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11 abril 2017

Como devemos cuidar de quem está próximo da morte - Regis Mesquita



COMO DEVEMOS CUIDAR DE QUEM ESTÁ MUITO PRÓXIMO DA MORTE



A jornada na Terra sempre chega ao fim. Algumas vezes é necessário que o processo da velhice, doença e morte seja acompanhada de perto por alguém.

Esta pessoa pode ser você, que terá a responsabilidade de garantir o respeito, a dignidade e o conforto físico de seu parente amado.

Acredito eu que não exista gesto mais nobre de amor. Tenho a certeza que também não existe momento mais oportuno para o aprendizado e para a vivência espiritual.

Muitas pessoas sentem-se desconfortáveis frente à morte. Mas, acredite, para o espírito é um momento belo e grandioso. Este texto tem a missão de desmistificar a morte, facilitar sua vida ao lado da pessoa que se prepara para partir e te ajudar a viver plenamente o amor que existe dentro de você (sem medo e sem receio).

Se este texto for útil para você, será para outras pessoas. Portanto, te convido a divulgar o link deste texto.

"A separação da alma e do corpo é dolorosa?
— Não; o corpo, frequentemente, sofre mais durante a vida que no momento da morte; neste, a alma nada sente. Os sofrimentos que às vezes se provam no momento da morte são um prazer para o Espírito, que vê chegar o fim do seu exílio.

No momento da morte, a alma tem, às vezes, uma aspiração ou êxtase, que lhe faz entrever o mundo para o qual regressa? — A alma sente, muitas vezes, que se quebram os liames que a prendem ao corpo, e então emprega todos os seus esforços para os romper de uma vez. Já parcialmente separada da matéria, vê o futuro desenrolar-se ante ela e goza por antecipação do estado de Espírito."

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos

Ajudar alguém nos últimos meses ou anos é uma das maiores responsabilidades que alguém pode ter. Sob certos aspectos é bem mais difícil que criar uma criança. A criança coleciona conquistas, o idoso ou o doente coleciona dificuldades. Mas, porém, virão conquistas; conquistas para o espírito e para o amadurecimento pessoal. Nesta fase os grandes ganhos não são exteriores, são interiores.

Tenha claro esta realidade: há muito aprendizado nos últimos anos de vida.

E mais, são alguns dos aprendizados mais importantes para o futuro do espírito.
Uma criança nasce e aprende a falar e a andar. São ganhos que parecem grandes, mas que se perdem com o falecimento. Já os aprendizados dos últimos anos são realmente centrais para o espírito. Por exemplo: uma pessoa muito orgulhosa, ao se ver necessitada de ajuda, descobriu na humildade a paz que lhe faltou por toda a vida. Ela dizia: "Meu Deus, porque não aprendi a viver assim antes?" Não aprendeu antes, mas aprendeu quando as limitações físicas se fizeram mais fortes.

Alguém poderia dizer; "antes tarde do que nunca". Quem conhece a vida espiritual sabe que NUNCA é tarde para esta transformação positiva. Esta transformação será muito importante por décadas e séculos.
Por isto, não fique tão triste com as perdas que acompanham a velhice e as doenças. São oportunidades únicas. São oportunidades importantíssimas.

Primeiro porque "tira de cima da pessoa" o peso da sociedade. A sociedade é uma prisão brutal para grande parte das pessoas.
Somos orgulhosos, esta é a verdade. São raríssimos os seres humanos que não são orgulhosos. A doença e as limitações da idade jogam por terra grande parte das vaidades, orgulho e desejo de ser aceito (os místicos dizem: tudo desaba). É um choque que coloca o ego da pessoa lá embaixo; algumas até deprimem. Mas, a queda do ego é a porta aberta para a emersão do que é realmente importante para o espírito.

São bilhões de pessoas que tem na velhice e nas doenças as últimas oportunidades para realizar seu progresso espiritual.

Importante: aprenda a olhar para a pessoa amada como um espírito que dá os últimos passos e que tem as últimas oportunidades de realizar conquistas nesta vida (nesta encarnação).

O corpo perde, mas o espírito pode ganhar. O corpo vai finalizar, mas a vida espiritual ainda é longa. Por isto, tranquilize-se com as perdas. Tenha serenidade para acompanhar estas perdas. Cuide com carinho, mas treine-se para o desligamento. Aceite cada passo que a natureza der; traga conforto e use sempre um diálogo espiritualizado para facilitar o entendimento e a superação das dificuldades.

Treine com a mensagem de Jesus: "seja feita a Sua vontade". Nada é perda, tudo é transformação. Tenha paciência, porque você é apenas alguém que acompanha uma trajetória que é muito pessoal e especial - a trajetória do seu ente querido até a libertação do corpo.

Veja a morte como saudade para quem fica e liberdade para quem vai. É uma libertação, porque chegará um momento em que os aprendizados serão pequenos; este é o momento de voltar para a vida espiritual.


Autor: Regis Mesquita – Blog Nascer Várias

 

10 abril 2017

Drogas; Viva feliz, sem elas! - Maria Heloísa Bernardo



DROGAS: VIVA FELIZ, SEM ELAS!
(Matéria publicada na Folha Espírita de dezembro de 2006)


O uso abusivo de drogas não deve mais ser considerado um fenômeno marginal, isolado ou restrito a grupos específicos da sociedade. Estatísticas de fontes especializadas, como a Organização Mundial de Saúde, por exemplo, indicam crescimento do consumo de substâncias psicoativas nos centros urbanos de todo o mundo, atingindo cerca de 10% das populações, independentemente de idade, sexo, nível de instrução e poder aquisitivo.

Segundo a psicóloga Maria Heloísa Bernardo, diretora-técnica do Centro de Tratamento Bezerra de Menezes, em São Bernardo do Campo (SP), que atua na prevenção, tratamento e reintegração de dependentes químicos, a grande disponibilidade de substâncias psicoativas, associada à degeneração dos verdadeiros valores da vida, “éticos e morais”, juntamente com a desagregação da família, têm contribuído para o cenário atual, que envolve o uso, abuso e a dependência de substâncias, assim como o aumento no número de dependentes químicos.

