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17 novembro 2017

Um mundo para nossas crianças - Momento Espírita



UM MUNDO PARA NOSSAS CRIANÇAS


Ante tantas guerras e rumores de guerras, atentados terroristas que roubam a paz das gentes simples, é de nos perguntarmos: que mundo estamos construindo para nossos filhos?

O que ofereceremos para esses pequenos que apenas desabrocham para a vida física?

O que estamos preparando para seus olhos, para seu futuro?

Importante seria se nos preocupássemos em construir um mundo onde eles pudessem viver o amanhã, mantendo o brilho no olhar.

Com menos tristeza estampada na face. Menos dor pela perda prematura dos pais.

Menos desencanto por verem partir seus amigos e encontrar tantos bancos vazios na escola.

Um mundo em que as pessoas pudessem andar livres pelas ruas, sem temer balas perdidas, arrastões ou manifestações agressivas.

Um mundo onde todos se unissem para vencer a enfermidade, a fome, a miséria, que ainda existe em tantas vielas da Terra.

Onde cada qual pensasse no melhor para a sua família e para o seu próximo.

Um mundo onde as crianças pudessem sonhar, com a única preocupação de crescer e se tornarem cidadãos úteis, trabalhadores do bem.

Criaturas que encantassem o planeta com sua arte, enchendo-o de maravilhosos sons com a sinfonia das suas vozes.

Ou com a leveza dos seus corpos na dança.

Ou com a agilidade e eficiência nas disputas esportivas.

Ou utilizassem suas mentes, suas mãos para curar enfermidades que persistem em machucar tanta gente.

Ou pudessem se dedicar a experimentos que resultassem em inventos para facilitar a vida do homem sobre a face da Terra.

Quem sabe, vencer a gravidade e lançar-se no espaço, rumo a novas descobertas, novas estrelas?

Uma criança é um raio de luz. Não apaguemos a esperança que brilha em seu olhar, em seus gestos.

Construamos um mundo em que cada criança tenha seu lugar ao sol, seja amada, possa brincar livre, vivendo intensamente sua infância.

Em que possa ir à escola, ir ao parque, à piscina, ao campo, à praia, sem medo.

* * *

É possível que ouvindo esta mensagem alguns de nós digamos que somos pessoas normais, vivendo o dia a dia, sem poder interferir nos conflitos armados ou em decisões armamentistas.

No entanto, pensemos em como podemos semear a paz em nossos dias, sendo menos agressivos, mais tolerantes.

Que não dirijamos nosso carro como se fosse uma arma, que respeitemos nosso semelhante, que honremos o trabalho honesto.

Há tanto para fazer neste mundo que pode beneficiar a muitos.

A vibração de amor que lançamos na direção do outro é a mesma que acalmará a onda dos conflitos armados.

A dignidade com que executemos nossas tarefas diminuirá a corrupção, a desonestidade.

A nossa doação em espécie ou em trabalho voluntário diminuirá dificuldades que se apresentam próximas ou distantes.

Um mundo novo. Um mundo para ser compartilhado com todos.

Um mundo para nossos filhos. Um mundo de esperança, bordado com as cores do arco-íris.

Comecemos hoje e unamo-nos a outros tantos que já semeiam no mundo o bem, o amor, a paz.

Façamos isso pelos nossos filhos. Pelas nossas crianças. Por nós mesmos que retornaremos, em futuras vidas, para o mundo que construirmos agora.


Redação do Momento Espírita, com base na canção Let the children have a world, de Danna Winner.


16 novembro 2017

Intersexualidade, o ser humano não se reduz à morfologia de “macho” ou “fêmea” - Jorge Hessen



INTERSEXUALDADE, O SER HUMANO NÃO SE REDUZ À MORFOLOGIA DE "MACHO" OU "FÊMEA"


Em 2012, Zainab, uma parteira queniana, fez o parto de uma criança intersexual (que possui órgãos genitais masculinos e femininos). Quando a mãe viu que o sexo do bebê não estava definido, ficou surpresa. O marido pediu para que Zanaide matasse o bebê, mas Zanaide pegou a criança para si e cuidou dela, embora sob riscos, pois na comunidade em que reside, assim como em outras no Quênia, um bebê intersexual é visto como mau presságio, que traz maldição para a família e até para os vizinhos. [1]

A Intersexualidade em seres humanos é alguma alteração de caracteres sexuais, incluindo cromossomos, gônadas e/ou órgãos genitais que dificultam a identificação de um indivíduo como inteiramente feminino ou masculino. Essa variação pode envolver ambiguidade genital, combinações de fatores genéticos e aparência e variações cromossômicas sexuais diferentes de XX para mulher e XY para homem. Pode incluir outras características de dimorfismo sexual, como aspecto da face, voz, membros, pelos e formato de partes do corpo. [2]

Georgina Adhiambo, diretora-executiva da ONG Voices of Women, que trabalha para reduzir o estigma contra pessoas intersexuais no Quênia, disse que o assunto ainda é um tabu. Atualmente as opções de tratamento dos intersexuais variam muito. Alguns pacientes não precisam de cuidados, enquanto outros podem precisar de remédios ou terapia hormonal. Há ainda aqueles que precisam de cirurgia – opção que costuma ser protelada até a puberdade, para que a própria criança possa escolher seu sexo.

A palavra intersexual é preferível ao termo hermafrodita, já bastante estigmatizado, precisamente porque hermafrodita se referia apenas à questão dos genitais visíveis. Alguns intersexuais podem ser considerados como transgêneros. Porém, tanto a intersexualidade quanto a transexualidade são temas polêmicos, e menos discutidos do que deveriam. Talvez por isso não se compreenda exatamente do que se trata, e essa condição seja motivo de tantos casos de preconceito.

