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08 fevereiro 2008

Sofrer - Maria do Carmo Junqueira Avelar

Sofrer

Há quase um ano meu filho morreu.

Não há outra maneira de dizer isso, não há como fantasiar ou melhorar a situação. Há outras formas de dizê-lo. Mas a verdade é essa: ele está morto para esse mundo, para esse tempo, para esse momento, para as pessoas que o conheceram e o amaram.

Entretanto, eu sei que, em um outro lugar, ele está vivo. Nós, agora, vivemos vidas diferentes. Em locais diferentes. Em planos diferentes. Em realidades diferentes. Com objetivos um pouquinho diferentes. Talvez demoremos a nos encontrar novamente. Mas é certo que nos reencontraremos. Mas, eu pergunto, o que é o tempo quando se tem o infinito? Em algum momento, no tempo de Deus, no local por Ele escolhido (ou permitido, não sei), nós nos encontraremos novamente. E nos amaremos novamente, como mãe e filho que somos, destinados ao amor em Deus na união com Cristo. Será tão difícil assim esperar por esse momento? Não será muito mais interessante e muito mais gostoso alegrar-me pelo que tenho à frente, pelo que me aguarda, em vez de sofrer pelo que "perdi"? Segundo Joanna de Ângelis, em seu livro Plenitude, psicografado por Divaldo Pereira Franco, "a vida são as incessantes oportunidades que surgem pela frente, jamais os insucessos que ocorreram no passado."

Vou explicar o que penso. Não é com alegria que esperamos pelo nosso aniversário, na expectativa de confraternizar com a família e os amigos e de receber presentes? As crianças não esperam sempre ganhar presentes em seus aniversários e nas datas comemorativas? Quem não espera pela Páscoa, só para ganhar e comer ovos de chocolate? E o Natal, então? Está certo que as pessoas se esquecem do que é realmente o Natal, mas... isso, agora, não vem ao caso. Final de ano, todo mundo feliz, solidário, fraternal. E a espera pelo Ano Novo? Então, não é boa essa esperança, essa ansiedade por algo que temos certeza que vai acontecer e que vai nos encher de alegria? É disso que estou falando. A expectativa do reencontro, a alegria incontida pelo que vai acontecer, a emoção da espera...

Para isso, para esse reencontro, é que faço meus preparativos!

Muitas pessoas preocuparam-se comigo durante todo esse tempo, sem saber o que estava realmente acontecendo dentro de mim. Alguém chegou mesmo a me dizer que eu havia sublimado[o acontecimento! Que falta de perspectiva dessa pessoa! Que falta de bom senso... E quanta ilusão! Eu apenas tomei o caminho mais fácil. Ou talvez não seja o mais fácil. Mas, com certeza, é o melhor caminho. O único possível nessas situações: eu resolvi não sofrer.

Mas, é impossível não sofrer, alguns dirão. E eu respondo: sim, é impossível não sofrer quando se perde o único filho com apenas catorze anos de idade... A saudade é forte. Os vínculos sempre foram fortes. O amor é muito grande. Não se esquece alguém tão importante assim, de uma hora para outra, e muito menos deixa-se de pensar nessa pessoa. É impossível. É impraticável. Não adianta nem tentar.

Entretanto, eu "sobrevivi" a ele; eu estou aqui. Melhor dizendo, eu ainda estou aqui nesse planeta. E, é claro, eu ainda tenho minha missão: evoluir. Ou, pelo menos, tentar. Ainda há pessoas que dependem de mim; ainda há pessoas que eu devo conhecer; ainda há pessoas cujas vidas serão afetadas pela minha (não importa como, nem com qual intensidade); ainda há projetos a realizar; ainda há lugares a conhecer; e, talvez mais importante que tudo isso, ainda há muitas pessoas para AMAR.

Eu disse que escolhi o caminho mais fácil. Mas, devo dizer, que ele não é tão fácil assim. Depende de entrega; entrega à própria vida e a Deus, incondicionalmente; depende de se amar os semelhantes; preocupar-se com eles mais do que consigo mesmo; deixar de lado o egoísmo; ser paciente consigo e com os outros; e, acima de tudo, ter coragem e esforçar-se para perdoar. Perdoar tudo e todos. Sem exceções. Sem condições.

É claro que não alcancei esses requisitos. Não sou tão boa assim. Entretanto, posso garantir que tenho me esforçado, consciente e constantemente, por alcançá-los. O que eu sei é que o caminho é esse. Por isso é meu desejo alcançar esses requisitos. Eles são meu objetivo e minha meta. E enquanto coloco toda a minha energia e meu esforço em uma meta tão importante consigo sair da minha dor, esquecê-la um pouquinho, sofrer menos, alegrar-me mais. Posso até dividi-la com outros. Assim, ela pesa menos. Fica mais fácil de suportar. A cruz fica mais leve.

Remoer os acontecimentos não faz bem a ninguém. Pensar no que poderia ter sido traz menos benefício ainda. Imaginar como teria sido a vida com ele é irrelevante. Tanta coisa poderia ter acontecido... Eu posso imaginar pelo menos algumas dezenas de acontecimentos diferentes para esse último ano da minha vida. E mesmo assim eu poderia estar a léguas de distância da verdade. Como eu posso saber? E tem outra coisa: quem me garante que, tendo sobrevivido, ele teria sido mais feliz do que é agora? Quem me garante que ele é infeliz hoje, que ele está triste, que ele não foi bem recebido, que ele não está amparado nos braços de pessoas que o amam tanto quanto eu?

Talvez alguém vá dizer que eu estou imaginando toda uma situação adequada à "sublimação" do que aconteceu. Como já me disseram. Mas isso não é verdade. Eu estou sendo realista. Ou seja, estou colocando as coisas na sua real perspectiva. Estou dando ao fato sua justa realidade: nem mais, nem menos. Ademais, estou sendo condizente com aquilo em que acredito.

Vejamos por outro lado. As pessoas costumam colocar seu sofrimento acima de tudo, parece que o supervalorizam. Há pessoas que se esquecem de quantos irmãos seus sofrem nesse planeta, dores às vezes muito piores do que a sua. É certo que fazer comparações não é uma boa pedida. Mas, se nós nos dispusermos a examinar a dor que nos aflige tendo em mente a dor de outras pessoas, nós a avaliaremos em sua grandeza exata. Nem a sentiremos maior nem menor do que ela é na verdade. Além disso, a dor pela morte de alguém não é privilégio de alguns poucos "escolhidos", nós bem o sabemos. A morte do meu filho não é um problema exclusivamente meu e pelo qual ninguém nunca passou; diversas mães já passaram por isso antes de mim e inúmeras ainda vão experimentar essa dor. Além disso, a morte é uma realidade da vida. Sem vida não há morte (e vice-versa).

Pois bem, eu decidi escolher o melhor caminho. Esse caminho me leva a valorizar o que eu tenho, os meus familiares, os meus amigos, a minha vida. Isso não quer dizer que eu tenha me esquecido do meu filho, ou da minha dor. Apenas consegui colocá-los no seu "devido lugar", ou seja, em um cantinho especial em meu coração. É um local reservado e que eu visito com freqüência, a fim de acalmar a minha saudade.

Para acabar com o sofrimento é preciso acabar com a causa do sofrimento. Se eu não consigo eliminar a causa (a saudade, a falta, o vazio...), então eu devo deixar de valorizá-la para tentar diminuir o sofrimento. É assim que deve ser. Pelo meu próprio bem, pelo bem do meu filho, pelo bem de todas as pessoas que me cercam.

Agir assim tem dado certo comigo. Tem me deixado mais tranqüila, tem me deixado pronta para exercer todas as minhas faculdades: amor, paciência, esperança, fé, coragem, alegria ... Todas essas faculdades são dons de Deus a mim concedidos, para que eu possa usá-los em benefício próprio, do meu crescimento pessoal, e no benefício dos meus irmãos em Cristo. Dons que eu não tenho o direito de recusar, muito menos de usar mal. Não posso e não devo, também, deixar de usá-los para me trancar dentro de uma concha, com a minha dor, protegida de tudo e de todos. Menos de mim mesma. Seria muito egoísmo.

Deixo aqui dois pensamentos que talvez resumam tudo o que eu tentei explicar. O primeiro não conheço o autor: "Que a tua atitude não seja como a do rochedo, que segura a onda causando o turbilhão."

O segundo é do livro "Poemas para Rezar", de Michel Quoist: "A morte existe, Senhor, mas é um momento apenas, um instante, um segundo, um passo; o passo do provisório ao definitivo; o passo do temporal ao Eterno"

Texto de Maria do Carmo Junqueira Avelar
Fonte: O Mensageiro

07 fevereiro 2008

O Trem da Vida - Silvana Duboc

O TREM DA VIDA

Há algum tempo atrás, li um livro que comparava a vida a uma viagem de trem. Uma leitura extremamente interessante, quando bem interpretada.

Isso mesmo, a vida não passa de uma viagem de trem, cheia de embarques e desembarques, alguns acidentes, surpresas agradáveis em alguns embarques e grandes tristezas em outros.

Quando nascemos, entramos nesse trem e nos deparamos com algumas pessoas que julgamos, estarão sempre nessa viagem conosco : nossos pais. Infelizmente, isso não é verdade; em alguma estação eles descerão e nos deixarão órfãos de seu carinho, amizade e companhia insubstituível... mas isso não impede que, durante a viagem, pessoas interessantes e que virão a ser super especiais para nós, embarquem.

Chegam nossos irmãos, amigos e amores maravilhosos.

Muitas pessoas tomam esse trem apenas a passeio. Outros encontrarão nessa viagem somente tristezas. Ainda outros circularão pelo trem, prontos a ajudar a quem precisa. Muitos descem e deixam saudades eternas, outros tantos passam por ele de uma forma que, quando desocupam seu acento, ninguém nem sequer percebe.

Curioso é constatar que alguns passageiros que nos são tão caros, acomodam-se em vagões diferentes dos nossos; portanto, somos obrigados a fazer esse trajeto separados deles, o que não impede, é claro, que durante o trajeto, atravessemos com grande dificuldade nosso vagão e cheguemos até eles... só que, infelizmente, jamais poderemos sentar ao seu lado, pois já terá alguém ocupando aquele lugar.

Não importa, é assim a viagem, cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, despedidas... porém, jamais, retornos. Façamos essa viagem, então, da melhor maneira possível, tentando nos relacionar bem com todos os passageiros, procurando, em cada um deles, o que tiverem de melhor, lembrando, sempre, que, em algum momento do trajeto, eles poderão fraquejar e, provavelmente, precisaremos entender porque nós também fraquejaremos muitas vezes e, com certeza, haverá alguém que nos entenderá.

