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18 fevereiro 2008

Os Espíritos Protetores - Amigos Invísiveis- José Herculano Pires

 
OS ESPÍRITOS PROTETORES — AMIGOS INVÍSIVEIS

Teremos realmente amigos invisíveis, que nos seguem na vida terrena com a ternura e a dedicação de verdadeiros anjos da guarda, segundo ensina a Doutrina Espírita?

Para responder a esta pergunta, devemos lembrar, primeiramente, que a existência dessas entidades benignas não foi inventada pelo Espiritismo.

Desde as aulas de catecismo, nas igrejas católicas, ouvimos falar nos anjos da guarda, e na maioria das grandes religiões universais encontramos essa teoria, sob diferente formas, mas sempre idêntica no conteúdo.

Nas religiões clássicas, do mundo greco-romano, eram os deuses mitológicos que velavam pelas criaturas. Nas chamadas religiões orientais, que no fim dos tempos invadiram o Império Romano, e entre elas o Cristianismo, a teoria dos anjos guardiões estava presente.

E tanto na Mesopotâmia quanto na China ou na Índia antiga, na Grécia arcaica ou na Roma camponesa, que antecederam o mundo clássico, assim como na Palestina e entre os povos selvagens da América, da Ásia, da África e de todo o mundo, o culto dos ancestrais sempre existiu.

Os manes, penates e deuses lares, ou deuses familiares, dos romanos e dos egípcios, dos babilônios e dos assírios, dos fenícios e dos cananitas, dos judeus e dos macedônios, nada mais eram do que espíritos amigos, que velavam pelas pessoas e pelas famílias.

Por toda parte e em todas as épocas, no mundo inteiro, a investigação histórica e a pesquisa antropológica nos mostram a existência invariável dessa crença nos espíritos protetores. Entre os povos selvagens e no seio das maiores e mais esplendentes civilizações, ela se faz sentir como uma espécie de convicção universal, de intuição natural, que o homem carrega consigo em todas as latitudes do globo.

Sócrates, na Grécia, e Joana D’Arc, na França, ouviam as vozes amigas dos seus protetores. Descartes, o filósofo que se considerou inspirado pelo Espírito da Verdade, também tinha o seu protetor. A existência dos amigos invisíveis é uma realidade incontestável.

Mesmo que a consideremos como simples crença, é impressionante o fato de a encontrarmos em toda parte e em todos os graus de cultura.

O Espiritismo é a primeira doutrina que não apenas afirma a existência dos espíritos protetores, mas também procura demonstrá-la e ao mesmo tempo explicá-la à luz da razão.

Para os espíritas, essa existência não constitui uma crença, mas uma certeza, comprovada pela experiência. Essa posição espírita diante do problema dos amigos invisíveis é confirmada pela de outras doutrinas espirituais, como a Teosofia, que surgiu pouco depois da doutrina espírita e estuda com profundidade o problema dos “auxiliares invisíveis”.

É curioso que as demais doutrinas recusem o meio natural de comprovação da existência dos amigos invisíveis, que é a mediunidade.

A própria doutrina teosófica, que em muitos pontos se aproxima da espírita, admite a prova mediúnica, mas ao mesmo tempo evita empregá-la.

Isso porque há velhos preconceitos, formulados pelas antigas ordens ocultistas, que consideram a mediunidade perigosa, em vez de considerarem os benefícios que ela produz e tem produzido em todos os tempos.

O Espiritismo estudou profundamente a mediunidade e nada tem a temer da sua utilização. Pelo contrário, só tem a se beneficiar com ela, beneficiando ao mesmo tempo o mundo.

Através da mediunidade, a teoria espírita dos espíritos protetores foi dada a Kardec, segundo a podemos ler em “O Livro dos Espíritos”, no capítulo nono da primeira parte.

E ainda através da mediunidade, essa teoria consoladora e bela vem se confirmando, em todo o mundo, e ao mesmo tempo se enriquecendo com episódios maravilhosos, nos quais a verdade das relações espirituais entre os homens e seus amigos invisíveis transparece cada vez mais. Procuremos estudar essa teoria, examinando-a em seus vários aspectos.

Mais do que nunca, o mundo angustiado de hoje necessita desse esclarecimento e desse conforto, que a teoria dos espíritos protetores nos oferece, com a garantia de sua veracidade, pela prova dos fatos mediúnicos. Continuaremos a tratar do assunto, nos próximos números dessa revista.

José Herculano Pires, (sob o pseudônimo de Irmão Saulo)
Especial para revista E.V.

17 fevereiro 2008

Previsões que Deram Errado - Momento Espírita

Previsões que deram errado

Como você lida com os obstáculos que o Mundo apresenta em sua caminhada?

Como você recebe as oposições das pessoas, em relação a suas habilidades, ao seu potencial?

Do que realmente somos capazes?

Alguns casos célebres de previsões e julgamentos do Mundo que deram errado, talvez possam iluminar estas reflexões e inspirar nossa jornada:

Após o primeiro teste cinematográfico de Fred Astaire, o memorando do Diretor de testes da MGM, datado de 1933, dizia assim:

Não sabe representar! Ligeiramente calvo! Dança um pouco.

Astaire conservou este memorando pendurado sobre a lareira, em sua casa, em Beverly Hills.

Beethoven segurava o violino desajeitadamente, e preferia tocar suas próprias composições, ao invés de aperfeiçoar sua técnica.

Seu professor julgava-o um compositor sem futuro.

Os pais do famoso cantor de ópera Enrico Caruso, queriam que ele fosse engenheiro.

Seu professor lhe disse que ele não tinha voz e que não poderia cantar.

Um dos professores de Albert Einstein o descreveu como: Mentalmente lento, insociável e eternamente mergulhado em seus sonhos imbecis.

Louis Pasteur foi apenas um aluno mediano nos estudos do ensino fundamental. Ficou em décimo quinto lugar entre os 22 alunos de Química.

Dezoito editores recusaram a história de 10.000 palavras de Richard Bach sobre a gaivota sublime. Finalmente, em 1970, uma editora resolveu publicá-la.

Em 1975, já havia mais de sete milhões de exemplares vendidos, apenas nos Estados Unidos.

Todos esses expoentes mostraram ao Mundo que seu julgamento estava errado.

Mostraram que somos nós apenas, na intimidade de nossa força de vontade, de nosso brilhantismo secreto, os únicos aptos para saber do que realmente somos capazes.

Os julgamentos do Mundo, das pessoas, são completamente insuficientes para avaliar o imo de nosso ser.

Avaliam situações momentâneas, cenas estanques, experiências isoladas, mas nunca aquilatam a potencialidade da alma.

Assim, todos esses gênios e tantos outros anônimos na Terra, de tempos em tempos surpreendem o Mundo com seu esplendor.

Ninguém melhor do que eles conheceu a palavra obstáculo.

Mas, certamente, não encararam as adversidades, as barreiras, como a maioria de nós ainda as enfrenta.

Onde ainda vemos impedimento, oposição, eles vêem superação, vêem oportunidade.

Oxalá se faça próximo o dia em que possamos olhar para trás, em nossas vidas, após uma grande conquista, e dizer: O Mundo estava errado. Eu fui capaz.

Celebremos a auto-superação sempre que possível.

Instauremos este hábito em nossos filhos desde pequenos, mostrando-lhes que as derrotas fazem parte do caminho, e que, ao invés de nos puxar para trás, quando bem compreendidas, nos impulsionam para frente.

E quando das vitórias, ao invés de erroneamente inflar-lhes o orgulho, fazendo comparações tolas com os outros, lembremos de lhes mostrar que estão melhores do que eram, e que isto é o mais importante.

Redação do Momento Espírita.
www.momento.com.br

16 fevereiro 2008

Lição Numa Carta - Irmão X

LIÇÃO NUMA CARTA

Ao lado de João Firpo, desencarnado ao impacto do fogo que lhe devorara a casa velha, numa noite de expiação e de assombro, estava a carta, datada por ele quatro dias antes, endereçada a um irmão e que o morto evidentemente deitaria ao correio, na primeira oportunidade.

Enquanto bombeiros improvisados lhe retiravam o corpo inerte e benfeitores da Vida Maior lhe amparavam o Espírito liberto em doloroso trauma, copiei a curiosa missiva que revoava nas cinzas da tragédia, a fim de transmiti-la, com objetivos de estudo e meditação, aos companheiros do mundo.
Eis, assim, na íntegra, o valioso documento:
"Meu caro Didito:
Espero que estas linhas encontrem você com saúde e paz, junto dos nossos.

Graças a Deus, estou bem. Você se afligiu à toa com a notícia de meu resfriado. Tudo não passou de um defluxo de brincadeira. Estou mais forte que a peroba do Brejo Grande, comendo por quatro caboclos na roça. Seja velho quem quiser. Com os meus sessenta e sete janeiros, não passo sem banho no rio e tutu no prato. Moro sozinho porque não nasci para confusão. Dona Belinha vem diariamente fazer-me as refeições, assear a casa e isso chega.

Sobre o caso do sonho que você teve comigo, conforme seu conselho fui à reunião espírita no sítio do Totonho. A mulher dele é médium de verdade. Há muito tempo eu não assistia a uma incorporação tão perfeita. Realmente, mãe falou por ela. Não tenho dúvida. Aquela voz boa e cansada que nós dois não esquecemos. Coitada de mãe! Está preocupada comigo, não sei porquê.

Falou muito sobre a morte, coisa em que não penso. Fiz todos os exames de saúde que o médico recomendou, no mês passado, e tudo deu certo. Positivo. Por outro lado, não viajo. Porque será que a velha mostrou medo de que eu venha a bater a pacuera, de um momento para outro?

