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23 março 2018

Doenças difíceis - Emmanuel



DOENÇAS DIFÍCEIS


Apropriavam-se da autoridade e comandavam o extermínio das cidades que se lhes rendiam sem restrições; passavam, quais ciclones pestilentos, incendiando sítios prósperos, aniquilando homens dignos, abatendo enfermos, desrespeitando mulheres, empalando fugitivos ou decepando os braços de crianças inermes; apareciam por empreiteiros da demolição e do sarcasmo, organizando o cativeiro de povos livres ou formando, em nome da prepotência, as inquisições políticas, nas quais o abuso do poder consagrava a felonia e a traição por bases de governança, a fim de que os quadrilheiros das trevas operassem, impunes; salientavam-se por mandantes dos choques de violência em que os fracos eram irremediavelmente impelidos à queda ou espoliados sem remissão...Entretanto, nas seges purpuradas e nos palácios faustosos em que transitavam sorridentes, na direção do sepulcro, repontavam, sem que eles mesmos percebessem, as maldições dos sacrificados, o choro das viúvas e dos órfãos, os gritos de horror dos perseguidos quando traspassados pelos últimos golpes, as chamas das fogueiras destruidoras, o sofrimento dos mutilados, as pragas dos feridos agonizantes largados à ventania da noite, o sangue dos campos recobertos de cadáveres insepultos, o frio das necrópoles encharcadas de pranto, o infortúnio dos lares vazios, o protesto das escolas arrasadas, a dor silenciosa dos templos derruídos, os adeuses e os soluços dos mortos.

E ao deixarem o corpo físico, muitas vezes com as honras tributadas aos grandes chefes, no próprio catafalco resplendente de lumes, de permeio com os cânticos e as orações, nos quais se lhe homenageavam os restos, passaram a escutar, terrificados e indefesos, o vozerio de condenação e a algazarra do desespero com que eram recebidos em novo nível de consciência. Atormentados, então, por muitas das vítimas que não lhes desculpavam a crueldade, humilhados e desditosos, suplicaram da Providência Divina a própria internação provisória em celas de esquecimento e renasceram em condições específicas de reeducação.

Torturadores, violentadores de toda ordem que promoveram aflições terríveis ao coração alheio desrespeitando os mais nobres princípios de respeito; malfeitores, assassinos, ladrões, violadores sexuais e criminosos morais. Eis que, graças ao amor de Deus, não viajaram para o fogo eterno inexistente. Retornam ao proscênio terrestre com a Misericórdia Paterna afim de aprenderem as lições do Nazareno e valorizarem a fraternidade e a consideração lídima que se deve ter com o próximo.

Ei-los, então, apresentando difíceis enfermidades, algumas de complexo diagnóstico. São os paralisados que devem refletir sobre o movimento que retiraram do próximo; perturbados pela consciência de culpa por causa da dor causada ao semelhante; dependentes para não malograrem a oportunidade da vida em sociedade.

E, em vez da revolta e do desperdício das horas na viagem carnal, afim do próprio burilamento, devem, todos eles, esforçar-se para crescer rumo ao amor e à verdade transformando urgentemente o próprio comportamento.

Para começar, deveriam olhar aos céus e dizer ao Criador: obrigado!
 

Emmanuel (espírito)
Psicografia de Francisco Cândido Xavier
Livro: Plantão de Paz
 

22 março 2018

Ao toque de “Morfeu” - Jane Maiolo



AO TOQUE DE "MORFEU"


"Por que estão dormindo?", perguntou-lhes. "Levantem-se e orem para que vocês não caiam em tentação!"

Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos?

No limiar de uma Nova Era que se aproxima esses são questionamentos legítimos que o homem, que ensaia o despertar de um sono profundo, deveria buscar as respostas mais lúcidas e convincentes .

Eis que um novo dia raia para a Humanidade e grande percentagem de espíritos encarnados na Terra ainda se demoram nos “braços de Morfeu”. [1]

A angústia da transformação se avizinha, a sensação do cansaço é latente, a alma anseia por novos horizontes e a possibilidade da entrada e permanência numa vida futura mais feliz nos acena como a melhor proposta já aguardada por nós.

Atados à materialidade da vida hodierna permanecemos mergulhados nas sensações hipnóticas da consciência milenarmente anestesiada, ainda em busca de satisfação dos prazeres ilusórios, empanturrando a insaciedade do ego e projetando um futuro de fictícias glórias, na Terra!

"Por que estão dormindo?", perguntou-lhes. "Levantem-se e orem para que vocês não caiam em tentação!" [2]

Essa talvez seja a admoestação mais oportuna para esse raiar do dia.

Os mais audaciosos responderiam: Dormimos porque o sono nos apraz. Os mais indolentes arguiriam: Dormimos porque não temos nada pra fazer. Os pusilânimes diriam: Dormimos porque o instante é caótico.

Dormimos todos, no entanto, não oramos.

As tentações nos seduzem facilmente e sucumbimos por falta de vigilância a fim domar as más inclinações e tendências repetíveis.

O Cristo, que deixou as altitudes divinais para se fazer carne; Que foi ignorado pelos judeus; Que foi ironizado por Pilatos, orou no Jardim das Oliveiras , enquanto se preparava para o instante apoteótico do sacrifício extremo, nos ensinou que frente aos nossos testemunhos de fé a oração e a sintonia com o Criador são imprescindíveis.

Por estarmos nos “braços de Morfeu” não abrangemos que é hora de despertar e orar a fim de haurirmos forças e entendimento espiritual para combater o bom combate.[3]

Em nossas metáforas ascendemos até o Monte das Oliveiras para orar junto com o Cristo, entretanto , tal qual fez Simão Pedro , abraçamos a postura daquele que carrega a espada escondida na túnica. Para que trazia Pedro uma espada na bainha? De qual defesa o Cristo careceria?

Semelhantes a crianças espirituais trazemos nossas armas para as nossas defesas. O Cristo não precisa de defesa. Necessita da nossa colaboração para tornar a Terra um mundo evangelizado.

