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21 julho 2021

Voz do Coração - Divaldo Pereira Franco

 
VOZ DO CORAÇÃO

O Dr. Paul Pearsall, neuropsicólogo da Universidade do Havaí (USA), no seu maravilhoso livro Memória das células, após apresentar e debater sobre a conhecida voz do coração, defende a sua tese, abordando com cuidado o mecanismo das células, seu funcionamento, sua memória e outras peculiaridades.

Em determinado momento, na obra referida, acentua: Você sabia que o coração pensa, lembra, comunica-se com outros corações, ajuda a regular o sistema imunológico, armazena informações que pulsam...?, confirmando que também participa das nossas decisões e que devemos estar atentos à sua comunicação.

Quando Allan Kardec escreveu O Livro dos Espíritos, na questão de número 459 indagou: Influem os Espíritos em nossos pensamentos e em nossos atos?

Eles responderam: Muito mais do que imaginais, pois frequentemente são eles que vos dirigem.

Em nossa luta quotidiana, não poucas vezes procuramos agir conforme os ditames da razão, consoante a filosofia do Iluminismo, até mesmo tocando, sentindo, e, quando estamos decididos e avançamos, a voz do coração faz-nos mudar totalmente, resultando em bênção o empreendimento que, se houvesse seguido outro roteiro, teria sido um desastre.

A crença na imortalidade da alma leva-nos ao conceito de que estamos sempre acompanhados por aqueles que nos amaram e/ou nos odiaram, enquanto se encontravam na vilegiatura carnal.

Ao responder com segurança a Allan Kardec a indagação feita, os guias da Humanidade conclamam-nos a viver conforme os padrões dignificantes do dever, os postulados éticos estabelecidos, as regras do comportamento saudável.

Assim procedendo, geramos uma vibração de identidade com os Espíritos nobres que se nos acercam e inspiram-nos o mais correto comportamento em todos os instantes da nossa existência.

Quando isso não ocorre, e nos encontramos com a mente viciada, dominados por hábitos doentios e perversos, tornamo-nos instrumentos de Espíritos equivalentes, porquanto os atraímos por afinidade vibratória.

A voz do coração provém desses verdadeiros anjos guardiães, quando nos candidatamos a realizações enobrecedoras e ao próprio progresso nas suas diversas facetas.

A cada dia defrontamos situações complexas e de difícil atendimento que nos exigem reflexão e cuidado, a fim de que possamos manter a paz de espírito e a alegria de contribuir para o bem-estar pessoal, assim como da sociedade.

Quando ocorre o contrário, surgem as obsessões, os disparates, as aflições consumptíveis e os desastres de vária ordem.

Assim sendo, procuremos ouvir a voz do coração, mantendo conduta exemplar em todas as circunstâncias.

Divaldo Pereira Franco
Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 10.6.2021.

20 julho 2021

Pensar positivo traz cura - Fátima Moura

 
PENSAR POSITIVO TRAZ CURA

Dados de uma pesquisa muito interessante publicada pela revista “Psychological Science” no fim do ano passado, trouxeram novidades ao universo da longevidade e do público denominado de “terceira idade”. O estudo mostra que as pessoas que sentem-se entusiasmadas e alegres com maior frequência, que cultivam sentimentos positivos em seu dia a dia, têm mais chances de não enfrentar problemas de declínio da memória com o passar do tempo e sentem-se realmente mais dispostos e imunes a algumas doenças. A doutora Claudia Haase, professora da Universidade de Northwestern, em entrevista a vários órgãos científicos, relatou estar bastante animada com os resultados da pesquisa, pois apesar da constatação de que a memória se deteriora com o envelhecimento, “os que dispõem de uma gama maior de sentimentos positivos apresentam um declínio menor dessa capacidade”, afirmou. Paralelamente a esse, outro importante estudo aponta que crianças com maior autocontrole se tornam adultos mais saudáveis.

Aqueles que, na infância, eram capazes de controlar seus sentimentos e comportamentos, envelheciam menos rapidamente do que seus pares da mesma faixa etária. Seus corpos e cérebros eram biologicamente mais jovens e sadios.

Ao longo das entrevistas realizadas durante anos, os que pertenciam ao grupo com maior autocontrole demonstraram estar mais bem preparados para lidar com os desafios, de saúde, sociais ou até financeiros, que ocorrem com frequência na vida adulta.

Para corroborar esse assunto, podemos citar uma abordagem que centra-se no indivíduo doente como responsável por sua própria cura e que podemos denominar de processo de autocura.

O médico Andrei Moreira, formado pela Faculdade de Medicina da UFMG, especializado em Homeopatia, e presidente da Associação Médico-Espírita de Minas Gerais, em seu curso “Cura e Autocura”, afirma que o autoconhecimento é o caminho para a autocura:

“Amar-se é ir ao encontro de si mesmo. O autoconhecimento é propiciador da base para o autoamor. Amar-se (...) significa ser indulgente consigo mesmo, paciente diante dos desafios e perseverante perante a luta por autodomínio e autossuperação. Aquele que se ama se acolhe com generosidade, permitindo-se ser o que é, valorizando seus aspectos luminosos, sua beleza interior, enquanto luta para ser aquilo que deve ser ou que deseja ser”.

Fátima Moura
Fonte:
Correio Espírita

19 julho 2021

Lei - Joanna de Ângelis


 LEI

CONCEITO

Qualquer diretriz ou norma estabelecida no seio de uma comunidade constitui intrinsecamente a Lei.

Desde as primeiras agregações humanas, no recuado dos tempos, surgiram, por exigência do progresso, impositivos para o comportamento social que, a pouco e pouco, adquiriram dimensão jurídica. Assim, hábitos, conceitos, modos e modas, formulações éticas e religiosas surgiram paulatinamente, estabelecendo bases para os conglomerados sociais, com os altos objetivos de preservação do indivíduo, da família, da sociedade.

Os primeiros códigos surgiram da necessidade de o homem manter padrões de equilíbrio individual e geral, impondo-se linhas de segurança, através das quais o grupo se unia para progredir.

Na defesa e preservação da vida, em face dos fatores climatéricos, das agressões animais, os instintos inerentes à individualidade compulsoriamente estabeleceram os primeiros deveres, que foram criando raízes e transformando-se em hábitos - estruturas primeiras das leis humanas. Higiene, convívio comunitário, respeito a si mesmo e aos outros, intercâmbio entre os grupamentos, em prol da sobrevivência, e negociações para preservação grupai lentamente se transmitiram, gerando leis que, aceitas ou não, se transformaram em códigos estruturadores da ética, da religião, da justiça.

Pela intuição pura e simples, graças à interferência dos Espíritos Superiores, o homem hauriu nas imutáveis leis da Natureza, por refletirem as Leis de Deus, definições para a conduta e aprendeu, pela multiplicidade de impositivos que lhe escapavam ao controle, que a própria sobrevivência dependia da solidariedade, do amor, do respeito, deveres que brotavam e se desdobravam como abençoadas flores em extenso campo de esperança.

O natural respeito às forças cósmicas que o dominavam no período primário, em forma de medo, com as consequentes manifestações de culto religioso, a se materializarem em holocaustos, transitando do bárbaro ao sutil, desde a imolação de criaturas à oferenda de flores, construiu a identificação lenta e segura entre o homem aparentemente desarmado e o Criador Paternal.

Pelo mesmo processo - mediante a mediunidade natural - os antepassados retornaram e falaram da Imortalidade, propondo conceitos libertadores e, ao mesmo tempo, de sabedoria sobre os quais se estabeleceriam as futuras normas humanas que se iriam transformar em legislação terrena.

DESENVOLVIMENTO

Mesmo nas guerras em que os grupos se entredevoravam, o impulso gregário fê-los abandonar a antropofagia na tribo, transferindo-a para aquele que considerava adversário, do que surgiram preceitos de combate que, hoje, nas nações civilizadas, se discutem tendo em vista os acordos firmados em Genebra, no respeito aos prisioneiros, e dos quais se faz mediadora a Cruz Vermelha Internacional.

Sem dúvida, há muito ainda por fazer, nesse capítulo da legislação humana, pertinente à guerra. Todavia, merece considerar que o homem sofre a "predominância da natureza animal sobre a espiritual", que lhe constitui lamentável fator preponderante de guerra. Belicoso para consigo mesmo, expande as paixões irrefreadas e desarticula-se, agredindo, malsinando e engendrando a própria desdita.