Imagine que ela abortou um segredo. Disse coisa séria quanto ao dinheiro que venho guardando para a formação do nosso lar de velhinhos, compromisso antigo. Avalie você que mãe conversou, conversou e, depois, me pediu empregar enorme importância na compra do terreno para a obra, aconselhando-me colocar a parte restante com amigos responsáveis para o custeio na construção.

Considere o meu aperto. Que é que há? Não é fácil entregar assim de mão beijada quase todas as minhas economias de trinta anos. Concordo com a providência, pois temos nosso projeto e promessa há mais de vinte anos. Não negarei os cobres, mas preciso de um mês para pensar.

Terrenos e amigos já estão apalavrados, desde o nosso encontro aqui, há tempos, mas dinheiro, meu caro!... Não posso aceitar o negócio, assim do pé para a mão. Você sabe que a velha sempre foi aflita. Quando queria uma coisa, queria mesmo. Tenho conservado minhas economias com cautela. Não confio em bancos e em mãos dos outros, a grana começa prometendo bons juros e depois cria pernas para correr e cair no buraco. É impossível tratar de problema assim tão grave, sem prazo para refletir. Disse mãe que já tive muito tempo para resolver, mas eu não acho.

Comunico a você que não recusarei a doação; entretanto, o assunto não é sangria desatada. No mês que vem, cuidaremos de tudo.
Sem mais, venha, logo que possa, comer de nosso feijão bravo e receba um abração do mano.
Firpo!"

Esta era a carta que o rico desencarnado tinha escrito e aguardava ensejo para mandar.

O Plano Espiritual lhe havia dado, cinco dias antes, em aviso urgente para a felicidade dele próprio. João, no entanto, exigia prazo a fim de atender. Acontece, porém, que a provação não conseguira esperar. Acontece, porém, que a provação não conseguira esperar.

Um incêndio de grandes proporções no madeiramento da pequena moradia lavrara, noite alta, obrigando-o a largar o corpo sufocado sem remissão.

O dinheiro a que se referira, com tanto carinho, decerto jazeria ali, inteiramente queimado, porque metal não havia.

De interessante nos escombros, apenas a carta que nos pareceu um recado precioso, lançado pelo livro da vida, sobre um monte de pó.

Ditado por Irmão X

Psicografia de Francisco Cândido Xavier

15 fevereiro 2008

Materialismo e Espiritismo - Irmão X

MATERIALISMO E ESPIRITISMO

Conta-se que o Dr. Adolfo Bezerra de Menezes orientava, no Rio, uma reunião de estudos espíritas, com a palavra livre para todos os circunstantes, quando, após comentários diversos, perguntou se mais alguém desejava expressar-se nos temas da noite.

Foi então que renomado materialista, seu amigo pessoal, lhe dirigiu veemente provocação:

- Bezerra, continuo ateu e, não somente por meus colegas mas também por mim, venho convidá-lo a debate público, a fim provarmos a inexpugnabilidade de Materialismo contra as pretensões do Espiritismo. E previno a você que o Materialismo já levantou extensa lista de médiuns fraudulentos; de chamados sensitivos que reconheceram os seus próprios enganos e desertaram das fileiras espíritas; dos que largaram em tempo o suposto desenvolvimento das forças psíquicas e fizeram declarações, quanto às mentiras piedosas de que se viram envoltos; dos ilusionistas que operam em nome de poderes imaginários da mente; e, com essa relação, apresentaremos outro rol de nomes que o Materialismo já reuniu, os nomes dos experimentadores que demostraram a inexistência da comunicação com os mortos; dos sábios que não puderam verificar as factícias ocorrências da mediunidade; dos observadores desencantados de qualquer testemunho da sobrevivência; e dos estudiosos ludibriados por vasta súcia de espertalhões... Esperamos que você e os espíritas aceitem o repto.

Bezerra concentrou-se em preces, alguns instantes, e, em seguida, respondeu, aliando energia e brandura:

- Aceitamos o desafio, mas tragam também ao debate aqueles que o Materialismo tenha soerguido moralmente no mundo; os malfeitores que ele tenha regenerado para a dignidade humana; os infelizes aos quais haja devolvido o ânimo de viver; os doentes da alma que tenha arrebatado às fronteiras da loucura; as vítimas de tentações escabrosas que haja restituído à paz do coração; as mulheres infortunadas que terá arrancado ao desequilíbrio; os irmãos desditosos de quem a morte roubou os entes mais caros, a a cujo sentimento enregelado na dor terá estendido o calor da esperança; as viúvas e os órfãos, cujas energias terá escorado para os caluniados aos quais terá ensinado o perdão das afrontas; os que foram prejudicados por atos de selvageria social mascarados de legalidade, a quem haverá proporcionado sustentação para que olvidem os ultrajes recebidos; os acusados injustamente, de cujo espírito rebelado terá subtraído o fel da revolta, substituindo-o pelo bálsamo da tolerância; os companheiros da Humanidade que vieram do berço cegos ou mutilados, enfermos ou paralíticos, aos quais terá tranquilizado com princípios de justiça, para que aceitem pacificamente o quinhão de lágrimas que o mundo lhes reservou; os pais incompreendidos a quem deu força e compreensão para abençoarem os filhos ingratos e os filhos abandonados por aqueles mesmos que lhes deram a existência, aos quais auxiliou para continuarem honrando e amando os pais insensíveis que os atiraram em desprezo e desvalimento; os tristes que haja imunizado contra o suicídio; os que foram perseguidos sem causa aparente, cujo pranto terá enxugado nas longas noites de solidão e vigília, afastando-os da vingança e da criminalidade; os caídos de toda as procedências, a cujo martírio tenha ofertado apoio para que se levantem...

Nesse ponto da resposta, o velho lidador fêz uma pausa, limpou as lágrimas que lhe deslizavam no rosto e terminou:

- Ah! meu amigo, meu amigo!... Se vocês puderem trazer um só dos desventurados do mundo, a quem o Materialismo terá dado socorro moral para que se liberte do cipoal do sofrimento, nós, os espíritas, aceitaremos o repto.

Profundo silêncio caiu na pequena assembléia, e, porque o autor da proposição baixasse a cabeça, Bezerra, em prece comovente, agradeceu a Deus as bênçãos da fé e encerrou a sessão.

Livro Estante da Vida
Pelo Espírito “Irmão X”
Psicografia Francisco C. Xavier

14 fevereiro 2008

Consciência Social - Joanna de Ângelis

CONSCIÊNCIA SOCIAL

Em O Livro dos Espíritos Allan Kardec perguntou aos Sábios do espaço, sobre em que consiste a missão dos espíritos encarnados.

E os benfeitores da humanidade responderam: "em instruir os homens, em lhes auxiliar o progresso; em lhes melhorar as instituições, por meios diretos e materiais.

As missões, porém, são mais ou menos gerais e importantes. O que cultiva a terra desempenha tão nobre missão, como o que governa, ou o que instrui.

Tudo em a natureza se encadeia. Ao mesmo tempo em que o espírito se depura pela encarnação, concorre, dessa forma, para a execução dos desígnios da providência.

Cada um tem neste mundo a sua missão, porque todos podem ter alguma utilidade."

Como podemos perceber, todo homem tem sua parcela de responsabilidade na construção de um mundo melhor.
Por essa razão, é importante perguntar a nós mesmos o que estamos fazendo para melhorar as instituições terrenas e fomentar o progresso geral.

Em pleno século XXI ainda há pessoas que pensam que os problemas sociais são de responsabilidade exclusiva dos governos, e lavam as mãos.

Há empresários que, alegando desonestidade por parte dos governantes, sonegam impostos.Apesar de nada justificar a sonegação, é preciso perguntar se eles assumem para si mesmos a responsabilidade de investir o montante sonegado em favor da sociedade da qual se beneficiam.

Se destinam o valor deixado de recolher aos cofres públicos para custear o ensino de crianças e jovens carentes, a fim melhorar a condição social da sua localidade.

Ou se deixam de pagar impostos apenas para enriquecer os próprios bolsos, usando a desculpa de que o governo não faz.

Ter consciência social é estar atento às necessidades dos cidadãos que estão sobre os palcos da terra, neste cenário do qual também fazemos parte.

Ter consciência social é descobrir aqueles que já atuam em organizações não governamentais, ou outra iniciativa qualquer, movendo esforços em favor de um mundo melhor, e se somar a eles.

Ter consciência social lúcida é contribuir de forma efetiva, e sem interesse oculto, com todas as ações nobres, não importando se são iniciativas de religiosos ou de ateus.

Ter consciência social é deixar de criticar governos e instituições e fazer a sua parte para a melhoria da situação do seu lar, da sua rua, do seu bairro, da sua cidade, do seu estado, do seu país, do seu planeta.

Somos todos habitantes do planeta. Estamos todos nessa mesma embarcação
chamada Terra.
Precisamos nos comprometer com a melhoria das instituições de um modo geral.
Seja essa instituição o nosso lar ou o lar do vizinho. Seja o nosso país ou o país vizinho.
Nossa raça deve ser a raça humana. Nossa nacionalidade deve ser a Terra.

Nossa paternidade deve ser o criador. Nossos irmãos devem ser todos os homens do planeta.
Para que cumpramos a missão que Deus nos confiou, é preciso olhar o mundo com mais abrangência, abandonando essa forma míope de ver o mundo como se o mundo fosse apenas eu com meus próprios interesses.

Pensemos nisso e dilatemos a nossa atenção. Façamos um pacto conosco mesmos e coloquemos mãos à obra.

A obra que nos cabe executar no cumprimento da missão que o criador do universo nos confiou.
É para isso que estamos aqui. Foi por isso que nascemos neste abençoado planeta.
Pense nisso!

Você não é uma pedra solta, no leito do rio do destino, a rolar incessantemente.
Você tem uma meta que o aguarda e que alcançará.
Em sua origem você é luz avançando para a grande luz.

