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26 agosto 2018

Eclosão da mediunidade: quando os conflitos surgem



ESCLOSÃO DA MEDIUNIADE: QUANDOS CONFLITOS SURGEM

São inúmeras as contradições e perturbações relacionadas à ausência de educação mediúnica


Quem realmente é integrado ao Espiritismo, estuda-o e é bom observador, descobre nuances que as demais pessoas não conseguem atentar, com relação a conflitos e contradições que comumente se apresentam nos portadores de mediunidade, divorciados do estudo e da indispensável educação.

Por serem portadores de aguçada sensibilidade, essas pessoas sentem tanto no campo mental quanto no físico a harmonia ou desarmonia como resultados de suas próprias condições ou das companhias espirituais com as quais têm afinidade. Não raro, elas são vítimas de certas contradições: apresentam-se felizes e otimistas em um momento e inexplicavelmente transformam-se, sentindo-se infelizes e pessimistas; se são oriundas de outras religiões sofrem constantemente alternâncias com relação à fé; arrependem-se e desejam retornar à religião de origem, quando visitados pelas dificuldades naturais que caracterizam a mediunidade de provas.

São inúmeras, na verdade, as contradições e perturbações relacionadas à ausência de educação mediúnica; mas, o medo exagerado da morte é uma das causas mais comuns de perturbação, pois Espíritos levianos, porém conhecedores de técnicas de manipulação de fluidos, atuam nos centros de força, principalmente o coronário, o cardíaco e o cerebral, provocando desarmonias em seu funcionamento que refletem nos órgãos correspondentes.

Os sintomas que resultam dessa maldosa intervenção são: alteração da frequência cardíaca, pressão no tórax, dores precordiais, perturbação mental, turvação da visão, vertigens, desmaios ou até mesmo convulsões. Nestas condições a vítima imagina ser portadora de problemas cardíacos ou neurológicos, o que aumenta mais o medo e a insegurança, dos quais os verdugos se aproveitam para intensificar o domínio e a perturbação.

Com frequência, os ardilosos adversários do plano espiritual utilizam-se de alguém, também portador de mediunidade, e através de sugestões telepáticas o tornam instrumento apropriado para que, de variadas formas possíveis, aumente o sofrimento da vítima.

Para ilustrar, relataremos um caso que cremos ser muito pertinente ao que estamos a estudar:

Um jovem estudante universitário, por volta dos 23 anos de idade, passou a sentir certas perturbações que lhe tiravam o sossego. Inexplicavelmente, sua frequência cardíaca se alterava, um frio repentino tomava seu corpo, à noite sentia vontade de dormir, mas ao deitar-se na tentativa de atender a necessidade do corpo, a mente entrava em desalinho, pois era tomado por um medo incomum; o coração disparava, a respiração entrecortava-se e ele ficava apavorado. Passaram-se alguns meses, inúmeros médicos foram consultados, medicamentos variados foram prescritos, mas tais providências foram inócuas.

Uma tarde, para recuperar-se dos efeitos da noite anterior, que não conseguira dormir, deitou-se quando de repente foi acometido da costumeira crise: o coração em descompasso, a mente em desalinho – era a morte, assim imaginou. Levantou-se sobressaltado, respirou profundamente várias vezes e só após alguns minutos os sintomas foram amenizados. Ainda possuído pelo medo, concluiu que certamente sofria de problemas cardíacos e que brevemente morreria.

Desejando mudar de ambiente e desligar-se da perturbadora ocorrência, resolveu ir à agência de passagens para se informar a respeito do horário de ônibus para a capital onde residia e estudava. Ao chegar à agência, dirigiu-se ao atendente, que era seu amigo; este lhe perguntou se desejava comprar a passagem e ele respondeu que só viajaria no dia seguinte; e o amigo com muita firmeza lhe falou: viaje hoje, pois, pode ser que você morra amanhã! Ouvindo esta frase o jovem quase desencarnou; ficou extático, o coração disparou e só a muito custo se restabeleceu.

Por mais de um ano, ainda esse jovem sofreu as repetidas crises, as quais ele imaginava ser sintoma de grave doença; e assim entregava-se aos mais sombrios prognósticos. Alguns meses depois, teve a oportunidade de conhecer algumas obras espíritas e começou a frequentar um centro espírita, onde recebeu a assistência e a orientação necessárias; foi encaminhado posteriormente às reuniões de estudo e educação da mediunidade. Gradativamente os problemas desapareceram. Hoje, decorridas várias décadas, como médium e trabalhador espírita, ele se lembra de todo o drama vivido como uma experiência muito importante.

