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21 abril 2011

Religião e Nós - Emmanuel

RELIGIÃO E NÓS

Religião, em tese, é a presença do Criador na criatura, guiando a criatura no rumo da perfeição.

Compreendendo assim, reconhecemos que todos os assuntos de administração humana são temas das leis humanas, que a todos nos compete respeitar e prestigiar.

*

Entretanto, no mundo de nós mesmos, é justo contar com a religião para resolver-nos os problemas da vida íntima.

*

E, se a religião não nos ajuda a conduzir atitudes e sentimentos...

Se não nos ampara, nas horas de crise ou de tentação, ensinando-nos a observar e raciocinar...

Se não nos suprime os conflitos de origem sexual, esclarecendo-nos que a comunhão afetiva se relaciona com a responsabilidade dos parceiros que a compartilham, baseando-se na lealdade aos compromissos assumidos e nas decisões da consciência de cada um...

Se não nos propicia entendimento e resignação diante da dor, demonstrando-nos com os princípios de causa e efeito que nunca feriremos a alguém sem ferir a nós próprios...

Se não nos imuniza contra a revolta, ante as aparentes desigualdades sociais, induzindo-nos a aceitar a Justiça de Deus imanente nas menores ocorrências da vida...

Se não nos demonstra com visão nova da vida, para além do plano físico, arrancando-nos ao desespero e sustentando-nos a paz e a conformidade, nos dias cinzentos de adeus aos entes queridos, perante a separação temporária, à frente do túmulo...

Então a religião terá fracassado, mas urge reconhecer que não fracassou e nem fracassará, em sua elevada missão de tutora maternal das criaturas terrestres, consolando-as e redimindo-as, nas múltiplas faixas de trabalho em que se especifica; e, por testemunho do que afirmamos, temos atualmente a Doutrina Espírita, entre os homens, restaurando o Cristianismo e explicando
as leis que regem o ser e o destino, a vida e a morte, o sofrimento e a evolução, em todas as frentes da Humanidade.

Fonte: “Mãos Unidas”
De Francisco Cândido Xavier
Pelo Espírito Emmanuel

20 abril 2011

O Empréstimo - Irmão X


O EMPRÉSTIMO

Rosalino Perneta alcançara os círculos da morte, em falência integral. Extrema bancarrota. Perdera todas as ricas possibilidades que o Senhor lhe colocara nas mãos. Estava sozinho, sob o látego do remorso e do sofrimento.

Por anos longos viveu assim o desventurado, chorando os dias perdidos e implorando a concessão de oportunidades novas.

Os lustros sucediam-se uns aos outros, quando Sizínio, velho amigo espiritual, veio ao encontro dele, fazendo-se-lhe visível.

Rosalino caiu-lhe aos pés, em soluços.

- Meu abençoado amigo – clamou em lágrimas -, por que tamanha desdita? Vivo num inferno de sombras e padecimentos incríveis. Onde está Deus que se não compadece de minha miserabilidade?

Sizínio contemplou-o, paternalmente, e observou:

- Não, Perneta. Não te lastimes de semelhante modo. Antes de tudo, recorda os próprios erros e lava o coração nas águas do arrependimento. Não atendeste aos deveres humanos, não cultivaste o campo da espiritualidade enobrecida, mergulhaste a alma em verdadeiro banho de lodo. Que fazer, agora, senão suportar a reparação com paciência? Tem confiança e solidifica os bons propósitos.

O infeliz tentou enxugar o pranto copioso e, depois de outras considerações, alusivas ao passado, interrompidas pelas advertências e frases consoladoras do amigo espiritual, Rosalino terminou:

- Ah! Se eu pudesse voltar!... se eu pudesse renascer!...

E, fixando no benfeitor o olhar dorido, acentuava:

- Sizínio, meu grande irmão, não poderias obter-me a oportunidade nova? Auxilia-me, por piedade...

Intensamente comovido, o interlocutor prometeu ajudá-lo no que estivesse ao seu alcance.

E, com efeito, em breve Sizínio regressou à sombria furna, trazendo esperanças novas.

Rosalino recebeu-o, radiante.

- Perneta – disse o amigo generoso -, sabes que o aval é ato grave para quem lhe assume a responsabilidade.

- Sei, sim – respondeu o misero.

E o benfeitor prosseguiu:

- Não ignoras também que, por enquanto, não tens direito a reclamação alguma.

- Reconheço.

- Desconsideraste as oportunidades divinas, menosprezaste a família, o trabalho, o corpo físico...

- Tudo é verdade – gemeu o infeliz.

- Pois bem – continuou a entidade amiga -, não encontrei nenhuma expressão valiosa em tua existência última, na qual me pudesse basear, a fim de pedir alguma coisa em teu nome. Em razão disso, não somente reforcei tuas súplicas, como também solicitei um empréstimo para a tua experiência nova. Há na terra grande movimento de restauração do Evangelho, renovando esperança e redimindo corações. Terás nele humilde e valiosa posição de trabalhador e ensinarás, no plano dos encarnados o caminho justo aos necessitados da esfera visível e invisível. Entretanto, meu caro, o serviço não será fácil, porque não se resumirá a questão de palavras. Serás constrangido a viver o ensinamento em ti mesmo, não atenderas aos caprichos próprios, não procuraras o contentamento da ilusão, mas sim, atenderas a tudo o que representa interesse de Jesus, no circulo das criaturas. Deves muito aos homens e encontraras no empréstimo a que me refiro os recursos indispensáveis ao pagamento.

Rosalino ouvia feliz.

- Recomendo, com insistência – acentuou Sizínio, criterioso -, não esqueças a tua condição de devedor. O lar, o carinho dos teus, a benção materna, a saúde física, o ambiente de trabalho, o pão cotidiano, o campo de testemunho cristão e todas as demais possibilidades constituirão o precioso deposito do Senhor em caráter experimental às tuas mãos, porque não dispões ainda do justo merecimento. Recorda que vais movimentar um patrimônio que te não pertence por direito e que receberás, por bondade de Jesus, semelhante concessão a titulo precário. Vê como te comportas!...

Prometeu Rosalino fiel observância ao compromisso.

Fez cálculos, expôs o que pensava do futuro e até marcou o tempo de materializar no mundo as promessas que formulava entusiasta, com o grande otimismo do devedor, à fonte de recursos novos.

Sizínio mobilizou as medidas necessárias e o amigo teve a felicidade de renascer junto de pais cristãos que, desde o berço, lhe forneceram sublimes notícias do Cristo.

Perneta, no entanto, nas primeiras recapitulações, demonstrou a maior teimosia e a antiga má-vontade.

Não valiam lições de Jesus no Evangelho, conselhos paternais e sugestões superiores e indiretas de Sizínio que o acompanhava, solicito, do plano espiritual. Apesar de advertido, assistido e guiado, Perneta não queria saber de problemas fundamentais do destino.

Apossara-se novamente da vida terrestre, como o fauno sequioso de prazer na floresta das emoções planetárias.

Convidado ao serviço de espiritualização, não respondeu à chamada, alegando que os pais cometiam a loucura de se devotarem ao bem dos outros. Dizia-se incompreendido, inadaptado e, se alguém o compelia a raciocínios mais lógicos, reportava-se à escassez de tempo e à falta de oportunidade.

Voltou vagarosamente aos mesmos erros criminosos de outra época. Casou-se, foi esposo e pai, mas nunca se rendeu, de fato, às obrigações do lar, junto da esposa e dos filhos.

Borboleteava à procura de sensações que lhe saciassem a vaidade.

Quando alguma voz amiga se referia à espiritualidade, esquivava-se ao assunto, apressado. Não pretendia cogitar de assuntos referentes à religião, à morte, ao “outro mundo” – dizia, enfático e orgulhoso.

Sizínio, vigilante, desvelara-se no sentido de chamá-lo aos compromissos assumidos; no entanto, tão grandes faltas perpetrara Rosalino, que, ao atingir ele os quarenta e cinco anos, outros amigos espirituais da família que o recebera, generosamente, começaram a reclamar providencias ativas. Em vão se movimentou o avalista, no propósito de acordá-lo para as realidades essenciais. Perneta, porém, não respondia satisfatoriamente. Declarava-se muito bem, desenvolvendo embora a longa serie de disparates.

A experiência, todavia, chegava ao fim.

Em virtude da rebeldia e da ingratidão de Rosalino, os superiores espirituais intimaram Sizínio a retirar o empréstimo concedido. Não obstante a amargura, o velho amigo foi obrigado a obedecer.

O avalista iniciou o trabalho, alimentando, ainda, a esperança de que o companheiro despertasse.

Operou devagarinho, ansioso de observar-lhe alguma reação benéfica, mas o desventurado não sabia revoltar-se e ferir.

Primeiramente, a esposa de Perneta foi chamada à vida espiritual; em seguida, os filhinhos separaram-se de sua companhia. A casa em que se lhe situara o ninho domestico foi a leilão paa pagamento de vultosas dividas. Perdeu, mais tarde, o emprego e a consideração dos amigos. Os bens emprestados foram sendo recolhidos por Sizínio lentamente.

Rosalino, porém, não mostrava qualquer sinal de renovação.

Foi irredutível na maldade, na ingratidão, na blasfêmia.

Por fim, o avalista retirou-lhe a ultima concessão, que era a saúde física.

No leito humilde de hospital, reconsiderou Perneta a situação, refletiu com mais clareza nas bênçãos de Deus e meditou na eternidade, desejando voltar no tempo, mas ... era tarde.

Não valeram rogativas e prantos.

Em manhã muito fria, absolutamente isolado de todos, apartou-se do corpo de carne, premido pelas exigências da morte.

Recomeçou para ele, então, o angustioso caminho.