Só há sombras porque você ainda não se dispôs a movimentar os poderosos geradores de energia adormecida no seu interior.
Comece agora a fazer luz na própria caminhada e, por conseguinte, espalhando luz ao seu redor.

Equipe de Redação do Momento Espírita, com base na questão 573,
de O Livro
dos Espíritos
e no livro Momentos de Consciência,
cap. 11, Joanna de
Ângelis.

13 fevereiro 2008

A Cada um Segundo suas Obras - Momento Espírita

A CADA UM SEGUNDO SUAS OBRAS

Nessa sentença de Jesus estão sintetizadas todas as leis que regem as questões ético-morais.
Mas de que maneira essa justiça se estabelece?
Que mecanismo coordena essa distribuição, com justiça?

Primeiro é importante lembrar que a justiça dos homens está calcada na legislação humana, com base em códigos legais criados pelos próprios homens.

Quando há um litígio qualquer, um grupo de pessoas especializadas nesses códigos analisa o processo, julga e define as penalidades aplicáveis ao réu. A duração das penas também é estabelecida pelo juiz.

Então podemos concluir que a justiça dos homens se alicerça no arbítrio, segundo a visão dos magistrados.
Mas com a justiça divina é diferente.

As conseqüências dos atos se dão de forma direta e natural, sem intermediários.
Em caso de uma falta qualquer, a penalidade se estabelece de maneira natural, e cessa também naturalmente, com o arrependimento efetivo e a reparação da falta.

Importante destacar que na justiça divina não há dois pesos e duas medidas. As leis são imutáveis e imparciais, e não podem ser burladas.
Um exemplo talvez torne mais fácil o entendimento.

Se alguém resolve beber uma dose considerável de veneno, as conseqüências logo surgirão no organismo, de maneira direta e natural.

Não é preciso que alguém julgue o ato e decida o que vai acontecer com o organismo do indivíduo. Simplesmente o resultado aparece. Castigo? Não.
Conseqüência natural derivada do seu ato, da sua livre escolha.

Os efeitos produzidos no corpo físico não fazem distinção entre o pobre ou o rico, o religioso ou o ateu, a criança ou o adulto.

As leis divinas não contemplam exceções, nem concessões. São justas e equânimes. E essas conseqüências duram tanto quanto a causa que as produziu. Uma vez passado o efeito do veneno, resta consertar o estrago e seguir em frente. Por isso a necessidade da reparação.

Nesse caso devemos considerar que a lei da reencarnação se torna uma necessidade, para que cada um receba conforme suas obras, segundo a justiça divina.

Se a pessoa bebe veneno e morre, as conseqüências do seu ato a seguirão no mundo espiritual, pois ela sai do corpo mas não sai da vida.

Por vezes, é necessário renascer num novo corpo marcado pelos estragos que o veneno produziu. Castigo? Certamente não. Conseqüência direta e natural.

No campo moral a justiça divina se dá da mesma maneira, distribuindo a cada um segundo suas obras, sem intermediários.
Mas como conhecer essas leis? Ouvindo a própria consciência, que é onde se encontra esse código divino.

Não é outro o motivo que leva a pessoa corrupta, injusta, violenta, hipócrita, a tentar anestesiar a consciência usando drogas,
embriagando-se para aplacar o clamor que vem da sua intimidade.

Uma vez mais podemos considerar que Jesus realmente é o maior de todos os sábios. Numa sentença sintética ele ensinou tudo o que precisamos saber para conquistar a nossa felicidade.

Sim, porque se as conseqüências dos nossos atos são diretas e naturais, podemos promover, desde agora, conseqüências felizes para logo mais.

E se hoje sofremos as conseqüências de atos infelizes já praticados, basta colher os resultados, sem se queixar da sorte, e agir com uma conduta ético-moral condizente com o resultado que desejamos obter logo mais
Pense nisso!

Nas leis divinas não existem penas eternas. As conseqüências infelizes duram tanto quanto a causa que as produziu. Assim, como depende de cada um o seu aperfeiçoamento, todos podem, em virtude do livre-arbítrio, prolongar ou abreviar seus sofrimentos, como o doente sofre, pelos seus excessos, enquanto não lhes põe termo. Dessa forma, se você deseja um futuro mais feliz, busque ajustar seus atos a sua consciência, que é sempre um guia infalível onde estão escritas as leis de Deus. E, se em algum momento surgir a dúvida de como agir corretamente: faça aos outros o que gostaria que os outros lhe fizessem, e não haverá equívoco.

Equipe de Redação do Momento Espírita,
om base em A Gênese,
de Allan Kardec, item 32, cap. I.
www.momento.com.br

12 fevereiro 2008

Examinemos a Nós Mesmos - André Luiz

Examinemos a Nós Mesmos

Qual é o meio prático e mais eficaz para se melhorar nesta vida, e resistir aos arrastamentos do mal?
- Um sábio da antiguidade vos disse: Conhece-te a ti mesmo.
(Questão no 919 de “O Livro dos Espíritos”)

O dever do espírita-cristão é tornar-se progressivamente melhor.

Útil, assim, verificar de quando em quando, com rigoroso exame pessoal, a nossa verdadeira situação íntima.

Espírita que não progride durante três anos sucessivos permanece estacionário.

Testa a paciência própria: - Estás mais calmo, afável e compreensivo?

Inquire as tuas relações na experiência doméstica: - Conquistaste mais alto clima de paz dentro de casa?

Investiga as atividades que te competem no templo doutrinário: - Colaboras com mais euforia na seara do Senhor?

Observa-te nas manifestações perante os amigos: - Trazes o Evangelho mais vivo nas atitudes?

Reflete em tua capacidade de sacrifício: - Notas em ti mesmo mais ampla disposição de servir voluntariamente?

Pesquisa o próprio desapego: - Andas um pouco mais livre do anseio de influência e de posses terrestres?

Usas mais intensamente os pronomes “nós”, “nosso”, e “nossa” e menos os determinativos “eu”, “meu” e “minha”?

Teus instantes de tristeza ou de cólera surda, às vezes tão conhecidos somente por ti, estão presentemente mais raros?

Diminuíram-te os pequenos remorsos ocultos no recesso da alma?

Dissipaste antigos desafetos e aversões?

Superaste os lapsos crônicos de desatenção e negligência?

Estudas mais profundamente a Doutrina que professas?

Entendes melhor a função da dor?

Ainda cultivas alguma discreta desavença?

Auxilias aos necessitados com mais abnegação?

Tens orado realmente?

Teus ideais evoluíram?

Tua fé raciocinada consolidou-se com mais segurança?

Tens o verbo mais indulgente, os braços mais ativos e as mãos mais abençoadoras?

Evangelho é alegria no coração: - Estás, de fato, mais alegre e feliz intimamente, nestes três últimos anos?

Tudo caminha! Tudo evolui! Confiramos o nosso rendimento individual com o Cristo!

Sopesa a existência hoje, espontaneamente, em regime de paz, para que te não vejas na obrigação de sopesá-la amanhã sob o impacto da dor.

Não te iludas! Um dia que se foi é mais uma cota de responsabilidade, mais um passo rumo à Vida Espiritual, mais uma oportunidade valorizada ou perdida.

Interroga a consciência quanto à utilidade que vens dando ao tempo, à saúde e aos ensejos de fazer o bem que desfrutas na vida diária.

Faze isso agora, enquanto te vales do corpo humano, com a possibilidade de reconsiderar diretrizes e desfazer enganos facilmente, pois, quando passares para o lado de cá, muita vez, já será mais difícil...

Autor: Waldo Vieira (médium)
André Luiz (espírito)

Fonte: Opinião Espírita

11 fevereiro 2008

Treino para a Morte - Irmão X

Treino para a Morte

Preocupado com a sobrevivência além do túmulo, você pergunta, espantado, como deveria ser levado a efeito o treinamento de um homem para as surpresas da morte.

A indagação é curiosa e realmente dá que pensar.

Creia, contudo, que, por enquanto, não é muito fácil preparar tecnicamente um companheiro à frente da peregrinação infalível.

Os turistas que procedem da Ásia ou da Europa habilitam futuros viajantes com eficiência, por lhes não faltarem os termos analógicos necessários. Mas nós, os desencarnados, esbarramos com obstáculos quase intransponíveis.

A rigor, a Religião deve orientar as realizações do espírito, assim como a Ciência dirige todos os assuntos pertinentes à vida material. Entretanto, a Religião, até certo ponto, permanece jungida ao superficialismo do sacerdócio, sem tocar a profundidade da alma.

Importa considerar também que a sua consulta, ao invés de ser encaminhada a grandes teólogos da Terra, hoje domiciliados na Espiritualidade, foi endereçada justamente a mim, pobre jornalista sem méritos para tratar de semelhante inquirição.

Pode acreditar que não obstante achar-me aqui de novo, há quase vinte anos de contado, sinto-me ainda no assombro de um xavante, repentinamente trazido da selva matogrossense para alguma de nossas Universidades, com a obrigação de filiar-se, de inopino, aos mais elevados estudos e às mais complicadas disciplinas.

Em razão disso, não posso reportar-me senão ao meu próprio ponto de vista, com as deficiências do selvagem surpreendido junto à coroa da Civilização.

Preliminarmente, admito deva referir-me aos nossos antigos maus hábitos. A cristalização deles, aqui, é uma praga tiranizante.

Comece a renovação de seus costumes pelo prato de cada dia. Diminua gradativamente a volúpia de comer a carne dos animais. O cemitério na barriga é um tormento, depois da grande transição. O lombo de porco ou o bife de vitela, temperados com sal e pimenta, não nos situam muito longe dos nossos antepassados, os tamoios e os caiapós, que se devoravam uns aos outros.

Os excitantes largamente ingeridos constituem outra perigosa obsessão. Tenho visto muitas almas de origem aparentemente primorosa, dispostas a trocar o próprio Céu pelo uísque aristocrático ou pela nossa cachaça brasileira.