Allan Kardec não precisa da nossa defesa, visto que O Espiritismo é transcendente. Carece dos nossos esforços para difundi-lo em toda a sua pujança e beleza.

O movimento espírita, reduto de atuação dos obreiros do Senhor, não necessita de nossa defesa. Precisa de nossa sã experiência no bem , enquanto representantes vivos da espiritualidade. Nós não necessitamos de defesa, carecemos de amor, tolerância e compreensão fraternal.

A crítica destrutiva, tão presente no movimento de unificação , tem impedido a espiritualização do ser. Ora encontramos dentro do mesmo movimento os cépticos e os crédulos.

Os cépticos contestam tudo, ironizam toda e qualquer intervenção do mundo espiritual no mundo físico, suprimindo em seu nascedouro as hipóteses de espiritualização do ser.

Os crentes ingênuos aceitam tudo sem utilização dos critérios do bom senso e da razão. Persuadem-se facilmente.

Ah, os “braços de Morfeu”!

Anunciaria o poeta “vai funda a tempestade no infinito, Ruge o ciclone túmido e feroz...Uiva a jaula dos tigres da procela— Eu sonho tua voz —[4]

O Cristo adverte sobre a hora de despertar. “ Embainha a tua espada; porque todos os que lançarem mão da espada, pela espada perecerão.”[5]

Estudar mais, trabalhar mais, cooperar mais e evangelizar-se mais.

Nossa Humanidade começa a dividir-se em dois grandes segmentos: os amigos da solução e os arautos do problema. Alguns promovem soluções brandas e pacíficas, outros concorrem para o alarde das tempestades e enigmas, desarmonizando e contaminando as mentes frágeis e imaturas.

Ainda assim é urgente darmos conta da nossa administração. Negligenciar o Evangelho é procrastinar a serenidade .

Contribuamos para que a paz que tanto almejamos comece em nós mesmos!.

Jesus nos desperta e nos aguarda pacientemente a fim de que atendamos o roteiro do trabalho a ser realizado na Terra..

Ah “Morfeu” … “ Que importa o vendaval, a noite, os euros, Os trovões predizendo o cataclismo...Se em ti pensando some-se o universo ,E em ti somente eu cismo...”[6]

Que importa as tempestades se sabemos quem somos, de onde viemos e para onde retornaremos, após a refrega da vida física.

Avante! O Cristo nos espera!


Notas e referências bibliográficas:

1- Morfeu (palavra grega cujo significado é "aquele que forma, que molda") é o deus grego dos sonhos.
2- Lucas -22:46
3- 2 Timóteo 4:7
4- Poema de Castro Alves - Durante um Temporal
5- Mateus 26:52
6- Idem 4


21 março 2018

Autoiluminação - Joanna de Ângelis



AUTOILUMINAÇÃO


O grave compromisso para aquisição da autoiluminação é um empreendimento de curso demorado, que exige ingentes esforços e culmina, vezes sem conto, em sacrifício pessoal dos interesses inferiores.

A decisão tomada para o mister impõe perseverança e coragem permanentes.

Hábitos profundamente arraigados, oriundos de existências passadas, caracterizados pelo egoísmo e toda a sua malha de cruéis tentáculos, conhecidos como as imperfeições morais, tornam-se repetitivos, e fazem-se necessários de erradicação total.

Somente quando o indivíduo identifica-se como ser imortal, é que se resolve pela alteração do comportamento e a eleição de diretrizes realmente legítimas para a conquista da felicidade.

Quando deambula pelas trilhas do materialismo, nenhum estímulo experimenta para a empresa autoiluminativa, por estar convencido da sua pouca utilidade, por verificar o triunfo do crime e da indiferença pelos valores éticos existenciais.

Conhecendo, porém, a realidade do Além-túmulo, compreende que, no prosseguir da vida após o decesso celular, as experiências e ações vivenciadas ressumarão em efeitos equivalentes. Conforme foi vivida a caminhada terrestre, assim prossegue além do corpo.

Já não dispondo das possibilidades orgânicas para fruir os prazeres a que se acostumou e nos quais se comprazia, as emoções superam as antigas sensações que são diferentes na sua estrutura e no seu conteúdo.

Defluentes da conduta permitida, verifica os prejuízos que se causou, ao constatar que foram perversas e desrespeitosas aos demais suas atitudes, então a culpa se lhe instala na consciência, que o aturde, envergonha e infelicita.

Sem dúvida, o Tribunal divino encontra-se instalado nos refolhos da consciência que analisa os acontecimentos e apresenta a outra face, a desconhecida, aquela que seria a correta, a desejável, não mais possível de a viver.

Desespero rude toma-lhe conta do ser e sente-se transtornado, em luta para livrar-se do conflito íntimo que o constringe e o desencanta.

Não raro, pode isso acontecer antes da desencarnação, por amadurecimento psicológico, e a existência perde o encantamento, as motivações para prosseguir, por efeito da angústia que se fixa nos painéis mentais e emocionais, multiplicando os tormentos íntimos.

Retidão moral é, pois, o caminho seguro para todo aquele que anela pelo futuro de harmonia pessoal, seja espiritualista, agnóstico ou ateu.

Não importa a crença que tenha ou a não crença que adote, pois que o importante é a consciência da própria vida.

O bem é conquista inalienável para o equilíbrio emocional e para a paz consigo próprio.

Não duvides da excelência da jornada terrestre saudável.

A vida prossegue além da morte, creia-se ou não. Na dúvida, permite-te a opção dos atos dignificantes que te farão bem em qualquer circunstância.

Quando alguém predispõe-se à autoiluminação, a sombra atemoriza-o, as condutas reprocháveis intentam manter-se e ele debate-se nas dificuldades e nos desafios das novas tentativas.

Resiste às induções nefastas.

Observa quanto alegre e renovado permaneces, quando não te permites necessidade de reparação, de arrependimento das ações praticadas.

