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23 julho 2014

Livre Arbítrio - Sociedade Brasileira de Estudo Espírita (SBEE)

LIVRE ARBÍTRIO


Para a Doutrina Espírita não há destino, não há predestinação, não há sorte ou azar. O futuro é construído todos os dias. Através de pensamentos e ações, o espírito e seu grupo cultural escolhem e determinam seus caminhos, exercitando uma característica indissociável do ser inteligente: o livre-arbítrio.

A evolução é o fundamento da vida e ocorre pela aquisição de conhecimentos em sentido amplo: técnico, afetivo, emocional, moral, filosófico, científico, religioso.

O espírito adquire conhecimentos novos através das experiências, vivências e convivências acumuladas ao longo de sucessivas situações pelas quais passa, tanto no polissistema espiritual como no material.
Ao somar conhecimentos novos, o ser modifica a visão que tem de si mesmo, dos outros, do mundo e de Deus, ou seja, amplia a sua consciência, evolui. O conhecimento e o comportamento resultantes das situações enfrentadas delimitam um caminho próprio para cada ser inteligente. De acordo com as suas escolhas, ele tem experiências diferentes e, em conseqüência, conhecimentos diferentes, que desenham uma seqüência própria que lhe confere individualidade. Na construção do perfil que caracteriza como único cada espírito (inteligência, afeto, sentimento, valor, consciência) a liberdade de escolha, o exercício do livre-arbítrio, é o que permite ao ser inteligente alcançar os objetivos da vida.

Os segmentos de conhecimento acumulados pelo espírito no decorrer de suas experiências determinam, proporcionalmente, uma capacidade de entendimento, compreensão e construção. O conhecimento que o espírito possui permite que ele solucione várias situações da vida. Dentro do limite do que já é conhecido pelo espírito as situações não se constituem em dificuldade e a sua resolução contribui para que os que convivem com o espírito alcancem, também, o conhecimento que ele domina.

Entretanto, como as experiências vividas são limitadas, o que o espírito sabe também é limitado. As dificuldades apresentadas na superação de algumas situações indicam as limitações do espírito.
A solução, o conhecimento capaz de resolver a dificuldade, no entanto, não se encontra pronta; deve ser construída, adaptada às características únicas da situação e das pessoas envolvidas. A construção da resposta se faz da própria experiência do espírito ou da experiência acumulada pelo outro, encarnado ou desencarnado, que será adaptada ao edifício de conhecimentos do espírito, de acordo com a sua capacidade de raciocínio, seus sentimentos, seus valores e seu entendimento. É a liberdade de escolha que determina quais segmentos de conhecimento, tanto em qualidade como em quantidade, serão assimilados e como serão acomodados e equilibrados em relação aos conhecimentos que já constituem o ser, de forma coerente, para sustentar comportamentos.

As situações que o espírito enfrenta ao longo de sua trajetória, tanto no polissistema espiritual como no material, podem ser uma conseqüência direta de suas atitudes anteriores, ou podem ser condicionadas por variáveis além do seu controle. Entretanto, a escolha que o espírito adota diante da situação apresentada é de sua completa responsabilidade. Dentro dos limites de seu entendimento, o espírito é responsável pelas conseqüências, efeitos, desdobramentos e novas situações geradas a partir de suas decisões.
Diante do desafio e de acordo com sua liberdade de escolha, a resposta do espírito poderá estar situada entre o “hediondo” e o “sublime”. No entanto, com maior probabilidade, a resposta será compatível, coerente, com as decisões anteriores que a pessoa já tomou. Haverá escolhas mais ou menos adequadas para um certo espírito em um dado momento. Como os caminhos são múltiplos e as situações enfrentadas são diferentes, as respostas deverão ser diversas. O critério para se encontrar a resposta mais adequada será sempre individual. A coerência entre a verdade alcançada e a sua prática deverá nortear a escolha consciente. Quanto maior o cruzamento de experiências que puder ser mobilizado e considerado antes da tomada de decisão, maior a probabilidade dela estar coerente com a história de vida da pessoa até então; maior a chance da decisão preencher a necessidade do espírito naquele momento. O autoconhecimento, portanto, é fundamental, para o exercício pleno do livre-arbítrio.

Escolhas que afastem o ser inteligente da coerência com sua história propiciam desdobramentos com menor qualidade ou quantidade de experiências e, conseqüentemente, reduzem o aproveitamento daquela seqüência de experiências.

Muitas vezes, no entanto, as conseqüências de uma atitude ou pensamento podem não ser tão significativas. A escolha pode alterar a ênfase e a direção da trajetória, modificando as possibilidades existentes, mas sem conotação positiva ou negativa. As experiências possíveis, após a decisão, passam a ser diferentes das planejadas, mas igualmente significativas para a evolução do espírito na medida em que segmentos diferentes de conhecimento são explorados.

As conseqüências que se seguem ao exercício de escolha, propiciam experiências que vão contribuir para o crescimento do espírito na medida em que ele, consciente, se empenhe em aproveitá-las. O espírito cresce na medida em que se esforça por preservar ou ampliar as experiências que são favoráveis ou modificar as que não são adequadas.

O exercício do livre-arbítrio sofre a influência dos chamados paradigmas da cultura, da inteligência e da contingência, que podem potencializar ou dificultar o seu exercício pleno.

As influências sobre o livre-arbítrio são em primeiro lugar relativas ao conhecimento alcançado. Quanto maior o domínio sobre um segmento de conhecimento, tanto maior será o entendimento e a responsabilidade sobre as decisões. As decisões tomadas por uma pessoa, no exercício de seu livre-arbítrio, podem alterar, potencializar ou limitar o exercício do livre-arbítrio de outras pessoas.

O exercício do livre-arbítrio é tanto uma atividade individual como do grupo social. As limitações e as capacidades do espírito se relacionam com as do grupo. As limitações e as capacidades do grupo refletem a soma da mentalidade de seus membros, determinando uma massa crítica que sustenta ou inibe algum tipo de comportamento. O meio cultural, no qual um espírito está encarnado, determina um quadro dentro do qual ele passa a se mover. Este quadro facilita atitudes e comportamentos na medida em que algumas soluções já experimentadas estão à disposição como exemplo. Em contrapartida, pode limitar, ao aceitar apenas comportamentos com características aceitas pelo grupo, dificultando a exteriorização das potencialidades do espírito. Atitudes que atuem contra a mentalidade dominante do meio cultural exigem maior esforço para a sua sustentação, necessitando do apoio de um referencial diferenciado.

O grupo cultural evolui, muda seu comportamento, na medida em que seus membros evoluem, ou seja, esforçam-se para romper suas limitações, que também são, em parte, as do grupo. O grupo, não esquecendo de considerar aqui a família, pode determinar, criticar, inibir, sustentar, reforçar, permitir, propiciar, direcionar, induzir, limitar e estimular pensamentos e atitudes. O meio cultural é a maneira pela qual uma pessoa compartilha suas experiências com os outros.

A inteligência, como capacidade de resolver problemas, determina uma ou algumas abordagens preferenciais que selecionam o que será considerado como problema, as respostas alcançadas e os caminhos que serão utilizados. Se há facilidade por um lado, por outro limitam-se as opções. A forma pela qual a cultura, associada às características biológicas estruturou a inteligência, direciona a solução de problemas.

Há ainda, afetando o livre-arbítrio, as chamadas contingências, entendidas como incertezas sobre se uma coisa acontecerá ou não, o que pode ou não suceder, o eventual, o incerto, determinado por variáveis fora do controle da vontade da pessoa ou grupos envolvidos.

O espírito que reencarna se submete a algumas condições pelo fato de estar na Terra que também afetam o exercício do livre-arbítrio. A alimentação, o sono, o envelhecimento, as limitações do físico, da visão, da audição, as formas de comunicação, as condições do meio ambiente, etc.

Dentre os conceitos fundamentais que compõe o núcleo do Espiritismo, o livre-arbítrio é o aspecto da lei maior que sustenta a evolução do universo inteligente. Livre-arbítrio é a ação do espírito no limite de seu conhecimento, e responsável na medida de seu entendimento.

