompanhamos a falência das instituições sociais, que não conseguem dar conta dos seus compromissos, governadas por mentes inadaptadas ao bom senso, à honradez e à verdade; quando os processos educacionais utilizados não melhoram a estrutura do caráter e, por isso, permitem um rápido recrudescimento das misérias morais que chancelam crimes e homenageiam criminosos, e que punem a dignidade, ignorando os esforços das pessoas de bem, forjando um sistema caótico de vivência social, louvamos as advertências felizes de O Espírito de Verdade, antecipando-nos a necessidade da vigilância e do espírito fraternal, a fim de que cooperemos com o melhoramento das condições espirituais do mundo.

O Livro dos Espíritos refuta toda e qualquer proposta de guerra, enquanto aplaude e incentiva todas as iniciativas e realizações em favor da paz; enaltece os valores da ecologia, ensinando que a nossa casa planetária está sendo, e será mais à frente, aquilo que a ela estamos fazendo ou que viermos a fazer, impulsionados pelas sugestões do livre-arbítrio.

Quando vibramos com os movimentos ecológicos, patrocinados por algumas nações e por entidades não-governamentais, interessadas em modificar para melhor as disposições humanas, relativamente ao nosso lar sideral, aceleram-se-nos as emoções por saber o quanto o Espiritismo nos vem convidando a essas reflexões e a essa tomada de consciência, para que encareçamos a importância de um planeta saudável, a fim de que levemos a bom termo os propósitos da reencarnação.

E é em O Livro dos Espíritos que vamos aprendendo a meditar sobre o sublime amor de Deus, que nos deu Jesus como modelo e guia, a fim de que, com Ele e por Ele, não precisemos cair para crescer, nem necessitemos chorar para ser feliz e muito menos cometer desatinos para encontrar o caminho da Grande Luz.

Ao celebrarmos os 150 anos dessa obra de inabordável beleza e indescritível profundidade, que quanto mais combatida mais eloqüente se torna, e quanto mais estudada, mais almas da ignorância e da tormenta liberta, elevamos a nossa gratidão aos Céus, imbuídos de que o Espiritismo é, sem contestação, a mensagem de vanguarda que, devidamente estudada, vivida, sofrida e sentida, tem todos os ingredientes para conduzir a alma humana ao Reino de Deus.

Camilo
Mensagem psicografada por Raul Teixeira,
na Sociedade Espírita Fraternidade, em 15.01.2007, Niterói-RJ

10 janeiro 2009

Irradiação do Cristo - Rosângela C.Lima

Irradiação do Cristo

Surge o dia esplendente de luz!
O Sol dardeja setas de ouro sobre o mundo. Verdeja o prado, colore-se o jardim, esvoaçam borboletas, o céu imenso se azula enquanto o espelho d’água o reflete.

Sopra o vento mensageiro agitando a manhã.
A brisa, minuída ventania, carreia perfumes que tudo embalsama, delicadamente.
Viaja o pólen no rumo da fecundação. De galhadas desatam-se folhas secas que balançam no espaço e farfalham ao cair na relva, produzindo sons como carícias para todos os ouvidos.

Ao longe, bale a ovelha, canta o galo, relincha o jumento e chora o pequerrucho. E tudo soa qual música na pauta vibrante da natureza.
Há musicalidade nos ágeis movimentos da criança e no falar compassado do ancião. Há música no riso insolente da juventude quanto há música na lágrima que aljofra dos olhos de quem sofre e de quem festeja, de quem celebra a vida e de quem lamenta a morte...

Em tudo há um sopro inconteste de vida abundante. Em toda parte há um anúncio de saúde plena, após período de difícil enfermidade.
Aves que abrem leque em plena revoada entre cores ridentes.
E é o mundo que em festa se agita.

Há convites de amor e há ternura ao longo das estradas.
Sinos, dentro do coração, soam desde a remota madrugada e evocam figuras de anjos, de pastores, de manjedoura e de uma rútila estrela.

E como não saudar essas evocações?
E por que não cantar os cantos pela paz?
E por que não mirar tantos astros de luz esbatidos no veludo azul da noite alta?
E por que não distender o riso, o abraço, a lágrima e a esperança?
Quando tudo em derredor se achar em festa, no templo, no palácio, na choupana modesta, elevemos aos Céus o próprio coração.
Em tudo e em toda parte há louvores ao Senhor.
Eis o dia cintilante de bênçãos e beleza.
Em verdade, é Jesus que, sublime, irradia!
Eis que surge o esplendente dia.
É Natal!

Rosângela C. Lima
Mensagem psicografada por Raul Teixeira, em 18.9.2006,
na Sociedade Espírita Fraternidade, Niterói-RJ.
Publicado no Jornal Mundo Espírita de dezembro de 2006

09 janeiro 2009

Há Que Se Construir a Liberdade - Sebastião Lasneau

Há Que Se Construir a Liberdade

Escravidão é coisa de outra era?
Pergunta-se, ante inusitado espanto,
Ao ver-se o homem atado, inerte, tanto
Que a antiga abolição desconsidera.

