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11 junho 2013

Ambiente Mental - Momento Espírita


AMBIENTE MENTAL

Mãe e filha caminhavam pelas encostas floridas de um vale, e pelo caminho iam guardando as impressões tão belas da natureza exuberante daquelas paisagens alpinas que tanto lhes enterneciam a alma.

A vida tinha sido dura para com elas até então, pois, após a guerra, tudo havia se tornado difícil: tanto a alimentação, quanto reorganizar a vida, sozinhas, sem o apoio fraternal daqueles que tanto amavam na comunidade.

Será que um simples sobrenome poderia tê-las feito sofrer tanto assim? Essa era a pergunta que se faziam, diversas vezes, enquanto caminhavam em busca de sua antiga residência.

Nada poderia ser assim tão inexplicável para aquelas descendentes de judeus que habitavam os arredores de Zugspitze, Alemanha, por volta de 1948.

Entretanto, eram dotadas de uma força extraordinária que, mesmo sem saber para onde iam, tinham a certeza de que facilmente a vida voltaria a ser normal de novo.

Desejavam poder trabalhar, mesmo que fosse intensamente, na reconstrução da própria felicidade.

O tempo passou. Já se aproximava o pôr-do-sol quando as duas se assustaram com o quadro que aparecia à sua frente.

Entre tão bela paisagem, dois homens, aos gritos um para com o outro, transformavam aquele paraíso num lugar desarmônico, pela vibração de rancor que deles emanava.

Subitamente, ao sentirem a presença de tão doces criaturas, os ânimos foram se acalmando, foram se refazendo das atitudes de agressividade, serenando os batimentos cardíacos e os dois perceberam que o silêncio delas os atingia de modo incômodo.

Boa tarde, senhores! Será que poderíamos lhes ser úteis?

Boa tarde, responderam com desdém. Como podem vocês afirmar ser boa uma tarde em que só podemos sentir raiva e desejo de vingança?

Estão, por acaso, fora de seus juízos normais ou são portadoras de alguma virtude que para nós ainda é desconhecida?

Entre uma frase e outra, elas explicaram que, apesar de tanto sofrimento, agradeciam ao Criador pelas próprias vidas que, ao serem poupadas graças a Ele, tiveram oportunidade de reconstrução e recomeço.

Chance desejada por muitos que haviam sofrido os martírios da guerra, ficado sem condições físicas para recomeçar sozinhos.

Então, o mais velho dos homens, envergonhado, chamou o outro ao seu lado, desculpando-se pelo mau uso das palavras, da violência, enfim, de toda aquela situação de indescritível mal estar que ele, como pai, houvera criado para seu filho tão amado.

Explicou que a dor imensa que lhe deturpava os sentidos, pela perda da esposa e outros filhos, o impedia de raciocinar claramente. Com humildade, pediu ao filho que lhe desse a mão e o ajudasse a superar tão difícil etapa da vida.

Por sua vez, o filho, muito emocionado, concordou em perdoar e recomeçaram a tentativa de acerto, juntos outra vez.

Agradeceram e partiram, assim como elas também tomaram seu rumo, estrada afora.

*   *   *

Muitas vezes somos capazes de efetuar grandes mudanças em nosso ambiente, mesmo que possa nos parecer difícil tal atitude.

Se nos mantivermos firmes em nossas ações nobres, desejosos de mudança interna e, principalmente, contarmos com o auxílio da oração que nos fortalece, podemos modificar para melhor o ambiente que nos rodeia.

Agindo assim, a nossa vida servirá de exemplo a todos aqueles que, por falta de um modelo, permanecem impossibilitados de tomar atitudes salutares.

E a fonte para todo esse aprendizado se encontra na mensagem do Cristo, portadora de ensinamento que nos fará pessoas melhores, capazes de auxiliar a todos indistintamente.


Redação do Momento Espírita
 
 

10 junho 2013

Ciúme: Prova de Desamor - Orson Carrara


CIÚME: PROVA DE DESAMOR

Prender alguém, por mais dourados que sejam os laços ou as correntes, não deixa de ser uma prova de desamor. Como assim prender alguém? Não, não se trata de cativeiro, sequestro, prisão em grades ou algemas reais nas mãos.
 
Referimo-nos antes aos efeitos danosos do ciúme, do sentimento de posse sobre alguém ou das tentativas de manipulação da liberdade de alguém em agir nesta ou naquela direção. Afinal, consideremos que não podemos forçar ninguém a nada, a não ser por força da Lei. O ciúme traz prejuízos de longo alcance, causando sofrimentos para ambos os envolvidos, em autêntica prisão psicológica cujos danosos efeitos não podemos prever.

É uma prova de desamor porque quem ama não prende, pois o amor não impõe, não censura, não critica; o amor, antes, compreende, tolera, entende, estimula, liberta.

Quem somos nós para determinar como, quando e onde uma pessoa pode agir, estar ou conviver? Desde que a pessoa haja com decência, dignidade, correção, como querer vigiar-lhe os passos?
 
O Jornal da Cidade, de Bauru-SP, em sua edição de 27/01/2008, publicou no suplemento Comportamento, a excelente matéria Uma doença chamada ciúme, assinada por Giuliana Reginatto.   Referida reportagem inclui casos famosos de ciúme, geradores de tragédias comoventes e transcreve trecho importante do livro Ciúme – o lado amargo do amor, de Eduardo Ferreira Santos, doutor em ciências médicas e mestre em psicologia, que extraímos da reportagem citada: “O ciúme é egoísta. A pessoa exerce o ciúme para restringir a liberdade do outro. Podemos compará-lo com a dor: todo mundo sente dor, mas não é normal sentir muita dor, por tempo prolongado. Ficar enciumado com uma determinada situação é diferente de ser ciumento sempre, fantasiando motivos”.

A reportagem traz também o relato de Cíntia Valadares, que procurou ajuda antes que uma obsessão pelo ex-noivo culminasse em tragédia: “Por causa do meu ciúme ele foi parar na delegacia.

Como eu não poderia ir a um jantar com ele e não queria que fosse sozinho, fiz uma denúncia falsa. Inventei que havia sido roubada e que sabia onde o ladrão estava. Dei o endereço da festa e ele ficou detido por quatro horas. Para reatarmos, ele impôs que eu procurasse tratamento”.

