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15 abril 2018

A importância dos relacionamentos - Adriana Machado


A IMPORTÂNCIA DOS RELACIONAMENTOS


Somos seres que vivemos na coletividade. Isso é tão importante para nós que somos influenciados por uma lei divina e natural chamada Lei da Sociedade, cujo objetivo é vivermos em comunidade para aprendermos no coletivo e, para isso, Deus nos concedeu as faculdades necessárias ao relacionamento.

Sabemos que existem pessoas que querem ficar sozinhas, ou escolhem uma vida de reclusão e, a princípio, poderíamos dizer que elas estariam contrárias ao estado natural do ser humano. Bem, apesar de O livro dos Espíritos [1] afirmar que querer viver só é um estado de egoísmo, também nos mostra que existem exceções à regra, quando a escolha daquele que se isola tem uma conotação meritória, como por exemplo, fugir do mundo para se devotar ao alívio dos sofredores.

Mas, veja que gostar de estar só é muito diferente de querer estar só. O primeiro pode englobar o segundo, mas, a recíproca não é verdadeira. O primeiro se dá quando você gosta de estar consigo mesmo, de curtir a sua presença. É se autoconhecer. E isso é muito bom porque tal estado não nos impede de curtir a presença dos demais. Já o segundo, pode conotar vários estados de espírito em desalinho associados a um medo não flagrado pelo seu detentor.

Vimos que, para que estejamos indo de encontro ao um estado natural, precisamos ter alguma base racional ou emocional para isso. Vocês poderiam estar pensando no caso em que alguém faz uma opção reencarnatória para viver na reclusão buscando valorizar as companhias que, até então, nunca as tinha apreciado. Sim, esses casos existem, e podem ter certeza que tal experiência marcará essa pessoa, mesmo resignada, diante de sua escolha como toda e qualquer escolha que nos faça mudar as crenças que tínhamos até então. Mas, deixando as exceções e comentando sobre os casos em geral, precisamos estar atentos aos nossos comportamentos, como também aos dos nossos amores, porque estando (ou sendo) nós (ou eles) muito sozinhos, tal postura pode estar sendo alimentada, por exemplo (e não se surpreendam!), pelo objetivo incessante de querermos agradar aos outros.

É certo que vivemos hoje um momento em que a sociedade exige TUDO de nós. Saímos do Oito e fomos para o Oitenta num salto. Estamos vivendo num oceano de cobranças que, vez por outra, suas águas nos afogam. As pessoas estão se sentindo tão cobradas que, por ação reflexa, cobram de si e dos outros também, e o ciclo vicioso se instala. Diante desta realidade, muitos não estão conseguindo enfrentar suas frustrações, por não saberem que tais exigências são irreais, inconcebíveis, impraticáveis, inatendíveis. Se soubessem, reagiriam diferente, não dando margem à adoecerem, abandonarem seus sonhos e suas vidas.

Como não conseguimos atender a todas as nossas expectativas ou daqueles que nos circundam, podemos nos sentir incapazes e, por consequência, fugirmos de suas companhias para não sofrermos com as nossas decepções. “Antes só do que mal acompanhado”, se pensamos ou sentimos que ele estaria nos fazendo sofrer. O problema é que se estamos fugindo dos outros, não estaremos em paz, e isso nos leva a uma vida sem sentido e triste.

Por tudo isso, se alguém está ficando muito só algo pode estar errado, mesmo que essa pessoa sempre tenha sido assim. Precisamos ajudá-la a saber se o estado de solidão em que ela se abrigou é só um momento em que ela precisa se deparar consigo mesma (autoanálise), ou se ela está se refugiando neste estado para não ter de enfrentar alguns de seus medos mais íntimos, porque se for o segundo caso (que pode durar anos a fio), esta pessoa estará deixando de aproveitar uma das bênçãos mais notáveis que o Pai nos concedeu: vivermos na coletividade para aprendermos mais rápido e, se possível, mais felizes.

[1] Editora Petit, Cap. 07, ano 1999, p. 265.

Fonte: Adriana Machado 


14 abril 2018

O Espírita e a Política: uma reflexão a respeito das manifestações em redes sociais - Vladimir Alexei



O ESPÍRITA E A POLÍTICA: 
UMA REFLEXÃO A RESPEITO DAS MANIFESTAÇÕES EM REDES SOCIAIS


Um dos maiores espíritas que reencarnaram no Brasil, foi político renomado: Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti. No mesmo período – final do século XIX – encontraremos Anália Franco como membro do Partido Republicano, fato que ela sabia separar, com distinção, de sua militância social e educativa. Cairbar Schutel assumia o posto de vereador pela primeira vez em 1889, Eurípedes Barsanulfo na pequena Sacramento, também dedicou-se à política, dentre muitos outros.

Ignorar a presença de políticos, cientistas, acadêmicos, empresários e filósofos no meio espírita, ao longo de sua existência, seria uma injustiça histórica. Figuras ilustres como Lins de Vasconcelos e Frederico Figner, empenharam suas vidas e suas respectivas fortunas à divulgação do Espiritismo. Envolviam-se em terreno delicado ao propor levar um pouco mais de luz, de esclarecimento ao povo mais necessitado.

Se recuarmos um pouco mais no tempo, veremos que o movimento que ocorreu no Brasil, espelhava aquilo que havia começado na França quando intelectuais, artistas, políticos e acadêmicos fizeram coro ao trabalho de Allan Kardec na propagação doutrinária. A França que abrigou Voltaire e Rousseau, precisou de conflitos armados para fazer com que a democracia se instaurasse. Segundo o historiador Will Durant, o movimento democrático nasceu do “dinheiro e da pólvora”.

Onde queremos chegar? Que falar sobre política e fazer política é tão natural quanto necessário. O que tem chamado a atenção, nas redes sociais, é a falta de compromisso com que a política tem sido compartilhada, inclusive, por espíritas. Assemelha-se a uma torcida de futebol em que os opostos desfilam provocações cada vez mais ácidas, demonstrando fragilidades preocupantes.

A omissão de instituições espíritas quanto ao cenário político, transformou-se em algo “normal”, quando lideranças confundem a liberdade de opinião com o laissez faire, no sentido de o que você quiser fazer é problema seu, afinal, não esclarecerem seus profitentes.

Recentemente, um espírita de renome, por seu belíssimo e indiscutível trabalho assistencial desenvolvido em bairro de periferia de Salvador, além de extensa obra mediúnica, foi duramente criticado por posicionar-se a favor da “direita” e daqueles que a imprensa tem noticiado como “pessoas de bem”. É a opinião dele e deve ser respeitada, assim como devemos respeitar a opinião daqueles que pensam diferente, como os que se colocam de “esquerda”. Aliás – apesar de toda a crítica que essa reflexão receberá –, combina mais com o espírita o posicionamento de esquerda do que da situação. Por que? Porque o progresso social, a partir do progresso individual com acesso à educação e melhores condições de vida deveria ser uma plataforma de trabalho do espírita, de acordo com seus recursos e posicionamento social. As Leis Morais em O Livro dos Espíritos podem elucidar melhor esse pensamento.

