Total de visualizações de página

Mostrando postagens com marcador Renato Confolonieri. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Renato Confolonieri. Mostrar todas as postagens

16 maio 2022

“Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?” - Renato Confolonieri

 
QUEM É MINHA MÃE, E QUEM SÃO MEUS IRMÃOS?

Temos nos evangelhos de Marcos (capítulo III, versículos 20, 21 e 31 a 35) e de Mateus (capítulo XII, versículos 46 a 50) uma passagem de Jesus um tanto curiosa, pois que incompreendida. E até certo modo explicada superficialmente no capítulo XIV de O Evangelho segundo o Espiritismo.

De acordo com essa passagem, “e, tendo chegado à casa, de novo se formou uma grande multidão, de tal maneira que eles não podiam se alimentar. E quando seus parentes tomaram conhecimento disso, vieram apanhá-lo, pois diziam que tinha perdido o juízo.”.

Dando continuidade, os evangelistas contam que “chegaram então sua mãe e seus irmãos, ficando do lado de fora, mandaram chamá-lo. Havia uma multidão sentada em torno dele. Disseram-lhe: Tua mãe e teus irmãos estão lá fora, e te chamam. Mas ele lhes respondeu: Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos? E olhando os que estavam sentados ao seu redor, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos; pois quem fizer a vontade de Deus, este é meu irmão, minha irmã e minha mãe.”.

Essas palavras supostamente ditas por Jesus parecem realmente estranhas, mostrando-se contraditórias diante de tudo o que ele ensinou, vivenciou e deixou como legado, a lei do amor e da caridade.

A primeira interpretação que se dá vai no sentido de que as palavras atribuídas ao Cristo foram mal reproduzidas, mal compreendidas ou não são do guia e modelo da humanidade. Nos ditos de Allan Kardec no item 7 do citado capítulo XIV de O Evangelho segundo o Espiritismo, “espanta-se com razão de ver, nessa circunstância, Jesus mostrar tanta indiferença para com seus parentes, e, de certa forma, renegar sua mãe.”.

Mais adiante nesse mesmo item 7, o codificador continua analisando as frases imputadas ao Mestre Divino, dizendo que “no que diz respeito a Jesus, supor que tenha renegado sua mãe seria ignorar seu caráter; tal pensamento não poderia animar quem disse ‘honra teu pai e tua mãe’. É preciso, pois, buscar um outro sentido para suas palavras, quase sempre veladas sob forma alegórica.”.

Terminando o item em análise, Kardec diz que “Jesus não negligenciava nenhuma ocasião de dar um ensinamento. Tomou, pois, a que lhe ofereceu a chegada de sua família, para estabelecer a diferença que existe entre o parentesco material e o parentesco espiritual.”.

Acontece, porém, que é no item 2 do capítulo XVII de A Gênese que o mestre de Lyon – logicamente que com a assistência dos benfeitores espirituais – traça maiores e mais profundas explicações sobre o hipotético comportamento de Jesus na ocasião.

Nas palavras do professor Rivail, “o hábito de se verem desde a infância, em todas as circunstâncias ordinárias da vida, estabelece entre os homens uma espécie de igualdade material que, muitas vezes, faz que a maioria deles se negue a reconhecer superioridade moral num de quem foram companheiros ou comensais, que saiu do mesmo meio que eles e cujas primeiras fraquezas todos testemunharam. Sofre-lhes o orgulho com o terem de reconhecer o ascendente do outro. Quem quer que se eleve acima do nível comum está sempre em luta com o ciúme e a inveja. Os que se sentem incapazes de chegar à altura em que aquele se encontra esforçam-se para rebaixá-lo, por meio da difamação, da maledicência e da calúnia; tanto mais forte gritam, quanto menores se acham, crendo que se engrandecem e o eclipsam pelo arruído que promovem.”.

