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12 maio 2022

Se você tem fé, por que duvida? - Vania Mugnato de Vasconcelos


SE VOCÊ TEM FÉ, POR QUE DUVIDA?

Há uma aura, uma espécie de vibração no ar envolvendo toda a Terra e provocando aumento do medo, da ansiedade, tristeza, agressividade e outras emoções contraproducentes que adoecem o corpo e a alma. Embora os problemas mundiais e locais não sejam nenhuma novidade, vemos um acirramento desses sentimentos negativos que atordoam a todos.

Poucos passam ilesos por esse turbilhão de ações e emoções que mais parecem mil formas de uma guerra invisível de caráter emocional, material, e espiritual, esta, aliás, a luta que a humanidade vem travando mais intensamente neste século, provocada pela celeridade da transformação planetária terrena, que passa de mundo de expiações para de regeneração.

Há em curso um processo seletivo que define em que tipo de mundo merecemos viver. O que deveria acontecer de modo natural e simples, pois o progresso acontece pela força das leis naturais, tornou-se complexo, especialmente pelo distanciamento da humanidade da fé em valores superiores que motivam para o trabalho, a vigilância, a oração e a confiança, uma vez que quando fizermos a nossa parte, a de Deus será feita também.

Se tornou intrincado até mesmo manifestar pensamentos, opiniões. Uma vez que todos se mostram exatamente como são, sem as máscaras da discrição e até da civilidade, há quem se veja no direito de falar e fazer o que entende melhor, mesmo que isso signifique tripudiar sobre os que estão a sua volta.

Direitos óbvios como ter um ponto de vista e expô-lo, discutir civilizadamente, estão sendo deteriorados rapidamente pela cultura do cancelamento, aquela que destrói através da humilhação, perseguição, ironia ou agressões diversas. Com o cancelamento nas relações humanas, a alma do fraco também é corroída e muitos se abalam de forma irremediável.

Onde isso vai parar? E como superar? Não há uma resposta no campo estritamente material. É preciso agir, mas a fé na justiça e no futuro deve acompanhar as ações. Para lidar com pessoas que pretendem ser possuidoras da verdade e ditadoras da consciência alheia, é necessário equilíbrio espiritual, além do moral que leva ao autorrespeito e amor.

Há dois mil anos Jesus deixou conteúdos importantes para a humanidade, e suas parábolas alertaram para momentos e situações que poderíamos vencer com prudência, responsabilidade, coragem, oração e vigilância. Dentre tais alertas um chama especial atenção, contido na parábola do joio e do trigo (Mateus 13:24-30).

Nela o Cristo conta que numa terra fértil foi semeada boa semente, o trigo, que é alimento. Num momento de distração o inimigo veio e jogou a má semente, o joio, planta venenosa parecida com a primeira enquanto ainda tenra. Descoberto o problema, os empregados perguntaram se deveriam arrancar o joio, ao que o dono das terras diz “não”. A orientação foi que deixassem as plantas crescerem juntas até que frutificassem, só então o joio seria separado e jogado fora. Esse cuidado protegeria o trigo, para que não se corresse o risco de ser desprezado indevidamente.

Nossa nave mãe, a Terra, é um astro que se despede do status de mundo de expiações e adentra ao processo de implantação do planeta de regeneração, pois não poderia estagnar eternamente quando é regido, como tudo, pela lei imutável do progresso, criada por Deus. Paralelamente ao progresso material, a humanidade terrena precisa se adequar ao novo status evolutivo do seu lar, mas isso não ocorre de um dia para outro, nem com todos de uma vez só, necessitando do tempo e das experiências para que todos frutifiquem assinalando aquilo que são.

O alerta do Cristo aponta que as sementes são as almas ligadas à Terra, as quais estão amadurecendo sob os estímulos das experiências encarnatórias e, com cada vez mais liberdade de mostrar seus frutos – suas palavras, condutas –, apresentando-se como seres que produzem o bem ou o mal, portanto, que despontam como trigo ou joio.

Muitos dizem ter fé e se a tem não deveriam duvidar. A complexidade do mundo atual e das relações humanas mostra que a Terra está em amplo processo de reforma, onde o que não presta precisa ser separado do que é útil, o que é compatível deve se manter neste lar planetário enquanto o que não é será classificado e transferido para futura residência em mundos mais arcaicos, onde o progresso seguirá no ponto da maturidade de sua humanidade, dentro das leis divinas.

Isso está acontecendo independente de nossa crença nessa verdade. O que importa é que temos nas mãos a oportunidade de decidir nosso futuro por muito e muito tempo. E perante esse ensejo, feliz daquele que tem fé na justiça e no amor do Criador, e que aceita o desafio de superação pessoal e contribuição para renovar o mundo que o acolhe.

Tenha fé.

Não duvide.

E se quiser saber um pouquinho mais sobre mundos de expiações e provas, e mundos de regeneração, leia o Capítulo III da obra O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec.

Fraternalmente!

Vania Mugnato de Vasconcelos
Fonte: Agenda Espírita Brasil

23 outubro 2020

A Vida vale a pena – a Violência não - Vania Mugnato de Vasconcelos

 
A VIDA VALE A PENA - A VIOLÊNCIA NÃO

 
Para a pessoa que acredita em Deus pelos conceitos do cristianismo, o delito contra a vida própria ou de outrem, é igualmente crime contra as leis divinas e deve ser evitado – “não matarás”!

Sabemos que, conforme o censo 2010 do IBGE, no Brasil existem 86,6% de cristãos, o que faz presumir que 86,6% das pessoas cristãs também rejeitam o crime de morte – assassínio – e o suicídio. Será mesmo?

Segundo a Doutrina Espírita, tirar a vida é interromper a expiação ou missão dessa pessoa, sendo este um grande mal, pois cada um tem objetivos existenciais a cumprir que serão descontinuados ao se justiçar outrem por suas próprias mãos, ou eliminar a si mesmo.

