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12 fevereiro 2020

Recados da Espiritualidade - Sidney Fernandes




RECADOS DA ESPIRITUALIDADE


É uma doutrina, esta, dos anjos guardiães, que, pelo seu encanto e doçura, deverá converter os mais incrédulos. Allan Kardec, O Livro dos Espíritos

Genivaldo Barbosa herdara dos avós e dos pais o respeito pelos animais e pela natureza. Cuidava muito bem da propriedade rural, que era o seu ganha-pão e de seus irmãos. Vivia com a esposa e dois filhos em pequena gleba de terra, ao lado de mais dois irmãos, que também tinham seus sítios, lado a lado, com as respectivas famílias.Genivaldo e seus irmãos guardavam muito respeito pelas coisas de Deus.

Distantes da cidade, reuniam-se semanalmente para orar, juntos, no culto do evangelho no lar.Todos participavam, adultos, crianças e alguns empregados mais antigos, que eram considerados como da família. Até os fiéis cães de guarda ficavam rodeando o grupo, como se desfrutassem da harmonia daquele encontro ameno. Ao final de cada reunião as esposas apresentavam, orgulhosamente, o seu melhor quitute. A oração terminava com chá, bolo e muita conversa. As crianças esperavam ansiosamente pelo culto.

Os três sitiantes mantinham plantio para consumo próprio, mas viviam mesmo da cria, engorda e venda de gado bovino. Selecionavam rigorosamente os melhores bezerros, que futuramente iriam compor os novos rebanhos. Periodicamente levavam os animais para venda aos frigoríficos da região. Não eram preços elevados, mas compensavam os esforços das três famílias, que viviam muito bem. As crianças frequentavam a escola da cidade e tinham a saúde sob constante vigilância. Levavam vida modesta, mas com o necessário para proporcionar a todos segurança e conforto.

Eis que um dia, aparece na entrada do sítio um dos irmãos de Genivaldo. Vinha acompanhado de senhor muito bem vestido, que conduzia uma reluzente perua de última geração. Os Barbosa costumavam vender seus animais sempre juntos. E Genivaldo, irmão mais velho, era sempre consultado nos empreendimentos das três famílias. O irmão de Genivaldo trazia um comprador de animais que estava propondo valores bem superiores aos oferecidos pelos frigoríficos da região. Roberto Sales, esse era o nome do comprador, fizera uma boa oferta por suas reses. Achando que seus dois irmãos também poderiam se beneficiar do negócio, ali estava para apresentá-lo a Genivaldo.

Dali a pouco o outro irmão de Genivaldo chegava também, e pouco tempo depois chegaram a um acordo. Em algumas horas Roberto viria buscar os animais com um caminhão. Pedia prazo para os pagamentos. Deixaria, como garantia, alguns cheques a serem resgatados em datas futuras. Genivaldo estava um pouco preocupado. Alguma coisa, no íntimo, lhe dizia que precisariam analisar melhor o negócio. Afinal de contas, era o esforço de um ano de toda a família que estava em jogo. Não seria o caso de serem mais prudentes? Porém, os irmãos de Genivaldo acharam razoável a concessão do prazo, considerando que estavam fazendo excelente venda, já que a oferta era quase o dobro dos valores pagos pelos habituais compradores. E se não fechassem o negócio naquele momento, talvez Roberto fosse procurar outros sítios da região.

Estavam para bater o martelo na transação, quando entrou no recinto o pequeno Adolfo, menino de tez escura, neto de Anastácia, que servia a família desde a época do avô de Genivaldo.

— Tio Valdo. Vó Tácia quer falar com o senhor! – disse o menino com firmeza e desenvoltura.

— Diga a ela que estou terminando um negócio importante, mas em seguida irei à casa dela – respondeu Genivaldo, educadamente.

— Tio Valdo. Vó Tácia disse que tem que ser agora!

Genivaldo assustou-se. Vó Tácia convivia com sua família havia décadas. Tinha grande sensibilidade mediúnica. Era criatura generosa, discreta e comedida. Se estava mandando aquele recado tão veemente é porque era coisa séria. Pediu licença ao comprador e aos seus irmãos e foi ver o que estava acontecendo. Seguiu Adolfo, que o puxou com firmeza pela mão até Vó Tácia.

— Qual é o problema, Anastácia? – disse Genivaldo.

— Suspenda esse negócio, Tio Valdo! – advertiu Anastácia.

— O quê? Mas, pode me dizer o motivo? Essa venda vai nos trazer muitas vantagens!

— Tio Valdo vai perder todas as vaquinhas da família. Irmão Lupércio está aconselhando Tio Valdo a se informar melhor.

Genivaldo respeitava a mediunidade de Anastácia. Ela se entendia muito bem com Irmão Lupércio, protetor espiritual da família de Genivaldo. Essas manifestações não eram muito frequentes. Mas, de vez em quando, pela inspiração de Anastácia vinham recados muito precisos da espiritualidade. Voltando à reunião com o comprador e seus irmãos, Genivaldo informou que havia surgido um problema muito sério e teriam que suspender o negócio. Que Roberto voltasse em outro dia.

Os irmãos de Genivaldo, receando perder aquela excelente oportunidade, discordaram com veemência. Todavia, conheciam bem o irmão mais velho. Quando ele falava alguma coisa, merecia respeito.

No dia seguinte, logo na abertura da agência bancária da cidade, lá estavam os três irmãos, buscando informações de Roberto Sales junto ao gerente. Tiveram o cuidado de levar a placa do seu veículo. Em poucos instantes tinham a resposta. O carro pertencia a Roberto Almeida, nome verdadeiro do tal Roberto Sales, procurado pela polícia por estelionato. Costumava aplicar golpes em fazendeiros daquela região do estado, espalhando cheques sem fundos, apossando-se de seus animais.

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Naquela noite, a oração do culto do evangelho dos Barbosa foi de agradecimento pela proteção recebida.

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Indaga Allan Kardec na questão 524, de O Livro dos Espíritos:

As advertências de nossos Espíritos protetores têm por objeto único a conduta moral ou também a conduta a ter nas coisas da vida particular?


Respondem os Espíritos: — Tudo. Eles procuram fazer-vos viver o melhor possível. Mas, frequentemente, fechais os ouvidos às boas advertências, e sois infelizes por vossa causa.


Os Espíritos protetores nos ajudam com seus conselhos pela voz da consciência, que fazem falar em nós. Mas, como a isso não ligamos sempre a importância necessária, nos dão de maneira mais direta, servindo-se das pessoas que nos rodeiam. Que cada um examine as diversas circunstâncias, felizes e infelizes, de sua vida e verá que em muitas ocasiões recebeu conselhos que nem sempre aproveitou e que lhe teriam poupado desgostos se os houvessem escutado. Allan Kardec, O Livro dos Espíritos

Narrativa baseada em fato real contada por João Eduardo Fabris, de Presidente Prudente.

Sidney Fernandes

 

11 fevereiro 2020

Amar a Deus - Joanna de Ângelis



AMAR A DEUS


Amor é vida.

Sem o amor de Deus que tudo vitaliza, a Criação volveria ao caos do princípio.

Antes, portanto, do amor não havia Criação, porque Deus é Amor.

Sem o amor ao próximo não se pode amar a Deus.

Nesse particular o Evangelho é todo um hino ao Criador, mediante o eloqüente testemunho de amor ao próximo, apresentado por Jesus.

Em todos os Seus passos o amor se exterioriza numa canção de feitos, renovando, ajudando e levantando Espíritos.

Não podendo o homem romper a caixa escura do egoísmo, saindo de si na direção da criatura, sua irmã, dificilmente compreenderá o impositivo do amor transcendente em relação à Divindade.

Quando escasseiam os recursos da elevação interior pelo pensamento vinculado ao Supremo Construtor do Cosmo, devem abundar os esforços no labor da fraternidade em direção às demais criaturas, do que decorre, inevitavelmente, a vinculação amorosa com Deus. Porquanto ninguém pode pensar no próximo sem proceder a uma imperiosa necessidade de fazer interrogações que levam á Causa Central.