O que tem ocorrido é uma confusão dantesca entre o agente de corrupção e a corrupção. A corrupção é uma das manifestações do egoísmo humano, quando, em detrimento ao bem comum, opta-se por levar vantagens pessoais, sem pensar no progresso que poderia realizar se agisse da forma diferente. O “instrumento de escândalo” (o corrupto) é refém de suas escolhas, arregimentando compromissos de ordem espiritual cada vez mais sérios e que deveria ser motivo para profundas reflexões de nossa parte: acaso estamos isentos de erros, mazelas e dificuldades de toda ordem? Eleger um “salvador” que não seja o “Modelo e Guia da Humanidade” é procurar amparo para legitimar ideias egoístas.

Os instrumentos que hoje avaliam a corrupção, também se beneficiam dela, de maneira que, seu senso de justiça nem sempre é capaz de sobrepor o posicionamento político de “situação-oposição”, obnubilando o julgamento de condenar.

Quem está certo? Quem está errado? Camille Flammarion, no túmulo de Allan Kardec proferiu discurso que se notabilizou por considerar Kardec o “bom senso encarnado”.

Um amigo, de esquerda, com profundo bom senso – em todos os campos da vida, admirável, diga-se de passagem – sempre nos diz que “os extremos devem ser evitados”.

Não tenho vinculação a nenhum partido político. Fui eleitor tanto de esquerda quanto de direita ao longo dessa jornada terrena. Procuro, como livre pensador, analisar prós e contras, ainda que contrariem as opiniões dos amigos. No máximo, evito discutir e tentar “impor” meu ponto de vista para que as discussões não se exaltem além do ambiente fraterno em que começaram. Busco vislumbrar qualidades na oposição e situação para escolher candidatos e seus respectivos projetos para solucionar os problemas do país. Acertamos e erramos em nossas escolhas, mas não transformamos nosso posicionamento pessoal em motivo para brigas, contendas e desavenças, sejam no meio espírita ou fora dele.

Que o espírita se posicione favorável ou contra determinada corrente política, mas que sua forma de se posicionar seja pautada nos princípios doutrinários que, na atualidade, ele consegue praticar. Não sejamos nós, espíritas, motivo de escândalo, incentivando a proliferação de ideias contrárias ao que a Doutrina Espírita nos orienta, seja de esquerda ou direita: o contraditório é saudável no processo de aprendizado!

“Aos homens progressistas se deparará nas ideias espíritas poderosa alavanca e o Espiritismo achará, nos novos homens, Espíritos inteiramente dispostos a acolhê-lo.” (Allan Kardec)

Vladimir Alexei


13 abril 2018

Jesus e Reencarnação - Joanna de Ângelis



JESUS E A REENCARNAÇÃO


Não fosse Jesus reencarnacionista e toda a Sua mensagem seria fragmentária, sem suporte de segurança, por faltar-lhe a justiça na sua mais alta expressão propiciando ao infrator a oportunidade reeducativa, com o conseqüente crescimento para a liberdade a que aspira.

O amor por Ele ensinado, se não tivesse como apoio a bênção do renascimento corporal ensejando recomeço e reparação, teria um caráter de transitória preferência emocional, com a seleção dos eleitos e felizes em detrimento dos antipáticos e desditosos.

Com o apoio na doutrina dos renascimentos físicos, Ele identificava de imediato quais os necessitados que estavam em condições de recuperar a saúde ou não, tendo em consideração os fatores que os conduziam ao sofrimento. E por isso mesmo, nem todos aqueles que Lhe buscavam a ajuda logravam-na ou recuperavam-se. Porque sabia ser enfermo o espírito, e não o corpo, sempre se dirigia preferencialmente à individualidade, e não à personalidade de que se revestia cada homem.

Sabendo acerca da fragilidade humana, emulava à fortaleza moral, fiel à lei de causa e efeito vigente no mundo. Não apenas no diálogo mantido com Nicodemos vibrou a Sua declaração quanto à “necessidade de nascer de novo”. Ela se repete de forma variada, outras vezes, confirmando o processo das sucessivas experiências carnais, método misericordioso do amor de Deus para o benefício de todos os Espíritos. Nenhuma surpresa causara aos Seus discípulos a resposta a respeito do Elias que já viera, assim como a indagação em torno de quem Ele seria, segundo a opinião do povo, em razão de ser crença, quase generalizada à época, a pluralidade dos renascimentos.

*

Espírito puro, jamais enfermou, enfrentando os fatores climáticos e ambientais mais diversos com a mesma pujança de força e saúde a se refletir na expressão de beleza e de paz nele estampada. Quem O visse, jamais O olvidaria, e todo aquele que Lhe sentisse o toque amoroso, ficaria impregnado pelo Seu magnetismo para sempre. É verdade que não poucos homens, que foram comensais da Sua misericórdia, aparentemente O esqueceram... Todavia, reencarnaram-se através da História, recordando-O às multidões, e ainda hoje se encontram empenhados em fazê-lo conhecido e amado.

A psicoterapia que Ele utilizava era centrada na reencarnação, por saber que o homem o modelador do próprio destino, vivendo conforme o estabeleceu através dos atos nas experiências passadas. Por tal razão, jamais condenou a quem quer que fosse, sempre oferecendo a ocasião para reparar o prejuízo e recuperar-se diante da própria, bem como da Consciência Divina.

Sem preferência ou disputa por alguém ou coisa alguma, a tudo e a todos amou com desvelo, albergando a humanidade de todos os tempos no Seu inefável afeto. Espalhou missionários pela Terra, falando a linguagem da reencarnação, até o momento em que Ele próprio veio confirmá-la, acenando com esperança futura de felicidade para todas as criaturas.

Não te crucifiques na consciência de culpa, após reconheceres o teu erro. Não te encarceres em sombras, depois de identificares os teus delitos. Não te amargures em demasia, descobrindo-te equivocado. Renasce dos teus escombros e recomeça a recuperação de imediato, evitando futuros retornos expiatórios, injunções excruciantes, situações penosas. Pede perdão e reabilita-te, ante aquele a quem ofendeste e prejudicaste. Se ele te desculpar, será bom para ambos. Porém, se não o fizer, compreende-o e segue adiante, não mais errando. Infelicitado por alguém, perdoa-o e desatrela-te dele, facultando-lhe a paz e vivendo o bem-estar que decorre da ação correta.