Será que a liberdade é coisa vera?
Põem-se a indagar os homens angustiados,
Sentindo-se à nova cruz amarrados,
Por outros cirineus vivem à espera.

Como entender o gesto de Isabel,
A princesa famosa da alforria,
Ante a chibata e o eito de hoje em dia?
Essa áurea liberdade é só papel...

Nosso Brasil vibra aos 500 anos,
Cento e doze vive a manumissão.
No entanto, há muitos filhos na opressão
Sob fardos de horrores cotidianos.

É o crime arrasador da vida urbana,
Violência que gera a estupefação,
Associada às garras da corrupção.
E quem pensa que é livre assim
se engana.

Tantas crianças que vivem o abandono,
A fome, a fria rua e a droga horrenda.
Mas, quem a tudo assiste usa suavenda,
E, omissa, a cidade mantém-se emsono.

São tantos velhos que, hoje abandonados,
Não sabem qual será seu amanhã.
Depois de tanto esforço, com afã,
Vêem seus labores desconsiderados.

Há quem se enrica usando o pranto alheio,
Sem consideração a qualquer dor.
Escravos do seu próprio desvalor,
Querem mais ouro, não importa o meio.

Escrava, assim, multidão leva a vida
Com pose de nababo, indiferente,
Sem distender as mãos a tanta gente
Que roga amparo e segue combalida.

Há a escravidão de quem faz vista grossa,
Ante as escolas de portas fechadas,
Ante hospitais que deixam destratadas
Vidas com a dor que podia ser a nossa.

Será que essa alforria é de verdade
Se as minorias sociais nunca acessam
Os bens mais comuns, ainda quando peçam,
Se o conluio dos maus é enormidade?

Sabemos que p’ra tudo há uma razão.
Só Deus sabe explicar tudo na Terra.
Mas, o Evangelho ensinando não erra:
Ai de quem dê ao mal motivação.

Vejo um grande futuro para o povo:
Letrado, honesto, saudável, feliz
Tendo passado, então, pelo tamis,
Da educação que produz
o homem-novo.

Há p’ro Brasil vindouro intensa luz
Que se projetará do coração
Que entenda, sob lúcida atenção,
Que a liberdade vera está em Jesus.

Sebastião Lasneau
Psicografia de J. Raul Teixeira,
da obra Exaltação ao Brasil, ed. Fráter.

08 janeiro 2009

Ao Querido Benfeitor - Sebastião Lasneau

Ao Querido Benfeitor

Já teci-lhe homenagens, comovido,
Em virtude de tudo o que ele opera,
Pois ao seu lado ação do bem prospera
E se ergue o ser cansado e combalido.

Embora o tempo passe, ele mantém
O coração pulsante a transbordar
Ternura que nos leva a meditar
No quanto é grandioso auxiliar alguém.

Tenho refletido, dia após dia,
Que é urgente sentirmo-nos irmãos,
No empenho de ser mais nobres e sãos
Para experimentar paz e alegria.

Pensar nessa alma doce é confortante,
Pelo estímulo bom que nos alcança,
Pelas ondas de luz, pela bonança
Que nos nutre e reforça a cada instante.

Já dediquei-lhe caras melodias,
Que me vieram da doce inspiração
Do seu nome, que é bem uma canção,
Modulada em divinas elegias.

Por onde passa, aromas de amor puro
Espargem bênçãos para todo o entorno.
Numa existência pobre e sem adorno
Entregou-se a Jesus, almo e seguro.

A cada enfermo recomenda a fé
Para potencializar o remédio.
Propõe que, na oração, desfaça o tédio
Que angustia e que desanima até.

Pintei na tela o rosto venerando
Desse vate cearense tão querido,
Que entre os seres de luz foi acolhido,
E em seu amor segue evangelizando.

Espalha tantas bênçãos para os pobres;
Pacientíssimo, ouve as dores das almas.
Seus valores são quais douradas palmas
Que encantam a missão dos gênios nobres.

Em todo agosto exaltamos a lida
De quem, amando a Deus, serviu ao povo,
Forjando exemplos para um mundo novo
Nos atos excelentes de sua vida.

Quando agredido, em Cristo achava alento;
Sob achincalhe, estendia o perdão,
Por entender, no imo do coração,
Que o tronco estando firme agüenta o vento.

Sinto-me em paz só com a sua silhueta;
Seu nome traz-nos ventura e conforto,
Como o barco que alcança o ansiado porto,
No mar convulsionado do planeta.

Nas vastidões do além, por entre os astros,
Segue no afã da luz e da verdade;
E amparando a sofrida humanidade,
Ergue os que na sombra seguem de rastros.

Já lhe cantei hosanas tantas vezes,
Ansiando por amor e ser feliz,
Tendo em Jesus formosa diretriz
Como o nosso Bezerra de Menezes.

Sebastião Lasneau
Mensagem psicografada pelo médium Raul Teixeira,
em 01.08.2007, na Sociedade Espírita Fraternidade,
em Niterói-RJ.