O grande mistério, afinal, é que jamais saberemos em qual parada desceremos, muito menos nossos companheiros, nem mesmo aquele que está sentado ao nosso lado.

Eu fico pensando se quando descer desse trem sentirei saudades ... acredito que sim. Me separar de alguns amigos que fiz nele será, no mínimo dolorido. Deixar meus filhos continuarem a viagem sozinhos, com certeza será muito triste, mas me agarro na esperança que, em algum momento, estarei na estação principal e terei a grande emoção de vê-los chegar com uma bagagem que não tinham quando embarcaram... e o que vai me deixar feliz, será pensar que eu colaborei para que ela tenha crescido e se tornado valiosa.

Amigos, façamos com que a nossa estada, nesse trem, seja tranqüila, que tenha valido a pena e que, quando chegar a hora de desembarcarmos, o nosso lugar vazio traga saudades e boas recordações para aqueles que prosseguirem a viagem.

Autoria: Silvana Duboc

06 fevereiro 2008

Um Sentimento Superior - Momento Espírita

UM SENTIMENTO SUPERIOR...

O amor é a celeste atração das almas.

É o olhar de Deus sobre as criaturas e sobre os mundos.

Não se pode confundir, porém, com tal nome a ardente paixão que atiça os desejos carnais.

Esta não passa de uma imagem, de uma grosseira falsificação do amor.

O amor é o sentimento superior em que se fundem e se harmonizam todas as qualidades do coração.

É o coroamento de todas as virtudes humanas da doçura, da caridade e da bondade.

É a manifestação na alma de uma força que nos eleva acima da matéria até as alturas divinas, unindo todos os seres e despertando em nós a felicidade verdadeira.

Amar é sentir-se viver em todos e por todos.

É consagrar-se ao sacrifício, até à morte, em benefício de uma causa nobre ou de um ser.

Se quisermos saber o que é amar, devemos lembrar dos grandes vultos da Humanidade e, acima de todos eles, do Cristo, para quem o amor resumia toda a lei de Deus.

Além disso, não disse Ele: Amai os vossos inimigos?

Por essas palavras, Jesus não pretendeu exigir-nos uma afeição que nos fosse impossível.

Sua orientação pretendia, sim, sugerir-nos a ausência do ódio, de todo o desejo de vingança.

Almejava o Cristo que nos dispuséssemos sinceramente a ajudar nos momentos necessários mesmo aqueles que nos prejudicam e ferem, oferecendo-lhes todo o auxílio que nos seja possível.

Não se pode progredir isoladamente.

Por isso, é preciso conviver com as pessoas, vendo-as como presenças necessárias à nossa evolução.

Deixemos que nossos corações se abram.

Precisamos urgentemente desenvolver a capacidade de amar e de permitir que sejamos amados.

Nossa simpatia deve atingir a todos os que nos rodeiam.

Principal atenção deveremos dar aos nossos pais.

Eles que nos mantiveram durante nossa infância, nos acalentaram e nos aqueceram.

Velaram com ansiedade nossos primeiros passos e as nossas primeiras dores.

* * *

O amor, profundo como o mar, infinito como o céu, abraça todas as criaturas.

Deus é o seu foco.

Assim como o sol se projeta, sem exclusões, sobre todas as coisas e reaquece a natureza inteira, também assim o amor vivifica todas as almas.

Seus raios, penetrando através das trevas do nosso egoísmo, iluminam com trêmulos clarões os recônditos de cada coração humano.

Todos os seres foram criados para amar.

As partículas da sua moral, os gérmens do bem que em si repousam, fecundados pelo Foco Supremo, irão se expandir um dia.

Aí, então, florescerão até que todos sejam reunidos em uma única comunhão do amor, em uma só fraternidade universal.

Não importa quem sejamos hoje.

Importa apenas que estejamos dispostos a influenciar um ao outro, no sentido do bem.

Filhos de Deus, somos todos membros da grande família dos Espíritos.

Temos marcados em nossas frontes o sinal da imortalidade.

Somos todos irmãos e estamos destinados a nos conhecer e nos unir em harmonia, longe das paixões e das grandezas ilusórias da Terra.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 49,
do livro Depois da morte, de Léon Denis, ed. Feb.
www.momento.com.br

05 fevereiro 2008

Socorro Tardio - Momento Espírita

SOCORRO TARDIO

Você já parou para pensar, algum dia, a respeito da caridade?

De um modo geral, confundida com a esmola pura e simples, o dar para se ver livre do pobre, do pedinte, dar para que ele se vá, de uma vez.

Face aos problemas da fome, da miséria, já não lhe ocorreu dizer: Isto é um problema do governo? Será mesmo?

Afinal, quem, em que hora, quando e em que lugar deve praticar a caridade?

Certa vez, no tempo dos czares, no Teatro de Moscou, foi representada uma peça muito célebre.

Todas as dependências estavam totalmente tomadas pelos membros da realeza.

O enredo girava em torno dos sofrimentos de um soberano místico que, em meio a cruéis padecimentos, sacrificou-se pela fé cristã.

A música enlevava os corações da nobreza assistente. Todos se identificavam com as agonias cristãs da personagem que, de alguma forma, traduzia um pouco do íntimo de cada um.

Quando findou o colorido espetáculo, à saída do Teatro, deitado sob a marquise, estava um mendigo.

Tiritava de frio. Parecia que delirava em meio à nevasca da noite.

Uma das damas da corte, ao descer as escadarias que a levariam à sua carruagem, movida por um natural impulso de bondade, retirou o rico casaco de peles que a agasalhava, e se encaminhou em direção ao pobre homem, com a firme intenção de o cobrir.

A dama que lhe fazia companhia, porém, percebendo o que a outra iria fazer, a deteve.

Não faças isso!

De que adiantaria a esse miserável uma peça de vestuário de tal valor? Amanhã enviarás, por um dos teus servos, agasalhos quentes para ele.

A dama do casaco de alto preço, movida agora por sentido utilitarista da vida, respondeu: Sim, tens razão. E tornou a vestir o casaco, buscando a carruagem.

Chegaram ao luxuoso castelo, tomaram um chá quente e reconfortante e buscaram as camas aconchegantes.

Esqueceram da agonia do desconhecido tombado sob a marquise gélida.

No dia seguinte, despertando já manhã alta, a dama recordou-se do homem tiritante de frio.

Chamou um de seus servos e ordenou que levasse agasalhos ao pobre homem.

Quando lá chegou, o serviçal se deparou com o desconhecido já morto, sendo removido pela polícia.

* * *

O fato responde aos questionamentos iniciais.

Sempre que a caridade recebe a interferência de polêmicas, discussão, debate, invariavelmente o socorro chega atrasado.

É necessário que cada um de nós faça o bem hoje. Há muitas formas de se praticar a caridade:

Retirar alguém da escuridão do analfabetismo. Providenciar internamento devido a um doente sem recursos.

Levar o remédio necessário ao que se encontra no leito. Propiciar o leite a uma criança cuja mãe já apresenta os seios vazios.

Ofertar um brinquedo ao menino de rua, ao garoto sem pais, à criança que espera.

Enfim, ser caridoso é fazer aos outros o que desejamos que os outros nos façam, tanto no aspecto material como no moral.

* * *

As nossas posses de nada valerão se não tivermos no cofre do coração o pão da caridade e a palavra consoladora da misericórdia que nos compete distribuir.

Dar do que nos sobra é dever de solidariedade, dar um tanto mais é doação plena.

Redação do Momento Espírita com base no cap. 9 do livro Moldando o terceiro milênio, de Fernando Worm, ed. Leal e cap. 16 do livro Estudos espíritas, do Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Feb. Em 01.02.2008.
www.momento.com.br

04 fevereiro 2008

Morrer Lentamente - Momento Espírita

MORRER LENTAMENTE

Morre lentamente quem não sorri para uma nova manhã, quem esqueceu de olhar as estrelas na noite anterior e quem não se encanta com a grandiosidade da natureza à sua volta.

Morre lentamente quem não encontra graça em si mesmo, quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor, ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão seu guru, ou sua única companhia.

Morre lentamente quem não toma iniciativa alguma quando está infeliz com seu trabalho, quem não arrisca nem um pouco que seja, para ir atrás de um sonho.

Morre lentamente quem passa os dias se queixando de sua má sorte ou da chuva incessante ou do sol intenso.

Morre lentamente quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, quem não pergunta sobre um assunto que desconhece, ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Morre lentamente quem não mais agradece a Deus pelos filhos que lhe deu, ou pelos pais que o receberam neste Mundo.

Morre lentamente quem não retribui o sorriso de um bebezinho, e quem não acha fascinante a forma pela qual chegamos todos a este Mundo.

Morre lentamente quem não abraça, quem não beija, quem não expressa carinho de alguma forma – mesmo que através de um olhar.

Morre lentamente quem é adepto de expressões como este Mundo não tem jeito mesmo, ou a coisa está cada dia pior.

Morre lentamente quem se desespera com a perda de um amor, e não consegue perceber que há muitos que podem ser amados por nós, e muitos que podem nos amar profundamente.

Morre, sem perceber, dia após dia, quem não se dedica à felicidade de alguém, quem não se doa, quem não divide o que tem - material e espiritualmente – com outras pessoas.

* * *

Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar.

Estar vivo pressupõe agir, e não apenas reagir. Toda reação é perigosa, pois comumente não passa pelo processamento seguro da razão.

Estar vivo implica em fazer avaliações constantes, não avaliações dos outros, mas de nós mesmos e de nosso viver.

Quem não se avalia perde grandes chances de se aprimorar, de poder mudar de rumo quando se percebe que a direção poderia ser outra.

Estar vivo significa: entusiasmo - carregar Deus em nossa alma, levar a certeza de Sua presença em nossas vidas e a vontade de conquistar os altos páramos da felicidade.

* * *

Vivo para que o sol tenha sentido, e é minha luminiscência que ele espelha e devolve ao orbe, agradecido.

Vivo para que a chuva lave o ar, e leve volte ao éter com meu perfume elegante, de árvore vigorosa de seiva sã.

Vivo para que o amor tenha vazão, e não deseje razão – pois de condição o amar não precisa.

Vivo para florescer outros jardins, e sem perceber o meu se abarrota de lírios, ciclamens, girassóis...

Vivo cada dia como se fosse cada dia. Nem o último nem o primeiro - o único.

