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12 maio 2017

Quatro dicas importantes para se livrar de um espírito obsessor - Morel Felipe Wilkon

 

QUATRO DICAS IMPORTANTES PARA SE LIVRAR DE UM ESPÍRITO OBSESSOR



Em existências anteriores você fez afetos e desafetos. Todos eles estão espalhados por aí, encarnados ou desencarnados. Nós podemos reencarnar junto com alguns deles; outros estão encarnados em outros meios; mas tem aqueles que estão desencarnados nesse momento.

E esse é o tipo mais comum de obsessão: a obsessão de desencarnado para encarnado. Podemos definir a obsessão como a ação maléfica e reiterada – ou seja, contínua, insistente – de um espírito sobre outro.

Temos que diferenciar o obsessor do encosto. O encosto é aquele espírito que é atraído por você. Ele não tem a intenção de lhe fazer mal, apenas sente-se bem na sua companhia e passa a prejudicar você pela troca de influências. A proximidade entre vocês faz com que ele sinta um pouco do que você sente e que você sinta um pouco do que ele sente. Mas isso é assunto para outra ocasião.

As dicas que eu vou dar servem para o encosto também – apenas temos que saber que as causas da obsessão e do encosto são diferentes. O obsessor age quase sempre por vingança. Você o prejudicou no passado, ele não perdoa, não se conforma, e quer ver você numa ruim…

Para nós vermos como agem os mecanismos da Lei: você pode ter prejudicado ele no passado – em tese, então, você é o culpado e ele é a vítima. Nós temos a tendência de ver a vítima como o coitadinho e o culpado como aquele que deve ser castigado. Mas não é bem assim. Se você se arrependeu do seu erro e tomou o firme propósito de reparar de alguma forma o mal que você fez, você está bem. Ele, no entanto, só tinha que perdoar e tocar a vida. Mas não – ele ficou vibrando no ódio e só pensa em se vingar de você.

Quem está mal, então, na verdade, é ele! Quem precisa de tratamento, realmente, é ele! Você, bem ou mal, tem a sua vida, os seus compromissos, tem outras coisas com que se ocupar.

Mas vamos lá!

– 1º dica: leitura edificante.

Se você gosta de ler, tem o hábito da leitura e sente aquilo que está lendo, é altamente recomendável que você leia livros espíritas ou espiritualistas. Livro de autoajuda também é bom – desde que não seja voltado para coisas materiais.

Quando você está lendo coisas boas você está sintonizado com uma faixa de frequência elevada. Nenhum espírito que esteja numa vibração baixa pode ter acesso a você se você está numa vibração alta – isso é física, não tem nada de místico ou sobrenatural.

Tudo no Universo vibra, inclusive as nossas mentes. Nossa mente emite e capta sinais o tempo todo. Se estamos emitindo uma baixa vibração, iremos captar vibrações baixas; se emitimos alta vibração, iremos captar vibrações altas.

O hábito da boa leitura nos ajuda a manter uma boa vibração não só enquanto estamos lendo, mas mesmo depois, quando refletimos sobre o que foi lido e permanecemos sob a influência da leitura.

Mas atenção! Quando eu falo de livros espíritas, estou falando de obras que contenham uma boa mensagem, uma leitura não muito pesada. Não vá ler sobre dragões, aventuras de magos negros, não é por aí. Essas leituras podem ser proveitosas para os trabalhadores dos centros espíritas experimentados no trabalho de desobsessão, mas não é indicada para o público em geral.

– 2º dica: oração.

A oração tem o poder de nos elevar rapidamente. Se você não sabe como orar ou quer conhecer uma maneira de orar que seja mais eficaz, leia o meu artigo Como orar e ser atendido.

A sua oração deve ser sentida, não apenas formulada em palavras. Se você sente que é vítima de obsessão, sugiro que ore todos os dias no mesmo horário. Se possível mais de uma vez por dia. Em oração, você deve perdoar e pedir perdão a todos os seres do Universo, por todo e qualquer mal, proposital ou não, em qualquer tempo.

Você pode orar assim:

Eu (seu nome) perdoo todos os seres em todos os mundos que tenham me prejudicado de qualquer forma, de maneira proposital ou não, em qualquer tempo e em qualquer espaço. Eu também peço perdão a todos os seres em todos os mundos a quem eu tenha prejudicado, de maneira proposital ou não, em qualquer tempo e em qualquer espaço. Desejo que todos os seres em todos os mundos sejam felizes e bem aventurados. Que a paz e a harmonia reine sobre todos nós.

Você não precisa dizer muitas palavras, o importante é sentir. Para que você consiga sentir a sua oração é preciso algum preparo.

Por isso sugiro novamente que leia o meu artigo Como orar e ser atendido.

A oração sincera pode ajudar o obsessor a compreender a sua nova situação (já que ele está parado no tempo, vibrando no antigo ódio) e perdoar. Se for um espírito muito endurecido, mesmo assim a oração eleva você. E, elevando você, protege você do assédio.

– 3º dica:

A prática regular da caridade. Nós sabemos que a caridade pode ser feita das mais diversas formas, mas aqui eu me refiro a algo mais específico e regular. O ideal é fazer algum tipo de trabalho voluntário em que você se sinta bem. Isso, evidentemente, deve custar a você algum esforço e investimento de tempo. Reunir-se com amigos uma vez por semana para atender uma entidade qualquer pode não ser o mais indicado: não que isso não tenha valor; claro que tem. Mas o importante é que o trabalho exija esforço de você e que ocupe seu tempo, ou seja, que esteja bastante presente em sua vida. Uma horinha por semana é muito pouco.

De que modo a caridade pode ajudar você a se livrar do espírito obsessor?

De duas maneiras. Em primeiro lugar, quando nós fazemos o bem nós estamos nos tornando um pouco melhores, pois estamos desenvolvendo características nossas que permanecem dentro de nós. Imagine que você seja um programa de computador. Ao fazer o bem, você está programando coisas boas em você mesmo. Isso o protege naturalmente contra qualquer assédio.

Em segundo lugar, quando fazemos o bem de maneira metódica, regular, nós não estamos trabalhando sozinhos: sempre contamos com a participação de um ou mais espíritos interessados naquele tipo de trabalho ou mesmo naquela situação específica. Passamos a contar, então, com a parceria desses espíritos, o que também nos oferece alguma proteção.

– 4º dica: desobsessão.

Sem dúvida alguma é o meio mais direto. A desobsessão praticada em centros espíritas ou centros de Umbanda sérios é bastante eficaz.

Como reconhecer que um lugar é sério?

Esse lugar não pode cobrar por esse tipo de atendimento; a casa deve dar importância ao estudo, tanto em relação aos frequentadores quanto em relação aos trabalhadores; a casa deve ter bastante procura; você deve sentir-se seguro nesse lugar.

Mas atenção: a desobsessão afasta o espírito de você e o encaminha para um lugar adequado para ele; geralmente um hospital numa colônia espiritual. Mas você precisa se ajudar. Você precisa colocar em prática alguma das dicas anteriores que eu citei – de preferência mais de uma. Se você permanece da mesma vibração baixa ou o obsessor volta, ou vem outro.

O atendimento espiritual é uma oportunidade de ouro para o encarnado e para o desencarnado: é um divisor de águas. É um momento de mudar a vida, de dar novo rumo para a vida. Se continuar com os mesmos hábitos, com o mesmo pessimismo, o mesmo azedume, mágoa, rancor – a oportunidade é desperdiçada.

