Total de visualizações de página

20 junho 2019

Faça o teste - Orson Peter Carrara



FAÇA O TESTE


Normalmente nos escravizamos aos condicionamentos mentais. É do ser humano fixar-se em determinados pontos de vista, que se condicionam, viciam, e como resultado colhemos os desdobramentos próprios da teimosia ou da rebeldia, do egoísmo e da vaidade, ou ainda da ganância, das manias e tudo o mais que todos conhecemos.

O pior é quando ruminamos situações, fazendo reviver mágoas guardadas e acumuladas, medos e traumas que retornam em situações que estabelecem alguma conexão com fatos vividos no passado ou em época recente. Basta um nome, uma lembrança, uma citação e pronto! Está estabelecida a conexão que faz ressurgir a mágoa e a raiva e até mesmo o desejo de vingança, com o consequente prejuízo da saúde.

Na verdade, tudo está nos pensamentos, na maneira como o administramos para nos livrarmos dos vícios e condicionamentos e criarmos em torno de nós mesmos um ambiente saudável que propicie tranquilidade e alegria de viver, ingredientes expressivos na superação das adversidades naturais da vida.

Um médico amigo, psiquiatra, trouxe uma receita que pode ser usada em qualquer situação e favorável à mudança dos pensamentos, interrompendo o condicionamento mental. Sugeriu ele, em conversa informal em sua casa quando nos hospedou em Cascavel-PR, que o grande segredo está em selecionarmos uma lembrança que nos traga grande felicidade. Pode ser uma ocorrência, uma vivência, a recordação do filho, do neto, do cônjuge, não importa… O importante é que seja algo ou alguém que nos traga imensa felicidade.

Aí é preciso o treino: toda vez que vem o pensamento ruim ou a maledicência, a raiva, a irritação ou mesmo a tristeza, buscarmos aquela recordação feliz que selecionamos. Esse treino permanente condicionará o cérebro para interromper as lembranças amargas e que trazem aqueles traumas ou mágoas de volta. E mesmo cortará o circuito de tristeza ou de desânimo. A persistência alcançará o êxito de eliminarmos esses condicionamentos ruminantes do sentimento.

Faça o teste, leitor. Já o apliquei em mim mesmo com excelentes resultados.

É o exercício da renovação mental e moral que tanto precisamos para viver com mais equilíbrio e melhores a cada dia.

Considerando o volume de pensamentos e situações diárias, com pressões de todo tipo é bom escolher um motivo ou recordação bem feliz da própria vida para tê-lo como ativo vigilante de pensamentos invasores que tentam desestabilizar a paz que precisamos para vivermos saudáveis, construindo e mantendo a própria integridade e ao mesmo tempo distribuindo paz e harmonia aos que convivem conosco.


Por Orson Peter Carrara


19 junho 2019

Arrependimento, expiação e reparação - Edir Salete



ARREPENDIMENTO, EXPIAÇÃO E REPARAÇÃO


É a Doutrina Espírita através do laborioso empenho das diversas categorias de Espíritos e de Allan Kardec, em sua Obra O Céu e o Inferno ou a Justiça Divina Segundo o Espiritismo que nos trazem dentro da Primeira Parte, cap.VII o Código Penal da Vida Futura.

Dividido em 33 itens que reforçam a Justiça da Lei de Deus, quando esclarece com profundidade que todos os nossos atos que prejudicaram o outro e não foram alcançados pela Lei dos homens, enquanto encarnados, o serão pelo Tribunal Divino de nossas consciências que fará que tudo “até o último ceitil” seja liquidado pelo infrator.

Assim, cai por Terra a idéia de que basta um “arrependimento” no último momento, que talvez, não custa mais que poucas palavras, e ficaremos livres, isentos assim, de todos os nossos débitos com aqueles a quem prejudicamos.

Portanto, só a reencarnação nos facilita o entendimento e as múltiplas oportunidades de resgatar. O arrependimento, é só o primeiro passo para o reajuste, pois temos aí o desejo, a vontade, e a esperança de mudar os fatos mas, não é só isso, necessário a expiação e a reparação senão, onde a justiça ?

Diz o Livro dos Espíritos, ítem 998 “A expiação se cumprirá mediante as provas da vida corporal e, na vida espiritual pelos sofrimentos morais inerentes a nossa inferioridade” .

Já o resgate de nossas faltas se dará durante o estado corporal quando é mais propício o acerto com o adversário, pois Jesus foi claro quando disse “reconcilia-te com teu adversário enquanto estás a caminho com ele” e os mais renitentes e rancorosos só com o tempo farão essa reflexão e o avanço através da Lei de Progresso e do amor de Deus, que deixa sempre aberto o caminho da redenção, e fará que cada um a seu tempo, vá viabilizando formas de evoluir, pois quanto maior a demora, maior o sofrimento !

A reparação, também considerada lei de reabilitação moral dos Espíritos, poderá dar-se desde esta vida com a prática do bem, da caridade, da amorosidade, do afeto com nossos semelhantes onde iremos liquidando os débitos que trazemos de tempos imemoriais onde nos comprometemos, infringindo as Leis sábias de Deus, pelo nosso orgulho, vaidade, egoísmo, prepotência, maledicência, paixões e mau uso enfim, de nossas faculdades.

É da Lei que mais cedo ou mais tarde alcançaremos a perfeição, através de nossos méritos e não por graça divina, galgando cada degrau do conhecimento e do Livre Arbítrio, até encontrarmos o bom caminho.

Que possamos nos esforçar cada vez mais, para compreender os ditames da Lei Divina e assim evitar cairmos nos intrincados mecanismos dos Códigos Penais desta Vida e das Vidas futuras !

A cada um segundo suas obras ! Essa é a Lei !



Edir Salete

 

18 junho 2019

Chorar é humano - Cezar Braga Said



CHORAR É HUMANO


Disse uma criança que chorar é chover pelos olhos.

Falando nisso, há quanto tempo você não chora? Chora de quê?

Chora de rir.

Chora de tristeza, porque é natural ficar triste de vez em quando.

Chora de saudade.

Chora por amor.

Chora de inconformação.

Chora por sentir um vazio…

Chora orando, pedindo forças para não sucumbir diante dos problemas e desafios que a vida nos coloca.

Chora ouvindo música, lendo poesia, conversando e abraçando uma pessoa querida.

Chora de gratidão por todas as dádivas recebidas.

Chora em silêncio, ouvindo a melodia das próprias lágrimas.

Chora apenas por chorar.

Não é saudável conter o pranto do mesmo modo que não devemos interromper um rio que busca o mar.

Chorar alivia, faz desaguar no oceano da vida as tristezas e dores acumuladas, torna mais leve o fardo que carregamos.