Ademais, sobre o tema, uma pessoa pode ser cisgênero ou transgênero. O cisgênero se identifica com o gênero correspondente ao sexo biológico, ou seja, se possui órgão sexual feminino é uma menina, se possui órgão sexual masculino é um menino. É o que todo mundo considera regra. Já o transgênero é a pessoa que contesta essa regra, que não tem seu gênero definido pelo sexo biológico. Muitas vezes o transexual se identifica com o gênero oposto ao sexo com que nasceu. Podemos dizer que o transexual é transgênero, mas nem todo transgênero é transexual.

Um estudo realizado pela Universidade de Washington, nos Estados Unidos, publicado pela revista Psychological Science, concluiu que as crianças transgênero começam a reivindicar um gênero diferente, ao mesmo tempo que as crianças cisgênero se identificam com o gênero correspondente ao sexo biológico, por volta dos 2 anos. É como se a criança olhasse no espelho e não se reconhecesse. É uma expectativa constante de que ela vá acordar no corpo certo.

Independentemente das demarcações e definições controversas, a sociedade dará sinais de avanço quando compreender a neutralidade de gênero, e que o ser humano não se reduz à morfologia de “macho” ou “fêmea”.

Ainda sobre a “transexualidade”, por exemplo, Emmanuel adverte que “encontramo-nos diante de um fenômeno perfeitamente compreensível à luz da reencarnação. Inobstante as características morfológicas, o Espírito reencarnado, em trânsito no corpo físico, é essencialmente superior ao simples gênero masculino ou feminino.” [3]

O mentor de Chico Xavier ainda acrescenta que “aprenderemos, gradualmente, a compreender que os conceitos de normalidade e de anormalidade deixam a desejar quando se trate simplesmente de sinais morfológicos, para se erguerem como agentes mais elevados de definição da dignidade humana, de vez que a individualidade em si exalta a vida comunitária pelo próprio comportamento na sustentação do bem de todos ou a deprime pelo mal que causa com a parte que assume no jogo da delinquência.” [4]

Além disso, aprendemos com o autor de “Há dois mil anos”, “que é urgente amparo educativo adequado [aos sexuais e morfologicamente diferentes], tanto quanto se administra instrução à maioria heterossexual”. [5] E para que isso se verifique em linhas de justiça e compreensão, caminha o mundo de hoje para mais alto entendimento dos problemas do amor e do sexo, porquanto, à frente da vida eterna “os erros e acertos dos irmãos de qualquer procedência, nos domínios do sexo e do amor, são analisados pelo mesmo elevado gabarito de Justiça e Misericórdia. Isso porque todos os assuntos nessa área da evolução e da vida se especificam na intimidade da consciência de cada um.” [6]



Referências bibliográficas:


[1]Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/internacional-39852313 , acessado em 14/07/2017

[2]Money, John; Ehrhardt, Anke A. (1972). Man & Woman Boy & Girl. Differentiation and dimorphism of gender identity from conception to maturity. USA: The Johns Hopkins University Press. ISBN 0-8018-1405-7.

[3]XAVIER, Francisco Cândido. Vida e Sexo, RJ: Ed. FEB, 1977

[4]idem

[5]idem

[6]idem

15 novembro 2017

Em toda linha - Emmanuel




EM TODA LINHA


Por entre as aflições e inquietudes que definem os quadros da vida atual, inçada de inseguranças e incertezas, surge a Revelação Espírita como fanal grandioso e humilde a clarear os caminhos.

Tu, meu amigo, tangido pela dor ou assediado pelo desencanto, nas garras do medo ou nas teias do tédio, vais haurir nas fontes dessa revelação os elementos de reconforto e esclarecimento, apoio e bênção, imprescindíveis à tua sustentação e equilíbrio.

Usufruindo os benefícios de uma consolação estimulante, bendizes a Boa Nova como Mensagem do Cristo às tuas necessidades mais íntimas.

-o- Refazes-te de abalos morais; fortaleces-te em concepções mais seguras e amplas; jubilas-te com as curas alcançadas; nutres a tua mente com o pão da verdade simples e bela.

Mas, meu amigo, preocupado com o que te convém, esqueces do que te cabe. Satisfazendo tuas necessidades imediatas, deténs-te nos benefícios recebidos com esquecimento das obrigações e deveres que te dizem respeito.

Qual beneficiado ingrato, negas fidelidade à própria fonte que curou teus males e ao próprio luzeiro que iluminou com amora tua vida.

Em suma, recebes com a mão espalmada da necessidade, recolhendo-a, com as bênçãos recebidas, ao bolso da inatividade e do egoísmo. Recebes e foges. Melhoras e te escondes, reformado e retraído. Por que não enfrentares os apupos ao Espiritismo, se o reconheces salvador?

Por que fugires ao testemunho de fidelidade à Doutrina dos Espíritos, se ela está impressa em teu íntimo?

Por que te negares à atividade cotidiana dos quadros da Doutrina Espírita, se és endividado dela?

Por que te retraíres e esquivares, embaíres e acovardares, se queres a vitória dos princípios com que te identificaste?

Não, meu amigo, não culpes os ambientes, não critiques os companheiros, não teças restrições a este ou aquele grupo de trabalho, não te furtes à demonstração da Verdade pela identificação do erro. Não te preocupes em localizares as falhas e sim em exemplificar os acertos.

Não te justifiques com esta ou aquela desculpa. O imperativo é claro. Recebeste e deves transmitir. Não te isoles na condição do beneficiado egoísta, do crente desfibrado e do idealista inoperante.

Não te envergonhes da doutrina que te foi refrigério, não lhe negues filiação; não te importem as perdas temporárias no mundo, pelas crenças nos ganhos do além.