A reencarnação de que te utilizas é concessão superior, que não podes desperdiçar. Cada momento é valioso para o teu trabalho de sublimação, de desapego, de amor puro. Abrevia os teus renascimentos agindo corretamente e servindo sem cansaço, com alegria, porqüanto, para adentrares no reino dos céus, que se estende da consciência na direção do infinito, é necessário nascer de novo, conforme Ele acentuou. 


Espírito Joanna de Ângelis
Fonte - Jesus e Atualidade
Psicografia Divaldo Pereira Franco


12 abril 2018

Adolescentes que “casam” e ou engravidam precocemente - Jorge Hessen



ADOLESCENTES QUE "CASAM" E OU ENGRAVIDAM PRECOCEMENTE


Estreando mais cedo na prática sexual e estando mais suscetíveis às influências dos adultos, as adolescentes são vítimas das induções psicológicas da sociedade. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010, os últimos disponíveis, indicam que 877 mil mulheres que têm hoje entre 20 e 24 anos se “casaram” quando tinham até 15.

Segundo estudo realizado pelo Instituto Promundo entre 2013 e 2015, Maranhão e Pará são os Estados com maior prevalência de “uniões” precoces. O levantamento mostra que as meninas se “casam” e têm o primeiro filho, em média, aos 15 anos. A pesquisa atribui o “casamento” infantil a três causas principais.

A primeira é vulnerabilidade das comunidades, caracterizada por baixos níveis de escolaridade e infraestrutura, e fraca presença do Estado. Em segundo lugar, as adolescentes querem sair da casa dos pais porque desejam começar a namorar e, por isso, veem no “casamento” uma forma de fuga das proibições dos pais. A terceira causa é a fragilidade das estruturas familiares, que leva as meninas a buscar estabilidade e segurança fora de casa.

A ânsia por liberdade, a desestrutura familiar e a vulnerabilidade das comunidades atingem também os grandes centros urbanos, especialmente a periferia das cidades. É o retrato de um Brasil sacudido por uma violenta crise ética, alimentada pela petulância e cinismo presentes nalguns juízes do ineficaz STF (nossa suprema corte de justiça) e da desonestidade de políticos que deveriam dar exemplo de integridade moral e honradez.

A responsabilidade também pode ser compartilhada com o povo, com os governantes, com os formadores de opinião e pais de família, que, num exercício de anticidadania, aceitam que uma nação além de corrupta seja ainda definida no exterior como o poleiro do sexo fácil, barato, descartável. É triste, para não dizer trágico, ver o Brasil ser citado como um paraíso cultural de promiscuidade, corrupção, um oásis excitante para os turistas que querem satisfazer suas taras e fantasias sexuais com crianças e adolescentes conterrâneos.

A juventude está atônita, sem alicerces morais intensos, ofuscada, com influências extremamente sensualistas. Nas crônicas históricas, jamais um jovem teve contato tão aberto com mensagens erotizantes como nos dias atuais, graças à Internet. Esse trágico quadro moral nos remete à filosofia do prazer que impulsiona a recondução do adolescente à era das cavernas, fazendo-o mergulhar nos subterrâneos das orgias e ali entregando-se à fuga da consciência e do raciocínio pela busca do deleite alucinado pelo prazer imediato do sexo.

No Sudeste brasileiro há casos em que meninas de 10 a 12 anos, frequentadoras dos típicos bailes (funk e análogos) engravidam. No Nordeste há diversos casos de aliciamento de menores, muitas vezes abusadas pelos próprios pais. Cada vez mais cedo, e com maior magnitude, as excitações da criança e do adolescente germinam adicionadas pelos diversos e desencontrados apelos das revistas libertinas, da mídia eletrônica, das drogas, do consumismo impulsivo, do mau gosto comportamental, da banalidade exibida e outras tantas extravagâncias, como espelhos claros de pais que relaxam em demorar-se à frente da educação dos próprios filhos.

Uma adolescente que “casa” e ou engravida precocemente é, sem dúvida, uma pessoa cujos direitos foram violados e cujo futuro fica comprometido. O “casamento” e ou gravidez precoce ecoa a indigência e a repressão de cúmplices (família e comunidade). Não obstante esse caótico cenário, há muitas adolescentes que têm atividade religiosa oferecendo um conjunto de valores morais que as encoraja a desenvolver comportamento sexual equilibrado.

De ordinário, uma adolescente evangelizada, fiel ao recado de Jesus (independente do rótulo religioso que abrace), é, quase sempre, bastante rígida no que diz respeito à constituição familiar e abstenção da prática sexual pré-marital.

Lembremos que pais equilibrados produzem lares equilibrados; lares equilibrados resultam em filhos equilibrados, mesmo que resvalem em algumas compreensíveis e pequenas falhas humanas.


Jorge Hessen


11 abril 2018

Autismo na visão espírita - Divaldo P.Franco



AUTISMO NA VISÃO ESPÍRITA


Como as cores do prisma que degrada a luz solar, as diferenças entre as pessoas marcam a beleza da individualidade humana.

Entre todas as diferenças, está o autismo, que ama em silêncio e luta como um símbolo a mais contra a indiferença de uma sociedade acostumada a olhar o próximo sem compreender sua integridade. Assim se expressa o Dr. Juan Danilo Montilla, estudioso dedicado dessa síndrome malcompreendida que se vem tornando quase pandêmica.

Incompreendida no passado remoto e diagnosticada posteriormente como esquizofrenia, a partir de 1970, em razão de o nobre Dr. Hans Asperger haver sido pai de gêmeos portadores do distúrbio, mediante a observação do atraso do desenvolvimento da linguagem, estudou-o profundamente, buscando encontrar a sua gênese, assim como a melhor terapêutica.

Em 1981, a psiquiatra Lorna Wing, em homenagem a esse notável pesquisador, referiu-se pela primeira vez à síndrome de Asperger.

Curiosamente, a Dra. Wing era mãe de uma menina autista...

O autista, invariavelmente, não gosta de ser tocado, evita fitar as pessoas, tendo quase sempre a cabeça baixa e as reações compatíveis com a sua problemática, em razão da ausência de sociabilidade, reagindo a distúrbios sonoros, a multidão etc.

Sob o aspecto da Doutrina Espírita, podemos considerar a problemática do autismo como sendo uma provação para o paciente, que estaria recuperando-se de delitos praticados em existências passadas, assim como os seus familiares, especialmente os pais.

Mediante as limitações experimentadas e os sofrimentos pertinentes, o Espírito endividado refaz-se e liberta-se da carga aflitiva a que se encontra jungido, tornando-se, dessa forma, uma verdadeira bênção.

Outrossim, pode ser uma experiência iluminativa solicitada pelo próprio Espírito, a fim de contribuir em favor de estudos científicos que irão beneficiar outros, ao mesmo tempo um esforço pessoal para o maior crescimento sociopsicológico.

No primeiro caso, podem ocorrer transtornos obsessivos, produzidos pelas vítimas de existência anterior, que se comprazem em piorar o quadro de sofrimentos, levando o paciente à agressividade, ao mutismo e a estados de aparente esquizofrenia.