Recordou o empréstimo, a dedicação do benfeitor, os compromissos anteriores, a bondade que o cercara em todos os instante, no transcurso de sua experiência na terra. Implorou a presença da esposa, nas densas trevas de que se rodeava, mas o silencio inalterável era a única resposta às suas suplicas. Não obstante envergonhado, rogou a visita de Sizínio, mas o benfeitor, agora, parecia inacessível.

Desdobraram-se muitos anos, quando, um dia, o amigo dedicado se fez visível, novamente.

- Sizínio! Sizínio! – gritou Perneta, em lagrimas dolorosas – ajuda-me! Compadece-te de mim! Estende-me as tuas mãos, nobre amigo! Perdoa-me e atende-me!

E, antes que o velho companheiro respondesse, desfiou o rosário das justificativas, das reclamações, dos remorsos e desculpas.

Quando terminou, em soluços, o protetor fixou nele o olhar muito lúcido e asseverou:

- Por enquanto, Rosalino, ainda não paguei todas as conseqüências do empréstimo que te foi concedido e do qual fui espontaneamente avalista. Tuas lágrimas, agora, não me sensibilizam tão fortemente o coração. Ofereci-te o suor que salva, mas preferiste o pranto que lamenta. Pede, pois, ao Senhor que te renove a esperança, porque, para voltar ao empréstimo contraído, é muito tarde!...


Pelo Espírito Irmão X
Do livro: Pontos e Contos
Médium: Francisco Cândido Xavier

19 abril 2011

Com Você Mesmo - André Luiz


COM VOCÊ MESMO


Meu amigo, você clama contra as dificuldades do mundo, mas será que você já pensou nas facilidades em suas mãos ?

Observemos:

Você concorre, em tempo determinado, para exonerar-se da multa legal, com expressiva taxa de consumo de luz e força elétricas; todavia, a usina solar que lhe fornece claridade, calor e vida, nem é assinalada comumente pela sua memória ...

Você salda, periodicamente, largas contas relativas ao gasto de água encanada; no entanto, nem se lembra da gratuidade da água das chuvas e das fontes a enriquecer-lhe os dias ...

Você estipendia na feira, com apreciáveis somas, todo gênero alimentício que lhe atenda ao paladar; contudo, o oxigênio - elemento mais importante a sustentar-lhe o organismo - é utilizado em seu sangue sem pesar-lhe no orçamento com qualquer preocupação ...

Você resgata com a loja novos débitos, cada vez que renova o guarda-roupa, e, apesar disso, nunca inventariou os bens que deve ao Corpo de carne a resguardar-lhe o Espírito ...

Você remunera o profissional especializado pela adaptação de um só dente artificial: entretanto, nada despendeu para obter a dentadura natural completa...

Você compra a drágea medicamentosa para leve dor de cabeça; todavia, recebe de graça a faculdade de articular, instante a instante, os mais complicados pensamentos...

Você gasta quantias inestimáveis para assistir a esse ou aquele espetáculo esportivo ou à exibição de um filme; contudo, guarda sem sacrifício algum a possibilidade de contemplar o solo cheio de flores e o Céu faiscante de estrelas ...

Você paga para ouvir simples melodia de um conjunto orquestral; no entanto, ouve diariamente a divina musica da natureza, sem consumir vintém...

Você desembolsa importâncias enormes para adquirir passagens e indenizar hospedarias, sempre que se desloca de casa; não obstante,passa-lhe despercebido o prêmio vultoso que recebeu com o próprio ingresso na romagem terrestre...

Não desespere e nem se lastime ...

Atendamos à realidade, compreendendo que alegria e a esperança, expressando créditos infinitos de Deus, são os motivos básicos da vida a erguer-se, cada momento por sinfonia maravilhosa.

André Luiz (espírito)
Do Livro O Espírito da Verdade
Psicografia de Francisco Cândido Xavier

18 abril 2011

Homenageando o Livro dos Espíritos - Vianna de Carvalho


“Com esta obra, a 18 de abril de 1857, raiou para o mundo a Era do Espírito”. J. Herculano Pires

HOMENAGEANDO O LIVRO DOS ESPÍRITOS

Cessaram, por fim, as lutas fratricidas, desencadeadas pela Revolução de 89 e as que o Terror houvera esculpido em forma de marcas terríveis no organismo da sociedade, abrindo espaço para o vandalismo que pretendera expulsar Deus da França...

Apesar disso, os direitos do homem surgiram das derrotadas ambições apaixonadas dos grupos hostis, fazendo tremular nos altiplanos do pensamento a mensagem de esperança para as criaturas.

As turbas guerreiras também silenciaram por um momento, quando o Corso se fez coroar imperado, na Catedral de Notre Dame , no dia 2 de dezembro de 1804, ao som comovido do coral de duzentas vozes que entoava Pompa e circunstancia, especialmente composta para a festividade, ä qual comparecera o Papa Pio VII.

O século das luzes raiava então sob claridades diamantinas e as hostes do Consolador utilizaram-se da ocasião, a fim de que mergulhassem na névoa carnal os Espíritos de escol, encarregados de resgatar o progresso da humanidade e de promover a felicidade dos seres.

Dois meses antes, no silencio natural que a trégua das belicosidades facultara, reencarnou-se o mártir de Constança, que retornava das cinzas da fogueira hedionda em que tivera o corpo consumido em 1645, para instaurar a Era Nova, nas roupagens de Allan Kardec.

Cientistas destinados a desalgemar as pesquisas dos rigores da escravidão religiosa; filósofos designados para ampliar as áreas do pensamento obscurecido pela ignorância; artistas com propósitos de estabelecer o romantismo, e mais tarde quebrarem as frias linhas do rígido academicismo; religiosos enobrecidos pelo exemplo; incumbidos de libertar o Cristianismo das aberrações dogmáticas; fisiologistas e psiquiatras com domínio do conhecimento mais profundo do ser, programados para desempenhos da sua dignificarão como da diminuição dos seus sofrimentos; investigadores da vida nas suas várias expressões, com tarefas de decifrar o microcosmo e a vida bacteriana, assim como outros heróis da evolução, desceram ao círculo de sombras do mundo, para preparar e estabelecer a Nova Era, na qual, o pensamento do Cristo penetraria a razão e se firmaria na conduta dos indivíduos, facultando o surgimento de uma Ciência de observação, cujos paradigmas especiais estabeleceriam uma filosofia de comportamento moral e religiosos compatível com o desenvolvimento intelectual do ser humano e da sociedade. Nesse campo rico de sentimento de luz, que germinavam em abençoada seara, Allan Kardec apresentou O Livro dos Espíritos, no dia 18 de abril de 1857.

Na Paris de então, quando as idéias surgiam pela alvorada, amadureciam ao meio-dia e feneciam ao entardecer, o conteúdo desse livro magistral fincou bases duradouras e enfrentou os aranzéis costumeiros, permanecendo irretocável pelos tempos do porvir.

Apresentando, por primeira vez, uma fé racional, que pode enfrentar a razão em todas as épocas da humanidade, portanto, legítima, os seus ensinamentos têm a ver com os mais diferentes ramos da Ciência, propondo uma nobre Filosofia rica de otimismo e bem-estar, cujos alicerces se fundaram na ética-moral proposta por Jesus.

Enquanto desvitalizadas, as doutrinas religiosas do passado oferecem seiva ao materialismo que trombeteava as suas vanglorias embora de curta duração. O Espiritismo veio para iluminar e acalmar as consciências em sombras e tormentos, propondo o modelo do homem de bem, ideal, que se faz construir com os equipamentos do amor, do conheciemnto e da experiência em torno da própria imortalidade.

Estudando Deus e o Infinito, a matéria e o Espírito , a Criação, o principio vital, as causas e os sofrimentos, a encarnação, a desencarnação e a reencarnação, aprofunda análise em torno do intercâmbio espiritual, dos fenômenos que dizem respeito ao sonambulismo e ao êxtase, ao sono e aos sonhos, ás Leis que regem a vida, às esperanças e as consolações, revelando-se como a maior tese síntese do pensamento a respeito do Universo, da vida, dos seres e da sua evolução, causando impacto cultural e firmando novos conceitos nas páginas vivas da História, marco decisivo para a transformação que começou a operar-se no planeta terrestre.

Antes desse livro incomum, obras demarcatórias dos períodos de cultura, ética e civilização abriram espaços especiais para o pensamento.
Reconhecendo-lhes o valor e a oportunidade quando foram apresentadas, O Livro dos Espíritos é a ponte entre o passado e o futuro, num ininterrupto presente, no qual o conhecimento em evolução encontra as causas que o explicam nas várias expressões em que se revela.

Avançando com o progresso, suas lições não foram ultrapassadas; antes tem sido confirmadas em profundidade e significado, preenchendo as lacunas existentes a respeito da causalidade do Universo e da Criação.

Linha mestra da Doutrina Espírita, dele se deriva as quatro outras Obras que formam o edifício cultural do Espiritismo, tornando-se fonte inexaurível de sabedoria e de conforto, dantes jamais encontrada em alguma outra obra conhecida.

Na atualidade, cento e quarenta anos transcorridos, após acompanhar a evolução da Física newtoniana para a nuclear e a quântica; da Biologia para a exuberante Embriologia; da nascente eletricidade para a eletrônica; da Química para as extraordinárias análises radiotivas; dos fenômenos psíquicos para os para psicológicos, psicobiofísicos, psicotrônicos e da transcomunicação instrumental; das viagens de tração animal, a motor de explosão para as conquistas da astronáutica; do telégrafo a fio para as telecomunicações; do fonógrafo incipiente para as técnicas da digitação, somente tem sido confirmadas suas teses, algumas das quais ínsitas nas páginas cm admirável antecedência e precisão...

Enfrentando as teorias de Charles Darwin, de Spencer, de Russell Wallace – que se tornou espírita-, de Schopenhauer, de Nietszche, de Kant, do marxismo, do niilismo, as hectombes das duas guerras mundiais, a decadência da fé religiosa, tem sustentado o seu arquipélago doutrinário com equilíbrio, deslumbrando as mentes de ontem como as de hoje pela força das suas conceituações exatidão dos seus postulados, engrandecendo-se mais ainda ao exaltar Jesus como o modelo e guia da humanidade, o ser mais perfeito que Deus ofereceu ao homem.