O ideal, se você não tem muito conhecimento das coisas do espírito, é você procurar um centro espírita e participar de um grupo de estudos. Se você não se sente bem em centro espírita, vá a uma igreja – mas um lugar que ensine o bem, que faça você sair de lá leve, com vontade de fazer o bem.

Autor: Morel Felipe Wilkon

11 maio 2017

O pensamento como alicerce - Antônio Carlos Navarro

 
  
O PENSAMENTO COMO ALICERCE


Falando da capacidade de pensar, encontraremos nas obras espíritas esclarecimento ímpares para que possamos equilibrar e edificar nosso mundo íntimo.

Na introdução de O Livro dos Espíritos Allan Kardec diz:

“...que a inteligência e o pensamento são capacidades próprias de algumas espécies orgânicas; e que, enfim, entre as espécies orgânicas dotadas de inteligência e de pensamento, há uma que é dotada de um senso moral especial que lhe dá uma incontestável superioridade sobre as outras: é a espécie humana”. (1)

Mais tarde Francisco Cândido Xavier, o médium por excelência, retransmitiu as informações de André Luiz sobre o pensamento, expressadas em Mecanismos da Mediunidade (2):

“...interpretaremos o Universo como um todo de forças dinâmicas, expressando o Pensamento do Criador. E superpondo-se-lhe à grandeza indevassável, encontraremos a matéria mental que nos é própria, em agitação constante, plasmando as criações temporárias, adstritas à nossa necessidade de progresso.

Torna-se claro que nosso pensamento, com sua característica agitação pessoal, se dá no mesmo “ambiente” do Pensamento do Criador, e nesse ambiente:

“... surge a inteligência humana, dotada igualmente da faculdade de mentalizar e cocriar, empalmando, para isso, os recursos intrínsecos à vida ambiente”.

E continua André Luiz:

“...da matéria mental dos seres criados, estudamos o pensamento ou fluxo energético do campo espiritual de cada um deles, a se graduarem nos mais diversos tipos de onda, desde os raios super-ultra-curtos, em que se exprimem as legiões angélicas, através de processos ainda inacessíveis à nossa observação, passando pelas oscilações curtas, médias e longas em que se exterioriza a mente humana, até às ondas fragmentárias dos animais, cuja vida psíquica, ainda em germe, somente arroja de si determinados pensamentos ou raios descontínuos.

...Como alicerce vivo de todas as realizações nos planos físico e extra físico, encontramos o pensamento por agente essencial.

Entretanto, ele ainda é matéria, — a matéria mental, em que as leis de formação das cargas magnéticas ou dos sistemas atômicos prevalecem sob novo sentido, compondo o maravilhoso mar de energia sutil em que todos nos achamos submersos ...

...Assim é que o halo vital ou aura de cada criatura permanece tecido de correntes atômicas sutis dos pensamentos que lhe são próprios ou habituais...

...que lhes imprimem frequência e cor peculiares. Essas forças, em constantes movimentos sincrônicos ou estado de agitação pelos impulsos da vontade, estabelecem para cada pessoa uma onda mental própria.

... a causa da agitação, em estados menos comuns da mente, quais sejam os de atenção ou tensão pacífica, em virtude de reflexão ou oração natural, o campo dos pensamentos exprimir-se-á em ondas de comprimento médio ou de aquisição de experiência, por parte da alma, correspondendo à produção de luz interior. E se a excitação nasce dos diminutos núcleos atômicos, em situações extraordinárias da mente, quais sejam as emoções profundas, as dores indizíveis, as laboriosas e aturadas concentrações de força mental ou as súplicas aflitivas, o domínio dos pensamentos emitirá raios muito curtos ou de imenso poder transformador do campo espiritual...

...compreendemos assim, perfeitamente, que a matéria mental é o instrumento sutil da vontade, atuando nas formações da matéria física, gerando as motivações de prazer ou desgosto, alegria ou dor, otimismo ou desespero, que não se reduzem efetivamente a abstrações, por representarem turbilhões de força em que a alma cria os seus próprios estados de mentação indutiva, atraindo para si mesma os agentes de luz ou sombra, vitória ou derrota, infortúnio ou felicidade.

...É nessa projeção de forças, a determinarem o compulsório intercâmbio com todas as mentes encarnadas ou desencarnadas, que se nos movimenta o Espírito no mundo das formas-pensamentos, construções substanciais na esfera da alma, que nos liberam o passo ou no-lo escravizam, na pauta do bem ou do mal de nossa escolha”.

Depois destas considerações, onde a vontade aparece como alavanca propulsora, e de responsabilidade pessoal de cada um de nós, precisamos ouvir a Ministra Veneranda, conforme transmissão de André Luiz (3), em uma aula sobre o pensamento, e acessada “somente pelos espíritos sinceramente interessados”: “Não haviam aprendido que o pensamento é a linguagem universal? Não foram informados de que a criação mental é quase tudo em nossa vida?”

“O pensamento é a base das relações espirituais dos seres entre si, mas não olvidemos que somos milhões de almas dentro do Universo, algo insubmissas ainda às leis universais”.

"Será crível que, somente por admitir o poder do pensamento, ficasse o homem liberto de toda a condição inferior? Impossível! Uma existência secular, na carne terrestre, representa período demasiadamente curto para aspirarmos à posição de cooperadores essencialmente divinos. Informamo-nos a respeito da força mental no aprendizado mundano, mas esquecemos que toda a nossa energia, nesse particular, tem sido empregada por nós, em milênios sucessivos, nas criações mentais destrutivas ou prejudiciais a nós mesmos. Somos admitidos aos cursos de espiritualização nas diversas escolas religiosas do mundo, mas com frequência agimos exclusivamente no terreno das afirmativas verbais. Ninguém, todavia, atenderá ao dever apenas com palavras. Ensina a Bíblia que o próprio Senhor da Vida não estacionou no Verbo e continuou o trabalho criativo na Ação. Todos sabemos que o pensamento é força essencial, mas não admitimos nossa milenária viciação no desvio dessa força”.

E finaliza a Grande Benfeitora:

"O pensamento é força viva, em toda parte; é atmosfera criadora que envolve o Pai e os filhos, a Causa e os Efeitos, no Lar Universal. Nele, transformam-se homens em anjos, a caminho do céu ou se fazem gênios diabólicos, a caminho do inferno”.

Diante de tais informações só nos resta, como obrigação natural, nos conscientizarmos a respeito do esforço que devemos priorizar no vigiar e orar, conforme nos recomendou Nosso Senhor Jesus Cristo, para pensar sempre no bem e no amor.

Pensemos nisso.


Antônio Carlos Navarro


Referências:

(1) O Livro dos Espíritos, Introdução, 2;

(2) Mecanismos da Mediunidade, Francisco C. Xavier e André Luiz, cap. 4;

(3) Nosso Lar, Francisco C. Xavier e André Luiz, cap. 37.


10 maio 2017

Caiu do avião, do paraquedas, do arranha céu e não faleceu – “milagre”? - Jorge Hessen



CAIU DO AVIÃO, DO PARAQUEDAS, DO ARRANHA CÉU E NÃO FALECEU - MILAGRE?