Harmonias internas vibram no pensamento e somatizam-se no organismo.

A mente liberta-se das ideias turbulentas e alça-se a patamares mais elevados, que proporcionam a visão gloriosa do existir, enquanto viceja o bem-estar, que se transforma em amor a tudo e a todos.

Talvez tropeces e tombes nos velhos hábitos durante o processo libertador. É natural que aconteça. Logo após, recomeça, refaze a atitude e não desanimes.

Fatores existenciais e espirituais conspirarão contra a tua decisão de ascender aos páramos da luz.

Toda vez quando alguém se destaca no grupo social e torna-se visível, chama a atenção, desperta reações diversas, nem sempre favoráveis ao projeto de enobrecimento.

A tua é uma aquisição pessoal legítima que te premiará de ventura.

Não esmoreças, mesmo que acoimado por conflitos de vária ordem.

Ao experimentares o tentame iluminativo, notarás quanto necessário se te faz o prosseguimento.

A atualidade terrestre está assinalada pelos paradoxos da cultura, da tecnologia, mas também da violência, do medo, da exaltação do crime e do terrorismo.

Não estranhes esse temporário transcurso do processo evolutivo. Pelo contrário, experimenta a alegria de ser diferente pela transformação que estás operando em teu mundo interior.

A tua metamorfose não passará despercebida e servirá de encorajamento para que outros indivíduos que aspiram pelo bom e pelo belo sintam-se estimulados a adotar o teu exemplo.

O mal cansa, depaupera, crucifica aquele que se permite cultuá-lo.

Renasceste para triunfar.

Não te detenhas no pórtico da renovação moral. Avança e conquista-te.

Somente Ele, que superou todas as vicissitudes do mundo, poderia experimentar com serenidade a traição de um amigo, a negação de outro e o abandono de outros tantos, aceitando a crucificação...

...E apesar de todos os fatores negativos, perdoou-os e os elegeu para que prosseguissem, reabilitando-se e sacrificando-se em benefício da Humanidade.

Depois do Seu holocausto, não foram poucos aqueles que O imitaram e até hoje prosseguem no mister da autoiluminação.


Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnica de 14 de janeiro de 2015, no Centro Espírita Caminho das Redenção, em Salvador, Bahia.

20 março 2018

A Luta Gloriosa - Indálicio Mendes




A LUTA GLORIOSA



Estudar a Doutrina Espírita não é dedicar-se à sua leitura com o mesmo estado de ânimo com que se lê um jornal ou uma revista mundana. Estudar é reter na memória o que se lê, é identificar-se de tal forma com o objeto do estudo, que se decida respeitar através da exemplificação os ensinamentos ali colhidos.

É muito fácil dizer-se: "Tenho lido muita coisa sobre o Espiritismo, conheço as obras de Fulano e Sicrano. São maravilhosas, lindas e edificantes". Na realidade, as obras espíritas são assim, mas de nada adiantarão se não forem assimiladas as suas lições, se os seus ensinamentos não se converterem para todos nós em norma de conduta, em roteiro para a nossa vida cotidiana.

Ninguém melhor do que nós sabe quanto isso é difícil, porque temos ainda a alma sobrecarregada de compromissos cármicos. Mas as dificuldades podem ser atacadas com persistência. Temos de insistir, dia-a-dia, na prática da Doutrina. Se não pudermos fazer tanto quanto precisamos, que façamos o que pudermos. O essencial é fazer alguma coisa, é não desanimar, não recuar. Para vinte desvios, trinta tentativas de reabilitação; para vinte quedas, outras tantas lutas pelo reerguimento.

O fato de reconhecermos a nossa incapacidade para avançar depressa não quer dizer que fiquemos parados. Façamos alguma coisa. Se não nos é possível andar um metro, procuremos avançar um centímetro. Iremos mais devagar, mas iremos. O essencial é não parar, ainda que reconheçamos a nossa fraqueza, a nossa falta de disposição para reagir contra os males que nos assaltam; ainda que não tenhamos energia para exemplificar sempre. Tanto seremos beneficiados pelo progresso que alcançarmos, como responsabilizados pelos erros que praticarmos.

De nós, exclusivamente, depende vencer ou ser derrotados. Poderemos ir vencendo aos poucos, mas também, se formos invigilantes e fracos, não evitaremos a destruição do resto de ânimo que tivermos para reagir. Por isto, não abandonemos nunca a Doutrina, que será um apoio para nós, um estímulo, um encorajamento, se nos resolvermos a fazer sempre algo para melhorar.

Entretanto, se nenhuma resistência realmente séria e tenaz opusermos a tudo quanto contribua para o nosso enfraquecimento moral, então de nada adiantará nossa aparente determinação.

Na Epístola aos Filipenses, disse Paulo, ao salientar a necessidade "de algum modo atingir a ressurreição dentre os mortos", pois que "mortos" somos todos quantos continuamos a viver sem a iluminação espiritual, somente possível com o progresso moral: "Não digo que eu já o tenha obtido, ou que seja já perfeito, mas vou prosseguindo para ver se também poderei alcançar aquilo para o que igualmente fui tomado por Cristo Jesus. Irmãos, eu não julgo ter ainda alcançado, mas uma coisa faço, esquecendo-me das coisas que ficam para trás, e, avançando para as que estão adiante, prossigo em direção ao alvo, para obter o prêmio da vocação celestial de Deus em Cristo Jesus".

O Carma, que exprime fielmente a Lei de Causa e Efeito, porque é ela mesma, é a cruz que todos carregamos no dia-a-dia da vida terrena e espiritual. Irá ficando mais leve à medida que formos reduzindo a parte negativa da nossa personalidade moral e aumentando a parte positiva que nos levará à redenção. Irá ficando mais pesada, entretanto, à proporção que a nossa imprevidência, preguiça, displicência ou invigilância se for multiplicando sem que nos apercebamos do mal que a nós mesmos fazemos.

