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19 maio 2013

Doação de Órgãos - Jorge Hessen


DOAÇÃO DE ÓRGÃOS

Nas práticas médicas de todas as especialidades, o transplante de órgãos é a que demonstra com maior clareza a estreita relação entre a morte e a nova vida, o renascimento das cinzas como Fênix: o mitológico pássaro símbolo da renovação do tempo e da vida após a morte.(1) A temática “doação de órgãos e transplantes” é bastante coetâneo no cenário terreno.

Sobre o assunto as informações instrutivas dos Benfeitores Espirituais não são abundantes. O projeto genoma, as investigações sobre células-tronco embrionárias e outras sinalizam o alcance da ciência humana.
Os transplantes, em épocas recuadas repletas de casos de rejeição, tornaram-se práticas hodiernas de recomposição orgânica. O esmero “in-vivo” de experiências visando regeneração de células e a perspectiva de melhoria de vida caminham adiante, em que pese às pesquisas ensaiarem, ainda, as iniciantes marchas. Isso torna auspiciosa a expectativa da ciência contemporânea. Contudo, o receio do desconhecido paira no imaginário de muitos. Alguns espíritas recusam-se a autorizar, em vida, a doação de seus próprios órgãos após o desencarne , alegando que Chico Xavier não era favorável aos transplantes. Isso não é verdade! Mister esclarecer que Chico Xavier quando afirmou “a minha mediunidade, a minha vida, dediquei à minha família, aos meus amigos,ao povo. A minha morte é minha. Eu tenho este direito.

Ninguém pode mexer em meu corpo; ele deve ir para a mãe Terra”, fê-lo porque quando ainda encarnado Chico recebeu várias propostas [inoportunas] para que seu cérebro fosse estudado após sua desencarnação. Daí o compreensível receio de que seu corpo fosse profanado nesse sentido. Não podemos esquecer que se hoje somos potenciais doadores, amanhã, poderemos ser ou nossos familiares e amigos potenciais receptores. “Para a maioria das pessoas, a questão da doação é tão remota e distante quanto à morte.

Mas para quem está esperando um órgão para transplante, ela significa a única possibilidade de vida!”(2) Joanna de Angelis sabendo dessa importância ressalta “(…) Verdadeira bênção, o transplante de órgãos concede oportunidade de prosseguimento da existência física, na condição de moratória, através da qual o Espírito continua o périplo orgânico. Afinal, a vida no corpo é meio para a plenitude – que é a vida em si mesma, estuante e real” (3)

Em entrevista à TV Tupi em agosto de 1964, Francisco Cândido Xavier comenta que o transplante de órgãos, na opinião dos Espíritos sábios é um problema da ciência muito legítimo, muito natural e deve ser levado adiante. Os Espíritos, segundo Chico Xavier – não acreditam que o transplante de órgãos seja contrário às leis naturais. Pois é muito natural que, ao nos desvencilharmos do corpo físico, venhamos a doar os órgãos prestantes a companheiros necessitados deles, que possam utilizá-los com proveito. (4) A doação de órgãos para transplantes é perfeitamente legítima. Divaldo Franco certifica: se a misericórdia divina nos confere uma organização física sadia, é justo e válido, depois de nos havermos utilizado desse patrimônio, oferecê-lo, graças as conquistas valiosas da ciência e da tecnologia, aos que vieram em carência a fim de continuarem a jornada.(5)

Não há, também, reflexos traumatizantes ou inibidores no corpo espiritual, em contrapartida à mutilação do corpo físico. O doador de olhos não retornará cego ao Além. Se assim fosse, que seria daqueles que têm o corpo consumido pelo fogo ou desintegrado numa explosão?(6) Quando se pode precisar que uma pessoa esteja realmente morta? Conforme a American Society of Neuroradiology morte encefálica é o estado irreversível de cessação de todo o encéfalo e funções neurais, resultante de edema e maciça destruição dos tecidos encefálicos apesar da atividade cardiopulmonar poder ser mantida por avançados sistemas de suporte vital e mecanismo e ventilação”.(7)

A grande celeuma do assunto é a morte encefálica, na vigência da qual órgãos ou partes do corpo humano são removidos para utilização imediata em enfermos deles necessitados. Estar em morte encefálica é estar em uma condição de parada definitiva e irreversível do encéfalo, incompatível com a vida e da qual ninguém jamais se recupera. (8)

Havendo morte cerebral, verificada por exames convencionais e também apoiada em recursos de moderna tecnologia, apenas aparelhos podem manter a vida vegetativa, por vezes por tempo indeterminado. É nesse estado que se verifica a possibilidade do doador de órgãos “morrer” e só então seus órgãos podem ser aproveitados – já que órgãos sem irrigação sanguínea não servem para transplantes. Seria a eutanásia? Evidentemente que caracterizar o fato como tal carece de argumentação científica (…) para condenarem o transplante de órgãos: a eutanásia de modo algum se encaixaria nesses casos de morte encefálica comprovada. (9) A medicina, no mundo todo, tem como certeza que a morte encefálica, que inclui a morte do tronco cerebral (10) só terá constatação através de dois exames neurológicos, com intervalo de seis horas, e um complementar. Assim, quando for constatada cessação irreversível da função neural, esse paciente estará morto, para a unanimidade da literatura médica.

Questão que também amiudemente é levantada é a rejeição do organismo após a cirurgia. Chico Xavier nos vem ao auxílio, explicando: André Luiz considera a rejeição como um problema claramente compreensível, pois o órgão do corpo espiritual está presente no receptor. O órgão perispiritual provoca os elementos da defensiva do corpo, que os recursos imunológicos em futuro próximo, naturalmente, vão suster ou coibir. (11) Especialistas, a partir 1967, desenvolveram várias drogas imunossupressoras (ciclosporina, azatiaprina e corticoides), para reduzir a possibilidade de rejeição, passando então os receptores de órgãos a terem uma maior sobrevida.(12) Estatisticamente, o que há é que a taxa de prolongamento de vida dos transplantes é extremamente elevada. Isso graças não só às técnicas médicas, sempre se aperfeiçoando, mas também pelos esquemas imunossupressores que se desenvolveram e se ampliaram consideravelmente, existindo atualmente esquemas que levam a zero por cento (0%) a rejeição celular aguda na fase inicial do transplante, que é quando ocorrem.(13)

André Luiz explica que quando a célula é retirada da sua estrutura formadora, no corpo humano, indo laboratorialmente para outro ambiente energético, ela perde o comando mental que a orientava e passa, dessa forma, a individualizar-se; ao ser implantada em outro organismo [por transplante, por exemplo], tenderá a adaptar-se ao novo comando [espiritual] que a revitalizará e a seguir coordenará sua trajetória.(14) Condição essa corroborada por Joanna de Angelis quando expõe: (…) transferido o órgão para outro corpo, automaticamente o perispírito do encarnado passa a influenciá-lo, moldando-o às suas necessidades, o que exigirá do paciente beneficiado a urgente transformação moral para melhor, a fim de que o seu mapa de provações seja também modificado pela sua renovação interior, gerando novas causas desencadeadoras para a felicidade que busca e talvez ainda não mereça.(15)

