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10 julho 2014

Agir com o outro como gostaria que agissem com Você - Cristina Sarraf


AGIR COM O OUTRO COMO GOSTARIA QUE AGISSEM COM VOCÊ


Temos sempre pensado nessa frase-lema, base da moral e da ética, quando nos referimos a agir bem, ser fraternal, tolerante e respeitoso com as demais criaturas.

Até porque, pensando em nossas falhas e equívocos, precisamos muito que ninguém ponha mais “peso” e nem que aumentem as dificuldades que temos. Para isso, é bom que nossa conduta seja, realmente, como gostaríamos que fossem conosco.

E mesmo que não estejam sendo, a inteligência nos pede para plantarmos o que queremos colher.

Porem, podemos também pensar no que a frase indica quando não agimos bem, quando estamos intolerantes, exigentes, egoístas e desrespeitosos, tendo ou não essa intenção.

Analisemos à luz do Espiritismo.

Agimos de modo que não queremos que ajam conosco, mas... é como se quiséssemos! Porque, agimos mal e o outro, sabendo ou não, sente nossa energia, que é a emanação fluídica dos pensamentos e sentimentos que nos dominam. Isso provoca reações contra nós, mesmo que a pessoa não tenha essa vontade explicita, definida. Ela sente uma contrariedade, uma indisposição conosco, uma negatividade e procura se defender.

É preciso que uma pessoa seja muito preparada e lúcida, para ficar bem e não sair de seu padrão de conduta, recebendo “alfinetadas” fluídicas e percebendo de onde elas vêm.

No geral, uns se magoam, outros deprimem, alguns ficam agressivos, outros vem tirar satisfações... Qualquer dessas reações está direta ou indiretamente direcionada a nós, por sermos a causa, a origem do distúrbio.

Mas não gostamos de nenhuma delas!

Sentimo-nos desconsiderados, mal-entendidos, mal-amados, tristes; fisicamente cansados e desanimados, além de com raiva e insegurança.

O que acontece conosco é a consequência natural da maneira como agimos, somada ao que absorvemos da negatividade dos que ferimos ou contrariamos. E não há como não absorver, porque somos a causa, isto é, está em nós mesmos o nascimento e, portanto, o funcionamento da situação, dentro das leis universais.

São as leis do arbítrio e das consequências naturais, somadas à dos fluidos e da influência dos Espíritos, que percebem o que ocorre. Uns ajudam e outros se aproveitam. Há também os que já são “fregueses” das nossas fraquezas e até nos induzem a essas ações “feias”.

Seja originado de nosso arbítrio, de nosso descuido, de nossa ignorância, de nossos hábitos mentais, ou de influências externas, o que conta é que pensamos de uma maneira que nos beneficia ou prejudica. Os atos são apenas consequências desse pensar.

Tudo começa e termina em nós mesmos, em cada um de nós, por sermos os seres inteligentes da Criação e os agentes de tudo no Universo.

Então... devido ao modo de pensar, agimos com os outros como não queríamos que agissem conosco, e agiram conosco como agimos com eles! Sábio Jesus!

Por sermos bem intencionados, espíritas, voltados ao que é bom e digno e buscando nos aperfeiçoar, não significa que não tenhamos momentos de perturbação, que não ajamos mal, que não nos envolvamos em ondas mentais negativas e nem que não provoquemos consequências naturalmente negativas; até mesmo por querer mandar na vida do outro, por ser conivente, por incompreensão, por não examinar o que se pensa e sente, por descuido, por influências espirituais...

Toda vez que isso acontece, mostra que somos Espíritos da terceira ordem da escala espírita.

No entanto, as leis universais continuam funcionando, claro que na proporção de nosso grau evolutivo, o que significa, pela lei dos fluidos, que o que emitimos sintoniza, proporcionalmente, com semelhantes. A sábia e antiga lição mal compreendida, de que semelhante atrai semelhante . É que esse termo atrai, não significa algo puxando, é sim combinando, misturando, afinizando, compondo, sintonizando.

Emanamos e outro emana; se o teor for aproximado, está feita a sintonia. O mesmo que escolher uma estação de rádio que nos agrade. Queremos ouvir valsas e a rádio tal toca valsas.


Cristina Sarraf

09 julho 2014

O Poder da sua Fé - Magali Bischoff



O PODER DA SUA FÉ

A religião é praticada universalmente por todas as culturas, desde o início dos tempos. Atrelada ao conceito, a fé é um aspecto da religião, que está diretamente relacionado à maneira com que cada um desenvolve a sua crença, ou como ela define a sua relação com Deus, com o divino e com a espiritualidade.

Para a maioria dos estudiosos sobre religião, os estudos podem ser divididos em cinco partes: a fé, o culto, a comunidade, o credo e o código. A fé é a parte interna da religião, o sentimento que leva as pessoas a acreditarem, manifestando temor e reverência a um Deus supremo.

O culto é tudo o que a devoção engloba e que expressa a fé: construções, imagens, altares, rituais, canções sagradas, reuniões, gestuais, louvores. A comunidade é o aspecto social da religião, onde a mesma se insere. São os devotos, seguidores, colaboradores de uma igreja, templo, casa ou ambiente específico.