Jesus chorou algumas vezes e o fez em público também, como a lecionar que o pranto sincero é legítimo, é uma expressão humana decorrente da sensibilidade e da fragilidade de que somos portadores. (Jo, 11:37- 44)

Chore, só tenha cuidado para não se afogar nas próprias lágrimas, desesperando-se e fazendo disso um hábito recorrente.

E depois que tiver chorado o suficiente, enxugue os olhos, levante a cabeça e estampe um sorriso no rosto, mesmo que seja um sorriso tímido feito um sol coberto por nuvens. E guarde a certeza de que na vida tudo passa, tristezas e alegrias, escassez e fartura, frio e calor, dores e prazeres, numa impermanência sem fim.

Portanto, quando nossas lágrimas forem o retrato vivo de uma tempestade pela qual estejamos passando, sem que tenhamos conscientemente semeado ventos , mantenhamos a certeza de que uma nova aurora se anuncia, convidando-nos a recomeçar, tentar mais uma vez e com maior maturidade.

Chore sim, pois chorar nos faz humanos. E aprendamos a transformar lágrimas em energia de crescimento e mudança, para que elas representem o regar das sementes de um novo tempo. Sementes que sempre estiveram dentro de nós, no solo do nosso coração, aguardando o instante certo para germinar.


Por Cezar Braga Said


17 junho 2019

O “Locus minoris resistentae” do Movimento Espírita - Jane Maiolo



O "LOCUS MINORIS RESISTENTAE" DO MOVIMENTO ESPÍRITA


“Portanto, cada um de vocês deve abandonar a mentira e falar a verdade ao seu próximo, pois todos somos membros de um mesmo corpo.” [1]

Por que adoecemos?

Questões inquietantes como estas muitas vezes ganham nossas mais sinceras, sentidas e profundas reflexões.

O Homem hodierno, conectato ao mundo inquietantemente tecnológico, anseia por descobrir a resposta para tal enigma.

As descobertas científicas do século XXI têm nos permitido desbravar o conhecimento sobre o Cosmo, ampliando nossa percepção acerca do Universo. Investigou-se e descobriu-se qual a utilidade do DNA. Achou-se água em Marte, o fenômeno da reprogramação celular e outras muitas investigações importantes para a evolução da vida humana na Terra.

Porém, ainda é aflitiva a questão do por quê adoecemos? Quais as razões de ainda não conseguirmos devassar as reais causas de tão urgentes e profundas demandas?

Existem múltiplas causas para surgimento das enfermidades físicas, psíquicas e ou mentais. Entretanto, sob o jugo do materialismo mecanicista e sistêmico, combóia o homem moderno sem compreender a magnitude d’outras dimensões imperceptíveis aos olhos humanos, e que nem por isso “irreais”.

O binômio corpo e alma volta à baila exigindo do pesquisador contemporâneo um olhar mais perquiridor, mais audacioso e profundo.

Os princípios espíritas confirmam que somos os seres inteligentes da Criação, compostos por espírito (centelha divina), períspirito (laço fluídico que liga o corpo ao espírito) e corpo físico. Na doença do corpo não podemos “perder de vista que, assim como o Espírito atua sobre a matéria, também esta reage sobre ele, dentro de certos limites, e que pode acontecer impressionar-se o Espírito temporariamente com a alteração dos órgãos pelos quais se manifesta e recebe as impressões.” [2]

Enquanto seres em evolução na Terra, ora jazemos na matéria e ora estamos fora dela ,na dimensão espiritual. Nessas experiências, mormente encarnados, vivenciamos circunstâncias nos comprometendo com outros espíritos através de sentimentos e emoções capazes de alterar nossa constituição psicossomática desorganizando-a sob o impacto do ódio, do rancor, da vingança, da ganância, da mentira, dos vícios e das imoralidades adotadas.

Assim o corpo físico ressentirá as moléstias geradas basicamente no perispírito a exteriorizar-se imediatamente na vida atual ou no futuro no processo de esculturação doutro arcabouço físico doente, desta forma, adoecemos porque entulhamos as emoções e sentimentos.

Fato paralelo também tem ocorrido no Movimento Espírita.

Podemos comparar a Doutrina Espírita ao Espírito, o Movimento Espírita ao perispírito e as instituições seriam o corpo físico.

Encontramos um corpo (grupo) passível de adoecer pela insensatez, pela falta de comprometimento doutrinário, pela escassez de estudo sérios, pelo extemporâneo intelectualismo, pelos exercícios mediúnicos indesejáveis.

O “locus minoris resistentiae” é um termo habitual na medicina a fim de descrever um local do corpo que oferece pouca resistência à infecção, danos ou ferimentos.

Constatamos no Movimento Espírita um corpo frágil no seu aspecto vibratório e os micróbios do pessimismo vem se alastrando e as polêmicas improfícuas surgem, contagiando e gerando lesões compatíveis com as distrações do bem.

Metaforicamente podemos comparar o Movimento Espírita ao “Corpo do Cristo”, motivo pelo qual não podemos permitir que quaisquer doenças insidiosas se instalem. É urgente desfraldar as bandeiras das caravanas da fraternidade em busca do entrosamento junto às lideranças e representações doutrinárias ajuizadas e empenhadas com a propaganda das verdades da Terceira Revelação.

Deixemos as infecções ideológicas para os falazes, recordemos as repreensões de Paulo de Tarso aos Efésios – “Portanto, cada um de vocês deve abandonar a mentira e falar a verdade ao seu próximo, pois todos somos membros de um mesmo corpo”. [3]

O que dignifica os membros do Movimento Espírita é a capacidade da transformação íntima que cada um transporta dentro de si mesmo.

O que nos torna membro saudável desse “Corpo Admirável” é a aptidão para o acolhimento, consolação, esclarecimento e orientação das muitas almas enfermas ou ignorantes que buscam o lenitivo da mensagem junto às instituições espíritas.

O que nos torna enfermeiros dessas almas sofridas é aplicação do remédio do diálogo amoroso e fraternal. É as conduzirmos aos tratamentos desobsessivos a fim de favorecer a libertação de vítimas e verdugos das garras simbióticas da obsessão. É amenizar os quadros devastadores das subjugações ante os dramas obscuros do passado. Portanto, para obtermos êxitos nesses desígnios devemos estar revestidos de alento moral e equilíbrio espiritual.

Cuidemos, pois, do Movimento Espírita, dando exemplos de superação na busca da estabilização da saúde desse sublime “Corpo”. Os medicamentos ainda são os mesmos indicados pelo Mestre: “Espíritas! Amai-vos, eis o primeiro ensinamento. Instruí-vos, eis o segundo. [4]

As advertências paulinas nos são oportunas: “Nenhuma palavra torpe saia da boca de vocês, mas apenas a que for útil para edificar os outros, conforme a necessidade, para que conceda graça aos que a ouvem.