Deus é justo e conhece todas as coisas, sabe a intenção recôndita de cada ato humano, pesando no julgamento da culpabilidade mais a intenção que a ação. Significa que não é apenas o ato que importa, havendo culpados aos olhos de Deus que são inocentes para os homens e vice-versa. E é importante lembrar que a lei de Deus é espiritual, as leis dos homens são materiais, uma não derroga a outra.

O homem é culpado quando comete crime contra outra pessoa e ,a não ser em caso de legítima defesa, não se justifica que ele viole o direito à existência de ninguém. Ainda assim, é imperativo que, sendo possível preservar a própria vida sem atentar contra a de quem agride, é o que se deve fazer.

Se em situação como a mencionada, de legítima defesa, é absolvido espiritualmente aquele que se defendeu, em outras situações não ocorrerá igual. Quanto menos se é constrangido pela força, mais responsável será o homem, especialmente quando agir com crueldade na realização de seus atos.

Também o suicídio deve ser rejeitado, o valor da vida independe de quem a pessoa é. Todas as experiências carnais geram aprendizado, entendimento, alteração de conduta e, ainda que inaplicado por imaturidade ou rebeldia, o que foi aprendido será utilizado um dia.

Para o Espiritismo a existência é oportunidade importantíssima que não deve ser desperdiçada. Vivendo um dia de cada vez, superaremos uma vida inteira sem precisar matar nem nos matar. Não quer dizer que seja simples ou fácil, mas que nosso esforço em prol da vida e da paz não será desvalorizado: todo vitorioso passou antes pelos sacrifícios pessoais que o transformaram na pessoa que venceu.

Vania Mugnato de Vasconcelos
Fonte: Kardec Rio Preto

18 setembro 2020

Analisando mais uma vez a “Transição Planetária” - Vania Mugnato de Vasconcelos


ANALISANDO MAIS UMA VEZ A "TRANSIÇÃO PLANETÁRIA"

“Não tem problema não ter certeza”. (Carl Sagan)

Nos últimos meses tratei de vários modos sobre o tema TRANSIÇÃO PLANETÁRIA, explicando sob a ótica espírita que a Terra não mais se classifica de modo absoluto como Mundo de Expiações, pois adentramos na era da Regeneração com a ainda lenta, mas paulatina, implantação das características de um mundo melhor.

Também nos últimos meses tive várias surpresas. DESCOBRI pessoas que não imaginaria, apoiando como eu a ideia de que essa transição não será tão suave quanto se pensa; PENSEI que teria apoio e compreensão da maioria dos incansáveis trabalhadores da seara espírita, mas os vi simplesmente negarem-se a discutir o assunto achando ser tolice, fanatismo, fascinação ou assunto não espírita; PERCEBI pessoas brincarem com o tema e com a preocupação que há em esclarecer que se a transição tiver algum reflexo material (e mudança material gera desconforto, senão dor), precisaremos estar prontos, sem medo do fim, preparados para continuar; CONHECI muitas pessoas preocupadas com o assunto, as quais buscam obter dos espíritas a resposta mais racional, mais lúcida, menos fantasiosa que se possa encontrar a respeito, frustrados quanto a isso, pois, como disse, a maioria acha que está tudo em ordem, que Deus, por ser bom, preservará os bem intencionados, entendendo que é exagero a preocupação com qualquer mudança mais abrupta, sem lembrar da lei de causa e efeito e tudo o que semeamos outrora.

O fato é que o assunto da evolução planetária foi discutido por milênios e para todos os que viveram antes foi apenas especulação, enquanto nós vivemos ao vivo e a cores o que nos levará ao futuro da humanidade terrena. Por isso é importante voltar sempre ao assunto, na intenção de ajudar no preparo de cada alma, para que enfrentem com otimismo, coragem, resignação e fé nos desígnios divinos, quaisquer eventos imprevisíveis.

Quanto ao fim da Terra, está mais do que esclarecido que não será algo material, mas uma alteração de ordem moral, ela não será destruída antes de alguns bilhões de anos. Quanto ao fim da humanidade, isso depende de nós, não do planeta, pois a humanidade é resultado de nossas escolhas, decisões, modo de tratar e nos relacionarmos com a natureza, os animais e o próximo deste e de outros países.

O que podemos esperar? Não sabemos e, como disse Carl Sagan, não há nenhum problema em não ter certeza; mas não seria bom pensar e preparar-se para qualquer eventualidade?

Tenho a convicção absorvida no Espiritismo, de que a transição é eminentemente MORAL. Todos os indícios diretos e indiretos dentro da Doutrina Espírita afirmam que o homem ainda precisa evoluir moralmente para merecer manter-se no planeta Terra, renovado por valores mais nobres. No entanto, sabemos muito bem que não escapamos das plantações realizadas e recordamos que nossa história foi de semeaduras amargas: egoísmo, orgulho, belicosidade, separativismo… sabendo que a lei de causa e efeito existe, por qual razão haveria ela de não nos fazer corrigir tudo o que destruímos ou adulteramos, antes de merecer viver definitivamente num mundo melhor?

Desde a época da criação da Codificação Espírita (1857) fala-se que a era de Regeneração chegou e seria implantada mesmo contra nossa vontade, ou seja, ficará no planeta aquele que estiver dentro do novo padrão planetário. Nenhuma mudança miraculosa irá ocorrer, mas essa mudança aproxima-se a olhos vistos. Observem o mundo com mais atenção: mais pessoas más (joios manifestando-se); mais pessoas boas (trigo dando frutos); mais pessoas questionando, optando por mudar aquilo a que se tinham acostumado (saindo da posição acomodada e omissa); e muitas coisas tidas por “normais” ocorrendo em escala mais frequente e intensa que antes (terremotos, furacões, calor e frio fora de época etc).

