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12 junho 2014

Talidomida - Irmão X


TALIDOMIDA

Na tela cinematográfica, junto da qual sentíamos a realidade sem distorção, o professor do Plano Espiritual exibiu dois pequenos documentários sobre o assunto que nos fora motivo a longo debate.

1939 – 1943 – Surgiu à cena agitada metrópole européia. Em tudo, o clima de guerra. Desfiles militares de pomposa expressão. Na crista dos edifícios mais altos, bocas de fogo levantavam-se em desafio. Nas ruas, destacavam-se milhares de jovens em formações de tropa, ao rufar de tambores, ostentando símbolos e bandeiras. O povo, triste e apreensivo nas filas de suprimento, parecia desvairar-se de júbilo, nas paradas políticas, ovacionando oradores nas praças públicas. De vez em vez, sirenas sibilavam gritaria de alarme. Aviões sobrevoavam, incessantemente, o casario enorme, lembrando águias metálicas, de atalaia nos céus, para desfechar ataques defensivos contra inimigos que lhes quisessem pilhar o ninho.

Através de informações precisas, registrávamos os mínimos tópicos de cada conversação.

De súbito, vimo-nos mentalmente jungidos a dilatado recinto, onde centenas de policiais e civis cochichavam na sombra.

Articulam-se avisos. Ramifica-se a trama.

Camionetas deslizam dentro da noite.

Outros agrupamentos se constituem.

Mais algum tempo e magotes de transeuntes se agregam num ponto só, formando vasta legião popular em operoso bairro de ascendência israelita.

São paisanos decididos à rapinagem.

Homens e mulheres de raciocínio maduro combinam o assalto em mira. Madrugada adiante, quando a soldadesca selecionada desce dos veículos com a ordem de apressar famílias inermes, ei-los que invadem as residências judias, agravando o tumulto.

Para nós que assistíamos ao espetáculo, transidos de dor, era como se fitássemos corsários da terra, no burburinho do saque.

Mãos que retivessem anéis, pulsos que ostentassem adornos, orelhas ornamentadas de brincos e bustos revestidos de jóias sofriam golpes rápidos, muitos deles tombando decepados em torrentes sanguíneas. Alguém que aparecesse com bastante coragem de investir contra os malfeitores, cuja impunidade se garantia com a indiferença de quantos lhes compartilhavam a copiosa presa, caía para logo de pernas mutiladas, para que não avançasse em socorro das vítimas.

E os quadros vivos se repetiam em outros lugares e em outras noites, com personagens diversas, nos mesmos delírios de violência.

1949 – 1953 – A tela passa a mostrar escuro vale no Espaço. Examinamos, confrangidos, milhares de seres humanos em condições deploráveis. Arrastam-se em desgoverno. Há quem chore a ausência dos braços, quem lastime a perda dos pés. Possível, no entanto, identificar muitos deles. São os mesmos infelizes de 1939 a 1943, participantes das empresas de furto e morte, à margem da guerra. Desencarnados, supliciam-se no remorso que se lhes incrusta nas consciências. Carregando a mente vincada pelas atrocidades de que foram autores, plasmaram em si, nos órgãos e membros profundamente sensíveis do corpo espiritual, as deformidades que infligiram aos irmãos israelitas indefesos. Ainda assim, almas heróicas atravessam o nevoeiro e distribuem consolações. Para que se refaçam, é preciso que reencarnem de novo, em breves períodos de imersão nos fluidos anestesiantes do plano físico. Necessário retomem a organização carnal, à maneira de doentes complicados que exigem regime carcerário para tratamento preciso.

Ensinamentos prosseguem ao redor do filme.

Sofrerão, sim, mais tarde, as provas regenerativas de que se revelam carecedores, mas, por enquanto, são albergados por braços afetuosos de amigos, que se prontificam a sustenta-los, piedosamente, ou entregues a casais necessitados de filhinhos-problemas, a fim de ressarcirem dívidas do pretérito.

A maioria dos implicados renasce no país em que se verificou o assombro delito, e muitos deles, em vários pontos outros do mundo, ressurgem alentados por famílias hospitaleiras ou endividadas, que se aconchegam, para a benemerência do reajuste.

Certamente – comentou o instrutor, ao término da película - certamente que nem todos os casos de malformação congênita podem ser debitados à influência da talidomida sobre a vida fetal. Em todos os tempos, consoante os princípios de causa e efeito, despontam crianças desfiguradas nos berços terrestres. O estudo, porém, que realizamos pela imagem esclarece com segurança o fenômeno das ocorrências de má-formação que repontaram em massa, entre os homens, nos últimos tempos.

Achávamo-nos suficientemente elucidados; no entanto, meu velho amigo Luís Vilas indagou:

- Isso quer dizer então, professor, que a talidomida e a provação funcionaram em obediência à justiça, mas não será lícito esquecer que o lar e a ciência vigilante dos homens também funcionaram em obediência à Misericórdia Divina, que a tudo previu, a fim de que a administração daquele medicamento não ultrapassasse os limites justos. Compreenderam?

Sim, recebêramos a chave para entender o assunto que envolvia dolorosa disciplina expiatória, e, à face da emoção que nos impunha silêncio, a lição foi encerrada.

Pelo Espírito Irmão X
Do livro: Contos desta e Doutra Vida
Médium: Francisco Cândido Xavier

11 junho 2014

O Sopro dos Espíritos - Um Amigo

 

O SOPRO DOS ESPÍRITOS

Os Espíritos do Bem sopram onde quer que se encontrem seres encarnados.

Assim como eles podem descer até as cavernas que servem de esconderijos aos assassinos e soprar-lhes boas ideias ao pensamento, com o propósito de subtraí-los à vida do crime, podem também ditar conteúdos positivos e esclarecedores aos médiuns com os quais estão acostumados a trabalhar, ou então com médiuns com os quais nunca trabalharam, mas lhes oferecem boas condições de receptividade.

Os Espíritos do Bem podem inspirar os fiéis das diferentes religiões.

Não se exclua a possibilidade de inspirarem também pessoas que não professam religião nenhuma.

Eles não são propriedades deste ou daquele, pois trabalham a serviço do engrandecimento moral da humanidade; não se fazem de rogados e marcam presença onde lhes apraz.

Não é regra básica que revelem seus nomes, assim como podem escrever, aparecer, falar, pintar e compor músicas através de médiuns diferentes.

O cuidado que devemos ter é o de analisar o teor das comunicações.

Isso é fundamental.

O veneno do egoísmo, do orgulho, da dureza de pensamentos e sentimentos vem se infiltrando no Espiritismo.

Desta maneira, fornece-se pasto para a discórdia.

A luz fica nublada por palavras impensadas.