Redação do Momento Espírita com base em texto de
nome Quem morre, atribuído a Pablo Neruda
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03 fevereiro 2008

A Estranha Pergunta - Irmão X

A ESTRANHA PERGUNTA

Este o remate das considerações do amigo Salomão Torres, recentemente desencarnado:

– Imaginem vocês. Estou aqui ainda naquela impressão de tombo e asfixia. Enfarte é o que ouvi de muitos quando o corpo já se via naquela de estátua. Traços rígidos e frieza de pedra. Para mim, o enfarte era a soma de mil pequenas e grandes angústias misturadas de indagações incomunicáveis e sem resposta.

O grupo escutava em silêncio e Salomão avançou:

– Bem, vocês sabem. Agora na Terra, sexo é a onda. Liberdade para cá. Liberdade para lá. Sexo livre. Apelos ao sexo. Publicações especializadas de amor às avessas. Espetáculos de “strip-tease”. Afinal sempre acompanhei os tempos. E lá me fui também para a crista dos casos. Esposa doente e quatro filhos taludas. Dois rapazes esbanjões e duas meninas bonitas. A primogênita, hoje com vinte primaveras, fora destaque em concurso de beleza... Com alguma folga econômica, passei a “pular cercas”.

O narrador careteou um sorriso vago e inquiriu:

– Ignoram o que seja “pular cercas”?

Diante da negativa geral, Torres prosseguiu:

– “Pular cercas”, no lugarejo em que me enfiei no corpo, significa falhar aos compromissos. Pois é. Esqueci esposa, casamento, lar e família... e habituei-me às noitadas de gente livre, na cidade grande. Negócios nos dias úteis e encontros de machão nos fins-de-semana. De quando a quando, bordejos nas Capitais ou no Exterior. O avião favorecia. Acompanhantes não faltavam. Vez por vez, ouvia os amigos experimentados: “Salomão, Salomão, não brinque com fogo... Ninguém é tão desligado que possa viver feliz sem obrigações... ”Entretanto, sempre supus que dois ouvidos teriam apenas a função de passagem do som.

Continuei nas mesmas aventuras. Indiferente. O lar ficara para trás. Uma espécie de garagem para a tradição. Vocês entendem. Amor responsável é um fixador de alegria. Sexo livre gera prazer. A alegria é a paz da sede estancada. Prazer é a febre com a sede que devora. Entregue ao prazer, cada fim-de-semana buscava novidades. Salomão arregalou os olhos, dando-nos a idéia de que atingia o ponto culminante das próprias recordações e concluiu:

– Agora, ouçam e pasmem. Em grande cidade brasileira participava, com a turma, de uma excursão a campo novo. Depois do “strip-tease” de bela menina dedicada a esse tipo de apresentações, fomos ao encontro do “ninho de surpresas”. O ninho de surpresas é um pequeno pavilhão de dez compartimentos. Em cada compartimento, a beldade sorteada para o suposto encantamento da noite. Munido da numeração que me coube, demandei o local indicado. Abri a porta no claro-muito escuro e, devidamente preparado, segui em frente. Mas, face à face com a jovem que me esperava sequiosa de sexo, encontrei minha própria filha...

Um choque indefinível me turvou a cabeça e caí...

Retornei à realidade, juntamente de amigos que me haviam hospitalizado. Em torno de mim registrei diagnósticos e pareceres diversos, no entanto, por dentro de mim, somente ouvia a pergunta que endereçava a mim próprio: “Meu Deus, que serei eu? Homem ou animal?”... Repetindo a indagação por muitos dias, acabei saindo do corpo, qual figura de zoológico fugindo da jaula enferrujada...

Salomão esboçou o gesto de quem olhava profundamente para dentro de si e observou:

– Eis-me aqui com vocês, desconhecendo em que mundo me vejo... Tenho a idéia de que estou sentenciado a enxergar unicamente aquilo que trago na lembrança para reafirmar a estranha pergunta: “Meu Deus, que serei eu? Homem ou animal?!”...

Lágrimas espontâneas lhe saltaram das pálpebras e Torres nos enviou um olhar agoniado, como quem nos pedisse resposta, mas todos nós, os companheiros que lhe ouvíamos a palavra quente de dor e sinceridade, jazíamos sob forte emoção e ninguém respondeu.

Extraído do livro "CAMINHOS DE VOLTA”,
psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier
Ditado por Irmão X
Edição GEEM

02 fevereiro 2008

A Expiação - Dr. Inácio Ferreira

A EXPIAÇÃO

Nem todos os lares são formados por Espíritos que se reúnem atraídos por questões passadas entre eles.

Muitos, atraídos por afinidades pessoais em uma ou várias existências, aqui se reencontram para, juntos, resgatarem dívidas recíprocas.

Por vezes, essas afinidades e necessidades de resgates não existem, entre eles.

A fim de pagarem, por si mesmos, faltas pessoais, são submetidos a reencarnações que poderíamos denominar de preparatórias e durante as quais sofrem tormentos contínuos passando por uma vida de provações capazes de modificarem os defeitos e inclinações adquiridos através de vidas sucessivas e que se entranham tão profundamente em seus perispíritos que nenhum conselho, razão desperta ou raciocínio foram capazes de modificar.

Possuem, também, a finalidade de servir como instrumentos de tormento, como provações para outros encarnados que a eles se ligam, a fim de que sofrimentos reflexos sejam capazes de despertar-lhes, também, melhores sentimentos. Se forças poderosas agem para a consolidação dos lares onde os sentimentos amadurecidos os amparam, também, permitem que as inclinações para o mal se cumpram, facilitando-as, até mesmo, a fim de que as conseqüências se façam sentir mais rápidas e com elas, melhores propósitos de regeneração. Um descuidado que sentiu o choque provocado pela eletricidade dificilmente repetirá o ato; um condenado, por um crime qualquer, não o cometerá segunda vez com a mesma facilidade. Para os recalcitrantes, para aqueles que voltam ao erro apesar das conseqüências pelas quais passaram e pretendem praticar outras vezes, ainda, essas mesmas forças poderosas impelem e facilitam mesmo, torturas maiores até ao esfalfamento com o propósito de, acumulando sofrimentos, apressar a caminhada. Neles ainda existem possibilidades de regeneração, motivo pelo qual são impelidos a colher, mais depressa, o resultado da sua semeadura. Os persistentes se regenerarão por outros meios, em outros mundos, onde as condições de vida se acham nos primórdios.

Na história daquele casal de velhos, pressentimos mais um caso para as nossas observações, porém, jamais pensávamos no valor de mais um ensinamento. Ele, com 72 anos de idade. Ela, com 64. Vinham até nós pedir interferência junto de autoridades policiais e políticas para dois filhos: um, foragido, sem notícias há 2 anos, e para o qual desejavam a complacência, atenuando a perseguição tenaz, a fim de que pudessem ver o filho, ainda uma vez, na vida; para o outro, que se achava, em casa, louco, acorrentado, vivendo em uma quase pocilga, a transferência para um Sanatório onde poderia desfrutar de mais conforto. Além deles, uma nora desvirtuada, perdida no torvelinho do mundo. Para si nada desejavam. O sofrimento havia sido tanto na vida, que dispensavam a proteção de Deus e as possibilidades da Medicina, tanto que a morte, naquela idade, com tantas preocupações e tormentos, representava um verdadeiro alivio. Viviam sós, na fazenda, bastante retirada, quase tudo no abandono, ouvindo, dia e noite, os gritos, os gemidos e as lamentações do filho louco. Por vezes, alguns vultos rondando pelas suas terras e nos quais pressentiam policiais, à procura do outro filho. Em cada canto e objeto, a lembrança daquela que, indiferente aos seus tormentos e idade, tudo abandonara.

Parecia mesmo, que uma rajada de desventuras havia assolado o campo das suas vidas destruindo tudo aquilo que procuraram levantar para o repouso da velhice - esperança nos filhos, amparo junto à nora, alegria com os netos futuros, embalados pela paz e tranqüilidade. Na verdade, a situação era bastante desagradável e nada mais representava, para nós, do que as contínuas tragédias dos lares, Espíritos reencarnados, viajares à procura da redenção. Quais os motivos que atormentavam a vida daquelas duas criaturas que viviam, agora, no campo das preocupações morais, colhendo o produto das suas semeaduras? Deveriam ser bem fortes, pois, até mesmo da Justiça Divina, nada mais esperavam. Feito o pedido para nossas observações, assim ouvimos:

“Possuíam uma fazenda, por herança, onde viviam ele, a esposa e dois filhos. Era um lar onde imperavam o egoísmo, a maldade e a inatividade. Arrendavam suas terras a várias famílias e sempre que essas, após um trabalho estafante, se alegravam à espera de colher o produto do seu esforço, plantações e criações, ambos instigavam os filhos a expulsá-Ias, não lhes permitindo levar nada e tudo faziam com requintes de maldade, indiferentes aos rogos, ao choro, à situação precária em que se viam envolvidas. Fortes, maus, os rapazes, instigados pelos velhos, cometiam os maiores absurdos contra aqueles infelizes, certos de que nenhum teria coragem de levar, perante a Justiça, as suas reivindicações. Afastavam-se, temerosos, impotentes, sofrendo humilhações, vivendo ao relento e passando fome até que pudessem arranjar novo serviço. Os velhos e os filhos se exultavam com os novos lucros e nenhum vislumbre de arrependimento ensombrava os seus corações.

Um dos últimos ao ser expulso, reagiu. Foi assassinado por um dos rapazes. Uma filha, sob gargalhadas e ditos brejeiros, infelicitada pelo outro. Atearam fogo ao casebre e os demais da família, esposa e duas crianças, soltas pelo mundo. Após reencarnações intermediárias aqui se acham de novo em provações e expiações. Novamente entregues à exploração de terras, mas já submetidos à Civilização, tempos diferentes daqueles em que a lei amparava os ricos e poderosos, nada ou quase nada conseguiram materialmente, porque os novos arrendatários não se deixavam explorar e eles ainda conservam o vício da indolência. Um filho foragido, inocente, mas sofrendo uma perseguição tenaz e caso interessante para a observação: em reencarnação passada foi um profissional, caçador de negros escravos foragidos. Sempre muito bem armado e montado, recebia régia paga para capturá-los. Forte, mau, impiedoso, conhecedor profundo dos sertões, se comprazia em perseguir, encontrar e apresentar aqueles infelizes para sofrerem castigos impiedosos. O que lhe agradava, sobretudo, era ver a correria daquelas criaturas escravizadas, os seus gestos, as suas posições, a fisionomia desfeita pelo terror, quando encontradas. A maldade era tamanha que chegava a soltá-las para, na recaptura, gozar daquele espetáculo. Agora, também, foragido, evitando cidades e povoações, vive pelos matos e pelas tocas, curtindo privações. O mal por ele praticado não tem a extensão que julga e poderia muito bem ser remediado. Acontece, porém, que uma falange de pretos chefiados por alguns dos antigos escravos por ele perseguidos lhe incutem, dia e noite, sem descanso, idéias de culpas tremendas, tão horríveis, tão pavorosas, que não se arrisca a enfrentar a justiça dos homens. Medo, terror, fisionomia transtornada, inquietação, instabilidade, eis o resultado da sua provação passando pelos mesmos estados de alma que fez passar e sofrer os seus semelhantes.