Digo a vocês: a transição não será pacífica (digo sem dificuldades), pois não fizemos por merecê-la assim. Mas será menos dura do que seria, pois estamos nos esforçando em mudar para melhor. Não fizemos o suficiente ainda, por isso precisamos de todos focados na certeza de que o “amor cobre uma multidão de pecados” (I Pedro, 4:8) e, em amando para “ontem” ajudaremos que o mundo de expiações torne-se logo, apenas história…
 

Vania Mugnato de Vasconcelos
Fonte: Kardec Rio Preto
 

26 julho 2020

Fé e Otimismo em Tempos Difíceis - Vania Mugnato de Vasconcelos




FÉ E OTIMISMO EM TEMPOS DIFÍCEIS


Temos vivenciando época ímpar, cheia de informações desencontradas, pânico disseminado tão velozmente quanto o vírus que tomou o mundo, aproveitadores e ingênuos se posicionando do lado que acham melhor, isolamento para uns, trabalho para outros, nenhuma certeza e uma pandemia a enfrentar.

À parte dos posicionamentos pessoais, devemos agir eticamente, com amor a si mesmo e ao próximo, em ações responsáveis e com forte compromisso social. Contudo, além dos aspectos da vida material, existe um lado espiritual nos problemas humanos. Pululam mensagens ditadas por espíritos com o objetivo de pacificar os corações humanos na intenção de evitar que se entreguem cegamente ao improdutivo medo.

A forma mental negativa no enfrentamento das dificuldades, dos flagelos, despeja na “alma” da Terra um ar espiritual causticante, o qual só saberemos evitar ao entendermos para que serve a experiência atual.

O que chamamos de flagelo é tratado pela Doutrina Espírita como mais um modo de estimular a regeneração e o progresso da humanidade. Fôssemos todos bons, poderíamos viver sem precisar passar por eles, mas como se sabe, “quem não vai pelo amor, vai pela dor”. A questão não é a estrada trilhada, mas que progrediremos de um modo ou outro durante o trajeto. O amor e o sofrimento levam à revisão da vida, da conduta, e à escolha do que é melhor para todos; sobretudo leva à abstenção do cruel egoísmo.

O Livro dos Espíritos, questão 740, diz textualmente que: “Os flagelos são provas que proporcionam ao homem a ocasião de  Exercitar a Inteligência, de Mostrar a sua Paciência e a sua Resignação ante a vontade de Deus, ao mesmo tempo que lhe permitem Desenvolver os sentimentos de Abnegação de Desinteresse Próprio e de Amor ao Próximo, se  ele não for dominado pelo egoísmo.”

Se você crê em Deus, tenha convicção de que não vivemos senão o necessário para nos tornarmos melhores. A humanidade precisa dar um grande salto em moralidade! Toda dor passa, o medo só dificulta o aprendizado da lição e o faz demorar além do necessário. Sim, a vida física do homem na Terra terminará de um modo ou de outro, por isso não devemos perder nenhuma oportunidade de amar mais, confiar mais, sermos mais responsável e fazer nossa parte. 

Mantenha a fé e o otimismo.

A humanidade será melhor após os dias atuais. 


Vania Mugnato de Vasconcelos

06 julho 2020

Cadê a inclusão do amor? - Vania Mugnato de Vasconcelos



CADÊ A INCLUSÃO DO AMOR?


Está na moda! Devemos incluir! Dar direitos iguais, olhar o outro de modo igual! O progresso da legislação parece estar acompanhando o progresso do homem, que já consegue perceber os diferentes como semelhantes!.

E nesse ritmo, homossexuais se casam, deficientes têm oportunidade de emprego, o racismo é punido, idosos tem prerrogativas que facilitam sua condição. Sim, a inclusão é uma evolução, pois com ela concluímos que somos todos da mesma espécie, ainda que diferentes!

Mas, será que não pregamos inclusão social hipocritamente?

Quantos pregam a inclusão do alto de sua falsa e aparente superioridade? A mesma inclusão que tantos esquecem de realizar enquanto se dizem cristãos e pregam, muitas vezes, uma religião que tem o entendimento da fraternidade!

E que se dirá destes se forem espíritas, portanto reencarnacionistas, convictos de que a vida é uma experiência educativa necessária, cujo curso todos escolhemos antes de encarnar com o objetivo primordial de aprender a amarmos uns aos outros!?

Quantas pessoas boas se tornam egoisticamente más ao segregarem e/ou julgarem seu próximo por causa do lugar em que nasceram ou por suas escolhas, por desejarem que o pouco que lhes foi dado ou permitido socialmente seja preservado, por agirem sem pensar no amanhã, nem na coletividade, muito preocupados que estão em conseguir o pão que deverão comer agora?

Pessoas boas às vezes se tornam más porque seu egoísmo não as deixa perceber que nem todo mundo teve o mesmo que tiveram, julgam os outros pela medida com que se medem, sem que percebam o prejuízo ao serem assim. Aos outros pode ter faltado educação, moradia, trabalho, saúde, e desse modo não compreendem muito além do prato vazio em sua mesa, nem escutam muito mais do que seu estômago a reclamar.

Se a sociedade e os indivíduos olhassem com os olhos do amor os que querem “incluir”, veriam almas em prova atrás de rostos sofridos, de mãos calejadas, com pés em calçados rústicos, olhos decepcionados, vidas sem esperança, consolando-se, as vezes e somente num Deus que não conhecem direito.

Talvez, se esta mesma sociedade e indivíduos olhassem de forma verdadeiramente “inclusiva”, perceberiam que todos podem ser os instrumentos necessários para igualar as condições delas às dos demais.

Poderíamos julgar os que segregamos, por não serem além do que são?
Nem oferecerem mais do que dão? Ou compartilharem mais de si mesmos?

Não deveriam ser os bons a oferecer mais, compartilhar mais de si aos que nesta encarnação não possuem condições de entender o mundo em que vivem? Não deveriam ser aqueles os auxiliares destes para, um dia e por si mesmos, serem todos incluídos?

Basta de exclusão. E chega da inclusão hipócrita que só foca aquele que não interfere na nossa vida. Incluamos a todos (e sempre) no nosso amor. Não separemos mais do que separado está.


