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16 março 2021

Inspirações espirituais - Blog Espiritismo na Rede


INSPIRAÇÕES ESPIRITUAIS

Ninguém avança pela estrada do progresso espiritual sem o auxílio de Deus.

Muitas vezes esse auxílio nos é oferecido por intermédio dos nobres Espíritos que se transformaram em guias da Humanidade.

Esses operosos servidores do bem estão sempre próximos de todos aqueles que lhes rogam ajuda ou que, por meio da oração e dos pensamentos elevados, sintonizam com suas presenças.

São conhecedores de algumas ocorrências que estão delineadas nas existências de seus pupilos e dos desafios que os mesmos devem vivenciar.

Por isso, inspiram-nos e guiam-nos pelo caminho mais apropriado para o sucesso, ou advertem-nos dos perigos iminentes que os espreitam.

Através dessa inspiração é que ocorre o pressentimento.

Ele é uma maneira eficaz da criatura parar e reflexionar em torno do que deve realizar e de como conduzir-se, contornando as dificuldades e avançando sem receio pela trilha do progresso.

No entanto, caso o ser se deixe levar por atitudes equivocadas e rebeldes, não será capaz de se manter em sintonia com os Espíritos superiores.

Em virtude das suas opções mentais e comportamentais, ele estará sob a influência de Espíritos infelizes.

Esses, hábeis na técnica de transmitir ideias deprimentes e de conteúdos perturbadores, atormentam e iludem os imprevidentes.

E, quando as entidades venerandas buscam de alguma forma orientá-los, esses, pela falta de hábito de assimilar-lhes as nobres ideias, recusam-nas, voltando às mesmas paisagens mentais que os infelicitam.

Os pressentimentos, desse modo, devem ser analisados com cautela, avaliando-se qual a sua origem e de que tipo de mensagem são portadores.

Afinal, podem ser valiosas orientações a afastar-nos do mal, ou maléficas sugestões a impelir-nos ao equívoco.

Cabe-nos o uso do discernimento para avaliar com imparcialidade nossa conduta usual e a natureza da influência que recebemos.

Há, ainda, a possibilidade de que os pressentimentos sejam ideias do próprio ser, que voltam à tela mental na forma de intuição, mas que nada mais são do que recordações de compromissos anteriormente assumidos.

Ressurgem do inconsciente pessoal como eficiente maneira de conduzir o ser ao reequilíbrio e, assim, evitar novos tropeços.

Os pressentimentos são fenômenos que muito podem contribuir para a felicidade das criaturas.

No entanto, quando negativos ou ameaçadores, devem nos servir de motivo para que nos entreguemos à prece e a elevados pensamentos.

Alterando, assim, nossa faixa vibratória, seremos capazes de nos afastar de influências funestas e infelizes e, por consequência, receber a orientação benfazeja da Espiritualidade superior.

Allan Kardec, o Codificador da Doutrina Espírita, indagou, certa ocasião, aos Espíritos superiores a respeito da influência dos Espíritos nos pensamentos e nos atos dos seres encarnados.

Foi-lhe respondido que essa influência é muito maior do que se poderia imaginar.

Influem a tal ponto que, de ordinário, são eles que vos dirigem – consta na resposta à questão número 459 de O livro dos Espíritos.

Ora, cientes de que tal influência é usual e intensa, cabe-nos aprender a distinguir nossos próprios pensamentos daqueles que nos são sugeridos.

Além disso, devemos ter em mente que os bons Espíritos sempre nos aconselham para o bem.

Os Espíritos infelizes, porém, são incapazes disso.

Resta-nos, portanto, usar o bom senso para fazermos tal diferenciação e nos valermos apenas das orientações que nos possam levar ao caminho do bem e da verdade.

Redação do Blog espiritismo Na Rede , com base no cap.13, do livro Lições para a felicidade, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL e no cap. IX, pt. 2, de O livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed. FEB.

15 março 2021

Pandemia e suicídio de mulheres no Japão - Espiristimo Comentado

 
PANDEMIA E SUICÍDIO DE MULHERES NO JAPÃO


*O jornal Estado de São Paulo publicou hoje uma matéria sobre o aumento de suicídios de mulheres no Japão, durante a pandemia. Foi uma alta de 15% em 2020, com relação ao ano anterior.
 
As relações de trabalho no Japão vêm mudando, mas ainda espelhariam a ideia de que o salário do marido sustenta a família e o salário da mulher é exclusivamente para ela. Como resultado, é usual que o vínculo do trabalho feminino seja mais precário (meio horário, por exemplo), a remuneração menor (nos anos 90, era legal pagar menos para uma mulher que para um homem que ocupasse o mesmo cargo) e as mulheres ocupam postos de trabalho mais precários que os homens. Em outras palavras, as relações de trabalho no Japão espelhavam uma sociedade na qual a mulher adulta era criada para o casamento.

Outra característica que estudamos na nossa dissertação de mestrado é o papel exacerbado da vergonha da cultura japonesa. Não corresponder às expectativas, pode gerar muito sofrimento no Japão. Vez por outra vemos notícias de autoridades japonesas descobertas praticando corrupção, seguido de autoextermínio.

Mais uma característica do povo japonês destacado pelo autor da matéria é o estoicismo, ou seja, o enfrentamento das dificuldades com tentativa de imperturbabilidade e uma aceitação resignada do que é visto como destino. Como consequência, os quadros de transtorno mental, sem tratamento, se agravam.

Uma última característica cultural que complica ainda mais a situação: "infelizmente a tendência atual é culpar a vítima", afirma uma professora de ciência política, Michiko Ueda.

Some-se a essa cultura os problemas da pandemia. Com o isolamento social, muitos negócios demitiram ou fecharam, e as mulheres sofreram mais o desemprego, seja porque tinham vínculos mais frágeis de trabalho (trabalho temporário ou de meio horário), seja porque trabalhavam em segmentos da economia muito atingidos, "como restaurantes, bares e hotéis".

Algumas mulheres ficaram, então, sozinhas em casa, como mostram no artigo. Solidão, culpa, desesperança juntos, além de uma concepção de suicídio como saída honrosa, estão todos associados ao aumento do suicídio feminino na pandemia.

Por que estou escrevendo sobre o suicídio feminino no Japão em um blog sobre espiritismo? Inicialmente porque podemos orar por elas. Aprendemos com Yvonne Pereira a importância da prece para o suicida.

Outra razão, é refletirmos sobre as pessoas que estão sozinhas e especialmente muitos espíritas que adotam uma posição estóica e não aceitam ajuda psicológica e psiquiátrica, acreditando, ingenuamente, que bastam os recursos do centro espírita para lidar com o sofrimento psíquico. Os passes e as reuniões são realmente úteis, assim como a relação de proximidade que nós espíritas estabelecemos entre nós, mas, na pandemia, e os centros espíritas respeitando as políticas de isolamento social, muitos desses recursos não ficaram acessíveis, principalmente aos grupos de risco.

Precisamos, então, usar dos recursos à distância nas casas espíritas, como muitas têm feito, e incentivar as pessoas a buscaram auxílio psicológico ou psiquiátrico quando começam a apresentar a ideação suicida (imaginar como suicidarem-se) e queixarem de não "dar conta" do peso dos conflitos em casa ou da solidão. O acolhimento fraterno das casas espíritas pode ser realizado por telefone, por exemplo. A prece direcionada às pessoas em sofrimento também pode ser feita. As reuniões mediúnicas, como já o dissemos antes, mesmo que reduzidas a encontro, prece, estudo e irradiação, empregando aplicativos, podem ser mantidas. Palestras ao vivo ("lives") com participação dos que assistem, mesmo que apenas através dos "chats", são um recurso importante contra a rotina e a solidão.

Faço um apelo para que os espíritas japoneses pensem em alguma forma de auxiliar os que se encontram sozinhos, presos em casa, em seu país. Muito pouco pode fazer a diferença entre suicídio e sobrevivência.

Precisamos também aceitar que somos frágeis, não somos "completistas", nem superiores aos nossos irmãos que apresentam outras crenças, e que podemos necessitar de "ajuda psi" para lidar com situações que nos tiram de nossa "zona de conforto"

Meditemos sobre o que está ao nosso alcance e o que podemos fazer, além de aceitar nossas fragilidades e jamais evitar buscar ajuda profissional ou não quando necessário.

14 março 2021

Dentro do Lar - Joanna de Ângelis


DENTRO DO LAR

Famílias-problemas!...