Profundamente agradecido a Allan Kardec, o eminente Codificador do Espiritismo, homenageamos O Livro dos Espíritos pelo transcurso do seu centésimo quadragésimo aniversário de publicação, exorando as bênçãos de Deus para que o seu fanal seja alcançado, qual o de construir o homem feliz, livre da dor e das paixões envilecedoras.

Vianna de Carvalho (espírito)
Psicografia de Divaldo Franco
Página psicografada pelo médium Divaldo P. Franco,
em 3-2-1997,
no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador - BA

17 abril 2011

Obra Pessoal - Emmanuel


OBRA PESSOAL

“A obra de cada um se manifestará.” - Paulo (I Corinthios: 3-13)

Ninguém julgue que seus trabalhos individuais sejam elementos perdidos na vastidão imensurável da obra coletiva.

Tudo está sendo analisado pelas Forças Superiores que dominam a vida.

Se o homem pudesse apreender a extensão das energias que o cercam modificaria toda atitude que não evidenciasse a verdade, renovaria qualquer conceito que fugisse do bem.

Há seres cujo padrão de vida, por enquanto, não poderá se distanciar em excesso das operações propriamente animais.

Mas quantos possuem raciocínio para a indagação da origem e do destino, deveriam compreender que se encontram em uma expressão de lutas transitórias.

Que lhes pede a existência fragmentaria?

Nutrição e reprodução são meios.

O homem, portanto, não tem por finalidade suprema o ato de comer e de perpetuar-se, já convertidos por sua imprevidência em glutonaria e perversidade.

O fim de sua passagem no mundo é aprendizado, é a aquisição do espírito de serviço, é a obra de seu aperfeiçoamento, através de labores duros e persistentes.

O planeta é a oficina luminosa, que jamais se encontrou acéfala.

Quem te enviou ao trabalho da Terra está observando o teu esforço.

Não peças muita apreciação dos que te cercam; eles também são identificados por olhos vigilantes.

Cumpre o teu dever.

As gotas d’água fornecem uma idéia de nosso patrimônio coletivo, mas não somos simples gotas d’água.

Somos filhos de Deus e nossa tarefa pessoal se manifestará, fatalmente, na obra d’Ele.

Do livro "Luz no Caminho"
Pelo Espírito Emmanuel
Médium: Francisco Cândido Xavier


16 abril 2011

Oração dos Missionários da Luz - André Luiz


ORAÇÃO DOS MISSIONÁRIOS DA LUZ


Senhor, sejam para o Teu coração misericordioso

Todas as nossas alegrias, esperanças e aspirações!

Ensina-nos a executar Teus propósitos desconhecidos,

Abre-nos as portas de ouro das oportunidades do serviço

E ajuda-nos a compreender a Tua vontade!...

Seja o nosso trabalho a oficina sagrada de bênçãos infinitas.

Converte-nos as dificuldades em estímulos santos,

Transforma os obstáculos das sendas em renovadas lições...

Em Teu nome,

Semearemos o bem onde surjam espinhos do mal,

Acenderemos Tua luz onde a treva demore,

Verteremos o bálsamo do Teu amor onde corra o pranto do sofrimento,

Proclamaremos Tua bênção onde haja condenações,

Desfraldaremos Tua bandeira de paz junto às guerras do ódio!

Senhor,

Dá que possamos servir-Te

Com a fidelidade com que nos amas,

E perdoa nossas fragilidades e vacilações na execução de Tua obra.

Fortifica-nos o coração

Para que o passado não nos perturbe e o futuro não nos inquiete,

A fim de que possamos honrar-Te a confiança no dia de hoje,

Que nos deste

Para renovação permanente até à vitória final.

Somos tutelados na Terra,

Confundidos na lembrança

De erros milenários,

Mas queremos, agora,

Com todas as forças d’alma,

Nossa libertação em Teu amor, para sempre!

Arranca-nos do coração as raízes do mal,

Liberta-nos dos desejos inferiores,

Dissipa as sombras que nos obscurecem a visão de Teu plano divino

E ampara-nos para que sejamos

Servos leais de Tua infinita sabedoria!

Dá-nos o equilíbrio de Tua Lei,

Apaga o incêndio das paixões que, por vezes,

Irrompe, ainda,

No âmago de nossos sentimentos,

Ameaçando-nos a construção da Espiritualidade Superior.

Conserva-nos em Tua inspiração redentora,

No ilimitado amor que nos reservaste

E que, integrados no Teu trabalho de aperfeiçoamento incessante,

Possamos atender-Te os sublimes desígnios,

Em todos os momentos,

Convertendo-nos em servidores fiéis de Tua Luz, para sempre!

Assim seja!

De “Missionários da Luz”
De Francisco Cândido Xavier
Espírito André Luiz

15 abril 2011

Esclarecimento Acerca da VidaPós Morte


ESCLARECIMENTO ACERCA DA VIDA PÓS MORTE

"Quando alinhamos nossas despretensiosas anotações acerca de "Nosso Lar" (1), relacionando a nossa alegria diante da Vida Superior, muitos companheiros inquiriram espantados: - "Afinal, o que vem a ser isso? Os desencarnados olvidam assim a paragem de que procedem? Se as almas, em se materializando na Terra, chegam do mundo espiritual, por que as exclamações excessivas de júbilo quando para lá regressam, como se fossem estrangeiros ou filhos adotivos de nova pátria?"

O assunto, simples embora, exige reflexão.

E é necessário raciocinar dentro dele, não em termos de vida exterior, mas de vida íntima.
Cada criatura atravessa o portal do túmulo ou transpõe o limiar do berço, levando consigo a visão conceptual do Universo que lhe é própria.

Almas existem que varam dezenas de reencarnações sem a menor notícia da Espiritualidade Superior, em cuja claridade permanecem como que hibernadas, na condição de múmias vivas, já que não dispõem de recursos mentais para o registro de impressões que não sejam puramente de ordem física.

Assemelham-se, de alguma sorte, aos nossos selvagens, que, trazidos aos grandes espetáculos da ópera lírica, suspiram contrafeitos pela volta ao batuque.

E muitos de nós, como tantos outros, em seguida a romagens infelizes ou semicorretas, tornamos do mundo às esferas espirituais compatíveis com a nossa evolução deficiente, e, além desses lugares de purgação e reajuste, habitualmente somos conduzidos por nossos Instrutores e Benfeitores para ensaios de sublimação a círculos mais nobres e mais elevados, nos quais nem sempre nos mantemos com o equilíbrio desejável, já que nos achamos saudosos de contato mais positivo com as experiências terrestres.

Agimos, então, como alunos inadaptados de Universidade venerável, cuja disciplina nos desagrada, por guardarmos o pensamento na retaguarda distante, ansiosos de comunhão com o ambiente doméstico, em razão do espírito gregário que ainda prevalece em nosso modo de ser.
Como é fácil observar, raras Inteligências descem, efetivamente, das esferas divinas para se reencarnarem na esfera física.

Todos alcançamos as estações do berço e do túmulo, condicionando nossas percepções do mundo externo aos valores mentais que já estabelecemos para nós mesmos, porque todos nos ajustamos, bilhões de encarnados e desencarnados, a diferentes faixas vibratórias de matéria, guardando, embora, o Planeta como nosso centro evolutivo, no trabalho comum.

Desse modo, a mais singela conquista interior corresponde para nossa alma a horizontes novos, tanto mais amplos e mais belos, quanto mais bela e mais ampla se faça a nossa visão espiritual.
Construamos, pois, o nosso paraíso por dentro.

Lembremo-nos que os grandes culpados que edificaram o inferno, em que se debatem, respiram o ambiente da Terra – da Terra que é um santuário do Senhor, evolutindo em pleno Céu.

Nosso ligeiro apontamento em torno do assunto destina-se, desse modo, igualmente a reconhecermos, mais uma vez, o acerto e a propriedade da palavra de Nosso Divino Mestre, quando nos afirmou , convincente: - "O reino de Deus está dentro de nós." - André Luiz, 1º de setembro de 1955, Uberaba, MG

1)Primeiro livro ditado por André Luiz à Francisco Cândido Xavier, e que deu origem à série.

Do livro "Vozes do Grande Além"
Pelo Espírito André Luiz
Médium: Francisco Cândido Xavier

14 abril 2011

Veneno Livre - Irmão X


VENENO LIVRE

Pede você que os Espíritos desencarnados se manifestem sobre o álcool, sobre os arrasamentos do álcool.

Muito difícil, entretanto, enfileirar palavras e definir-lhe a influência.

Basta lembrar que a cobra, nossa velha conhecida, cujo bote comumente não alcança mais que uma só pessoa, é combatida a vara de ferro, porrete, pedra, armadilha, borralho, água fervente e boca de fogo, vigiada de perto pela gritaria dos meninos, pela cautela das donas de casa e pela defesa do serviço municipal, mas o álcool, que destrói milhares de criaturas, é veneno livre, onde quer que vá, e, em muitos casos, quando se fantasia de champanha ou de uísque, chega a ser convidado de honra, consagrando eventos sociais.

Escorrega na goela de ministros com a mesma sem-cerimônia com que desliza na garganta dos malandros encarapitados na rua. Endoidece artistas notáveis, desfibra o caráter de abnegados pais de família, favorece doenças e engrossa a estatística dos manicômios; no entanto, diga isso num banquete de luxo e tudo indica que você, a conselho dos amigos mais generosos, será conduzido ao psiquiatra, se não for parar no hospício.

