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10 novembro 2012

Estupro e Aborto - Ricardo Di Bernardi



ESTUPRO E ABORTO

Em diversas oportunidades, quando fizemos palestra sobre a questão da Reencarnação e Aborto, fomos questionados posteriormente sobre a doloroas e delicada circunstância do estupro. Principalmente ao se propiciar perguntas nos serem dirigidas por escrito, este aspecto sempre era levantado.


Embora o tema seja potencialmente desagradável, não há como ignorá-lo no contexto de nossa situação planetária.

A grande discussão que se levanta é a legitimidade ou não, do aborto, quando a gravidez é conseqüente a um ato de violência física.

Mais uma vez, nos posicionamos em relação ao aspecto legal da questão nos abstendo de maiores comentários, pois leis e constituições os povos já as tiveram inúmeras e tantas outras terão.

Nossa abordagem será pelo ângulo transcendental e reencarnacionista e considerando que são três (3) espíritos, no mínimo, envolvidos na tragédia em questão.

Também, quanto ao aspecto da ética médica, a qual estamos submetidos por força da profissão que nesta encarnação exercemos, lembramos ser esta ética diferente em cada país do planeta. Numa escala de zero à 10, teremos todas as notas, conforme a nação e o continente que nos detivermos em nossa aldeia global.

Inicialmente também, cumpre-nos esclarecer que o livre arbítrio é o maior patrimônio que nos, espíritos humanos,temos alcançado ao adentrarmos nesta faixa evolutiva pensante. Livre arbítrio que não legitima atitudes, mas oportuniza às criaturas decidir e se responsabilizar pelas conseqüências de seus atos (posteriores).

Outra premissa que deveremos estabelecer é aquela da maior ou menor repercussão dos atos perante a Lei Universal, em função do nível de esclarecimento que possuímos.

Importante também salientar que não há atos perversos que tenham sido planejados pela espiritualidade superior. Seria de uma miopia intelectual sem limites, a idéia de que alguém deve reencarnar a fim de ser estuprado. A concepção do Deus punitivo e vingativo já não cabe mais no dicionário dos religiosos esclarecidos sobre a vida espiritual. Deus é uma fonte inesgotável de amor. É a Lei maior que a tudo preside. Lei coordenadora das leis naturais.

Como conceber a violência física? Como enquadrar a onipresença divina em todas as situações e sofrimentos com que convivemos? Deus estaria ausente nestas circunstâncias? Ou estaria presente? Para muitos indivíduos, se estivesse presente já seria motivo para não crer na sua existência ou na sua infinita bondade e onisciência.

Quem é a “vítima”?
Cada um de nós ao reencarnar trouxe todo o seu passado impresso indelevalmente em si mesmo. Já nos referimos aos núcleos energéticos que trazemos em nosso inconsciente pretérito. Espíritos que somos e pelas inúmeras viagens que percorremos, representadas pelas múltiplas vidas, possuímos no nosso “passaporte” inúmeros carimbos das pousadas onde estagiamos no passado. Hoje a somatória destas experiências se traduzem em manancial energético que irradia constantemente do nosso interior para a superfície.

Assim é também a “vítima”. A jovem que hoje se apresenta de forma diferente, traz em seu passado profundas marcas de atitudes prejudiciais a irmãos seus. Atitudes de desequilíbrio que são gravadas em si mesma. Algumas delas participaram intelectualmente de verdadeiras emboscadas, visando atingir de maneira dolorosa a intimidade sexual de criaturas. Outras foram executoras diretas, pela autoridade de que eram investidas, de crimes nesta área. Enfim, são últiplas as situações geradoras da desarmonia energética que agora pulsa constantemente nos arquivos vibratórios da nossa personagem em questão.

Pela lei universal da sintonia de vibrações, embora aparentemente a vestidura cândida da moça não traduza os arquivos do passado, poderá em dado momento ser atraída por uma circunstância similar àquela que perpetrou em outras eras.

É claro que o trabalho constante da família em termos de educação e amor, e o esforço pessoal da criatura, somando ao incansável labor dos protetores espirituais, poderá afastar a situação a que se sujeita. Não existe fatalidade. Existe apenas a tendência ou predisposição, a qual sempre estará dependendo da maior ou menor facilitação dos envolvidos no processo.
Lembramos também que os familiares que sofrerão em diferentes graus as repercussões do crime em foco, são agora novos personagens do teatro da vida, mas encenaram juntos a uma mesma peça do passado.

O agressor, que muitas vezes surpreende pela escolha menos estética da vítima, na realidade, em seu desequilíbrio patológico, entrou em sintonia com a vítima de hoje devido nela existir algo que tem ressonância com sua enfermidade psíquica.

A lei da gravidade existe. Não é boa nem má. Simplesmente existe. Se jogarmos uma pedra para o alto e ficarmos aguardando seu impacto sob a linha de queda, fatalmente seremos atingidos. Não se trata de punição divina, a lei da gravidade é uma lei universal que cumpre automaticamente sua função. O mesmo ocorre com a lei de ação e reação, e a lei de sintonia energética.

Se já tivermos jogado a pedra para o alto, só nos resta abrir o guarda-chuva da caridade e da postura ética para reduzirmos o impacto da energia que movimentamos no passado.

No entanto, no assunto ora ventilado, a violência ocorreu e a gestação se apresentou como surpresa desagradável. Como orientar a vítima?

***

Identificados os dois protagonistas da gestação, falemos acerca da entidade reencarnante.

Em certas ocasiões, o ser que mergulha na carne nesta dolorosa circunstância é alguém que vibra na mesma faixa de desequilíbrio. Um espírito que pelo ódio se imantava magneticamente à aura da jovem de hoje pedindo-lhe contas pelos sofrimentos que no passado ela lhe causara, se vê preso às malha as energéticas do organismo biológico que se forma. O processo obsessivo que vinha desenvolvendo já o fixara perifericamente à trama perispiritual materna e agora definitivamente adere ao vaso físico.

Apesar do momento cruel, a Lei maior aproveita para retirar o perseguidor e adormece-lo. Acordará talvez embalado pelos braços de sua antiga algoz que aprenderá a perdoar e até amar em função do esquecimento do pretérito.

Lembramos novamente, não foi em hipótese alguma programado o estupro, nem ele em circunstâncias quaisquer se justificaria. No entanto o crime existindo, a espiritualidade sempre fará o máximo para do mal ser possível resultar algum bem.

