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11 junho 2016

Anjo da Guarda, nosso amigo incondicional! - Rogério Miguez


ANJO DA GUARDA, NOSSO AMIGO INCONDICIONAL!

Considerando a nossa caminhada rumo à perfeição, Deus criou várias leis viabilizando esta jornada. Objetivam, por diversas maneiras, nem sempre por nós percebidas, mostrar como Espíritos ainda incipientes podem evoluir, ganhando gradativamente madureza moral e intelectual, de modo a assumir posição de maior destaque na Criação, melhor compreensão da própria Divindade e oportunidade de servir no correto funcionamento do Universo.

Uma das determinações do Senhor, de imensa valia, por muitos desconhecida e, mesmo pelos que a conhecem, pouco utilizada, é aquela prevendo a cada ser humano, ainda distante do patamar de conhecimento e vivência necessários a lhe permitir se conduzir sem ajuda externa, a ser acompanhado de perto por outro Espírito ajudando-o a adquirir o justo entendimento dos propósitos divinos.

O Espírito encarregado da missão de nos orientar pelo caminho do bem, conforme registrado em O Livro dos espíritos1 nas questões 489 a 521, chama-se anjo da guarda.

É oportuno esclarecer algo sobre os anjos. Propriamente ditos, são os Espíritos puros, assim, conclui-se ser Jesus um anjo, e todos nós o seremos em futuro distante. Não são seres à parte na criação, tampouco foram criados perfeitos. O uso da palavra anjo para designar o protetor, o guardião, deve-se ao fato do entendimento vulgar emprestado a este vocábulo, ou seja, o de uma entidade de boa índole, voltada única e exclusivamente à prática do bem.

O Espírito a nos guardar, embora não seja um anjo na acepção rigorosa da palavra, já trilhou uma boa parte do caminho previsto a todos nós percorrermos, e é necessariamente um Espírito de ordem mais elevada em comparação a nossa, apto a nos fazer entender por meio de conselhos, usando corriqueiramente o recurso da intuição, qual caminho tomar, ou qual a melhor opção escolher nos momentos de dúvida e nas horas graves em que nos encontramos na jornada evolutiva. Uma ajuda significativa para Espíritos como nós, ainda vacilantes e hesitantes na compreensão dos bons propósitos de Deus, quando ainda insistentemente buscamos atitudes e metas diversas daquelas consoantes com a ordem divina.

Temos Espíritos protetores desde priscas eras, senão vejamos:

Como pode o Espírito, que, em sua origem, é simples, ignorante e carecido de experiência, escolher uma existência com conhecimento de causa e ser responsável por essa escolha?

“Deus lhe supre a inexperiência, traçando-lhe o caminho que deve seguir, como fazes com uma criança, desde o berço. Contudo, pouco a pouco, à medida que o seu livre-arbítrio se desenvolve, Ele o deixa livre para escolher […]. (Op.cit. q. 262.)

Deus não se ocupa pessoalmente de todas as suas criaturas, embora o possa, mas o faz através de Espíritos aptos a desempenhar tal papel, pode-se assim concluir sejam os Espíritos protetores quem de fato suprem a nossa inexperiência quando trilhando a fase da simplicidade e da ignorância.

Embora a sua existência seja prevista por Deus, observa-se uma conduta singular por parte de alguns ainda pouco versados nos princípios doutrinários. De igual modo aos Espíritos protetores, sabe-se da existência também de Espíritos tentando nos atrapalhar durante a vida, motivados por diversas razões. De posse deste último conhecimento, há aqueles informando sobre a existência de obsessores atuando junto aos que procuram uma orientação. Afirmam categoricamente que o atendido está obsidiado, cercado de inimigos ocultos, razão pela qual surgem as dificuldades e os problemas relatados durante o diálogo.

É de se notar estes “orientadores”, embora mesmo sinceros, alegarem possuir a capacidade, alguns até mesmo o fazem se apoiando em supostas faculdades mediúnicas, de observar os obsessores, esquecendo-se dos Espíritos amigos. Além do anjo da guarda, existem os Espíritos familiares e Espíritos simpáticos, a nos cercar, todos geralmente com o objetivo único de nos impulsionar à perfeição. Ora, se há inúmeros Espíritos ao nosso lado com objetivos nobres, qual seria a razão de apenas se notar os maus e não os bons?

Parafraseando o nosso código do consumidor, quando afirma: “Fazer afirmação falsa ou enganosa sobre um produto ou serviço, é crime, passível de penalidades previstas nos códigos da lei”, de igual modo, informar sobre obsessores não se sabendo exatamente quais são e nem onde estão, é crime, contra as leis de Deus, pois dito desta forma, sem um esclarecimento total da realidade espiritual, pode provocar no interlocutor mais apreensão e dúvidas, além daquelas já vivenciadas no presente, criando um efeito inverso de pânico, desespero e desamparo, fazendo com que este tenha entendimento errôneo da justiça Celeste e se desequilibre mais ainda.

Além de informar sobre a existência dos obsessores, há mesmo outros se aventurando a afirmar quantos são, como se pudessem ter este conhecimento, se esquecendo de informar, do mesmo modo, já que são possuidores desta capacidade, quais são os bons Espíritos que estariam também ao lado do consulente. É no mínimo de se estranhar qual seria a razão de se poder “ver” ou sentir a presença de obsessores e não se “ver” igualmente os bons Espíritos? Ainda mais, consideremos em princípio ser o ambiente de atendimento equilibrado, havendo também outros bons Espíritos, trabalhadores da Casa e que podem estar acompanhando a conversa, desejosos de bem orientar o entrevistador e intuí-lo sobre como melhor se conduzir na entrevista.