O credo envolve todas as crenças e ideias mantidas pela religião. Inclui as escrituras, livros sagrados, entidades espirituais, anjos, demônios, conceitos relativos ao conteúdo da fé. Por fim, o quinto elemento da religião, o código, ou seja, o modo como as pessoas se comportam devido à sua crença religiosa: éticas, tabus, doutrinas, ideias sobre valores e sociedade, geralmente contidas em um “livro sagrado” ou em livro que serve de base para os estudos.

O significado da palavra fé remete à “confiança, crença, credibilidade”. “A fé é um sentimento de total crença em algo ou alguém, ainda que não haja nenhum tipo de evidência que comprove a veracidade da proposição em causa” (dicionário de significados).

Ela ainda pode ser uma fé raciocinada ou cega, associada à religião ou à religiosidade do indivíduo. A fé cega aceita tudo e não consegue discernir o falso do que é verdadeiro, capaz de negar as evidências da razão só para manter a crença. Em excesso, produz o fanatismo. Mas, a fé que se firma na verdade tem o seu futuro garantido e não teme a evolução e o progresso.

Em um mundo globalizado, com tantas informações disponíveis sobre cada crença ou religião, espalhadas em diversas partes do mundo, percebemos que nenhuma religião tem a posse exclusiva da verdade; todas contêm parte dela. Por isso, a fé e a crença de uma pessoa devem ser respeitadas. E, quando aprendemos a fazer isso, passamos a compreender a beleza da fé, e o que ela é capaz de despertar no ser humano.

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo (capítulo 19) encontramos a seguinte passagem: “…aquele que alia, a um grande poder fluídico normal, uma fé ardente, pode operar, unicamente pela sua vontade dirigida para o bem, esses estranhos fenômenos de cura e de outra natureza, que antigamente eram considerados prodígios, e que, entretanto, não passam de consequência de uma lei natural. Essa a razão porque Jesus disse aos seus apóstolos: Se não conseguistes curar, foi por causa de vossa pouca fé”.

Através do poder da fé e da oração, a ciência já descobriu que o homem é capaz de promover a cura de diversas doenças, que pode aumentar a sua imunidade, modificar seu padrão mental e vencer grandes desafios.

Por meio desse poder, encontra forças para vencer a dor provocada pela morte e a separação, quando obtém respostas às suas dúvidas e descobre que a vida continua após a morte. E que a separação dos entes queridos é momentânea.

O poder da fé possibilita ao ser humano vencer barreiras da incapacidade de movimentos, da perda de visão, de audição, da fala ou mesmo de uma paralisia. E, ao buscar Deus e respostas ao seu sofrimento em templos, mesquitas, igrejas, descobre – segundo conceitos espíritas – que Ele o aguarda em seu coração, na sua intimidade.

E quantos homens de bem já encontraram essa força poderosa sem precisar de religião para lhe indicar o caminho, mas no serviço cristão de socorro a um irmão em necessidade?

“A fé sem obras é morta”, dizia o apóstolo Thiago nas suas cartas, inscritas no Evangelho de Jesus. E a melhor maneira de usar o poder da nossa fé é – em primeiro lugar – conosco, desenvolvendo a confiança em um Deus-Pai que nos assiste e ampara, e que nos oferece forças e caminhos para vencer as dificuldades. E, depois, nos oferece a oportunidade de colocarmos todo esse aprendizado a serviço do nosso semelhante, daqueles que estão mais próximos de nós.

Descobrimos que o nosso maior poder é a capacidade de transformar a nossa vida, e a vida de outras pessoas, através do nosso exemplo e da capacidade de nos ajudarmos, em favor do bem, da verdade e de um mundo melhor.


Magali Bischoff

08 julho 2014

Investimentos - Richard Simonetti


INVESTIMENTOS

Conta Esopo (620-560 A.C.) que um homem muito avarento vivia preocupado com a segurança de seus bens.

Depois de muito pensar sobre o assunto, resolveu que o investimento mais seguro seria o ouro.

Aplicou todas as suas economias em expressiva quantidade do nobre metal, que fundiu numa única barra maciça.

Enterrou-a num bosque e todas as noites visitava seu tesouro para deleitar-se.

Numa dessas oportunidades, um ladrão o seguiu. Descobrindo o esconderijo, voltou mais tarde, desenterrou o tesouro e fugiu com ele.

Ao tomar conhecimento do grave prejuízo que sofrera, o avarento desesperou-se. Só faltou enlouquecer de dor.

Um vizinho, buscando consolá-lo, falou, incisivo:
– Por que está tão transtornado, meu amigo? Se o ouro que você guardava fosse uma simples pedra, daria no mesmo, pois não tinha nenhuma serventia para você.

Sábias palavras!

O dinheiro amoedado, na volúpia de entesourar, é peso morto a aprisionar-nos na avareza que, como define Balzac (1799-1850), é esse nó corredio que aperta cada dia mais o coração e acaba por sufocar a razão.

Se sumir, não haverá nenhuma repercussão em nossa vida.

Há pessoas que poupam o tempo todo e acumulam razoável capital que nunca irão usar. Servirá apenas para suscitar disputas entre os herdeiros, quando o poupador bater as botas.

Há um provérbio chinês bem significativo:

Mesmo que tenhas dez mil plantações, só podes comer uma tigela de arroz por dia; ainda que a tua casa tenha mil quartos, nem de dois metros quadrados precisas para passar a noite.

E há as tensões, as dúvidas e a perda de algo precioso, conforme define outro exemplar da sabedoria chinesa:

Quem abre o coração à ambição, fecha-o à tranquilidade.