Os Espíritos afirmaram a Kardec que o desligamento do corpo físico é um processo altamente especializado e que pode demorar minutos, horas, dias, meses. (16) Embora com a morte física não haja mais qualquer vitalidade no corpo, ainda assim há casos em que o Espírito, cuja vida foi toda material, sensual, fica jungido aos despojos, pela afinidade dada por ele à matéria. (17)

Todavia, recordemos de situação que ocorre todos os dias nas grandes cidades: a prática da necropsia, exigida por força da Lei, nos casos de morte violenta ou sem causa determinada: abre-se o cadáver, da região esternal até o baixo ventre, expondo-se-lhe as vísceras tóracoabdominais.(18) Não se pode perder de vista a questão do mérito individual. Estaria o destino dos Espíritos desencarnados à mercê da decisão dos homens em retirar-lhes os órgãos para transplante, em cremar-lhes o corpo ou em retalhar-lhes as vísceras por ocasião da necrópsia?! O bom senso e a razão gritam que isso não é possível, porquanto seria admitir a justiça do acaso e o acaso não existe!(19)

Em síntese a doação de órgãos para transplantes não afetará o espírito do doador, exceto se acreditarmos ser injusta a Lei de Deus e estarmos no Orbe à deriva da Sua Vontade. Lembremos que nos Estatutos do Pai não há espaço para a injustiça e o transplante de órgãos (façanha da ciência humana) é valiosa oportunidade dentre tantas outras colocadas à nossa disposição para o exercício do amor.


Jorge Hessen 

Referências bibliográficas:

1- Mário Abbud Filho Ex-Presidente da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos. Presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia de São José do Rio Preto.Membro da American Society Transplant Physician. Membro da International Transplantation Society, disponível acesso em 12/04/2005 
2- In Doação de Órgãos e Transplantes de Wlademir Lisso / Cleusa M. Cardoso de Paiva, disponível acesso em 15/04/2004 
3- Franco, Divaldo Pereira. Dias Gloriosos, Ditado pelo Espírito Joanna de Angelis. Salvador/Ba: Ed. LEAL, 1999, Cf. Cap. Transplantes de Órgãos 
4- Publicada na Revista Espírita Allan Kardec, ano X, n°38 
5- Franco, Divaldo Pereira. Seara de Luz, Salvador: Editora LEAL [o livro apresenta uma série de entrevistas ocorridas com Divaldo entre 1971 e 1990.]
6- Simonetti, Richard. Quem tem medo da morte? – São Paulo /SP: Editora Lumini ,2001 
7- In: “Dos transplantes de Órgãos à Clonagem”, de Rita Maria P.Santos, Ed. Forense, Rio/RJ, 2000, p. 41 
8- Bezerra, Evandro Noleto. Transplante de Órgãos na Visão Espírita, publicado na Revista Reformador- outubro/1998 
9- Idem 
10- O tronco cerebral, e não o coração, é reconhecido como o organizador e “comandante” de todos os processos vitais. Nele está alojada a capacidade neural para a respiração e batimentos cardíacos espontâneos; sem tronco ninguém respira por si só. 
11- Cf. Revista Espírita Allan Kardec, ano X, n°38 
12- Folha de S.Paulo, A3, “Opinião”, 15.Maio.2001 
13- Entrevista com o Prof. Dr. Flávio Jota de Paula Médico da Unidade de Transplante Renal do HC/FMUSP. 1º Secretário da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Diretor da I Mini Maratona de Transplantados de Órgãos do Brasil. Publicado em Prática Hospitalar ano IV n º 24 nov-dez/2002 
14- Xavier, Francisco Cândido. Evolução em dois Mundos – Ditado pelo Espírito André Luiz. 5ª Ed. Rio de Janeiro, RJ: Ed FEB, 1972, cap. “Células e Corpo Espiritual” 
15- Franco, Divaldo Pereira. Dias Gloriosos, Ditado pelo Espírito Joana de Angelis. Salvador: Ed. LEAL, 1999 
16- Kardec, Allan,. O Livros dos Espíritos, RJ: Ed FEB/2003, questão n° 155, Cap. XI. 
17- Kühl Eurípedes DOAÇÃO DE ÓRGÃOS TRANSPLANTES Entrevista Virtual disponível acesso em 24/04/2005 
18- Cf. Bezerra, Evandro Noleto. Transplante de Órgãos na Visão Espírita, publicado na Revista Reformador- outubro/1998 
19- Bezerra, Evandro Noleto. Transplante de Órgãos na Visão Espírita, publicado na Revista Reformador- outubro/1998


18 maio 2013

O Pai e a Família - Miramez



O  PAI E A FAMÍLIA


A estirpe da conversa se esconde nas profundezas dos sentimentos, como a sintonia gera ideias no mesmo tom, materializando palavras de natureza idêntica. Pensamentos e sentimentos produzem uma corrente contínua de vibrações: um fornece a força, o outro plasma o entendimento e a palavra anuncia, no exterior, o que se passa por dentro de quem pensa e sente.


Lembrando o título da mensagem, vamos buscar, com todo o carinho e respeito o dever maior do pai de família junto aos seus, àqueles que o cercam.

O homem que já pensou na conjuntura do seu lar, na harmonia de sua família e na paz dos seus filhos, obviamente já lançou mão dos seus deveres no que se refere à educação da palavra. Se tu és pai, procura descobrir o quanto vale a tua palavra dentro de casa; ela é ouvida com mais interesse do que pensas. Por vezes, sai da tua boca sem a menor importância que lhe dás, no entanto, os teus filhos e companheira acreditam em ti e seguem as tuas instruções, pelo poder do teu verbo.


Confere as tuas ideias, antes da palavra expor o que intentares falar. A tua conversa é, de certo modo, alimento em dimensão diferente, para os Espíritos que habitam contigo. Há muito para dizer a eles, no sentido construtivo, senão benéfico, em variadas ordens de comunhão com a verdade e o amor.


As crianças de um lar sempre esperam por todo o dia a chegada do pai, para que se lhes transmita uma história. Alegra o ambiente com tuas palavras, através do modo pelo qual o carinho sugestiona essa ânsia de prazer das almas que se propuseram a andar juntas e, por enquanto, vieram como teus filhos. Amanhã, os papéis poderão estar invertidos. Lança mão dessa oportunidade. Não te desvies do caminho de casa, para lugares onde o bom senso não te inspira, nos quais o palavreado é sempre inferior. Não sujes a tua boca com conversas que o pudor não aprova, porque elas são carregadas de magnetismo inferior, de sorte a turvar todo o teu campo mental, a empanar teus sentimentos elevados e a criar uma tensão espiritual de baixo teor. E depois, quando chegares em teu lar, o que poderás fazer com os teus? Vais sentir-te cansado pela mudança de assuntos, vais calar, por não existirem argumentos compatíveis com o teu ambiente familiar, deixando assim, de cumprir o teu dever diante daqueles que te esperavam na candidez que os anos lhes dá.