Causa também surpresa tomar conhecimento sobre pessoas de nosso dia a dia, igualmente sem o embasamento necessário na Doutrina dos Espíritos, orientarem aqueles que lhes procuram com relatos de dificuldades morais de variada ordem, para acenderem uma vela ao seu particular anjo da guarda. Ora, se o nosso guia espiritual precisasse literalmente de uma iluminação adicional para bem agir em nosso favor, estaríamos em situação de extremo perigo, pois como explicar um Espírito guardião, embora ainda não perfeito, mas de reconhecida capacidade de entendimento da vida, necessitar de uma vela para lhe iluminar e abrir os caminhos!? Não seriam assim dois necessitados, um cego e outro estropiado, dando-se as mãos na jornada evolutiva? É da lei que quando isto acontece, de ordinário, caiam os dois no precipício. Tenhamos bom senso, o protetor jamais precisará de uma vela acessa para bem se conduzir, isto seria o mais absoluto contrassenso.

O específico nome deste anjo da guarda pouca valia tem, pois, o interessante é a nossa ligação mental com ele, de modo a viabilizar a recepção dos seus pensamentos, buscando sempre a nossa melhoria moral, ética e intelectual. Mas, se mesmo assim, não estivermos satisfeitos com este nome genérico – anjo da guarda – experimentemos estes outros: irmão espiritual, bom Espírito, bom gênio, Espírito protetor, anjo guardião, seja qual for, se pelo pensamento o chamarmos com fé, ele virá.

Acontece também, conforme orienta a Doutrina, o bom gênio afastar-se momentaneamente de seu protegido, para lidar com questões outras de interesse, contudo, caso isto aconteça, ele providenciará um substituto à altura para nos acompanhar.

Existe ainda outra possibilidade do afastamento provisório do anjo guardião. Esta ocorre quando ele se empenha em nos intuir sobre o bom caminho a trilhar e nós cedemos: às sugestões contrárias, oriundas de obsessores; pela nossa própria má índole ou ambos. Nestes casos, para não nos violentar o livre arbítrio, deixam-nos entregues às nossas próprias decisões. Reconheceremos mais tarde pela dor ou pelos descaminhos tomados a decisão equivocada e, conscientemente, voltaremos à justa estrada do bem. Assim sendo, retornaremos machucados, desgostosos, tristes, talvez chorando o tempo perdido, envergonhados; mesmo assim, eles lá estarão, tal qual fez o pai ao receber o amado filho pródigo.

E qual seria a razão de Deus permitir e designar um bom Espírito para nos acompanhar pela vida afora? Cremos ser por conta da organização da vida como Deus estabeleceu, com a possibilidade de haver Espíritos desorientados, malévolos, ainda perturbados interagindo conosco, se não houvesse a contrapartida, estaríamos perdidos, pois não teríamos condições de nos opor à influência de obsessores e Espíritos atrasados, desta forma temos sempre o chamamento do bem e do mal, cabendo a nós mesmos a decisão final, colhendo os méritos quando acertamos, ou a desilusão quando optamos pelo mau proceder.

Conforme orientam São Luís e Santo Agostinho, respondendo à pergunta 495 em O Livro dos espíritos1, não receemos fatigá-los com as nossas questões, pois é exatamente esta a particular missão destes Espíritos, agindo como provisórios pais espirituais, regozijam-se e alegram-se de ver o seu “filho” ou seu protegido recorrer a sabedoria de um Espírito mais experiente. Ele não vai nos retirar o fardo que devemos carregar, seja ele qual for, visto ser esta atitude destituída de qualquer valor educativo, mais vai nos aliviar e ajudar a carregá-lo, dando-nos coragem e bom ânimo em todos os momentos difíceis de nossas vidas.

Outra boa sugestão para “conversar” com o protetor é a leitura de uma página de um livro de mensagens, daqueles possuindo dezenas de bons textos, a exemplo citamos: Vinha de Luz; Pão Nosso; Caminho, Verdade e Vida; Fonte Viva, entre outros. Faz-se uma prece, solicita-se a ajuda do protetor, com fervor, e abre-se o livro, literalmente ao acaso, e veja-se o que se apresenta. De modo geral, a mensagem se relaciona ao nosso particular momento de incerteza. Nesta hora, devemos ter a coragem de aceitar a orientação apresentada, pois nem sempre a resposta à nossa súplica, o texto da página aberta, corresponde às nossas expectativas de solução daquilo julgado ser o problema, muita vez, somos chamados à responsabilidade e ao equilíbrio, virtudes geralmente escassas em nossa existência.

Assim, quando estivermos tristes, cabisbaixos, amargurados e desiludidos, fraquejando e duvidando, lembremo-nos dos Espíritos protetores, e mais, quando estivermos felizes, alegres, satisfeitos, exultantes com as nossas ações corretas, dividamos nossa alegria com estes incansáveis servidores, em um verdadeiro tributo de gratidão ao trabalho de amor que desempenham em nosso favor, lembrando sempre: ninguém está desamparado.

Rogério Miguez

Trabalhador da Doutrina Espírita desde a Mocidade, tendo atuado no estado de Rio de Janeiro em algumas Casas e, atualmente, em São José dos Campos/SP nos Centros Amor e Caridade, Jacob e Divino Mestre. Colabora em Cursos, Exposições, Atendimento Fraterno e Passes, sendo articulista dos periódicos Reformador e Revista Internacional de Espiritismo.

Referência:

(1) KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 2. imp. Brasília: FEB, 2014.

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