Fonte: Sociedade Brasileira de Estudo Espírita (SBEE)


22 julho 2014

Trajetória de Vida - Sociedade Brasileira de Estudo Espírita (SBEE)

TRAJETÓRIA DE VIDA

No processo de aprendizado, a pessoa tem momentos de profunda reflexão na busca do significado de sua existência: Quem eu sou? De onde eu vim? Por que estou aqui? Para onde eu vou? São perguntas cujas respostas são essenciais para o indivíduo deixar de ser passageiro do mundo imediato e se transformar em agente consciente e conseqüente do seu processo de vida, passando, dessa forma, a planejar sua evolução.

A proposta da Doutrina Espírita é tentar fornecer instrumentos e instruções para que se possa compreender e construir a pluralidade de caminhos que compõe a trajetória de vida. Portanto, é fundamental conhecer as alternativas existentes e ter consciência clara – sabedoria — dos caminhos que podem ser escolhidos.

É muito importante, ao se falar em trajetória de vida, conceituar passado, presente, futuro e referencial de vida.

O passado são os acontecimentos vividos, experiências acumuladas. O presente é o que a pessoa é e o que ela faz. Ao agir, o homem faz transformações — “quem não age não é” (Antonio Grimm). O futuro é a expectativa do que a pessoa quer ser.

O presente da pessoa possui suas bases no somatório das suas experiências e vivências, portanto é um resultado único e individual. A observação plena, racional e intensa do presente possui profundo significado para o homem. “Viver o presente, analisá-lo, pesquisá-lo é dar a dimensão do Universo à vida do homem” (Antonio Grimm).

A Doutrina Espírita promove o processo sustentável de vida por meio do encontro do homem consigo mesmo; ou seja, aquele que vive somente os acontecimentos do passado, ou apenas as expectativas do futuro, não vive o presente, portanto não age e não transforma.

A análise do passado, do presente e do futuro é feita de acordo com determinado referencial de vida. Para a Doutrina Espírita, referencial de vida é um sistema de valores utilizado como parâmetro de avaliação crítica das decisões, das ações e do comportamento.

Pode-se tentar traduzir a idéia de referencial de vida usando o seguinte exemplo: uma pessoa decidiu viajar. Viajar é uma experiência bastante interessante que permite conhecer outros lugares, pessoas e viver momentos novos. Ou seja, viajar é uma oportunidade de aprendizagem. Se esta viagem for planejada previamente, levando-se em conta as experiências anteriores da pessoa, acrescida das suas preferências e tendências atuais, além de se considerar as informações e indicações dos lugares a serem visitados, com certeza a viagem será mais condizente com as expectativas. O planejamento permitirá a escolha de caminhos mais objetivos e, o que é muito importante, servirá como referência caso, por engano, a pessoa saia do trajeto que escolheu. Entretanto, supondo-se que a pessoa não fez o planejamento prévio, deixando para o momento e para o acaso a escolha do caminho a ser tomado, a probabilidade da viagem não ser satisfatória será maior. Corre-se o risco de levar a trajetos perigosos, muitas vezes difíceis e penosos. Todo este cenário pode ser agravado pela falta de um ponto de referência para saber se a pessoa está se aproximando ou se afastando do objetivo desejado.

Dessa forma, a trajetória de vida de um indivíduo pode ser encarada como uma viagem do espírito a várias culturas, lugares, momentos, situações, desafios, funções e oportunidades. A abordagem da vida como trajetória e a utilização do referencial como ferramenta são muito úteis na otimização da evolução de cada pessoa. É importante estar reavaliando continuamente o referencial, transformando-o e corrigindo-o.

O sistema referencial proposto pela Doutrina Espírita traz alguns conceitos tais como: capital de vida, história de vida, inventário de vida, projeto de vida.

Capital de vida é a duração potencial, a quantidade de tempo disponível pelo espírito para construção de sua trajetória no polissistema material.

História de vida é a resultante singular e universal do somatório contínuo de experiências vividas e convividas pelo espírito.

Inventário de vida é o levantamento e avaliação de valores agregados pelo espírito ao longo de sua trajetória; coleção do resultado de suas experiências.

Projeto de vida é a construção da trajetória de vida do indivíduo na expectativa do que ele quer ser – projeto de construção do ser na ação de sua consciência.

O objetivo da vida é a evolução. Como evolução é um processo, a vida é necessariamente aberta, não há destino. A trajetória de vida é construída pela pessoa ao desenvolver os seus potenciais e superar os seus limites.

Resumindo, trajetória de vida é um caminho construído livremente pelo espírito ao interagir de forma consciente e consequente consigo mesmo, com os outros, com a natureza, com o Universo.


Fonte: Sociedade Brasileira de Estudo Espírita (SBEE)


20 julho 2014

Palavra às Mães - Emmanuel


PALAVRAS ÀS MÃES

Se o Senhor te concedeu filhos ao coração de mulher, por mais difícil se te faça o caminho terrestre, não largues os pequeninos à ventania das adversidades.

É possível que o companheiro haja desertado das obrigações que ele próprio aceitou, bandeando-se para a fuga sob a compulsão de enganos, dos quais um dia se desvencilhará.

Não lhe condenes, porém a atitude.

Abençoa-o e, quando possível, ampara os filhos inexperientes que te ficaram nos braços fatigados de espera.

Quem poderá, no mundo, calcular a extensão das forças negativas que assediam, muitas vezes, a criatura enfrascada no corpo físico, induzindo-a a transitório esquecimento dos encargos que abraçou?

Quem conseguirá, na Terra, medir a resistência espiritual da pessoa empenhada ao resgate complexo de compromissos múltiplos a lhe remanescerem das existências passadas?

Se foste sentenciada à indiferença e, em muitas ocasiões, até mesmo à estremada penúria, ao lado de pequeninos a te solicitarem proteção e carinho, permanece com eles e, o trabalho por escudo de segurança e tranqüilidade, conserva a certeza de que o Senhor te proverá com todos os recursos indispensáveis à precisa sustentação.

Natural preserves a própria independência e que não transformes a maternidade em cativeiro no qual te desequilibres ou em que venhas a desequilibrar os entes amados, através de apego doentio.

Mas enquanto os filhos ainda crianças te pedirem apoio e ternura, de modo a se garantirem na própria formação da qual consigam partir em demanda ao mar alto da experiência, dispensando-te a cobertura imediata, auxilia-os, quanto puderes, ainda mesmo a preço de sacrifício, a fim de que marchem, dentro da segurança necessária, para as tarefas a que se destinam.

Teus filhos pequeninos!...

Recorda que as Leis da Vida aguardam do homem a execução dos deveres paternais que haja assumido diante de ti; entretanto, se és mãe, não olvides que a Providência Divina, com relação ao homem, no que se reporta a conhecimento e convívio, determinou que os filhos pequeninos te fossem confiados nove meses antes.

Livro:- "Na Era do Espírito"
Espírito Emmanuel
Médium: Francisco Cândido Xavier
Fonte:- CACEF


Renúncia por Amor ao Próximo - Amilcar Del Chiaro Filho


RENÚNCIA POR AMOR AO PRÓXIMO

O que leva uma pessoa a renunciar ao mundo, sem desprezar o mundo, para dedicar-se ao próximo? O que moveu um Albert Schwartz a deixar uma promissora carreira de musicista e pastor protestante, na Europa civilizada e embrenhar-se na selva africana e se dedicar inteiramente a um povo semi-bárbaro na época. A sua religião, alguns poderiam responder. Contudo, muitos outros tinham a mesma religião e não moveram um passo nessa direção.

Madre Teresa de Calcutá, tinha outra religião, embora também cristã, e se dedicou de corpo e alma aos miseráveis da Índia, incorporando o nome da cidade de Calcutá, ao seu próprio nome. Como Schwartz, não foram alguns meses ou uns poucos anos, de dedicação, e sim, décadas de sacrifício pessoal e amor ao próximo.