Depende muito dos leitores avaliarem e ajudarem a dissipar as trevas que ameaçam tolher a beleza das comunicações, a nos trazerem conhecimentos.

Cuidado com elogios capazes de introduzir os médiuns em searas individualistas que patrocinam ilusões descabidas.

Médiuns famosos e conceituados são passíveis de absorverem as energias descompensadas dos aduladores.

Desejamos mesmo contribuir para com a divulgação honesta e abrangente do Espiritismo, acalentador dos ensinos de Jesus?

Então, estudemos, avaliemos e fiquemos longe de comentários pueris.

Considerando estas verdades, tenhamos a certeza que o Bem, através de seus Legítimos Representantes, é como o pólen que se esparrama na superfície da Terra, levado pelas abelhas, pelas borboletas e pelo vento.

É também como as sementinhas disseminadas pelos pássaros, tanto em áridos como em férteis terrenos.

Assim foi, é e será sempre.

Acalmem-se os ânimos e considerem a positividade das comunicações, deixando de dar tanta importância a nomes de espíritos e de locais.

Valorizar o que é bom e sublime, evitando contendas, é agradável ao Senhor.

A Paz e a Harmonia envolvam a todos.

Um Espírito Amigo 
Psicografia:- Maria Nilceia em 06/04/2014



10 junho 2014

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Vianna de Carvalho


O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

A Revolução Francesa, ao libertar o ser humano da escravidão política, quando passou a entoar o hino da liberdade, da igualdade e da fraternidade, desenhou e inscreveu, com sacrifícios inomináveis, os direitos do homem e os da mulher nos grandiosos códigos da Justiça.

No fragor das lutas intérminas, os objetivos dos filósofos e dos idealistas da primeira hora foram substituídos pela alucinação dos famigerados assassinos do período do Terror, insculpindo no destino do país lamentáveis consequências, que seriam sofridas em amarguras indescritíveis.

Nesse enlouquecer das paixões asselvajadas, as turbas napoleônicas estimularam seus exércitos a expandir os horizontes da Flor de Lis por outros países europeus, que passaram a submeter-se-lhes, após as batalhas memoráveis.

Ao tornar-se Imperador da França, em 2 de dezembro de 1804, Napoleão Bonaparte governou o imenso território conquistado, até o período das desditas de 1815, com a derrota na batalha de Waterloo, durante os dias 16 a 19 de junho, com a sua respectiva prisão e exílio vergonhosos.

Houvera retornado a Paris por 100 dias, num verdadeiro golpe de Estado, para perder-se e, em Santa Helena, encerrar a jornada terrestre no dia 5 de maio de 1821, quando desencarnou.

Os céus da França encontravam-se plúmbeos e a sua psicosfera permanecia carregada dos ódios seculares que se prolongavam, desde a Noite de São Bartolomeu, nos trágicos 23 para 24 de agosto de 1572...

A religião dominante, enceguecida pelo poder temporal, manteve-se pela força da hediondez e da criminalidade, restaurada pela mão de ferro de Carlos Luiz Napoleão III, cognominado por Victor Hugo, como O Pequeno.

Desde o século XVII, quando houve a ruptura entre a Ciência e a Religião, a negação da fé religiosa substituiu a crença tradicional e cega, passando a predominar nos arraiais intelectuais e nas academias, o conhecimento, a experiência de laboratório, em vez da ingenuidade imposta aos simples e a todos que temiam o poder da Igreja.

Em pleno século XIX, nobres sacerdotes como Montalembert, Lamennais, Lacordaire e outros anelavam pela vivência do conceito Deus e liberdade, sendo alguns depostos das vestes que ostentavam, e tornou-se insuportável o relacionamento entre as academias e as sacristias.

Nesse ínterim de conflitos religiosos e acadêmicos, em que a política de Estado unida ao Clero interferia no destino das criaturas no país, Allan Kardec e a equipe luminosa do Espírito de Verdade já se encontravam em ação, preparando o advento de O Consolador, que logo mais se instalaria na Terra, porque pairava glorioso na Erraticidade e aguardava o momento de manifestar-se.

Lançados O Livro dos Espíritos, em 1857 e O Livro dos Médiuns, em 1861, vitoriosamente, uma nova ciência e uma filosofia otimista – o Espiritismo – passaram a iluminar as consciências e predispor a cultura vigente para o momento em que seria publicado O Evangelho Segundo o Espiritismo, libertado dos grilhões escravagistas dos teólogos insanos, distantes do amor de Jesus.

Em abril de 1864, Allan Kardec, sob a inspiração do Excelso Mestre, trouxe a lume a Sua superior moral, ao publicar a obra que iria consolar e esclarecer a Humanidade com as dúlcidas lições da ética e de valores elevados, todas exaradas nos sublimes sentimentos do amor, da caridade, da misericórdia, da compaixão...

Ao dedicar-se, exclusivamente, ao estudo e significado dos ensinamentos morais das palavras do Senhor, por serem de todos os tempos, o mestre de Lyon teve o cuidado de arrancar o joio que penetrara no trigal e transformou as espigas abundantes em celeiros de luz, que atravessaram os decênios como farol inapagável e apontam o rumo do porto seguro da plenitude para todos.

A noite densa e dominante passou a salpicar-se de diamantes estelares e nunca mais haverá escuridão.

As vozes dos Céus começaram a cantar as sinfonias incomparáveis enunciadas nos gloriosos dias em que Ele passeou pelas terras palestinas, quando encerrou o Seu ciclo de amor, não na cruz de vergonha, como se pensava, mas nas paisagens iridescentes da ressurreição triunfante.

Filósofos, missionários, cientistas, luminares da cultura, da arte, da abnegação, lídimos representantes do Sermão da montanha compuseram a partitura musical da Mensagem e Jesus retornou à Terra conforme prometera.

A partir desse novo momento, toda dor passou a encontrar lenitivo, toda aflição tem recebido conforto, e qualquer tipo de alucinação e ódio tem disposto de diretriz de segurança para a vivência da saúde e da paz.

As vozes siderais, ao exaltarem o triunfo da vida sobre a morte, glorificam Deus e Sublime Guia, preparam o Reino dos Céus nos corações terrestres, ansiosos pela conquista da plenitude.

Instaurada a Era que prenuncia o mundo de regeneração, quando o sofrimento cederá lugar à alegria de viver e o desespero facultará o encantamento da irrestrita confiança na Vida, as criaturas passam a experimentar novos estímulos para o prosseguimento da jornada, embora ainda enfrentem os últimos vestígios de inquietação que irão desaparecer por definitivo.

Em face do novo e ditoso acontecimento, saudamos, emocionados, o Sesquicentenário da publicação de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, que permanece como um luzeiro na penedia ante o mar proceloso e aponta o porto de segurança para todos os viajores da Terra.