Mas, muitas vezes a gestante pressionada pelos vínculos familiares opta por interromper a gravidez indesejada.

Muitos de nós que falamos sobre o aborto ou até aqueles que preconizam esta ato, jamais tiveram o ensejo de assistir a execução do mesmo. Em muitos países, em que a legislação permite até o 5º ou 6º mês de desenvolvimento fetal, ou ainda mais além nos casos de estupro, observa-se um quadro tétrico.

Fragmentos de braços e pernas, mãos delicadas e dedinhos ensangüentados são jogados nos baldes frios da indiferença humana. Fetos às vezes retirados inteiros por cesariana, são colocados sobre bandejas onde pela imaturidade pulmonar respiram irregularmente até morrer.

Somos contrários a teatralidade, e a estes recursos chocantes que se exigem em filmes e slides para ferir a sensibilidade das pessoas. A falta de argumento e conhecimento espiritual do processo que se desencadeia, é que faz lançar mão destes métodos agressivos de exposição. A visão espiritual da situação pode dispensar estes recursos de que se servem as correntes religiosas por desconhecerem a pré-existência da alma.

O espírito submetido à violência do aborto sofre intensamente no processo, conforme o seu grau de maturidade espiritual.

Perante a lei divina sabemos que o espírito reencarnado não deve receber a agressão arbitrária em face da violência cometida por outro. Violência que gera violência, um ciclo triste que necessita ser rompido com um ato de amor a um entezinho que muitas vezes aspira por uma oportunidade de evolução.

O aborto provocado gera muitas vezes profundos traumas em todos os envolvidos que exacerbam a dolorosa situação cármica da constelação familiar.

Ninguém é mãe ou filho de outrem por casualidade, há sempre um mecanismo sábio da lei que visa corrigir ou atenuar sofrimentos.

Há, também, espíritos afins e benfeitores que visando amparar a futura mãe, optam pelo reencarne na situação surgida.

A vítima do estupro, poderá ter ao seu lado toda a luz de alguém que poderá vir a ser o seu arrimo e seu consolo na velhice. Irmãos cheios de ternura em seu coração, com projetos de dedicação e amparo, aproveitam o momento criado pelo crime para dar diretamente na vida material todo o seu trabalho para aquela que amam. Renascem como seu filho.

A eliminação da gravidez, através do aborto provocado nestes casos, irá anular este laborioso auxílio que o espírito protetor lamentará ter perdido.

Pelo exposto, a interrupção da gestação mesmo decorrente de violência, é sempre uma atitude arbitrária e que só ampliará o sofrimento dos familiares. Se a jovem for emocionalmente incapaz de atender aos requisitos da maternidade, a adoção, preferencialmente por pessoas de vínculos próximos, deverá ser o remédio indicado. Se não houver possibilidades, psiquicamente aceitáveis, de recepção por parte dos familiares, encaminhe-se os trâmites da adoção para quem receberá aquela criatura com o amor necessário ao seu processo redentor e educativo.

O tempo se encarregará de cicatrizar os ferimentos da alma.

Autor: Ricardo Di Bernanrdi
Obra: Gestação: Sublime Intercâmbio
InteLítera Editora - 26

09 novembro 2012

A Cilada das Almas Gêmeas - Joana Abranches




A CILADA DAS ALMAS GÊMEAS

A Doutrina Espírita é clara no que diz respeito às almas gêmeas. Não existem metades que precisam se completar para desfrutar a eterna felicidade. Cada um de nós é uma individualidade que estabelece laços e afinidades com outras individualidades, através dos tempos e das vivencias sucessivas. Se substituirmos o termo “gêmeo” por “afim”, vamos perceber que são muitas as almas afins que encontramos e reencontramos por esse mundão de meu Deus, e que todas elas, cada uma seu modo, têm seu espaço e importância em nossa caminhada. Podemos dizer então que são várias as nossas “almas gêmeas”. Amigos, filhos, irmãos, pais, mães, maridos e esposas, entre outros, formam a imensa fileira das relações de afinidade construídas vidas afora.


Porém, apesar da clareza dos ensinamentos espíritas, ainda vemos muita gente boa, dentro do nosso movimento, cair nessa armadilha emocional, que está mais pra conto do vigário que pra conto de fadas, e pode gerar graves conseqüências, não só na vida pessoal, como também no núcleo espírita em que trabalham.

Temos presenciado histórias preocupantes. Aqui, são aqueles dois médiuns, ambos casados com outros parceiros, que se descobrem “almas gêmeas”; E aí, tentam se enganar que estão “renunciando”… Mantém-se em seus casamentos, mas tornam-se “irmãos siameses” na Casa Espírita. Sentam-se lado a lado nas reuniões, são vistos juntos em todos os lugares, dão sempre um jeitinho de fazer parte da mesma equipe (isso quando não arranjam uma missão que “a espiritualidade designou somente aos dois”) e se isolam pelos cantos em conversas particulares sem fim. Só tem olhos um para o outro e, em tal enlevo, não se dão conta que à sua volta todos sentem o que está acontecendo, sobretudo seus maridos e esposas, humilhados publicamente no melhor estilo adultério por pensamento e intenção, embora sob a máscara do amor fraternal. Sim, porque o fato de não partirem para o ato sexual não os exime do abandono afetivo e da traição emocional em relação aos cônjuges.

Acolá, é aquela irmã solitária e carente, que se depara com o eloquente e carismático orador. Que palestra!… Que palestrante!… Que homem! Ele só tem um defeito: É casado!… E logo com aquela senhorinha já envelhecida e meio sem graça… Que desperdício!… E eis que de repente ele também a vê na platéia… Bonitona, elegante, jovial e olhando-o com aquele olhar de admiração apaixonada que há muito ele não percebe na companheira… Afinal, o casamento – como todos após lá seus trinta anos – já entrou na rotina. Oh céus! Ali mesmo cupido dispara a flecha e zás!… Começam as justificativas íntimas: “Como não tinham se descoberto antes?!… Por certo eram almas gêmeas que há muito se procuravam… O casamento foi um equívoco; o reencontro uma programação para que pudessem trabalhar juntos para Jesus.” Resolvem então assumir o romance. A mulher dele, abandonada após anos de companheirismo e convivência, entra em profunda depressão, os filhos se revoltam, a família se desestrutura, os companheiros se retraem, decepcionados e temerosos… “Ora, quem tem suas mulheres e maridos que se cuide, pois se aconteceu com o fulano, que era um exemplo, ninguém está livre”…

Instala-se então o tititi e a desconfiança. Daí para o escândalo é apenas um passo, e para o afastamento constrangido dos próprios envolvidos, sua família e outros tantos trabalhadores desencantados com a situação, é um pulo. Sofrimento, deserção e descredibilidade. Tudo pelo direito ao “felizes para sempre”junto à sua “metade da laranja”… Mas, onde é que está escrito, no Evangelho, que é possível construir felicidade sobre os escombros da felicidade alheia ou edificar relacionamentos duradouros em alicerces de leviandade e egoísmo?