O tema, pois, merece cuidado e atenção, pelos desdobramentos prejudiciais que acarreta nos relacionamentos. Embora tenha usado o título acima para chamar a atenção do leitor, o ciúme é também insegurança, forma de chamar atenção e um verdadeiro transtorno, para o qual os psicólogos estão, estes sim mais do que eu, capacitados para ampliar as considerações sobre causas, consequências e tratamento. Mas é também, sem dúvida, em muitos casos, uma prova de desamor.

Quem ama, confia! E prender ou constranger alguém, impedir relacionamentos e vigiar, como verdadeira neurose, é caso para terapia. Não somos propriedade de ninguém. Somos seres em aprendizado, necessitados uns dos outros, para nos estendermos as mãos nas experiências que nos façam crescer e conviver com harmonia.





09 junho 2013

Humanização em Centro Espírita! - Wellington Balbo




HUMANIZAÇÃO EM CENTRO ESPÍRITA




Costumo dizer que o processo de espiritualização passa necessariamente pelo processo de humanização da criatura. Em outras palavras: necessitamos antes de pensar em “plano espiritual” refletirmos sobre a importância de sermos humanos, solidários e benevolentes uns com os outros antes de olharmos para os Céus.


Nosso campo de trabalho por enquanto é aqui na Terra, ou seja, devo atender bem os amigos que estão aqui na Terra, os companheiros da “boa luta” que fazem parte do meu cotidiano e que são meus próximos mais próximos. Outro dia recebi um e-mail com os seguinte conteúdo: o dirigente de minha reunião mediúnica é educado e gentil com os espíritos que se manifestam, todavia quando dirige a palavra para um membro encarnado de nosso grupo sempre vem bronca e de forma acintosa.


Diante do desabafo indago: Por que tratar bem o espírito desencarnado e não dar o mesmo tratamento ao espírito encarnado?

Ora, somos todos iguais independentemente da condição em que nos encontramos, ou não?


Então, de que adianta sermos educados com os espíritos se não o somos com os companheiros aqui da Terra? É preciso, pois, humanizar-se!


Outro ponto: algumas pessoas dão mais valor ao que vem dos espíritos do que dos homens. Se um Espírito diz algo ela acredita piamente, mas se é alguém encarnado logo passa pelo crivo da razão. Allan Kardec ensina que os Espíritos são apenas os homens que aqui viveram e deixaram a vestimenta carnal, portanto, não possuem nem todo o saber e nem toda a moral, refletem na espiritualidade suas tendências, manias e outras coisas que os caracterizavam quando encarnados.


Diante do ensinamento de Kardec concluímos que os Espíritos não sabem tudo e que palavras boas podem vir tanto dos Espíritos quanto dos homens que ainda estão na Terra. É preciso, pois, humanizar-se!


Dia desses visitei o CE Eterna Amizade de Pederneiras SP e o CE Cairbar Schutel em Matão SP e notei a recepção calorosa dos amigos aos que chegavam à casa. Designaram voluntários para recepcionar as pessoas e entregar mensagens. Ótima iniciativa. Tem muita gente que chega pela primeira vez ao centro espírita e é necessário receber com carinho essas criaturas.


O centro espírita precisa ser um lar também para os que ainda estão aqui na Terra. É preciso, pois, humanizar-se! Outra coisa interessante foi o que ocorreu em CE Eterna Amizade, o mesmo que citei acima.


Dia de finados e realizaram uma palestra para abordar o tema: Perda de entes queridos. Entretanto não se restringiram a divulgar aos frequentadores da casa, foram além, arregaçaram as mangas e divulgaram para toda a cidade. Foi uma noite memorável. Mães e pais, católicos, evangélicos e sem religião recebendo em seus corações o consolo proporcionado pela doutrina espírita. Uma beleza! Por isso estou sempre batendo nesta tecla: Antes de cogitarmos das bênçãos dos Céus é necessário trabalhar aqui na Terra. Antes de nos espiritualizarmos é imprescindível sermos mais humanos. Pensemos nisso.








08 junho 2013

T.B.C - Irmão X



T.B.C.

Na condição de Espírito, encantamo-nos com certo grupinho de companheiros encarnados que, freqüentemente, se reuniam discutindo elevados assuntos do Espiritismo.


Leandro, Jonas e Samuel pareciam-nos três apóstolos da Grande Causa.
No decurso de cinquenta meses, encontrei-os, semanalmente, em agradável “tête-à-tête”, anotando problemas da Humanidade.

Eram apontamentos valiosos à margem do Evangelho, recordações sublimes sobre o Cristo, observações sensatas acerca dos sensitivos que visitavam, altas questões sociais, notícias da mediunidade a repontar-lhes do ambiente doméstico, e impressões próprias de contacto com os Espíritos, através dos sonhos que narravam, felizes...

Tanta simpatia inspiravam-me os três, que não vacilei apontá-los ao meu amigo Cantídio dos Santos, denodado mensageiro da luz entre a nossa pobre moradia, de companheiros dos homens encarnados, e a Esfera Superior.

Não seria justo aproveitar a quem se evidenciava na posse de tanto conhecimento? Quem poderia prever a extensão da seara preciosa, capaz de surgir de semelhante conjunto?

Cantídio ouviu-me, atencioso, e prometeu providências.

Foi assim que conseguiu situar os três amigos, certa noite, num templo espírita, e, no momento aprazado, ai compareceu com Lismundo, respeitável orientador que vinha testar-lhes a decisão.

Senhoreando a engrenagem mediúnica, o emissário, com grave fisionomia temperada por larga dose de entendimento, começou a mensagem que encomendáramos, explanando sobre a magnitude do serviço espírita, que claramente classificou como sendo um privilégio que o Senhor concede às criaturas amadurecidas na idéia do bem. Logo após, entrou diretamente no objetivo, convidando os circunstantes à atividade.

Porque não abraçarem compromissos edificantes no Cristianismo renascente? Acaso, não se sentiam prestigiados pela verdade?

Jonas, Samuel e Leandro discorreram, brilhantemente, quanto às próprias convicções.

Porque o instrutor lhes estimulasse a exposição dos pontos de vista, falaram longamente das leituras que haviam efetuado. Exaltaram os princípios de Allan Kardec, louvaram as páginas de Denis, desfiaram as pesquisas de Crookes e Aksakof e analisaram as conclusões de Bozzano e Geley com notável mestria.

Ao cabo de duas horas inteiras, em que se derramaram, contentes, no verbo luminoso e estuante, Lismundo lembrou, paciente, o impositivo do trabalho que lhes carreasse os tesouros na direção do próximo.