Melhor combater tais tendências, aprendendo a investir algo de nossos recursos no Banco da Providência, minorando aflições, atendendo enfermos, alimentando famintos, oferecendo melhores condições de vida para muita gente que vive miseravelmente.

O lucro auferido com investimentos dessa natureza é imediato, exprimindo-se em inefável sensação de paz.

O bem estendido ao redor de nossos passos é bênção de Deus em nossas vidas.

Questão crucial:
Quando se trata de abrir a bolsa em favor do próximo sempre cogitamos das sobras.

Invariavelmente, porém, sob inspiração do velho egoísmo humano, sempre nos parecerá indispensável o dinheiro amoedado, ainda que o tenhamos sobrando nos cofres.

Por isso o fecho costuma emperrar.

É de Sêneca judiciosa observação envolvendo a maneira como superestimamos nossas necessidades.

Para a nossa avareza, o muito é pouco.

Para a nossa necessidade, o pouco é muito.

Assim, quase nada sobra para o Banco da Providência.

Por isso Jesus nos oferece o exemplo da viúva pobre (Lucas, 21:1-4), dando a entender que o valor está em darmos o que vai fazer falta.

E considere, leitor amigo:
Geralmente, esse “fazer falta” está em nossa cabeça, como sugere o filósofo romano.

Talvez nos estimule reconhecer que os investimentos nos Bancos do mundo, por mais que rendam, não acrescentarão um só centavo aos valores espirituais.

Tudo ficará aqui, quando formos convocados pela Morte à viagem de retorno. Se só eles merecem nossa atenção, estaremos mal, “ao relento”, na espiritualidade.

Quanto aos investimentos no Banco da Providência, estes rendem dividendos para a Vida Eterna, habilitando-nos a estada em “hotel cinco estrelas”, no Além, amparados por generosos benfeitores.

Se alimentamos a intenção de emprestar a Deus, recomenda-se algum critério, evitando sustentar a malandragem e a indolência, que, infelizmente, grassam por aí.

O ideal será escolhermos intermediários confiáveis. São as instituições que desenvolvem serviços assistenciais e promocionais de forma transparente e produtiva.

Nelas são identificados os legitimamente carentes, desenvolvendo-se, em seu benefício, ações no sentido de promovê-los, reorganizando suas vidas.

Usando expressão bem atual, ajudam os excluídos a encontrar um lugar na sociedade, construindo seu futuro.

O Centro Espírita envolvido com o trabalho social, na vivência dos princípios de caridade que norteiam o Espiritismo, enquadra-se perfeitamente nessa condição.

Ali se desenvolvem os mais variados serviços em favor da população carente, onde todos podemos fazer valiosos investimentos de dois tipos: Em espécie.

Aplicar parte de nossos rendimentos, de forma disciplinada e perseverante, com a mesma regularidade com que pagamos contas de água, luz e telefone.

Em serviço.

Aplicar parte de nosso tempo para engrossar as fileiras de voluntários que desenvolvem serviços de assistência e promoção social, sob a bandeira da solidariedade.

Então, sim, estaremos contabilizando créditos abençoados na Poupança do Céu, em favor de uma existência mais feliz na Terra e um retorno tranquilo à vida espiritual.

Vamos investir?

Livro: Abaixo a Depressão
Richard Simonetti



07 julho 2014

Narcisos contemporâneos - Momento Espíritas




NARCISOS CONTEMPORÂNEOS


Na mitologia grega, Narciso era um jovem bonito e vaidoso.


Um dia, Narciso curvou-se para beber água em uma fonte e, vendo sua própria face refletida na água, enamorou-se dela.


A lenda nos conta que ele foi definhando, dia após dia, sem se alimentar, sem descansar, encantado pelo reflexo de sua própria imagem na superfície da água, até morrer.


Foi Sigmund Freud que acrescentou o termo narcisismo ao vocabulário da psicologia para designar amor à própria imagem.


O termo contemplava também a etapa do desenvolvimento na qual a criança faz do próprio eu o objeto principal de seu amor.


Segundo o Manual Americano de Diagnóstico de Distúrbios Mentais, narcisistas são indivíduos arrogantes e convencidos, que têm fantasias magníficas sobre si mesmos.


Eles superestimam seu sucesso, precisam ser constantemente admirados e sempre esperam tratamento preferencial.


Os narcisistas estão convencidos de que merecem mais do que recebem. Preocupam-se em ter boa aparência e manter-se jovens.


Não são sensíveis às necessidades e aos problemas dos outros.


Com pouca tolerância para crítica, frequentemente reagem com fúria a ofensas reais ou imaginárias.


Em suma, os narcisistas focalizam a si mesmos, fascinados com sua personalidade e seu corpo. Com um individualismo atroz que carece de valores morais e sociais e se desinteressa por qualquer questão transcendental.


Percebe-se que o distúrbio em questão é bastante sério, e comum de se encontrar nos dias de hoje.



Vivemos dias em que cultuamos o narcisismo, seja na esfera individual, coletiva e das grandes mídias.

Muitos valores do mundo contemporâneo não passam de consequências de um narcisismo disfarçado de bem-estar, de saúde, de prazer.


Dessa forma, faz-se urgente uma revisão em todos os valores que temos, em todas as coisas a que damos importância e em que aplicamos nossas energias.


nas adolescentes anoréxicas; no exibicionismo de corpos esculturais na televisão; nas cirurgias plásticas excessivas; nos expectadores que compram quaisquer novas ideias impostas pelas mídias, percebemos o narcisismo reinante.