Assim, o fato de terem compartilhado de intimidade na infância, na adolescência, na juventude, dá uma espécie de autorização para as pessoas se arvorarem o direito de não reconhecer a ascensão moral que um companheiro pode ter alcançado. Tal reconhecimento se mostra deveras dolorido, em razão da pequenez espiritual, do orgulho, da inveja e do ciúme que ainda habitam em nós. É preciso muita elevação para agir como João Batista agiu com relação a Jesus, primos carnais que eram…

Tratando especificamente do ocorrido com o Mestre, Allan Kardec explica que “tanto menos podia Jesus escapar às consequências deste princípio, inerente à natureza humana, quanto pouco esclarecido era o meio em que ele vivia, meio esse constituído de criaturas voltadas inteiramente à vida material. Nele, seus compatriotas apenas viam o filho do carpinteiro, o irmão de homens tão ignorantes quanto eles e, assim sendo, não percebiam o que lhe dava superioridade e o investia do direito de os censurar. Verificando então que a sua palavra tinha menos autoridade sobre os seus, que o desprezavam, do que sobre os estranhos, preferiu ir pregar para os que o escutavam e aos quais inspirava simpatia”.

Diante de tudo o que foi apresentado, pode-se aferir que a criatura corpórea, material, por estar amplamente envolta pelos sentidos carnais, praticamente apaga o ser espiritual, percebido somente pelos espíritos. Novamente nas palavras de Allan Kardec, “depois da morte, nenhuma comparação mais sendo possível, unicamente o homem espiritual subsiste e tanto maior parece, quanto mais longínqua se torna a lembrança do homem corporal. É por isso que aqueles cuja passagem pela Terra se assinalou por obras de real valor são mais apreciados depois de mortos do que quando vivos. São julgados com mais imparcialidade, porque, já tendo desaparecido os invejosos e os ciosos, cessaram os antagonismos pessoais. A posteridade é juiz desinteressado no apreciar a obra do espírito; aceita-a sem entusiasmo cego, se é boa, e a rejeita sem rancor, se é má, abstraindo da individualidade que a produziu”.

Dessa forma, esforcemo-nos por ascender espiritualmente, ainda, mesmo e enquanto encarnados, livrando-nos de julgamentos precipitados com relação às demais criaturas, circunstâncias, fatos ou acontecimentos.

Façamos a nossa reforma íntima também nesse sentido, expurgando de nós os sentimentos inferiores de inveja das conquistas dos outros, de ciúme com relação ao próximo, de orgulho em não reconhecer os méritos e conquistas espirituais alheios, de cegueira quanto aos esforços das outras pessoas.

Tenhamos a humilde elevação de “dar a César o que é de César”, no que se refere aos méritos dos demais, reconhecendo as conquistas morais das pessoas, não importa quem elas sejam, se distantes ou próximas.

Não nos esqueçamos, no entanto, que, em essência, somos todos oriundos do mesmo seio, o do Pai Criador. Quanto mais rápido introjetarmos as virtudes em nós, nas nossas atitudes para conosco e para com as demais criaturas, mais rápido alcançaremos as esferas espirituais superiores.

Voltando à passagem de Jesus, é evidente que um espírito da sua envergadura – pertencente às esferas mais elevadas da Espiritualidade, o plasmador do planeta – jamais agiria de modo a renegar ou menosprezar sua mãe e seus irmãos na carne. O que o Mestre fez foi nos ensinar que há diferença entre parentesco material e espiritual, que há famílias espirituais, nas quais se reúnem os que se afinam em ideias e sentimentos, e que existem as corporais, que são provisórias, embora importantes instrumentos para o desenvolvimento moral do espírito.

Renato Confolonieri
Fonte: Espiritismo na Rede

27 fevereiro 2022

Lei da Liberdade - Livre Arbítrio - Renato Confolonieri

 
LEI DA LIBERDADE - LIVRE ARBÍTRIO

Dando continuidade às nossas modestas reflexões sobre a Lei de Liberdade, uma das normas divinas outorgadas a nós pelo Criador, já vimos que ela foi didaticamente subdividida por Allan Kardec em liberdade natural, de pensar, de consciência e livre-arbítrio, conforme consta em O Livro dos Espíritos, livro terceiro, capítulo 10.

Como temos a oportunidade de verificar em toda a codificação espírita, assim como na integralidade da obra subsidiária, o livre-arbítrio é o que caracteriza a alvedrio que encerramos em nós, eis que, sem ele, a criatura seria uma máquina – resposta à pergunta 843 de O Livro dos Espíritos. E já que temos a liberdade de pensar, temos, por consequência, a de agir.