Nestes tumultuosos dias da sociedade, glória a Allan Kardec e à sua obra, que proporcionam as vindouras alegrias do encontro com a harmonia espiritual!

Vianna de Carvalho

Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnica da noite de 18 de dezembro de 2013, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

09 junho 2014

A Bênção do Sofrimento - Joanna de Ângelis



A BÊNÇÃO DO SOFRIMENTO


Acompanhas o deperecer das forças do ser querido, que a enfermidade vitima silenciosamente, roubando-lhe as energias que antes oferecia movimento e saudável alegria.

Agora contemplas o corpo debilitado, assinalado pelas dores que o consomem, ora em delírio, fruto da enérgica medicação que faz diminuir a intensidade das dores, noutros momentos a débil lucidez que o faz reconhecer o estado de fraqueza em que se encontra.

Anelarias que as dores fossem diminuídas, e perguntas a razão pela qual a admirável máquina orgânica, rica de potencialidades e capaz de produzir tantas realizações edificantes, de um para outro momento é devorada por peculiares limitações, desconsertos, em marcha irrefreável para o fenômeno da morte.

Observas como experimentam aflições alguns Espíritos nobres e gentis, que trabalham em favor do Bem e cultivam os ideais de edificação e da caridade, enquanto outros, que se dedicam ao mal e preservam sentimentos destrutivos permanecem em irretocável estado de saúde ou desencarnam sem a presença das dores angustiantes.

Não é raro inquirires, porque coisas más acontecem a pessoas boas.

Esses fenômenos, porém, fazem parte do processo da evolução e constituem desafios que facultam o crescimento espiritual do ser.

O sofrimento, do ponto de vista espiritual, é uma verdadeira bênção que Deus oferece aos Seus filhos, a fim de proporcionar-lhes o desenvolvimento dos tesouros divinos que lhes permanecem em germe, liberando-os das heranças ancestrais que o capacitaram a alcançar o estado de humanidade.

Naturalmente que aqueles que hoje são bons, nem sempre o foram, e ora resgatam os lamentáveis enganos de jornadas ancestrais, nas quais se comprometeram de maneira infeliz, escrevendo a trajetória pela qual hoje peregrinam.

Sucede que as Leis Soberanas da Vida são feitas de amor e de justiça irrefragáveis, e ninguém as burla sem sofrer-lhes as consequências.

Por outro lado, aqueles que hoje permanecem na indiferença ou se comprazem em gerar dificuldades para o seu próximo, desfrutando de alegrias e concessões que parecem não merecer, estão dispondo da oportunidade de produzir e de despertar os sentimentos elevados que jazem entorpecidos pela inferioridade na qual ainda se encontram...

Volverão ao proscênio terrestre oportunamente, e serão considerados bons, experienciando as aflições que soam como injustas.

Bendize, desse modo, a dor do ser querido, neste momento de testemunho e de elevação moral, porquanto ela é a benfeitora anônima, a mensageira do amor de Deus em favor dos Seus filhos.

*

A árvore que não suporta a tempestade na fase de crescimento, não adquire solidez para manter-se ereta e resistente às intempéries.

Os metais que não experimentam a ardência da fornalha, são facilmente carcomidos pela oxidação.

O diamante que não passa pela dureza da lapidação, permanece como escuro carvão destituído de qualquer beleza, impossibilitado de refletir a magnitude das estrelas.

O barro, aparentemente imundo, que não experimenta o calor da madeira em combustão, permanece informe, não possuindo força para preservar as formas belas e de utilidade que lhe dão as operosas mãos do oleiro.

A pedra que não rola ao sabor das águas do córrego, não logra arredondar-se adquirindo especial aparência.

Tudo no Universo é resultado de incessantes transformações.

A estrela refulgente que deslumbra, é massa ígnea de elevada temperatura, assim como a dádiva da luz do Sol e da sua irradiação resulta, da consumpção da matéria em energia...

Vegetais, animais e seres humanos também são modelados na fornalha que lhes consome as formas, a fim de adquirirem a beleza transcendental a que o Criador lhes destina. Nunca reajas com rebeldia à sublime experiência do sofrimento que te modela interiormente, demonstrando-te, por um lado, a transitoriedade da aparência material, ao tempo em que te prepara para a perenidade da vida além da disjunção molecular, pelos infinitos roteiros da imortalidade.

Renasceste para redimir-te dos equívocos e disparates que te permitiste nas experiências transatas.

A dor daquele a quem amas é mensagem oportuna e advertência aos teus sentimentos, falando-te sem palavras que não permanecerás indene a equivalente processo iluminativo.

Preparas-te para a construção do Reino de Deus no próprio coração, de modo que, se estiver na divina planificação um testemunho equivalente para ti, estejas em condições de enfrentá-lo com elevação e alegria, considerando os benefícios que te advirão pelo sublime resgate.

E, se por acaso, fores convocado ao retorno, inesperadamente, sem o contributo da bênção do sofrimento na etapa final, por certo não estarás isento de o experimentares além da cortina da névoa carnal...

A existência material é concessão do Celeste amor para o aprimoramento do Espírito.

Aproveita toda e qualquer oportunidade para te edificares interiormente, valorizando a dádiva da saúde, assim como do conhecimento libertador, de modo que te transformes em exemplo de paz e de trabalho na ação imorredoura do Bem.

*

Mesmo Jesus, o Crucificado sem culpa, experimentou o sofrimento, a fim de ensinar pelo amor, que somente através da autodoação total é que se alcança a plenitude.

Toda a Sua existência na Terra foi assinalada pela sabedoria mediante o amor, a caridade, a misericórdia e o sacrifício pessoal. Nada obstante, não recalcitrou ante a dor que lhe impuseram os infelizes e desditosos, ensejando-lhe a máxima sublimação para que todos O pudessem imitar e agradecer, entregando-se-Lhe em regime de totalidade.

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo Pereira Franco, enquanto acompanhava Nilson de Souza Pereira, durante a grave enfermidade que o vencia, no entardecer do dia 1º de novembro de 2013, no Hospital Santa Isabel, em Salvador, Bahia.

08 junho 2014

Mãe - Que Pessoa é essa? - Guaraci de Lima Silveira


MÃE - QUE PESSOA É ESSA?

Não há uma pessoa no mundo que consiga esquecer-se da sua mãe. Este ser tão importante surge-nos como uma proposta de vida. É ela quem nos dá à luz, quem nos apresenta para o mundo, quem nos acolhe quando ainda frágeis ao renascermos. Mais que isto é ela quem nos aconchega no útero oferecendo-nos o grande laboratório natural para a materialização das nossas futuras formas físicas, oferecendo-nos o calor e possibilidades para nossas multiplicações celulares, atraídas que são pelo perispírito. Ao final de nove meses ei-nos de volta para mais uma experiência no corpo físico.  Mais uma bendita oportunidade de avançarmos através da nova reencarnação. Contudo, passados os tempos da glorificação apenas superficial das mães, compete-nos agora, espíritos empossados da razão e da lógica, estudarmos mais detidamente sobre este fabuloso evento natural que é ser mãe. Ou seja: que pessoa é essa?