Era preciso rearticular corações doentes e levantar almas caídas...
O benfeitor atacou a nova argumentação, salientando a oportunidade de um agrupamento destinado à sementeira da luz. Uma casa de instrução e consolo, em que os necessitados de orientação e esperança encontrassem apoio moral. Um instituto em que a idéia espírita, através do livro nobre, distribuído com largueza de sentimento, pudesse esparzir renovação e conforto.
Os ouvintes, contudo, qual se fossem surpreendidos por ducha inesperada, entreolharam-se, transidos de susto.

Leandro acusou-se pejado de provações, Samuel declarou-se esmagado por lutas da parentela, e Jonas afirmou-se incapaz de responsabilidades maiores. E enquanto se tornavam monossilábicos e arredios, o embaixador prestimoso indicou vários setores de movimentação apostólica. Santuários espíritas de evangelização, devotamento mediúnico desse ou daquele teor, escolas diversas, hospitais, recolhimentos, creches, berçários e campanhas de benemerência foram alinhados pelo instrutor, durante mais de sessenta minutos consagrados à advertência e à ternura fraterna.

O trio, no entanto, mostrou-se irredutível.

Alegou-se a falta de tempo, a incompreensão do mundo, a imperfeição da alma, a perseguição dos Espíritos das trevas, os impedimentos físicos e o martírio familiar.

Quando os convites minuciosos e reiterados podiam ser tomados à conta de imprudência, Lismundo despediu-se.

E, novamente conosco, acalmou-me o desapontamento, explicando, bondoso:
– Não se aflija. Estamos à, frente de companheiros filiados à T.B.C. ; a experiência, contudo, é a mestra de todos... Voltaremos, assim, mais tarde.

Dito isso, regressou à sua residência na Vida Maior. Intrigado, perguntei ao amigo que me esperava : – T.R.C.? que vem a ser isso? Cantídio respondeu, a sorrir :

– T.B.C. representa a sigla da Turma da Boa Conversa, compreende?

Embora agoniado, não pude ocultar o riso franco.

Voltamo-nos, então, instintivamente, para os circunstantes, e os três amigos estavam entranhados de novo em palestra acalorada, comentando a mensagem do orientador de maneira chistosa, como se a palavra “responsabilidade” não existisse.


Pelo Espírito Irmão X
Do livro: Contos Desta e Doutra Vida
Médium: Francisco Cândido Xavier



07 junho 2013

Jesus é o Cardápio de Virtudes para todos os Espíritas - Jorge Henssen

 

 

JESUS É O CARDÁPIO DE VIRTUDES PARA TODOS OS ESPÍRITAS

 

Propaga-se colericamente nos meios de comunicação, mormente na Internet, e temos recebido diariamente mensagens  enfurecidas de condenações contra Chico Xavier, Divaldo Franco, Emmanuel, André Luiz, Joanna de Angelis,  FEB. Evoca-se com “tosse comprida” o imperativo do CUEE – Controle Universal dos Ensinos dos Espíritos. Tais iracundos juízes (maníacos antirrustenistas, antifebianos) impugnam a legitimidade dos temas abordados por Emmanuel, André Luiz, Joana de Angelis e outros tendo em vista as suas mensagens serem advindas de um único médium. Pasmem!  Os “cautelosos espíritas” vociferam citações do tipo, “não acolhemos nada fora da Codificação”. Hasteiam a flâmula de “Phd’s” do espiritismo (com minúsculas mesmo!), ou seja: certamente “kardequeologistas” com pós-graduação nas universidades das regiões subcrostais ou submundo do além.

Ora, que alcance teriam os ditados de André Luiz, Joanna de Angelis ou Emmanuel, com suas revelações, se elas fossem contraditadas, tanto pelos Benfeitores, quanto pela liderança espírita mundial? O bom senso nos convida a raciocinar o seguinte:  se um Espírito assegura um conceito de um lado, enquanto milhões de pessoas dizem o contrário algures, a presunção da verdade não pode estar com aquele  (encarnado ou desencarnado), cuja opinião é única, contrariando as demais. Isso é elementar, meu caro Watson! Como diria Sherlock Holmes (1).

Todas as pretensões isoladas cairão pela força das coisas, ante o grande e poderoso criterium de controle universal. Ora, pretender ser o único a ter razão, contra todos, seria tão ilógico advindo de um Espírito, quanto da parte de um encarnado, o que não é o caso em discussão, ou seja, não sucede rejeição na Terra das obras do Chico Xavier ou do Divaldo. Em verdade as mensagens de André Luiz, Emmanuel, Joanna não caíram e nunca desmoronarão ante o movimento espírita mundial.

No auge do desvario, recriam o Controle Universal dos Espíritos e, para tais diplomados, essa é a única forma de se aceitar, com boa margem de segurança, os ensinamentos provenientes, sobretudo, das obras de Chico Xavier. (!?) Por que essa prevenção contra o “Maior Brasileiro da História”?

Recheiam suas fanfarrices dizendo que apesar de o Espiritismo ter sido introduzido no país por membros da “aristocracia dominante”, no século XIX, houve, desde o início, forte junção da Doutrina com as religiões, principalmente, a umbanda e o catolicismo. Para os pós-graduados das cerrações, tanto os livros psicografados pelo Chico Xavier, quanto os do Divaldo Franco oferecem mensagens que nada adicionam e, até, contradizem o Espiritismo.  Empapados de fértil imaginação e reduzidos de raciocínio, dizem que todo o processo mediúnico do extraordinário médium mineiro foi plasmado por um “misticismo” católico, que, imediatamente, os diretores da Federação Espírita Brasileira (FEB) aproveitaram. Com tal misticismo, vislumbraram um meio de divulgar um Espiritismo que fosse aceito pela sociedade brasileira que, então, era católica em sua esmagadora maioria.

O que está escamoteado, sob essa necrotizante altercação, é, nada mais, nada menos, o aspecto , digamos, “religioso” do Espiritismo coordenado pela FEB e tonificado pelo “Mineiro do Século”  na sua prática mediúnica. Tais  vítimas da obsessão carecem decididamente entender que a concepção do Espiritismo como um convite à prática do Evangelho é , no mínimo, abarcar o Espiritismo na sua mais evidente missão.

A frequência com que tal discussão tem acontecido, no âmbito do movimento espírita, é azucrinante e  cansativa , estéril e alienante. Para os  tantãs, a postura religiosa , Xavieriana, tem um estilo cerceador sobre o desenvolvimento do Espiritismo, enquanto filosofia.(!?) Meus Deus! Quanto pitiatismo!