No que diz respeito à evolução dos códigos da justiça humana, a Hamurabi se deve o mais antigo conjunto de leis conhecidas pela Humanidade. Reinando de 2067 a 2025 antes de Cristo (1), fez gravar numa coluna de diorito preto, com aproximadamente 2,5 metros de altura, quatro mil linhas, nas quais se encontravam exarados os princípios que diziam respeito ao indivíduo e às propriedades, dividindo-se em subcapítulos, sucessivamente, nos quais se tem uma visão de equidade avançada para a época em que predominava o poder sobre o direito, a supremacia do vencedor sobre o vencido.

Posteriormente, as Civilizações, pela necessidade de estabelecerem códigos destinados a regerem seus membros, ora subordinados às diretrizes religiosas, ora aos impositivos éticos sobre que colocavam suas bases, formaram seus estatutos de justiça e ordem, nem sempre felizes...

Pensadores e profetas de todos os tempos, refletindo a mensagem eterna ou as disposições humanas, não obstante os malogros do passado, criaram as determinações através das quais se levantaram impérios e se construíram povos, sem o que teria dominado o caos e a sobrevivência periclitado.

Dos primeiros moralistas, da escola ingénua, aos grandes legisladores, ressaltam as figuras de Moisés, instrumento do Decálogo, e Jesus, o excelso paradigma do amor, que consubstanciaram as necessidades humanas, ao mesmo tempo facultando os meios liberativos para o ser que marcha na direção da imortalidade.

Adaptando as Leis Divinas, identificadas na Natureza, às faculdades humanas, aquelas permanecem modelos a que o homem, vagarosa, porém, infalivelmente, se adaptará, para a própria felicidade.

Do Direito Romano aos modernos tratados, as fórmulas jurídicas evoluem, apresentando dispositivos e artigos cada vez mais concordes com o espírito de justiça do que com as ambições do comportamento individual e grupai.

Francesco Carrara, o insigne mestre do Direito italiano, deslumbrado com a magnitude da vida imperecível, já preceituava: "O dogma sobre o qual assenta nossa doutrina é o da criação operada pela mente de um Ser eterno e infinito no saber, na bondade e no poder. Renegado este princípio, tudo no Direito se torna arbitrário, ou melhor: o Direito perde a razão de ser, a soberana do mundo é a força. Aceito o princípio, dele deflui como consequência necessária o reconhecimento de uma lei de ordem imposta pelo Criador à criatura".

E, dominado pela Presença Divina, prossegue, espiritualista: "A alma não está submetida à lei física, mas a compreende e a percebe e dela deseja o melhor, mercê da aspiração do belo".

Complementando o raciocínio, expõe: "Esta alma inteligente e livre que Deus deu ao homem, a fim de que, com suas obras, pudesse merecer ou desmerecer, sujeitou-o, como ser moralmente livre, a uma outra lei: a lei moral".

Ora, as leis morais estão estruturadas na lei natural ou Lei de Deus. Por serem imperfeitas, as leis elaboradas pelos homens sofrem diariamente modificações, variando de povo para povo e, ao mesmo tempo, adaptando-se a situações compatíveis com os dias da sua vigência.

Todas as criaturas têm, na sua maioria, no atual estágio da evolução da vida na Terra, consciência da Lei de Deus, sabendo o de que necessita para a própria felicidade.

Os desmandos a que se entrega, os abusos que perpetra, os excessos a que se expõe não lhe permitirão tranquilizar-se, porque, inscrita na consciência, aquela lei superior, a seu turno, no momento justo, convocará o infrator ao reajuste, de que ninguém se furta.

(1) Segundo outras fontes, seu reinado deu-se entre 1792-1750 ou 1730-1685 a.C. - Nota da Editora (FEB).

ESPIRITISMO E A LEI

Sendo o Espiritismo revelação divina para o reencontro do homem com a verdade (noutras palavras: para o religamento da criatura com o seu Criador), todos os seus ensinos se assentam na Lei Natural, aquela que dimana do Pai.

A semelhança de Jesus, que não veio destruir a Lei, antes submeter-se ao seu estatuto, o Espiritismo respeita as instituições humanas e os códigos dos homens, oferecendo, porém, sublimes normas de evolução, todas fundamentadas no amor ao próximo e na caridade, de cujo exercício o homem aprende, mediante o estudo contínuo e sistemático, quais as suas obrigações na Terra, as razões das vidas sucessivas, a justiça e sabedoria celestes, contribuindo, eficazmente, pela submissão e pela ação dinâmica, através do impulso dado ao progresso de todos, para a sua total libertação da dor, do desequilíbrio, da sombra, da morte...

Mediante a observância das leis morais que fluem dos exemplos e da palavra do Cristo, o homem constrói a Nova Era, na qual os códigos da intolerância e do preconceito, fomentadores do mal e do ódio, empalidecem, para que fulgurem as luminosidades do bem e da verdade.

Dia virá em que o homem, amando ao seu irmão, elaborará códigos mais generosos e leis mais justas, em cujas malhas evoluirá, até o momento de plenitude espiritual.

Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Pereira Franco
Livro: Estudos Espíritas - 10


18 julho 2021

Reencarnação: a maior prova da infinita bondade de Deus - Eduardo Battel

 
REENCARNAÇÃO: A MAIOR PROVA DA INFINITA BONDADE DE DEUS

O conceito da reencarnação não é exclusivo da Doutrina Espírita, ele existe há muito tempo e é descrito em várias filosofias e religiões, mas o Espiritismo nos explica o porquê e como esse processo ocorre. A questão número 171 do O Livro dos Espíritos nos ensina sobre ele: “Todos os Espíritos tendem para a perfeição e Deus lhes faculta os meios de alcançá-la pelas provações da vida corpórea. Mas, em sua justiça, Ele lhes concede realizar, em novas existências, o que não puderam fazer ou concluir numa primeira prova”.

Se só existisse uma vida e quem agisse de forma incorreta fosse condenado a sofrer, sendo castigado por toda a eternidade, onde estaria a bondade de Deus? Se Jesus nos ensinou que devemos perdoar todos os erros de nossos irmãos, seria Deus então inferior ao homem por não fazer isso? Conforme nos disse Chico Xavier, na sua grandiosa sabedoria: “Sem a ideia da reencarnação, sinceramente, com todo respeito às demais religiões, eu não vejo uma explicação sensata, inclusive, para a existência de Deus”.

Caso tivéssemos uma só vida corpórea, nós seríamos criados por Deus antes dela. Por que algumas pessoas nascem com um corpo biológico saudável, em um lar com pais amorosos e não tem grandes dificuldades durante a sua existência e, já outros, nascem com defeitos físicos, ou tem alguma doença grave já na infância, ficando com sequelas e tendo uma existência breve ou vivem em uma condição social difícil, passando por muitas tribulações? Por que Deus daria privilégios a alguns e dificuldades a outros? Se só houvesse uma existência, seria Ele que escolheria quem teria uma vida mais fácil ou mais difícil. Isso seria justo e imparcial? A única coisa que explica essas e outras questões sobre nossas vidas é a reencarnação.

A doutrina da reencarnação corresponde à ideia que fazemos da Justiça de Deus. Ela nos evidencia como O Criador é infinitamente bom, justo, imparcial e ama a todos indistinta e igualmente. Somos criados simples e ignorantes e temos o livre-arbítrio para que sejamos livres. Porém, todos estamos submetidos às leis universais, como a de causa e efeito ou plantio e colheita, ou seja, nós escolhemos o que iremos plantar, mas colheremos obrigatoriamente tudo aquilo que plantarmos. Assim, os percalços que todos nós temos e as adversidades pelas quais passamos, uns mais, outros menos, são em decorrência de nossas escolhas feitas em nossa atual ou em pretéritas encarnações.

A pluralidade das nossas existências nos oferece a oportunidade de evoluirmos conforme nos explica a questão número 167 de O Livro dos Espíritos: “Qual a finalidade da reencarnação? Resposta: Expiação, melhoramento progressivo da Humanidade. Sem isso, onde estaria a Justiça?”. Quando desencarnamos, retornamos à dimensão Espiritual, ou Mundo dos Espíritos, ficamos lá por determinado período e voltamos a nascer na dimensão material, quantas vezes forem necessárias para a nossa evolução. Quando atingirmos um determinado estágio evolutivo, não necessitaremos mais encarnar para progredirmos, embora ainda possamos fazer isso, mas em caráter missionário.