Crianças e jovens são a faixa etária que apresenta, atualmente, maior vulnerabilidade. “Nesse período do desenvolvimento humano, as estruturas física, psíquica, emocional e espiritual do jovem ainda se encontram em desenvolvimento, ou seja, não estão totalmente formadas. Assim, o uso e o abuso de substâncias tornam-se muito mais lesivos. A puberdade e a adolescência são um período caracterizado pela necessidade de identificação com o grupo. Se ela ocorrer com grupos problemáticos, com predominância de comportamentos agressivos, anti-sociais ou uso de drogas, provavelmente colocará o jovem em situações de maior risco”, alerta. Mas a dependência é, como Maria Heloísa define, uma “síndrome democrática”: atinge homens e mulheres em todas as faixas etárias, raças, credos e condições socioeconômicas. “Historicamente, a maior demanda para uso, abuso ou dependência de substâncias, assim como a necessidade de prevenir e tratar, tem sido do gênero masculino. Porém, o grande aumento da incidência desse transtorno entre mulheres, crianças e outros grupos sociais tem impulsionado pesquisas e estudos na tentativa de compreender, prevenir e equacionar esse grave problema, ampliando e desenvolvendo recursos mais eficazes para prevenção, tratamento e reintegração social entre usuários, abusadores e dependentes de substâncias psicoativas”, comenta.

Predisposição

A diretora técnica do centro de tratamento paulista explica que a dependência química é uma síndrome biopsicossocioespiritual, ativada por predisposição pessoal, associada ao uso de substância psicoativa e erro pedagógico, ou seja, ensinar como certo algo que é errado. Um exemplo citado pela psicóloga é o de molhar a chupeta da criança na espuma da cerveja quando adultos bebem, “curar” o mau humor com calmantes e realizar todas as festas e celebrações regadas à bebida alcoólica. “Estamos enviando a mensagem subliminar aos jovens da família que ‘só é possível comemorar com bebidas’”, reflete.

Além de prejudicar o próprio usuário, a doença atinge a família e amigos. “O relacionamento mais significativo e profundo que qualquer pessoa desenvolve na sua existência é com a família ou com o seu grupo original. Assim, a síndrome da dependência química afeta sobremaneira a dinâmica desse grupo, levando-o a séria disfuncionalidade. A família também desenvolve uma síndrome paralela mais ou menos grave, conhecida como ‘síndrome da codependência’”, diz.

Codependente é qualquer pessoa cuja vida tenha ficado incontrolável por viver uma relação comprometida com um dependente. É uma síndrome definível que é crônica e segue uma progressão previsível. Quando uma pessoa, numa relação comprometida com um dependente, tenta controlar a bebida ou o uso de drogas ou um comportamento compulsivo (em que é impotente), perde o controle sobre o próprio comportamento (em que ela tem poder) e o domínio sobre a sua própria vida.

Prejuízo

Para aqueles que acham que consumir alguma substância uma vez ou outra não vai fazer diferença, a psicóloga avisa que todas as drogas resultam em algum tipo de prejuízo ao cérebro e, por conseqüência, ao organismo. “Da nicotina do cigarro, aceita socialmente, ao temível crack, qualquer substância psicoativa repercute negativamente na saúde do consumidor, e o usuário de qualquer uma delas poderá desenvolver a doença, se tiver predisposição”, alerta.

Envolvimentos espirituais crescem com uso de substâncias

Na mesma proporção que progride a síndrome no usuário de drogas, instalam-se os problemas espirituais. As substâncias psicoativas danificam, progressivamente, a mente, o corpo e o espírito, abrindo as portas para “presenças espirituais” danosas, com o conseqüente envolvimento espiritual que se intensifica.

À medida que a pessoa se torna escrava da substância, maior é o envolvimento espiritual em todas as áreas da sua vida. A síndrome da dependência leva a pessoa a buscar substâncias cada vez mais potentes devido à tolerância. Pode iniciar o uso com substâncias consideradas mais leves e evoluir para a utilização de várias delas ao mesmo tempo, independentemente da sua classificação.

Prevenção é o melhor caminho

Folha Espírita – Mas o que fazer para se manter longe das drogas?
Maria Heloísa Bernardo – Prevenção é sempre a melhor forma de proteção. Manter-se informado sobre as conseqüências do uso, abuso e dependência química, adaptando a linguagem às características do grupo, talvez seja a melhor forma de conscientização das pessoas para exercitarem o seu livre-arbítrio, ou seja, fazer escolhas apropriadas sobre usar ou não determinada substância. Essa orientação é particularmente importante para os jovens, que são a população mais vulnerável. Os profissionais de Saúde, por sua vez, também devem se manter cientificamente informados. Enfim, os profissionais, professores, pais e a sociedade de forma geral necessitam aprender para informar os jovens.

FE – E para deixar de ser um dependente químico?
Maria Heloísa – A dependência química é tratável, embora não se possa curá-la. Seus sintomas podem ser detidos através da abstinência total de toda e qualquer substância química que altere o humor. Além da abstinência, a vulnerabilidade do dependente químico à recaída pode ser controlada através de mudanças permanentes no estilo de vida, atitudes e comportamento.

FE – No que os amigos e a família podem ajudar?
Maria Heloísa – Educação sobre a dependência química e codependência é fundamental para todos. Orientação e tratamento especializado para a família ajudam a separar a crise do dependente da crise familiar, propiciando inicialmente o restabelecimento da comunicação entre o grupo familiar para desenvolver um plano terapêutico.

FE – Muitos dizem que a solidão é a melhor companhia do dependente químico. Isso é verdade?
Maria Heloísa – Sim, pois à medida que a síndrome progride a vítima se afasta do convívio social. A família e amigos também se afastam, devido a seu comportamento insano. Isso leva ao isolamento completo nas etapas finais da doença.



Centro de Tratamento Bezerra de Menezes

1.  Matriz: rua Batuíra, 400, bairro Assunção, São Bernardo do Campo (SP) - telefone (11) 4344-2222 

2. Unidade Ambulatorial São Paulo: rua Tenente Gomes Ribeiro, 57, cjs. 54, 55 e 56, Vila Mariana, São Paulo (SP) - telefones (11) 5573-3402 e 5082-4279 

3. Unidade de Assistência e Reintegração Social Paulínia: rua Hélio Polezer Júnior, 300, Parque Represa, Paulínia (SP) - telefones (19) 3884-1016 e 3884-6369 

Mais informações sobre o trabalho da entidade no site www.bezerrademenezes.org.br

O tóxico é o irmão mais sofisticado da cachaça, através da qual também nós temos perdido muita gente. A fascinação pelo tóxico é a necessidade de amor que o jovem tem. Mesadas grandes que não são acompanhadas de carinho e de calor humano paterno geram conflitos muito grandes. Muitas vezes a privação do dinheiro, o trabalho digno e o afeto vão construir uma vida feliz. (Lições de Sabedoria – Chico Xavier, Marlene R. S. Nobre) 

