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13 dezembro 2008

Cristo-Alimento - Miramez

CRISTO-ALIMENTO

"E todos comeram e ficaram fartos" - Marcos, 6:42

O místico ou o santo se alimenta mais por anagogia, pois este é quase seu estado normal. 

Busca, por intermédio dos dons que possui, um pão por excelência de maior valor, o pão do céu. 

O alimento físico com exagero é para espíritos ainda presos às sensações inferiores. Cristo-limento  é uma demanda oportuna para a alma desenvolver os poderes internos, disciplinando os 
instintos animais e educando os impulsos que não afinam com a graça divina. 

É um desafio às nossas necessidades evolutivas. É certo e justo que o corpo precisa abastecer-se de elementos que lhe garantam a vida física, porém, o Mestre dos mestres já ensinava a Seus discípulos: "Não só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que procede da boca de Deus" - Mateus, 4:4
E isto era conceito de antigos pergaminhos de profetas do passado, continuando em vigor hoje e eternamente.

O pão do céu referido é uma essência espiritual que a alma é capaz de absorver no sono, em êxtase ou em processos da oração, e por pouco que seja, ainda se encontra no ar, na água e nos alimentos indispensáveis à vida. 
É como se fosse o hálito do Criador, interpretando a criação. E desse alimento divino poderás ser também um canal para os outros, dependendo do modo pelo qual vives: ele se afasta quando a cólera se apossa do espírito, se dispersa quando o ciúme envenena o coração, desaparece quando a maledicência trabalha com a língua do possesso... 

Esse alento superior existe em profusão na alma de quem ama, e passa por todos os canais das virtudes mencionadas pelos Evangelhos.

Cristo-Alimento vem evidenciar no nosso mundo mental a formação de novas idéias no campo da filosofia, assim como estender argumentos nos conceitos religiosos, para que a ciência entenda o valor das virtudes e a profundidade da educação espiritual. 

Estamos encaminhando para uma época de menos alimento físico e mais pão espiritual; e mesmo o material está caminhando para a fluidez do seu estado: o visível é materialização do invisível, e o Senhor dá prova disso, quando multiplicou os pães várias vezes para a multidão de pessoas famintas.

Quando não puderes doar o pão de trigo ao que tem fome, oferta o alimento da palavra revestida de amor, de carinho e de fé, e se estiver ao teu alcance, faze as duas coisas. 

A mente é uma lavoura de recursos sem limites, e o coração é um celeiro imensurável, que nunca se esgotará, quando movido pela fraternidade universal! Cristo, quando abria a boca, no comando das Suas idéias luminosas, tudo fazia pelas inúmeras mãos do gênio que se chama Amor.

O homem atual ainda não descobriu essa força poderosa, capaz de remover o mundo e solucionar os problemas da humanidade. 

Jesus o revelou na sua feição máxima, todavia, as criaturas, não suportando a luz do amor puro, criaram as divisões concernentes às necessidades de cada povo, difundindo os raios desta virtude excelente, para depois encontrar o foco energético da vida,  que João Evangelista denominou de Deus, dizendo, por não achar outro termo, Deus é Amor!

E o Amor por excelência das excelências é o alimento da vida, onde todos, senão a humanidade inteira, podem comer e se fartar eternamente.

E todos comeram e ficaram fartos.

De "Cristos", de João Nunes Maia, pelo Espírito Miramez

12 dezembro 2008

Pai Nosso - Autoria Desconhecida

PAI NOSSO

  • Pai nosso que estás na terra e no céu no mar e no ar.
  • Pai nosso, estás em nosso olhar, em nosso falar e em nosso amar.
  • Santificado seja Tua dor que nos mostrou o sentido do amor.
  • Venha até nós este Seu reino de amor, nos mostrando e ensinando o verdadeiro valor do amor sem temor.
  • Que seja realizado Teus ensinamentos de luz, para nos mostrar o caminho que nos conduz.
  • Os caminhos na terra e os caminhos no céu.
  • O pão nosso de cada dia é Tua luz que nos fortalece.
  • É a luz que esclarece firme em nossas almas o amor que enobrece.
  • Que seja feita a Tua vontade em decorrência da nossa liberdade para nossa felicidade.
  • Tanto na Terra como no Céu.
  • Permita-nos Senhor perdoar nosso inimigos para que eles também nos perdoem, e conosco percorram a estrada do amor.
  • Não permita que cometamos erros, injurias, calunias, não nos deixe cair na perdição do ostracismo e da obsessão.
  • Livra-nos de não sermos o que somos para poder sermos aquilo que precisamos e merecemos.
Mensagem recebida em 09/12/08,
na G.E. Casa do Caminho de S.Vicente

Autoria Desconhecida

Morrer não Dói - Javier Godinho

MORRER NÃO DÓI 

É um equívoco afirmar, sobretudo o cristão, que não existe morte. 

Imortal é o espírito. O corpo que ele usa, em cada existência, morre e permanece na Terra enquanto a alma retorna ao mundo espiritual. Com o tempo, os elementos corpóreos se reintegram em outros seres em sua volta, porque é da lei da Física que nada se perca, nada se acabe, tudo se transforme. 

"Nascer, morrer, renascer ainda, e progredir incessantemente, tal é a lei" - assim resume Allan Kardec a evolução do homem, no caminho de sua felicidade verdadeira e definitiva, o Reino dos Céus preconizado pelo Cristo. 

A não ser para o suicida, que optou pelo desenlace antes do tempo, arrancando, abruptamente, do corpo a própria alma, antes de se completar seu novo ciclo, morrer não dói. 

A morte é um sono, disse o Nazareno, tão amigo da vida como da morte, na expressão de Humberto Rohden, um dos grandes pensadores cristãos deste século. Com a lógica de sua filosofia, Rohden pergunta:-
"Se for boa tua vida, como será má tua morte ? Não sabes que a morte é o corolário da vida ? Por que hesitaria a fruta madura em desprender-se da haste ? Por que desprenderia com dor o que amadureceu às direitas?

Em O Livro dos Espíritos se aprende que o corpo, quase sempre, sofre mais durante a vida do que no momento da morte. A alma nenhuma parte toma nisso. Os sofrimentos, que às vezes se experimentam no instante da morte, são, até mesmo, "um gozo para o Espírito", que vê chegar o fim do seu exílio. 

A separação nunca é instantânea. A alma se desprende gradualmente. O Espírito se solta pouco a pouco dos laços que o prendiam. Os laços se desatam, não se quebram. 

Não raro, na agonia, a alma já deixou o corpo, que nada mais tem do que vida orgânica. O homem não possui mais consciência de si mesmo e, não obstante, ainda lhe resta um sopro de vida.
 
Espíritos que partiram antes de nós se comunicam, todos os dias, na rotina dos trabalhos das casas espíritas, comprovando a imortalidade e confirmando a impressão que tiveram na passagem entre dois mundos distintos.
Dormiram, para despertar aos poucos, no seu elemento natural que é o mundo espiritual. 
Atravessaram um período de perturbação para, no outro lado da vida, se encontrar consigo mesmo e com a plenitude da Infinita Bondade e da Justiça Divina. 

Javier Godinho 
Fonte: Revista Espírita Allan Kardec

11 dezembro 2008

Morte e Renovação - Ivan de Albuquerque



MORTE E RENOVAÇÃO

Por mais que passe o tempo, não se há mudado a disposição dos que vêem partir para o além os seus afetos queridos.

A alma humana prossegue amedrontada e insegura diante da morte, quando esta, em realidade, representa tão-somente o afastamento do corpo carnal, jamais a extinção da vida.

Desencarnar é ter a chance de renovar posições filosóficas, pensamentos e culturas. Representa o ensejo de alterar posturas e concepções, de modificar crenças e de iluminar o coração, uma vez que ninguém se torna santo, embora as homenagens e as palavras de emoção e de dor, por parte de quem derrama pranto, no difícil momento da despedida.

Na desencarnação, cada qual leva consigo o bem e o mal que tenha feito, vida afora.

As alegrias e as dores que espalhou, a presença mental dos amigos e o amargor das inimizades, toda a paz que haja semeado ou as guerras que haja incrementado, tudo isso contribui para a ventura ou desventura do espírito liberto.

Guardando a certeza de que ninguém morre, essencialmente, confia no Senhor da Vida, que tudo no mundo inspira, que tudo pode, e a Ele entrega, pelos fios do coração, os teus afeiçoados, os teus amores, admitindo que se acham amparados pelo divino amor, de um modo ou de outro.