Livrem-se de toda amargura, indignação e ira, gritaria e calúnia, bem como de toda maldade. Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros! ” [5]

Assim todo nosso corpo, que é o Movimento espírita, vibrará saúde e paz!

Jane Maiolo

Referências bibliográficas:

[1] Efésios 4:32

[2] Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, questão nº 375 (a), RJ: Ed FEB 2002

[3] Efésios 4:32

[4] Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. VI, item 5. RJ: Ed FEB 2000

[5] Efésios 4:29,31,32


16 junho 2019

Um Leão por Dia - Antônio Carlos Navarro



UM LEÃO POR DIA



Conta-se que um experiente caçador se encontrava em caça, quando uma situação inusitada se deu.

Seguindo a pista de um leão, apartou-se do seu grupo de caçadores e embrenhando-se na vegetação acabou por alcançar uma pequena clareira na qual, coincidentemente, o leão também adentrou, porém, em posição diametralmente oposta à sua.

Sozinho diante do grande felino, que vinha ao seu encontro, verificou que tinha somente um projétil disponível para tentar abater o animal.

Em um átimo de tempo, experiente que era, e diante do perigo iminente, decidiu pela prece nos seguintes termos: – Senhor Deus, diante desta situação, que Você acompanha, peço que, se Você está do meu lado, ajude-me a acertar o animal com o único projétil que tenho, mas, se Você está do lado do leão, ajude-o a me matar com um único golpe, para que eu não sofra. Porém, se Você não está nem do meu lado, e nem do lado do leão, sente-se aqui perto, porque assim Você assistirá a uma luta jamais vista por estas redondezas.

************

Em nosso dia a dia nos envolvemos em muitas situações, consciente e inconscientemente, que nos pedem controle emocional e discernimento para o melhor proveito ao nosso espírito imortal.

A estória acima nos remete à realidade de nossas vidas, que nem sempre permite o prazer da vitória, segundo o entendimento humano, mas, ao contrário, muitas vezes nos impõe contrariedade e sofrimento, cabendo a nós a escolha de como vamos nos comportar diante da realidade dos fatos.

Qualquer que seja o retorno dado pela vida, tem o Espírito a possibilidade de tirar proveito para seu crescimento íntimo, sem as ilusões que alimentam o orgulho e a vaidade, quando o retorno é bom, e sem desculpismos, acusações ou inconformação, quando o retorno é motivo de dor e sofrimento.

Popularmente se diz, nos dias corridos e atribulados de hoje, que é preciso matar um leão por dia para se manter e prosperar diante da vida, o que significa estar disposto ao enfrentamento daquilo que há de vir. Como tudo o que ocorre em nossas vidas está concorde com a Lei de Deus, que é de Justiça e Amor, estamos sempre diante da possibilidade de crescimento, com a inércia, o desânimo e a fuga correndo por nossa conta.

Desta forma sempre será possível travar a “boa luta contra os leões” que se apresentam aos nossos espíritos, como se propôs aquele caçador que, consciente das possibilidades múltiplas, escolhe agir corajosamente sem se deixar levar pela aparente impossibilidade da vitória.

É fazer a nossa parte, porque o resto é com a vida.

Pensemos nisso.


Antônio Carlos Navarro


15 junho 2019

Volta à gentileza - Divaldo P.Franco



VOLTA A GENTILEZA


Infelizmente, as notáveis conquistas da ciência aliada à tecnologia ainda não lograram facultar ao ser humano o retorno à gentileza. Propiciaram, sim, fantásticas contribuições para o conforto e o esclarecimento de incontáveis enigmas que o vinham atormentando através dos séculos, sem, no entanto, proporcionar-lhe sentimentos que vêm desaparecendo nos relacionamentos sociais, que lamentavelmente se tornam cada vez menos frequentes.

O individualismo, que resulta de muitos instrumentos técnicos de comunicação, embora facilitando a existência, tem isolado os indivíduos no mundo de cada qual, sempre mais distante da convivência fraternal, retirando o calor da afetividade. Vai-se ficando indiferente ao contato pessoal, à conversação calorosa, ao distanciamento uns dos outros.

Pequenos gestos de gentileza vão sendo substituídos pelo silêncio e pelo aborrecimento quando o indivíduo se sente convidado à participação de qualquer atividade pessoal, exceto naqueles de interesse imediato. Diversos princípios éticos são esquecidos propositalmente e substituídos por carrancas que desanimam qualquer pessoa que deseje uma comunicação verbal agradável.

Tem-se a impressão de que se deseja distância que favoreça dificuldade de gerar trabalho ou favores não desejados.

As saudações, que demonstraram grau de cultura e civilização, vão desaparecendo, e a preocupação apenas consigo leva ao atropelamento dos outros pelos caminhos, sem a mínima preocupação de solicitar-se escusas. Os demais parecem antipáticos e se evitam novos relacionamentos, bastando-se com os jogos, os desafios e diversos recursos do iPhone.

O ser humano tem necessidade de convivência com a natureza, a flora, a fauna, os ideais de engrandecimento e a presença de outros de sua espécie. Com esse estranho comportamento, muito fácil se instalam transtornos de conduta, distúrbios emocionais e distância da beleza, da arte, da vida religiosa, do bem-estar. Surgem, então, a depressão e outras patologias afligentes.

Pessoa alguma existe que seja tão plena que não necessite de outra para relacionar-se, conviver, discutir e até mesmo discordar. O estar vivo é movimentar-se, lutar, construindo melhores situações para si próprio, para a Humanidade. Muitas pessoas vivem angustiadas pelo tempo vazio de que dispõem e passam horas queixando-se do nada fazer, de sua vida não ter sentido.

Entretanto, leituras edificantes aguardam mentes interessadas, trabalho fraternal em favor do próximo abre-se convidativo para quantos desejam honestamente ser felizes.

Os solitários vagueiam inditosos ou enchem as casas de repouso, tornando-se espectros tristes da sociedade que deles se esqueceu. Bem provável que foram eles que se olvidaram do grupo social quando eram jovens e podiam produzir fraternidade bem como edificar mundo melhor.

Mesmo neste momento de desamor e egoísmo pode-se reverter a situação, passando-se a ser solidário e iniciar novas experiências sempre enriquecedoras.

Multiplicam-se organizações de ajuda à natureza assim como à Humanidade, aguardando cooperadores. Seja você aquele que tem a coragem de voltar à gentileza e reumanizar-se, pois que ainda é tempo.


Divaldo Pereira Franco
Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 16.5.2019

14 junho 2019

Bençãos e Maldições - Richard Simonetti



BÊNÇÃOS E MALDIÇÕES


O ato de abençoar implica em desejar o bem de alguém. Assim como a oração, o alcance da bênção depende de nosso envolvimento com ela, dos sentimentos que mobilizamos. O pai que, displicentemente, abençoa o filho que vai dormir, sem desviar a atenção do programa de televisão, não vai além das palavras.