Tanto quanto lhe seja possível, evite os abusos do fumo. Infunde pena a angústia dos desencarnados amantes da nicotina.

Não se renda à tentação dos narcóticos. Por mais aflitivas lhe pareçam as crises do estágio no corpo, agüente firme os golpes da luta. As vítimas da cocaína, da morfina e dos barbitúricos demoram-se largo tempo na cela escura da sede e da inércia.

E o sexo? Guarde muito cuidado na preservação do seu equilíbrio emotivo. Temos aqui muita gente boa carregando consigo o inferno rotulado de “amor”.

Se você possui algum dinheiro ou detém alguma posse terrestre, não adie doações, caso esteja realmente inclinado a fazê-las. Grandes homens, que admirávamos no mundo pela habilidade e poder com que concretizavam importantes negócios, aparecem, junto de nós, em muitas ocasiões, à maneira de crianças desesperadas por não mais conseguirem manobrar os talões de cheque.

Em família, observe cautela com testamentos. As doenças fulminatórias chegam de assalto, e, se a sua papelada não estiver em ordem, você padecerá muitas humilhações, através de tribunais e cartórios.

Sobretudo, não se apegue demasiado aos laços consangüíneos. Ame sua esposa, seus filhos e seus parentes com moderação, na certeza de que, um dia, você estará ausente deles e de que, por isso mesmo, agirão quase sempre em desacordo com a sua vontade, embora lhe respeitem a memória. Não se esqueça de que, no estado presente da educação terrestre, se alguns afeiçoados lhe registrarem a presença extraterrena, depois dos funerais, na certa o intimarão a descer aos infernos, receando-lhe a volta inoportuna.

Se você já possui o tesouro de uma fé religiosa, viva de acordo com os preceitos que abraça. É horrível a responsabilidade moral de quem já conhece o caminho, sem equilibrar-se dentro dele.

Faça o bem que puder, sem a preocupação de satisfazer a todos. Convença-se de que se você não experimenta simpatia por determinadas criaturas, há muita gente que suporta você com muito esforço.

Por essa razão, em qualquer circunstância, conserve o seu nobre sorriso.

Trabalhe sempre, trabalhe sem cessar.

O serviço é o melhor dissolvente de nossas mágoas.

Ajude-se, através do leal cumprimento de seus deveres.

Quanto ao mais, não se canse nem indague em excesso, porque, com mais tempo ou menos tempo, a morte lhe oferecerá o seu cartão de visita, impondo-lhe ao conhecimento tudo aquilo que, por agora, não lhe posso dizer.

Médium: Chico Xavier
Espírito: Irmão X

Fonte: Cartas e Crônicas

10 fevereiro 2008

Perigo à Vista - Passos Lírio

Perigo à Vista

Pensar que já fizemos muito ou pelo menos o necessário.
Julgar-nos superiores ou inferiores a quem quer que seja.
Lembrar situações e circunstâncias em que falimos.
Recordar o mal que alguém nos fez ou nos quis fazer.
Mentalizar maus juízos que os outros possam fazer a nosso respeito.
Admitir que temos defeitos e viciações incorrigíveis.

Imaginar a existência de perseguidores espirituais a nos assediar implacavelmente, cuja indesejável companhia não podemos evitar.

Acreditar que progredimos em proporções tais, que já podemos afrouxar um pouco em nossos esforços de realizações construtivas.

Fixar passagens e cenas em que companheiros nossos tropeçaram e caíram.
Supor que somos por demais decaídos ou degenerados, para tentar a nossa recuperação e nela insistirmos.

Ajuizar que há fatores e forças imponderáveis que conspiram nas sombras contra a nossa felicidade, trabalhando sempre pela frustração dos nossos sonhos e aspirações, sem que tenhamos meios e modos de fugir-lhes à ação perniciosa.

Achar que a nossa condição humana, longe de nos propiciar a ascensão, favorece-nos a queda.
Crer que devemos proceder bem, mas que nem sempre podemos fazê-lo.

Tal como no campo atmosférico, antes de desabar um temporal, há sinais que o prenunciam, possibilitando-nos providências e resguardo, também nos domínios da alma há claros indícios de perigosas situações, de que nos é dado acautelar, buscando em nosso santuário interior, recursos de preservação que nos facultam superar a crise em esboço, sempre de tremendas conseqüências em nossa existência, se não conjurada a tempo.

Autor: Passos Lírio
Fonte:Revista Reformador - Outubro de 1997

09 fevereiro 2008

William George, O Avô de Si Mesmo - Luciano dos Anjos e Hermínio Corrêa de Miranda

William George, O Avô de Si Mesmo

Já dissemos que a doutrina da reencarnação não é uma revelação ou descoberta do Espiritismo, pois há muitos séculos era aceita no Oriente. É de justiça reconhecer que Allan Kardec e seus seguidores contribuíram de maneira sensível para divulgar a idéia no Ocidente, vencendo aos poucos uma forte resistência inicial.

A reação descabida é determinada principalmente pela incompreensão do real significado da reencarnação e suas conseqüências morais. Além do mais, a milenar "novidade" vinha contrariar conceitos e preconceitos muito arraigados.

Estamos agora observando, com alegria e esperança, interesses legítimos no estudo desapaixonado da reencarnação por parte de cientistas de renome.

O professor H.N. Banerjee, da Universidade de Rajstan, na Índia, já há vários anos pesquisa o assunto. Procurando uma terminologia nova para o fenômeno, propõe ele as iniciais ECM, da expressão inglesa "extra cerebral memory", ou seja, memória extra cerebral. Isto quer dizer que o ilustre professor está convencido de que a memória funciona também sem o apoio do cérebro físico e, portanto, tem condições de sobreviver à morte do corpo. Idéia semelhante, aliás, foi esposada pelo Dr. Andrija Puharich, que admite experimentalmente o que chama "mobile center of consciouness" (MCC), isto é, "centro móvel de consciência".

Outro cientista eminente, o professor Ian Stevenson, da Universidade de Virgínia, tem, nos seus arquivos, relatos de mais de 600 exemplos de reencarnação. O Dr. Stevenson especializou-se em casos de crianças de tenra idade que têm lembranças espontâneas de vidas anteriores.

Há algum tempo selecionou ele 20 desses casos e publicou, em 1966, um livro interessantíssimo intitulado "Vinte Sugestivos Casos de Reencarnação", no qual são apresentados dois do Brasil, ocorridos ambos na família do saudoso professor Francisco Valdomiro Lorenz, do Rio Grande do Sul.

Um desses casos é narrado pelo próprio professor Lorenz, no seu livro "A Voz do Antigo Egito", (edição da Federação Espírita Brasileira). Uma jovem amiga dos Lorenz adoeceu gravemente e, antes de morrer, anunciou que renasceria em breve na família do professor. Tanto este como sua esposa guardaram a informação para si mesmos, nada revelando aos demais membros da família, nem mesmo depois de nascida mais uma menina. Esta é que, logo que começou a falar, passou a referir-se espontaneamente à sua existência anterior, lembrando episódios então vividos.

Não é o caso único na literatura espírita, em que a pessoa anuncia se renascimento e depois se lembra da personalidade anterior com bastante riqueza de informações. Num dos exemplos colhidos no arquivo do professor Stevenson, um cidadão chamado William George, do Alaska, declarou que renasceria na família do seu próprio filho, com as mesmas marcas que tinha no corpo. Isso realmente aconteceu e, com poucos anos de idade, a criança se lembrava perfeitamente da sua vida anterior, apanhando certa vez, entre diversas outras peças, um relógio que lhe pertencera no passado. Também reconhecia seus parentes que agora haviam trocado de posição, a começar pelo seu filho, que era então seu pai, pois o menino era avô de si mesmo!

Estes fatos que ainda surpreendem tanta gente, serão mais tarde aceitos com naturalidade e interesse. A verdade é totalmente indiferente aos nossos preconceitos e caturrices e, graças a Deus, há muito cientista empenhado em descobrir a verdade, seja ela qual for.

Autor:
Luciano dos Anjos e
Hermínio Corrêa de Miranda
Livros:
Crônicas de Um e de Outro
De Kennedy Ao Homem Artificial

08 fevereiro 2008

Sofrer - Maria do Carmo Junqueira Avelar

Sofrer

Há quase um ano meu filho morreu.

Não há outra maneira de dizer isso, não há como fantasiar ou melhorar a situação. Há outras formas de dizê-lo. Mas a verdade é essa: ele está morto para esse mundo, para esse tempo, para esse momento, para as pessoas que o conheceram e o amaram.

Entretanto, eu sei que, em um outro lugar, ele está vivo. Nós, agora, vivemos vidas diferentes. Em locais diferentes. Em planos diferentes. Em realidades diferentes. Com objetivos um pouquinho diferentes. Talvez demoremos a nos encontrar novamente. Mas é certo que nos reencontraremos. Mas, eu pergunto, o que é o tempo quando se tem o infinito? Em algum momento, no tempo de Deus, no local por Ele escolhido (ou permitido, não sei), nós nos encontraremos novamente. E nos amaremos novamente, como mãe e filho que somos, destinados ao amor em Deus na união com Cristo. Será tão difícil assim esperar por esse momento? Não será muito mais interessante e muito mais gostoso alegrar-me pelo que tenho à frente, pelo que me aguarda, em vez de sofrer pelo que "perdi"? Segundo Joanna de Ângelis, em seu livro Plenitude, psicografado por Divaldo Pereira Franco, "a vida são as incessantes oportunidades que surgem pela frente, jamais os insucessos que ocorreram no passado."

