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19 janeiro 2022

Por que ainda existe tanta violência? Ela um dia terá fim? - Donizete Pinheiro

 
POR QUE AINDA EXISTE TANTA VIOLÊNCIA? ELA UM DIA TERÁ FIM?

A violência reinante na Terra é sinal de que o instinto ainda prepondera. No princípio, quando o indivíduo era o troglodita das cavernas, equiparado a certos animais do nosso tempo, necessitava ele de mecanismos naturais que evitassem a destruição de sua espécie. Sem a razão que compreende e nem o sentimento que enobrece, só tinha a força bruta para repelir o ataque dos inimigos e proteger-se das intempéries. Forçado pela natureza a buscar mais conforto e segurança, desenvolveu a inteligência e amadureceu o sentimento, mas não o suficiente para dominar o instinto. Este, se importante no início da evolução da espécie humana, hoje se mostra perigoso aliado do orgulho, do egoísmo e da vaidade.

O valor que o indivíduo dá a si mesmo e às suas necessidades é inversamente proporcional à importância que ele dá ao seu próximo. Quanto mais gosta de si, menos vale o semelhante; quanto mais apego aos bens materiais, pouco se importa se os consegue em detrimento do patrimônio alheio. E quando se sente ferido em seu orgulho ou vê ameaçados os seus interesses, reage destruindo aquele ou aquilo que lhe é obstáculo, sem medir consequências. O instinto é perfeito, vai até o limite do necessário. Contrariamente, porém, o orgulho e o egoísmo não insaciáveis, sempre querem mais; são míopes, porque não conseguem enxergar senão a si próprios; e surdos, porque dão ouvidos somente aos apelos interiores.

Parece que o ser humano atual é mais violento do que o de ontem, mas na verdade, de uma maneira geral, ele é menos agressivo e menos cruel. Nessa avaliação, precisamos considerar que a população cresceu rapidamente desde o Século XIX e que hoje somos mais de 7 bilhões de pessoas ocupando o mesmo espaço, então é natural que a violência também tenha aumentado, e ao ser divulgada pela mídia sensacionalista dá-nos a impressão de que domina.

E Deus permite que isso esteja acontecendo porque vivemos os chamados tempos finais, em que muitos Espíritos estão tendo a última oportunidade de se adaptarem ao nosso planeta, que passa por uma transição para ser a morada de Espíritos em melhores condições morais. É a separação do joio e do trigo. O exame final desta fase do planeta. Recordemos as palavras de Jesus quando afirmou “Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a Terra” (Mateus, 5:5).

Certamente que, a violência terá um fim, mas este chegará mais depressa se cada um de nós começar logo a cultivar a mansuetude, a fraternidade e o respeito ao próximo; se rechaçar as ofensas com o silêncio e o perdão; se renunciar um pouco, para que seja possível a paz. É claro que podemos dialogar para esclarecer e inclusive usar a autodefesa, porque também é nosso dever impedir o crescimento do mal, ao mesmo tempo em que procuramos recuperar o criminoso. Tampouco podem ser excluídos os sistemas penais de contenção da criminalidade, porque ainda necessários à manutenção da ordem, ante a presença de infratores renitentes à mudança.

E quando na Terra estiverem vivendo apenas os mansos, o ser humano não mais buscará o paraíso, pois terá descoberto que o paraíso da felicidade mora dentro de si mesmo.

Donizete Pinheiro
Fonte: Agenda Espírita Brasil

Nota do Autor:

Texto do capítulo 26 – VIOLÊNCIA de livro do autor deste ensaio.


29 dezembro 2021

Reencarnação - Processo - Donizete Pinheiro


  REENCARNAÇÃO - PROCESSO

Como explicar a reencarnação, se morremos adultos?

A mesma pergunta Nicodemos fez a Jesus há quase dois mil anos. Naquela época, não haveria como o doutor do Templo entender uma explicação que só agora a Doutrina Espírita nos oferta de forma clara. Pela mediunidade, os Espíritos informaram o processo pelo qual se dá a reencarnação, que é a volta do Espírito a um novo corpo. Trata de corpo humano, pois não é possível o retorno de um Espírito num corpo de animal, já que não existe o retrocesso espiritual. Também está afastada a tese da ressurreição, que seria a volta no mesmo corpo, porquanto a ciência não admite a possibilidade da reunião dos mesmos elementos depois da desagregação molecular e reaproveitamento da matéria na natureza.