Existem três tipos principais de reencarnações e elas ocorrem de acordo com a nossa necessidade. Pode ser para expiação, que é o resgate, por meio da dor, de erros cometidos em outras existências. Para provação, que são provas voluntariamente solicitadas pelo Espírito, as quais, se bem suportadas, resultarão em seu progresso espiritual. E, por último, em missão, que é a realização de qualquer tarefa, de pequena ou grande relevância.

Todas as nossas encarnações são planejadas, por nós ou por Espíritos que nos auxiliam. Nós nascemos com o corpo que precisamos, na família correta, passamos por certas situações, convivemos com determinadas pessoas, ou seja, tudo ocorre nas condições mais adequadas para o nosso aprendizado. Não existe acaso e nem equívoco, conforme nos ensina Chico Xavier: “Já vivemos muitas vezes, estamos com as pessoas certas para ajustarmos os nossos corações e resolvermos os nossos problemas. Na reencarnação ninguém erra de endereço”.

Eduardo Battel*
*Frequentador do Centro Espírita Nova Luz e Centro Espírita João Batista em Jundiaí/SP. Expositor Espírita. Coordenador da Liga de Medicina e Espiritualidade da Faculdade de Medicina de Jundiaí, SP.

17 julho 2021

Créditos Espirituais - Albino Teixeira

 
CRÉDITOS ESPIRITUAIS

Não deixes que o dia se ponha sem praticares, pelo menos, uma boa ação melhorando os próprios créditos no caminho espiritual.

Vejamos algumas receitas e sugestões ao alcance de todos:

- doar um prato de alimento a quem sofre em penúria;

- entregar uma peça de roupa aos que gemem no frio;

- improvisar o conforto de uma criança menos feliz;

- promover ainda que migalha de assistência, a benefício dessa ou daquela mãe desditosa;

- oferecer um livro nobilitante;

- escrever uma página de esperança e alegria aos amigos ausentes;

- conter a irritação;

- evitar a palavra inconveniente;

- escutar, com paciência e bondade, a conversação inoportuna, no equilíbrio de quem ouve, sem elogiar a invigilância e sem condenar a inabilidade dos que falam, tocados de boa intenção;

- prestar serviço desinteressado aos enfermos;

- assegurar dois minutos de prosa consoladora aos doentes;

- cultivar o espírito de sacrifício, em favor dos outros, seja em casa ou na rua

- plantar uma árvore proveitosa;

- acrescentar a alegria dos que fazem o bem;

- auxiliar, de algum modo, aos que procuram auxiliar;

- encaminhar parcelas de recursos amoedados, conquanto ligeiras, a irmãos em necessidade;


- articular algumas frases calmantes em hora de crise;

- usar a palavra na construção do melhor a fazer;


- remover espontaneamente um perigo na via pública..

Na base de uma boa ação por dia, terás o crédito de trezentos e sessenta e cinco boas ações por ano; se aumentares a contagem, em tempo breve, somente a Contadoria Divina conseguirá relacionar a extensão de teus bens imperecíveis e o valor de teus investimentos no erário da Vida Eterna.

Pelo Espírito Albino Teixeira
Psicografia de Francisco Cândido Xavier
Livro: Caminho Espírita. Lição nº 42. Página 95


16 julho 2021

Ao Companheiro Espírita - Emmanuel

 
AO COMPANHEIRO ESPÍRITA

Afirma Allan Kardec "que se reconhece o verdadeiro espírita por sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar as tendências inferiores".

Quem se transfigura por dentro, no entanto, pensa por si e quem raciocina por si desata as amarras dos preconceitos e escala renovações, no rumo do conhecimento superior pelas vias do espírito.

É por isso que o raciocínio claro te arrancou ao ninho da sombra.

Não mais para nós o claustro nebuloso da fé petrificada em que se nos desenvolvia o entendimento, em multimilenária gestação.

Cessou para nós a nutrição mental por endosmose, no bojo dos pensamentos convencionais.

Todavia, porque te transferes incessantemente de nível, quase sempre, despertas no mais doloroso tipo de solidão - a solidão dos que trabalham no mundo, a benefício do mundo, mas desajustados no mundo, sem que o mundo os reconheça.

Falas - e freqüentemente, as tuas palavras voam sem eco.

Ages - as tuas ações nobres sofrem, não raro, o menosprezo dos mais queridos.

Emancipas a própria alma - escravizando-te a deveres maiores.

Auxilias - desdenhado.

Compreendes - desdenhado.

Trabalhas - padecente.

Edificas - por entre lágrimas.

Consola - e vergastam-te os sentimentos.

Cultivas o bem - e arrasam-te o campo.

Urge perceber, porém, que quantos consomem as próprias energias, na exaltação do bem, se fazem clarão, e aos que se fazem clarão as sombras não mais oferecem lugar em meio delas.

Segue, assim, trilha adiante, erguendo a luz para que as trevas não amortalhem, indefinidamente, os valores do espírito.

Se temes a extensão das dificuldades, reflete na semente, a morrer em refúgio anônimo para que a vida se garanta; mas, se o exemplo de um ser pequenino te não satisfaz, medita no ensinamento do maior e mais glorioso espírito que já pisou caminhos terrestres.

Ele também transitou, na estância dos homens, sem pouso certo. Para nascer, socorreu-se da hospitalidade dos animais; enquanto esteve diretamente no mundo, não reteve uma pedra em que resguardar a cabeça; transmitiu a sua mensagem libertadora em recintos de empréstimos e, em vista das sombras não lhe suportarem as eternas fulgurações, já que não poderiam devolvê-lo ao Céu e nem lhe desejavam a presença, junto delas, no chão, deram-se pressa em suspendê-lo na cruz, para que se extinguisse, entre um e outro. Ele, no entanto, não se agastou, de leve, e qual ocorre à semente que regressa da retorta escura a que foi relegada, convertendo abandono em pão redivivo, Jesus também, ao terceiro dia, contado sobre o desprezo extremo, voltou, em plenitude de amor, e ao transformar sacrifício em luz renascente, retomou a construção da concórdia e da fraternidade, na Terra, afirmando aos companheiros fracos e espantados:

- "A paz seja convosco."

Pelo Espírito Emmanuel
Do Livro: Opinião Espírita
Médiuns: Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira

15 julho 2021

A casa apedrejada por espírito - Miguel Domingos de Oliveira

 
A CASA APEDREJADA POR ESPÍRITO

Na década de 1950 presenciei um fato interessante, acontecido em uma casa que até hoje existe, na avenida Cesário Alvim, em Uberlândia, MG, ao lado de um depósito de brita, pertencente a uma casa de material de construção.

Sem que ninguém explicasse o porquê, a casa começava a ser alvejada por torrões de terra, que volta e meia estilhaçavam as vidraças.

Os donos da casa, muito assustados com aquilo, chamaram o padre para expulsar o que eles acreditavam ser o demônio. Na sala da casa, o sacerdote ergueu um pequeno altar e com muita boa vontade iniciou suas orações. De repente, um torrão vindo de um dos cômodos interiores passou rente aos seus óculos. Assustado, o pároco viu o segundo torrão ser lançado em direção ao quadro de jogadores de futebol, afixado na parede atrás.

Desesperado, o padre saiu a gritar que ali não ficava, que aquilo era coisa do demônio.

Naquele mesmo dia, nosso vizinho foi até em casa narrar o fato e revelou que gostaria de ver de perto aqueles fenômenos, embora o medo não o deixasse ir.

— Você já foi lá, Miguel? — perguntou-me ele.

— Eu não — lhe respondi.

— Ah! Então vamos todos ver isso de perto — falou, taxativa, minha esposa.

Nossa visita

Assim o fizemos. Maria, o vizinho e eu fomos recebidos pelo dono da casa, que nos contou o fato que já sabíamos, porém com mais detalhes. De repente, a cena se repetiu. Um torrão passou à nossa frente e foi se espatifar num quadro na parede, que caiu desfeito ao chão.

Meu vizinho, surpreso e contendo o temor, indignou-se:

— Oh, o negócio é verdade mesmo!

E os torrões continuaram vindo, um a um, destruindo quadros e enfeites da casa. Assustado, meu vizinho que acompanhava tudo muito atento, interrogou apavorado:

— Oh! Mas o que que é isso, Miguel?

— Isso não é nada, não. Esse fenômeno não deve mais continuar.