Ninguém precisa escrever sobre a aguardente, tenha ela o nome de vodca ou suco de cana, rum ou conhaque, de vez que as crônicas vivas, escritas por ela mesma, estão nos próprios consumidores, largados à bebedeira, nos crimes que a imprensa recama de sensacionalismo, nos ataques da violência e nos lares destruídos.

E se comentaristas de semelhantes demolições devem ser chamados à mesa redonda da opinião pública, é indispensável sejam trazidos à fala as vítimas de espancamento no recinto doméstico, os homens e as mulheres de vida respeitável que viram a loucura aparecer de chofre no ânimo de familiares queridos, as crianças transidas de horror ante o desvario de tutores inconscientes e, sobretudo, os médicos encarnecidos no duro ofício de aliviar os sofrimentos humanos.

Qual! Não acredite que nós, pobres inteligências desencarnadas, possamos grafar com mais vigor os efeitos da calamidade terrível que escorre, de copinho a copinho.
É por isso talvez que as tragédias do alcoolismo são, quase sempre, tratadas a estilete de sarcasmo. E creia você que a ironia vem de longe.

Consta do folclore israelita, numa história popular, fartamente anotada em vários países por diversos autores, que Noé, o patriarca, depois do grande dilúvio, rematava aprestos para lançar à terra ainda molhada a primeira vinha, quando lhe apareceu o Espírito das Trevas, perguntando, insolente:
- Que desejas levantar, agora?
- Uma vinha - respondeu o ancião, sereno.
O sinistro visitante indagou quanto aos frutos esperados da plantação.
- Sim - esclareceu o bondoso velho -, serão frutos doces e capitosos. As criaturas poderão deliciar-se com eles, em qualquer tempo, depois de colhidos. Além disso, fornecerão milagroso caldo que se transformará facilmente em vinho, saboroso elixir capaz de adormecê-las em suaves delírios de felicidade e repouso...
- Exijo sociedade nessa lavoura! - gritou Satanás, arrogante. Noé, submisso, concordou sem restrições e o Gênio do Mal encarregou-se de regar a terra e adubá-la, para o justo cultivo. Logo após, com a intenção de exaltar a crueldade, o parceiro maligno retirou quatro animais da arca enorme e passou a fazer adubagem e a rega com a saliva do bode, com o sangue do leão, com a gordura do porco e com excremento do macaco.
À vista disso, quantos se entregam ao vício da embriaguez apresentam os trejeitos e os berros sádicos do bode ou a agressividade do leão, quando não caem na estupidez do porco ou na momice dos macacos.

Esta é a lenda; entretanto, nós, meu amigo, integrados no conhecimento da reencarnação, estamos cientes de que o álcool, intoxicando temporariamente o corpo espiritual, arroja a mente humana em primitivos estados vibratórios, detendo-a, de maneira anormal, na condição de qualquer bicho.

Do livro "Cartas e Crônicas"
Pelo Espírito Irmão X
Médium: Francisco Cândido Xavier, edição FEB

12 abril 2011

O Minuto - André Luiz


O MINUTO

A conduta indica a orientação espiritual da criatura.

Surge o ideal realizado, consoante o esforço de cada um.

Amplia-se o ensino, conforme a aplicação do estudante.

Eternidade não significa inércia, mas dinamismo incessante.

O caminho é infinito.

Quem estabelece a rota da viagem é o viajor.

Continua, pois, em marcha perseverante, gastando sensatamente o tesouro dos dias.

Em sessenta segundos, a lágrima pode transformar-se em sorriso, a revolta em resignação e o ódio em amor.

Nessa mínima parcela da hora, liberta-se o espírito do corpo humano, a flor desabrocha, o fruto maduro cai da árvore e a semente inicia a germinação da energia latente.

Analisa o que fazes de tão valiosa partícula de tempo.

Num só momento, o coração escolhe roteiro para o caminho.

Com o Evangelho na consciência, o lazer é tão-somente renovação de serviço sem mudança de rumo.

Não desprezes o tempo, em circunstância alguma, pois quem espera a felicidade se esmera em construí-la.

A hora perdida é lapso irreparável.

Dominar o relógio é coordenar os sucessos da vida.

Nos domínios do tempo, controlamos a hora ou somos ignorados por ela.

Por isso, quanto mais a alma se eleva em conhecimento, mais governa os próprios horários.

Lembra-te de que as edificações mais expressivas são formadas por agentes minúsculos e de que o século existe em função dos minutos.

Não faz melhor quem faz mais depressa, mas sim quem faz com segurança e disciplina, articulando ordenadamente os próprios instantes.

Observa os celeiros de auxílio de que dispões e não hesites.

Distribui os frutos da inteligência.

Colabora nas tarefas edificantes.

Estende a solidariedade a benefício de todos.

Fortalece o ânimo dos companheiros.

Não te canses de ajudar para que se efetue o melhor.

O manancial do bem não tem fundo.

A paz coroa o serviço.

E quem realmente aproveita o minuto constrói caminho reto para a conquista da vitória na Divina Imortalidade.

Pelo Espírito André Luiz
Do livro: Sol nas Almas
Médium: Waldo Vieira

11 abril 2011

Que Fazes de Teu Filho? - Camilo


QUE FAZES DE TEU FILHO?

Lembrai-vos de que a cada pai e a cada mãe perguntará Deus: Que fizestes do filho confiado a vossa guarda? (Cap. XIV, item 9 – ESE)

Dos compromissos que tens diante da ensancha de viveres na Terra, o trabalho da educação dos teus filhos é dos mais significativos.

Constituindo-se em portentosa missão para os padrões do mundo, o labor da paternidade e da maternidade é daqueles que te poderá elevar a altos céus de ventura ou arrojar-te em bueiros de sombras de remorsos indizíveis.

O mundo, com todas as suas constituições, instituições e costumes, vezes sem conta, tem-te feito chafurdar em valas de agonia, pelas dúvidas cruéis que te costumam assaltar no que se refere ao conduzimento dos filhos.

Deverá deixá-los fazer o que queiram, a fim de que te vejam como moderno e agradável?

Será melhor que os orientes para o que devem, de modo que te sintam como responsável e amigo com o passar dos dias, ainda que hoje se rebelem, considerando-te um estraga prazer.

Deverás liberá-los para os vícios e licenças sociais, em nome do livre-arbítrio deles?

Será melhor que os conduzas para a compreensão do valor do corpo carnal como instrumento de progresso, bem como para o fato de que toda liberdade real só tem sentido quando se assenta nos códigos da responsabilidade, mesmo que hoje te achem antiquado ou cafona.

Deverás liberá-los para a iniciação sexual dos enamoramentos infantis, que lhes poderão trazer insolúveis problemas?

Melhor seria que dialogasses com teus filhos, falando-lhes da seriedade da relação afetiva de dois seres, e que mesmo diante da permissividade atual, na área da sexualidade como em tantas outras áreas, o sexo só tem valor ético e traz verdadeiras alegrias para a alma, à medida que quem o maneja tenha crescido psicológica e moralmente, a fim de que a sua prática não se converta numa ilhota de prazer pelo prazer, ocultando seus frutos, muitas vezes, nas fossas do abortamento, deixando profundas lesões emocionais, espirituais e mesmo físicas. Não te entristeças se, por enquanto, te lançarem a pecha de ultrapassado.

Deverás deixá-los à margem da tua fé, aguardando que possam optar sobre o que desejam seguir, quando ainda sejam crianças?

Melhor seria que compreendesses que a criança não está em condições para fazer escolhas e análises filosóficas, cabendo aos pais esse capítulo da sua orientação. Por outro lado, se deixas teus filhos sem os cuidados oriundos da tua crença, facilmente eles assimilarão, por influência do
atavismo, as conveniências e acomodações mundanas, deixando sempre para mais tarde o envolvimento com o Cristo, o que se lhes converterá em sérios desastres, entendendo-se que a grande leva de almas terrestres para aqui vêm, em razão das suas necessidades de recomposição intelectual e moral, em função dos comprometimentos com o equívoco. Não te perturbes com a atitude dos que pensam diferente e, assim, queiram injetar-te suas idéias de fundo comodista, com laivos de aberrante materialismo.

Vale que medites sobre o que fazes de teus filhos. Na certeza de que, em verdade, não te pertencem, será super válido que lhes ponhas na consciência os mapas da honestidade, da lealdade, da amizade. Será importantíssimo que lhes apontes os rumos da fraternidade, da solidariedade, nas obras de Deus. Imprescindível que lhes orientes para o respeito a si mesmos, para o respeito aos semelhantes, cooperando com o Criador para o erguimento do Reino do Bem no mundo.

Dialoga com teus filhos com lúcida argumentação, ouvindo o que têm a dizer-te com tranquilidade e compreensão, fazendo-os sentir que o nosso percurso humano é por demais meteórico e deveremos aproveitar o mundo para aprender e empreender o melhor, porque, como cidadãos do Universo, os lares da imensidão nos aguardam e todos nós, pais, filhos e irmãos na Terra, em realidade, somos todos irmãos, em Deus, na marcha determinada para a felicidade.

De “Revelações da Luz”
De J. Raul Teixeira
Pelo Espírito Camilo


10 abril 2011

O Mendigo Renitente - Romeu Grisi e Gerson Sestini


O MENDIGO RENITENTE

Narrou-nos Chico [Xavier] que um dia foi procurado por um médico, seu particular amigo de muitos anos, espírita militante e colaborador em suas obras psicografadas.

Ele queria saber o que fazer com um velho mendigo, que insistia em dormir no alpendre de sua casa. Não estava preocupado em tê-lo como hóspede em tão precário lugar mas, sim, com a má acomodação e a friagem da noite. Já o havia alertado de que se permanecesse ali acabaria por ficar doente.

Contudo, vendo que seus avisos eram ignorados, dedicou-se a arrumar um lugar onde o mendigo pudesse pernoitar. Depois de conseguir um quartinho na vizinhança, levou-o para lá.

