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14 dezembro 2015

Diante de um filho, cujo corpo gélido jaz deitado no caixão - Jorge Hessen


DIANTE DE UM FILHO, CUJO CORPO GÉLIDO JAZ DEITADO NO CAIXÃO


O que poderíamos explanar, evitando a redundância, perante o depoimento abaixo da escritora Graziela Gilioli [1]? Impossível não admirá-la, reverenciá-la. Num dos mais marcantes episódios de sua vida, ela declarou que durante os quase dois anos em que o seu filho caçula (à época com 14 anos) esteve internado no hospital com o diagnóstico de neurablastoma [2] aprendeu que o sofrimento pela “perda” de um filho é inevitável. Mas que se pode escolher de que jeito viver: nutrindo tristeza ou resignação construtiva. [3]

Conquanto não se declare espírita demonstrou uma sabedoria espiritual e grandeza d’alma insólitas perante a desencarnação de seu filho. Gilioti escreveu que tinha dois filhos e há doze anos eles se separaram por uma escolha do destino. Seu filho mais velho (hoje com 28 anos), vive aqui na Terra [encarnado] e o filho caçula vive num outro mundo [desencarnado] que ela “desconhece”. Para Graziela, ante a própria percepção de eternidade, lá no “desconhecido” [além túmulo] não se contam os dias, por isso seu caçulinha permanece com 14 anos, para sempre. [4]

Leiga (sob o ponto de vista espírita) Graziela descreve com excelsa clareza que somos tímidos em pensar na morte. Acreditamos que se não tocarmos nesse assunto teremos paz e conforto, e é essa ilusão que nos impede de compreender a vida em sua plenitude. Na sua lucidez garante que em nada nos ajuda vivermos como se a morte fosse um engano ou um azar ou uma injustiça que atinge apenas alguns desafortunados. Aceitar o próprio destino não é uma atitude passiva, é uma escolha, a chance de escolher como viver o que o destino nos oferece. Por que abrir mão disso? Professou.

A escritora recomenda-nos buscarmos sermos felizes, por escolha. Para ela, o ser feliz é uma decisão difícil [mormente diante da morte de um filho], mas nos ajuda a conviver com as dores mais profundas que nos acompanham durante a vida toda. Diante de tantos prodígios que fazem nossa vida possível como não agradecer o que temos? É verdade! A gratidão pela vida não deveria ser um pequeno detalhe no meio dos afazeres do dia a dia e sim a coisa mais importante de tudo. Aprender a viver com serenidade para aceitar com naturalidade as coisas que facilitam ou dificultam nossa vida pode ser um bom começo para descobrirmos o que importa na vida.

Revelo que lendo na íntegra o testemunho de Graziela Gilioli (vide link nas referências abaixo), meus olhos estiveram submersos nas fartas lágrimas que insistentemente brotaram das glândulas lacrimais. Nesse “frisson” psicológico, minha garganta esmagou a respiração sob o impulso de uma consciência que sussurrava para mim mesmo, Jorge como agiria no momento do “adeus extremo” para um dos 5 filhos deitado no interior de um ataúde?

Obviamente a verdade espírita consola bastante nesses instantes cruciais, todavia, sei que a minha agonia terá o tamanho exato da dor daquele que neste exato instante está diante de um filho, cujo corpo gélido jaz deitado num caixão. Todavia, embora sob o guante da saudade, importa eleger viver com dignidade, alimentando resignação diante da inabalável certeza da imortalidade.

Jorge Hessen


Notas e referências bibliográficas:

[1] Palestrante , escritora e fotógrafa premiada na 10ª Bienal Internacional de Arte de Roma.
[2] um tipo de câncer que se desenvolve principalmente em crianças com menos de cinco anos de idade. Ele nasce a partir das células nervosas em várias partes do corpo, como pescoço, tórax, abdômen ou pélvis, mas é mais comum nos tecidos da glândula suprarrenal.

13 dezembro 2015

Catalepsia - Espirit book




CATALEPSIA


A catalepsia e a letargia podem ser espontâneas ou provocadas.

1. Os termos letargia e catalepsia têm sido empregados para designar estados diversos, espontâneos ou provocados, nos quais a característica comum é a diminuição da motilidade voluntária e da sensibilidade nervosa, fato que pode chegar até mesmo a uma aparente suspensão de todas as funções vitais. À época de Kardec, considerava-se a letargia a apresentação mais aguda desse estado. O letárgico nada ouve, nada sente, não vê o mundo exterior, e a própria consciência se lhe apaga, apresentando-se num estado que se assemelha à morte.

2. A catalepsia é a suspensão parcial ou total da sensibilidade e dos movimentos voluntários, conforme a intensidade menor ou maior do estado cataléptico. Embora alguns autores considerem patológico tal estado, outra é a opinião do Dr. Bezerra de Menezes (Espírito), que afirma que tanto a catalepsia como a letargia não são enfermidades físicas, mas faculdades que, como qualquer outra faculdade medianímica insipiente, incompreendida ou descurada, podem tornar-se prejudiciais ao seu possuidor. O estudo que o Dr. Bezerra de Menezes fez sobre o assunto pode ser visto no cap. 1 do livro “Recordações da Mediunidade”, de Yvonne A. Pereira.

3. Degenerada em estado patológico, a catalepsia pode manifestar-se em diversas enfermidades, como na histeria, na epilepsia e em algumas formas de esquizofrenia, sempre de modo intermitente, por acessos. Caracteriza esse estado, como dissemos, a perda mais ou menos completa da sensibilidade externa e dos movimentos voluntários, acompanhada de extrema rigidez dos músculos.

4. Como dito inicialmente, a catalepsia pode ocorrer naturalmente, sem uma causa aparente, ou ser provocada. Neste último caso, embora o paciente não consiga realizar atividade alguma voluntária, age sob a sugestão do operador, como um autômato nas mãos do magnetizador, sem liberdade de ação e movimentos. Nesse estado, ele não fala, não ouve, não pensa, senão por determinação do experimentador, que pode fazê-lo rir, chorar, gritar, sentir calor ou frio, etc. Na letargia, o paciente jaz imóvel, como se morto estivesse.

5. Diferente é o que se passa com o letárgico, que jaz imóvel, com os membros pendentes, moles e flácidos, sem rigidez alguma, de modo que, se erguido, cairá pesadamente quando solto. Nesse estado, sua respiração e o pulso são quase imperceptíveis e as pupilas, mais ou menos dilatadas, não reagem mais à luz. Com o sensório totalmente adormecido, a inércia da mente parece absoluta.

6. Há, no entanto, uma modalidade de letargia em que a atividade psíquica interna se desenvolve como de ordinário, como descreve José Lapponi em seu livro “Hipnotismo e Espiritismo”. Em casos assim, o paciente percebe e compreende o que está ocorrendo, mas não consegue exprimir aos outros o que realmente sente no seu imo. A esta variedade de letargo os especialistas dão o nome de letargia lúcida.