Outros tiveram atuação destacada em frentes de trabalhos diferentes, como o Mahatma Gandhi, que dedicou uma vida inteira para libertar o povo indiano, e com isso influiu em outros povos, da escravidão, da ignorância e da impiedade. Martin Luther King Jr., lutou pela igualdade entre brancos e negros. Lutou para que uma parcela do povo do seu país, discriminado, e visto com preconceitos absurdos, tivesse dignidade de vida.

Muito tempo atrás, Henrique Pestalozzi sonhou com uma educação profunda, que incluísse a moral e fosse dada a todos, ricos ou pobres. Ele foi o grande pedagogo que formou grandes pensadores. Um desses mestres e pensadores foi Hippolyte Léon Denizard Rivail que se imortalizaria com o nome de Allan Kardec. Este foi o pedagogo da alma, foi o homem que alicerçou uma ponte entre dois mundos, aparentemente irreconciliáveis, o mundo dos vivos e o dos mortos. Por essa ponte transita o amor.

Dentre as almas beneficiadas pela pedagogia do amor e da imortalidade, vamos encontrar, já no século XX um caboclo mineiro, de fala macia, que nasceu como uma extraordinária antena psíquica, para que os mortos visitassem os vivos e entrassem em comunicação com eles, para trocarem mensagens de amor, ou de perdão e esperanças. Falamos de Francisco Cândido Xavier.

Este homem simples, risonho, com pouquíssima escolaridade assombrou o mundo com a sua psicografia, dedicando-se a amar, consolar e assistir necessitados do corpo e da alma. Sob sua inspiração nasceram centenas de instituições de caridade no Brasil. Das suas mãos de luz, filhos, pais, irmãos, jovens e até crianças atravessaram a barreira, o abismo da parábola de Lázaro, existente entre o mundo dos vivos e o mortos, através desta ponte maravilhosa que se chama mediunidade, feita com um material amoldável, que se chama amor.

Todos esses personagens, e muitos outros que não citamos por nos faltar espaço, tinham algo em comum, o cumprimento do dever, entretanto, algo mais os impulsionava para frente e para o alto, o querer. Escolheram a missão e a cumpriram pelo seu querer, e este foi impulsionado pelo amor. Só existe uma grande e única verdade, o amor.


Amílcar Del Chiaro Filho

 

19 julho 2014

Casamento – Separar Resolve? - Agnaldo Cardoso


CASAMENTO - SEPARAR RESOLVE?

Quando duas pessoas resolvem, de comum acordo, viver sob o mesmo teto, desde logo terão chances de iniciarem a sua reforma íntima. E tudo começa com a luta contra o egoísmo, pois tudo o que era “meu”, passa a ser “nosso”!

Em verdade, o que mantém o matrimônio não é apenas a beleza do parceiro ou o prazer sexual, ambos importantíssimos, mas por si sós insuficientes, pois também a amizade, o respeito, o desprendimento, o carinho, etc., alimentam os laços matrimoniais.

O casal, ainda no plano espiritual, combina o reencontro no matrimônio, convencidos de que a união de ambos é um bom programa de obrigações reeducativas. Reencarnam e se casam.

Com o passar dos dias, os dois vão se conhecendo melhor, e percebem que o outro não era bem aquilo que parecia ser. Ele passa a noite roncando; ela fala dormindo a noite toda; ele quer dormir e ela assistir TV no quarto; ele tem o péssimo hábito de deixar a tampa do assento sanitário aberta e ela insiste em deixá-la fechada!

Ele deixa o tubo dental sempre aberto e ela deixa pedaços de fio dental espalhados pela pia! Ah! Que diferença do que ocorria antes... Sempre que se encontravam – antes do casamento - estavam arrumados, penteados, cheirosos, maravilhosos! Mas agora, ao acordar e olhar de lado, às vezes têm até um leve susto! Surgem os conflitos...

Hora de separar? Será que a separação resolve? Na balança da indecisão, começa a pesar mais o prato das imperfeições... Ela se pergunta: como pode aquela pessoa maravilhosa, transformar-se em alguém com tantos defeitos? E o outro, seguramente, se faz os mesmos questionamentos a respeito do parceiro.

É hora de tentar equilibrar os pratos, colocando na balança, os momentos de alegria... As pequenas coisas que os faziam rir antes; os cabelos brancos adquiridos juntos; os quilinhos a mais ou exageradamente a menos; as rugas... É hora de aceitar o estrago feito pelo mestre tempo nos corpos de ambos e a inexorável força da gravidade que sai derrubando tudo...

Se o parceiro não é bem o que idealizaram, com certeza foi o melhor que Deus pôde oferecer – e o que mereciam - para que cresçam juntos.

O esposo, tirano doméstico que pede à mulher total dedicação, provavelmente é o mesmo homem de outras existências, de cuja dedicação ela zombou, tornando-o agressivo. A companheira extremamente exigente, que envolve o marido em constantes crises de ciúme, é a mesma jovem que outrora foi desencaminhada por ele, com falsas promessas de amor, levando-a à degradação moral. Assim, a ambos cabe se tolerarem e se reeducarem!

Declarar que o divórcio é sempre errado é tão incorreto quanto assegurar que está sempre certo. Todo casamento dissolvido representa fracasso, pois a separação não faz parte da programação de ambos, é simplesmente uma alternativa, quando a união entra em crise insuperável.

A Doutrina Espírita não faz apologia do divórcio, mas aceita e explica racionalmente a sua necessidade em casos específicos, uma vez que há uniões em que o divórcio é compreensível e até razoável, para evitar um mal maior.

O divórcio, nesta circunstância, defendido por Kardec, em “O Evangelho segundo o Espiritismo”, limita-se tão-só a reconhecer uma separação já existente. É o mal menor, oferecendo aos divorciados, a oportunidade de tentarem reconstruir suas vidas e de legalizar sua nova situação perante a sociedade.

Não é lícito o divórcio, em considerando os graves problemas conjugais, à manutenção de um matrimônio que pode terminar em tragédia? Não será mais conveniente uma separação, desde que a reconciliação se tornou impossível?

Não têm direito, ambos, a uma nova tentativa de felicidade, ao lado de outrem, já que se não entendem? A resposta é sim.

Quem se casa e promete conviver bem com seu parceiro, mas abandona o barco ao menor indício de tempestade, certamente será responsável pelos destinos daqueles que abandona à deriva, à própria sorte. Isso será, fatalmente, plantação amarga num futuro próximo ou distante, cuja colheita será obrigatória.

Não basta casar-se. É importante saber para quê. Muitos dirão que a resposta é óbvia, que as pessoas casam-se por amor. Pode ser e deveria ser... O amor, porém, reclama adubação constante, pois a felicidade na comunhão afetiva não é prato feito e sim construção do dia-a-dia.

Acredito piamente que no casamento, amar é, acima de tudo, olhar ambos na mesma direção, sonhar os mesmos sonhos e construir em conjunto.

Agnaldo Cardoso 


18 julho 2014

Valores Latentes - Mario Mas


VALORES LATENTES

O trabalho constitui-lhe estímulos aos valores que lhe dormem latentes, aguardando despertamento, ampliação, desdobramento. (O Homem Integral, pg. 17)

Este alvitre desmantela as fantasias e ilusões da imaturidade humana, tais como:
o conseguir o que se deseja com jeitinho
o lei do menor esforço
o omissão
o preguiça

A evolução espiritual não funciona do mesmo modo que algumas atividades humanas, onde predomina o jogo de interesses motivados pelo orgulho e pela vaidade. Neste âmbito a autocorrupção e a corrupção é recurso para atender aos interesses do ego infantil que acredita que se completa pelo ter em detrimento do ser, passando por cima dos outros e da natureza.

Ninguém evolui por osmose, manipulação e falta de esforço pessoal. Estas características são próprias da mente que acredita que o mundo gira ao seu redor, que os outros estão aí para servi-la – ela quer privilégios. Não é possível manipular a Divindade e a si próprio para se tornar mais evoluído. Uma pessoa não consegue fingir que é lúcida, serena e possui auto-domínio. Estas qualidades não são improvisadas, são conquistadas através de muitos exercícios para se fixarem e integrarem na personalidade.