Temos visto estrondosos equívocos desse tipo mexer seriamente com estruturas de famílias e Casas Espíritas, fazendo ruir Instituições e relações que pareciam extremamente sólidas. Temos visto companheiros valorosos das nossas fileiras, que caminhando distraídos de que “muito se pedirá àquele que muito tiver recebido”, de repente resolvem jogar pro alto o patrimônio espiritual de uma vida inteira, em nome do “amor”. E assim, cônjuges dedicados e dignos são descartados como se não tivessem alma nem sentimentos, em detrimento de aventuras justificadas por argumentos inconsistentes, sem nenhum respaldo ético/moral ou espiritual. Isto quando ainda há um mínimo de honestidade e se pede a separação, porque alguns preferem continuar comodamente em seus relacionamentos “provacionais”, porém mantendo, na clandestinidade, um “afair” paralelo com a tal “metade eterna”, sob a desculpa esfarrapada de que a família deve ser poupada, pois “família é sagrado!!!”

Logo se faz sentir o efeito dominó. Lá adiante, após vários corações feridos e muitas quedas morais, a convivência faz a alma gêmea virar “alma algemada”. As desilusões chegam, inevitáveis, com todo o peso resultante das atitudes ditadas pelas paixões, mas na maioria das vezes, já é tarde pra retomar, ainda nesta existência, o percurso abandonado.

Reflitamos. Ninguém chega atrasado na vida de ninguém. Se chegou depois é porque não era pra ser. E se não era pra ser há um bom motivo para isso, visto que as Leis Divinas são indiscutivelmente sábias, justas e providenciais. Não tem pra onde fugir: Quando o teste nos procura, ou somos aprovados ou forçosamente teremos que repetir a lição futuramente, e em condições bem mais adversas…

Podemos reencontrar, no grupo de trabalho espírita, grandes amores e paixões do passado que nos reacendem sentimentos e sensações maravilhosas? Sim. Podemos olhar para companheiros de ideal espírita com outros olhos que não sejam os do amor fraternal? Sim. Nada mais natural. Mas sabemos, pelo Apóstolo Paulo, que poder nem sempre significa dever… Portanto, o bom-senso nos diz que investir ou não afetivamente nessas pessoas, vai depender de que ambos estejam livres para fazê-lo.

Alguém haverá de argumentar que casamento não é prisão e que aliança não é corrente; que ninguém está preso a ninguém “até que a morte os separe” e que o próprio Cristo admitiu a dissolução do casamento. Porém, o espírita não desconhece que, na maioria dos casos, muito além dos compromissos cartoriais existem profundos compromissos e dívidas emocionais entre aqueles que se escolheram como marido e mulher nesta vida. Compromissos muito sérios para serem dissolvidos porque o corpo requer sensações novas, porque a mulher envelheceu, perdeu o brilho ou porque o marido ficou rabugento… Como se o outro estivesse só quebrando um galho enquanto a “outra metade” não chegava…

Todos almejamos felicidade, e no estágio evolutivo em que nos encontramos, isso ainda tem muito a ver com realização afetiva. Por isso mesmo, não devemos ignorar que só a quitação de antigos débitos emocionais é que nos facultarão essa conquista. Precisamos interiorizar, de uma vez por todas, que os casamentos por afinidade ainda são raros neste momento planetário, e que se ainda não conseguimos amar o parceiro que nos coloca em cheque ou aquele que não corresponde aos nossos anseios, o conhecimento das leis morais exige que ao menos nos conduzamos com um mínimo de retidão e tolerância diante deles. Tal consciência nos exige também, caso nos sintamos atraídos por companheiros já comprometidos, que nos recusemos terminantemente, sob qualquer pretexto, a desempenhar o deprimente e desrespeitoso papel da terceira pessoa numa relação, pois não há conversa fiada de alma gêmea que dê jeito no rombo emocional aberto pela desonestidade afetiva, nem justificativa de carência e solidão que nos permita desviar da rota do dever sem que tenhamos, forçosamente, que colher amargos frutos, porque “se o plantio é livre, a colheita é obrigatória”.

Não se colhe rosas plantando espinhos. Sejamos responsáveis diante daqueles que escolhemos e que nos escolheram para compartilhar a vida. Acautelemo-nos contra as ilusões. Se os nossos anseios são irrealizáveis por agora, respeitemos as limitações impostas pelo momento que passa; Por mais possa doer olhar de longe um dos muitos seres amados, que cruza o nosso caminho nesta vida, mas que já optou por outra pessoa, só a dignidade de nos manter à distância é que vai possibilitar, pelas justas leis da vida, que conquistemos por mérito, lá na frente, em outras circunstancias, a alegria do reencontro e a partilha do afeto junto àquele que nos é tão caro, porque estaremos redimidos dos ônus afetivos do ontem através das atitudes renovadas do hoje.

“Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça, e tudo o mais vos será acrescentado” (Mateus 6.33)

Saibamos buscar… Saibamos esperar… Trabalhemos por merecer… Afinal, temos pela frente a eternidade!

Joana Abranches – Assistente Social e Presidente da Sociedade Espírita Amor Fraterno – Vitória/ES

08 novembro 2012

Sequência - Emmanuel


SEQUÊNCIA

Se desejas alcançar a caridade e a ciência nos cimos do progresso, observa a produção da árvore sábia e simples.

De início, a sementeira.

Mais tarde, o crescimento.

Depois, a floração.

No fim, a frutescência.



***

Não pedirás, assim, à roseira nascitura que se cubra de flores, simplesmente porque surja a teus olhos. Oferecer-lhe-ás água e adubo, carinho e defesa, para que te possa retribuir na tela das horas com o ramo perfumado a enriquecer-te o jardim.