7. É dentro da letargia, em qualquer de suas modalidades, que se incluem os casos de mortes aparentes registrados na História e também nas Escrituras. Entre os casos que constituem exemplos clássicos de letargia lúcida cita-se o do Cardeal Donnet, que quase foi enterrado vivo quando nesse estado.

8. Ensina o Espiritismo que os letárgicos e os catalépticos, em geral, veem e ouvem o que em derredor se passa, embora não possam exprimir o que então observam. Essas percepções se devem ao Espírito, que tem plena consciência de si e das coisas que estão ocorrendo, mas não pode comunicar-se, em face do estado especial que acometeu o veículo corporal.

A ressuscitação só é possível se a morte não está completa

9. O Novo Testamento refere casos de ressuscitação que se tornaram célebres ao tempo de Jesus, como os episódios que envolveram o filho de uma viúva de Naim, a filha de Jairo e Lázaro, irmão de Marta e Maria. É evidente, observam os estudiosos espíritas, que tais casos não passaram do conhecido fenômeno de morte aparente, em que, possivelmente em estado de letargia ou catalepsia, aquelas três pessoas foram consideradas mortas.

10. Nesse estado, o corpo ainda vive, porquanto há nele funções que continuam a executar-se. Sua vitalidade encontra-se em estado latente, como na crisálida, mas não aniquilada. Se o corpo está vivo, o Espírito se lhe acha ligado. Por isso, se um indivíduo, aparentemente morto, volve à vida, é porque não era completa a morte.

11. Se a morte não está completa, podem reatar-se, por meio de cuidados dispensados a tempo, os laços prestes a se desfazerem e restituir-se à vida um ser que morreria, se não fosse socorrido. Esse fato foi o que se deu nos episódios narrados pelos evangelistas e não há dúvida de que o magnetismo exerceu um papel preponderante no caso, visto que , restituindo ao corpo enfraquecido o fluido vital de que ele carece, pode a ação magnética contribuir para que o ressuscitamento se dê, o que não constitui em absoluto um prodígio ou um milagre.

12. Dos casos citados, parece-nos que o de Lázaro é o que melhor se enquadra como letargia ou catalepsia completa, porquanto, estando sepultado por vários dias, o irmão de Marta volveu à vida graças ao prodigioso poder magnético de Jesus.

Fonte: Espirit Book

Bibliografia:

O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, questões 422 a 424.
Magnetismo Espiritual, de Michaelus, pp. 198 e 199.
Hipnotismo e Espiritismo, de José Lapponi, pp. 67 e 68.
Mecanismos da Mediunidade, de André Luiz, obra psicografada por Chico Xavier, p. 99.
Recordações da Mediunidade, de Yvonne A. Pereira, pp. 11 a 22.

12 dezembro 2015

Mundo de Regeneração já começou - Bezerra de Menezes

 
MUNDO DE REGENARAÇÃO JÁ COMECOU

Desde o dia 18 de abril de 2010 já vivemos aqui na Terra o Mundo de Regeneração. A confirmação chegou até o plano físico em mensagem de Bezerra de Menezes, pela psicofonia de Divaldo Franco, no encerramento do 3º Congresso Espírita Brasileiro em Brasilia (DF), no mesmo dia.

Desde o final do século 20 o Apocalipse é um tema atual. Porém, com o agravamento dos processos climáticos e geológicos e ainda a proclamada nova data para o “fim do mundo” —dezembro de 2012—, tivemos o trabalho de pesquisar nas obras psicografadas pelo nosso querido Chico Xavier para ver se encontrávamos algo a respeito.

Qual nossa surpresa, porém, ao descobrir que nosso querido Bezerra de Menezes, através do confiável médium Divaldo Franco, ratificou o que nossos guias espirituais já diziam —o novo Ciclo de Regeneração realmente começou. E, segundo Emmanuel, na obra “Plantão de Respostas“, deve estar completamente instaurado até meados deste século.

Estamos, portanto, em um período de transição entre o Mundo de Expiação e Provas e o Mundo de Regeneração. Ainda passaremos grandes tribulações físicas e morais. Mas todas elas serão remédios para nossas doenças morais, e evitarão que bilhões de espíritos sejam exilados. Com esta nova visão, restauramos o aspecto Consolador do Espiritismo e somos capazes de compreender com mais clareza o comportamento que nos cabe diante do novo Mundo de Regeneração.

Leia a seguir a íntegra da mensagem de Bezerra de Menezes:

“Estamos agora em um novo período. Estes dias assinalam uma data muito especial: a data da mudança do Mundo de Provas e Expiações para Mundo de Regeneração.

A grande noite que se abatia sobre a Terra lentamente cede lugar ao amanhecer de bênçãos. Retroceder não mais é possível.

Firmastes, filhas e filhos da alma, um compromisso com Jesus antes de mergulhares na indumentária carnal, de servi-lo com abnegação e devotamento. Prometestes que lhe serieis fiel, mesmo que vos fosse exigido o sacrifício.

Alargando-se os horizontes deste amanhecer que viaja para a plenitude do dia, exultemos juntos, os Espíritos desencarnados e vós outros que transitais pelo mundo de sombras. Mas além do júbilo que a todos nos domina, tenhamos em mente as graves responsabilidades que nos exornam a existência no corpo ou fora dele.

Deveremos reviver os dias inolvidáveis da época do martirológio. 

Seremos convidados não somente ao aplauso, ao entusiasmo, ao júbilo, mas também ao testemunho, o testemunho silencioso nas paisagens internas da alma, o testemunho por amor àqueles que não nos amam, o testemunho de abnegação no sentido de ajudar aqueles ainda se comprazem em gerar dificuldades tentando inutilmente obstaculizar a marcha do progresso.

Iniciada a grande transição, chegaremos ao clímax e na razão direta em que o planeta experimenta as suas mudanças físicas, geológicas, as mudanças morais serão inadiáveis.

Que sejamos nós aqueles Espíritos espíritas que demonstremos a grandeza do amor de Jesus em nossas vidas. Que outros reclamem, que outros se queixem, que outros deblaterem —que nós outros guardemos, nos refolhos da alma, o compromisso de amar e amar sempre, trazendo Jesus de volta com toda a pujança daqueles dias que vão longe e que estão muito perto.

Jesus, filhas e filhos queridos, espera por nós!

Que seja o nosso escudo o Amor, as nossas ferramentas, o Amor, e a nossa vida, um Hino de Amor, são os votos que formulamos os Espíritos Espíritas aqui presentes e que me sugeriram representá-los diante de vós.

Com muito carinho o servidor humílimo e paternal de sempre,

Bezerra

Muita Paz, filhas e filhos do coração.


Mensagem de Bezerra de Menezes, pela psicofonia de Divaldo Franco, no encerramento do 3º Congresso Espírita Brasileiro em Brasilia (DF)

11 dezembro 2015

Em plena renovação - Aparecida




EM PLENA RENOVAÇÃO


Querida Mamãe:

Eis-me aqui, pontual, para o nosso encontro, através do lápis.