O Espiritismo dispõe de terapias valiosas: passes, água fluidificada, desobsessão, conversação paciente e edificante, música suave, conforme a sua reação ao ouvir e muita perseverança do amor para que o mesmo sinta-se aceito e confiante.

Divaldo P.Franco
Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 5.4.2018.

10 abril 2018

O Espiritismo Pergunta - Militão Pacheco




O ESPIRITISMO PERGUNTA



Meu irmão, não te permitas impressionar apenas com as alterações que convulsionam hoje todas as frentes de trabalho e descobrimentos na Terra.

Olha para dentro de ti mesmo e mentaliza o futuro .

O teu corpo físico define a atualidade do teu corpo espiritual.

Já viveste, quanto nós mesmos, vidas incontáveis e trazes, no bojo do espírito, as conquistas alcançadas em longo percurso de experiências na ronda de milênios.

Tua mente já possui, nas criptas da memória, recursos enciclopédicos da cultura de todos os grandes centros do Planeta.

Teu perispírito já se revestiu com porções da matéria de todos os continentes.

Tuas irradiações, através das roupas que te serviram, já marcaram todos os salões da a ristocracia e todos os círculos de penúria do plano terrestre.

Tua figura já integrou os quadros do poder e da subalternidade em todas as nações.

Tuas energias genésicas e afetivas já plasmaram corpos na configuração morfológica de todas as raças.

Teus sentidos já foram arrebatados ao torvelinho de todas as diversões.

Tua voz já expressou o bem e o mal em todos os idiomas.

Teu coração já pulsou ao ritmo de todas as paixões.

Teus olhos já se deslumbraram diante de todos os espetáculos conhecidos, das trevas do horrível às magnificências do belo.

Teus ouvidos já registraram todos os tipos de sons e linguagens existentes no mundo.

Teus pulmões já respiraram o ar de todos os climas.

Teu paladar já se banqueteou abusivamente nos acepipes de todos os povos.

Tuas mãos já retiveram e dissiparam fortunas, constituídas por todos os padrões da moeda humana.

Tua pele, em cores diversas, já foi beijada pelo Sol de todas as latitudes.

Tua emoção já passou por todos os transes possíveis de renascimentos e mortes.

Eis por que o Espiritismo te pergunta:

– Não julgas que já é tempo de renovar? Sem renovação, que vale a vida humana?

Se fosse para continuares repetindo aquilo que já foste e o que fizeste, não terias necessidade de novo corpo e de nova existência – prosseguirias de alma jungida à matéria gasta da encarnação precedente, enfeitando um jardim de cadáveres.

Vives novamente na carne para o burilamento de teu espírito.

A reencarnação é o caminho da Grande Luz.

Ama e trabalha. Trabalha e serve.

Perante o bem, quase sempre, temos sido somente constantes na inconstância e fiéis à infidelidade, esquecidos de que tudo se transforma, com exceção da necessidade de transformar.

Pelo Espírito Militão Pacheco
Do livro: O Espírito da Verdade
Médium: Francisco Cândido Xavier


09 abril 2018

Você Precisa Apenas de um Motivo Para Ser Feliz - Yé Gonçalves



VOCÊ PRECISA APENAS DE UM MOTIVO PARA SER FELIZ



É muito comum ouvirmos expressões do tipo a felicidade está ao nosso alcance, ou até mesmo, a felicidade mora ao lado, e, também, as palavras de incentivo, tais como devemos buscar a felicidade. Este último item pode nos dar a impressão de que a felicidade mora alhures.

É muito comum ouvirmos expressões do tipo a felicidade está ao nosso alcance, ou até mesmo, a felicidade mora ao lado, e, também, as palavras de incentivo

E o que acontece???

Muitas pessoas conseguem cumprir todos esses itens aquisitivos de felicidade e outros mais. Entretanto, continuam reclamando serem infelizes e que precisam conquistar algo mais para que a tal felicidade venha em plenitude.

E por que isso acontece???

Isso acontece, caro leitor, é porque a felicidade, na verdade, não está no mundo exterior da pessoa, pois ela não mora ao lado, nem precisamos encontrá-la em caminhos distantes.

Para que a felicidade seja encontrada, amigo leitor, é necessário apenas um motivo. Apenas um motivo para que a felicidade se aflore e viva em plenitude nos corações dos humanos.

Esse motivo é você, sou eu, é toda pessoa individualmente. Cada um de nós é um motivo para que a felicidade se desperte e se manifeste com todas as suas energias benéficas, porque a felicidade mora dentro de cada um de nós, isto é, na consciência de cada um.

Logo, podemos afirmar que, seguindo o raciocínio deste escrevinhador de desilusões, tornou-se, agora, mais difícil ainda a busca da felicidade.

E sabe por quê???

É porque, nesta linha de raciocínio, cada um de nós deve fazer uma longa viagem, em busca da felicidade plena; e, talvez, a mais difícil de todas as excursões, sendo uma viagem para dentro do nosso próprio universo íntimo, onde estão localizadas as verdades que não gostamos de ouvir; onde estão morando as más inclinações, ou más tendências, que temos de domar à custa de muito esforço e bastante suor; onde o encontro com o próprio “eu” é bastante tenebroso. Mas, é lá dentro que mora a tão sonhada felicidade.

Diante disso, fica claramente definido que a busca da felicidade tem de ser feita de dentro da nossa intimidade para fora, através do conhecimento de si mesmo, do domínio dos próprios vícios e fraquezas, ou seja, na conquista de virtudes morais, traduzida no amor a Deus e ao próximo, na honra dos filhos aos pais, em fazer ao outro aquilo que gostaria fosse feito para si mesmo, etc e tal…, porque cada um de nós é uma individualidade, donos do próprio destino, personagem principal da própria trama.

Para concluirmos este artigo, sabendo que cada um de nós é o motivo para a felicidade plena, segue um roteiro para conquistá-la, assim vejamos:

1) ame a si mesmo;

2) pratique todo o bem ao seu alcance;

3) perdoe sempre, releve a ignorância alheia;

4) não prejudique ninguém, nem a si mesmo;

5) seja positivo em tudo na vida, inclusive nos momentos de crises;

6) seja amigo da verdade e da verdade de si mesmo.

E assim, amigo leitor, encerramos este artigo com um abraço fraterno e de muita paz.

Até a próxima oportunidade!!!


Autor: Yé Gonçalves

08 abril 2018

Sofrimento Sem Diagnóstico - Mario Mas



SOFRIMENTO SEM DIAGNÓSTICO


Muitas pessoas fazem um calvário intérmino nos consultórios médicos e psicológicos, buscando tratamentos para sofrimentos que nem sempre são diagnosticados. Essas ocorrências são conhecidas pelos profissionais da saúde. É desconcertante escutar do especialista que o paciente não tem nenhuma doença, e este alegar que sofre.