Entendemos o trabalho proposto por Joanna de Angelis como o auto-enfrentamento e o enfrentamento da existência. O auto-enfrentamento é o contato consigo sem dissimulação e sem repúdio pelas imperfeições temporárias, compreendendo que elas são naturais no processo evolutivo, como também o reconhecimento das virtudes e das aptidões. Identificado as imperfeições: orgulho, vaidade, destrutividade, inveja, etc., busquemos supera-las. O enfrentamento da existência é aquilo que se apresenta, sem fuga: estudar, trabalhar, se relacionar com pessoas difíceis e com pessoas legais, fazer o bem, buscar se realizar, e, principalmente, a busca de Deus... Fugir da existência é se isolar, beber, fumar, usar drogas, se fingir de coitado, buscar lazer em excesso, dedicar muitas horas em academias...

O trabalho exige que a pessoa utilize seus conhecimentos para desincumbir-se dele, assim fazendo, exercita e melhora seus conhecimentos. Como também desdobra potenciais latentes no desafio com o insólito, que exige outras respostas além do conhecido e habitual. Como consta no Livro dos Espíritos no comentário sobre a pergunta 754 “Todas as faculdades existem no homem em condição rudimentar ou latente. Elas se desenvolvem conforme as circunstâncias lhes são mais ou menos favoráveis. O desenvolvimento excessivo de uma faz cessar ou neutraliza o das outras. A superexcitação dos instintos materiais sufoca, por assim dizer, o senso moral, como o desenvolvimento do senso moral enfraquece, pouco a pouco, as faculdades puramente selvagens.” Como vemos a direção que damos à vida resulta em realizações construtivas e edificantes ou na conservação dos estágios inferiores da imaturidade. Por isso, mãos à obra! No reino hominal não são mais os instintos que nos guiam, como no reino animal que não tem consciência e responsabilidade para fazer escolhas, ao contrário, nós escolhemos e podemos otimizar nossa evolução. A Divindade nos possibilita com suas Leis Magnânimas ao progresso! O que fazemos com nosso livre arbítrio?


Mario Mas


17 julho 2014

Existe Sorte e Azar? - Wellington Balbo


EXISTE SORTE E AZAR?

Muitas pessoas creditam o sucesso alheio, ou mesmo o próprio, à sorte ou ao azar, porém, nos diz o bom senso que o fruto dessas conquistas se deve ao trabalho em prol da realização dos objetivos. A sabedoria popular define dessa forma:

“Deus ajuda, quem cedo madruga!” Realidade pura! E entenda-se como trabalho, algo muito mais abrangente do que apenas a atividade profissional que nos traz o dividendo para manutenção da vida. 

Encontramos a definição perfeita de trabalho em “O livro dos Espíritos”, - Lei do Trabalho - na questão de nº 675, Kardec questiona os mentores espirituais:

675 – P - Devem-se entender por trabalho somente as ocupações materiais?
R– Não; o Espírito também trabalha, assim como o corpo. Toda ocupação útil é trabalho.

Em suma, trabalho é tudo aquilo que agrega valores à nosso espírito imortal. Por isso, vamos a vida dessa grande figura, alma sedenta pelo conhecer, disposta a desbravar novos rumos para uma humanidade ainda carente de grandes conhecimentos, não se limitou ao trabalho profissional, dedicando grande parte de seu tempo à observação e à pesquisa.

O holandês Antony Van Leeuwenhoek (1632 – 1723), descobriu os micróbios em 1674, sua descoberta foi uma das mais importantes para a humanidade.

Alguns historiadores consideram Leeuwenhoek o homem que por pura sorte tropeçou em grande descoberta científica.

Injustiça com o holandês!

Deixam de considerar seu árduo e meticuloso trabalho; paciente observador , curiosidade sem limites, Leeuwenhoek construiu seu próprio microscópio, polindo com cuidado e precisão pequenas lentes de aumento focal conseguiu maior eficácia do que outros microscópios de sua época.

Leeuwenhoek observava desde cabelo humano até sêmen de cachorro. Em 1674, ao observar gota d’água, visualizou um mundo novo, repleto de vida e com grande importância para a humanidade.

Graças a seu esforço, o homem pôde conhecer naquela distante época os chamados micróbios.

Graças ao trabalho desse holandês, não acredito em sorte ou azar!

Sorte e azar não condizem com a justiça divina, seria absurdo conceber que Deus tem preferências.

Crer que a sorte pode transformar nossa existência é deixar de acreditar em nossa força interior.

Acreditar na sorte é deixar de colher o fruto do pomar ou a flor do jardim esperando que ambos por forças misteriosas caiam em nosso colo.

Acredito na força do trabalho, na persistência na perseverança...

Acredito na organização, no planejamento, na criatividade, na luta por transformar sonhos em metas.

Acredito na quebra de paradigmas, no olhar além das aparências.

Acredito na força do amor que tem o poder de transformar nossa vida.

Mas não creio em sorte ou azar.

Acredito que o destino está em nossas mãos e que depende de nós construir uma estrada de flores ante as dificuldades, sem relegar nossa vitória a sorte ou nossa derrota pedagógica ao azar.

Jogar a culpa dos fracassos no azar é cômodo, de certa maneira nos tira um pouco da responsabilidade, afinal, “não deu certo porque nos faltou sorte” – é assim que raciocinamos quando acreditamos no azar.

Acredito na força da vida que conspira para que sejamos felizes.

Acredito no estudo, no esforço, na labuta por buscar saídas quando se está encurralado por obstáculos.

Acredito no talento, na capacidade do ser humano, na força que extraímos das entranhas de nossa alma.

Acredito na inspiração e transpiração que colocam a pessoa na hora certa e no lugar certo dos acontecimentos.

Acredito na pujante força que vibra no coração de cada um de nós.

Portanto, graças a Leeuwenhoek, não acredito em sorte ou azar, mas sim, na força do trabalho que nos impulsiona para que obtenhamos sucesso em nossos projetos de vida. Pensemos nisso!

Wellington Balbo

Bibliografia:
HART, Michael H. as cem maiores personalidades da história. 5.ed.Trad.Antonio Canavarro Pereira. Rio de Janeiro, Difel, 2002. 241-243 p. KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. 50.ed. Trad. Guillon Ribeiro. Rio de Janeiro, Federação Espírita Brasileira, 1980. 328 p.

16 julho 2014

Ser humilde é bem mais fácil - Rita Foelker


SER HUMILDE É BEM MAIS FÁCIL


Estava ao mesmo tempo pesquisando para escrever este artigo e agindo por curiosidade pessoal, enquanto procurava relacionar algumas desvantagens do orgulho. Porque se ele é uma espécie de cegueira ou de miopia – O evangelho segundo o espiritismo fala em “catarata” – que distorce as coisas para as quais olhamos e também a nossa própria imagem, é quase certo que o orgulhoso não consiga enxergar claramente as dificuldades que o orgulho lhe acarreta.

Calunga, o querido amigo espiritual, apresentou algumas. Diz ele: "O orgulho vai fazer você perder totalmente a isenção do discernimento. O orgulho vai impedir de pedir desculpas, mesmo quando lá no fundo você sentir que está errado. E vai fazer você viver como um ser diferente daquele que você é".

Discernimento é um instrumento muito importante para nossa orientação e decisões na vida. O filósofo e escritor indiano Jiddu Krishnamurti em Aos pés do mestre, adverte que ele “deve ser exercido entre o bem e o mal, o importante e o não importante, o útil e o inútil, o verdadeiro e o falso, o egoísta e o desinteressado”. Pense nas mentiras que tomamos por verdades, no mal que consideramos como bem, e pense nas possíveis consequências. Fiquei imaginando as coisas desimportantes que ele nos faz considerar importantes, e o esforço inútil que é despendido em obtê-las, quando poderíamos fazer algo útil (mas falta discernimento!). O jornalista Emile Henry Gauvreay observa com perspicácia que: “Construímos um sistema que nos convence a gastar dinheiro que não temos, para comprar coisas de que não precisamos, para criar impressões que não vão durar em pessoas para quem nem ligamos”. Vê-se que o orgulho, além de nos impedir de discernir, ainda nos faz trabalhar e lutar por objetos e satisfações que se mostram vazias e ilusórias.