***

Não reclamarás da criança a interpretação da cultura clássica, apenas porque demonstre vivacidade e inteligência. Dotá-la-ás, como é justo, com os talentos da escola e da educação, para que, no curso dos dias, te satisfaça a exigência.

***
Lembra-te da casa nobre começando nos alicerces, e não te desmandes na pressa, a fim de que a tua existência se ajuste à gloriosa sinfonia da vida.



***

Ninguém trairá os imperativos do tempo, no campo da evolução.

***


As próprias constelações e os próprios átomos obedecem à lei do ritmo e procedem segundo as disposições da ordem no seu mecanismo certo.


***

Recordemos, desse modo, quanto temos recebido dos Benfeitores da Vida Mais Alta, em tolerância e renúncia, até abordarmos a faixa de entendimento em que hoje nos situamos e, endereçando à retaguarda as mãos incansáveis e amigas, saibamos ajudar e socorrer, perdoar e amparar, infatigavelmente, na certeza de que, apenas assim, repetindo indefinidamente as lições do roteiro, sob a inspiração da bondade e da paciência, é que atingiremos, por nós mesmos, a auréola da sabedoria e do amor que nos aguarda ante a luz dos sóis sublimados e infinitos.

De "Inspiração"
De Francisco Cândido Xavier
Pelo Espírito Emmanuel)

07 novembro 2012

Dos Desvios e Distorções Doutrinárias Orson Peter Carrara


DOS DESVIOS E DISTORÇÕES DOUTRINÁRIAS

Há que se dedicar muito cuidado e atenção na prática cotidiana da programação de nossas instituições espíritas. O compromisso do adepto espírita é com o Espiritismo. E Espiritismo está claramente definido nas obras básicas de Allan Kardec. As inclusões indevidas, práticas que distorcem, inovações oriundas de nossas distrações doutrinárias e mesmo quando criamos o “nosso espiritismo”, correm por nossa conta e risco, gerando responsabilidades de expressão, face às noções indevidas que podemos estar semeando em pessoas que agora se aproximam da Doutrina Espírita e o conhecem distorcido de suas propostas verdadeiras.

O compromisso do Espiritismo é com a renovação moral do ser humano. Totalmente conectado com o Evangelho de Jesus, suas bases visam esclarecer e orientar sobre nossa natureza, origem e destinação como filhos de Deus. Fundamentado em bases racionais e exclusivamente voltado ao crescimento intelectomoral dos filhos de Deus, o Espiritismo dispensa condicionamentos, dependências de qualquer espécie, imposições, exigências e fanatismos que possam ou queiram se impor.

Quando se fala em condicionamentos e dependências, há um leque enorme de situações sutis que vamos nos permitindo e que deformam totalmente a genuína prática espírita. Alguém poderia perguntar: mas qual ou quais? Relacione uma ou mais. Não há necessidade de citar, discriminar ou criar outros perigosos caminhos que são os do preconceito ou do orgulho ferido e mesmo possíveis imposições ou críticas que não cabem.

A resposta é fácil. O Espiritismo possui e oferece ferramentas úteis e precisas para se evitar condicionamentos e dependências. Basta que perguntemos a nós mesmos: o que espero ou faço do Espiritismo? Como dirigente, palestrante, escritor ou colaborador/tarefeiro em qualquer área de atividade nas instituições – pois que não há qualquer atividade que seja mais importante ou mereça qualquer destaque, já que somos todos meros aprendizes –, como estou me portando?

Aprisiono ou liberto e motivo as pessoas? Uso ameaças, chantagem e imponho minhas ideias e vontades como as únicas corretas? Sou daqueles que recriminam e acusam, desprezam ou não desmerecem o esforço alheio? Não é preciso continuar. Muitas outras situações podem ser incluídas.

Com tais posturas, onde vão se incluir os desdobramentos próprios do orgulho, da vontade de dominar, da vaidade e da prepotência, geram os problemas que aí estão, esperando nossa submissão à realidade do que realmente somos: todos meros aprendizes.

O pior de tudo isso é que deixamos que nossas tendências introduzam práticas estranhas ao Espiritismo na prática cotidiana dos Centros, como as atuais novidades incoerentes com a genuína prática espírita. Quais são as novidades? Novamente não é nem preciso citar. Basta observar com atenção! Os desvios surgem e as novidades aparecem quando esquecemos a prioridade do Espiritismo: nossa melhora e progresso moral.

E a orientação desse programa está claramente nas obras básicas, que esquecemos de consultar, de estudar, refletir e divulgar. E principalmente de fazê-la amplamente compreensível, em suas riquezas, para aqueles que se aproximam – sedentos por entender – e são bombardeados com condicionamentos que, ao invés de libertarem, aprisionam e repetem os mesmos equívocos da história bem conhecida, ao longo do tempo.

É nosso dever respeitar o Espiritismo! É nosso dever transmitir Espiritismo com fidelidade. Muitas pessoas que agora se aproximam do Espiritismo não trazem uma formação anterior que lhes facilite entender os fundamentos do Espiritismo e estes precisam ser explicados, comentados, exemplificados com clareza.

E, infelizmente, diante de tanta grandeza moral à disposição para cumprir sua justa finalidade, ficamos usando nosso tempo, recursos e inteligência para finalidades absolutamente distantes da genuína prática espírita que não é outra senão a caridade, em sua ampla abrangência, que não se restringe à doação de coisas, mas à doação de nós mesmos na gentileza, na sensibilidade, na atenção, no estender das mãos, no trabalho em favor do bem geral,  etc, etc.

Abramos os olhos. Nossa responsabilidade é enorme.  E nossa fragilidade também...




Orson Peter Carrara (Matão/SP)
Escritor e orador espírita. Constultor Editorial residente em Matão/SP, Articulista da imprensa espírita, tem colaborado com diversos órgãos da imprensa espírita, entre revistas e jornais do país, além de boletins regionais.  Autor dos livros "Causa e Casa Espírita" e "Espíritos - Quem são? O que fazem? Onde estão? Por que nos procuram?", seus textos caracterizam-se pela objetividade e linguagem acessível a qualquer leitor, estando disponibilizados em vários sites de divulgação espírita.
Seu site www.orsonpcarrara.com.br
e-mail: orsonpeter@yahoo.com.br
                                   Blog: http://orsonpetercarrara.blogspot.com/

06 novembro 2012

Pesos Inúteis (refletindo sobre a morte) - Hammed


PESOS INÚTEIS
(refletindo sobre a morte)

“Se perscrutásseis melhor todas as dores que vos atingem, nelas encontraríeis sempre a razão divina, razão regeneradora, e vossos miseráveis interesses seriam uma consideração secundária que relegaríeis ao último plano…” (O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. V, item 21)

Quanto mais a ciência biológica estuda as estruturas íntimas dos seres vivos, mais claramente constata que os fenômenos nascimento e morte são etapas de um processo natural da vida. Mesmo assim, nos agarramos à ideia de que somos separados da Natureza e encaramos a morte como o fim de tudo, numa visão isolada, desumana e insuportável de conceber.