O homem constitui, indubitavelmente, um enigma que só a luz meridiana da reencarnação - técnica do amor e da Justiça Divina - pode ser entendido.

Na vida, sob qualquer expressão, está manifesto o amor.

Mediante o amor animam-se as forças atuantes e produtivas da natureza, no mineral, no vegetal, no animal, no homem e no anjo.

Dilata, desse modo, as tuas expressões íntimas, dirigindo-as para o bem e não te preocupes com o mentiroso triunfo do mal aparente.

Exalça a vida e não te detenhas na morte.

Glorifica o dever e não te reportes á anarquia.

Fala corretamente e retificarás os conceitos infelizes.

Se te impressionam as transitórias experiências do primitivismo e da barbárie que ainda repontam na Terra, focaliza a beleza e superarás as sombras e inquietações...

A maneira mais agradável de adorar a Deus é elevar o pensamento a ele, através do culto ao bem e do amor ao próximo.

Desce à dor e ergue o combalido à saúde íntima; mergulha no paul e levanta ao planalto os que ali encontres; curva-te para socorrer, no entanto, ascende no rumo de Deus pelo pensamento ligado ao Seu amor e vencerás os óbices.

Se desejas, todavia, compreender melhor a necessidade de amar a Deus, acompanha o desabrochar de uma rosa, devolvendo perfume a vida, o que extrai do solo em húmus e adubo... Fita uma criança, detém-te num ancião...

Ama, portanto, pelo caminho quanto possas, plantas, animais, homens, e te descobrirás, por fim, superiormente amando a Deus.


Joanna de Ângelis
Médium: Divaldo P. Franco
Livro: Leis Morais da Vida

10 fevereiro 2020

As profecias e o pressentimento, segundo o Espiritismo - Victor Rebelo



AS PROFECIAS E O PRESSENTIMENTO, SEGUNDO O ESPIRITISMO


As profecias sempre despertaram o interesse dos homens, ao longo dos milênios. Para a população, em geral, os profetas são pessoas especiais, abençoadas com um dom divino e sobrenatural; para os sacerdotes das mais variadas religiões, os profetas são uma ponte com o sagrado (ou seja, os espíritos, Deus, a alma universal... depende da corrente religiosa); para os descrentes, materialistas, que duvidam pelo simples ato de duvidar, sem realizarem pesquisas mais profundas, os profetas não passam de charlatões ou loucos; e finalmente, para os espiritualistas modernos, as profecias são um vasto campo de estudo sobre as capacidades anímicas (da alma, ou seja, do próprio profeta) somadas ao auxílio dos espíritos (mediunidade). Qual destas opiniões está correta?

Realmente, os profetas se utilizam de um dom, mas este não tem nada de sobrenatural; está fundamentado em leis bastante claras e definidas. Agora, é óbvio que muitas pessoas se dizem videntes ou profetas com o único intuito de ludibriar a fé alheia, o que as torna verdadeiros charlatões.

Profeta ou profetisa (do grego, prophétes) pode significar a pessoa que é capaz de predizer acontecimentos futuros; ou ainda, uma pessoa que fala por inspiração divina ou em nome de Deus. Aos falsos profetas aplicava-se a pena de morte, pela lei de Moisés. O livro do Antigo Testamento revela que, antes de serem comumente chamados de profetas, tais pessoas eram chamadas de videntes – (I Samuel 9:9). É um nome sugestivo que descrevia as pessoas a quem Deus revelava os acontecimentos futuros, por meio de sonhos, visões ou aparições de anjos. Acreditavam que esses profetas eram escolhidos por Deus e, por isso, tinham enorme autoridade religiosa e influência na sociedade. Normalmente, eles eram conselheiros e instrutores da Lei de Deus.

De acordo com o Espiritismo, geralmente essas percepções do futuro são um aviso, uma advertência de que algo muito provável poderá acontecer. Muitas vezes, é um aviso de que as coisas ficarão pior se não houver uma mudança de rumo. Allan Kardec diferencia uma profecia de um pressentimento. Segundo o codificador, "O pressentimento é uma intuição vaga das coisas futuras. Algumas pessoas têm essa faculdade mais ou menos desenvolvida. Pode ser devida a uma espécie de dupla vista, que lhes permite entrever as consequências das coisas atuais e a filiação dos acontecimentos. Mas, muitas vezes, também é resultado de comunicações ocultas e, sobretudo neste caso, é que se pode dar aos que dela são dotados o nome de médiuns de pressentimentos, que constituem uma variedade dos médiuns inspirados” – O Livro dos Médiuns.

Estudos e conclusões à parte, com relação ao período em que estamos vivendo, o momento pede ações rápidas, pois o destino do planeta será catastrófico se não fizermos nossa parte na preservação do meio ambiente.


Victor Rebelo


09 fevereiro 2020

Psicografia recebida - Nilton Moreira



PSICOGRAFIA RECEBIDA


Há poucos dias fomos agraciados por mensagem psicografada em reunião mediúnica acontecida na cidade de Pelotas, ocasião que se manifestou uma entidade espiritual que desencarnou violentamente, vitimada por crime de homicídio acontecido no município de Palmeira das Missões, cuja família da vítima reside em Três Passos. Para quem é seguidor da Doutrina Espírita compilada por Allan Kardec, não se surpreende com tais comunicações, pois faz parte das atividades de qualquer Casa Espírita.

O importante é que tais mensagens servem de grande lenitivo para quem teve um ente querido separado do convívio familiar, principalmente por violência, pois na maioria das vezes acreditam que o espírito que se foi continua em sofrimento.Também nos perguntam pessoas leigas ou descrentes, de como saber se tais mensagens não são embustes.Realmente devemos estar atentos ao charlatanismo e exploração das pessoas que no momento da separação estão fragilizadas, mas quem tem de dizer se o conteúdo é fiel são as próprias famílias que recebem as psicografias, pois normalmente na dissertação aparecem pistas como apelidos, manias, linguajares ou diálogos que só os envolvidos é que tinham conhecimento na época que o espírito estava junto à família.

Interessante que na mensagem que esta semana foi visualizada por milhares de pessoas nas redes sociais, o espírito que se comunica confirma a autoria do crime, já que refere que sua mãe ficou frente a frente com o autor, o que ratifica o trabalho de investigação realizado pela policia.Esta não é a primeira vez que espíritos que se envolveram em ocorrências com vítima fatal, dão detalhes através da psicografia. Uma das mais conhecidas foi a mensagem psicografada pelo médium Chico Xavier, narrada inclusive em filme, em que a vítima de morte acidental por disparo de arma de fogo isenta o autor do disparo, alegando ter sido acidente, resultando inclusive na absolvição do réu pela justiça.

É importante que estejamos ligados a uma Casa Espírita, quem sabe frequentando os estudos, para que no momento oportuno sejamos agraciados pelos Benfeitores Espirituais com uma mensagem, pois muitas vezes estas ficam arquivadas nas Casas, já que as pessoas não vão procurar. Mas o principal disso tudo é que a misericórdia Divina se processa e que constatamos que a morte é apenas uma passagem para outro plano. A vida continua. Gratidão é a palavra nesse momento.


Nilton Moreira
Fonte: Litoralmania

08 fevereiro 2020

Abnegação - Momento Espírita



ABNEGAÇÃO


A evolução espiritual é um fenômeno bastante complexo, que se dá em sucessivas fases.

No começo, predomina a natureza corpórea.

Dominada pelos instintos, a criatura dedica seu tempo e seu interesse a atividades comezinhas.

Comer, vestir-se, abrigar-se, procriar e cuidar da prole, eis a que se resumem suas preocupações.

Nesse período, o egoísmo é marcante.

Os instintos de conservação da vida e da preservação da espécie têm absoluta preponderância.