A ciência ainda não alcança o Espírito imortal, multiexistencial; não conhece o períspirito; nem atina que nossa sociedade física interage com sociedade extrafísica, relação esta que reflete no comportamento pessoal e social. A relação entre o mundo físico e o extrafísico se dá por meio da faculdade humana chamada mediunidade, definida por Allan Kardec da seguinte forma: “Toda pessoa que sente a influência dos Espíritos, em qualquer grau de intensidade, é médium. Essa faculdade é inerente ao homem.”1

Uma pessoa não é consequente, exclusivamente, da genética e do ambiente. É originário de uma longa trajetória evolutiva transitada em todas as culturas, etnias, gênero e diversos papéis socias… A personalidade de hoje é a síntese dessa história multimilenar.

As conquistas e desacertos das vidas anteriores refletem na personalidade atual, através de qualidades, culpas, conflitos pessoais e interpessoais. Determinados transtornos são heranças de erros passados. Inimigos “gratuitos” que nos perseguem sem causa atual, são desafetos do passado. Essas heranças do pretérito são, muita vez, os tormentos atuais ocultos.

No livro Reencontro com a Vida, o espírito Manoel P. de Miranda lista algumas enfermidades não alcançadas no exame médico e esclarece o porquê. Diz ele: “Muitas enfermidades de diagnose difícil, pela variedade da sintomatologia, têm suas raízes em distúrbios da mediunidade de prova, isto é, aquela que se manifesta com a finalidade de convidar o espírito a resgates aflitivos de comportamentos perversos ou doentios mantidos em existências passadas.”2 A seguir o benfeitor relaciona as enfermidades físicas e psicológicas:

Área física: “dores no corpo, sem causa orgânica; cefalalgia periódica, sem razão biológica; problemas do sono – insônia, pesadelos, pavores noturnos com sudorese –; taquicardias, sem motivo justo; colapso periférico sem nenhuma disfunção circulatória, constituindo todos eles ou apenas alguns, perturbações defluentes de mediunidade em surgimento e com sintonia desequilibrada. ” idem

Área psicológica: “ansiedade, fobias variadas, perturbações emocionais, inquietação íntima, pessimismo, desconfianças generalizadas, sensações de presenças imateriais — sombras e vultos, vozes e toques — que surgem inesperadamente, tanto quanto desaparecem sem qualquer medicação, representando distúrbios mediúnicos inconscientes, que decorrem da captação de ondas mentais e vibrações que sincronizam com o perispírito do enfermo, procedentes de entidades sofredoras ou vingadoras, atraídas pela necessidade de refazimento dos conflitos em que ambos — encarnado e desencarnado — se viram envolvidos.” idem

Observe se você sofre padecimentos não detectados pelos profissionais de saúde, faça uma leitura de tal situação à luz do Espiritismo que elucida: “Coisa alguma acontece fora das Leis Cósmicas e das necessidades de evolução.” Portanto, veja como indicativo de equívocos do passado que pede reparação por meio da prática do amor. Praticar o amor é acordar para a vida!


Referências:
  • Kardec, A. O Livro dos Médiuns. Tradução J. H. Pires. Lake. cap. 14, item 159. 1991
  • Miranda, M. P. de., espírito. Reencontro com a Vida, página 70. Divaldo P. Franco, médium. Editora Leal. 2006
  • Angelis, J., espírito. Diretrizes para o Êxito, página 89. Divaldo. P. Franco, médium. Editora Leal. 2004.

Mario Mas

07 abril 2018

Espiritismo Não é Religião - Vania Mugnato de Vasconcelos



ESPIRITISMO NÃO É RELIGIÃO


Inúmeras religiões no mundo unem crença na divindade a rituais de manifestação de fé, na intenção de aproximar o homem do Criador. Exatamente por não se utilizar do mesmo método, o Espiritismo não se intitula da mesma forma.

Ele não foi organizado como religião porque “Para as coisas novas necessitamos de palavras novas” (1). Nascida em momento delicado da história religiosa do mundo, mais especificamente em 1857, na agonia do triste período da inquisição, denominar a Doutrina Espírita (DE) como religião seria fadá-la ao fracasso, vez que não vinha ao mundo para ser o que eram as demais, indiscutível, impositiva, dogmática, ritualística.

Desde o berço seu ideal foi o raciocínio, não a fé cega. Foi a compreensão, não o fanatismo. Foi a convicção, não o resultado da imposição familiar e estatal. Sempre esclareceu a ideia da consequência através da relação “semeadura x colheita”. Através dela (DE) Deus passou a ser compreendido como força criadora e motriz do Universo, não como um carrasco que necessita ser paparicado e temido. Uma das mais importantes assertivas espíritas, aliás, se resume nessa frase “Fé inabalável é somente aquela que pode encarar a razão, face a face, em todas as épocas da humanidade.” (2)

Aprendemos através da filosofia espírita que o ser humano não é o corpo físico, mas a inteligência espiritual que se manifesta através do instrumento carnal e que sobrevive à deterioração chamada morte. E com a ciência espírita se conhece a relação existente entre mundo físico e mundo espiritual, trazendo pelas vias da observação sistemática e racional a certeza da inteligência imortal, o espírito.

Diferente do que leigos possam pensar, a encarnação sucessiva, ou reencarnação, não é invenção espírita, é conhecimento milenar especialmente forte no oriente e cujos ocidentais não absorveram suficientemente. Sem a ideia da reencarnação aliada à da causa e efeito não há como sequer supor a existência de Deus, pois Ele deve manifestar a mais pura Justiça e não se vê justiça alguma na unicidade da existência.

Assim, Espiritismo não é religião, é, sobretudo, uma filosofia de vida que traz sentido à existência humana incentivando seus adeptos ao raciocínio e à superação moral.

Referência:

(1) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos.

(2) Kardec, Allan. O Evangelho Seg. o Espiritismo.


Vania Mugnato de Vasconcelos


06 abril 2018

Determinismo - Nilton Cardoso




DETERMINISMO


Antes da concepção, enquanto estamos no estado de erraticidade, isto é, vivendo no mundo espiritual, o espírito que somos enquanto aguarda o momento de voltar ao plano físico, o que acontece a partir do nascimento de uma criança, pois que através da união sexual é preparado o corpo material, onde são combinadas as características do homem e da mulher, cuja atividade não é responsável pela elaboração do espírito que virá habitar no referido corpo, somos convidados a planejar nossa nova vida aqui na Terra, isto com a ajuda dos benfeitores elevados, muito bem explicado no filme e livro Nosso Lar.

