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09 janeiro 2019

O antídoto para a solidão - Octávio Caúmo Serrano


 
O ANTÍDOTO PARA A SOLIDÃO


Um dos flagelos da humanidade chama-se solidão.

Mas o que é a solidão? Seria a ausência de companhia, de pessoas à nossa volta? Seria estar longe das civilizações?

Mais grave do que estar só é sentir-se só. Duas pessoas que vivem situações parecidas poderão ter comportamentos diferentes. Enquanto uma é infeliz, a outra sobrevive, e bem.

Solidão, mais do que estar só, é a insatisfação da pessoa com a vida e consigo mesma. É precisar da multidão à sua volta, por não perceber que pode bastar-se por si mesma, desde que descubra a riqueza do seu interior. A solidão nasce da insegurança e da necessidade de sentir-se amada, porque ignora que o grande truque é amar.

Há quem use solidão como tempo de inspiração, análise e programação. Não é mais a solidão popularmente conhecida, porque se transforma em recolhimento ao próprio íntimo, necessidade que todos temos, sem nos dar conta. Vez que outra, é preciso estar só. Tentamos nos dar bem com os outros, mas não sabemos viver na harmonia de nós mesmos. Quando Amyr Klink, saindo da África, chegou à Bahia, navegando dias e dias, sozinho em sua pequena embarcação, perguntaram-lhe se a solidão não teria sido seu maior obstáculo. A resposta foi que nunca estivera só, porque muitos torciam por ele e, além disso, fazia o que lhe causava prazer. Quem age dessa forma não dá espaço para a solidão.

Cabe analisar quem são as vítimas da solidão. E responderíamos que são os que não lutam, que nada realizam, não amam, não vivem…!

Quem se fecha em seus problemas, em suas mágoas, melindra-se facilmente, auto-flagela-se e inutiliza preciosas oportunidades de realizações importantes. Deus não pode ocupar-se com os que insistem em ser infelizes. Deixa primeiro que despertem e valorizem a vida, para depois enviar-lhes a ajuda que possam compreender.

O antídoto para a solidão, mais do que os antidepressivos ou os divãs dos analistas, é a ocupação. De qualquer tipo. Trabalho profissional, trabalho de lazer, trabalho de amor ao próximo. Quem se achar em sofrimento, procure ser útil. Quem vive gastando o tempo para reclamar de má sorte, experimente aplicar as horas tristes no trabalho. E como catalisador para esse entendimento não podemos desprezar um agente eficaz contra a solidão: O Centro Espírita.

Nesse pequeno compartimento da imensa Casa de Jesus há, sempre, disponibilidade de vagas para serviços no bem. E, sempre, atinge primeiro o próprio agente. É aí que o jovem estudante busca serenidade para entender as lições mais difíceis; é aí que a moça, frustrada com a perda do namorado, encontra para substituí-lo um amor diferente, sublimado; é ai onde a mãe que ficou, prematuramente, sem o filho querido, conhece outros filhos que suprirão a falta dele; é ai onde a viúva, idosa e enferma, encontra a companhia de operosos auxiliares do Cristo, para suavizar o seu isolamento e a saudade do companheiro; é aí, enfim, onde todo sofrimento se transforma em progresso e entendimento.

Nenhum outro lugar, por mais prazer que ofereça, pode combater a solidão como o Centro Espírita, sem dispêndio para aquele que chega com a mágoa no coração. Ali, enquanto serve, se cura; quando oferece, recebe; ao sorrir, se alegra; com ajuda, se reergue.

Abençoado Centro Espírita, que além destes abriga também os que se sentem infelizes, que têm a alma sensível pronta para oferecer-se. São os que têm consciência de como a vida é boa e retribuem a Deus pela dádiva, ao invés de queixar-se do abandono ou revoltar-se contra os atos comuns da vida de todos nós. Centro Espírita que a todos recebe, servidores e necessitados, com a intenção de irmaná-los e integrá-los em um só propósito e diminuindo a infelicidade porque esta, sempre, faz seu ninho no escuro de cada um, independente da idade, saúde ou situação financeira.

Felizes os que despertam e passam pela porta estreita do Centro. Metade do problema já estará resolvido.

Felizmente, a cada dia os que ali aportam são em maior número e, brevemente, chegará o dia em que o entendimento será absoluto.