07 janeiro 2009

A Bomba e a Vida - Sebastião Lasneau

A Bomba e a Vida

Muito difícil foi pensar que a História
Vivida ali, seis décadas atrás,
Representasse a goela mais voraz
Do homem feroz qual desumana escória.

Agora são jardins e monumentos
Enaltecendo as pérolas da paz,
Para que nunca o ódio contumaz
Possa aninhar-se em nossos sentimentos.

Lembremos o começo de um agosto,
Na manhã clara, fresca e espreguiçante...
Logo depois das oito, num instante,
Um clarão infernal tomava posto.

Era a bomba de urânio que explodia,
Cento e quarenta mil seres morriam,
Prédios no chão, cadáveres jaziam,
Sem poder se ocultar, ninguém fugia.

Num raio gigantesco a destruição...
Choros, gritos, lamento, desespero,
Denunciavam o humano destempero
E a dureza do humano coração.

Essa horrenda tragédia nos mostrava
Toda falta que faz o amor no mundo,
Os desvios da fé e o mais profundo
Egoísmo, em cruel e aguda clava.

Hiroshima hebetada, então, chorava
Mortos, deficientes, gente dorida,
Sem saber como prosseguir na vida,
Em meio a tanta dor que a revoltava.

Sem conseguir conciliar o seu sono,
Não suspeitava o povo japonês
Que o país tremeria ‘inda outra vez,
Padecendo em terrível abandono.

Pouco tempo passou, foram três dias,
P’ra que a sanha mortal, como um demônio,
Explodisse outra bomba, a de plutônio,
Aumentando tormentas e agonias.

Tanta cerebração foi envolvida
P’ra forjar o sombrio projétil,
Dando vazão ao sentimento vil
Da humana inteligência combalida.

Quanto orgulho infernizando a jornada
De azes homenageados pela ciência,
De cérebros com brilho e competência,
Que se comprometeram pela estrada.

Não te utilizes para espezinhar,
Nem submeter os irmãos ao teu lado,
Do intelecto brilhante e coroado
Com que deves servir, crescer e amar.

Aplica a inteligência, o gênio e a fama,
Para estender o amor e o bem na Terra.
Valoriza o saber que te descerra
Toda luz que hoje o teu cérebro inflama.

Valoriza teu tempo, de verdade,
Faz da mente um relicário de luz
Que te possa trazer bênçãos a flux,
Cooperando para tua liberdade.

Considera que o tempo decorrido
Entre sombra, egoísmo e frialdade
Faz-te vítima da própria maldade,
A responder por todo o mal vivido.

Pensemos, pois, nas urbes japonesas:
Crianças, jovens, todos sob escombros.
Por essas dores jamais demos de ombros.
Convertamos o saber em belezas!

Louvado seja o cérebro que cria
Ensejos de progresso e salvação
De quem carece e espera a ocasião
De viver paz, progressos e alegria.

Glória a quem fez da inteligência a luz
Que orientou, que aprumou e deu alento
Ao que, no mundo, vagava ao relento,
Vendo-se a sós sob o peso da cruz.

Crendo ou não, quem te nutre é o Pai Celeste,
Nosso Deus, que é a Suprema Inteligência,
Supremo Amor e Suprema Clemência,
Que para a tua perfeição tudo investe.

Guarda-te, irmão, das sugestões das sombras,
Estudando e aumentando o teu saber
Com Jesus, para que possas viver
Num porvir sem mais dor, guerras ou bombas.

Sebastião Lasneau
Mensagem psicografada pelo médium Raul Teixeira, em 15.08.2007,
na Sociedade Espírita Fraternidade, em Niterói-RJ.

06 janeiro 2009

O Que Estamos Fazendo? - Waldenir Aparecido Cuin

O QUE ESTAMOS FAZENDO?

"Por toda parte, há convites à edificação e ao aprimoramento, desafiando-nos à ação no engrandecimento comum". (Emmanuel, no livro "Fonte Viva", psicografia de Francisco Cândido Xavier, item 102)
Onde urge a tempestade de dor, arrastando corações aflitos na enxurrada do desespero, transformemo-nos no abrigo acolhedor e amparemos, dentro do possível, contribuindo de algum modo para que o sofrimento diminua.

Encontrando irmão com fome, à beira da loucura ou da inanição, façamo-nos portador de um prato de alimento ou de um pedaço de pão, soerguendo-lhe a esperança, mesmo que seja com alguma dificuldade.

Observando criaturas doentes a perambular em busca de socorro, lembremo-nos do Cristo quando avisou que "os sãos não têm necessidade de médico" e improvisemos a gota de remédio em nome da caridade.

Registrando a presença de crianças abandonadas, mesmo dentro de lares, movimentemos recursos de amor e afetividade para minorar, um pouco que seja, seus padecimentos, construindo instituições de amparo à infância ou servindo nas já existentes.

Vendo jovens escorregando pelos desfiladeiros das dependências tóxicas, e seus familiares atolados no lamaçal das aflições, falemos do valor da religiosidade e saiamos de mãos dadas com eles em busca de Jesus, proporcionando-lhes novos caminhos e outras direções de vida.