Fatos como este são muito frequentes e têm provocado conclusões precipitadas a respeito da mediunidade; tanto para afirmar que mediunidade é sinônimo de perturbação, como para induzir à apressada busca de um desenvolvimento sem as bases da educação do médium.

A receita mais eficaz para que sejam evitados tais constrangimentos é a frequência do médium a um centro espírita, para receber tratamento e orientação adequados. No momento oportuno, encaminhado ao estudo e educação da mediunidade, ele encontrará o equilíbrio e compreenderá que não existe desenvolvimento da mediunidade sem a autoeducação do médium.

F. Altamir da Cunha
Fonte: O Clarim


18 março 2018

Morte e desencarnação – fenômenos nem sempre simultâneos - F.Altamir da Cunha



MORTE E DESENCARNAÇÃO
 FENÔMENOS NEM SEMPRE SIMULTÂNEOS


Normalmente damos às palavras morrer e desencarnar o mesmo significado – fenômeno através do qual o Espírito retorna ao mundo espiritual.

No entanto, com mais rigor, podemos dizer que morte é o fenômeno biológico que acontece com a paralisação permanente dos órgãos vitais; e desencarnação, porém, é a libertação total do Espírito dos laços magnéticos que o prendem ao corpo físico.

Com base nesta diferença conceitual também podemos afirmar que morte e desencarnação nem sempre acontecem simultaneamente, pois existe entre ambas um intervalo de tempo que varia de alguns minutos a vários dias.

Talvez o leitor menos afeito à literatura espírita considere estranha tal afirmação, e isso nos convida ao necessário esclarecimento.

A mente é instrumento poderoso, e através do pensamento ela imprime no perispírito (corpo fluídico) marcas profundas ou superficiais, em forma de dependências maiores ou menores, que não serão extintas de imediato com o fenômeno da morte.

Se a morte não interrompe de imediato as impressões que o Espírito fixou em si mesmo, também não é de imediato que os laços que prendem o Espírito ao corpo se desfazem; daí a desencarnação não ser imediata à morte biológica.

“Impressões longamente fixadas, e sensações vividas com sofreguidão, assinalam profundamente os tecidos sutis do perispírito, impondo necessidades e dependências que a morte não logra de imediato interromper.” (1)

Quando consideramos as diferenças naturais resultantes do nível de evolução entre dois Espíritos, havemos de convir que, mesmo que a morte aconteça de forma idêntica e no mesmo instante para ambos, o tempo exigido para o processo desencarnatório poderá variar de minutos até meses ou anos.

André Luiz no livro Ação e Reação relata a desencarnação de 14 pessoas em um acidente de aviação, o que nos oportuniza sérias reflexões sobre o assunto:

“Oito dos desencarnados no acidente jaziam em posição de choque, algemados aos corpos mutilados ou não; quatro gemiam, jungidos aos próprios restos, e dois deles, não obstante ainda enfaixados às formas rígidas, gritavam desesperados, em crises de inconsciência”.

Atentemos neste exemplo, para o fato de que a causa e o instante da morte foram os mesmos para todos, no entanto, o despertamento foi diferente.

A lição a respeito dessa diferença entre morte e desencarnação torna-se mais surpreendente, neste caso estudado, quando André Luiz narra sobre o requerimento comovedor de um ancião desencarnado, rogando à mansão a remessa de uma equipe adestrada para a remoção de seis das catorze entidades desencarnadas no acidente.

A pergunta do leitor poderá surgir de imediato, como fez Hilário, companheiro de André Luiz, a respeito do motivo de auxílio para a remoção de seis desencarnados, quando na verdade eles eram catorze.

A resposta dada por Druso, orientador espiritual, como veremos a seguir, apenas confirma o que já falamos no início deste artigo: morrer (biologicamente) não é a mesma coisa que desencarnar (libertar-se do corpo). De certa forma, morrer é fácil, pois bastam uma parada cardíaca ou uma parada respiratória prolongadas para que, em alguns instantes, a vítima morra. No entanto, diferente do que muitos possam imaginar, a desencarnação requer mais ou menos tempo, de acordo com as conquistas interiores de cada um.