Para entender como se dá a reencarnação é preciso ter em mente que o corpo é apenas um instrumento do Espírito, um veículo mais grosseiro que este usa para locomover-se aqui na crosta da Terra. Ligando o Espírito ao corpo existe um corpo intermediário denominado perispírito, com estrutura semelhante ao de carne, mas de natureza fluídica. Essa ligação se faz pela justaposição célula a célula, de modo que o que ocorre no corpo espiritual reflete automaticamente no corpo material e vice e versa.

É na natureza fluídica do perispírito que está a chave do processo reencarnatório. Por ser fluídico, é passível de ser moldado, trabalhado com muito mais facilidade do que a matéria mais consistente do corpo de carne. Compreenderemos melhor se acompanharmos o definhar de uma pessoa gravemente enferma. Ninguém acreditaria que um doente terminal de câncer ou AIDS, macérrimo, enrugado, pequenino é o mesmo homem forte, saudável e bonito de alguns meses antes. Se essas transformações ocorrem com o corpo de carne, imaginemos o que não é possível com um corpo fluídico.

Pois bem. Antes de mergulhar na carne, o Espírito (de mediana evolução) se submete a um trabalho de programação do seu renascimento, definindo os itens mais importantes para a próxima vida, como a família onde deverá nascer, as provas que enfrentará, a profissão, casamento e, em especial, que tipo de corpo será o seu. Tudo isso em razão das suas necessidades de progresso espiritual.

O corpo será definido com base nos genes dos futuros pais, previamente identificados pelos técnicos encarregados da reencarnação e com conhecimento de genética muito além dos grandes avanços já alcançados pelos nossos melhores cientistas.

Em tempo próximo da concepção (união do espermatozoide com o óvulo), o perispírito é magnetizado, sofre uma redução à forma de criança e parte da sua memória é adormecida. Logo após a fecundação, o perispírito é ligado ao ovo e o corpo vai crescendo conforme o molde perispiritual, permanecendo o Espírito junto da mãe até o momento do nascimento. O processo reencarnatório mesmo só se completa por volta dos sete anos, quando o Espírito mais se ajusta ao corpo, agora já quase liberto das energias físicas transmitidas pela mãe durante a gestação.

Essas são informações elementares e o interessado encontrará outros ensinamentos na medida em que se aprofundar no estudo da literatura espírita.

Donizete Pinheiro
Fonte:
Agenda Espírita Brasil


18 dezembro 2021

Pena de Morte - Donizete Pinheiro


PENA DE MORTE

A pena de morte não é a melhor solução para os criminosos irrecuperáveis?

A Doutrina Espírita é totalmente contrária à pena de morte, entendendo, acima de tudo, que a vida terrena é benção concedida por Deus e que somente a Ele cabe decidir pelo seu fim.

Analisado o tema apenas sob o enfoque humano, os argumentos já são bastante fortes para a recusa do homicídio legalizado. Os repetidos erros judiciários indicam a probabilidade de se tirar a vida de um réu posteriormente isento de culpa, sem que seja possível reparar o engano. Alegam os defensores da pena de morte que esta será exemplo certo para outros criminosos, freando a violência, Engano, porém, uma vez que o índice de criminalidade não caiu nos países que a adotaram. A maioria dos bandidos parte para o crime já sabendo que corre o risco de morrer no confronto com as vítimas ou policiais. Vida, própria ou dos outros, é componente de menor importância para os criminosos violentos. Dizem outros que esses homens não valem as despesas que dão nas prisões, mas os gastos com eles não são menores do que com qualquer detento de menor periculosidade.

Na verdade, a posição dos defensores da pena de morte é cômoda. Mais fácil é eliminar o problema do que solucioná-lo. Um levantamento da vida pregressa de grandes criminosos quase sempre indica uma infância e juventude difíceis, de miséria, sem escola, com conflitos e uma precária estrutura familiar. Sem amparo e orientação certa, sem o mínimo necessário a uma vida digna, é mais provável que a criança se torne adolescente infrator e um adulto criminoso. É o que temos visto nas grandes metrópoles, sem que a sociedade apresente programas educativos e sociais de resultados efetivos.