Persistamos todos na linha reta e íngreme, mais doce de seguir que os caminhos planos, mas tortuosos, de molde a podermos alcançar a porta estreita, pela qual muitos pretendem entrar, mas poucos o conseguem, porque a única condição para transpô-la está na exemplificação do bem, na recusa ao mal, na construção do "homem novo" que representará a ressurreição do nosso espírito e a morte definitiva do "homem velho".

A mais gloriosa luta é a que sustentamos contra nós mesmos. A mais gloriosa e a mais difícil de vencer. 

Indalício Mendes
Livro: Rumos Doutrinários 

19 março 2018

Morreu, como? De “selfie” - Wellington Balbo



MORREU, COMO? DE "SELFIE"


O ser humano sempre gostou de ser fotografado e de fotografar, tanto que desde eras remotas retratos eram feitos a fim de materializar em desenhos alguns líderes, pessoas, emoções, natureza e momentos marcantes.

E por isso, por conta desta busca do ser humano em imortalizar alguns momentos, que a invenção da fotografia sempre esteve na pauta dos homens nas mais diferentes épocas da humanidade.

Narra a História que um físico francês chamado Joseph Nicéphore Niépce em 1826, século XIX, e pouco antes da codificação espírita, após anos de pesquisa, conseguiu desenvolver a fotografia da forma como a conhecemos atualmente. Desde então só evolução para as fotos até atingirmos ao formato digital e à possibilidade de, enfim, modificarmos, sem cirurgias plásticas, mas via photoshop, alguns pontos que nos desagradam.

Hoje, muito mais do que ontem, as fotografias ganharam um status enorme. Muito mais do que ser ou ter é preciso “parecer”. Parecer feliz, parecer bem casado, parecer sem rugas, parecer uma pessoa bem resolvida.

E para o “parecer” nada melhor do que as fotografias, porquanto “eternizam” uma coisa que parece, mas nem sempre é, ou seja, retrata o externo que, diga-se, pode ou não ser uma representação da realidade ou mera fantasia.

E nesta sociedade de “parecer” é que nos últimos anos uma nova modalidade de “morte” foi inaugurada.

Morte por selfie - Trata-se da morte por selfie. No ano de 2014 até 2016 foram mais de 120 mortes por selfie. Na maioria dos casos o desencarne ocorreu porque o indivíduo despencou de locais muito altos em busca de um ângulo favorável para a selfie. O raciocínio é bem simples: quanto mais ousada a foto mais seguidores nas redes sociais se consegue, quanto mais seguidores, mais “likes” ou, como queiram, curtidas.

Vive-se, portanto, um tempo em que a corrida pela fama, pelo reconhecimento e pelo “parecer”, são tão ou mais importantes que a própria existência, haja vista que muita gente expõe-se e coloca sua vida em risco para ter seu nome conhecido nas redes sociais.

Como explicar um fenômeno assim?

Seria uma pane no instinto de conservação que, segundo o Espiritismo, é fundamental para evitar um desencarne precoce? Ou, então, o secundário tomou o lugar do fundamental, ou seja, o “parecer” vem sendo mais procurado do que o ser?

A indagação sobre a pane no instinto de conservação não procede, pois somos adaptados de “fábrica” para que busquemos permanecer o maior tempo encarnados, a fim de cumprir com nossa programação reencarnatória.

A tese de que o secundário, por uma série de fatores, tomou o lugar do primordial é a mais indicada. Esquecemo-nos de que somos Espíritos em trânsito por este mundo e não meras fotografias. Mas o narcisismo ganhou espaço e com ele os seus desdobramentos.

Narcisismo - Segundo consta na mitologia grega, Narciso, filho do deus rio-Cefiso e da ninfa Liríope, era rapaz de singular beleza. No dia de seu nascimento, o adivinho Tirésias vaticinou que teria vida longa, porém, que jamais contemplasse a própria beleza.

Certa vez, ao observar seu reflexo nas águas de um lago apaixonou-se pela sua imagem. Embevecido, ficou a observá-la até consumir-se. No lugar onde morreu Narciso nasceu uma flor e deram a ela seu nome.

A lenda de Narciso encerra grande mensagem. Utiliza-se o termo narcisismo para o indivíduo que tem interesse fora do comum por si mesmo.

Prima-se única e exclusivamente pela beleza física, pelo corpo escultural, pela paixão exacerbada por si mesmo.

Prima-se pelo secundário que, salientamos, também é importante, mas não é fundamental.

Quem se apaixona pelo corpo, pela fama e arrisca sua vida para ter alguns aplausos esqueceu-se do espírito, todavia, quem ama o espírito, jamais se esquece de seu corpo.

Muitos matam-se literalmente com essas selfies porque valorizam apenas aquele exato instante. O objetivo – conquistarem seguidores, aplausos, elogios.

Conheci um rapaz que era apaixonado por si mesmo, julgava-se imbatível na beleza física e frequentemente fazia essas selfies esquisitas. Sua cabeça estava apenas em malhação, academia, aparência...

Jamais cogitara em beneficiar seu intelecto com a leitura de um livro, tampouco em expandir laços de afeto dedicando-se a trabalhos voluntários, pensava apenas em ser mais bonito hoje do que fora ontem, para clicar e postar em redes sociais.

Certo dia, um acidente veio tirar-lhe o que em sua opinião tinha de mais precioso. Infelizmente, no acidente, o amigo ficara deformado, por mais intervenções cirúrgicas que lhe fizessem, nem sua potente máquina daria mais jeito. Sua aparência, então, que tanto amava, nunca mais seria a mesma.

O amigo amargou tempos difíceis, estava sentindo-se órfão, vazio, sem chão, tudo que mais apreciava tinha se esvaído, entregou-se à depressão e por pouco não atentou contra a própria vida.

Contudo, teve que “cair na real” e a custo da dor refazer e modernizar sua maneira de pensar, assim, começou a dedicar-se mais a valores imortais, modificou-se, melhorou, fez tratamento de beleza para a alma.