Respondeu Druso: “No momento serão retirados da carne tão-somente aqueles cuja vida interior lhes outorga a imediata liberação. Quanto aos outros, cuja situação presente não lhes favorece o afastamento rápido da armadura física, permanecerão ligados, por mais tempo, aos despojos que lhes dizem respeito”. (2)

Quanto mais, por própria deliberação, nos escravizamos às fortes impressões dos sentidos através dos vícios e apegos à matéria, mais tempo gastaremos para esgotar as energias acumuladas no nosso perispírito. Quanto mais nos submetemos às disciplinas do Espírito, com equilíbrio e sublimação, mais facilidades conquistaremos para nos libertarmos da carne, quando surpreendidos pelo fenômeno da morte.

F.Altamir da Cunha

Referências:

(1) Temas da Vida e da Morte, FEB − Manoel Philomeno de Miranda / Divaldo Pereira.

(2) Ação e Reação, FEB, André Luiz/F. Cândido Xavier, p. 243.


01 dezembro 2015

Considerações sobre a cura transitória e a Cura efetiva - F.Altamir da Cunha

 

CONSIDERAÇÕES SOBRE A CURA TRANSITÓRIA E A CURA EFETIVA


Desejamos a cura, mas fugimos da responsabilidade, negligenciando com relação à indispensável transformação íntima.

“[...] Quando, porém, o homem espiritual dominar o homem físico, os elementos medicamentosos da Terra estarão transformados na excelência dos recursos psíquicos e essa grande oficina achar-se-á levada a santuário de forças e possibilidades espirituais junto das almas.” (Emmanuel)

             
Embora para nós, espíritos encarnados e leigos quanto aos assuntos da alma, saúde signifique apenas o bom funcionamento dos órgãos do corpo físico, na realidade é resultado da interação de vários fatores: espiritual, biológico, psíquico, social, etc, e todos funcionando de acordo com a lei de causa e efeito – cada criatura recebendo segundo as suas obras (ou merecimento).
             
Com base no exposto, podemos afirmar que as moléstias e deficiências são resultado de uma desarmonia interior; ainda que constrangedoras e indesejáveis, são na verdade recursos indispensáveis para a obtenção do equilíbrio psicofísico, conforme nos esclarecem os benfeitores espirituais. De forma alegórica podemos dizer que é o caos antecedendo a ordem; a tempestade eliminando os miasmas doentios antes de causarem epidemias destruidoras.
             
O desconhecimento sobre essa complexa relação – enfermidades e suas causas, cura e mérito – já causou muito desencanto, e até mesmo revolta, em pessoas que se submeteram a intervenções espirituais e não obtiveram o êxito esperado; algumas não foram curadas e outras apenas foram curadas temporariamente. Sob o peso de tal frustração, não raro, concluem precipitadamente que a intervenção dos espíritos desencarnados no mundo material é uma farsa e que tudo não passa de mistificação por parte daquele que se diz médium.
             
Para que sejam evitadas conclusões precipitadas como estas, seria oportuno lembramos que Jesus, o excelente médico das almas, ao realizar intervenções magnéticas, libertando as criaturas  das enfermidades, advertia a respeito da necessidade de tornar a cura permanente através da renovação íntima. Ao paralítico curado por Ele junto ao poço de Betesda, quando o encontrou no templo, recomendou que não pecasse novamente, para que não tornasse a adoecer; à mulher adúltera, enferma da alma, a mesma orientação.  
             
Através destas advertências Jesus confirmou a estreita relação entre a cura real e a transformação do enfermo; legou preciosa lição, válida também para a posteridade. Porque não raro, buscamos com avidez a cura de enfermidades que nos fazem sofre, atendendo sempre à lei do menor esforço e na esperança de que o resultado seja imediato; fugimos da responsabilidade, negligenciando com relação à indispensável transformação, olvidando que as enfermidades do corpo, com raras exceções, refletem as distonias do espírito, assim como a saúde é resultado da harmonia interior. Daí podermos afirmar que na alma se encontram, tanto as causas das doenças como os recursos indispensáveis à cura definitiva.
             