Vou explicar o que penso. Não é com alegria que esperamos pelo nosso aniversário, na expectativa de confraternizar com a família e os amigos e de receber presentes? As crianças não esperam sempre ganhar presentes em seus aniversários e nas datas comemorativas? Quem não espera pela Páscoa, só para ganhar e comer ovos de chocolate? E o Natal, então? Está certo que as pessoas se esquecem do que é realmente o Natal, mas... isso, agora, não vem ao caso. Final de ano, todo mundo feliz, solidário, fraternal. E a espera pelo Ano Novo? Então, não é boa essa esperança, essa ansiedade por algo que temos certeza que vai acontecer e que vai nos encher de alegria? É disso que estou falando. A expectativa do reencontro, a alegria incontida pelo que vai acontecer, a emoção da espera...

Para isso, para esse reencontro, é que faço meus preparativos!

Muitas pessoas preocuparam-se comigo durante todo esse tempo, sem saber o que estava realmente acontecendo dentro de mim. Alguém chegou mesmo a me dizer que eu havia sublimado[o acontecimento! Que falta de perspectiva dessa pessoa! Que falta de bom senso... E quanta ilusão! Eu apenas tomei o caminho mais fácil. Ou talvez não seja o mais fácil. Mas, com certeza, é o melhor caminho. O único possível nessas situações: eu resolvi não sofrer.

Mas, é impossível não sofrer, alguns dirão. E eu respondo: sim, é impossível não sofrer quando se perde o único filho com apenas catorze anos de idade... A saudade é forte. Os vínculos sempre foram fortes. O amor é muito grande. Não se esquece alguém tão importante assim, de uma hora para outra, e muito menos deixa-se de pensar nessa pessoa. É impossível. É impraticável. Não adianta nem tentar.

Entretanto, eu "sobrevivi" a ele; eu estou aqui. Melhor dizendo, eu ainda estou aqui nesse planeta. E, é claro, eu ainda tenho minha missão: evoluir. Ou, pelo menos, tentar. Ainda há pessoas que dependem de mim; ainda há pessoas que eu devo conhecer; ainda há pessoas cujas vidas serão afetadas pela minha (não importa como, nem com qual intensidade); ainda há projetos a realizar; ainda há lugares a conhecer; e, talvez mais importante que tudo isso, ainda há muitas pessoas para AMAR.

Eu disse que escolhi o caminho mais fácil. Mas, devo dizer, que ele não é tão fácil assim. Depende de entrega; entrega à própria vida e a Deus, incondicionalmente; depende de se amar os semelhantes; preocupar-se com eles mais do que consigo mesmo; deixar de lado o egoísmo; ser paciente consigo e com os outros; e, acima de tudo, ter coragem e esforçar-se para perdoar. Perdoar tudo e todos. Sem exceções. Sem condições.

É claro que não alcancei esses requisitos. Não sou tão boa assim. Entretanto, posso garantir que tenho me esforçado, consciente e constantemente, por alcançá-los. O que eu sei é que o caminho é esse. Por isso é meu desejo alcançar esses requisitos. Eles são meu objetivo e minha meta. E enquanto coloco toda a minha energia e meu esforço em uma meta tão importante consigo sair da minha dor, esquecê-la um pouquinho, sofrer menos, alegrar-me mais. Posso até dividi-la com outros. Assim, ela pesa menos. Fica mais fácil de suportar. A cruz fica mais leve.

Remoer os acontecimentos não faz bem a ninguém. Pensar no que poderia ter sido traz menos benefício ainda. Imaginar como teria sido a vida com ele é irrelevante. Tanta coisa poderia ter acontecido... Eu posso imaginar pelo menos algumas dezenas de acontecimentos diferentes para esse último ano da minha vida. E mesmo assim eu poderia estar a léguas de distância da verdade. Como eu posso saber? E tem outra coisa: quem me garante que, tendo sobrevivido, ele teria sido mais feliz do que é agora? Quem me garante que ele é infeliz hoje, que ele está triste, que ele não foi bem recebido, que ele não está amparado nos braços de pessoas que o amam tanto quanto eu?

Talvez alguém vá dizer que eu estou imaginando toda uma situação adequada à "sublimação" do que aconteceu. Como já me disseram. Mas isso não é verdade. Eu estou sendo realista. Ou seja, estou colocando as coisas na sua real perspectiva. Estou dando ao fato sua justa realidade: nem mais, nem menos. Ademais, estou sendo condizente com aquilo em que acredito.

Vejamos por outro lado. As pessoas costumam colocar seu sofrimento acima de tudo, parece que o supervalorizam. Há pessoas que se esquecem de quantos irmãos seus sofrem nesse planeta, dores às vezes muito piores do que a sua. É certo que fazer comparações não é uma boa pedida. Mas, se nós nos dispusermos a examinar a dor que nos aflige tendo em mente a dor de outras pessoas, nós a avaliaremos em sua grandeza exata. Nem a sentiremos maior nem menor do que ela é na verdade. Além disso, a dor pela morte de alguém não é privilégio de alguns poucos "escolhidos", nós bem o sabemos. A morte do meu filho não é um problema exclusivamente meu e pelo qual ninguém nunca passou; diversas mães já passaram por isso antes de mim e inúmeras ainda vão experimentar essa dor. Além disso, a morte é uma realidade da vida. Sem vida não há morte (e vice-versa).

Pois bem, eu decidi escolher o melhor caminho. Esse caminho me leva a valorizar o que eu tenho, os meus familiares, os meus amigos, a minha vida. Isso não quer dizer que eu tenha me esquecido do meu filho, ou da minha dor. Apenas consegui colocá-los no seu "devido lugar", ou seja, em um cantinho especial em meu coração. É um local reservado e que eu visito com freqüência, a fim de acalmar a minha saudade.

Para acabar com o sofrimento é preciso acabar com a causa do sofrimento. Se eu não consigo eliminar a causa (a saudade, a falta, o vazio...), então eu devo deixar de valorizá-la para tentar diminuir o sofrimento. É assim que deve ser. Pelo meu próprio bem, pelo bem do meu filho, pelo bem de todas as pessoas que me cercam.

Agir assim tem dado certo comigo. Tem me deixado mais tranqüila, tem me deixado pronta para exercer todas as minhas faculdades: amor, paciência, esperança, fé, coragem, alegria ... Todas essas faculdades são dons de Deus a mim concedidos, para que eu possa usá-los em benefício próprio, do meu crescimento pessoal, e no benefício dos meus irmãos em Cristo. Dons que eu não tenho o direito de recusar, muito menos de usar mal. Não posso e não devo, também, deixar de usá-los para me trancar dentro de uma concha, com a minha dor, protegida de tudo e de todos. Menos de mim mesma. Seria muito egoísmo.

Deixo aqui dois pensamentos que talvez resumam tudo o que eu tentei explicar. O primeiro não conheço o autor: "Que a tua atitude não seja como a do rochedo, que segura a onda causando o turbilhão."

O segundo é do livro "Poemas para Rezar", de Michel Quoist: "A morte existe, Senhor, mas é um momento apenas, um instante, um segundo, um passo; o passo do provisório ao definitivo; o passo do temporal ao Eterno"

Texto de Maria do Carmo Junqueira Avelar
Fonte: O Mensageiro

07 fevereiro 2008

O Trem da Vida - Silvana Duboc

O TREM DA VIDA

Há algum tempo atrás, li um livro que comparava a vida a uma viagem de trem. Uma leitura extremamente interessante, quando bem interpretada.

Isso mesmo, a vida não passa de uma viagem de trem, cheia de embarques e desembarques, alguns acidentes, surpresas agradáveis em alguns embarques e grandes tristezas em outros.

Quando nascemos, entramos nesse trem e nos deparamos com algumas pessoas que julgamos, estarão sempre nessa viagem conosco : nossos pais. Infelizmente, isso não é verdade; em alguma estação eles descerão e nos deixarão órfãos de seu carinho, amizade e companhia insubstituível... mas isso não impede que, durante a viagem, pessoas interessantes e que virão a ser super especiais para nós, embarquem.

Chegam nossos irmãos, amigos e amores maravilhosos.

Muitas pessoas tomam esse trem apenas a passeio. Outros encontrarão nessa viagem somente tristezas. Ainda outros circularão pelo trem, prontos a ajudar a quem precisa. Muitos descem e deixam saudades eternas, outros tantos passam por ele de uma forma que, quando desocupam seu acento, ninguém nem sequer percebe.

Curioso é constatar que alguns passageiros que nos são tão caros, acomodam-se em vagões diferentes dos nossos; portanto, somos obrigados a fazer esse trajeto separados deles, o que não impede, é claro, que durante o trajeto, atravessemos com grande dificuldade nosso vagão e cheguemos até eles... só que, infelizmente, jamais poderemos sentar ao seu lado, pois já terá alguém ocupando aquele lugar.

Não importa, é assim a viagem, cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, despedidas... porém, jamais, retornos. Façamos essa viagem, então, da melhor maneira possível, tentando nos relacionar bem com todos os passageiros, procurando, em cada um deles, o que tiverem de melhor, lembrando, sempre, que, em algum momento do trajeto, eles poderão fraquejar e, provavelmente, precisaremos entender porque nós também fraquejaremos muitas vezes e, com certeza, haverá alguém que nos entenderá.

O grande mistério, afinal, é que jamais saberemos em qual parada desceremos, muito menos nossos companheiros, nem mesmo aquele que está sentado ao nosso lado.

Eu fico pensando se quando descer desse trem sentirei saudades ... acredito que sim. Me separar de alguns amigos que fiz nele será, no mínimo dolorido. Deixar meus filhos continuarem a viagem sozinhos, com certeza será muito triste, mas me agarro na esperança que, em algum momento, estarei na estação principal e terei a grande emoção de vê-los chegar com uma bagagem que não tinham quando embarcaram... e o que vai me deixar feliz, será pensar que eu colaborei para que ela tenha crescido e se tornado valiosa.