Octávio Caúmo Serrano
Redação do Blog Espiritismo Na Rede retirado - Fonte : da Revista Espírita Allan Kardec, nº 37.

23 maio 2018

Espiritismo e Homossexualidade - Octávio Caúmo Serrano



ESPIRITISMO E HOMOSSEXUALIDADE


Segundo a legislação brasileira, todo preconceito é crime e pode ser punido até com prisão. Contra raças, religiões, deficientes físicos ou contra os homossexuais. Todavia, a penalização e os argumentos de respeito ao próximo não surtem os efeitos necessários, porque não são convincentes o suficiente.

As alegações são que todos têm seu livre-arbítrio para a escolha do que lhes convêm, inclusive exercer a sua opção sexual. Mas o uso do livre-arbítrio não torna uma coisa certa. O criminoso também faz o que deseja e, no entanto, é punido.

Se simplesmente proibir resolvesse o problema, ninguém falaria ao celular quando ao volante, nem fecharia cruzamentos, atravancando o trânsito, ainda mais, nem tiraria a vida do próximo.Somente uma doutrina como o Espiritismo pode modificar o entendimento das pessoas, conclamando-as a respeitar o direito do outro, porque está baseada nas vidas sucessivas com correlação entre elas.

A homossexualidade, que é o que aqui nos cabe estudar, pode ter implicações no passado da criatura, vividas em outras encarnações.Podemos nos socorrer de certos livros que nos ensinam as razões de uma pessoa ser homossexual, sem deixar de ponderar que há pessoas que a exercem por interesses outros, quando poderiam ser coerentes com o sexo atual, se não fossem mal intencionadas. A prostituição, por exemplo. Mas falemos dos problemas nascidos do passado.

Em “O Livro dos Espíritos”, questão 200 a 202, está dito que o espírito não tem sexo, como entendemos, e o que animou o corpo de um homem pode, numa nova encarnação, vir como mulher e vice-versa, porque isso pouco lhe importa, contando mais as provas a que tenha de se submeter e trabalhos a realizar. Já que devemos progredir em tudo, há progressos que fazemos como masculinos e outros, como femininos. “O espírito que sempre fosse homem só saberia o que sabem os homens”, explica ainda.

A psicóloga americana, Helen Wambach, autora do livro “Vida Antes da Vida”, Livraria Freitas Bastos, título original “Life Before Life”, que foi publicado também pela Editora Pensamento com o nome “Recordando Vidas Passadas”, fez uma pesquisa baseada em regressão a vidas passadas, declarando nada entender de espiritualidade, mas tendo por princípio o livro do Dr. Raymond Moody, igualmente americano, que escreveu “Vida depois da Vida”, título estrangeiro “Life After Life”, – Se vamos para algum lugar, quando morremos, não teríamos vindo de algum lugar, quando nascemos?, foi a indagação básica da pesquisadora.

Depois de fazer experiências com 750 pessoas em grupos de 50, costa a costa americana, teve respostas para as suas perguntas básicas: você pediu para nascer, você conhecia seus pais, porque optou por nascer nesta época, você escolheu o seu sexo? Quanto a este item, ainda na explicação inicial, relata um caso pesquisado. Diz o paciente: “Sim, escolhi o sexo porque tinha sido homem na vida anterior, quando conheci meu pai. Minha mãe tinha sido uma amiga querida, na mesma existência em que meu pai tinha me chicoteado, na sua atividade de carcereiro. Não captei impressões de companheiros ou amantes de vidas passadas, mas ficou claro que meu irmão mantém comigo o mesmo parentesco da vida anterior”.

Ela concluiu que 80% optaram por nascer de novo, embora apenas 28% sentiam-se entusiasmados por estar novamente vivos e tinham feito planos cuidadosamente. Muitos declararam que vieram para aprender sobre amor e compaixão. Mas, o que mais surpreendeu a doutora é que não havia qualquer preconceito quanto ao sexo da nova vida. Houve mesmo os que pretendiam nascer num sexo, mas, por tarefas com outros espíritos, aceitaram nascer no outro e não perder a oportunidade de voltar logo, porque este é o momento de grandes revelações para a humanidade, “uma transição histórica da vida religiosa para a científica espiritual”.