Tais “progressistas” regurgitam que é urgente fugir do “Jesus Católico”, do religiosismo, do igrejismo enraizados nos centros espíritas. É preciso transformá-los em academias de kardequilogistas diplomados. Oh! Irrisão!

É necessário que o visgo da insensatez desgrude da mente desses progressistas de coisa nenhuma e recordá-los que o Espiritismo sem Jesus pode alcançar as mais extravagantes expressões acadêmicas, porém não passará de atividade fadada a decompor-se, desintegrar-se, como todas as usurpações filosóficas da Terra. Engulam ou não, Jesus Cristo é o magnífico cardápio de virtudes para todos os espíritas. Nada se compara ao excelso amor que o Cristo dispensa à Humanidade. Não temos parâmetros para ajuizarmos a Sua ingente autoridade para a Terceira Revelação, até porque a Sua transcendente culminância se perde na tenebrosa neblina indevassável dos bilhões de anos de Seu labor.


Nota:

(1)          Personagem de ficção da literatura britânica criado pelo médico e escritor Sir Arthur Conan Doyle


Jorge Hessen

 

06 junho 2013

A Tua Fé te Curou - Sergito de Souza Cavalcanti





A TUA FÉ TE CUROU


     Assim como o amor, se encontra em forma latente dentro do nosso ser, a fé está em forma de gérmen em todas as criaturas, independentemente de qual seja sua religião. É, portanto, algo que depende de nosso esforço pessoal para crescer e germinar.

     O próprio Cristo nos asseverou: “Podeis fazer o que eu faço e muito mais”, deixando claro que nunca curou ninguém, pois toda cura, ele imputava à fé da pessoa, dizendo: “a tua fé te curou”.

Portanto, somos todos portadores de força interior, muitas vezes desconhecida para nós mesmos. Jesus procurava com sua superioridade espiritual e moral, ajudar as pessoas a despertar em si mesmas essa força já existente em todas as criaturas, independentemente da crença.

     Quando o Mestre caminhava para a casa de Jairo para despertar Talita do sono letárgico que a acometia, surgiu no caminho uma mulher que havia doze anos sofria de hemorragia incurável. Por doze anos havia gasto tudo o que tinha com médicos e remédios e não havia sido curada.

     Ao ver o Mestre se aproximar, pensou consigo mesma: “Se eu tocar em suas vestes ficarei curada”, e assim, com muita fé e confiança, tocou nas bordas do manto de Jesus. Grande multidão cercava Jesus, que perguntou a Pedro quem o havia tocado, pois sentiu que dele saíra uma virtude, um fluido medicamentoso.

     A mulher enferma, ao demonstrar desejo ardente de curar-se, isto é, fé em si mesma, abriu espaço para a cura. O auxílio externo veio de Jesus, mas a cura, em si, decorreu da própria mulher.

     É bom que salientemos que é a vontade que aciona o mecanismo da fé. Jesus ao dizer: “A tua fé te curou”, deixou bem claro que não foi Ele quem a curou, mas imputou o resultado a ela, por sua fé.

Jesus sempre transferiu a cura para a própria fé do doente. Embora as religiões coloquem Jesus como milagreiro, Ele foi, no entanto, o maior e melhor psicólogo da alma, que veio despertar nos homens os potenciais latentes em todos os seres.

     Temos de entender, portanto, que a fé é uma conquista que não está forçosamente ligada a nenhuma religião. Entretanto, é certo que essa força existente em nosso interior pode ser ativada por vários mecanismos, sendo um deles a religião.

     Quando unimos nossa vontade com as forças divinas, essa fé se transforma na chamada fé robusta, que é a nossa vontade potencializada pelas forças advindas de nosso Pai Celestial.

     Entretanto, convém não nos esquecermos de que toda realização nobre exige três requisitos fundamentais, a saber: 1) Desejar; 2) Saber desejar; 3) Merecer.

     O desenvolvimento da fé é fruto da maturidade pessoal; uns a exteriorizam de forma mais rápida; outros mais lentos, conforme o progresso do livre arbítrio de cada um.

     A fé, portanto, não é adquirida pela força da “graça divina”. Ora, se fosse dom, seria privilégio que Deus concede somente a determinadas criaturas. A fé é, isto sim, conquista de cada um de nós.

     A fé é importante, mas precisa estar conjugada com a ação. Não é bastante ter fé e ficar aguardando que a solução “caia do céu”; é preciso agir na busca do objetivo. 


Artigo de autoria de: Sergito de Souza Cavalcanti.



05 junho 2013

A Missão de Cada Um - Bruno Gimenes



A MISSÃO DE CADA UM


A missão de cada um tem conteúdos específicos e intransferíveis, carregados de dons únicos e potenciais que somente aquele indivíduo conseguiria desenvolver. Muito embora quando falamos sobre a missão de cada um, passamos a ideia de uma tarefa única, personalizada, encontrar e realizar a missão da alma tem aspectos genéricos que se aplicam a qualquer ser humano.

Todos temos dons ocultos específicos que podem e devem ser aflorados durante a vida, os quais se bem aproveitados, poderão promover um incrível aumento na plenitude e na alegria de existir de uma pessoa. Contudo, mesmo após o afloramento de determinados dons, muitas pessoas ainda munidas de potenciais latentes, não conseguem se concentrar no que realmente importa, a evolução da consciência e o foco em um estilo de vida voltado para os valores da alma.

A maioria das pessoas, que em algum momento se perguntam sobre suas missões aqui na Terra, já começaram a sentir um dos primeiros sintomas que indicam que elas não estão alinhadas com os seus propósitos: o sentimento de vazio. Este sentimento não vem sozinho, com ele sempre encontramos a angústia, a frustração e o desânimo que gera o efeito nota 5.

O efeito nota 5 é aquele conjunto de características que surge em uma pessoa que não faz o que ama fazer, que não vive uma vida cheia de propósitos, que não tem alegria no olhar, que não consegue construir aquele tipo de motivação que transforma os lugares por onde ela passa. São pessoas que fazem "tudo direitinho", que pagam as suas contas, que não fazem mal a ninguém, que são bons cidadãos e só! Não têm energia para criar novos projetos e para inspirar mais pessoas a tal. E a simples razão é porque não estão focando o estilo de vida para os valores da alma.