Quem não sente prazer em falar com crianças? Com elas, aprendemos muito na arte em que os anjos são sábios. Quantos anjos tens em casa? Um, dois, três ou mais? Que felicidade! O que procuras fora está dentro da tua casa: é o céu e Deus te chamando para um convívio de alegria e de paz. Fala com teus filhos, fala com tua companheira, mas fala com grandeza de coração e inteligência disciplinada. Move a tua língua em todas as direções, escolhendo sons que mais agradem aos ouvidos dos que te ouvem, e nunca esqueças, perante os teus filhos, de um sorriso de otimismo e de uma feição de carinho; eis o material que a vida usa para alimentar e garantir vidas em formação. Não existe família unida sem palavras bem formadas. Poderemos interpretar Marcos, no capítulo dois, versículo onze: “Todo pai ou familiar que se encontre doente dos pensamentos e palavras, deve procurar com urgência o Cristo para ser curado”.


E vamos ouvir, depois de curados, para onde Jesus vai mandar o ex-enfermo: “Eu te mando: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa”. Marcos, 2:11

Que o Senhor te abençoe.



Livro Horizontes da Fala, cap. 43
Espírito Miramez
Psicografia de João Nunes Maia


17 maio 2013

O Plágio na Psicografia - Klaus

  

O PLÁGIO NA PSICOGRAFIA

O médium Agnaldo Paviani pergunta ao espírito Klaus sobre a possibilidade de plágio no exercício da psicografia…

Agnaldo Paviani: Certa vez, conversando com um médium, amigo meu, ele me contava sobre a possibilidade de muitas obras literárias espíritas serem plágio de outras obras literárias. Em contrapartida, existe a questão da Concordância Universal dos ensinos dos espíritos. Como o senhor avalia essa questão?
 
Klaus: Salvo algumas exceções em que, infelizmente, médiuns acabam “copiando” outros médiuns, via de regra, o que temos é uma “SINTONIA DAS EQUIPES ESPIRITUAIS QUE TRABALHAM COM OS MÉDIUNS ENCARNADOS”.

Ou seja, cada médium, de acordo com sua capacidade de captação mediúnica, de seu conhecimento e particularidades de sua mediunidade, capta de maneira “pessoal” as informações dos espíritos.

Entre nós – os espíritos – não existe concorrência para saber qual espírito é mais conhecido entre os encarnados ou qual é o mais famoso. Dessa foma, determinado espírito escreve sobre determinado tema através do médium X; um outro espírito, em sintonia com a ideia ou o tema, escreve sobre o mesmo assunto, abordando-o em ângulo diferente, através do médium Y.

Evidentemenete, há médiuns mais “corajosos” que “saem na frante” e, sem medo da crítica do movimento espírita – quase sempre descaridosa -, abordam assuntos “ácidos e polêmicos”.
Mais tarde, outros médiuns, encorajados também – em parceria com o espírito -, abordam o mesmo tema.

Méritos para quem teve a coragem de abordar o tema antes dos demais, e méritos também para aqueles que “endossaram” essa ou aquela tese, uma vez que escreveram sobre o assunto posteriormente.

Não obstante compreender sua curiosidade, creio que esse tipo de discussão é inútil. No fundo, essa preocupação, por parte deste ou daquele médium, sobre quem escreveu primeiro ou quem escreveu depois, é apenas fruto de uma “BRIGA DE EGOS”, coisa de espírito (médium) inferior.

Mesmo porque, a liberdade de exressão também existe do lado de cá, e o fato de um médium e um espírito abordarem determinado tema não inviabiliza que outros também o façam. A Seara é grande e tem trabalho para todos “QUE QUEREM TRABALHAR”.


Livro Nos Últimos Tempos…, Capítulo Extra
Espírito Klaus
Psicografia de Agnaldo Paviani
 

16 maio 2013

Praticar o Evangelho, Sim! Ganhar Dinheiro à Custada Mensagem do Cristo, Nunca! - Jorge Hessen

 

PRATICAR O EVANGELHO, SIM! GANHAR DINHEIRO À CUSTA DA MENSAGEM DO CRISTO, NUNCA! 

É justo transformar um templo religioso em uma Agência Mercantil? Em uma espécie de núcleo financeiro lucrativo? Será que Deus consente tal procedimento? Foi isso o que nos ensinou Jesus?

Viver o Evangelho, Sim! Ganhar dinheiro à custa da mensagem do Cristo, Nunca! Até porque nada é tão ilegítimo para um cristão que o exercício da mercantilagem do Evangelho. É deprimente identificarmos “religiosos” (ressalvando-se as exceções) que se postam quais “missionários” do Cristo, com evidente desprezo ao código sublime do amor ao próximo. Tais líderes distinguem-se pelo verbalismo descomedido, comentam tediosos os mais variados assuntos, inobstante não chegarem a qualquer arremate de raciocínio. Exaltam as emoções infelizes da arrogância entre os seus seguidores, cumulando-os de alusões faustosas embora vazias de sentido.

O Cristo advertiu em vários segmentos do Evangelho sobre os “evangelizadores” oportunistas, comparando-os a “lobos em pele de cordeiros”. A lógica humana é dilacerada diante da exploração da fé. Não há como emudecer perante os que se valem das redes de televisão, jornais, livros, internet e rádios para pregar o Evangelho em “nome de Deus”, deslumbrando os seguidores afirmando que a clemência do Pai somente pode ser obtida através da doação de dinheiro.

O que assistimos presentemente são reedições das ardilosas vendas de indulgências, matriz da Reforma Protestante. Mas, se alguém surge dizendo-se “apóstolo” do Cristo, desconfiemos da sua sanidade mental, pois na realidade o que tem surgido são “mercenários” e não missionários do Mestre. Tais pregadores exaltam a ignorância com altas doses de soberba e se alardeiam guias e evangelistas. Há muitos falsos cristos e falsos profetas representados por filosofias, doutrinas, seitas e religiões mercantilistas que escravizam os homens e exploram a boa fé das pessoas que sofrem.

Jesus, há dois mil anos repreendeu: “Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração. Porém, vós a tendes transformado em covil de ladrões”.(1) Hoje, discorrem sobre as escrituras numa maníaca exaltação do Cristo, atrelam suas prédicas à moeda de troca, onde quem for mais generoso (mão aberta) e destinar maior quantia em dinheiro terá maior benefício “celestial”. Os desprevenidos seguidores nutrem-se da “fé cega” que lhes é infligida por meio de discursos abrasados e encenações de pseudo-exorcismos, onde o que de fato ocorre são catarses anímicas e/ou “incorporações” de obsessores que se deleitam diante dos patéticos e deprimentes espetáculos.