Qual não fora sua surpresa ao dar com ele em sua varanda no dia seguinte!

Pensando que talvez não tivesse gostado do lugar, procurou um albergue que o tratasse melhor. De nada adiantara. O velho voltou a passar as noites no seu alpendre.

O médium então falou-nos:

— O que o médico amigo não sabia era que aquele espírito carregava consigo um grande complexo de culpa. Passei então a narrar-lhe as cenas que os amigos espirituais me haviam mostrado.

Aquele mendigo, doutor, na existência anterior havia sido um cruel fazendeiro que expulsara impiedosamente muitas famílias de suas terras, deixando-as ao relento, sem rumo...

Depois que desencarnou, a partir daquelas lembranças formara-se o complexo de culpa. E o sofrimento perdura até os dias atuais, não permitindo que ele permaneça alojado em lugar nenhum.

Chico concluiu:

— Então eu disse ao amigo: Não adianta tentar melhorar sua situação, deixe-o dormir no seu alpendre. Mais uns dias e ele procurará outro lugar para deitar-se ao relento. Essa situação perdurará até que o complexo de culpa deixe de atormentá-lo.

Em nossas cogitações, vem-nos à mente a lição: para exercer a caridade é necessário usarmos do bom senso e não insistirmos quando o necessitado se nega a receber o benefício. Sempre haverá uma razão que justifique situações como a que nos foi narrada.

Livro: Inesquecível Chico
Romeu Grisi, Gerson Sestini
GEEM – Grupo Espírita Emmanuel Sociedade Civil Editora

09 abril 2011

Na Esfera dos Bichos - Irmão X


NA ESFERA DOS BICHOS

Dizem que os macacos contemplavam grande cidade, nela depositando os sonhos para o futuro...

Viviam cansados – clamavam alguns – e queriam repouso. As fêmeas da espécie declaravam-se exaustas. Desde milênios, criavam os filhinhos, amamentavam-nos, sofriam horrores, cobriam-se de humilhações e pleiteavam repouso.

Quem lhes ouvisse as queixas, acompanharia o coro de lágrimas. Os símios mais velhos choravam de meter pena. Afirmavam, sem rebuços, que os conflitos na floresta eram francamente angustiosos e terríveis.

Sem dúvida, a turma despreocupada dos bichos dormia quase o dia inteiro, saboreava os produtos da terra e, quando não via presa fácil, desfrutava a lavoura dos homens com toda a sem-cerimônia.

Se o tédio ameaçava, corriam todos para o arvoredo forte e improvisavam verdadeiro parque de diversões, na ramaria bordada de flores. Comiam o que não plantavam, valiam-se dos imensos recursos do solo, mas, assim que terminavam as brincadeiras, vinha o rosário de lamentações.

– Não suportamos esta vida! – reclamavam os antigos.

– Renovemos tudo! – desafiavam os novos.

Acabavam as reclamações, observando detidamente a cidade enorme que lhes centralizava as esperanças.

Tornando à gruta selvagem, impunham-se comentários alusivos à modificação. A transferência para a Casa do bípede humano era a única medida razoável. Os seres racionais tinham a noite magnificamente iluminada por lâmpadas coloridas. Trajavam roupas brilhantes. Dispunham de residências acolhedoras. Bebiam água gelada, na canícula, e chocolate reconfortante, no inverno. Possuíam palácios de governo, colégios, clubes, imprensa, parques e maquinaria. Gozavam as delícias da inteligência. Respiravam, pois, num céu legítimo.

Urgia, assim, a mudança imediata.

Diante da exigência geral, reuniram-se os chimpanzés mais prudentes e mandaram um macaco velho para fazer os apontamentos locais.

O símio inteligente aproximou-se dos homens e deixou-se prender manhosamente num circo.

Partilhou a experiência dos filhos da razão, durante cinco anos consecutivos. Devorou centenas de bananas, andou por vilas e aldeolas enfeitado de guizos, fez pilhérias notáveis e, certo dia, regressou...

Grande congresso dos companheiros, a fim de ouvi-lo.

As fêmeas da tribo, sustentando os filhinhos, e os monos encanecidos enfileiravam-se à frente de todos.

O emissário apresentou o seu relatório em guinchos solenes. Quase impossível traduzir-lhe a exposição em linguagem humana, todavia, o mensageiro explicou-se, mais ou menos assim, depois das saudações fraternais:

– Vocês pensam que estou voltando de um paraíso e todas aguardam o instante de penetração no reino humano, como se fossem alcançar plena isenção de serviço e responsabilidade. No entanto, laboram em grave erro. Demorei-me cinco anos entre as criaturas que nos são superiores na organização, na conduta e na forma. Realmente, as leis a que se submetem, no continuísmo da espécie e na própria manutenção, não diferem dos princípios que somos constrangidos a obedecer. Criam os filhos com dificuldades análogas as nossas e lutam igualmente com as tempestades e doenças. Quem lhes vê, contudo, o domicílio luxuoso julga-os falsamente, supondo encontrar entre eles o repouso e a alegria sem fim. Os homens, sem dúvida, são superiores a nós e agem num plano muito mais alto. Entretanto, ai deles se pararem de trabalhar! A natureza que no cerca lhes invadirá as cidades, destruindo-lhes o encanto e as benfeitorias. Possuem castelos e universidades, carruagens e granjas. No entanto, para alimentarem os valores educativos que os distanciam de nós, são obrigados a respeitar horríveis disciplinas. Não fazem o que desejam, qual nos ocorre na furna. São submetidos a códigos e decretos, com os quais devem consagrar os próprios brios. A guerra entre eles, a bem dizeis, é um estado natural. Os piores entregam-se a monstros perigosos, conhecidos pelos nomes de egoísmo e vaidade, ambição e discórdia, e começam a praticar violências calculadas, para dominarem as situações... Em razão disso, os melhores são compelidos a viver armados até às unhas, de modo a se defenderem, preservando as instituições de que se ufanam. A residência deles, indiscutivelmente, é maravilhosa, mas são tantos os problemas inquietantes a torturá-los de perto que, de quando em quando, eles mesmos improvisam chuvas de bombas com que inutilizam as próprias obras, a fim de recapitularem as lições que andam aprendendo com os poderes mais altos da vida. Para manterem o brilho da esfera em que habitam, padecem aflições dia e noite. De fato, são detentores de prodigiosa inteligência e parece-me que subirão muito mais na montanha do progresso que não podemos, por enquanto, compreender. Em compensação, trabalham tanto, sofrem tão largamente e são obrigados a tamanhas disciplinas que eu, meus irmãos, voltei resignado à minha sorte... Quero a minha gruta barrenta, prefiro nossos costumes e necessidades... o céu dos homens não serve para mim... não suporto... sou um macaco...

Os membros do conclave, porém, cobriram-no de zombaria e pedradas. Ninguém acreditou no mensageiro. Para a bicharia, a cidade dos homens era um ninho celestial, sem deveres e sem lutas, sem dificuldades e sem percalços e, por isso mesmo, a macacada continuou exigindo acesso à esfera humana, com o único objetivo de gozar e repousar.

Escutei a lenda curiosa, estudando-lhe o símbolo.

Não pintará esta história a mesma situação corrente entre os “vivos” e os “mortos” da atualidade?

Pelo Espírito Irmão X
Do livro: Luz Acima
Médium: Francisco Cândido Xavier

08 abril 2011

A Razão da Dor - Neio Lúcio


A RAZÃO DA DOR

Raquel, antiga servidora da residência de Cusa, ergueu a voz para indagar do Mestre por que motivo a dor se convertia em aflição nos caminhos do mundo.

Não era o homem criação de Deus? Não dispõe a criatura do abençoado concurso dos anjos? Não vela o Céu sobre os destinos da Humanidade? Jesus fitou na interlocutora o olhar firme e considerou: — A razão da dor humana procede da proteção divina.

Os povos são famílias de Deus que, à maneira de grandes rebanhos, são chamados ao Aprisco do Alto.

A Terra é o caminho.

A luta que ensina e edifica é a marcha.

O sofrimento é sempre o aguilhão que desperta as ovelhas distraídas à margem da senda verdadeira.

Alguns instantes se escoaram mudos e o Mestre voltou a ponderar: — O excesso de poder favorece o abuso, a demasia de conforto, não raro, traz o relaxamento, e o pão que se amontoa, de sobra, costuma servir de pasto aos vermes que se alegram no mofo...

Reparando, porém, que a assembléia de amigos lhe reclamava explicação mais ampla, elucidou fraternalmente:

- Um anjo, por ordem do Eterno Pai, tomou à própria conta um homem comum, desde o nascimento.

Ensinou-lhe a alimentar-se, a mover os membros e os músculos, a sorrir, a repousar e a asilar-se nos braços maternos.

Sem afastar-se do protegido, dia e noite, deu-lhe as primeiras lições da palavra e, em seguida, orientou-lhe os impulsos novos, favorecendo-lhe o ensejo de aprender a raciocinar, a ler, a escrever e a contar.

Afastava-o, hora a hora, de influências perniciosas ou mortíferas de Espíritos infelizes que o arrebatariam, por certo para o sorvedouro da morte.

Soprando-lhe ao pensamento idéias iluminadas aos clarões do Infinito Bem, através de mil modos de socorro imperceptível, garantiu-lhe a saúde e o equilíbrio do corpo.

Dava-lhe medicamentos invisíveis, por intermédio do ar e da água, da vestimenta e das plantas.

Vezes sem conta, salvou-o do erro, do crime e dos males sem remédio que atormentam os pecadores.

Ao amanhecer, o Pajem Celestial acorria, atento, preparando-lhe dia calmo e proveitoso, defendendo-lhe a respiração, a alimentação e o pensamento, vigiando-lhe os passos, com amor, para melhor preservar-lhe os dons; ao anoitecer, postava-se-lhe à cabeceira, amparando- lhe o corpo contra o ataque de gênios infernais, aguardando-o, com maternal cuidado, para as doces instruções espirituais nos momentos de sono.