O criminoso é um doente e a sociedade deve arcar com os ônus do seu tratamento, como trata um louco, porquanto os doentes não deixam de ser cidadãos. O sentimento religioso que carregamos no coração nos diz que não podemos abandonar à própria sorte esses seres ou fazer uma seleção da espécie. Somos contrários ao crime, mas o criminoso requer respeito e orientação, para que se reintegre na sociedade de origem. Importante observar que facilmente recomendamos medidas extremas para os outros, mas será que agiríamos da mesma forma em se tratando de um filho?

Argumenta-se, ainda, que a pena de morte seria aplicada somente aos irrecuperáveis. Mas não conhecemos o suficiente a natureza humana para afirmar que alguém é irrecuperável. O Espiritismo nos ensina que o ser humano, sendo um Espírito imortal, foi criado para a perfeição. Por mais que se demore no erro, com certeza se arrependerá e retomará o caminho do bem. E se isso não ocorrer nesta vida, dar-se-á na espiritualidade ou numa próxima reencarnação. O tempo que permanecer preso, ou em processo de reeducação, é de suma importância ao amadurecimento do Espírito. De outro lado, matando-se o criminoso em verdade morre apenas o corpo. O Espírito liberto, quiçá mais revoltado ainda, permanecerá entre nós incentivando outros indivíduos à prática de delitos, assim contribuindo para a manutenção do clima de violência.

A solução para esse grave problema é, e sempre será, a ação preventiva da educação com amor e disciplina, da solidariedade verdadeira, proporcionando-se a todos, desde o nascimento, as condições indispensáveis à vida digna e voltada para o bem.

Donizete Pinheiro
Fonte:
Agenda Espírita Brasil

22 outubro 2021

Por que se diz que o Espiritismo é ciência? - Donizete Pinheiro

 
POR QUE SE DIZ QUE O ESPIRITISMO É CIÊNCIA?

O Espiritismo tem um tríplice aspecto, ou três bases fundamentais. É uma CIÊNCIA experimental, fundada na observação e análise dos fatos decorrentes das relações entre o mundo espiritual e o mundo corporal. É também uma FILOSOFIA, porque a partir das conclusões sobre esses fatos dá uma interpretação à vida da criatura humana, respondendo às questões relacionadas com a sua origem, sua essência e seu destino. Mas é também uma RELIGIÃO, porque de tudo isso se extrai consequências morais indispensáveis ao aprimoramento íntimo da pessoa, consoante os ensinamentos de Jesus Cristo. Esse sentimento religioso, no entanto, não decorre de uma institucionalização, com chefes e dogmas a serem obrigatoriamente obedecidos, mas é despertado no coração do ser, ligando-o pessoalmente ao Criador.

Cada um desses aspectos mereceria especial atenção, mas a pergunta é referente ao científico, e sobre ele nos estenderemos.

Ciência é o conjunto de conhecimentos sobre determinados fatos da natureza. Da diversidade desses fatos originaram as variadas ciências, cada uma com suas especialidades, métodos e instrumentos de pesquisa e ação. Muitas vezes, pela similitude dos fatos, métodos e conclusões de uma ciência podem ser aproveitados por outra. Nem sempre, porém, isso é possível.

É o que ocorre com os fenômenos espirituais, que não encontraram explicação na ciência já existente. Durante muito tempo foram considerados segredos de Deus, milagres, coisas do demônio, forças mentais, porque nenhuma outra explicação razoável se apresentava. Somente com Allan Kardec, que codificou as revelações dos Espíritos, feitas através da mediunidade, é que se encontrou a chave desses fenômenos ditos sobrenaturais: o princípio espiritual.

Não existindo ainda aparelho capaz de detectar esse elemento espiritual, por ser etéreo, de natureza oposta ao elemento material conhecido por nós, a ciência espírita manteve-se no método da observação e da comparação. O estudo de fatos e mais fatos, aqui e ali, por diversos experimentadores da maior seriedade e cultura, levou à conclusão incontestável sobre a veracidade da sobrevivência da alma; da vida organizada no pós-morte; da existência do perispírito, ou corpo fluídico, que serve de intermediário entre o mundo espiritual e o material; da possibilidade da ação dos Espíritos sobre a matéria e da comunicação entre os chamados mortos e vivos; e, também, da reencarnação.