Sinto-me feliz com as suas horas de refazimento. Tão grande é a luta e tão inquietantes os problemas que nos asfixiam o tempo, nos círculos dos mais amados, que naturalmente, de quando em quando, é imprescindível a pausa de repouso para a restauração.

Não sei bem se posso julgar em minha inexperiência, mas, por vezes, pergunto a mim mesma, se a Terra não será uma casa incendiada, reclamando socorro...

Por toda parte multiplicam-se aflições e conflitos. Dores incontáveis sitiam as criaturas, em todos os lugares...

Entretanto, Mamãe, o quadro escuro tem ensinado novas lições ao meu espírito, compelindo-me a buscar a verdadeira luz para clarear o caminho.

Essa luz é a oração, o fio misterioso que nos coloca em comunhão com as esferas divinas.

Pela prece encontramos o remédio salutar para as nossas feridas, bálsamo para as nossas dores, equilíbrio para as nossas emoções atormentadas.

Creio, hoje, que alta percentagem das moléstias que perseguem a saúde dos homens é perfeitamente curável pela oração, de vez que a maioria das afecções orgânicas são simples quedas espirituais de nossa própria alma, nos caminhos do coração.

Vejo-me, felizmente, mais forte, mais senhora de mim mesma. Presentemente, o ideal de trabalhar, em meu próprio reajuste, absorve-me a vida.

Não tenho descansado. Sinto a necessidade de caminhar para frente, de abrir novas rotas e descobrir horizontes novos. Esforço-me na reconquista de mim própria.

Não tive tempo de viver suficientemente, na posição de medica, para desaprender certos enganos que a ciência nos impõe, nos bancos acadêmicos, razão pela qual hoje me desvelo na recomposição dos meus conhecimentos.

A senhora ainda é a minha instrutora maior, porque se a paciência me ajudou a vencer alguns capítulos difíceis de minha passagem pelo corpo, devo-a aos seus exemplos incessantes de paz, tolerância, renuncia e carinho.

Há situações das quais, realmente, não nos compete o conhecimento deliberado. É preciso ignorar a existência de certos flagelos para que possamos cooperar em sua extinção.

Sejam a serenidade e a fé nossas companheiras de viagem.

Tenhamos confiança no Céu. De lá, vem todo o suprimento de que necessitamos para o desempenho fiel de nossas obrigações.

Seus pensamentos me alcançam como chuva de flores a se despetalarem sobre mim.

A fé é o guia sublime que, desde agora, nos faz pressentir a gloria do grande futuro, com a nossa união vitoriosa para o trabalho de sempre.

Agradeçamos a Terra pelas dores que nos deu... O mundo que conhecemos é somente degrau e o corpo e pesada roupagem de serviço que, por determinado tempo, devemos utilizar, com o respeito e reconhecimento, a beneficio de nossa própria redenção.

Com lembranças a todos os nossos, beija-lhe o coração e pede a senhora que a abençoe, a filha muito reconhecida e muito amiga.


Pelo Espírito Aparecida
Do livro: Mãe
Médium: Francisco Cândido Xavier

10 dezembro 2015

Como as dores dos que ficaram afetam os espíritos - Adriana Machado


COMO AS DORES DOS QUE FICARAM AFETAM OS ESPÍRITOS

Postamos um texto, há duas semanas, com o título “Perda de um Ente querido. Deus nos quer sempre bem”. Ele versa sobre a perda de um ser amado e como isso nos atinge profundamente. Fixamos o tema na ideia de que, em muitos casos, pensamos que, quando perdemos alguém, estamos sendo punidos por Deus e como isso nos faz nos sentirmos órfãos ante a Paternidade Divina.

Hoje, eu gostaria de continuar neste mesmo tema sobre um outro enfoque. Por isso, se vocês não leram aquele post, recomendo a sua leitura!

Como ficamos quando os nossos entes amados se vão e como os afetamos mesmo que indiretamente?

A primeira parte da pergunta é muito fácil de ser respondida: nós ficamos muito tristes. Isso é um fato. Muitos são os sintomas que podem ser vivenciados profundamente por cada um de nós: a saudade bate, arrependimentos se fazem presentes, a culpa por atitudes impensadas martela o nosso coração...

Na maioria das vezes, sentimos um vazio em nossas vidas que, a cada dia, nos faz lembrar que alguém deixou de estar conosco. Então, nós sofremos: sofremos pouco, sofremos muito, sofremos bastante... depende de cada um de nós.

Pensamos o quanto fomos vitimados por aquela situação dolorida que nos arrancou de nosso meio a presença de alguém que nos era muito querido, quase essencial.

Mas, em nosso egocentrismo pensamos que somente nós sentimos saudade. Esquecemos que não existe morte e que, do outro lado da vida, aqueles que são alvo de nossa saudade também a sentem e com intensidade.

Esquecemos que, se eles estão vivos, também estarão sentindo a mesma ausência, a mesma saudade, a mesma dor por terem tido a necessidade de se ausentar de uma vida que, em muitos casos, nem queriam perder.

O interessante, todavia, é que as nossas emoções não se fixam somente em nós, estejamos nós no plano material ou espiritual. O amor nos liga ao ser amado aonde quer que ele se encontre.

Vamos pensar: se estamos o tempo todo em constante ligação energética com quem amamos, imaginem se estivermos (desencarnados) fixados em alguém (encarnado) que está portando sentimentos de tristeza, de saudade, de arrependimento e de culpa que foram construídos pela nossa ausência (no desencarne)? 

Imaginem que pudéssemos sentir tudo isso com muita intensidade! Se não é fácil lidar somente com as nossas dores, imagine nos depararmos com a dor que “provocamos” em alguém que amamos. 

Pois é o que acontece! Quando estamos no plano extrafísico, as emanações energéticas exacerbadas de nossos entes encarnados chegam a nós com intensidade e são quase audíveis.

Por isso, se amamos a quem se foi, temos que tomar cuidado com os sentimentos que alimentamos. Porque sentir é uma coisa, alimentar esse sentimento é outro bem diferente.

Para todo espírito que desencarna e que se encontra em um equilíbrio razoável (segundo a sua própria evolução), existe uma proteção natural que o isolará dos sentimentos normaisde saudade dos entes que ficaram, dando-lhe a oportunidade de uma adaptação à sua nova etapa de vida.

O problema é quando não acontece assim. O espírito pode chegar portando algum nível de desequilíbrio que somado ao fato dos seus entes amados estarem sofrendo devastadoramente, fazem com que ele não consiga lidar bem com o seu retorno às esferas espirituais.

Ele pode sentir que precisa ajudar aos seus e, por uma escolha muito equivocada, desejar estar com eles nas esferas carnais.