Jamais entenderemos o sucesso ou o insucesso das curas espirituais ou das intervenções médicas, desconsiderando a lei de causa e efeito; há enfermidades que são conseqüência da negligência de hoje e/ou imensidão de débitos do passado, reclamando do espírito a mudança necessária; contudo, quanto à cura integral, nem sempre é possível em uma só encarnação.  Esta verdade não deve causar qualquer menosprezo às intervenções médicas, às ações medicamentosas, à fluidoterapia ou cirurgias espirituais; elas são ações complementares indispensáveis e através delas pode-se também alcançar a cura definitiva, no entanto, é imprescindível o merecimento do enfermo.

Esclarece muito bem Emmanuel em O Consolador, através da mediunidade de Francisco C. Xavier, na questão 97: “[...] Quando, porém, o homem espiritual dominar o homem físico, os elementos medicamentosos da Terra estarão transformados na excelência dos recursos psíquicos e essa grande oficina achar-se-á levada a santuário de forças e possibilidades espirituais junto das almas.”

É inegável a influência dos nossos pensamentos e ações sobre a nossa saúde. O grande filósofo e escritor espírita Leon Denis, em sua obra O problema do ser, do destino e da dor, afirma: “Os nossos atos e pensamentos traduzem-se em movimentos vibratórios, e seu foco de emissão, pela repetição freqüente dos mesmos atos e pensamentos, transformam-se pouco a pouco, em poderoso gerador  do bem e do mal”. O que podemos complementar de forma mais específica: gerador de saúde e doenças. 

Algumas pessoas poderão argumentar que sobe essa ótica os espíritos não deveriam prescrever receitas ou realizar cirurgias em enfermos portadores de doenças consideradas pela medicina como incuráveis, pois, esses procedimentos podem gerar uma falsa expectativa nos doentes e em seus familiares. Nós entendemos que esta forma de pensar, apenas atesta o desconhecimento sobre o assunto, pois, um prognóstico médico por mais respeitável que seja, nem sempre corresponde à realidade. São inúmeros os casos de pessoas portadoras de enfermidades, reconhecidas como incuráveis pela medicina, que se curaram e viveram longos anos. Com certeza atenderam às exigências da lei de causa e efeito e se tornaram merecedoras.


Reforçamos que toda tentativa de cura através de intervenções externas não logrará êxito se não acontecerem as mudanças adequadas à neutralização dos fatores internos causadores da doença. Na obra Plenitude de Joana de Angelis, através da mediunidade de Divaldo P. Franco, esclarece: “Certamente as terapias convencionais ajudam na recuperação da saúde, na sua relativa manutenção. Todavia, somente os fatores internos que respondem pelo comportamento emocional e social podem criar as condições permanentes de bem-estar, erradicando as causas penosas, proporcionando outras novas que compensarão aquelas, se não superadas, promovendo o equilíbrio estrutural do ser”.

Para finalizarmos transcrevemos de Céu e o Inferno, da parte 1ª capítulo VII, o resumo do código penal da vida futura que pode ser aplicado muito bem ao assunto em pauta:

1º - O sofrimento é inerente à imperfeição.
2º - Toda imperfeição assim como toda falta dela promanada, traz consigo o próprio castigo nas conseqüências naturais e inevitáveis; a moléstia pune os excessos e da ociosidade nasce o tédio, sem que haja mister de uma condenação especial para cada indivíduo.
3º - Podendo todo homem libertar-se das imperfeições por efeito da vontade, pode igualmente dos males consecutivos e assegurar a futura felicidade.
A casa um segundo as suas obras, no céu como na terra: tal é a lei da Justiça Divina.


Autoria: F.Altamir da Cunha
Revista RIE – junho de 2015

19 janeiro 2011

A Família e os Deveres dos Filhos com Relação aos Pais - F.Altamir da Cunha

A Família e os Deveres dos Filhos com Relação aos Pais

É muito comum o desenvolvimento de temas enfocando a louvável preocupação a respeito dos deveres dos pais com relação aos filhos, no núcleo familiar. Sem sombra de dúvida, seria inaceitável a indiferença a tão importante e oportuno assunto. Porém, considerando a família, como instituição social na qual se reúnem espíritos encarnados de variados níveis evolutivos, credores e devedores uns dos outros, rumo à perfeição, não podemos olvidar o regime de reciprocidade de deveres entre os mesmos.