E como se não bastasse, comercializam-se os mais singulares amuletos quais “potes com água do Rio Jordão”; “frascos de perfumes e óleos com cheiro de Jesus”; “pedras do templo onde Jesus pregou”; “caixinha contendo porção de areia pisada por Jesus”; “fragmentos de madeiras da cruz do Calvário”; “lotes, casas e mansões no céu”. É evidente que um santuário religioso não pode ser análogo à loja comercial onde se negociam mercadorias com Deus. Será que desconhecem que o templo cristão é local para meditações e cogitações sobre os desacertos e diligências para melhoria de comportamento de cada um de nós?

O que dizer dos “evangelistas” de grandes plateias que cobram fortunas para pregar, que alimentam através da eloquência verbal a idolatria da sua personalidade? São vendilhões modernos e profissionais do Evangelho que execram trabalhar, abominam o argumento de que o Cristo convidou-nos a carregar nossas “cruzes”, granjear “o pão” com o “suor” de nosso trabalho, e que só granjearemos o “Reino dos Céus”, isto é, a paz de espírito, se fizermos ao semelhante o que desejamos a nós mesmos. Sim! “Ai de vós, condutores de cegos, pois que dizeis: Qualquer que jurar pelo templo, nada é; mas o que jurar pelo ouro do templo, ou pela oferta, este faz certo. Insensatos e cegos! Pois qual é maior: a oferta, o ouro, ou o templo de Deus?”. (2)

A única moeda que o Criador acolhe como câmbio é o amor ao próximo. Todavia, infelizmente boa parte do legado religioso que se transfere para as atuais gerações tange à cobiça, ao encanto dos sentidos físicos, à conquista de poder a todo custo, cedendo cancha à brutalidade e à confusão. O fanatismo que vem sendo desenvolvido em torno do misticismo decrépito, investido para amealhar recursos monetários, visando patrocinar a “saúde” daqueles que mais prontamente a possam comprar a peso de ouro, tem oferecido ambiente ao materialismo e ao utilitarismo em que as pessoas deleitam-se, afastadas da misericórdia, da solidariedade, da fraternidade, ante o desafio da autêntica experiência do amor ao próximo, conforme vivido por Jesus.

Paulo escreveu: “De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento. Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores. Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão.” (3) 

Por essas muitas razões é fácil perceber que presentemente os autênticos adeptos do Evangelho ainda formam pequenino grupo muito semelhante ao período das dolorosas experiências dos três primeiros séculos de disseminação da mensagem do Cristo nos domínios de César.

Referências:

(1) (Mateus, XXI; 12 e 13). 
(2) (Mateus, XXIII; 16).
(3) (1 Timóteo 6:6-11) 

15 maio 2013

Somos Maioria - Momento Espírita

SOMOS MAIORIA


Nunca antes na Humanidade houve tantas pessoas fazendo o bem e amando o próximo como em nossos dias.

À primeira vista, a frase parece fora de contexto e mesmo alienada das coisas que vemos.

Temos a impressão de que todos estão fazendo o mal, que poucos são honestos, que ninguém respeita o próximo.

Vemos as notícias na televisão, lemos manchetes nos jornais, escutamos conversas no trabalho e na condução.

Tudo parece convergir e se dirigir para a maldade, para o prejuízo alheio, para gerar dificuldades.

Porém, o que ocorre é que escutamos meias verdades, ou às vezes um pedaço bem pequeno de verdade e, apenas com isso, concluímos ser o todo.

O que não vemos nos noticiários são os milhares de heróis anônimos que ganham sua vida no trabalho honesto e que, com responsabilidade, criam os seus filhos.

Não é notícia as mães e os pais que velam horas a fio o sono de seus filhos para terem certeza que estão bem; que acompanham seus deveres escolares e os educam com amor e carinho.

Poucos comentam a respeito da multidão de voluntários que dedicam horas e horas para minimizar dores, dificuldades e problemas do próximo que, na maioria das vezes é alguém desconhecido. E tudo isso fazem pelo prazer de ajudar.

Esquecemos que se há muitos que transgridem as leis, nunca tivemos tanta proteção legal para as crianças, os idosos, as mulheres e tantas outras minorias na sociedade.

Se ainda existem políticos que não honram seus cargos e missões públicas, há muitos funcionários públicos que trabalham além do que seus contratos preveem, pelo ideal de melhorar a vida da população.

São inúmeros os pesquisadores e cientistas, que dedicam suas vidas para solucionar problemas, encurtar distâncias, salvar vidas, oferecer conforto e bem-estar a todos.

Debruçam-se nos laboratórios, utilizando-se de sua inteligência e ciência, no ideal de conseguir algo que beneficie a Humanidade.
Esquecemos que incontáveis são os médicos, professores, ou ainda garis e pedreiros, que cumprem muito mais que sua missão e seu dever profissional.

São muitos aqueles que se doam generosamente, que oferecem o melhor que possuem, para também contribuir por um mundo melhor.

Há muito mais pessoas honestas que desonestos no mundo. Há muito mais bondade que maldade no coração da maioria de nós. Há muito mais pessoas fazendo o bem do que prejudicando.
Assim, ao olharmos nossa sociedade, lembremos que não estamos sós nem somos minoria aqueles que fazemos o bem, que somos honestos e idealistas.

Apenas somos, aparentemente, transparentes uns para os outros.
Não nos vemos, porém, estamos todos agindo para que os dias, um após o outro, tornem-se melhores e mais felizes.

Dessa forma, não devemos jamais desistir do nosso ideal.

Ao nos imaginarmos sozinhos, basta que olhemos para o lado, e logo perceberemos que somos uma grande maioria, uma multidão mesmo aqueles que semeamos o bem, a justiça e a paz nas estradas da vida.

 
Redação do Momento Espírita

14 maio 2013

Ouçamos Atentos - Joanna de Ângelis



OUÇAMOS ATENTOS 

Opera-se, na Terra, neste largo período, a grande transição anunciada pelas Escrituras e confirmada pelo Espiritismo.


O planeta sofrido experimenta convulsões especiais, tanto na sua estrutura física e atmosférica, ajustando as suas diversas camadas tectônicas, quanto na sua constituição moral.

Isto porque, os espíritos que o habitam, ainda caminhando em faixas de inferioridade, estão sendo substituídos por outros mais elevados que o impulsionarão pelas trilhas do progresso moral, dando lugar a uma era nova de paz e de felicidade.

Os espíritos renitentes na perversidade, nos desmandos, na sensualidade e vileza, estão sendo recambiados lentamente para mundos inferiores onde enfrentarão as conseqüências dos seus atos ignóbeis, assim renovando-se e predispondo-se ao retorno planetário, quando recuperados e decididos ao cumprimento das leis de amor.

Por outro lado, aqueles que permaneceram nas regiões inferiores estão sendo trazidos à reencarnação, de modo a desfrutarem da oportunidade de trabalho e de aprendizado, modificando os hábitos infelizes a que se têm submetido, podendo avançar sob a governança de Deus.