É ainda no elemento espiritual, em especial no perispírito, que se encontra a explicação lógica para fenômenos como a vista dupla, a visão à distância, o sonambulismo, a premonição, aparições, transfigurações, transmissão do pensamento, curas, obsessões e desobsessões, materialização e transporte de objetos.

Assim como qualquer revelação científica importante, os conhecimentos da ciência espírita causam profunda repercussão na vida do ser humano, alterando seus costumes, suas crenças e suas relações sociais, sendo elemento destruidor do materialismo, do orgulho e do egoísmo ainda reinantes em nosso mundo. Quando os cientistas admitirem a existência desse mundo espiritual, e com sua sabedoria empenharem-se no aprofundamento do estudo, a Humanidade terá dado grande passo ao encontro da sua felicidade.


Donizete Pinheiro
Fonte:Agenda Espírita Brasil


Nota do Autor:  Texto contido no capítulo 15 de obra do autor.

21 setembro 2021

Como explicar o suicídio? - Donizete Pinheiro

 
COMO EXPLICAR O SUICÍDIO?

A pergunta é de relevância para a Humanidade. Anualmente, milhares de pessoas deixam este mundo pelas portas falsas do suicídio. Os motivos variam: desgosto sentimental, falência financeira, miséria, solidão ou doenças incuráveis, que levam ao desespero e à perturbação.

No fundo, porém, a causa verdadeira do suicídio é a falta de uma fé forte em Deus e o desconhecimento da realidade espiritual. O materialista acha que sua existência é um acaso da natureza. Ele existe e daqui a pouco vai deixar de existir. Se a vida não lhe parece boa, se não teve sorte, não há razão para continuar vivendo. Já o incrédulo acredita em Deus, mas duvida de sua misericórdia e de sua justiça, achando que alguns foram privilegiados e outros relegados ao sofrimento. Não vê justificativa para tanta dor e miséria, considera-se uma vítima e, sem perspectivas de mudanças, resolve abandonar a vida e matar-se.

Como a fé não é sentimento que se consiga transferir de uma criatura para outra, as religiões não têm oferecido argumentos suficientes para baixar a taxa de suicídios, o que poderá acontecer quando as pessoas tiverem o conhecimento de como a vida continua depois da morte. Até pouco tempo, havia para a Humanidade três alternativas: o céu, o purgatório ou o inferno. Acredita-se ainda no céu beatífico, porque satisfaz o nosso ego. Mas muita gente já não pensa num inferno onde o pecador – a grande maioria – vai arder para sempre. O ser humano moderno, que avançou na inteligência, precisa de informações mais lógicas quanto à Espiritualidade, pois senão descamba mesmo para a incredulidade ou até para o materialismo. É preciso que a nossa fé seja robustecida pela razão.

E a mediunidade é instrumento eficaz na luta contra o suicídio. Por mais que se combata, ninguém vai conseguir evitar a manifestação dos Espíritos, porque eles estão por todos os lados. Nossos decretos não os atingem. Dê-se aos Espíritos o nome que se quiser – anjo, demônio, espírito imundo, espírito-santo –, não deixarão de ser o que são: as próprias pessoas, mas sem o corpo morto.

E são as almas dos chamados “mortos” que nos relatam o que acontece com o suicida na Espiritualidade. A primeira grande decepção é saber que não morreu, que não deixou de existir ou que não dormirá para sempre. A segunda é que não conseguiu pôr fim à dor que o atormentava, mas, pelo contrário, a centuplicou. Além do mal que atingia o físico, e que com a morte é transferido para o corpo espiritual, é atormentado por outras dores e perturbações em decorrência do tipo de morte que escolheu: por exemplo, se foi enforcamento ou afogamento, carregará por onde for a asfixia, a falta de ar, a dor no pescoço ou no peito. A terceira decepção, causa de grande dor, é a solidão, a separação das pessoas que amava e que poderiam lhe ajudar; e a convivência com estranhos, almas no mesmo sofrimento ou Espíritos inferiores que dele se aproveitam.