Só metade das pessoas que caem de uma altura de três andares sobrevivem. Se forem dez andares, quase ninguém resiste. Mas, incrivelmente, o equatoriano Alcides Moreno, um limpador de janelas de Nova York, sobreviveu a uma queda de 47 andares do edifício Solow Tower, em Manhattan, na manhã de 7 de dezembro de 2007. “É um milagre”, disse Herbert Pardes, então presidente do Hospital Presbiteriano de Nova York, onde Alcides foi atendido. Os espíritas não acreditamos em “milagres”. [1]

Consideremos outros fatos mais assombrosos. James Boole, Nicholas Alkemade, Vesna Vulóvic e Alan Magee também desafiaram as leis naturais conhecidas pela ciência ao escaparem da “morte” física a quedas de alturas elevadíssimas.

James Boole saltou na Rússia do avião, seu paraquedas não funcionou e caiu sobre pedras cobertas de neve, a uma velocidade de 160 km/h – mesmo assim Boole não desencarnou, e apenas fraturou uma costela.

Nicholas Alkemade, sargento e membro da RAF, estava voando pela Alemanha quando seu avião foi atacado. A aeronave logo virou uma bola de fogo em queda livre. Como seu paraquedas foi destruído pelo fogo, Alkemade resolveu ter uma “morte” rápida saltando do avião para não sofrer sendo queimado lentamente. Ele caiu de 5500 metros, mas o impacto foi absorvido por árvores e pela neve que cobria o chão. Nicholas sofreu apenas uma torção na perna.

Vesna Vulóvic é uma aeromoça que sobreviveu a uma queda de dez mil metros. Com 22 anos, Vesna era comissária de bordo da Yugoslav Airlines. No seu vôo havia uma bomba instalada por terroristas croatas. A parte em que estava no avião caiu em uma encosta coberta de neve, e Vesna foi a única sobrevivente do acidente. As outras 28 pessoas, incluindo pilotos, comissários e passageiros, desencarnaram.

Alan Magee é um piloto americano que sobreviveu a uma queda de mais de 6500 metros enquanto estava sob ataque, na Segunda Guerra Mundial. Ele caiu sobre o vidro da Estação de Trem St. Nazaire, em uma missão na França. De alguma forma o vidro amorteceu sua queda. Ele foi capturado por tropas alemãs posteriormente, que ficaram impressionadas com o feito.

Como notamos, os personagens são pontos fora da curva, ou seja, não desencarnaram. Será que há alguma explicação espírita para os fatos? Das leis naturais ignoramos seus meandros, sobretudo considerando a gravitação. Recordemos que na época das “mesas girantes” os espíritos conseguiam promover a levitação de objetos pesados, desafiando, pois, as leis da física conhecida (gravidade).

Há pessoas que sobrevivem a um perigo mortal mas em seguida “morrem” noutro. “Parece que não podiam escapar da “morte”. Não há nisso fatalidade?, perguntou Allan Kardec aos Espíritos. Estes foram categóricos: “Fatal, no verdadeiro sentido da palavra, só o instante da morte o é. Chegado esse momento, de uma forma ou doutra, a ele não podeis furtar-vos.”[2] O Codificador insistiu: “Assim, qualquer que seja o perigo que nos ameace, se a hora da “morte” ainda não chegou, não morreremos? Os Benfeitores pacificaram: “Não; não perecerás e tens disso milhares de exemplos. Quando, porém, soe a hora da tua partida, nada poderá impedir que partas.” [3]

Reflitamos o seguinte: Por não ter chegado a hora da “morte” de Moreno, Boole, Alkemade, Vulóvic e Magee, considerando as situações extremas vividas, seria admissível que eles fossem resguardados por intervenções do além, numa espécie de “anulação” da lei da gravidade conhecida? Não é simples responder tais questões. O senso comum diz que ninguém “morre” de véspera. Ora, se só “morremos” quando é chegada a hora, então uma pessoa assassinada “morre” na hora certa? Como fica o livre arbítrio do assassino nesse caso?

Importa acender a luz para uma boa discussão aqui. Por diversas razões e é natural que alguém possa ter a vida interrompida antes do tempo tanto quanto possa ter a vida delongada durante o transcurso de uma existência.

Será que o Espírito que comete um assassinato sabia que reencarnou para matar? “Não! Responderam os Benfeitores. “Escolhendo uma vida de lutas, sabe que terá ensejo de matar, mas não sabe se matará, visto que ao crime precederá quase sempre, de sua parte, a deliberação de praticá-lo. Ora, aquele que delibera sobre uma coisa é sempre livre de fazê-la, ou não. Se soubesse previamente que teria que cometer um crime, o Espírito estaria a isso predestinado. Ora, ninguém há predestinado ao crime e todo crime, como qualquer outro ato, resulta sempre da vontade e do livre-arbítrio. [4]

O tema parece simples, porém apresenta as suas complexidades. E para complicar um pouquinho, os Espíritos reenfatizam – “venha por um flagelo a “morte”, ou por uma causa comum, ninguém deixa por isso de “morrer”, desde que haja soado a hora da partida.” [5] Será que tudo que se relacione à “morte” está “escrito”? (assassinato, por exemplo?). Onde encaixar o livre-arbítrio aqui? Reconheço, com muita humildade, que há “mistérios” inexplicáveis muito além da minha nanica razão. E mais, “do fato de ser infalível a hora da “morte” poder-se-á deduzir que sejam inúteis as precauções que tomemos para evitá-la? Os Espíritos dizem que “não!, visto que as precauções que tomamos são sugeridas com o fito de evitarmos a morte que nos ameaça. São um dos meios empregados para que ela não se dê.”[6]

No caso dos personagens que protagonizam este artigo, considerando as condições extremas, diria quase que surreais que sucederam, como sobreviveram? Foi porque não “soou a hora da partida” deles? Hum!?…

Quanto ao “milagre” citado por Herbert Pardes, presidente do Hospital Presbiteriano de Nova York, esclarecemos que o Espiritismo considera de um ponto mais elevado a religião cristã; dá-lhe base mais sólida do que a dos “milagres”: as imutáveis leis de Deus, a que obedecem assim o princípio espiritual, como o princípio material. Essa base desafia o tempo e a Ciência, pois que o tempo e a Ciência virão sancioná-la. [7]


Jorge Hessen

Referências bibliográficas:

[1] Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/geral-39216175 acesso 10/04/2017
[2] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, per. 53, RJ: Ed. FEB, 2000
[3] Idem, per. 53-a
[4] Iem , per. 861
[5] Idem, per. 738
[6] Idem, per. 854
[7] KARDEC, Allan. A Gênese,”Os milagres segundo o Espiritismo”, Capítulo XIII, RJ: Ed FEB, 2000

09 maio 2017

Como saber se uma pessoa desencarnada está bem ou mal no plano espiritual? - Hugo Lapa



COMO SABER SE UMA PESSOA DESENCARNADA ESTÁ BEM OU MAL NO PLANO ESPIRITUAL?


Para responder essa pergunta é preciso esclarecer que não existe “estar bem” ou “estar mal” no plano espiritual. O estado positivo ou negativo nos planos imateriais é um reflexo da natureza de uma alma e do seu estado de elevação e libertação. No plano físico a ideia de estar bem ou estar mal faz sentido.