Com o tempo, o ser começa a desvincular-se de sua origem.

A inteligência se desenvolve, o raciocínio se sofistica e o senso moral desabrocha.

As invenções tornam possível gastar tempo com questões não diretamente ligadas à sobrevivência.

Viver deixa de ser tão difícil, sob o prisma material.

Em compensação, começam os dilemas morais.

Com a razão desenvolvida, a responsabilidade surge forte nos caminhos espirituais.

O que antes era admissível passa a ser um escândalo.

A sensibilidade se apura e a criatura aspira por realizações intelectuais e afetivas.

Essa nova sensibilidade também evidencia que o próximo é seu semelhante, com igual direito a ser feliz e realizado.

Gradualmente se evidencia a igualdade básica entre todos os homens.

Malgrado possuidores de talentos e valores diversos, não se distinguem no essencial.

Uma chama divina os anima e a todos conduzirá aos maiores cimos da evolução.

Contudo, o abandono dos hábitos toscos das primeiras vivências não é fácil.

Séculos são gastos na árdua tarefa de domar vícios e paixões.

As encarnações se sucedem enquanto o Espírito luta para ascender.

O maior entrave para a libertação das experiências dolorosas é o egoísmo, que possui forte vínculo com o apego às coisas corpóreas.

Quanto mais se aferra aos bens materiais, mais o homem demonstra pouco compreender sua natureza espiritual.

O Espírito necessita libertar-se do apego a coisas transitórias.

Apenas assim ele adquire condições de viver as experiências sublimes a que está destinado.

Quem deseja sair do primitivismo deve combater o gosto pronunciado pelos gozos da matéria.

O melhor meio para isso é praticar a abnegação.

Trata-se de uma virtude que se caracteriza pelo desprendimento e pelo desinteresse.

A ação abnegada importa na superação das tendências egoístas do agente.

Age-se em benefício de uma causa, pessoa ou princípio, sem visar a qualquer vantagem ou interesse pessoal.

Certamente não é uma virtude que se adquire a brincar.

Apenas com disciplina e determinação é que ela se incorpora ao caráter.

Mas como ninguém fará o trabalho alheio, é preciso principiar em algum momento.

Comece, pois, a praticar a abnegação.

Esforce-se em realizar uma série de atitudes com foco no próximo.

Esqueça a sua personalidade e pense com interesse no bem alheio.

Esse esforço inicial não tardará a dar frutos.

O gosto pelo transitório lentamente o abandonará.

Ele será substituído pelos prazeres espirituais.

Você descobrirá a ventura de ser bondoso, de amparar os caídos e de ensinar os ignorantes.

Esses gostos suaves e transcendentes o conduzirão a esferas de sublimes realizações.

Pense nisso.

Redação do Momento Espírita

07 fevereiro 2020

As mudanças são contínuas, progressivas e visíveis! - Francisco Rebouças



AS MUDANÇAS SÃO CONTÍNUAS, PROGRESSIVAS E VISÍVEIS!


Desde há muito que se observa em nosso planeta o progresso dos espíritos que retornam do mundo espiritual para mais uma etapa reencarnatória no caminho da perfeição do Ser imortal criado por Deus para gozar um dia, da felicidade e da pureza espiritual dos mundos Celestes.

Sobre esse assunto, a Doutrina Espírita, em sua mensagem consoladora muito nos esclarece a esse respeito, dando-nos a certeza pela fé raciocinada de seus postulados, que a felicidade é questão de trabalho individual de burilamento de cada espírito, deixando assim, a cada um dos seres humanos a responsabilidade de trabalhar em seu próprio benefício, colaborando dessa forma para o progresso e aperfeiçoamento da humanidade como um todo.

Encontramos no Cap. XVIII, São Chegados os Tempos, do livro A Gênese, de Allan Kardec, explicações convincentes de como tudo isso verdadeiramente ocorre, conforme segue.

Capítulo XVIII

A Geração Nova

”- Para que na Terra sejam felizes os homens, preciso é que somente a povoem Espíritos bons, encarnados e desencarnados, que somente ao bem se dediquem. Havendo chegado o tempo, grande emigração se verifica dos que a habitam: a dos que praticam o mal pelo mal, ainda não tocados pelo sentimento do bem, os quais, já não sendo dignos do planeta transformado, serão excluídos, porque, senão, lhe ocasionariam de novo perturbação e confusão e constituiriam obstáculo ao progresso. Irão expiar o endurecimento de seus corações, uns em mundos inferiores, outros em raças terrestres ainda atrasadas, equivalentes a mundos daquela ordem, aos quais levarão os conhecimentos que hajam adquirido, tendo por missão fazê-las avançar. Substituí-los-ão Espíritos melhores, que farão reinem em seu seio a justiça, a paz e a fraternidade.

A Terra, no dizer dos Espíritos, não terá de transformar-se por meio de um cataclismo que aniquile de súbito uma geração. A atual desaparecerá gradualmente e a nova lhe sucederá do mesmo modo, sem que haja mudança alguma na ordem natural das coisas.

Tudo, pois, se processará exteriormente, como sói acontecer, com a única, mas capital diferença de que uma parte dos Espíritos que encarnavam na Terra aí não mais tornarão a encarnar. Em cada criança que nascer, em vez de um Espírito atrasado e inclinado ao mal, que antes nela encarnaria, virá um Espírito mais adiantado e propenso ao bem.

Muito menos, pois, se trata de uma nova geração corpórea, do que de uma nova geração de Espíritos. Sem dúvida, neste sentido é que Jesus entendia as coisas, quando declarava: «Digo-vos, em verdade, que esta geração não passará sem que estes fatos tenham ocorrido.» Assim decepcionados ficarão os que contem ver a transformação operar-se por efeitos sobrenaturais e maravilhosos.”

“- A época atual é de transição; confundem-se os elementos das duas gerações. Colocados no ponto intermédio, assistimos à partida de uma e à chegada da outra, já se assinalando cada uma, no mundo, pelos caracteres que lhes são peculiares.

Têm idéias e pontos de vista opostos as duas gerações que se sucedem. Pela natureza das disposições morais, porém sobretudo das disposições intuitivas e inatas, torna-se fácil distinguir a qual das duas pertence cada indivíduo.

Cabendo-lhe fundar a era do progresso moral, a nova geração se distingue por inteligência e razão geralmente precoces, juntas ao sentimento inato do bem e a crenças espiritualistas, o que constitui sinal indubitável de certo grau de adiantamento anterior. Não se comporá exclusivamente de Espíritos eminentemente superiores, mas dos que, já tendo progredido, se acham predispostos a assimilar todas as idéias progressistas e aptos a secundar o movimento de regeneração.

O que, ao contrário, distingue os Espíritos atrasados é, em primeiro lugar, a revolta contra Deus, pelo se negarem a reconhecer qualquer poder superior aos poderes humanos; a propensão instintiva para as paixões degradantes, para os sentimentos anti-fraternos de egoísmo, de orgulho, de inveja, de ciúme; enfim, o apego a tudo o que é material: a sensualidade, a cupidez, a avareza.

Desses vícios é que a Terra tem de ser expurgada pelo afastamento dos que se obstinam em não emendar-se; porque são incompatíveis com o reinado da fraternidade e porque o contacto com eles constituirá sempre um sofrimento para os homens de bem. Quando a Terra se achar livre deles, os homens caminharão sem óbices para o futuro melhor que lhes está reservado, mesmo neste mundo, por prêmio de seus esforços e de sua perseverança, enquanto esperem que uma depuração mais completa lhes abra o acesso aos mundos superiores.” (1)

Como bem podemos ver, também nós fazemos parte desse processo de transformação da Terra, substituímos irmãos nossos que voltaram à pátria espiritual quando de nossa chegada. Reencarnamos com objetivos bem traçados de melhoramento e aperfeiçoamento das virtudes inerentes ao nosso Ser imortal, com toda a orientação haurida nos estabelecimentos de ensino e preparo do mundo espiritual, e, que por essa razão temos responsabilidades enormes para com o desenvolvimento intelectual e moral nossa sociedade.