Caso se oponham às exigências da evolução, também sofrerão um tipo de expurgo temporário para regiões primárias entre as raças atrasadas, tendo o ensejo de serem úteis e de sofrer os efeitos danosos da sua rebeldia.

Concomitantemente, espíritos nobres que conseguiram superar os impedimentos que os retinham na retaguarda, estarão chegando, a fim de promoverem o bem e alargarem os horizontes da felicidade humana, trabalhando infatigavelmente na reconstrução da sociedade, então fiel aos desígnios divinos.

Da mesma forma, missionários do amor e da caridade, procedentes de outras Esferas estarão revestindo-se da indumentária carnal para tornar essa fase de luta iluminativa mais amena, proporcionando condições dignificantes que estimulem ao avanço e à felicidade.

Não serão apenas os cataclismos físicos que sacudirão o planeta, como resultado da lei de destruição, geradora desses fenômenos, como ocorre com o outono que derruba a folhagem das árvores, a fim de que possam enfrentar a invernia rigorosa, renascendo exuberantes com a chegada da primavera, mas também os de natureza moral, social e humana que assinalarão os dias tormentosos, que já se vivem.

Os combates apresentam-se individuais e coletivos, ameaçando de destruição a vida com hecatombes inimagináveis.

A loucura, decorrente do materialismo dos indivíduos, atira-os no abismos da violência e da sensatez, ampliando o campo do desespero que se alarga em todas as direções.

Esfacelam-se os lares, desorganizam-se os relacionamentos afetivos, desestruturam-se as instituições, as oficinas de trabalho convertem-se em áreas de competição desleal, as ruas do mundo transformam-se em campos de lutas perversas, levando de roldão os sentimentos de solidariedade e de respeito, de amor e de caridade...

A turbulência vence a paz, o conflito domina o amor, a luta desigual substitui a fraternidade.

... Mas essas ocorrências são apenas o começo da grande transição.

A fatalidade da existência humana é a conquista do amor que proporciona plenitude. Há, em toda a parte, uma destinação inevitável, que expressa a ordem universal e a presença de uma Consciência Cósmica atuante.

A rebeldia que predomina no comportamento humano elegeu a violência como instrumento para conseguir o prazer que lhe não chega de maneira espontânea, gerando lamentáveis consequências, que se avolumam em desvaires contínuos.

É inevitável a colheita da sementeira por aqueles que a fez, tornando-se rico de grãos abençoados ou de espículos venenosos.

Como as leis da vida não podem ser derrogadas, toda objeção que lhes faz converte-se em aflição, impedindo a conquista do bem-estar.

Da mesma forma, como o progresso é inevitável, o que não seja conquistado através do dever, sê-lo-á pelos impositivos estruturais de que o mesmo se constitui.

A melhor maneira, portanto, de compartilhar conscientemente da grande transição é através da consciência de responsabilidade pessoal, realizando as mudanças íntimas que se tornem próprias para a harmonia do conjunto.

Nenhuma conquista exterior será lograda se não proceder das paisagens íntimas, nas quais estão instalados os hábitos. Esses, de natureza perniciosa, devem ser substituídos por aqueles que são saudáveis, portanto, propiciatórios de bem-estar e de harmonia emocional.

Na mente está a chave para que seja operada a grande mudança. Quando se tem domínio sobre ela, os pensamentos podem ser canalizados em sentido edificante, dando lugar a palavras corretas e a atos dignos.

O indivíduo, que se renova moralmente, contribui de forma segura para as alterações que se vêm operando no planeta.

Não é necessário que o turbilhão dos sofrimentos gerais o sensibilize, a fim de que possa contribuir eficazmente com os espíritos que operam em favor da grande transição.

Dispondo das ferramentas morais do enobrecimento, torna-se cooperador eficiente, em razão de trabalhar junto ao seu próximo pela mudança de convicção em torno dos objetivos existenciais, ao tempo em que se transforma num exemplo de alegria e de felicidade para todos.

O bem fascina todos aqueles que o observam e atrai quantos se encontram distantes da sua ação, o mesmo ocorrendo com a alegria e a saúde.

São eles que proporcionam o maior contágio de que se tem notícia e não as manifestações aberrantes e afligentes que parecem arrastar as multidões. Como escasseiam os exemplos de júbilo, multiplicam-se os de desespero, logo ultrapassados pelos programas de sensibilização emocional para a plenitude.

A grande transição prossegue, e porque se faz necessária, a única alternativa é examinar-lhe a maneira de como se apresenta e cooperar para que as sombras que se adensam no mundo sejam diminuídas pelo Sol da imortalidade.

Nenhum receio deve ser cultivado, porque, mesmo que ocorra a morte, esse fenômeno natural é veículo da vida que se manifestará em outra dimensão.

A vida sempre responde conforme as indagações morais que lhe são dirigidas.

As aguardadas mudanças que se vêm operando trazem uma ainda não valorizada contribuição, que é a erradicação do sofrimento das paisagens espirituais da Terra.

Enquanto viceje o mal, no mundo, o ser humano torna-se-lhe vítima preferida, em face do egoísmo em que se estorcega, apenas por eleição espiritual.

A dor momentânea que o fere, convida-o por outro lado, à observância das necessidades de seguir a correnteza do amor no rumo do oceano da paz.

Logo passado o período de aflição, chegará o da harmonia.

Até lá, que todos os investimentos sejam de bondade e de ternura, de abnegação e de irrestrita confiança em Deus.



Pelo Espírito Joanna de Ângelis - Mensagem psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, no dia 30 de Julho de 2006, no Rio de Janeiro, RJ. Publicada na revista ‘Presença Espírita’, Setembro/Outubro 2006, Nº 256, páginas 28 e 29.

 

13 maio 2013

Mãe: Salvando minha Alma da Vida - Rossandro Klinjey

 

MÃE: SALVANDO MINHA ALMA DA VIDA 

 

Na escola da vida existem muitos professores e professoras. São os mestres da lida diária que nos ensinam, aqui e acolá, como agirmos no mundo. Alguns deles recebem de Deus o status superior e de forma muito especial nos ensinam, não algumas coisas, mas quase tudo que aprendemos na vida. Com estes aprendemos a sorrir, a falar, a andar, a cair e levantar: -“Pronto! Mamãe tá aqui, foi só um arranhão”; a perder e não desistir: “isso vai passar, tudo passa”. A errar violentamente, se achar com a razão e ficar irritado quando corrigido, mas ouvir: “eu não quero o seu mal, eu lhe amo, digo isso para o seu bem”. Que não perde a fé depois de insistirmos no mesmo erro: “um dia, meu filho, você vai entender”. Que quando maltratada chora, e numa prece silenciosa pede a Deus: “perdoa meu filho pai, ele não sabe o que faz”.