Reconhecemos que estar bem é estar devidamente servido em quesitos básicos de sobrevivência, como ter estabilidade material, dinheiro, conforto, fazer o que gosta, ter saúde física e mental, ter nossas necessidades supridas e estar satisfeito com a vida que se leva. Todas essas são condições físicas que nos sustentam materialmente, nos dão conforto e estabilidade para vivermos nossa vida. No entanto, no plano incorpóreo, não existem condições externas que dão suporte ao espírito.

Ao atravessar o limiar da vida e da morte, a alma perde todos os alicerces externos e passa a ser exatamente aquilo que ela é. Sua natureza interna aparece com toda a clareza e ela passa a manifestar aquilo que estava oculto. No plano físico existem muitas formas de uma pessoa dissimular seu interior.

Um homem arrogante pode fingir ser humilde; um homem egoísta pode fingir ser muito caridoso e doar grandes somas em dinheiro para instituições; um homem pode fingir honestidade e ser ladrão e mentiroso; pode também fingir felicidade diante de todos, mas sentir-se profundamente infeliz.

Podemos enganar outras pessoas quando estamos no mundo, mas jamais podemos mascarar qualquer coisa e ludibriar alguém após a morte. No plano espiritual ninguém pode dissimular nada: as almas manifestam com total limpidez aquilo que são. Por isso, a pergunta que se faz sobre a alma estar bem ou mal no plano espiritual não faz sentido. O espírito se encontrará bem se ele for bom, e se encontrará mal se ele for mau. Ele será luz se existir luz em si, e será escuridão caso seu interior seja obscuro. Ele estará bem se for uma alma pura, e estará em sofrimento se for uma alma atormentada. A alma expressará exatamente aquilo que ela é e o que plantou em suas múltiplas existências terrenas.

Após a morte, a alma não pode jamais sentir-se bem se não tem esse bem dentro de si. Nos termos da Psicologia, podemos dizer que o inconsciente e o consciente passam a ser um só, não havendo mais divisão entre ambos. Por esse motivo, ao chegarem no plano espiritual e sentirem exatamente como são, as almas anseiam pela reencarnação para que possam se purificar e aprender. Esse inclusive é um estímulo muito importante para que a alma manifeste seu intento de retornar e refazer sua vida, para que possa se depurar e eliminar todas as impurezas do seu ser.

Diante dessas explicações, aqueles que desejam saber como está seu ente querido ou amigo após a morte, basta que se lembrem de como ele foi em vida, que tipo de pessoa ele era e qual o grau de pureza, simplicidade e desprendimento de sua alma.


Autor: Hugo Lapa


08 maio 2017

A depressão pode ter causa espiritual? - Luiz Carlos Barros Costa



A DEPRESSÃO PODE TER CAUSA ESPIRITUAL?



A depressão é uma doença que compromete o organismo como um todo: a capacidade de pensar, executar tarefas, comer e até dormir. Não é apenas um “baixo astral”. A pessoa deprimida não consegue simplesmente reagir e se livrar dos sintomas incapacitantes. A depressão maior envolve muitos sintomas e inibem bastante a capacidade da pessoa, sua ação e seu humor. A depressão menor, chamada de distimia, envolve sintomas crônicos e prolongados. Não são tão incapacitantes como a depressão maior, no entanto, a pessoa com distimia também pode desenvolver uma depressão maior.

O distúrbio bipolar antigamente chamado de doença maníaca depressiva, caracterizada por períodos de depressão e outros de mania. Em todos esses casos é necessário um tratamento psiquiátrico ou psicoterapia ou ambos. A eficácia dos antidepressivos está assegurada. O efeito dos medicamentos é sentido em tres semanas aproximadamente. Depende de cada pessoa.

A depressão também pode ter causas espirituais, isto é, ser um processo obsessivo causado por um espírito inferior. Nesse caso, o espírito obsidia a pessoa e a perturba mentalmente. Sua vibração pesada e inferior afeta a saúde do deprimido como um todo. Os medicamentos não fazem o efeito esperado. É o que chamamos popularmente de encosto.

Nesse caso o doente deve procurar um tratamento espiritual numa casa espírita. No entanto, não deve, em hipótese nenhuma abandonar o tratamento medico ou ambulatorial. Deve aliar o tratamento médico com o espiritual. Obsessões graves podem comprometer muito a saúde física e emocional da pessoa.

Praticamente todas religiões oferecem suporte para tratamento espiritual. Na religião católica, imposição das mãos. Na religião espírita, passes e água fluida. E, se a pessoa for umbandista será encaminhada ao terreiro para descarregar os miasmas dos espíritos inferiores. A mediunidade desequilibrara ou em desenvolvimento pode causar depressão. A mediunidade é um dom de se comunicar com os espíritos inerente a todas as pessoas em maior ou menor grau. No entanto, algumas pessoas manifestam esse dom de forma ostensiva com sintomas diferentes e estranhos. Deve ser encaminhada a uma causa espírita e, através, de palestras educativas, passes, conhecer os mecanismos da mediunidade. É um dom a mais para o ser humano ajudar a si mesmo e aos outros.

Por que esses espíritos encostam no ser humano? Pode ser que este esteja predisposto por conta do estress, da ansiedade, a falta de fé em si mesmo. A pessoa fica um alvo fácil para esses espíritos negativos. Ou é um resgate de vidas passadas.Aquele espírito encarnado que prejudica o deprimido na vida atual pode ter sido prejudicado por ele na vida passada. Mesmo assim, Deus não quer o mal e nem o sofrimento de ninguém.O que importa é o momento presente. Construa um alicerce emocional e espiritual forte para enfrentar a realidade do dia a dia. O otimismo, o trabalho e a fé podem ser as vacinas que nos imunizam contra ataques espirituais. Afastar o espírito com preces, tratamentos espirituais de desobsessão ajudam na cura do problema. No entanto, orai e vigiai sempre!As companhias espirituais são atraídas por nossos pensamentos. Cada um tem a companhia espiritual que merece ou que atraiu. Cuide da sua vida espiritual! Cuidar da vida espiritual não é somente ir ao templo, culto ou casa espírita ,mas trabalhar para o autoaprimoramento. Agregar energias positivas através de boas atitudes. Ser uma pessoa grata para com a vida.

Uma frase sábia: “Se quer afastar os maus espíritos atraia os bons!”.

Não tente reagir sozinho e não se preocupe com os pensamentos negativos que são muitos durante o processo depressivo. Fazem parte da doença e com o tratamento espiritual e físico eles tendem a desaparecer.

Solicite a companhia dos familiares e dos amigos. Evite ficar trancado em casa ruminando a doença. Respeite os limites da depressão, mas saiba que a melhora e a cura também dependem muito de você.



07 maio 2017

Uma Paga de Amor - Joanna de Ângelis



UMA PAGA DE AMOR

Quando a chispa do ódio lavrou o Incêndio da malquerença, deixaste-te carbonizar pelas chamas do desespero...

Quando o veneno da intriga te visitou a casa do coração, permitiste-te a revolta que se converteu em injustificada aflição...

Quando o chicote da calúnia estrugiu nas tuas intenções nobres, concedeste-te a insensatez do desânimo que se transformou em enfermidade difícil...

Quando a nuvem da discórdia sombreou o grupo feliz das tuas amizades, julgaste-te abandonado, destroçando os planos superiores da edificação da alegria, onde armazenavas sonhos para o futuro...