O filho, louco e encarcerado, veio expiar o crime praticado, assassino sem punição das leis humanas. A nora, transviada e da qual não mais tiveram notícia, um Espírito em provação, expiando erros do passado, cheio de deslizes e servir, ao mesmo tempo, de expiação para os velhos que se acham em preparativos para futuros resgates.

Sim, expiação, porque, no filho foragido sentiam, agora, as mesmas inquietações, mesmas angústias, mesmos cuidados e mesmas saudades que a sua indiferença provocou no seio de tantas famílias. No louco, que precisam amparar, a tortura auditiva relembrando-lhes dia e noite, ora as imprecações, ora o pranto convulsivo daqueles que se viram expulsos e espoliados. Na atitude da nora, a revolta íntima, o orgulho ofendido, a mágoa, a dor que sentiram os pais daquelas que se perderam, também, vitimadas pelos filhos por eles açulados. Como espectadores desses fatos, no isolamento dos campos, sozinhos, engolfados nas desventuras sucessivas, espíritos mais libertos da matéria já gasta, envelhecida, melhor podem receber os eflúvios benéficos que as falanges recuperadoras procuram incutir-lhes no perispírito. Em suas horas de ócio, em suas noites longas, atrozes, como não devem sentir e chorar acontecimentos tão amargos, tão inexoráveis! Naturalmente, pediram muito a Deus, mas a incompreensão humana ainda não percebe que a melhor dádiva de Deus não consiste na obtenção daquilo que o egoísmo deseja – está, sim, na possibilidade da expiação, vendo e sentindo em si mesmo, aquilo que não se deve desejar aos outros. Cada lágrima que aflora aos olhos, no período de expiação, representa uma dívida que se apaga na página imensa das vidas sucessivas. Em todos esses casos, a Justiça dos homens, o ouro material, a maleabilidade política, nada poderiam fazer porque ali se fazia sentir a Justiça de Deus, proporcionando a todos eles oportunidades para o resgate daquilo que ficaram devendo e meios de colherem aquilo que haviam plantado. Naturalmente, em próximas reencarnações, estarão aptos a formar novos lares, nos quais as lembranças do passado, estereotipadas no psiquismo, servirão de escudos contra os sentimentos menos dignos, alicerce onde a sentinela da vigilância não permitirá as mesmas quedas e a repetição dos mesmos erros. Um lar constituído e desfeito pelos granizos das próprias tempestades por eles formadas mas, recebendo, ao mesmo tempo, não da terapêutica humana, mas sim da terapêutica Divina, por intermédio dos medicamentos da dor, da angústia e das torturas morais, os eflúvios regeneradores, antídotos para combater o veneno das ações e dos atas menos dignos.

Quais seriam, para a Psiquiatria, os diagnósticos para: O louco e encarcerado? O foragido da Justiça? A nora transviada? Os velhos, espectadores de desventuras, desses dramas em família? Muito diversos e desorientados porque somente os princípios da reencarnação podem oferecer os conhecimentos para as causas predisponentes, a fim de melhor estabelecer o diagnóstico para aquelas torturas morais e físicas. O mais, são conceitos e teorias ainda uma vez esbarrando-se ao encontro dos túmulos, incapazes de proporcionar tranqüilidade e reconstituir aquele lar, como tantos outros, ainda existem, no Presente, esquecidos das Leis Divinas por se julgarem amparados pelas Leis Humanas.

Fonte:Dr. Inácio Ferreira,
Livro: “A PSIQUIATRIA EM FACE DA REENCARNAÇÃO”,
Edição FEESP

01 fevereiro 2008

Na Hora da Saudade - Celso Santos

Na Hora da Saudade

Quando perdemos nossos entes queridos e chega a saudade e o sentimento de perda, não podemos fechar nossos olhos para a realidade da imortalidade da alma.

Quantas vezes já não nos encontramos entristecidos nos momentos de saudade? Quantas vezes já não nos questionamos sobre os desígnios da vida, do constante ir e vir das criaturas?

Como espíritos milenares que, a cada reencarnação, buscam o reajuste necessário para as próprias consciências, deparamo-nos com o ciclo de luz concedido pelo infinito amor de Deus, desprendendo-nos das imperfeições que estacionam o espírito em nossa caminhada evolutiva e angariando conhecimentos que nos auxiliam na ascensão espiritual. Somos viajores do tempo, aprendizes do sentimento sublime, buscando compreender a importância e a necessidade da pluralidade das existências, descortinando em nossos corações a certeza de que realmente a vida prossegue, de que os laços mantidos pelo amor jamais serão enfraquecidos pela ausência física, mesmo quando nossos olhos não puderem mais enxergar.

No capítulo IV de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, encontramos maiores esclarecimentos sobre o assunto, de forma clara e objetiva: “Os laços de família não são destruídos pela reencarnação, como pensam certas pessoas. Ao contrário, eles são fortalecidos e se estreitam. É o princípio oposto que os destrói. Os espíritos formam no espaço grupos ou famílias unidos pela afeição, simpatia e semelhança de inclinações. Esses espíritos se procuram, felizes por estarem juntos. A encarnação não os separa senão momentaneamente, porque, depois de sua entrada na erraticidade, se reencontram como amigos no retorno de uma viagem. Com a reencarnação e o progresso que lhe é conseqüência, todos aqueles que se amaram voltam a se encontrar sobre a Terra e no espaço, gravitando juntos para chegarem a Deus. Os que falham no caminho retardam seu adiantamento e sua felicidade, mas não está perdida toda a esperança. Ajudados, encorajados e sustentados por aqueles que os amam, sairão um dia do lamaçal em que estão mergulhados. Com a reencarnação, enfim, há solidariedade perpétua entre os encarnados e os desencarnados, com o estreitamento dos laços afetivos”.

Como podemos perceber, somos espíritos muito amados, movimentando-nos pela oportunidade da vida corporal e extracorporal para nos fortalecermos, para criarmos em nós maiores probabilidades de sucesso encarnatório perante nossas falhas do passado. Em sua essência, o espírito almeja conscientemente a realização de seus comprometimentos, que se dão a cada existência, passando naturalmente pelo estudo do ciclo físico e espiritual que o impulsiona ao entendimento do verdadeiro significado da vida, que é a evolução. O ser encarnado traz consigo potencialidades para o cumprimento de suas tarefas em um tempo estimado, a fim de que tenha condições de desenvolvê-las da melhor forma possível. É através de todo um processo elucidativo adquirido na espiritualidade que se constitui sua preparação para o retorno ao veículo físico.
Somos uma eterna família
Quantas vezes já não vivenciamos quadros onde as lágrimas visitam o nosso coração? A saudade existe tanto naquele que parte como na criatura que fica. São sentimentos fortalecidos no decorrer dos tempos, em vidas passadas, mas que, desequilibrados pelo excesso, prejudicam o desenvolvimento e entendimento do verdadeiro significado da vida que impulsiona o ser à sua ascensão espiritual.

Quando mergulhamos nestes momentos de tristeza pela separação temporária de alguém muito estimado, envolvemos esse ser nestas mesmas dores, através da sintonia do pensamento. Desta forma, causamos naquele que parte um sofrimento ainda maior do que o nosso, estacionando-o nas lágrimas e, às vezes, na revolta que ainda sentimos por termos aparentemente perdido o ente querido para a morte. Agimos sobre esta criatura de uma maneira constante, entristecendo seu coração e confundindo seus pensamentos sobre o próprio progresso. Ao enviarmos sentimentos de tristeza, estamos longe de auxiliar aquele que retornou ao plano espiritual, pois desequilibramos sua mente para o decorrer do aprendizado na espiritualidade, necessário à próxima encarnação por ser uma nova conquista que irá refletir toda a sua sublimação de sentimentos e pensamentos, conduzindo este ser criado por Deus aos céus de suas próprias emoções.

Portanto, que possamos conscientizar nossas mentes de que somos espíritos milenares e que sempre estaremos juntos, unidos pelo sentimento e pensamento, ligados fraternalmente pelo Pai a uma eterna família. Busquemos serenar nossos corações, sentindo toda a luz, a paz e o amor de Jesus a auxiliarem nossa compreensão e aceitação da importância da reencarnação e dos mecanismos da evolução, que nutrem o espírito com a paz interior tão almejada por todos.

Escrito por Celso Santos
Artigo publicado na edição 16 da Revista Cristã de Espiritismo

31 janeiro 2008

Terapia de Vidas Passadas - Victor Rebelo e Érika Silveira

Terapia de Vidas Passadas

É grande o número de pessoas que dizem ter encontrado na TVP (Terapia de Vidas Passadas) a solução que buscavam há muito tempo para medos, traumas ou dificuldade em lidar com determinadas pessoas ou situações, ou melhor, sensações de origem inexplicável na vida atual.

Mistérios que a Ciência oficial ainda busca compreender, mas que ainda está distante de aceitar que as experiências e lembranças podem ficar armazenadas para sempre nos “arquivos” do espírito. Um vasto acervo de memória guardado no cofre do tempo e que o nosso estágio evolutivo não permite, ainda, compreender tamanha complexidade.

Há estudos que mostram que no velho Egito, sacerdotes-médicos já utilizavam o desdobramento espiritual (projeção da consciência) dos enfermos pela indução magnética para que ampliassem a percepção e conseguissem atingir as causas profundas de seus males. Mas na atualidade, foi com os avanços da psicologia transpessoal, que leva em conta o aspecto espiritual do indivíduo, que a TVP – como é conhecida a Terapia de Vidas Passadas – ganhou maior força. O intercâmbio de conhecimento entre a cultura ocidental e oriental também permitiu o crescimento da terapêutica.

Das técnicas utilizadas pela psicanálise de Freud para a expansão da consciência até a regressão de memória e, posteriormente, a vidas passadas, ocorreram grandes evoluções a respeito, mas é preciso caminhar muito, ainda, para que finalmente corpo e alma entrem em plena conexão.