Talvez seja necessário relembrar as consequências do comportamento de Narciso.


Iludidos pela imagem do corpo, pela superficialidade dos valores do mundo, não só o corpo, mas sobretudo a alma acaba definhando, perdendo-se num mar de ilusões passageiras.


*   *   *


Ainda há tempo de perceber que a imagem do espelho não representa quem somos. Não é nossa essência, e sim apenas uma vestimenta temporária.


O verdadeiro eu é a alma imortal, a alma que aprende, que luta, que se desenvolve.


A verdadeira beleza está no Espírito que se liberta das amarras do materialismo preponderante.


O ser realmente belo será aquele que se entregue, não à imagem refletida numa superfície refletora, mas se doe profundamente, por amor, aos outros.



Redação do Momento Espírita, com base em artigo de Mário Pereyra, disponível no site http://dialogue.adventist.org/articles/10_1_pereyra_p.htm.


06 julho 2014

Sombra Amigável - Ermance Dufaux



SOMBRA AMIGÁVEL


“Pois nada há secreto que não haja de ser descoberto, nem nada oculto que não haja de ser conhecido e de aparecer publicamente”. (S. Lucas, 8:16 e 17, O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO – capítulo XXIV – item 2)

A sombra designa “o outro lado” do ser humano, aquele em que vige a escuridão.

Comumente destacamos a sombra negativa nos ambientes educativos da doutrina.

Convém, porém, uma atenção à sombra positiva, que são nossos potenciais e talentos ainda não expressados ou descobertos.

Em meio a essa escuridão da vida inconsciente existe muita sabedoria e riqueza ainda não exploradas.

Escutando nossos sentimentos e o que eles têm a nos ensinar sobre nós mesmos, estaremos entrando em contato com esse “material” reprimido no inconsciente, com todas as habilidades instintivas que nos asseguram a Herança inalienável de Filhos do Altíssimo em Sua Obra magnânima.

Escutar sentimentos é aceitá‐los.

Aceitação quer dizer pensar sobre eles.

Habitualmente exageramos a colocação:- - “Não quero nem pensar nisso!”, referindo‐nos a questões desagradáveis do mundo íntimo.

Os sentimentos são os principais canais de conexão emitindo constantes mensagens do inconsciente.

Quando usamos a expressão sentimentos mal resolvidos, estamos tratando de sentimentos não aceitos ou negados pela consciência e reprimidos para o inconsciente por alguma razão particular.

A sombra originou‐se basicamente em função dessa relação insatisfatória com nosso poder de sentir e os arquivou em forma de culpas, desejos estagnados, bloqueios, traumas, medos, criando todo um complexo psíquico que, em muitos lances, são fatores geradores das psicopatologias, desde as mais toleráveis até as mais severas.

Ao longo dos últimos milênios (aproximadamente quarenta mil anos, dependendo da história individual), o que mais fizemos foi negar e temer nossos sentimentos — um fato natural na trajetória evolutiva da animalidade para a hominilidade.

O medo de sentir e do que sentimos acompanha‐nos desde o momento em que começamos a tomar consciência desse mecanismo biopsíquico‐emocional‐ espiritual.

Ainda hoje, esconder o que se sente, é uma conduta social comum e até necessária para a maioria das pessoas.

O mundo, no entanto, prepara‐se para o século do amor vivido e sentido.

A pergunta mais formulada em todas as latitudes neste momento é:- - Como está você?

E o interesse por uma resposta que fale de sentimentos é eminente ; tende a tornar‐se um hábito.

Estamos com enorme necessidade de falar do que sentimos e saber com mais clareza sobre o mundo das emoções, embora ainda temerosos de suas consequências.

Quando digo “sou minha sombra” não significa que tenha que viver conforme sua orientação.

Apenas admiti‐la, entender suas mensagens.

A sombra só é ameaça quando não é reconhecida.

Só pode ser prejudicial quando negligenciamos identificá‐la com atenção, respeito e afabilidade.

“É importante para a meta da individuação, isto é, da realização do si mesmo, que o indivíduo aprenda a distinguir entre o que parece ser para si mesmo e o que é para os outros. É igualmente necessário que conscientize seu invisível sistema de relações com o inconsciente, ou seja, com anima, a fim de poder diferenciar‐se dela.

No entanto, é impossível que alguém se diferencie de algo que não conheça” (THE COLLECTED WORKS OF C. G. JUNG (CW) – 17 vol. VII par. 28).

Essa colocação do Doutor Jung é clara.

Escutar sentimentos é a primeira lição na nossa educação espiritual para o autoamor.

Amaremos a nós mesmos somente quando deixarmos de culpar os outros pelas nossas dores e desacertos e tivermos a coragem de perscrutar o íntimo, interrompendo o fluxo das projeções e fugas ainda ignoradas nas nossas atitudes.

Recebemos contínuos “chamados” do inconsciente através do que sentimos.

Uma análise atenta de nossos impulsos emotivos e da nossa “reação afetiva” a tudo que nos cerca levar‐nos á a entender com exatidão as “reclamações” do psiquismo profundo.

Nessa investigação da alma encontraremos indicativas seguras no entendimento das mais ocultas raízes de nossos conflitos.

Percorreremos caminhos mentais até então incognoscíveis.

Igualmente, descobriremos valores adormecidos que solicitam nossa criatividade para desenvolvê‐los a contento.