Se ela te deu nova vida, não te negues a vivê-la... E assim encontrarás, na crença e no trabalho, as alegrias dulcificantes que o Mestre Jesus reserva, pela Revelação Nova, aos servos fiéis em toda a linha.


Pelo Espírito Emmanuel
De “Luz e Vida”, de Francisco Cândido Xavier


14 novembro 2017

Desconfiemos de nós - Kelvin Van Dine



DESCONFIEMOS DE NÓS


Existe quem atribua o fenômeno à atuação sistemática de entidades interessadas em perturbação ou descrédito. Possivelmente isso acontecerá algumas vezes. O tema, porém, é nosso, na ordem pessoal da vivência cotidiana. Referimo-nos ao poder sugestivo da impressão.

Habitualmente ouvimos conceitos acerca da higiene mental, como se nada tivéssemos a ver com semelhante matéria ao currículo da vida, quando isso expressa ponto fundamental para nós todos, mormente no capítulo preventivo.

Purificar as ideias. Elevar emoções. Efetuar a triagem dos pensamentos, como se procede à faxina diária dentro da casa. Imaginar o melhor e buscar o melhor.

Não há institutos de pesquisas no mundo, capazes de avaliar a quantidade de infortúnios e delitos desencadeados, entre os homens, anualmente, resultantes das impressões falsas, proclamadas por verdadeiras.

Não raro, vemos um caso ou outro desses enganos terríveis, positivados em tribunais, em se tratando de culpas cujas penas são cominadas pela justiça humana.

E os milhares de outros casos para os quais não existem corrigendas previstas em leis?

Nesses incidentes lamentáveis não há caluniadores em função. Os problemas decorrem da excitação mental condimentada em malícia, nem sempre nascida propriamente da intenção de injuriar ou ferir.

Desprevenida de base para garantir o equilíbrio no governo de si própria, a pessoa vê uma coisa e imagina outra.

Um homem descansa o braço num cofre alheio, enquanto conversa distraído e vê-se julgado por larápio. Certa mulher pede um favor ao vizinho, a fim de reparar um engenho elétrico imprescindível à serventia da casa e é suposta protagonizando um romance fora do lar.

E começa o conto pejorativo aumentando em vários pontos da boca ao ouvido. Até que se espraia. Toma corpo. Adere à existência das vítimas que precisarão de muito heroísmo para se colocarem a cavaleiro do mal que a invencionice lhes reserva.

Sabemos hoje, em ciência, que a nossa própria concepção da Terra se baseia no jogo das impressões Move-se o planeta a milhares de quilômetros por dia. Tem o homem a ideia de agir em ponto fixo. A cor do firmamento é aquela que os olhos humanos captam.

A maior percentagem do mal que existe no mundo, vive e se derrama de nós mesmos. Absolutamente configurado nos domínios da impressão para encaminhar-se, em seguida, às áreas da ação.

No trânsito do cotidiano, coloquemos o “certo” no coração e no raciocínio para que os nossos olhos e ouvidos não se tornem assalariados para as atividades infelizes do “errado”.

Acautelemo-nos contra as impressões negativas. Acreditemos no poder do otimismo. E quando o jugo do mal nos apareça claro à frente, prossigamos confiando no bem. Se temos algo a desconfiar, desconfiemos de nós.


Pelo Espírito de Kelvin Van Dine
De “Técnica de Viver”, de Waldo Vieira



13 novembro 2017

Não-ditos e não-feitos - Divaldo P.Franco




NÃO-DITOS E NÃO-FEITOS


Estudiosos afeiçoados aos “ditos do Senhor” mergulharam, em todos os tempos, o pensamento nas fontes evangélicas, em busca de consolo e diretrizes, encontrando na clara mensagem da Boa Nova o clima de paz e amor necessários a uma vida feliz.

Narrativas comoventes relatam os encontros do Rabi Amoroso com os corações constrangidos pela dor e com es espíritos atribulados a todos ensejando, pelo verbo luminoso e sublime, os roteiros libertadores.

Páginas de beleza inefável têm sido elaboradas sobre os efeitos e as palavras do Enviado de Deus, favorecendo o pensamento humano com antevisões do porvir e sugerindo retrospectos das inolvidáveis emoções que viveram os que participaram das jornadas d’Ele...

Infelizes e enfermos de variada classificação, obsidiados e dementes de muitas alienações foram reconduzidos à serenidade e à paz através da mensagem de esperança que Ele nos dá, desde então, como pábulo que nos mantém alimentados, conduzindo-nos para a frente e o amanhã.

-o-o-

Muito mais poderia ter dito e feito o Senhor.

Não o disse, porém, nem o fez.

E o que não disse, o que não fez, são tão grandiosos que atestam a excelente procedência d’Ele.

Recusado por uma aldeia do interior de ser ali agasalhado, nada disse, e instado pelos discípulos para que ateasse o fogo do céu sobre o lugarejo ímpio, não o fez. Retirou-se em silêncio, plácido e triste, seguindo adiante...

Impossibilitado de falar ao povo de Gadara, após a recuperação psíquica do gadareno, não disse uma sentença condenatória, não teve um gesto de revolta. Imperturbável, retornou ao mar e à Galileia...

Acusado por comensais dos interesses imediatos, de açular as massas infelizes que O seguiam esperançadas, não disse um revide, não expôs uma defesa, não reagiu com irritação, não fez uso dos seus poderes...

Conclamado por aqueles que O desejam triunfador na Terra não apresentou explicações, não debateu o assunto, retirou-se a sós...

Diante de Pilatos quase nada disse, nada fazendo e, no entanto, poderia tudo dizer e tudo fazer.