Mais cedo ou mais tarde, quando refeitos das conseqüências imediatas do passamento, os teus seres amados rogarão ao Grande Pai por ti, e seguirão, na rota do progresso, marcados por todas as realizações deixadas sobre o mundo, e aguardarão que tu mesmo retornes, quando chegue o teu dia.

Entre alegrias, ternuras e emoções, esperarão que, igualmente, te libertes do corpo físico, após uma nobre vida com grandeza d'alma, com esforços pelo bem e testemunhos de amor, a fim de que se estreitem no halo de um abraço, cheios de intensa ventura, nos círculos da luz.

Ivan de Albuquerque
Mensagem psicografada pelo médium Raul Teixeira, em 02 de junho de 2003, na Sociedade Espírita Fraternidade, em Niterói-RJ.

10 dezembro 2008

Morte e Mérito - Camilo

Morte e Mérito

"Vim para que tenham vida e a tenham em abundância"  - Jesus –  Jo. 10:10.

Por certo enches-te de amargura, ao recordares os teus amores que seguiram as aléias da desencarnação, no momento do impacto emocional que te marcou o ser...

Nada mais compreensível e natural, quando não te achas familiarizado com a certeza de que morte é vida que se exprime em nova dimensão, recebendo em seu bojo os que concluíram seu estágio nos campos do mundo material.

Salvo os casos em que a criatura, atormentada por múltiplos e infortunados motivos, é levada à provocação da morte do próprio corpo, os que mergulham nas águas do rio da morte, lograram-no em razão das leis do mérito que as beneficiou com a necessária e merecida libertação das conjunturas carnais.

Assim, será sempre de bom alvitre que não te amofines na angustiosa ansiedade por partires também. Não te rebeles contra as Divinas Leis que mantêm-te ainda no chão da Terra.

Quando pensares nos entes amados, trespassados, ama-os com a tua oração e presenteia-os com as mais vívidas, ternas e nobres memórias, com as quais conseguirás levar-lhes o buquê da tua ternura com o perfume da tua saudade iluminada pela fé nos desígnios do Criador.

É válido que, agora, quando o tempo avança, mostrando-te os diversos setores de serviços que podes executar, no bem, que os executes, então, dedicando a eles, teus mortos que vivem, o melhor dos teus empenhos fraternais.

Faze-te amigo de alguém, sem nada exigires em troca; torna-te responsável pelo pão diário de uma criança, com alegria; atende a um enfermo com singela fruta ou com a refrescante presença da oração, sem temores desnecessários; visita um nosocômio qualquer, num dia ou hora em que possas, fazendo a alegria dos que jazem sem ninguém, em sofrimento, dia-após-dia; leva um sorriso fraterno e sincero a um presidiário, para que ele sinta o perdão de Deus por meio da tua ação; compra um medicamento para alguém que não o possa adquirir, embora dele careça; agasalha um corpo tiritante de frio com a veste ou a coberta que repousam sem utilidade em tuas gavetas. Faze estas coisas em louvor deles, os teus mortos queridos.

Aprovisionando tantas bênçãos em teu coração, em nome dos teus amores, com toda certeza te prepararás muito bem para que os embates do mundo não te infelicitem, nem te destruam na amargura, tampouco te deixem descoroçoar diante das mais diversas ou conflitivas situações. Assim, então, verás o tempo passar sem te apartares do trabalho do bem, vivendo em abundância, valendo-te das oportunidades valiosas da existência corporal, até que adquiras, igualmente, ao largo dos dias, o mérito para retornares ao clima dos teus vínculos amados, com paz e alegria, pelo dever cumprido, nas regiões do Mais Além.

Camilo
Mensagem psicografada pelo médium J. Raul Teixeira, em 07.07.1988, na Sociedade Espírita Fraternidade – Niterói – RJ.

09 dezembro 2008

Mediunidade e Moral - Sebastião Lasneau

Mediunidade e Moral

Toda mediunidade p´ra ser séria,
Para dar frutos bons e consolar,
Não pode se ocupar fazendo féria,
Em vez de nobremente trabalhar.

Quem queira dedicar-se a tal labor
De ser a ponte entre os dois hemisférios,
Laborará mui ciente e com ardor,
Para entender a vida e seus mistérios.

Ser médium, pois, no mundo é compromisso
De ser coerente e probo, com Jesus,
Sem jamais abandonar seu serviço,
Bem longe da quimera que o reduz.

O estudo e a disciplina o servidor
Transformam no instrumento do infinito.
Mas, é na esfera dúlcida do amor
Que o médium brilha, humilde, são, bonito.

Para um viver conforme às leis de Deus,
Que configuram vivência moral,
Os médiuns moldarão costumes seus
Pelo esforço no bem, vencendo o mal.

Nos desafios vividos na Terra,
Entre palavras duras, vidas tensas,
Cabe aos médiuns jamais fomentar guerra,
Nem nutrir vibrações torpes e densas.

Vem do Cristo a proposta de trabalho.
Mantém fidelidade ao ideal.
Não dês valor à sombra, ao ato falho,
Tendo a vivência em paz como fanal.

P´ra ser médium com Cristo, atende ao preço
Das lutas e renúncias pela estrada.
Fonte do bem, Jesus é o endereço
Da libertação bem-aventurada.

Sebastião Lasneau
Mensagem psicografada por Raul Teixeira, em 27.5.2006, no Instituto de Cultura Espírita de Itabuna, Itabuna-BA.

08 dezembro 2008

Jesus - Camilo

Jesus

Chegou ao mundo nos braços de uma tecelã e de um modesto carpinteiro, cercado pela moldura da natureza em festa.

A Sua vida se desenvolveu, desde cedo, demonstrando a que viera, quando dialogou com os doutores do templo, aos 12 anos de idade, conforme rezam as tradições. Conviveu com todos os tipos de criaturas, exaltando a simplicidade e a alegria de viver, a fidelidade ao bem e a fraternidade, a responsabilidade nos atos e o amor.

Falou sobre o bem, sentindo-o.

Ensinou o bem, vivenciando-o e a ele Se entregando.

Passou pela Terra como a brisa que sopra na primavera, deixando o aroma da Sua passagem, numa verdadeira floração de bênçãos variadas.

Esteve no mundo como um marco de permanente esperança, insuflando coragem nas almas aterradas de pavor ante as próprias deficiências.

Viveu no planeta entre a luz do Céu e as almas umbrosas da Terra, buscando levantar o coração humano para as altitudes felizes, onde vibram os seres angélicos dos quais Ele fazia parte.

Aquilo que afirmou como fundamental à alegria e à paz tratou de expressar em Sua vida, na condição de Modelo e de Guia de todos nós, por isso amou os Seus e por eles deu a própria vida; atendeu às necessidades das almas enfermas que O buscaram; ofereceu a água fresca da Sua dedicação, a fim de que não mais sede tivesse quem dela bebesse; saciou a fome de entendimento, de conhecimento e de carinho, tudo havendo transformado no sublime pão da vida; apresentou-Se atencioso e verdadeiro para com Seus discípulos, ajustado à posição de Mestre inigualável.

Acompanhando os movimentos da Humanidade através das eras, identificamos nobres e respeitáveis almas que, na postura de líderes ou de condutores sociais, pregaram o bem, o bom e o belo para os seus liderados, que os exalçam pelos tempos afora.

Quando, diante da indagação de Allan Kardec aos Imortais acerca de qual era o Espírito mais perfeito oferecido ao mundo, para servir de Guia e Modelo à Humanidade, os Mentores planetários ripostaram dizendo que era Jesus.

Como Ele foi, então, o maior dentre todos os que à Terra foram enviados para anunciar o Reino dos Céus aos aturdidos filhos do Grande Pai, isso significa que todos os demais, por mais dignos e respeitáveis que tenham sido, são, contudo, menores do que Ele. Mensageiros da Divindade, todos os demais vieram atender aos programas do Criador atidos às épocas, às culturas, às inclinações morais. Jesus, porém, trouxe os matizes da Lei que a todos alcança, sem choques essenciais com nenhum deles, embora o formato próprio às realidades psico-antropológico-sociais de cada um.

Somente Jesus Cristo conseguiu ensinar e exemplificar com Seu viver as lições que nos passou, e se hoje, quando evocamos o Seu luminoso Natal, nos vemos engolfados nessas ondas de felicidade, é porque o Senhor de Nazaré, mais e melhor do que qualquer outro, transformou-Se em Caminho, em Verdade e em Vida para todos nós, em todos os tempos e em todas as dimensões da vida terrestre.