Amigos, façamos com que a nossa estada, nesse trem, seja tranqüila, que tenha valido a pena e que, quando chegar a hora de desembarcarmos, o nosso lugar vazio traga saudades e boas recordações para aqueles que prosseguirem a viagem.

Autoria: Silvana Duboc

06 fevereiro 2008

Um Sentimento Superior - Momento Espírita

UM SENTIMENTO SUPERIOR...

O amor é a celeste atração das almas.

É o olhar de Deus sobre as criaturas e sobre os mundos.

Não se pode confundir, porém, com tal nome a ardente paixão que atiça os desejos carnais.

Esta não passa de uma imagem, de uma grosseira falsificação do amor.

O amor é o sentimento superior em que se fundem e se harmonizam todas as qualidades do coração.

É o coroamento de todas as virtudes humanas da doçura, da caridade e da bondade.

É a manifestação na alma de uma força que nos eleva acima da matéria até as alturas divinas, unindo todos os seres e despertando em nós a felicidade verdadeira.

Amar é sentir-se viver em todos e por todos.

É consagrar-se ao sacrifício, até à morte, em benefício de uma causa nobre ou de um ser.

Se quisermos saber o que é amar, devemos lembrar dos grandes vultos da Humanidade e, acima de todos eles, do Cristo, para quem o amor resumia toda a lei de Deus.

Além disso, não disse Ele: Amai os vossos inimigos?

Por essas palavras, Jesus não pretendeu exigir-nos uma afeição que nos fosse impossível.

Sua orientação pretendia, sim, sugerir-nos a ausência do ódio, de todo o desejo de vingança.

Almejava o Cristo que nos dispuséssemos sinceramente a ajudar nos momentos necessários mesmo aqueles que nos prejudicam e ferem, oferecendo-lhes todo o auxílio que nos seja possível.

Não se pode progredir isoladamente.

Por isso, é preciso conviver com as pessoas, vendo-as como presenças necessárias à nossa evolução.

Deixemos que nossos corações se abram.

Precisamos urgentemente desenvolver a capacidade de amar e de permitir que sejamos amados.

Nossa simpatia deve atingir a todos os que nos rodeiam.

Principal atenção deveremos dar aos nossos pais.

Eles que nos mantiveram durante nossa infância, nos acalentaram e nos aqueceram.

Velaram com ansiedade nossos primeiros passos e as nossas primeiras dores.

* * *

O amor, profundo como o mar, infinito como o céu, abraça todas as criaturas.

Deus é o seu foco.

Assim como o sol se projeta, sem exclusões, sobre todas as coisas e reaquece a natureza inteira, também assim o amor vivifica todas as almas.

Seus raios, penetrando através das trevas do nosso egoísmo, iluminam com trêmulos clarões os recônditos de cada coração humano.

Todos os seres foram criados para amar.

As partículas da sua moral, os gérmens do bem que em si repousam, fecundados pelo Foco Supremo, irão se expandir um dia.

Aí, então, florescerão até que todos sejam reunidos em uma única comunhão do amor, em uma só fraternidade universal.

Não importa quem sejamos hoje.

Importa apenas que estejamos dispostos a influenciar um ao outro, no sentido do bem.

Filhos de Deus, somos todos membros da grande família dos Espíritos.

Temos marcados em nossas frontes o sinal da imortalidade.

Somos todos irmãos e estamos destinados a nos conhecer e nos unir em harmonia, longe das paixões e das grandezas ilusórias da Terra.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 49,
do livro Depois da morte, de Léon Denis, ed. Feb.
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05 fevereiro 2008

Socorro Tardio - Momento Espírita

SOCORRO TARDIO

Você já parou para pensar, algum dia, a respeito da caridade?

De um modo geral, confundida com a esmola pura e simples, o dar para se ver livre do pobre, do pedinte, dar para que ele se vá, de uma vez.

Face aos problemas da fome, da miséria, já não lhe ocorreu dizer: Isto é um problema do governo? Será mesmo?

Afinal, quem, em que hora, quando e em que lugar deve praticar a caridade?

Certa vez, no tempo dos czares, no Teatro de Moscou, foi representada uma peça muito célebre.

Todas as dependências estavam totalmente tomadas pelos membros da realeza.

O enredo girava em torno dos sofrimentos de um soberano místico que, em meio a cruéis padecimentos, sacrificou-se pela fé cristã.

A música enlevava os corações da nobreza assistente. Todos se identificavam com as agonias cristãs da personagem que, de alguma forma, traduzia um pouco do íntimo de cada um.

Quando findou o colorido espetáculo, à saída do Teatro, deitado sob a marquise, estava um mendigo.

Tiritava de frio. Parecia que delirava em meio à nevasca da noite.

Uma das damas da corte, ao descer as escadarias que a levariam à sua carruagem, movida por um natural impulso de bondade, retirou o rico casaco de peles que a agasalhava, e se encaminhou em direção ao pobre homem, com a firme intenção de o cobrir.

A dama que lhe fazia companhia, porém, percebendo o que a outra iria fazer, a deteve.

Não faças isso!

De que adiantaria a esse miserável uma peça de vestuário de tal valor? Amanhã enviarás, por um dos teus servos, agasalhos quentes para ele.

A dama do casaco de alto preço, movida agora por sentido utilitarista da vida, respondeu: Sim, tens razão. E tornou a vestir o casaco, buscando a carruagem.

Chegaram ao luxuoso castelo, tomaram um chá quente e reconfortante e buscaram as camas aconchegantes.

Esqueceram da agonia do desconhecido tombado sob a marquise gélida.

No dia seguinte, despertando já manhã alta, a dama recordou-se do homem tiritante de frio.

Chamou um de seus servos e ordenou que levasse agasalhos ao pobre homem.

Quando lá chegou, o serviçal se deparou com o desconhecido já morto, sendo removido pela polícia.

* * *

O fato responde aos questionamentos iniciais.

Sempre que a caridade recebe a interferência de polêmicas, discussão, debate, invariavelmente o socorro chega atrasado.

É necessário que cada um de nós faça o bem hoje. Há muitas formas de se praticar a caridade:

Retirar alguém da escuridão do analfabetismo. Providenciar internamento devido a um doente sem recursos.

Levar o remédio necessário ao que se encontra no leito. Propiciar o leite a uma criança cuja mãe já apresenta os seios vazios.

Ofertar um brinquedo ao menino de rua, ao garoto sem pais, à criança que espera.

Enfim, ser caridoso é fazer aos outros o que desejamos que os outros nos façam, tanto no aspecto material como no moral.

* * *

As nossas posses de nada valerão se não tivermos no cofre do coração o pão da caridade e a palavra consoladora da misericórdia que nos compete distribuir.

Dar do que nos sobra é dever de solidariedade, dar um tanto mais é doação plena.

Redação do Momento Espírita com base no cap. 9 do livro Moldando o terceiro milênio, de Fernando Worm, ed. Leal e cap. 16 do livro Estudos espíritas, do Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Feb. Em 01.02.2008.
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04 fevereiro 2008

Morrer Lentamente - Momento Espírita

MORRER LENTAMENTE

Morre lentamente quem não sorri para uma nova manhã, quem esqueceu de olhar as estrelas na noite anterior e quem não se encanta com a grandiosidade da natureza à sua volta.

Morre lentamente quem não encontra graça em si mesmo, quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor, ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão seu guru, ou sua única companhia.

Morre lentamente quem não toma iniciativa alguma quando está infeliz com seu trabalho, quem não arrisca nem um pouco que seja, para ir atrás de um sonho.

Morre lentamente quem passa os dias se queixando de sua má sorte ou da chuva incessante ou do sol intenso.

Morre lentamente quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, quem não pergunta sobre um assunto que desconhece, ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Morre lentamente quem não mais agradece a Deus pelos filhos que lhe deu, ou pelos pais que o receberam neste Mundo.

Morre lentamente quem não retribui o sorriso de um bebezinho, e quem não acha fascinante a forma pela qual chegamos todos a este Mundo.

Morre lentamente quem não abraça, quem não beija, quem não expressa carinho de alguma forma – mesmo que através de um olhar.

Morre lentamente quem é adepto de expressões como este Mundo não tem jeito mesmo, ou a coisa está cada dia pior.

Morre lentamente quem se desespera com a perda de um amor, e não consegue perceber que há muitos que podem ser amados por nós, e muitos que podem nos amar profundamente.

Morre, sem perceber, dia após dia, quem não se dedica à felicidade de alguém, quem não se doa, quem não divide o que tem - material e espiritualmente – com outras pessoas.

* * *

Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar.

Estar vivo pressupõe agir, e não apenas reagir. Toda reação é perigosa, pois comumente não passa pelo processamento seguro da razão.

Estar vivo implica em fazer avaliações constantes, não avaliações dos outros, mas de nós mesmos e de nosso viver.

Quem não se avalia perde grandes chances de se aprimorar, de poder mudar de rumo quando se percebe que a direção poderia ser outra.

Estar vivo significa: entusiasmo - carregar Deus em nossa alma, levar a certeza de Sua presença em nossas vidas e a vontade de conquistar os altos páramos da felicidade.

* * *

Vivo para que o sol tenha sentido, e é minha luminiscência que ele espelha e devolve ao orbe, agradecido.

Vivo para que a chuva lave o ar, e leve volte ao éter com meu perfume elegante, de árvore vigorosa de seiva sã.

Vivo para que o amor tenha vazão, e não deseje razão – pois de condição o amar não precisa.

Vivo para florescer outros jardins, e sem perceber o meu se abarrota de lírios, ciclamens, girassóis...

Vivo cada dia como se fosse cada dia. Nem o último nem o primeiro - o único.