Conhecendo chefes de famílias desempregados, sem conseguir o sustento de cada dia, no atendimento à rogativa básica dos filhinhos, busquemos estender-lhes o nosso amparo, ofertando roupas, calçados, comida e remédio, sem censura ou perguntas inoportunas, até que a situação se normalize.

Identificando o analfabetismo e a ausência de cultura em qualquer comunidade, montemos salas de aulas para difundir ensinamentos oportunos, pois não se poderá erigir uma sociedade, deixando na retaguarda criaturas na ignorância, sem o conhecimento da verdade que liberta, como informou Jesus.

Vislumbrando a orfandade a machucar corações infantis, projetando a esses "pequenos", um caminho de amargura e tristezas, estudemos a possibilidade de ofertar-lhes um lar onde possam crescer sob a guarida do amor e da solidariedade.

Descobrindo redutos de violência, onde crianças, jovens e adultos se engalfinham em rusgas, querelas e agressividade, ofertemos noções de civilidade dando exemplos de sociabilização, entendimento e paz.

Percebendo a existência de lares onde reinam o desrespeito, infidelidade, despotismo e tirania entre os cônjuges, façamos chegar até eles a palavra de orientação e esclarecimento, e, não sendo possível, demos o nosso exemplo de dignidade e nobreza de caráter para que, observando, aprendam no tempo.

Em verdade, não somos melhores que ninguém, mas com um pouco de dedicação, solidariedade e amor temos plenas condições de movimentar muitos recursos em favor dos que sofrem, afastando os espinhos da dor que tantas lágrimas fazem brotar.

Conhecedores que somos do "amai-vos uns aos outros", o que estamos fazendo em favor do próximo?

De "Em busca da paz",
de Waldenir Aparecido Cuin

05 janeiro 2009

Tempos de Valorização da Vida - Camilo

Tempos de Valorização da Vida

Quaisquer que sejam as providências tomadas para elucidar a alma humana, no sentido de se promover os cuidados para com a vida, valorizando-a como deve ser, esbarraremos numa muralha intelectual e num vazio moral instigados pela influência das teses materialistas-ateístas que se insurgem no seio das sociedades.

Não deveremos desconsiderar a força dos projetos de vida imediatistas que se costumam alimentar no anseio tipicamente humano de desenvolver poucos empenhos, ou de usufruir situações mais confortáveis e de tirar todos os proveitos possíveis dos recursos do Planeta, sem que se tenha muito o que ressarcir, o que realizar, em prol desse bem-estar anelado. Enfim, é a teoria do proveito pleno e sem ônus para os beneficiários.

Tais posturas são regidas pelo egoísmo, remanescente do instinto de conservação, que tem nos reinos inferiores à Humanidade a sua fonte geradora. É o egoísmo que faz dilatar essa desenfreada busca do prazer hedonista, do gozo insaciável e gratuito sem qualquer reflexão relativa às conseqüências desses privilégios.

Não estranhemos que semelhantes condutas estejam entranhadas e muitas vezes sustentadas por criaturas que se apresentam como religiosas, como crentes em Deus, ou como lideranças nos campos das instituições de fé ditas cristãs.

O que se passa é que muitos Espíritos hão chegado ao Planeta, nos dias presentes, trazendo responsabilidades assumidas na Imortalidade, nos campos do bem, da renovação espiritual e dos progressos inerentes à alma eterna. Ao se sentirem bem instalados no conforto do corpo físico, valendo-se das possibilidades socioeconômicas de realce ou quando se adornam com os poderes da política terrena, deslustram esses compromissos – que lhes são recordados durante as horas de desdobramentos naturais pelo sono – e mergulham em atuações ególatras discricionárias, absolutistas, sem qualquer pensamento que se volte para o Criador da Vida e Suas leis registradas em nossa consciência.

É indispensável que estejamos atentos para as instruções trazidas pelas Vozes dos Céus, no cerne da Codificação do Espiritismo, concernentes ao poder nefário do egoísmo que se reproduz nas mais várias instituições do mundo, seja no seio da família, da escola, das igrejas ou das oficinas profissionais, fenômeno que só será batido, transformado ou superado por meio de ingente trabalho da educação.

Impraticável conseguir-se o entendimento, por parte das massas terrenas, de questões magnas para a vida como é a do abortamento, da pena de morte, da eutanásia, da fome, dos descalabros antiéticos, sem que os indivíduos tenham, devidamente amadurecida, a consciência de si mesmos como Espíritos imortais e que, por isso mesmo, responsáveis pela sementeira que realizam no solo planetário.

O Espiritismo é chamado agora, por meio do labor dos espíritas, a cooperar em todos os movimentos sociais que enaltecem a vida e todos os elementos a ela vinculados, no campo das providências imediatistas, nas respostas que precisam ser dadas às comunidades, sem qualquer dúvida.