Enquanto Maria conversava com os donos da casa, fui andando pelos cômodos, fazendo uma prece mental, conversando com o amigo desencarnado, dizendo que ele estava trabalhando muito bem para a divulgação da mediunidade, mas que aquilo não era certo, pois que estava assustando muita gente, tomando o tempo das pessoas que ali moravam e que tinham os seus compromissos, porquanto o dia todo eram curiosos e repórteres que chegavam, querendo informações.

— Peço-lhe — continuei minha conversa mental — que se puder, me acompanhe aos trabalhos que mais à noite acontecerá no Centro Espírita Joana d’Arc, e lá poderemos conversar.

Despedimo-nos dos moradores e saímos para a nossa casa.

Trazendo à consciência


O dia transcorreu normalmente e, chegada a hora dos trabalhos mediúnicos, eis que o nosso amigo é o primeiro a nos falar, através de um dos médiuns presentes na reunião.

Ele ria, ria muito, dando altas gargalhadas. Eu, então, perguntei-lhe:

— Meu amigo, do que é que você está achando tanta graça?

— Você não assistiu lá as pedradas? Viu que boa acertada eu dei no quadro dos jogadores de futebol que estava na parede acima da janela?

Eu deixei-o rir bastante para depois tornar a falar do benefício que ele prestava às pessoas, despertando-as para as coisas além da matéria, mas a maneira com que fazia não era correta, pois trazia muitos transtornos.

— Eu faço isso há muito anos. Na fazenda, eu era mestre em pregar sustos nas pessoas. Eu pegava uma saia de mulher, amarrava uma peneira e pendurava-a no pescoço. Transfigurado na sombra da vela acesa que eu carregava, eu saía à noite assustando todo mundo.

— Ouvindo sua narrativa, eu perguntei de onde ele retirava os torrões de terra que atirava na casa, e porque não jogava britas, já que no terreno pegado a casa havia um enorme depósito.

— Ah, os torrões eu só consigo tirar debaixo dos pés daquele menino – referindo-se à criança de 12 anos que lá morava. Tratava-se do neto do dono da casa, que mesmo sem ter consciência do fato, oferecia das condições necessárias para o que o fenômeno de efeitos físicos se realizasse.

Através das faculdades mediúnicas da criança, ele interferia nas atividades da casa, na fazenda, nos lugares onde a criança convivia. Dizia ele que quando o menino estava na fazenda, não se conseguir tirar leite das vacas, pois que elas, enfurecidas, davam coices para todo lado.

O convite para o despertar

— Olha, meu amigo —continuei—, o tempo de brincar assim já se foi. Nós vamos juntos fazer uma prece e você vai observar que muita coisa mudou. Observe.

E com muito cuidado, estimulando aquele irmão para que percebesse que já havia deixado o corpo material para trás através da desencarnação, falei à certa altura da nossa conversa:

— O que pensaria se eu lhe dissesse que a vida não acaba com a morte e que continuamos a viver em outro plano? Muitos irmãos nossos desencarnam e nem percebem que já não pertencem a este plano!

— Não, mas não é meu caso, não. Eu tô vendo tudo o que se passa. Conheço todos que vão em casa. Ei joguei pedra no padre que eu sei quem é. Eu até ri demais com o jeito dele falar, que eu era o satanás. Ainda pensei: Que ignorância. Eu não sou o satanás, não.

— Pois é, meu amigo, é que seus atos estão mesmo parecendo de uma pessoa errada. Deixe disso. Acompanhe essa equipe que lhe convida para estudar e se preparar para que possa usar toda essa energia que você tem para fazer muita coisa boa.

Finalizamos o nosso diálogo sentindo que aquele irmão havia se sensibilizado com a conversa e que aceitara o nosso convite ao preparo para o seu aprimoramento e o trabalho no bem.

Depois daquele dia, não mais tivemos notícias sobre fenômenos sobrenaturais na casa, sobrenaturais não, mais do que naturais, pois se Deus é o criador de natureza, existir algo sobrenatural significaria estar fora do controle Daquele que tudo sabe, tudo ouve, tudo vê.

Do livro Atos de amor, Miguel Domingos de Oliveira, Izabel Vitusso. Lírio Editora, MG, 1997.

Miguel Domingos de Oliveira
Fonte: Correio.News

14 julho 2021

Preserve a esperança - Divaldo Pereira Franco

 

PRESERVE A ESPERANÇA


Vive-se na Terra um dos seus momentos caóticos.

Muitas conquistas tecnológicas jamais dantes imaginadas e desastroso comportamento ético-moral.

Em toda parte, o sofrimento campeia, empurrando a sociedade para os abismos da insanidade e da perda de sentido existencial.

Mesmo pessoas sensatas e portadoras de objetivos elevados sentem a agressividade que se encontra no ar e o desespero que vai crescendo na intimidade da família.

As imposições estabelecidas pelos órgãos internacionais de saúde vêm produzindo rebeldia e desesperação, que explodem na convivência dos lares por falta de estrutura emocional dos seus membros para uma convivência harmônica e produtiva.

Por um lado, o isolamento, evitando formar grupos que se tornam perigosos pela facilidade de contaminação pela peste e, por outro, a presença no lar todo o tempo possível.

A saturação doméstica converte-se em surdas animosidades que explodem de maneira desastrosa entre os cônjuges e/ou com as crianças irrequietas nos pequenos espaços do lar.

O ser humano é eminentemente um indivíduo social, que tem necessidade de convivência com toda a sua espécie e com a vida em seu entorno. Quando se isola, está em crise interior, expressando alguma patologia correspondente à situação que atravessa.

Através da História, percebemos que a sua evolução antropológica tem sido conseguida a grande esforço moral, constituindo a civilização que pauta o seu comportamento.

O abandono da convivência em grupo torna-o estranho, desconfiado, agressivo, como se fosse obrigado a ferir antes de ser atingido.

A cada dia, ao lado dos altos índices de óbitos pela pandemia, o desânimo, o medo e a insegurança aturdem-no, sentindo-se enganado pelos veículos de comunicação, quase nunca fiéis aos fatos, sempre com notícias temerárias e pessimistas.

Não é a primeira vez que a sociedade enfrenta situação equivalente.

De vez em quando, ao longo dos tempos, surgem situações deste gênero ou a ele semelhantes, dando a ideia de que estão chegando os fins dos tempos.

Em realidade, este como outros fenômenos fazem parte do processo de evolução da Humanidade.

O progresso sempre exige expressiva contribuição de sofrimento, porque se trata de abandonar hábitos e situações estabelecidos por outros novos.

Dessa forma, faz-se indispensável uma total mudança de pensamento, saindo-se do pessimismo, do medo e da inquietação pela irrestrita confiança em Deus, porque o Universo não se autofez, e as leis que o administram são de origem transcendental.

Felizmente, já se apela para Deus, para a oração, para os pensamentos elevados possuidores dos antídotos capazes de restaurar a saúde dos enfermos ao lado das terapêuticas especializadas.

Divaldo Pereira Franco
Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 27.5.2021.

13 julho 2021

Tempos de dor - Momento Espírita


 TEMPOS DE DOR

Possivelmente, os que nos encontramos na Terra, neste momento, jamais ouvimos falar tanto a respeito da morte, como nestes dias.

E não somente ouvimos. Ela nos parece rondar, de forma trágica, insaciável. A pandemia tem levado muitos amigos, familiares, conhecidos, companheiros de trabalho.

E tudo nos remete a palavras do livro de Êxodo, na vigência da décima praga, que se refere ao grande clamor que haveria em toda a Terra do Egito, como nunca houve semelhante e nunca haverá.

Ou aos escritos do profeta Jeremias, que registra que entre o povo, uma voz se ouviu, lamentação, choro amargo. Raquel, personificando a mãe espiritual de Israel, chora seus filhos.

E não quer ser consolada quanto a seus filhos, porque eles já não existem.

Estes são dias semelhantes a tantos que a Humanidade já viveu.

Aqui foi arrebatado um filho querido. Ali o pai devotado. Acolá os avós carinhosos.

Bem perto, um colega, um professor com quem convivemos, rimos e brincamos.

Tudo parece trágico e nos remete aos ditos do livro apocalíptico de João: E dirão aos montes e aos rochedos: caí sobre nós. Escondei-nos.

Sim, tudo parece trágico, lúgubre.

No entanto, não nos esqueçamos que, depois da noite mais escura, raia a madrugada. Nada é definitivo neste planeta.

Tudo é passageiro. Olhamos as grandes cidades do passado, envolvidas em mortalhas.