No entanto, nunca nos esqueçamos de que juntamente com a liberdade vem a responsabilidade. Até porque, os orientadores espirituais nos alertam na resposta à questão 849 do livro em estudo que “tu que és mais esclarecido que um selvagem, és também mais responsável pelo que fazes do que um selvagem”.

Emmanuel, no seu Palavras de Vida Eterna (capítulo 133), trazido pelas incansáveis mãos de Francisco Cândido Xavier, advertiu-nos para o fato de que “ninguém, na Terra, foi mais livre que o Divino Mestre. Livre até mesmo da posse, da tradição, da parentela, da autoridade. Entretanto, ninguém mais do que ele se fez escravo dos Desígnios Superiores, para beneficiar e iluminar a comunidade.”

A tal respeito, Paulo de Tarso, na sua epístola aos Gálatas, assim enfatizou: “porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Mas não useis da liberdade para dar ocasião à carne; antes, pelo amor, servi-vos uns aos outros” (Gálatas, 5.13).

Diante do livre-arbítrio que todos possuímos, exatamente como criaturas livres, cuidemos das nossas atitudes, que são a exteriorização do que ajuizamos. Elas são aquilo que mostramos às demais criaturas. Os nossos atos dizem para as pessoas muito mais de nós do que possamos imaginar.

Acima de tudo, vigiemos a maior expressão do livre-arbítrio em nós, o pensamento. Quando pensamos, ocorre movimentação de energias, emissão de ondas e criação de situações atenuantes ou agravantes dos problemas e dificuldades. Jamais esqueçamos de que os espíritos que nos cercam leem o que vai nas nossas mentes e corações. E antes mesmo de nós.

Tenhamos sempre em mente o que informado pelos espíritos conselheiros na resposta à questão 851 de O Livro dos Espíritos, no sentido de que “… para o que é prova moral e tentações, o espírito, conservando seu livre-arbítrio sobre o bem e sobre o mal, é sempre senhor de ceder ou de resistir.”

Renato Confolonieri
Fonte:
Agenda Espírita Brasil

08 dezembro 2021

A Lei Divina ou Natural - Renato Confolonieri

 
A LEI DIVINA OU NATURAL

Aprendemos em O Livro dos Espíritos que a Lei de Deus – chamada por diversas vezes de Lei Divina ou Natural – está escrita na nossa consciência, e que, por isso, todos podemos conhecê-la, embora nem todos possamos compreendê-la, conforme trazido pelo Espírito de Verdade nas respostas às perguntas 619 e 621 do primeiro livro da codificação espírita.

Os benfeitores espirituais, porém, fazem um complemento a essa afirmação, instruindo-nos no sentido de que “os que a compreendem melhor são os homens de bem e aqueles que a querem procurar.

Entretanto, todos a compreenderão um dia, porque é preciso que o progresso se cumpra.”

Chamam-nos a atenção as observações feitas por Allan Kardec em complemento ao que se tratou na pergunta 617 de O Livro dos Espíritos. Segundo o codificador, “entre as leis divinas, umas regem o movimento e as relações da matéria bruta: são as leis físicas e o seu estudo está no domínio da Ciência. Outras concernem especialmente ao homem, em si mesmo e em suas relações com Deus e com seus semelhantes. Elas compreendem as regras da vida do corpo, como também as da vida da alma: são as leis morais.”.

Mas se a criatura carrega na sua consciência a Lei de Deus (as leis físicas e as morais), por que há necessidade de sua revelação à humanidade? Esta é a segunda parte da pergunta feita pelo mestre de Lyon, sob o número 621.

Os espíritos nos respondem que há tal necessidade porque nós a esquecemos e menosprezamos, e que aqueles que fazem as revelações são espíritos superiores, encarnados com o objetivo de nos fazer avançar (respostas às questões 621, segunda parte, e 622, ambas de O Livro dos Espíritos). Eis o Mestre Jesus, o nosso guia, o nosso modelo de perfeição moral – aquela possível de ser alcançada por nós, criaturas –, além de ser o plasmador do planeta.