Em O Livro dos Espíritos na questão que segue, os Imortais nos esclarecem que a reencarnação tem ainda outro objetivo, conforme segue.

Qual o objetivo da encarnação dos Espíritos?

“Deus lhes impõe a encarnação com o fim de fazê-los chegar à perfeição. Para uns, é expiação; para outros, missão. Mas, para alcançarem essa perfeição, têm que sofrer todas as vicissitudes da existência corporal: nisso é que está a expiação. Visa ainda outro fim a encarnação: o de pôr o Espírito em condições de suportar a parte que lhe toca na obra da criação. Para executá-la é que, em cada mundo, toma o Espírito um instrumento, de harmonia com a matéria essencial desse mundo, a fim de aí cumprir, daquele ponto de vista, as ordens de Deus. É assim que, concorrendo para a obra geral, ele próprio se adianta.”

A ação dos seres corpóreos é necessária à marcha do Universo. Deus, porém, na Sua sabedoria, quis que nessa mesma ação eles encontrassem um meio de progredir e de se aproximar Dele. Deste modo, por uma admirável lei da Providência, tudo se encadeia, tudo é solidário na Natureza (2).

Preciso se faz, que entendamos definitivamente que, não estamos aqui simplesmente para “curtir a vida” de forma desinteressada e irresponsável e sim, para realizarmos as propostas superiores de trabalho com as quais nos comprometemos, em prol do progresso e da felicidade nossa e de todos os habitantes do nosso abençoado planeta.

Francisco Rebouças


Referências:

(1) Kardec, Allan – A Gênese, FEB 36ª edição. Cap. XVIII – itens, 27 e 28.

(2) Kardec, Allan – O Livro dos Espíritos. FEB, 76ª edição.


Nota do autor: Grifos nossos.

Nota do editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em https://www.colegioweb.com.br/geografia/paisagem-o-que-e-tipos.html. Acesso em: 23JAN2020.

06 fevereiro 2020

A obsessão em crianças e a questão dos ovoides - Thiago Bernardes




A OBSESSÃO EM CRIANÇAS E A QUESTÃO DOS OVOIDES


Apresentamos nesta edição o tema no 125 do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita, que está sendo aqui apresentado semanalmente, de acordo com programa elaborado pela Federação Espírita Brasileira, estruturado em seis módulos e 147 temas.

Se o leitor utilizar este programa para estudo em grupo, sugerimos que as questões propostas sejam debatidas livremente antes da leitura do texto que a elas se segue.

Se destinado somente a uso por parte do leitor, pedimos que o interessado tente inicialmente responder às questões e só depois leia o texto referido. As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto abaixo.

Questões para debate 

1. Como as instituições espíritas podem auxiliar uma criança obsidiada? 

2. Que orientações devemos dar aos pais de crianças envolvidas em processos obsessivos? 

3. Que se entende, na terminologia espírita, por corpo ovoide? 

4. Em que casos pode o corpo espiritual retrair-se e assumir a forma ovoide? 

5. Que é preciso para que o corpo ovoide retorne à sua condição normal?  

Texto para leitura

A criança obsidiada precisa ser tratada com muito carinho e atenção

1. Tal como se dá com outras enfermidades que afetam as crianças, um quadro obsessivo que as atinja desperta em todos nós um sentimento profundo de comiseração e o ímpeto de aliviá-la e protegê-la. A criança obsidiada apresenta-se inquieta, irritada, com problema de comportamento impossível de ser explicado pela Psicologia.

2. Em verdade, as crianças acometidas pela obsessão quase sempre se encarnaram aprisionadas pelas reminiscências de existências passadas ou por lembranças dos tormentos que sofreram ou fizeram sofrer na erraticidade. A nova existência atenua bastante os seus sofrimentos, constituindo oportunidade de refazimento para o Espírito, que poderá então exercitar a paciência, a resignação e a humildade.

3. As instituições espíritas podem prestar valioso auxílio às crianças obsidiadas por meio do passe e da água fluidificada, mas é imprescindível que elas sejam tratadas com muito carinho e atenção, visto que se para as crianças em geral carinho e atenção constituem necessidades psicológicas básicas, aquelas que padecem obsessão, justamente por estarem combalidas pelo sofrimento, têm maior necessidade de serem amadas.

4. É fundamental, em tais casos, a orientação espírita aos pais para que entendam melhor as dificuldades próprias da situação e adquiram melhores condições de ajudar o filho e a si próprios, pois muito provavelmente são cúmplices ou desafetos do passado, agora reunidos em provação redentora. Os pais devem ser orientados no sentido de fazerem o culto do Evangelho no lar, a fim de beneficiarem o ambiente doméstico com recursos advindos da espiritualidade superior. As aulas de evangelização ministradas nos Centros Espíritas podem também proporcionar à criança esclarecimentos e conforto necessários à superação das dificuldades que enfrenta.

O monoideísmo auto-hipnotizante pode levar o perispírito à forma ovoide

5. Várias consequências podem advir do desequilíbrio espiritual e das ideias de vingança. Uma delas, e das mais lamentáveis, é a retração do corpo espiritual num corpo ovoide, fato que pode se dar nos seguintes casos:

a) Espíritos desencarnados em profundo desequilíbrio, com ideia fixa em desejos de vingança ou em apegos doentios – Esses Espíritos envolvem ou influenciam aqueles que são objeto de sua perseguição ou atenção e auto-hipnotizam-se com suas próprias ideias, que se repetem indefinidamente. É o que chamamos de monoideísmo auto-hipnotizante. Em face da ocorrência, o corpo espiritual se retrai, assemelhando-se eles a ovoides imantados às suas vítimas, que, em geral, aceitam-lhes a influenciação, em face de serem portadores de sentimentos de culpa, remorso ou ódio, fatores predisponentes do fenômeno obsessivo.


b) Grandes criminosos – Ao desencarnar, tais Espíritos poderão ver-se atormentados pela visão repetida e constante dos próprios erros, em alucinações que os tornam dementados. O pensamento vicioso pode resultar no monoideísmo auto-hipnotizante e, como no caso anterior, o corpo espiritual se retrai, tomando a forma ovoide.


c) Espíritos de selvagens – O homem selvagem, quando retorna ao plano espiritual, após a morte do corpo físico, sente-se muitas vezes atemorizado diante do desconhecido. Habituado a uma vida primitiva, só tem condições de pensar em termos da vida tribal a que se habituou e, por isso, refugia-se na choça que lhe serviu de moradia terrestre, anseia por voltar ao convívio dos seus e alimenta-se das vibrações dos que lhe são afins. Nessas condições, estabelece-se o monoideísmo, isto é, a ideia fixa. O pensamento que lhe flui da mente permanece em circuito fechado, continuamente. É o monoideísmo auto-hipnotizante. Não existindo outros estímulos, os órgãos do corpo espiritual se retraem ou se atrofiam, tal como ocorre aos órgãos do corpo físico quando paralisados. Aos poucos, esses órgãos transubstanciam-se quais implementos potenciais de um germe vivo entre as paredes de um ovo. Diz-se, então, que o desencarnado perdeu seu corpo espiritual, transformando-se num corpo ovoide, que guarda consigo todos os órgãos de exteriorização da alma, tanto no plano espiritual, quando no terrestre, como a semente que traz em si a árvore do futuro.

A reencarnação é que permite aos ovoides retornar à condição normal

6. Entende-se, portanto, por ovoide a atrofia ou retração do corpo espiritual provocada pelo pensamento fixo-depressivo, em circuito fechado, no qual o Espírito desencarnado abstrai-se de tudo o mais para deter-se exclusivamente em um desejo ou em uma ideia de natureza inferiorizante.