Mãe é ao mesmo tempo médica e psicóloga, sem diploma, mas com doutorado na escola da vida, pois com um simples toque de mão elas conseguem checar a temperatura de nosso corpo, colocando o termômetro só para confirmar o que já sabe, porém com um rápido olhar, um simples e singelo olhar, percebe a temperatura da nossa alma, e mesmo que a gente insista em dizer que está tudo bem: - “Já sou um homem eu sei me virar”, ouvimos: “eu te conheço, não adianta me esconder nada, confie em mim eu sou sua mãe, pra mim você sempre será meu filhinho”. Depois disso só resta deitar no colo dela e deixar que as lágrimas incontidas revelem que no hoje, homem, ainda existe uma criança que tem muito a aprender. Aprender a ser humilde e perceber que só somos o que somos pela conjunção dos muitos amores que Deus colocou em nossas vidas. Aprender a não mais olhar para o céu em busca de anjos, pois eles estão do nosso lado compartilhando a vida conosco, estando nossas mães num estado superior de angelitude, como arcanjos sublimes da criação Divina.

Nada do que façamos poderá quitar a mínima parte da dívida imensa que temos com elas, e ainda assim ouvimos a cada pequeno gesto de retribuição a esse incalculável amor, um emocionado: “muito obrigada meu filho, muito obrigada”. Obrigada por que? Somos nós que temos que agradecer todos os dias a Deus à oportunidade que ele nos dá de retribuir um pouco desse muito que recebemos.

Não vamos esperar que as propagandas do dia das mães venham nos lembrar de nossas compromissos com a vida, pois ela não se desvelou por nós apenas no dia das crianças. Não vamos comprar um presente, por mais caro que seja, apenas para apaziguar nossas consciências, pois o amor precisa de gestos cotidianos de cuidado e zelo, mesmo à distância, já que não foram os carrinhos ou bonecas que recebemos em nossa infância que fizeram a diferença em nossas vidas.

Eu sei que muitos não estão com suas mães presentes para agradecer, pois elas já foram chamadas pelo comandante celeste para se reapresentar no templo do universo. Sei também que essa separação, ainda que momentânea, deixa uma falta irreparável, então faça como uma menina mulçumana que, tendo perdido a mãe na guerra, e com cerca de 5 nos de idade, desenhou-a no chão do pátio do orfanato, deitou-se em posição fetal onde seria o lugar do útero da mãe e deixou as alpercatas de fora, pois é assim que os mulçumanos entrem nos lugares sagrados...

Então faça um desenho, acaricie uma foto, faça uma prece, lembre-se do sorriso, do toque de mão, do cheiro dela, mesmo que isso doa, pois a saudade é amor que permanece no tempo, mesmo na ausência das horas…

À minha mãe gostaria apenas de dizer, tomando por empréstimos a poesia de Maria Gadú:

“De todo o amor que eu tenho
Metade foi tu que me deu
Salvando minh'alma da vida




Rossandro Klinjey  



12 maio 2013

Carta de Agradecimento - Amélia Rodrigues



CARTA DE AGRADECIMENTO

Mãezinha querida:

Conceda-me sua bênção!

Trago os olhos orvalhados de lágrimas ante o calidoscópio das recordações da nossa inesquecível comunhão terrestre.

Você havia programado para sua filha toda uma trajetória de felicidade e empenhou-se para que se tornasse exequível a consecução dos seus planos.

Investiu sua existência abençoada pela ternura e pelo amor, sem propor qualquer exigência.

Desde os primeiros dias da nossa convivência, enquanto me embalava nos braços cantando as ternas canções de ninar, o seu pensamento voava na direção do futuro, pintando as paisagens ditosas para sua menina.

Cresci sob o céu generoso do seu coração aberto ao enternecimento, sempre irrigada e mantida pela inefável vigilância do seu devotamento.

À semelhança de uma delicada flor, você cuidava de mim, impedindo que os fatores de destruição me alcançassem.

Enrijeceu-me os sentimentos morais em torno dos deveres e das responsabilidades, desenvolveu-me a inteligência com os recursos da sua pedagogia sábia e impulsionou-me ao progresso espiritual...

Mas eu não me dava conta, porém, no meu estado de crescimento intelecto-moral, dos sacrifícios que tudo isto lhe causava, sem compreender que o pavio da vela que produz luz, gasta-se enquanto arde e consome o combustível que sustenta a claridade.

Foi, desse modo, que você partiu para a imortalidade, quando estava a um passo do triunfo terreno.

Jamais olvidarei o seu olhar de despedida, quando os lábios já não podiam emitir os sons das palavras.

Logo depois, alcancei o pódio da glória e recebi muitas homenagens.

Ninguém pensou, no entanto, que eu era o fruto da sua devoção, o resultado do seu miraculoso trabalho de modelar a argila que eu era, elaborando aquilo em que me transformei. Venho hoje agradecer-lhe, estrela da minha noite e luz perene de todos os meus dias.

As palavras são muito pobres para expressar-lhe o meu amor infinito e toda a minha gratidão.

Enquanto as mães tecerem a túnica de proteção enobrecedora para os filhos, a Humanidade estará garantida e avançará conquistando o infinito.

Quando vemos o desar e o sofrimento na Terra, em verdadeiro campeonato de alucinações, percebemos que somente o amor, conforme o possuem as mães, poderá deter o avanço dessas aflições tormentosas.

As mães logram atenuar a violência e a loucura generalizada, muitas vezes sendo suas vítimas em holocaustos de autodoação, que terminam por modificar a Terra em agonia...

No dia dedicado a todas as mães, desejo transferir para você, que prossegue acompanhando-me do zimbório celeste, todo o meu carinho e afeto, à medida que você vem deixando o rastro iluminado para que eu possa um dia alcançá-la no Paraíso, após concluída a minha tarefa humana.

Eis, porém, que agora, liberta dos grilhões constritores da matéria, inicio a ascensão em sua busca, aguardando o seu apoio e proteção. 

Mãezinha querida!

Que Deus a abençoe sempre!

Amélia Rodrigues

Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na noite de 21 de março de 2012, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, BA.

11 maio 2013

Consciência e Plenitude - Joanna de Ângelis

 

CONSCIÊNCIA E PLENITUDE


A busca da plenitude constitui a meta essencial da consciência lúcida que descobriu os valores reais da vida e superou os equívocos do ego, no processo da evolução do ser espiritual.

Conscientizado quanto à realidade da vida, na sua qualidade de hálito divino e eterno, sabe que a rapidez do trânsito carnal em nada afeta o conteúdo de que se constitui, porquanto identifica o mecanismo da evolução graças ao qual se adentra na existência física, através da concepção fetal e abandona-a por meio da anoxia cerebral, quando lhe advém a morte.

Felicitado pela perfeita identificação dos objetivos humanos, empenha-se por entesourar os recursos inalienáveis do bem, preservando a paz íntima e comportando-se dentro dos cânones da ordem e do dever, fomentadores do próprio, como do progresso geral.

A consciência seleciona as necessidades reais das que são utópicas, abrindo espaços à realização interior que induz ao amor como meio especial de alcançar a plenitude.