Entretanto, somente daremos importância às mensagens da sombra quando nos relacionarmos amigavelmente com ela.

O processo de ouvir a voz do inconsciente através dos sentimentos passa por algumas etapas na alfabetização do sentir.

Imprescindível o autorrespeito.

O que sentimos é indiscutível, individual, é a nossa forma de viver a vida.

Com isso não devemos admitir que os apelos do coração devam ser seguidos como brotam.

Muito menos supô‐los a expressão da Verdade.

Apenas tenhamos respeito por nós sem reprimendas e condenações, procurando compreender os recados do coração.

Havendo respeito, instaura‐se o clima da serenidade, da ausência de conflitos e batalhas interiores.

Somente serenos vamos conseguir uma comunicação sem interferências.

É o silêncio interior.

O fio que nos leva ao intercâmbio produtivo.

Aprender a linguagem dos sentimentos exige meditação e atenção.

Separar a “imagem programada” pela educação social da “imagem idealizada” é um trabalho lento.

Diferenciar o que pensam que sou daquilo que penso que sou é o caminho para se chegar ao que sou verdadeiramente.

Utilizar indagações.

A sombra adora dar respostas.

Nossa tarefa será discernir no tempo a natureza dessas respostas.

No início elas serão confusas, enganosas, talvez decepcionantes.

Na medida em que se dilata esse exercício, a intuição vai aclarando a capacidade de perceber e sentir o que nos convém.

Teremos a sensação do melhor caminho, das melhoras escolhas, do que queremos.

É o início da identificação com o projeto singular do Criador a nosso respeito.

O Doutor Jung estipulou:-  “As pessoas, quando educadas para enxergarem claramente o lado sombrio de sua própria natureza, aprendem ao mesmo tempo a compreender e amar seus semelhantes” (THE COLLECTED WORKS OF C. G. JUNG (CW) – 16 vol. VII par. 310).

Ao conquistarmos a sombra de maneira amigável, criaremos uma relação de paz com a vida íntima e, nesse ponto, as projeções não serão mecanismos defensivos contra nossas imperfeições, mas reflexos da bondade e harmonia que habitarão a vida mental.

Nessa postura mental amaremos a vida com mais ardor.

Será muito mais interessante olhar o nosso próximo, senti‐lo e perceber a grandeza da vida que nos cerca.

A Lei Divina contida na fala de Jesus é determinante:- - Pois nada há secreto que não haja de ser descoberto.

O crescimento pessoal e a felicidade incluem a missão de explorar as riquezas do inconsciente.

Escutar sentimentos é a arte de mergulhar na vida profunda e descobrir o manancial de força e beleza que possuímos.

Amigo querido das lides espiritistas, nos instantes de tormenta ocasionados pelos efeitos de tuas imperfeições, busca Deus na oração e escuta tua alma.

Ouve os ditames suaves que ela te envia.

Não os julgue agora e enquanto meditas.

Indaga‐te:- - Que fazer ante os impulsos menos felizes?

Como agir para mudar?

Ouve!

Ouve a resposta em ti mesmo!

Escuta teus sentimentos!

Ora novamente, aquieta os raciocínios e escuta os "sons” dos sentimentos nobres que te arrimam.

Estás agora em estado alterado de consciência.

Tua sombra avizinha.

Teu self permanece em vigília.

Tonifica‐te com as energias revigorantes.

Agora agradece o dom da vida...

O corpo...

A beleza de pertencer a ti mesmo.

A presente existência é a tua oportunidade.

É a tua ocasião de libertar.

Recomeça quantas vezes se fizerem necessárias.

Perdoa‐te pelos insucessos.

Recorda as muitas vitórias e preenche‐te com o labor.

Algumas respostas para serem compreendidas solicitam o concurso do tempo.

Prossegue sem ilusões de conforto.

Deseja o sossego interior e acredita merecê‐ lo, mas não o confunda com facilidades transitórias.

Teus sentimentos:- - A realidade de tua posição espiritual.

Por eles sabes de teu valor e de tuas necessidades.

Não te agrida quando sentires o que não gostarias.

Ama‐te ainda mais nesses momentos.

Aceita‐te.

Diz:- - Eu aceito minha imperfeição.

Senti‐la não quer dizer que eu seja menor.

Eu aceito minhas particularidades.

Eu me amo como sou e não me abandonarei porque somente eu posso me resgatar.

Agora vai cumprir teu dever – esse sublime “analgésico mental”.

Em outros instantes, fora da tormenta mental, medita sobre aquilo que te incomodou.

Medita sempre sobre tuas imperfeições e Teu Pai, secretamente, na acústica do ser, providenciar‐te‐á os recursos abundantes para tua cura.

Deus jamais te esquece.

Acredite nisso e sente o amparo em teu favor.

O universo está a teu favor.

Acredita!


Espírito Ermance Dufaux
Wanderley S. de Oliveira
Livro:- "Escutando Sentimentos"


05 julho 2014

Excessos do culto ao corpo - Espírito Lúcius


EXCESSOS DE CULTO AO CORPO

Como uma mulher aferrada aos conceitos volúveis da vida poderia aceitar abdicar de tudo o que ela julga tão certo, tão indispensável, tão agradável ao seu estilo de viver, se não fosse obrigada a encarar a vida pela janela da enfermidade que dilacera os seus tolos princípios?