7. Os obsessores utilizam-se desses ovoides para intensificar o cerco às suas vítimas, imantando-os a elas. Instala-se então o chamado parasitismo espiritual, por meio do qual o obsidiado passa a viver o clima criado pelos obsessores, agravado pelas ondas mentais altamente perturbadoras dos ovoides, fato esse que constitui uma subjugação gravíssima que pode lesar o cérebro ou outros órgãos que estejam sendo visados.

8. Somente por meio da reencarnação, juntamente com a nova forma carnal, é que o corpo espiritual em forma ovoide poderá retornar à sua condição normal, servindo a reencarnação como uma espécie de cirurgia reparadora, tal como se dá nos casos de lesões cerebrais decorrentes de atos suicidas.

Respostas às questões propostas

1. Como as instituições espíritas podem auxiliar uma criança obsidiada?

R.: As instituições espíritas podem prestar valioso auxílio às crianças obsidiadas por meio do passe e da água fluidificada, mas é imprescindível que elas sejam tratadas com muito carinho e atenção.

2. Que orientações devemos dar aos pais de crianças envolvidas em processos obsessivos?

R.: Os pais devem ser orientados no sentido de fazerem o culto do Evangelho no lar, a fim de beneficiarem o ambiente doméstico com recursos advindos da espiritualidade superior. As aulas de evangelização ministradas nos Centros Espíritas podem também proporcionar à criança esclarecimentos e conforto necessários à superação das dificuldades que enfrenta.

3. Que se entende, na terminologia espírita, por corpo ovoide?

R.: Entende-se por ovoide a atrofia ou retração do corpo espiritual provocada pelo pensamento fixo-depressivo, em circuito fechado, no qual o Espírito desencarnado abstrai-se de tudo o mais para deter-se exclusivamente em um desejo ou em uma ideia de natureza inferiorizante.

4. Em que casos pode o corpo espiritual retrair-se e assumir a forma ovoide?

R.: Esse fato pode ocorrer principalmente nos casos de Espíritos desencarnados em profundo desequilíbrio, com ideia fixa em desejos de vingança ou em apegos doentios, dos Espíritos que foram na Crosta grandes criminosos e dos Espíritos de selvagens que podem, às vezes, ficar atemorizados com sua situação post-mortem.

5. Que é preciso para que o corpo ovoide retorne à sua condição normal?

R.: O corpo espiritual em forma ovoide somente poderá retornar à sua condição normal por meio da reencarnação, que funciona, assim, como uma espécie de cirurgia reparadora, tal como se dá nos casos de lesões cerebrais decorrentes de atos suicidas.


Thiago Bernanrdes

Bibliografia:

  • O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, questões 371 a 378.
  • Libertação, de André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier, cap. VII.
  • Nos Bastidores da Obsessão, de Manoel Philomeno de Miranda, psicografado por Divaldo P. Franco, p. 30.
  • Obsessão/Desobsessão, de Suely Caldas Schubert, pp. 65, 66, 82 e 83.

05 fevereiro 2020

A Vela ou o Vento? - Sidney Fernandes



A VELA OU O VENTO?


O que faz andar o barco não é a vela enfunada, mas o vento que não se vê. Platão

Perde-se na noite dos tempos o instante em que o homem começou a se relacionar com os mortos. Há inúmeros casos na Bíblia em que vemos o homem às voltas com seres espirituais. Uma das passagens mais belas do velho testamento é a de Tobit e seu filho Tobias.

Decidido a cobrar dívida antiga, Tobit pensou em seu filho para executar essa missão. Inspirado, recomendou:

— Meu filho, procura na cidade um homem bom e honrado que te possa conduzir.

Tobias encontrou um homem de belo aspecto que poderia guiá-lo. E a viagem correu às mil maravilhas. Somente muito mais tarde todos descobriram que aquele guia venerável era um anjo enviado por Deus para guiar e proteger aquela família abençoada.

***

A evocação do Profeta Samuel, feita pelo Rei Saul, por intermédio da pitonisa de En-dor; o contato de Jesus com Moisés e Elias, no Monte Tabor, tendo por testemunhas os apóstolos Pedro, João e Tiago; e o encontro de Saulo de Tarso, com Jesus, na estrada de Damasco, que o transformou no gigante divulgador do Evangelho, são alguns dos milhares de exemplos registrados pela história da humanidade sobre o estreito e constante contato do homem com os desencarnados.

Essa estreita convivência com os espíritos, no entanto, estimulou os homens a consultá-los, a princípio, a respeito de questões sentimentais ou relacionadas com a saúde e, depois, a respeito de praticamente tudo.

Nós, espíritas, temos que admitir a existência de abusos e exageros, ao atribuir tudo o que acontece aos desencarnados ou ao evocá-los todo instante para resolverem questões de nossa competência e obrigação, justificando-nos com a expressão de que nos influenciam muito mais do que supomos[1].

A bem da verdade, místicos desinformados ainda continuam vendo, como diria minha avó Duzolina, pelo em ovo e fantasmas em atos meramente corriqueiros do nosso dia-a-dia.

— Se a tua louça se quebra, é mais por desazo teu do que por culpa dos Espíritos, dizem os espíritos na questão 530, puxando-nos as orelhas e chamando-nos de volta à realidade. É clássica a narrativa de Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns[2], ao descrever as queixas de um fazendeiro, que atribuía aos desencarnados as doenças e mortes de seus rebanhos.

— A mortalidade ou a doença dos animais desse homem provém do fato de suas estrebarias estarem infectadas e de ele não fazer nada para as reparar, pois isso custa dinheiro — foi a resposta obtida dos guias espirituais.

É preciso muito cuidado e bom senso a fim de evitarmos atribuir à ação dos espíritos todos os acontecimentos desagradáveis de nossa vida, geralmente oriundos de nossa desatenção ou de nossa imprevidência.

Convém lembrar, todavia, que o vento que não se ouve — isto é, os espíritos — pode, efetivamente, influir em nossas vidas. Clássica também é a passagem descrita por Allan Kardec[3] de irmãs que moravam juntas e, durante muitos anos, encontravam suas roupas espalhadas, rasgadas e cortadas em pedaços.

— Seria obra do diabo, conforme insinuavam autoridades religiosas da época. Porém, o conselho de um espírito superior esclareceu totalmente o assunto, ao recomendar que aquelas damas deveriam orar para seus espíritos superiores e praticar a caridade para se livrarem daquelas perseguições.

— Não digo a caridade que dá e distribui, mas a caridade da língua. Infelizmente, elas não sabem dominar a sua e não justificam, com atos piedosos, o desejo que têm de se verem livres do que as atormenta.

***

— Os Espíritos maus farejam as chagas da alma, como as moscas farejam as chagas do corpo[4] — assim sintetiza Allan Kardec a influência dos desencarnados.

*** 

 A vela ou o vento? Valorizemos a vela. A vida é preciosa, assim como é o nosso corpo, que Deus nos deu de presente para a evolução, na presente vida material. Daqui a pouco, no entanto, seremos como o vento, invisíveis, em nossa condição definitiva de vida.


Sidney Fernandes


[1] Questão 459, de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.

[2] Item 253, de O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec.

[3] Item 89, de O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec.

[4] Coletânea de preces espíritas, item 16, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec.

04 fevereiro 2020

Eles não sabem - Orson Peter Carrara



ELES NÃO SABEM


Sim, realmente eles não sabem. E muita gente, inclusive médiuns e dirigentes despreparados sem conhecimento, também se enquadram nessa situação de não saber. O fato de um espírito estar desencarnado não significa, em absoluto, que ele tem conhecimento de tudo. Muitos espíritos ignoram inclusive que já partiram desta vida material. Portanto, as comunicações vindas do plano espiritual via médiuns devem passar pelo crivo da razão e do bom senso antes de serem aceitas como verdade ou para serem divulgadas.