PRINCÍPIOS VALIOSOS
 
Alguns passos são necessários para que você comece a se alinhar com você mesmo:
1- Evoluir sempre é a questão mais importante da nossa existência. Em primeiro lugar, você precisa melhorar os aspectos da sua consciência, curando os traços negativos da sua personalidade, como raiva, medo, tristeza, mágoa, pessimismo, intolerância, agressividade, tendência a criticar, tendência a controlar os outros, tendência a se isolar do mundo, tendência a se culpar, e assim por diante. Leia livros, faça cursos, terapia, participe de grupos específicos, todavia jamais, sob nenhuma circunstância, deixe de dar prioridade número um a curar os seus pensamentos e emoções negativas.

2- Entenda que você é 100% responsável por você. Ninguém é responsável pela sua felicidade e você também não é responsável pela felicidade de ninguém. Arregace as mangas e siga em frente com vontade de fazer a diferença. Você pode até não saber o que está fazendo e também não ter certeza se está no caminho certo, mas se você estiver cheio de ânimo para encontrar o seu caminho, naturalmente irá encontrar, pois esse movimento obedece a leis naturais.

3- Você não conseguirá ir a lugar nenhum se não valorizar o que você é e o que você tem no agora. Jamais reclame, jamais critique, tampouco gaste o seu tempo se lamentando pelo que não tem ou não conseguiu. Gratidão e foco no seu objetivo são ingredientes mágicos que irão turbinar a sua energia interna de realização.

4- Ser para ter é a chave. No mundo atual, a maioria das pessoas olha ao seu redor e em algum momento sente uma carência profunda por não ter os bens materiais que o vizinho tem, por não ter o emprego que um amigo tem ou o relacionamento perfeito que aquela pessoa que está na mídia. Nesse momento, de forma ilusória, a pessoa pode acreditar que para ser feliz precisará dos bens materiais do vizinho, do emprego do amigo ou o relacionamento perfeito daquela celebridade. Como dificilmente ela conseguirá tudo isso, tal e qual as pessoas citadas conseguiram, então, o sentimento de carência pode vir à tona com toda força. Você não pode inverter o caminho das coisas, não podemos ter algo para ser, entretanto, devemos ser para ter. E o ser para ter envolve exatamente a aplicação correta do princípio 1.

5- Adquira o hábito da reflexão diária. Sem parar todos os dias, silenciando os sons externos e acalmando a mente, você jamais escutará a voz da sua alma. Internamente, no âmago da nossa consciência encontramos as respostas certas para absolutamente todas as situações da nossa vida, contudo, não somos acostumados a isso. Todos os dias, feche os olhos por dez minutos e faça perguntas mentalmente para você, as quais têm o objetivo de analisar como a sua alma se sente quanto à forma como você vem vivendo a sua vida. Algumas perguntas que você pode se fazer são:

- Eu estou no meu lugar no mundo?
- Quanto esforço eu faço para ser aceito(a) pelas pessoas à minha volta? Isso é realmente necessário? Eu estou agindo corretamente?
- Qual é o tamanho e qual é a qualidade do legado que eu já construí nesta vida? Quantas coisas eu já fiz pelo mundo das quais eu posso me orgulhar?
- Eu gosto do que me tornei?
- O que eu pretendo começar a fazer neste instante para melhorar a minha vida e o mundo?

6- Você só muda o mundo começando por você. Você não consegue mudar no outro o que não consegue mudar em você. Ensine pelo exemplo, seja o exemplo! Se quer mais harmonia, conquiste-a primeiro. Se quer que alguém tenha mais amor, mais paciência, mais perdão, então, tenha você primeiro mais amor, mais paciência e mais perdão.

7- Saia do piloto automático. O mundo de hoje está programado para as pessoas não pensarem, não refletirem e viverem dentro de uma proposta de comportamentos controlados para um padrão materialista unicamente e linear. Não assista TV demais, não leia futilidades demais, não faça o que todo mundo faz o tempo inteiro, não fique na corrida louca do inconsciente coletivo, pois assim você será engolido.

8- Tenha disciplina nos assuntos essenciais. Toda pessoa, com o tempo, descobre valores os quais ela não suporta viver sem, por isso, descubra quais são esses valores na sua vida e dê muita atenção a eles. Todos nós temos áreas de nossas vidas que podem ser consideradas estratégicas, então as mapeie e determine um plano de ação para que sejam bem organizadas em sua vida.

9- Viver o seu melhor é uma consequência. Quando você aplicar na sua vida um estilo de vida e comportamentos voltados para os princípios anteriores, naturalmente os seus dons e talentos começarão a aflorar e você será inspirado a fazer novas coisas. Mas atenção! Não há como ser feliz com seus próprios talentos, se você não souber aplicar os princípios anteriormente citados.

 Autor: Bruno Gimenes    


04 junho 2013

Linguagem do Perdão - Joanna de Ângelis



LINGUAGEM DO PERDÃO

“Repara em uma vida de provações o que a outrem fez sofrer em anterior existência. As vicissitudes que experimenta são, por sua vez, uma correção temporária e uma advertência quanto às imperfeições que lhe cumpre eliminar de si, a fim de evitar males e progredir para o bem.” CÉU E INFERNO – 1ª. parte, Cap. V – Item 3.
A pedra bruta perdoa as mãos que a ferem, transformando-se em peça de estatuária valiosa.

A lama suporta o fogo e perdoa o oleiro, convertendo-se em vaso precioso.

A fonte desrespeitada perdoa quem lhe revolve o lodo, oferecendo água cristalina depois.

O grão de trigo esmagado perdoa o agricultor que o atira ao solo, multiplicando-se em muitos grãos que enriquecem a mesa.

O ferro deixa-se dobrar sob altas temperaturas e perdoa os que o modelam, construindo segurança e conforto.

A Natureza tudo perdoa, transformando o mal aparente em bem real.

A peça apodrecida sobre o solo é absorvida e renasce em nova forma, vitalizando plantas e animais, como mensagem de perdão da terra.

Tudo ama, tudo perdoa...

Perdoa a mão que te ultraja, a boca maldizente que te calunia, o olhar invigilante que te magoa, o espírito que a enfermidade vergasta e que te persegue...

Perdoar é impositivo para cada hora e todo instante.

No laboratório somático que serve de veículo temporário ao espírito, o amor de Deus vibra em perdão e harmonia como mensagem atuante e vigorosa, produzindo oportunidades e realizando tarefas.

Aprende, assim, a converter o mal que te fazem em bem que possas fazer.

E, se for necessário voltares ao ofensor e dele novamente sofreres ultraje, recorda que o Mestre preconizou o perdão indistinto e incondicional tantas vezes quantas fossem as ofensas.