Bom, até aqui falamos de “coisas externas”...

Mas depois, ao olhar para nós mesmos, segundo Calunga, não apreciaremos ter falhado ou nos termos equivocado, se o orgulho não permitir. Sempre nos daremos razão, porque admitir erros, para o orgulho, equivale a diminuir-se. E como ele, alterando nossa visão, modifica nossa ação segundo o que ele nos permite ver, não conseguiremos ser nós mesmos.

Mas acontece que "quem tem medo dos erros cometidos é o orgulho tagarelando na sua cabeça. O orgulho não gosta de errar e não gosta de ver que errou. Ele vai se doer todo, se tiver que aceitar a verdade. Já a humildade não dói...", afirma o amigo espiritual.

O orgulho, além do mais, já provocou outras confusões sérias, de efeitos terríveis. Lemos no capítulo 7 de A gênese, de Kardec, que o orgulho fez com que o ser humano afirmasse terem sido os animais criados por sua causa e para satisfação de suas necessidades. Um equívoco que ainda convence muitas pessoas atualmente. Um pouco de clareza mental, contudo, leva a um raciocínio: o de que o número dos animais que têm alguma serventia para os seres humanos é ínfimo, perante a quantidade daqueles com os quais ele nunca se relacionou nem vai se relacionar. “Como se pode sustentar semelhante tese, em face das inumeráveis espécies que exclusivamente povoaram a Terra por milhares e milhares de séculos, antes que ele aí surgisse, e que afinal desapareceram? Poder-se-á afirmar que elas foram criadas em seu proveito?”

Bem, continuando com nossa listinha de desvantagens, o orgulho também impede os ganhos da aprendizagem, sendo um fator de manutenção da ignorância. O capítulo 15 também d’A gênese, menciona o orgulho dos fariseus, afirmando que eles consideravam sua inteligência superior à dos demais e não aceitariam uma observação de uma pessoa do povo. Isso nos lembra de uma ideia inteligentemente oposta, a de Cora Coralina, que diz: “O saber a gente aprende com os mestres e os livros. A sabedoria se aprende é com a vida e com os humildes”.

O orgulho também, junto com o egoísmo, pode levar a prejudicar os semelhantes. No capítulo 18 d’A gênese, lê-se: “Enquanto o orgulho e o egoísmo o dominarem, o homem se servirá da sua inteligência e dos seus conhecimentos para satisfazer às suas paixões e aos seus interesses pessoais, razão por que os aplica em aperfeiçoar os meios de prejudicar os seus semelhantes e de os destruir.”

Passando para outro livro, chegamos a O céu e o inferno, onde textualmente lemos que “o orgulho é o inimigo da felicidade. É dele que promanam todos os males que acometem a Humanidade e a perseguem até nas regiões celestes". Ou seja, além de não deixar discernir, promover a ignorância, prejudicar o próximo e impedir a felicidade, ele ainda acompanha a criatura até a outra vida!!!

Em O evangelho segundo o espiritismo, capítulo VII, Kardec observa que o orgulho é um ato de revolta contra Deus. Como um dos problemas que acometem nossa visão – falamos de cegueira e miopia –, no mesmo capítulo está escrito que “o orgulho é a catarata que tolda a visão. De que vale apresentar a luz a um cego? Necessário é que, antes, se lhe destrua a causa do mal. Daí vem que, médico hábil, Deus primeiramente corrige o orgulho”.

O que é um fato, pois decorrente do probleminha de visão, é que desde que “o orgulho se mostra indulgente para com tudo o que o lisonjeia”, ele também não lhe permite observar a falsidade e a hipocrisia, alegrando-se com a lisonja e os falsos elogios.

“O orgulho é o terrível adversário da humildade.” “O orgulho, eis a fonte de todos os vossos males.” “O orgulho é sempre castigado, cedo ou tarde, pela decepção e pelos malogros que lhe são infligidos.” São outras afirmações pertencentes às Obras de Kardec sobre o mesmo tema, que nos deveriam deixar de sobreaviso perante suas investidas.

E até o momento ainda não eu nada escrevi sobre as ciladas que o orgulho reserva especificamente aos médiuns. O livro dos médiuns inclui os médiuns orgulhosos entre os médiuns imperfeitos (item 196), definindo-os como aqueles que “se envaidecem das comunicações que lhes são dadas; julgam que nada mais têm que aprender no Espiritismo e não tomam para si as lições que recebem frequentemente dos Espíritos. Não se contentam com as faculdades que possuem, querem tê-las todas”. Como variedade desses, considera os médiuns suscetíveis: aqueles que “suscetibilizam-se com as críticas de que sejam objeto suas comunicações; zangam-se com a menor contradição e, se mostram o que obtêm, é para que seja admirado e não para que se lhes dê um parecer. Geralmente, tomam aversão às pessoas que os não aplaudem sem restrições e fogem das reuniões onde não possam impor-se e dominar”.

Por outro lado, para que as palavras dos espíritos superiores chegue até nós isenta de qualquer alteração, são condições necessárias querer o bem e repelir o orgulho e o egoísmo (item 226). O médium orgulhoso, portanto, dificilmente poderá ser um intermediário confiável de instruções espirituais aos encarnados.

Bom, talvez já esteja suficiente para uma primeira oportunidade. Não desejamos cansar o leitor, apenas esperamos, com apoio nessas referências citadas, ter colocado o orgulho sob uma luz tão forte, que seja muito difícil evitar enxergar...


Rita Foelker  

15 julho 2014

Ante o Infinito - Emmanuel


ANTE O INFINITO

Amadurecida a compreensão na maioridade mental, percebe o homem a sua própria pequenez, à frente do Infinito. Reconhece que a vida divina palpita soberana, desde os princípios magnéticos do mundo subatômico até as mais remotas constelações. Observa que o planeta, grande e sublime pelas oportunidades de elevação que nos oferece, é simples grão de areia, quando comparado ao imenso universo. Cercado por sóis e mundos incontáveis, ergue-se, dentro de si mesmo, para indagar, quanto aos problemas da morte, do destino, da dor... Suas perguntas silenciosas atravessam o Espaço incomensurável, em busca das eternas revelações...

Para o coração alimentado pela fé e elevado á glória do ideal superior, o Espiritismo com Jesus traz a sua mensagem iluminada de esperança.

Interrogando o infinito, que se estende triunfante, no Estado e no Tempo, os homens ouvem a palavra dos vivos que os antecederam, na grande viagem do túmulo, afirmando com imponente beleza:

- Irmãos, a vida não cessa!...

Tudo é renovação e eternidade.

Tanto quanto as leis cósmicas nos governam a experiência física, indefectíveis leis morais nos dirigem o espírito.

Abstende-vos do mal.

Os compromissos da alma com os planos inferiores constituem aumento de densidade em seu veículo de manifestação.

Nosso corpo espiritual, em qualquer parte, refletirá a luz ou a treva, o céu ou o inferno que trazemos em nós mesmos.

Cultivai a fraternidade e o bem, porque, hoje e amanhã, colheremos da própria sementeira.

Além das fronteiras de sombra e cinza, onde se esfriam e se desintegram os derradeiros farrapos da carne, a vida continua, impondo-nos o resultado de nossas próprias ações.

Amai o trabalho e engrandecei-o! É por ele que a civilização se levanta, que a educação se realiza e que a nossa felicidade se perpetua. Na Pátria das Almas, chora amargamente o espírito que lhe esqueceu a riqueza oculta, olvidando que somente pelo serviço conseguimos desenvolver as nossas possibilidades de crescimento interior para a imortalidade.