No transcurso da vida, guiou-lhe os ideais, auxiliou-o a selecionar as emoções e a situar-se em trabalho digno e respeitável; clareou- lhe o cérebro jovem, insuflou-lhe entusiasmo santo, rumo à vida superior, e estimulou-o a formar um reino de santificação e serviço, progresso e aperfeiçoamento, num lar...

O homem, todavia, que nunca se lembrara de agradecer as bênçãos que o cercavam, fez-se orgulhoso e cruel, diante dos interesses alheios.

Ele, que retinha tamanhas graças do Céu, jamais se animou a estendê-las na Terra e passou simplesmente a humilhar os outros com a glória de que fora revestido por seu devotado e invisível benfeitor.

Quando experimentou o primeiro desgosto, que ele mesmo provocou menosprezando a lei do amor universal, que determina a fraternidade e o respeito aos semelhantes, gesticulou, revoltado, contra o Céu, acusando o Supremo Senhor de injusto e indiferente.

Aflito, o anjo guardião procurava levantar-lhe o ideal de bondade, quando um Anjo Maior se aproximou dele e ordenou que o primeiro dissabor do tutelado endurecido por excesso de regalias se convertesse em aflição.

Rolando, mentalmente, de aflição em aflição, o homem começou a recolher os valores da Paciência, da humildade, do amor e da paz com todos, fazendo-se, então, precioso colaborador do Pai, na Criação.

Finda a historieta, esperou Jesus que Raquel expusesse alguma dúvida, mas emudecendo a servidora, dominada pela meditação que os ensinamentos da noite lhe sugeriam, o culto da Boa Nova foi encerrado com ardente oração de júbilo indefinível.

Pelo Espírito Neio Lúcio
Do livro: Jesus no Lar
Médium: Francisco Cândido Xavier

07 abril 2011

O Anjo Silencioso - Eurípedes Barsanulfo


O ANJO SILENCIOSO

No cimo da cruz, reconhecia o Senhor que, em verdade, no mundo, não havia lugar para Ele...

Sem asilo para nascer, fora constrangido a valer-se do ninho dos animais e, sem pouso para morrer, içaram-no ao lenho dos malfeitores.

Agora, porém, que se isolava mentalmente da gritaria em torno, espraiava-se-lhe a visão...

Fitava, em espírito, os grandes palácios da Terra, ocupados pelos poderosos que se vestiam de púrpura e ouro, cercados de mulheres escravas e servos infelizes, e notou que dominavam os quatro cantos do Globo, prestigiando os verdugos do sangue humano e os falsos profetas que lhes
entorpeciam as consciências...

Mas, entre os altos muros que os apartavam, viu também o Senhor os que viviam desajustados quanto Ele mesmo...

Assinalou os mártires da justiça, encarcerados nas prisões; as vítimas da calúnia, açoitadas em praça pública; os heróis da fraternidade, em postes de martírio; os lidadores do bem, cedidos em pasto às feras; os amigos da educação popular, sob o cutelo de carrascos inconscientes; os perseguidos, condenados a ferros em região inóspita; as mães desamparadas, cujo pranto caía como orvalho de fel sobre a terra seca; os velhos sem esperança; os caravaneiros da nudez e da fome; os doentes sem leito e as crianças sem lar.

Entre os homens igualmente não havia lugar para eles.

Como outrora, à frente de Lázaro morto, Jesus chorou...

Chorou e suplicou a Deus a vinda de alguém que o representasse ao pé dos aflitos... alguém que lenisse chagas sem recompensa, que enxugasse lágrimas sem queixa e servisse sem perguntar...

E o Pai Misericordioso enviou-lhe toda uma coorte de anjos que O louvavam, felizes, transformando o madeiro numa apoteose de luz, com exceção de um deles que, ao invés de adorá-lo, procurou-lhe, respeitoso, os lábios trementes, como quem lhe buscasse as derradeiras ordenações.

Não percebeu a multidão desvairada o que se passou entre o Cristo agonizante e o mensageiro sublime; no entanto, de imediato, o nume celeste, sereno e compassivo, desceu do monte para os vales humanos, nos quais, desde então, até hoje, converte o ódio em amor, a expiação em ensinamento, a dor em alegria, o desespero em consolo e o gemido em oração...

Esse anjo silencioso é o Anjo da Caridade.

Por isso, toda vez que lhe ouvis a inspiração divina, abraçando os sofredores ou amparando os necessitados, ainda mesmo através da mais leve migalha de pão ou de entendimento, é a Jesus que o fazeis.

Eurípedes Barsanulfo
Psicografia em reunião pública, em 11 de janeiro de 1959
Lar Espírita Bezerra de Menezes, na cidade de Uberaba (MG)
Do livro: ‘’Através do Tempo’’
Francisco Cândido Xavier, por Espíritos Diversos

06 abril 2011

Educação Evangélica - Emmanuel


EDUCAÇÃO EVANGÉLICA

Todas as reformas sociais, necessárias nos vossos tempos de indecisão espiritual, têm de processar-se sobre a base do Evangelho.
Como? poderá objetar-nos. Pela educação, replicaremos.

O plano pedagógico, que implica esse grandioso problema, tem de partir ainda do simples para o complexo. Ele abrange atividades multiformes e imensas, mas não é impossível. Primeiramente, o trabalho de vulgarização terá de intensificar-se, lançando, através da palavra falada ou escrita do ensinamento, as diminutas raízes do futuro.

Toda essa demagogia filosófico-doutrinaria que vedes nas fileiras do Espiritismo tem a sua razão de ser. As almas humanas se preparam para o bom caminho. A missão do Cristianismo, na Terra, não era a de mancomunar-se com forças políticas que lhe desvirtuassem a profunda significação espiritual para os homens. O Cristo não teria vindo ao mundo para instituir castas sacerdotais, nem para impor dogmatismos absurdos. Sua ação visava justamente a necessidade de remodelar-se a sociedade humana, eliminando-se os preconceitos religiosos, constituiu essa ação a causa da sua cruz e do seu martírio, sem nos desviarmos, contudo, do terreno das profecias que o anunciavam.

Todas as atividades bélicas, todas as lutas anti-fraternas no seio de povos irmãos, quase todos os absurdos que complicaram a vida do homem vieram da escravização da consciência pessoal ao conglomerado de preceitos dogmáticos das igrejas que se levantaram sobre a doutrina sagrada do Divino Mestre, contrariando as suas bases, digladiando-se mutuamente, condenando-se urnas às outras, em nome de Deus.

Aliado ao Estado, o Cristianismo deturpou-se, perdendo as suas características divinas.

Sabemos todos que a humanidade terrena atinge atualmente as culminâncias de um dos seus mais importantes ciclos evolutivos. Nessas transformações, há sempre necessidade do pensamento religioso, mantendo a espiritualidade das criaturas em momentos tão críticos. A idéia cristã se encontrava afeta o trabalho de sustentar essa coesão de sentimentos de confiança e de fé, por parte das criaturas humanas, nos seus elevados destinos. Todavia, encarcerada nas grades dos dogmas católicos, a doutrina de Jesus não poderia de modo algum amparar o espírito humano nessas dolorosas transições.

Todas as exterioridades da igreja deixam nas almas atuais, sedentas de progresso, um vazio muito amargo.

E, justamente, quando o positivismo alcançava o absurdo extremo da negação com Augusto Comte e o catolicismo tocava a suprema extravagância das afirmativas com Pio IX, proclamando a suposta infalibilidade papal, o Céu deixa cair sobre a Terra a revelação abençoada dos túmulos. O Consolador, prometido pelo Mestre, chegava no momento oportuno. Urgia reformar, reconstruir, aproveitar o material ainda firme, para destruir os elementos apodrecidos, na reorganização do edifício social.

É por isso que a nossa palavra bate insistentemente nas antigas teclas do Evangelho cristão, porquanto não existe outra fórmula que possa dirimir o conflito da vida atormentada dos homens. A atualidade requer a difusão dos seus divinos ensinamentos. Urge, sobretudo, a criação de núcleos verdadeiramente evangélicos, por onde se possa veicular a orientação cristã que por sua vez deverá ser mantida no lar, pela dedicação dos seus chefes As escolas do lar são mais que precisas, em vossos tempos, para a formação do espírito que atravessará a noite de lutas que a vossa Terra está vivendo, em demanda da gloriosa luz do porvir.

Há necessidade de iniciar-se o esforço de regeneração em cada individuo, dentro do Evangelho, com a tarefa, nem sempre amena, da auto-educação, evangelizado o individuo, evangeliza-se a família; regenerada esta, a sociedade estará em caminho de sua purificação, reabilitando-se simultaneamente a vida do mundo.

Não preconizamos a educação defeituosa de determinadas noções doutrinárias, mas facciosas, por facilitarem na alma infantil a eclosão de sectarismos prejudiciais e incentivarem o espírito de separatividade. Não concordamos tampouco com a educação ministrada nos moldes desse materialismo demolidor, que não vê no homem se não um complexo celular, onde as glândulas, com as suas secreções, criam uma personalidade fictícia e transitória.

Não são os sucos e os hormônios, em sua mistura adequada nos laboratórios internos do organismo, que estruturam o espírito imortal. Ao contrário dessa visão audaciosa dos cientistas, são fluidos imponderáveis e invisíveis; atributos da individualidade que preexiste ao corpo e a ele sobrevive, que dirigem todos os fenômenos orgânicos que os utopistas da biologia tentam em vão solucionar com a eliminação da influência espiritual. Todas as câmaras misteriosas desse aparelho admirável, que é o mecanismo orgânico do homem, estão repletas de uma luz invisível para os olhos mortais.

As atividades pedagógicas do presente e do futuro terão de caracterizar-se pela sua feição evangélica e espiritualista, se quiserem colaborar no grandioso edifício do progresso humano.