Vania Mugnato de Vasconcelos

12 abril 2020

A Páscoa no Espiritismo - Vania Mugnato de Vasconcelos



A PÁSCOA NO ESPIRITISMO


No Espiritismo a comemoração da Páscoa não é celebrada. Quais as razões?

Etimologicamente o termo Páscoa deriva do hebreu “pasach”, que significa “passagem” e inicialmente remetia à libertação do povo hebreu da escravidão no Egito. Religiosamente, é nome dado a importante festa na doutrina cristã católica para a comemoração da ressurreição de Jesus, tendo havido nos dias anteriores reflexões sobre sua crucificação e morte.

Embora o Espiritismo seja cristão, respeita mas não compreende de mesmo modo todos os preceitos das religiões cristãs. Um dos pontos divergentes é o entendimento da ressurreição. Nos atendo a fatos e não à fé, a ressurreição do corpo físico contradiz a ciência, que diz ser impossível que um corpo realmente sem vitalidade seja ressuscitado. E como Jesus disse ter vindo “cumprir lei” e não violá-la, não há sentindo acreditar que justamente ele transgrediria a lei natural da transição pela morte que todos experimentaremos.

Aliás, o que é a morte? É exclusivamente a cessação da influência do ser pensante sobre o corpo, ou, de outro modo falando, é o desligamento do espírito do instrumento carnal incapacitado, para o qual não há mais retorno.

O Espiritismo procura manter-se sintonizado com os fundamentos científicos e quanto a isso afirma que qualquer ponto doutrinário rejeitado pela ciência de forma comprovada será modificado.

Um corpo efetivamente morto (com desconexão do espírito), não volta à vida pois nesse instante começa imediatamente sua decomposição. Por tal motivo o Espiritismo não comemora o que não existiu no sentido estrito do conceito, a ressurreição física de Jesus.

Para a Doutrina Espírita a vida imaterial é inexaurível e a morte não existe senão fisicamente. Para os espíritas a ressurreição pode ser entendida como a manifestação de Jesus em corpo espiritual, comprovando que ele sempre estaria presente como prometera, pois permanecia vivo.

O objetivo deste artigo não é adentrar em debates doutrinários, numa competição vazia sobre a forma correta de crer, até porque o Espiritismo respeita toda forma de fé e não pretende impor a sua.

Todavia é relevante deixar claro ao simpatizante espírita, bem como aos iniciantes no estudo da doutrina os motivos pelos quais o espírita não comemora a Páscoa – o respeito pelo Cristo e sua missão grandiosa deve ser parte do cotidiano do espírita, sendo importante refletir a todo tempo sobre o que ele ensinou, praticando tais conceitos.

Concluindo dizemos que para a fé espírita Jesus permanece vivo como sempre esteve, somente fora do corpo físico, pois a morte não existe. Não estamos sós.


By Vania Mugnato de Vasconcelos


27 março 2020

Espírita na política - Vania Mugnato de Vasconcelos




ESPÍRITA NA POLÍTICA


Uma das mais fortes qualidades do Espiritismo, filosofia profundamente moral que esclarece a origem, o destino e os objetivos do ser humano na existência terrestre, é ser aplicável a todos os campos de atividades.

Assim, seria de estranhar que os espíritas, sendo focados no desenvolvimento de valores morais e sua aplicação nas atividades e relações cotidianas, não pudessem atuar na vida política como se ela, por si só, fosse negativa ou desnecessária. Sabemos que assim não é.

Vivemos em sociedade e relações políticas acontecem o tempo todo, ainda que para o leigo o termo “política” seja quase exclusivamente utilizado para questões do Estado e dos políticos que lhes são gestores.

É nesse sentido, de gestão, que falamos hoje. Temos, é verdade, um grave problema de administração pública. Contudo, além de haver necessidade absoluta de gerenciamento da máquina estatal para que seja produtiva e apta para atender aos cidadãos, nem todos são maus gestores e/ou desonestos, havendo muitos indivíduos que administram bem e honestamente o Estado nos setores de sua responsabilidade, sejam eles eleitos ou concursados. De outro modo o país já teria afundado!

Generalizar não produz nada de bom. Ao se pensar que a vocação política (de candidatura e administração do Estado) seja reflexo de um caráter aproveitador, desonesto, mal-intencionado, se entrega de mão beijada para os realmente desqualificados ou sem caráter o que pertence a todos, pois se os bons se omitem os maus não o fazem.

Pessoas com intenções nobres nem sempre têm força de vontade suficiente para enfrentar os riscos da posição político-partidária, pior se lhes faltar o apoio dos que acreditam no seu caráter: temendo o julgamento de suas intenções mais recônditas, sentem-se forçados pelas condições e falta de suporte, a não concorrerem.

O espírita pode e deve candidatar-se, trabalhar pelo bem comum. Todos podem e devem fazê-lo! Deixar de atuar politicamente, assim como abster-se de votar, apenas fortalece quem o faz de forma interesseira e egoística.

Recordando Martin Luther King Jr. pastor protestante e ativista político americano, repetimos suas palavras atuais hoje quanto quando proferidas, “o que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons”.


Vania Mugnato de Vasconcelos

14 novembro 2019

Prefira Viver - Vania Mugnato de Vasconcelos



PREFIRA VIVER


“A calma e a resignação adquiridas na maneira de considerar a vida terrestre e a confiança no futuro dão ao Espírito uma serenidade que é o melhor preservativo contra a loucura e o suicídio”. Allan Kardec


Não devemos minimizar as razões que levam uma pessoa a buscar a morte antes do tempo. Só a própria pessoa é capaz de avaliar o peso que carrega, a dor que sente, o vazio que experimenta, a desesperança que a atemoriza. Não se trata de julgar se a procura pela morte é coragem ou covardia, pois, de fato, a decisão de morrer nasce de motivações internas que somente quem as vive pode avaliar.