Já a mãe diligente, que leva a criança ao leito, conversa com ela, conta-lhe uma história e a beija carinhosamente, põe a própria alma ao abençoá-la, envolvendo-a em poderosas vibrações de amor, com salutar repercussão em seu sono. Ao contrário da bênção, amaldiçoar é desejar o mal de alguém.
Que vajas bien, que te pise el tren.

O fato de desejarmos que uma pessoa seja atropelada por um trem, como sugere este chistoso ditado espanhol, não implicará, evidentemente, nesse funesto acontecimento. Não possuímos poderes para tanto, nem Deus o permitiria. Mas podemos perturbar nosso desafeto.

A maldição é um pensamento contundente, revestido de carga magnética deletéria, passível de provocar reações adversas no destinatário – nervosismo, tensão, irritabilidade, mal-estar…

Se, porém, o amaldiçoado é uma pessoa bem ajustada, moral ilibada, ideias positivas, sentimentos nobres, nada lhe acontecerá. Simplesmente não haverá receptividade para nossa vibração maldosa.

O mesmo ocorre em relação ao ato de abençoar. Os pais desejam muitas bênçãos para seus filhos. Que sigam caminhos retos; que sejam aprendizes aplicados; que se realizem profissionalmente; que cultivem moral elevado; que sejam felizes...

Ainda que se situem por poderosos estímulos, suas bênçãos pouco representarão se os filhos preferirem caminhos diferentes.

Nem por isso devem deixar de abençoá-los. Suas bênçãos inibirão os impulsos mais desajustados dos filhos, trabalharão suas consciências adormecidas e acabarão por despertar neles impulsos de renovação, quando a vida lhes impuser suas amargas lições.

Bênçãos e maldições são como bumerangues, aqueles brinquedos australianos, em forma de arco, que retornam às nossas mãos quando os atiramos.

Se amaldiçoarmos alguém, odientos, o mal que lhe desejamos voltará, invariavelmente, para nós, precipitando-nos em perturbações e desequilíbrios. Somos vitimados por nosso próprio veneno.

Em contrapartida, aquele que abençoa alimenta-se de bênçãos, neutralizando até mesmo vibrações negativas de eventuais desafetos da Terra ou do além.

Jesus conhecia como ninguém esses princípios. Por isso, antecipando que os discípulos enfrentariam muitas hostilidades na difusão do Evangelho, recomendava-lhes:

“Quando entrardes numa casa, dizei:
− A paz esteja neste lar.

Se, com efeito, a casa for digna, venha sobre ela a vossa paz; se, porém, não o for, torne para vós outros a vossa paz." Temos aqui preciosa orientação. Observando-a, ainda que, onde formos, as pessoas estejam pouco dispostas a entronizar a paz, ela não se ausentará de nosso coração.

Nem sempre os beneficiários de nossas iniciativas, quando cultuamos a vocação de servir, mostram-se reconhecidos. Que isso jamais nos iniba. O ato de servir tem suas próprias compensações. Exercitando-o, a distribuir bênçãos de auxílio, habilitamo-nos às bênçãos de Deus.


Richard Simonetti


13 junho 2019

É inevitável - Orson Peter Carrara



É INEVITÁVEL


Há alguns anos, quando se poderia imaginar as facilidades de um celular, que já não é apenas um celular, mas reúne diversas utilidades num só aparelho, com a grande facilidade da comunicação instantânea, a depender do aplicativo utilizado, inclusive com imagem ao vivo.

Comportando num só aparelho máquina fotográfica, filmadora, telefone convencional e também com imagens, entre outros muito úteis sistemas que nos favorecem a vida, como o notável GPS e o recente whatsApp, realmente impressiona o que o ser humano é capaz de produzir ou, ainda melhor dizendo, foi capaz em tão pouco tempo – fruto, é claro, de conquistas anteriores –, a ponto de que a partir de 1988 a 2018, nossa tecnologia desenvolveu tecnologias e sistemas – em todas as áreas, reafirme-se –, superiores aos milênios anteriores da evolução humana.

Em 30 anos fomos capazes – cada um com sua aptidão e na soma da criatividade, talento e dedicação –, de revolucionar a vida humana em todos os sentidos.

Nada a provocar espanto. É a Lei do Progresso, inexorável em sua caminhada.


Embora ainda nos deixemos, como seres humanos, escravizar aos vícios – inclusive os cibernéticos – vivemos uma nova era na história, que vai provocar com mais velocidade outras tantas mudanças que virão intensamente.

Embora muitos de nós, os humanos, ainda usemos essas maravilhosas ferramentas para cálculos e ações criminosas – como os vírus de computador, invasão de contas bancárias, aprimoramento de sistemas que visam enganar, usurpar, roubar e manipular em todos os sentidos –, isso vai passar, porque paralelamente também caminhamos com intensa necessidade do aprimoramento moral – embora mais lentamente – que vai modificar os sofridos panoramas da atualidade.

As mídias sociais, os sistemas de navegação para comunicação instantânea ou para controles operacionais de diversas áreas de atividade, foram conquistas e facilidades permitidas que vieram mesmo para modificar a sociedade para melhor. O uso indevido por alguns é fruto da imaturidade e do senso ainda equivocado dessas ferramentas tão úteis que o progresso moral vai modificar com o tempo.

Daí a extrema necessidade de nossa melhora moral e da transmissão de moralidade às crianças que chegam – já dominando com muita facilidade os teclados que acionam os mecanismos virtuais –, para que tenhamos a sociedade melhor do futuro que tanto esperamos.

Isso para não termos governos corruptos, cidadãos egoístas ou criminosos que abusam, exploram e ainda trazem infelicidade. Estão todos com os dias contados esses que desejam dominar a sociedade para explorá-la. É mera questão de tempo, pois é impossível deter a Lei de Progresso, que tudo modifica.

Não vai demorar a chegar o tempo em que a desonestidade, a falta de ética e respeito, o uso e abuso das facilidades atuais pensando somente em si mesmo, serão notas destoantes na nova sociedade que gradativamente está se formando.

Não haverá, em breve tempo, mais lugar para os que desejam tirar proveito, para os que tentam dominar, para os que abusam e exploram. Ficarão como peixes fora d´água e convidados a contragosto a deixarem o planeta para que os que aspiram à felicidade pela retidão e pela solidariedade encontrem aqui a prometida vivência do amor.

E, interessante, somos os protagonistas desse tempo de transformação. Vai durar décadas, séculos? Não é possível prever com exatidão. Mas como seres imortais, saberemos e nos encontraremos em afinidade com a escolha que fizermos: a do bem geral, em transformando-nos ou a do egoísmo que nos vinculará a outros serem que também optaram por esse caminho.