Quando o fel do ciúme tisnou o sol do amor que te iluminava, resvalaste na alucinação morbífica que te aniquilou as mais belas expressões de amparo pelo caminho redentor...

Quando o ácido da irritabilidade alheia te foi atirado à face, foste dominado pela fúria da reação desvairada, fazendo-te perder abençoada ocasião de ajudar...

*

Tudo porque esqueceste da justa e necessária dose de amor.

Uma baga apenas teria sido suficiente.

Se amasses, todavia, com legítima qualidade de amor, o ódio cederia lugar à expectativa do bem, a intriga se desagregaria, a calúnia seria dissipada, a discórdia se apaziguaria, o ciúme se teria anulado, a irritabilidade se dulcificaria e a vida, então, adquiriria a sua santificante finalidade.

Com a moeda do amor se adquirem todos os bens da Terra e os incomparáveis tesouros do Céu.

O amor persevera - insistindo nos propósitos superiores que o vitalizam. Convence - produzindo pela fôrça da sua magnitude a excelência dos seus propósitos.

Transforma - pela natureza dulcificadora de que se constitui.

Dignifica - em razão do conteúdo de que se faz mensageiro.

Liberta - por ser o poder da vida de Deus transladada para tôda a Criação.

O amor - alma da vida e vida da alma -é a canção de felicidade que vibra do Céu na direção da Terra, sem encontrar, por enquanto, ouvidos atentos que lhe registrem a incomparável melodia, de modo a se transformar em harmonia envolvente que penetra até onde cheguem as suas ressonâncias...

*

Ele se misturou às massas sofridas, e era a Saúde por Excelência; se submeteu a arbitrário interrogatório, e era Juiz Supremo; se permitiu martírio infamante, e era o Embaixador Sublime de Deus; se deixou assassinar, e era a Vida Abundante - por amor. E pelo amor retornou aos que o não amaram para ensinar a supremacia da Verdade sobre a ignorância e do bem sobre o mal, oferecendo-se pelos séculos porvindouros, porque o amor é a manifestação de Deus penetrando tudo e tudo sublimando.

*

"Tratai todos os homens como quereríeis que eles vos tratassem". Lucas: capítulo 6º, versículo 31.

*

"Não acrediteis na esterilidade e no endurecimento do coração humano; ao amor verdadeiro, êle, a seu mau grado, cede. É um Imã a que não lhe é possível resistir". Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo 11º - Item 9, parágrafo 5.


Pelo Espírito Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Pereira Franco
Obra: Florações Evangélicas

06 maio 2017

Aborto Provocado - J.Tomé de Sousa



ABORTO PROVOCADO

A Palavra da Doutrina e da Ciência sobre o momentoso assunto

Nenhuma mente focalizada na justiça moral há de concordar com o assassinato de crianças. A resposta à questão 358 de “O Livro dos Espíritos” diz que “Há sempre crime, quando se transgride a Lei de Deus. A mãe, ou qualquer pessoa, cometerá sempre um crime ao tirar a vida à criança antes do seu nascimento, porque isso é impedir uma alma de passar pelas provas de que o corpo devia ser o instrumento”. Maior força ganha a decisão em se referindo a crianças totalmente impossibilitadas de se defenderem, como o é o feto. Sim, porque há vida, há ser vivente, desde o momento em que houve a fecundação. Desde esse momento, que acontece algumas horas após o ato sexual, há uma vida dentro do útero da mãe, pulsando uma grande vontade de nascer para o mundo encarnado. Esse ser, chamado inicialmente de embrião, e depois de algumas semanas, de feto, é uma criança em formação e não tem a mínima possibilidade de, por si só, se defender contra o ataque assassino perpetrado pelo abortamento voluntário.

Nossa legislação permite o abortamento provocado em duas situações: quando há definitivo perigo de morte da mãe por causa da gravidez e por gravidez conseqüente a estupro.

Essa primeira permissão da lei está consignada na questão 359 de “O Livro dos Espíritos”, desde 1857. Pergunta: “No caso em que a vida da mãe estaria em perigo pelo nascimento da criança, há crime em sacrificar a criança para salvar a mãe?”. Resposta dos Espíritos da Codificação, sob o comando do Espírito da Verdade: “É preferível sacrificar o ser que não existe a sacrificar o que existe”. Na segunda permissão, dita legal, estupro seguido de gravidez, os legisladores não conhecendo a lei de causa e efeito consignaram essa cláusula pensando apenas no ato e fato consumado. Os efeitos de uma causa podem aparecer nesta ou nas vidas seguintes do Espírito. Por isso, o crime de estupro pode ser a conseqüência agora de imprudências, indução obsessiva, ou de provação por uma causa anterior. Uma vez que se colhe sempre o que se planta, cada um é responsável pelos fatos conseqüentes do plantio antecedente. Desse modo, não se pode corrigir um erro com outro erro, mas se deve aceitar o desafio de transformá-lo em um bem. No caso em pauta, aceitar a gravidez, amar e educar o espírito, chegante por essa via, através da própria mãe, ou de outra que adote a criança para torná-lo em um espírito evangelizado.

Conseqüente ao exposto, a Doutrina Espírita só admite o abortamento provocado quando há definitivo risco de morte para a mãe, se a gravidez continuar, consoante a resposta dada pelos Espíritos na questão 359 relatada acima. Fora isso, todo abortamento voluntário é grave delito e trará conseqüências de difíceis soluções já nesta vida quanto nas outras subseqüentes envolvendo a todos que, direta ou indiretamente, dele participem.

Na presente vida, a mulher que provoca um abortamento está sujeita a severas conseqüências atinentes à saúde de seu próprio corpo físico. Hemorragias e infecções, de várias etiologias, que podem levar à morte, são condições comuns encontradas pelos profissionais da saúde quando do atendimento dessas mulheres. Esses dois efeitos são, muitas vezes, difíceis de serem solucionados e demandam longo tempo em sofrimento, trazendo conseqüências futuras sombrias: doenças crônicas insolúveis, infecções recorrentes, infertilidade definitiva, tumoração cancerígena, etc... Muitas vezes a violência do abortamento chega a perfurar a vagina, útero e trompas cujas conseqüências são muito danosas à saúde. No aspecto psíquico, o remorso é uma perigosa energia que vai corroendo gradualmente o equilíbrio emocional e permite aflorar desajustes mentais que estavam subjacentes, abrindo campo à loucura propriamente dita (na visão médica) e à obsessão (na visão espírita).

A morte de mulheres conseqüente ao abortamento provocado é uma das armas usadas pelo grupo pró-aborto, para justificar a sua necessidade de legalização. Isso porque, se legal, o aborto será executado em clínicas especializadas, públicas ou privadas, diminuindo drasticamente a mortalidade feminina por essa causa. Ora, se para diminuir a morte dessas mulheres, legaliza-se um infanticídio, seria, então, também, justo, seguindo essa linha caolha de raciocínio, legalizar os roubos, os assaltos e os assassinatos comuns para diminuir as mortes por essas causas. Esclarecer essas mulheres dos perigos a que estão sujeitas e que existem outros meios de impedir que se engravidem, deve ser o caminho de todo aquele que preza a vida dada por Deus.


J.Tomé de Sousa
O Dr. J. Tomé de Sousa é Médico, pesquisador e professor titular na UFG, Doutor em Neurofisiologia, Espírita e estudioso da Doutrina. Fonte: http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/aborto/aborto-provocado.html.