Isso, contudo, não torna a morte antecipada um ato mais nobre ou correto. A dor pode explicar, mas não justifica o abandono de si mesmo nem soluciona o problema que levou a tal escolha, ao contrário, agrava a situação. A questão é que na vontade de morrer existe o engano terrível de que através do fim da vida carnal, a pessoa escapará do que a tortura, pondo fim às angústias que sente.


O erro, pior do que se pode imaginar, é percebido, imediatamente, após a consumação do ato: a destruição do envoltório material não cessa a vida espiritual, e a pessoa não deixa de sentir o que sentia antes da aniquilação do corpo que a aprisionava.


Havendo fim apenas para a vestimenta provisória a que chamamos corpo, a vida espiritual, moral e intelectual, continua vigorosa; não há fuga si mesmo ou das experiências necessárias ao próprio desenvolvimento, de tal modo que se somam às dores do passado recente e do futuro antecipado.


Quem entende essa realidade, racionalmente, explicada pelo Espiritismo, sabe que a existência se prolonga, indefinidamente, no além-túmulo, que tudo que se é e sente, vem de dentro de si e, não existindo fim, sentirá o mesmo, posteriormente. Para evitar o pior, devemos praticar a paciência e a resignação, no exercício da coragem moral que nos permite vencer um dia de cada vez.


O mundo é complexo e nem sempre se veem motivos para continuar. Mas é imperioso compreender que cada ação tem consequência; é urgente que se faça uma conscientização geral sobre as graves implicações espirituais do suicídio, das dores dos familiares, do impacto da violência à própria natureza, conhecimento que ajuda a diminuir a incidência desse crime.

Morrer não apaga a dor.
Busque ajuda, converse a respeito.
Prefira viver.


Vania Mugnato de Vasconcelos

20 outubro 2019

A perfeição que não temos - Vania Mugnato de Vasconcelos


A PERFEIÇÃO QUE NÃO TEMOS


A humanidade sempre vivenciou incontáveis mazelas morais e materiais. Mazela é palavra que define bem a situação, já que significa, figurativamente e segundo o dicionário Michaelis , “tudo que aflige ou molesta, adversidade”.

Realmente, o ser humano é afligido com desgraças materiais, morais e naturais. Alguns povos sofrem mais que outros, mas é certo que todos experimentam desventuras. Em outras palavras podemos afirmar que mesmo se forem felizes por um lado, de outro o sofrimento fará companhia aos homens.

Todos os indivíduos lutam contra a morte, a ignorância, as enfermidades psicológicas e físicas, a necessidade material, a descrença ou o vazio existencial. A que conclusão essa constatação nos leva? Que não somos perfeitos, nem felizes, pois o sofrimento, de modo geral, resulta de algum processo pessoal ou externo deficiente, consequência de decisões, ações e omissões equivocadas. Todos são herdeiros da sua forma de viver e do meio onde vivem.

Nem perfeitos nem felizes. Mesmo assim, seria possível conquistar e manter um pouco de paz e alegria, minimizar as necessidades e não sentir tanta solidão, obtendo qualidade de vida sob vários aspectos. Com um pouco de boa vontade da maioria, seria viável construir um mundo onde as pessoas, frágeis, sozinhas, pudessem tornar-se fortes a partir do apoio mútuo, como o galho que não verga quando unido a um feixe com outros galhos.

Contudo, apesar da obviedade da constatação acima, ao invés de buscar a união com objetivos comuns que facilite a existência, muitas pessoas criam divisas, grupos, lados, brigam por verdades parciais e mutáveis, como se fossem absolutas e eternas. Quantos arvoram-se em perseguidores e críticos das atitudes alheias, fazem-se cobradores da perfeição, preferencialmente, a alheia. Quantos cobram acerto e correção dos outros, mas eles mesmos não buscam realizar ou fazer melhor. Não, acham que é sempre mais simples ser o espectador que julga?!

Queremos um mundo melhor, mas a perfeição que não temos é a que cobramos dos outros. A conduta da pessoa moralizada passa pela auto melhoria, antes do julgamento do próximo. É necessário perceber e tentar evitar o que é erro e mau no outro, mas não se deve esquecer que esse mal pode estar dentro de nós. É isso que o Espiritismo ensina aos seus adeptos.


Vania Mugnato de Vasconcelos


28 setembro 2019

O espiritismo não se resume a mediunidade - Vania Mugnato de Vasconcelos



O ESPIRITISMO NÃO SE RESUME A MEDIUNIDADE


O Espiritismo não se resume à mediunidade, da qual não é nem dono nem criador. A mediunidade é capacidade fisiológica que todos têm em maior ou menor grau e que permite comunicação direta ou sutil com a espiritualidade, de modo que os encarnados na Terra possam receber apoio espiritual para vencer a si mesmos. Esse dom, quando ostensivo, necessita ser estudado para que não seja um entrave, mas sirva de apoio na evolução dos homens.

O Espiritismo não se resume a atividades de recepção de energias, quais sejam os passes, água fluidificada e vibrações: ele precisa ser compreendido uma vez que é doutrina cristã que estimula a prática real e cotidiana dos ensinamentos de Jesus, exigindo estudo dos seus conceitos através do conhecimento da codificação espírita, para melhor serem utilizados.

O Espiritismo não se resume na reencarnação, lei natural que independe da vontade dos homens. Ele a explica como prova de justiça divina que dá a todos a oportunidade de renascerem e evoluírem até que tenham quitado seus débitos e se purificado espiritualmente nas incontáveis vidas na pobreza, riqueza, poder ou humildade, como homens e mulheres, saudáveis ou doentes, perfeitos ou deficientes, ou seja, em toda oportunidade de aprendizado possível.

O Espiritismo não se limita à caridade material, ele incita, estimula, pede, sugere, instiga sobretudo à caridade moral da tolerância, do perdão, do amor, da paciência, da solidariedade, fraternidade, de modo que se dê ao próximo mais do que coisas efêmeras, mas também valores que permanecerão e os auxiliarão a partir do exemplo.