Redação do Momento Espírita com base em texto de
nome Quem morre, atribuído a Pablo Neruda
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03 fevereiro 2008

A Estranha Pergunta - Irmão X

A ESTRANHA PERGUNTA

Este o remate das considerações do amigo Salomão Torres, recentemente desencarnado:

– Imaginem vocês. Estou aqui ainda naquela impressão de tombo e asfixia. Enfarte é o que ouvi de muitos quando o corpo já se via naquela de estátua. Traços rígidos e frieza de pedra. Para mim, o enfarte era a soma de mil pequenas e grandes angústias misturadas de indagações incomunicáveis e sem resposta.

O grupo escutava em silêncio e Salomão avançou:

– Bem, vocês sabem. Agora na Terra, sexo é a onda. Liberdade para cá. Liberdade para lá. Sexo livre. Apelos ao sexo. Publicações especializadas de amor às avessas. Espetáculos de “strip-tease”. Afinal sempre acompanhei os tempos. E lá me fui também para a crista dos casos. Esposa doente e quatro filhos taludas. Dois rapazes esbanjões e duas meninas bonitas. A primogênita, hoje com vinte primaveras, fora destaque em concurso de beleza... Com alguma folga econômica, passei a “pular cercas”.

O narrador careteou um sorriso vago e inquiriu:

– Ignoram o que seja “pular cercas”?

Diante da negativa geral, Torres prosseguiu:

– “Pular cercas”, no lugarejo em que me enfiei no corpo, significa falhar aos compromissos. Pois é. Esqueci esposa, casamento, lar e família... e habituei-me às noitadas de gente livre, na cidade grande. Negócios nos dias úteis e encontros de machão nos fins-de-semana. De quando a quando, bordejos nas Capitais ou no Exterior. O avião favorecia. Acompanhantes não faltavam. Vez por vez, ouvia os amigos experimentados: “Salomão, Salomão, não brinque com fogo... Ninguém é tão desligado que possa viver feliz sem obrigações... ”Entretanto, sempre supus que dois ouvidos teriam apenas a função de passagem do som.

Continuei nas mesmas aventuras. Indiferente. O lar ficara para trás. Uma espécie de garagem para a tradição. Vocês entendem. Amor responsável é um fixador de alegria. Sexo livre gera prazer. A alegria é a paz da sede estancada. Prazer é a febre com a sede que devora. Entregue ao prazer, cada fim-de-semana buscava novidades. Salomão arregalou os olhos, dando-nos a idéia de que atingia o ponto culminante das próprias recordações e concluiu:

– Agora, ouçam e pasmem. Em grande cidade brasileira participava, com a turma, de uma excursão a campo novo. Depois do “strip-tease” de bela menina dedicada a esse tipo de apresentações, fomos ao encontro do “ninho de surpresas”. O ninho de surpresas é um pequeno pavilhão de dez compartimentos. Em cada compartimento, a beldade sorteada para o suposto encantamento da noite. Munido da numeração que me coube, demandei o local indicado. Abri a porta no claro-muito escuro e, devidamente preparado, segui em frente. Mas, face à face com a jovem que me esperava sequiosa de sexo, encontrei minha própria filha...

Um choque indefinível me turvou a cabeça e caí...

Retornei à realidade, juntamente de amigos que me haviam hospitalizado. Em torno de mim registrei diagnósticos e pareceres diversos, no entanto, por dentro de mim, somente ouvia a pergunta que endereçava a mim próprio: “Meu Deus, que serei eu? Homem ou animal?”... Repetindo a indagação por muitos dias, acabei saindo do corpo, qual figura de zoológico fugindo da jaula enferrujada...

Salomão esboçou o gesto de quem olhava profundamente para dentro de si e observou:

– Eis-me aqui com vocês, desconhecendo em que mundo me vejo... Tenho a idéia de que estou sentenciado a enxergar unicamente aquilo que trago na lembrança para reafirmar a estranha pergunta: “Meu Deus, que serei eu? Homem ou animal?!”...

Lágrimas espontâneas lhe saltaram das pálpebras e Torres nos enviou um olhar agoniado, como quem nos pedisse resposta, mas todos nós, os companheiros que lhe ouvíamos a palavra quente de dor e sinceridade, jazíamos sob forte emoção e ninguém respondeu.

Extraído do livro "CAMINHOS DE VOLTA”,
psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier
Ditado por Irmão X
Edição GEEM

02 fevereiro 2008

A Expiação - Dr. Inácio Ferreira

A EXPIAÇÃO

Nem todos os lares são formados por Espíritos que se reúnem atraídos por questões passadas entre eles.

Muitos, atraídos por afinidades pessoais em uma ou várias existências, aqui se reencontram para, juntos, resgatarem dívidas recíprocas.

Por vezes, essas afinidades e necessidades de resgates não existem, entre eles.

A fim de pagarem, por si mesmos, faltas pessoais, são submetidos a reencarnações que poderíamos denominar de preparatórias e durante as quais sofrem tormentos contínuos passando por uma vida de provações capazes de modificarem os defeitos e inclinações adquiridos através de vidas sucessivas e que se entranham tão profundamente em seus perispíritos que nenhum conselho, razão desperta ou raciocínio foram capazes de modificar.

Possuem, também, a finalidade de servir como instrumentos de tormento, como provações para outros encarnados que a eles se ligam, a fim de que sofrimentos reflexos sejam capazes de despertar-lhes, também, melhores sentimentos. Se forças poderosas agem para a consolidação dos lares onde os sentimentos amadurecidos os amparam, também, permitem que as inclinações para o mal se cumpram, facilitando-as, até mesmo, a fim de que as conseqüências se façam sentir mais rápidas e com elas, melhores propósitos de regeneração. Um descuidado que sentiu o choque provocado pela eletricidade dificilmente repetirá o ato; um condenado, por um crime qualquer, não o cometerá segunda vez com a mesma facilidade. Para os recalcitrantes, para aqueles que voltam ao erro apesar das conseqüências pelas quais passaram e pretendem praticar outras vezes, ainda, essas mesmas forças poderosas impelem e facilitam mesmo, torturas maiores até ao esfalfamento com o propósito de, acumulando sofrimentos, apressar a caminhada. Neles ainda existem possibilidades de regeneração, motivo pelo qual são impelidos a colher, mais depressa, o resultado da sua semeadura. Os persistentes se regenerarão por outros meios, em outros mundos, onde as condições de vida se acham nos primórdios.

Na história daquele casal de velhos, pressentimos mais um caso para as nossas observações, porém, jamais pensávamos no valor de mais um ensinamento. Ele, com 72 anos de idade. Ela, com 64. Vinham até nós pedir interferência junto de autoridades policiais e políticas para dois filhos: um, foragido, sem notícias há 2 anos, e para o qual desejavam a complacência, atenuando a perseguição tenaz, a fim de que pudessem ver o filho, ainda uma vez, na vida; para o outro, que se achava, em casa, louco, acorrentado, vivendo em uma quase pocilga, a transferência para um Sanatório onde poderia desfrutar de mais conforto. Além deles, uma nora desvirtuada, perdida no torvelinho do mundo. Para si nada desejavam. O sofrimento havia sido tanto na vida, que dispensavam a proteção de Deus e as possibilidades da Medicina, tanto que a morte, naquela idade, com tantas preocupações e tormentos, representava um verdadeiro alivio. Viviam sós, na fazenda, bastante retirada, quase tudo no abandono, ouvindo, dia e noite, os gritos, os gemidos e as lamentações do filho louco. Por vezes, alguns vultos rondando pelas suas terras e nos quais pressentiam policiais, à procura do outro filho. Em cada canto e objeto, a lembrança daquela que, indiferente aos seus tormentos e idade, tudo abandonara.

Parecia mesmo, que uma rajada de desventuras havia assolado o campo das suas vidas destruindo tudo aquilo que procuraram levantar para o repouso da velhice - esperança nos filhos, amparo junto à nora, alegria com os netos futuros, embalados pela paz e tranqüilidade. Na verdade, a situação era bastante desagradável e nada mais representava, para nós, do que as contínuas tragédias dos lares, Espíritos reencarnados, viajares à procura da redenção. Quais os motivos que atormentavam a vida daquelas duas criaturas que viviam, agora, no campo das preocupações morais, colhendo o produto das suas semeaduras? Deveriam ser bem fortes, pois, até mesmo da Justiça Divina, nada mais esperavam. Feito o pedido para nossas observações, assim ouvimos:

“Possuíam uma fazenda, por herança, onde viviam ele, a esposa e dois filhos. Era um lar onde imperavam o egoísmo, a maldade e a inatividade. Arrendavam suas terras a várias famílias e sempre que essas, após um trabalho estafante, se alegravam à espera de colher o produto do seu esforço, plantações e criações, ambos instigavam os filhos a expulsá-Ias, não lhes permitindo levar nada e tudo faziam com requintes de maldade, indiferentes aos rogos, ao choro, à situação precária em que se viam envolvidas. Fortes, maus, os rapazes, instigados pelos velhos, cometiam os maiores absurdos contra aqueles infelizes, certos de que nenhum teria coragem de levar, perante a Justiça, as suas reivindicações. Afastavam-se, temerosos, impotentes, sofrendo humilhações, vivendo ao relento e passando fome até que pudessem arranjar novo serviço. Os velhos e os filhos se exultavam com os novos lucros e nenhum vislumbre de arrependimento ensombrava os seus corações.