Aceitai o ato de servir a ajudar, não como castigo, mas sim como preciosa honra que o Divino Poder nos confere.

Não vos inquietem no mundo o orgulho coroado de louros e o vício com a iniqüidade, aparentemente vitoriosos!...

A Justiça reina, imperecível.

Quem humilha os outros será humilhado pela própria consciência e o instituto universal das reencarnações funciona igualmente para todos, premiando os justos e corrigindo os culpados.

Cada falta exige reparação.

Cada desequilíbrio reclama reajuste.

Os padecimentos coletivos da sociedade humana constituem a redenção de séculos ensangüentados pela guerra e pela violência. As aflições individuais são remédios proveitosos à cura e refazimento das almas.

Anexai os desejos do reino de vosso “eu” aos sábios desígnios do Reino de Deus.

O egoísmo e a vaidade nos encarceram na lama da Terra.

Lede as páginas vivas da Natureza e buscai a vida sã e pura, usando a boa vontade para com todos.

Simplificai vosso hábitos e reduzi as vossas necessidades.

Tende confiança, sede benevolentes, instruí-vos, amai de esperai!... Crescei no conhecimento e na virtude para serdes mais fortes e mais úteis.

Além dos horizontes que o nosso olhar pode abranger, outros mundos e outras humanidades evolvem no rumo da perfeição!...

Todos somos irmãos, filhos de um só Pai, que nos aguarda sempre, de braços abertos, para a suprema felicidade no eterno bem!...

E, ouvindo os sagrados apelos de Cima, o coração que desperta para a vida superior compreende, enfim, que Deus é a Verdade Soberana, que o trabalho é a nossa bênção, que o amor e a sabedoria representam a nossa destinação e que a alma é imortal.

Pelo Espírito Emmanuel
Do Livro: Roteiro
Médium: Francisco Cândido Xavier

14 julho 2014

Fobia de Conflito - José Medrado


FOBIA DE CONFLITO
 
Há pessoas que têm tanto medo de conflito com os outros, que fazem o que podem para evitar qualquer desavença. Essa fobia de conflito, na verdade, prepara os relacionamentos para mais conflitos, ao invés de menos, isto porque as coisas não vão sendo resolvidas, vão se acumulando, aí, um dia, a panela de pressão explode.

Reencarnamos não para fabricarmos uma paz, criando um falso mundo tranquilo e nele nos instalarmos e dizermos: eu tenho a paz. Não! Viver em um mundo, fingindo que nada há de errado nele, é alienação mental.

Não restam dúvidas de que deveremos imprimir todos os esforços para que não venhamos a perder, jamais, a nossa paz, mas isto não significa que a perturbação não exista. Que estaremos sempre “zens”.

Segundo o neurocientista clínico e diretor-médico da Clínica Amen para Medicina Comportamental em Fairfield, Califórnia, Daniel Amen, devemos aprender a buscar sempre a nossa saúde mental, mesmo em meio a este aparente caos que existe atualmente nas relações, onde, para não se discutir, para não se perder a paz, as pessoas aceitam tudo, crendo que estão agindo da melhor maneira possível, na manutenção da conquista da sua paz espiritual.

Quando cedemos às crises de temperamento de uma criança ou permitimos que alguém nos provoque ou nos controle, sem que reajamos de forma alguma, estaremos, em verdade, em nome de uma falsa paz, acorvardando-nos diante dos desafios da vida e logo, logo, nós nos sentiremos péssimos em relação a nós mesmos. Nossa autoestima sofre e o relacionamento com a outra pessoa fica prejudicado, cheio de mágoas.

De muitos modos, ensinamos as outras pessoas como nos tratar, pelo que toleramos e pelo que nos recusamos a tolerar. Os fóbicos por conflito ensinam às outras pessoas que não há nada de mais em pisar neles, que não haverá conseqüência alguma por esta falha de conduta.

Em qualquer situação da nossa vida, deveremos estar dispostos a nos posicionar e a mostrar o que sabemos que é certo. Isso não quer dizer ser ruim ou malvado há modos racionais e gentis de sermos firmes. Firmeza é essencial, para que não pairem dúvidas sobre os aspectos de condutas que aceitamos ou que rejeitamos completamente.

As pessoas, de um modo geral, fazem uma brutal confusão entre ter paz e ser conivente com os arbítrios dos outros. Paz não significa ausência de questionamentos ou dissimulação de que tudo está bem. Paz é consciência tranqüila, de quem sabe que está agindo para o bem comum, inclusive o seu próprio. Ninguém haverá de se achar em paz, simplesmente porque não gera conflito. Não. Paz é mais do que ausência de conflito, é viver em quietude com os seus anseios e buscas, em harmonia com os anseios e buscas de seu próximo.

Ainda há aquelas pessoas que, em nome da paz, “engolem tudo”. Engolir tudo pode ser sinônimo de estar adoecendo aos poucos, ou mesmo de estar alimentando uma atitude delinquente no outro, aceitando todos os seus desmandos e loucuras em nome da “paz”.


José Medrado 

13 julho 2014

Reencarnação - Sociedade Brasileira de Estudo Espírita (SBEE)


REENCARNAÇÃO

 
Reencarnação é o processo pelo qual o espírito, estruturando um corpo físico, retorna, periodicamente, ao polissistema material. Esse processo tem como objetivo, ao propiciar vivência de conhecimentos, auxiliar o espírito reencarnante a evoluir.

O reencarne obedece a um princípio de identidade de freqüências, ou seja, o espírito reencarna em um determinado continente, em um determinado país, em uma determinada região desse país, em uma determinada localidade dessa região, com determinadas características culturais (idioma, usos, costumes, valores, tradições, história etc.), bem como em uma determinada família, de acordo com a sintonia que a freqüência do seu pensamento consiga estabelecer em relação a cada um desses elementos.

O espírito realiza a reencarnação conscientemente, inclusive traçando o seu próprio plano geral para a existência material que está se iniciando. O espírito reencarnante, de acordo com suas limitações, será mais ou menos auxiliado por espíritos com mais conhecimento e com os quais tenha afinidade. No entanto, se não estiver suficientemente equilibrado ou consciente, será orientado no planejamento de sua passagem pelo polissistema material.

Todavia, reencarnado o espírito, inicia-se o processo de existência corporal no polissistema material. É um processo aberto, pois a trajetória pessoal do encarnado segue o exercício do seu livre-arbítrio. Portanto, não há que se falar em destino, em caminhos previamente traçados.

O espírito encarnado, fundamentando-se em seu existente (a bagagem de conhecimentos e experiências adquiridos ao longo de toda a sua história, seja encarnado, seja desencarnado), passa a exercitar sua capacidade, a constatar e desenvolver suas potencialidades, enfim, passa a construir seu momento presente e seu momento futuro. Vai enfrentando contradições, dificuldades, obstáculos, facilidades, administrando encontros e desencontros, permanecendo no seu plano geral ou se desviando em função de algumas variáveis do processo, mas sempre de acordo com sua vontade.

No exercício do livre-arbítrio, o espírito encarnado vai construindo seu equilíbrio ou seu desequilíbrio, de acordo com a maneira pela qual enfrenta as situações e a vida. Vai, por assim dizer, determinando-se, segundo a natureza de seus pensamentos e atos. Por menos que faça, ou por mais que se desequilibre, o espírito sempre alcança progressos em um ou outro aspecto do seu ser.

A evolução não está necessariamente vinculada ao tempo de vida material, mas à intensidade com que ela é vivida. A quantidade de experiências e o aproveitamento que é feito delas é fundamental para o crescimento do espírito, não importando se as experiências estão sendo vivenciadas no polissistema material ou espiritual.

É de se ressaltar que, entre uma encarnação e outra, o espírito continua trabalhando, continua aprendendo, continua evoluindo, de modo que ele não reencarna no mesmo estágio em que desencarnou.

A Doutrina Espírita trabalha, atualmente, com a hipótese de que o processo reencarnatório envolve os conceitos de missão, provação, expiação e carma.