Se, é verdade que aos pais compete o dever de amar, proteger, assistir e educar o filho para a vida, não é menos verdade que aos filhos cabe o dever de amar, respeitar e assistir os pais em suas necessidades; principalmente na velhice, quando peso da idade os torna dependentes. É importante lembrar, que o cumprimento desse dever, independe de como os pais se comportaram, se cumpriram ou não seus deveres. Isso não deve interferir no dever dos filhos; a oportunidade reencarnatória, da qual os pais se fizeram instrumentos, já é suficiente para que os filhos lhes sejam gratos.

Cometeriam grave erro, os filhos que se acomodassem ao simples dever da assistência material, embora reconhecedores que somos de sua importância. Porém, é importante ressaltarmos, que toda criatura necessita muito mais do que este tipo de assistência.

Lembramos que em uma das visitas costumeiras a um ancianato, ouvimos de uma interna o comentário: “aqui eu tenho apartamento com televisão e uma pessoa para cuidar de mim. Mas o que eu queria mesmo, era estar ao lado do meu filho. Hoje (era um sábado), ele deve estar passeando com os filhos e a esposa. Sinto muita saudade dele”. Este comentário revela, que a necessidade maior é a da presença, do carinho e da atenção.

A ingratidão dos filhos para os pais, principalmente, quando estes se encontram em idade provecta, é a maior prova da insensibilidade de algumas criaturas; reflexo do utilitarismo, que domina a sociedade contemporânea. Na antiguidade algumas sociedades, mantinham em seu seio, grupos formados por anciões, os quais, eram respeitados, e pela experiência de que eram portadores, tornavam-se conselheiros para as decisões mais importantes.

Hoje, a inversão de valores se fez patente - o mais importante não é ‘ser’ (ser experiente, ser honesto, ser justo, etc.), mas, sim, ‘ter’ (mesmo que seja apenas, a astúcia para conseguir de forma desonesta), causando abandono e solidão àqueles que não são mais produtivos. Essa é uma triste realidade, que precisa ser mudada.

Desconhecer a importância daqueles que no passado, limparam e araram a terra, plantaram as sementes e cuidaram, para que se tornassem árvores

frondosas e frutíferas de cujas sombras e frutos hoje nos servimos, é a manifestação cruel do egoísmo, em forma de ingratidão.

Nós como filhos, que inúmeras vezes, idealizamos grandes projetos

humanitários, não podemos esquecer, que se ainda não aprendemos a abrir os corações para amar os nossos pais, jamais conseguiremos amar à humanidade.

Respeitar pai e mãe conforme prescrito em os dez mandamentos, é assisti-los em todos os aspectos; não deveria representar para os filhos um sacrifício, mas, sim, um prazer – o prazer de retribuir a dedicação e o carinho, recebidos na infância.

Portanto, aos filhos hoje, compete o legítimo exercício da caridade e da gratidão, sem esquecer que da vida apenas recebemos o que damos. Quem semeia indiferença, candidata-se à solidão!

F.Altamar da Cunha - Publicado no jornal O Clarim - Março/2008

18 janeiro 2011

Drogas: Fonte de Prazer ou Sofrimento - F.Altamir da Cunha

DROGAS: FONTE DE PRAZER OU SOFRIMENTO?

Um dos temas mais interessantes da atualidade é, sem sombra de dúvida, aquele que se relaciona com uso de drogas. Estudar e avaliar seus efeitos nas esferas biopsíquica, social e espiritual, constitui-se ação impostergável.

É bastante fazermos uma retrospectiva na história da humanidade, para constatarmos, que o uso de drogas não é um problema de agora. Na bíblia é relatada a história de uma das primeiras vítimas: "E começou Noé a cultivar a terra e plantou uma vinha. Bebeu do vinho e embriagou-se; e achava-se nu dentro da sua tenda" (Gênesis 9, 20-21).

Nas civilizações antigas mascavam-se determinadas folhas, para se obter energia e disposição, a fim de vencer as intempéries e os perigos. Na Índia e no Egito eram conhecidos os efeitos das drogas para provocar a liberação parcial do espírito (desdobramento); através desse fenômeno comunicavam-se com os desencarnados, os quais eram interpretados como deuses. Cristóvão Colombo, quando esteve nas Américas, fez menção a respeito dos índios, habitantes daquelas terras que, através de um canudo de determinada planta, inalavam uma substância, que os tornava excitados.