Não nos auxilia em nada considerar a morte um adversário; porque mesmo assim, ela continuará fazendo parte de nossa existência. E ao tentar negá-la, estaremos nos distanciando ainda mais da realidade integral.

Todavia, ao provar o sentimento de perda, passamos por uma das maiores experiências como seres humanos: somos impulsionados a uma intensa reflexão, conseguindo, a partir daí, observar melhor as verdades transcendentais da Vida.

Nada se perde no Universo “Todo-Poderoso”, tudo se transforma de modo maravilhoso, e com o passar do tempo aprendemos a entender e a aceitar a morte, numa visão harmônica e translúcida.

Em verdade, a morte física não nos tira a vida, mas simplesmente faz com que passemos a transitar por novos caminhos. E como não temos a posse sobre os outros, ou melhor, as pessoas não nos pertencem, a Vida Maior constantemente nos coloca à disposição situações e lugares novos, nos mais diversos planos existenciais, para que possamos nos enriquecer com as múltiplas experiências.

Somos nômades do Universo, viajantes das vidas sucessivas, na busca do aperfeiçoamento.

Há infortunados que sofrem por longo tempo a perda de pessoas amadas que passaram para outros níveis espirituais. É realmente aflitiva a saudade mesclada na dor, que abala a alma daquele que vê partir seus entes queridos. Ainda que a dor seja intensa, o homem deve ser honesto consigo mesmo, buscando continuadamente uma percepção mais precisa dos processos pessoais de “não-aceitação” em face da morte e uma conscientização do porquê dos “sentimentos de rejeição” que o mantêm preso a um constante círculo de pensamentos inconformistas.

Certos indivíduos sentem profunda culpa se não chorarem e não se lastimarem indefinidamente, porque acreditam que as pessoas poderão julgá-lo como desumano e desprovido da capacidade de amar os familiares que partiram.

Outros, por terem atitudes conservadoras e limitantes a respeito da afetividade, cultuam falecidos entes queridos para sempre, como se não existisse mais ninguém para amar. Exageram uma época de grande felicidade, não acreditam que possam ter ainda encontros alegres e vivem amarrados no passado propositadamente.

Por medo da solidão, certas criaturas lamentam de forma ininterrupta a privação de seus parentes, num fenômeno quase que inconsciente, para chamar a atenção de outros familiares, a fim de que estes supram suas carências afetivas e suas necessidades básicas de consideração.

Diversas pessoas que já atravessam leves crises de melancolia, ficam sujeitas a períodos angustiantes ainda mais longos e agravados quando perdem seus afetos. Sem se dar conta de que, se examinassem com mais cuidado as matrizes dos seus estados depressivos, melhorariam sensivelmente; e que, por projetarem a causa de sua aflição apenas sobre a perda, sofrem muito sem a mínima condição de vislumbrar a cura definitiva.

Existem almas que passam vidas inteiras ao redor de outras almas, cuidando delas. Por não ter vida própria, estão sujeitas a um grau de dependência e apego enorme. Cultivam a dor como pretexto para sentir-se mais vivas e mais estimuladas, porque tudo que lhes restou foi agarrar-se às lembranças dolorosas na crença de que não podem mais parar de sofrer pela separação dos seres amados.

Nossos sentimentos resultam dos processos de nossas percepções, emoções e sensações acumuladas ao longo das vidas pretéritas e da vida atual, e é através deles que temos toda uma forma peculiar de sentir e agir.

Não obstante, analisando nossos sentimentos de perda e interpretando os reais fundamentos de nossas dores, poderemos nos conscientizar se estamos agravando ou não “nosso sentir”. As dores da separação de filhos, cônjuges, irmãos e amigos podem ser agravadas, se a elas juntarmos o sentimento de culpa, remorso, dependência, conservadorismo, medo e não-aceitação.

Lembremo-nos, porém, das palavras de Paulo: “E, quando este (corpo) mortal se revestir da imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, o teu aguilhão?”

Façamos, dessa forma, uma transubstanciação de nossos padecimentos e pesares, apartando todos os “pesos inúteis”, descartando-os e substituindo-os pelas “doces brisas” dos ensinos da Vida Eterna. Agindo assim, veremos abrandar em pouco tempo nosso coração turvado e pesaroso, que depois se tornará verdadeiramente aliviado e translúcido.

Livro Renovando Atitudes
Espírito de Hammed
Médium:Francisco do Espírito Santo Neto

05 novembro 2012

Ante o Amor - Joanna de Ângelis



ANTE O AMOR

Quando te encontres semivencido pelos problemas que comumente assaltam o homem na trilha da evolução, já experimentando o ressaibo da amargura e do desencanto, ou quando à borda do resvaladouro, na direção do crime e da alucinação, antes da decisão aconselhada pela ira ou pela violência, perguntes ao Amor a trilha que deves tomar e o Amor te responderá com sabedoria como prosseguires, não obstante o céu nublado e os caminhos refertos pela perplexidade e pelo pavor.

Talvez não consigas alcançar a meta da paz que persegues imediatamente nem a logres em caráter mediato-próximo.

No entanto, não desfaleças na tentativa.

O amor te faltará em mansuetude e brandura, paz e esperança.

Todo esse conjunto de valores exigir-te-á grande esforço e aguardarás tempo, a fim de se materializarem, modificando o contingente das realizações habituais.

Apesar da aspereza que a decisão amorosa te exigirá, fruirás desde o início da decisão uma tranquilidade que decorre da consciência liberada das amarras infelizes do personalismo enfermiço quanto do egoísmo perturbador.

No Amor — Causa primeira de todas as coisas porquanto a Criação é um ato de amor — se iniciam e se findam todas as ambições, encontrando-se respostas para todas as situações da problemática moral e humana.

Ante o Amor, a dificuldade torna-se desafio, 

a dor faz-se teste,

a enfermidade constitui resgate,

a luta se converte em experiência,

a ingratidão ensina,

a renúncia liberta, 

a solidão prepara

e o sacrifício santifica...