Persevera no trabalho com que a vida te honra a reencarnação, perdoando sempre e sem cessar, e despertarás, um dia, depois de toda dor e toda sombra, além-da-matéria, libertado das ofensas e da morte no abençoado Reino do nosso Mestre, perdoado e feliz...
 

De “Espírito e Vida”
De Divaldo P. Franco
Pelo Espírito Joanna de Ângelis

03 junho 2013

A Psicologia da Oração - Joanna de Ângelis


A PSICOLOGIA DA ORAÇÃO


Convencionou-se, ao longo do tempo, que a oração é um recurso emocional e psíquico para rogar e receber benefícios da Divindade, transformando-a em instrumento de ambição pessoal, realmente distante do seu alto significado psicológico.

A oração é um precioso recurso que faculta a aquisição da autoconsciência, da reflexão, do exame dos valores emocionais e espirituais que dizem respeito à criatura humana.

Tornando-se delicado campo de vibrações especiais, faculta a sintonia com as forças vivas do Universo, constitui veículo de excelente qualidade para a vinculação da criatura com o seu Criador.

Todos os seres transitam vibratoriamente em faixas especiais que correspondem ao seu nível evolutivo, ao estágio intelecto-moral em que se encontram, às suas aspirações e aos seus atos, nos quais se alimentam e constroem a existência.

A oração é o mecanismo sublime que permite a mudança de onda para campos mais sensíveis e elevados do Cosmo.

Orar é ascender na escala vibratória da sinfonia cósmica.

Em face desse mecanismo, torna-se indispensável que se compreenda o significado da prece, sua finalidade e a maneira mais eficaz pela qual se pode alcançar o objetivo desejado.

Inicialmente, orar é abrir-se ao amor, ampliar o círculo de pensamentos e de emoções, liberando-se dos hábitos e vícios, a fim de criar-se novos campos de harmonia interior, de forma que todo o ser beneficie-se das energias hauridas durante o momento especial.

A melhor maneira de alcançar esse parâmetro é racionalmente louvar a Divindade, considerando a grandeza da Criação, permitindo-se vibrar no seu conjunto, como seu filho, assimilando as incomparáveis concessões que constituem a existência.

Considerar-se membro da família universal, tendo em vista a magnanimidade do Pai e Sua inefável misericórdia, enseja àquele que ora o bem-estar que propicia a captação das energias saudáveis da vida.

Logo depois, ampliar o campo do raciocínio em torno dos próprios limites e necessidades imensas, predispondo-se a aceitar todas as ocorrências que dizem respeito ao seu processo evolutivo, mas rogando compaixão e ajuda, a fim de errar menos, acertar mais, e de maneira edificante, o passo com o bem.

Nesse clima emocional, evitar a queixa doentia, a morbidez dos conflitos e exterioridades ante a magnitude das bênçãos que são hauridas, apresentando-se desnudado das aparências e circunlóquios da personalidade convencional.

Não é necessário relacionar sofrimentos, nem explicitar anseios da mente e do coração, porque o Senhor conhece a todos os Seus filhos, que são autores dos próprios destinos e ocorrências, mediante o comportamento mantido nas multifárias experiências da evolução.

Por fim, iluminado pelo conhecimento da própria pequenez ante a grandeza do Amor, externar o sentimento de gratidão, a submissão jubilosa às leis que mantêm o arquipélago de astros e a infinitude de vidas.

*   *   *
Tudo ora no Cosmo, desde a sinfonia intérmina dos astros em sua órbita, mantendo a harmonia das galáxias, até os seres infinitesimais no mecanismo automático de reprodução, fazendo parte do conjunto e da ordem estabelecidos.

Em toda parte vibra a vida nos aspectos mais complexos e simples, variados e uniformes.

Sem qualquer esforço da consciência, circula o sangue por mais de 150 mil quilômetros de veias, vasos, artérias, em ritmo próprio para a manutenção do organismo humano tanto quanto de todos os animais.

Funções outras mantidas pelo sistema nervoso autônomo obedecem a equilibrado ritmo que as preserva em atividade harmônica.

As estações do tempo alternam-se facultando as variadas manifestações dos organismos vivos dentro de delicadas ondas de luz e de calor que lhes possibilitam a existência, a manifestação, o desabrochar, o adormecimento, a espera.

O ser humano, enriquecido pela faculdade de pensar e dotado do livre-arbítrio, que lhe propicia escolher, atado às heranças do primarismo da escala animal ancestral pela qual transitou, experiencia mais as sensações do imediato do que as emoções da beleza, da harmonia, da paz, da saúde integral.

Reconhece o valor incalculável do equilíbrio, no entanto, estigmatizado pela herança do prazer hedonista, entrega-se-lhe à exorbitância pela revolta nos transtornos de conduta, como forma de imposição grotesca.

Ao descobrir a oração, logo se permite exaltar falsas ou reais necessidades, desejando respostas imediatas, soluções mágicas para atendê-las, distantes do esforço pessoal de crescimento e de reabilitação.

É claro que aquele que assim procede não alcança as metas propostas, pois que elas ainda não podem apresentar-se por nele faltarem os requisitos básicos para o estabelecimento da harmonia interior.

A oração é campo no qual se expande a consciência e o Espírito eleva-se aos páramos da luz imarcescível do amor inefável.

Quem ora ilumina-se de dentro para fora, tornando-se uma onda de superior vibração em perfeita consonância com a ordem universal.

O egoísmo, os sentimentos perversos não encontram lugar na partitura da oração.

Torna-se necessário desfazer-se desses acordes perturbadores, para que haja sincronização do pensamento com as dúlcidas notas da musicalidade divina.

A psicologia da oração é o vasto campo dos sentimentos que se engrandecem ao compasso das aspirações dignificadoras, que dão sentido e significado à existência na Terra.

Inutilmente, gritará a alma em desespero, rogando soluções para os problemas que lhe compete equacionar, mesmo que atraindo os numes tutelares sempre compadecidos da pequenez humana.

Desde que não ocorre sintonia entre o orante e a Fonte exuberante de vida, as respostas, mesmo quando oferecidas, não são captadas pelo transtorno da mente exacerbada.

*   *   *
Quando desejares orar, acalma o coração e suas nascentes, assumindo uma atitude de humildade e de aceitação, a fim de que possas falar àquele que é o Pai de misericórdia, que sempre providencia todos os recursos necessários à aquisição humana da sua plenitude.

Convidado a ensinar aos seus discípulos a melhor maneira de expressar a oração, Jesus foi taxativo e gentil, propondo a exaltação ao Pai em primeiro lugar, logo após as rogativas e a gratidão, dizendo:
- Pai Nosso, que estais nos Céus...