A intensidade das transformações sociais que vivemos é bem um recado que vivemos um tempo de definições. Melhor nos posicionarmos, pois que tais definições nos vincularão aos caminhos que escolhemos, onde reinará um tempo novo de entendimento e solidariedade ou nos remeterá a espaços e lugares onde ainda impera o desejo de domínio e o tão conhecido egoísmo e orgulho, geradores desse sofrido quadro em queda que vivemos na sociedade humana.

Sim alegre-se o leitor desesperançado. O quadro social de intensas dificuldades morais e materiais é um estado em queda. É desespero de causa. Somos filhos do amor e amor nunca abandona. Os que perseveram na confiança em Deus e na perseverança no bem são os que transformam as pedras em degraus de aprendizado.

Avante, pois, sem receio! Resignação, coragem e trabalho constituem a senha do novo tempo.



Orson Peter Carrara

12 junho 2019

Nossas Obras Ficam Conosco – Sidney Fernandes



NOSSAS OBRAS FICAM CONOSCO


Quando se fala em holocausto, logo nos lembramos dos seis milhões de judeus que pereceram na segunda guerra mundial. Poucos, no entanto, conhecem o genocídio ocorrido na África, no início do século XX, quando duas tribos, a dos namaquas e a dos hererós, foram quase dizimadas.

Na chamada Partilha da África, ocorrida no final do século XIX, nações europeias ditas civilizadas invadiram várias regiões em busca de riquezas e terras. O território onde se encontra hoje a Namíbia foi invadido e saqueado pelos alemães, que quase exterminaram a população nativa das tribos hererós e namaquas.

Os ventos da Ilha Shark, um dos campos de extermínio de africanos, sopraram e desenterraram milhares de crânios e ossadas, revelando o triste genocídio, até então oficialmente desconhecido da população terrestre.

Iniciaram-se, a partir daí, movimentos, que continuam nos tempos atuais, no sentido de se obter um formal pedido de desculpas do invasor e as devidas indenizações para os descendentes dos nativos que sofreram essas violências.

Alguns estudiosos entendem que o grande holocausto dos judeus foi planejado com base nas experiências com os genocídios dos africanos e dos armênios, ambos no início do século XX, em que exército e governo alemão também estiveram envolvidos.

Os atuais jovens alemães envergonham-se das barbaridades cometidas por seus ancestrais, principalmente pela motivação racista com que seus antepassados pretendiam explicar seus crimes, que poderia ser resumida na frase com que a Alemanha tentava justificar-se, ao dizer que os nativos não poderiam ser protegidos pela Convenção de Genebra porque eles não eram humanos de verdade, mas subumanos.

No livro Herdeiros de Nós Mesmos, de minha autoria, além de chamar a atenção para mais essa atrocidade, focalizo o assunto sobre o aspecto espiritual, mostrando as providências da espiritualidade em relação às vítimas e aos verdugos do primeiro genocídio do século XX.

O que acontece, após a morte, com os protagonistas desses crimes contra a humanidade? Quem conhece um pouco da lei de causa e efeito pode deduzir o que ocorre com os autores. Sabe que, mais cedo ou mais tarde, eles deverão acertar suas contas com a justiça divina.

E com as vítimas? Algumas perdoam e prosseguem com sua jornada evolutiva. Outras, conservam-se imantadas aos vilões, infiltram-se em suas raízes, com a finalidade de lhes provocar os mesmos medos, as mesmas dores e as mesmas humilhações que lhes foram infligidas.

Resolvem fazer justiça com as próprias mãos e se tornam, ao mesmo tempo, vítimas e justiceiros. Esse lamentável e recorrente círculo vicioso acarreta agravamento de suas situações espirituais.

É impossível permanecer no erro e na ociosidade. Quando não ouvimos os conselhos de nossos protetores espirituais, prorrogamos, por tempo indeterminado, o retorno ao equilíbrio e à normalidade. Apressa-te, pois, visto que cada dia de demora é um dia perdido para a tua felicidade, ensina Allan Kardec.

Diante das incertezas, das dores, das perseguições e das dúvidas que permeiam nossas vidas — pois, de alguma forma, ainda somos vítimas, verdugos ou ambos —, atentemos para este precioso esclarecimento:

A Bondade Divina nos assiste, de múltiplas maneiras, amparando-nos o reajustamento, mas em todos os lugares viveremos jungidos às consequên­cias dos próprios atos, de vez que somos herdeiros de nossas próprias obras. Nossas obras ficam conosco. Somos herdeiros de nós mesmos.


Sidney Fernandes


11 junho 2019

Muitos chamados - Joanna de Ângelis


MUITOS CHAMADOS


(Mateus capítulo 22º, versículos 1 a 14)

Mesmo hoje é assim...

Atônitas, as multidões procuram a diretriz do reino dos céus; não obstante, engalfinham-se nas hórridas lutas pela posse da Terra.

Fascinam-se com as narrativas evangélicas e comovem-se ante os padecimentos do Senhor quando lêem a Sua vida; todavia não se resolvem seguir em definitivo os roteiros iluminativos, por meio dos quais os valores humanos mudam de expressão.

Examinando, igualmente, o comportamento de muitos companheiros de lides, verificarás que a parábola expressiva do Senhor mantém-se em plena atualidade para eles também.

Depois de experimentarem o contato com as legitimidades do espírito, sentem-se dominados pelo desejo sincero de espraiarem as certezas que a Boa Nova lhes oferece. Entretanto, aos primeiros impedimentos e problemas, perfeitamente consentâneos com a posição evolutiva que os caracteriza, reagem, dizendo-se descrentes, atormentam-se e debandam.

Acreditam que são credores de especiais concessões, tendo em vista haverem recebido o convite para o banquete na corte do Grande Rei e o terem aceito com demonstrações de vivo entusiasmo...

Não lhes acode, porém, ao discernimento, que para qualquer solenidade se faz indispensável compostura própria, traje adequado.

Tais são as ações nobilitantes que conferem investidura e insígnias para o comparecimento ao ágape real.

Por isso, as multidões esfaimadas de amor e sabedoria ainda não se resolveram fartar-se nos celeiros sublimes da Revelação Espírita ora ao alcance de todos, demorando-se em contínua aflição.

Buscando os tesouros do espírito, disputam, aguerridamente, as posses que os "ladrões roubam, as traças roem e a ferrugem gasta..."

* * *

Já que recebeste o chamado para a transformação moral ao alento da luz espírita que te aclara os dédalos do mundo interior, não titubeies. Estuga o passo na senda habitual e reflete, deixando-te permear pelas lições de esperança e renovação com que te armarás para os combates. ásperos contra os severos adversários que a quase todos vencem: o egoísmo, o orgulho, a ira, o ciúme e seus sequazes, ensinando pelo exemplo fraternidade e amor.