Camilo
Mensagem psicografada pelo médium J. Raul Teixeira, na Sociedade Espírita Fraternidade, Niterói-RJ.

07 dezembro 2008

Ele Veio - Camilo

Ele Veio

Que teria sido da Humanidade se o Celeste Amigo, enquanto no convívio das estrelas, entendesse que não lhe caberia vir ao chão do mundo para auxiliar-nos com a Sua vivência superior?

Que seria do gênero humano, caso o Bom Pastor tivesse renunciado a vinda ao planeta, por temer o poder discricionário do Império de Roma, capaz de soterrar sob os pés todo e qualquer opositor do seu regime político?

Como estaria a Terra, se o Mestre Nazareno houvesse desdenhado descer aos fluidos planetários por entender o quão difícil e perigoso seria o confronto com os vícios interpretativos e as mãos de ferro do sacerdócio de Israel?

O que teria ocorrido conosco, se o Rabi da Galiléia se houvesse esquivado de vir ao solo do mundo, por identificar a precária condição moral e intelectual dos seus habitantes, por saber das limitações gerais que caracterizavam o povo em cujo seio deveria nascer?

Entretanto, o Seu posicionamento alinhou a obediência aos desígnios celestes com a Sua piedade dirigida a todos nós. Vim para cumprir a vontade do meu Pai, dizia Ele, dedicado. Vim para que tenhais vida abundante, afirmou, pleno de amor.

Sem albergar em Si quaisquer temores, rompeu as densas brumas do psiquismo inferior do pequeno planeta e emboscou-Se num corpo carnal, para que mais de perto e bem percebido conseguisse mostrar-Se aos nossos olhos e fazer-Se sentir por nossas almas. Entregou-Se plenamente ao Seu ministério, e nos conclamou para que O seguíssemos, para que pudéssemos chegar ao Pai do Céu.

Não conseguimos fazer a mínima idéia do desfecho, diante dos questionamentos apresentados, uma vez que é de todo impossível conceber a vida no orbe terreno sem a presença fulgurante de Jesus Cristo.

É dever de todo o cristão, portanto, seja qual for a formalização de sua crença na Boa Nova, refletir sobre o papel do Cristo no seio da Humanidade, nos objetivos sublimados que O trouxeram à crosta terrestre, de modo a analisar melhor a própria conduta, verificando se se encontra ou não operando nos campos do Senhor, ou se sua rotulagem de fé está apenas servindo à identificação social do regime mitológico ao qual se aferra.

Nessa altura do tempo, quando mais do que em outras épocas, há sede de compreensão, de amor e de paz no mundo, o Celeste Benfeitor espera contar com a fidelidade operosa de todos os que se apóiam em Seu nome e em Seus ensinamentos, a fim de fundar no planeta os alicerces de um novo mundo, onde, em realidade, cada qual seja irmão do outro, para que sejam identificados como membros do rebanho do Bom Pastor.

É tempo de refletir sobre tais questões e não temer nada nem ninguém, conscientes de que, quando se estabelece contato de intimidade com Jesus, o coração pulsa no cérebro, repletando o saber de sentimento, enquanto que o cérebro baliza o coração, impedindo que sejam disparatados ou fanáticos os sentimentos humanos, e que se convertam razão e sentimento em instrumentos da renovação da alma terrena, propulsionando cada alma para o convívio mais próximo com o bem e para o estabelecimento da paz.

Somente quando a alma que se afirma cristã for capaz de vivenciar os necessários testemunhos, seja onde for ─ na rua, no trabalho, no lar ou no íntimo de si mesma ─ em prol do bem próprio e do bem comum, é que poderemos crer que ter-se-á implantado no planeta Terra as bases sólidas do Reino dos Céus, com o Espírito do Senhor habitando o cerne de cada criatura, forjando aí, então, as claridades de um novo e vigoroso Natal.

Camilo
Mensagem psicografada pelo médium J. Raul Teixeira

06 dezembro 2008

Dificuldades no Movimento Espírita - Hugo Reis

Dificuldades no Movimento Espírita

Não te aturdas pelo que vês nas fileiras da Seara Espírita, que almejavas grandiosa e bela: a apatia no campo moral de tantos, dando a impressão de que isso é coisa natural; os desatinos que não são freados pelo bom-senso, comprometendo o nome da gloriosa Doutrina; a maledicência que alcança largas praias da vida dos nossos arraiais, como se devessem fazer parte das nossas ocupações cotidianas; os descompassos entre as lições teóricas conhecidas e as atividades práticas diárias cheias de hostilidades.

Não te deixes desalentar pela sensação de que o Espiritismo em nada te auxilia, considerando os golpes contundentes que te ferem cotidianamente, impondo-te lágrimas em que se mesclam dores, mágoas e revoltas.

Não te rebeles ao verificar que muitos que ocupam posições destacadas no Movimento do luarizado Espiritismo, agem como se nada tivessem a ver com a magnitude da mensagem, uma vez que somente anseiam pelas coisas do mundo material, com cinismo e desplante, preocupados tão só em fixar-se nas posições que lhes proporcionam maior visibilidade, bastando-lhes o ensejo exibicionista, em função dos quais afirmou Jesus que “já teriam obtido o seu galardão”, ou seja, o que desejavam.

Não te atormentes, pois, uma vez que o planeta terreno atravessa momentos de seriíssimas definições e redefinições, de cujo processo ninguém pode escapar, enquanto se persistir na busca do progresso.

A Terra, em razão disso, traz sobre seu dorso e nas esferas do seu campo psíquico, entidades nos mais diferenciados estágios de aprimoramento, de desenvolvimento geral, dentre os quais são muitos os que se aninham na má vontade, esforçando-se por retardar o dia luminoso da grande renovação planetária.

Nesse estado de coisas, não estaria o Movimento Espírita indene a semelhantes presenças ou livres dessas almas que, em si mesmas atordoadas, causam atordoamento onde quer que chegam, quer estejam no corpo físico, reencarnadas, quer ainda se achem aguardando novas oportunidades, na erraticidade.

Do mesmo modo que encontramos almas irresponsáveis que se valem do nome de Jesus, a fim de explorar a boa fé dos ingênuos e dos incautos, dos ignorantes e dos parvos, nas mais distintas confissões de fé ou fora delas, temos em nosso Movimento os que, da mesma maneira, evocam o nome do Senhor, admitindo sempre que não há nenhuma necessidade de que levem a sério o trabalho e os deveres que lhes cabem, já que os Guias do mundo são dotados de grande generosidade, são misericordiosos.

Almas infantilizadas, nas quais ainda é verdoso o senso moral, enxameiam, orgulhosas umas, vaidosas outras, prepotentes tantas, que, mesmo reconhecendo suas incapacidades, fazem questão de assumir posições e cargos de responsabilidade, que sabem que não responderão a contento, pelo fato de tais situações lhes conferir projeção ou destaque social.

Há os que não têm nenhuma noção do campo de atividades em que se acham, mas não recuam, não procuram orientar-se de modo a produzir o melhor para a Doutrina. Permanecem como estão, supondo que os Espíritos do Senhor lhes suprirão a má vontade e o relaxamento.

Desgraçadamente, tais irmãos do mundo estão distribuídos por todos os campos da vida social e se fazem temerários aventureiros nas esferas da política ou da administração das coisas públicas; achamo-los à frente de empresas que deveriam ser produtivas para o progresso da sociedade e que seguem a passos tartaruguescos; temo-los liderando movimentos artísticos e culturais, onde nada funciona a contento, onde coisa alguma de expressivamente bom acontece para suas áreas, do mesmo modo como os deparamos à frente de grupos familiares e de instituições religiosas.

Vemos que cada um anseia por extrair benefícios imediatos da situação em que se aloja, desacreditando, convictamente, da vida imortal para além da matéria densa do mundo. Não te desarmonizes, pois, perante esse quadro sinistro, conflitivo e cheio de contradições da sociedade.

Trata de cumprir o que a ti te cabe, sem que as atitudes alheias te induzam ao desgoverno de ti mesmo, ou ao relaxamento para com teus compromissos perante a existência.

Cumpre-te pautar a vida nos passos dos ensinos do grande Mestre Jesus Cristo; aprende com Ele que a cada um será conferido de conformidade com as próprias atuações nos trilhos da vida.