Muitos fizeram afirmações como essa.Ela não se mostrou familiarizada com o Espiritismo e diz mesmo que esse tipo de assunto nunca mereceu muita atenção de sua parte. Todavia, a sua pesquisa confirmou toda a orientação espírita.

No livro “Vida e Sexo”, de Emmanuel, pela pena de Chico Xavier, a lição 21 trata exatamente da homossexualidade, com análise da questão 202, de “O Livro dos Espíritos”. Diz o orientador que a comunhão afetiva entre pessoas do mesmo sexo não encontra explicação fundamental nos estudos psicológicos, pois tratam do assunto em bases materialistas. Por isso é que no livro “O Consolador” ele diz que se os psicólogos, psiquiatras e psicanalistas, além de julgar os traumas pelo consciente, subconsciente e superconsciente, levassem em conta as vidas passadas, teriam mais sucesso. Perguntas 44 e seguintes.

Explica Emmanuel que tais ocorrências vêm aumentando com o próprio desenvolvimento da humanidade e hoje encontramos esse relacionamento em todos os países do mundo. “Normalidade ou anormalidade não se identificam por simples sinais morfológicos.”Como os espíritos passam por grande número de encarnações, há espíritos mais acentuadamente masculinos ou femininos, sem definição absoluta. Em face disso, no trânsito da individualidade, da experiência masculina para a feminina ou vice-versa, ao chegar ao corpo, demonstrará fatalmente os traços de masculinidade em que terá estagiado por muitos séculos, apesar de estar num corpo feminino, o mesmo se dando em relação à mulher em idênticas condições.

Quem é o que deve fazer esse tipo de experiência e que muitas vezes não se dá bem? Resposta: “O homem que abusou das faculdades genésicas, arruinando a existência de outras pessoas com a destruição de lares e que é induzido a buscar nova posição no renascimento físico, num corpo morfologicamente feminino, para aprender, em regime de prisão, a reajustar os próprios sentimentos; a mulher que agiu de igual modo é impulsionada à reencarnação em corpo morfologicamente masculino para fins idênticos.”

Há, ainda, “em muitos outros casos, Espíritos que, cultos e sensíveis, aspirando realizar tarefas específicas na elevação de agrupamentos humanos e, por consequência, na elevação de si próprios, rogam aos Instrutores da Vida Maior que os assistem na própria internação no campo físico, em vestimenta carnal oposta à estrutura psicológica pela qual transitoriamente se definem. Vivem temporariamente ocultos na armadura carnal com que se garantem contra arrastamentos irreversíveis, no mundo afetivo, de maneira a perseverarem sem maiores dificuldades nos objetivos que abraçam.” Neste caso, não é prova nem expiação, mas uma missão e das mais nobres e difíceis.

Logo, nunca é possível saber se o homossexual resgata algo por mau uso do sexo no passado, ou se veio nessas condições por um gesto de amor para fazer pelo próximo muito mais do que habitualmente fazemos. Seja uma ou outra a razão, cabe-nos respeitá-lo e ajudá-lo como devemos fazer com qualquer outra criatura. E cuidar, nós mesmos, para não cairmos nesse difícil campo de experiência, que é a sexualidade, para não termos o que resgatar numa encarnação futura.

Quando o Espiritismo for popularizado, e as pessoas tiverem e viverem esse conhecimento, haverá mais possibilidade de os preconceitos acabarem e haver mais respeito pelos homossexuais ou por aqueles que portam qualquer imperfeição física ou moral ou, ainda, pelos que são de outras raças ou religiões, porque ninguém é senhor da verdade nem pode atirar a primeira pedra; é algo perigoso que pode nos atingir no futuro. Afinal somos todos irmãos, cada um no seu grau de entendimento e evolução.


Octávio Caúmo Serrano
RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Agosto de 2011

11 maio 2018

Aprendendo a pensar - Octávio Caúmo Serrano



APRENDENDO A PENSAR


Diferente do que ocorre com os bichos que se orientam pelo instinto, apesar de que haja indícios de uma inteligência rudimentar que também nalguns deles se desenvolve, nós somos dotados de razão. O animal geralmente se orienta por experiência já vividas, como comprovou Pavlov, enquanto nós somos capazes de criar conceitos pela manipulação das ideias, sempre buscando seguir uma lógica com resquícios de bom senso.