Na cruz, resignou-se a não dizer senão o indispensável para o tributo de amor, submetendo-se, incomparável, à Vontade do Pai.

E mesmo depois de ressurgido não disse nem fez o que muitos esperavam.

Afirmou a imortalidade atestando-a, realentou os companheiros com o seu amor de compreensão e, ao ascender aos Cimos, despachou-os para as tarefas do “dizer” e do “fazer” como Ele mesmo disse e fez.

-o-o-

Medita sobre os não-ditos e não feitos do Senhor.

Se a dificuldade e a incompreensão de quem amas, quando a serviço d’Ele, te amesquinham, não te amofines.

Se a luta recrudesce e o combate acirra, não desesperes.

Se a enfermidade avança e te vence, não desanimes.

Se todos os males de fora e de dentro de ti mesmo ameaçam conduzir-te à desencarnação, não recalcitres.

Não te defendas, se injuriado.

Não te justifiques, se perseguido.

Não te exponhas, se angustiado.

Não digas, nada faças, mesmo que tenhas o que dizer e disponhas de recursos para fazer.

Teus ditos e teus feitos já falaram por ti. Se não se fizeram ouvir, porfia confiante, de fé robusta.

Mais vale ser vítima da impiedade quando se está com a consciência tranquila, do que perseguidor entre ovações, carregando uma consciência em brasa.

E se a vida solicitar ao teu espírito o pesado tributo da tua doação total pela causa de amor que abraças, na Seara de Luz do Evangelho e do Espiritismo, não te negues, não recuses, nada digas, nada faças, entregando a vida e aspiração às mãos d’Ele, pois que mesmo morrendo na liça incompreendido e ralado, ascenderás tranquilo aos páramos do amor para voltares a fim de ajudar, mais tarde, os que te perseguiram e injuriaram vitoriosamente, ficando, porém, nas linhas sombrias e tristes da retaguarda, esperando pelo teu socorro.


Pelo Espírito Joanna de Ângelis
De “Dimensões da Verdade”, de Divaldo P. Franco


12 novembro 2017

Os bons morrem cedo - Momento Espírita



OS BONS MORREM CEDO



Quando morre alguém, cuja reputação é de bondade e desprendimento, ouve-se muitos lamentos.

Frases como: Que pena, era tão bom!, somam-se a outras do tipo: Os bons vão primeiro. Os bons Deus deseja para si. Os maus, ficam por aqui mesmo.

Se morre um vizinho a quem estimamos, exclamamos: Por que ele? Antes fosse Fulano, que é tão perverso.

Quando uma personalidade, cujo conceito é de maldade, até crueldade, escapa de um perigo, de um atentado, logo falamos: Se fosse um homem de bem teria morrido.

Reflexionemos a respeito dessas nossas reações. Será possível que Deus se engane, em Suas deliberações?

Será verdadeiro que os bons morrem antes, permanecendo os maus para prosseguirem sua escalada de desatinos?

Basta uma breve observação e logo descobriremos que isso não é real. Se assim fosse, convenhamos, o mundo estaria bem pior.

Ademais, todos os dias morrem pessoas jovens, que se permitiram abraçar pela droga ou se acumpliciaram com a imprudência, desaparecendo em acidentes diversos.

Quantas vezes já ouvimos as notícias da morte de astros e estrelas, no auge da juventude, da madureza e da fama?

Ao lado deles morrem sim, todos os dias, seres anônimos, bons e maus.

Estudiosos, dedicados, arrimos de família ou simplesmente criaturas que nada contribuíram para a felicidade de quem quer que seja, antes pela infelicidade.

Em verdade, salvo os casos de suicídio direto ou indireto, ninguém morre antes do tempo programado.

Aquele que parte concluiu a sua tarefa, enquanto o que permanece, por vezes, mal a iniciou.

É coerente que o primeiro se liberte e o segundo prossiga na carne.

Se um prisioneiro cumpriu toda sua pena, justo que possa gozar da liberdade.

E para o Espírito, a verdadeira liberdade consiste no rompimento dos laços que o prendem ao corpo.

Quando são pessoas do nosso convívio afetivo, normalmente as vemos como as melhores do mundo, sem defeito algum.

Por isso, quando se vão para o outro lado da vida, achamos que foram antes do tempo.

Entretanto, a justiça de Deus jamais falha e tudo está correto.

É assim que temos sempre entre nós Espíritos dedicados. Lembramos do médium mineiro Francisco Cândido Xavier.

Serviu a Humanidade, sendo o medianeiro dos Espíritos. Corações de pais, esposos, irmãos, amigos, namorados foram consolados pelas mensagens dos seus amores.

Mensagens vindas através das mãos da sua mediunidade.

Madre Teresa de Calcutá morreu aos oitenta e sete anos de idade. Desde a juventude dedicou-se aos pobres mais pobres, espalhando suas Casas de Caridade pelo mundo afora.

Como eles, outras tantas vidas envelhecem no mundo servindo ao semelhante.

Habituemo-nos a não censurar o que não podemos compreender. Muitas vezes, o que nos parece um mal é um bem.

E somente as nossas faculdades limitadas não nos permitem perceber.

* * *

Francisco Cândido Xavier psicografou mais de quatro centenas de livros.

Esses livros, publicados e republicados, em vários idiomas, continuam consolando, esclarecendo, alevantando vidas.

Madre Teresa de Calcutá deixou um legado de amor, no mundo, com suas Casas de Caridade espalhadas por quase todos os países.

Tiveram longos anos na Terra. Mensageiros de Deus, espalharam o bem que vivenciaram todos os dias.