Embora exista maior divulgação sobre regressões obtidas por intermédio de indução terapêutica, com aplicação de técnicas que promovam estados alterados de consciência, há também aqueles que afirmam terem se recordado de fatos importantes relacionados a existências anteriores através de sonhos. Mas neste caso, vamos abordar apenas as regressões de memória promovidas por especialistas. A terapia utilizada de forma correta e séria possibilita que o paciente, durante as sessões terapêuticas, possa entrar em contato com as lembranças traumáticas que influenciam na atualidade determinados comportamentos, e conseqüentemente, consiga se libertar de padrões estabelecidos em diversas existências.
Os especialistas dizem que a TVP é indicada como um recurso importante na compreensão e superação desses desequilíbrios, mas, assim como qualquer outro tratamento, não funciona como mágica capaz de resolver os problemas de todos os pacientes. Além disso, o tratamento deve ser aplicado por profissionais capacitados e não por qualquer pessoa. É o que alerta a dra. Maria Júlia Peres, considerada a precursora da Terapia de Vidas Passadas no Brasil e fundadora do Instituto Nacional de Pesquisa e Terapia Regressiva Vivencial Peres. Ela associa a terapia cognitivo-comportamental ao uso do estado modificado de consciência, promovido pelo relaxamento físico e mental do paciente. A associação das técnicas permite um processo de auto-resolução dos conflitos interiores e uma reprogramação dos padrões mentais do paciente.

O psiquiatra e conceituado escritor norte-americano, Brian Weiss, especialista em Terapia de Vidas Passadas ressalta, também, sobre o cuidado no momento de escolher o terapeuta adequado, um que saiba diferenciar a imaginação do paciente de uma verdadeira regressão. “Recordo de um paciente que achava que tinha sido Napoleão. Ele via batalhas, uniformes e estratégias de guerra. Nós checamos e os fatos eram realmente reais, mas ele não foi Napoleão, mas um soldado de seu exército e estava, inclusive, a alguns metros dele. Como na vida atual ele era um pessoa que sentia necessidade de poder, acabou fazendo uma distorção da realidade”, relata.

Em recente visita ao Brasil para o lançamento de seu novo livro, Muitas Vidas Uma Só Alma, Brian Weiss concedeu uma entrevista exclusiva a Revista Cristã de Espiritismo.

Dr. Weiss é o autor de vários livros que bateram recordes de vendas, todos baseados em sua experiência como psiquiatra e terapeuta de vidas passadas. Formado pela Columbia University e pela Yale Medical School, Brian L. Weiss M.D. foi diretor do Departamento de Psiquiatria do Mount Sinai Medical Center em Miami.

O médico, que era cético em relação à existência da reencarnação, diz ter mudado sua visão de vida há 25 anos, após um caso de regressão com uma de suas pacientes, durante uma sessão de hipnose. O caso é relatado no livro Muitas Vidas Muitos Mestres, que se tornou recorde de vendas. A partir desse episódio, Brian Weiss passou a trabalhar com terapia de vidas passadas. Em todos esses anos de experiência, foram mais de quatro mil pacientes atendidos, além de um grande número de palestras por diversos países do mundo.

Em geral como é a visão dos americanos em relação à espiritualidade?
Brian Weiss - Está mudando, existem cada vez mais pessoas interessadas no assunto nos EUA. Esse novo conceito vai contra o movimento fundamentalista e ultra-religioso que predomina. Porque religiosidade e espiritualidade são coisas diferentes. A pessoa pode ser extremamente religiosa, mas não ser espiritualizada. Ao mesmo tempo em que cresce o número de pessoas que buscam a espiritualidade, aumenta também a influência, principalmente política, do fundamentalismo, um grupo perigoso, com uma visão fechada a respeito das coisas e que acredita ser dono da verdade. Porém, há nos EUA muitos grupos diferentes, ou seja, diversas correntes de pensamentos.

Os americanos falam sobre Espiritismo?
Sim, de certa forma, mas não como no Brasil, onde a crença é centrada na codificação de Kardec. Eles falam sobre espiritualidade, mas em âmbito mais amplo e geral, o que engloba também outras correntes espiritualistas.

A influência do Protestantismo também está crescendo nos EUA?
Sem dúvida, está crescendo. Para mim a espiritualidade está diretamente relacionada ao amor, independente da religião. A compaixão, a não-violência e a empatia podem estar presentes em qualquer tradição religiosa. Às vezes, penso que o protestantismo está tentando se tornar um só sistema, o que é perigoso demais, porque faz com que as pessoas deixem de ter a mente aberta e se tornem seguidores sem lógica.

Em sua opinião, a Ciência está próxima de provar a existência do espírito?
É difícil medir isso cientificamente, porque hoje em dia tudo é feito com testes de DNA, mas clinicamente é possível verificar um aperfeiçoamento. É fato que existem pessoas se curando de diversos problemas através das memórias de vidas passadas. Quando a pessoa consegue se recordar de uma vida passada, é seu espírito que lembra e não seu corpo, por isso seria difícil comprovar cientificamente, testando-se o cérebro e o DNA. Até agora tem se provado a existência do espírito clinicamente, mas nunca foi utilizado um exame de sangue para isso. Então, ninguém pode provar que funciona através da química cerebral, embora possa ser observada a melhora desses pacientes. É isso que a terapia de vidas passadas e a análise psíquica tem em comum. São técnicas similares que promovem a melhora ou até mesmo, o desaparecimento de sintomas físicos, medos e problemas mentais.

O senhor acredita que algum dia as escolas ensinarão aos alunos temas ligados à natureza espiritual como a reencarnação?
Hoje em dia esse é um assunto importante nos EUA. O país tem a tradição de não ensinar religião nas escolas, eles chamam isso de separação entre a Igreja e o Estado. Na minha opinião é provavelmente o melhor caminho, porque a religião está entrando nas escolas de uma forma errada. Talvez, inserir religião na escola seja uma tarefa mais complicada do que tira-la, porque muitas vezes, dirigentes ignorantes querem impor sua religião. Portanto, seria melhor deixar a religião de lado e deixar essa tarefa para os pais.

Com relação à regressão, ela pode ocorrer sem a interferência de um terapeuta?
Claro que sim, isso acontece o tempo todo. Podemos nos recordar de vidas passadas de forma detalhada por meio dos sonhos. Pode ocorrer, também, quando a pessoa viaja para algum lugar no qual nunca esteve antes e sabe onde tudo se localiza, como se já estivesse estado lá outras vezes. Então existem os sonhos, as memórias espontâneas e o “déjá vu”, expressão de origem francesa que significa “já visto”.

É aconselhável que apenas alguém formado em medicina trabalhe com terapia de vidas passadas ou um médium também atuar nesta área?
São duas coisas diferentes. O médium pode até falar sobre vidas passadas, mas é completamente diferente quando a própria pessoa experimenta e sente novamente as emoções vivenciadas no passado. Nos EUA não temos muitos médiuns, então, não são exatamente eles que fazem isso, mas podem existir pessoas que não possuem treinamento em TVP e isso atrapalha na interpretação de informações. Porque muitos fatos podem ter sentido metafórico ou serem apenas fruto da imaginação. Se o paciente apresentar algum problema psicológico mais significativo, vai precisar de um terapeuta para ajudá-lo a lidar com as emoções revividas.

Existe perigo da pessoa não voltar da hipnose adequadamente?
Eu acredito que não, porque mesmo na hipnose, o subconsciente é muito protetor e não permite que aconteça algo que a pessoa não possa lidar.

Qual foi sua intenção ao escrever o livro A Cura Através da Terapia de Vidas Passadas?
Foi para mostrar as pessoas e ao meio científico que é possível a cura dessa forma. O livro Muitas Vidas Muitos Mestres teve muita repercussão, especialmente entre a comunidade acadêmica, mas entre os psicólogos e psiquiatras houve muita crítica. Então, quis escrever um livro para mostrar que esse assunto é mais importante e sério do que parece. A obra A Cura Através da Terapia de Vidas Passadas relata vários casos de pessoas que obtiveram melhora por meio da regressão. Mostra, também, para que serve e como fazer. Minha intenção foi permitir que médicos e cientistas entendessem o que é exatamente essa terapia e que realmente existe uma sólida base clínica para isso.

Poderia citar algum caso de experiência com regressão a vidas passadas?
Existe um caso famoso sobre uma mulher nos EUA. Ela teve uma memória de uma vida passada na antiga Jerusalém e nessa vida recente, sofreu por dezessete anos com um problema severo de dor nas costas, em conseqüência de um câncer que teve. A cirurgia e os tratamentos radioativos causaram danos em suas costas. Através da lembrança de uma vida passada em Jerusalém e das referências a Jesus nessa época por meio da regressão, ela descreveu sua vida com muitos detalhes. Sua forte dor nas costas desapareceu quando se lembrou desses fatos importantes.

E seu livro mais recente, o Muitas Vidas, Uma só Alma, que além de vidas passadas também aborda vidas futuras?
O livro aborda sobre vidas passadas e o processo de cura, mas também sobre vidas futuras. Muitos dos meus pacientes passaram a penetrar no futuro espontaneamente. Eu dizia a eles: “Vá até onde está o problema” e muitas vezes eles se reportavam ao futuro, não apenas ao passado. Eu estava fazendo pesquisa a respeito de sonhos do futuro (pré-cognitivos) e descobri que muitos de meus pacientes que passaram por uma Experiência de Quase-morte desenvolveram a capacidade de sonhar com o futuro. A partir desse fato, cheguei a conclusão de que, se alguns deles, com essas Experiências Quase-morte podiam fazer isso, outros pacientes, através da hipnose, poderiam também e descobri que realmente podem. Muitos dos meus pacientes puderam se reportar não apenas a fatos futuros dessa vida, mas das próximas existências.

Mas o futuro é algo dinâmico...
O tempo só existe aqui nesse mundo. Os estudos da física quântica, por exemplo, mostram que existem dimensões paralelas. Tudo é energia.

Eu acredito que quanto mais as pessoas mudam nessa vida, mais suas vidas mudarão, porque o futuro não é fixo. É como admite a física moderna, existem muitos mundos paralelos. Então, passei a trabalhar mais com vidas futuras, porém nunca esquecendo das vidas passadas, porque ambas estão conectadas.