Irmãos que se antagonizam...

Animosidades entre filho e pai, farpas de ódios entre filha e mãe....

Afetos conjugais que se desmantelam em caudais de torvas acrimônias...

Sorrisos filiais que se transfiguram em rictos de idiossincrasias e vinditas...

Tempestades verbais em discussões extemporâneas...

Agressões infelizes de conseqüências fatais...

Tragédias nas paredes estreitas das famílias...

Enfermidades rigorosas sob látegos de impiedosa maldade...

Mãos envelhecidas sob tormentos de filhos dominados por ódios inomináveis.

Pais enfermos açoitados por filhas obsidiadas, em conúbios satânicos de reações violentas em cadeia de ira...

Irmãos dependentes sofrendo agressões e recebendo amargos pães, fabricados com vinagre e fel de queixa e recriminações...

Famílias em guerras tiranizantes, famílias-problemas!...

* * *

É da Lei Divina que o infrator renasça ligado a infração que o caracteriza.

A justiça celeste estabeleceu que a sementeira tem caráter espontâneo, mas a colheita tem impositivo de obrigatoriedade.

O esposo negligente de ontem, hoje recebe no lar a antiga companheira nas vestes de filha ingrata e maldizente.

A nubente atormentada, que no passado desrespeitou o lar, acolhe nos braços, no presente, o esposo traído, vestindo as roupas de filho insidioso e cruel. O companheiro do pretérito culposo se reivincula pela consangüinidade à vítima, desesperada, reencontrando-a em casa como irmão impenitente e odioso.

O braço açoitador se imobiliza sob vergastadas da loucura encarcerada nos trajos da família.

Desconsideração doutrora, desrespeito da atualidade.

Insânia gerando sandice, e criminalidade alimentando aversões.

Chacais produzindo chacais.

Lobos tombando em armadilha para lobos.

Cobradores reencarnados junto às dívidas, na província do instituto da família, dentro do lar.

* * *

Acende a claridade do Evangelho no lar e ama a tua família-problema, exercitando humildade e resignação.

Preserva a paciência, elaborando o curso de amor nos exercícios diários do silêncio entre os panos da piedade para os que te compartem o ninho doméstico, revivendo os dias idos com execrandas carantonhas, sorvendo azedumes e miasmas.

Não renasceste ali por circunstância anacrônica ou casual.

Não resides com uma família-problema por fator fortuito nem por engano dos Espíritos Egrégios.

Escolheste, antes do retorno ao veículo físico, aqueles que dividiriam contigo as aflições superlativas e os próprios desenganos.

Solicitaste a bênção da presença dos que te cercam em casa, para librares com segurança nos cimos para onde rumas.

Sem eles faltariam bases para os teus pés jornadeiros.

Sem exigência deles, não seria digno de compartilhar a vilegiatura espiritual com os Amorosos Guias que te esperam.

São eles, os parentes severos nos trajos de verdugos inclementes, a lição de paciência que necessitas viver, aprendendo a amar os difíceis de amor para te candidatares ao Amor que a todos ama.

A mensagem espírita, que agora rutila no teu Espírito transformando em farol de vivo amor e sabedoria, é o remédio-consolo para as tuas dores no lar, o antídoto e o tratado de armistício para o campo de batalha onde esgrimas com as armas da fé e da bondade, apaziguando, compreendendo, desculpando, confiando em horas e dias melhores para o futuro...

Apóia-te ao bastão da certeza reencarnacionista, aproveita o padecimento ultriz, ajuda os verdugos da tua harmonia, mas dá-lhes a luz do conhecimento espírita para que, também eles, os problemas em si mesmos, elucidem os próprios enigmas e dramas, rumando para experiências novas com o coração afervorado e o Espírito tranqüilo.

Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo P. Franco
Livro: Dimensões da Verdade - 52


13 março 2021

Doenças-castigo divino? - Américo Domingos Nunes Filho


 DOENÇAS-CASTIGO DIVINO?

No orbe terrestre, a dor é compulsória e abarca todos os seus habitantes. Por que tanto sofrimento, atingindo até mesmo os animais? Se somos seres gerados pelo incomensurável amor divino, não deveríamos ser atormentados, nem sujeitos a qualquer doença ou moléstia cruciante, o que pode gerar em muitas pessoas hesitação a respeito da certeza imanente da presença de um Ente Superior, Amor por excelência e Artífice da Vida.

Quando observamos a abóboda celestial, em um local bem alto e escuro, deparamo-nos com uma imagem majestosa e uma miríade de astros ressaltando a presença de um Arquiteto que transcende qualquer ponto de vista contrário, desde que se torna impossível imaginar todo o cosmos surgindo do nada. Realmente o acaso não pode presidir a qualquer obra. Então, deve haver alguma explicação para que haja tanta aflição, tendo-se o acertamento de que a Divindade está realmente presente como Autor da Criação.


O mal é decorrente de falta praticada na arena espiritual e punida na dimensão física?

Algumas correntes espiritualistas, jactanciosas, revelando mesmo uma apresentação presunçosa e arrogante, expõem conceitos hipotéticos, errôneos, fantasiosos, sem seriedade, desejando contaminar o manancial doutrinário espírita, e são totalmente repelidos pelos seus adeptos sinceros e atuantes. Alegam que, o sofrimento, encontrado em nosso mundo, é resultante de uma chamada “queda ou involução do espírito”, isto é, seres extrafísicos, criados e vivendo na dimensão espiritual, já se encontrando em estado glorioso de perfeição, rebelaram-se contra o seu criador, mesmo possuidores de alto desenvolvimento moral, e são jogados na Terra, sofrendo o processo punitivo da encarnação, em local escolhido para servir-lhes de prisão domiciliar.

Ensina a codificação kardeciana ser o “nascer de novo” um procedimento assaz natural e necessário para todas as criaturas recém-criadas (rebentos espirituais) – nunca utilizado como meio de penalidade divina. Portanto, segundo essas crendices fantasiosas, eminentemente elaborações mentais de seres espirituais ainda presos às funções clericais, tudo o que decorre para esses infelizes deserdados, denominados de “anjos decaídos”, como as doenças e enfermidades de qualquer natureza, são resultantes de castigo de Deus, penitenciando esses nossos irmãos de forma tão severa, sem qualquer demonstração ou manifestação afetuosa de um Deus definido, no Evangelho de Jesus, como “Amor” (2).

Em verdade, o que se conhece bem diferente, na Doutrina dos Espíritos, pela figura simbólica de “anjos decaídos”, é exatamente uma alegoria que, de forma didática, aponta para a migração de seres muito imperfeitos para planetas compatíveis com suas condições espirituais inferiores em momentos de transição planetária. Ao mesmo tempo, criaturas já adiantadas, em nível moral mais elevado, aqui permanecerão e outras semelhantes aportarão na Terra para o chamado estágio de Regeneração.

Importante consideração a ser divulgada está na questão 540 de O Livro dos Espíritos, com um erro de tradução gravíssimo, dando erroneamente guarida à hipótese dessa horripilante “queda dos anjos”, afirmando que o arcanjo encarnou sendo átomo, habitando um planeta destinado na criação dos mundos a ser um presídio, cuja matéria corporal seria o próprio ser degradado (“começou por ser átomo”). O texto certo: “Tudo serve, tudo se encadeia na natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, que também começou pelo átomo (matéria). O original francês é bem claro: “a commencé par l'atome”.

Em verdade, a Terra representa um abençoado recanto, criado e organizado por Jesus, cuja finalidade maior é a de ser uma escola onde aprendemos as primeiras letras do alfabeto cósmico, depois de passarmos pelos mundos primitivos que se constituíram em berçários divinos, amparando o princípio inteligente individualizado, na vestimenta corpórea, dando os seus primeiros passos em direção ao Infinito.

“Tudo se liga, tudo se encadeia no universo; tudo está submetido à grande e harmoniosa lei de unidade, desde a mais compacta materialidade até a mais pura espiritualidade” (3) e a tradução certa dá-nos conta de que o arcanjo começou pelo átomo (“par l’atome”), porquanto foi no átomo primitivo (matéria) que o princípio inteligente iniciou a sua caminhada evolutiva, frisando bem que o arcanjo, sendo um espírito puro, sequer poderia ser o próprio átomo e tampouco se transformar em átomo, exatamente na matéria que foi criada para ser o arraial considerável para o despertamento e exteriorização das potencialidades herdadas do Pai, no momento da criação do ser espiritual.