Hoje, valoriza mais o interior do que o exterior, a arrogância de outrora, a competição que empreendia com os colegas para saber quem era o mais belo, as fotos em lugares estranhos e perigosos deu lugar à humildade. Tornou-se assim, mais jovial, simpático, alegre...

Tudo a favor do esporte, dos exercícios e da beleza física, além, é claro as “selfies”. Nada contra imortalizar momentos em fotografias com o objetivo de guardar e um dia recordar os momentos felizes.

Porém, colocar a vida em risco é atentar contra o que temos de fundamental nesta existência: a oportunidade de vivermos bem, de evoluirmos em direção a Deus e avançarmos na escala espiritual.

Um dia teremos que entregar nossa máquina física ao Criador, portanto, melhor faremos se dedicarmos também tempo a atividades que falem à alma.

Leitura de páginas edificantes.

Dedicar-se à família e aos amigos.

Participar de trabalhos voluntários.

Meditar em torno de virtudes e limitações.

Evitar riscos desnecessários por conta de aplausos e seguidores.

Assim, preferindo os valores reais e imorredouros, jamais nos afogaremos por contemplar as águas turvas do egocentrismo ou despencaremos do alto de um narcisismo que poderá, sim, transportar-nos para o mundo dos Espíritos antes do tempo.

Pensemos nisto


Wellington Balbo

18 março 2018

Morte e desencarnação – fenômenos nem sempre simultâneos - F.Altamir da Cunha



MORTE E DESENCARNAÇÃO
 FENÔMENOS NEM SEMPRE SIMULTÂNEOS


Normalmente damos às palavras morrer e desencarnar o mesmo significado – fenômeno através do qual o Espírito retorna ao mundo espiritual.

No entanto, com mais rigor, podemos dizer que morte é o fenômeno biológico que acontece com a paralisação permanente dos órgãos vitais; e desencarnação, porém, é a libertação total do Espírito dos laços magnéticos que o prendem ao corpo físico.

Com base nesta diferença conceitual também podemos afirmar que morte e desencarnação nem sempre acontecem simultaneamente, pois existe entre ambas um intervalo de tempo que varia de alguns minutos a vários dias.

Talvez o leitor menos afeito à literatura espírita considere estranha tal afirmação, e isso nos convida ao necessário esclarecimento.

A mente é instrumento poderoso, e através do pensamento ela imprime no perispírito (corpo fluídico) marcas profundas ou superficiais, em forma de dependências maiores ou menores, que não serão extintas de imediato com o fenômeno da morte.

Se a morte não interrompe de imediato as impressões que o Espírito fixou em si mesmo, também não é de imediato que os laços que prendem o Espírito ao corpo se desfazem; daí a desencarnação não ser imediata à morte biológica.

“Impressões longamente fixadas, e sensações vividas com sofreguidão, assinalam profundamente os tecidos sutis do perispírito, impondo necessidades e dependências que a morte não logra de imediato interromper.” (1)

Quando consideramos as diferenças naturais resultantes do nível de evolução entre dois Espíritos, havemos de convir que, mesmo que a morte aconteça de forma idêntica e no mesmo instante para ambos, o tempo exigido para o processo desencarnatório poderá variar de minutos até meses ou anos.

André Luiz no livro Ação e Reação relata a desencarnação de 14 pessoas em um acidente de aviação, o que nos oportuniza sérias reflexões sobre o assunto:

“Oito dos desencarnados no acidente jaziam em posição de choque, algemados aos corpos mutilados ou não; quatro gemiam, jungidos aos próprios restos, e dois deles, não obstante ainda enfaixados às formas rígidas, gritavam desesperados, em crises de inconsciência”.

Atentemos neste exemplo, para o fato de que a causa e o instante da morte foram os mesmos para todos, no entanto, o despertamento foi diferente.

A lição a respeito dessa diferença entre morte e desencarnação torna-se mais surpreendente, neste caso estudado, quando André Luiz narra sobre o requerimento comovedor de um ancião desencarnado, rogando à mansão a remessa de uma equipe adestrada para a remoção de seis das catorze entidades desencarnadas no acidente.

A pergunta do leitor poderá surgir de imediato, como fez Hilário, companheiro de André Luiz, a respeito do motivo de auxílio para a remoção de seis desencarnados, quando na verdade eles eram catorze.

A resposta dada por Druso, orientador espiritual, como veremos a seguir, apenas confirma o que já falamos no início deste artigo: morrer (biologicamente) não é a mesma coisa que desencarnar (libertar-se do corpo). De certa forma, morrer é fácil, pois bastam uma parada cardíaca ou uma parada respiratória prolongadas para que, em alguns instantes, a vítima morra. No entanto, diferente do que muitos possam imaginar, a desencarnação requer mais ou menos tempo, de acordo com as conquistas interiores de cada um.

Respondeu Druso: “No momento serão retirados da carne tão-somente aqueles cuja vida interior lhes outorga a imediata liberação. Quanto aos outros, cuja situação presente não lhes favorece o afastamento rápido da armadura física, permanecerão ligados, por mais tempo, aos despojos que lhes dizem respeito”. (2)

Quanto mais, por própria deliberação, nos escravizamos às fortes impressões dos sentidos através dos vícios e apegos à matéria, mais tempo gastaremos para esgotar as energias acumuladas no nosso perispírito. Quanto mais nos submetemos às disciplinas do Espírito, com equilíbrio e sublimação, mais facilidades conquistaremos para nos libertarmos da carne, quando surpreendidos pelo fenômeno da morte.

F.Altamir da Cunha

Referências:

(1) Temas da Vida e da Morte, FEB − Manoel Philomeno de Miranda / Divaldo Pereira.

(2) Ação e Reação, FEB, André Luiz/F. Cândido Xavier, p. 243.


17 março 2018

Sempre podemos recomeçar - Adriana Machado



SEMPRE PODEMOS RECOMEÇAR


“Me sinto sozinho(a)!”, “Ninguém liga para mim”, “Não posso contar com ninguém”, “Não sou ninguém”... Não nos enganemos pensando que essas são frases faladas, pensadas e sentidas por quem só quer chamar a atenção. Muitos de nós as pensamos a todo momento, de forma consciente ou não.