Naturalmente, o Amor impõe necessidades e valores retributivos, quiçá desconhecidos no momento da doação.

Quando, porém, alguém recebe o magnetismo do amor, sem que o perceba, vitaliza-se, acalma-se, renova-se e ama. Nem sempre devolve àquele que lhe doa a força do amor, não obstante retribui a dádiva esparzindo-a e dirigindo-a a outrem. E isto é o mais importante.

Talvez seja necessário que o teu amor atinja o martírio para alcançar ao fim a que se destina. Entretanto, se te negas à doação total, eis que não amas, verdadeiramente, apenas impões transitório capricho que desejas
receber transformado num amor que te irrigue e sustente, sem que o mereças, porém.

Desse modo, recorda Jesus, em qualquer circunstância ou posição em que te encontres, e, à semelhança d’Ele, consulta e responde com amor, não fazendo ao teu próximo o que não gostarias que este te fizesse.

O Amor tudo resolve. Experimenta-o desde agora.

De “Leis Morais da Vida”
De Divaldo Pereira Franco
Pelo Espírito Joannade Ângelis

04 novembro 2012

Canto de Esperança - Amélia Rodrigues


CANTO DE ESPERANÇA

Os lábios que ensinam a verdade e educam através do exemplo e do amor são mais nobres do que aqueles que apenas murmuram orações.

As mãos que socorrem os que sofrem e os que se encontram em necessidade transformam-se em asas que voam na direção do futuro, tornando o mundo melhor, são mais santas do que aquelas que apenas abençoam com gestos.

As vozes que modulam palavras de bondade para com as crianças-ninguém são mais abençoadas do que aquelas que somente louvam a Deus.

Os esforços de ternura para educar e reeducar crianças são mais edificantes do que aqueles que amealham moedas, mesmo que sejam de ouro.

Quem se oferece para auxiliar um ser infantil, investe no porvir da Humanidade com doação de luz.

A criança débil de hoje poderá ser um sol poderoso amanhã ou um abismo de sombras ameaçadoras no porvir.

O sentido da vida é educar, porque fora da educação não há como sobreviver na multidão. Por isso, é necessário que o discernimento e a emoção humana direcionem-se aos pequeninos que avançam no rumo da posteridade.

Quando a vida tem um sentido superior, nada se lhe torna impedimento.

Debalde se combaterá a violência, o crime, a dissolução dos costumes, nos campos complexos das discussões acadêmicas em salões de luxo, intermediadas pelas refeições opíparas e caras, enquanto a miséria infantil espia, morrendo esfaimada do lado de fora.

O mundo de hoje, com as suas trapaças e dores inomináveis, é o resultado do abandono da infância no passado.

Faze algo!

Torna-te um recanto de amor e sorri ao pequenino da rua, apontado como malfeitor, ou em situação de perigo social.

Recolhê-lho aos redutos corretivos, sem alma nem amor que educam, é condená-lo à autodestruição ou à destruição dos outros.

Onde mora?

Quem são os seus pais?

Quais os direitos que possui? Bem poucos se interessam por saber, a fim de o ajudar. Jesus, porém, reuniu alguns deles no seu seio e prometeu-lhes o Reino.

Ajuda-os a encontrar o caminho que os levará a esse lugar formoso que irão construir na Terra. Insiste no teu canto de esperança.

Entoa o hino de bondade e faze que cada verso da tua canção se transforme num comovente estribilho de amor e de educação.

Um dia, não muito distante, volverás ao palco terrestre na condição de criança.

Realiza hoje em favor da infância, o que gostarias de receber, quando retornares amanhã.

A Lei Divina estatuiu que o bem que se faz é o bem que se faz a mesmo.

Amélia Rodrigues
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na reunião mediúnica da noite de 15 de Agosto de 2012, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

03 novembro 2012

Silêncio Impossível - Amélia Rodrigues



SILÊNCIO IMPOSSÍVEL

O progresso marcha, lenta ou aceleradamente, e ninguém o pode deter. É o processo natural da vida, que evolui sistematicamente sem nunca parar. O repouso, por isso mesmo, e a inércia não fazem parte dos seus quadros. 

O mesmo ocorre com a verdade. Não pode ser impedida, porque o seu fluxo, o seu curso, é inestancável. 

Quanto mais lúcida a civilização, mais claro se lhe desvela o conhecimento da verdade, ultrapassando o chavão comum, que fala a respeito daquela que é de cada um. Expande-se e, mesmo quando sombreada pelos cúmulos dos preconceitos e dos comportamentos arbitrários, rompe o aparente impedimento e brilha com todo o esplendor. 

A verdade é única, embora sejam conhecidas apenas algumas das suas faces; particularmente aquelas que podem ser aceitas sem muitas discussões ou querelas. 

As palavras, que pretendem apresentá-la ao mundo e às pessoas, não poucas vezes, alteram-na, confundem quem a busca, divide-a em ideologias e interpretações, causando dificuldades e problemas. 

Dela se utilizam todos os indivíduos conforme a estrutura mental e o interesse moral de cada qual. 

Matam em seu nome, embora ela proceda do Amor; personagem sob a sua bandeira, apesar de expressar-se como paz; confundem-na, mediante os seus textos, e a sua proposta é clara quão universal; preparam, seguindo as regras da interpretação que lhe concedem, mesmo originada do pensamento unívoco de Deus... 

Todas as pessoas pretendem possuí-la, e quando pensam detê-la, ou querem retê-la, eis que escapa e expande-se. 

Buscam asfixiá-la em um lugar e ressurge noutro. 

Imbatível, termina por impregnar as mentes e acolher-se nos corações. 

A verdade é transparente como a luz diáfana do amanhecer; é vida que nutre e pão que alimenta. 

A verdade procede de Deus e a Ele conduz o pensamento, as realizações e os seres. 

Por isso, é impossível o seu silêncio. 

A inquietação é inimiga da serenidade, e esta resulta do conhecimento da verdade. 

Na quietude da meditação e no recolhimento do trabalho, ei-la que se expressa, abrindo espaço para a iluminação. 

Para perpetuá-la no seu conteúdo espiritual os místicos e santos de todos os tempos retiveram-na em indumentárias delicadas: contos, koans, lendas, e Jesus apresentou-a em encantadoras parábolas. 