Vários literatos, poetas e menestréis têm cantado em versos e prosas a figura materna como essencial para nossas vidas e para Deus. Aplaudimos a todos eles. De fato é isto o que ocorre. Mas, porque ocorre? Remontemos ao início. Os estudiosos da psicologia nos falam sobre o Arquétipo da Grande Mãe. Antes é bom entendermos o que vem a ser um Arquétipo. O termo "Arquétipo" foi usado por filósofos neoplatônicos, como Plotino, para designar as idéias como modelos de todas as coisas existentes, segundo a concepção de Platão. Nas filosofias teístas, o termo indica as idéias presentes na mente de Deus. Pela confluência entre neoplatonismo e cristianismo, o Arquétipo foi incorporado à filosofia cristã, por Santo Agostinho, até vir a ser usado academicamente por Carl Gustav Jung, na psicologia analítica, para designar a forma imaterial à qual os fenômenos psíquicos tendem a se moldar. Ou seja, os modelos inatos que servem de matriz para o desenvolvimento da psique. A Grande Mãe é uma designação da imagem geral, formada pela experiência cultural coletiva. Como uma imagem, ela revela uma plenitude arquetípica que, neste caso remonta a autoridade mágica da mulher; a sabedoria e exaltação espiritual que transcendem a razão; qualquer instinto ou impulso útil; tudo aquilo que é benigno, tudo que acaricia e sustém que propicia o crescimento e a fertilidade”. Em suma, a mãe boa.

É assim que formamos em nossa psique a figura central da mãe. Ao renascermos já estivemos em contato com ela por um bom período. Ouvimos sua voz, o pulsar do seu coração, o seu acalanto quando nos acariciou, perpassando por sobre o abdômen as suas mãos e ainda quando sonhou ter em seus braços, nós, a criança esperada. Jung diz que, embora a figura materna seja universal, sua imagem será matizada de acordo com as experiências individuais do sujeito com a mãe pessoal. É isto que nos prende a ela de forma indelével. As mães retiram do grande arquétipo universal aquela parte que é dedicada a cada um em particular. De acordo com suas necessidades, premissas e evolução. Pode-se dizer que é um concerto perfeito entre Deus, a Mãe e o Filho. Segundo ainda o pesquisador suíço a mãe pessoal é um receptáculo da projeção do Arquétipo Materno com todas as suas características e atributos. Ela é o primeiro “gancho” desta projeção, o que acaba por imputar-lhe “um caráter mitológico e com isso lhe confere autoridade e até mesmo numinosidade”, isto é autoridade divinal.

Segundo o Psicólogo brasileiro Alexandre Quinta Nova Teixeira, “Todo Arquétipo tem em sua essência uma ampla gama de sentimentos, sentidos, significados e símbolos diferentes dependendo de cada individualidade. Ao pensar no Arquétipo Materno me vem à cabeça o princípio de tudo, o início, pois foi a mãe que nos gerou a vida. Nada mais sublime que dar vida a um outro ser. Esta é uma característica apenas das mulheres que desejam ser mães. Ao mesmo tempo ela nos possibilita dar início as nossas vidas e ao nosso processo de individuação”. Mais adiante o psicólogo faz um comentário de extrema sensibilidade filial: “O ser mãe eleva a posição da mulher a uma postura de deusa que cria seres inofensivos e os transforma num passe de mágica em homens adultos prontos para trilharem seus caminhos sozinhos”. Entendemos assim a complexa presença das mães em nossas vidas. Ora, ninguém mesmo como uma Grande Mãe, como proposta arquetípica, para exercer essa missão extraordinária que é a de gerar um novo ser inofensivo e transformá-lo numa pessoa adulta preparada para vida. Ainda citando o psicólogo Alexandre Teixeira, ele diz que “Para as mulheres cumprirem este papel um aspecto importante é o amor maternal”.

O espírito Victor Hugo no livro Dor Suprema, diz com propriedade que mãe “É a excelsa criatura que, na Terra, representa diretamente o Criador do Universo. Mãe é guia e condutora de almas para o Céu, é um fragmento da divindade na Terra sombria, com o mesmo dom do Onipotente, plasmar seres vivos, onde se alojam Espíritos imortais, que são centelhas deíficas!”
Eu me lembro quando criança e já trabalhava na confeitaria com minha mãe, ficávamos ouvindo rádio. Naquela época uma música era presente em quase todas as programações. Chamava-se “Flor Mamãe”. Os versos diziam que alguém andava por todos os jardins procurando uma flor para ofertar e que somente a flor mamãe enfeita corações, sonhos, perfumando a ilusão fazendo milagres quando em oração. Eu olhava para minha mãe e sorríamos juntos. Em sua simplicidade ela me dizia que era exagero do poeta e eu afirmava que não. Abraçava-a e ela osculava minha fonte, depois me abraçava e dizia: “filho querido!” Essas lembranças nunca se apagam das nossas mentes. São vivas. Mamãe já retornou à pátria espiritual fazem mais de cinquenta anos e ainda a vejo andando, trabalhando, realizando, amando os filhos por igual. Em mim ficaram essas marcas como ficaram em todos os leitores as marcas das suas mães, como ficarão em todas as crianças do presente. Este gozo materno ao qual todos estamos sujeitos quando renascemos traz-nos o primeiro conforto, a primeira segurança, a primeira paz. Creio mesmo que nenhum poeta ou literato poderá descrevê-lo pois que é singular. É de cada mãe para cada filho, é a expansão da divindade que coloca as mães como intermediárias do supremo bem emitido por Deus para cada qual dos Seus filhos.

Marlyn Stone é arqueóloga e estudiosa das religiões, ela comenta sobre o período do matriarcado dizendo que: “o matriarcado é uma combinação de múltiplos fatores. Inclui matrilinearidade e matrifocalidade”, significando a criação de um grupo familiar focado na mãe. Marlyn Stone continua: “Porém o mais importante é que as mulheres eram encarregadas da distribuição de bens do clã e, especialmente, das fontes de sustento – dos campos e dos alimentos.” O período do matriarcado ocorreu no passado e cada membro do clã tornava-se dependente das mulheres. Elas geravam a vida, portanto a elas a garantia da sustentação da própria vida.