Não te preocupes pelo proselitismo como pelo arrastamento das multidões à fé que te comove.

Recorda-te de Jesus que não veio para compactuar com as comezinhas paixões nem tão pouco para agradar os campeões da insensatez — maneira segura de conseguir simpatizantes e adeptos — antes para inaugurar o principado da felicidade ao qual são "muitos chamados", porém poucos escolhidos".

Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo P. Franco
Livro: Leis Morais da Vida

10 junho 2019

Unificação: desafio do momento - Antonio Cesar Perri de Carvalho



UNIFICAÇÃO: DESAFIO DO MOMENTO


Há muitas mensagens espirituais com conceitos e recomendações sobre união e unificação, mas cabe aos encarnados a responsabilidade pelas ações e a análise sobre como está sendo praticada a união: “[…] o que caracteriza a revelação espírita é o fato de sua origem ser divina, de a iniciativa pertencer aos Espíritos e de sua elaboração ser fruto do trabalho do homem.” [1] Nessas condições, são oportunas algumas reflexões.

Em mensagem pioneira, Emmanuel associa a prática da união com a vivência do Evangelho: “Compreendendo a responsabilidade da grande assembleia de colaboradores do Espiritismo brasileiro, formulamos votos ardentes para que orientem no Evangelho quaisquer princípios de unificação, em torno dos quais entrelaçam esperanças.” [2]

Em 1975, Bezerra de Menezes aponta o foco e o envolvimento real: “Mantenhamos unidos, em Jesus, para edificar e acender Kardec no caminho de nossas vidas, porque unicamente assim, agindo com a fraternidade e progredindo com o discernimento, é que conseguiremos obter os valores que nos erguerão na existência em degraus libertadores de paz e ascensão.” [2]

Nesses termos, devemos olhar para dentro de nossa seara com o objetivo de sentirmos os eventuais desafios: as obras da Codificação são a base das práticas? Como está o respeito ao próximo mais próximo? Como estão organizadas e como funcionam as instituições espíritas? Quais valores definem as indicações de companheiros para assumirem os encargos e cargos nas instituições? Em que ambiente se processam as escolhas de dirigentes nas instituições? Como os dirigentes e colaboradores de um centro interagem com os pares de outros centros? Como são tratadas as eventuais dificuldades e enganos doutrinários de instituições congêneres? Os líderes, expositores e médiuns são vistos com deslumbramento, como superiores ou mais evoluídos? Os temas da atualidade ou novos são tratados no ambiente espírita?

Cada questão deve ser refletida e sugerimos a analogia com as colocações de Emmanuel: “O mundo conturbado pede, efetivamente, ação transformadora. […] se faz impraticável a redenção do todo, sem o burilamento das partes, unamo-nos no mesmo roteiro de amor, trabalho, auxílio, educação, solidariedade, valor e sacrifício que caracterizou a atitude do Cristo em comunhão com os homens, servindo e esperando o futuro, em seu exemplo de abnegação, para que todos sejamos um.”

No “mundo conturbado” de nossos dias – que se caracteriza por polêmicas, crescimentos, transformações e adequações -, e, na intimidade do espírita, são perceptíveis sentimentos predominantes de união? Sem essas condições, torna-se muito difícil a ideia de unificação entre sociedades espíritas. A palavra unificação pode significar “padronização”: ideia completamente antagônica aos princípios de união, por isso, Emmanuel destacou “burilamento das partes” e união “no mesmo roteiro”. A unificação, no sentido de convergência e somatória de esforços, é possível dentro da diversidade de situações, fundamentando-se no Codificador. [3]

Kardec define: “O laço estabelecido por uma religião, seja qual for o seu objetivo, é, pois, essencialmente moral […], e não somente o fato de compromissos materiais, que se rompem à vontade, ou da realização de fórmulas que falam mais aos olhos do que ao espírito. O efeito desse laço moral é o de estabelecer entre os que ele une, como consequência da comunhão de vistas e de sentimentos, a fraternidade e a solidariedade, a indulgência e a benevolência mútuas.” [3]



Antonio Cesar Perri de Carvalho
Fonte: Agenda Espírita Brasil

Referências Bibliográficas:


(1) Allan Kardec. Trad. lmbassahy, Carlos de Brito. A gênese. 1.ed. Cap.1. São Paulo: FEAL. 2018;
(2) Antonio Cesar Perri de Carvalho. União dos espíritas. Para onde vamos? Cap.5. Capivari: Ed. EME. 2018;
(3) Allan Kardec. Trad. Noleto, Evandro Bezerra. O Espiritismo é uma religião? Revista Espírita. Dezembro de 1868. Ano XII. FEB.2005.

09 junho 2019

Congressos espíritas – “Iscas” para vendas de apetrechos “doutrinários” - Jorge Hessen

 
CONGRESSOS ESPÍRITAS
"ISCAS" PARA VENDAS DE APETRECHOS "DOUTRINÁRIOS"


O “movimento espírita” contemporâneo é análogo à expressão “samba do crioulo doido”, criado pelo jornalista Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta). Cada grupo, cada instituição, cada emissário federativo “oficial”, cada pregador, vai improvisando um singular “espiritismo à moda da casa”. Em face disso, as lideranças oficiais do “movimento espírita” sofisticam conteúdos, arquitetam novidades e adornam conceitos que deveriam ser simples.

É inexplicável o “silêncio de múmia” das lideranças federativas perante as grotescas adulterações de A Gênese, no século XIX (presentemente reveladas e comprovadas). O que observamos no “movimento espírita” recente, é a reedição do desvio do projeto inicial, de 1857. Os eternos donos do “movimento espírita oficial” perderam o foco do Projeto Espírita Codificado por Allan Kardec e submergiram nos túmulos do ultramontanismo doutrinário, introduzindo um monte de coerções, crendices e ilusões teosóficas, esotéricas e roustanistas.

O resultado não poderia ser outro – senão – a desunião doutrinária entre os espíritas no Brasil.

Tudo isso são sequelas das proezas igrejeiras advindos dos ancestrais dirigentes oficiais da cúria febeana, com suas eternas recaídas de espírito de cúpula e infalibilidade. Desta forma, as constrangidas federativas cooperam para o sobrecarregado misticismo, especialmente ao recusarem espaço para os obrigatórios estudos comparativos entre A Gênese ORIGINAL e a febeana, até porque o autodenominado “órgão máximo” do movimento espírita brasileiro bateu o martelo sentenciando que a 5ª. edição mutilada de A Gênese é a definitiva.

Nessa postura autoritária tal “órgão máximo” do movimento espírita brasileiro atravanca o curso natural das pesquisas, da compreensão, da racionalidade kardeciana, a fim de que o movimento espírita livre prospere nos estudos e lições legítimos de Allan Kardec, que há 150 anos foram criminosamente lançados no lixo da História pelo lunático Leymarie.