Poderia citar algum caso?
Eu fiz muitas pesquisas nessa área, levando indivíduos até o futuro. Posso citar o caso de um pai que estava muito preocupado com sua filha porque ela tinha leucemia. Ele “foi” ao futuro e conseguiu ver seus netos, que seriam filhos dela. Então ele sabia que sua filha iria sobreviver. Ao conseguir vislumbrar o futuro, o pai passou a sentir menos medo, se tornou mais amoroso com a filha e ela respondeu a esse estímulo e realmente obteve a cura.
Outro trabalho que fiz, ainda nesta área, foi levar grupos de pessoas em conferências a um futuro distante. Depois essas pessoas responderam a um questionário relatando suas experiências. Eu fiz isso com milhares de pessoas e chegamos a um consenso desses relatos, principalmente os que dizem respeito a mil anos à frente. Os relatos descreviam um mundo muito bonito, sem doenças, violência e com uma população menos numerosa que atualmente.

É importante ressaltar que no caso de experiências futuras trabalhamos com possibilidades e probabilidades. As pessoas enxergam o futuro mais provável, porque não podemos nos esquecer que temos livre-arbítrio, ou seja, poder de escolha que determinará nosso futuro.

Gostaria de deixa uma mensagem aos leitores da Revista Cristã de Espiritismo?
Eu estive em muitos países e acredito que o Brasil seja um dos lugares mais espiritualizados do mundo, mais até do que a Índia, que já foi bastante, mas as coisas mudaram.

Espero que os brasileiros continuem nesse caminho, porque o Brasil pode ser uma luz para o mundo nesses tempos de escuridão. É importante jamais nos esquecermos de que a alma é o que realmente importa, que nossa real natureza é espiritual e não física. Somos seres espirituais e nós vivemos nessa escola por um tempo, mas não há morte, a alma continua sempre viva.

Dr.Brian Weiss

Escrito por Victor Rebelo e Érika Silveira
Entrevista publicada na Revista Cristã de Espiritismo, ed. 39

30 janeiro 2008

Espírito, Perispírito e Desobsessão - Ney Pietro Peres

Espírito, Perispírito e Desobsessão

Possessão demoníaca, exorcismo, obsessão... Ao longo do tempo, vem sendo propagada a idéia errônea de que a violência é necessária para "expulsarmos" um espírito obsessor. Hoje, sabemos que só a terapia do amor é capaz de realizar de forma profunda a desobsessão.

Para fundamentar o nosso estudo, vamos analisar os concei­tos de espírito e de matéria inseridos no pensamento do codificador Allan Kardec.

Espírito
O espírito, originado do princípio inteligente do universo, embora de natureza não palpável, é algo que existe como individualização desse princípio. É incorpóreo e não pode ser percebido pelos nossos sentidos. Pode existir independen­temente do corpo que anima e, na sua forma, seria comparado a uma chama, um clarão, uma centelha luminosa, cuja cor pode variar do escuro ao brilho do rubi. Pode penetrar e atravessar a matéria e se deslocar ao espaço tão rapidamente como o pensamento. Mesmo não se dividindo, se irradia para diferentes la­dos, como o sol envia seus raios a muitos lugares distantes ,pare­cendo estar neles simultaneamente.

Entende-se por alma o espírito encarnado, que, não estando enclausurado no corpo, se irradia e se manifesta, se exteriorizando como a luz elétrica através de um globo de vi­dro.

Matéria
A matéria é o segundo elemento geral do universo, tanto como o espírito, é também criado por Deus, constituindo, esses três, o princípio de tudo que existe, a Trindade Universal: Deus, espí­rito e matéria.

A matéria pode ser entendida como aquilo que tem exten­são, é impenetrável e pode impressionar os nossos sentidos, mas ela existe em outros estados desconhecidos, tão etérea e sutil que não produza nenhuma impressão aos sentidos físicos.

Ao elemento material deve-se acrescentar uma de suas for­mas de apresentação, entre as inumeráveis combinações distingüidas por propriedades especiais: o Fluido Universal, que exerce o papel de intermediário entre o espírito e a matéria.

Fluido Universal
Este Fluido Universal, ou Primitivo, ou Elementar, é o prin­cípio da matéria ponderável cujos elementos e compostos quí­micos são transformações dele, nas modificações que as molé­culas elementares sofreram ao unirem-se em determinadas cir­cunstâncias, lhes dando diferentes propriedades, como o sa­bor, o odor, as cores, as ações cáusticas, salutares, nutritivas, radioativas etc.

O Fluido Universal é suscetível de inúmeras combinações com a matéria e, ainda, sob a ação do espírito, produzir infinita va­riedade de coisas. E o agente de que o espírito se serve para animar, agregar, transmitir, alterar, condensar, dispersar, mate­rializar, vitalizar, dar forma e estrutura a todas as constituições físicas, quer sejam minerais, vegetais, animais ou humanas.

Entre as muitas modificações do Fluido Universal, duas se revestem de maior importância para os seres vivos: o Princípio Vital e o Perispírito.

Princípio Vital
O Princípio Vital é a força motriz dos corpos orgânicos. A sua união com a matéria a animaliza, diferenciando-a dos corpos inorgânicos. Ele dá vida a todos os seres que o absorvem e assi­milam. É também chamado fluido magnético ou fluido elétrico animalizado, é o intermediário entre o espírito e a matéria. Ao mesmo tempo que impulsiona os órgãos, a ação destes o man­tém, conserva e desenvolve, como o atrito produz o calor e a cor­rente elétrica produz o campo magnético ou a irradiação lumi­nosa.

O Princípio Vital ou fluido magnético pode ser transmitido pela vontade dirigida do seu portador a outros seres vivos, contri­buindo em favor do seu reabastecimento ou reequilíbrio orgânico.

Perispírito
O Perispírito, ou corpo fluídico do espírito, ou ainda psicossoma, ou corpo espiritual, é um dos produtos mais im­portantes do Fluido Universal, é uma condensação dele em tor­no de um foco de inteligência ou espírito.

Os espíritos compõem seu Perispírito do ambiente onde se encontram. Isto quer dizer que se forma dos fluidos ambientais e, portanto, varia em conformidade com o mundo em que vivem. A natureza do Perispírito está sempre relacionado com o grau de adiantamento moral do espírito.

O Perispírito pode ser entendido como a vestimenta do espí­rito, o que lhe dá propriamente forma.

Entre as muitas atribuições do Perispírito, se coloca aquela de intermediário entre o espírito e o corpo. É ele constituído de substância vaporosa, não visível aos olhos humanos, porém as­sumindo consistência nos planos do Espírito.

Ao Perispírito se pode atribuir a qualidade de estruturador do corpo orgânico, a partir da fecundação, na embriogênese, bem como estar diretamente relacionado à memória biológica, isto é, o registro das múltiplas experiências nos campos dos se­res vivos, no decurso dos milênios, a partir das primeiras mani­festações das formações protoplásmicas. Nele aglutinamos todo o equipamento de recursos automáticos que governam as bi­lhões de células, adquiridos vagarosamente pelo ser através dos tempos, nos esforços de recapitulação pelos diversos setores da evolução anímica.

Pode-se visualizar o Perispírito ou Corpo Espiritual à se­melhança de uma estrutura eletromagnética integrada, enriquecida de informações que se foram acumulando experi­mentalmente num mecanismo de estímulo-resposta, dentro de uma diretriz evolutiva, ou seja, de auto-seleção e auto-aprimo­ramento, conduzida por um principio de conservação de ener­gia, onde o máximo de informações são armazenadas com o mínimo dispêndio de energia.

Esse Corpo Espiritual vem se diversificando e aumentando de complexidade do mesmo modo como se observou nos seres vivos a evolução biológica e a formação dos aparelhos e siste­mas no organismo animal. É ele sensível aos impulsos ou às irradiações dos nossos pensamentos, refletindo as imagens fluídicas plasmadas pelas idéias.

Pode também o Perispírito se alterar no seu equilíbrio mag­nético em decorrência das próprias impregnações que as nos­sas imagens perniciosas e deteriorantes nele se projetem e se gravem. Interligado como se acha, interagindo na intimidade celular por contato molecular, portanto, nas estruturas atômi­cas da matéria, tais desequilíbrios se transmitem ao organismo físico, nas áreas mais sensíveis ao tipo de impulso desencadea­do, determinando desordens físicas, causas de certas moléstias.

Assim, os descontroles emocionais, nos ódios, na irritação, as extravagâncias no comer e no beber, a maledicência, os desequilíbrios do sexo, o fumo, o álcool, os tóxicos, podem ge­rar enfermidades, tais como, respectivamente: cardiopatias, do­enças hepáticas, gastralgias, surdez e mudez, cansaço precoce e distrofias musculares, asmas e bronquites, loucura, idiotia.

Ações magnéticas no perispírito: nas obsessões
Entende-se por obsessão o domínio que alguns es­píritos podem adquirir sobre certas pessoas. Pressupõe-se na obsessão a ação de espíritos inferiores com tal tenacidade que a pessoa sobre quem atua não consegue se desembaraçar.

Na obsessão, não ocorre a simultânea coabitação de corpos pelo espírito encarnado na posição de vítima e pelo espírito desencarnado na posição de algoz. Há, no entanto, o efeito de constrangimento de um sobre o outro, ou seja, de tolher, forçar, compelir, obrigar pela força, induzir.

Os tipos de Obsessão
As principais variedades da obsessão classifi­cam-se em: obsessão simples, fascinação e subjugação.

Na obsessão simples, o espírito malfazejo se impõe, in­trometendo-se contra a vontade do indivíduo, impedindo a ação de outros espíritos que possam vir em seu auxílio e causando-lhe inconvenientes como embaraço nas comuni­cações mediúnicas, insinuações levianas, incentivos à vaida­de e a desejos ilícitos. Evidentemente, essas ações exteriores serão mais acentuadas e exercerão maior influência na medi­da em que mais apoio encontrarem no íntimo das criaturas por elas atingidas.

Na fascinação, a ação do espírito no pensamento do indivíduo é de tal ordem que ele não se considera iludido, nem é ca­paz de compreender o absurdo do que faz, podendo até ser ar­rastado a cometer ações ridículas, comprometedoras ou perigo­sas. Admite-se, nesses casos, estarem agindo espíritos inteli­gentes, ardilosos e com objetivos de maior alcance no mal, pois quase sempre utilizam a tática de afastar do seu intérprete aque­les que possam abrir os seus olhos ou esclarecer sobre seus er­ros. Os homens mais instruídos e inteligentes não estão livres desse tipo de obsessão.