Não encontrando mais qualquer recurso para manter essa farsa da beleza indestrutível, é obrigada a buscar novas formas de viver, meditando na transitoriedade das coisas, sentindo-se mais vulnerável às ocorrências degeneradoras do corpo, observando que, de uma hora para outra, toda a base de seu mundinho de fantasias vai deixar de existir, que perderá os afetos que tem, se é que construiu algum durante o caminho de encantamento ególatra que escolheu trilhar.

Tudo isso é fator de reforma que se impõe pelas circunstâncias.

Quantas vezes essa mesma pessoa não escutou de algum amigo, de algum parente que a alertava, o chamamento sobre a necessidade de modificar a abordagem que dava à vida? Quantos não a aconselharam a mudar o teor de suas preocupações, a esquecer o mal que lhe tenham feito, a trabalhar no bem ajudando os que sofriam, a ser solidária com a necessidade alheia, empenhando um pouco de seus recursos na melhoria de outras vidas?

Quantos milhões de mulheres não se desgastam todos os dias no esforço da manutenção da beleza artificial? Seja nas cirurgias plásticas que a vaidade solicita, seja nos cremes, nos tratamentos, nas ações cosméticas da aparência, nas roupas, nos modismos? Já pensou, Rosimeire, quantos milhões vão para o ralo da inutilidade diariamente?

E não me refiro aos casos em que a estética natural, a manutenção da higiene e da boa aparência são consideradas expressões naturais e bem-vindas da auto-estima.

Certamente que Deus não criou a beleza para que ela fosse relegada a desprezível situação de algo sem valor, interditando às pessoas a possibilidade de buscá-la ou mesmo de preservá-la.

No entanto, as próprias pessoas passaram a cultuar o exterior de seus corpos como se estes amontoados de carne fossem verdadeiros deuses, ao mesmo tempo em que os meios de comunicação fazem muitas mulheres viverem baseadas em estereótipos que devem ser impostos, imitados, seguidos cegamente, como maneira de copiar aquilo que alguns manipuladores dizem ser a beleza ideal.

Tudo isto acontece pelo despreparo espiritual, pelo adormecimento da pessoa em relação à sua própria essência. E neste caso, posso lhe afirmar sem qualquer medo de equívoco: Somente o recurso drástico da dor que nós produzimos em nós mesmos nos facilita esse despertamento.

Livro Esculpindo o Próprio Destino, cap. 24
Espírito Lúcius
Psicografia de André Luiz Ruiz

04 julho 2014

Crítica - Maria Nunes


CRÍTICA

Crítica que se principia por nós é a melhor de todas (Camilo Castelo Branco)

A crítica tem duas cores, onde se pode constatar seus caminhos, bons ou maus.

Existe a crítica educativa, aquela em que censuramos a nós mesmos, fazendo ver o mal que ainda se encontra em nós, corrigindo-o, usando todos os processos cabíveis a uma consciência cristã.

Existe igualmente a crítica aos outros, em que a maledicência é o instrumento, que não convém à criatura fazê-la, pois gera a intriga e por vezes a violência. Criticar a outrem é inspiração das sombras, partindo de Espírito cheio de paixões inferiores, que mostra o que é pelo que faz. Todo julgamento que fazemos dos outros escurece os sentimentos de caridade, põe em jogo a nossa tranquilidade e escurece o nosso procedimento.

A apreciação que deve ser feita, com todo cuidado, sem perder as intenções de corrigir-se, é aquela em que o criticado somos nós mesmos; ganhamos tempo nesta observação, principalmente quando alguém nos critica e que vamos à verificação se este alguém tem razão. Se tem, agradeçamos a Deus e trabalhemos no auto-aprimoramento, agradecendo também a quem nos apontou os nossos defeitos. É razoável que se entenda o quanto o próximo nos ajuda, fazendo-nos ver o que nos incomoda o coração. Se deixarmos por nós mesmos esse trabalho, vamos demorar a encontrar os nossos erros.

Existe igualmente o maldizente, o que sobremaneira fala o que não existe. Esse é o escandaloso, que merece o nosso perdão, o esquecimento da ofensa. Para esse, já se pronunciou Jesus no Evangelho: “É necessário o escândalo, mas ai daquele que for motivo dele”. O injurioso responde pelas suas mentiras, sem que o ofendido faça justiça com as próprias mãos. Não precisamos nos preocupar com quem nos ofende ou calunia, porque a justiça divina se encarrega dele, pelo método correção-lição.

Devemos nos lembrar do nosso próximo, exaltando o bem que ele faz, estimulando seus valores, sem com isso despertar a vaidade. A vida nos convida, a todos os instantes, para trabalhar na nossa intimidade, onde existe muito o que fazer: muar a preguiça em trabalho, o ódio em amor, a guerra em paz, a discórdia em amizade, as dúvida em fé, a tristeza em alegria... Neste comportamento, avançar mais, com o Cristo no entendimento, que a vitória é certa. O homem de bem não é levado à crítica aos outros; ele cuida de si mesmo, na certeza de que a virtude vem de Deus. Respeite seu irmão, seja ele quem for e onde estiver, porque todos somos irmãos, com os mesmos destinos.

Se você tem tendências para ajudar, é muito bom, mas deve fazer também pelo exemplo. Abrace a caridade, porque somente ela, bem dirigida, lhe faz bem ao coração, mostrando-lhe Deus em todos os seus caminhos.