Imediatamente, ele se desloca para junto dos seus amados, fazendo com que todos entrem num processo prejudicial de influenciação. Se não ficou claro, eu explico: todo espírito é livre para fazer o que quiser e, no plano espiritual, estará onde ele mais se identifica. Se ele deseja estar com os seus entes queridos, ele poderá se deslocar para junto deles. Mas, o problema é que ele não sabe o que fazer, porque ainda não se adaptou ao plano etéreo.

Então, em decorrência de uma postura de sofrimento exagerada adotada pelos próprios entes encarnados, inicia-se um processo obsessivo destes junto ao desencarnado, escravizando-o e alimentando uma ligação dolorosa de sofrimento mútuo.

Vê-se, portanto, que esse processo de influenciação pode partir dos encarnados. E isso em razão da ignorância daqueles que amam, mas que não conseguem amar livremente. Não conseguem libertar o alvo de seu amor, por acreditar que eles (encarnados) somente serão felizes ao lado daquele que se foi. Não conseguem entender que amar é libertar, é aceitar os desígnios de Deus, quando chega o momento em que os seres que se amam precisam se distanciar por algum tempo. Não acreditam que a ponte de amor que os une é forte para jamais se romper.

Por isso, precisamos ficar atentos aos nossos sentimentos desequilibrantes, seja para dar alento ao coração daquele amado que se distanciou, seja para que possamos aprender o melhor desse momento doloroso e trazermos paz ao nosso próprio coração.

Por incrível que pareça, a saudade é um sentimento importante em todos os seres, mas que quando em exagero, nos traz sofrimentos incalculáveis.

Se não sentíssemos saudade, não daríamos a devida importância àquela pessoa em nossa vida. Mas, para o nosso próprio bem, cabe a nós compreendermos que essa saudade deve caber em nosso coração. Se for maior do que ele, nos sufocará, bem como sufocará o ente amado que a sentirá com todas as dores construídas por nós e que a ela (saudade) forem somadas.

Portanto, acreditemos que somos capazes de viver a vida com a lembrança saudosa dos nossos entes queridos. Assim, estaremos construindo um futuro de felicidade para nós e para eles, dando-nos a condição de quando chegar a nossa vez de viajar para o outro lado, estejamos aptos para sermos recebidos com louvor por estes seres tão amados.

Adriana Machado

09 dezembro 2015

Transtorno depressivo - Divaldo P.Franco

 
TRANSTORNO DEPRESSIVO


Para que se instale o transtorno depressivo no ser humano, existem causas endógenas (hereditariedade, enfermidades infectocontagiosas, sequelas delas) e exógenas, também denominadas como eventos da vida (culpa, depressão, ansiedade, solidão, perda do sentido existencial...). Considerando o volumoso número de vítimas nestes dias, acredita-se que em futuro não muito distante pode transformar-se na causa primeira dos óbitos, superando as neoplasias malignas, as cardiopatias e outras terríveis enfermidades. Numa cultura social individualista, consumista e sexista, não se podem aguardar outros que não sejam esses os resultados degradantes e funestos.

A perda dos objetivos existenciais exarados no amor, ante as ofertas do prazer incessante, alucina o ser humano, que se transfere para o desespero do poder de qualquer expressão ao invés da aquisição sublime do ser. Enquanto a ciência e a tecnologia avançam ampliando os horizontes do conhecimento e ensejando bênçãos, o comportamento moral desce aos mais baixos níveis, recordando idênticos períodos de degradação de superadas civilizações, que naufragaram na ilusão do gozo indevido. Para poder-se atingir determinadas metas atuais, com as exceções compreensíveis, é necessário que se alcance os desvãos do despudor e da vulgaridade, a fim de chamar-se a atenção e conseguir-se as migalhas da luz dos holofotes que consomem aqueles que as buscam.

Nunca houve tanta solidão humana: moral, fraternal e afetiva como nesse período de amarguras íntimas e de glórias externas. 

Extenuado pelas extravagâncias ou batalhas contínuas, o ser humano exausto cai na depressão. Indispensável pensar-se no valor da existência para si mesmo e para o próximo, vivendo-se, como ensinava S. Francisco: – Senhor! Fazei-me instrumento de vossa paz... Somente assim será possível crescer-se na vertical do dever, restaurando-se a alegria natural que sustenta a vida digna, sem drogadição e luxúria de qualquer tipo.


Divaldo Pereira Franco
Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 5.11.2015 

08 dezembro 2015

Descalabros morais - Joanna de Ângelis



DESCALABROS MORAIS

Sucedem-se, em volúpia surpreendente, os escândalos na sociedade contemporânea, que se sente aturdida sob o clamor das decepções e dos desencantos em escala crescente. Causando grande impacto a princípio, alcançam nível de acontecimento comum e trivial, quando o mais recente, sempre mais escabroso, diminui ou apaga as impressões perturbadoras do anterior.

São de todo jaez, tendo as suas raízes no egoísmo e na prepotência humana, decorrente do atavismo animal.

Conhecidos em todas as épocas da História, na civilização atual atingem um clímax alarmante e sem precedentes.

Cidadãos masculinos e femininos de alto coturno social, que se apresentam como verdadeiros modelos de triunfo, de repente são arrolados como criminosos vulgares, em razão dos seus torpes compromissos morais, que revelam a lama sobre a qual edificam as aparências brilhantes.

Desvios sexuais, que se tornam comportamentos aplaudidos, infidelidade conjugal e adultério, suborno e tráfico de influência, de drogas, de contratos multimilionários, de criaturas humanas crucificadas na escravidão, corrupção de todos os matizes, são-lhes as feridas purulentas ocultas em tecidos caros, em roupas luxuosas, sob adereços caríssimos e em ambientes de alto poder de consumo...

Sem o pudor nem a dignidade que fingem defender e vivenciar, utilizam-se dos expedientes sórdidos do crime para acumular fortunas incalculáveis, emparedadas em cofres de aço de segurança máxima em paraísos fiscais e bancos internacionais.

Os recursos que reúnem com doentia avidez, se aplicados na educação das novas gerações e no trabalho que fomenta o progresso, conseguiriam afugentar os devastadores fantasmas da fome, das doenças e a cruel violência que semeia o terror em toda parte, culminando em guerras terríveis, algumas não declaradas...

Indiciados, após acusações vergonhosas dos seus comparsas, não dispõem da mínima compostura, lutando para provar inocência irônica e mentirosa.

Utilizam-se, os seus defensores, das brechas das leis benignas, algumas por eles mesmos elaboradas para o retorno ao convívio social, sem a mínima demonstração de honorabilidade.

Tendo anestesiada a consciência que adaptaram às circunstâncias da corrupção, deixam transparecer que a sua é a conduta correta, com os descalabros morais de que se revestem.

Felizmente, a facilidade de comunicação desmascara-os e embora nem sempre sejam punidos conforme são merecedores, vivem asfixiados nos pântanos em que se atiraram.

Cada dia são desmontadas novas quadrilhas de luxo nos altos escalões da sociedade.

Essas vítimas do materialismo enlouquecido, que acreditam somente no poder do dinheiro, das posições relevantes, não podem fugir da própria consumpção, do passar do tempo, das doenças e da morte.