O Mestre aludiu a essa força interior divina, dizendo ser o “Reino de Deus dentro de nós”, exatamente “o germe ou princípio do bem”, explanado com grande felicidade na codificação kardeciana. O espírito, centelha divina aprimorada e individualizada, necessita da arena física (matéria), com sua resistência própria, para ressaltar e refletir de dentro de si a magnitude do templo do Espírito Santo, proveniente de Deus (4).


Bem clara a afirmativa espiritual superior:

“Já te dissemos: os espíritos foram criados simples e ignorantes. Deus deixa ao homem a escolha do caminho: tanto pior para ele se seguir o mal; sua peregrinação será mais longa. Se não existissem montanhas, não compreenderia o homem que se pode subir e descer, e se não existissem rochas, não compreenderia que há corpos duros. É necessário que o espírito adquira experiência, e para isso é necessário que ele conheça o bem e o mal; eis por que existe a união do espírito e do corpo” (5).

O texto é bem elucidativo e foi grifado propositalmente, porquanto põe em xeque as declarações a respeito do mal ser conhecido e praticado primeiramente por seres espirituais, contrariando às assertivas espíritas que relatam ser o mal experimentado a partir da primeira encarnação em mundos primitivos.

Outra discordância considerável é a de que esses seres permaneciam na dimensão espiritual sem terem reencarnado ainda, o que prontamente é inadmissível, sendo mais grave além de tudo a afirmação de as criaturas falidas serem espíritos puros, exatamente os que já criam mundos no universo.

Para a Doutrina Espírita, o mal somente é percebido, primeiramente, na arena física, em mundos primitivos, e é somente praticado pelos seres pela sua própria vontade (6). De forma alguma, há o imperativo de os espíritos passarem pela experiência do mal para chegarem ao bem. Muito pelo contrário, não há fatalidade na prática do mal, porquanto todos os espíritos passam pela fieira da ignorância (7) e a prova pela qual passam dá-lhes todo o mérito da resistência (8).

Em verdade, o mal não é enquadrado nas qualidades naturais da vida, sendo apenas a ausência do bem, assim como a escuridão é falta da luz. Se estivermos em pleno negrume, basta apenas um simples palito de fósforo aceso para afastar as trevas. Assim, da mesma forma, acontece quando doutrinas malsãs tentam acessar os mecanismos excelsos da abençoada Doutrina Consolador de Jesus, sendo prontamente repelidas e inseridas no local certo, que é o da obscuridade e do ostracismo.

A magnânima codificação kardeciana enfatiza e esclarece que “o homem não é um anjo decaído, a lamentar a perda de um paraíso imaginário, nem carrega pecado original algum que o estigmatize desde o berço” (9). Igualmente, afirma que “a encarnação não é, em absoluto, uma punição para o espírito, como qualquer um possa pensar, mas uma condição inerente à inferioridade do espírito e um meio de progredir” (10).

O insigne escritor e pesquisador Gabriel Delanne, de saudosa memória, em sintonia com a Doutrina que sempre amou e respeitou, reafirma que “longe de sermos criaturas angélicas, decaídas; longe de havermos habitado um paraíso imaginário, foi com imensa dificuldade que conquistamos o exercício de nossas faculdades, para vencer a natureza” (11).

Segundo o Espiritismo, em conformidade com a amorosa atuação da Paternidade Divina, os seres espirituais primitivos “não são criaturas degradadas, mas crianças que crescem” (12) e, com as incontáveis experiências na carne, os seres vão evoluindo e paulatinamente vão adquirindo, assim como os Bons Espíritos, a “predominância sobre a matéria” (13) e, no estado santificante de pureza, “percorreram todos os graus da escala e se despojaram de todas as impurezas da matéria” (14). Conforme asseverou Dom Bosco, proclamado santo em 1934: “O que somos é presente de Deus; no que nos transformamos é o nosso presente a Ele”.

A doença como acicate à evolução espiritual e física

A doença com todo o seu cortejo de dor e aflições é inerente aos habitantes de mundos inferiores como a Terra. Os animais, por exemplo, não possuem via moral, o sofrimento que sentem é estritamente físico. Quando estão sob o guante da dor, a sua consciência se expande, na mesma maneira quando se defrontam com sentimentos de amor, como os relacionados com os seus proprietários. Lembremo-nos que os nossos irmãos animais inferiores caminham paulatinamente para a faixa de humanidade e suas experiências, com o desenrolar das encarnações, vão ampliando-se, gradativamente, maturando e alcançando maior abrangência evolutiva.

Quanto aos seres humanos, a doença serve como acicate à evolução espiritual, apresentando um papel importante e essencial como lei de equilíbrio e educação. Todas as ações impetradas em equívocos refletem, em nossa intimidade espiritual, vincando o períspirito e são refletidas no corpo físico. Muitas doenças são recebidas como provas indispensáveis ao ser em determinada fase de sua evolução, assim como o desague das impurezas acumuladas na vestimenta astral são lançadas no corpo somático como força geradora das doenças de cunho expiatório.

A doença, com seu aparato doloroso, pode modificar o estado espiritual em minutos, o que talvez dependesse de muitas vivências reencarnatórias. Lembro-me, quando criança, de ter deparado com um assunto familiar de grande expressividade, pois o tio da minha mãe, comunista confesso e, praticante, acamado em decorrência de um câncer pulmonar, manifestou, para surpresa de todos os familiares presentes, o desejo de ser ouvido por um padre, o que deixou a todos perplexos, pelo motivo de ter sido até então um descrente confesso.

A dor, em decorrência de uma doença grave, foi o gatilho que lhe desencadeou a oportunidade redentora do contato com o transcendental em um momento tão importante para o seu espírito imortal. Todos os que estavam acompanhando seu calvário surpreenderam-se com sua mudança. Desencarnou em paz. O enterro transcorreu em clima de serenidade e de muita esperança.

O poeta mais conhecido da Antiga Roma, o célebre Horácio, deixou-nos a seguinte máxima: “A adversidade desperta em nós capacidade que, em circunstâncias favoráveis, teriam ficado adormecidas”. Realmente, a doença pode ter um importante papel de ser a força poderosa de modificar nossos pensamentos e propiciar indispensáveis modificações, com vistas ao nosso caminho evolutivo. A doença, portanto, representa meio de elevação, como diz a saudosa missionária evangélica americana, Lettie Cowman: “A provação vem, não só para testar o nosso valor, mas para aumentá-lo; o carvalho não é apenas testado, mas enrijecido pelas tempestades”.

Encerrando, trazemos o valoroso Léon Denis: “Suprimi a dor e suprimireis, ao mesmo tempo, o que é mais digno de admiração neste mundo, isto é, a coragem de suportá-la. Nada iguala o poder moral que daí provém” (15).

Não poderíamos deixar de acrescentar que todas as condições que levaram à dor, através das doenças, foram os grandes estimuladores do progresso vivenciado pela humanidade, devido aos esforços para fazer alguma coisa que exterminasse a dor e o sofrimento.

Que o Mestre de todos nós, o Amado Jesus, irradie sobre todos os leitores do conceituado Jornal Espírita suas bênçãos de paz, saúde e refazimento espiritual.
 
Américo Domingos Nunes Filho 

Bibliografia


1- A Gênese, XIV: 12; 
2- Primeira Epístola de João, IV:8; 
3- A Gênese, XIV: 12; 
4- Primeira Epístola aos Coríntios, VI:19; 
5- O Livro dos Espíritos, Q. 634; 
6- Ibidem, Q. 470. 
7- Ibidem, Q. 120; 
8- Ibidem, Q. 871; 
9- A Gênese, XI-67; 
10- Ibidem, XI-25; 
11-A Evolução Anímica, III; 
12- OESE, III-8;
13- O Livro dos Espíritos, Q. 107; 
14- Ibidem, Q. 113; 
15- O Problema do Ser, do Destino e da Dor

12 março 2021

Ações que tememos adotar, reações que enfrentaremos se não as tivermos - Adriana Machado

 

AÇÕES QUE TEMEMOS ADOTAR, REAÇÕES QUE ENFRENTAREMOS SE NÃO TIVERMOS


Todos os dias estamos à mercê de vivenciarmos experiências que nos levarão a reagir. Reagir segundo a nossa forma de enxergarmos serem elas boas ou não tão boas; reagir segundo o nosso desejo e visão de vivenciarmos ou não os resultados de tais experiências.