Os estudiosos do materialismo não vêem que todos os seus estudos apenas se baseiam na transição e na morte. Todas as realidades da vida se lhes conservam inapreensíveis pelas faculdades sensoriais. Suas analises objetivam somente a carne perecível. O corpo que estudam, a célula que examinam, o composto químico submetido á critica minuciosa são acidentais e passageiros.

Os materiais humanos postos sob os seus olhos pertencem ao domínio da transformação, através do suposto aniquilamento. Como poderá, pois, esse movimento de extravagâncias do espírito humano presidir á formação da mentalidade geral que o futuro requer para realização dos seus grandiosos projetos? A intelectualidade acadêmica está fechada no circulo da opinião dos catedráticos, como a idéia religiosa está presa no cárcere dos dogmas absurdos.

Os cristãos novos terão de marchar contra esses gigantes, com a liberdade dos seus atos e de suas idéias.

Por enquanto, todo o nosso trabalho objetiva a formação da mentalidade cristã por excelência, mentalidade purificada, livre dos preceitos e preconceitos que impedem a marcha da humanidade. Formadas estas correntes de pensadores esclarecidos no Evangelho, entraremos então no ataque ás obras. Os jornais educativos, as revistas, os livros, os centros de estudos, os clubes do pensamento evangélico, as assembléias da palavra, o filme que ensina e moraliza, tudo sobre base do sentimento cristão, não constituem uma utopia dos nossos corações.

Essas obras que hoje surgem, vacilantes e indecisas, no seio da sociedade moderna, experimentando quase sempre um fracasso temporário, indicam que a mentalidade evangélica não está ainda edificada. Os andaimes, porém, aí estão, esperando o momento final da imponente construção.

Toda a tarefa, no momento, é formar o espírito genuinamente cristão; terminado esse trabalho, os homens terão atingido o dia luminoso da paz universal e da concórdia de todos os corações.

Emmanuel
Recebida pelo médium Francisco Xavier em 20 de setembro de 1936
Fonte: Reformador – novembro, 1936

05 abril 2011

Um Amigo que Volta - Alberto


UM AMIGO QUE VOLTA

Finalizando as nossas atividades socorristas às entidades sofredoras, na noite de 5 de agosto de 1954, tivemos a visita do velho e conhecido amigo que, um ano antes, passara em Espírito por nossa casa.

Alberto, que assim se chamava, foi médico distinto em Belo Horizonte, de quem nos escusamos de fornecer maiores elementos de identificação, por motivos óbvios.

Em sua primeira passagem por nosso templo, denotava a emoção e as preocupações peculiares ao espírito recém-desencarnado, como que preso ainda ao esgotamento que lhe impôs o trespasse, mas na presente mensagem revela-se plenamente recuperado, dispondo da inteligência, da vivacidade e da agudeza de espírito que lhe marcavam a personalidade brilhante.

Leiamos a sua palestra que ficou intitulada “Um amigo que volta”.



Enquanto nos escravizamos ao corpo de carne e sangue em que o homem mal se define, não é fácil apreender as realidades do espírito, porque soterrados nos títulos e nas convenções superficiais, deambulamos no mundo, enfarpelados com as ilações provisórias da ciência ou encastelados em teorias que só a morte consegue modificar.

Indiscutivelmente, bastaria um exame mais acurado das maravilhas da mente para descortinarmos aí alguma coisa do sublime reino da alma, preparando com segurança o futuro; entretanto, caminhamos na Terra, em câmara lenta, cosendo-nos à vaidade pessoal, como a tartaruga se prende ao pesado estojo que lhe é próprio.

Com a técnica científica, interferimos no cérebro, usando hormônios e estupefacientes ou empregando ablações cirúrgicas; todavia, presumindo descobrir nele o órgão secretor do pensamento, apenas tateamos a sombra carente de luz, porque o cérebro surge, na essência, tão longe do Espírito que através dele se manifesta, como o violino se distancia do artista que o maneja, na execução da melodia em que se lhe expressa o gênio musical.

Nossos enganos, porém, diante da vida eterna, guardam a frágil consistência da neblina perante o fulgor do sol.

Rege-se a Natureza por leis inelutáveis e o túmulo nos aguarda, impassível, restituindo-nos ao entendimento as verdades mais simples do coração.

E daqui, dos vastos horizontes que se nos desdobram à vista, reconhecemos agora o imperativo de libertação da consciência humana, vítima dos fósseis da ciência e da religião a lhe empecerem a marcha.

A morte não nos regenera tão-somente a visão interior, purificando-nos o discernimento, mas também nos constrange a contemplar a glória nascente do novo dia, cujas realizações reclamam a mobilização de todos os nossos recursos de serviço, no socorro e no esclarecimento das criaturas.

A universidade possui a lógica.

O santuário retém a intuição.

É imprescindível trabalhar com desassombro para que a escola e o templo se reúnam ao nível de mais elevada compreensão, a benefício da humanidade.

Se hoje avançadas organizações compelem a inteligência à domesticação do átomo e da energia cósmica, concitemos o coração à fé racional sobre os princípios evolutivos, moldando os tempos novos nas concepções do progresso infinito e do amor universal.

Nesse sentido, o Espiritismo, redizendo o ensinamento de Jesus, é a força de restauração e equilíbrio que nos compete enobrecer e dilatar.

Sou daqueles que beberam em vossa fonte, reajustando o próprio coração.

E, agradecendo-vos o ingresso ao novo campo de conhecimento que comecei a lavrar, digo-vos, confiante:

- Fazei o bem a tudo e a todos.
Tolerai e perdoai!...
Acendei a esperança!
Não extingais a luz.
Ajudai, hoje e sempre!...

A floresta dominadora não procede do trovão que brame ou da ventania que arrasa, mas, sim, da semente humilde que aprendeu a esquecer-se, a calar, a ajudar, a produzir e a esperar.


Pelo Espírito Alberto
Do livro: Instruções Psicofônicas
Médium: Francisco Cândido Xavier - Espíritos Diversos

04 abril 2011

Perto de Ti - Emmanuel


PERTO DE TI

Ouves expressivos comunicados do Plano Espiritual, quanto ao trabalho que te espera no mundo.

Comumente, depois disso, deixas que o próprio pensamento divague ao longe, pesquisando notícias dos males enormes que assolam a Terra.

Sabes que as grandes necessidades reclamam as grandes intervenções e refletes, para logo, nas missões gigantescas, como sejam a extinção da guerra, supressão dos preconceitos raciais que prejudicam povos inteiros, a cura de doenças que vergastam a Humanidade ou a decifração dos enigmas da ciência.

Em verdade, tudo isso demanda a presença de missionários especializados; entretanto, urge atendas aos Desígnios Divinos, na execução dos serviços menos importantes que se amontoam junto de ti.

Talvez não haja, até agora, qualquer chamamento que te peça para atuar nos conflitos armados, em outras terras, mas o Senhor te solicita para apaziguar os corações que te rodeiam para que a serenidade e a paz te presidam no campo doméstico; é possível que ninguém te aguarde, por enquanto, para qualquer contribuição no banimento das moléstias consideradas insanáveis; no entanto, o Senhor te roga socorro, em favor dos irmãos doentes que choram e sofrem, na área de tua influência pessoal e direta.

Provavelmente, não tens ainda a palavra convidada para traçar diretrizes, à frente das multidões; todavia, o Senhor conta com o teu verbo compreensivo e brando, nos círculos de tua convivência, garantindo tranquilidade e elevação àqueles que contigo compartilham a vida. Não se sabe se trazes alguma incumbência do Alto para responder aos desafios da Natureza com essa ou aquela descoberta de valor fundamental para a Humanidade, porém é certo que o Senhor espera tua colaboração para que se resolvam pequeninos problemas, no quadro das provações de quantas renteiam contigo na trilha quotidiana.

Todo serviço no bem dos outros tem grande importância perante o Divino Mestre.

Justo, assim, te interesses por todos os assuntos graves do Planeta e forçoso que faças quanto possas, a benefício dos companheiros do mundo que se vejam a longa distância da estrada em que transitas, mas é imperioso entenderes que o Senhor aguarda na tua cooperação decidida, em todas tarefas de amor, compreensão, tolerância, apoio fraterno e serviço incessante, em auxílio de todos aqueles que se encontram perto de ti.

De “Alma e Coração”
De Francisco Cândido Xavier
Pelo Espírito de Emmanuel

03 abril 2011

Ante o Divino Médico - Emmanuel


ANTE O DIVINO MÉDICO

“Não são os que gozam de saúde que precisam de médico”. JESUS - MATEUS, 9: 12.

“Jesus se acercava principalmente, dos pobres e das deserdados, porque são os que mais necessitam de consolações; dos cegos dóceis e de boa-fé, porque pedem se -lhes dê a vista e não dos orgulhosos que julgam possuir toda a luz e de nada precisar. ” - Cap. 25, 12.

Milhões de nós outros, - os espíritos encarnados e desencarnados em serviço na Terra, somos almas enfermas de muitos séculos.

Carregando débitos e inibições, contraídos em existências passadas ou adquiridos agora, proclamamos em palavras sentidas que Jesus é o nosso Divino Médico.

E basta ligeira reflexão para encontrar no Evangelho a coleção de receitas articuladas por ele, com vistas à terapia da alma.

Todas as indicações do sublime formulário primam pela segurança e concisão.

Nas perturbações do egoísmo: “faze aos outros o que desejas que os outros te façam.

” Nas convulsões da cólera: “na paciência possuirás a ti mesmo.”

” Nos acessos de revolta: “humilha-te e serás exaltado.”

” Na paranóia da vaidade: “não entrarás no Reino do Céu sem a simplicidade de uma criança.”

” Na paralisia de espírito por falsa virtude “se aspiras a ser o maior, sê no mundo o servo de todos.”

” Nos quistos mentais do ódio: “ama os teus inimigos.”