Escolhemos por exemplo o local onde nasceremos. Cidade, família, tudo no sentido de possibilitar que resgatemos ou proporcionemos que outrem resgate as dívidas para conosco contraídas em vidas anteriores. Nisso reside a Justiça Divina, e se completa a máxima muito usada, “o que aqui se faz aqui se paga”.

Por outro lado, não são verdadeiras as afirmativas “eu não pedi para nascer” ou “nasci na família errada”, pois tudo é devidamente preparado para que cheguemos ao mundo com condições de colocar em prática o que nos comprometemos lá no plano espiritual, usando para tanto de nosso livre arbítrio, que nos oportuniza seguir o caminho certo ou errado.

Mas acima de tudo temos de considerar que existe algo muito importante que é o determinismo, situação pela qual não podemos fugir de realizar e que portando está acima do livre arbítrio. O determinismo também é algo planejado por nós antes do nascer, e em algum momento da vida na Terra nos depararemos com ele e teremos de cumprir.

A característica marcante no determinismo é que sempre será algo de bom, não vindo, portanto em nosso prejuízo, ao contrário, por exemplo, de resgates, provações, missões, expiações, ele é algo que de maneira geral traz benesse, e se soubermos aproveitar, alavancará nosso progresso nesta reencarnação. Pode muitas vezes a princípio nos parecer algo estranho ou ruim, mas em verdade logo ali veremos que não o é.

Portanto, o viver não é tão simples como parece, e precisamos estar atentos ao que nos acontece para que possamos tomar decisões sensatas e aproveitar o máximo do determinismo que se apresenta, para que a partir dele sigamos caminhos salutares que possam ensejar uma evolução na trajetória de nossa vida. O determinismo pode estar numa profissão que nos chega, numa companhia para convivermos ou em outros acontecimentos marcantes.

Estejamos alerta e confiemos sempre nos desígnios do Criador.

Nilton Cardoso

05 abril 2018

O Poder das Escolhas - Erika Silveira




O PODER DAS ESCOLHAS


Mesmo sem perceber somos o tempo todo bombardeados por informações exteriores e padrões cobrados pela sociedade. Diante desses modelos e barreiras que nos induzem a fazer escolhas, será que estamos atentos a elas? Essas atendem ao mundo das aparências ou trazem preenchimento interior ao coração?

Desde as simples opções como utilizar o tempo vago até decisões mais complexas como trabalho, relações afetivas, opção sexual, credo, comportamento social, entre tantas outras. Até que ponto somos livres se vivemos em um mundo cercado de tantas regras e movido por um sistema de tradições.

Segundo o filósofo francês Jean Paul Sartre, “não há nada que possa eximir o homem da sua condição de ser livre e, consequentemente, da sua condição de responsabilidade diante de seus atos”.

Sobre essa indagação destaca-se o pensamento do apóstolo Paulo de Tarso: “Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém”. Mostrando que a semeadura é livre, mas a colheita obrigatória, como esclarece a Doutrina Espírita em relação ao livre arbítrio.

Essas observações esclarecedoras nos fazem refletir que a maturidade espiritual está diretamente ligada às escolhas de cada um, pois a evolução direciona os caminhos a percorrer, mostrando que conforme evoluímos, nossos gostos buscas e focos de atenção vão modificando.

Embora ainda muito presos a ilusões e formas de escravidão criadas pelo sistema que nos cerca, a luz dos ensinamentos espirituais são capazes de nos despertar para escolhas mais libertadoras.

Sendo o tempo algo tão significativo ao aprimoramento, um questionamento surge, o que estamos valorizando ao fazer escolhas? Esclarece a questão 785 de O Livro dos Espíritos sobre o maior obstáculo ao progresso: O orgulho e o egoísmo. Nessa resposta encontramos inspiração na avaliação de cada escolha, porque “Além do gozo dos bens terrenos, existe uma felicidade infinitamente maior e infinitamente mais durável”, revelam os espíritos de luz.

Erika SIlveira

04 abril 2018

Um menido de dez anos - Orson Peter Carrara




UM MENINO DE DEZ ANOS



Enquanto os pais assistiam ao show musical, acomodados no grande salão do belo teatro, o garoto de apenas dez anos estava no banheiro “aprontando”. Ele simplesmente “socou” vários rolos de papel higiênico nos vasos sanitários, entupiu os ralos do chão e das pias com o mesmo papel picadinho e saiu deixando todas as torneiras abertas.

O resultado não se fez esperar. Em breve tempo a água invadiu o espaço todo que dava acesso aos sanitários, surpreendendo o público e funcionários na saída do show.

O autor da “arte” não foi descoberto no momento. A mãe veio me contar posteriormente porque o garoto, ouvindo minha palestra sobre minha timidez na infância e adolescência, quis conversar comigo. Disse-me ele do enfrentamento com os colegas na sala de aula, que o atormentam – segundo sua versão –, razão pela qual identificou-se com a minha fala. Durante nossa conversa, transmiti-lhe otimismo, pedi-lhe que não reagisse às provocações, abracei-o e o estimulei ao bom comportamento. Mas eu ainda não sabia do episódio do teatro.

Depois juntei as peças. O garoto, como qualquer criança da sua idade, ainda não tem noção exata, nem maturidade para muitas situações, embora saibam bem as crianças dessa idade o que é certo e o que é errado. Mas o episódio do banheiro, ainda que sendo uma aventura irresponsável com evidentes prejuízos, é também uma explosão de agressão às dificuldades próprias dos embates da idade nos confrontos com colegas da mesma faixa etária.

Sentindo-se acuado, pressionado, a reação vai se apresentar de alguma forma, até para chamar a atenção.

Os psicólogos tem melhores condições do que eu para bem definir tais situações e até sugestões para atenuar essas crises e reações internas que não estão apenas na infância, mas também na idade adulta. Quantos adultos que agem como crianças mimadas!

Mas o fato é que, percebendo os pais tais dificuldades, a ajuda e apoio precisam aparecer, para não piorar a situação.

O diálogo, a presença carinhosa ao invés de punitiva, o exemplo de companheirismo e compreensão e as orientações de pais e educadores e até mesmo a terapia psicológica são de grande valia para alteração do quadro.

A frequência ao templo religioso, com as práticas próprias de cada religião e mesmo a prece em casa, são recursos preciosos para acalmar esses ímpetos desagradáveis que ocorrem com nossas crianças. E, claro, a mudança para melhor no comportamento dos adultos.

O fato final é que pais e educadores não podem ignorar tais ocorrências. As crianças trazem consigo seus traumas e dificuldades e precisam da orientação e ajuda dos adultos. Nem sempre conseguem entender e superar os enfrentamentos que a vida vai trazendo.

Como ignorar isso? Por omissão desse quadro é que estamos tendo tantos adultos e jovens desequilibrados promovendo tantas tragédias no cotidiano da vida humana.