Redação do Momento Espírita



11 novembro 2017

Necessitados Difíceis - Emmanuel



NECESSITADOS DIFÍCEIS


Evangelho - Cap. XII - Item 1

Em muitas circunstâncias na Terra, interpretamos as horas escuras como sendo unicamente aquelas em que a aflição nos atenaza a existência, em forma de tristeza, abandono, enfermidade, privação...

O espírita, porém, sabe que subsistem outras, piores talvez... Não ignora que aparecem dias mascarados de felicidade aparente, em que o sentimento anestesiado pela ilusão se rende à sombra.

Tempos em que os companheiros enganados se julgam certos...

Ocasiões em que os irmãos saciados de reconforto sentem fome de luz e não sabem disso...

Nem sempre estarão eles na berlinda, guindados, à evidência pública ou social, sob sentenças exprobatórias ou incenso louvaminheiro da multidão...

Às vezes, renteiam conosco em casa ou na vizinhança, no trabalho ou no estudo, no roteiro ou no ideal... O espírita consciente reconhece que são eles os necessitados difíceis das horas escuras. Em muitos lances da estrada vê-se obrigado a comungar-lhes a presença, a partilhar-lhes atividade, a ouvi-los e a obedecê-los, até o ponto doméstico lhe preceituem determinadas obrigações.

Entretanto, observa que para lhes ser útil, não lhe será lícito efetivamente aplaudi-los, à maneira do caçador que finge ternura à frente da presa, afim de esmagá-la com mais segurança.

°°°

Como, porém, exercer a solidariedade, diante deles? - perguntarás. Como menosprezá-los se carecem de apoio?

Precisamos, no entanto, verificar que, em muitos requisitos do concurso real, socorrer não será sorrir.

Todos conseguimos doar cooperação fraternal aos necessitados difíceis das horas escuras, seja silenciando ou clareando situações, nas medidas do entendimento evangélico, sem destruir-lhes a possibilidade de aprender, crescer, melhorar e servir, aproveitando os talentos da vida , no encargo que desempenham e na tarefa que o Mestre lhes confiou. Mesmo quando se nos façam adversários gratuitos, podemos auxiliá-los...

Jesus não recomendou festejar os que nos apedrejem a consciência tranqüila e nem nos ensinou a arrasá-los. Mas, ciente de que não nos é possível concordar com eles e nem tampouco odiá-los, exortou-nos claramente: "amai os vossos inimigos, orai pelos que vos perseguem e caluniam!..."

É assim que a todos os necessitados difíceis das horas escuras, aos quais não nos é facultado estender os braços de pronto, podemos amar em espírito, amparando-lhes o caminho, através da oração.


Emmanuel
Livro: Opinião Espírita
Psicografia de Francisco Cândido Xavier



10 novembro 2017

Arte - Divaldo P.Franco

(Sunrise in harbor - _by Leonida Fremov)

ARTE


Allan Kardec, o codificador do Espiritismo, por ocasião do lançamento das suas excelentes obras no século XIX, teve a preocupação de referir-se à arte pagã, à cristã assim como à necessidade do surgimento daquela que seria a arte espírita.

A Arte em si mesma experimentou, desde os seus primórdios, características variações representando as diferentes escolas de pensamento do progresso da humanidade, fazendo-se manifestação da beleza de cada período. Desde a clássica à moderna, à contemporânea, apresentou-se de forma própria, a significar os acontecimentos então em voga.

Dostoiévski, na sua magnífica obra O Idiota, coloca nos lábios de um príncipe cristão a afirmativa de que A beleza salvará o mundo. Tradicionalmente, beleza significa a qualidade, a propriedade ou virtude do que é belo, que desperta sentimento de êxtase ou prazer dos sentidos. Entretanto, a variedade dos estágios emocionais da criatura humana, os seus níveis de consciência, suas culturas que expressam as aquisições intelecto-morais, sentem a beleza de maneira mui variada. Daí a razão das diferentes formas de ver-se e compreender-se a arte, esse extraordinário instrumento através do qual a beleza é identificada. Em consequência, em cada ocasião em que os artistas optaram por mudar os padrões vigentes de beleza, criando novos modelos, sempre houve reações dos seus coetâneos e discordâncias culturais, que não impediram a sua aceitação do tempo.

Recentemente vem chamando a atenção, facultando discussões e debates acalorados, comportamentos apresentados em diversos museus no Brasil: em Porto Alegre, São Paulo, Belo Horizonte, como sendo maneira elevada de expressar a Arte.

Desejo referir-me à ocorrência que teve lugar no MAM (Museu de Arte Moderna), em São Paulo, com a apresentação do jovem despido e a visita de crianças, convidadas a tocá-lo, contemplá-lo e compreender o significado da nudez... Em Belo Horizonte, não menos avançada tem sido a exposição de pinturas grotescas de prática sexual, algumas aberrantes com animais e outras numa crítica feroz à cruz, símbolo de algumas doutrinas religiosas...

Percebe-se que as apresentações excedem todos os níveis de dignidade humana, a iniciar-se no homem nu, por alguns especialistas denominado como um caso típico de pedofilia aberrante e na segunda apresentação, uma violenta fúria contra o comportamento sexual, deixando a ideia de que o mesmo é vulgar e doentio.

Lamentavelmente, num momento em que os padrões éticos desapareceram quase que por completo, deveremos esforçar-nos para que sejam restabelecidos os valores morais de equilíbrio para a preservação da beleza na Arte.


Divaldo Pereira Franco
Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 19.10.2017.


09 novembro 2017

Ama a tua dor - Joanna de Ângelis



AMA TUA DOR


Paradoxalmente, anelavas pela paz, quando edificando o bem entre as criaturas humanas, e és defrontado pela incompreensão e repúdio.

Sentes desencanto ao constatares que os sagrados misteres a que te entregas são recebidos com acrimônias e suspeitas.