“Quando os pais, por qualquer motivo, não convivem com os filhos, eles podem ser adotados pelos traficantes” (Divaldo Pereira Franco)

“O tratamento e recuperação dessa síndrome exige boa vontade do dependente, atenção especializada e reformulação, baseadas em altos valores éticos morais e espirituais” (Maria Heloísa Bernardo, diretora-técnica do Centro de Tratamento Bezerra de Menezes)




Cláudia Santos entrevista a psicóloga Maria Heloísa Bernardo, Diretora do Centro de Tratamento Bezerra de Menezes, que atua na prevenção, tratamento e reintegração de dependentes químicos


09 abril 2017

O Planeta Ideal - Carlos A. Baccelli,




O PLANETA IDEAL


Ouvindo sucinto diálogo entre um espírito candidato à reencarnação e devotado Instrutor da Vida Maior, anotei a conversa que considerei, deveras, curiosa:
- Estou interessado em evoluir mais depressa – dizia o espírito ao experiente interlocutor –, e, por tal motivo, gostaria de reencarnar num planeta que me oferecesse reais oportunidades para tanto...

Anseio por praticar o Bem a quem seja como alguém que, olhando à sua volta, encontra o necessitado ao alcance da mão para auxiliar – seja com um pedaço de pão, seja com uma palavra, um aceno...

Quero me expor às tentações, a fim de alicerçar em mim virtudes que, sinceramente, me façam digno de habitar as Esferas mais altas – refiro-me às virtudes da paciência e do perdão, da renúncia e do devotamento, mas, principalmente, da honestidade...

Quero viver de “enxada” nas mãos, à feição de quem dispõe de imensa gleba para lavrar, a fim de defender a boa semente, combatendo a tiririca que tencione a invadir a lavoura...

Reencarnar num mundo em que, realmente, eu possa cooperar com Jesus Cristo, em seus apelos de fraternidade e de amor, e que, para mim, seja um constante desafio à sinceridade de propósitos que pretendo demonstrar ao nosso Mestre e Senhor...

Num mundo no qual nem que eu queira viver de braços cruzados, eu não possa, de vez que furtar-me nele à possibilidade de ser útil, de mil formas diferentes, me seja absolutamente impossível...

Num mundo em que os próprios religiosos não se entendam para que, com os meus exemplos de tolerância e de não fanatismo, eu consiga colocar em prática o ensinamento do “amai-vos uns aos outros”...

E após efetuar breve pausa em sua palavra, que o Benfeitor escutava em silêncio, prosseguiu:
- Eu sei que o senhor está me entendendo, porque, certamente, já se viu possuído por sentimentos semelhantes aos meus, que estou cansado de marcar passo na senda da Evolução, e, por isto, estou pedindo a sua intercessão...

Auxilie-me a renascer num orbe no qual, praticamente, desde o berço, eu me veja compelido a lutar pelo pão de cada dia, em meio a tentações que ensejaram a espíritos praticamente comuns alcançar, um dia, a coroa da santidade...

Preciso sair desse marasmo espiritual em que estou vivendo há séculos e séculos...

Quero e preciso renascer – repetiu – num orbe fértil de oportunidades de ascensão moral, no qual, inclusive, no que tange às descobertas e invenções para facilitar a vida de seus habitantes, eu possa colaborar com alguma coisa...

Devem existir mundos nos quais tudo ainda esteja para ser feito, não?! – ou quase tudo?!...

Como eu haveria de crescer, por exemplo, num planeta em que eu não precisasse fazer calos nas mãos?! Num planeta em que a paz já esteja consolidada e no qual as leis sejam respeitadas por todos?!...

Eu quero lutar e quero sofrer pelo Ideal de servir!...

O Mestre não nos recomenda entrar pela porta estreita?! Pois, então?! Eu não quero a facilidade da porta larga, porque a porta larga também está no comodismo...

Posso contar com o seu auxílio?! – inquiriu ao Instrutor. – O senhor conhece um planeta assim, ao qual, através da reencarnação, eu possa me encaminhar, com o fito de integral aproveitamento dela?!...

Olhando para o candidato a retomar o corpo carnal, o Espírito amigo, sem pestanejar, respondeu:
- Meu irmão, na atualidade, dentro do Sistema Solar, e mesmo fora dele, e a uma boa distância, o planeta que preenche todos os seus requisitos de mais rápida evolução pessoal é a Terra mesmo!...

Inácio Ferreira
Uberaba – MG, 6 de fevereiro de 2017.
Psicografia de Carlos A. Baccelli

08 abril 2017

Eu sou médium, e daí? - Morel Felipe Wilkon


 
EU SOU MÉDIUM, E DAÍ?

Infelizmente ainda é comum tanto no meio espírita quanto fora dele, em meios espiritualistas, que o médium seja considerado um ser especial. Principalmente por pessoas que não entendem nada do assunto, pessoas que não sabem ao certo o que vem a ser mediunidade e o que a mediunidade representa de fato para o médium.

Na internet nós encontramos dezenas de blogs e canais no Youtube em que pessoas que se dizem médiuns (mesmo que deem outro nome para isso, como “canalizadores”, por exemplo) expõe as suas teorias como se fossem a última verdade.

Às vezes, no meu canal no Youtube, no espaço de comentários, alguém “corrige” minhas opiniões e posicionamentos. E qual é o seu grande argumento para dizer que eu estou errado e eles estão certos? – Eles são médiuns!

Ora, eu também sou médium. Mas isso não faz de mim o consertador das verdades.

Esse carteiraço não cola. Pode colar entre aqueles que não sabem como se processa a mediunidade; pra mim não cola.

Esses dias teve um aí dizendo que no mundo de regeneração nós vamos viver centenas de anos. Por quê? Porque ele é médium e o mentor dele disse pra ele.

Com todo o respeito ao teu mentor, mas isso não quer dizer nada. Isso é a opinião de um espírito. Eu também sou espírito e tenho opiniões – será que isso faz de mim um ser especial? Será que a minha opinião está sempre certa? Não tem nada a ver.

Em primeiro lugar mediunidade é algo muito sutil. Nem sempre é possível distinguir o que vem do espírito, o que é intuição nossa e o que é apenas opinião.