Na maioria das vezes, experimentamos rotinas que não nos incomodam e firmam as nossas convicções diariamente. Quando, porém, passamos por algumas experiências que nos transtornam, que nos incomodam, que nos tiram de nosso prumo, necessitamos agir mais veementemente para resolvermos tal embaraço, e nem sempre queremos ou conseguimos fazê-lo de pronto.

São essas vivências que nos levam a nos conhecer mais interiormente, porque para as enfrentarmos precisaremos lidar com muitas emoções e limites anteriormente construídos por nós mesmos para o nosso “não sofrer”.

Tomar tais medidas, enfrentar tais desconfortos, nos levam a ter que superar muitos medos, muitas mazelas internas que, na maioria das vezes, nem desejamos lembrar que tudo isso existe.

Quando ignoramos por muito tempo o que precisa ser trabalhado em nós, a vida nos levará a enfrentar tais aflições, seja “por bem” seja “por mal”. Daí que vemos como somos rebeldes! Não queremos enfrentar, tampouco queremos mudar o que parece estar tranquilo e em paz.

O ponto é que se a experiência nos chega, significa que esse estado de espírito não é mais real. Algo em nós já clama por mudanças e, nos fazendo de cegos e surdos, precisamos da vida como um microscópio eletrônico para nos mostrar o que já nos contaminou por inteiro.

Seja agindo diretamente conosco, seja com o próximo, a vida nos leva a enxergar aquilo que muitas vezes não queremos ver. Quantas vezes, nos deparamos com a necessidade de agir com o outro com mais rigor, impondo limites à sua atuação em nossa vida ou na dele própria (porque também nos influencia), e não conseguimos? O que nos impede? Cada caso é um caso. Muitos de nós tememos perder algo precioso que achamos ter construído com este alguém e se agirmos, o destruiremos. Um bom exemplo é de um pai que não consegue impor limites ao seu filho! Possivelmente, há nele um medo interno que, a cada vez que se coloca para agir, esse medo o impede de seguir adiante. Infelizmente, apesar de enxergar a necessidade, o seu temor fala mais alto e ele não age. Mas, o que pode ser tão importante que impede um pai de fazer aquilo que ele acha que é o certo para o seu filho? De novo, cada caso é um caso. Mas, hoje, muitos pais estão tendo uma relação de dependência com os seus filhos, onde aqueles necessitam do amor destes para sobreviver, esquecendo que estes precisam da orientação e segurança emocional de seus pais para superarem suas dificuldades também.

Tal atitude acontece a nível inconsciente, porque muitos resolveram afirmar para si que “não deixariam os seus filhos passarem pelo que eles passaram”. Isso leva tais pais a criarem justificativas deturpadas sobre o que os motiva a passarem a mão na cabeça de seus filhos que percebendo a insegurança deles (pais), os escravizarão à sua vontade infantil.

Assim também é conosco. Muitas serão as dificuldades para nos imputarmos mudanças de comportamento que nos fariam “sofrer” porque nos retirariam de nossa zona de conforto. Vendo-nos inseguros, seremos nós a nos escravizarmos a nossa vontade infantil de teimarmos em não sair do lugar, em não buscarmos novos rumos para um crescer mais amadurecido e sem sofrimento.

Infelizmente, na maioria das vezes, somente quando o estrago é feito que nos arrependeremos de não termos atendido àquela necessidade intuitiva que buzinava aos nossos ouvidos antes e que não desejamos ouvi-la por medo.

Mas, não nos permitamos ser pessimistas, porque podemos ainda estar meios cegos e surdos para algumas mudanças, mas já nos esforçamos para não temermos o novo e seguimos em frente, e a cada dia, estamos mais e mais amadurecidos e escolhendo caminhos menos dolorosos para trilhar.


Adriana Machado


11 março 2021

Lixo e casa mental - Nilton Moreira


LIXO E CASA MENTAL

Dependendo da cidade, o caminhão que recolhe os resíduos sólidos passa na frente de nossas residências algumas vezes por semana. É uma atividade essencial, pois afinal o que aconteceria se os resíduos ficassem armazenados por muito tempo na nossa morada?

É da vontade de todos nós que esse “lixo” saia da nossa volta possibilitando que ao nosso redor tudo fique limpo, com aspecto agradável a todos e isento de mau cheiro!

Analisando vemos que produzimos uma quantidade considerável de resíduos, é só olhar na frente de nossa casa e ver a quantidade que depositamos para que o transportador carregue, e se quisermos ter uma visão maior ainda, é só olhar o caminhão a cada fim de etapa, o qual sai de nossas cidades, abarrotado de resíduos sólidos.

Antigamente denominávamos de lixo e cisco os restos de sujeira que produzíamos em nossas residências, hoje denominados de resíduos sólidos, inclusive que rendem uma quantia volumosa a quem se dedica a explorar esse comércio.

Mas existe outro tipo de lixo, este que não é comercializado e que também é produzido por nós! É o chamado lixo mental.

O lixo mental é tudo aquilo que não presta e se origina do pensamento negativo ou maldoso que emitimos pela nossa mente. É algo tão volumoso e também contendo um mau cheiro que é notado por quem se acerca de nós.

Neste caso o caminhão que passa carregado é a nossa tela mental, a qual é notada por outras mentes. É algo invisível aos nossos olhos físicos, mas que através da aura de ambos quando estamos próximos se notam, e isso causa um mal estar a quem está com a mente leve. É por isso que ao chegarmos perto de determinadas pessoas, embora elas estejam com o corpo limpo, perfumado e bem vestidas, sentimos uma aversão. Vontade de sairmos de perto! É o mental dela que está carregado de lixo e exterioriza.

Jesus sempre dizia que pecamos até em pensamento, portanto quando estamos com pensamentos de baixo padrão vibratório vamos produzir lixo pesado. Também o sensitivo americano Edgar Cayce, disse certa ocasião que “somos aquilo que pensamos”. Então se estamos pensando em maldade, maledicência, falcatruas, vamos exteriorizar essa energia, embora nossa aparência possa ser das melhores.

Procuremos ter bons pensamentos, pois só assim produziremos pérolas por nossa mente e não será preciso nenhum caminhão passar por nossa casa mental, já que não encontrará nada de carga perniciosa.

Nilton Moreira
Coluna Estrada Iluminada
Fonte:
Espirit Book


10 março 2021

Ciúme – Orson Peter Carrara


CIÚME

Procuremos evitar o ciúme. Fragilidade humana de expressão, o ciúme é causador de intensos sofrimentos, tanto para quem o sente como para quem lhe experimenta os efeitos.

São inverídicas as justificativas de que o ciúme significa bem-querer, zelo, amor ou afeto. Em síntese, o ciúme representa apenas enorme insegurança moral, mascarada com expressões antipáticas. Quantas inimizades, separações de casais, rompimentos entre amigos, homicídios e mesmo suicídios não encontram inspiração e tiveram origem no ciúme doentio?

É preciso sempre ter em mente de que, no planeta, nada nem ninguém pertence a nós. Ninguém é propriedade de ninguém e o ciúme é mesmo, em si, uma grande tolice e se fosse suprimido dos relacionamentos, não faria falta alguma.

O importante é amar, valorizar pessoas e relacionamentos, estimular conquistas de crescimento intelecto-moral, dar importância aos amigos e realizar exercícios mentais que não nos deixe apegados a nada nem a ninguém, vacinando-nos contra esse veneno chamado ciúme. Afinal, basta refletir: ciúme e apego cegam…

Sim, o ciúme é algo terrível. Paralisa sentimentos, cega a pessoa, desperdiça oportunidade de felicidade e infelicita onde se faz presente, gerando mal estar no ambiente. Pensemos bem: para que serve o ciúme? Prender alguém ou algo? Prender alguém ao nosso limitado ponto de vista é sim perder-lhe a companhia e a convivência.

O amor autêntico não tem ciúmes, pois liberta. E libertando, mais o tem…

Basta pensar nas vezes que sentimos ciúme. Quanto mal estar, quanto sofrimento sem necessidade. Vez por outra é preciso se autoquestionar sobre o que nos faz sentir ciúmes. Em que situação ele ocorre? O que o provoca? È com alguma coisa, com determinada pessoa, com o sucesso dos outros? Que bobagem! Não estamos concorrendo. Estamos isto sim num gigantesco processo de crescimento e muito precisamos uns dos outros e podemos, com tranqüilidade, dispensar a inutilidade do ciúme, que só fazer perder tempo e sono… Deixemos a cada um o direito de ser como é.