O Espiritismo é doutrina que, sim, atua com a mediunidade, trabalha com as energias, ensina a reencarnação, faz caridade material e moral demonstrando a seus adeptos e simpatizantes que existe um sentido maior para viver, ensina a origem e o destino dos espíritos que somos todos, e explica que o "céu" será alcançado mais cedo ou mais tarde, conforme merecimento.

O Espiritismo explica que todos evoluiremos até o estado de anjos e somos, nesse percurso, os colaboradores de Deus que mudarão a si mesmos e o mundo para melhor. Ser espírita é estudar, conhecer, praticar valores morais que o transformam em homens de bem e almas mais evoluídas. O Espiritismo não faz milagres, ele ensina. Os milagres cada um os fará na própria alma!

"Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que faz para domar as suas más inclinações". (Allan Kardec)


Por: Vania Mugnato de Vasconcelos

22 agosto 2019

Aprenda a Escutar - Vania Mugnato de Vasconcelos




APRENDA A ESCUTAR



A capacidade de ouvir é resultado de um processo fisiológico que se inicia a partir da 26ª semana de gestação, quando, no ventre materno, a criança passa a perceber sons como, por exemplo, a voz de seus pais.

Ouvir é uma aptidão física a qual o ser humano empregará durante toda sua vida. Assim, é coerente dizer que a não ser que alguém tenha uma limitação ou cessação da saúde auditiva, todos ouvirão sons – palavras, acordes musicais, barulhos diversos, enfim.

Contudo, especialmente no relacionamento humano, nas atividades que exigem interação com o outro, é preciso mais do que ouvir, é preciso escutar. É que, ao contrário do que muitos pensam, enquanto ouvir é perceber através dos canais auditivos os sons que estão à volta, escutar é o processo de ouvir com interesse, concentrado no que está sendo dito, buscando o significado intrínseco das palavras emitidas por outrem.

Destarte, a diferença básica entre uma palavra e a outra é bastante significativa, pois enquanto ouvir é uma aptidão física, escutar é uma disposição mental positiva, proativa, na intenção de atribuir às palavras um sentido aprofundado. Por isso é preciso aprender a escutar. É preciso prestar atenção para que sejamos capazes de interpretar o mais fielmente possível o que está sendo dito.

Nesse sentido, relacionamentos produtivos comumente são os que se baseiam no diálogo, criando um intercâmbio de ideias, compreensões, conhecimentos e sentimentos. E para haver diálogo deverá existir aquele que fala e aquele que escuta, alternadamente, com cuidado e interesse, buscando alcançar além das palavras, enxergando a alma.

Aliás, na parábola do semeador, Jesus encerra suas explicações pronunciando sugestiva observação: “aquele, porém, que recebe a semente em boa terra, é aquele que escuta a palavra, que nela presta atenção e produz frutos, e rende cem, ou sessenta, ou trinta por um”. (Mateus, 13:18 a 23)

Também disse na mesma parábola “quem tem ouvidos para ouvir, ouça”, ou seja, perceba além do que está sendo dito, compreenda meus ensinamentos, minhas lições, para que sua vida seja espiritualmente mais proveitosa.

Num mundo onde as fronteiras físicas e a distância são derrubadas pela comunicação tecnológica, urge reavaliar comportamentos. Muitos só querem falar, ouvir sem dar atenção, sem sentir amor, sem escutar.


Vania Mugnato de Vasconcelos

 

11 agosto 2019

O Frio que Enregela a Alma - Vania Mugnato de Vasconcelos



O FRIO QUE ENREGELA A ALMA


Não é incomum que só a aflição pessoal motive suficientemente o ser humano, alterando sua conduta perante o angústia do outro; não é raro que o tormento pessoal ou de alguém bem próximo sejam as únicas forças com energia para aquecer corações antes enregelados pela indiferença; que o martírio sentido na própria pele seja o maior incentivador daquele olhar que realmente enxerga, dirigido para os seres abandonados da sorte. Para muitos, somente quando isso acontece é que o sentimento de misericórdia nasce, então é que ocorre a percepção de que todos os gestos devem ser aquecidos pelo amor.

Aliás, no meio espírita é corriqueiro escutar a expressão “quem não vai pelo amor, vai pela dor”. Significa dizer que temos o direito de realizar o que quisermos, pois o livre arbítrio nos permite escolher. Todavia, quando escolhemos caminhos tortuosos ao invés dos caminhos da benevolência, decidimos aprender com as consequências muitas vezes dolorosas que nos visitarão no futuro, pois é da semente que se escolhe plantar que nascerá o fruto a ser colhido no amanhã.

Em outras palavras, seria melhor se despertássemos para a bondade já, se a visão da necessidade alheia tocasse as fibras de nossas almas e com ela nos tornássemos “pelo amor”, colaboradores de Deus.

Seria muito bom se nós, que já sentimos o frio na pele prenunciando o inverno que chegará em breve, pudéssemos lembrar como é bom estar aquecidos, e desse modo decidíssemos pela generosidade de doar desde a vestimenta que não nos serve mais até o cobertor comprado com objetivo de proteger um irmão. Seria… seria não, será! Será muito bom quando lembrarmos do sofrimento e não esperarmos que ele nos chegue para fazer recordar dos que já sofrem todos os tipos de necessidade.

Que o amor seja a nossa escolha, que nossa alma se aqueça no embalo da caridade e que nesse sentimento, saibamos estender as mãos.


Vania Mugnato de Vasconcelos


05 março 2019

Carnaval - Vania Mugnato de Vasconcelos



CARNAVAL


Não é raro ouvir de espíritas e religiosos não espíritas quão negativo é o ambiente astral durante o carnaval, fazendo com que alguns destes julguem quem aprecia a grande festa. Afinal, pensam, há abuso de bebidas, drogas, irresponsabilidade no trânsito, desregramentos no uso das forças sexuais e muitas outras, realmente causando repercussões de ordem material, física, moral e, porque não dizer, espirituais.