Continuando a tentativa de compreensão do raciocínio do professor Rivail, a pergunta 627 de O Livro dos Espíritos traz um questionamento crucial aos amigos espirituais, no sentido de qual seria a utilidade das informações por eles trazidas (claro que riquíssimas e imprescindíveis), já que Jesus revelou e ensinou as verdadeiras Leis de Deus?

A resposta, de uma importância ímpar ao nosso entendimento, não poderia ser mais lúcida e esclarecedora: “A palavra de Jesus era frequentemente alegórica e em parábolas, porque falava segundo os tempos e os lugares. É necessário agora que a verdade seja inteligível para todo o mundo. É preciso bem explicar e desenvolver essas leis, uma vez que há tão poucas pessoas que as compreendem e ainda menos que as praticam. Nossa missão é impressionar os olhos e os ouvidos para confundir os orgulhosos e desmascarar os hipócritas: aqueles que tomam as aparências da virtude e da religião para ocultarem suas torpezas. O ensino dos Espíritos deve ser claro e inequívoco, a fim de que ninguém possa pretextar ignorância, e cada um possa julgá-lo e o apreciar com sua razão. Estamos encarregados de preparar o reino do bem anunciado por Jesus; por isso, não é preciso que cada um interprete a lei de Deus ao capricho de suas paixões, nem falseie o sentido de uma lei toda de amor e de caridade.”.

E o ensinamento continua na resposta à pergunta 628, no sentido de que a verdade não foi sempre colocada ao alcance de todos porque “é preciso que cada coisa venha a seu tempo. A verdade é como a luz: é preciso nos habituar a ela, pouco a pouco, de outra forma ela nos ofusca.”.

Aqui também se faz importante trazer a íntegra da questão 648 e do esclarecimento recebido dos benfeitores, por ser mais uma das importantes e extraordinárias 1.019 orientações espirituais trazidas em O Livro dos Espíritos:

“648. Que pensais da divisão da lei natural em dez partes, compreendendo as leis sobre a adoração, o trabalho, a reprodução, a conservação, a destruição, a sociedade, o progresso, a igualdade, a liberdade, enfim, a de justiça, de amor e de caridade?

– Essa Divisão da Lei de Deus em dez partes é a de Moisés, e pode abranger todas as circunstâncias da vida, o que é essencial. Podes, pois, segui-la, sem que ela tenha por isso nada de absoluto, não mais que todos os outros sistemas de classificação que dependem do ponto de vista sob o qual se considera uma coisa. A última lei é a mais importante: é por ela que o homem pode avançar mais na vida espiritual, porque ela as resume todas.”

Diante de tudo o que foi apresentado acima, podemos concluir que a Lei de Deus, que engloba leis físicas e morais, foi-nos revelada por espíritos superiores, encarnados com o objetivo de nos fazer avançar (mais depressa), e também porque muitas vezes a esquecemos ou até menosprezamos.

No entanto, e como demonstrado, essas leis máximas que compõem a Lei Divina ou Natural não só foram trazidas por espíritos missionários encarnados. Elas também foram minuciosamente explicadas e desenvolvidas pelo grupo que compõe o Espírito de Verdade, criaturas elevadas na escala espírita. E isso quase 19 séculos após as lições ditas e vividas por Jesus, já que somente nesse momento a humanidade apresentava condições intelectuais, psíquicas e morais de as receber e melhor entender, além de se objetivar que o ensino fosse claro e inequívoco para que ninguém pudesse alegar ignorância dessas Leis Supremas.

Como dito na transcrita resposta à questão 648 de O Livro dos Espíritos, verifica-se que a Lei de Deus pode ser resumida pelo binômio amor e caridade, alicerçando definitiva e harmoniosamente todos os ensinos trazidos pelo Mestre Jesus, o nosso exemplo, modelo e guia.

Não nos esqueçamos, por fim, e em complemento, que todos os preceitos dessa Lei Maior estão minuciosamente tratados em cada um dos capítulos de O Evangelho segundo o Espiritismo, funcionando como iluminador e orientador das criaturas que se esforçam por viver o mais possível os códigos divinos de amor e caridade.

Renato Confolonieri
Fonte: Agenda Espírita Brasil