05 maio 2017

A doença que cura - Hugo Lapa

 
A DOENÇA QUE CURA


Algumas pessoas oram a Deus pedindo a cura de uma pessoa que está doente, ou oram pedindo a própria cura. Elas frequentam locais que realizam tratamentos, cirurgias e curas espirituais. Pedem milagres aos santos e algumas chegam a fazer promessas para se verem livres de alguma enfermidade. A maioria não é propensa a aceitar a doença física e passa a desejar rapidamente que venha a cura. O ser humano faz isso no intuito de evitar sua dor, seu desconforto, as limitações que as doenças podem trazer e, claro, evitar a morte.

O que as pessoas precisam compreender, entretanto, é um princípio simples da espiritualidade que diz assim:

“Toda a doença do corpo vem com o objetivo da cura de nossa alma”.

Esse princípio não é muito bem compreendido e nem mesmo aceito pela maioria. Ele implica em dizer que as patologias que se abatem sobre os seres humanos não ocorrem de forma arbitrária e acidental, mas tem uma finalidade bem específica: a doença exterior pode curar os males interiores.

O que na prática isso significa? Vamos dar o exemplo do homem que exagera em sua alimentação desregrada. Ele come toda sorte de alimentos tóxicos e não liga minimamente para isso. Sua opulência alimentar tem como objetivo faze-lo usufruir dos prazeres da comida. Ele gosta de sentir os sabores e está bastante apegado ao prazer do gosto. Como diz a frase, ele não come para viver, mas vive para comer. Burlou a ordem das coisas e passou a viver apenas para se alimentar. Sua principal atividade do dia é comer um copioso churrasco, ou um doce bastante açucarado. A sabedoria da vida pode, nesse momento, incutir-lhe uma doença no sistema digestivo a fim de obriga-lo a manter uma dieta rígida. Dessa forma, ele tem a oportunidade de se libertar do apego à comida.

Muitas pessoas descontam suas frustrações e carências na alimentação desequilibrada. Comem para preencher o vazio que existe em seu interior. A provação da doença pode obrigar essas pessoas ao desapego e a viverem mais em harmonia consigo mesmas. No momento em que elas param de usar a comida como subterfúgio psicológico, elas ficam com suas carências mais afloradas, e dessa forma, são forçadas a enxergarem a si mesmas e tomarem certas providências para se curarem interiormente.

Outro exemplo interessante que podemos citar da cura interior que vem com a doença é do workaholic, o homem que trabalha demasiadamente por medo de ficar sem dinheiro, ou pelo desejo de querer possuir e conquistar. Mais uma vez a sabedoria da vida pode ajuda-lo a se libertar desse desejo de posse ou desse medo da perda por intermédio de uma enfermidade orgânica. Vamos supor que esse homem adquira uma doença grave que o incapacite de trabalhar. Ele deverá ficar em casa e não poderá mais ir ao trabalho. Por isso, não poderá mais atender seus clientes e, pela força dos acontecimentos, ele começará a perder dinheiro. Esse homem fica assim por meses e meses. Com o tempo a sua reserva financeira vai se extinguindo e ele vê se dissipar toda a ilusória segurança que o dinheiro proporcionava.

A sabedoria da existência universal vai agindo e retirando dele o dinheiro e as posses, para que ele possa gradualmente se libertar do medo de perder e do desejo de tudo conquistar. Ele começa então a despertar para outras facetas da vida, que tem mais valor do que o dinheiro. Ele passa a ter uma visão mais desprendida, mais livre, mais espiritual e inicia uma jornada interior. Pode começar, por exemplo, a fazer cursos de autoconhecimento, a valorizar as coisas simples da vida, a não se preocupar com as miudezas efêmeras da vida humana, etc. Ele torna-se também mais humilde e mais espontâneo. A doença que antes era vista como um desastre em sua vida, como algo terrível, passa a ter outro significado. É justamente a enfermidade que vem desencadear seu processo de cura interior. Ou, como diz a máxima espiritualista, a doença exterior nos impulsiona para a cura interior.

Há muitos outros exemplos que poderiam ser citados, como por exemplo da mulher que anseia muito pela sua independência e seu o poder. Nesse momento vem uma doença e lhe mostra a sua fragilidade humana, seus limites, suas mazelas, suas imperfeições, algo que ela nunca quis aceitar. Isso a obriga a olhar para si mesma com outro entendimento e tentar lapidar seu íntimo aceitando que não detém o poder total, a capacidade total, o conhecimento total e passa a se libertar de uma patologia interior chamada prepotência. Outro exemplo é o do homem que é muito apegado ao seu corpo físico; fixado em sua beleza corporal e em seus músculos. Ele adquire uma doença que começa a atrofiar seu organismo e o obriga a ter uma outra visão de si mesmo. Nesse momento, ele pode começar a buscar uma vida mais real, com mais amor, mais compaixão, mais desapego, e deixar de dar destaque em sua vida apenas as formas físicas. Ele pode passar a ver uma pessoa não pela sua beleza externa, mas pelo que ela expressa em seu íntimo.

Há muitos outros exemplos que poderiam ser citados aqui, mas o importante é todos compreenderem o quanto as enfermidades orgânicas podem ser o caminho para nossa cura interior, para uma purificação de nossa alma. A alma humana encontra-se demasiadamente intoxicada com os venenos desse mundo. Por isso, a doença vem como uma limpeza, uma higienização de nossa mente e de nossas emoções. É como a desintoxicação que se faz através do jejum. Quando iniciamos o jejum, a tendência é o mal estar, a angústia, dores pelo corpo, etc. Tudo isso é a sabedoria da natureza iniciando o processo de desintoxicação, que causará desconforto pela eliminação das toxinas, mas depois trará uma pureza orgânica. É importante mencionar também que não é a doença em si que promove essa depuração, mas sim a forma como cada pessoa muda sua perspectiva durante e depois da doença.

Por isso, não se esqueça dessa máxima. Ao invés de ficar orando a Deus e pedindo uma cura que não virá, procure desvendar o enigma da doença. Essa doença veio para me transformar. Como posso aproveitar as lições que ela veio me transmitir? Torne-se aberto ao sagrado ensinamento da vida através da doença.

As enfermidades não são desgraças fortuitas e amaldiçoadas que vem para nos destruir… No plano do espírito, a doença é uma benção que estabelece e sinaliza o caminho a ser percorrido para nossa transformação e para a purificação de nossa alma.


Hugo Lapa


04 maio 2017

Enjoos e desejoa na Visão Espírita - Ricardo Di Bernardi




ENJOOS E DESEJOS NA VISÃO ESPÍRITA


Com o desenvolvimento da gravidez, à medida que o embrião vai se estruturando, conforme o molde energético dado pelas matrizes perispirituais da entidade reencarnante, vão se intensificando as trocas fluídicas ou energéticas, entre o perispírito da mãe e o espírito reencarnante.

Já se observa, a certa altura, uma intensa sintonia vibratória com grande intercâmbio de campos energéticos. Sucede que estas vibrações permutadas podem ser doentes (espiritualmente falando ) ou sadias. As vivências das encarnações anteriores, indelevelmente registradas nos arquivos energéticos do espírito, são núcleos de emanação de ondas que exercem influência sobre a gestante. As experiências de sofrimentos ainda não resolvidas psicologicamente, os ressentimentos mantidos, são concentrações de força a irradiar sobre a estrutura psicofísica materna. As experiências comuns entre mãe e filho, vividas em estâncias pretéritas, se reencontram agora com anestesia apenas parcial.