Creem-se inteligentes pela habilidade de burlar as leis, de enganar aos demais, quando, em realidade, são apenas astutos de breve trânsito no corpo.

Infelizmente, o triste espetáculo mascara a cultura de desregramentos a caminho do caos.

*

Nem todos os indivíduos terrestres encontram-se malsinados com o sinete da desonra. Esses, os desonestos, chamam a atenção e parecem, constituir a grande mole humana.

Embora desconhecidos, existem em todos os segmentos sociais indivíduos honoráveis e dignos.

São eles os pilotis, sobre os quais se constroem a civilização, a ética e a cultura sadia.

Este é um momento de transição espiritual que alcança todos os programas da evolução terrestre.

Enfrentam-se as duas sociedades: a decadente, que está acostumada ao mal e aqueloutra, a digna, que labora no bem.

A vitória, sem dúvida, inevitável, é da seriedade, do comportamento sadio, porque o crime é desvio de conduta, não é o comportamento correto.

Não se deve, portanto, permanecer em dúvida íntima em face do triunfo enganoso dos criminosos bem-vestidos e invejados.

Ignoras os conflitos que os aturdem, porque ninguém consegue viver irregularmente e em paz. Eles afogam os tormentos, ou pelo menos tentam, nas libações alcoólicas, nos excessos sexuais, nas drogas ilícitas, a fim de permanecerem no palco do prazer, desconfiados e temerosos.

Não os invejes, não os antipatizes. Eles já estão sobrecarregados de preocupações, insatisfeitos com a própria existência, que perdeu o sentido psicológico e fundamental da vida.

São triunfadores, sim, mas algozes de si mesmos.

O comportamento correto é o único a propiciar harmonia íntima.

Confia em Deus e na Sua paternal misericórdia.

Reflexiona em torno dos sofredores que também rebolcam em dores terríveis ao teu lado. Estão ressarcindo o comportamento alucinado de existências pretéritas.

O mesmo acontecerá aos fantoches aplaudidos de hoje pelos seus aficionados.

Quanto a ti, age sempre com retidão, cultivando o bem em todas as circunstâncias.

*

Quem visse Aquele Homem sob o peso da cruz e Pilatos, o Seu crucificador, acreditaria que o representante de César era o triunfador.

Logo depois, Pilatos foi mandado para o exílio e suicidou-se, enquanto o Homem condenado morreu e ressuscitou, em triunfo de imortalidade.

Pensa, desse modo, na glória terrestre e na espiritual, e faze a tua escolha.

Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnica da noite de 1º de junho de 2015, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

07 dezembro 2015

Evitemos da Síndrome do "Coitadinho" - Jorge Hessen



EVITEMOS DA SÍNDROME DO “COITADINHO”

O problema da pobreza é muito diverso e complexo. Talvez o ser pobre significa ter falta de segurança e estabilidade, portanto não é só uma questão de carência de dinheiro. O mundo atual tem alguns vencedores e muitos perdedores. Os pobres se encaixam na categoria dos perdedores, daqueles que não podem surfar na onda de mudança e que, de certa forma, são esmagados por ela.

A palavra “pobre” deriva do latim pauper, radicado em paucus (pouco). No conceito original, “pobre” não era o deserdado, mas o terreno agrícola ou gado que não produzia o suficiente. Sob outro ponto de vista, entre alguns grupos, especificamente os religiosos, a pobreza é considerada como necessária e desejável, e deve ser aceita para alcançar um certo nível espiritual, moral ou intelectual.

Nesse aspecto, o papa Francisco assevera que a Igreja deve articular com a verdade e também com o testemunho da pobreza. Não é possível que um fiel fale de pobreza e dos sem teto e leve uma vida de faraó. Na Igreja há alguns que, ao invés de servir, de pensar nos demais, se servem da Igreja. São os arrivistas, os apegados ao dinheiro. Quantos padres e bispos deste tipo já vimos? É triste dizer, não? 
Pronunciei o pontífice ao jornal holandês “Straatnieuws”, de Utrecht.

A pobreza é considerada como um elemento essencial de renúncia por budistas e jainistas enquanto que para o catolicismo romano, como vimos acima, é um princípio evangélico e é assumido como um voto por várias ordens religiosas e é entendida de várias formas. A ordem franciscana, por exemplo, abandona tradicionalmente todas as formas de posse de bens. Neste caso, a pobreza voluntária é normalmente entendida como um benefício para o indivíduo, uma forma de autodisciplina através do qual as pessoas se aproximam de Deus.

O professor de psicologia Elliot Berkman, diretor do Laboratório de Neurociência Social e Afetiva da Universidade do Oregon/EUA, estuda como o cérebro é parte da armadilha da pobreza. As pessoas pobres frequentemente têm  muita motivação para trabalhar duro e ter vários empregos porque colocam o foco na sobrevivência no momento presente ao invés do sucesso de longo prazo. Libertar as pessoas da preocupação da sobrevivência diária é a melhor forma de garantir que eles foquem no futuro. Afiança Berkman.

Para o Espiritismo, a pobreza, tal como a riqueza, nada mais é que uma prova pela qual o Espírito necessita passar, tendo em vista um objetivo mais alto que é o seu progresso. Deus concede, pois, a uns a prova da riqueza, e a outros a da pobreza, para experimentá-los de modos diferentes. A pobreza é, para os que a sofrem, a prova da paciência e da resignação.

Ao que nasce na pobreza é dado aprender o valor do trabalho árduo, resistir às tentações do ganho fácil, descobrir os valores reais do espírito, e não raro se vê entre os pobres as mais dignas demonstrações de solidariedade. Na pobreza aprendemos a nos compadecer dos males alheios fazendo-nos compreendê-los melhor.

É evidente que a desigual repartição de bens materiais, culturais e políticos exclui um vasto número de pessoas deserdadas dos processos de participação e consente a coexistência em formas inumanas de sobrevivência e de insignificante protagonismo social. Por isso mesmo, diante dos deserdados, a nossa primeira e obrigatória ação deve ser a do auxílio.
Mas primeiramente suavizemos o sofrimento dos pobres, abraçando-o fraternalmente, manifestando de tal modo o nosso sentimento de acolhida a fim de estabelecer o laço de confiança essencial e poder ajudá-los. Em seguida, nos informemos a respeito da situação transitória de seu sofrimento. Dessa forma, não cairemos nas armadilhas que consideram o pobre como “coitadinho’, não vendo nele as potencialidades de Espírito imortal e de indivíduo capaz de, com as devidas oportunidades, prover dignamente a própria existência.

Aliás, a síndrome do “coitadinho” é uma das moléstias oportunistas mais comuns da sociedade atual, onde muitos deserdados têm medo de encarar a vida de frente e de cabeça erguida, sendo maduros e responsáveis. A principal característica de uma pessoa que sofre da síndrome do “coitadinho” é colocar-se como “vítima” das circunstâncias, e como tal passa a  ideia de que a culpa de sua pobreza é dos outros. Aliás, os arautos das ideias do socialismo ATEU adoram fazer isso!