Entretanto, pela força filosófica da Doutrina Espírita, não podem os espiritistas perder de vista o seu caráter educacional, trabalho que é capaz de modificar as disposições morais dos seres, mudando o modus vivendi do homem, proposta que permitirá lancemos na correnteza social criaturas bem formadas, participantes da aristocracia intelecto-moral a que se referiu o ínclito Codificador Allan Kardec, na esteira das suas formosas reflexões acerca dos grupos de governança terrestre.

O que presenciamos, por enquanto, é um formidável embate entre as vozes que projetam luz sobre as mentes, sobre as almas e aquelas que gritam suas alucinadoras propostas de destruição e de morte, testemunhado pelo covarde silêncio de muitos indivíduos que, se conseguem cantar e prestigiar as verdades espirituais em grupo, no conjunto dos confrades do bem, calam-se e omitem-se toda vez que se defrontam com o ensejo de dar seu testemunho da verdade, amedrontados muitas vezes pelo temor do achincalhe ou das desconsiderações de que possam ser alvos.

Estamos convocados pelos Porta-Vozes de Jesus Cristo, que atuam nos altos serviços de espiritualização das idéias no mundo, a dar nosso contributo, a nossa palavra consistente, calcada nos princípios do venerando Espiritismo, sem arrogância, sem presunção e sem medo.

Contudo, somos chamados a dar o nosso testemunho de lucidez, de fortaleza moral e de fraternidade, a fim de que o processo educacional que o Espiritismo apresenta, muito além de receber o reforço na nossa teoria, possa contar com o vigor da vivenciação dos espíritas no meio social.

Estamos nos tempos de exercitar a própria coragem e a boa disposição, nessa audácia que fez com que os primitivos cristãos descessem aos circos tão logo ressoou na voz do Cristo a palavra Amor.

Destemidamente, cabe-nos avançar conjugando os possíveis esforços para que, perante tanto desapreço pela vida humana, atuemos no campo da feliz educação, amparada pela ética do amor a Deus acima de tudo e ao próximo, como a nós mesmos, engolfados pela moral de prestar os indispensáveis serviços em prol da dissolução gradativa do egoísmo, da espiritualização das idéias e do aprofundamento das reflexões em torno da lei de causalidade, do que nenhum de nós estará indene.

A valorização da vida do corpo não pode prescindir do apoio à cultura da alma, da estima que se viva quanto às realidades do Espírito imortal.

Camilo
Mensagem psicografada pelo médium José Raul Teixeira, em 10 de novembro de 2007, na Reunião Ordinária do Conselho Federativo Nacional, da Federação Espírita Brasileira, realizada em Brasília, DF. 

04 janeiro 2009

Vidas e Valores - Raul Teixeira

Vida e Valores 
(Menores abandonados)

Têm sido muito duras as observações que fazemos diariamente a respeito dos nossos menores.

Ao lado dos menores bem nascidos, os que têm família, os que têm lar, nos damos conta de que há centenas e centenas de meninos, de meninas, de adolescentes, que são menores ditos abandonados.

Alguns são chamados pela técnica do Serviço Social, pelas técnicas sociológicas de menores em situação de risco social.

Naturalmente que os jornais estão cheios das crônicas a respeito deles, no cotidiano das cidades grandes e das cidades pequenas.

Há menores em condição de risco social que se atrelam a outros menores e furtam, roubam, agridem e matam. Encontramos menores envolvidos em todo tipo de dificuldade social, em todas as esferas de comportamento moral de baixo nível. E, certamente que a voz coletiva, a voz geral, dirá que são menores abandonados.

Pouca gente se dará conta de que esses menores abandonados não são apenas os que nascem nos guetos, nas favelas, mas todos aqueles que deixaram de receber de alguma maneira, o suporte, a atenção, o respaldo seja da família, seja dos governos, seja da sociedade em geral.

É dessa maneira que vamos encontrando menores abandonados que nunca poderíamos supor que o fossem. Porque eles estão dentro dos lares, com seu pai, com sua mãe, com seus irmãos, mas costumeiramente são órfãos. Órfãos sociais, órfãos, diríamos, de pais vivos.

E quando é que essa situação passará a ocorrer? Quando é que teremos esses órfãos de pais vivos?

Todas as vezes que eles recebam desses pais coisas, mas não tenham propriamente os pais. Seja pelo motivo que for. Se essas crianças, se esses moços estiverem fadados a crescer nas mãos de servidores domésticos ou nas mãos da via pública, sob o impacto das violências cotidianas das ruas da cidade, serão menores abandonados.

Abandonados pelos pais, que nunca têm tempo para conversar com eles, para dialogar com eles, de explicar-lhes os perigos encontrados pelas avenidas do mundo nas pessoas que não merecem confiança. Serão menores abandonados pelas autoridades que pouco se preocupam com o menor em si.

Preenchemos dezenas e dezenas de folhas de papel. Publicam-se documentos os mais belos, bem elaborados por técnicos, em torno da criança, mas isso é apenas para efeito midiático. Isso é só para efeito de mídia, porque nas nossas ruas, em nossas cidades, encontramos às dezenas esses menores abandonados.