” Nos delírios da ignorância: “aprende com a verdade e a verdade te libertará.”

” Nas dores por ofensas recebidas: “perdoa setenta vezes sete.

” Nos desesperos provocados por alheias violências: “ora pelos que te perseguem e caluniam.”

” Nas crises de incerteza, quanto à direção espiritual: “se queres vir após mim, nega a ti mesmo,” toma a tua cruz e segue-me.”

” Nós, as consciências que nos reconhecemos endividadas, regozijamo-nos com a declaração consoladora do Cristo: - “Não são os que gozam de saúde os que precisam de médico.”

” Sim, somos espíritos enfermos com ficha especificada nos gabinetes de tratamento, instalados nas Esferas Superiores, dos quais instrutores e benfeitores da Vida Maior nos acompanham e analisam ações e reações, mas é preciso considerar que o facultativo, mesmo sendo Nosso Senhor Jesus Cristo, não pode salvar o doente e nem auxiliá-lo de todo, se o doente persiste em fugir do remédio.”

Emmanuel (espírito)
Extraído do livro O Livro da Esperança
Psicografado por Francisco Cândido Xavier

02 abril 2011

Mãe Cidália - Ramiro Gama


MÃE CIDÁLIA

Assim se chamara na Terra a segunda Mãe de Chico Xavier, a criatura amorosa e boa, que dissera ao seu noivo João Cândido:

— Somente me casarei com você se permitir que ajunte, em nosso lar, para os criarmos, os filhos de sua primeira mulher, nossa santa irmã Maria João de Deus, os quais vivem por aí distribuidos e criados ao léu da vida...

O Sr. João Cândido, homem cordato e bom, aquiesceu. Casou-se e, graças à Mãe Cidália, voltaram as aves ao ninho antigo, saudosas, alegres, felizes.

Foi essa Mãe por vocação, missionária do Amor, que ensinou o Chico a orar, que o encaminhou na vida, que lhe orvalhou a alma dorida e pura de ensinamentos cristãos e que realizou, com ele e seus demais irmãos, Neuza, Luíza, Lucília, Geralda, Gina, José Raimundo e outros, uma Tarefa educacional.

Mas o que é bom dura tão pouco!

Sua vida foi curta, como curtos eram seus débitos. Mas mesmo assim realizou muito, algo que comove. Desencarnou, deixando uma funda tristeza, uma enorme saudade nos corações dos filhos de sua alma.

Antes, chamara o Chico à beira de seu leito e lhe dissera entre lágrimas e num misto de saudade e consolação:

— Sei que vou morrer, meu querido filho. Mas, antes, desejo que me prometas uma coisa: que não permitirás que teus irmãos sejam, de novo, distribuidos, semeados por aí, entregues a terceiros. Desejo que tomes conta da casa, que ajudes teu pai, que veles por todos, como fiz. Lá de Cima, ajudar-te-ei sob as Bênçãos da Divina Mãe, a fim de que triunfes da Missão grandiosa que tens e que agora vai ser iniciada! O Chico prometeu-lhe atender, entre saudades e prantos. E, num halo de angelitude, respeito e proteção espiritual, mãe Cidália desencarnou feliz!

Alguns anos passaram. Todos viviam no mesmo lugar, numa casinha pobre e cheia de Paz, tendo o humilde Médium por mentor, Amigo e Irmão dedicado. O pouco que recebia, como caixeiro de uma venda humilde dava para as despesas, porque era UM POUCO COM DEUS. E, assim, entrou Chico na posse de sua Missão maior. A fonte mediúnica rebentara e uma torrente de luz beneficiava toda Pedro Leopoldo. E admirava-se por não ver entre as comunicações recebidas e nas aparições de Espíritos Amigos, seus valiosos colaboradores, a de Mãe Cidália.

Numa noite, entretanto, numa sessão íntima, realizada em casa de um parente, sob sua surpresa, vê, em plena sala, o Espírito luminoso de Mãe Cidália. Parecia-lhe mais linda. Comove-se e chora de contentamento pela auspiciosa ocorrência. Amorosa, como dantes, o Espírito chegou-se-lhe ao pé e lhe diz confidencialmente:

— Custei a aparecer, meu caro filho, porque meus trabalhos são muitos. Mas, vejo-te sempre protegido e me alegro. Esforcei-me, hoje, para vir até aqui, porque há um justo motivo...

— Justo motivo, tartamudeia o bondoso Médium...

— Sim. Preparem-se, pois um de vocês vai partir daí para aqui. Obtive a permissão para ficar perto de vocês, por alguns dias, a fim de receber o que foi escolhido.

Abraçou e abençoou seu filho e desapareceu. Acabada a Sessão, o Chico contou o que vira e ouvira aos seus caros entes familiares. Uma das irmãs pensou em seu pai João Cândido, portador de grave pielite e de uma hérnia ameaçando estrangular-se, caso não a operasse. E cada ente familiar pensou em alguém do lar.

Dias se passaram. O Sr. João Cândido foi operado e estava fora de perigo.

Então, quem seria? Cada um perguntava a si mesmo.

Nesta conjetura, recebem a notícia de que a irmã Neuza, residente em Sete-Lagoas, adoecera. E, não obstante o cunhado, esposo de Neuza, afirmar ser uma enfermidade leve, o Chico pede para a trazerem para Pedro Leopoldo, porque sentia que era grave o seu estado. Era a escolhida para partir. Mãe Cidália vinha buscá-la.

E Neusa vem e fica sob os cuidados dos irmãos, inclusive do Chico. O Médium lhe sente o desencarne próximo.

Numa tarde, depois da prece costumeira, feita pelo Chico, sob surpresa dos presentes, pétalas de rosas chovem sobre o leito da enferma, O fenômeno, revelando o mérito de Neuza e seu desencarne iminente, comove a todos e os prepara para o golpe que se avizinhava.

E, na manhã seguinte, como um pássaro, o Espírito de Neuza, esclarecido e bondoso, deixa a gaiola da carne e sobe à Espiritualidade do Lar Maior.

Mãe Cidália aparece ao Chico e diz-lhe:

— Foi este o Anjo escolhido. Fique em Paz. Vou acompanhar a Ave libertada e feliz. Adeus!

Uma parente do Chico nos contou este lindo Caso, comovendo-se e comovendo-nos. Dá-nos uma bela lição, revelando-nos o que espera, na hora libertadora, os que sabem viver bem, com e por Jesus. Depois, sem nada dizer-nos, foi ao seu quarto e de lá nos trouxe duas pétalas, já murchas e perfumadas, das que caíram sobre o leito de Neuza. O presente nos emocionou, sobremodo. E o guardamos na carteira, junto ao coração.

De quando em quando, junto com a prezada esposa, contemplamos as duas pétalas. E lembramo-nos de Neuza e sentimo-la como uma Estrela, que ganhou os cinco raios, e vive, radiante e feliz, num Trabalho Maior, junto à Grande Estrela, que é Maria Santíssima, na Constelação de Jesus!

E achamos nossa cruz leve, nossa prova, tão fácil de ser vencida e vontade imensa de sermos melhores!

Que Jesus possa abençoar, hoje e sempre, os Espíritos queridos de Mãe Cidália e de Neuza!

RAMIRO GAMA

01 abril 2011

Perenigração para o Reencontro - Nina Arueira


PEREGRINAÇÃO PARA O REENCONTRO

Realmente, ao alvorecer do novo dia, que é a reencarnação, começamos a jornada à maneira de pássaros felizes. A alegria e a confiança representam nosso clima comum e, dentro da sublime inspiração da fraternidade, guardamos a idéia de que nossos sentimentos prosseguem no espírito de quantos nos partilham os propósitos renovadores. O júbilo canta em todas as manifestações emocionais e celebramos verbalmente o pacto luminoso do apoio recíproco na romagem da redenção.

Entretanto, quando o sol do meio-dia pede o suor do trabalho, a caravana diminui e, quando as nuvens prometem borrasca, são raros aqueles que não se confiam à fuga precipitada, em busca dos abrigos fantasiosos da ilusão. Chegados a semelhantes obstáculos na marcha, é necessário centralizar o coração Naquele que nos ama desde o princípio para que não venhamos a sucumbir, porque a indiferença costuma desfigurar o entusiasmo, o desalento se espalha entre fluidos enregelantes, o abandono e o receio aparecem fustigando-nos o ideal de servir, a incompreensão cerras as portas de almas cuja dedicação era nosso tesouro,e a maldade, por tóxico sutil, alcança caracteres e consciências respeitáveis, atrasando o nosso relógio de ascensão.

Só o Cristo vivo, no imo do ser, pode fortalecer-nos em ocasiões dessa espécie, de vez que é imprescindível perseverar até o fim.

A peregrinação para o reencontro do Amigo Divino não pode ser diferente.

Muitos chamados pela graça, poucos os que se elegem pelo esforço.

Muitos que prometem obras mil e raros que cogitam da purificação de si mesmos, para que o apostolado do Senhor não seja esquecido.

O preço da luz, porém, é a morte da treva e para que a sombra desapareça devemos combater, ainda, com todas as forças do espírito.

Vale, todavia, o sacrifício, porque só aquele que amealha energias no centro do coração, para superar as próprias fraquezas, consegue a coroa luminosa dos cimos.

Dolorosa é a subida, inquietante é a aflição, ignominiosa é a morte para os nossos antigos enganos da Terra, mas a ressurreição permanece cheia de glória e de poder.

Ainda que os nossos companheiros mais amados não possam sentar-se conosco à mesa das aflições, para o repasto da renúncia e da humildade, em aprendizado de cada dia com o Mestre dos Mestres, prossigamos, porque o Amor nos espera com Jesus, de braços abertos, no calvário de nossa suprema libertação.

Pelo Espírito Nina Arueira
Do livro: Tempo e Amor
Médium: Francisco Cândido Xavier