Convém saber que a terceira lei de Newton que diz que “a toda ação corresponde uma reação, igual e contraria da mesma intensidade” e que está claramente comprovada no campo material, se estende e se amplia no terreno da mente e dos planos extra físicos. Daí, somos o resultado dos nossos pensamentos e das nossas atitudes. O que fazemos colhemos. De bem ou de mal. Somos o que pensamos porque é daí que nascem os esboços para as nossas ações. O pensamento é matéria e tem força criativa. É, inclusive, o indício de que há vida, se fundar-nos na expressão de Descartes “cogito, ergo sum”; penso, logo sou.

A grande culpada do sofrimento humano é a recusa que o homem tem de pensar. Incomoda-o conhecer a verdade porque será obrigado a segui-la ou, pelo menos, leva-la em consideração ao ter de decidir sobre sua vida. Prefere entregar sua sorte a terceiros (ao governo, ao padre, ao pastor, ao patrão, ao presidente do centro espírita) a lutar por si mesmo e raciocinar com bom senso sobre a sua vida; o bem mais precioso entre todas as suas heranças. Se pode pagar ao templo para que sua salvação seja conseguida, preferirá este caminho a ter de se submeter a um esforço de reforma moral. 

Por que só ele deverá modificar-se se há toda uma sociedade que faz o caminho inverso e consegue sucesso? Por que ser decente, honesto, em uma conjunção corrupta em que a maioria se dá bem?

Acontece que a quem muito é dado muito será cobrado. Quer dizer, “conhecereis a verdade e ela vos fará livres”, como ensinou Jesus. Uma vez tendo acesso ao conhecimento, ignorá-lo é covardia e querer fugir do óbvio e da razão com desculpa inaceitável. Desejar merecer as honras do céu mediante doações ou sacrifícios pessoais de autoflagelos sem aproveitamento é uma das facetas que retratam a ignorância humana. Se imaginam comprar a felicidade com dinheiro, marginalizando os que não têm recursos, demonstram ignorância e pretensão. Se assim fosse, os pobres estariam condenados ao inferno simplesmente por sua condição social. Mas nunca indagam por que há ricos e pobres. Letrados e analfabetos. Inteligentes e idiotas. Saudáveis e doentes. Velhos e moços. 

Religiosos e ateus. Patrões e empregados. Honestos e desonestos. Pesquisar a razão dessas diferenças, só é possível aos que aceitam a lei da reencarnação e sabe que vivemos hoje as consequências do ontem. Que colhemos agora a lavoura que plantamos. Que somos donos da herança que produzimos em outra vida e da qual somos o único herdeiro.

O esperto de hoje é o tolo de amanhã; o malandro de agora é o otário do futuro. Quem semeou ventos vai colher tempestade, diz o adágio popular. A qualquer um podemos dar o direito de equivocar-se neste aspecto. Mas nunca poderemos dar esse mesmo direito ao praticante espírita que já conhece pelo menos o básico. Querer comerciar com Deus é o maior equivoco que o homem pode cometer. Quem se recusar a pensar porque prefere o comodismo pagará alto preço pela sua incúria. Só que nunca poderá dizer que não sabia. A vida cobra até o último centavo.

Octávio Caúmo Serrano
Jornal O Clarim – maio de 2018

18 fevereiro 2018

E se um dia o mundo acabar? - Octávio Caúmo Serrano



E SE UM DIA O MUNDO ACABAR?


Muitos se referem ao mundo como sendo o Universo, quando na verdade o nosso mundo é apenas este pequeno planeta. E como cada um tem sua própria humanidade, não acontecerá o mesmo nos diferentes mundos. A cada um segundo suas obras, sua destinação e sua era!

Mas se o nosso planeta acabar? O que vai acontecer conosco? Imaginemos que uma guerra nuclear destrua a vida na terra. Vamos todos morrer, evidentemente. Mas o que é morrer? Os espíritos dizem que é desencarnar, ou seja, morre o corpo, mas o espírito, eterno e imortal, continua vivendo. Não há força bélica que possa destruir as almas.