Embora inevitável o sofrimento, a forma como o Espírito suicida chega no mundo espiritual é sempre muito variada, porque Deus leva em conta a intenção e a maturidade da criatura. Por isso, uma jovem desesperada e depressiva poderá ser socorrida pelos mentores espirituais e conduzida a hospitais, ao passo que um criminoso egoísta e descrente será deixado à própria sorte, até que se arrependa e suplique por socorro.

O princípio da salvação para esses irmãos infelizes é sempre aceitar Deus e suas leis; após, terão ainda que retornar à Terra em outros corpos, possivelmente, em condições de sofrimento, para o reequilíbrio, e só depois recomeçarão as provas que interromperam com o ato insano.

Por esses motivos, valorizemos a nossa vida, confiemos que Deus nos ampara nos momentos difíceis, suportemos as nossas dores com resignação ativa e aguardemos os bons frutos que nos estão reservados. Suicídio jamais!


Donizete Pinheiro*
Fonte: Agenda Espírita Brasil
 
*Escritor, editor do periódico Ação Espírita, diretor de doutrina do Grupo Espírita Jesus de Nazaré, em Marília, SP.

Nota do Autor:  Texto do capítulo 22 de livro do autor.


11 maio 2021

Quem é o chefe do Espiritismo? - Donizete Pinheiro


QUEM É O CHEFE DO ESPIRITISMO

O Espiritismo não tem chefe e nem representante legal. Por isso, no seu aspecto institucional, diferencia-se essencialmente de todas as outras religiões. É que, na essência, a religião é uma consequência moral das conclusões cientificas e filosóficas da Doutrina Espírita, cujo objeto é o estudo dos espíritos, sua vida e suas manifestações entre nós.

Como fatos naturais que são, os fenômenos espirituais podem ser pesquisados por qualquer pessoa, que tirará por si as suas conclusões. Existe, por ventura, o chefe da química, da física, da astronomia ou da biologia? É claro que não! Existem cientistas, pesquisadores que apresentam à humanidade o resultado de seus trabalhos, os quais podem ser acolhidos ou não. Uma teoria cientifica é aceita como verdade quando outros cientistas conseguem confirmá-la por suas próprias experiências, havendo então uma unanimidade quanto aos seus princípios e resultados.

É o que ocorreu com a Doutrina Espírita. Partindo dos fenômenos das mesas girantes, que tomaram conta da América do Norte e da Europa em meados do século dezenove, Allan Kardec estabeleceu as bases do Espiritismo, que foram confirmadas por cientistas e filósofos dele contemporâneos, como Lombroso, Gabriel Delanne, Alexandre Aksakof, Gustavo Geley, Ernesto Bozzano e Leon Denis, e que atualmente foram reforçadas por médicos, psicólogos e estudiosos, como Welen Wambarch, Roger J. Woolger, Hermani Guimarães Andrade e Hermínio Miranda.

O avanço de ciência, com a invenção de aparelhos mais sensíveis, certamente fornecerá as provas cabais de realidade espiritual, pondo por terra as críticas dos incrédulos obstinados e negativistas por sistema. Como se costuma dizer: contra fatos não há argumento. É só questão de tempo. De resto, o que não for verdadeiro cairá por si mesmo.

Assim, cada centro espírita é uma célula independente. Seus participantes estudam e praticam a Doutrina Espírita conforme a compreendem. Em sua maioria, os centros espíritas oferecem ensinamentos de acordo com a base kardequiana. Alguns, porém, a deturpam; outros dão prioridade à mediunidade e suas reuniões têm por fim unicamente as manifestações dos espíritos; e outros, ainda, desprezam o fenômeno mediúnico e dedicam-se somente ao estudo da filosofia. Não raro, encontramos centros denominados espíritas, mas que misturam a prática espírita com rituais religiosos, como, por exemplo, os da Umbanda. Cabe ao povo escolher o que mais lhe convém.

No movimento espírita existem órgãos de unificação, como a Federação Espírita Brasileira, a USE-União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo e as Federações de outros Estados, mas todas essas instituições têm por objetivo apenas a orientação e a colaboração aos centros espíritas, sem qualquer tipo de ingerência ou imposição.