Os homens, em diferentes épocas, temiam-na, e, por isso, não a aceitavam desnuda. Mas a recebiam, para o entendimento, quando adornada de fantasias, de fábulas, de símbolos. 

Naquela circunstância era necessário que todos a conhecessem na sua apresentação legítima: o fato consumado, inegável. 

Todos quantos ali estavam viram-na e comoveram-se. Talvez não a entenderam. 

Por isso, apelaram para os envoltórios, a que se acostumaram. 

O coxo andara e prosseguia andando. Não se tratava de um impressionável adolescente, mas, sim, de um homem de quarenta anos, maduro, que sabia discernir, e dava o testemunho: - Eu era limitado; agora ando. 

Este o fato: a verdade inconfundível! 

Há pessoas que preferem ignorar a verdade, porque aceitá-la é ver-se na encruzilhada da decisão. Não mais pode ser como anteriormente, receando mudar e não possuir forças para prosseguir. Essa energia, no entanto, haure-se nela mesma, que impulsiona para a frente, que sustenta no desempenho a vivência dos seus postulados. 

Adiá-la, significa prosseguir na ignorância, sofrer, quando se torna possível ser feliz. 

Jesus afirmou que a verdade liberta, porque desalgema, dignifica, impondo responsabilidade e dever, que são as suas primeiras conseqüências. 

Pedro e João conviveram com o Mestre, que a expressara nas palavras, na conduta e na autodoação. 

Pedro fora vítima da própria defecção por fragilidade moral, porém, sustentado por ela reergueu-se e tornou-se seu embaixador. 

Com o jovem amigo, que a tinha iluminando-o interiormente, pôs-se a apresentá-la de forma incorruptível. Agora era a hora de confirmá-la. 

A notícia do feito alcançou os ouvidos das torpes e atormentadas autoridades da governança. 

Receosos do efeito do acontecimento, tomaram providências, mandando seus esbirros aprisionarem os dois humildes galileus que provocavam tal reboliço. 

Temiam que o fermento do bem levedasse a massa informe e ameaçasse a sua dominação inescrupulosa. 

A alternativa para a sua mesquinhez era o poder da força. 

E mandaram ao cárcere os inimigos em potencial conforme via sua óptica distorcida. 

Sempre se repete a cena da covardia: intimidar a verdade, ameaçando ou vencendo aqueles que a apresentam. Porque não a podem vencer, buscam silenciá-la, inutilizando os seus porta-vozes. 

Já era tarde quando os prisioneiros foram trazidos ao Tribunal, e por isso mesmo, foram arrojados ao cárcere até o dia seguinte, quando os submeteram a interrogatório diante do recuperado paciente, que prosseguia saudável. 

Novamente mediunizado, Pedro enfrentou os algozes e não se deixou atemorizar ou confundir ante os hábeis sofistas enganadores do povo. 

Haviam sido presos, porque fizeram o bem em nome de Jesus Cristo. 

- Ele - afirmou o Apóstolo - é a pedra, desprezada por vós... Não há salvação em nenhum outro (*)... porque dentre os homens Ele é o maior. 

Havia altivez no porte e exatidão no verbo. 

Assombraram-se os pusilânimes e tomaram a atitude que lhes era habitual: conciliar-ameaçando, libertar-intimidando. 

Assim, num conluio infame resolveram proibi-los de referir-se a Jesus, o Cristo. 

Não detectaram nos discípulos do Rabi qualquer crime ou erro passível de punição, mas também por medo do povo, que glorificava a Deus, do que por outra razão. 

Responderam-lhes, então, os interrogados: 

- Se é justo diante de Deus ouvir-vos antes do que a Deus, julgai-o; pois nós não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos. 

O silêncio era-lhes impossível. 

Podiam perder o corpo; mas com a verdade ganhavam a vida. 

Não se pode deixar de mencionar a verdade que decorre do encontro com os seus conteúdos. 

As perseguições chegariam, mas a verdade permaneceria também, sem jamais ser abafada... 


Autor: Amélia Rodrigues
Psicografia de Divaldo Franco

Jornal Mundo Espírita de Agosto de 1997
(*) Atos - 4: 1 a 22. (Nota da Autora espiritual.)

02 novembro 2012

Finados na Visão Espírita - Ismael Batista da Silva


FINADOS NA VISÃO ESPÍRITA

Todos os anos, na época em que se aproxima o dia de finados, muitas pessoas questionam nós espírita, querendo saber se devem ou não ir ao cemitério?o Espiritismo é uma doutrina educadora e libertária. Ela não nos proíbe e nem exige nada de ninguém, apenas nos informa em relação as leis da vida e seus mecanismos, para que, depois, cada um faz aquilo que sua consciência permitir ou determinar. 

Nesse sentido, o Espiritismo esclarece-nos quanto aos aspectos mais profundos do entendimento existencial. Considera com muita propriedade que no túmulo não é o lugar que os espíritos moram ou ficam. Dependendo da data do sepultamento, às vezes, nem corpo existe mais ali.

Sabemos com nossa doutrina e com os posicionamentos dos Benfeitores Espirituais, que os espíritos de nossos entes queridos e amigos, assim como todos os demais espíritos, estão muito vivos e ficam, geralmente, à nossa volta com os quais nos acotovelamos todos os momentos. Ninguém morre. Deus não tem nenhum filho(a) morto(a). Todos vivem e se não estão materializados conosco estão vivendo em algum lugar nesse imenso Universo, que é a casa do Pai, onde, segundo Jesus, existem muitas moradas.

Cabe a nós espiritualistas, nos libertarmos dos atavismos firmados no período do entendimento da fé cega e, agora, sabedores das verdades espirituais novas, assimilarmos esses conhecimentos e criar novos hábitos para exaltarmos a vida e não a morte das pessoas que amamos e por elas somos amados.

Racionalmente, chegamos a conclusão que o cemitério não é o melhor lugar para os espíritos nos reencontrar e serem homenageados, sobretudo se tiverem recém-desencarnados. A aproximação deles junto do lugar onde estão os seus despojos carnais ainda trarão a eles um desconforto e constrangimento muito grande. Muitos nem suportam ficar ali por perto por muito tempo. 

Existe uma maneira muito singela, amorosa, fraterna que podemos habituar a fazer para que os espíritos familiares e amigos possam sentir lembrados e homenageados por nós, não só em finados, mas todos os dias: uma prece sincera em favor da harmonia, paz e de que estejam felizes ao lado da família espiritual deles. 