Aprende, ainda, a não depositar os ensinos rútilos do Espiritismo sob mãos francamente incapazes ou sob mentalidades insanas, pois que, sem contestação, mais cedo ou mais tarde, tudo elas conseguirão desvirtuar, tudo irão degenerar sob os mais tolos ou obscuros argumentos.

Trata, pois, de mergulhar a mente nos ensinamentos felizes do Cordeiro de Deus e ajusta os teus passos na trilha por Ele deixada, e não te importunarás com os companheiros desviados da estrada por livre deliberação, conseguindo, então, não oferecer suas pérolas aos porcos, tampouco desejarás depositar vinho novo em barril velho, procurando, aí, sim, apesar das pelejas ardentes e das lágrimas inevitáveis dos teus testemunhos, seguir fiel e renovado, cheio de possibilidades para entender, orientar e socorrer a quantos o necessitem, na busca do Reino dos Céus, por meio dos roteiros do Espiritismo.

Com o tempo, na medida em que se renovem os humanos, também renovar-se-á o nosso bendito Movimento Espírita que, somente então, conseguirá refletir o brilho intraduzível do estelar Espiritismo.

Assim, não te descompenses. Procura fazer o que te cabe para ser feliz, levando contigo os que estejam sintonizados com o ideal de vida abundante e de paz insuplantável que adotaste para alicerçar a tua existência.

Hugo Reis
Mensagem psicografada por Raul Teixeira, em 11.02.2008, na Sociedade Espírita Francisco de Assis de Amparo aos Necessitados – SEFAN, em Ponta Grossa – PR.

05 dezembro 2008

A Morte - Rosângela Costa Lima

A Morte

Porque a morte propicia tanto sofrimento e catadupas de pranto, acarretando desespero no mundo, é válido lembremos que:

a semente morre para que surja a plântula tenra;

transforma-se a ostra, de modo a produzir a pérola preciosa;

estiola-se a flor, emurchecida, a fim de que provenha o fruto que guarda, na essência, o sabor;

morre o dia nas tintas do poente, de modo que o véu cintilante da noite envolva a Terra;

morre a noite, entre as lágrimas do orvalho, para que o manto aurifulgente do dia consiga embelezar a amplidão;

o rio morre na exuberância do mar;

fana-se o homem para que se liberte o espírito, antes cativo.

* * *

À frente disso, vemos que a morte é sempre a chave que desata o perfume da vida. Não há morte, essencialmente. Tudo é transformação, tudo é recriação...

A lágrima de agora se tornará sorriso.

A dor atual prepara a ventura porvindoura.

A saudade que punge hoje, fomenta o sublime reencontro de logo mais.

Morte é vida, agora o sabemos...

* * *

Habitue-se, caro coração, a refletir a respeito da morte, com serenidade e confiança em Deus, porque você não ignora que, por mais se aturda, desarvore ou se inconforme, essa é a única regra para a qual não se conhece exceção.

Prepare-se, amando e trabalhando no bem grandioso, até que você, um dia, igualmente se transforme em ave libertada da prisão – escola corporal.

A morte tão somente revela a vida mais amplamente. Pense nisso.

Rosângela
Mensagem psicografada pelo médium J. Raul Teixeira

04 dezembro 2008

Choras os teus mortos? - Camilo

Choras os teus mortos?

Permitiu Deus que te libertasses antes de mim e eu disso me não poderia queixar sem egoísmo, porquanto fora querer-te sujeito ainda às penas e sofrimentos da vida. Espero, pois, resignado, o momento de nos reunirmos de novo no mundo mais venturoso no qual me precedeste.

O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XXVIII, item 63.

Sim, naturalmente, a morte dos seres queridos tem o poder de transtornar os sentimentos humanos.

Evidentemente, o fenômeno da morte, ou desencarnação, ainda prova no mundo incomensuráveis padecimentos, que costumam hebetar a pessoa, mormente quando ela, não dispondo dos conhecimentos da Vida Imperecível, imagina seja a morte o fim absoluto da querida convivência dos que se prezam, dos que se amam.

Muito embora a lágrima sentida ocupe o seu lugar, quando desses transes difíceis, faz-se necessário atentar para os excessos, que são, sem dúvida, expressões da mente bloqueada ou da alma emparedada em ignorância desarticuladora, impedindo-se de pensar mais alto.

Há familiares que se desesperam de tal modo, ante a morte, que mais parecem descarregar as quotas de remorsos para com o desencarnado, do que propriamente saudade ou ternura.

Há casos de tamanha revolta, diante da lei que não tem exceção, que passam a acusar, sem que se apercebam, os afetos trespassados, como responsáveis por seus sofrimentos.

Há situações em que familiares e amigos, num processo inconsciente de autopiedade, valem-se do passamento dos entes caros, a fim de exteriorizar a carência afetiva que os caracteriza. Não pensam claramente no morto, mas, em si mesmos, elastecendo o sofrimento, atraindo para si as atenções e cuidados gerais.

* * *

Pára e pensa, pois, nessas questões.

Não obstante a morte imponha amargura e dor, frustração e lágrimas naqueles que ficam, nas lides da atividade carnal, vale a pena estejas vigilante, para que o egoísmo milenário, mimético e torpe, não se imiscua nos teus sentimentos verdadeiros.

Cultiva, então, o bom senso.

Sofre e chora sem que o teu sofrimento perturbe os outros, e sem que tuas lágrimas traiam teus desejos íntimos de afago, na descompensação em que te achas.

Aprende a sofrer retirando bom aproveitamento do padecer, amadurecendo, superando-te, para que as tuas provações ou expiações humanas, de fato, façam-te avançar para Deus, e não te aguilhoem aos postes morais do indivíduo espiritualmente pigmeu.

Choras por teus mortos? Então, faze desse pranto um aceno de ternura e um bilhete de paz, onde tu digas aos amores desencarnados:

Até breve; que Deus te abençoe, ser querido!

Camilo
Mensagem psicografada pelo médium J. Raul Teixeira

03 dezembro 2008

Os Medos das Crianças - Raul Teixeira

Os Medos das Crianças

São tão bonitas as nossas crianças! Desde recém-nascidas aprendemos a cultuar as nossas crianças como sendo as nossas jóias.

Nossas crianças de fato merecem essa assistência, esse carinho, essa atenção. Mas, é curioso perceber que, muitas vezes, desde cedo, muito cedo, elas apresentam os medos, os temores e, muito dificilmente, nós nos damos conta desses medos, desses temores, o porquê disso existir.

Por que é que nossas crianças têm medos? Medos dos mais variados. Há crianças que não ficam no quarto escuro de jeito nenhum. As mães precisam colocar aquelas lampadazinhas de baixa intensidade para que a criança tenha a segurança de que está num ambiente iluminado, ainda que parcamente. É muito interessante perceber isto, porque nas famílias são poucos os pais que dão atenção a esses medos infantis. Muitas vezes atribuem que seja falta de vergonha da criança, que seja mimo demais. Cada um diz uma coisa. Pode ser que haja mimo, pode ser que haja a sem-vergonhice da criança para ficar junto com a mãe. No entanto, é importantíssimo que olhemos os medos da criança com olhar mais psicológico.

Por que é que ela tem medo, se nunca lhe pusemos medo? Se nunca impusemos medo aos nossos filhos de onde é que vêm esses medos? Jamais lhe falamos alguma coisa que pudesse impor-lhe qualquer medo.

Vale a pena pensar que nossas crianças, nossos filhos são Espíritos. Sim, nossos filhos são Espíritos e como Espíritos eles agem, como Espíritos eles procedem. E porque nós somos espiritualistas e acreditamos que nossos filhos sejam Espíritos, muitas vezes é necessário entender que eles vieram de alguma região espiritual para a Terra, para o nosso encontro. São almas ligadas a nós, de passado próximo ou de passado remoto, ou que estão contato conosco pela primeira vez, mas são Espíritos. Muitas entidades espirituais ficam retidas nessas regiões do Além durante muito tempo. Algumas, atravessando dificuldades em função das vidas pretéritas; outras, com menos problemas, em função da vida passada.

Naturalmente, quando pensamos nisso, poderemos cogitar se esse medo expresso por nossa criança não vem dessas experiências no Além, antes de que chegasse à Terra. Desse modo, vale a pena que nós não imponhamos à criança essa resistência ao medo.