De João Nunes Maia
Pelo Espírito Maria Nunes
De Sabedoria — A Lei de Deus no Pensamento dos Homens


03 julho 2014

Urgência para Você !!! - Carneiro de Campos



URGÊNCIA PARA VOCÊ!!!


Ontem Você estava irritado.

Hoje Você despertou insatisfeito.

Agora Você se encontra cansado.

Na multidão, Você se perturba.

Na solidão, Você sente melancolia.

No silêncio, Você experimenta tédio.

Na algazarra, Você fica atordoado.

Se alguém o busca para uma palestra, Você se enfada.

Se ninguém o procura, Você se frustra.

No trabalho, Você constata que está com os nervos “à flor da pele”.

No repouso, Você experimenta inquietação.

Não sabe o que deseja.

As coisas boas enfastiam-no, as más infelicitam-no.

Você passa facilmente do Sorriso à Melancolia, da Ansiedade ao Desencanto.

Urgência para Você, meu amigo.

Parte, no torvelinho das atividades, para um meticuloso exame do que lhe vem ocorrendo.

Não é o mundo que está pior, nem a vida que se apresenta má.

Não são as pessoas que ficaram diferentes, nem as circunstâncias que deixaram de ser propiciatórias.

" O problema está em Você !!!!!! "

Cansaço ou Enfermidade, Saturação ou Desequilíbrio, a questão é sua.

" Cuidado!!!!!! "

Use de urgência para Você.

Refaça a sua programação.

Revise as suas atitudes.

Reestude seus objetivos.

Restabeleça seus contatos com as fontes emuladoras dos ideais que esposa.

Recomece com Calma e Fraternidade.

Renove os clichês e paisagens mentais.

Recomponha-se primeiro, intimamente, através do Otimismo.

Refugie-se na Prece e refrigere-se na Meditação.

Cansaço após o trabalho, é como fruto depois da flor, desde que se transforme em satisfação de serviço, como pródromo para novas realizações após o repouso.

- Enfado contumaz,
- Pessimismo constante,
- Irritação contínua,
- Tédio persistente,
- Impaciência demorada,
- Desejo de “não ver ninguém”,
- Exaustão prolongada, decorrem de erros graves no mecanismo dos seus serviços e da sua vida...

Sinais de urgência, para Você hoje, que devem ser:-
- Considerados,
- Atendidos,
- Retificados,
- Sanados, a fim de que amanhã, quando Você necessitar de emergência, não seja tarde demais, com reais prejuízos para Você, em face da feliz oportunidade que haverá perdido.


"Sementes de Vida Eterna"
Carneiro de Campos
Médium: Divaldo Pereira Franco

02 julho 2014

Não basta compreender a Doutrina; é preciso, sobretudo, assimilá-la - José Herculano Pires


NÃO BASTA COMPREENDER A DOUTRINA; É PRECISO, SOBRETUDO, ASSIMILÁ-LA

Não basta aceitar os princípios renovadores da Doutrina dos Espíritos. É preciso vivê-los. Todas as doutrinas são sistemas lógicos, acessíveis à compreensão intelectual. Desse ponto de vista, o Espiritismo pode ser compreendido por qualquer pessoa curiosa e de capacidade mental comum. Trata-se de uma doutrina clara, baseada em princípios de fácil assimilação, embora por baixo dessa simplicidade existam problemas complexos, de ordem científica e filosófica. É tão fácil compreendê-lo, desde que se estude criteriosamente as suas obras básicas.

A simples compreensão de uma doutrina, porém, não implica a sua vivência. Além de compreendê-la, temos de senti-la. Somente quando compreendemos e sentimos o Espiritismo, quando o incorporamos à nossa personalidade, quando o assimilamos profundamente em nosso ser, é que podemos vivê-lo. Daí a razão de Allan Kardec ter afirmado a existência de vários tipos de espíritas, concluindo que “o verdadeiro espírita se conhece pela sua transformação moral”. Espiritismo compreendido e vivido transforma moralmente o homem.

Viver o Espiritismo, entretanto, não é viver no meio espírita, fazendo ou freqüentando sessões, lendo obras doutrinárias ou ouvindo conferências. Pode fazer-se tudo isso, e ainda mais, - pode-se até mesmo gastar muito dinheiro e tempo em obras de assistência social, - atendendo apenas à compreensão intelectual da doutrina, sem vivê-la. Porque viver o Espiritismo é pautar todas as ações pelos princípios doutrinários. É moldar a conduta pela doutrina. É agir, em todas as ocasiões, como o verdadeiro espírita de que fala Allan Kardec.

Ainda neste ponto, porém, é necessário lembrar que não basta a conduta externa. Não basta a aparência. Nada mais avesso, aliás, às aparências, do que o Espiritismo. Anti-formal por excelência, contrário aos convencionalismos sociais e religiosos, o Espiritismo, como dizia Kardec: “é uma questão de fundo e não de forma”. Por isso mesmo, não podemos vivê-lo de maneira externa. Antes da conduta exterior, temos de reformar a nossa conduta interna, modificar nossos hábitos mentais e verbais. Pensar, falar e agir de acordo com os princípios renovadores da moral espírita, que é a própria moral evangélica, racionalmente esclarecida pela Doutrina do Consolador.

Surge ainda uma dificuldade, que devemos tentar esclarecer. Chegados a este ponto, muita gente nos perguntará, como sempre acontece, quando falamos a respeito: “O espírita deve então sujeitar-se rigidamente a um molde doutrinário?” Não, pois se assim fizesse estaria impedindo o seu livre desenvolvimento moral. 