Altas horas da noite estão essas crianças e esses moços, soltos nas ruas, nas praças. É impossível pensar que por ali, onde eles estão, por onde nós passamos, não haja passado qualquer autoridade vinculada à infância, à criança, à saúde pública, ao bem-estar social.

É impossível imaginar que essas autoridades não tenham visto essas crianças ali, esses menores ali.

O que acontece é que, quase sempre, é apenas para efeito de mídia todo esse vozerio que se desenvolve em torno da questão infanto-juvenil.

Nós temos tantos menores abandonados nas ruas, como os temos nos lares, onde os pais lhes dão brinquedos, brindes, viagens, dinheiro, carros, motos, mas não lhes dão o coração.

É por isso que, quando olhamos o quadro atual do mundo, Skinheads, menores infratores, menores assaltantes, menores homicidas, menores ladrões, ficamos pensando se esse destino de tragédia, de miséria, se essa situação de periculosidade social, não poderia ter sido evitada ou não poderá ser contida a partir dos corações humanos dos pais, dos governos, dos administradores sociais, a partir do olhar da sociedade.

* * *

O que é que deve passar pela mente de um desses menores, crianças ou adolescentes, que não são propriamente menores de rua, que não foram abandonados pela orfandade dos pais ou pelo abandono tácito dos seus genitores?

Aqueles meninos, meninas que vivem dentro de casa com seu pai, com sua mãe, apenas como um dado. É que esses pais são sempre ausentes, seja pelo trabalho, seja pela vida social intensa que levam, seja porque motivo for.

Esses moços, essas crianças, esses jovens ou adolescentes, o que é que deverão pensar, o que é que lhes passa pela cabeça?

Parecerá que eles são verdadeiros estorvos na vida dos seus pais. Porque os pais nunca têm tempo para eles. Sempre coisas muito rápidas para atender a necessidades econômico-financeiras, para dar-lhes dinheiro, para ouvir a respeito de alguma das suas necessidades.

Então, naturalmente nós temos que mudar o nosso conceito de menor abandonado. Porque há menores que são abandonados, por exemplo, por professores, principalmente quando o professor, ao ver o jeito abusado, desabusado, dessa criança, daquele jovem, daquele adolescente, já se indispõe com ele e passa a acreditar que essa criança não tem jeito, esse moço não tem jeito. De onde ele vem não dá para salvar-se. São moços, são crianças abandonadas, são menores abandonados.

Então, eles começam a ser reprovados, reprovados, reprovados, porque aquele profissional colocou na mente que essas crianças não têm condição, não têm salvação.

Não estamos fazendo apologia da aprovação automática por si mesma, não é isto. É que nós não podemos reprovar alguém, porque achamos que esse alguém não tem condição e, a partir daí, realizarmos essa exclusão. Será mais uma exclusão para esse menor abandonado pelo seu professor.

Esses menores, essas crianças, essas pessoas, já são abandonados porque não têm atendimento médico. Eles não se dão conta do próprio desenvolvimento do corpo, da mudança de fase.

Não há ninguém que lhes diga porque é que surgiram os pêlos, a menarca, as poluções noturnas. Eles não sabem como é que essas coisas se passam. Eles não sabem como é que essas coisas se dão. São menores abandonados da saúde pública. Eles recebem esse opróbrio da sociedade. São pessoas que parecem não ser ninguém.

Então, quando nós pensamos em menores abandonados, imaginamos que sejam somente aqueles que estão nas calçadas, no meio das ruas, cometendo atos infracionais. Mas também são abandonados aqueles que, dentro de casa, não têm seu pai ou sua mãe que lhes possa falar ou que lhes possa dizer a respeito dos perigos que eles encontrarão pelas ruas.

Para que não caiam na lábia dos espertalhões, daqueles que querem tirar proveito de crianças e de adolescentes. Daqueles que querem ganhar dinheiro às custas da prostituição infantil ou infanto-juvenil.

Há tantos modos de criar menores abandonados, de criar menores carentes.

Nem toda criança, nem todo jovem que carrega nos pés caros calçados, tênis de marca, roupas de grife, deixa por isso de ser menor abandonado. Porque há muitos adultos que têm grande facilidade em dar coisas, mas têm uma enorme dificuldade em se dar nas coisas que dão.

É por essa razão que nós precisamos tratar dos menores abandonados. Aqueles que não têm comida, que não têm pão, que não têm roupa, que não têm casa - dever das autoridades, dever da sociedade.

Aqueles que têm casa, que têm pão, que têm comida, que têm roupa, que têm quase tudo, mas lhes falta o amor dos pais, cabe-nos pensar no estilo de apoio que estamos dando às nossas crianças, nossos filhos, nossos menores.

E, honestamente, verificarmos se, apesar de todas as coisas que lhes damos, se não estamos convertendo nossos filhos em outros tantos menores abandonados.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 105, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná. Programa gravado em agosto de 2007. Exibido pela NET, Canal 20, Curitiba, no dia 18 de maio de 2008. 