Diante dos pobres, procuremos nos informar de suas lutas materiais e verifiquemos se a oferta de trabalho e de orientação espírita não será mais eficaz do que a aviltante doação da esmola em seu favor. Recordando aqui que a esmola dentro da lógica assistencialista é uma ação que atende a deficiência material sem o móvel educativo e que envilece a humanidade do sujeito, adestrando-o à condição da mendicância ou da dependência. Como tal, não atende ao projeto regenerador do Espiritismo para Humanidade.

Não se pode esquecer que a Lei do Trabalho e do Progresso, promulgada em O Livro dos Espíritos, relata justamente a importância de o indivíduo romper com o acomodamento e ultrapassar os obstáculos existenciais, o que inclui buscar sair também da penúria material (pobreza) através de seu esforço.

Jorge Hessen
 

05 dezembro 2015

Mediunidade Mental - Orson Peter Carrara



MEDIUNIDADE MENTAL


Allan Kardec publicou em sua Revista Espírita (1), de março de 1866, com o título que igualmente utilizamos na presente abordagem, uma correspondência recebida da Argélia, à qual ele acrescenta seus sempre ponderados e bem fundamentados comentários. O assunto, inclusive, foi levado para debate na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas e ensejou que os espíritos transmitissem algumas instruções que ele igualmente publicou na mesma edição acima referida.

Escreve o correspondente: "(...)Fico alguns instantes à espera, como depois de uma evocação. Então sinto a presença do espírito por uma impressão física e logo surge em meu pensamento uma imagem que me faz reconhecê-lo. Estabelece-se a conversa mental, como na comunicação intuitiva, e esse gênero de palestra tem algo de adoravelmente íntimo. Muitas vezes meu irmão e minha irmã encarnados me visitam, às vezes acompanhados por meu pai e minha mãe, do mundo dos Espíritos.(...)"

E comenta o Codificador, com toda sua clareza: "Esta mediunidade, à qual damos o nome de mediunidade mental, certo não é adequada para convencer os incrédulos, porque nada tem de ostensivo, nem desses fatos que ferem os sentidos. É toda para a satisfação íntima de quem a possui. Mas também é preciso reconhecer que se presta muito à ilusão e que é o caso de desconfiar das aparências. Quanto à existência da faculdade, não se poderia pô-la em dúvida. Pensamos mesmo que deve ser a mais freqüente, porque é considerável o número das pessoas que, em vigília, sofrem a influência dos Espíritos e recebem a inspiração de um pensamento, que sentem não ser seu. A impressão agradável ou penosa que por vezes se sente à vista de alguém que se encontra pela primeira vez; o pressentimento da aproximação de uma pessoa; a penetração e a transmissão do pensamento são outros tantos efeitos devidos à mesma causa e que constituem uma espécie de mediunidade, que pode dizer-se universal, pois cada um lhe possui, ao menos, os rudimentos. Mas para experimentar seus efeitos marcantes é necessária uma aptidão especial, ou melhor, um grau de sensibilidade mais ou menos desenvolvido, conforme os indivíduos.(...)"

Das instruções sobre o assunto, recebidas dos espíritos, encontramos quatro publicadas na Revista Espírita. A primeira delas está assinada pelo espírito H. Dozon (médium: Sr. Delanne) e apresenta os seguintes comentários: "É possível desenvolver o sentido espiritual, como diariamente se vê desenvolver-se uma aptidão por um trabalho constante. Ora, sabei que a comunicação do mundo incorpóreo com os vossos sentidos é constante; ela se dá a cada hora, a cada minuto, pela lei das relações espirituais. (...) Constantemente estão ao vosso lado; eles vos vigiam; vossos familiares vos inspiram, vos suscitam pensamentos, vos guiam; falam-vos e vos exortam; protegem os vossos trabalhos, ajudam-vos a elaborar os vossos desígnios, formados pela metade e os vossos sonhos ainda indecisos; anotam vossas boas resoluções, lutam quando lutais. (...) Oh! Não, jamais negueis vossa assistência diária; jamais negueis vossa mediunidade espiritual (...)"

Já a segunda mensagem, assinada por um Espírito Protetor (Médium: Sra. Causse), traz o seguinte ensinamento: " Sim, esse gênero de comunicação espiritual é mesmo uma mediunidade, como, aliás, tendes ainda outros a constatar, no curso de vossos estudos espíritas. É uma espécie de estado cataléptico, muito agradável para quem o experimenta. Proporciona todas as alegrias da vida espiritual à alma prisioneira, que aí encontra um encanto indefinível, que gostaria de experimentar sempre. Mas é preciso voltar de qualquer modo. E semelhante ao prisioneiro ao qual permitem tomar ar num prado, a alma entra constrangida na célula humana. (...) Esta mediunidade existe no estado inconsciente em muitas pessoas. Sabeis que há sempre perto de vós um amigo sincero, sempre pronto a sustentar e a encorajar aquele cuja direção lhe é confiada pelo Todo-Poderoso. Não, meus amigos, esse apoio não vos faltará jamais; cabe-vos saber distinguir as boas inspirações entre todas as que se chocam no labirinto de vossas consciências. (...)"

A terceira mensagem está assinada por São Luís (Médium: Sra. Delanne) e esclarece: "Já vos foi dito que a mediunidade se revelava por diferentes formas. A que vosso Presidente qualificou de mental está bem chamada. É o primeiro degrau da mediunidade vidente e falante. (...) enquanto que o médium mental pode, se for bem formado, dirigir perguntas e receber respostas, sem o intermediário da pena ou do lápis, mais facilmente que o médium intuitivo. Porque aqui o Espírito do médium, estando mais desprendido, é um intérprete mais fiel. Mas para isto é necessário um ardente desejo de ser útil, trabalhar em vista do bem com um sentimento puro, isento de todo pensamento de amor-próprio e de interesse. De todas as faculdades mediúnicas é mais sutil e a mais delicada: o menor sopro impuro basta para a manchar. Só nessas condições é que o médium mental obterá provas da realidade das comunicações. (...)"

E, finalmente, a última mensagem, assinada por Luís de França (Médium: Sra. Breul), traz o seguinte ensinamento: "Seguramente, meus amigos, a mediunidade, que consiste em conversar com os Espíritos, como com pessoas que vivem a vida material, desenvolver-se-á mais, à medida que o desprendimento do Espírito se efetuar com mais facilidade, pelo hábito do recolhimento. Quanto mais avançados moralmente forem os Espíritos encarnados, maior será esta facilidade de comunicações.(...)"

Ora, toda essa transcrição, com sua beleza textual e, ao mesmo tempo, fonte de tão amplos esclarecimentos, não tem outro objetivo senão destacar que estamos sempre amparados pela Bondade Divina através da presença carinhosa dos bons espíritos. E, igualmente, que podemos sim buscar a inspiração, a orientação superior, por nós mesmos, através do recolhimento mental e do aprimoramento moral que nos aproxima dos bons espíritos.