Estamos o tempo todo nos colocando à prova sobre as nossas necessidades e sentimentos e, por um motivo ou outro, podemos entrar num turbilhão de emoções que nos levam a acreditar que estamos “sozinhos no mundo”!

E esse sentimento é real ou falso? Antes de responder a essa pergunta, gostaria de levantar outra: eu tenho a exata noção do quanto eu me valorizo nesta vida?

Bem, como eu disse acima, muitos de nós pensamos dessa forma a todo momento. E pensamos, na maioria das vezes, sem nos apercebermos disso. Vivenciamos uma tristeza, uma inadequação e não nos damos conta que o que acontece tem origem no nosso mundo interior por não nos apreciarmos o suficiente para aceitarmos que os outros podem gostar de nós; que a nossa presença é apreciada, não por todos, mas por muitos, o que é perfeitamente natural porque não conseguiremos agradar a todos. Se nem Jesus agradou!...

Isso se dá porque, em razão de pensarmos da mesma forma, nos fixamos somente em quem não nos aprecia e deixamos de valorizar quem naturalmente nos ama e nos quer bem.

Se não conseguimos enxergar esse processo interno, tampouco estas pessoas preciosas em nosso viver, teremos um sentimento muito real de inadaptação e ele será mais do que palpável. Quem se convence que ninguém o ama, se sentirá só e estará só, mesmo que viva no meio de uma multidão de amigos, parentes e amores. A pessoa não se enxergará amada, não se enxergará objeto e alvo de atenção, não se sentirá capaz, não se enxergará merecedora de nada, absolutamente nada.

Sem querer julgar, mas tentando achar uma das respostas para essa visão da “falta” de amor, acredito que muitos daqueles que se sentem assim supervalorizam à opinião alheia, tendo-a como um norteador perigoso. Por exemplo: eu só me sinto competente se os meus colegas de trabalho me elogiarem. Se eles nada disserem, começo a me sentir inseguro(a) e até sem criatividade. Sem perceber, eu deixo de usar algo que eu já possuo por acreditar que me falta o combustível (opinião alheia) que me alimentaria a capacidade de fazer bem feito.

Se fazemos isso no âmbito profissional, imagina o que não fazemos quando é de cunho pessoal!

Nenhum desconforto íntimo deve ser ignorado porque ele se agrava gradativamente. A solidão, quando sentida com intensidade, nos torna cegos. Não enxergamos caminhos a serem trilhados; nos tornamos escravos dos conceitos equivocados que vamos abraçando sobre nós mesmos; e, encarcerados a estas falsas impressões, tomamos atitudes drásticas para nos vermos livres dos grilhões da dor que nos sufocam.

Quando chegamos a este estado, o sentimento de inadequação é muito doloroso. Para aquele que o porta, o auxílio vindo somente de si deixa de ser suficiente e há a necessidade de uma ajuda externa para reconquistar o seu equilíbrio emocional. Acredito, piamente, que a associação do entendimento espiritual (seja de qual religião ou postural moral adotada for) com o auxílio profissional (terapias, tratamentos médicos) seja a resposta para um “navegar” a “portos” emocionais mais seguros. Em ambos os casos, tais ajudas levarão ao “solitário” maior capacidade para conhecer a si mesmo e, por consequência, enxergar melhor a realidade que o cerca.

Se alguém que amamos está passando por isso, mesmo que não entendamos o que está acontecendo com ele, não devemos deixar de ajudá-lo. Sem culpá-lo ou criticá-lo, percebamos que cada um de nós é passível de passar por isso em algum momento. Assim, mais chances aquele com quem nos importamos chegará a sua autodescoberta e mais rápido poderá voltar a sorrir, não mais sentindo-se só.




16 março 2018

Estreita ou Larga - Nilton Moreira



ESTREITA OU LARGA


Claro que a maioria das pessoas prefere a porta larga ao invés da estreita, exemplificada por Jesus quando esteve aqui entre nós trazendo a mensagem do Plano Cristo.

Sem dúvida enveredando pela porta larga a vida fica mais fácil de ser vivida, mas ao mesmo tempo deixamos de observar grande parte dos valores morais. Também por esta porta não necessitamos de sacrifícios para conseguir galgar degraus no poder, e parece que a vida nos apresenta realizações maiores.

Mas de que vale optarmos por uma porta larga agora e depois ao revermos nossa vida por ocasião de nossa chegada à espiritualidade, ver que todos os entraves que nos foram colocados nos dirigindo para a porta estreita eram na verdade para nosso crescimento, e, no entanto optamos pela larga que só nos causou tristeza e arrependimento!

Temos uma péssima ideia de que a vida aqui na Terra é só para ser aproveitada materialmente, e que o valor das pessoas está no dinheiro e no poder. Enganamo-nos. O dinheiro não levaremos para a outra vida, e a fortuna que possamos ter aqui ela é dissipada por ocasião da partilha dos bens com os herdeiros e o poder na maioria das vezes é passageiro aqui na Terra.

Devemos é lógico usufruir dos bens materiais conquistados, mas nunca ficarmos atrelados psiquicamente, pois isso só causará angústia na vida além-túmulo, mesmo para os que não acreditam que a vida continua.

A porta larga são todas as perdições, os caminhos que enveredamos para as facilidades, os desvarios, o menosprezo pelo irmão que caminha com dificuldade na vida e muitas vezes não lhe damos uma oportunidade de melhoria.

A porta estreita pode parecer difícil de transpô-la, mas os benfeitores, mensageiros do Mestre nunca nos deixam desamparados e certamente após vencermos as dificuldades, vamos ter o sentimento de dever cumprido.

Que possamos sempre ter discernimento ao nos depararmos com ambas às portas, para que nossa bagagem de conhecimentos seja farta de boas atitudes quando daqui partirmos.

Realizações a todos.