03 janeiro 2009

Oração Plenificadora - Joanna de Ângelis

ORAÇÃO PLENIFICADORA

A oração é o alimento da alma como o pão o é para nutrir o corpo.

Orar significa doar-se a Deus, abrindo-se-Lhe em totalidade, sem qualquer reserva.

A oração não se reduz a pedidos e rogativas, mas sobretudo, à glorificação e reconhecimento pelos dons da vida.

O homem que ora, se descobre, identificando-se com a criação.

Há necessidade de orar em silêncio, evitando palavras cujos símbolos preocupam na verbalização sem expressar os sentimentos do coração.

Quem ora, se encontra, penetra-se, ao mesmo tempo se identificando com o Pai e todas as Suas criaturas.

Como a criatura não se envergonha de comer, igualmente deve ter naturalidade para orar.

Sem misticismos exteriores, a oração é comunicação íntima entre o homem e Deus.

Quando os homens orarem sabendo da força que desencadeiam na edificação dos ideais de enobrecimento, a não-violência governará as comunidades e as nações, produzindo a paz.

A oração é a linguagem que sensibiliza o Espírito e abre-lhe as portas da percepção.

Sem a oração, ninguém colima os objetivos da elevação pessoal e do meio no qual se encontra.

A oração ergue do fracasso; ajuda no perdão; apazigua as ansiedades.

É a ante-sala da ação, que predispõe à luta abnegada e sacrificial.

Ora com a freqüência com que te alimentas.

Sem a oração interrompes o teu intercâmbio com o Pai.

Ela se te transforma em alegria e te revigora para todos os embates.

Sua vibração confunde o impiedoso e desperta-o para a razão.

Convoca obreiros da caridade sem nome, que acorrem ao núcleo gerador donde se espraia.

A alma sem a oração fenece, qual planta sem água...

Ora, portanto, quanto te seja possível, especialmente transformando tua vida num ato de prece, que seja perene ação do bem.

Jesus demonstrou que orar é estar com Deus e a Humanidade ao mesmo tempo, pairando acima dos homens e vivendo com eles.

Ghandi, orando, comoveu o mundo e, livre como se fez, libertou o povo politicamente da dependência, ensinando-lhe a encontrar, orando na ação, o único meio de crescer e ser feliz, em liberdade interior, que somente raros homens lograram.

De "Viver e amar",
de Divaldo Pereira Franco,
pelo Espírito Joanna de Ângelis

02 janeiro 2009

Dentre os Obreiros - Emmanuel

DENTRE OS OBREIROS

Dos obreiros que se te fizeram colaboradores e amigos, no campo do bem, conhecerás muitos deles na condição de representantes de faixas diversas da evolução humana:
  • aqueles que começam entusiasticamente, na trilha da obra, lançando o apostolado nos alicerces, com receio do sacrifício;
  • os que chegam otimistas, louvando as perspectivas do trabalho, e deixam a tarefa, assim que lhe observam a complexidade e a extensão;
  • os que recolheram benefícios da seara e regressam a ela, prometendo auxílio e reconhecimento, mas largam-na, às vezes de improviso, tão logo se vejam chamados a aprender quanto custa o esforço da sementeira;
  • os que formulam projetos avançados de renovação, sob o pretexto de se atender ao progresso, e retiram-se quando observam quanto suor e quanta distância existem sempre entre a teoria e a realização;
  • os que supõem na gleba um filão de recursos fáceis e fogem dela logo que tomam pessoalmente o peso da charrua de obrigações que lhes compete movimentar.
Entretanto, ao lado desses cooperadores, sem dúvida respeitáveis, mas ainda inabilitados para os compromissos de longa duração, encontrarás aqueles outros, os que conhecem a importância da paz de espírito e não se arredam da empreitada que lhes coube, prosseguindo no desempenho dos deveres que abraçaram, ainda mesmo quando isso lhes custe o pão amassado com lágrimas, nos testemunhos de fé e abnegação, dia por dia.

Forma entre esses que se mostram decididos a pagar o preço da própria ascensão e reconhecerás para logo que o obreiro digno do salário da felicidade e da paz, nos erários da vida eterna, será sempre aquele que caminha para a frente com a obra no pensamento e no coração, a pleno esquecimento de si mesmo, trabalhando e servindo, compreendendo e auxiliando, amando e construindo, a serviço do bem de todos, até ao fim.

Rumo Certo
Espírito Emmanuel
Psicografia de Francisco Cândido Xavier

Quando o Tédio Apareça - Emmanuel

QUANDO O TÉDIO APAREÇA

Quando o desalento te ameace o caminho, pensa nos outros, naqueles que não dispõem de tempo para qualquer entrevista com o tédio.

*

Se te acreditas amargando lições demasiado severas no educandário da vida, frequenta, de quando em quando, a escola das grandes provações, onde os aprendizes se acomodam na carteira das lágrimas. Muitos jazem na rua, estendendo mãos fatigadas aos que passam com pressa... Em maioria, são doentes que a onda renovadora do grupo social atirou à praia da assistência pública ou mães aflitas a quem as exigências de filhos pequeninos ainda não permitem a liberalidade de uma profissão...