Vale ressaltar que no entendimento atual da Doutrina, os processos reeencarnatórios apresentam facetas desses quatro conceitos, mas que algumas reencarnações podem apresentar o predomínio de algumas dessas características. Eles não são conseqüência de uma interferência ou controle externo ao espírito reencarnante, descartando-se portanto qualquer idéia de castigo, punição ou recompensa. Eles são decorrentes da lei de causa e efeito e das condições de equilíbrio e harmonia do espírito.

Missão é a situação na qual o espírito reencarnante aplica conhecimentos internalizados a favor de uma pessoa ou do grupo de sua convivência.

Provação é a situação na qual o conhecimento em processo de acomodação e internalização deve ser vivenciado; é a situação na qual o espírito é desafiado ao limite de seu conhecimento.
Expiação não se refere à aplicação de conhecimento, mas, sim, a uma conseqüência de um conhecimento aplicado, que provocou conseqüências difíceis, desagradáveis, muitas vezes dolorosas, que o seu responsável deverá enfrentar.

Carma ainda é um conceito útil dentro da concepção da Doutrina, desde que se esteja atento para o seu significado, diverso do de outras Doutrinas. Para o Espiritismo, carma caracteriza a situação na qual o espírito está enfrentando as conseqüências de atos seus que lhe provocaram um desequilíbrio muito intenso, tanto em qualidade como em quantidade, e que, pela sua intensidade, o espírito poderá levar toda uma encarnação, ou mais de uma, para recuperar seu equilíbrio.

A pessoa em desequilíbrio estará sempre em recuperação tanto pela sua reação própria como pela ajuda de outras pessoas ( curar, aliviar, consolar; conhecimento técnico, moral e afetivo). O que varia é apenas o tempo necessário para que o equilíbrio seja novamente retomado. É importante frisar que as dificuldades que o espírito encarnado encontra em seu cotidiano muitas vezes não são explicadas pela reencarnação. 

Reencarnação não explica tudo. Há muitas situações de desequilíbrio causadas em sua encarnação atual.
Em resumo, rencarnação não serve para explicar tragédias e desgraças; não serve para esconder a ignorância, não serve como desculpa ao imobilismo; não serve como consolo para aquelas situações que deveriam ser modificadas e não o são; não serve para destacar o passado e paralisar o presente. 

Reencarnação é oportunidade de aprendizado, é oportunidade de se aplicar o que se sabe e superar as limitações através de vivências sucessivas no polissistema material. Reencarnação é afirmação da unidade e da continuidade da vida.
 
Fonte: Sociedade Brasileira de Estudo Espírita (SBEE)

12 julho 2014

Para que Somos Imortais? - Amilcar Del Chiaro


PARA QUE SOMOS IMORTAIS?

Já nos perguntaram: o que o Espiritismo fez de bom para a humanidade? A nossa resposta foi simples. Perguntamos, por nossa vez, se a pessoa disporia de tempo para ouvir o relato que tínhamos a fazer. Ela disse que não, por isso queria um resumo do que pretendíamos dizer. Começamos falando das consolações extraordinárias aos sofredores, aos quem perdem um ente querido, para depois falar da imortalidade.

Dissemos, então: o Espiritismo veio trazer a imortalidade ao homem. Nosso amigo protestou dizendo que todas as religiões pregam a imortalidade, ao que respondemos: a Doutrina Espírita não prega, ela prova que somos imortais, e mais ainda, para que somos imortais, porque isso faz toda a diferença.

Ser imortal para sofrer os tormentos do inferno ou os gozar no paraíso, às vezes, separados dos que amamos, é irracional. O Espiritismo demonstra a imortalidade racional, dinâmica. Somos imortais para crescer, evoluir, alcançar a perfeição, e isto será conseguido através das reencarnações.

Nosso amigo argumentou: ora, a reencarnação não é para pagar as dívidas, os pecados?

Não! Embora seja também para isso, a sua finalidade primeira é o aperfeiçoamento do ser. Deus criou-nos simples e ignorantes, mas propensos a aprender o bem e o mal. Através da extraordinária jornada "palingenésica", ou seja, das reencarnações, partimos deste ponto e miramos o alvo que é a perfeição. Nada prova melhor a imortalidade do que duas coisas, as comunicações dos espíritos dos homens que viveram na Terra, e a reencarnação.

O Espiritismo foi o primeiro a penetrar nesse mundo coberto pelo pano negro do luto, e vedado pelos mistérios das religiões oficiais. Por meio da mediunidade, que é um instrumento tão importante quanto o telescópio é para a astronomia e o microscópio para a medicina, os pesquisadores, a começar por Allan Kardec, adentraram esse mundo invisível, conversaram com os seus habitantes e construíram uma ponte por onde podemos passar para lá, e os espíritos podem vir até nós e comunicarem-se por meios físicos ou inteligentes.

É grande a quantidade de espíritos desconhecidos que não podem provar quem foram, quando viveram na Terra e o que fizeram. Contudo é inumerável a quantidade dos que provaram as suas existências como seres encarnados, com detalhes íntimos irrecusáveis.

Quanto à reencarnação, ela é provada cientificamente, com as investigações de cientistas renomados, como De Rochas, no final do século XIX, Banerjí, Ian Stevenson , Puarick e aqui no Brasi, Hernani Guimarães Andrade.

Confirmam eles que a reencarnação está em plena harmonia com as leis da natureza.

Filosoficamente o Espiritismo é que tem as respostas para as perguntas: quem somos? Por que e para que estamos na Terra? De onde viemos? Para onde vamos? Como harmonizar liberdade com responsabilidade?

Moralmente, ou religiosamente, só a reencarnação explica a dor, a infelicidade, o sofrimento, as injustiças, as desigualdades e os males que afligem a humanidade. Por tanto é o Espiritismo que pode impulsionar a reforma moral dos indivíduos, e a transformação social da humanidade.

Nosso amigo disse, basta, porque se não, começarei a me perguntar: por que não sou espírita?

Amílcar Del Chiaro Filho

11 julho 2014

Suicídio? Não Vale a pena - Agnaldo Cardoso



SUICÍDIO? NÃO VALE A PENA...


Uma pessoa diz a você que vai se suicidar. E agora? O que você, como cristão e principalmente espírita, vai fazer? Independente de conhecê-la, independente de gostar dela ou não, independente da sua religião e até se ela for atéia, ela é sua irmã, e você não tem a obrigação de evitar que qualquer pessoa cometa essa enorme tolice?

Nós espíritas, que temos a oportunidade de conversar com irmãos desencarnados que enveredaram por essa ilusória trilha e vieram nos contar os seus problemas, as suas dores, os seus terríveis sofrimentos lá no outro lado, estamos preparados para tentar convencer alguém, com lógica e bom senso, da inutilidade do seu gesto? Será que temos argumentos para convencer os candidatos a suicidas de que não vale a pena tentar matar-se e que aquele gesto maluco, na realidade, só vai piorar as coisas?

Permitam-me um lamento, um lamento triste por todos aqueles que menosprezando as diretrizes traçadas pelo Senhor da Vida, tentam fugir e descobrem desapontados, que o máximo que conseguiram, foi sair do corpo, mas não conseguiram sair da vida. Ele irá sofrer muito, pois tentou destruir o maior patrimônio que existe: A Vida! E ele não tem esse direito, porque ele não é o Autor da vida, mas sim alguém que desfruta da vida.

As conseqüências sempre são terríveis, mas como é possível que aqui entre nós exista alguém que tenha “perdido” um ente querido, que enveredou pelo falso caminho do suicídio, eu adianto que todos somos filhos de Deus e o nosso Pai, por ser a própria Bondade, não iria permitir que houvesse sofrimentos eternos.

Por exemplo, pode existir uma pessoa que tenha se suicidado por qualquer razão, mas que traga alguns méritos, de ser um indivíduo trabalhador, honesto, de ter sido bom pai, de ter auxiliado as pessoas, até aquela data. É claro que este será visto de maneira diferente daquele que não traz nenhuma qualidade, pois ele próprio dificultará o socorro. Quem se suicida sofre, sofre muito, mas um dia ele estará de volta ao caminho do progresso.