Por nossa vez, tratemos de promover o próprio crescimento, envolvendo-nos igualmente com o crescimento alheio, e seremos muito mais serenos e tranquilos.


Orson Peter Carrara
Fonte:
Kardec Rio Preto
 

09 março 2021

Um novo normal - Divaldo Pereira Franco


UM NOVO NORMAL

Vivemos um período existencial caracterizado por comportamentos exóticos e agressivos sob muitos aspectos considerados.

Ao lado da pandemia exterminadora de Covid-19, há os impositivos de adaptação, a fim de evitarmos o contágio perigoso.

Padrões de conduta rigorosa nas linhas da higiene severa são impostos de forma a diminuir e mesmo evitar o contágio da peste, embora não levados em consideração, em face dos hábitos singulares de rebeldia das inumeráveis criaturas, acostumadas a comportar-se conforme melhor lhes apraz.

As recomendações de cuidados nos relacionamentos são desconsideradas, e os grupos renitentes prosseguem desafiadores.

No desespero que se estabelece, como mecanismo de fuga, surgem as condutas estranhas, alguns crimes recebendo legalidade e os blocos de desafiadores propondo um novo normal, mediante uma filosofia de negação do ético, assim como do moral, que faculta, aos instintos básicos, predominância. Tal reação desumaniza o indivíduo, que volve à condição primária da nudez agressiva, com toques exclusivamente sensuais, ao desrespeito à ordem, típico da ignorância e da brutalidade, não estabelecendo limites ao que denomina como liberdade, com total desrespeito ao direito do outro.

Tudo quanto anteriormente constituía dignidade, significava a identificação com valores de elevação e de compostura vem sendo derrubado, culminando em alienações e as agressões ao corpo, à emoção e à psique, é substituído pelo direito do prazer de cada cidadão viver conforme as suas aspirações.

Inevitavelmente, os exageros pelos cuidados com o corpo por grande parte da sociedade competem com o abandono a ele, dando lugar aos fantasmas que deambulam pelos antros infectos das drogas e do sexo pervertido.

As religiões são combatidas, tenazmente, em face dos males praticados por algumas delas no passado, e os seus líderes, fundadores e crentes são levados ao escárnio em situações deploráveis.

Numa análise perfunctória das civilizações, observamos que, antes da decadência de algumas que dominaram o mundo ou parte dele, antes de serem consumidas pelos desastres, viveram essas mesmas tragédias oriundas na decadência moral, sucumbindo sob a desordem.

Jesus Cristo propôs um novo normal, que oferecia paz e plenitude, mas que a sociedade inverteu nas suas imposições apaixonadas e vis, chegando-se a este resultado trágico. O fanatismo e o autoritarismo dos seus líderes mataram a beleza e a estrutura do amor que lhes serviam de alicerce.

Na atualidade, o Espiritismo ressuscita o Evangelho, e um novo normal restaura a esperança de existência feliz.

Divaldo Pereira Franco
Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 18/02/2021

08 março 2021

Pandemia - Dra Giselle Fachetti


PANDEMIA

Estive pensando, como estamos enfrentando essa crise causada por uma pandemia? Estamos inseguros e assustados? O que está acontecendo? Nunca vivemos algo parecido!

Na realidade a história da humanidade mostra que já vivemos sim, situações iguais e, até muito piores. Não como indivíduos, não na presente encarnação. Vivemos tais circunstâncias como seres espirituais eternos que já encarnaram diversas vezes na terra, por isso, devemos olhar para nosso passado esquecido e devemos procurar aprender com ele.

Não me refiro a complexos exercícios de regressão, refiro-me a explorarmos os relatos históricos, a visitarmos os arquivos sobre a história da humanidade. Voltemos aos tempos em que ainda éramos semisselvagens. A nossa segurança e sobrevivência dependeu da vida em bandos e mais tarde em aldeias. Depois, já civilizados, mas ainda na antiguidade, construímos grandes cidades, cujas grossas muralhas nos defendiam dos povos inimigos.

As pragas e epidemias são tão antigas quanto os primeiros agrupamentos humanos. A nossa necessidade de segurança nos expunha, paradoxalmente, a perigos que nossas muralhas não detinham. As causas das epidemias eram totalmente desconhecidas e seu manejo era apenas intuitivo e místico.

Os microrganismos não foram reconhecidos até meados do século XIX, antes supunha-se que as doenças epidêmicas eram transmitidas pelos odores e miasmas. Essa visão perdurou por toda a idade média e começou a cair com os trabalhos do pioneiro em epidemiologia, o médico londrino John Snow. Ele conseguiu não apenas demonstrar como a cólera era transmitida, mas também, conseguiu debelar uma epidemia devastadora quando identificou a fonte da contaminaçāo.

Assim, a ciência começou a nortear alguns processos de enfrentamento de epidemias e endemias que associados à imunização, surgida a partir dos trabalhos de Jenner no final do século XVIII, foram gradativamente controlando inúmeras doenças infectocontagiosas.

Ainda assim, em 1918, a gripe espanhola matou 50 milhões de pessoas entre os 2 bilhões de habitantes do planeta na época.

O manejo dessa epidemia foi bastante heterogêneo ao redor do mundo e, na maioria absoluta das vezes, bastante equivocado. Os conhecimentos de epidemiologia eram ainda incipientes e pouco difundidos. Tratava-se de infecção por H1N1, influenza, infectando populações desnutridas que foram tratadas em hospitais deficitários e superlotados.

Hoje enfrentamos uma pandemia pelo COVID-19, já deciframos o seu genoma, sabemos seu grau de letalidade e conhecemos bem sua forma de transmissão. As populações têm melhor nutrição, a informação é bastante acessível e atitudes profiláticas estão sendo relativamente uniformes e generalizadas.

A mobilização de todos nós é possível e, está ocorrendo. Os números em termos de mortalidade são assustadores, é fato! Estamos trancados em casa, muitos perderão seus empregos, muitos ficarão inadimplentes, milhares ainda adoecerāo.

No entanto, o conhecimento científico hoje disponível, as ações profiláticas baseadas na epidemiologia da nova virose e o empenho de todos e, de cada um, farão uma imensa diferença.

Se vivêssemos ainda nas condições de 1918, talvez a mortalidade da infecção pelo COVID-19 fosse ainda maior do que a que ocorreu então pelo H1N1. Um cálculo simples, se o mesmo índice de mortalidade daquela pandemia se aplicasse à atual pandemia que agora acomete um planeta habitado por cerca de 7 bilhões de pessoas, a infecção pelo COVID-19 levaria a mais de 170 milhões de óbitos.

Até agora, a altíssima mortalidade encontrada na China e Itália têm nos apavorado, entretanto, as mais pessimistas previsões parecem calcular perdas totais menores do que de 100.000 vidas.
Realmente vivemos uma tragédia! Só que esta tragédia jamais tomará as dimensões das vividas por nossos antepassados, porque hoje aplicamos o conhecimento científico já conquistado, porque hoje nos mobilizamos, nos informamos e nos conscientizamos.

Sejamos, portanto, gratos à evolução que Deus, nosso pai misericordioso, nos permitiu alcançar, para que pudéssemos enfrentar os desafios atuais com confiança no futuro e com enorme esperança! Roguemos a nosso Pai que, ao emergimos dessa crise, tenhamos aprendido as lições mais prementes, especialmente aquelas relativas à solidariedade, já que estaremos, neste momento, imperativamente irmanados na dor pelos que sofrem e pelos que porventura ainda venham a sofrer.

Dra. Giselli Fachetti
Fonte:
Medicina e Espiritualidade

07 março 2021

Supliciado - Joanna de Ângelis

 
SUPLICIADO

Depois de rude assédio que te comprime, ages desinteressados com as aspirações entanguidas.

O claro sol do ideal nubla-se quando, por fim, consignas a soledade que se espraia em tua volta.

A palavra-roteiro do eloquente expositor que te convidará à construção do Mundo Melhor perdeu a vitalidade, e ele mesmo caminha atônito, sem rumo.

O livro nobre que enfloresceu tua alma, adornando-a de luz, parece agora sem combustível ao constatares a realidade que espera aquele que ama.

As vidas-exemplos, que se constituíram lições de alento vivo, bruxuleiam em tua mente inquieta como se fossem lendas da infância, que a maturidade dos anos apaga com os chumaços de algodão do disssabor..