Provavelmente, alguém dirá que entre eles se encontram oportunistas e malfeitores que se fantasiam de enfermos para te assaltarem a bolsa em nome da piedade. Compreendemos semelhante alegação e justificamo-la, porque o mal existe sempre onde lhe queiramos destacar a presença e, conquanto te roguemos o benefício da prece, em favor dos que agem assim, mais por ignorância que por maldade, apelamos para que consultes ainda aquelas outras salas de aula que se enfileiram no recinto dos hospitais e albergues esquecidos. Acompanha o estudo daqueles cujo corpo se carrega de feridas dolorosas para agradeceres a cartilha de agoniadas emoções dos que se recolhem nos manicômios, sorvendo angústia e desespero nos resvaladouros da loucura ou da obsessão, a fim de valorizares o cérebro tranquilo que te coroa a existência... Visita os asilos que resguardam a sucata do sofrimento humano e observa as disciplinas dos que foram entregues às meditações da penúria, para quem um simples sanduíche é um brinda raro e partilha os exercícios de saudade e de dor dos que foram abandonados pelos entes que mais amam, a fim de abençoares o pão de tua casa e os afetos que te enriquecem os dias.

*

Quando o tédio te procure, vai à escola da caridade... Ela te acordará para as alegrias puras do bem e te fará luz no coração, livrando-te das trevas que costumam descer sobre as horas vazias.


De "Coragem",
de Francisco Cândido Xavier,

pelo Espírito Emmanuel

01 janeiro 2009

E já é Ano Novo, outra vez

Quando chega, é sempre pleno de esperanças. Espera-se o Ano Novo para começar vida nova, para estabelecer novas metas de vida, propósitos renovados para tantas coisas...

É comum as pessoas elaborarem suas listas de bons propósitos para o novo ano.

Mesmo sabendo que o tempo somente existe em função dos movimentos estabelecidos pelo planeta em que nos encontramos, é interessante essa movimentação individual, toda vez que o novo período convencional de um ano reinicia.

Mas, falando de lista de bons propósitos, já se deu conta que, quase sempre, esquecemos o que listamos?

Alguns até esquecemos onde guardamos a tal lista, o que atesta da pouca disposição em perseguir os itens elencados.

Ano Novo deve ter um significado especial.

Embora o tempo seja sempre o mesmo, essa convenção se reveste de importância na medida em que, nos condicionando ao início de uma etapa diferente, renovada, sintamo-nos emulados a uma renovação.

Renovação de hábitos, de atitudes, como estar mais com a família, reorganizando as horas do trabalho profissional.

Importar-se mais com os filhos, lembrando-se de não somente indagar se já fizeram a lição, mas participar, olhando, lendo as observações feitas pelos professores nos cadernos, interessando-se pelos conteúdos disciplinares.

Sair mais com as crianças. não somente para passeios como a praia, a viagem de férias.

Mas, no dia a dia, um momento para um lanche e uma conversa, uma saída para deliciar-se com um sorvete.

Outros, para só ficar olhando a carinha lambuzada de chocolate, literalmente afundando-se na taça de sorvete.

Outros, mais longos, para acompanhar o passo vacilante de quem está aprendendo a andar.

Uma tarde para um papo com os que já estão preparando a mochila para se retirar do cenário desta vida, quem sabe, nos próximos meses?

Isto é viver Ano Novo. Sair com amigos, abraçar amigos, sorrir pelo simples prazer de sorrir.

Trocar e-mails afetuosos, não somente os corriqueiros que envolvam decisões e finanças. Usar o telefone para dar um olá, desejar boa viagem, feliz aniversário!

Bom, você também pode fazer propósitos de comer menos doces ou diminuir os carboidratos da sua dieta, visando melhor condição de vida ou simplesmente adequar seu peso.

Também pode pensar em mudar o visual. Quem sabe modificar o corte de cabelo, tentar pentear para outro lado, fazer uma visita ao dentista.

E é claro, um bom check-up. Porque cuidar da saúde é essencial.

Bom mesmo é não esquecer de formular propósitos para sua alma.

Assim, acrescente na lista: estudar mais, ler mais, entender mais o outro, devotar-se a um trabalho voluntário, servir a alguém com alegria e bom ânimo.

Com certeza, cada um terá outros muitos itens a serem acrescentados à lista.

Até mesmo coisas simples como alterar os roteiros de idas e vindas do trabalho-lar-escola.

Ou coisas mais complicadas, como se dispor a pensar um pouco no outro e não exclusivamente em si, no relacionamento a dois.

Imprescindível, no entanto, é que você coloque a lista à vista, para olhar muitas vezes, durante todo o novo ano.

Importante que se lembre de lê-la, para ir acompanhando o que já conseguiu e onde ou em que ainda precisa investir mais, insistindo, até a vitória.

Seja este Ano Novo o ano de concretas realizações na sua vida!

Redação do Momento Espírita
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