E o que vai ser de nós, espíritos, se a vida na Terra terminar? Ficaremos na erraticidade (o plano espiritual) aguardando transferência para outro planeta similar ao nosso, já que existem inúmeros, a fim de lá reencarnarmos e continuar nossa espiritualização. A ciência já os está descobrindo e dizendo até onde estão alguns deles. Nunca vamos desaparecer nem ficar órfãos de oportunidades de aprimoramento. Além disso, não nos esqueçamos de que também evoluímos no plano imaterial. Já diz o Livro dos Espíritos que o mundo material é secundário e nem precisaria existir (questão 86). Serve apenas para apressar nosso progresso.

E para o planeta quais seriam as consequências? Ficaria um tempo impróprio para a vida humana devido à radiação, águas poluídas, impossibilidade de nascer alimento, ar impróprio, como já aconteceu no início da sua criação. Mas com o tempo também se renovaria e ficaria adequado para receber novamente corpos similares aos nossos para a vida de espíritos em processo evolutivo. Jesus, o Governador da Terra, que a administra com tanto carinho e tudo oferece aos seus irmãos, ficaria certamente decepcionado com a ingratidão da humanidade terráquea porque, mesmo em se considerando que a tragédia seria da autoria de uns poucos fanáticos, traria consequências para todos os continentes.

Depois de mais de quatro bilhões de anos para chegar a este estágio, quando se prepara para progredir e ser um mundo de regeneração, voltaria à estaca zero; retrocederia aos tempos da formação quando a vida era impossível como a conhecemos na condição atual. Mas nós, seus atuais habitantes conservaríamos a nossa individualidade e o conhecimento que já acumulamos. Nada perderíamos do que conquistamos com nosso esforço. Seria como se mudássemos de um bairro, escola, emprego, cidade ou país; continuaríamos nós mesmos com tudo o que já aprendemos. Ou como se saíssemos de uma região que é alagada para a construção de uma represa e fôssemos transferidos para um novo local, onde ocuparíamos novas casas. O espírito nunca perde o que conquistou e não retrograda. Nesse sentido, já aprendemos com o Espiritismo no comentário da pergunta 194 a.

Há uma apreensão na espiritualidade quanto a esta possibilidade e os auxiliares de Jesus empenham-se em aconselhar os homens, inspirando-os a pensar de maneira menos egoística e mais fraterna, mostrando-lhes que se matam pelos supérfluos e se esquecem de crescer como almas. Pena que andemos meio surdos. Mas algo de bom já está acontecendo. Quando vemos depois de tanto tempo os Estados Unidos e Cuba entendendo-se, concluímos que já houve algum despertar.

O entendimento e a aceitação do que foi dito neste texto, dá-nos mais esperanças e leva-nos a uma serenidade que não poderíamos ter sem conhecer os desígnios de Deus em relação aos seus diletos filhos. Como podemos nos imaginar abandonados por um Pai misericordioso como esse que nos criou como a sua obra suprema?

Ninguém se aflija, pois o caos não existe e o fim de tudo representa o começo de algo. É um constante vir a ser. Depois da escuridão da noite só nos resta aguardar um novo amanhecer e contemplar a beleza dessa nova alvorada. Depois da tempestade vem a bonança. Quando o sol se deita e lua vem clarear-nos. Nunca estamos na escuridão; a menos que a nossa alma esteja em trevas.

Queremos crer que ainda reste um pouco de bom senso na nossa equivocada humanidade e ela já se deu conta de que é preciso rever valores para que o mundo tenha mais harmonia. Mas jamais percamos a fé.


Octávio Caúmo Serrano
Tribuna Espírita - janeiro fevereiro 2017


23 outubro 2017

Promessas e Penitências - Octávio Caúmo Serrano



PROMESSAS E PENITÊNCIAS


Observa-se que o pagamento da promessa quase sempre está condicionado ao benefício recebido. Depois que a moça arranja marido ou o jovem passa no vestibular é que ofertam ao santo as velas ou fazem as penitências. Primeiro o favor e depois o pagamento!

Se para nada se aproveita, que sentido pode ter para as divindades a despesa ou o sacrifício das pessoas? Poderíamos fazer uma trova dizendo: “A luz que ilumina a alma/é somente a da oração/porque a luz da vela acesa/só gera mais poluição.”