As cidades gregas de tanto brilho, Roma antiga com toda sua pompa, Herculano e Pompeia soterradas pelas cinzas do Vesúvio.

Tudo passa. Isso também passará. E acima e mais verdadeiro do que o clima de dor e luto que nos envolve, existe a assistência de um Pastor.

Recordemos Suas palavras: Não vos deixarei órfãos.

Onde houver duas ou mais pessoas reunidas em meu nome, eu estarei no meio delas.

Tudo que pedirdes ao Pai, em meu nome, ele vos dará.

É momento de nos entregarmos ao Pastor, de reconhecermos que somente Ele, em nome do amor, nos pode atender, auxiliar.

É momento de sermos irmãos, de repartirmos o pão. De sonharmos menos com o que conquistaremos para os nossos cofres e mais nos tesouros que devemos amealhar para a essência imortal que somos.

Tempo de solidariedade. Tempo de olhar o mundo e reconhecer que somos uma única e grande família.

A pandemia nos atesta isso, desde que não poupa nação, raça, credo religioso, alcançando a fragilidade humana.

É tempo de pensarmos no amanhã de luz, que se fará, depois da tempestade que castiga o mundo.

É tempo de recordarmos que durante a travessia do lago, quando se agitaram as ondas, assoviaram os ventos, Jesus ergueu-se do barco em que se encontrava e, sob Seu comando, tudo retornou à calmaria.

Ele é o nosso Governador Planetário. Entreguemo-nos a Ele, com a confiança de que a tempestade ruge, mas Ele é quem tudo haverá de asserenar.

Confiemos nEle, oremos, trabalhemos e aguardemos o amanhã. Alguns haveremos de partir. Outros sobreviveremos para ver e continuar contribuindo com o mundo novo.

Confiemos. Tudo passa. Isso também passará.

Redação do Momento Espírita, com base nos livros bíblicos Êxodo, cap. 12, vers. 30; em Jeremias, cap. 31, vers. 15; em Apocalipse, cap. 6, vers. 16 e 17.

12 julho 2021

Chorar Muito pode Prejudicar um Espírito e Atrapalhar seu Ingresso No Mundo Espiritual? - Hugo Lapa


CHORAR MUITO PODE PREJUDICAR UM ESPÍRITO E ATRAPALHAR SEU INGRESSO NO MUNDO ESPIRITUAL?

Algumas pessoas afirmam que não devemos chorar a morte de nossos entes queridos e amigos, pois se assim fizermos, estaremos os atrapalhando e prejudicando durante sua transição e também quando estiverem no plano espiritual.

Essa ideia, apesar de ser bastante difundida e tomada como verdade por muitos, não é exatamente verdadeira. O choro, por si só, não tem o poder de fazer algum mal ao espírito recém desencarnado. O pranto derramado após a passagem de pessoas que muito amamos é natural e não deve ser evitado ou reprimido.

Se uma pessoa fica contendo seu choro, esse sentimento fica preso dentro dela, e isso sim pode prejudicar não apenas o encarnado como o desencarnado. Isso ocorre porque um sentimento reprimido em nosso peito vai gerar muito mais sofrimento a longo prazo, o que fará com que a pessoa fique pensando no espírito por mais tempo e projetando no desencarnado esses sentimentos desarmônicos de tristeza, pesar, angústia etc.

Mas o choro intenso, logo após a morte, nos ajuda a descarregar toda a emoção, e nos dá uma sensação de alívio e libertação. É muito importante chorar e botar tudo pra fora, pois aquele que fica guardando suas dores dentro de si só aumentará seu sofrimento, e nesse caso sim, poderá prejudicar a si mesmo e o recém desencarnado.

Portanto, chore… Não tenha receio de chorar e colocar toda a carga para fora. Não é o choro em si que prejudica os desencarnados, mas o apego com clamores de retorno. Ficar pensando fixamente no espírito, desejando que ele retorne, torcendo para ele fique conosco e reapareça.

A não aceitação da morte e a revolta pelo desencarne, isso sim pode prejudica-lo. Mas o ato de chorar, quando representa uma catarse, ou seja, uma liberação das emoções retidas, não deve ser evitado. Quando a pessoa chora tudo que tem que chorar, seu emocional se alivia e fica muito mais fácil de superar esse momento difícil e não ficar irradiando energias pesadas ao espírito.

No entanto, há algo que devemos prestar atenção. Quando o choro se perpetua pelos meses seguintes e passa a ocorrer com frequência, esse pode ser um choro de apego e não um choro de descarga emocional. No caso de ser um choro de apego, ele pode sim prejudicar o espírito, se não é um espírito elevado.

Um choro excessivo e prolongado pode ser um sinal de forte apego. O choro de descarga pode demorar alguns dias, mais do que isso já passa a ser um choro de apego ou um choro de dependência emocional. A pessoa que apresenta esse sintoma pode buscar um tratamento espiritual ou mesmo uma psicoterapia.

Hugo Lapa
Fonte:
Kardec Rio Preto

11 julho 2021

Morrer - Joanna de Ângelis


 MORRER

CONCEITO

A problemática da morte é decorrência do desequilíbrio biológico e físico-químico essenciais à manutenção da vida.

Fenômeno de transformação, mediante o qual se modificam as estruturas constitutivas dos corpos que sofrem ação de natureza química, física e microbiana determinantes dos processos cadavéricos e abióticos, a morte é o veículo condutor encarregado de transferir a mecânica da vida de uma para outra vibração. No homem representa a libertação dos implementos orgânicos, facultando ao espírito, responsável pela aglutinação das moléculas constitutivas dos órgãos, a livre ação fora da constrição restritiva do seu campo magnético. Morrer, entretanto, não é consumir-se. Da mesma forma que a matéria se desorganiza sob um aspecto para reassociar-se em outras manifestações, o espírito se ausenta de uma condição - a de encarnado -, para retornar à situação primeira da sua existência - despido do corpo material.

A vida carnal é decorrência da existência do princípio espiritual e a vida poderia existir no espírito sem que houvesse aquela.

Morrer ou desencarnar, porém, nem sempre pode ser considerado como libertar-se.

A perda do casulo celular somente liberta o espírito que estruturou o seu comportamento, quando no corpo, sem a dependência enlouquecedora deste.

Os que se imantaram aos vigorosos condicionamentos materiais, utilizando a vestimenta física como veículo apenas para vaso de luxúria ou de egoísmo, qual instrumento de gozo incessante ou do orgulho, na expressão de castelo de força e de paixões, ante a desencarnação prosseguem vinculados aos vapores entorpecentes das emanações cadavéricas em lamentável e demorado estado de perturbação, sitiados pelas visões torpes da destruição dos tecidos, sofrendo a voragem dos vibriões famélicos, enlouquecidos entre as paredes estreitas da paisagem sepulcral.

A vida começa a perecer desde o momento em que se agregam as células para a mecânica do viver.

Vida e morte, pois, são termos da mesma equação do existir.

Não morre aquele que aspira ao amor e sonha com o Ideal da Beleza, entregue ao cultivo da virtude, no exercício da retidão. Não se acaba aquele que se entrega à vida, pois que mediante cíclicas mudanças do tono vibratório o espírito se traslada de corpo a corpo, de estágio a estágio evolutivo até alcançar a plenitude da vida na vitória estuante da Imortalidade. Enquanto os processos abióticos são substituídos por novas atividades bioquímicas, o cadáver passando à fase da desintegração - autólise e putrefação -, o espírito que se educou para os labores de libertação encontra-se indene à participação do desconcertante fenômeno de transformação celular, não ocorrendo o mesmo com aqueles que transformaram o corpo em reduto de prazer ou catre de paixões de qualquer natureza.

DESENVOLVIMENTO

Porque representava a cessação do movimento externo com a consequente degenerescência da forma, a morte mereceu das Civilizações do passado homenagens e tributos consideráveis.

Herdando do homem primitivo o culto de respeito, envolto em mistérios, e complexos rituais com os quais desejavam reverenciar na morte a força disjuntora da vida, essas Civilizações, mediante enganosos conciliábulos através dos quais a personificavam como deidade facilmente subornável, ou mensageira da desgraça que se podia adiar, pensavam consegui-lo por meio desse comércio nefando e irracional.

Milenarmente misteriosa tem prosseguido no seu cortejo, semeando pavor e desconcerto emocional, reinando soberana.