Em segundo lugar, mesmo que tenhamos comunicações bastante claras, e que estejamos certos de que o que é comunicado vem integralmente do espírito comunicante, isso é apenas a opinião dele! Agora, só porque um espírito falou, tá falado? Desde quando isso? E as recomendações de Kardec, pra que servem? Pra nada?

Pra mim, particularmente, a opinião dos guias vale tanto quanto a minha própria opinião. É verdade que para muitos assuntos eles estão numa posição privilegiada – por estarem livres da influência da matéria densa, os seus horizontes de percepção são muito mais amplos. Além disso, temos que considerar que um espírito, para ser guia de um encarnado, deve estar no mínimo no mesmo nível do encarnado.
Mas a sua comunicação deve, necessariamente, passar pelo crivo da minha razão. Então o que vai prevalecer, no fim das contas, é a minha opinião. Se eu achar que a sua comunicação tem fundamento, ótimo. Se eu tiver dúvida, fica por isso mesmo – como recomenda a regra de trânsito, “na dúvida não ultrapasse”.

O que eu tenho visto de gente falando das suas reencarnações anteriores (tem um aí que diz que foi o Rei Ricardo Coração de Leão), gente que recebe extra-terrestres em casa, gente que nos atendimentos espirituais combate grandes seres das trevas, dragões, monstros terríveis… Tem um que é especializado em desmascarar grandes vultos do espiritualismo: já desmascarou a Helena Blavatzki, fundadora da Teosofia; o Mikao Usui, criador do Reiki – quem será o próximo?

Carteiraço de médium eu não aceito. Tem duas coisas que não rolam entre espíritas. Uma é carteiraço de médium; a outra é carteiraço de idade. Você pode ser um espírito muito mais velho e experiente do que um senhor octagenário que pretenda lhe dar lições. Você pode ser muito mais lúcido do que um médium e todos os seus “mentores” juntos.

Então vamos devagar.

Médium não é mais do que ninguém. Por melhor que seja o médium, ele vai perceber o que está de acordo com a capacidade de entendimento dele. O tempo em que tínhamos comunicações praticamente mecânicas, através de médiuns inconscientes, passou. Isso serviu para implantar as bases da Doutrina dos Espíritos. É o caso, por exemplo, da 1º edição de O Livro dos Espíritos, que foi concebido a partir das comunicações feitas através de três médiuns adolescentes, três meninas de 12 14 e 15 anos. Hoje não existe mais isso.

Num atendimento espiritual é diferente. Ali existe um propósito de cura, um propósito de caridade, e desde que o médium esteja imbuído desse propósito de fazer o bem e de ser apenas um instrumento do bem, a comunicação vai ser a melhor possível para o momento. Quando todos estão imbuídos do mesmo propósito de fazer o bem, o Bem age através de nós.

Mas o mesmo não acontece no que se refere a possíveis revelações e comunicações de ordem pessoal. É um perigo quando esses médiuns conseguem influenciar outras pessoas com as suas ideias – se essas ideias forem equivocadas, evidentemente.

Outro perigo é no âmbito familiar, no âmbito das relações mais próximas. Tem aqueles médiuns que atendem em casa, ou na casa dos seus parentes e amigos. E pra agradar aos seus parentes e amigos é capaz de mentir descaradamente, criando fantasias muito prejudiciais na mente dessas pessoas.

Eu sei de casos de médiuns (ou supostos médiuns) que recebem seus guias em casa e dão palpites em todos os assuntos familiares: se intrometem nos namoros dos filhos, no comportamento do cônjuge.
Conheci um caso de uma família em que o pai e marido tinha morrido. E uma médium amiga da família dizia que via ele sempre na casa. Chegavam a fazer festa pra comemorar o aniversário do falecido. E todos ali, na expectativa, olhando para a médium. Até que ela dizia: – Ó, ele está sentado aí. Tá comendo bolo!

Eu nem estou duvidando da presença do falecido lá. Nós sabemos que é relativamente comum que um desencarnado permaneça ligado aos entes e à casa que deixou. Mas esse tipo de situação não pode ser alimentada, isso cria fantasias muito perigosas.

Outra coisa que requer muito cuidado é divulgação de cartas supostamente psicografadas por pessoas famosas. Não duvido delas; não é o caso. Mas não podemos aceitar tudo cegamente – principalmente se notarmos, nessas cartas, qualquer posicionamento ideológico. Temos que diferenciar a mediunidade, em que o espírito encarnado recebe informações do plano astral, e o desdobramento ou a projeção consciente, em que o encarnado é que se desloca ao plano astral em busca de informações. Aí realmente a coisa muda. Mas isso é assunto pra outra ocasião.



Morel Felipe Wilkon 

 

07 abril 2017

Otimismo sempre - Momento Espírta



OTIMISMO SEMPRE


Você já deve ter se deparado com a ideia figurada do copo com água pela metade e a velha pergunta: O copo está meio cheio ou meio vazio?

As conclusões em torno dessa recorrente metáfora são a respeito de como vemos o mundo, as situações, as ocorrências em nossa vida.

Avaliam muitos que ver o copo meio cheio é muito mais otimista do que vê-lo como meio vazio.

Porém a pergunta é: Vale a pena ser otimista? Ou ainda, o que é ser otimista?

São vários os estudos médicos que trazem indicativos a respeito da vantagem de ser otimista.

Esses apontam uma maior longevidade, melhor qualidade de vida, saúde mais estável.

Se alguns se fazem otimistas por sua própria natureza, por seu posicionamento perante a vida, como se constrói o otimismo naqueles de nós que parecemos sempre ver o copo meio vazio?

Como entender o mundo com otimismo?

Talvez um bom caminho seja começar com o entendimento da existência de Deus.

Um Universo milimetricamente organizado, da intimidade nanométrica de um cromossomo às grandezas infinitas celestiais, não é obra do acaso.

Todo efeito inteligente tem uma causa inteligente. Logo, Deus existe.

Da existência de Deus, chega-se à conclusão de que suas ações, atitudes e essência são de amor.

Como sintetizou João, o Evangelista: Deus é amor.

Fruto do Seu amor são todas as coisas que nos cercam.

O simples fato de termos nascido, o corpo que usufruímos, as condições de vida de que dispomos, tudo isso é o toque e o reflexo do amor de Deus sobre nós.

É verdade que muitas vezes não gostaríamos de ter um corpo mutilado, limitado, adoentado.

Tantas vezes anelamos condições melhores para nossa vida, sejam de caráter econômico, social ou emocional.

Porém, como um Pai amoroso e ciente, Deus nos oferece aquilo de que precisamos, e não aquilo que, muitas vezes, infantilmente, desejamos.