Sonhada por todos os povos, nas mais variadas épocas da História, foi assinalada por santos, místicos e heróis, como Nirvana, Samadi, Paraíso, glória, encontrando em Jesus a denominação amena de Reino dos Céus, onde não vicejam as dores nem as angústias , as saudades nem as aflições.

Delimitando-lhe as balizas no próprio coração da criatura, o Mestre Divino propôs o mergulho no oceano dos sentimentos, onde pode sobrenadar, fruindo de harmonia, sem ansiedade, nem arrependimento, sem perturbação ou tormento...

Conquistada a consciência que propicia amadurecimento, o ser alcança o estado de plenitude espiritual, não obstante se encontre no invólucro carnal.

Enquanto estejas na vida corporal, exercita-te na fraternidade, não te deixando perturbar por querelas e paixões dissolventes.

Cuida de viver com intensidade e sem cansaço as horas da existência, deixando-as passar com real aproveitamento, de modo que a recordação delas não te cause remorso ou lamentação.

Os momentos de consciência profunda , objetiva, proporcionam a memória da plenitude, passo inicial para a integração no espírito total da vida.

Jesus assinalou esta conquista ao afirmar : "Eu e meu Pai somos um."

Havia uma perfeita identificação entre Ele e o Gerador Universal, acenando aos Seus discípulos a possibilidade de consciência integral com plenitude pessoal.

Interessado na elucidação da plenitude , ALLAN KARDEC indagou aos Gênios Espirituais, conforme anotou em O Livro dos Espíritos, na questão 967:

- Em que consiste a felicidade dos bons espíritos ?
- Em conhecerem todas as coisas; em não sentirem ódio, nem ciúme, nem inveja, nem ambição, nem qualquer das paixões que ocasionam a desgraça dos homens. 
O amor que os une lhes é fonte de suprema felicidade. Não experimentam as necessidades, nem os sofrimentos, nem as angústias da Vida material. São felizes pelo bem que fazem....


Autor: Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo Franco
Livro: Momentos de Consciência



10 maio 2013

O Que Fala Demais - Miramez




 O QUE FALA DEMAIS

O Santuário da palavra é formação divina e semente de luz que Deus depositou nos escrínios da alma. Ele, o Pai Celestial, tudo fez na sequência do amor, para que seus filhos se eternizassem na felicidade. Deixou para nós a regulagem de nossos dons, que haveremos de buscar na natureza, nas experiências, através dos canais da dor, para que possamos cumprir a nossa parte na vida, perante ela. 

O gorjeio de sons, emitidos pelo nosso dom de falar, é uma das grandes maravilhas que nos cabe domesticar. Quem fala demais vai aos poucos perdendo o sentido das ideias alinhadas na conversa, ocupando todo o seu tempo e o seu parceiro, achando que está agradando, sem se colocar no lugar de quem ouve. Falar demais é um hábito que facilmente passa a vício, e deste à enfermidade que, no começo, requer branda disciplina. É como um filete de água que ainda não se tornou cachoeira, porém, se a Providência não acudir a tempo, o desgaste de energias e a perda de capacidade tornar-te-ão pessoa indesejada no meio em que vives, e tornarás muito mais difícil a educação da tua voz. O filete de água passará à cachoeira de proporções indescritíveis, requerendo esforços sobrenaturais para o domínio conveniente.

Façamos como os engenheiros hidráulicos que distribuem a água em uma metrópole através dos canos, com a disciplina das torneiras. A fala é um manancial que deve ser cuidado, no sentido de beneficiar a todos os que nos ouvem. Coloquemos, pois, uma torneira na boca para que não ocorra o desperdício da água da palavra, que, é por excelência, de ordem celestial.

A energia que consumimos no palavreado é cota sagrada que pertence ao suprimento universal e que, depois de usada como veículo de comunicação, volta ao manancial infinito com a mensagem que nela imprimimos, pelas mãos dos sentimentos e pela força do verbo. Sabendo disto, o que deves fazer de agora em diante com o teu dom de falar? O conselho seguinte é do grande orador evangélico, Paulo de Tarso, quando instruía os filipenses:

“E a maioria dos irmãos, estimulados no Senhor por minhas palavras, ousaram falar com mais desassombro a palavra de Deus”. Filipenses, 1:14

Paulo era falante, mas falava com equilíbrio, na hora certa e no momento exato, aproveitando o dom de que Deus lhe deu, nas bênçãos de Jesus Cristo. Quem fala com amor no coração estimula aos que o ouvem a também conversar com mais desassombro acerca das coisas elevadas, silenciando sem desprezo aos que lhe interrogam ou estimulam para conversações de nível inferior orando por eles em degredo, para que não se sintam humilhados, como pessoas que ainda não acertaram o caminho da luz.

É da máxima popular “quem fala demais dá bom dia a cavalo”, e certamente é assim porque não é entendido e por não existir entendimento nas suas conversações, que o animal não vai responder o cumprimento endereçado a ele; assim é que o ser humano, de certa superioridade, não vai responder à fala provinda da imundície da razão mal educada; fica calado, esperando que Deus e o tempo possam despertar aquele que fala mal e que tem as possibilidades de algum dia falar bem, usando o tesouro da palavra como fonte divina, para a divina elevação de outros dons que dormitam.

Meu filho, convidar Jesus para assistir as tuas conversações, sem que a consciência te condene, é o mesmo que colocar uma estrela na boca, que brilhará dia e noite em teu próprio benefício. Não fales em demasia, nem fiques calado como uma múmia; conversa como um sábio, que sabe que nada sabe, mas cuja sabedoria é como sal nos alimentos de bom sabor.



Livro Horizontes da Fala, cap. 45
Espírito Miramez
Psicografia de João Nunes Maia

09 maio 2013

O Passe - Jorge Hessen

 
  
O PASSE

O biólogo Ricardo Monezi, mestre em fisiopatologia experimental pela Faculdade de Medicina da USP e pesquisador da unidade de Medicina Comportamental da Unifesp, estudou a fundo a técnica de imposição de mãos [passe]. Lembramos que na atualidade o passe é empregado por outras religiões, que o apresentam sob nomes e aparências diversas (benção, unção, johrei, heiki, benzedura), além do quê, pessoas sem qualquer relação com movimentos religiosos também o empregam.
 
Para Monezi, os dados preliminares apontam que a prática do passe gera mudanças fisiológicas e psicológicas, como a diminuição da depressão, da ansiedade e da tensão muscular, além do aumento do bem-estar e da qualidade de vida. Ressaltamos que a Doutrina dos Espíritos clarifica melhor e explica as funções do perispírito, que “é o órgão sensitivo do Espírito, por meio do qual este percebe coisas espirituais que escapam aos sentidos corpóreos” (1), além de o mesmo interagir de forma profunda com o corpo biológico, razão pela qual as energias transmitidas pelo passe e recebidas inicialmente pelos centros de força (2), atingem o corpo físico através dos plexos (3), proporcionando a renovação das células enfermas.