Todavia, seríamos ingênuos se imaginássemos que a força das coisas se limita ao mal que existe em determinados momentos e situações, assim como pensar que seríamos submetidos de forma involuntária a essas questões espiritualmente negativas, como vítimas inocentes. É preciso compreender melhor.

O Espiritismo esclarece que é pela afinidade, pela sintonia, que nos vinculamos energeticamente a outros seres, estejam encarnados (“vivos”) ou desencarnados (“mortos”). Sendo isso um fato incontestável para os espíritas, natural imaginar que uma pessoa problemática em determinada área estará em sintonia com semelhantes, tanto residentes do lado de cá quanto de lá da vida, pois a morte não modifica miraculosamente o caráter de ninguém.

Para quem duvida do alerta espírita de que estamos sempre em sintonia com os afins, lembramos que na própria bíblia, em Hebreus, cap. 12, 1, se diz “Portanto, também nós, considerando que estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas, desembaracemo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve (…)”. Sem dúvida, nunca estamos sozinhos!

Desse modo, o importante nessa época é alertar não contra a festa propriamente dita, mas contra a postura insensata, desequilibrada, inconsequente. A alegria, a música, a reunião de pessoas que compartilham momentos, a dança, nada disso por si só causa ou atrai o mal. O mal é atraído pelos pensamentos de luxúria, pelos atos irresponsáveis dos quais nos envergonharemos amanhã, pelas ações cujas consequências nos causarão sofrimentos e culpas.

O carnaval pode ser uma festa bonita para quem tem alma vigilante e sintonia superior. Mas, pode ser a porta para futuras dores quando a pessoa esquece de respeitar-se e ao próximo, pois de forma alguma escaparemos da lei de causa e efeito que ativamos ao utilizarmos nosso livre-arbítrio.

Por isso, pule, cante, ria, alegre-se. Mas faça isso na presença de Deus.


Vania Mugnato de Vasconcelos 


17 novembro 2018

Você pensa em desistir? Não desista! - Vania Mugnato de Vasconcelos




VOCÊ PENSA EM DESISTIR? NÃO DESISTA!



Desculpem falar, mas não somos vítimas. A vida que vivemos foi escolhida por nossos atos passados e decisões presentes, além de minuciosamente planejada antes da reencarnação, com objetivo de amadurecermos para transcender.

Claro, não é agradável viver sofrimento e dor, depressão e angústia, mágoa e rancor, falta do que é material, afetivo, moral e espiritual. Porém, é bem mais triste ver tantas vidas desperdiçadas, jogadas fora pela inconsequência, inatividade, vícios, suicídio direto e indireto, pelo crime. Vidas que terão que ser recomeçadas e cujas provas não vencidas deverão ser experimentadas outra vez.

Ninguém ignora que os tempos atuais estejam forçando ao máximo a nossa fé – em Deus, no homem, no futuro. E que há muita fé falindo quando deveria fazer-se forte para vencer mais uma onda nesses tantos tsunamis que parecemos ter que enfrentar. Os momentos atuais são complexos e para muitos está difícil manter o otimismo, a paciência, a esperança no amanhã permanecendo firme na vivência carnal. Para esses, desistir parece mais simples, mas desistir não significa outra coisa senão escolher a morte.

Aos que creem convictamente na imortalidade do espírito, como os espíritas, a morte não é nada além que o modo de voltar para casa, e é bem-vinda quando há consciência do dever cumprido. Todavia, acreditem, jamais deve ser desejada ou procurada antes da hora!

Ninguém foge de si mesmo. Desistir é protelar, transferir dívidas para serem pagas no futuro, com juros e correções. Todos são herdeiros de si mesmos, carregando na morte física para a vida imortal do espírito o que sentem, conhecem e as consequências morais de suas ações.

Não, repito, ninguém foge de si mesmo! Deus não pune, é o homem que semeia para colher. Quem tenta fugir apenas protelará o encontro com o que foi abandonado e somará ao que falta realizar. Certamente terá mais trabalho para solucionar tudo de uma vez…

Se em sua mente passa a terrível ideia de morrer voluntariamente, pense outra vez. Não procure mais sofrimento do que já vive. Peça ajuda, busque auxílio moral, espiritual, afetivo, profissional. E não tema cair, pois terá apoio para levantar. Não desista, pois não só fará sofrer quem fica, mas aumentará a própria dor ao descobrir que ninguém foge daquilo que é e que precisa viver.



Vania Mugnato de Vasconcelos



19 agosto 2018

O repouso enfraquece - Vania Mugnato de Vasconcelos



O REPOUSO ENFRAQUECE


O ser humano, naturalmente, faz todo o possível para evitar as aflições da vida terrena, minimizando ou fazendo cessar as dificuldades, dores, privações materiais e sofrimentos morais.

Essa conduta é positiva, não é preciso, necessariamente, sofrer para algum dia, na vida futura, ser feliz, sendo uma ambição saudável e lícita o desejo de conquistar a felicidade durante a existência carnal.

Nosso planeta é difícil, há nele todo tipo de dificuldades, intempéries e comportamentos humanos que geram, em resposta, repercussões por vezes dolorosas, aumentando os desafios da existência. Por outro lado, espiritualmente, falando, a Terra integra a categoria dos mundos de expiações, exatamente porque as almas aqui encarnadas são aprendizes no roteiro da evolução, falhando e recebendo amargos resultados de suas ações equivocadas.

Assim, evitar dificuldades é algo que todos procuram. Há quem busque furtar-se a elas a qualquer preço e quem abra mão de satisfazer desejos importantes porque o esforço durante a jornada é maior do que a vontade de alcançar o objetivo máximo de suas existências.

Há quem prefira viver no comodismo ou ter pouquíssimos desafios por temerem enfrentar a batalha que precisariam para vencer e subirem ao podium da existência para erguer a taça de suas conquistas morais e materiais.

Escolha enganosa! Campeões suam muito para atingir seus objetivos! Vivem para buscar o melhor e suportam, corajosamente, o que não pode ser mudado, afinal nem tudo ocorre como desejamos.