Se, por acaso, ela estiver apresentando medo de escuridão, não lhe obriguemos a ficar num lugar escuro. Poderemos criar-lhe traumas de difíceis conseqüências para o seu futuro. Será importantíssimo que nós trabalhemos para que ela fique bem e, como falamos, as mães colocarem uma lampadazinha de baixa intensidade para que a criança se sinta confortável.

Às vezes, ela acorda chorando e os pais imaginam que seja manha para ir para a cama do casal. Pode ser que seja, mas como não teremos certeza, enquanto esta certeza não tivermos, vamos atender a nossa criança. Não haverá nenhum problema que ela fique um pouco junto de nós e quando ela durma, quando ela se acalme, nós a levaremos para a sua caminha de novo.

Há muitas crianças que sofrem pesadelos tanto quanto os adultos sofremos pesadelos e, como elas não sabem dizer, elas poderão dizer que viram bichos, que viram monstros e nós, se não tivermos essa sensibilidade, estaremos criando um problema muito mais sério, muito mais grave para os nossos filhos do que se nós estivermos lhes.dando agasalho.

Medos em crianças precisam ser analisados porque, afinal de contas, nossos filhos são Espíritos e como Espíritos carregam as pressões do seu passado, de sua vida anterior a essa, ou de suas vidas anteriores a essa. E, por causa dessa pressão, tudo pode acontecer.

Antigos adversários que as acompanham, seres da família e que elas, não tendo consciência, poderão assustar-se ao vê-los, no seu desprendimento pelo sonho.

Daí, então, vamos conversar com a nossa criança, trabalhar para que se.lhe diminua a intensidade do medo, mostrar para ela que não há razão para ela ter medo. Por que? Porque ela está dentro de casa, junto do papai, junto da mamãe, junto aos irmãos. Mas não vamos menosprezar essa reação que a nossa criança possa apresentar de medo, de pavor em muitas ocasiões. Afinal de contas, nós precisamos agasalhar com carinho os nossos filhos.

* * *

Falamos, desse modo, desse cuidado com os nossos filhos, com as nossas crianças, exatamente pelas condições psicológicas dos nossos pequenos. É importante, porém, que não seja obra dos pais, ou dos adultos colocar medo nas crianças.

É muito comum, na tentativa de abolir determinado comportamento da criança, que os pais lhe imponham medos, medos do papão, do bicho papão, para fazê-la dormir.

Às vezes, as mães, com intenções as mais variadas, colocam nos seus filhos medos do velho, do guarda, da polícia, medo do preto, medo da mulher, medo completamente irracional.

As crianças não têm ainda condições de discernir, elas não conseguem ainda avaliar o que signifique isto que seus pais ou que um adulto lhes esteja dizendo. Ela então se perturba, se amofina, se apoquenta, sem saber como sair dessa situação.

Nós criamos, na mente infantil, esses quadros dantescos que, na imaginação criativa da criança, ganham uma forma inusitada, uma extensão inimaginável e uma intensidade brutal. Quantas e quantas vezes problemas sérios, que acompanharão a criatura até a idade adulta nasceram nesses medos na infância.

Dessa maneira, vale a pena ter muito cuidado com medos de nossas crianças. Por vezes, elas apresentam medos de determinados bichos, medo de aranha, medo de barata, bichos que aparecem em casa, medo da lagartixa. Tanto quanto seja possível, se seus pais não forem dotados deste mesmo medo, poderão mostrar para as crianças que esses são animais inofensivos. Deverão ensinar a elas a ter cuidados porque pode ser animal que traga algum tipo de enfermidade, pelos lugares por onde passeie. Como nós aprendemos a espantar as moscas porque elas pousam em qualquer lugar, os mosquitos, muitas vezes será necessário ensinar às crianças a respeito da questão higiênica: porque é que não temos determinados tipos de animais na nossa convivência, mas não porque elas devam ter medo, não porque os pequenos devam temer isso, mas o cuidado.

Ensinar. Sempre que ensinamos, nós libertamos a criança. Deixamos de ensinar, a criança fica escrava do medo irracional.

Quantos adultos inseguros não ficam em casa sozinhos jamais, não saem à rua sozinhos jamais, não viajam jamais a sós... E quando nós vamos buscar as razões disso, as raízes de tudo isso, as raízes se encontram nos medos que lhes foram inculcados na infância.

É tão importante uma vida sem medo, mas com cuidados. Não temos medo de escuridão, mas sabemos que não devemos passar por lugares inóspitos, escuros em determinados horários, porque há pessoas de má índole que, muitas vezes, querem pregar sustos ou criar problemas graves: um assalto, um furto.

Então, nós estamos raciocinando. Não é um medo do escuro pelo escuro; é a preocupação de que há criaturas que se valem da escuridão para causar transtorno a outras pessoas.

Não fugiremos de determinados insetos por causa do medo que tenhamos deles, mas por sabermos, conscientemente, o tipo de problemas que eles nos possam trazer. Com isso, a nossa criança se desenvolve, ela aprende, ela cresce e nós ficamos felizes por não criarmos filhos, por não influenciarmos crianças a partir do medo.

É tão bom a gente não ter medo. É tão bom termos coragem de fazer as coisas, de viver as circunstâncias, de enfrentar desafios novos. É tão importante, é tão bom. E vale lembrar Jesus quando, num momento em que os discípulos estavam apavorados, após a Sua crucificação, e ninguém sabia Dele, e todos sentiam falta Dele, ei-LO que surge! E, ao se dirigir aos discípulos os saúda dizendo: Sou Eu, não temais.

A partir dessa presença de Jesus em nossa vida não temos nada a temer. Vamos passar Jesus de todas as maneiras para as vidas das nossas crianças, para a vida dos nossos filhos. Foi Ele mesmo que nos propôs: Deixai que venham a Mim as crianças, não as detenhais.

É tão importante que, a partir da lucidez com que ensinamos as crianças a viver da nobreza, com que permitamos que os nossos pequenos cresçam, aproximá-los de Jesus, dos ensinos do Mestre.

A partir daí, teremos a certeza de que eles crescerão saudáveis, corajosos positivamente, audaciosos no Bem, criando doravante o mundo novo que todos nós aguardamos.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 97, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná. Programa gravado em agosto de 2007. Exibido pela NET, Canal 20, Curitiba, no dia 1º de junho de 2008. 

02 dezembro 2008

Os Talentos que Deus nos Deu - Raul Teixeira

Os Talentos que Deus nos Deu

Impressionante é a quantidade de bênçãos de que somos dotados. O Criador não mediu esforços para nos dotar de elementos maravilhosos, em prol de nossa própria evolução.

Nós poderemos chamar tudo isso de talentos. Sim, poderíamos chamar tudo isso de talentos.

Jesus Cristo nos trouxe uma parábola que ficou conhecida como a Parábola dos talentos. Nessa parábola, o Mestre nos fala de um senhor muito rígido, muito exigente, que ao fazer uma viagem, deixou com três dos seus servidores uma quantidade de moedas.

Com o primeiro deixou uma quantidade grande, com o segundo outra menor e com o terceiro servidor, deixou uma única moeda.

Ele queria voltar e saber o que é que os seus servidores seriam capazes de fazer com aqueles recursos.

O primeiro, sabendo das características do seu senhor, tratou de multiplicar, de aplicar aqueles recursos.

O segundo fez a mesma coisa. Mas o terceiro, que tinha recebido menos, preocupado com a reação que pudesse ter o seu senhor, caso ele não fizesse o dinheiro progredir, tratou de enterrá-lo, sepultou o talento, o dinheiro.

E quando retorna o senhor, a coisa fica muito interessante. Porque o senhor se dirige ao primeiro, que tinha recebido maior quantidade e vê o quanto ele produzira na sua ausência.

O segundo servidor também aproveitou, aplicou, multiplicou. E o terceiro, exatamente aquele que tinha recebido um talento somente, preocupado, com medo, sepultou, aniquilou o talento.

E, para surpresa de todos, o senhor tratou de abençoar aqueles dois que tinham multiplicado os seus recursos e lamentou aquele que tivesse recebido apenas um, que tinha recebido um só talento e nada fez com esse talento recebido.

E é curiosa a fala de Jesus Cristo, pondo na voz do senhor as Suas advertências: Àquele que mais tem, mais se lhe dará. Àquele que nada tem, até o que pensa ter lhe será tirado.

A princípio parece uma medida injusta.Como é que se vai dar mais a quem já tem? Mas a questão é lógica, porque aquele que mais tem, foi o que mais produziu, o que mais e melhor aplicou, o que fez render os recursos do senhor.