Ninguém está desamparado, sozinho, abandonado. Estamos todos envoltos em vibrações de amor daqueles que nos acompanham e orientam do Plano Espiritual. Todavia, por nossa vez, temos o dever de nos aprimorarmos moral e intelectualmente, para que possamos, com mais clareza, captar as suaves e dor'>consoladoras instruções que sempre nos são transmitidas. Nota do autor: todas as transcrições são parciais; recomendamos consulta à íntegra do texto, diretamente na Revista Espírita, na edição referida.

(1) edição Edicel, tradução de Julio Abreu Filho.



Orson Peter Carrara
Matéria publicada originariamente na RIE - Revista Internacional de Espiritismo, edição de junho de 2005.
 

04 dezembro 2015

Desencarne na Família - Espiritismo Para Todos

 

DESENCARNE NA FAMILIA


A morte na família deixa qualquer um triste, principalmente quando a pessoa que morre esta com a vida ativa e com saúde, aparentemente poderia ter mais tempo de vida na terra, mas o tempo de vida de cada um só Deus sabe, criança, jovem, adulto ou idoso é apenas a aparência do corpo físico, porque a alma é forte para enfrentar qualquer situação.

Quantos não choram ao lembrar-se daquele que já se foi, querido pela família, mesmo doente poderia continuar entre os parentes apenas para dar a graça da vida, conselhos, sorrisos ou apenas o olhar, mas perto daqueles que os amam.

Nada acontece por acaso, a justiça divina esta em todos os lugares e tempos, as nossas vontades estão em segundo plano para Deus que sabe o que faz e quando faz, no momento contrário ao nosso pensamento, mas no futuro saberemos por que tudo aconteceu assim.

Sendo a terra um lugar de prova e expiação, quanto menos tempo a alma ficar aqui é melhor, pois, há lugares melhores para viver de um nível espiritual mais elevado onde há menos sofrimentos e dores, mas, para isso é preciso passar pela terra, acertar contas com os credores e seguir em frente evoluindo espiritualmente.

A separação entre os que morrem e os que permanecem na terra não é eterna apenas passageira, pois, todos se encontrarão no mundo espiritual, principalmente os parentes.

A saudade existe nos dois lados e com ela a tristeza para que isso não aconteça o melhor que se tem a fazer é aceitar a situação naturalmente para que ambos continuem no mesmo caminho para Deus.



03 dezembro 2015

Débitos Seculares - Bezerra de Menezes


DÉBITOS SECULARES


O Cristo Consolador O Evangelho segundo o Espiritismo – Capítulo VI

Considerando que vêm de longa data os compromissos que têm unido os homens de boa vontade, há que se parar por um minuto, buscando analisar o momento atual, meditar e avaliar os resultados obtidos, reconsiderando os erros naturais nas ações, principalmente quando estas são resultados de esforços desenvolvidos no elevado propósito de servir.

O Apocalipse encontra-se em pleno desenvolvimento; os homens continuam desenvolvendo seus melhores recursos, buscando impor-se uns sobre os outros, esquecendo-se dos mais comezinhos princípios de fraternidade, que devem pautar os comportamentos dos homens inteligentes; o egoísmo continua levando a humanidade para os abismos da dor e do sofrimento; a vaidade e o orgulho jogam irmãos contra irmãos.

Aqueles que assumiram compromissos redentores de laborar em favor dos semelhantes, oportunidade misericordiosa concedida pelo Pai Celestial, favorecem o processo evolutivo. São esses, realmente, os privilegiados que puderam assumir compromissos relevantes em favor da própria emancipação espiritual.

Eis que as trevas, representadas por irmãos merecedores dos nossos cuidados, desenvolvem desesperados esforços no sentido de recuperarem o espaço perdido para Luz.

Urge que os portadores de compromissos, assessorados por espíritos nobres, desenvolvam esforços maiores no sentido de manter o terreno conquistado para o crescimento a Seara do Cristo.

Rever posições é dever urgente daqueles que portam a aflição da consciência de que as quedas sucessivas têm sido motivo de atraso na escalada evolutiva de cada um, Bem-Aventurados os aflitos, nos recorda Mateus. Vamos aumentar a nossa aflição, buscando na meditação e no esforço comum, recursos para continuar na tarefa que nos foi confiada e que aceitamos conscientemente, sabedores que somos, portadores de dívidas seculares, obsequiados pela Misericórdia Divina ao recebermos a magna ensancha de obrar como mantenedores das claridades divinas sobre o terreno conquistado, enquanto os espíritos superiores planejam a estratégia para a conquista de nossos espaços para o reinado do Amor.


Bezerra
De “Assimilação Evangélica”
De João Nunes Maia – Espíritos Diversos

02 dezembro 2015

Porque alguns bebês morre prematuramente? - Blog do Espírita


PORQUE ALGUNS BEBÊS MORREM PREMATURAMENTE?

Existem diversas respostas para esse questionamento, como veremos a seguir.

Existem casos, por exemplo, em que bebês nascem com problemas congênitos e logo depois desencarnam somente para restaurar o corpo astral. Isso ocorre quando a pessoa em vida anterior, era violenta e tinha vida desregrada, absorvendo energias destrutivas causadoras de doenças graves, não eliminadas completamente pela morte do corpo físico e que acabam deixando sequelas no corpo astral, cuja sensibilidade é mais intensa e o sofrimento para quem as tem torna-se muito forte, levando-a a procurar ajuda.

No mundo astral, existem locais que socorrem esses espíritos, que ao tomarem consciência de que erraram, arrependem-se e são levados a esses lugares de refazimentos, mas dependendo do estrago, as sequelas não desaparecem totalmente.

Quando isso ocorre, esses espíritos são aconselhados a reencarnar apenas para eliminar as sequelas, por que o corpo físico tem capacidade de absorvê-las e restaurar o equilíbrio do corpo astral. Após a restauração do equilíbrio, se voltarem a reencarnar, já o farão em um corpo perfeito, o que permitirá que tenham uma vida normal e saudável.

O corpo astral, é por assim dizer, o organizador biológico na formação do corpo carnal, no processo de reencarnação. Quando ele está lesionado em alguma parte, ao unir-se ao óvulo fecundado, no ventre materno não consegue gerar um corpo perfeito. Se o espírito encarnar nessas condições, vai ter que viver com o corpo imperfeito.

Em outros casos, o desencarne pode tratar-se de prova para os pais, para que passem por momentos de angústias, pois o Espírito da criança não tem consciência do que ocorre. Mas, a maioria dessas mortes, entretanto, é por conta da imperfeição da matéria.

Nos casos de desencarne de crianças, elas são atendidas de imediato pela Espiritualidade, por estarem num estado psíquico especial, próprio da infância. Não estando de posse de todas as suas faculdades, não seria lógico admitir que ficassem em estado de sofrimento por causa dos atos da vida.