Os planos fascinantes com os quais trabalhavas a terra do coração para os empreendimentos da esperança, não mais acionam a maquinaria paralisada dos teus altos objetivos.

Experimentas convicção, que se acentua, de que a Terra se converte paulatinamente em presídio para alienados, vítimas da própria imprevidência.

Estás aturdido, sem qualquer estímulo para lutar.

* * *

Se o débil vegetal pudesse conjeturar, quando em semente, sobre as dificuldades a vencer, tais como: solo, intempéries, animais e homens, e resolvesse recuar, a vida estaria condenada desde o começo...

Se a gota de água temesse o oceano em que se consome, e se negasse a condensar-se, ignoraríamos a linfa que dessedenta...

Se a saúde considerasse os impedimentos do seu curso normal e fugisse, a vida humana seria impossível...

Se a flama tremeluzente temesse a ventania e se negasse a arder nos primeiros tempos, o homem estaria desprovido do progresso...

Se o amor se entibiasse diante das enfermidades do egoísmo, o caos voltaria treinar no turbilhão dos começos...

No entanto, o universo é resultado do átomo e a gotícula humilima é base para a vida.

No aparente vácuo que envolve os mundos e as distância, cantam as glórias divinas.

Tudo são chamamentos à ação, apelo ao trabalho, transformação. Transformação é ressurgimento do próprio desgaste.

Só o homem se deixa entibiar quando os corifeus se reduzem.

Apesar disso, faz-se indispensável prosseguir.

A covardia sempre armou ciladas para os desbravadores da Terra e da Verdade...

Supliciados e aparentemente destruídos, passaram os servidores da fé, das artes, dos descobrimentos, embrulhados no sarcasmo, pisando sobre as pústulas do desdém, demandando os Cimos da Vida, para onde rumam todos os que vivem...

Alguns não tiveram sequer a lembrança da posteridade, mas o que fizeram, o que sofreram, tornando-se argila preciosa do edifício da redenção e da vitória de milhões, trouxe-os de volta à humanidade, embora ignorados.

* * *

Não fites a trilha dos desertores, pois que suas pegadas foram destruídas, ao fugirem.

Firma à disposição de deixar-te aprender pelas linhas basilares do entusiasmo salutar.

Resigna-te a prosseguir sem elos com outros, ligado, porém, ao Triunfador Solitário.

Quando os amigos se preocupavam em fazê-Lo rei para a Glória de Israel, ele pensava na cruz em que seria pendurado para a glória de Deus, sem pedir a ninguém que o seguisse...

Os próprios companheiros do Colégio Galileu não O entenderam; todavia, ainda hoje, a sua semente de luz é sol de incessante aurora no horizonte sem fim da nossa vida eterna.

Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Pereira Franco
Livro: Dimensões da Verdade - 50

06 março 2021

Aparando as próprias rebarbas - Sidney Fernandes


APARANDO AS PRÓPRIAS REBARBAS

Por agora, o meu Reino não é daqui. João, 18:36.

— Esse país não tem mais jeito! — quem assim desabafava era Everaldo, impulsivo e voluntarioso frequentador do Centro Espírita Luz, Amor e Caridade.

— Calma, meu amigo — ponderou Ricardo, experiente diretor da casa, que já bem conhecia o pavio curto do irmão. Não está vendo — continuou — que está em curso, com muita eficiência, o processo das rebarbas ([1])?

— Do que você está falando, Ricardo?

— Veja bem. Você conhece o antigo recurso para limpeza de pregos? Quando eram produzidos, ficava uma rebarba que impossibilitava seu uso e comercialização. Sabe como se sanava essa imperfeição tecnológica?

— Não faço a menor ideia — respondeu já impaciente Everaldo.

— Os pregos eram colocados num grande recipiente que ficava girando durante algum tempo. Com o atrito entre os pregos, eles mesmos se consertavam.

— E o que isso tem a haver com a nossa nação? — perguntou Everaldo

— Você não está vendo que os irresponsáveis estão se atritando entre eles? Eles estão, entre si, aparando as próprias rebarbas.

— Você está se referindo às delações que estão trazendo à mostra as mazelas dos desequilibrados? Ora, são todos farinha do mesmo saco. E muitos estão ficando incólumes…

— Talvez perante a justiça dos homens. Jamais, porém, diante da justiça de Deus.

***

Lembra Allan Kardec ([2]) como eram frequentes, nos séculos passados, mesmo nas classes mais elevadas e esclarecidas, os atos de barbárie, que hoje tanto nos revoltam. Ontem, como hoje, muitas vidas eram ceifadas e muitos atentados contra as necessidades essenciais dos povos eram cometidos, em que os poderosos esmagavam os fracos e muitos abusos ficavam impunes.

Se pensarmos bem, quantos desses inconsequentes voltaram à Terra e ainda estão entre os homens da sociedade atual? E se refletirmos mais um pouco, chegaremos à conclusão de que muitos desses déspotas da antiguidade éramos nós mesmos, que hoje tanto reclamamos contra as injustiças sociais.

Infelizmente, temos ainda muito do nosso passado para purificar. Daí não podermos nos surpreender com tantas vítimas de acidentes, com tantas catástrofes gerais, simples reflexos do despotismo, do fanatismo, da ignorância e preconceito que semeamos no passado e foram deixados como dívidas a serem quitadas pelas gerações futuras.

Estamos simplesmente diante de contas, que parecem imerecidas, porque vemos apenas o momento atual, mas que devem ser liquidadas.

— A justiça de Deus atinge sempre o culpado, e por ser algumas vezes tardia, ela não deixa de seguir o seu curso ([3])

***

Diz Emmanuel ([4]), referindo-se às crises, dificuldades e desregramentos do mundo, que às vezes nos sentimos como folhas inertes diante das convulsões da torrente. A Terra parece uma casa em reforma, atormentada com a reformulação de seus valores.

Não nos esqueçamos, continua Emmanuel, de que o mundo é o mundo, e de que nós somos nós mesmos. Entre o passageiro e o comboio que o transporta, há singulares e inconfundíveis diferenças. Se o veículo ameaça desastre, é possível que o viajante, dentro dele, se converta em ponto de calma, irradiando equilíbrio.

Assim também em nosso planeta e em nosso país.

Façamos o nosso melhor para auxiliar os que estão à nossa volta, convertendo-nos em preciosos elementos de equilíbrio, contribuindo, com a nossa renovação de comportamento, em escaleres salvadores, diante dos atuais mares tormentosos.

O deserto é, por vezes, imenso; no entanto, bastam algumas fontes isoladas entre si para garantirem a jornada segura através dele. Emmanuel

Tenhamos em conta que todos somos corresponsáveis pela indisciplina e pela desordem atualmente existentes. Lá atrás, muitos de nós fomos os semeadores do caos. Agora chega o momento de calafetarmos as brechas abertas e desbastarmos as próprias rebarbas.

Sidney Fernandes  
 
Referências:
 
([1]) – Um jeito de ser feliz, de Richard Simonetti.

([2]) – Capítulo VIII, segunda parte de O Céu e o Inferno, de Allan Kardec.

([3]) – Capítulo VIII, segunda parte de O Céu e o Inferno, de Allan Kardec.

([4]) – Encontro marcado, de Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier.


05 março 2021

Ai que ódio! - Nilton Moreira


AI QUE ÓDIO!

É comum ouvirmos pessoas se expressarem a respeito de algo dizendo “ai que ódio!”, outras, “eu odeio tal pessoa” e tem aquelas que em momentos decisivos dizem “vou te odiar para sempre”. Resumindo: são todas manifestações que ensejam desejo de amaldiçoar.

Quem diz ter ódio diante de circunstâncias se sente momentaneamente realizado, aliviado, e acredita que está assim atingindo outrem, mas engana-se quem pensa assim, pois o ódio é uma energia tão pesada que ao ser mentalizada dissemina no próprio corpo uma energia tão destruidora que normalmente vai ensejar moléstia, que pode ser mínima ou até grave.

O primeiro a ser atingido pelo ódio somos nós mesmos quando o exteriorizamos. Seria menos grave, muito embora não saudável, se investíssemos contra quem temos algo contra e tirássemos satisfação sobre o que aconteceu do que ficarmos com o sentimento de ódio.