O Espiritismo traz-nos clareza sobre o assunto no Capítulo V de O Livro dos Espíritos, em Privações Voluntárias. Mortificações. A pergunta 720 é: “São meritórias aos olhos de Deus as privações voluntárias com o objetivo de uma expiação igualmente voluntária?” Resposta: “Fazei o bem ao vosso semelhante e mais mérito terás.”

Na questão 721, temos: “É meritória, de qualquer ponto de vista, a vida de mortificações ascéticas que desde a mais remota antiguidade teve praticantes no seio de diversos povos?” Resposta: “Procurai saber a quem ela aproveita e tereis a resposta; se somente serve para quem a pratica e o impede de fazer o bem, é egoísmo, seja qual for o pretexto com que entendam de colori-la. Privar-se a si mesmo e trabalhar para os outros, tal a verdadeira mortificação, segundo a caridade cristã.”

A conclusão a que nos leva o Espiritismo é que o dinheiro gasto nas velas, nas fitas, nas flores, deveria ser gasto no pão para um faminto. A energia despendida para subir a escada de joelhos ou para a longa caminhada, às vezes com o flagelo de uma cruz nos ombros, deveria ser usada para ajudar alguém a erguer sua moradia, para cuidar de uma criança pobre, para levar um doente até o hospital. Essa energia tem seu gasto recompensado porque se fundamenta na caridade sem egoísmo e sem esperar retribuições.

No que concerne às autoflagelações que existem em muitas partes do mundo, quando o homem crucifica-se ou agride-se com chicotadas ou outros petrechos, sangrando suas costas, aquestão 725 nos ensina: “P: Que se deve pensar das mutilações operadas no corpo do homem ou dos animais?” R: “A que propósito, semelhante questão? Ainda uma vez: perguntai sempre a vós mesmos se é útil aquilo de que porventura se trate. A Deus não pode agradar o que seja inútil e o que for nocivo Lhe será sempre desagradável. Porque, ficai sabendo, Deus só é sensível aos sentimentos que elevem para ele a alma. Obedecendo-lhe a lei e não a violando é que podereis forrar-vos ao jugo da vossa matéria terrestre.”

Pensamos que basta apenas um pouco de bom senso para saber que as oferendas ou as penitências visando benefícios próprios não têm o menor sentido. Quanto às romarias ou procissões a locais santos, além do valor turístico e cultural outra finalidade não têm. Se para nos livrarmos dos pecados temos de ir a Santiago de Compostela, a Jerusalém ou Roma, a Fátima ou Lourdes, a Meca ou Medina, a grande maioria que é pobre neste planeta ficará sem acesso a esses benefícios. Quando o homem tem o coração aberto e se abriga na simplicidade e na solidariedade, Deus – e seus emissários – vem até ele, sem que precise viajar. A única viagem que deve fazer é para dentro de si mesmo, renovando-se na fé e acreditando que é filho dileto do Criador e merecedor de toda a Sua proteção. A sintonia com a divindade não se faz em lugares determinados, mas na intimidade do próprio coração.

Para reforçar o que dissemos, ainda em O Livro dos Espíritos, na questão 726, está dito que: “Os sofrimentos voluntários para nada servem, quando não concorrem para o bem de outrem. Supões que se adiantam no caminho do progresso os que abreviam a vida, mediante rigores sobre– humanos, como fazem os bonzos, os faquires e alguns fanáticos de muitas seitas? Vistam o indigente, consolem o que chora, trabalhem pelo que está enfermo; sofram privações para alívio dos infelizes e então suas vidas serão úteis e, portanto, agradáveis a Deus. Sofrer alguém voluntariamente, apenas para seu próprio bem, é egoísmo; sofrer pelos outros é caridade: tais os preceitos do Cristo.”

Para finalizar, dizemos que quem deseja progredir, que trabalhe e estude sempre e muito. Quem deseja ter felicidade, que modifique sua maneira de ser e de pensar. Convém recordar a passagem da mãe que pediu ajuda ao preto velho para seu filho passar nos exames escolares. O bom homem mandou o seguinte recado: “Fala pro menino enfiar a cara nos livros, dia e noite, que preto velho vai ajudar.” Receita simples para o sucesso!

Que nossa penitência seja sempre a de esforçar-nos para melhorar e combater os nossos defeitos; e nossa promessa, a de trabalhar pelo semelhante para ajudar na harmonia do mundo. O resto é tempo perdido e pura ilusão.