Hoje a figura da mãe cresce na medida em que multiplicam na Terra os seres reencarnados. Todos os dias são dias das mães. Segundo dados recentes de pesquisas renascem em média duzentas e dez crianças por minuto no mundo. São recebidas nos braços das mães que são mães pela primeira vez ou não, isto pouco importa. O fato é que são recebidas e embaladas naquele colinho amigo, naquele sorriso fraterno, naquela estrutura de meiguice provindas da alma feminina. Quando a mãe recebe nos braços aquele filho que acaba de nascer, não há uma pessoa que não se consterne, que não acredita que haverá no mundo um tempo em que todas as relações humanas passarão pelos caminhos do amor que educa e da ternura que faz as almas crescerem no bem, segundo Herculano Pires.

E aqui pensamos naquelas mães que recebem em seus braços os filhos com necessidades especiais. Que mesmo sabendo que o são, permitem que renasçam não se interpondo entre a paternidade de Deus e as leis falhas que muitos homens criam. Parabéns a essas mães que aceitam aqueles renascimentos, que não abortam seus filhos indepedente da situação pela qual que estão retornando ao plano físico. Joanna de Angelis, em página psicografada por Divaldo Franco no dia 11 de abril de 2011 em Salvador, nos diz que: “ Nada no Universo ocorre como fenômeno caótico, resultado de alguma desordem que nele predomine. O que parece casual, destrutivo, é sempre efeito de uma programação transcendente, que objetiva a ordem, a harmonia”. Há ainda aquelas outras que aceitam os filhos de outras mães. Que os adotam dedicando-lhes sua parcela de amor e benevolência. Que os cria como sendo seus filhos, encaminhando-os para a vida. Só mesmo um compromisso grandioso com Deus pode sustentá-las. Daí dizer que: “Mãe é o anjo que Deus põe junto ao homem desde que ele entra no mundo”, nas palavras de Fernando de Lacerda em seu livro: Do País da Luz – volume quatro. Humberto de Campos em: Reportagem de Além Túmulo faz a seguinte colocação: “E olvidaste, porventura, que ser mãe é ser médium da vida? É esta transcendência que coloca o ser materno em posição de destaque dentre as criaturas encarnadas e desencarnadas que vigem na Terra”.

Allan Kardec em seus apontamentos de arquivo, diz que: “Mãe, em sua perfeição, é o verdadeiro modelo, a imagem viva da educação. A perfeita educação, na essência de sua natureza, em seu ideal mais completo, deve ser a imagem da mãe de família”. É aqui que voltamos àquela figura ímpar que nos enleva quando nela pensamos. Quando os dissabores diários nos entorpecem os sentidos, quando as decepções nos visitam, quando as promessas não são cumpridas. Um telefonema, um e-mail um: “alô mamãe” é motivo de grande conforto espiritual. É certeza de que se todos falharem conosco pelo menos uma estará ao nosso lado. 

Sabiamente a poetisa estadunidense Emily Dickinson declarou: "Mãe é aquela pessoa para quem você corre quando está em apuros.”

Elizanda Iop, pedagoga e professora da Universidade do Oeste de Santa Catarina, tece importante comentário: “Os vários períodos históricos da humanidade mostram o papel da mu­lher na participação do grupo, seja como mãe, com a função de reprodutora e dos cuidados com os filhos, seja como mulher, mãe, trabalhadora e cida­dã. Entre as comunidades sem Estado predominou o matriarcado, cabendo à mulher a responsabilidade política do grupo. As relações sociais no período em que predominava o matriarcado não representaram a subjugação, nem a exploração do homem pela mulher, portanto, é possível afirmar que as re­lações de gênero produzidas no interior do grupo social eram igualitárias, no sentido de não ter havido exploração sobre o homem.” Desde tempos remotos a mãe se colocou como educadora e protetora por excelência. Os filhos, não importam a idade, necessitam deste concurso real e decisivo em suas vidas. 

Marlyn Stone ainda comenta que no matriarcado: “a autoridade materna é proeminente nas relações domésticas, devendo o marido juntar-se à família da esposa, em vez de a esposa mudar-se para a vila ou tribo do marido”.

Daí perguntarmos: Mãe – que pessoa é essa? Que vem de tão longe, de tempos remotos, desde o matriarcado, abrindo caminhos para que a humanidade cresça, vivenciando etapas, evoluindo como seres desde o primitivo até o civilizado. Somente alguém ligado diretamente a Deus pode desempenhar tão importante tarefa. A estatueta feminina que ficou conhecida como a Cibele da Anatólia, datada de 6.000 a.C., exibe uma Deusa Mãe corpulenta e em aparente processo de dar à luz. Sentada num trono e ladeada por duas leoas, a estatueta foi encontrada num compartimento de estocagem de grãos, o qual, segundo arqueólogos, sugere uma maneira de proteger (como um amuleto, ou objeto de cunho religioso) a colheita ou o suprimento de alimentos. As pegadas do culto à Deusa mãe são assim encontradas desde épocas imemoriais até os tempos áureos das civilizações antigas. Honoré de Balzac, o notável escritor francês do século XVIII comentou que: "O coração de uma mãe é um abismo profundo em cujo fundo você sempre encontra perdão.” Está aí o corolário da Deusa Mãe, cultuada desde antes e reverenciada desde agora.

Se para a mãe o filho é a sua suprema realização resta-nos saber o que fica para ela enquanto criatura doadora, enquanto amiga inseperável dos rebentos, enquanto médium de Deus para Seus filhos na Terra. Encontramos em Ramy Arany, terapeuta comportamental, as justas palavras que cabem e competem a todas as mães do mundo: “Observe que há uma profunda relação entre a evolução mãe-filho, pois a partir do crescimento do filho é que a mãe vai também crescendo e amadurecendo. O potencial materno já é com a mulher, pois isto é natural, porém, ele vai aparecendo, se mostrando ao longo da existência da mulher como mãe”.

Há muito mais o que dizer sobre a figura materna. É muito profunda a relação entre Deus – Mãe e Filho. Algumas delas é mesmo impossível penetrar. Mãe é a essência do reinício, a configuração do mais puro amor que pode existir entre os seres deste mundo. Mãe é a pessoa sobre a qual as Leis da Natureza derramam suas benesses no ato de criar e recriar, trazendo para a luz outros conteúdos de Deus.

Guaraci de Lima Silveira
 

07 junho 2014

O Encontro de uma alma com a outra já estava escrito? - Raul Teixeira

 


O ENCONTRO DE UMA ALMA COM A OUTRA JÁ ESTAVA ESCRITO?

Nem sempre. 

Há casos em que um indivíduo vem no mundo com comprometimentos com um determinado indivíduo. 

Daí, ao se encontrarem no mundo irão formar um par ou não, de acordo com o livre arbítrio de cada um. No entanto, nas regras do mundo terrestre, onde ainda somos espíritos tão limitados, com tantas dificuldades e deficiências que é comum que nos unamos por afinidades. 