Um dos últimos ao ser expulso, reagiu. Foi assassinado por um dos rapazes. Uma filha, sob gargalhadas e ditos brejeiros, infelicitada pelo outro. Atearam fogo ao casebre e os demais da família, esposa e duas crianças, soltas pelo mundo. Após reencarnações intermediárias aqui se acham de novo em provações e expiações. Novamente entregues à exploração de terras, mas já submetidos à Civilização, tempos diferentes daqueles em que a lei amparava os ricos e poderosos, nada ou quase nada conseguiram materialmente, porque os novos arrendatários não se deixavam explorar e eles ainda conservam o vício da indolência. Um filho foragido, inocente, mas sofrendo uma perseguição tenaz e caso interessante para a observação: em reencarnação passada foi um profissional, caçador de negros escravos foragidos. Sempre muito bem armado e montado, recebia régia paga para capturá-los. Forte, mau, impiedoso, conhecedor profundo dos sertões, se comprazia em perseguir, encontrar e apresentar aqueles infelizes para sofrerem castigos impiedosos. O que lhe agradava, sobretudo, era ver a correria daquelas criaturas escravizadas, os seus gestos, as suas posições, a fisionomia desfeita pelo terror, quando encontradas. A maldade era tamanha que chegava a soltá-las para, na recaptura, gozar daquele espetáculo. Agora, também, foragido, evitando cidades e povoações, vive pelos matos e pelas tocas, curtindo privações. O mal por ele praticado não tem a extensão que julga e poderia muito bem ser remediado. Acontece, porém, que uma falange de pretos chefiados por alguns dos antigos escravos por ele perseguidos lhe incutem, dia e noite, sem descanso, idéias de culpas tremendas, tão horríveis, tão pavorosas, que não se arrisca a enfrentar a justiça dos homens. Medo, terror, fisionomia transtornada, inquietação, instabilidade, eis o resultado da sua provação passando pelos mesmos estados de alma que fez passar e sofrer os seus semelhantes.

O filho, louco e encarcerado, veio expiar o crime praticado, assassino sem punição das leis humanas. A nora, transviada e da qual não mais tiveram notícia, um Espírito em provação, expiando erros do passado, cheio de deslizes e servir, ao mesmo tempo, de expiação para os velhos que se acham em preparativos para futuros resgates.

Sim, expiação, porque, no filho foragido sentiam, agora, as mesmas inquietações, mesmas angústias, mesmos cuidados e mesmas saudades que a sua indiferença provocou no seio de tantas famílias. No louco, que precisam amparar, a tortura auditiva relembrando-lhes dia e noite, ora as imprecações, ora o pranto convulsivo daqueles que se viram expulsos e espoliados. Na atitude da nora, a revolta íntima, o orgulho ofendido, a mágoa, a dor que sentiram os pais daquelas que se perderam, também, vitimadas pelos filhos por eles açulados. Como espectadores desses fatos, no isolamento dos campos, sozinhos, engolfados nas desventuras sucessivas, espíritos mais libertos da matéria já gasta, envelhecida, melhor podem receber os eflúvios benéficos que as falanges recuperadoras procuram incutir-lhes no perispírito. Em suas horas de ócio, em suas noites longas, atrozes, como não devem sentir e chorar acontecimentos tão amargos, tão inexoráveis! Naturalmente, pediram muito a Deus, mas a incompreensão humana ainda não percebe que a melhor dádiva de Deus não consiste na obtenção daquilo que o egoísmo deseja – está, sim, na possibilidade da expiação, vendo e sentindo em si mesmo, aquilo que não se deve desejar aos outros. Cada lágrima que aflora aos olhos, no período de expiação, representa uma dívida que se apaga na página imensa das vidas sucessivas. Em todos esses casos, a Justiça dos homens, o ouro material, a maleabilidade política, nada poderiam fazer porque ali se fazia sentir a Justiça de Deus, proporcionando a todos eles oportunidades para o resgate daquilo que ficaram devendo e meios de colherem aquilo que haviam plantado. Naturalmente, em próximas reencarnações, estarão aptos a formar novos lares, nos quais as lembranças do passado, estereotipadas no psiquismo, servirão de escudos contra os sentimentos menos dignos, alicerce onde a sentinela da vigilância não permitirá as mesmas quedas e a repetição dos mesmos erros. Um lar constituído e desfeito pelos granizos das próprias tempestades por eles formadas mas, recebendo, ao mesmo tempo, não da terapêutica humana, mas sim da terapêutica Divina, por intermédio dos medicamentos da dor, da angústia e das torturas morais, os eflúvios regeneradores, antídotos para combater o veneno das ações e dos atas menos dignos.

Quais seriam, para a Psiquiatria, os diagnósticos para: O louco e encarcerado? O foragido da Justiça? A nora transviada? Os velhos, espectadores de desventuras, desses dramas em família? Muito diversos e desorientados porque somente os princípios da reencarnação podem oferecer os conhecimentos para as causas predisponentes, a fim de melhor estabelecer o diagnóstico para aquelas torturas morais e físicas. O mais, são conceitos e teorias ainda uma vez esbarrando-se ao encontro dos túmulos, incapazes de proporcionar tranqüilidade e reconstituir aquele lar, como tantos outros, ainda existem, no Presente, esquecidos das Leis Divinas por se julgarem amparados pelas Leis Humanas.

Fonte:Dr. Inácio Ferreira,
Livro: “A PSIQUIATRIA EM FACE DA REENCARNAÇÃO”,
Edição FEESP

01 fevereiro 2008

Na Hora da Saudade - Celso Santos

Na Hora da Saudade

Quando perdemos nossos entes queridos e chega a saudade e o sentimento de perda, não podemos fechar nossos olhos para a realidade da imortalidade da alma.

Quantas vezes já não nos encontramos entristecidos nos momentos de saudade? Quantas vezes já não nos questionamos sobre os desígnios da vida, do constante ir e vir das criaturas?

Como espíritos milenares que, a cada reencarnação, buscam o reajuste necessário para as próprias consciências, deparamo-nos com o ciclo de luz concedido pelo infinito amor de Deus, desprendendo-nos das imperfeições que estacionam o espírito em nossa caminhada evolutiva e angariando conhecimentos que nos auxiliam na ascensão espiritual. Somos viajores do tempo, aprendizes do sentimento sublime, buscando compreender a importância e a necessidade da pluralidade das existências, descortinando em nossos corações a certeza de que realmente a vida prossegue, de que os laços mantidos pelo amor jamais serão enfraquecidos pela ausência física, mesmo quando nossos olhos não puderem mais enxergar.

No capítulo IV de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, encontramos maiores esclarecimentos sobre o assunto, de forma clara e objetiva: “Os laços de família não são destruídos pela reencarnação, como pensam certas pessoas. Ao contrário, eles são fortalecidos e se estreitam. É o princípio oposto que os destrói. Os espíritos formam no espaço grupos ou famílias unidos pela afeição, simpatia e semelhança de inclinações. Esses espíritos se procuram, felizes por estarem juntos. A encarnação não os separa senão momentaneamente, porque, depois de sua entrada na erraticidade, se reencontram como amigos no retorno de uma viagem. Com a reencarnação e o progresso que lhe é conseqüência, todos aqueles que se amaram voltam a se encontrar sobre a Terra e no espaço, gravitando juntos para chegarem a Deus. Os que falham no caminho retardam seu adiantamento e sua felicidade, mas não está perdida toda a esperança. Ajudados, encorajados e sustentados por aqueles que os amam, sairão um dia do lamaçal em que estão mergulhados. Com a reencarnação, enfim, há solidariedade perpétua entre os encarnados e os desencarnados, com o estreitamento dos laços afetivos”.

Como podemos perceber, somos espíritos muito amados, movimentando-nos pela oportunidade da vida corporal e extracorporal para nos fortalecermos, para criarmos em nós maiores probabilidades de sucesso encarnatório perante nossas falhas do passado. Em sua essência, o espírito almeja conscientemente a realização de seus comprometimentos, que se dão a cada existência, passando naturalmente pelo estudo do ciclo físico e espiritual que o impulsiona ao entendimento do verdadeiro significado da vida, que é a evolução. O ser encarnado traz consigo potencialidades para o cumprimento de suas tarefas em um tempo estimado, a fim de que tenha condições de desenvolvê-las da melhor forma possível. É através de todo um processo elucidativo adquirido na espiritualidade que se constitui sua preparação para o retorno ao veículo físico.
Somos uma eterna família
Quantas vezes já não vivenciamos quadros onde as lágrimas visitam o nosso coração? A saudade existe tanto naquele que parte como na criatura que fica. São sentimentos fortalecidos no decorrer dos tempos, em vidas passadas, mas que, desequilibrados pelo excesso, prejudicam o desenvolvimento e entendimento do verdadeiro significado da vida que impulsiona o ser à sua ascensão espiritual.

Quando mergulhamos nestes momentos de tristeza pela separação temporária de alguém muito estimado, envolvemos esse ser nestas mesmas dores, através da sintonia do pensamento. Desta forma, causamos naquele que parte um sofrimento ainda maior do que o nosso, estacionando-o nas lágrimas e, às vezes, na revolta que ainda sentimos por termos aparentemente perdido o ente querido para a morte. Agimos sobre esta criatura de uma maneira constante, entristecendo seu coração e confundindo seus pensamentos sobre o próprio progresso. Ao enviarmos sentimentos de tristeza, estamos longe de auxiliar aquele que retornou ao plano espiritual, pois desequilibramos sua mente para o decorrer do aprendizado na espiritualidade, necessário à próxima encarnação por ser uma nova conquista que irá refletir toda a sua sublimação de sentimentos e pensamentos, conduzindo este ser criado por Deus aos céus de suas próprias emoções.

Portanto, que possamos conscientizar nossas mentes de que somos espíritos milenares e que sempre estaremos juntos, unidos pelo sentimento e pensamento, ligados fraternalmente pelo Pai a uma eterna família. Busquemos serenar nossos corações, sentindo toda a luz, a paz e o amor de Jesus a auxiliarem nossa compreensão e aceitação da importância da reencarnação e dos mecanismos da evolução, que nutrem o espírito com a paz interior tão almejada por todos.

Escrito por Celso Santos
Artigo publicado na edição 16 da Revista Cristã de Espiritismo