Mesmo que se negue, ninguém se satisfaz, verdadeiramente, sem ter merecido o que recebeu e pouco valor se dá ao que se auferiu sem esforço. Mesmo que alguém pense que não se importa, a satisfação plena chega após a conquista e não há conquista sem coragem e luta.

“O militar que não é enviado à frente de batalha não fica satisfeito, porque o repouso no acampamento não lhe proporciona nenhuma promoção.” (O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. V, item I).

Por mais atrativa que possa parecer a facilidade, o repouso nos enfraquece. Quem é testado nas dificuldades, descobre potenciais, desenvolve força, avança na vida material, intelectual, espiritual e moral. Será no dia que a morte nos pedir o corpo material que conheceremos nossa posição no mundo dos espíritos, resultado natural do quanto nos esforçamos.


Vania Mugnato de Vasconcelos


27 julho 2018

A Fraqueza dos Bons - Vania Mugnato de Vasconcelos



A FRAQUEZA DOS BONS


Filmes de ação, comumente, têm heróis que apanham, são ingênuos, pouco se defendem, quase morrem para, então, no último momento vencerem os que tripudiaram sobre eles. Este é o estereótipo da bondade hollywoodiana.

Tal modelo faz questionar as razões pelas quais a ficção idealiza este tipo de herói que não mostra força e poder até tudo estar do pior jeito e o sacrifício para alcançar a vitória seja muito maior. Talvez seja assim porque “a arte imita a vida” (Aristóteles, filósofo grego, 384 a.C. à 322 a.C.).

A vida, realmente, mostra que muitos “homens bons”, que não fazem o mal, são fracos por não agirem, corajosamente, preferindo o imediatismo à construção do futuro, por terem um instinto de autopreservação individualista mais intenso que o de solidariedade ao que é coletivo.

O que enfraquece os “homens bons” é que a bondade inativa não luta para superar as dificuldades, acomodando-se às piores situações. Afinal, a bondade verdadeira é inclinada a pensar no todo e sabe que o que é bem feito a ela retornará, não precisando ser egoísta. A bondade é calma, mas não é tola, não se permite enganar – ela trabalha.

Aliás, o Espiritismo tem duas assertivas que fazem refletir sobre essa questão:

Em O Livro dos Espíritos, questão 642, o codificador Allan Kardec pergunta: “Será suficiente não se fazer o mal para ser agradável a Deus e assegurar uma situação futura?”. A resposta, proveniente do mundo espiritual, diz “Não; é preciso fazer o bem no limite das próprias forças, pois cada um responderá por todo o mal que tiver ocorrido por causa do bem que deixou de fazer”.

Na mesma obra, questão 932, Allan Kardec questiona: “Por que, no mundo, tão amiúde, a influência dos maus sobrepuja a dos bons?” A resposta indica a responsabilidade dos bons pelo atual estado que vivemos – dizem os espíritos: “Por fraqueza destes. Os maus são intrigantes e audaciosos, os bons são tímidos. Quando estes o quiserem, preponderarão.”

É preciso mudar a crença! Muitas pessoas boas ainda se sentem fracas, agem timidamente, pensam que basta não fazer o mal, não reconhecem sua força, falta-lhes vontade para a luta. O planeta está à deriva de atitudes, há mais comodismo que esforço por um mundo melhor; na prática tornamo-nos materialistas, faltando-nos o verdadeiro mergulho na bondade que semeará um melhor amanhã para todos.

Vania Mugnato de Vasconcelos


07 abril 2018

Espiritismo Não é Religião - Vania Mugnato de Vasconcelos



ESPIRITISMO NÃO É RELIGIÃO


Inúmeras religiões no mundo unem crença na divindade a rituais de manifestação de fé, na intenção de aproximar o homem do Criador. Exatamente por não se utilizar do mesmo método, o Espiritismo não se intitula da mesma forma.

Ele não foi organizado como religião porque “Para as coisas novas necessitamos de palavras novas” (1). Nascida em momento delicado da história religiosa do mundo, mais especificamente em 1857, na agonia do triste período da inquisição, denominar a Doutrina Espírita (DE) como religião seria fadá-la ao fracasso, vez que não vinha ao mundo para ser o que eram as demais, indiscutível, impositiva, dogmática, ritualística.

Desde o berço seu ideal foi o raciocínio, não a fé cega. Foi a compreensão, não o fanatismo. Foi a convicção, não o resultado da imposição familiar e estatal. Sempre esclareceu a ideia da consequência através da relação “semeadura x colheita”. Através dela (DE) Deus passou a ser compreendido como força criadora e motriz do Universo, não como um carrasco que necessita ser paparicado e temido. Uma das mais importantes assertivas espíritas, aliás, se resume nessa frase “Fé inabalável é somente aquela que pode encarar a razão, face a face, em todas as épocas da humanidade.” (2)

Aprendemos através da filosofia espírita que o ser humano não é o corpo físico, mas a inteligência espiritual que se manifesta através do instrumento carnal e que sobrevive à deterioração chamada morte. E com a ciência espírita se conhece a relação existente entre mundo físico e mundo espiritual, trazendo pelas vias da observação sistemática e racional a certeza da inteligência imortal, o espírito.

Diferente do que leigos possam pensar, a encarnação sucessiva, ou reencarnação, não é invenção espírita, é conhecimento milenar especialmente forte no oriente e cujos ocidentais não absorveram suficientemente. Sem a ideia da reencarnação aliada à da causa e efeito não há como sequer supor a existência de Deus, pois Ele deve manifestar a mais pura Justiça e não se vê justiça alguma na unicidade da existência.

Assim, Espiritismo não é religião, é, sobretudo, uma filosofia de vida que traz sentido à existência humana incentivando seus adeptos ao raciocínio e à superação moral.

Referência:

(1) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos.

(2) Kardec, Allan. O Evangelho Seg. o Espiritismo.


Vania Mugnato de Vasconcelos