Aplacando-lhe a ira e tentando evitar-lhe a visita inexorável celebraram-se nos diversos fastos do pensamento histórico solenidades soberbas, ora trágicas e deprimentes ou exaltadas a ponto de espicaçar o desinteresse pela vida, produzindo suicídios religiosos, em procissões pagãs, nas quais fanáticos cultivadores de aberrações veneravam seus deuses, atirando-se sob rodas denteadas, abismos profundos, fogueiras destruidoras ante o paroxismo da excitação de mentes primárias em exacerbação dos instintos...

Sob outro aspecto, porque se transformasse no umbral para o acesso ao Desconhecido, foi encarada como misterioso país de cujas fronteiras ninguém voltava, envolvendo-se-lhe o culto em absurdas fantasias.

O homem do período glaciário de Giinz, agindo intuitivamente sob a inspiração dos antepassados, colocava o crânio dos mortos à entrada das cavernas com o objetivo de impedir a incursão naqueles recintos dos inimigos desencarnados...

Os egípcios, conceituando o retorno ao corpo sob a paixão do imediato, transformaram os sepulcros em palácios, colocando tesouros e alimentos para os viandantes do vale das sombras não padeceram necessidades quando da volta...

Mausoléus e jazigos imponentes foram erguidos através dos tempos para perpetuarem a memória e a vida dos extintos, gerando quase sempre longos processos de apego e dor aos transitórios recursos materiais por parte dos que desencarnaram.

A Arte e a Literatura, a Poesia e a Religião contribuíram exorbitantemente para tornarem a morte a megera desventurada, portadora da infelicidade e do horror.

Com o desenvolvimento das conquistas modernas, em cujo período as luzes da fé já bruxuleantes quase se apagaram, a morte, por significar para os apaniguados do niilismo o fim de tudo, passou a constituir móvel de ridículo, senão a aspiração maior dos frívolos e inconsequentes cultivadores da cómoda filosofia do nada. Assim encontrariam a porta para a deserção, logo fossem colhidos pela responsabilidade ou surpreendidos pela dor...

ESPIRITISMO E MORTE

Jesus, indubitavelmente, o Senhor do Mundo e o Herói da Sepultura Vazia, foi o mais nobre pregoeiro da vida com excelente realidade a respeito da morte.

Circunscrevendo todos os seus ensinos em torno da vida, e da Vida abundante, a Sua mensagem é um hino perene à glória do existir, seja num ou noutro setor de atividade em que se manifestam as expressões eternas do espírito: na carne e além dela.

Em todo o Seu ministério de amor e trabalho Sua palavra é luz e vida, considerando mortos somente aqueles que perderam a visão e obstruíram as percepções da realidade espiritual.

Depois dEle coube ao Espiritismo a inapreciável tarefa de interpretar a morte, libertando-a dos infelizes conceitos de vário matiz que foram tecidos multimilenarmente na plenitude da ignorância sobre a sua legítima feição.

Atestando a continuidade da vida após o túmulo, graças ao convívio mantido entre os homens e os Imortais, o Espiritismo libertou a vida do guante da vândala destruidora, exaltando a perenidade do existir em todas as latitudes do Cosmo, na incessante progressão para o Infinito.

Vive, portanto, como se estivesse a cada momento preparando-te para renascer além e após o túmulo.

A vida que se leva é a vida que cada um aqui leva enquanto na indumentária carnal.

Transpassa-se o pórtico de lama e cinza em que se transformam os implementos materiais com as próprias conquistas morais, construindo as asas de anjo com que se pode ascender à Verdade ou as amarras grosseiras para com a retaguarda, mediante as quais se imantam aos engodos fisiológicos.

ESTUDO E MEDITAÇÃO

"Por ser exclusivamente material, o corpo sofre as vicissitudes da matéria.
Depois de funcionar por algum tempo, ele se desorganiza e decompõe. O principio vital, não mais encontrando elemento para sua atividade, se extingue e o corpo morre. O Espirito, para quem, este, carente de vida, se torna inútil, deixa-o, como se deixa uma casa em ruínas, ou uma roupa imprestável".

(A Génese, Allan Kardec, cap. XI, item 13.).

"A vida espiritual é, com efeito, a verdadeira vida, é a vida normal do Espirito, sendo-lhe transitória e passageira a existência terrestre, espécie de morte, se comparada ao esplendor e à atividade da outra. O corpo não passa de simples vestimenta grosseira que temporariamente cobre o Espírito, verdadeiro grilhão que o prende à gleba terrena, do qual se sente ele feliz em libertar-se. O respeito que aos mortos se consagra não é a matéria que o inspira; é, pela lembrança, o Espírito ausente quem o infunde". (O Evangelho segundo o Espiritismo, Allan Kardec, cap. XXIll. item 8.).

Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Pereiro Franco
Livro: Estudos Espíritas - 7


10 julho 2021

Marido e Filhos não Precisam de uma Médium em Casa – Daniela Migliari

 
MARIDO E FILHOS NÃO PRECISAM DE UMA MÉDIUM EM CASA

Já vivemos muitas vezes. Estamos com as pessoas certas para ajustarmos os nossos corações e solucionarmos os nossos problemas. Na reencarnação, ninguém erra de endereço”.

A frase de Francisco Cândido Xavier contém o mapa para acessar o tesouro de nossa evolução. É no recanto do lar que repousa nossa maior missão. Salvo alguns irmãos de caminhada, cuja tarefa espiritual já se vê ampliada para o serviço junto à família humana, a imensa maioria de nós encontra, na consanguinidade, sua maior e mais importante escola.

Em “Jesus no Lar”, de Néio Lúcio, com psicografia de Chico Xavier, o próprio Cristo nos convoca – logo no primeiro texto do livro – a internalizar essa verdade que, de tão próxima, chega a ser óbvia: “A paz do mundo começa sob as telhas a que nos acolhemos. Se não aprendemos a viver em paz, entre quatro paredes, como aguardar a harmonia das nações? Se não nos habituamos a amar o irmão mais próximo, associado à nossa luta de cada dia, como respeitar o Eterno Pai que nos parece distante?”

O assunto é incômodo para todos aqueles que escolheram no serviço abnegado e na prática da caridade, o seu leme de navegação. São tantas e inúmeras as tarefas nos centros e igrejas, que as pessoas saem de suas casas cedo e retornam tarde, deixando esposos entregues à solidão, filhos sentindo-se abandonados.

O trabalho em sociedade é fundamental, escola maravilhosa, a ser vivida sim – mas, antes de tudo, com lúcido equilíbrio, para que não se transforme num instrumento de fuga do compromisso no lar. Esse alerta no auxilia a lembrar sempre que a caridade mais urgente às nossas almas é a caridade moral a ser praticada com todos, mas especialmente, com o nosso próximo mais próximo.

A advertência não tem o intuito de julgar ou rotular os trabalhadores incansáveis que desenvolvem suas tarefas com amor. Mas trazer à tona uma reflexão para descobrir se os nossos desafios domésticos estão recebendo a mesma entrega e dedicação que oferecemos nas esferas fora de casa.

Muitas vezes, deixamos de abrir os olhos e perceber que o local que mais necessita de nossa atenção e serviço espiritual está ao lado, bem junto de nós: maridos, esposas, filhos, pais, irmãos.

Em minha experiência pessoal, no afã da descoberta da doutrina bendita e da mediunidade abençoada, dei início a um profundo mergulho nos estudos. Ouvindo palestras a todo instante, maravilhada, inebriada de luz! Quanta paz, quanta benção…

Porém, acabava por me isolar no exagero, e isso causa desequilíbrios familiares. Por outro lado, percebo que a atuação em conjunto, no Evangelho no Lar, nas idas às aulas de evangelização, nas visitas a orfanatos com todos reunidos, a família vai ficando mais forte e unida. Aos poucos, o equilíbrio vai chegando, e os trabalhos que realizo sozinha foram restringindo-se a horários em que minha ausência não prejudica o núcleo.

Esse cuidado de harmonização trouxe mais felicidade e paz para todos. E mais tempo com aqueles que são os instrumentos do mais profundo serviço, ao qual a vida nos convida a todo instante. O trabalho nas casas de estudo espiritual serve de combustível para que o amor se amplie nas relações familiares. Isso acontece, por exemplo, quando buscamos nos inspirar na postura de um sábio dialogador para conseguir orientar uma criança com paciência e amor incondicional.