É pela nossa indiferença em casa também que muitos de nossos jovens adentram o perigoso caminho das drogas e se deixam arrastar pela violência. Existem, é claro, outras causas e também não podemos generalizar, mas os filhos precisam do carinho dos pais e seus educadores e o grande desafio é que esse carinho não pode ser castrador nem liberal demais.

O equilíbrio entre os dois pontos é o grande desafio para os pais.

Falar para eles, desde tenra idade, da bondade de Deus para conosco, do respeito aos animais, ao patrimônio público, aos mais velhos, às instituições, aos professores; ensinar-lhes a orar, falar-lhes diretamente ao coração – com exemplos – do Evangelho do Cristo é vacina certa e indicada que evita o adulto ou o jovem desequilibrado dos anos futuros.

Essa semeadura prudente evita o egoísmo feroz que caracteriza a sociedade moderna, geradora de tanta violência e desrespeito ou indiferença para com a vida. A gratidão, a alegria de viver, a honestidade, a coragem, a determinação e a fé são valores que os pais e educadores nunca devem desistir de transmitir às novas gerações.

Basta pensar que nunca esquecemos as lições de honestidade que recebemos de nossos pais.

Nunca esqueceremos os exemplos de dignidade, perseverança e trabalho que semearam no ambiente doméstico e da fé ardente que nos transmitiram. Isso faz o adulto consciente. As bagagens do adulto se formam na infância, sob influência direta do adulto.

Estejamos, pois, atentos, com nosso dever de educar!


Por Orson Peter Carrara



03 abril 2018

Alzheimer e as causas espirituais - Ildo Rosa



ALZHEIMER E AS CAUSAS ESPIRITUAIS


Em entrevista para a TV Mundo Maior, o psicólogo e pesquisador espírita, Ildo Rosa expõe sua opinião acerca do Alzheimer na visão espírita.

Ildo Rosa — A doutrina espírita tem uma coisa muito bacana, que ela não vem demonizar as coisas; e quando nós falamos em doença, a primeira ideia que nos vem à cabeça é combater a doença, não necessariamente compreender a doença.

Aí a gente pensa “o que que seria o Alzheimer”, que não fosse você está numa casa toda iluminada e, de repente, você vai apagando cada cômodo… apagando, apagando, apagando… normalmente as pessoas que vão para esse diagnóstico começam a esquecer coisas que fizeram os valores que cultivaram que ao longo da vida.

Foram se dando conta que a colheita era muito pesada, muito desagradável. Então, as pessoas começam a fazer um esforço muito grande para tentar esquecer. Uma das coisas muito comuns e frequentes no consultório as pessoas dizerem: como que eu faço para esquecer tal coisa?

Essa “tal coisa” se tornou um dado biográfico como que eu faço para esquecer que eu pratiquei um aborto? que eu não respeitei meu pai, minha mãe? que eu extrapolei numa empresa e dei um golpe aqui e acolá?

E a maturidade faz você pensar sobre tudo isso. E o Alzheimer é um esforço que a pessoa faz para ir apagando esses registros que por não saber lidar com eles por não se perdoar, ela vai por esse caminho.

Nós nunca Pensamos a doença como algo que nos convida a refletir e elaborar sobre como nós estamos vivendo.

Vale a pena a gente estar se monitorando…para onde vão seus pensamentos? o que é que efetivamente eles constroem? em que faixa de frequência vibratória você se situa?

Porque quando você pega e um desses caminhos normalmente é difícil a gente aguentar o que nós mesmos produzimos. Conhece aquela fala do Evangelho: “a semeadura é livre, porém a colheita é obrigatória”. E às vezes a gente lança algumas sementes, que na hora da colheita nós não temos a mesma dignidade para administrar.

E a doutrina vem dizer isso para gente: toda e qualquer doença ela só tem uma única função na sua vida, te reeducar.

E, não muito raro, as pessoas com Alzheimer são pessoas que tem o exercício da autoridade de uma forma muito dura, com pessoas que passaram pela vida de uma maneira muito assim, sabe “ou é do meu jeito ou não brinco mais”.

A visão espírita do Alzheimer — Um aprendizado para além da vida:

Ildo Rosa — Ele não vai retomar aqueles hábitos que tinha e não vai ter mais o domínio que tinha; não vai mais jogar xadrez como jogava antes; mas você pode ir ajudando como a gente faz com uma criança.

Os médicos vão dizer: a partir de tal etapa o quadro vai se agravar!

Se agravar para nós, que somos os cuidadores. Para a pessoa [com Alzheimer], não. Quanto menos memória, menos sofrimento. Para nós que temos a memória ainda muito ativa, parece um sofrimento muito grande, mas para o paciente não, pois ele não tem mais esse senso crítico.

Se a gente se a gente aceita as regras da vida nada dói. Eu costumo sempre dizer assim: nenhum de nós sofre pela causa todos nós sofremos pela interpretação.

Então interpretamos o Mal de Alzheimer como mau! [entre outras doenças], Mal de Parkinson, mal de não sei das quantas… Por que a medicina codifica assim.

E aí eu tenho um amigo espiritual que nos fala assim: o “mal” é um bem mal interpretado.

Então, o Mal de Alzheimer é um bem mal interpretado. Porque o que importa é o aprendizado que o espírito vai fazer e não as provas pelas quais ele passa.

Fonte: Ildo Rosa

02 abril 2018

Velhice - Ricardo Orestes Forni



VELHICE


O medo da velhice é muito cruel, tornando-se um verdadeiro tormento para quantos não consideram a existência física na condição de uma jornada de breve duração, por mais longa se apresente, passando por estágios bem delineados desde o berço até o túmulo.” – Joanna de Ângelis.

O único recurso de não se chegar à velhice é desencarnar logo. Viver, fisicamente, pouco. Alguém prefere essa alternativa? Creio que essa opção não faz parte do desejo de nenhum jovem. Então, o jeito é envelhecer. Isso, quando possível, evidentemente. A revista VEJA, edição 2306, página 26, traz um artigo de uma conhecida escritora sobre o assunto. Reproduziremos um trecho para, depois, analisarmos à luz dos ensinamentos espíritas a chamada “melhor idade”. Muitos a consideram, na realidade, a pior idade. Quem estaria com a razão? Vamos lá.

“A vida é um rio que corre. Nós somos os peixes, galhos e folhas caídas das árvores que essa torrente leva. Se pensarmos assim, imaginando que vamos desaguar no estranho e silencioso nebuloso mar chamado morte, que pode não ser o fim de tudo, teremos uma visão realista das etapas da nossa existência. Sou pouco simpática à invenção de rótulos que distorcem realidades revelando apenas um preconceito: envelhecer é feio, é degradante, vamos ser eternamente jovens, seguindo aos pulinhos até o fim, fantasiados de Peter Pan. Disfarçamos realidades naturais porque as vemos como algo feio, inadmissível, pobres de nós, ignorantes do que é normal e digno e bom.