O Suicídio é a rota, a trilha da fuga, dos que temem enfrentar a vida e as suas dificuldades, que via de regra somos nós mesmos que causamos. Mas essa frustrada fuga lhes reserva uma decepcionante e inevitável surpresa: Continuam mais vivos do que nunca e com muito mais dores!

O suicida deve ser considerado corajoso ou covarde? Os espíritos mais evoluídos nos informam que o suicida é antes de tudo um egoísta que somente pensa nas suas dores, ignorando as dores que irá causar nos seus entes queridos.

Não se pode generalizar e chamá-los de corajosos ou covardes, porque na realidade, eles, antes de tudo, estão meio alienados, preocupados com as suas próprias idéias.

A Doutrina dos Espíritos, não especula, nunca! São informações sérias, checadas e confirmadas, ao longo dos anos, trazidas pelos próprios personagens, os espíritos, que “sentiram na pele”, os mais diversos dramas de dor e sofrimento, aparentemente sem fim.

Os “fracassados fujões”, ao se sentirem vivos, muito vivos, e com mais dores do que antes, é que entenderão que apenas Deus, O Senhor da Vida, tem o direito de dispor dos Seus filhos. E entenderão também, que o seu incompetente, ineficaz e covarde ato, apenas carreou mais e mais dores, sem resolver qualquer tipo de problema!

Quem tenta “Desertar da Vida”, vai descobrir também, – na maioria dos casos – as três maiores dores de um suicida: achar que seus sofrimentos durarão para sempre; ficar revendo e sentindo, o irracional gesto fatal e ver seu corpo, esquecido na terra, servindo de repasto aos vermes famintos, insensíveis à sua dor, e indiferentes à sua infinita tristeza.

Na realidade, o suicida não está querendo morrer, desencarnar! No fundo, no fundo, ele deseja mesmo, é livrar-se, é escapar, de algo ou de alguém! Entretanto, por meio do suicídio, é inútil! O “algo” ou “alguém” irá acompanhá-lo, via sepultura! Assim, meu irmão, é melhor enfrentar de uma vez, o que tanto te importuna!

Estatisticamente, alguns dados curiosos: os espíritas, em dados comparativos envolvendo diversas religiões, são os que menos tentam se matar. (Ainda bem!) As mulheres tentam matar-se 04 (quatro) vezes para 01 (uma) tentativa de homem. E por quê? Normalmente por conta do meio empregado. As mulheres cortam os pulsos e o homem, mais grosseiro, atira, enforca-se etc. É sabido que as mulheres às vezes se preocupam se o sangue vai sujar muito e deixa um algodão com mertiolato, para não infeccionar!

Há momentos em que tudo parece andar para trás. Nossos mais queridos sonhos se transformam em dolorosos pesadelos. Nossas mais ansiosas esperanças se reduzem a cinzas mortas levadas pelo vento da dor. E sentimos a solidão na velhice; quando jovens, achamos que nossos pais não nos entendem; enfrentamos a enfermidade crônica; encaramos desilusão; ao nosso lado, cresce a presença da revolta, e somos envolvidos pelo abraço traiçoeiro do desânimo!

Tudo sugere a deserção, a fuga, o desejo de mergulhar no nada e no esquecimento. Entretanto, a maior surpresa que o suicida tem, do outro lado, é perceber que ainda arrasta as mesmas dores, verte as mesmas lágrimas, ainda está sob o jugo dos mesmos sofrimentos. Quis morrer para esquecer e vê claramente que não morreu, que de nada se esqueceu, que da dor ainda não se libertou.

O Espiritismo tenta mostrar que o desgosto da vida, normalmente é o desgosto da situação, não da Vida. É triste não ser apreciado pelas pessoas. É comum ouvirmos comentários como: Ninguém vê as minhas qualidades... Eu não faço mal a ninguém e me acontece isso... O mundo não me valoriza...

A responsabilidade dos espíritas é muito grande, pois nós sabemos o que aguarda os suicidas. E se sabemos, vamos divulgar e nos preparar para por juízo em quem externa essa ilusória idéia. Tantos anônimos nas ruas deixam de se matar por causa de um sorriso que lhes mostre que o mundo ainda tem alegria. De um abraço que mostre que o mundo ainda tem carinho. De uma palavra que mostre que o mundo ainda tem atenção. De um ouvido que mostre que o mundo ainda tem paciência e disposição. De uma mão que mostre que o mundo ainda tem solidariedade; de um coração que mostre que no mundo, ainda existe amor.

Quem tem a coragem de praticar o mal deve tê-la também para sofrer as conseqüências. Coragem não é a ausência do medo, é sim a capacidade de avançar, apesar do medo; caminhar para frente; e enfrentar as adversidades, vencendo os medos... É isto que devemos fazer. Não podemos nos derrotar, nos entregar por causa dos medos. Assim, jamais chegaremos aos lugares que tanto almejamos em nossas vidas...

Não falarei do que leva o homem ao suicídio, porque nenhum motivo é justificável perante Deus, especialmente se provir do orgulho e da vaidade. Não se chega a uma vida melhor por meio do suicídio, pois será necessário voltar para concluir a vida que foi cortada.

As conseqüências do suicídio são as mais diversas. Mas uma conseqüência a que o suicida não pode escapar jamais é o desapontamento, a decepção, por se ver vivo, muito vivo! De modo geral, ele vai acordar confuso, sem entender porque ainda está “vivo”; vai se sentir preso a um corpo em decomposição, pois os laços foram rompidos ainda em seu vigor; revive os momentos que o levaram a cometer o ato e sente as dores que seu corpo sentia; volta ao lugar de moradia, mas ninguém o acolhe; acaba voltando ao túmulo por que se sente preso ao corpo; a situação é de grande desespero; a fuga pelo suicídio mostrou-se uma armadilha cruel. Finalmente, depois de um tempo indeterminado, por merecimento, seu ou de quem pede por ele, possa ser resgatado e começar o processo de aprendizagem.

De acordo com O Livro dos Espíritos, aquele que comete o suicídio inconsciente, é duplamente culpado, pois tinha consciência e tempo de refletir sobre suas ações, enquanto que o outro muitas vezes comete o ilusório e fatídico ato, em um momento de pouca ou nenhuma lucidez. Mas e o espírita? Ele sabe! E se sabe, o preço a pagar é maior. Um suicídio por parte do espírita, gera muito mais dores futuras, do que outra pessoa.

É verdade que após o desencarne, não há tribunal nem Juízes para condenar o espírito do suicida. Fica ele simplesmente diante da própria consciência, nu perante si mesmo e todos os demais, pois nada pode ser escondido no mundo espiritual, tendo o indivíduo de enfrentar suas próprias criações mentais infelizes.

Se alguém pensa em matar-se, sugiro que antes do covarde e inútil gesto insano, leia sobre as terríveis e dolorosas conseqüências, comuns a quem se suicida: como será sua nova morada e quem serão seus “nobres” companheiros, no sinistro Vale dos Suicidas!

Como ajudar uma pessoa que diz que pretende se suicidar? A psicologia será de grande auxílio, e em alguns casos será necessário até do auxílio da psiquiatria, nos casos de depressão mais profunda, mas não podemos esquecer que o conhecimento da Doutrina Espírita, fortalece a idéia de Deus e mostra que o suicídio não é escapatória, não é uma porta de saída e será sempre o antídoto mais perfeito contra o suicídio, principalmente porque a pessoa poderá valer-se não só dos conhecimentos, da fluidoterapia que recompõe corpo e a mente, como também do trabalho no bem, como elemento sustentador da indispensável harmonia íntima.

Se ele for inteligente, atentará para a exortação do Evangelho Segundo o Espiritismo: “A calma e a resignação, adquiridas na maneira de encarar a vida terrena, e a fé no futuro, dão ao Espírito uma serenidade, que é o melhor preservativo da loucura e do suicídio”.


Agnaldo Cardoso