Cônjuges e filhos não precisam de uma médium em casa, nem de um palestrante ou evangelizador, ainda que reconheçam o quanto essas práticas trazem um bem imenso às nossas vidas. Eles precisam, antes de mais nada, de esposas, maridos, filhos e pais que encontram no terreno do lar, o arado perfeito para colocar em ação o plantio do amor e da coerência com seus ideais espirituais.

Daniela Migliari
Fonte:
Kardec Rio Preto
 

09 julho 2021

A Alma e o Invisível - Sidney Fernandes


A ALMA E O INVÍSIVEL

Desde que o homem atingiu o princípio da racionalidade, a maior descoberta que fez sobre si mesmo foi a de que possui, além do corpo físico, um duplo espiritual, ou seja, todos somos dotados de alma.

Para onde vai a alma depois da morte? Dizer que ela vai para baixo (suposto inferno) ou para cima (suposto céu) seria, pretensiosamente, situá-la geograficamente na infinitude do universo, onde desaparecem as coordenadas, ainda que fôssemos dotados de um miraculoso GPS.

Em vez disso, dizer que as almas se situarão no todo invisível no meio do qual vivemos e levarão sua felicidade ou infelicidade em si mesmas; que seus destinos estão subordinados aos respectivos estados morais; e que elas se reunirão a outras almas simpáticas e afins, de acordo com seu grau de depuração, não seria utilizar linguagem mais convincente e acessível à razão humana? Convenhamos que esse raciocínio é muito mais útil e atraente do que o da felicidade da contemplação e da inutilidade perpétua. Salva-nos o Espiritismo, luz que clareia os caminhos e traz, com lógica e raciocínio incontestáveis, ampla visão das finalidades da vida física e dos caminhos que percorreremos após a morte. Da mesma forma, a Doutrina Espírita rege os contatos entre nós, que ora vivemos do lado de cá, com os outros, que vivem do lado de lá da existência.


Intercâmbio com os espíritos

O homem é simplesmente um espírito aprisionado num corpo. Por que motivo um espírito livre da carcaça física não poderia se comunicar conosco, assim como visitamos os prisioneiros da Terra? Não é compreensível que um ente querido, que nos amou e continua nos amando, cuja morada atual é a esfera espiritual, queira se comunicar conosco, desde que haja permissão dos superiores e meios adequados para isso?

Mediunidade e Evangelho

É justamente no Cristianismo nascente que a mediunidade atinge pontos mais expressivos na história da humanidade. Vários discípulos se converteram em autênticos médiuns da Antiguidade.

Curas pelo olhar

Um homem olhou para os apóstolos Pedro e João, talvez esperando receber deles alguma ajuda, pois era inválido e não conseguia andar.

Depois de ambos olharem significativamente para o deficiente, Pedro disse:

— Não tenho prata, nem ouro, mas o que tenho, lhe dou, em nome de Jesus Cristo, o nazareno: Ande!

Essas palavras foram acompanhadas do magnetismo curativo que era praticado sistematicamente com o olhar Atos, 3:4-6.

Saulo, Saulo, por que me persegues?

Um dos fenômenos mediúnicos mais expressivos da história evangélica foi a faculdade da clarividência, o momento em que Paulo de Tarso viu Jesus, às portas de Damasco. A narrativa é surpreendente, pois descreve um resplendor de luz do céu, em plena luz do dia. Além disso, também a audição — faculdade mediúnica que permite captar sons e vozes do plano espiritual —, quando ele ouve claramente a voz de Jesus:

— Saulo, Saulo, por que me persegues?

A partir desse momento, o teimoso Saulo, diante da cegueira que o acometeu, somente conseguiu dizer:

— Quem és, Senhor?

E falou Jesus:

— Eu sou Jesus, a quem tu persegues.

Tremendo e atônito, disse Saulo:

— Senhor, que queres que eu faça?

A partir daí ele recolheu as instruções do Mestre e entrou na cidade de Damasco Atos, 9:3-8.

Saulo era um homem corajoso. Não obstante, após o choque traumático do encontro com Jesus, ele se sentiu desarvorado e experimentou grande abalo moral. Condoído, o Mestre apresentou-se para Ananias, em extraordinária visão espiritual, e lhe pediu que socorresse Saulo:

— Ananias!

— Eis-me aqui, Senhor — respondeu.

— Vá à casa de Judas, na rua chamada Direita, e pergunte por um homem de Tarso, chamado Saulo Atos, 9:10-11.

Ananias estranhou aquele pedido, pois sabia que Saulo havia ido a Damasco para prender todos os que invocavam o nome de Jesus.

Foi então que o Divino Mestre proferiu as célebres palavras que definiram para sempre a missão de Saulo. A partir da sua conversão, ele se tornaria o gigante Paulo de Tarso, o apóstolo:

— Vai, porque este é para mim um vaso escolhido, para levar o nome diante dos gentios, e dos reis e dos filhos de Israel Atos, 9:13-15.

Curas também eram praticadas com a imposição de mãos. Depois do encontro com Jesus, na estrada de Damasco, Saulo foi procurado por Ananias, que pôs sobre ele as mãos, dizendo:

— Irmão Saulo, o Senhor Jesus, que apareceu no caminho por onde você vinha, enviou-me para que você volte a ver e seja cheio do Espírito Santo Atos, 9:17.

André Luiz e a mediunidade

André Luiz dá sequência ao seu esforço de consolo, restauração, medicação e alimento para nossas almas, com a explicação espírita da mediunidade, com o corpo de ideias que apresenta.

— A mediunidade — ensina André Luiz — à luz da Doutrina Espírita, revive a Doutrina de Jesus, no reconhecimento de que não basta a observação dos fatos em si, mas também que se fazem indispensáveis a disciplina e a iluminação dos ingredientes morais que os constituem, a fim de que se tornem fatores de aprimoramento e felicidade, a benefício da criatura em trânsito para a realidade maior (Mecanismos da mediunidade, de André Luiz).

Espiritismo: o porto seguro

A lógica irretorquível do Espiritismo proporciona calma, segurança e fortalece a convicção na existência de forças que nos circundam e nos influenciam, para o bem, ou para o mal, dependendo de nossos procedimentos.

A Doutrina Espírita é o porto seguro para o seguro diagnóstico da sensibilidade mediúnica. Ela nos dá certeza da reação do universo ao modo como conduzimos a nossas vidas.

Estudemo-la!

Sidney Fernandes
Fonte:
Kardec Rio Preto

Referências: O Livro dos Médiuns e Revista Espírita de fevereiro de 1858, Allan Kardec; Mediunidade, tudo o que você precisa saber, Richard Simonetti; Mecanismos da mediunidade, André Luiz e Atos dos Apóstolos.

08 julho 2021

Sexo e Religião - Emmanuel


SEXO E RELIGIÃO

«Pergunta - Como pode a alma, que não alcançou a perfeição durante a vida corpórea, acabar de depurar-se? »
«Resposta - Sofrendo a prova de uma nova existência. »
«Pergunta - Como realiza essa nova existência? Será pela sua transformação como Espírito?»
«Resposta - Depurando-se, a alma indubitàvelmente experimenta uma transformação, mas para isso necessária lhe é a prova da vida corporal.»
Questão nº 166, de «O LIVRO DOS ESPIRITOS» .

Dar-se-á o fato de se isentar alguém dos impulsos e inquietações sexuais, simplesmente por haver assumido compromissos de natureza religiosa?

Claro que a lógica responde no espírito de sequência da natureza.

A criatura que abraça encargos dessa ordem está procurando ou aceitando para si mesma aguilhões regeneradores ou educativos, de vez que ordenações e providências de caráter externo não transfigurarão milagrosamente o mundo íntimo. As realizações da fé, por isso mesmo, se concretizam à base de porfiadas lutas da alma, de si para consigo.

Ninguém se burila de um dia para outro.

De que modo alienar condições inerentes à própria vida do Espírito, acalentadas, no curso das eras, tão-somente em função de afirmativas verbais? E entendendo-se que as Leis do Universo não destroem o instinto, mas transformam-no em razão e angelitude, na passagem dos evos, pelos mecanismos da sublimação, de que forma exigir a extinção dos estímulos genésicos em alguém, tão-só porque esse alguém se consagre ao Serviço Divino da Fé, quando esses mesmos estímulos são ingredientes da vida e da evolução, criados pela mesma Providência Divina para a sustentação e a elevação de todos os seres ?