Assim, inventam-se termos para a velhice: um pior do que o outro. “Terceira idade” não significa grande coisa, pois se podemos viver até 80 ou 90 ainda ativos – o número de pessoas nessas condições tende a aumentar –, vamos criar uma quarta idade e uma quinta: isso tudo me parece bastante tolo. Pior ainda é chamar a velhice, que alguns consideram se iniciar aos 60, outros aos 70 ou aos 80, de “melhor idade”. Quem disse que é melhor? Melhor do que qual outra fase? Melhor é algo muito subjetivo, em geral nos referimos à infância, mas a infância é sempre feliz? A juventude não sofre? A maturidade não exige trabalhos e sacrifícios?

Por que consideramos a passagem do tempo decadência, e não transformação? Tudo é um processo que se inicia quando somos concebidos, depois somos lançados nesse rio de tantas águas chamado vida. Uma cadeia de mudanças que após um bom tempo traz limitações físicas, menos elasticidade, menos beleza no conceito geral, talvez menos lucidez. Alguma dependência de outros, quem sabe, e, se não cultivamos bons afetos, isso pode ser doloroso. Mas não necessariamente decrepitude e vergonha a esconder!”

Recorramos aos ensinamentos de dois Espíritos de escol: Chico Xavier e doutor Bezerra de Menezes. O primeiro pergunta: O senhor, Dr. Bezerra, que conhece bem o campo orgânico, poderia me dizer. Reconheço que a minha fase é de uma pessoa que é considerada idosa. Já sei disso, mas devo dizer que intimamente o meu otimismo, a minha alegria com a vida são os mesmos. Eu queria que minhas pernas fossem revitalizadas.

O segundo – doutor Bezerra – responde: Chico, as pernas são a periferia da Cidade Corpórea. Você está dando muita importância à periferia e se esquecendo do centro urbano, que é o serviço. (Livro Lições de Sabedoria, Editora Fe, página 18, 1996.)

O primeiro – Chico Xavier –, segundo comunicação mediúnica de Joanna de Ângelis através de Divaldo, foi recebido, após o desencarne, por Jesus. O segundo – doutor Bezerra – despertou, em tempo curtíssimo após seu desencarne, ao lado de Celina, uma das maiores colaboradoras de Maria de Nazaré!

Reparar a periferia é exatamente o que a sociedade de consumo representada pelos Espíritos reencarnados na atual fase evolutiva da Humanidade vem fazendo com grande angústia, se não, até mesmo com desespero: buscar todos os meios para parecer sempre jovem. Cuidam exaustivamente da periferia e esquecem-se do centro urbano como respondeu doutor Bezerra, sabiamente, a Chico Xavier. Enganamos, com os recursos estéticos existentes ao alcance dos encarnados, a periferia, mas não enganamos a morte que sintoniza com o centro urbano. A periferia, por mais socorrida que ela seja, sofre a ação inexorável do tempo. Mas o centro urbano através do serviço em favor do mais necessitado pode proporcionar-nos a ação estética do bem que realizarmos em favor do próximo, conferindo-nos a moratória que consigamos obter perante as Leis sábias da Vida. Exemplo disso? É muito fácil! Basta contemplar a Divaldo em sua velhice moça, mais jovem do que qualquer jovem fisicamente falando, amparado pela sua alegria em vivenciar o bem em favor do seu próximo durante esses longos e produtivos anos.

Conforme nos ensina Joanna de Ângelis, a velhice se apresenta quando o indivíduo se considera inútil, quando experimenta o desprestígio da sociedade preconceituosa, que elaborou conceitos de vida em padrões torpemente materialistas, hedonistas. Chico Xavier não se entregou a esse conceito e serviu, mesmo quando carregado por braços amigos, a todos os necessitados que por ele buscaram até o final de seus abençoados dias aqui na Terra.

Você conhece alguém mais belo e mais jovem do que ele, nos dias atuais, segundo os conceitos de juventude e beleza de acordo com Jesus?

Ricardo Orestes Forni

01 abril 2018

Quem era esse homem? - Divaldo P.Franco



QUEM ERA ESSE HOMEM?


Nestes dias borrascosos, quando as dificuldades para uma existência digna se apresentam, ante o tumulto, o desespero e a violência desregrada, a ausência de autoridade moral em inúmeros setores da sociedade, desconfiança e sofrimentos, é inevitável que se recorde de um Homem que, em período já remoto, mas em circunstâncias equivalentes, soube e pôde viver dentro da nobre diretriz do amor...

Num lar modesto, em uma aldeia sem grandes possibilidades de cultura e de enriquecimento moral, Ele manteve desde a infância uma conduta irreprochável, enfrentando a ignorância e os costumes atrasados, sem educação nem fraternidade, no qual predominava o poder pela força, pelas armas, pela astúcia e o crime...

Viveu modestamente como auxiliar de carpinteiro, profissão que aprendera com o pai e, repentinamente, aos vinte e oito ou trinta anos, iniciou o mais extraordinário ministério de amor e dignidade que a História registrou.

Utilizando-se dos recursos da época, atraiu apenas doze companheiros para a mais notável construção do pensamento filosófico, utilizando-se da ética do amor e do respeito ao próximo.

Ao povo simples e sofredor, esquecido pelas autoridades governamentais e necessitado de pão e de trabalho para manter-se, apresentou um projeto de felicidade que tem resistido a todas as alterações do tempo e da cultura, preservando os conteúdos originais e desafiadores que ainda hoje constituem normativas de equilíbrio para milhões de vidas humanas.

Vivendo entre miseráveis, não se fez mais um deles, e atraindo os ricos mais sensíveis e representantes do poder religioso temporal, não se permitiu assemelhar-lhes, permanecendo acima de todos aqueles com os quais dialogava. Portador de uma paciência rica de misericórdia e ternura, não facultou que ninguém se Lhe afastasse, deixando de levar algo da Sua grandeza em forma de esperança e de paz.

Utilizando-se de historietas a respeito do quotidiano, imprimiu na Humanidade regras de comportamento e de sabedoria jamais ultrapassadas.

Discursando com palavras comuns e sem retoques, fez literatura ímpar, qual aconteceu no sermão em um monte, que se tornou página de incomparável beleza poética, sociopsicológica, política e humanística, que atravessou os séculos produzindo harmonia nas mentes e nos corações.

Perseguido, em razão da Sua honestidade, caluniado e cercado por inimigos poderosos, não reagiu, nem os amaldiçoou em momento algum. Pelo contrário, no momento máximo da jornada, quando crucificado, perdoou aos Seus perseguidores, justificando-lhes o desconhecimento da verdade...

...E voltou de além da morte para auxiliar todos naqueles e nos tempos do futuro... Esse homem é Jesus, a Quem suplicamos que volte outra vez.

Divaldo Pereira Franco
Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 22/03/2018