E aquele que enterrou a moeda, até a moeda que ele julgava ter não era dele, era um empréstimo do senhor. Até o que ele pensava ter lhe seria retirado.

Na nossa vida na Terra, nós também somos dotados de vários talentos. Cada qual de nós, que nasce no mundo, tem a possibilidade de experimentar talentos variados, oportunidades que nos são concedidas pelo Pai Criador.

Nós somos dotados, por exemplo, do talento da inteligência. Quanta coisa podemos realizar com a nossa inteligência.

O fato de não termos uma deficiência mental, uma doença cerebral, que nos dificulte a atividade mental, que nos dê capacidade de agir, de pensar, de laborar.

É uma bênção a inteligência que temos na Terra. É um talento que deveremos saber multiplicar, aplicar em prol da vida, em prol do bem, em prol das coisas, das pessoas.

Mas temos um outro talento que a vida nos concede no mundo. O dinheiro, por exemplo.

Aquele que tem a oportunidade de nascer em berço de ouro, ou ainda que não seja berço de ouro, mas que tenha facilidade financeira, econômica, facilidade monetária.Em quantas coisas pode transformar esse dinheiro: em escolas, em hospitais, em lares, em oportunidade de estudo, em esportes, em saúde, em bênçãos multiplicadas, sem deixar de usufruir do próprio dinheiro.

Encontramos ainda as bênçãos da cultura. As pessoas que podem viajar, conhecer lugares, aprender coisas. Tudo isso faz com que sua cultura cresça.

Aquelas que têm acesso aos livros, às bibliotecas, aos museus, quanto aprendem e quanto podem fazer com esse aprendizado, socializando a sua cultura.

Os que somos portadores de saúde, ora, a nossa saúde é um talento inimaginavelmente abençoado. Porque a pessoa pode ter dinheiro, pode ter cultura, pode ter inteligência, mas se não for saudável, se não tiver saúde, pode fazer muito pouco com isso tudo que tem.

A saúde então é desses talentos maravilhosos, majestosos, com o qual e a partir do qual poderemos deixar a vida engalanar-se, a vida crescer e nos tornarmos verdadeiramente indivíduos talentosos por saber aplicar as riquezas, as bênçãos que o Criador nos concede.

* * *

No meio de todos esses talentos que nós recebemos do Criador, as oportunidades de vida na Terra com eles, destacamos o talento do poder. Poder em toda linha.

Quem é pai, quem é mãe tem poder. Quem é político, administrador tem poder. Quem dirige uma empresa, um condomínio, tem poder. Nos mais variados níveis, o poder estando em nossas mãos, poderemos fazer dele um bom uso ou um mau uso.

Logo, aqueles que se valem do poder de que são investidos para tripudiar sobre os outros, para infernizar a vida alheia, para tratar mal, para dominar, para machucar, certamente vão dar conta desse talento.

Há talentos que são nossos, coisas que nós já conquistamos como virtudes, como dons que eram, passaram a ser propriedades nossas, como a nossa inteligência, como a nossa cultura.

Nada obstante, há outros talentos que vão ficar no mundo. O dinheiro, o poder, a riqueza em geral, tudo quanto temos, vai ficar no mundo. A única riqueza que levaremos, depois da morte física, é aquela que Jesus Cristo disse que deveríamos fazer questão de conquistar.

Aquela riqueza que o ladrão é incapaz de roubar, a ferrugem não pode corroer, muito menos a traça pode consumir. E uma riqueza com essas características só pode ser a riqueza da alma. Todas as demais são coisas, são objetos, são valores que ficam no mundo, porque ao mundo pertencem.

Desse modo, os nossos talentos devem ser utilizados para o bem da vida. Não foi à toa que Cristo nos propôs aprendêssemos a fazer amigos com as riquezas do mundo.Quantas vezes somos portadores de riquezas no mundo e de riquezas do mundo e não conseguimos fazer nada por ninguém.

Usufruímos, apenas usufruímos egoisticamente, fechados em copas. Usufruímos, aproveitamos, mas não conseguimos socializar com ninguém uma moeda, uma palavra, uma oportunidade com quer que seja.

E assim, costumamos sair da Terra com muitos comprometimentos. Porque nós estamos aqui exatamente para saber utilizar os talentos que Deus nos deu. Cada qual tem o seu.

Imaginemos a criatura que sabe pintar um quadro a óleo, um quadro a nanquim, quanta beleza expressa numa tela. Poderemos desenvolver em nome dos nossos talentos.

Imaginemos quantas crianças poderiam ter material escolar. Não poderiam faltar à escola, se nós ajudássemos com um kit de material escolar, no início das aulas. Com o uniforme, com a merenda escolar, com recurso para sua passagem.

Nós podemos fazer tanto bom uso dos valores que temos.Imaginemos alguém que cante, que tenha uma voz maviosa, usando esses recursos para embelezar a vida, para adocicar os ouvidos da Humanidade.

É natural que vai ganhar o que merece, o que precisa para viver, mas a sua arte, o seu canto serão as expressões de Deus para embalar as lutas, as dores e as alegrias humanas. Nossos talentos não devem ser desperdiçados.

Mas há um talento notável que muita gente não dá importância.É o talento da crença, da fé religiosa. Muita gente afirma que pode viver no mundo sem religião. Que a religião não lhe faz nenhuma falta, o que admitimos ser improvável.

A religião nos faz muita falta. Notamos que muita gente não freqüenta a igreja, não vai a templos, não participa de nenhum culto, mas tem o amor pela Humanidade, dedica-se a servir a Humanidade.

Empresta seu tempo, suas mãos, sua inteligência, seu dinheiro, seu poder em prol de grupos humanos. Dedicam-se aos vegetais, a resguardar os mananciais, a tratar dos animais, a cuidar de crianças órfãs, de velhos abandonados, de doentes mentais, psiquiátricos, de doentes com lesões físicas. Essa é a sua religião.

Vale lembrar que um dia, depois que Madre Tereza de Calcutá retirou das lixeiras de Calcutá um homem, nas bordas da agonia da morte, fê-lo banhado e o colocou numa cama digna, para que ele ali morresse. Ele lhe tomou das mãos e lhe perguntou, em lágrimas:

Qual é, senhora, a sua religião?

E Madre Tereza lhe respondeu, marejada de emoção:

A minha religião é você.

E qual é o Deus ao qual a senhora serve?

Meu Deus é você.

Logo, transformar a nossa religiosidade em amor ao próximo é algo indizivelmente grandioso, que faz com que aprendamos a valorizar os talentos que Deus nos deu; a dignificar os talentos que vamos levar para depois da morte.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 119, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná. Programa gravado em outubro de 2007. Exibido pela NET, Canal 20, Curitiba, no dia 13.07.2008.

01 dezembro 2008

O Casamento - Raul Teixeira

O Casamento

Das instituições sociais, aquela que marca um importante progresso na ordem da sociedade humana, se chama casamento. E aqueles que imaginam que casamento seja uma coisa simples, uma coisa fácil, certamente incorrem em erro.

Casamento é uma coisa complexa. Vejamos porquê. Cada qual de nós é uma individualidade que se desconhece. Cada qual de nós se ignora solenemente. Há reações no nosso mundo íntimo, que não fazemos idéia de que as teremos. Há grandezas do nosso mundo interior que desconhecemos totalmente.

Há muitas reações nossas que explodem num minuto, num momento, e a gente não imagina de onde saíram essas tais reações. Logo, nós somos desconhecidos de nós próprios.

Não é a toa que os Espíritos do Bem recomendam que, para nós superarmos as tentações do mal e sermos felizes nesta vida, será importante seguir o que um velho sábio da antigüidade já disse: Conhece-te a ti mesmo.

Ora, na medida em que nós não nos conhecemos, se torna sempre difícil uma relação mais saudável de nós para conosco. Imaginemos quando nos unimos a uma outra criatura, que, por seu turno, também se desconhece.

Sim, porque cada criatura humana se ignora solenemente. Então, somos dois indivíduos, um homem e uma mulher que se desconhecem em si próprios, se conhecem relativamente e que vão se unir. E cada qual ignora o outro mais profundamente ainda.

Tudo isso poderia ser superado pela boa vontade. Esse desejo de conviver junto à pessoa querida, junto à pessoa amada, junto àquele indivíduo que escolhemos para participar da nossa vida, para partilhar da nossa vida.

Isso tudo nos ajudaria a ir superando essas dificuldades de entendimento. Iríamos nos conhecendo reciprocamente, enquanto nos iríamos conhecendo individualmente.