Compreendida a inalienabilidade dos problemas sexuais nas individualidades representativas das ideias religiosas no mundo, é mais que razoável considerar que essas individualidades, em grande maioria, solicitaram para si próprias os controles de feição moral a que transitoriamente se vinculam, no tentame de extraírem deles o proveito máximo, a favor de si próprias.

Efetivamente, Espíritos superiores e já erguidos a notáveis campos de elevação, unicamente por amor e sacrifício, tomam assento nas organizações religiosas da Terra, volvendo à reencarnação em atividades socorristas, nas quais impulsionam o progresso dos seus irmãos. Esses missionários do devotamento vibram em faixas de amor sublime, quase sempre inacessível à compreensão dos seus contemporâneos.

Não ocorrem análogas circunstâncias entre aquel~ outros que renascem sob regime disciplinar, requisitados por eles contra eles mesmos, de vez que grande número desses obreiros das ideias religiosas, reencarnados em condições de prova, demonstram dificuldades e inibições múltiplas, no corpo e na mente, quando não sofrem exagerada tendência aos desvarios sexuais -tendência essa que habitualmente os mantém recolhidos ao medo de qualquer expansão afetiva. Temendo as manifestações do amor e bastas vezes condenando indêbitamente os companheiros da Humanidade, pelo fato de se acomodarem a uniões respeitáveis e dignas, na generalidade receiam a si próprios e censuram os semelhantes, no impulso inconsciente de lhes copiar a independência e a conduta.

Daí surgem os incidentes menos felizes - quantas vezes! -em que vemos expositores ardentes e apaixonados, dessa ou daquela ideia religiosa, tombando em experiências emotivas, muito mais complicadas e deploráveis do que aquelas outras que eles próprios reprovavam no caminho e na vida dos companheiros!...

Aliás, registe-se que o fenômeno é mais que justo, porquanto, aceitando os distintivos de determinada seara religiosa, o Espírito impõe a si mesmo um fator de frenagem e autopoliciamento, sem que as marcas exteriores de fé signifiquem mais que um convite ou um desafio a que se aperfeiçoe, de acordo com os princípios de acrisolamento que abraça.

Instruções religiosas exteriores não alteram, de improviso, os impulsos do coração, conquanto se erijam em fortaleza de luz, amparando a criatura que a elas se acolhe para o serviço de autoaprimoramento.

Qualquer professor na Terra há-de se identificar com os alunos, no campo das experiências naturais do cotidiano, a fim de que se estabeleça, entre eles, o fio da compreensão mútua, unindo vanguarda e retaguarda do esforço para a escalada do grupo ao conhecimento.

Um anjo e uma equipe de criaturas humanas não entrariam em relacionamento ideal para rendimento ideal do ensino. À vista disso, somos nós mesmos, Espíritos endividados ante as Leis do Universo, que nos enlaçam - uns com os outros, encarnados e desencarnados, aperfeiçoando gradativamente as qualidades próprias e aprendendo, à custa de trabalho e tempo, como alcançar a sublimação que demandamos, em marcha laboriosa para a conquista dos Valores Eternos.

Emmanuel
Médium: Francisco Cândido Xavier
Livro: Vida e Sexo - 25

07 julho 2021

Proteção Contra Mal-Intencionados - Renato Costa

 
PROTEÇÃO CONTRA MAL-INTENCIONADOS

Espíritos ignorantes existem por toda parte, sejam encarnados ou desencarnados, e muitos estão disponíveis para praticar maldades em troca de alguma compensação. Se, por um lado, nos protegemos dos encarnados mal-intencionados, trancando as portas de nossas casas, pagando a porteiros, vigias ou tendo cães de guarda, também existe uma maneira eficaz de nos protegermos dos Espíritos desencarnados “contratados” para fazer mal a nós ou àqueles a quem amamos. Melhor que isso, o modo que temos de nos defender da ação dos desencarnados mal-intencionados é muito mais seguro, pois jamais falha.

Que modo é esse que temos para nos proteger? Sincronizarmo-nos com a proteção dos bons Espíritos, através do amor em ação, também chamado de caridade, e da prece. Ao contrário de alarmes ou cães de guarda, os primeiros destituídos de inteligência própria e os segundos ainda desprovidos de uma consciência plena e, desse modo, passíveis de ser enganados por encarnados mal intencionados inteligentes, os bons Espíritos que podem nos proteger dos desencarnados com más intenções são muito mais sábios do que esses e, portanto, jamais serão enganados por eles.

Mas será tão simples assim nos livrarmos das influências negativas do plano espiritual? Nem tanto quanto parece, é o que o entendimento da Doutrina nos ensina. Vejamos o que nos dizem os instrutores espirituais em O Livro dos Espíritos:

467. Pode o homem eximir-se da influência dos Espíritos que procuram arrastá-lo ao mal?
“Pode, visto que tais Espíritos só se apegam aos que, pelos seus desejos, os chamam, ou aos que, pelos seus pensamentos, os atraem.”

468. Renunciam às suas tentativas os Espíritos cuja influência a vontade do homem repele?
“Que querias que fizessem? Quando nada conseguem, abandonam o campo. Entretanto, ficam à espreita de um momento propício, como o gato que tocaia o rato.”

469. Por que meio podemos neutralizar a influência dos maus Espíritos?
“Praticando o bem e pondo em Deus toda a vossa confiança, repelireis a influência dos Espíritos inferiores e aniquilareis o império que desejam ter sobre vós. Guardai-vos de atender às sugestões dos Espíritos que vos suscitam maus pensamentos, que sopram a discórdia entre vós outros e que vos insuflam as paixões más. Desconfiai especialmente dos que vos exaltam o orgulho, pois que esses vos assaltam pelo lado fraco. Essa a razão por que Jesus, na oração dominical, vos ensinou a dizer: ”Senhor! Não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal.”

Como vemos, tudo o que precisamos fazer é praticar continuamente o bem e por o tempo todo a nossa confiança em Deus. Fácil, não? Antes fosse! O que nos aconselham os Espíritos, como pais amorosos a nós apontar o caminho, mas sabedores de nossas deficiências, é que saibamos ser espíritas as vinte e quatro horas do dia. Que saibamos ser espíritas verdadeiros, sendo pacientes, tolerantes, amorosos e positivamente atuantes no bem, tanto em casa, junto à família, quanto no trabalho, com os colegas, sejam eles subordinados, iguais ou superiores e na rua, com desconhecidos de toda a espécie. Ë evidente que iremos falhar, pois, afinal, ainda somos Espíritos ignorantes. O importante, porém, é que nos esforcemos para melhorar e que as vezes em que falharmos não nos façam desanimar, permanecendo certos de que, na senda evolutiva, só se caminha para frente.

"Mas - poderíamos nos perguntar – sermos tolerantes e pacientes com aqueles que nos tratam bem é fácil, mas como podemos ser pacientes e positivamente atuantes no bem junto àquele familiar que só fala mal de nós ou àquele colega que nos prejudica e ofende?" Primeiramente, responderíamos, aprendendo a não nos afetarmos com ofensas, conscientes de que, se o que falarem de nós for verdade, estarão nos ajudando a nos corrigir e, se for mentira, aqueles que nos conhecem não darão crédito e os que nos desconhecem não saberão de quem se fala. Mas não basta não nos melindrarmos com ofensas, devemos, após atingir tal fase, evoluir para aprender a utilizar o momento da ofensa em benefício do ofensor e dos demais presentes, de forma direta, o que implicará em benefício a nosso favor, de forma indireta. Se recebermos em público uma ofensa poderemos, então, usar do momento para, sem nos revoltarmos, aceitarmos a ofensa e dela nos servirmos com sabedoria e equilíbrio para dar ensinamento válido ao ofensor e às demais pessoas presentes através de nossas palavras e atitudes.

Quando nos esforçamos, dia após dia, para melhorar nosso comportamento e enobrecer nossas idéias, os Bons Espíritos nos auxiliam o tempo todo com sua inspiração. Sábios e amorosos, eles sabem o quanto ainda erramos, estando sempre a postos para nos guiar, bastando para tanto que sintonizemos com eles ao orarmos ou agirmos no caminho do bem. Sejamos, pois, humildes de espírito, reconhecendo nossas franquezas, mas empenhando nossa força de vontade para superá-las, certos de que jamais estamos sozinhos.


Renato Costa 
Fonte: Artigo Publicado Originalmente em O Espírita Fluminense, Ano LI, no 310, março/abril - 2007  
 
Bibliografia:
 
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 76 ed. Rio de Janeiro: FEB, 1995.