A soberana proposta do Espiritismo é que lutemos pela nossa renovação. É esta a finalidade que nos traz de volta ao mundo material. Nada tem mérito se não for conquistado com o próprio esforço, porque cada virtude adquirida corresponde à superação de um defeito. Não se pode ser humilde e orgulhoso ao mesmo tempo. Imaginar que podemos comprar nossa reforma íntima com uma vela acesa, um buquê de flores ou uma penitência sem proveito é pura tolice. São os talismãs e patuás usados por espíritos atrasados. Quem quer receber o bem, faça o bem. Não há outro caminho!


Octávio Caúmo Serrano
RIE-Revista Internacional de Espiritismo – outubro de 2012


06 fevereiro 2016

É preciso nascer novamente? - Octávio Caúmo Serrano


É PRECISO NASCER NOVAMENTE?

Certa vez um amigo me perguntou: – Você acredita em reencarnação? Disse-lhe que não! Reencarnação não é algo em que se acredita, mas que se constata na convivência com as pessoas.

Como explicar as razões da diferença entre os homens? Uns saudáveis outros fracos e doentes? Uns ricos e bonitos e outros pobres e feios? Muitos inteligentes e outros com dificuldade para entender o elementar? Uns vivem dez outros cem anos! O intrigante é que, às vezes, a disparidade existe entre irmãos, nascidos e educados pelos mesmos pais. Prova que apenas a genética não pode explicar a diferença entre tipos humanos.

Cada homem é uma alma milenar que passou por muitas experiências em vidas anteriores; reencarnações. A maioria sabe disso. Disse a maioria, porque a exceção fica por conta das doutrinas cristãs ocidentais; excetuando-se o Espiritismo, é evidente.

Para acreditar na justiça do Criador, admitindo que o homem não tenha qualquer culpa ou mérito pela sua vida atual, já que para os cristãos, exceto os espíritas, vive-se uma só vida, seria preciso que nascêssemos todos ricos, bonitos, saudáveis e inteligentes. Por que o Pai privilegiaria alguns e puniria outros, já que não teriam nem mérito nem pecado; eram criados naquele momento e nada justificaria que tivessem defeitos de físico ou de alma, se são filhos de Deus, à sua Imagem e Semelhança? E Ele é perfeito!

Se o erro fosse dos pais, que se punissem eles, não os descendentes. É mais ou menos como transferir o pecado de Adão para nós que não temos nada com isso. Nem o conhecemos. Tais fantasias já não mais encontram abrigo no homem atual desejoso de entender com racionalidade o que lhe ensinam. O misticismo perdeu a importância!

Quando todos crerem na reencarnação e vive-la, sabendo que terão de responder pelos seus feitos até o último ato, a violência do mundo certamente diminuirá. Saberão que apesar de escapar das leis humanas não se livrarão da justiça divina. Esta não se vende!

Por Octávio Caúmo Serrano - caumo@caumo.com
Jornalista e poeta
Jornal Correio da Paraíba – 28/08/2015

15 outubro 2014

As penas futuras segundo o Espiritismo - Octávio Caúmo Serrano

  

AS PENAS FUTURAS SEGUNDO ESPIRITISMO

No capítulo VII da primeira parte do livro “O Céu e o Inferno”, encontramos interessantes questões sobre a vida futura.

As explicações do Espiritismo sobre a crença na vida futura, não se fundamentam em teorias nem em sistemas preconcebidos, mas nas constantes observações oferecidas pelas almas que deixaram a matéria e gravitam na erraticidade nos diferentes planos evolutivos.

Há quase século e meio, essas informações são cuidadosamente anotadas, comparadas e selecionados e formam um compêndio que esclarece devidamente o estado das almas no mundo espiritual.

Quando levamos em conta a universalidade das informações, observamos que as pessoas que viveram em diferentes raças, credos, condições sociais ou intelectuais, religiões, e mesmo ateus, confirmam que a sua situação atual é decorrência do seu próprio passado.