Cada vez que eu fizesse esforços, que eu demandasse movimentos de autoconhecimento, isso me facilitaria muito conhecer a outra pessoa. Obviamente eu me tornaria melhor esposo, ela se tornaria melhor esposa e ambos se fariam melhor casal.

Lamentavelmente essas coisas não existem. Porque, quando o indivíduo se casa com outro, deseja ser servido pelo outro, deseja que as virtudes estejam com o outro.

É muito comum que os rapazes digam: Estou procurando uma moça ideal para mim. Só que ele não imagina se ele será o rapaz ideal para ela.

As moças dizem: Estou procurando um príncipe encantado para mim, um homem ideal para minha vida. Muitas vezes não se dão conta de que elas não são a pessoa ideal para a vida dele.

E vivemos nesse jogo social de engana-engana e se engana e, com isso, é muito complicada a estrutura do matrimônio.

Mas nada que seja aberrante, nada que seja impossível de se concretizar, a partir do momento em que estamos lidando com pessoas adultas, com criaturas amadurecidas, que sabem que, a partir do momento em que tenham compromissos com outro coração, precisamos ter respeito para com esse compromisso.

É desse modo que o casamento se torna, segundo dizem os Bons Espíritos, os Guias da Humanidade, um progresso na marcha da sociedade.

O notável codificador espírita, Allan Kardec, fez uma pergunta em O Livro dos Espíritos: O que seria da vida social caso houvesse a abolição do casamento?

E a resposta que ele obteve em O Livro dos Espíritos é de que o ser humano tenderia a voltar à vida dos irracionais.

Lamentável seria isso porque, no momento em que nós já chegamos no estágio em que nos encontramos, somos seres racionais.

A razão deve guiar as nossas decisões, os nossos passos, deve orientar as nossas propostas de vida e, desse modo, o casamento se tornaria uma coisa bastante agradável. Por quê?

Porque nós estaríamos vivendo com a pessoa gostada, com a criatura querida.

Vale a pena pensar que o casamento na Terra tem esse caráter de nos fazer experienciar dimensões do amor que a gente não teria dentro de casa com o pai e com a mãe.

O amor que a gente dedica à mãe, o amor que dedicamos ao pai, ao irmão, aos irmãos, não tem a mesma dimensão do amor que um rapaz dedica à sua esposa ou à sua noiva, ou que a moça dedique ao seu marido, ao seu noivo.

Daí, nós vamos, através da instituição do casamento, desenvolvendo essas nuanças do amor: o amor conjugal, também conhecido como amor passional.

Até que nos nasçam os filhos e nós teremos aí a dimensão do amor paternal, maternal e, gradativamente, numa mesma existência, nós estaremos experimentando as mais variadas dimensões do amor.

E a visão do casamento, segundo as vistas de Deus, é nos permitir esse entrosamento, esse encaixe, de tal modo que nos candidatemos a cidadãos do futuro.

Estamos montando, através de um cadinho pequeno na forja doméstica, a grande família do futuro, a grande família do porvir, porque todos nós somos membros da família universal.

* * *

Quando nos unimos duas criaturas, é bom que se diga: nós não nos fundimos. Não estamos uma criatura amalgamada à outra.

Continuamos a ser um e outro, unidos pelo bem querer, pelos laços de amor, pela afetividade, pela camaradagem. Por tudo isso que deve alimentar uma relação a dois.

Mas, é importante saber que cada qual precisa ter essa liberdade de respirar, como nos lembra o grande poeta árabe Gibran Khalil Gibran, quando nos assevera que nós deveremos viver juntos, dançar juntos, cantar juntos, mas que cada um deverá estar sozinho.

É importante que cada cônjuge tenha esse espaço na relação, para o momento em que precisa ficar só.

Há muitos instantes em que a gente quer dar conta das próprias angústias internas, das aflições íntimas, das dúvidas que carrega consigo mesmo, dos tormentos espirituais, das angústias morais e, obviamente, não adianta o outro querer estar junto naquele momento.

São situações em que cada qual precisa respirar sozinho, chorar sozinho. E se precisar da ajuda do outro terá a liberdade de chamar.

É muito ruim quando o casal, porque está casado, se sente um dono do outro. Na hora que eu quero, o outro tem que querer: Eu só vou se você for, eu só faço se você fizer, eu só como se você comer.

Obviamente que sobrecarrega por demais a alma do cônjuge.

Nós deveremos estar juntos quando isso nos agradar a ambos. Nós deveremos caminhar juntos enquanto isso for importante para ambos. Mas quando um dos dois pedir um tempo para pensar a sós, para estar a sós, para chorar a sós, é indispensável que a gente dê.

Porque no casamento nós estamos experimentando esse entrosamento de dois irmãos. Nós somos irmãos porque somos filhos de Deus. Somos marido e mulher, somos esposos pelas relações biológicas do mundo, biopsicológicas do mundo, pelas relações sociais.

Mas, essencialmente, o que nós somos um do outro? Dois irmãos, filhos do mesmo Pai, do mesmo Deus, em experiências do matrimônio para que desenvolvamos essa dimensão do amor conjugal, que vai nos ajudar muito pelos caminhos da nossa evolução afora.

Mas não é esse o amor total que esperamos na vida. Por isso é que na relação familiar nós experienciamos as mais várias conotações do amor: o amor fraternal (entre irmãos), o amor passional (entre esposos), mais o amor filial, o amor maternal, o amor paternal.

Todas as nuanças, exatamente porque nós precisamos, através do casamento, ganhar essa experiência para que, unificados nesse sentimento tão bonito de amar, possamos cumprir a parte que nos cabe na obra da Criação.

Deus conta conosco para que, através da relação conjugal, através da família que nós vamos formar, possamos dar conta da nossa parte na evolução planetária, na evolução da família.

Vale a pena não cedermos às tentações da guerra doméstica, da briga doméstica, da disputa domiciliar.

É importantíssimo que cada esposo seja companheiro de sua esposa, seja o colega de sua esposa, que se riam juntos, que cantem juntos, que chorem juntos, comentem as coisas juntos, que briguem juntos.

Mas que o amor esteja acima de tudo isso e, gradativamente, todas as malquerenças, as indisposições, aquele pisar mais duro, aquele falar mais alto, possa ter alento nas águas do amor.

Ninguém vai esperar que na Terra de provas e expiações, cada casal se levante pela manhã saudando-se um ao outro naquele famoso Ave, César. Não.

Cada qual vai ter as suas dificuldades diárias, mas que o amor possa estar sempre à frente, nos ajudando a superar os mais variados enigmas da alma.

Cada qual que se une a uma outra pessoa, cada indivíduo que se une em casamento com outro ser, deverá pensar que essa é uma instituição complexa, porque são dois indivíduos, que se autodesconhecem profundamente, se unindo numa relação em que eles se entredesconhecem.

Por mais que convivamos juntos, por mais que os anos passem, vamos conhecendo uma ou outra nuança do caráter do companheiro, do cônjuge, mas nunca conheceremos a intimidade, a essencialidade de cada criatura, uma vez que nem essa mesma criatura se conhece a esse nível.

Vamos nos aproximando cada vez mais, tornando a nossa relação sempre mais fecunda e bela. Os esposos se sentindo companheiros, seres úteis à companheira e ela se fazendo a amiga, a conselheira, a cúmplice do seu ser querido. Que toda essa cumplicidade seja luminosa, que toda essa vinculação seja dadivosa, gerando frutos opimos, frutos doces, nessa grande árvore da vida, em que o Senhor da vida nos situou.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 112, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná. Programa gravado em outubro de 2007. Exibido pela NET, Canal 20, Curitiba, no dia 06.07.2008.

30 novembro 2008

Os Anjos Guardiães - Raul Teixeira

Os Anjos Guardiães

Jamais suponhas que tu estejas ao léu na Terra. Não. Cada qual de nós que renasce no mundo, a Divindade aciona alguém para nos orientar, ao longo de nossa trajetória por aqui.

Esse alguém, esse ser espiritual é conhecido, desde todos os tempos, e nós o chamamos de nosso anjo guardião.

Desde quando surgiu no palco da mentalidade humana a idéia de que há anjos, de que existem seres angélicos, aquele ser superior a nós, que nos guia a vida, que nos orienta a vida, que nos coordena os passos, é chamado de anjo guardião, ou simplesmente anjo da guarda, ou simplesmente nosso guia.