Isso também porque os médiuns igualmente podem estar iludidos e também fraudar. O espírito pode estar equivocado, o médium pode se enganar ou enganar propositalmente para impressionar e ambos podem criar uma situação constrangedora dentro de uma falsidade construída.

Espírito não sabe tudo, não tem informação à queima-roupa. E Espírito evoluído não fica respondendo perguntas fúteis. Perguntas frívolas são respondidas por espíritos frívolos e nem um pouco comprometidos com o bem das pessoas. E na mesma situação se encontram muitos médiuns, interessados em fraudar para impressionar ou conquistar autopromoção. E, infelizmente, isso também acontece com presidentes ou dirigentes de supostos centros espíritas que se colocam na condição de resolver todos os casos, num pedestal de vaidade e falsa humildade, colocando-se como pretensos orientadores, esquecidos que todos precisamos sim de orientação, que pode ser conquistada no estudo continuado e perseverante dos postulados espíritas, para não ficarmos por aí inventando à moda da casa.

Cuidado, pois, como informações vindas de médiuns. Especialmente aquelas que fazem revelações bombásticas, que fixam datas, que preveem futuro ou citam acompanhamentos sombrios ou indesejáveis, ou mesmo revelam o passado. Cuidado! Muito cuidado. Os bons e sábios espíritos são discretos e jamais semeiam medo, censura, críticas ou se colocam como reveladores. Eles, os autênticos benfeitores, respeitam a vida e a liberdade das pessoas e jamais surgem como amedrontadores ou ameaçadores nas situações do cotidiano, jamais semeiam dúvidas. Não fazem prognósticos nem ficam atendendo desejos de curiosidades, não ordenam diretrizes, mas sim respeitam nossa liberdade de ação.

Eles se comunicam? Claro que sim, mas são sempre discretos, não se preocupam com nomes e nas orientações que fazem, são sutis, sem alarde. Até porque as orientações estão fartas nos livros e pequenas mensagens avulsas, sempre à disposição.

Não precisamos ficar consultando espíritos a toda hora. Eles têm mais o que fazer, e nós já sabemos quais os caminhos do equilíbrio. Basta confiarmos em Deus e agirmos no bem, até porque não existe nenhuma pessoa que esteja desemparada. Todos somos muito amparados pela bondade anônima desses amigos espirituais.

Existem, é claro, espíritos com muito conhecimento, bondade e sabedoria, mas não ficam à nossa mercê, atendendo a toda hora nossos caprichos e indicando mediocridades ou disputando destaques. Não! Eles atuam de maneira contínua, serena, equilibrada, e trabalham muito, sempre a nosso favor. Estão sempre a nos ajudar e não precisam ficar se comunicando a todo instante para dizer que ali estão ou despertando curiosidades vazias.

Cuidado, muito cuidado, pois, com comunicações espirituais. Prudência e análise com as comunicações que vierem. Previsão de datas, indicação alarmante de acontecimentos, indicação de perseguições espirituais, semeaduras de medo e pavor, pedidos esdrúxulos e solicitações que não atendam ao mínimo de bom senso e razão (já imaginou o que cabe nessa expressão?), esqueça! Isso provém de mentes manipuladoras, inferiores, com intenções menos dignas. O que igualmente se aplica a médiuns e pretensos dirigentes, que, levianamente, se utilizam do adjetivo espírita em suas tarefas, sabe-se lá com quais objetivos.

Para saber o que seguir ou em quem confiar, analise antes se o bem é o que prevalece, ou se há outros interesses. Em havendo, esqueça! Mas para isso, estude o Espiritismo, você estará equipado para não se deixar enganar.

Para entender bem tudo isso, busque o capítulo 20 – Influência moral do médium – de O Livro dos Médiuns, de preciosas orientações. Dentre elas, essa preciosa pérola do item 230 no mesmo capítulo: “(...) vale mais repelir dez verdades do que admitir uma só mentira. (...)”.

Somos todos aprendizes, todos com parcelas bem miúdas da verdade, necessitados de humildade e respeito uns aos outros. Inclusive médiuns e espíritos, todos filhos de Deus no gigantesco processo de aprendizado e amadurecimento adquiridos nas experiências de vida.

Orson Peter Carrara

03 fevereiro 2020

A casa vazia - Hugo Lapa



A CASA VAZIA


Um homem procurou um grande mestre para lhe fazer uma pergunta, visando melhorar a si mesmo. Ele disse:

– Mestre, gostaria de me tornar uma pessoa equilibrada, que não se abala com coisa alguma. O que posso fazer para atingir esse estado em que nada me abala?

O mestre respondeu:

– Antes de te responder, quero te pedir uma coisa. Vá até a minha casa, que fica no alto dessa montanha, pegue tudo o que estiver dentro dela, e traga para cá.

O homem não entendeu o pedido do mestre, mas fez o que ele pediu. Subiu no alto da montanha e entrou na casa do mestre.

Assim que cruzou a porta de entrada, viu que a residência do mestre estava totalmente vazia. Não haviam móveis, roupas, artigos de limpeza, de higiene, livros, nem coisa alguma. Havia apenas o espaço vazio.

O homem então desceu a montanha e foi falar com o mestre, dizendo:

– Senhor, fui até a sua casa, mas não havia nada lá dentro. Por isso não pude retirar nada de sua casa, como me pediu. Mas não entendo…

O mestre disse:

– Preste atenção: Assim é o homem equilibrado, que não se abala com nada. Ele não deve possuir coisa alguma que possa lhe ser retirado, suprimido, roubado ou destruído pelos homens ou pelo tempo. O homem equilibrado não deve se identificar com coisa alguma, pois no momento em que se identifica, ele passa a pertencer àquilo, e isso pode lhe ser tirado. Se ele se identifica como um homem de negócios, ele pode deixar de ser; se ele se identifica com sua riqueza, pode perder sua fortuna; se ele se identifica com sua intelectualidade, pode ficar velho e esquecer tudo o que aprendeu; se ele se enxerga como um homem bom, pode sofrer quando cometer um erro e descobrir que não era tão bom como se julgava. Mas o homem que não se identifica com coisa alguma, apenas com Deus, ele é vazio de identidades, tal como a casa vazia onde nada pode ser tirado ou destruído. Da mesma forma que não se pode roubar uma casa que nada contém, ninguém pode desequilibrar ou abalar um homem que com nada se identifica.

Ninguém pode tirar a paz de alguém cuja paz em coisa alguma se sustenta.


Hugo Lapa

02 fevereiro 2020

Para Evoluir é Necessário Sofrer?



PARA EVOLUIR É NECESSÁRIO SOFRER?


As religiões classificam a Terra como um lugar de degredo, de expiação.

Marcados pelo pecado original, arrastamo-nos pela vida, e sacerdotes e ministros das diversas igrejas afirmam ter os meios de alcançar a salvação para o outro mundo, mas às vezes, com a promessa de uma boa cota de felicidade, ainda para esse mundo.

Por outro lado, são muitas as pessoas que ensinam que se pode ser feliz, desde que se queira, bastando pensar positivamente. O pensamento positivo ajuda bastante, contudo, não é o suficiente.

Carregando a culpa de um pecado original, e da fragilidade humana, acrescida por um “deicídio”, ou seja, o assassinato de Deus, pois segundo a teologia cristã, Jesus de Nazaré foi a encarnação de Deus na Terra, ficamos sujeitos a mil sofrimentos, desnecessários, por incapacidade de vencer os condicionamentos com os quais reencarnamos, e que introjetaram em nossa mente desde os primeiros dias da nossa vida aqui na Terra.

Que bom seria se pudéssemos esvaziar a nossa mente de tudo que ali colocaram, desde que éramos pequeninos, e selecionarmos aquilo que seja realmente útil para a nossa evolução.

Numa linguagem de hoje, precisaríamos deletar os arquivos inúteis, selecionar e criar novos arquivos, usando um bom antivírus, como o conhecimento espírita, para evitarmos a perda ou distorção do aprendizado.