Ao reencarnar, o espírito vem com uma programação geral, tendo como base os velhos erros e acertos, sem que isso determine um destino fatalista. Submete-se às provas e expiações que mais possam ajudá-lo a livrar-se do passado delituoso e fazê-lo avançar na escala espiritual. Há vezes que, além dos fatos da encarnação imediatamente anterior, há outros pendentes de outras passagens pelos planetas que já podem ser enfrentados. Porém, se forem penosos, só poderão ser atendidos por um espírito amadurecido e com capacidade para vencer problemas mais graves. Se ele ainda não tem condição, as provas e as expiações serão ainda suaves, em atenção à pouca capacidade do espírito, no atual momento, e as mais difíceis ficam para outra oportunidade.

A vida do espírito na erraticidade e a sua intenção ou não, conhecimento ou não, aceitação ou não de encarnar depende da situação em que se encontra. A maioria dos que desencarnam na Terra continuam imperfeitos e sofrem na espiritualidade todas as conseqüências dos defeitos que carregam. É este grau de pureza ou impureza que o faz feliz ou infeliz no plano espiritual.

Para ser ditoso o espírito necessita da perfeição. Como isso é raro neste mundo, é fácil concluir-se que a erraticidade que circunda o planeta é ainda um vale de lágrimas, semelhante ao mundo material. É essa comunidade que nos rodeia e influencia os nossos pensamentos, exigindo de nós muita oração e vigilância.

A compreensão e a crença nessa verdade farão os homens melhorar para sofrer menos. Cada um tratará de construir com sabedoria seu próprio futuro para ficar livre das dores.

Estas notícias deixam claro que não há castigo de Deus porque Deus é a Lei. Não pune nem dá prêmios. Toda imperfeição, e as faltas dela nascidas, embute o próprio castigo em condições naturais e inevitáveis. Assim como toda doença é uma punição contra os excessos, como da ociosidade nasce o tédio, não é necessária uma condenação especial para cada falta ou para cada pessoa em particular. Quando segue a lei o homem pode livrar-se dos problemas pela sua vontade. Logo, pode também anular os males praticados e conseguir a felicidade.

A advertência dos espíritos nessa nossa escalada é objetiva e segura. Dizem que “o bem e o mal que fazemos decorrem das qualidades que possuímos. Não fazer o bem quando podemos, é, portanto, o resultado de uma imperfeição.” Observem que não basta não fazer o mal. É preciso fazer o bem.

Os espíritos advertem, também, que não é suficiente que o homem se arrependa do mal que fez, embora seja o primeiro e importante passo; são necessárias a expiação e a reparação.

Quando falta ao espírito a crença na vida futura, fica difícil ele lutar por algo que não acredita e, nesse caso, pratica o mal sem preocupar-se com futuras conseqüências. Por isso, é comum aos espíritos atrasados acreditarem que continuam vivos, materialmente, mesmo após a desencarnação. Continuam com as mesmas necessidades que tinham quando eram humanos. Sentem fome, frio e enfermidades, como qualquer encarnado.

Tudo o que acontece a qualquer um de nós está inscrito na nossa consciência. Dela não podemos fugir por mais longe que estejamos do lugar onde cometemos as faltas. A solução para ter a consciência tranqüila é reparar os erros e desfazer-se do presente que nos atormenta. Quanto mais demoramos na reparação mais sofremos. Não devemos adiar. Nas suas lições, já nos ensinou Jesus: “Reconcilia-te com teu adversário enquanto estás a caminho.”

No próprio capítulo em questão de “O Céu e o Inferno”, há uma indagação que todos nós certamente já fizemos algum dia: Por que tanto sofrimento? “Deus não daria maior prova de amor às suas criaturas criando-as infalíveis, perfeitas, nada mais tendo a adquirir, quer em conhecimento quer em moralidade?” Mas a resposta é óbvia. Deus poderia tê-lo feito, mas não o fez para que o progresso constituísse uma lei geral. Deixou o bem e o mal entregue ao livre-arbítrio de cada um, a fim de que o homem sofresse as dores dos seus erros, mas também o prazer dos seus acertos. E dando “a cada um, segundo as suas obras, no Céu como na Terra.” Esta é a Lei da Justiça Divina. Se assim não fosse, a vida não teria tempero.

O sofrimento, em resumo, é inerente à imperfeição. Livre-se o homem da imperfeição pela sua própria vontade e anulará os males dela decorrentes; conquistará nesse momento a sonhada felicidade.

Octávio Caúmo Serrano
Fonte: Portal Espírita