Não resta dúvida, que é a grande oportunidade da reaproximação e solução dos débitos passados. Também é importante se reafirme, toda a assistência espiritual presente no transcurso da gravidez, amparando a dupla.

As trocas fluídico-energéticas entre ambos, frequentemente produzem enjôos à mãe. A intensidade destes enjôos muitas vezes está relacionada (também) a diferenças de nível evolutivo entre o espírito reencarnante e a gestante. Em determinadas situações no entanto, não se trata de diferença de nível espiritual, pois normalmente aos espíritos superiores não é difícil superar e compreender as limitações dos menos evoluídos.

Frequentemente, são os reconhecimentos inconscientes das experiências comuns vividas. São as sensações decorrentes do espelhar mútuo , da situação espiritual vivenciada no passado e ainda não resolvida. Cuidemos , no entanto, para não cometer injustiça ou erros de julgamento.Os enjôos tem também causas meramente orgânicas ligadas a fatoresanatômicos e fisiológicos do processo gestacional. Atribuir aos enjôos apenas significado de ordem espiritual, seria empobrecer a ciência espírita e comprometer sua imagem perante as pessoas de bom senso.

OS ESTRANHOS DESEJOS DA GESTANTE: As aparentes extravagâncias da mulher grávida podem ter,também, causas ligadas às influências do espírito reencarnante. Não estamos aqui, portanto, excluindo de maneira alguma o componente fisiológico. As profundas alterações hormonais sob o comando da hipófise são sem dúvida co-fatores que interferem no psiquismo da gestante determinando tendências na esfera alimentar. Tendo sido feita esta ressalva , cumpre-nos estudar a outra face da moeda.

Estando a estrutura do corpo espiritual da entidade reencarnante unida ao chakra genésico materno, passa a sofrer a influência de fortes correntes eletromagnéticas que lhe impõem a redução volumétrica necessária. O corpo astral (perispírito ) que possuía digamos 175cm deverá se adaptar a um organismo fetal bem menor. Ocorre então a redução dos espaços intermoleculares da matéria perispiritual. Tal fato ocorre pela diminuição da vibração das moléculas do corpo espiritual. A energia cinética se reduz, as moléculas se aproximam reduzindo os espaços intermoleculares.

Além desta redução, toda molécula excedente, que não serve ao trabalho fundamental de refundição da forma é devolvida ao plano "espiritual " e reintegrada ao fluido cósmico universal.No organismo materno, mais especificamente no chakra genésico, há uma função que lembra o trabalho de um exaustor de cozinha. Neste aparelho doméstico se processa a absorção da gordura excedente, eliminando-a do ambiente.

Conforme encontramos no livro" Entre a Terra e o Céu ", cap. XXX, André Luiz que se expressa da seguinte forma." O organismo materno materno, absorvendo as emanações da entidade reencarnante, funciona como um exaustor de fluidos em desintegração, fluidos estes que nem sempre são aprazíveis ou suportáveis pela sensibilidade feminina".Há espíritos que por se acharem zoantropizados ou licantropizados (isto é, tão deformados que se parecem com animais,lobos etc ) , portanto com morfologia tão alterada e acrescida de fluidos prejudiciais que sofrerão intenso processo de reabsorção fluídica por parte do chakra genésico materno.

O fato citado gera intensas e frequentes sensações psíquicas na gestante. Estas sensações não tem tradução lógica em valores conhecidos aos sentidos físicos. Como são sensações , o cérebro decodifica em algo material e expressa como: Desejo de comer, cheirar ou fazer alguma coisa diferente. Portanto, embora seja inverdade que desejos insatisfeitos possam determinar defeitos físicos no bebê, mera crendice, os desejos existem e quando não são tão absurdos como comer sabonete com cebola, não custa nada(às vezes) satisfazer a pobre da gestante.... Mas não exageremos...

Dr. Ricardo Di Bernardi- Médico, escritor e conferencista
Presidente do Instituto de Cultura Espírita de Florianópolis - Médico Homeopata
Fonte: Medicina e Espiritualidade.

03 maio 2017

Sociedade Alternativa - Vladimir Alexei


 SOCIEDADE ALTERNATIVA


Vladimir Alexei Dirão os amigos que sou saudosista. Talvez seja. Mas não se espantem: sinto falta das Instituições Fortes em nosso país e, consequentemente, em nosso Movimento Espírita. Para que não pairem dúvidas, instituição forte não é instituição militar. É instituição que possui liderança.

A Federação Espírita Brasileira se transformou em algo muito mais sério e grave do que sua teimosia em propagar o misticismo roustanguista. Talvez o despreparo daqueles que chegaram e, dos que se perpetuam nas sombras para conduzir uma instituição de tamanho porte, seja um dos motivos de sua inércia. Sem contar seu compromisso espiritual com o país. Ela simplesmente não representa mais, nem a Unificação, nem a liderança dos espíritas que, por algum motivo, ainda nutriam admiração por aquela secular instituição. Se não fossem os livros por ela editados, talvez, já não vinculássemos o seu nome às figuras ilustres que um dia representaram aquela Casa, como Ewerton Quadros, Bezerra de Menezes, Leopoldo Cirne, Bittencourt Sampaio e muitos outros.

Posso dizer que, nos últimos 25 anos, não me recordo de nenhum momento tão acéfalo assim para a liderança do Movimento Espírita. É uma reflexão, subjetiva, é verdade, de quem acompanha com preocupação o rumo que o Movimento Espírita está tomando. As lideranças espíritas não conversam entre si, independentemente, de sua posição no movimento espírita. Como pode isso?!

Creio que a FEB, hoje, não saiba o impacto causado por sua ineficácia, seja na gestão ou na produção de conteúdos doutrinários orientativos. À semelhança do país, a ausência de uma liderança, causa males muito graves. Fazem surgir oportunistas, vendilhões que se passam por missionários, sincretismos sutis, docetismo... um verdadeiro laissez-faire (é como o Raul Seixas em sua música: “faça o que quiseres pois é tudo da lei”).

Por isso o saudosismo: era muito bom o engajamento federativo para produzir conteúdo doutrinário, propaga-los e receber críticas e sugestões em seguida. Havia, no movimento crítico, uma proposta de estudo, ainda que não calibrada adequadamente. Era mais saudável! O que se vê hoje? Nada. Inércia total. Formiguinhas continuam trabalhando intensamente nas casas espíritas, enquanto o movimento federativo está em profunda letargia, gangrenando lentamente...

Tudo passou a ser comum. Ou seja, por mais autonomia que toda casa espírita deve ter, a ausência de uma liderança que estimule as casas a seguirem estudos doutrinários, é um ponto grave de atenção. Falta União entre as casas espíritas e em todo o movimento espírita. Mas, os amigos dirão, existem livros que orientam Casas Espíritas. Sim! E quem segue essas orientações?? Tornou-se algo para “inglês ver”.

Haverá, neste primeiro semestre de 2017, evento em uma capital, em um hotel, com capacidade para 750 lugares. Estão cobrando R$30,00, por pessoa. A arrecadação desse evento servirá para o que? Onde será empregado esse recurso? Exercitar a reflexão é importante. Será que os organizadores, tenho certeza que fazem a organização com todo carinho e amor, não percebem que estão repetindo o fracasso materialista que chafurdou a sociedade no que vemos hoje de mais decadente em termos de religião? O espiritismo se tornou mais uma seita ou religião exterior, nos moldes decadentes que vemos hoje. O que nos difere das demais religiões?