Ódio é uma energia tão maléfica que fica impregnada em nossa alma/espírito e nos acompanha depois da morte física. É normal nas reuniões de nosso grupo chegar espíritos cujas pessoas mantiveram ódio quando vivas, e agora fora do corpo continuam com esse ruim sentimento, sentindo a necessidade de continuar a perseguição.

Jesus em momento algum nos ensinou a ter ódio quando esteve por aqui, portanto é um sentimento conservado pelas pessoas que ainda não descobriram o caminho do amor.

Às vezes ficamos buscando motivos pelos quais desenvolvemos doenças graves, principalmente câncer, mas esquecemos de fazer uma avaliação de como andam nossos pensamentos e atos. É comum ficarmos doentes, afinal não somos perfeitos, mas em muitas ocasiões poderíamos ter um pequeno mal estar, no entanto nos deparamos com um diagnóstico de gravidade que vem para nos chamar atenção de como estamos conduzindo nossa vida, possibilitando uma melhoria na nossa maneira de viver e ver as pessoas que estão a nosso redor.

Em nada soma a gente desenvolver ódio no coração, pois é normal a pessoa para qual mantemos um ódio profundo nem saber. Então é o mesmo que tomarmos veneno e querer que o outro morra.

É lógico que não vamos desejar coisas boas a quem nos faz mal, mas pelo menos sejamos fortes e sigamos nosso caminho sem desejar desgraça à pessoa que nos prejudicou, pois certamente se fomos ofendidos ou perseguidos fez parte de uma provação ou expiação.

Busquemos na prece a força para nos livrar desse sentimento mórbido, e seremos mais felizes.

Nilton Moreira
Coluna Semanal - Estrada Iluminada
Fonte: Espirit Book

04 março 2021

A vingança - Espiritismo na Rede

 
A VINGANÇA

Algumas pessoas acreditam que a vingança é uma demonstração de grande coragem. Afinal de contas não se pode tolerar uma afronta sem se rebaixar.

Pensam que a tolerância e a indulgência seriam prova de fraqueza ou de covardia.

Todavia, temos de convir que o ato de vingar-se jamais constitui prova de coragem.

Geralmente, quando buscamos revidar uma ofensa o fazemos movidos pelo medo do agressor ou da opinião pública.

Não importa que a nossa consciência nos acuse de covardia ou indignidade, o que nos interessa é que a sociedade não nos julgue assim.

O mesmo não ocorre com relação ao ato de perdoar. O perdão, sim, exige do ofendido muita coragem e dignidade.

Enquanto a vingança é uma ladeira fácil de descer, o perdão é uma ladeira difícil de subir.

Algumas pessoas costumam enfrentar corajosamente os mais graves perigos, mas sentem-se impotentes para tolerar uma pequena ofensa.

Escalam, com ousadia, altas montanhas, saltam de paraquedas desafiando as alturas, enfrentam animais ferozes, aceitam os desafios do trânsito, navegam em mar revolto com bravura, mas não conseguem suportar um mínimo golpe da injustiça.

Dão grande prova de coragem em alguns pontos, mas não relevam a investida da ingratidão, da calúnia, do cinismo, da falsidade, da infidelidade.

Realmente fortes são aqueles que conseguem conter-se diante de uma agressão.

A verdadeira fortaleza está nas almas que não se descontrolam quando são ofendidas.

Que não se impacientam quando são incomodadas.

Que não se perturbam, quando são incompreendidas.

Que não se queixam, quando são prejudicadas.

Verdadeira coragem é aquela de que o Cristo nos deu o exemplo.

Ele sofreu a ingratidão daqueles a quem havia ajudado, enfrentou o cinismo dos agressores, foi ultrajado, caluniado, cuspiram-lhe no rosto e O crucificaram, e Ele tomou uma única atitude: a do perdão.

Por várias vezes, em Sua passagem pela Terra, o homem de Nazaré teve motivos de sobra para revidar ofensas, mas sempre optou pela dignidade de calar-se.

Diante das agressões recebidas, o meigo Rabi da Galileia passava lições grandiosas, como aconteceu com o soldado que O esbofeteou quando estava de mãos amarradas.

Sem perder a serenidade habitual, o Cristo olhou-o nos olhos e lhe perguntou: Se eu errei, aponta meu erro, mas se não errei, por que me bates?

Essa é a atitude de uma alma verdadeiramente grande.

 

Redação do Blog Espiritismo Na Rede, com base no cap. 15 do Livro O primado do Espírito, de Rubens Romanelli, ed. Lachâtre.


03 março 2021

A mente humana em tempos de pandemia - Antônio Moreira Jr


A MENTE HUMANA EM TEMPOS DE PANDEMIA

A incerteza do momento gerada por um bombardeio de informações e notícias desconexas, onde não sabemos em quem acreditar, nos deixa à mercê de um jogo político, e de interesses econômicos, próximo ao caos. Parece que enfrentamos um inimigo sempre desconhecido, que, às vezes, imaginamos ser um verdadeiro monstro. Com isso a nossa mente, na ansiedade pela impossibilidade de controle, cria caminhos indesejados com a famosa pergunta de inquietação: "E se acontecer isso ou aquilo?”

Após permitirmos esses devaneios da mente, chegamos facilmente a situações caóticas que nos levam a vivenciar emoções extremamente negativas. Chegamos ao absurdo de sentirmos perdas que jamais existiram ou dores que ainda não tiveram a própria causa. Se não interrompermos esses loops de pensamentos, poderemos chegar a situações de medo, angústia, pânico ou depressão.

O cérebro passa a vida inteira dentro do crânio, fechado, e sem nenhum contato direto com o mundo externo, ou mundo real. Para compreender o que está se passando do lado de fora, o cérebro precisa decifrar o significado de luzes, vibrações e químicas, para, através de pistas de suas experiências do passado, construir simulações usando, para isso, uma vasta rede de conexões neurais.

Visando economizar energia o cérebro busca caminhos mais curtos, ou seja, caminhos conhecidos, e tende assim a repetí-los diversas vezes numa inércia que pode ser muito prejudicial. Imaginemos os efeitos danosos de pensamentos negativos, angustiantes ou que possam levar uma pessoa a perder o controle, o equilíbrio. Esse processo, acrescido da rotina de autopreservação, papel também assumido pelo cérebro, reforça a inércia, numa tentativa de manter uma zona de conforto, mesmo que exista sensações negativas, como o medo, a tristeza, etc. Mas, para o cérebro, assim estaremos vivos e salvos, o que indicaria que deveríamos permanecer no mesmo patamar de pensamentos e sentimentos.

Segundo a ciência, temos mais de setenta mil pensamentos por dia. Nós não conseguimos lembrar de muitos deles porque um mesmo pensamento se repete por diversas vezes. Agora, vamos refletir sobre a possibilidade de estarmos repetindo centenas de vezes ao dia um pensamento desagradável ou de muita aflição, e tentar perceber quais seriam as emoções que estariam presentes em nossas mentes ao final desse dia. Com certeza não estaríamos bem, nem dispostos, e nem esperançosos da vida. Daí poderíamos começar a acreditar que estamos tristes, infelizes ou depressivos, e que tudo pode complicar mais e mais.

Precisamos agir para interromper esse processo que, com o tempo, vai se solidificando, e cristalizando dentro de nós. Necessitamos criar novos caminhos, novas alternativas para o futuro, diferentes das possibilidades geradas nos loops do “E se?”, para mostrar que existe uma luz no final do túnel, e que existem inúmeras possibilidades melhores e mais benéficas. Ao criarmos e alimentarmos novas idéias que nos trazem bem estar, estaremos levando uma série de informações ao cérebro para que ele sintetize e saia da repetição de padrão negativo. Após isso, a nossa mente assumirá um estado de vibração distinto do anterior, permitindo emoções mais agradáveis, ou, pelo menos, a ausência da angústia e da tristeza. A isso chamamos de quebra de padrão de pensamento, ou quebra de padrão vibratório, e, com certeza, é um processo de autocura, de equilíbrio, muito importante em em nossas vidas, como, por exemplo, nesse momento que atravessamos na atualidade e que tanto nos afeta emocionalmente.

As nossas emoções são únicas, e estão relacionadas com as nossas experiências pessoais de vida. Ou seja, têm um significado próprio para cada pessoa. As sensações de alegria, de tristeza, de pânico, de nervosismo, de angústia, de medo, etc., de um ser humano podem ser muito diferentes das sensações de qualquer outra pessoa. O que nos alerta para termos o cuidado de não julgarmos o outro, para não criarmos rótulos, e nem mesmo anteciparmos diagnósticos preestabelecidos. Cada caso é um caso, e cada dor é uma dor única, e imensurável.