Mudando um pouquinho de enfoque, informamos que está previsto para 2019 nas terras candangas, mais um soberbo congresso “espírita” destinado aos apatacados.

Tais eventos sempre foram excludentes , a rigor são folias religiosas, onde os oradores convidados (sempre são as mesmas figurinhas carimbadas que dão IBOPE) se ostentam para espectadores devotos, em meio a um espetáculo mercantil onde se comercializa de tudo, cd’s , dvd’s, livros “psicografados”, camisetas impressas, quejandos dentre outros caraminguás diversos, stands sortidos (tipo Tem de Tudo), praças de alimentação etc. Tudo arranjado para deleitar à turba estrábica e ao mesmo tempo impedir que ideias adversas ao “poder oficial dominante” possam ser declarados.

A mensagem espírita é veiculada através de palestrantes idolatrados por carregarem na bagagem da presunção seus discursos mansos que sempre resvalam no sapecado lugar comum. Discursadores que se creem atores globais sob reluzentes holofotes místicos das paródias populares, tudo sob o beneplácito dos organizadores, dotados de nenhum estofo doutrinário.

Observa-se alguns pregadores, que se tornaram profissionais da tribuna espírita, com a finalidade de amealharem direta ou indiretamente os recursos financeiros oriundos das “palestras-chamarizes” como “ISCAS” para comercialização de CD’S, DVD’S e LIVROS que são vendidos para o público presente ou alienados para instituições interessadas.

Seria possível que Allan Kardec sonhasse com esse modelo atual de “movimento espírita” à moda brasileira? Estamos certos que NÃO!!!! O Espiritismo sonhado por Kardec era o mesmo Espiritismo que Chico Xavier exemplificou por mais de setenta anos, ou seja, o Espiritismo do Centro Espírita simples, muitas vezes iluminado à luz de lampião; da visitação aos desprovidos de bens materiais, da distribuição do pão, da “sopa fraterna”, da água fluidificada, do Evangelho no Lar etc.

A rigor, a Doutrina Espírita é o convite à liberdade de pensamento, tem movimento próprio, por isso, urge deixar fluir naturalmente, seguindo-lhe a direção que repousa, invariavelmente, nas mãos do Cristo. Sim! E o grande desafio da Doutrina dos Espíritos deve ser o crescimento da qualidade, sem perder de vista a simplicidade que a caracteriza como Nova Revelação.


Jorge Hessen


08 junho 2019

Cada um com sua missão - Nilton Moreira



CADA UM COM SUA MISSÃO


De algumas décadas para cá foi possível com advento da abertura política no Brasil a prática religiosa conforme os princípios de cada religião, pois que antes não era possível a manifestação de alguns seguimentos religiosos e muito menos serem eles praticados, mas finalmente isso ficou no tempo e hoje cada dia aparece uma religião nova, muitas das quais se derivando de outras.

Isso possibilita que as pessoas escolham aquilo que mais lhes convém. Nesse aspecto também o Espiritismo pode ser praticado livremente, pois no passado houve grande perseguição, inclusive na Espanha em 1861, até livros foram queimados e chegou existir uma lista de livros que eram proibidos de serem lidos, dentre os quais estavam publicações de Kardec.

Para quem não sabe, Allan Kardec foi o fundador do Espiritismo no Planeta Terra. Na realidade a missão de Kardec iniciou antes de seu nascimento, quando recebeu essa missão no plano espiritual.

Mas todos nós antes de nascermos temos o conhecimento daquilo que vamos realizar, das provas que vamos passar, dos sofrimentos que teremos de enfrentar. Isso não é só no campo religioso, mas também no campo das artes, política, ciência etc.

Às vezes nossa missão envolve assuntos de menos repercussão, como por exemplo, de conduzir nossa família no caminho do bem, dar educação aos filhos, missão esta não menos importante e sim com alto teor de compromisso. É bom que pensemos nisso, pois ninguém vem a este plano terráqueo passear e o tempo que perdemos em não realizar objetivos é prejudicial.

Kardec cumpriu com plenitude a missão na Terra, fundou a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas em 01 de abril de 1858, o que possibilitou que a Doutrina se expandisse e seja o que é hoje. É uma religião que tem Deus como inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas e Jesus como modelo e guia e não é de conteúdo humano e sim as obras foram ditadas mediunicamente por Espíritos Elevados e coube apenas a Kardec a compilação.

Mas volto a salientar, que as missões na vida são várias, e a exemplo de Kardec que foi no campo religioso, temos missões de cientistas que chegam a terra para minimizar os sofrimentos com informações sobre medicamentos, vacinas, tratamentos e equipamentos no campo da saúde, mas é por meio do estudo e da leitura que nos instruímos e descobrimos a nossa missão particular.

Sendo o Pai perfeito e infinitamente bom, possibilita assim que o socorro chegue até nós no momento oportuno. Foi o Mestre Jesus que nos disse: “Conhecereis a verdade e ela vos libertará”, então é necessária muita dedicação na procura das respostas dos motivos pelos quais existem tantas aflições e nelas estamos inseridos.

Também é no estudo que vamos nos esclarecer o motivo pelo qual uns sofrem tanto e outros quase nenhum mal passam.

Hoje perdemos muito tempo nas redes sociais ocupando-nos com futilidades, enquanto que deixamos bons livros nas prateleiras sem adentrarmos nos seus conteúdos. Pensemos nisso.

Serenidade a todos.


Nilton Moreira
Coluna Semanal: Estrada Iluminada
Fonte: Espirit Book


07 junho 2019

Cirurgias Espirituais nas Casas Espíritas - J.Raul Teixeira


CIRURGIAS ESPIRITUAIS NAS CASAS ESPÍRITAS


Quando falamos em cirurgias espirituais, temos que destacar aquilo que os Espíritos fazem e de que, muitas vezes, não temos consciência. Eles trabalham no campo do perispírito, utilizando-se dos recursos fluídicos do mundo espiritual e do poder mediúnico que a casa tem, em função do seu corpo de médiuns, e que nem ficamos sabendo. Quando passamos a saber, costumamos fazer em torno disso um verdadeiro carnaval. Então, surgem celeumas, discrepâncias, desentendimentos, jogos de interesse e cerimoniais plenamente desnecessários para o trabalho em questão.

Quando se tratar de cirurgias com utilização de instrumentos de perfuração ou corte, a casa espírita deverá todo cuidado possível porque essa não é a proposta da Doutrina Espírita. Com todo respeito devido aos médiuns curadores que utilizam as facas, canivetes, bisturis, serras, agulhas, etc, cumpre saibamos que não é essa a finalidade de um centro espírita, evitando, sempre que possível, semelhantes práticas em nossas instituições. Perfurações, cortes, extirpações de órgãos e tudo o mais nessa órbita são da alçada da medicina humana, e devemos respeito aos facultativos, respeito à ciência.