Desanimam-te os comportamentos daqueles nos quais confias, na grei onde mourejas, produzindo amarguras e mal-estares.

Entristece-te a maneira como te tratam os amigos da seara em que te movimentas, desconfiados em relação à tua entrega.

Constatas insanas competições onde deveriam multiplicar-se as cooperações, como se o labor pertencesse a cada um e a seara estivesse destituída de administrador e abandonada pelo Senhor.

Sentes cansaço e não consegues renovação íntima, diante da ausência de tempo hábil para a reflexão.

Pensavas que os corações afetuosos, que sorriem contigo, permaneceriam acessíveis ao teu nos momentos difíceis, constatando, porém, que o ego neles predomina, em relação ao coletivo no grupo em que te fixas.

Ocorrem-te a desistência e o retorno às tuas origens, porque o paraíso que acreditavas estar ao teu alcance, na convivência com os demais servidores, é somente uma aparência com os mesmos desvãos que encontravas no anterior convívio social por onde te movimentavas.

Sofres, porque anseias pela harmonia e acalentas o sonho da plena solidariedade, que se te apresenta muito distante...

Não te esqueças, porém, de que os santos e serafins transitaram também no corpo e alcançaram esse nível de evolução porque enfrentaram equivalentes ou mais ásperas refregas.

Ninguém atinge o altiplano sem a caminhada pelas baixadas sombrias e difíceis de acesso.

Revigora-te na luta, sendo tolerante para com todos e exigente para contigo mesmo.

O reino dos céus é construído com os materiais da renúncia e da compaixão, da bondade e da comiseração, sob o patrocínio do amor.

Repara a Natureza sacudida frequentemente pelos fenômenos destrutivos que a visitam, permitindo-lhe, logo depois, renovação, exuberância e beleza na produção dos tesouros da vida.

De igual maneira ocorre na floresta humana.

Não te desencantes, pois, com os outros que, por sua vez, também se permitem frustrações em relação a ti.

Se amas Jesus e o teu objetivo é servi-lO, avança contente, conforme o fez o Irmão Alegria.

*

Ama a tua dor.

No momento em que o teu amor seja capaz de superar o sofrimento, sem rebeldia nem queixa, terás alcançado a meta que buscas.

A dor é um buril lapidador das anfractuosidades dos minerais duros dos vícios e dos arraigados hábitos infelizes.

Quem não enfrenta com harmonia interior os desafios da evolução, acautelando-se do sofrimento, permanece em lamentável estagnação que o conduz à paralisia emocional em relação ao crescimento íntimo.

Os caminhos do Gólgota, assim como os da Úmbria, ainda permanecem com sombras por cima e espinhos no seu leito, exigindo coragem e abnegação para serem percorridos com júbilo.

Vencê-los é o dever que a fé racional te impõe, a serviço de Jesus, a quem amas.

Se almejas alegria e bem-estar nos moldes profanos estás em outro campo de ação, mas se buscas o serviço com o Mestre de Nazaré, os teus são júbilos profundos e emoções superiores bem diferentes das habituais.

Não relaciones, pois, remoques e erros, antes aprende a retirar o melhor, aquela parte boa que existe em todos os seres humanos e enriquece-te com esses valores, sem te preocupares com a outra parte, a enferma, ainda não recuperada pelas dádivas da saúde espiritual.

Tem mais paciência e aprende a compreender em vez de censurar e exigir. Cada qual consegue fazer somente o que lhe está ao alcance, não dispondo de recursos para autossuperar-se no momento.

Jesus, Modelo e Guia da Humanidade, conviveu com mulheres e homens bem semelhantes àqueles com os quais hoje partilhas a convivência, em labuta ao teu lado, suportando-se reciprocamente e dedicados ao amor.

Se, por acaso, sentes a sutil visita da intriga, da acusação e de outras mazelas que atormentam a sociedade, acautela-te, não lhes concedas guarida nem atenção, ignora-as e segue, irretocável, adiante.

Melhor estares na luta de sublimação, do que no leito da recuperação sob o impositivo de limites e restrições, impostos pelo processo de crescimento para Deus e para ti mesmo.

Em qualquer situação, alegra-te por te encontrares reencarnado, portanto, no roteiro da autoiluminação.

Ama a tua dor e ela se te tornará amena, amiga, gentil companheira da existência. E enquanto amas, trabalha pelo Bem, compensa-te com as bênçãos dos resultados opimos que ofereças ao Senhor, que transitou por sendas idênticas e mais dolorosas que essas por onde segues.

Assim, continua em paz, viandante das estrelas que te aguardam no zimbório celeste.

*

Francisco de Assis amava as suas dores e transcendeu todos os limites, conseguindo demarcar os fastos históricos com a renúncia, a simplicidade e as canções de inefável alegria.

E Clara, que lhe seguia o exemplo sublime, impôs-se dedicação integral e, ao partir da Terra, achava-se aureolada pelo sofrimento no qual encontrou a plenitude.

De tua parte, ama também a tua dor e experimentarás incomparável bem-estar.


Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnica de 16 de dezembro de 2013, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.


08 novembro 2017

Prevenção do suicídio - Divaldo P.Franco,



PREVENÇÃO DO SUICÍDIO


Felizmente a sociedade vem conseguindo realizar campanhas de alto nível humanitário e espiritual. Setembro amarelo é um desses nobres movimentos, para que as mentes despertem para os inalienáveis deveres em relação ao ser vivente e à humanidade em geral.

De igual significado é o Outubro rosa, objetivando a prevenção do câncer de mama, quando são identificados incontáveis casos de neoplasia maligna em instalação e ainda fáceis de ser erradicados com alto nível de saúde para as mulheres.