Podemos também colocar em nossos lares e/ou local de seu antigo trabalho, um recadinho do coração, uma flor perto de um porta retrato com a foto do desencarnado. Assim sentirão lembrados, amados e fortalecidos por ver que estamos exaltando a vida e não a morte.

Sempre virão ao nosso encontro os espíritos dos nossos parentes e amigos desencarnados? Não! Muitos deles demoram para aproximar dos entes queridos que ficaram na Terra, pois isso depende das condições espirituais em que se encontram e das possibilidades de vir junto dos familiares e amigos. Outros nem querem vir, pois muitas vezes nossos sentimentos não são sinceros, e o Espírito não se interessa por essa hipocrisia, eles vem muito mais pelo pensamento e sentimento puro.

Sabemos que tudo o que se faz no cemitério, não passa em muitos casos de demonstração de posses materiais. Seja para demonstrar para a sociedade uma atitude de respeito, às vezes desprovida até de sinceridade.

Portanto, todos são livres para fazer o que acham que devem, principalmente sendo de coração aberto e sincero, numa legitima demonstração de amor.

Então. Que tal aprendermos a referendar os nossos mortos-vivos em nossa casa recolhidos com a família e em prece proferida com sentimento? Aproveitar a oportunidade de amor e carinho entre os que ainda estão encarnados para mostrar a harmonia e a fraternidade dos descendentes que possibilitam um sentimento mais elevado ao desencarnado.

Preciso ainda lembrar que muitos espíritos que se encontram no Mundo Espiritual não ligam a mínima para certos fatos que a nós encarnados enche de orgulho, pois, muitos deles, estão acima das nossas conveniências e ilusões terrenas.

Uma pergunta para encerrar nossa reflexão. Quando você partir desse mundo, onde você gostaria de ser lembrado e reencontrar com os seus amigos e familiares, no cemitério ou em um lugar que só te inspira boas lembranças?

Então vamos lembrar de nossas almas queridas, exaltando a vida e não a morte.


Ismael Batista da Silva

Ismael é da cidade Guaxupé, estado de Minas Gerais.
De berço espírita, aposentado em escola particular, ex-vereador de São José do Rio Pardo - SP, é palestrante motivacional, capacitador de cursos e treinamentos em Vendas, Oratória, Liderança, dentre outros. 
 
Como expositor espírita atua há vinte e seis anos e tem dado expressivo destaque no campo do relacionamento humano. Seus trabalhos tornaram-se muito apreciados, pois são bem humorados, recheados de alegria e exemplos práticos do cotidiano, motivando, desta forma,  grandes públicos a aproveitarem bem a existência física atual.
 
É autor de dois livros: Vencendo Dificuldades de Relacionamento e Um Perfume Inesquecível (romance do Espírito Otília). Está lançando Coração Mineiro – Uma Reencarnação em Busca da Humildade (também um romance do Espírito Otília).


01 novembro 2012

O Problema da Cremação -Irmão X





O PROBLEMA DA CREMAÇÃO

Observação do plano espiritual a celeuma de muitas cidades, em  torno da incineração dos cadáveres, a ser estabelecida por lei, reparamos que o assunto não é realmente para rir. 

De um lado, temos os legisladores preocupados com a terra dos cemitérios e, de outro,  eterminadas autoridades eclesiásticas lançando a censura sobre os ,responsáveis pelo movimento inovador. Entoe osatores da peça, vemos os defuntos de amanhã, sorridentes e bem humorados, apreciando a pugna entre a religião e a edilidade. 

Aqueles, como nós, que já atravessaram a garganta da sombra, seguem a novidade com a apreensão das pessoas mais velhas, à frente dum parque de crianças. 

O problema da cremação do corpo, realmente, deveria merecer  mais demorado estudo nos gabinetes legislativos.

Há muito caminho por andar, antes que o homem comum se beneficie com a verdadeira morte. 

A cessação dos movimentos do corpo nem sempre é o fim do expressivo transe.

O túmulo é uma passagem especial, a cujas portas muitos dormem, por tempo indeterminado, criando forcas para atravessá-las com o precioso valor.  


Morrer não é libertar-se facilmente. 

Para quem varou a existência na Terra, entre abstinências e sacrifícios, a arte de dizer adeus é alguma coisa da felicidade ansiosamente saboreada pelo Espírito, mas para o comum dos mortais, afeitos aos "comes e bebes" de cada dia, para os senhores da posse física, para os campeões de conforto material e para os exemplares felizes do prazer humano, na mocidade ou na madureza, a cadaverização não é serviço de algumas horas. Demanda tempo, esforço, auxilio e boa vontade. 

Por trás da máscara mortuária, muitas vezes, esconde-se a alma inquieta e dolorida, sob estranhas indagações, na vigília torturada ou no sono repleto de angústia. 

Para semelhantes viajores da grande jornada, a cremação imediata do comboio fisiológico será pesadelo terrível e doloroso.

Eis porque, se pudéssemos, pediríamos tempo para os mortos.

Se a lei divina fornece um prazo de nove meses para que a alma possa re nascer no mundo com a dignidade necessária, e se a legislação humana já favorece os empregados com o benefício do aviso prévio, por que razão o morto deve ser reduzido à cinza com a carne ainda
quente? 

Sabemos que há cadáveres, dos quais, enquanto na Terra, estimaríamos a urgente separação, entretanto, que mal poderá trazer aos vivos o defunto inofensivo, sem qualquer personalidade nos cartórios? 


Não seria justo conferir pelo menos três dias de preparação e refazimento ao peregrino das sombras para a desistência voluntária dos enigmas que o afligem na retaguarda? 

Acreditamos que ainda existe bastante solo no Brasil e admitimos, por isso, que não necessitamos copiar apressadamente costumes em pleno desacordo com a nossa feição espiritual. 

Meditando na pungente situação dos recém-desencarnados, observo quão longe vai o tempo em que os mortos eram embalados com a doce frase latina: - Requiescat in pace. 

Não basta agora o enterro pacífico! É imprescindível a apressada desintegração dos despojos! E se a lei não for suavizada, com as setenta e duas horas de repouso e compaixão para os desencarnados, na laje fria de algum necrotério acolhedor, resta aos mortos a esperança de que os saltitantes conselheiros da cremação de hoje sejam amanhã igualmente torreados. 

Irmão X
Obra: Escultores das Almas - Editora CEU
Médium: Chico Xavier - Espíritos Diversos