Entrega-te, pois, a Deus, e nada te faltará, pelo menos tudo aquilo que seja importante à conquista da harmonia mediante a aquisição da saúde integral.

Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na manhã de 29 de outubro de 2012, em Sydney, Austrália

02 junho 2013

Mediunidade Musical - Christina Nunes



 MEDIUNIDADE MUSICAL
 

Há uns dias emerge à minha audição psíquica, com insistência, uma melodia, desconhecida, em solo de violino. Parece trilha sonora maravilhosa para o livro que venho recebendo de Iohan, um dos meus parceiros do invisível no trabalho literário espírita! Todavia, sempre prevenida para analisar sob o crivo da lógica tudo o que me acontece neste território, e apesar de o correr dos muitos anos nesta atividade ter me presenteado à fartura com manifestações maravilhosas dos prodígios dimensionais de onde habitam os nossos amigos do lado de lá, fui acompanhando, apenas, e atenta, o que acontecia, e evitei conclusões precipitadas. Poderia ser só sugestão. Veríamos!

Eu já conheço da convivência com Iohan, - aliás como é hábito recorrente de quem interage conosco a partir da invisibilidade, - que volta e meia, quando quer me instruir ou me levar a entender melhor aspectos do que acontece na convivência mediúnica, ou no modo de vida das dimensões onde vive, ele me encaminha, de forma irresistível, a leituras que julga úteis. Assim, normalmente, por aparente "acaso", dou de cara com algum livro que cai como uma luva às particularidades do período que vivencio na nossa interação.

Noutro dia, aconteceu sob as aparências espantosas de ele simplesmente "empurrar", pode-se dizer, uma obra de Victor Hugo para mim, dentro da seção de livros espíritas de uma livraria gigantesca do Rio de Janeiro. Olhando a esmo, de um impulso puxei um - mais atraída pelo autor, Victor Hugo, de quem já lera uma ou duas obras psicografadas antes. E, para minha estupefação, vi em minhas mãos um lindo livro com um violino na capa: Na Sombra e na Luz! Com o qual, depois ele explicou, quis mostrar a qualidade dos relacionamentos amorosos das oitavas dimensionais mais avançadas, através da linda história daquele professor de violino e a sua musa, no enredo da novela do nobre autor desencarnado francês!

Pois desta vez não aconteceu diferente, neste período, em que vem me ditando um livro cujo conteúdo é todo passado na estância onde habita desde a sua última passagem pela Terra, rico em detalhes encantadores a respeito do trabalho que também lá desenvolve, como músico e violinista! Nele, explana sobre a qualidade indescritível das atividades deste teor nas esferas espirituais mais avançadas. Então, em momento em que buscava, num site literário, ítens doutrinários que por verossimilhança me servissem de respaldo ao que de mais sublime ele vem oferecendo ao meu conhecimento, Iohan, gerenciando a iniciativa, atraiu minha atenção para o volume de Geziel Andrade - Os Espíritos, A Música Celeste e a Música Terrena - que, de um impulso, como se eletrizada, comprei!

Magnífica obra, a de Geziel! Recobrou minhas lembranças para algo de há muito esquecido, visto que concluí a leitura das obras principais da Codificação Espírita há tempos, valendo-me delas hoje para estudo direcionado! Porque, com a sua análise bem elaborada, isenta, Geziel nos coloca em contato direto com todas as mais importantes pesquisas de campo e anotações de Allan Kardec, contidas nas publicações de estudos nas revistas espíritas da época e em sua monumental Codificação, a respeito da influência maciça de espíritos músicos, compositores, instrumentistas, sobre médiuns sensíveis de todos os tempos!

Geziel narra-nos minuciosamente casos conhecidos de médiuns europeus de toda faixa etária que foram influenciados, sob as atenções de testemunhos isentos e de idoneidade inatacável, pelos espíritos de Mozart, Chopin, Rossini, dentre tantos outros talentos da invisibilidade que, no labor de indescritível utilidade junto aos reencarnados, deixaram composições típicas de seu estilo, de inenarrável beleza!
Acompanhamentos se produziam do nada junto ao solo de uma médium inspirada na execução de um instrumento! Páginas com composições surgiam; espíritos produziam espontaneamente marchas militares, ou ao sabor de suas preferências, na presença de testemunhas atentas, de cujas reuniões Kardec participou, assíduo, dali extraindo conclusões pautadas sob rigorosa metodologia científica na avaliação destes fenômenos!

E Geziel vai mais longe, ao asseverar ao leitor mais questionador - como eu mesma me reconheço -, e como se antecipasse nosso pensamento, que não apenas naqueles séculos já recuados tais acontecimentos surpreendentes se davam! Ainda hoje, médiuns ligados à música, ou às Artes, em todos os quadrantes do planeta, permanecem nesta simbiose prazerosa com espíritos artistas a quem frequentemente são ligados por elos afetivos, recebendo deles inspiração para composição, ou proteção durante a realização de espetáculos! Beneficiam, assim, as suas performances, e inspiram-lhes segurança para o sucesso! Cita, a exemplo, o caso da inspiração recebida por Paul Mcartney quando compôs a legendária "Yesterday"! O cantor relata que acordou assobiando a música, que aparentemente lhe saira "pronta" da mente e das mãos, ao passá-la para o papel!

São, portanto, muitos os fatos pitorescos e, sobretudo, belos, relatados no livro de Geziel Andrade - verdadeiro repositório de casuística mediúnica na área específica da Arte Musical em interação constante entre as duas esferas da vida! Resta-me, a partir disso, portanto, claro o esclarecimento que o meu próprio companheiro querido de atividades mediúnicas quis proporcionar, em meio ao trabalho único que vimos desenvolvendo há algumas semanas, durante o qual passou a repercutir com tocante beleza na minha audição psíquica o trecho melódico estranho e desconhecido, em solo de violino por vezes acompanhado de indefinível execução orquestral distante enriquecendo-lhe a harmonia perfeita, entre névoas etéreas, embora nítida!

Neste momento! Quando cheguei a questioná-lo, cheia de dúvidas sinceras, se seria, ele, o responsável pela composição, e pelo solo lindíssimo! Sem sequer me atrever, apesar da grande vontade, a tentar transcrevê-los para uma partitura, de vez que, violinista ainda precoce, com pouco mais de um ano de estudo, não disponho de segurança ou conhecimento suficiente de teoria musical para fazê-lo com segurança!