Nem sempre aquela criatura que se une conosco no casamento veio pré determinado. 

Mas a nossa vinculação afetiva, magnética estabelece que nós podemos ter uma vida a dois segura e realizar os projetos de Deus nessa relação. 

Então, podemos dizer que os casamentos são fundamentados, na maioria das vezes, na afinidade. 

Há casos muito interessante de que uma pessoa é apaixonada por outra em um determinado lugar e esta pessoa falece, o abandona, e o que ficou muda-se para outra cidade, país e encontra lá uma outra pessoa (afinidade) que amará tanto quanto amou a primeira ou até mais. 

Então, se houvesse essa determinação o indivíduo errou na primeira vez? Não errou. 

É que nós encontramos no mundo uma quantidade de pessoas de nossas afinidades. 

A grande responsabilidade é quando eu encontro a primeira (afinidade) e eu me dedicar a ela sem sair procurando as outras afinidades que sempre encontraremos, porque somos espíritos mais ou menos do mesmo nível. 

Autoria de José Raul Teixeira


06 junho 2014

O Bom Servidor - Eurípedes Barsanulfo

Meus filhos, Que a Divina Misericórdia continue envolvendo a todos em muita serenidade e muita paz. Queridos irmãos, é uma tarefa hercúlea matar o homem velho para deixar nascer o homem novo, o homem da era nova prevista por Jesus. Entretanto, não é impossível pois Deus não coloca fardos mais pesados que os frágeis ombros da nossa infância espiritual possa carregar. Voltem-se para dentro de vocês próprios, auscultem os sentimentos modificadores necessários para que surja o homem novo cuja luz deverá brilhar, conforme a promessa de Jesus. Este trabalho é a oficina onde todos deverão desenvolver o aprendizado. Nós, fora da carne, e vocês, na carne, tomando contato com aqueles que se acham desvestidos da vestimenta física para o necessário intercâmbio de bênçãos. Portanto, meus irmãos, meus filhos, analisem-se, observem-se, mirem-se pela ética e pela ótica Cristã a fim de poderem observar melhor o parâmetro por onde devem direcionar a ação de cada um. Esta abençoada oficina, que nos foi dada como processo para o desenvolvimento evolutivo, precisa ser melhor tratada, melhor trabalhada, melhor compreendida, para que os frutos sejam mais promissores, mais edificantes e mais generosos. Sabemos que, de acordo com o estágio evolutivo do planeta, as dificuldades da densidade atmosférica que cercam trabalhos como estes são muito intensas, muito difíceis, porém, há um condutor em nossas vidas. Se não bastasse o Criador e Jesus, ainda temos a presença de abnegados tarefeiros da Vida Mais Alta que, vez que outra, recebem autorizações para alertar os corações ingênuos que ainda se apresentam como todos nós. Por isso, meus filhos, não é o momento de apontar para dificuldades de ninguém, mas é o exato instante em que devemos voltar nossos apontamentos para as nossas fraquezas, nossas imperfeições, nossas dificuldades, e verificar o que é que podemos, de iniciativa própria, com boa vontade e perseverança, alterar. Onde é que podemos fazer o investimento de energias numa tarefa espiritual que compense para cada um de nós, que seja altamente recompensador para os nossos esforços, que seja de certa forma benéfico para os nossos propósitos de melhoria interior? O Divino Amigo já nos alertou: “os meus discípulos serão conhecidos por muito se amarem”. Queremos deixar estas perguntas para análise: Onde está o amor? Em que ação? Em que atitude? Em que conduta eu estou investindo amor? Onde o amor precisa ser mais trabalhado, para que a tarefa continue com o propósito de servir a Deus, servindo ao nosso semelhante? Sabemos que no caminho do Gólgota não havia pavimento, eram pedras, calhaus e obstáculos vários, mas todo aquele que pretende chegar perto do Cristo precisa saber que a cruz da jornada é dificultosa. É uma cruz que, às vezes, imaginamos pesada demais para os nossos ombros. Contudo, nada será tão pesado para a consciência do que quando estivermos diante da Consciência Divina e constatarmos que poderíamos ter feito mais e deixamos de fazer, deixamos de realizar. Como será que nos apresentaremos do outro lado? As nossas mãos estarão carregadas de ação ou estarão vazias pois cruzamos os braços e deixamos que a inércia dominasse o sentimento, dominasse o coração, e não realizamos o que prometemos e, mais uma vez, estamos em defasagem com o compromisso maior?! Pensem nisso meus filhos, pensem nisso meus irmãos, porque o tempo passa para nós. Para Deus o que existe é a eternidade, somos nós que temos pressa. Deus aguarda o tempo que for necessário. Mas não alcançaremos o reino de Deus em nós, se não apressarmos o passo para sermos “o bom servidor” de todas as horas. Muita Paz. Eurípedes Barsanulfo Mensagem psicofônica – 07/11/09 Santuário do Amor, após os trabalhos de Dr.Hans e equipe. S.Bernardo do Campo Médium: José Maria de Medeiros Souza

05 junho 2014

Suave Despedida - Momento Espírita

 

SUAVE DESPEDIDA

Sally pulou da cadeira quando viu o cirurgião chegar.

Como está meu filho?

O olhar desolado do cirurgião falou mais alto do que as próprias palavras que pronunciou: Sinto muito, fizemos tudo o que estava ao nosso alcance.

Como um desabafo, Sally chorou e ergueu sua voz aos céus: Deus, você não se importa com as crianças? Por que meu filho teve câncer? Onde você estava, quando meu filho precisou de você?

Uma das enfermeiras a acompanhou até onde estava o filho, a fim de que se despedisse. Ela não retiraria o corpo do hospital, porque Jimmy decidira doá-lo para a Universidade, a fim de ser estudado.

Ele insistira: Eu não o usarei depois de morrer e talvez ajude uma criança a desfrutar de um dia mais ao lado de sua mãe.

Ela passou a mão pelos cabelos do filho e a enfermeira cortou uma pequena mecha, colocou numa bolsinha e lhe entregou.

Com o coração aos pedaços, Sally saiu do hospital infantil, depois de ter permanecido ali, com o seu tesouro, nos últimos seis meses.

Foi difícil dirigir de volta para casa. Mais difícil ainda entrar na casa vazia.

Levou a bolsa ao quarto de Jimmy, arrumou os carrinhos de miniatura e todas as demais coisas dele, do jeito que ele gostava.

 Sentou-se na cama e chorou, até dormir, abraçando o seu pequeno travesseiro.