De forma geral, pode-se concluir que todos os Espíritos que desencarnam em fase infantil são imediatamente atendidos pela Espiritualidade.


 

01 dezembro 2015

Considerações sobre a cura transitória e a Cura efetiva - F.Altamir da Cunha

 

CONSIDERAÇÕES SOBRE A CURA TRANSITÓRIA E A CURA EFETIVA


Desejamos a cura, mas fugimos da responsabilidade, negligenciando com relação à indispensável transformação íntima.

“[...] Quando, porém, o homem espiritual dominar o homem físico, os elementos medicamentosos da Terra estarão transformados na excelência dos recursos psíquicos e essa grande oficina achar-se-á levada a santuário de forças e possibilidades espirituais junto das almas.” (Emmanuel)

             
Embora para nós, espíritos encarnados e leigos quanto aos assuntos da alma, saúde signifique apenas o bom funcionamento dos órgãos do corpo físico, na realidade é resultado da interação de vários fatores: espiritual, biológico, psíquico, social, etc, e todos funcionando de acordo com a lei de causa e efeito – cada criatura recebendo segundo as suas obras (ou merecimento).
             
Com base no exposto, podemos afirmar que as moléstias e deficiências são resultado de uma desarmonia interior; ainda que constrangedoras e indesejáveis, são na verdade recursos indispensáveis para a obtenção do equilíbrio psicofísico, conforme nos esclarecem os benfeitores espirituais. De forma alegórica podemos dizer que é o caos antecedendo a ordem; a tempestade eliminando os miasmas doentios antes de causarem epidemias destruidoras.
             
O desconhecimento sobre essa complexa relação – enfermidades e suas causas, cura e mérito – já causou muito desencanto, e até mesmo revolta, em pessoas que se submeteram a intervenções espirituais e não obtiveram o êxito esperado; algumas não foram curadas e outras apenas foram curadas temporariamente. Sob o peso de tal frustração, não raro, concluem precipitadamente que a intervenção dos espíritos desencarnados no mundo material é uma farsa e que tudo não passa de mistificação por parte daquele que se diz médium.
             
Para que sejam evitadas conclusões precipitadas como estas, seria oportuno lembramos que Jesus, o excelente médico das almas, ao realizar intervenções magnéticas, libertando as criaturas  das enfermidades, advertia a respeito da necessidade de tornar a cura permanente através da renovação íntima. Ao paralítico curado por Ele junto ao poço de Betesda, quando o encontrou no templo, recomendou que não pecasse novamente, para que não tornasse a adoecer; à mulher adúltera, enferma da alma, a mesma orientação.  
             
Através destas advertências Jesus confirmou a estreita relação entre a cura real e a transformação do enfermo; legou preciosa lição, válida também para a posteridade. Porque não raro, buscamos com avidez a cura de enfermidades que nos fazem sofre, atendendo sempre à lei do menor esforço e na esperança de que o resultado seja imediato; fugimos da responsabilidade, negligenciando com relação à indispensável transformação, olvidando que as enfermidades do corpo, com raras exceções, refletem as distonias do espírito, assim como a saúde é resultado da harmonia interior. Daí podermos afirmar que na alma se encontram, tanto as causas das doenças como os recursos indispensáveis à cura definitiva.
             
Jamais entenderemos o sucesso ou o insucesso das curas espirituais ou das intervenções médicas, desconsiderando a lei de causa e efeito; há enfermidades que são conseqüência da negligência de hoje e/ou imensidão de débitos do passado, reclamando do espírito a mudança necessária; contudo, quanto à cura integral, nem sempre é possível em uma só encarnação.  Esta verdade não deve causar qualquer menosprezo às intervenções médicas, às ações medicamentosas, à fluidoterapia ou cirurgias espirituais; elas são ações complementares indispensáveis e através delas pode-se também alcançar a cura definitiva, no entanto, é imprescindível o merecimento do enfermo.

Esclarece muito bem Emmanuel em O Consolador, através da mediunidade de Francisco C. Xavier, na questão 97: “[...] Quando, porém, o homem espiritual dominar o homem físico, os elementos medicamentosos da Terra estarão transformados na excelência dos recursos psíquicos e essa grande oficina achar-se-á levada a santuário de forças e possibilidades espirituais junto das almas.”

É inegável a influência dos nossos pensamentos e ações sobre a nossa saúde. O grande filósofo e escritor espírita Leon Denis, em sua obra O problema do ser, do destino e da dor, afirma: “Os nossos atos e pensamentos traduzem-se em movimentos vibratórios, e seu foco de emissão, pela repetição freqüente dos mesmos atos e pensamentos, transformam-se pouco a pouco, em poderoso gerador  do bem e do mal”. O que podemos complementar de forma mais específica: gerador de saúde e doenças. 

Algumas pessoas poderão argumentar que sobe essa ótica os espíritos não deveriam prescrever receitas ou realizar cirurgias em enfermos portadores de doenças consideradas pela medicina como incuráveis, pois, esses procedimentos podem gerar uma falsa expectativa nos doentes e em seus familiares. Nós entendemos que esta forma de pensar, apenas atesta o desconhecimento sobre o assunto, pois, um prognóstico médico por mais respeitável que seja, nem sempre corresponde à realidade. São inúmeros os casos de pessoas portadoras de enfermidades, reconhecidas como incuráveis pela medicina, que se curaram e viveram longos anos. Com certeza atenderam às exigências da lei de causa e efeito e se tornaram merecedoras.


Reforçamos que toda tentativa de cura através de intervenções externas não logrará êxito se não acontecerem as mudanças adequadas à neutralização dos fatores internos causadores da doença. Na obra Plenitude de Joana de Angelis, através da mediunidade de Divaldo P. Franco, esclarece: “Certamente as terapias convencionais ajudam na recuperação da saúde, na sua relativa manutenção. Todavia, somente os fatores internos que respondem pelo comportamento emocional e social podem criar as condições permanentes de bem-estar, erradicando as causas penosas, proporcionando outras novas que compensarão aquelas, se não superadas, promovendo o equilíbrio estrutural do ser”.

Para finalizarmos transcrevemos de Céu e o Inferno, da parte 1ª capítulo VII, o resumo do código penal da vida futura que pode ser aplicado muito bem ao assunto em pauta:

1º - O sofrimento é inerente à imperfeição.
2º - Toda imperfeição assim como toda falta dela promanada, traz consigo o próprio castigo nas conseqüências naturais e inevitáveis; a moléstia pune os excessos e da ociosidade nasce o tédio, sem que haja mister de uma condenação especial para cada indivíduo.
3º - Podendo todo homem libertar-se das imperfeições por efeito da vontade, pode igualmente dos males consecutivos e assegurar a futura felicidade.
A casa um segundo as suas obras, no céu como na terra: tal é a lei da Justiça Divina.


Autoria: F.Altamir da Cunha
Revista RIE – junho de 2015