Portanto, registros sobre o uso e conhecimento dos efeitos das drogas, sempre estiveram presentes na história da humanidade.

Na atualidade, no entanto, os reflexos nocivos do uso abusivo de drogas alcançaram vários setores da sociedade, onerando as finanças públicas, desestruturando famílias, causando sofrimento e morte.

Ante as repetidas notícias, através da mídia, destacando a insensibilidade dos traficantes e o sofrimento dos escravos do vício, os demais cidadãos angustiados questionam: Até quando?...
Todo sofrimento tem um termo, mas somente acontecerá quando forem eliminadas as suas causas. Existem traficantes porque existem pessoas imaturas que, acovardadas ante os desafios da vida ou movidas por curiosidade, iniciam-se no uso de substâncias de efeito tóxico e delas tornam-se escravas. Não acreditam nas possibilidades que lhe são inerentes e que seriam suficientes para torná-las vencedoras.

Quanto à legalidade, existem as drogas lícitas e as ilícitas. Entre as consideradas legais ou licitas, nós poderíamos incluir o cigarro e as bebidas alcoólicas.

O cigarro, que há tempo faz parte do dia-a-dia de uma considerável parcela da população, gera dependência, causando a médio e longo prazo, problemas cardiovasculares e vários tipos de cânceres. Os alcoólicos, que conquistam cada vez mais consumidores jovens, têm sido uma das causa principais da violência urbana e dos acidentes de trânsito. O alcoolismo, hoje considerado um problema de saúde, é responsável por uma grande parcela de ocupação dos leitos hospitalares, faltas no ambiente de trabalho, desestrutura familiar, cirrose hepática, câncer e perda da memória.

Lembramos de um dos melhores professores de matemática que tivemos no curso ginasial (primeiro grau). Destacava-se, na época, pela sua rapidez de raciocínio e competência profissional. Era consumidor de alcoólicos; perdeu o controle e tornou-se alcoólatra. Anos depois o encontramos; ele nos apresentou um problema de matemática de nível ginasial para que resolvêssemos, pois não conseguira resolver. Ao lermos o problema constatamos ser um dos mais elementares. O álcool havia prejudicado sua memória, incapacitando-o para o exercício profissional. Mas não ficou restrito à memória os danos causados pelo álcool; alguns anos depois, com pouco mais de 40 anos, retornava ao plano espiritual, vítima de cirrose hepática.

Após essa exposição superficial, a respeito das drogas lícitas, não podemos deixar passar a oportunidade de tecermos também algumas considerações sobre as drogas alucinógenas ou ilícitas. Estas têm conseqüências mais devastadoras, não apenas pelo seu efeito nocivo na saúde do consumidor, mas também, pela ganância dos traficantes, em luta pelo domínio de áreas de venda.
O mundo tem passado por uma vertiginosa transformação, exigindo de todos, adequações psicológicas e espirituais. Mas é justamente o que não tem acontecido; alguns espíritos imaturos, na sua maioria oriundos de lares desestruturados, sentem-se como peixe fora da água; buscam através das drogas amortecer as angústias que os atormentam. Fogem momentaneamente da realidade, por força do efeito alucinógeno; porém, quando cessa esse efeito, sentem-se mais angustiados, necessitando de repetidas doses que os conduzem inexoravelmente à dependência e à autodestruição; destruição física, destruição moral, destruição de sonhos e da dignidade, porque o usuário torna-se escravo do vício.

Os efeitos das drogas não se restringem apenas ao corpo físico; a sua ação vigorosa, complementada por astúcia de espíritos perversos, desagrega a personalidade, liberando dos arquivos do subconsciente imagens de dramas vividos em encarnações anteriores. Atingido esse estágio, que na maioria das vezes torna-se irreversível, vem, a seguir, a loucura ou a morte.
Ante o exposto, que representa o drama vivido pelo dependente de drogas enquanto encarnado, é oportuno lembrarmos, que ele não termina com a morte. As desarmonias causadas na tessitura perispiritual e a dependência (necessidade da droga) lhe causarão muitos transtornos, até que se reabilite com as leis da vida, o que se dará através de outras oportunidades reencarnatórias.

Portanto não encontramos motivos para interpretar que o uso de drogas proporcione prazer, quando na realidade é fonte de sofrimento e destruição. (F. Altamir da Cunha).