Sonhou que despertou e encontrou, ao lado da cama, uma folha de papel dobrada. Abriu e leu. Era uma carta de seu filho, onde ele escrevera com uma tinta especial:

Querida mãe, sei que deve sentir muito a minha falta. Mas não pense que a esqueci, ou que deixei de amar, só porque não estou aí para dizer que a adoro.

Pensarei em você, mamãe, todos os dias. E, algum dia, voltaremos a nos ver.

Mamãe, se você quiser adotar um menino para não ficar tão sozinha, ele poderá ficar no meu quarto e brincar com todas as minhas coisas.

Se você preferir adotar uma menina, provavelmente ela não gostará das mesmas coisas que os meninos e você terá que lhe comprar bonecas e coisas de meninas.

Não fique triste quando pensar em mim. Estou num lugar grandioso. Meus avós me vieram receber quando cheguei. Mostraram-me um pouco daqui, mas, com certeza, vou levar muito tempo para ver tudo.

Eles me pediram para responder a uma pergunta sua: Onde estava Deus quando eu precisei dEle.  Estava aí mesmo, onde sempre está, com todos os Seus filhos.

Ah! Quase esquecia de dizer. Não sinto mais nenhum desconforto. Estou feliz porque eu já não conseguia suportar tanta dor.

Foi por isso que Deus enviou o anjo da misericórdia para me libertar.

Assinado: Com amor, do seu Jimmy.

*   *   *

Quando Sally despertou, pareceu sentir, no quarto, a presença do filho amado.

A madrugada avançava...

*   *   *

Nunca pensemos na morte como o fim de tudo. Não pensemos que os amados que partem serão tragados pela noite da amargura.

Eles apenas seguem antes. Deixemo-nos abraçar por eles e lhes enviemos nossas vibrações de carinho, para que o grande afeto que nos une seja alimentado todos os dias, enquanto a fronteira do mais além ainda coloca linhas divisórias para o encontro final.

Redação do Momento Espírita, com base no texto Isto chega ao coração, de autoria ignorada.

04 junho 2014

Voz Interior, você realmente a Ouve? - Victor Rebelo



VOZ INTERIOR, VOCÊ REALMENTE A OUVE?


A grande maioria das pessoas tem uma resposta automática diante de certas situações na vida.

Isso é natural e saudável, até certo ponto.

Por exemplo, se vemos, de repente, algo ameaçador diante de nós, nossa primeira reação é nos defendermos.

Até mesmo nosso corpo se prepara para isso.

É um processo que ocorre devido ao instinto de conservação...

Nosso batimento cardíaco, nosso processo respiratório, tudo se altera.

Até aí tudo bem.

Agora, o problema é quando a coisa foge do natural e toma um tamanho desproporcional e fora da realidade.

Essa falha de percepção e compreensão das circunstâncias da vida faz a gente julgar os outros, condenando-os de acordo com os nossos valores morais, ainda que nossos valores não sejam lá grande coisa...

A maioria das pessoas não é educada a compreender e perdoar.

Aprendemos, desde nossa infância, que vivemos em um mundo competitivo onde cada um deve agir por si se quiser vencer na vida.

E assim começamos mais uma semana!

No domingo já vamos dormir tristes, ansiosos, temendo a terrível segunda-feira.

Isso porque o trabalho, pra maioria, não significa autorrealização, mas necessidade de sobrevivência.

Nos preparamos para um dia que será de competição e não de cooperação.

Seja na empresa, na escola, muitos se sentem na obrigação de estar o tempo todo provando sua capacidade.

E assim, nos armamos contra o que consideramos ameaçador, julgamos e condenamos aqueles que nos ferem e nos sentimos cada vez pior, por mais que tentemos fugir dessa dor interior através das distrações comuns, que alienam... seja no consumismo daquilo que não precisamos ou comendo e bebendo aquilo que agride nosso corpo.

Chega! Pare de viver essa vida robotizada!

Pare de viver nessa turbulência emocional, com respostas condicionadas nas situações que surgem na sua vida.

Comece agora mesmo a sentir esse mundo que existe dentro de você, essa alma que grita por amor, por afeto; essa inteligência que busca se desenvolver, criar...

Onde estão seus sonhos?

Você é uma pessoa que vive para se realizar ou apenas sobrevive num mundo caótico de seres humanos frustrados?

Você pode ser feliz, e tenho certeza que será! Vamos começar a partir de hoje essa jornada?

Então, o primeiro passo é voltar pra dentro de si.

Comece percebendo sua respiração, relaxe os músculos, diminua as tensões... inspire e expire o ar profundamente e com calma.

Depois, comece a perceber o seu mundo interior.

O que está sentindo, o que está temendo, o que passa pela sua cabeça quando está distraído...

Não julgue nada, não racionalize nada, não critique... apenas perceba.

Lá dentro, quando você ultrapassa as barreiras da mente, dos desejos superficiais, dos julgamentos, da vaidade... enfim, da personalidade egoísta, existe uma voz que fala através do silêncio.

É um vazio que preenche a tudo e só pode ser percebido quando você entra nesse estado de serenidade e paz interior.

Neste momento, não vale a pena mais nada, a não ser o amor.

Este é o primeiro passo:-

- Tirar o foco das confusões externas e trazê-lo para dentro de você.

É a jornada que o filho pródigo faz de volta à casa do Pai.

É a reintegração com o seu Eu Interior, na busca pela sua natureza de Buda ou do Cristo interno que habita em você.


Artigo escrito por Victor Rebelo
Fonte: Revista Caminho Espiritual

03 junho 2014

Auto-Crítica - André Luiz



AUTO-CRÍTICA


O milagre é invenção da gramática para efeito lingüístico, pois na realidade somos arquitetos do próprio destino.

Se algum erro de cálculo existe na construção de nossas existências, o culpado somos nós mesmos.

Todos caminhamos suscetíveis de errar, todos já erramos bastante e todos ainda erraremos necessariamente para aprender a acertar; contudo, nenhum de nós deve persistir no erro, porquanto incorreríamos na abolição do raciocínio que nos constitui a maior conquista espiritual.

No reconhecimento da falibilidade que nos caracteriza, se não é lícito reprovar a ninguém, não será justo cultivar a indulgência para conosco; e se nos cabe perdoar incondicionalmente aos outros, não se deve adiar a severidade para com as próprias faltas.

Portanto, para acertar, não devemos fugir ao "conhece-te a ti mesmo", que principia na intimidade da alma, com o esforço da vigilância interior.

Esse trabalho analítico de dentro e para dentro nasce da humildade e da intenção de acertar com o bem, demonstrando para nós próprios o exato valor de nossas possibilidades em qualquer manifestação.

Autocrítica sim e sempre...

Podão da sensatez - apara os supérfluos da fantasia.

Balança do comportamento - sopesa todos os nossos atos.

Lima da verdade - dissipa a ilusão.