Quando falamos em “moldar a conduta”, fazêmo-lo num sentido de orientação, nunca de esquematização. O espírita deve ser livre, pois, como acentuava o apóstolo Paulo “onde não há liberdade não está o Espírito do Senhor”. Só a liberdade dá responsabilidade, e só a responsabilidade produz a verdadeira moral.

Ao procurar viver o Espiritismo, devemos portanto evitar as atitudes formais que conduzem ao artificialismo, e conseqüentemente à mentira e à hipocrisia. Como se vê, esse é o caminho contrário ao da Doutrina dos Espíritos, é o caminho tortuoso da Doutrina dos Homens, no plano mundano. Devemos ser naturais. E como modificar a nossa natureza inferior, sendo naturais? Primeiro, compreendendo que temos essa natureza inferior e precisamos modificá-la, o que fazemos pela compreensão da doutrina; depois, sentindo a necessidade de modificá-la, o que fazemos pela assimilação emocional da doutrina. Nossa transformação moral deve começar de dentro, e não de fora. Dos pensamentos e sentimentos, e não das atitudes exteriores. Deve ser uma transformação para Deus ver, não para os homens verem.

A falta de compreensão desse problema leva muitos espíritas a posições incômodas dentro da doutrina, e o que é pior, a posições comprometedoras para o movimento doutrinário. E leva também a lamentáveis confusões, principalmente no tocante ao problema religioso. Quando compreendemos, porém, que o Espiritismo não é somente um sistema doutrinário para assimilação intelectual, mas que é sobretudo, vida, norma de vida, e principalmente, seiva renovadora da vida humana na terra, então compreendemos que não é possível separar-se, dos seus aspectos científicos e filosóficos, o seu poderoso aspecto religioso. Lembremos ainda o que dizia Kardec, ou seja, que o Espiritismo é forte justamente por afirmar e esclarecer as mesmas verdades fundamentais da religião.


Autor: J. Herculano Pires

01 julho 2014

Doutrina Espírita - Emmenual


DOUTRINA ESPÍRITA

Questão Nr. 838 de “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, pelo Espírito Emmanuel.

Toda crença é respeitável.
No entanto, se buscaste a Doutrina Espírita, não lhe negues fidelidade.

*

Toda religião é sublime.

No entanto, só a Doutrina Espírita consegue explicar-te os fenômenos mediúnicos em que toda religião se baseia.

*

Toda religião é santa nas intenções. No entanto, só a Doutrina Espírita pode guiar-te na solução dos problemas do destino e da dor.

*

Toda religião auxilia.
No entanto, só a Doutrina Espírita é capaz de exonerar-te do pavor ilusório do inferno, que apenas subsiste na consciência culpada.

*

Toda religião é conforto na morte.
 No entanto, só a Doutrina Espírita é suscetível de descerrar a continuidade da vida, além do sepulcro.

*

Toda religião apregoa o bem como preço do paraíso aos seus profitentes.
 No entanto, só a Doutrina Espírita estabelece a caridade incondicional como simples dever.

*

Toda religião exorciza os Espíritos infelizes.
No entanto, só a Doutrina Espírita se dispõe a abraçá-los, como a doentes, neles reconhecendo as próprias criaturas humanas desencarnadas, em outras faixas de evolução.

*

Toda religião educa sempre.
No entanto, só a Doutrina Espírita é aquela em que se permite o livre exame, com o sentimento livre de compressões dogmáticas, para que a fé contemple a razão, face a face.

*

Toda religião fala de penas e recompensas.
No entanto, só a Doutrina Espírita elucida que todos colheremos conforme a plantação que tenhamos lançado à vida, sem qualquer privilégio na Justiça Divina.

*

Toda religião erguida em princípios nobres, mesmo as que vigem nos outros continentes, embora nos pareçam estranhas, guardam a essência cristã.
No entanto, só a Doutrina Espírita nos oferece a chave precisa para a verdadeira interpretação do Evangelho.

*

Porque a Doutrina Espírita é em si a liberalidade e o entendimento, há quem julgue seja ela obrigada a misturar-se com todas as aventuras marginais e com todos os exotismos, sob pena de fugir aos impositivos da fraternidade que veicula.

Dignifica, assim, a Doutrina que te consola e liberta, vigiando-lhe a pureza e a simplicidade, para que não colabores, sem perceber, nos vícios da ignorância e nos crimes do pensamento.

“Espirita” deve ser o teu caráter, ainda mesmo te sintas em reajuste, depois da queda.

“Espirita” deve ser a tua conduta, ainda mesmo que estejas em duras experiências.

“Espírita” deve ser o nome de teu nome, ainda mesmo respires em aflitivos combates contigo mesmo.

“Espírita” deve ser o claro objetivo de tua instituição, ainda mesmo que, por isso, te faltem as passageiras subvenções e honrarias terrestres. Doutrina Espírita quer dizer a Doutrina do Cristo.

E a Doutrina do Cristo é a doutrina do aperfeiçoamento moral em todos os mundos.

Guarda-a, pois, na existência, como sendo a tua responsabilidade mais alta, porque dia virá em que serás naturalmente convidado a prestar-lhe contas.

De “Religião dos Espíritos”
De Francisco Cândido Xavier
Pelo Espírito Emmanuel