A interocepção é a capacidade de reconhecer os estímulos e sensações que o nosso corpo envia ao cérebro. E assim, através dos nossos cinco sentidos, mais batimentos cardíacos, respiração, digestão, circulação, taxas hormonais, etc., o cérebro, baseado em suas memórias de experiências, faz uma predição do que está acontecendo em cada momento de nossas vidas. Criando, assim, as diversas sensações, que são processos pelos quais um estímulo externo ou interno provoca uma reação específica, produzindo uma percepção.

Existem várias maneiras de efetuarmos a quebra de padrão de pensamentos ou de sensações, para que possamos então, criar novas possibilidades menos drásticas para um futuro próximo. Na ausência de conhecimentos de técnicas para esse fim, podemos fazer aquilo que já conhecemos e que funciona muito bem, uma prece! E como citou Emmanuel, através de Chico Xavier: “Evita os assuntos infelizes. Fala, auxiliando em favor da tranquilidade e da elevação.”

Uma forma simples de sairmos do estresse da preocupação com o futuro, é imaginar que já estamos no futuro, que está tudo bem, e que toda a tempestade já passou. Pois tudo passa, e a vida retoma seu caminho novamente. Esse exercício de viajarmos para o futuro, sem o caos do presente, faz com que possamos retornar ao agora com melhores expectativas, o que nos traz calma e serenidade.

E para finalizar, vamos nos lembrar que a escolha da energia com a qual nos sintonizaremos na vida é nossa. Existe um universo inteiro de possibilidades conectado a cada um de nós. Então, escolhamos o melhor, pois nós merecemos. Afinal, somos feitos à imagem e semelhança do Criador.

Antonio Moreira Junior
Fonte
: Medicina e Espiritualidade

02 março 2021

Aprender a Cooperar! - Francisco Rebouças


APRENDER A COOPERAR!

O dicionário da língua portuguesa nos define a palavra cooperar como sendo: Operar juntamente com alguém; contribuir ajudando, auxiliando outras pessoas.

É muito importante saber que não somos autossuficientes em tudo, e dessa forma, precisamos dos outros tanto quanto os outros precisam de nós, porque verdadeiramente somos todos interdependentes, por isso mesmo, a cooperação é fator essencial para a harmonia e o bem estar de todos nós.

Quando falamos em cooperação, estamos nos referindo ao cuidado e interesse que precisamos desenvolver pela pessoa do outro, por suas dificuldades e necessidades, procurando, ao nível de nossas possibilidades, prestar-lhe auxílio, estendendo mãos amigas, contribuindo de forma positiva na resolução das questões que o afligem, exercitando a cordialidade e a alegria de ser útil.

Urge compreender que fazemos parte de uma só família perante as Soberanas Leis que regem nossos destinos na Terra, com deveres mútuos de assistência, o que nos proporciona angariar amizades e demonstrações de carinho e respeito daqueles a quem ofertamos nossa solidariedade. Porque querendo ou não, o intercâmbio de experiências e conhecimentos é essenciais para o desenvolvimento de nossas potencialidades intelectuais, morais e espirituais.

Dessa forma, tenhamos a certeza de que melhorando o ambiente nos relacionamentos entre aqueles na qual a Providência Divina nos situou, estaremos desenvolvendo à nossa volta um clima de fraternidade, de união e confiança, eliminando os conflitos e divergências que aos poucos diminuirão ou até mesmo deixarão de existir.

Na página abaixo, temos uma linda lição a respeito da colaboração.

“Um crente sincero na Bondade do Céu, desejando aprender como colaborar na construção do Reino de Deus, pediu, certo dia, ao Senhor a graça de compreender os Propósitos Divinos e saiu para o campo.

De início, encontrou-se com o Vento que cantava e o Vento lhe disse:

— Deus mandou que eu ajudasse as sementeiras e varresse os caminhos, mas eu gosto também de cantar, embalando os doentes e as criancinhas.

Em seguida, o devoto surpreendeu uma Flor que inundava o ar de perfume, e a Flor lhe contou:

— Minha missão é preparar o fruto; entretanto, produzo também o aroma que perfuma até mesmo os lugares mais impuros.

Logo após, o homem estacou ao pé de grande Árvore, que protegia um poço d’água, cheio de rãs, e a Árvore lhe falou:

– Confiou-me o Senhor a tarefa de auxiliar o homem; contudo, creio que devo amparar igualmente as fontes, os pássaros e os animais.

O visitante fixou os feios batráquios e fez um gesto de repulsa, mas a Árvore continuou:

— Estas rãs são boas amigas. Hoje posso ajudá-las, mas depois serei ajudada por elas, na defesa de minhas próprias raízes, contra os vermes da destruição e da morte.

O devoto compreendeu o ensinamento e seguiu adiante, atingindo uma grande cerâmica.

Acariciou o barro que estava sobre a mesa e o Barro lhe disse:

– Meu trabalho é o de garantir o solo firme, mas obedeço ao oleiro e procuro ajudar na residência do homem, dando forma a tijolos, telhas e vasos.

Então, o devoto regressou ao lar e compreendeu que para servir na edificação do Reino de Deus é preciso ajudar aos outros, sempre mais, e realizar, cada dia, algo mais do que seja justo fazer.” (1)

É bom pensar nisso!

Francisco Rebouças
Fonte:
Agenda Espírita Brasil

Referências Bibliográficas:

(1) Xavier, Francisco Cândido, pelo Espírito Meimei, Livro: Pai Nosso – cap. 13.


01 março 2021

Vacina contra a dor - Divaldo Pereira Franco


VACINA CONTRA A DOR

O desamparo e a indiferença são irmãs gêmeas, doenças pandêmicas que assolam a Humanidade. Desde eras incontáveis carregadas de injustiça, elas driblam todos os esforços e se instalaram na modernidade.

A ciência atual, com toda sua sabedoria, ainda não conseguiu compreender como tratar aquelas viroses amparadas pela competição e luta de poderes que geram agressividade, resultando notar-se, em todo lugar e em quaisquer ideologias, os atritos que conseguem separar corações amigos, que, ainda não confirmados pelo amor, sobrepõem-se aos sentimentos para fixar-se em desejos de curta duração e que geram o vazio existencial.

Só a terapêutica mais simples, de um homem simples Artesão do Amor, que foi Jesus, oferece a pauta do roteiro para encontrar a vacina que vai prevenir males diversos e dores infinitas.

A Dra. Candace Pert esclareceu em seu livro Molecules of Emotion que as emoções estão interligadas com as moléculas e vice-versa, daí a importância de codificar as emoções reprimidas e libertar a alma do sofrimento que, em continuação, será uma dor física.

No final, o que faz sofrer mais, uma dor física ou a separação afetuosa daqueles corações queridos que nos iluminam com sua presença?

A vacina do amor tem que ser tomada em várias doses, que devem ser contínuas, a fim de que ofereçam a imunidade necessária e assim vencer o sofrimento.

A culpa, como sintoma, fala incessantemente de nossa indiferença perante a vida, porque isola a dor e recusa viver, portanto, predispondo para sofrer as consequências do abandono da ética e moral.

A vacina ideal para esta e as épocas vindouras terá que possuir uma boa dosagem de gentileza que espalhe sorrisos, que traga leveza às mentes atormentadas pelo materialismo, que ainda não permite pensar-se que somos seres metafísicos, estelares e filhos de Deus.

A nossa vacinação consistirá em várias doses de perseverança para que o bem se imponha, para que os bons não fiquem calados e que sejamos todos uma família disposta a compartilharmos nossos problemas, conflitos e juntos vivenciarmos a solução do amor.

O remédio perfeito abrirá os olhos de todos para discernirmos que as verdadeiras lideranças estão nos lares, nos afetos legítimos, responsáveis pela superação das paixões.

Hoje, quando se têm tantas dúvidas sobre vacinas, para conseguirmos a sua real efetividade, deveremos primeiro refletir se estamos dispostos a tomar a do amor para engrandecer nossos corações.

Na tradição evangélica, o coração, como nascente de bênçãos e de emoções, deve ser cultivado pelo bem, pelo devotamento à vida em todas as suas expressões.

Quando conseguirmos viver as expressões do bem, teremos tomado a vacina contra o mal e teremos saúde integral.

Divaldo Pereira Franco
Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 5.2.2021.