Metro moral - define o tamanho de nosso discernimento.

Espelho da consciência - reflete a fisionomia da alma.

Em todas as expressões pessoais, é possível errarmos para mais ou para menos.

Quem não avança na estrada do equilíbrio que somente a autocrítica delimita com segurança, resvala facilmente na impropriedade ou no excesso, perdendo a linha das proporções.

Com a autocrítica, lisonja e censura, elogio e sarcasmo deixam de ser perigos destruidores, de vez que a mente provida de semelhante luz, acolhe-se ao bom senso e à conformidade, evitando a audácia exagerada de quem tenta galgar as nuvens sem asas e o receio enfermiço de quem não dá um passo, temendo anular-se, ao mesmo tempo que amplia as correntes de cooperação e simpatia, em derredor de si mesma, por usar os recursos de que dispõe na medida certa do bem, sob a qual, a compaixão não piora o necessitado e a caridade não humilha quem sofre.

Sê fiscal de ti mesmo para que não te levantes por verdugo dos outros e, reparando os próprios atos, vive hoje a posição do juiz de ti próprio, a fim de que amanhã, não amargues a tortura do réu.


Pelo Espírito André Luiz
Do livro: Opinião Espírita
Médiuns: Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira

02 junho 2014

Não se esqueça de quem você é! - Bruno Gimenes


NÃO SE ESQUEÇA DE QUE VOCÊ É!

Você pode estar sofrendo e reclamando dos problemas da sua vida, lamentando-se pelo número de situações negativas, as quais estão sucessivamente sendo atraídas para você.

Dores, doenças, crises e conflitos diários, falta de prosperidade, falta de sucesso pessoal, ansiedade e saúde frágil. Tudo isso tem uma causa: você se esqueceu!

Esqueceu-se de que quando olha para dentro de você, com sinceridade e analisa cada problema, na sua causa essencial, tem grandes chances de ser feliz!

Esqueceu-se de que quando você reclama dos sofrimentos é porque preferiu achar culpados. Você se esqueceu de que se algo vai mal, você pode mudar com base em ações novas, pensamentos modificados e hábitos renovados.

Esqueceu-se de que a força da sua alma é ilimitada e o tempo que você desperdiça focando na lamentação dos problemas é o mesmo precioso tempo que você poderia utilizar para sintonizar-se com a sua alma e com a força da sua espiritualidade. Você se esqueceu de concentrar tempo em reconhecer os seus princípios, virtudes e valores, pois eles são a sua força! 

Esqueceu-se de buscar o caminho para a realização da missão da sua alma, pois esse é o caminho da verdade do seu espírito.

Esqueceu-se de querer ser feliz.

Você se distraiu... Você se esqueceu... Você se alienou da sua causa maior...

Pare agora! Analise a sua vida com as lentes da sua alma.

Dê uma nota de 0 a 10 para cada aspecto importante de sua vida e não pare de agir até que todos eles estejam nota 10!

Com atenção a isso, você nunca se esquecerá!

Quais são os seus sonhos?

O que você está fazendo para alcançá-los?

A forma como você está agindo atualmente vai lhe levar até onde?
Pense, reflita, reforme-se.

Lembre-se de quem você é e ilumine-se!

Escrito por Bruno Gimenes
Fonte: Revista Cristã de Espiritismo

01 junho 2014

Prosperidade - Emmanuel


PROSPERIDADE

Prosperidade na Terra quer dizer fortuna, felicidade.

Grande parte das criaturas, almejando-lhe a posse, pleiteia relevo, autoridade, domínio...

Gastam-se largos patrimônios da existência para conquistar-lhe o prestígio e não falta quem surja no prélio estudando as forças ocultas para incorporar-lhe o bafejo.

Milhões dos homens de hoje vivem à cata de ouro e predominância, com o mesmo empenho com que antigamente, em aprendizados mais simples, se entregavam aos misteres primitivos de caça e pesca.

E que, na procura desse ou daquele valor da vida, mobilizamos a energia mental, constituída à base de nossas emoções e desejos.

O espelho do coração, constantemente focado no rumo dos objetos e situações que buscamos, traz-nos à rota os elementos que nos ocupam a alma.

Não esqueçamos, todavia, que, na laboriosa jornada para a Glória Divina, nos confundimos sempre com aquilo que nos possui a atenção, demorando-nos nesse ou naquele setor de luta, conforme a extensão e duração de nossos propósitos.

Como no filme cinematográfico, em que a história narrada é feita pelos quadros que se sucedem, ininterruptos, a experiência que nos é peculiar, nessa ou naquela fase da vida, constitui-se dos reflexos repetidos de nossos sentimentos, gerando idéias contínuas que acabam plasmando os temas de nossa luta, aos quais se nos associa a mente, identificando-se, de modo quase absoluto, com as criações dela mesma, à maneira da tartaruga que na carapaça, formada por ela própria, se isola e refugia.

Em razão disso, o conceito de prosperidade no mundo é sempre discutível, porquanto nem todos sabem possuir, elevar-se ou comandar com proveito para os sagrados objetivos da Criação.

Muita gente, pela reflexão mental incessante em torno dos recursos amoedados, progride em títulos materiais; entretanto, se os não converte em fatores de enriquecimento geral, cava abismos dourados nos quais se submerge, gastando longo tempo para libertar-se do azinhavre da usura.

Legiões de pessoas no século ferem o solo da vida, com anseios repetidos de saliência individual, e adquirem vasto renome na ciência e na religião, nas letras e nas artes; contudo, se não movimentam as suas conquistas no amparo e na educação dos companheiros da senda humana, quase sempre, muito embora fulgurem nas galerias da genialidade, sofrem o retorno das ondas mentais de extravagância que emitem, caindo em perigosos labirintos de purgação.

Há, por isso, muita prosperidade aparente, mais deplorável que a miséria material em si mesma, porque a mesa vazia e o fogão sem lume podem ser caminhos de louvável reparação, enquanto o banquete opíparo e a bolsa farta, em muitas ocasiões, apenas significam avenidas de licença que correm para o despenhadeiro da culpa, de onde só conseguiremos sair ao preço de longos estágios na perturbação e na sombra.

Muitos religiosos perguntam por que motivo protegeria Deus o progresso material dos ímpios. Em verdade, porém, semelhante fortuna não existe, de vez que a prosperidade, ausente da reta conduta, não passa de apropriação indébita e é como roupa brilhante cobrindo chagas ocultas, que exigem a formação de reflexos contrários aos enganos que as originaram, a fim de que a prosperidade legítima, a expressar-se em serviço e cultura, amor e retidão, confira ao espírito o reflexo dominante da luz.

Pelo Espírito Emmanuel
Do livro: Pensamento e Vida
Médium: Francisco Cândido Xavier