No último dia 16 [de setembro], tivemos o cuidado de convidar todos à prevenção do suicídio, usando o símbolo em amarelo, numa demonstração massiva de aceitação da grandiosa proposta.

A vida é a mais grandiosa expressão universal. Tudo se resume no seu sentido, especialmente quando a mesma atinge na criatura humana a sensibilidade da emoção, a sublime experiência da razão, o logro dos sentimentos e da intelectualidade.

Com esses instrumentos notáveis da evolução, tem-nos sido possível viver maior número de anos, desfrutar de conforto, de amizades sinceras, de relacionamentos positivos, de esperanças ricas de alegrias.

É natural que, nesse processo, haja ocorrências nem sempre agradáveis para vivenciarmos sempre bem-estar e felicidade. Esses acidentes de percurso, não raro, quando surgem em existências imaturas psicologicamente, logo pensam na fuga da vida pelo suicídio, como se o mesmo a exterminasse.

Esquecem-se que o problema de hoje é conquista de amanhã e que o amadurecimento psicológico e o desenvolvimento intelectual ocorrem mediante os desafios existenciais que facultam a capacidade dos neurônios e o seu aumento, de modo a tornar a jornada mais compatível com o próprio viver.

Na sua alucinação, o suicida é um ingrato em relação àqueles que o amam, que lhe deram a existência e a mantêm em imensa ternura, dominado pelo ego revoltado e, não raro, caprichoso, diante de acontecimentos perfeitamente superáveis. Em um ato de vingança contra a ocorrência perturbadora, destrói o corpo, mas não a vida, que continua, e muito mais severa do que antes.

O desejo de ver-se livre do desafio é frustrado, porque a morte é porta vibratória que leva à vida, isto comprovado por incontáveis pesquisas científicas e manifestações mediúnicas sérias.

Ninguém foge de si mesmo e a consciência é indestrutível, por não ser elaboração do cérebro, mas porque pertence ao Espírito, que é imortal.

Cuidemos da profilaxia preventiva ao suicídio, cultivando ideias equilibradas, desenvolvendo os valores éticos perante a vida e compreendendo que ninguém alcança as metas que busca sem sofrer as lutas da conquista.

Nesse sentido, recorrer-se a oração a Deus, é solução para todas as aflições existentes.


Divaldo Pereira Franco
Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 21.9.2017



07 novembro 2017

Roteiro da Desobsessão - J.Herculano Pires



ROTEIRO DA DESOBSESSÃO



1) Ao acordar, diga a si mesmo: Deus me concede mais um dia de experiências e aprendizado. É fazendo que se aprende. Vou aproveitá-lo. Deus me ajuda. (Repita isso várias vezes, procurando manter essas palavras na memória. Repita-as durante o dia.)

2) Compreenda que a obsessão é um estado de sintonia da sua mente com mentes desequilibradas. Corte essa sintonia ligando-se a pensamentos bons e alegres. Repila as ideias más. Compreenda que você nasceu para ser bom e normal. As más ideias e os maus pendores existem para você vencê-los, nunca para se entregar a eles.

3) Mude sua maneira de encarar os semelhantes. Na essência, somos todos iguais. Se ele está irritado, não entre na sua irritação. Ajude-o a se reequilibrar, tratando-o com bondade. A irritação é sintonia de obsessão. Não se deixe envolver pela obsessão do outro. Não o considere agressivo. Certamente ele está sendo agredido e reage erradamente contra os outros. Ajude-o que será também ajudado.

4) Vigie os seus sentimentos, pensamentos e palavras nas relações com os outros. O que damos, recebemos de volta.

5) Não se considere vítima. Você pode estar sendo algoz sem perceber. Pense nisso constantemente, para melhorar as relações com os outros. Viver é permutar. Examine o que você troca com os outros.

6) Ao sentir-se abatido, não entre na fossa. É difícil sair dela. Lembre-se de que você está vivo, forte, com saúde, e dê graças a Deus por isso. Seus males são passageiros, mas se você os alimentar eles durarão. É você que sustenta os seus males. Cuidado com isso.

7) Frequente a instituição espírita com que se sintonize. Não fique pulando de uma para outra. Quem não tem constância nada consegue.

8) Se você ouve vozes, não lhes dê atenção. Responda simplesmente: Não tenho tempo a perder. Tratem de se melhorar enquanto é tempo. Vocês estão a caminho do abismo. Cuidem-se. E peça aos bons Espíritos, em pensamento, por esses obsessores.

9) Se você sente toques de dedos ou descargas elétricas, repila esses espíritos brincalhões da mesma maneira e ore mentalmente por eles. Não lhes dê atenção nem se assuste com esses efeitos físicos. Leia diariamente, de manhã ou à noite, ao deitar-se, um trecho de O Evangelho Segundo o Espiritismo e medite sobre o que leu. Abra o livro ao acaso e não pense que a lição é só para você. Geralmente é só para os obsessores, mas você também deve aproveitá-la. No caso de visões a técnica é a mesma. Nunca se amedronte. É isso que eles querem, pois com isso se divertem. Esses pobres espíritos nada podem fazer além disso, a menos que você queira brincar com eles, o que lhe custará seu aumento da obsessão. Corte as ligações que eles querem estabelecer com você, usando o poder da sua vontade. Se fingirem ser um seu parente ou amigo falecido, não se deixe levar por isso. Os amigos e parentes se comunicam em sessões regulares, não querem perturbar.

10) Leia o livro de Allan Kardec O que é o Espiritismo; mas de Kardec, não outros de autores diversos, que fazem confusões. Trate de estudar a Doutrina nas demais obras de Kardec.