Temos à nossa disposição a fluidoterapia, que é uma forma de tratamento que os Espíritos nos ensinaram, conforme as referências de Allan Kardec, no cap. XIV, itens 32 e 33, de A Gênese, o que deve ser observado e realizado com profunda unção, identificando os princípios da fluidoterapia com as perfeitas leis da natureza.

Há, contudo, médiuns com possibilidade de realizar essas atividades de cura espiritual, sem que pertençam a centro espírita algum, mas quando pertencem, é comum haver muita indisciplina em torno desse tipo de atividade, porquanto são raros os dirigentes que não se põem extasiados diante dessa expressão mediúnica, passando a devotar aos médiuns uma perigosa veneração e por isso se sentem desencorajados de lhes chamar a atenção para a indispensável vigilância e a urgente renovação, enquanto atuam nos labores do bem ao próximo.

É muita gente que procura essa faceta mediúnica, é muita gente que a deseja e diversos são os médiuns que se dedicam a essa lida, mas que se sentem impossibilitados de vivenciar a disciplina que o Espiritismo propõe, e passam, em nome do exercício da caridade, a dedicar um tempo muito grande a essas práticas, deixando de lado o tempo precioso para os estudos indispensáveis para refletir em torno da sua própria atividade, para saber como atuam os Espíritos por seu intermédio, que objetivos têm eles ao se prestar a esse serviço; e por desconhecer o sentido da mediunidade para a vida dos médiuns, menosprezam os esforços da autorrenovação, conquanto se apoiem, quase sempre, numa visão distorcida do que seja a prática da caridade. Esse é um aspecto perigoso das práticas cirúrgicas nos centros espíritas. É certo que os Espíritos dedicados ao bem do próximo realizam verdadeiros prodígios sem que o saibamos. Outros dão-se a conhecer, mas investem recursos na melhoria íntima daqueles aos quais oferecem curas físicas, em nome do Senhor.

No Rio de Janeiro há instituições muito conhecidas que, como o Templo Espírita Tupyara, realizam respeitáveis trabalhos de tratamento de saúde física, que se tornaram dignos de confiança pelos resultados obtidos, em razão dos médiuns que lidam nesse labor serem instados às disciplinas e à boa conduta, para que possam merecer o auxílio dos Bons Espíritos. Realizam tratamentos cirúrgicos à distância sem que nenhum médium necessite furar ou cortar os pacientes. É comum que as pessoas sintam os resultados e as curas são realizadas, demonstrando, exatamente, aquilo que O Livro dos Médiuns nos ensina, ou seja, quando há mérito do enfermo e um médium em boas condições para a realização do fenômeno da cura, ela se dá.

Os indispensáveis cuidados que o centro espírita deverá ter são: primeiro, verificar se há médiuns com essas habilidades todas - que são raros - e, depois, que tipo de trabalho será chancelado pela instituição, em nome do Espiritismo. O tratamento da saúde alheia é algo de muita responsabilidade.


J.Raul Teixeira


06 junho 2019

Escorrendo pelas paredes - Orson Peter Carrara



ESCORRENDO PELAS PAREDES


O pequeno garoto sofria há dias de uma difícil dor de cabeça que não lhe dava tréguas. Prostrado, preocupava os pais, pois se apresentava também febril e os medicamentos não surtiam efeito.

Procuraram ajuda. A vinda daquela bondosa senhora, sempre disposta a atender e socorrer os dramas humanos decifrou o enigma. Ao adentrar a casa, com a ampliação de sua visão mediúnica, pode perceber pelas paredes da casa focos de lama, como verdadeiras gosmas que escorriam pelas paredes, pingavam do teto, causando grandes prejuízos ao ambiente doméstico.

Ao entrar no quarto do garoto, percebeu-o fluidicamente atolado no líquido lamacento, causa da forte dor de cabeça e do estado febril.

A causa desses focos fluídicos de lama? O palavreado do pai. Habituado a palavrões, xingamentos, projetava no ambiente da casa o resultado de suas emanações mentais. A cada palavreado de revolta, a cada agressão verbal, a cada palavrão, a vibração de seus sentimentos através da voz agressiva projetava no ambiente do lar o resultado de seus desequilíbrios.

A prece no ambiente dava a sensação de uma pá que juntava o lixo para jogá-lo pela janela, limpando aquelas vibrações pesadas espalhadas pelo pai descuidado. E como isso impressionava vivamente o garoto, que absorvia a agressividade do próprio ambiente!

O cuidado com o que pensamos e falamos é vital para a paz interior e para a harmonia da família. O pensamento é capaz de construir o edifício grandioso de nossa felicidade ou o abismo de nossas perturbações. E o que pensamos acaba se transformando em ações...

Cuidar da voz, da seleção de palavras que não firam a dignidade e que sintonizem com o bem geral que deve nortear nosso comportamento é mais importante do que imaginamos. Ocorre que o que pensamos, o que falamos, atrai e sintoniza vibrações que se assemelham.

O que fazemos, o que falamos, atrai para o ambiente onde vivemos vibrações que podem ser de harmonia ou de desarmonia, de paz ou de profundas perturbações. Trata-se apenas de selecionar o que é bom para que tenhamos conosco o mesmo bem que desejamos. O bem é sempre o bem, não tenhamos dúvida.

A propósito, é oportuno ler o que escreveu Lúcius, através da psicografia de André Luiz Ruiz, no notável livro Despedindo-se da Terra: “(...) Cada palavrão desferido por uma boca frouxa, acostumada aos xingamentos como forma de desafogo, é comparável a um caminhão de lixo que verte sua caçamba no interior do ambiente, repercutindo, não apenas nas vibrações escuras que ficam reverberando pela atmosfera do lar, como atingem a cada um dos seus integrantes, na medida de suas sensibilidades, produzindo mal-estar, revolta, depressão, sofrimento, lágrima, raiva, ou desencadeando nova onda de palavras chulas que os outros possam atirar-lhe em forma de revide verbal ou mental. Não bastando isso, a degeneração fluídica que uma única expressão é capaz de iniciar, pode abrir as portas da estrutura familiar para o ingresso de um sem número de Espíritos inferiores que, posicionados nos arredores (...) se vêem atraídos por aquele choque magnético que eles identificam (...) Desse jeito, a casa vai sendo ocupada por todo tipo de entidades sofridas ou maldosas que, por sua vez, saem em busca de seus amigos e os trazem para a nova moradia, piorando o estado geral da vibração coletiva (...)”.

Nada mais tenho a acrescentar diante de tão claros e lúcidos argumentos.



Por Orson Peter Carrara