Não satisfeitos em baratear a mediunidade, onde os médiuns infelizmente não estudam, e cada vez mais escrevem obras de qualidade duvidosa, realizar eventos se transformou em um grande negócio. Cuidado. Muita informação não significa qualidade e nem geração de conhecimento. Onde ocorre o intercâmbio? Cadê o “estabelecimento central” idealizado por Allan Kardec? Ah! são as casas espíritas! E como as temos conduzido? Como anda nossa fraternidade para com os que chegam e para com aqueles que estão ativos conosco nos trabalhos?

Desde a casa espírita até a federação, num fluxo contínuo de informações, em via de mão dupla, parece que a ruptura se agravou. Não sou da área da saúde, mas diria que há fuga de energia nessa via, ou então, ela passou a ser uma “via tripla” com a criação da “sociedade alternativa dos eventos”. Qual o retorno dessa outra via? A qual movimento espírita ela beneficia? Porque há dedicação de energia para fazer esses eventos acontecerem. Isso não diminui seu brilhantismo, ok?! Quem está lá, voluntariamente, merece todo nosso respeito por tamanha dedicação e desvelo.

Não sei vocês, mas, está feio ouvir as pessoas no meio espírita dizerem que “servem Jesus”, que “trabalham por Jesus”, que “seguem Jesus”, que “bom é só Kardec”, que “todos devem estudar Kardec”, quando repetimos os mesmos erros de movimentos religiosos do passado. Ninguém disse que seria fácil despir o homem velho e vestir o homem novo, porém, nada que aprendemos até hoje, substitui a força que a União é capaz de proporcionar. E isso está em baixa.

Se a Federação não é mais a entidade que representa a União pela unificação (acho que nem sabem o que é “unificação” hoje em dia), se aqueles que produzem eventos acreditam unir as pessoas em torno de uma obra (ego), se os vendilhões se veem como missionários, se os médiuns não estudam, se o momento é de crise e exige liderança, e ninguém faz nada junto, apenas separado, e ainda assim, disser que tudo está conforme a lei, a notícia não é boa. Não está dando certo. É uma “revelação” mediúnica? Não. É, simplesmente, uma, dentre outras, análises que podem ser feitas do momento que vivemos.

Autor: Vladimir Alexei é orador espírita na cidade de Belo Horizonte/MG e apresenta o Evangelho na Rede aos sábados as 8hs pela Rede Amigo Espírita

02 maio 2017

Ser ateu no Brasil - Wellington Balbo



SER ATEU NO BRASIL


Alguns ateus como, por exemplo, o ator Gregório Duvivier, reclamam da complicação de ser ateu num país religioso como o Brasil. Logo que alguém se declara ateu, ou na própria expressão que estão utilizando "sai do armário" é visto de maneira pejorativa em nosso país, como se tivesse uma doença contagiosa.

Questões assim não são aplicadas apenas aos ateus, mas, sim as minorias de um modo geral. Os homossexuais também padecem com esse preconceito que não para por ai e bate forte nas mulheres, nos pobres, negros, nordestinos e etc. Atrevo-me a dizer que os grupos desprovidos de força, seja econômica, social ou quantitativa são os mais marginalizados. Vale salientar que essas minorias podem não obedecer a ordem quantitativa.

Creio, aliás, que a discussão sobre alguém ser ateu, homossexual, negro ou torcer para o Corinthians estão em campo secundário e tornam-se temas principais de nosso debate por conta de nossa inferioridade. É pura perda de foco do que é, realmente, nosso principal objetivo neste mundo.

Portanto, deveria importar pouco a orientação sexual ou religiosa de um indivíduo.

Não nos cabe aqui qualquer julgamento, como se nossa forma de proceder fosse a mais adequada.

Há problemas sérios a serem combatidos, mas que desprezamos porque nosso foco está em questões que, sinceramente, em nada contribuirão.

Sejamos francos:

Quê importa se alguém e ateu? O que isso muda na vida da sociedade? Quantos pobres deixarão de existir por isso? Aumentou o número de indivíduos alfabetizados? Diminuiram-se as chacinas que ocorrem todos os dias? Houve um “upgrade” espiritual de modo que iremos respeitar o próximo por conta disto?

Observe que todas as respostas acima são negativas.

Em realidade ser ateu ou não muda pouco as coisas. O que modifica mesmo são as atitudes do indivíduo em relação a ele próprio e o meio em que está inserido.

Mais vale ateus com caráter do que beatos corruptos. E, convenhamos, Deus não se ofende se acreditam ou não NELE. Estamos falando do absoluto, do Criador, da Inteligência Suprema... Quem se aborrece nas questões pertinentes a crença somos nós, Espíritos ainda imperfeitos, mas jamais Deus...

Vou parafrasear a inesquecível Dra. Elisabeth Kübler-Ross: Deus se sairá bem dessa! Pode crer, ateus e religiosos, Deus se sairá bem dessa descrença...

Afinal, é Deus...



01 maio 2017

Banalização do crime - Divaldo P.Franco



BANALIZAÇÃO DO CRIME


Anteriormente, quando tomávamos conhecimento de alguma notícia chocante sobre homicídio, suicídio, suborno, indignidade de pessoas aparentemente respeitáveis, autoridades de qualquer jaez, éramos dominados pelo desencanto e, às vezes, pela compaixão.

Nos últimos tempos, de tal forma os crimes hediondos se tornaram tão repetitivos e descritos nos seus detalhes mais escabrosos, em manchetes espalhafatosas e comentários perturbadores, que estão quase banalizados.

Acostumamo-nos, cada dia, com os novos escândalos que diminuem de intensidade e levam ao esquecimento os anteriores, que nos haviam surpreendido de especial maneira, e já não causam tanto espanto nenhuma tragédia nem desgraça individual ou coletiva. Os avanços tecnológicos das comunicações colocam-nos ao par de quase tudo que acontece no mundo, especialmente os fenômenos degradantes que deleitam grande parte da sociedade, dando ideia de que não mais há esperança de viver-se em harmonia e que os inúmeros séculos de evolução da ética, da cultura e da civilização foram inúteis.

Predominam as infâmias e os horrores, enquanto ocorrem, simultaneamente, milhares de ações que dignificam, que projetam a Humanidade a patamares elevados, embora quase não comentados. É como se houvesse uma surda ou, talvez, declarada conspiração contra o bem e o amor, quais se fossem representação da pequenez, da covardia, de conflitos malcamuflados, que não merecem consideração.

O ser humano está destinado à conquista solar. Da brutalidade à sublimação, prossegue no rumo que lhe está traçado, embora os óbices daqueles que permanecem sob o impacto da natureza animal em detrimento da sua natureza espiritual.

A vitória do amor é inevitável, por ser Deus a sua Fonte inexaurível. Permanecem na Terra os heróis anônimos da misericórdia, que fomentam o progresso e oferecem a própria vida em favor do seu próximo, individualmente e em organizações humanitárias, quais a Cruz Vermelha e os Médicos Sem Fronteiras.


Divaldo Pereira Franco
Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 12.3.2015