“Assim como a transfusão de sangue representa uma renovação das forças físicas, o passe é uma transfusão de energias psíquicas, com a diferença de que os recursos orgânicos (físicos) são retirados de um reservatório limitado, e os elementos psíquicos o são do reservatório ilimitado das forças espirituais.” – explica o Espírito Emmanuel. (4)
 Recordemos que Jesus utilizou o passe “impondo as mãos” sobre os enfermos e os perturbados espiritualmente, para beneficiá-los. E ensinou essa prática aos seus discípulos e apóstolos, que também a empregaram largamente. Entretanto, é nas hostes espíritas que o passe é melhor compreendido, mais largamente difundido e utilizado, “dispensando qualquer contacto físico na sua aplicação.” (5)

Segundo Ricardo Monezi, “um dos centros que avaliam o assunto é a respeitada Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. A física atual não consegue classificar a natureza dessa força, mas vários estudos indicam que se trata de energias eletromagnéticas de baixa frequência.” (6)  

Tiago escreveu: “toda boa dádiva e dom perfeito vêm do Alto”. (7) Sim, as energias magnéticas e a prática do bem podem admitir as expressões mais diferentes. Suas essências, contudo, são continuamente as mesmas diante do Soberano da Vida.

Os passes poderão ser espirituais, em função do magnetismo provindo de irmãos desencarnados que participam dos processos, e humanos, através do magnetismo animal do próprio passista encarnado. “A cura se opera mediante a substituição de uma molécula malsã por uma molécula sã. O poder curativo estará, pois, na razão direta da pureza da substância inoculada; mas depende, também, da energia, da vontade que, quanto maior for, tanto mais abundante emissão fluídica provocará e tanto maior força de penetração dará ao fluido.” (8) 

É importante explicar, porém, que o tratamento espiritual através do passe, oferecido na Casa Espírita, não dispensa tratamento médico.

Infelizmente toda a beleza das lições espíritas, que provém da fé racional no poder das energias magnéticas pelo passe, desaparece ante as ginásticas pretensiosas e burlescas de tratamentos espirituais atualmente praticados em algumas instituições espíritas mal dirigidas. O passe não poderá, em tempo algum, ser aplicado com movimentos bruscos, utilizando-se malabarismos manuais, estalos de dedos, cânticos estranhos e, muito menos ainda, estando incorporado e, psicofonicamente, verbalizando “aconselhamentos” para o receptor. Isso não é prática espírita.

“O passe deverá sempre ser ministrado de modo silencioso, com simplicidade e naturalidade.” (9) 

Na casa espírita não se admitem as encenações e gesticulações em que hoje se envolveram terapias esquisitas tais como apometrias, desobsessão por corrente magnética,“choques anímicos”, cristalterapias (poderes das pedras???), cromoterapias (poderes das cores???) e outras “terapias” mitológicas, geralmente atreladas a antigas correntes espiritualistas do Oriente ou de origem mística, ilusionista e feiticista. É sempre bom lembrar a tais adeptos fervorosos que todo o poder e toda a eficácia do passe genuinamente espírita dependem do espírito e não da matéria, da assistência espiritual do médium passista e não dele mesmo.

Por conseguinte, na aplicação do passe não se fazem necessários a gesticulação violenta, a respiração ofegante ou o bocejo contínuo, e que também não há necessidade de tocar o assistido. “A transmissão do passe dispensa qualquer recurso espetacular”. (10) 

As encenações preparatórias – “mãos erguidas ao alto e abertas, para suposta captação de fluidos pelo passista, mãos abertas sobre os joelhos, pelo paciente, para melhor assimilação fluídica, braços e pernas descruzados para não impedir a livre passagem dos fluidos, e assim por diante – só servem para ridicularizar o passe, o passista e o paciente.” (11) 

A formação das chamadas “correntes” mediúnicas, com o ajuntamento de médiuns em torno do paciente, “as ‘correntes’ de mãos dadas ou de dedos se tocando sobre a mesa – condenadas por Kardec – nada mais são do que resíduos do mesmerismo do século XIX, inúteis, supersticiosos e ridicularizantes.” (12)

O passe é prece, concentração e doação. “A oração é prodigioso banho de forças, tal a vigorosa corrente mental que atrai”. (13) 

Por ela, consegue o passista duas coisas importantes e que asseguram o êxito de sua tarefa: expulsar do próprio mundo interior os sombrios pensamentos remanescentes da atividade comum durante o dia de lutas materiais; Sorver do plano espiritual as substâncias renovadoras de que se repleta, a fim de conseguir operar com eficiência, a favor do próximo presente ou distante do local de sua aplicação.

Em que pese aos místicos que ainda não compreendem e criam confusões ao aplicarem o passe, reconhecemos que muitos encarnados e desencarnados são beneficiados por ele, pois sabemos que é manifestação do amor de Deus, esse sentimento sublime que abarca a todos e os alivia. Importa-nos lembrar, porém, um pensamento Xavieriano: o passe, tal como terapia, não modifica necessariamente as coisas, para nós, mas pode modificar-nos a nós em relação às coisas.

 Jorge Hessen


 Referências Bibliográficas:

(1) Kardec, Allan. A Gênese, RJ: Ed. Feb, 29ª edição, 1986, cap. XIV
(2) Os centros de força são o Centro Coronário (se assenta a ligação com a mente que é sede da nossa consciência); .Centro Frontal (atua sobre as glândulas endócrinas, sobre o sistema nervoso); Centro Laríngeo (controla as atividades vocais, do timo, da tiróide e das paratireóides, controlando totalmente a respiração e a fonação); Centro Cardíaco (responsável por todo o aparelho circulatório); Centro Esplênico (regula o sistema hemático) ; Centro Solar ou Gástrico (responsável pela digestão e absorção dos alimentos sólidos e fluidos) ; Centro Genésico (orientador da função exercida pelo sexo)
(3) Os plexos são constituídos pelo nosso sistema nervoso autônomo ou vegetativo e neles haveria, digamos assim, centrais irradiantes, os chamados centros de forças.
(4) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de janeiro: Ed FEB, 2000, perg. 98
(5) Idem, perg 99
(7) Tiago 1:17
(8) Kardec, Allan. A Gênese, RJ: Ed. Feb, 29ª edição, 1986, cap. XIV
(9) Kardec, Allan. Obras Póstumas, RJ: Ed. Feb, 1987, cap. VI, item 54
(10) Waldo Vierira. Conduta Espírita , ditado pelo espírito André Luiz, RJ: Ed FEB, 1998, Cap. 28
11) Pires, José Herculano. Artigo “O Passe” disponível em http://www.espirito.org.br/portal/publicacoes/herculano/opd-12.html;  acessado em 07/11/2011
 
(12) Idem
(13) Xavier, Francisco Cândido. Nos Domínios da Mediunidade, ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed FEB, 2000, Cap.17