A princípio perde-se em uniformidade, mas ganha-se em liberdade de consciência, em respeito à compreensão de cada um, pensamento compatível com o espírito democrático da Doutrina Espírita; e evita-se a opressão religiosa e dogmática, situação em que alguns impõem a muitos o que pensam, sem admitir discussão.

A Doutrina Espírita caminha lentamente e com dificuldades, mas cresce fincada na ação de pessoas que a escolheram livremente, que têm sua fé robustecida pelos fatos e pela razão, e que respeitam a crença do próximo, sabendo que a verdadeira religião é a do coração comungado com o Criador.


Donizete Pinheiro
Fonte:
Espiritismo na Rede

17 março 2015

Obsessão e Possessão - Donizete Pinheiro



OBSESSÃO E POSSESSÃO


Tradicionalmente, o demônio é considerado o anjo revoltado que eternamente combate a Deus e instiga o homem para o mal. O Espiritismo dá interpretação diferente. Não é compatível com a sabedoria e a bondade divinas a criação de seres para sempre voltados à maldade e à destruição. Deus não faz nenhuma distinção entre seus filhos. Cria-os todos simples e ignorantes e dá-lhes as mesmas oportunidades de alcançar a felicidade, pelo desenvolvimento da inteligência e dos sentimentos.

O demônio é simplesmente um espírito que ainda não compreende as leis divinas e, não podendo ser feliz, não quer permitir que os outros também o sejam. Pelos crimes cometidos, afundou-se tanto nas trevas que não acredita possa um dia libertar-se dela; desconhecendo os efeitos salutares do amor, apega-se à força e a emprega contra todos e tudo, imaginando com isso manter-se indene de quaisquer investidas contra si, mesmo as de Deus, cujo domínio recusa-se a admitir. Contudo, por mais que se demore no mal, a lei do progresso fará com que se arrependa e retorne ao caminho do bem.

Demônios, pois, são todos aqueles espíritos renitentes no erro, na vingança, na revolta. Tanto podem ser desencarnados como encarnados. É comum encontrarmos pessoas tão malvadas, cruéis e frias que nos referimos a elas como sendo o próprio demônio.

E esses espíritos podem realmente atormentar uma pessoa, tentando-a ao mal, insuflando nela pensamentos negativos de variada natureza, num processo que a Doutrina Espírita denomina de obsessão. Em outras vezes, conseguem maior domínio sobre ela e a subjugam, fazendo com que tenha condutas violentas, anormais e ridículas, de maneira que aos olhos dos outros e dos médicos é considerada uma louca. Também não é muito raro os casos em que o espírito imprime fortemente sua personalidade sobre a pessoa, que é como se ele mesmo estivesse ali no corpo agindo e falando.

Afora isso, não se utiliza o vocábulo possessão, porque daria a falsa ideia de que é possível ao espírito maléfico apoderar-se definitivamente do corpo de alguém e passar a usá-lo como se fosse seu. A alma está ligada ao corpo por laços fluídicos estabelecidos desde a concepção, os quais só se rompem com a morte. Portanto, enquanto há vida, ali está a alma, que não pode ser substituída por outra.

Perturbações espirituais não são afastadas com palavras cabalísticas, objetos ou talismãs, porque os obsessores sabem que estes nenhum mal lhes causa. É preciso que o obsidiado renove a sua mente para o bem, adquira hábitos sadios, exercite a caridade e fortaleça a sua fé em Deus pela oração. Nos casos mais graves, é imprescindível o diálogo esclarecedor com o obsessor, conclamando-o ao amor, ao perdão ou ao entendimento fraterno.

Em qualquer caso, porém, somos nós mesmos que atraímos espíritos inferiores, como um imã atrai a limalha, quando mantemos vida desregrada, nos vícios e na sensualidade, na usura e na ambição, na vaidade e na inveja, na preguiça e no pessimismo, na revolta e na intolerância, enfim, quando estamos distantes de Deus.

Daí a importância de uma reflexão sobre a nossa vida, de reavaliamos as nossas condutas, de modo que, fazendo luz, afastemos as trevas de nosso caminho.


Autor: Donizete Pinheiro
Livro: Respostas Espíritas