A subjugação é um envolvimento que produz a paralisa­ção da vontade da vítima, fazendo-a agir mesmo contrariamente ao seu desejo. A subjugação pode ser moral ou corpórea. Na primeira, o indivíduo é levado a tomar deci­sões freqüentemente absurdas e comprometedoras. Na segun­da, a pessoa realiza movimentos involuntários, nos momen­tos inoportunos, e até atos ridículos. Na subjugação, estão compreendidos os casos de possessão, cuja denominação pres­supõe a ocupação do corpo da vítima, fato esse não admitido pelo Codificador.

Características
Há uma relação de características pelas quais se pode reconhecer os casos de obsessão. Tais caracteres vão da insistência dos espíritos em se comunicar, ilusão do médium que não reconhece a falsi­dade das comunicações, crença na infalibilidade dos espíritos comunicantes, aceitação dos elogios feitos pelos espíritos, rea­ções agressivas às críticas feitas sobre as comunicações recebi­das, a quaisquer formas de constrangimento moral ou físico, ou ainda ocorrências de ruídos e movimentos de objetos sem cau­sas normalmente explicáveis.

Causas
Os motivos ou causas da obsessão podem ser geral­mente admitidos como originados de:

a) Vinganças de espíritos contra pessoas que lhes fizeram so­frer nessa ou em vidas anteriores;

b) Desejo simples de fazer outros sofrerem, por ódio, inveja, covardia;

c) Para usufruir dos mesmos condicionamentos que tinham quando na vida física, induzem os seus afins a cometê-los;

d) Apego às pessoas pelas quais nutriam grandes paixões quan­do em vida;

e) Por interesse em destruir, desunir, dominar, provocar o mal, manter distúrbios, partindo de inteligentes espíritos das hostes inferiores.

A terapêutica nas obsessões
No estudo de O Livro dos Médiuns, Cap. XXIII, o autor indica alguns meios para se combater a obsessão, aqui apresentados para discussão, como segue:

–“Paciência para com os obsessores”(id., ib. item 249):

No trato com as entidades incorpóreas que estejam agindo mentalmente sobre as criaturas, há que compreender-lhes seus motivos de perseguição e, com espírito humanitário, induzir-lhe pacientemente a mudarem suas disposições. Mesmo entre criaturas humanas, uma abordagem respeitosa e compreensiva transmite sempre um envolvimento fraterno e uma radiação de amor que, certamente, age sobre as próprias estruturas perispirituais, de forma confortadora, carinhosa, estabelecendo importantes apoios para as necessárias mudanças comportamentais. A severidade, no entanto, ao lado da benevolência, ali­adas à prece em favor deles, constituem fatores eficazes na so­lução dessas influências.

– “Apelo ao anjo bom e aos bons espíritos” (id., ib. item 249):

Recorrer à assessoria daqueles que operam no mesmo plano da vida espiritual é fator preponderante em qualquer trabalho dessa natureza quando, na maioria das vezes, todo o encami­nhamento e aproximação com aqueles perseguidores (às vezes, nossas vítimas) realizam-se nos territórios do imponderável, livre ao acesso desses auxiliares espirituais.

– “Interrupção das comunicações escritas”(id., ib. item 249):

Alterando-se o intermediário, na posição de instrumento mediúnico nas comunicações psicografadas, ou mesmo na psicofonia, por ações de mentes perturbadoras (encarnadas ou desencarnadas), a interferir no fluxo das mensagens transmiti­das por meios telepáticos, como providência criteriosa e pru­dente, a interrupção provisória desses exercícios mediúnicos é de todo aconselhável, até que se restabeleçam os canais de va­zão telepática com os bons espíritos e se afastem as infiltrações prejudiciais.
– “Intervenção de um colaborador que atue pelo magnetismo ou pelo império da vontade”(id. ib., item 251):

A ação mental de apoio diretamente sobre o paciente, esti­mulando-lhe os próprios recursos de reação, tanto pela aplica­ção das energias fluido-dinâmicas nos mecanismos do passe, como pelo esclarecimento renovador, elevando-lhe o padrão dos próprios pensamentos e fortalecendo a vontade no bem, atin­ge as estruturas perispirituais e os campos de radiações da psicosfera (ou mente) momentaneamente desarticulados, devol­vendo-lhes a ordem e a sanidade.

Os resultados benéficos obtidos serão tanto mais significati­vos quanto maior for a superioridade moral dos colaboradores e menores as imperfeições do obsediado. Essas imperfeições morais constituem freqüentemente para o paciente obstáculos à sua libertação (id. ib., item 252).

Ensina-nos André Luiz: “... almas regularmente evoluídas, em apreciáveis con­dições vibratórias pela sincera devoção ao bem, com esquecimento dos seus próprios desejos, podem, desse modo, projetar raios mentais, em vias de sublimação, assimilando correntes superio­res e enriquecendo os raios vitais de que são dínamos comuns”.

Artigo publicado na Revista Cristã de Espiritismo, edição 08.

29 janeiro 2008

O Desencarne na Infância - Marco Tulio Michalick

O Desencarne na Infância

Apenas quem já perdeu um filho na infância pode descrever a dor que se sente neste momento tão doloroso. Como se o mundo girasse ao seu redor, você pensa estar vivendo um pesadelo e que, ao acordar, tudo voltará ao normal. Mas a realidade se mantém e você não entende o porquê de estar acontecendo tudo aquilo.

Chega a duvidar da justiça divina e as perguntas constantes permanecem: Por que meu filho se foi tão jovem, cheio de vida, com um futuro promissor? Por que eu não fui em seu lugar? As indagações são muitas, mas a resposta só vem com o tempo.

A família tem que estar muito unida em um momento como esse. A religião é um bálsamo para a dor que, em certos dias, parece ser infinita. Temos que ser fortes e acreditar que nada acontece por acaso. A revolta e o descrédito em Deus não são justos. Há momentos na vida em que precisamos passar por determinadas experiências, para que possamos ter uma visão de vida diferente da que temos atualmente.

O desencarne de uma criança comove até as pessoas que mal conhecemos. Richard Simonetti descreve em seu livro Quem tem medo da morte?: “O problema maior é a teia de retenção formada com intensidade, porquanto a morte de uma criança provoca grande comoção, até mesmo em pessoas não ligadas a ela diretamente. Símbolo da pureza e da inocência, alegria do presente e promessa para o futuro, o pequeno ser resume as esperanças dos adultos, que se recusam a encarar a perspectiva de uma separação”.

Prejudicial ao espírito

As lamentações, o choro e a fixação no ente querido que desencarnou prejudicam sua reabilitação no plano espiritual, fazendo com que ele sofra vendo tamanho desespero de seus familiares. A oração é o melhor remédio para todos. Pedir a Deus que proteja e auxilie seu filho no plano espiritual é a maneira correta de lhe fazer o bem.

Reviver a tragédia que ocorreu no plano terrestre pode ser um martírio, pois, no plano espiritual, há toda uma equipe de trabalhadores dando o suporte necessário ao desligamento do espírito do aparelho físico. Além do mais, conforme explica Simonetti, “o desencarne na infância, mesmo em circunstâncias trágicas, é bem mais tranqüilo, porquanto nessa fase o espírito permanece em estado de dormência e desperta lentamente para a existência terrestre. Somente a partir da adolescência é que entrará na plena posse de suas faculdades”.

Em O Livro dos Espíritos, Allan Kardec pergunta: “Por que a vida freqüentemente é interrompida na infância”? A resposta dos espíritos é a seguinte: “A duração da vida de uma criança pode ser, para o espírito que está nela encarnado, o complemento de uma existência interrompida antes de seu termo marcado e sua morte, no mais das vezes, é uma prova ou uma expiação para os pais”.

Ernesto Bozzano, em Enigmas da Psicometria, escreve que não são desconhecidos os casos de mortes infantis nos quais o espírito já tenha progredido bastante para suprimir uma provação, mergulhando na Terra só com a finalidade de se revestir de elementos fluídicos indispensáveis ao perispírito desejoso de se preparar para a próxima reencarnação.

Com o tempo, você vai encontrando respostas para suas indagações. A lembrança daquele filho que se foi talvez nunca sairá de sua mente, mas sempre que pensar nele, pense com carinho, enviando boas vibrações, para que, onde ele se encontrar, possa sentir todo o amor que você emana.

Reencontro no plano espiritual

Em entrevista publicada na edição nº 11 da Revista Cristã de Espiritismo, Mauro Operti, quando perguntado sobre que mensagem daria às pessoas que perderam seus entes queridos e acreditam que nunca mais irão encontrá-los, respondeu: “Para estas pessoas eu diria que Deus não cometeria esta maldade de separar definitivamente dois seres que se amam. A essência da vida é o outro. Por que Deus juntaria num breve tempo de uma existência duas criaturas que se sentem felizes de estar juntas e depois as separaria pela eternidade? A certeza da sobrevivência que a prática espírita garante às criaturas está acompanhada da certeza da reunião daqueles que se amam depois da perda do corpo físico. Esta é a maior consolação que poderíamos desejar, mas não é só uma consolação piedosa, é uma certeza proveniente da vivência que, aos poucos, vai nos tornando mais seguros e menos propensos às crises de ansiedade e aflição que são tão comuns às pessoas hoje em dia. Temos certeza e sabemos, não apenas acreditamos”.

O Evangelho Segundo o Espiritismo diz que, quando Jesus falou “deixai vir a mim as criancinhas”, Ele se referia ao fato de que “a pureza do coração é inseparável da simplicidade e da humildade, excluindo todo pensamento egoísta e orgulhoso”. Explica ainda que “é por isso que Jesus toma a infância como símbolo dessa pureza, como a tinha tomado para o da humildade. Somente um espírito que tivesse atingido a perfeição poderia nos dar o modelo da verdadeira pureza. Mas a comparação é exata do ponto de vista da vida presente, pois a criança, não podendo ainda manifestar nenhuma tendência perversa, oferece-nos a imagem da inocência e da candura. Além disso, Jesus não diz de maneira absoluta que o reino de Deus é para elas, mas sim para aqueles que se lhes assemelham”.

Escrito por Marco Tulio Michalick
Artigo publicado na edição 13
da Revista Cristã de Espiritismo

28 janeiro 2008

O Fenômeno Mediúnico - Manoel Philomeno de Miranda

O Fenômeno Mediúnico

O fenômeno mediúnico, para expressar-se com segurança, exige toda a complexidade do mecanismo fisiopsíquico do homem que a ele se entrega, assim como da perfeita identificação vibratória do seu comunicante.