Tentei reproduzir o trecho no meu próprio violino. Pareceu-me à percepção musical ingênua, talvez, simples! Não era! Houve alguma dificuldade na alternância entre tons melódicos. Mesmo assim, sou infinitamente grata a Iohan! Pois quem sabe ele não esteja, por generosa bondade, me oferecendo ao conhecimento a sua tocante Sonata ao Amor*?

*Composição de sua autoria, citada no seu livro de mesmo título, e dedicada à sua cônjuge espiritual. 




01 junho 2013

Abraham Lincoln, Victor Hugo e a Conspiração do Silêncio - Sonia Theodoro da Silva




ABRAHAM LINCOLN, VICTOR HUGO 

E A CONSPIRAÇÃO DO SILÊNCIO

 

   
Os filmes “Lincoln”, parte da biografia do famoso presidente e “Os Miseráveis”, musical extraído do romance best-seller de Victor Hugo retratam momentos históricos de grande importância para as nações envolvidas: Estados Unidos e França. Ambos concorreram ao Oscar 2013 e a outros diversos prêmios que antecedem ao primeiro, porém, é evidente que atraem multidões; sem nos prendermos aos comentários dos críticos especializados vamos direto ao ponto: Abraham Lincoln, que viveu entre 1809 e 1865, portanto contemporâneo de Allan Kardec, e do próprio Victor Hugo (1802 – 1885), igualmente contemporâneo ao lançamento de O Livro dos Espíritos (1857) e, sem dúvida alguma também deve ter tomado conhecimento dos fenômenos que ocorreram em Hydesville (1848), era médium. Os fenômenos que ocorriam consigo davam-lhe a certeza de que “acreditava-se o instrumento de uma Inteligência situada para além de sua compreensão pessoal. Por esse motivo nunca se perturbou e caminhou com serenidade e tristeza para o seu sacrifício final, sem nenhuma preocupação em ocultar as suas tendências para a pesquisa psíquica, suas premonições, sonhos, visões, suas experiências em sessões de comunicação mediúnica, seus diálogos com os desencarnados e sua – até certo ponto discômoda – faculdade de intuitivo.” (Rodrigues, 1967).

O livro de Nettie Colburn Maynard, “Was Abraham Lincoln a Spiritualist?” foi traduzido pelo escritor brasileiro Wallace L. Rodrigues (1) e é um manancial de revelações acerca da vida do Presidente norte-americano, que, em meio a dramas pessoais, ao enfrentamento de uma guerra civil que priorizava a separação dos Estados do sul e do norte, com a morte, ao seu final, de quase 40.000 soldados, além de outros tantos civis (veja-se “A Guerra Civil Americana”, excelente documentário exibido pela TV Univesp) e que tinha como motivo a escravidão nefanda dos negros nas fazendas sulinas, ainda teve forças para libertá-los, através da Emenda Constitucional No. 13.

A emenda nº 13 é de 1865 e determinou a abolição da escravidão. A emenda nº 15 é de 1870 e estendeu o direito de voto para ex-escravos (2), portanto, de nada adiantando os protestos, as conspirações, que acabaram por levar ao assassinato do presidente.

Mas, infelizmente, o que o filme não relata – nem sequer cita – é o fato de que Lincoln realmente realizava sessões mediúnicas na Casa Branca, onde buscava, junto aos Espíritos, aconselhar-se quanto aos destinos do país que jurara manter unido e em Paz. Após a sua morte (por ele prevista em sonho), sua esposa continuou os contatos com os Espíritos, sendo fotografada por um precursor da fotografia espírita de nome Mumler, com o Espírito do marido ao seu lado, sendo que o próprio fotógrafo desconhecia a identidade da sra. Lincoln.

O livro de Maynard, traduzido sob o título “Sessões Espíritas na Casa Branca” e que também traz os testemunhos verbais e documentais de contemporâneos e pesquisadores da época e posteriores, são um atestado cabal da interferência dos Espíritos Superiores – interferência necessária à época – para que a grande nação não sucumbisse ante o ódio sectarista que sempre ameaçou os seus alicerces, e que se estende até os dias atuais.

Victor Hugo dispensa apresentações. Sua personalidade poderia ser definida hoje como pacifista e ativista de direitos humanos, da defesa dos oprimidos, e da liberdade democrática – a legítima e tão distante liberdade democrática em nossos dias. Defensor da abolição da pena de morte em seu país, traça em “Os Miseráveis” vários aspectos de seu tempo: a miséria moral e material reinante nas camadas sociais mais desprovidas e abandonadas pelos governos e a assistência social praticamente limitada e quase inexistente, a crueldade reinante nas instituições penais (3), bem como nas demais instituições, sem mencionar a sua inadequação, o que levava o prof. Rivail, futuro Allan Kardec, seu contemporâneo, a buscar alternativas na Educação, além do sempre presente, intenso e escravizante preconceito contra a mulher.

Victor Hugo, durante o seu exílio (veja-se a sua biografia (4) no site abaixo mencionado) dá início às sessões mediúnicas onde recebia os mais eminentes Espíritos da história humana, e que estão em parte relatados no livro de Eduardo Carvalho Monteiro, “Victor Hugo e seus Fantasmas”, bem como de Humberto Mariotti, “Victor Hugo Espírita”.

A única possibilidade de se captar o lado “transgressor” de Hugo, é na cena final do filme que mencionamos há pouco, quando do momento da morte do personagem Jean Valjean, a presença do Espírito Fantine vem lhe dar a certeza de que ele cumprira a sua missão de vida, ao dar à sua filha, Cosette, toda a dedicação de um verdadeiro pai.

Infelizmente, o materialismo ainda credita a comunicação dos Espíritos à superstição e à fantasia.

Triste “conspiração silenciosa” que dificulta, entrava, retarda, estende e mantém a ignorância e o sofrimento às suas milhares de vítimas, no mundo inteiro.


Bibliografia:

(1) Sessões Espíritas na Casa Branca – Nettie Coburn Maynard, 1ª. Ed., O Clarim, 1967; 
(2) http://jus.com.br/revista/texto/10282/direito-comparado#ixzz2KWP37IEf ;  
(3) Vigiar e Punir, Michel Foucault, 12ª. Ed., Vozes;
(4) http://www.filosofiaespirita.org/site/?p=281  ;
(5) Veja ainda: http://www.filosofandocotidiano.blogspot.com  
(6) Matéria de capa na Revista Internacional de Espiritismo: http://www.oclarim.org/site/