Existem várias imagens que tentam representar o nosso anjo guardião. Há uma muito conhecida, muito popular, de um anjo com asas enormes acompanhando um menino que corre atrás da bola na direção do abismo.

É tão importante saber que a imagem que se tem do anjo guardião é a imagem de quem nos guia, de quem nos protege.E, de fato, o anjo guardião é um Espírito de hierarquia superior à nossa. O bom senso nos diz que tem que ser assim.

Alguém para guiar outro alguém não pode estar no mesmo nível, não pode ser equiparado, porque não saberia sair das situações complexas, inspirar nas situações difíceis.

Logo, o nosso anjo guardião, invariavelmente, é um Espírito de hierarquia mais alta que a nossa.

O anjo guardião funciona como se fosse um irmão mais velho, um pai amoroso, um mestre, um professor, mas fundamentalmente, um amigo.

E nessa amizade, nessa paternidade, nessa irmandade, o nosso anjo guardião não nega recursos para nos fazer criaturas felizes, ainda que para isso tenha que nos deixar sofrer, ainda que para isso nos permita a lágrima.

Desse modo, nós ficamos pensando como é importante essa consciência de que, apesar de sermos pessoas maduras, racionais, homens e mulheres que já conseguimos decidir as nossas vidas na Terra, se não tivéssemos o nosso guardião, cairíamos invariavelmente em muitas trampas do caminho, em muitas armadilhas da vida material na Terra.

Porque é na Terra onde encontramos toda gama de perigos, todas as dificuldades, e a nossa visão humana não é tão abrangente, em termos espirituais, que nos permita identificar onde se acham determinados perigos, determinadas dificuldades.

O anjo guardião é essa criatura que nos inspira, que nos orienta, mas de nenhuma maneira interfere no nosso livre arbítrio, senão ninguém mataria outra pessoa, ninguém roubaria, ninguém furtaria.

Se não fosse esse respeito pelo livre arbítrio, ninguém trairia ninguém, ninguém mentiria contra ninguém, porque o nosso anjo guardião não chancela isso, não aprova isso, não pode aplaudir essas coisas. Mas, em nome do respeito ao nosso livre arbítrio, ele nos deixa agir, na certeza de que, depois da nossa ação teremos que suportar o peso da reação.

É desse modo que verificamos que a nossa vida na Terra só não é mais feliz porque ainda não o desejamos, nem sabemos que é possível ser mais feliz na Terra.

Para nós, nascer na Terra já é, em si próprio, motivo de sofrimento. Pouca gente faz idéia de que a nossa vida no mundo é destinada ao nosso crescimento, à nossa felicidade.

Só que, para que alcancemos esse crescimento, para que logremos essa felicidade, temos que fazer a nossa parte.O nosso anjo guardião nos inspira, repito, nos orienta, nos ajuda, mas ele não pode fazer o que somente nós podemos.

Alguém que visite o médico diante de um problema de saúde, ouvirá do médico as orientações devidas, receberá do médico a prescrição quanto à medicação a tomar, mas vai tomar se quiser, fará uso, se quiser, de tudo quanto o facultativo lhe haja indicado.

Assim é a nossa vida com nossos anjos guardiães. Nós poderemos receber deles toda boa inspiração, mas colocá-la em prática já será de nossa inteira liberdade.

Nosso anjo guardião merece, por isso, ser buscado, procurarmos estreitar os vínculos com ele. É certo que ele não nos abandona, mas nós, muitas vezes, nos desplugamos da sintonia com ele, saímos dessa sintonia com ele e obviamente nos sentiremos a sós, um tanto quanto perdidos nessa vastidão do mundo Terra.

E é tão triste essa sensação de que não temos ninguém, embora tenhamos todos a nosso favor, porque se temos Deus conosco através da figura do nosso guardião, não precisaríamos de mais nada.

* * *

Essa presença de Deus junto a nós, através da figura do nosso anjo guardião, precisa ser valorizada por nós. Sim, precisa ser valorizada por nós.

É muito comum que cheguemos ao ponto de sair procurando ajuda através de outras criaturas.Vamos procurar os médiuns, os sacerdotes, os rabinos, os pastores, os pais de santo, na tentativa de que eles nos resolvam problemas, supondo que eles nos apontarão caminhos.

Muitas vezes o fazem, mas porque são criaturas humanas como nós, vivendo as mesmas lutas e necessidades do mundo, às vezes num plano de melhor visão, muitas vezes dotados de maior experiência que a gente, mas não deixam de ser criaturas humanas, atropeladas pelos mesmos vendavais que atropelam as nossas vidas, nem sempre eles atinarão para com o sentido daquele sofrimento que nos acontece, para com a fonte daquele tormento que nos acicata.

Mas, o nosso anjo guardião sabe exatamente porque é que nós estamos atravessando determinadas quadras da vida, positivas ou doloridas. Nosso anjo guardião sabe.

Será importantíssimo nós aprendermos a fechar circuito com eles, a travar contato com eles. Poderemos fazer isso, sem dúvida, aprendendo a fazer silêncio íntimo.

Temos vivido num tempo na Terra e, particularmente nesse lado ocidental do mundo, em que não conseguimos fazer silêncio mental. Acostumamo-nos culturalmente ao barulho, ao tumulto.

Dessa forma, será muito difícil para nós manter contato com nosso anjo guardião. Para ouvirmos entre aspas, sua voz, para captarmos seu psiquismo, é necessário silenciar nossos barulhos internos, nossos tumultos interiores.

Os orientais costumavam dizer que a nossa mente ocidental é semelhante a um macaco louco, porque salta de um para outro galho. Nós pensamos várias coisas ao mesmo tempo e isso nos perturba muito a capacidade de concentração.

É necessário, em nossa vida, o exercício de fazer silêncio íntimo, o exercício de silenciar, desligar os celulares, a campainha da porta, desligarmos o rádio, a televisão e fazermos durante um tempo, a nossa reflexão.

Pensar na natureza, os quadros bons da natureza, as coisas que nos sensibilizam, que nos comovem. Gradativamente nós vamos aprendendo a concentrar.

Concentrar-se é dirigir-se para alguma coisa ou algum lugar. É transformar alguma coisa, algum lugar, algum fato, no centro da nossa atenção.

Daí então, o nosso anjo guardião merece que nós façamos esse exercício para conseguirmos, ao longo do tempo, estabelecer ponte com ele.

A princípio, quando começarmos a fazer silêncio íntimo, sentiremos grande dificuldade, porque estamos acostumados ao barulho.Temos que falar o tempo todo da nossa vida. Não temos costume de silenciar, de passar algumas horas por conta da nossa própria reflexão.

Temos que estar escutando alguma coisa, seja música, seja conversa dos outros, seja irradiação de futebol, seja a novela, seja o que for: o tempo todo nos acostumamos ao barulho, não conseguimos fazer ponte com o Além Superior.

É importante que comecemos o exercício. Na hora em que o pensamento evadir-se, retornamos e recomeçamos a pensar naquilo que era alvo da nossa atenção.O tempo vai passando e nós vamos aprendendo, gradativamente, a ficar mais tempo em silêncio. Silêncio, ouvindo a voz do infinito.

O célebre Pitágoras estabeleceu que o Universo tem uma harmonia, uma sinfonia, corpos que giram para todos os lados, com velocidades variadas não podem ter outra destinação senão a produção de sons.

Mas Pitágoras estabeleceu que nós não conseguimos ouvir esses sons da natureza, porque já nascemos mergulhados nele, não temos o contraste do som e do silêncio.

Então, para nós será importante aprendermos a ouvir esse som do Universo conscientemente, sabedores de que não saberemos distingui-lo do silêncio cósmico. Mas vamos aprender a ouvir o silêncio do Universo que, para nós, será uma verdadeira sinfonia.

Somente quando o logremos, saberemos. Teremos conseguido fazer ponte mental com nosso anjo guardião. Surgir-nos-ão inspirações, idéias, palavras, aprimoramento daquelas idéias que já tínhamos desenvolvido.

Desse modo, estaremos entrosados com aquele Espírito que foi destinado a nos conduzir na Terra, do nosso berço ao nosso túmulo. Muitas vezes, desde antes do nosso berço terrestre, muitas vezes, para além da nossa morte física, nosso anjo guardião nosso amigo, representante de Deus junto a nós.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 120, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná. Programa gravado em outubro de 2007. Exibido pela NET, Canal 20, Curitiba, no dia 03.08.2008.