Para o desiderato, o perispírito do encarnado exterioriza-se em um campo mais amplo, captando as vibrações do ser que se lhe acerca, por sua vez, igualmente ampliado, graças a cuja sutileza interpenetram-se, transmitindo reciprocamente os seus conteúdos de energia, no que resulta o fenômeno equilibrado.

Às vezes, automaticamente, dá-se a comunicação espiritual, produzindo o fato mediúnico, ora por violenta injunção obsessiva e, em outras oportunidades, por afinidades profundas, quando a ocorrência é elevada.

Seja porém, como for, sem o contributo e a ação do Perispírito, a tentativa não se torna efetivo.

Desse modo o conhecimento do Perispírito é de vital importância para quantos desejam exercitar a mediunidade colocando-a a serviço de ideais enobrecedores.

Penetrabilidade, elasticidade, fluidez, materialização, depósito das memórias passadas entre outras oferecem compreensão e recurso para melhor movimentação dessas características, algumas das quais são imprescindíveis para a execução da tarefa, no fenômeno de intercâmbio espiritual.

A fixação da mente, através da concentração, proporciona dilatação do campo perispirítico e mudança das vibrações que variam das mais grosseiras às mais sutis a depender, igualmente, do comportamento moral do indivíduo.

O pensamento é o agente das reações psíquicas e físicas, sem o que, os automatismos desordenados levam aos desequilíbrios e aos fenômenos mediúnicos perturbadores, que respondem pelas obsessões de variada nomenclatura, que aturdem e infelicitam milhões de criaturas invigilantes e desajustadas.

Todo fulcro de energia irradia-se em um campo que corresponde à sua área de exteriorização, diminuindo a intensidade, à medida que se afasta do epicentro. Graças a isto, são conhecidos os campos gravitacional e atômico, no macro e microcosmo, conforme os detectou Albert Einstein.

Na área psicológica não podemos ignorar-lhe a presença nas criaturas, gerando as simpatias - por decorrência de afinidades vibratórias entre as pessoas que se identificam - e a antipatia - que deflui do choque das ondas que se exteriorizam, portadoras de teor diferente produzindo sensações de mal-estar.

Invisível, no entanto preponderante nos mais diversos mecanismos da vida, o campo é encontrado no fenômeno mediúnico, através de cuja irradiação é possível o intercâmbio.

Cada ser humano, encarnado ou não, vibra na faixa mental que lhe é peculiar, irradiando uma vibração especifica.

Quando nas comunicações, os teores são diferentes, a fim de produzir-se a afinidade, o médium educado sintoniza com o psiquismo irradiante daquele que se vai comunicar, e se este é portador de altas cargas deletérias, demorando-se sob vibrações baixas, o hospedeiro permite-se dela impregnar até que, carregado dessas energias pesadas, logra envolver-se no campo propiciador, portanto, de igual qualidade, cedendo as funções intelectuais e orgânicas à influência do ser espiritual que passa a comandá-lo, embora sob a sua vigilância em Espírito, que não se aparta, senão parcialmente, do corpo.

Quando se trata de Entidade portadora de elevadas vibrações, mais sutis que as habituais do médium, este, pelas ações nobres a que se entrega, pela oração e concentração, em que se fixa, libera-se das cargas mais grosseiras e sutiliza a própria irradiação, enquanto o Benfeitor, igualmente concentrado, condensa, pela ação da vontade e do pensamento, as suas energias até o ponto de sintonia, proporcionando o fenômeno de qualidade ideal.

Em casos especiais, nos quais seres muito elevados ou grotescos, nos extremos da escala vibratória compatível com a Vida na Terra, vêm-se comunicar, os Mentores, que mais facilmente manipulam as energias, tornam-se os intermediários que filtram as idéias e canalizam-nas em teor mais consentâneo com o campo do sensitivo, ocorrendo o fenômeno da mediunidade disciplinada.

O fenômeno mediúnico, portanto, a ocorre no campo de irradiação do Espírito através do Perispírito, está sempre a exigir um padrão vibratório equivalente, que decorre da conduta moral, mental e espiritual de todo aquele que se faça candidato.

Certamente, como decorrência do campo perispiritual, diversos núcleos de vibrações, nos quais se fixa o Espírito ao corpo, bem como em face do mecanismo de algumas das glândulas de secreção endócrina, apresentam-se as possibilidades ideais para o intercâmbio espiritual de natureza mediúnica.

Assim havendo constatado, foi que o Codificador do Espiritismo com sabedoria afirmou que a faculdade "é simplesmente uma aptidão para servir de instrumento, mais ou menos dócil aos Espíritos em geral que "os médiuns emprestam o organismo material que falta a estes para nos transmitirem as suas instruções".

Pelo espírito Manoel Philomeno de Miranda Fonte Revista Presença Espirita setembro de 1991,
psicografia de Divaldo Pereira Franco

27 janeiro 2008

Influência Oculta - José Antonio Ferreira da Silva

Fascinação

Quando o médium começa receber” espíritos respeitáveis em quaisquer lugar, a qualquer hora, sem nenhuma justificativa, está auto-fascinado, por si mesmo, pela sua mediunidade e sob o comando de entidades que o querem levar ao ridículo. Seria o mesmo que eu agora entrar em transe e receber um espírito. Para que esse exibicionismo desnecessário?

Em uma conversação entre amigos eu "receber" um espírito. Para que? Ele não virá dizer nada além do que o médium poderia dizer. Os espíritos bons têm as suas ocupações e não podem estar como capatazes, ao nosso lado governando os servidores. Daí a fascinação é perigosa porque o médium fascinado não se dá conta. Tudo que ele faz é melhor do que os outros poderiam fazer... É diferente dos outros... É superior... Se toca em algum lugar aquele lugar reluz... Então a fascinação é um grande escolho à mediunidade.

Quando encontrarmos a pessoa nessa fase é um ato de caridade dizer-lhe que volte a ler o capítulo 23 de "O Livro dos Médiuns". Dizer-lhe que é uma coisa natural que todos nós passamos. Basta que mudemos de humor para que atraiamos espíritos equivalentes. Eu me recordo que havia psicografado e publicado o livro “Messe de Amor”. Este livro foi traduzido ao Espanhol em 1965 por Juan Durant. E ele me mandou o livro pedindo que Joanna de Ângelis desse o prefácio. Eu então pedi a ela em uma das nossas reuniões mediúnicas. Nessa mesma reunião em desdobramento, e ao lado dos espíritos, acompanhando a reunião, ela disse-me que não iria escrever o prefácio e que tinha convidado o nobre espírito Amália Domingos Soller para que ela prefaciasse a obra. Convidou-me então a recebê-la à porta. Chegando lá, observei que uma claridade oscilante aproximava-se, como se alguém viesse carregando uma lanterna, que a luz avançava e retrocedia. Então subitamente apareceu-me um espírito de uma beleza incomum. Trajava-se à espanhola do século dezessete. Aproximou-se e nesse momento, Joanna disse-lhe: - "Veneranda amiga, gostaria de lhe apresentar o médium através do qual a senhora vai escrever". Ela estendeu-me a mão e eu curvei-me para beijá-la. Entramos os três e vi que ela dobrou-se sobre o meu corpo, tomou-me o braço e começou a escrever. Do meu braço saiam fluidos luminíferos e a medida que ela escrevia, o papel ficava com miríades de pequeninas estrelas. A ponta do lápis parecia portadora de energia estranha, que não obstante escrever com um lápis Faber número 1, a letra era prateada. Ao terminar, despediu-se e fomos levá-la até a porta. Terminada a reunião, voltei ao normal e fui ler a mensagem. Ela escreveu em espanhol. Fiquei tão comovido naquela noite que voltei-me para Joanna e disse-lhe: - Eu já posso "receber" Amália Domingos Soller!? Ela então respondeu-me: - "Não pode não senhor! Ela veio por misericórdia... Portanto não aguarde uma volta tão cedo! Por enquanto você vai ficar mesmo é com os sofredores do seu tipo para baixo, o que já é uma grande coisa. Já é merecimento sintonizar com eles...".

Assim Joana tirou a minha presunção antes de começar. Ela cortou logo. Toda vez que uma entidade generosa vinha e vem escrever, Joana pede-me que fale com naturalidade sobre a identidade do espírito, sem alarde. Que os outros se espantem, mas eu não. Mas às vezes eu sou muito emocional e quando vejo quem é o espírito escrevendo, fico louco que ele acabe só para dizer o nome. Eles então põem um pseudônimo (nome falso) tirando toda minha galanteria.”

Atendimento fraterno e a subjugação
"A subjugação é uma constrição que paralisa a vontade daquele que a sofre e o faz agir a seu mau grado. Numa palavra: o paciente fica sob um verdadeiro jugo.” (Allan Kardec, "O Livro dos Médiuns", capítulo 23, item 240). Dentro das leis cármicas a subjugação não é expiatória (o indivíduo ter que passar pelo problema), exceto quando danifica a aparelhagem nervosa do sistema central do indivíduo. Mas se a pessoa está subjugada, o espírito subjugador pode ser orientado nas sessões especializadas, e arrependendo-se, liberta aquele que aflige e o indivíduo se recupera. Allan Kardec conta um exemplo no capítulo 23 de "O Livro dos Médiuns", onde um rapaz, toda vez que via uma moça bonita, caia de joelhos e fazia-lhes declarações de amor... Era um caso curioso de obsessão física. Eu observo em algumas das nossas reuniões, que os amigos que trabalham no atendimento fraterno - o atendimento fraterno, instituído nas casas espíritas. Esclarecido e estimulado pelo grupo que faz o Projeto Manoel Philomeno de Miranda, da cidade do Salvador, Bahia, tem como finalidade atender aqueles que se encontram problematizados e que buscam a orientação da Doutrina Espírita. É uma equipe composta de companheiros conhecedores do Espiritismo e com experiência na área do comportamento humano - que durante a semana estiveram em contato com os sofredores, obsessos, doentes, acabam levando essas entidades para o trabalho mediúnico, providencia esta tomada pelos benfeitores espirituais. Algumas dessas entidades comunicam-se e são doutrinados. Quando eles desistem da perseguição e são conduzidos a uma estância superior, o paciente, onde estiver, fica bem, melhora, ainda mesmo em situação de subjugação. Pessoas que me dão nomes e nós levamos para o trabalho mediúnico. Lá se apresentam os seus obsessores e são esclarecidos e as suas vítimas logo melhoram. Só que eles não vêm dizer que melhoraram. Elas virão depois quando acontecer outra vez. Daí a subjugação pode ser eliminada.“

Escrito por Divaldo Franco
Revista Cristã de Espiritismo