Os espíritos disseram a Allan Kardec, que a felicidade completa, ou permanente, aqui na Terra, é impossível, mas pode-se ter momentos felizes. No entanto os momentos felizes, quando se tem sensibilidade, fraternidade, é empanado pela dor de ver o sofrimento do próximo.

Nossas vitórias quase sempre equivalem a derrota de outrem.

Um exemplo simples é uma partida de futebol, basquete ou qualquer jogo esportivo. Enquanto uma torcida delira com a vitória, a outra amarga a derrota.

Para cada cidadão que consegue um título universitário, existem milhares de analfabetos ou cidadãos de segunda classe, que mal aprenderam a escrever o próprio nome.

Quantas vezes, alguém está saudável, forte, pleno de alegria, mas tem em sua própria família, um ente querido doente, paralisado, canceroso, mentalmente obnubilado.

Talvez poucos, ao degustarem um prato sofisticado, caríssimo, com nome estrangeiro complicado, feitos por cozinheiros famosos em elegantes restaurantes se lembram de que existem milhões de pessoas no mundo, e muitas ali por perto, que não comem o suficiente para manter as energias, ou simplesmente não comem.

Não prezado leitor, esse artigo não é a exaltação do pessimismo. É apenas uma chamada à consciência, um exame do gozar e sofrer, da felicidade e da infelicidade.

O que queremos dizer é que precisamos ser fraternos, e aplicar aquilo que os espíritos codificadores disseram a Kardec:

“Do supérfluo dos ricos, muitos pobres se sustentariam”.

Mas as riquezas não são apenas valores amoedadados, mas também, fé, compreensão, amizade, amor, inteligência.

Nascemos para sofrer?

Estamos sujeitos ao pecado original?

Afinal, é possível ser feliz aqui na Terra?

Estamos aqui para pagar nossos débitos perante as leis divinas?

Somos réprobos neste mundo que foi classificado como penitenciária e hospital?

Cada uma dessas perguntas suscitariam páginas e mais páginas para análises e respostas. Em síntese, responderíamos que não nascemos para sofrer, mas sofremos! Sofremos porque o nosso mundo é imperfeito.

Nós somos imperfeitos. Sofremos porque erramos, mas erramos porque somos ainda ignorantes e temos pouca evolução.

As desigualdades são aumentadas pela falta de solidariedade, fraternidade, e pelo império do egoísmo.

A Doutrina Espírita ensina que Deus nos criou simples e ignorantes, e determinou, por meio das suas leis, que o nosso desenvolvimento se faça através de vidas sucessivas em mundos materiais.

Logicamente esses mundos obedecem a uma escala evolutiva: mundos primitivos para espíritos primitivos.

Mundos angelicais para espíritos angélicos. Mas todos começaram pelo primitivo. Entretanto, porque Deus quis que fosse assim, ninguém poderá responder.

Porém, prezado leitor, o que queremos dizer realmente nesse artigo, é que a dor, em qualquer uma das suas formas, tem uma mensagem para nós. Decodificar essa mensagem é tarefa de cada um. Talvez possamos decodificar aquilo que é comum em todas elas:

Evolua!

Cresça!

Ame incondicionalmente!

Confie na providência divina!

Partilhe a sua felicidade, os seus momentos felizes com o seu próximo.

Examine o seu patrimônio moral, seu patrimônio intelectual, os seus direitos adquiridos, e ensine todos a conquistá-los.

Podemos dizer que Deus não castiga, se entendermos as dores do mundo como lições preciosas, aprendizado.

Precisamos compreender que a vida num corpo físico é muito importante e devemos valorizá-la, devemos amar e respeitar esse corpo e não culpá-lo pelos nossos deslizes, pois quem pensa, ama e sente é o espírito imortal, e não a matéria.

Se você está passando por grandes sofrimentos, não se revolte, nem desanime. Não se julgue, também, um grande pecador, mas alguém que batalha para evoluir.

O peixe, ao lutar para fugir da rede, perde muitas escamas. Portanto, a rede do sofrimento que te aprisiona, não exigirá menores perdas, mas valerá a pena.

E como valerá a pena, quando compreendermos o que disse o Rabi Nazareno:

Conhecereis a verdade e ela vos libertará.


Amilcar Del Chiaro Filho.

01 fevereiro 2020

Os Sinais de Alerta da Depressão - Milton Artur Ruiz



OS SINAIS DE ALERTA DA DEPRESSÃO


A depressão é uma doença substancial e potencialmente séria pelo dano que pode causar aos pacientes. Ela modifica o comportamento, o humor e o estado emocional dos portadores da anomalia. Algumas manifestações podem indicar que a pessoa está depressiva e com ajuda de um especialista o paciente na maioria das vezes poderá ter a sua saúde de volta.

As manifestações da depressão hoje já estão bem determinadas. Uma recente pesquisa da Universidade de Illinois, Chicago - Estados Unidos, veio corroborar e ressaltar o que já se sabia sobre a depressão O estudo, publicado no International Journal of Psychiatric in Medicine em uma casuística significativa observou que 16% dos envolvidos apresentavam sinais claros de depressão.

Os sintomas presentes mais de 90% dos acometidos foram: decepção com a própria pessoa, falta de estímulo para as atividades usuais, desespero, irritabilidade fácil e freqüente frente a problemas simples e corriqueiros, além da dificuldade de dormir ou de pegar no sono.

O estudo comprovou diferenças significativas nos sintomas em relação ao sexo. As mulheres apresentam mais decepção pessoal enquanto os homens relataram problemas localizados na área da falta de estímulo para a realização de atividades normais e em relação a dificuldade em dormir. Outro fato observado é desconhecimento global nos entrevistados em relação ao que é a depressão. A maioria das pessoas desconhecem também que podem ser ajudadas, o tratamento existe e que tanto pode ser medicamentoso ou não e que a doença é curável. Adicionalmente constatou-se que a maioria dos médicos não detecta ou não valoriza os sintomas presentes nos pacientes, precoces e que são preditivos da depressão.

O que é depressão?

A depressão é uma doença que acomete a pessoa, envolvendo seu corpo, temperamento, pensamentos e comportamento, afetando o modo de comer, dormir, na auto confiança, e na maneira de pensar sobre diversos assuntos O distúrbio depressivo não é a mesma coisa que estar num período de tristeza, é um sinal de fraqueza da pessoa ou uma condição que ela pode estar complacente ou mesmo estar sem vontade de fazer qualquer coisa Sem um tratamento adequado, o paciente pode ficar nesta condição por semanas, meses ou anos, sendo que o tratamento pode ajudar a minimizar o seu sofrimento.

São sintomas depressivos: o estado persistente de tristeza, ansiedade e mau humor; sentimentos de desespero; pessimismo; sentimento de culpa, de inutilidade e de incapacidade; perda de interesse e de prazer em executar os "hobbies" e atividades que antes eram prazerosas, incluindo o sexo; insônia, sonolência e despertar antecipado; apetite em demasia ou perda de peso; perda da energia, fadiga e ritmo lento; pensamentos de morte e suicídio; irritabilidade; dificuldade de concentração, tomar decisões e de lembrar coisas; sintomas físicos que não respondem ao medicamento, como dores de cabeça, doenças digestivas e dor crônica.

Os distúrbios depressivos podem vir em diferentes formas, assim como as outras doenças, como cardiopatias podem se associar ou desencadear a depressão. Existem vários tipos de depressão. A depressão típica é manifestada pela combinação de sintomas que interferem na capacidade de trabalho, dormir, comer e de se divertir. Os sintomas podem surgir uma, duas ou mais vezes na vida do paciente.

A doença distímica é uma depressão menos severa, que envolve sintomas crônicos que afetam a capacidade, mas a pessoa se mantém com um pouco de disposição É intermitente e de baixo grau, e invariavelmente a pessoa pode ter apresentado no passado um quadro típico de depressão Caso não tenha tido a chance de vir a ter esta aumentada.