Assim, a doença, as dificuldades, as limitações físicas, são lições que a Providência Divina nos oferta para nossa aprendizagem.

Os embates da vida, a família difícil, os perrengues naturais do cotidiano, são oportunidades de aprendizado que ainda nos cabe completar.

Porque somos Espíritos destinados à perfeição, muito temos a aprender, sendo a vida a escola por excelência.

Assim, tudo que nos acontece deve ser entendido como lição.

Mesmo as consequências de nossas atitudes insensatas, são lições que nos aconselham a não repeti-las para mais não sofrer.

Tudo se encontra sob os auspícios da Divindade.

Como Deus nos ama infinitamente, sempre nos ocorre o que seja melhor para nossa vida.

Lembremos, portanto, que ser otimista é guardar a certeza de que somos filhos de Deus, herdeiros do Universo.

É entender que cada dia Deus provê nossas necessidades, como nos ensinou Jesus.

Finalmente, compreender que esse entendimento, misto de otimismo e gratidão, nos faz melhores, mais felizes, mais plenos e em harmonia perante tudo o que nos cerca.


Redação do Momento Espírita


06 abril 2017

Espíritos afins - Jorge Hessen


ESPÍRITOS AFINS


Jennifer Bricker participa de espetáculos de acrobacias aéreas e fascina as plateias com sua técnica. O mais impressionante é que Jennifer não possui as duas pernas. Aos 11 anos já era uma campeã da ginástica, esporte pelo qual se apaixonou ao ver Dominique Moceanu ganhar uma medalha de ouro olímpica para os Estados Unidos em 1996.

Jennifer não sabia, porém, que as duas tinham muito mais em comum do que o talento de atleta, eram irmãs consanguíneas. Jennifer tinha poucos meses quando foi entregue para adoção porque não tinha pernas. Aos três anos recebeu próteses para as pernas, mas nunca as usava – movimentava-se melhor sem elas. Ela adorava ver a equipe de ginástica feminina dos Estados Unidos, especialmente uma atleta: Dominique Moceanu.

Aos 10 anos, ela disputou os Jogos Olímpicos da Juventude e aos 11 foi campeã de ginástica tumbling pelo Estado de Illinois. Quando completou 16 anos, Jennifer perguntou a Sharon, sua mãe adotiva, se havia algo que ela não tinha lhe contado sobre a sua família biológica. A adolescente não imaginava que a resposta fosse “sim”. Sharon revelou-lhe que o sobrenome da sua família biológica era Moceanu e Dominique era sua irmã.

Quatro anos depois, Jennifer escreveu uma carta para Moceanu contando sua história, explicando que Dominique foi seu ídolo a vida inteira a tinha inspirado a ser uma ginasta também. Ambas se encontraram e se conheceram pessoalmente. Até hoje estão unidas.
Outro caso interessante aconteceu com as irmãs gêmeas Anais Bordier e Samantha Futerman. Ambas puderam se conhecer após 25 anos de idade. Uma não sabia da existência da outra, mas um episódio da vida e a internet fizeram com que elas se reunissem. 

Ambas foram separadas depois do nascimento na Coréia do Sul e foram adotadas por famílias em diferentes países – Anais, em Paris, na França, e Samantha, em Los Angeles, nos Estados Unidos.

O reencontro começou a ser desenhado em dezembro de 2012, enquanto Anais, uma designer de moda, estava em um ônibus e recebeu de um amigo a imagem de um vídeo do YouTube onde aparecia Samantha, que é atriz. Anais diz que pensou que alguém havia postado um vídeo dela, mas percebeu que era uma garota que vivia nos Estados Unidos, muito parecida com ela.

Entrou em contato pelo Skype e ficaram por mais de três horas conversando. Posteriormente elas se conheceram pessoalmente, em maio de 2013, em Londres. Desde então, mesmo vivendo em países diferentes, comunicam-se várias vezes ao dia. Para Anais, descobrir que tem uma irmã é incrível, mas perceber que tem uma irmã gêmea é ainda mais impressionante, porque as duas têm muito em comum.

A história das irmãs foi transformada no livro “Separated @ Birth: A True Love Story of Twin Sisters Reunited”, lançado em 2014, e o interessante é que cada uma escreveu um capítulo alternadamente.
Sob o enfoque espírita, efetivamente muitas afeições terrenas são condições construídas, geralmente nas preexistências, através dos laços permanentes de afinidades espirituais, que se estabelecem entre indivíduos que comungam das mesmas inclinações psicológicas, em estado semelhante de evolução intelecto-moral.

Portanto podemos analisar o tema pelo prisma das almas “afins”, que reencarnam na mesma família. Sabemos que a reencarnação é um mecanismo extremamente complexo. Suas variáveis vinculam-se ao estágio espiritual de cada reencarnante, considerando-se as obrigações de aprendizagem de todos os espíritos envolvidos para a convivência na Terra. Quando o espírito detém boa estrutura moral, pode esquematizar sua reencarnação junto dos seres “afins”, sob a supervisão dos Benfeitores do além.

Na dimensão espiritual, estando libertos das paixões que nos ligaram na Terra, nos atraímos e nos agrupamos em famílias mais amplas, unidos por sentimentos sinceros, tendo em vista o aperfeiçoamento de todos e alegrando-nos com as conquistas de cada um dos nossos entes queridos em cada regresso ao além-túmulo, após mais uma vida na Terra, plena de lutas e provações experimentadas e ultrapassadas.

No conjunto das reencarnações, “se uns espíritos encarnam e outros permanecem no além, nem por isso deixam de estar unidos pelo pensamento. Os que se conservam “livres” [no além] velam pelos que se acham em “cativeiro” [no corpo físico]. Os mais adiantados se esforçam por fazer que os retardatários progridam. Após cada existência, todos têm avançado um passo na senda do aperfeiçoamento. ” [1]
 
É bem verdade que dois Espíritos que se afeiçoam naturalmente se procuram um ao outro nas suas caminhadas. Não ignoramos que entre os seres humanos há ligações afetivas ainda indecifráveis nos seus códigos misteriosos. O espectro do magnetismo é o auxiliar destas ligações, que futuramente compreenderemos melhor.” [2]

Os personagens mencionados nesta narrativa são incontestavelmente espíritos afins, que se juntaram pelas leis da atração e amam estar juntos, não obstante nem todos os espíritos “afins” tenham necessariamente que se ter conhecido numa vida anterior, pois eles se atraem magneticamente por inclinações semelhantes, isso frequentemente acontece.