11) Não se deixe atrair por macumbas e as diversas formas de mistura de religiões africanas com as nossas crendices nacionais. Não pense que alguém lhe pode tirar a obsessão com as mãos. Os passes têm por finalidade a transmissão de fluidos, de energias vitais e espirituais para mãos, ensinada por Jesus e praticada por Ele. É uma doação humilde e não uma encenação, dança ou ginástica. Não carregue amuletos nem patuás ou colares milagrosos. Tudo isso não passa de superstições provindas de religiões das selvas. Você não é selvagem, é uma criatura civilizada capaz de raciocinar e só admitir a fé racional. Estude o Espiritismo e não se deixe levar por tolices. Dedique-se ao estudo, mas não queira saltar de aprendiz a mestre, pois o mestrado em Espiritismo só se realiza no plano espiritual. Na Terra somos todos aprendizes, com maior ou menor grau de conhecimento e experiência.

J.Herculano Pires
Obra: Obsessão o Passe – a Doutrinação - Capítulo 8
Editora Paidéia Ltda

06 novembro 2017

Aura: as irradiações da alma humana - Joseph Gleber



AURA: AS IRRADIAÇÕES DA ALMA HUMANA


Todos os corpos existentes no universo, sem exceção — desde aqueles que são conhecidos do homem na Terra até aquelas formas ainda por ele ignoradas, em todo ser em que palpite a alma da vida, o princípio inteligente ou a consciência, em qualquer fase de evolução —, irradiam uma atmosfera fluídica em volta de suas próprias individualidades, caracterizada por uma rica variedade policrômica, com cambiantes que variam intensamente, constituídos de irradiações das diversas camadas do corpo espiritual ou psicossoma.

Conhecidas com o nome de aura, essas irradiações são, por assim dizer, a marca ou o selo do espírito.

Por isso é que se torna impossível esconder cada um seus sentimentos e suas qualidades, por se acharem expressos nas variadas camadas áuricas e patentes à visão dos espíritos esclarecidos.

Além disso, normalmente acessível à sensibilidade dos videntes, pode-se percebê-la através de alguns métodos desenvolvidos para o estudo de suas vibrações.

A aura constitui-se também num reflexo natural da consciência espiritual, estampando através de suas combinações de cores as manifestações de espiritualidade ou as degradantes imagens da perversão do ser. Durante as vivências do espírito, espelham-se, nas irradiações da aura, todos os seus vícios ou virtudes adquiridos ao longo da sua jornada evolutiva, inscrevendo-se, nas células sutilíssimas do perispírito, tanto as nobres e elevadas vibrações de altruísmo quanto as mais negras e abjetas manifestações de um caráter doentio e pecaminoso.

O psiquismo em evolução, através das diversas exteriorizações no mundo fenoménico das formas, emite, pelas suas vibrações, essa atmosfera mais ou menos sutil, que impregna o éter cósmico com as suas peculiaridades; constitui isso um registro de toda a vida, pelo qual os espíritos superiores têm acesso ao passado espiritual, como numa fita magnética de alto potencial de registros.

Através do estudo das energias da aura, nossos irmãos podem obter mais detalhes a respeito das formas-pensamento, das criações fluídicas e dos clichés mentais, podendo esse estudo contribuir grandemente para a medicina do futuro, quando os homens de ciência utilizarem o elemento psíquico como fonte de diagnóstico ou como objeto dos tratamentos que se realizarão em bases energéticas.

A fotosfera iridescente que circunda o organismo humano se constitui de elementos psíquicos e etéricos, e manifesta- se a partir de processos intra-atômicos, desenvolvidos na intimidade das células astrais que compõem o psicossoma.

Portanto, a aura torna-se a manifestação anímica do espírito, que se mostra em maravilhoso policromismo para expressar sua elevação ou sua embrionária condição evolutiva. Em sua variada coloração e em seus efeitos rutilantes, conseguimos identificar o espírito pela aura, em qualquer lugar em que se localize no infinito da criação.

O estudo das energias da aura é por demais importante para que dele se descuide. Aquele que se interessa pelo estudo das manifestações psíquicas deveria ampliar mais seu conhecimento a respeito dessas energias, que fornecem a identificação segura dos seres que habitam os dois planos da vida.

Lamentavelmente, os nossos companheiros espiritistas e espiritualistas, de um modo geral, trocaram o maravilhoso laboratório da ciência experimental pelas interpretações místicas dos fenômenos, acomodando-se com as conquistas já realizadas no passado por eminentes pesquisadores, talvez julgando haverem esgotado o material de pesquisa, o que os faz se perder nos labirintos sombrios da ignorância e do misticismo.

Acontece com freqüência, por exemplo, de pseudomédiuns videntes que presumem ver as irradiações da aura emitirem sua interpretação pessoal, mística e sem bases científicas, a respeito de algo de que pouco se conhece, mesmo na teoria.

Por meio do estudo sério e metódico sobre as energias da aura, poderão meus irmãos, no futuro, detectar tanto os desequilíbrios psíquicos, emocionais ou físicos, quanto os estados superiores da consciência. Estados alterados de consciência ou simples enfermidades no veículo periférico de manifestação, o corpo físico, são igualmente perceptíveis pela aura que se irradia de cada um, cabendo, no entanto, aos meus irmãos se dedicarem mais intensamente ao seu estudo e entendimento.

É interessante que desenvolvam métodos de análise e de experimentação, a fim de descobrirem as leis que regulam a fenomenologia psicoenergética.

Nos tempos atuais, quando a ciência espírita está definitivamente estabelecida sobre o alicerce inamovível de seus postulados, impõe-se a cada um o dever de divulgar os fatos sobejamente provados e catalogados a respeito das manifestações da alma, preparando o homem para a sua integração cósmica na realidade da vida.


Espírito Joseph Gleber
Fonte - Medicina Da Alma, psicografia Robson Pinheiro