A doença bipolar é um outro tipo de depressão, e formalmente é chamada de doença maníaco-depressiva Este tipo envolve ciclos de depressão e exaltação ou mania Muitas vezes, nestes casos, o humor da pessoa muda dramaticamente e de forma rápida Nos ciclos o paciente pode ter alguns ou todos os sintomas clássicos da depressão.

No que diz respeito às manias, estas afetam os pensamentos do paciente, julgamento e comportamento social, causam desconforto e sérios problemas. Por exemplo, decisões de negócios ou financeiras podem ser tomadas de forma errada, prejudicando a pessoa, pois ela não está em condições de fazer julgamentos corretos.

As causas da depressão são variadas. Alguns tipos podem ser herdados de familiares, já que estes têm uma vulnerabilidade biológica para a doença. Nestes casos, pode ocorrer uma doença bipolar Alguns estudos demonstraram que pessoas da mesma família apresentam este distúrbio.

A depressão típica também pode ter como causa a hereditariedade apesar de poder aparecer em pessoas que não apresentam histórico da doença na família. Hereditária ou não, a depressão é associada a certa falta ou exagero de componentes químicos.

O aspecto psicológico dos comprometidos também deve ser levado em consideração Pessoas que têm problemas de baixo auto-estima, ou que constantemente têm a visão do mundo e de si próprio com pessimismo, ou estejam sob forte pressão ou estressadas, tendem também a desenvolver depressão. Uma perda grande, uma doença séria, dificuldade no relacionamento e problemas financeiros ou uma mudança indesejada nos padrões de vida também pode desencadear a depressão. Normalmente, a combinação de fatores genéticos, psicológicos e episódios difíceis da vida envolvem as causas da doença.

O primeiro passo para o diagnóstico é a procura de ajuda para um tratamento adequado que compreenda uma completa avaliação psicológica e clínica do paciente, para determinar o grau e tipo da depressão.

Um diagnóstico de depressão deve incluir uma completa história desses sintomas, isto é, quando começaram a aparecer os sintomas, quanto tempo duraram, a severidade, antecedentes pessoais e familiares da doença.

Finalizando, é necessário vencer a barreira da vergonha, e procurar um especialista ou mesmo seu médico de confiança que, com certeza, saberá discernir sobre os sintomas e realizar o devido encaminhamento de uma doença freqüente dos nossos tempos.

Os cinco sinais freqüentes em pacientes com depressão:

- Decepção com a própria pessoa

- Falta de estímulo para fazer suas atividades normais

- Desespero

- Irritabilidade

- Dificuldade de dormir

A quem procurar ajuda quando se está com depressão:

- Médico da família

- Especialista em saúde mental, como psiquiatras, psicólogos e assistentes sociais

- Comunidade e centros de saúde mental

- Hospitais psiquiátricos

- Universidades ou faculdades que tenham programas de ajuda em saúde mental

- Ambulatórios e clínicas psiquiátricas

- Serviços de ajuda familiar

- Clínicas particulares ou estaduais

- Programas de assistência social

- Médicos locais ou sociedades de psiquiatria local

- Apoio religioso


Autor: Dr. Milton Artur Ruiz

A maioria dos Espíritos hesita e se sente Inseguro antes de Reencarnar - Regis Mesquita



A MAIORIA DOS ESPÍRITOS HESITA E SE SENTE INSEGURO ANTES DE REENCARNAR


A reencarnação é uma passagem radical, tal qual a morte. É natural que os espíritos sintam a insegurança e a hesitação tão comuns em momentos como estes.

O processo de encarnação é complexo e exige muito do espírito. As memórias, por exemplo: praticamente todas elas ficam inativas e dissociadas na encarnação. Só uma pequena parcela continua ativa. Ou seja, a encarnação é uma “redução” da vida do espírito.

Abaixo transcrevo um trecho interessante do livro Nascer Várias Vezes:

“Nem todo espírito parte rumo à encarnação satisfeito; aliás, a disposição do espírito frente à encarnação varia muito. A pesquisadora Helen Wambach conduziu a regressão de aproximadamente 1500 pessoas e montou um importante bancos de dados com estas informações. Em dois livros, “Recordando Vidas Passadas” (Editora Pensamento) e Life Before Life (Bantam Books), ela relatou as características das encarnações anteriores e a disposição do espírito para a reencarnação. Existiram aqueles espíritos que se sentiram sugados em direção ao feto, outros relataram temor, receio, angústia de seguirem rumo à nova encarnação. Alguns contaram que foram persuadidos a encarnar. Tiveram aqueles que tomaram as decisões por conta própria, outros relataram grande número diálogos e orientações. A maioria dos espíritos mostrou algum nível de hesitação para a reencarnação. Existem inclusive aqueles que encarnaram indo contra a orientação dos espíritos mais elevados. O que demonstra que mesmo no plano espiritual o livre arbítrio é considerado. Há também aqueles que não puderam escolher o retorno e foram compulsoriamente enviados. As situações são muito diversas”.

A passagem de desencarnado para encarnado é um desafio. O primeiro desafio é a mudança de consciência. “Perder” a consciência espiritual, e se vincular a um corpo em formação é um processo que exige disposição e coragem. Este processo de ligação e adaptação do espírito ao novo corpo é iminentemente energético. Assim como na morte, no renascimento o espírito não controla este processo de ligação energética. É como entrar em uma montanha russa, depois que o “carrinho” começa a andar a pessoa/espírito não pode fazer quase nada. O espírito faz parte do processo e não o controla; é um passageiro indo por caminhos que pouco dependem dele.

Neste processo, as memórias possuem uma importância especial. Explicando: após a fecundação do óvulo, o processo de encarnação do espírito dura anos. Uma boa imagem para explicar é esta: a encarnação é a tentativa de fazer com que uma parte significativa de um elefante caiba em uma caixa de fósforo. A caixa de fósforo são o corpo físico e o campo “magnético” que o envolve. Este corpo incorpora partes do “elefante”. A maior parte fica de fora. O elefante é o espírito, com milhões de anos de experiências, vivências e memórias. A encarnação é, portanto, uma restrição da vida do espírito. Esta restrição acontece porque cada espírito encarna com objetivos evolutivos restritos; jamais alguém conseguiria evoluir tudo de uma só vez. Dá-se o nome a estes objetivos de MISSÕES DE VIDA. Estas missões de vida são as prioridades evolutivas da vida que se inicia. Outros objetivos são deixados para serem resolvidos no plano espiritual ou em outras encarnações.

Reforçando: um espírito com milhares (ou milhões) de anos e uma quantidade enorme de memórias não pode encarnar “trazendo tudo para a vida na Terra”. Existe muita restrição. Esta restrição é, portanto, uma proteção. Resolve-se alguns problemas na vida encarnada e outros são deixados para encarnações futuras ou no plano espiritual. Esta proteção significa que a imensa maioria das memórias ficam dissociadas (inativas) na vida atual. A reencarnação é um novo recomeço; o espírito encarna trazendo alguns conteúdos de sua vida pregressa e deve usar a nova oportunidade para aprender a lidar com eles e superá-los.

Ao reencarnar, a imensa maioria dos conteúdos do espírito ficam dissociados – “inativos”. A pequena parte destes conteúdos que continua ativa é capaz de influenciar decisivamente a vida da pessoa. Todos os seres humanos nascem desprotegidos da ação destes conteúdos que permaneceram ativos. Estes conteúdos estão presentes na reencarnação por um motivo simples: eles são influenciadores e servem como direcionadores da vida da pessoa. Estes conteúdos ativos são a primeira influência sobre o feto, gerando sua personalidade e temperamento.

Concluindo: ao encarnar o espírito sente insegurança porque tem que mudar completamente a sua vida, passar por um processo de perda de controle, diminuição da consciência e enfrentar o desconhecido.


Regis Mesquita