Nilton Moreira
Coluna Semanal - A Vida Alem da Vida
Fonte: Spirit Book

 

15 março 2018

Sintonia e Afinidade - Hugo Lapa



SINTONIA E AFINIDADE


Uma das leis mais importantes do universo é a lei da afinidade ou sintonia.

Essa verdade foi expressa no esoterismo na frase “Semelhante atrai semelhante”.

Buscamos as pessoas, os lugares e as atividades que correspondem a nossas afinidades, desejos, vibrações e aspirações.

Cada pessoa está no local que se sente atraída, sintonizada e satisfeita.

Ninguém nos envia para um ou outro local, mas cada alma naturalmente vai para o lugar que sente afinidade.

Se quiser conhecer a si mesmo, pergunte-se quais são suas afinidades e com que você se sintoniza.

Quando sentimos afinidade por uma pessoa, há alguma coisa em nós que é semelhante a algo que existe nessa pessoa.

Há uma ressonância de modos de ser, personalidade e vibração.

Por outro lado, quando uma pessoa sente repulsa pela outra, uma antipatia gratuita, uma ojeriza pelo comportamento e personalidade, pode haver algo semelhante em você.

Aqueles que buscam o negativo, possuem algo dentro de si que se sente atraído pelo negativo.

Nesse âmbito, não existe o certo e o errado, o bom e o mau, existe apenas aquilo que uma pessoa atrai ou repele dentro de suas afinidades.

Não acredite ser necessariamente mau ou errado aquilo que não está de acordo com sua sintonia.

Aquele que assiste programas sensacionalistas na TV que só promovem a violência, deve se perguntar porque a violência o atrai. Talvez essa mesma violência esteja de alguma forma presente dentro dele.

Uma mulher que só se relaciona com homens cafajestes, que a maltratam, deve refletir no motivo de se sentir atraída por esse tipo de homem.

O que ela está buscando nesse modelo masculino?

Não culpe um grupo de jovens por terem levado seu filho às drogas, mas antes se pergunte porque ele sentiu afinidade com esse grupo e permitiu que o levassem as drogas.

Que recompensa ele estava buscando?

Se você gosta de estilos musicais pesados, com letras banais, de sexualidade exacerbada, essa é a sua vibração, ao menos em algum nível do seu ser.

Mas se você gosta de musicais mais tranquilas, com letras edificantes, de sonoridade profunda, com instrumentos mais refinados, há algo em você que busca ou já está em conformidade com essa vibração.

É como um rádio: quem com sua vibração só sintoniza frequências AM, recebe o som todo distorcido e quem sintoniza com FM, já recebe o som mais puro e claro.

Renascemos nos abismos infernais mais profundos, ou nos mais elevados paraísos celestiais graças aos nossos desejos que criam as afinidades e sintonias.

Cada ser gera uma vibração, que se encontra em ressonância com aquilo que atrai ou repele.

E tudo o que atraímos ou repelimos gera emoções e cria experiências de vida que trazem lições e amadurecimento espiritual.

Não adianta proibir uma pessoa de encontrar-se com o objeto de sua afinidade, pois cada um precisa experimentar tudo o que existe de positivo e negativo em sua sintonia e vibração, pois é assim que evoluímos.

Para mudar seu destino, mude sua sintonia.

Para mudar sua sintonia, encontre suas afinidades.

Para mudar suas afinidades, reconheça seus mais profundos desejos e aspirações, inclusive aqueles que você quer ocultar de si mesmo.

Não reprima sua vibração, apenas mude sua afinidade, como se muda de sintonia AM para FM na rádio.

Sintonize com o amor, a paz e bem, e você expressará o amor, a paz e o bem em sua vida.

Fonte: Hugo Lapa

14 março 2018

Quando o corpo morre, demoramos para nos desligar? Porque - Richard Simonetti



QUANDO O CORPO MORRE, DEMORAMOS PARA NOS DESLIGAR? PORQUE?


Morte física e desencarne não ocorrem simultaneamente. O indivíduo morre quando o coração deixa de funcionar. O Espírito desencarna quando se completa o desligamento, o que demanda algumas horas ou alguns dias.Morte física e desencarne não ocorrem simultaneamente. O indivíduo morre quando o coração deixa de funcionar. O Espírito desencarna quando se completa o desligamento, o que demanda algumas horas ou alguns dias.

Basicamente o Espírito permanece ligado ao corpo enquanto são muito fortes nele as impressões da existência física.

Indivíduos materialistas, que fazem da jornada humana um fim em si, que não cogitam de objetivos superiores, que cultivam vícios e paixões, ficam retidos por mais tempo, até que a impregnação fluídica animalizada de que se revestem seja reduzida a níveis compatíveis com o desligamento.

Certamente os benfeitores espirituais podem fazê-lo de imediato, tão logo se dê o colapso do corpo. No entanto, não é aconselhável, porquanto o desencarnante teria dificuldades maiores para ajustar-se às realidades espirituais. O que aparentemente sugere um castigo para o indivíduo que não viveu existência condizente com os princípios da moral e da virtude, é apenas manifestação de misericórdia. Não obstante o constrangimento e as sensações desagradáveis que venha a enfrentar, na contemplação de seus despojes carnais em decomposição, tal circunstância é menos traumatizante do que o desligamento extemporâneo.

Há, a respeito da morte, concepções totalmente distanciadas da realidade. Quando alguém morre fulminado por um enfarte violento, costuma-se dizer:Morte física e desencarne não ocorrem simultaneamente. O indivíduo morre quando o coração deixa de funcionar. O Espírito desencarna quando se completa o desligamento, o que demanda algumas horas ou alguns dias.

Basicamente o Espírito permanece ligado ao corpo enquanto são muito fortes nele as impressões da existência física.

Indivíduos materialistas, que fazem da jornada humana um fim em si, que não cogitam de objetivos superiores, que cultivam vícios e paixões, ficam retidos por mais tempo, até que a impregnação fluídica animalizada de que se revestem seja reduzida a níveis compatíveis com o desligamento.