“A afeição que existe entre pessoas, especialmente parentes, são um índice da simpatia anterior que as aproximou”. [3] Dessa forma, se todas as afeições forem purificadas “acima dos laços do sangue, o sagrado instituto da família se perpetuará no Infinito, através dos laços imperecíveis do Espírito.”[4]
 
 
Referências bibliográficas:


[1] KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. IV, item 18, RJ: Ed. FEB, 1977
[2] KARDEC, Alan. O Livros dos Espíritos, questão 388, RJ: Ed. FEB, 2002
[3] KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. IV, item 19, RJ: Ed. FEB, 1977
[4] XAVIER, Francisco Cândido. O Consolador, questão 175, RJ: Ed. FEB, 2001


05 abril 2017

Vigília e Sono - Joanna de Ângelis

 
VIGÍLIA E SONO


A vida moderna, com todas as suas complexas engrenagens, exige do homem uma permanente vigília.

Trânsito e obrigações domésticas, cuidado com a saúde e atenção no trabalho, lazer e compromissos sociais, estudo e atividades extraclasse são alguns dos inumeráveis impositivos a que ele se vê submetido, a fim de crescer e desenvolver-se na comunidade.

Pressões psicológicas e econômicas geram ansiedades e produzem inquietações, impondo-lhe a vigilância dinâmica, de modo a evitar-se os desmandos, a queda nas depressões ou o desbordamento de paixões mais violentas.

O medo, que se generaliza, e as necessidades da defesa pessoal como dos bens, as incertezas sobre o futuro, numa hora de graves responsabilidades, necessitam da vigilância que bem oriente e equilibre, poupando-o à derrocada emocional e moral.

As conquistas tecnológicas de alto realce, por um lado, promovem o desenvolvimento das comunidades, todavia, as altas cargas de informações e recursos massificadores exigem que a vigilância resguarda a casa mental da criatura, evitando os desconcertos que já se generalizam.

Em toda parte, o homem ativo é concitado ao dinamismo, que somente a vigilância oferece com correção e harmonia.

Como conseqüência, nas pausas entre uma e outra atividade, diminui a tensão, e o corpo se amolenta, entorpecendo-se, em estados de sonolência e indisposição.

Dorme-se, então, nas conduções, nos teatros e cinemas, diante dos televisores ligados, em conferências e palestras, nos cultos religiosos, nas reuniões mediúnicas...

Resguarda-te do sono pernicioso, nos momentos de prece e reflexão, nos interregnos que dedicas às atividades de renovação emocional, cultural e espiritual.

Especificamente, nas realizações, espíritas, predispõe-te, pelo exercício mental, à vigília, de modo a evitar a intoxicação psíquica, que obnubila a lucidez e anula o programa de elevação a que te propões.

Repousa maior número de horas à véspera, como medida acautelatória; disciplina a vontade, fixando as idéias positivas e otimistas; faze uma pausa, quando possível, antes do trabalho a que te filias, no campo da mediunidade; acompanha as dissertações e diálogos com participação emocional e fraterna;treina a vigília, sem te entregares...

Lograrás êxito, se atenderes a algumas destas sugestões.

O sono, que te bloqueia a mente, durante as realizações espirituais, coloca-te ausente delas, embora ouças o que sucede, supondo-te presente às mesmas, no entanto, sem participação.

É indispensável a tua contribuição ativa.

Em alguns casos, este estado de anulação pelo sono resulta de interferência espirituais de que não te dás conta, numa planificação bem urdida para nefastos resultados a largo prazo.

Recorre, por fim, quando não logres, pessoalmente, a vigília, ao auxílio de algum companheiro, submetendo-te ao passe renovador, de utilidade inconteste.

No momento dos testemunhos de que Jesus nos deu soberanas lições, no Getsêmani, enquanto orava e suava sangue, não obstante houvesse solicitado aos discípulos que vigiassem o orassem, mais de uma vez que foi ter com eles, encontrou-os a dormir...

Vigília, portanto, em todas as horas, a fim de não tombares na tentação do sono injustificável e prejudicial.


Joanna de Ângelis
Livro: Responsabilidade
Psicografia de Divaldo Pereira Franco


04 abril 2017

Partidas e Chegadas - Victor Hugo

 
PARTIDAS E CHEGADA
(A Dor da Saudade e a Certeza do Reencontro)


Quando observamos, da praia, um veleiro a afastar-se da costa, navegando mar adentro, impelido pela brisa matinal, estamos diante de um espetáculo de beleza rara. O barco, impulsionado pela força dos ventos, vai ganhando o mar azul e nos parece cada vez menor. Não demora muito e só podemos contemplar um pequeno ponto branco na linha remota e indecisa, onde o mar e o céu se encontram.

Quem observa o veleiro sumir na linha do horizonte, certamente exclamará: "já se foi". Terá sumido? Evaporado? Não, certamente. Apenas o perdemos de vista. O barco continua do mesmo tamanho e com a mesma capacidade que tinha quando estava próximo de nós. Continua tão capaz quanto antes de levar ao porto de destino as cargas recebidas. O veleiro não evaporou, apenas não o podemos mais ver. Mas ele continua o mesmo. E talvez, no exato instante em que alguém diz: já se foi", haverá outras vozes, mais além,a afirmar: "lá vem o veleiro".

Assim é a morte. Quando o veleiro parte, levando a preciosa carga de um amor que nos foi caro, e o vemos sumir na linha que separa o visível do invisível dizemos: "já se foi". Terá sumido? Evaporado? Não, certamente. Apenas o perdemos de vista. O ser que amamos continua o mesmo. Sua capacidade mental não se perdeu. Suas conquistas seguem intactas, da mesma forma que quando estava ao nosso lado. Conserva o mesmo afeto que nutria por nós. Nada se perde, a não ser o corpo físico de que não mais necessita no outro lado. E é assim que, no mesmo instante em que dizemos: já se foi", no mais além, outro alguém dirá feliz: "já está chegando".Chegou ao destino levando consigo as aquisições feitas durante a viagem terrena. A vida jamais se interrompe nem oferece mudanças espetaculares, pois a natureza não dá saltos. 

Cada um leva sua carga de vícios e virtudes, de afetos e desafetos, até que se resolva por desfazer-se do que julgar desnecessário. A vida é feita de partidas e chegadas. De idas e vindas. Assim, o que para uns parece ser a partida, para outros é a chegada. Um dia partimos do mundo espiritual na direção do mundo físico; noutro partimos daqui para o espiritual, num constante ir e vir, como viajores da imortalidade que somos todos nós.


Pensamentos finais de Victor Marie Hugo, do livro A reencarnação através dos séculos, de Nair Lacerda, ed. Pensamento.


03 abril 2017

45 Lições que a Vida me Ensinou... - Regina Brett

(Santos-SP - Foto de  Eduardo Martinelli )


45 LIÇÕES QUE A VIDA ME ENSINOU


01. A vida não é justa, mas ainda é boa...

02. Quando estiver em dúvida, apenas dê o próximo pequeno passo.

03. A vida é muito curta para perdermos tempo odiando alguém.

04. Seu trabalho não vai cuidar de você quando você adoecer. Seus amigos e seus pais vão. Mantenha contato.

05. Pague suas faturas de cartão de crédito todo o mês.

06. Você não tem que vencer todo o argumento. Concorde para discordar.

07. Chore com alguém. É mais curador do que chorar sozinho.

08. Está tudo bem em ficar bravo com Deus. Ele aguenta.

09. Poupe para a aposentadoria começando com o seu primeiro salário.

10. Quando se trata de chocolate, resistência é em vão.

11. Sele a paz com seu passado para que ele não estrague o seu presente.

12. Está tudo bem em seus filhos te verem chorar.

13. Não compare a sua vida com a dos outros.Você não tem ideia do que se trata a jornada deles.

14. Se um relacionamento tem que ser um segredo, você não deveria estar nele.15.Tudo pode mudar num piscar de olhos: não se preocupe, Deus nunca pisca.

16. Respire bem fundo. Isso acalma a mente.

17. Se desfaça de tudo o que não é útil, bonito e prazeiroso.

18. O que não te mata, realmente te torna mais forte.

19. Nunca é tarde demais para se ter uma infância feliz. Mas a segunda só depende de você e mais ninguém.

20. Quando se trata de ir atrás do que você ama na vida, não aceite “não” como resposta.

21. Acenda velas, coloque os lençóis bonitos, use a lingerie elegante. Não guarde para uma ocasião especial. Hoje é especial.22.Se prepare bastante, depois deixe-se levar pela maré...

23. Seja excêntrico agora, não espere ficar velho para usar roxo.

24. O órgão sexual mais importante é o cérebro.

25. Ninguém é responsável pela sua felicidade além de você.

26. Encare cada “chamado desastre” com essas palavras: Em cinco anos vai importar?

27. Sempre escolha a vida.28.Perdoe tudo de todos.

29. O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta.

30. O tempo cura quase tudo. Dê tempo.

31. Independentemente se a situação é boa ou ruim, irá mudar.

32. Não se leve tão a sério. Ninguém mais leva...

33. Acredite em milagres.

34. Deus te ama por causa de quem Deus é, não pelo que você fez ou deixou de fazer.

35. Não faça auditoria de sua vida. Apareça e faça o melhor dela agora.

36. Envelhecer é melhor do que a alternativa: morrer jovem.

37. Seus filhos só tem uma infância.

38. Tudo o que realmente importa no final é que você amou.

39. Vá para a rua todos os dias. Milagres estão esperando em todos os lugares.

40. Se todos jogássemos nossos problemas em uma pilha e víssemos os de todo o mundo, pegaríamos os nossos de volta.

41. Inveja é perda de tempo. Você já tem tudo o que precisa.

42. O melhor está por vir.

43. Não importa como você se sinta, levante, se vista, e apareça.

44. Produza.

45. A vida não vem embrulhada em um laço, mas ainda é um presente...

Regina Brett, 90 anos...

02 abril 2017

Esperança e conforto - Joanna de Ângelis



ESPERANÇA E CONFORTO


Sofres, porque se sucedem os dias da tua existência física sem que alcances o patamar da plenitude que almejaste por todo o tempo.

Estabeleceste que assim se daria com a posse e a conquista de recursos variados que apaziguassem as ânsias da mente ambiciosa, bem como as necessidades do sentimento, por meio do coração.

Examinas as conquistas de que dispões e a melancolia, defluente do quase vazio existencial, apresenta-se na condição de indumentária asfixiante das emoções.

Não te podes apartar da tristeza, que sempre te acompanha os passos e balbucia melancólicas mensagens ao teu sentimento.

As pequenas alegrias decorrentes das expectativas tisnam a limpidez do teu sorriso e lágrimas aljofram nas comportas dos olhos, como pequenos fios líquidos de dor, que não cessam de escorrer.

Gostarias, sim, de amar e de ser amado.

Vês o mundo risonho, os parceiros joviais e encantadores, uns em alacridade incomum, outros em festivais de emoções e alguns tristes, distanciados do fenômeno da ilusão, muitos amargurados e cheios de tormentos.

Existe a ebriez do sentimento e a das paixões, mescladas com tormentos que desconheces.

É necessário discernimento para compreender as ocorrências humanas e, por melhor que seja, não logra alcançar a profundeza da realidade. Cada ser é especial, com experiência muito pessoal, diversa de todas as demais existentes, embora a aparência que venha a existir.

Inicialmente, porque nem tudo que se deseja na Terra se consegue alcançar, conforme as aspirações mantidas. Tem-se o que é necessário, mas nunca falta a ambição pelo excesso, especialmente quando não é aplicado em favor do Bem.

Há, também, imensa mole humana que padece escassez de tal natureza, que morrem, muitos de fome e abandono.

Também existem aqueles que se deixam arrastar pelos acontecimentos, como se deles não participassem.

Reflexiona, em tua solidão, que as estradas libertadoras, as que conduzem ao paraíso - as da Úmbria e do Calvário -, somente podem ser percorridas com êxito em solidão. Aqueles que tiveram a coragem de seguir os que as iniciaram, entregaram-se à renúncia e à soledade, não olhando para trás, nem se permitindo os sonhos defluentes das aspirações infantis e dos ricos de ilusórios.

O roteiro solitário é feito sobre espinhos e abrolhos, que a imaginação transforma em pétalas de rosas e tapetes macios.

Anelavas por companhia amorosa e sonhas com sorrisos de júbilos a ti dirigidos.

Mantém a esperança e aguarda, porque tudo é efêmero no mundo, incluindo o corpo, e nada pertence a ninguém, inclusive a roupagem carnal que usa.

Sorri para as dificuldades que te ferem, trabalhando em favor do teu amanhã risonho.

*

Sim, é provação que carpes, que solicitaste antes do renascimento atual, a fim de dares conta das atividades que deverias abraçar durante a jornada terrestre.

Há muita diversão na Terra, atraente e perturbadora.

Fascinam as cenas do prazer e encantam as paisagens do delírio.

Redescobre a beleza imortal, a realidade legítima que constituem patrimônio da vida.

Mergulha a tua decepção nas águas correntes da esperança de que amando, mesmo sem receberes resposta, enriquecerás as emoções com beleza e cor.

O que a vida te nega hoje é provável que te doe amanhã. Tudo pode acontecer, caso não desistas de perseverar, de agir corretamente.

Continua amável e afetuoso, especialmente em relação a outros infelizes que ignoram a tua aflição e até mesmo te invejam a jornada, que supõem recoberta de facilidades e sorrisos.

Quanto consigas em resistência moral, sorri, escondendo a tua melancolia e solidão nas divinas asas da prece que elevarás a Deus.

Se não possuis o que queres, agradece o que está ao teu alcance.

Milhões de criaturas gostariam de estar em teu lugar, que trocarias pelo que alguns deles são possuidores. Assim, valoriza a tua dor, abençoando os outros com bondade e ternura, sem que reveles as angústias que te assaltam. Podes fazer ditosos outros que se escondem nos conflitos, que te invejam porque desconhecem o ferro em brasa que te queima e requeima as aspirações e as emoções.

Caso conseguisses o que almejas, por certo te faltariam outros recursos que te dão beleza e sabedoria.

Vive, pois, os teus dias com paciência e sem expectativas humanas.

Deixa que a paz e o consolo de Jesus te penetrem o coração e aí repousem, contribuindo para a tua tranquilidade.

Descansa da ilusão que decepciona e aceita os acontecimentos que te maceram como sendo respostas de Deus às tuas solicitações.

*

Estrada acima está o Calvário.

Sê firme e confiante.

Acostumado à dor, tua libertação será gloriosa e plena, porque Jesus te receberá diluindo todo o sofrimento que vens vivenciando.

Alegra-te, portanto, com o teu testemunho silencioso de amor, e cresce no rumo da tua real felicidade.



Joanna de Ângelis


Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnica da noite de 12 de outubro de 2016, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.


01 abril 2017

Os imigrantes de Capela - João Donha



OS IMIGRANTES DE CAPELA



Talvez uma das indicações do caráter de religião do Espiritismo seja o grau de passionalidade que atingem as polêmicas entre seus adeptos.

Uma dessas, gira em torno das migrações planetárias, mais especificamente de uma “tese” que ousou localizar com exatidão a origem de uma leva de refugiados que teriam aportado em nosso planeta na infância da humanidade (hoje estaríamos da adolescência? ou na decrepitude?).

Sem dúvida, não é digna de ser levada a sério, como se fosse expressão de uma realidade passada, a historinha do Emmanuel (“A Caminho da Luz”) ou as teorizações racistas do Edgard Armond (“Os Exilados de Capela”). Mas, por outro lado, a rápida evolução das pesquisas na questão dos exoplanetas tornam temerária qualquer negação da possibilidade de vida num sistema múltiplo, por mais instável nos pareça.

Há uns três anos, sites espíritas festejavam a opinião de alguns cientistas de que estrelas múltiplas dificilmente gerariam planetas; no entanto, há alguns meses descobriram um planeta no sistema de Alfa Centauri, um sistema triplo de estrelas. E, ainda, há vários sites de divulgação científica que dão conta da possibilidade de existência de uma zona habitável em torno de Capela A e Capela B.

É, realmente, temerária a atitude desses médiuns e espiritos que detalham coisas que o homem ainda não tem condições de verificar. Chega a ser um tiro no escuro. Mas, eles já faziam isto desde os tempos de Kardec, detalhando vida em tudo quanto é pedra do Sistema Solar. Kardec dizia que eram opiniões, teorias sem comprovação, e tal, mas… publicava! Inclusive os desenhos das casas de celebridades! O resultado é que, se ele e seus seguidores mais equilibrados não recebiam como verdade, a maioria dos leitores, esperando apenas um gatilho para suas fantasias, o faziam. Como hoje em dia, no caso dos exilados de Capela. Se alguns acham muito detalhamento sem meios de comprovação para que se acredite, outros já tomam como verdade por ter sido “revelada”.

Daí a responsabilidade na análise. Se faço afirmações considerando “dados positivos” o que não o seja, e, dois ou três anos depois, tais “dados positivos” são enfraquecidos por novas descobertas, eu acabo é reforçando as crenças. O crédulo diz: “Viu, você disse que era impossivel, e agora estamos vendo que é possível!” E usa isto para reforçar sua crença.

Voltando ao Sistema Capela, os conhecimentos que hoje vão se acumulando vertiginosamente — graças aos telescópios em órbita, como Hubble, Chandra, Kepler e outros, associados a outros enormes da superfície — e disseminados pelos sites de divulgação científica, nos permitem imaginar um modelo aproximado desse sistema. Recentemente vi no site da NASA um professor mineiro perguntando ao diretor que coordena os projetos de exoplanetas, e este informava que não houve, até agora, nenhum programa voltado para Capela. Os projetos de busca são caros, envolvem participação de vários cientistas em vários observatórios, são planejados criteriosamente e, claro, acabam cobrindo uma área muito pequena do céu. O homem não atingiu ainda uma época de fartura que lhe permita encontrar planetas em todo canto ou onde queira.

O modelo aproximado seria este: colocamos duas bolas de basquete, a três metros uma da outra, e temos a imagem das duas gigantes amarelas Capela A e B (ou, também, Aa e Ab). Pegamos duas bolinhas de gude (no interior a gente dizia, “de vidro”), colocamos ambas a trinta quilômetros das duas primeiras e, numa distância de cem metros uma da outra — teremos as Capela C e D, duas anãs vermelhas. Segundo ainda sites e publicaçoes de divulgação, há possibilidade de uma zona habitável numa órbita em torno das duas gigantes amarelas, uma outra zona habitável em torno de Capela C, e outra em torno de Capela D. Os cientistas envolvidos nas buscas de exoplanetas ainda não se interessaram em localizar planetas nessas zonas; e, talvez eles nem existam. Não temos elementos, no estágio atual dos conhecimentos, nem para afirmar, nem para negar a existência deles. Por enquanto, temos apenas as pretensões de Emmanuel e Armond, e a ficção de Camile Flammarion compartilhada por Kardec na Revista Espírita.


João Donha