Certamente os benfeitores espirituais podem fazê-lo de imediato, tão logo se dê o colapso do corpo. No entanto, não é aconselhável, porquanto o desencarnante teria dificuldades maiores para ajustar-se às realidades espirituais. O que aparentemente sugere um castigo para o indivíduo que não viveu existência condizente com os princípios da moral e da virtude, é apenas manifestação de misericórdia. Não obstante o constrangimento e as sensações desagradáveis que venha a enfrentar, na contemplação de seus despojes carnais em decomposição, tal circunstância é menos traumatizante do que o desligamento extemporâneo.

Há, a respeito da morte, concepções totalmente distanciadas da realidade. Quando alguém morre fulminado por um enfarte violento, costuma-se dizer:

"Que morte maravilhosa! Não sofreu nada!"

No entanto, é uma morte indesejável.

Falecendo em plena vitalidade, salvo se altamente espiritualizado, ele terá problemas de desligamento e adaptação, pois serão muito fortes nele as impressões e interesses relacionados com a existência física.

Se a causa da morte é o câncer, após prolongados sofrimentos, em dores atrozes, com o paciente definhando lentamente, decompondo-se em vida, fala-se:

"Que morte horrível! Quanto sofrimento!"

Paradoxalmente, é uma boa morte.

Doença prolongada é tratamento de beleza para o Espírito. As dores físicas atuam como inestimável recurso terapêutico, ajudando-o a superar as ilusões do Mundo, além de depurá-lo como válvulas de escoamento das impurezas morais. Destaque-se que o progressivo agravamento de sua condição torna o doente mais receptivo aos apelos da religião, aos benefícios da prece, às meditações sobre o destino humano. Por isso, quando a morte chega, ele está preparado e até a espera, sem apegos, sem temores.

Algo semelhante ocorre com as pessoas que desencarnam em idade avançada, cumpridos os prazos concedidos pela Providência Divina, e que mantiveram um comportamento disciplinado e virtuoso. Nelas a vida física extingue-se mansamente, como uma vela que bruxuleia e apaga, inteiramente gasta, proporcionando-lhes um retomo tranquilo, sem maiores percalços.


Autor: Richard Simonetti
Livro: Quem tem medo da Morte – Richard Simonetti


13 março 2018

Desconfiança e Suspeita - Joanna de Ângelis



DESCONFIANÇA E SUSPEITA


Harmoniza-te com a consciência do dever cumprido, preservando a tua fé irrestrita em Deus, a fim de que a tranquilidade te homenageie os esforços.

Quando alguém se desincumbe seriamente do compromisso que lhe cabe atender, prossegue integérrimo, sem aflição ou receio.

A desconfiança é decorrência da insegurança pessoal, responsável por inúmeros danos que se estabelecem nos mecanismos psicológicos da criatura humana.

Essa insegurança impessoal faculta distorção da realidade, que passa a ser observada de maneira equívoca, abrindo brechas morais para a suspeita infundada, a desconfiança perturbadora.

Em todo agrupamento social, a diversidade de opiniões, os registros de simpatia como da antipatia, as afinidades ou reações contrárias, são fenômenos naturais que se apresentam como desafios para convivência saudável.

Deixar-se envolver pelos conflitos íntimos, que resultam da própria instabilidade, é caminho para dificuldades mais complexas, e desajustes de consequências graves.

*

Se te sentes rechaçado no grupo onde te movimentas, tem paciência e persevera nos bons propósitos, produzindo para o bem.

Não há reação negativa que não se dilua ante o dissolvente da produção edificante.

Aqueles que não te conhecem reagem contra ti, graças aos conflitos que lhes são normais.

Concede-lhes o direito de serem assim, da mesma forma que te permites as deficiências que te exornam o caráter.

Se desconfias que alguém trama contra ti, não te aflijas, reagindo, porquanto é provável que não haja qualquer fundamento.

No entanto, se for verdade o que suspeitas, permanece fiel, porque o problema é do outro.

Evita contaminar-te com as vibrações morbíficas das desconfianças que te impedirão de realizar o programa que te diz respeito, perdendo o tempo em questiúnculas sem sentido ou afligindo-te sem proveito.

Aprende a confiar em Deus e, por extensão, em ti mesmo, graças ao que faças de bom e de nobre, haurindo paz e alegria por identificar as possibilidades enriquecedoras que estavam adormecidas e as despertaste para o teu processo de crescimento.

Se estás entre pessoas de pouca cultura, sê simples e compreensivo; se transitas entre sábios e intelectuais, torna-te capaz de entendê-los, sem perguntas desnecessárias ou humilhação dispensável.

Em qualquer lugar podes permanecer com nobreza, sem exibicionismo inoportuno, sem receio injustificável.

Prossegue seguro de ti mesmo, e trabalha-te cada vez mais.

Um diamante no lodo brilha em qualquer facete na qual a luz incide.

O Sol, mantendo a vida terrestre, não seca o pântano a pretexto de alterar rapidamente a paisagem.

Mantêm-te calmo em qualquer circunstância e colherás sempre os resultados mais saudáveis que a desconfiança impede detectar.

*

Ninguém foge do processo evolutivo, e nele somente acontece aquilo que é de melhor para o Espírito, quando este sabe identificar a finalidade, o objetivo da ocorrência.

Lucra com o sucesso, mas aprende a colher os frutos que te oferece o ensejo da aparente desdita.

O bom agricultor jamais desdenha o trato da terra que lhe é oferecida para cuidar.

Conhecendo a composição do solo, trata-o com desvelo, remove pedrouços, coloca adubo adequado e semeia.

O tempo retribui-lhe em bênçãos os cuidados que ele aplicou no amanho e preservação da área.

Assim, não reclames da oportunidade de crescer, onde te encontras, com quem laboras e no momento em que atravessas.

Confiante, prossegue em paz, e o tempo te brindará com harmonia íntima.

De “Fonte de Luz”, de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis