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07 março 2008

Recomeço - Momento Espírita

RECOMEÇO

Na natureza, o processo de renovação ocorre de forma cíclica.

As estações do ano se sucedem.

Na gradual alternância entre frio e calor, a vida se renova.

Algumas espécies vegetais sobressaem-se e vicejam em determinadas épocas do ano.

Depois saem de cena e dão lugar a outras.

Há animais que hibernam no inverno e apenas vivem ativamente durante o verão.

Os hábitos de boa parte deles apresentam diferenças conforme a época do ano.

Sempre há na natureza um certo frescor que decorre desse bailado renovador.

Os homens também sentem necessidade de renovação.

No princípio de um novo ano, são comuns as promessas de modificação do próprio comportamento.

Surgem projetos de dietas, economias, estudos e dedicação a diversos objetivos.

Tem-se aí o desejo de romper com a inércia ou com velhos hábitos nocivos.

Entretanto, muitas vezes o que se fez ou não se fez, o que se calou ou o que se disse parece irremediável.

Nem sempre é fácil voltar sobre os próprios passos e refazer o passado.

Padrão de comportamento mais nobre para o futuro sempre pode ser adotado.

Mas algumas conseqüências dos atos praticados se afiguram incontornáveis.

Quem não deu atenção a pais idosos e enfermos vê-se em dificuldades para reparar a falta, após a morte deles.

A traição entre esposos costuma deixar tristes marcas na intimidade.

Mesmo que eles permaneçam juntos, a relação pode adquirir outro jeito de ser, menos espontâneo e feliz.

A calúnia que se lançou na vida do próximo dificilmente comporta total reparação.

O caluniado conviverá para sempre com as suspeitas que sobre ele foram lançadas.

Pais omissos que vêem os filhos nos caminhos do crime ou das drogas não vêem modo fácil ou eficaz de remissão.

Como recuperar a confiança do amigo a quem se faltou em momento de grande dor ou necessidade?

De fato, alguns atos apresentam conseqüências graves e inexoráveis.

A leviandade de um momento pode complicar uma vida.

Muitas vezes, ao refletir melhor sobre o que fez, o homem experimenta atroz arrependimento.

Desejaria poder voltar sobre os próprios passos e agir com dignidade.

Na velhice, quando as paixões e as ilusões diminuem, não raro surge a vontade de refazer muitas coisas.

A sabedoria Divina, atenta à fragilidade humana, providenciou um meio de amplo recomeço.

Trata-se da reencarnação, que permite o esquecimento das faltas cometidas e sofridas.

Ela tem a finalidade de viabilizar que as criaturas aprendam e se recomponham.

Ofendidos e ofensores do passado renascem no mesmo ambiente familiar ou social.

Mediante nova convivência, têm a oportunidade de reatar velhos laços e acertar antigas pendências.

Ciente disso, valorize e trate muito bem seus familiares, vizinhos e amigos.

Os que lhe parecem mais difíceis talvez tenham sido outrora prejudicados por você e guardem intuição do ocorrido.

Aproveite toda oportunidade de ser compreensivo, leal e bondoso.

As dificuldades de hoje representam a nova oportunidade que você desejou ardentemente no passado.

Não a perca!

Redação do Momento Espírita
www.momento.com.br

06 março 2008

Ninguém Morre - Momento Espírita

NINGUÉM MORRE

A temática não é nova. Mas, toda vez que é abordada, há sempre quem surja com a tão gasta frase: Ninguém voltou do lado de lá para dizer que está vivo.

Quem assim repete o jargão, não se dá conta ou possivelmente ignora que as comunicações dos chamados mortos ocorrem todos os dias, sob as nossas vistas, ao nosso redor.

São inúmeros os casos dos que retornaram após a morte do corpo físico, testemunhando que a vida prossegue. E abundante.

São familiares, afetos que através de sinais irrecusáveis, se dão a conhecer aos mais íntimos.

Ou simplesmente amigos, conhecidos, alguém que deseje auxiliar a outrem.

Em 1943, um ex-piloto da força aérea inglesa de nome Robert Gislepie fazia treinamento com uma tripulação de alunos, sobre o mar da Irlanda.

Certa noite, recebeu uma ordem para verificar o que havia acontecido com um avião que vinha do Canadá.

Seguiu com seus alunos, sem tardar e uma hora e meia depois chegaram exatamente ao local onde havia ocorrido o último contato pelo rádio com o avião canadense.

Por causa do forte nevoeiro, eles voavam sem visibilidade alguma. Por isso decidiram retornar. Se nada viam, como procurar?

Então um dos motores falhou. O gelo começou a se formar nas asas do aparelho.

Gislepie pensou em baixar a altitude para se livrar do gelo. Mas, se fizesse isso, deveria voar sobre o mar, a fim de evitar as montanhas. Tal atitude aumentaria a rota. E a gasolina era pouca.

O que fazer? Era o seu dilema.

De repente, sentou-se ao seu lado um aluno e lhe disse: Mantenha a altitude. Logo vamos ter uma modificação de temperatura.

O instrutor acatou a orientação. Logo mais, o avião estava fora de perigo.

Com alegria, Gislepie pediu ao jovem que agradecesse à base a instrução, pois que pensou que o jovem tivesse recebido orientação do pessoal de terra.

Foi então que o rapaz olhou para ele e falou:

Meu nome é Ken. Ken Russel. Se não precisa mais de mim vou voltar...

E desapareceu sob o olhar espantado do piloto.

Alguns dias depois, conversando com os seus alunos, Gislepie apontou um deles e disse:

Você deve ser Ken Russel. É muito parecido.

Não, foi a resposta. Eu sou Tony Russel. Ken Russel é meu irmão.

Ele morreu naquela noite em que fomos procurar o avião canadense. O avião em que estava caiu no mar e ele morreu.

Nem é preciso dizer do espanto do piloto.

Ele fora auxiliado por um morto.

À semelhança deste fato, existem outros muitos. Os que morreram, estão vivos. E se interessam pelos que ficaram.

Até mesmo por aqueles com quem não têm ligação afetiva. E se comunicam, testemunhando que ninguém morre de verdade. Só o corpo físico perece.

O Espírito prossegue a viver e se interessa pelo que sempre constituiu a sua preocupação e seus cuidados enquanto no corpo carnal.

* * *

A morte é sempre a chave que desata o perfume da vida. Não há morte, em essência. Tudo é recriação.

A morte simplesmente revela a vida mais amplamente.

Pense nisso.

Redação do Momento Espírita com base no artigo Morto dá dica na hora certa, do jornal Correio Fraterno do ABC, julho/1996 e no cap. A morte, do livro Rosângela, pelo Espírito Rosângela, psicografia de J.Raul Teixeira, ed. Fráter.
www.momento.com.br

05 março 2008

Palavras da Vida Eterna - Emmanuel

PALAVRAS DA VIDA ETERNA

"Tu tens as palavras da vida eterna." - Simão Pedro. (JOÃO. 6:68.)

Rodeiam-te as palavras, em todas as fases da luta e em todos os ângulos do caminho.

Frases respeitáveis que se referem aos teus deveres.

Verbo amigo trazido por dedicações que te reanimam e consolam.

Opiniões acerca de assuntos que te não dizem respeito.

Sugestões de variadas origens.

Preleções valiosas.

Discursos vazios que os teus ouvidos lançam ao vento.

Palavras faladas... palavras escritas...

Dentre as expressões verbalistas articuladas ou silenciosas, junto das quais a tua mente se desenvolve, encontrarás, porém, as palavras da vida eterna.

Guarda teu coração à escuta.

Nascem do amor insondável do Cristo, como a água pura do seio imenso da Terra.

Muitas vezes te manténs despercebido e não lhes assinalas o aviso, o cântico, a lição e a beleza.

Vigia no mundo, isolado de ti mesmo, para que lhes não percas o sabor e a claridade.

Exortam-te a considerar a grandeza de Deus e a viver de conformidade com as Suas Leis.

Referem-se ao Planeta como sendo nosso lar e à Humanidade como sendo a nossa família.

Revelam no amor o laço que nos une a todos.

Indicam no trabalho o nosso roteiro de evolução e aperfeiçoamento.

Descerram os horizontes divinos da vida e ensinam-nos a levantar os olhos para o mais alto e para o mais além.

"Palavras, palavras, palavras..."

Esquece aquelas que te incitam à inutilidade, aproveita quantas te mostram as obrigações justas e te ensinam a engrandecer a existência, mas não olvides as frases que te acordam para a luz e para o bem; elas podem penetrar o nosso coração, através de um amigo, de uma carta, de uma página ou de um livro, mas, no fundo, procedem sempre de Jesus, o Divino Amigo das Criaturas.

Retém contigo as palavras da vida eterna, porque são as santificadoras do espírito, na experiência de cada dia, e, sobretudo, o nosso seguro apoio mental nas horas difíceis das grandes renovações.

De "Fonte Viva", de Francisco Cândido Xavier,
pelo espírito Emmanuel

04 março 2008

A Dor e o Tempo - J.Herculano Pires

A DOR E O TEMPO

As coisas naturais são constantes lições de paciência ao nosso redor.

Tudo no mundo nos ensina duas lições fundamentais: a da evolução e a da imortalidade.

Porque tudo se desenvolve em direção ao futuro e tudo morre para renascer.

A Ciência reconhece que nada se perde, tudo se transforma. A Filosofia, mesmo em suas correntes mais atuais e mais negativas, reconhece a evolução geral e admite que o homem é um projeto, ou seja, uma flecha que atravessa a existência em direção a um alvo superior.

Se nos recusamos a entender as lições que nos rodeiam e as que brotam do fundo de nós mesmos é porque, segundo explica a questão 738 de O Livro dos Espíritos:

“Durante a vida o homem relaciona tudo ao seu corpo”. Mas, diz a mesma questão: “após a morte pensa de outra maneira”. Apegados ao corpo, limitados pelas percepções físicas, avaliamos a dor pela medida do tempo. Entretanto os Espíritos nos lembram, nessa mesma questão: “Um século do vosso mundo é um relâmpago na eternidade”.

Jesus nos ensinou, por isso, o desapego, advertindo: “Quem se apega à sua vida perde-la-á”. Maria Dolores se comunica em poesia para nos tocar ao mesmo tempo o sentimento e a razão. É a mesma técnica usada por Jesus nas parábolas e na poesia do Sermão do Monte.

A didática moderna confirma a eficiência desse método que nos relaciona com as coisas naturais, que se serve do estímulo do ambiente, da lição das coisas concretas para nos levar à compreensão do sentido da vida.

A dor, ensinou Léon Denis, discípulo e sucessor de Kardec, é uma lei de equilíbrio e educação. A Psicologia moderna comprova que aprendemos através de tentativas frustradas, de ensaios sucessivos. É por meio dos erros que chegamos ao acerto.

A sabedoria popular nos diz: “O que arde cura, o que aperta segura” As pessoas inquietas perguntam porque tem de ser assim, porque Deus não nos criou perfeitos e bons. Mas, Rousseau já ensinava que tudo sai perfeito das mãos do Criador.

A perfeição, porém, inclui o livre arbítrio, pois, só através dele chegamos à consciência plena. A dor de um minuto nos desperta para a felicidade sem limites como a ventania de um instante limpa a atmosfera por muitos dias.

Irmão Saulo*
Artigo do Jornal – Diário de São Paulo. 08/10/72.
*Pseudôminio de J.Herculano Pires

03 março 2008

O Passe - J.Herculano Pires

O PASSE
Suas, origens, aplicações e efeitos


O passe espírita é simplesmente a imposição das mãos, usada e ensinada por Jesus, como se vê nos Evangelhos. Origina-se das práticas de Cura do Cristianismo Primitivo. Sua fonte humana e divina são as mãos de Jesus.

Mas há um passado histórico que não podemos esquecer. Desde as origens da vida humana na Terra encontramos os ritos de aplicação dos passes, não raro acompanhado – rituais, como o sopro, a fricção das mãos, a aplicação de saliva e até mesmo (resíduo do rito do barro) a mistura de saliva e terra para aplicação no doente.

No próprio Evangelho vemos a descrição da cura de um cego por Jesus usando essa mistura. Mas, Jesus agiu sempre, em seus atos e em suas práticas, de maneira anti-ritual, de maneira que essas descrições, feitas entre quarenta e oitenta anos após a sua morte, podem ser apenas influências de costumes religiosos da época.

Todo o seu ensino visava a afastar os homens das superstições vigentes no tempo. Essas incoerências históricas, como advertiu Kardec, não podem provir dele, mas dos evangelistas.

Caso contrário Jesus teria procedido de maneira incoerente no tocante aos seus ensinos e aos seus exemplos, o que seria absurdo.

O passe espírita não comporta as encenações e explicações em que hoje o envolveram alguns teóricos improvisados, geralmente ligados a antigas correntes espiritualistas de origem mágica ou feiticista.

Todo o poder e toda a eficácia do passe espírita dependem do espírito e não da matéria, da assistência espiritual do médium passista e não dele mesmo.

Os passes padronizados e classificados (pertencem) derivam de teorias e práticas mesméricas, magnéticas e hipnóticas de um passado já há muito superado.

Os Espíritos realmente elevados não aprovam nem ensinam essas coisas, mas apenas a prece e a imposição das mãos. Toda a beleza espiritual do passe espírita que provém da fé racional no poder espiritual, desaparece ante as ginásticas pretensiosas e ridículas gesticulações.

Ambiente de pessoas interessadas em ajudá-lo, o que lhe desperta sensação de segurança e confiança em si mesmo.

Trata-se de uma reação anímica (da própria alma do paciente) por isso mesmo psicológica, conhecida na Psicologia como estímulo de conjunto, em que se quebra o desânimo da solidão.

Por outro lado, a visita do passista ao paciente isolado em casa dá-lhe a sensação de valor social, reanimando-lhe a esperança de volta à vida normal.

Além disso, a presença do paciente numa reunião lhe permite receber a ajuda do calor humano dos outros e da doação fluídica administrada, seja do médium ou também de pessoas que o acompanham.

Assim, o passe à distância só deve ser empregado quando for de todo impossível o passe de contato pessoal.

São esses também os motivos que justificam a prática dos passes individuais nos Centros, onde todos sabem que ninguém deixa de ser assistido e receber a fluidificação necessária.


Autoria: J. Herculano Pires

02 março 2008

O Caráter Promocional do Serviço Assistencial Espírita - Elaine Curti Ramazzini

O Caráter Promocional do Serviço Assistencial Espírita

Em grande parte das obras assistenciais espíritas não há a preocupação de trabalhar os conteúdos interiores de cada um, buscando ajudá-lo no sentido de que ele seja partícipe de sua própria evolução. O trabalho de reconstrução interior é de vital importância, pois constitui apanágio do espírito imortal.

Uma das características do trabalho do serviço assistencial em moldes espiritistas é a promoção social do ser. Promoção é a ação de promover, de elevar, de engrandecer, de fazer crescer. Nada poderia se enquadrar melhor na visão espírita do trabalho de assistência ao próximo do que a promoção do indivíduo num contexto sócio-econômico-cultural e sobretudo espiritual.

Temos enfatizado muito esse aspecto nos nossos encontros com as casas e as obras assistenciais espíritas que desenvolvem o atendimento à criatura num sentido integral, isto é, nos aspectos bio-psico-sócio-espiritual. E não raras vezes temos nos deparado com uma visão unilateral de espíritas quanto ao atendimento ao carente.

Expliquemos. Tem havido por parte dos trabalhadores dessa área de atuação uma obsessiva preocupação com o dar, tão-somente, coisas materiais, sem compromissar a criatura consigo mesma e com suas possibilidades de crescimento e de não dependência de seus semelhantes.

Não negamos, em absoluto, a necessidade de atendermos às carências de ordem física ou material, porque sabemos que de nada adianta falarmos de Jesus para uma pessoa cujo estômago arde de fome.

Na escala de hierarquia das necessidades humanas, Abraham Maslow, um conhecido psicólogo americano, colocava num primeiro nível de atendimento aquelas carências que visam ao equilíbrio físico do ser vindo, subseqüentemente, as outras de caráter social, de status e espiritual. Satisfeitas as primeiras, abrem-se outras que também reclamam atendimento.

Assim, levando em conta essa classificação no atendimento às necessidades do ser humano, enfatizamos essa assistência, direcionando esforços no sentido de que a criatura busque a sua homeostase, o seu equilíbrio, a partir dos níveis primeiros, tornando-se, com o passar do tempo, auto-supridora e auto-nutridora.

Não é isto, contudo, que temos notado em grande parte das obras assistenciais espíritas. Sem querermos ser cáusticos e nem criticar por criticar, temos observado que dirigentes de trabalhos de atendimento ao carente vêm se preocupando com o número de pratos de sopa que oferecem semanal, quinzenal ou mensalmente à sua clientela.

Além do mais, são montados grupos de pessoas que visitam favelas e barracos levando alimentos e roupas, que matam a fome temporária e agasalham por alguns dias o corpo.

Não há, porém, a preocupação de trabalhar os conteúdos interiores de cada um, buscando ajudá-lo no sentido de que ele seja partícipe de sua própria evolução. O trabalho de reconstrução interior é de vital importância, pois constitui apanágio do espírito imortal.

Se quisermos ser os cireneus da passagem evangélica, poderemos auxiliar o outro a carregar o fardo de suas limitações e impossibilidades, mas tenhamos em mente que a construção do eu profundo é tarefa de cada um, pois só assim, haverá o mérito pelo esforço empreendido.

Algumas casas espíritas têm-se mostrado reticentes quanto à participação nos encontros do serviço assistencial programados, pois alegam que já sabem como realizar seu trabalho. Será que esses núcleos não conseguiriam se abrir para o estudo e a reflexão acerca de outros enfoques?

Não seria talvez oportuno deixar de lado o comodismo nos quais se vêm atrelando há anos e anos e permitir-se o benefício da dúvida? Embora saibamos que pisar o novo assusta, tenhamos em mente que o crescimento exige coragem, determinação e vontade.

Finalmente, perguntamo-nos se o nosso personalismo e a nossa vaidade não nos têm obliterado a razão e o sentimento no atendimento às reais necessidades dos nossos irmãos. Um repensar em torno dessa nossa posição valeria a pena neste momento, para que não venhamos, mais tarde, nos arrepender do uso indevido do tempo que passa.

Elaine Curti Ramazzini Dirigente Espírita Nº 53
Junho/Julho de 1999

01 março 2008

Com Todo o Amor - Maria Dolores

COM TODO AMOR

Era sim. Eu era a teimosia em pessoa.
Lembra-se, Mãezinha, de quando me ocultava para fugir de você?

Escutava seus gritos, suas palavras ternas: - "Venha cá, Mamãe está chamando..."
Ouvia tudo e arrancava-me para longe.

E quando me achava de novo em casa era bastante que o seu olhar indagador me fitasse para que me pusesse a agredir: - "Você, Mamãe, não me entende...

Nunca entendeu... Nada. Quero viver minha vida que é diferente da sua.
Deixe-me em paz..."

Percebia que os seus olhos se erguiam para mim, molhados de lágrimas que não chegavam a cair, sem qualquer palavra de reprovação ou de queixa.

Hoje que a experiência me renovou, creio que o seu silêncio deveria ser uma conversa com Deus a meu respeito, que eu não procurava, nem queria compreender.

Agora, porém, anseio confessar que todas as minhas frases trocadas de aspereza e de ingratidão eram mentira pura.

Por que passaria tanto tempo sem que eu lhe dissesse isto?
Em verdade, nunca encontrei um amor igual ao seu.

A vida nos separou com a rudeza da tesoura que corta um ramo florido da árvore em que nasceu. Qual sucede à flor arrebatada aos braços da fronde, muitos disseram que eu ia para a festa...

Entretanto, de todas as festas a que o mundo me conduziu, sempre me retirei com mais sede da sua ternura, da sua ternura transitoriamente perdida.

Seu amor está em meu coração, como a vida que se entranha em minhalma. Seus gestos de carinho permanecem comigo como estrelas no céu noturno.

Perdoe-me pelas cruzes da aflição que dependurei no seu peito, mas ouça, Mãezinha !... Deus não permitirá que o seu sacrifício tenha sido em vão.

Venho beijar-lhe os cabelos que a prata do tempo começou a enfeitar de luz e, ao rever-me no espelho cristalino do seu olhar, observo quanto mudei !...

Ampara-me, não me abandone !... E se posso pedir alguma coisa com o pranto de meu reconhecimento, rogo incline os ouvidos para os meus lábios. Anseio revelar um segredo... Unicamente entre nós. Você e eu...

Isto agora é tudo quanto quero falar.
- Você, Mãezinha, sempre me compreendeu... Sei agora que nunca nos separamos. Abrace-me... Está sentindo?

Meu coração está pulsando pelo seu coração... Abrace-me... Mais ainda !...

Tenho fome do seu amor... Abençoe-me, ensine-me a conversar também com Deus e deixe que eu diga que nunca serei feliz sem você.

Maria Dolores
De "OS DOIS MAIORES AMORES"

de Francisco Cândido Xavier Autores diversos

29 fevereiro 2008

Os Outros - Lancellin

OS OUTROS

Já pensaste que existe muita gente além de ti, vivendo no mesmo mundo em que habitas? São bilhões, com as mesmas necessidades e os mesmos direitos, filhos do mesmo Deus de bondade e de amor. E ainda outros bilhões de desencarnados buscam os mesmos interesses de vida que buscas.

Quem te fez não se esqueceu de colocar as mesmas qualidades na consciência dos teus irmãos de caminho.

Se tu, para viver, precisas dos outros, tanto quanto os outros de ti, é de justiça, e a razão nos esclarece, a grande necessidade de vivermos bem com os nossos semelhantes, de fazer para com eles o que estiver ao nosso alcance.

O Suprimento Divino de ninguém se esquece, no que tange às nossas necessidades. O que achamos que falta na economia da natureza é consumido no desperdício dos que abusaram daquilo que foi colocado em suas mãos, registrando na escrita superior, a ignorância que, por vezes, atende ao carma dos sofredores.

Não existe falha da natureza.
O que achamos injustiça é puramente aparência. Cada um recebe justamente o que merece no avanço da própria vida.

Se te interessa receber coisas boas, não deves duvidar da lei que nos fala que é dando que recebemos.

Os outros são continuação de nós mesmos, nos termos filosóficos, que a escrita alcança para mostrar as belezas do oculto.

Se queremos afastar o inconveniente de nós, não aprendamos as lições da inconveniência. Deus a ninguém deserda, nem aniquila Espírito algum, porque não Lhe obedece.

Ele criou leis e elas nos disciplinam quando erramos o caminho que deve ser percorrido.
Se alguém te perseguir, não faças o mesmo.

Se o revide for a tua arma, essa defesa estraga a tua própria oportunidade de compreender aquele que te não compreende. Procura sempre a Justiça sem o exagero e ama sempre a Verdade, sem que a ofensa apareça.

Os outros têm o mesmo direito que temos como ocupantes de lugares na grande extensão infinita.

Deus assiste o ladrão tanto quanto o justo; o assassino, tanto quanto o homem de bem; porém, cada um recebe o que busca pela vida que se dispôs a viver.

O Senhor não distingue os Seus filhos; eles são todos iguais à Sua magnânima visão. Ama todos, qual o Sol distribui seus raios em todas as direções do Universo, sem nada exigir dos beneficiados.

Quando pensares, meu irmão, nas tuas necessidades, lembra-te igualmente da carência dos outros. E, se for possível, trabalha em favor deles, que esse trabalho, quando não é vendido, gera pontos de vida na luminosidade do Amor.

Quando escolhemos alguém para a nossa amizade ou para o nosso amor, exigimos qualidades, perfeição, tudo de bom que nos agrade. Por que não fazer o mesmo conosco? Eles, certamente, devem pensar o mesmo de nós.

Atraímos o que somos.
Melhoremo-nos por dentro, que as companhias nos acompanharão no que verdadeiramente somos. É a lei dos afins, que nunca erra no trabalho das uniões.

Trata os outros como se fossem tu mesmo, alimenta o mesmo interesse de servir aos teus irmãos, como se o estivesses fazendo em teu favor, que a tua amizade crescerá, mostrando-te a verdadeira estrada, onde a tua inteligência e o teu coração encontrarão o reino da consciência em
perfeita harmonia com a harmonia universal, em paz com Deus.

De "Cirurgia moral", de João Nunes Maia,
pelo espírito Lancellin

28 fevereiro 2008

Amar a Família ou Comprar uma Família? - Momento Espírita

Amar a família ou comprar uma família?


Desde pequenos um hábito se instala em nós: resolver problemas comprando coisas. Você já percebeu como essa situação é bastante comum?

Começa quando as crianças vêem anúncios na TV e pressionam os pais para que lhes comprem brinquedos e doces.

Por sua vez, pais e mães também são levados a acreditar que seus filhos serão mais felizes se tiverem mais e mais coisas materiais.

É o consumismo se instalando. Em vez de enfrentarem essa crise educando a criança, em geral os pais a satisfazem.

É uma atitude que reforça a crença de que se pode ter tudo e que as coisas materiais são a razão da felicidade.

Muitos pais, inclusive, tentam compensar as longas horas ausentes de casa fazendo compras exageradas.

Enchem os filhos de objetos e, rapidamente, as crianças aprendem a negociar. Tornam-se cada vez mais exigentes e consumistas.

Na adolescência, as compras continuam: aparelhos eletrônicos substituem os brinquedos. São celulares, computadores e jogos eletrônicos de imediato substituídos, quando surgem novos modelos.

As mesadas se tornam maiores e logo os filhos desaparecem de casa, em companhia de amigos. Vivem em noitadas intermináveis, com fácil acesso ao álcool, fumo e drogadição.

O passo seguinte é comprar-lhes um carro, um apartamento...

E cabe então a pergunta: Nessas quase duas décadas em que vivem com os pais, que aprenderam? Que exemplos receberam?

Será que conhecem verdadeiramente seus pais? Estão preparados para amar ou para comprar?

E o que dizer dos pais? Será que realmente conhecem seus filhos? Sabem de seus sonhos e aspirações? Já ouviram suas frustrações e problemas?

Chega-se então ao mundo adulto. E as situações infelizes continuam a ser resolvidas à base de compras.

Roupas e sapatos, carros, vinhos, jóias. A ostentação esconde a infelicidade.

Falsa é essa felicidade baseada em ter coisas. Ela estimula o materialismo e destrói o que temos de mais belo: a convivência familiar, a construção de lembranças preciosas.

Amar a família inclui sustentá-la em suas necessidades, prover o estudo dos filhos, garantir alimentação e lazer.

Mas, muito diferente é substituir a presença do amor pelo presente – por mais ricamente embalado que seja.

Um filho é uma dádiva Divina. Uma responsabilidade que inclui não apenas dar-lhe coisas materiais, mas dar-lhe suporte emocional, psicológico.

É preciso falar com os filhos, conhecê-los, sondar o que pensam, refletir sobre o que fazem.

O mesmo vale para o casal: depois de alguns anos de convivência, as conversas, antes tão íntimas, costumam ser substituídas por presentes, como flores e jóias.

Aos poucos se esvai a cumplicidade, a parceria e até a atração.

E os pais? Envelhecem sozinhos, cercados de enfermeiras ou de pessoas pagas para tomar conta deles. Velhos pais, isolados, com suas manias e conversas que ninguém quer ouvir.

Quão felizes seriam com visitas e conversas mais longas.

Por tudo isso, reflita hoje: Estou amando ou comprando minha família?

Redação do Momento Espírita
site www.momento.com.br

27 fevereiro 2008

O Brilho do Bem - Richard Simonetti

O BRILHO DO BEM

"Vós sois a luz do Mundo. Não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e ilumina todos os que se encontram na casa. Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos Céus." (Mateus, 5:14-16.)

Jesus compara seus seguidores à luz que afugenta as trevas. O Cristianismo, com seus valores morais elevados, com seu empenho pela construção do Reino de Deus, fatalmente se destacaria na História, da mesma forma que seria impossível deixar de ver uma cidade edificada sobre a montanha. Se está claro, nota-se perfeitamente o contorno de seus edifícios; se escurece, suas luzes destacam-se.

Individualizando a figura do cristão, Jesus oferece a sugestiva imagem da candeia. Alqueire era uma espécie de vaso usado para medir líquidos ou cereais. Ninguém acende uma candeia para colocá-la prisioneira sob o alqueire. A luz deve estar no velador, suporte colocado no alto para que ilumine o ambiente. Em linguagem atual: não se liga uma lâmpada dentro de recipiente fechado. Para cumprir sua função ela deve estar livre.

O mesmo acontece com o Evangelho. É a luz que ilumina, que dá significado à Vida e a valoriza, mas, se procurarmos em suas lições apenas conforto e bem-estar para nós, sem compreender seu apelo maior, convocando-nos à Fraternidade, então sua claridade ficará aprisionada no vaso do egoísmo e de nada valerá, pois, apesar de detê-la, continuaremos na escuridão de nossas
mazelas.

Ao recomendar "brilhe vossa luz diante dos homens para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos Céus", Jesus ensina que o luzir do Evangelho em nós está condicionado à prática do Bem.

Por isso, o verdadeiro cristão é alguém cujo comportamento é invariavelmente edificante; que estimula à virtude, cultivando seus valores e que converte irresistivelmente ao Evangelho com a força do exemplo.

A esse propósito, lembramos a extraordinária figura de Alcione, do livro "Renúncia", autoria de Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier. Atingindo estágios angelicais de evolução, eximira-se de voltar à Terra, mas voltou, por iniciativa própria, a fim de ajudar um grupo de tutelados seus.

Sua presença em nosso mundo, embora no anonimato de condição humilde, tornou-se tão marcante que todos quantos com ela conviveram foram invariavelmente influenciados por ela. E como Alcione realizava semelhante prodígio? Fazendo prevalecer sua autoridade de Anjo? Impondo sua vontade?

Não! Discípula fiel do Cristo, ela simplesmente observava o Evangelho em sua expressão mais pura, não se limitando a perdoar os ofensores, mas achando uma desculpa para eles; não se limitando a tolerar as imperfeições alheias, mas ajudando as pessoas a superá-las com a serenidade de uma paciência sem limites; não apenas cumprindo os deveres de filha, religiosa, serviçal, mas comportando-se com valores de renúncia, dedicação e heroísmo, que fizeram dela uma inesquecível figura de mulher.

Um pequeno episódio nos oferece a medida de seu caráter. Alcione trabalhava como governanta em rica mansão. Era muito estimada pelo dono da casa, Cirilo, a filha Beatriz e seu sogro Jacques, mas detestada por Susana, a patroa, enciumada de sua benquerença. E não se cansava de fustigá-la, impondo-lhe tarefas rudes, desvinculadas de suas atribuições, com o propósito de levá-la a deixar aquela casa, já que não podia tomar a iniciativa de despedi-la, com o que seus familiares não concordariam.

Certo dia chama a governanta:
Alcione, a lavadeira está doente e deverás substituí-la.
Sim, senhora.
E lá vai Alcione cumprir a tarefa alheia às suas
responsabilidades. A menina Beatriz, vendo-a no tanque, revolta-se. Chama o pai e acusa a mãe de explorar a serva. O marido irrita-se, recrimina a esposa com aspereza.
Susana agita-se. Nervosa, debulha-se em lágrimas. O ambiente torna-se tenso.

Então, Alcione, que tudo observava, dirige-se ao patrão:
Senhor Cirilo, desculpe-me entrar na conversa, mas pode crer que a senhorita Beatriz está enganada. Dona Susana não me impôs a substituição da lavadeira. Fui eu mesma que ofereci minha colaboração. Não se preocupe.
Estou acostumada com esse serviço.

As palavras de Alcione, pronunciadas com evidente inflexão de sinceridade e boa vontade, desanuviam o ambiente. Pai e filha tranqüilizam-se. O gesto da serva, somado a outros iguais em circunstâncias semelhantes, acaba por sensibilizar Susana, que se torna sua amiga.

Assim é o cristão autêntico. Onde ele está a Vida sempre se faz plena de claridades, pois refletem-se nele as luzes do Céu, marcadas por uma dedicação sem limites à causa do Bem.

De "A voz do monte", de Richard Simonetti

26 fevereiro 2008

O Amor às Crianças - Dora Incontri

O AMOR ÀS CRIANÇAS

Deveria ser óbvio, mas não é para muitos: para se pensar em colocar um filho no mundo ou para se escolher uma carreira na Educação, a primeira condição deveria ser a de amar as crianças.

É verdade que todo ser humano deveria gostar de crianças, pois a afeição à descendência, a ternura despertada pela graça infantil, o instinto de proteção diante de sua fragilidade, são coisas naturais inerentes à espécie humana.

No entanto, o homem tem a liberdade e a capacidade de contrariar até os seus instintos mais básicos, pelo menos temporariamente. E há muitos que não suportam crianças.

A característica básica da maioria dos inimigos de criança é o egoísmo feroz. A criança pede sempre cuidado, atenção. Uma criança, na vida do adulto, modifica-lhe os hábitos, requer que ele renuncie a alguns de seus prazeres e desejo de uma grande parte do seu tempo. Dá trabalho. E há gente que se encerra num egocentrismo tão doentio que não pode sequer pensar em doar algo de si em favor de um ser que dele dependa.

Outro aspecto de tais personalidades é geralmente uma falta de sensibilidade e de sentimento, que pode raiar pelo extremo da crueldade e da dureza. Pois quem não é capaz de se comover diante de um rostinho sorridente, quem não é capaz de apreciar a ternura e a sinceridade infantil
revela um enorme atraso em sua evolução moral.

Incluem-se nesse rol todos aqueles que não conseguem respeitar uma criança, exercendo violências inomináveis contra os próprios filhos ou contra os filhos alheios.

Infelizmente, o estágio evolutivo do nosso planeta é ainda tão deficitário, que muitos Espíritos se encontram ainda nesse ponto de atraso e degeneração.

Basta ver as barbaridades praticadas contra as crianças nas guerras e, mesmo no cotidiano, o número de estupros, seviciaçoes, rapto e assassinato de menores.

Mas entre esse extremo brutal e o verdadeiro amor às crianças, há enorme gradação. A maioria das pessoas sente uma inclinação natural pela infância, demonstra algum enternecimento diante da graça infantil.

É o começo, mas não basta, pois a ternura inicial não exclui atitudes egoísticas. Uma manifestação de desamor às crianças, constante mesmo entre aqueles que afirmam e até demonstram gostar delas, é considerá-las como um estorvo.

Elas atrapalham a ordenação do ambiente, fazem barulho, têm necessidade de se movimentar, de correr, são perguntadeiras, pedem atenção, querem o nosso tempo... São uma perturbação na rotina, nos afazeres, na vida
do adulto. A tendência é a chamada imposição de "limites" - muito citada por pedagogos atuais, que na realidade não passa de uma tentativa de estabelecer regras para que a criança não atrapalhe e deixe o maior usufruto possível do espaço e do tempo para o adulto.

O objetivo implícito é fazer a criança ver que ela tem de se conformar a ser uma pessoa secundária, uma natureza violentada, para se adequar ao mundo egoístico do adulto.

O amor pleno à criança é, acima de tudo, ter tempo para ela, aceitá-la como criança, dar-lhe inteira atenção e devotamento, não excluí-la nunca de nossa vida, fazendo-a ver que em qualquer tempo, ela pode estar presente.

Além de aceitação de sua natureza infantil, amá-la significa enxergá-la como uma pessoa inteira, digna de respeito, com dignidade humana, liberdade de opinião e necessidade de afeto.

O amor a uma criança ou a algumas crianças que estejam sob nossa responsabilidade só é edificante e legítimo, se não se manifestar exclusivista e egoístico. O amor deve ser justo e não desprezar ninguém.

Diante de uma criança que seja nossa filha ou tutelada e de outra que não seja, tratemos ambas com o mesmo carinho, sejamos justos na divisão de brinquedos, alimentos e carícias e jamais coloquemos uma criança em posição inferior à outra. Se com os adultos - embora devamos amar ao próximo como a nós mesmos - podemos ter nossas simpatias e preferências, nosso amor às
crianças deve ser farto e indistinto.

Quanto aos que se dedicam profissionalmente à Educação, é preciso que tenham uma grande paixão por crianças e especial prazer em estar com elas.

Que apreciem suas qualidades, que considerem seu trabalho um privilégio e tenham plena consciência da responsabilidade moral que ele implica.

Nenhuma escolha profissional deve ser fruto do acaso e da indiferença, menos ainda a tarefa da educação. Ela deve brotar em primeiro lugar de um grande amor à criança e a humanidade em geral.

Quem não se sinta a vontade, alegre e satisfeito com um bando de crianças correndo e gritando à sua volta, que as deixe em paz e procure outra atividade, para não se
tornar rabugento, tirânico e frustrado.

De "A educação segundo o Espiritismo", de Dora Incontri

25 fevereiro 2008

Podes, Se Queres - Joanna de Ângelis

PODES, SE QUERES

Fracassado é aquele que abandona a luta ou nega-se a travá-la.
Dificilmente logrará vitória quem se recusa a enfrentar os desafios do cotidiano.
O homem são as suas tarefas, que devem ser enfrentadas com decisão e coragem.

Em todo cometimento multiplicam-se as dificuldades e as problemáticas se repetem.

Quedas e aparentes insucessos são experiências que, repetidas, favorecem o homem com o êxito que deve perseguir até o fim.

Desistir do empreendimento porque se apresente difícil, significa abandonar-se a contínuos insucessos.
Não recear jamais, nem ceder à tentação da desistência na luta de ascensão.

Se queres, podes.
Quando te propões realizar os labores que te dizem respeito, abres-te à vitória, que deves colimar na oportunidade própria.

Simon Bolívar, o excelente Libertador de quase metade da América do Sul não poucas vezes perdeu batalhas e esteve preso. Porque não desistiu, perseverando nos ideais e lutando, triunfou.

Benito Juarez, órfão e pobre, humilhado e sob injunções terríveis, contribuiu para a liberdade do México, mais do que qualquer outro herói.

Franklin Delano Roosevelt, paralítico, vitimado numa cadeira de rodas não se compadeceu do próprio estado de saúde e desempenhou relevante papel no seu país, como Primeiro Mandatário, revelando-se extraordinário libertador, durante a Segunda Guerra Mundial.

Edison experimentou quase 10.000 testes para lograr o êxito da lâmpada elétrica e porque insistiu sem desânimo, ofereceu à Humanidade um valioso contributo.

Faraday, até aos 14 anos, permaneceu numa Gráfica, na condição deencadernador. Lendo um dos livros em que trabalhava, interessou-se pela eletricidade, revelando-se pioneiro nesta tecnologia de grande utilidade para a Humanidade.

Cervantes sofreu incompreensões e experimentou a miséria, teve os seus escritos desconsiderados, viveu em regime de mendicância para não morrer de fome, não obstante, prosseguindo, legou-nos o "Dom Quixote" de la Mancha" de valor literário e filosófico inegável.

Camões, sem uma vista, fez-se cantor de "Os Luzíadas".

Confúcio, aos 55 anos, foi abandonado pelo seu mestre. Sem desânimo, prosseguiu, oferecendo extraordinária contribuição filosófica para o pensamento universal.

Maomé, na busca de fiéis, padeceu terrivelmente, até que, sem abandonar a luta, espalhou o Alcorão pela Terra.

Buda, procurando a iluminação, provou solidão e abandono, conseguindo que a mensagem da paz passasse a impregnar as vidas...

A história de Jesus é por demais conhecida para que se ampliem considerações...
A galeria daqueles que não desistiram e confiaram na vitória que souberam esperar, é muito grande.

Não te abatas ante impedimentos nem persigas sucessos improvisados, imediatos, que cedem lugar a terríveis desencantos.
Se queres vencer superando quaisquer problemas, prossegue em paz, insistindo na ação operosa e confiante, assim conseguindo o fanal que é a meta essencial da tua vida.
Disse Jesus: "Aquele que perseverar até o fim, este será salvo."
É necessário permanecer fiel e otimista.
Se queres, portanto, a vitória, insiste.

De "Otimismo", de Divaldo P. Franco,
pelo espírito Joanna de Ângelis

24 fevereiro 2008

Os Verdadeiros Hérois - Momento Espírita

Os Verdadeiros Heróis

Segundo o dicionário, herói é o homem notável por suas qualidades extraordinárias.

Em todas as épocas, a Humanidade elegeu e aclamou heróis.

Entre eles, contam-se governantes iluminados pelo amor ao seu país e ao seu povo.

Também se enumeram filósofos e pensadores de grande talento.

Líderes de resistência contra governos despóticos e cientistas dedicados, igualmente figuram no panteão dos heróis.

Esses homens sempre foram considerados modelos a serem seguidos, por suas excepcionais virtudes.

Atualmente, a Humanidade vive uma fase de turbulenta transição.

Antigos padrões de comportamento são revistos.

Valores consolidados são questionados ou rejeitados, sem muita análise.

O relevante parece ser ousar e inovar, ainda que sem grande critério.

A liberdade é valorizada ao extremo, embora não haja preocupação com a responsabilidade, sua natural contraparte.

Nesse contexto de valores ambíguos, carentes de reflexão e consolidação, surgem novos padrões de conduta.

Personagens exóticas são facilmente alçadas à condição de heróis.

Os passos dessas figuras inquietas são seguidos pela mídia.

Uma multidão fascinada e irrefletida os observa com êxtase e comenta e copia suas palavras e atos.

O novo panteão de heróis é formado por um grupo de criaturas de origem e personalidades variadas.

Há participantes de shows que pretendem imitar a realidade da vida.

Inexplicavelmente, intrigas e brigas que promovem em recinto fechado, mas mostrado pela televisão, os endeusam perante o imaginário popular.

Expectadores ávidos de baixezas acompanham o desempenho desses ídolos.

Há também artistas muito belos, mas desequilibrados, pelos quais as massas se apaixonam.

Muitos deles se deixam fotografar e filmar em cenas despudoradas.

De outro lado, não faltam atletas regiamente remunerados, mas com padrão de comportamento pouco elogiável.

Os novos heróis produzem escândalos, iniciam e terminam relações afetivas com rapidez vertiginosa.

Mas a multidão os acompanha, subjugada por sua juventude, seu brilho, sua beleza e sua arrogância.

Entretanto, o que há de nobre e aprazível no comportamento de tais pessoas?

Uma ligeira reflexão permite concluir que o heroísmo não se expressa mediante comportamentos exóticos.

O genuíno herói há de ser alguém que contribui para a construção de um mundo melhor.

Nessa linha, há inúmeros heróis anônimos, cujo comportamento merece ser admirado e copiado.

Por exemplo, o jovem que diz não às drogas e à promiscuidade.

O estudante atento a seus deveres e que não cola, mesmo tendo oportunidade.

O filho que cuida dos pais idosos ou enfermos.

O professor que leciona com dedicação e competência, mesmo quando mal remunerado.

Os pais que gastam tempo orientando seus filhos, a fim de que não se percam nas ilusões do mundo.

O empresário honesto, que não sonega tributos e nem lesa seus clientes.

Onde quer que haja alguém preocupado em ser honesto e solidário, em construir um Mundo melhor, aí se tem um herói.

Ao eleger seus ídolos e modelos, pense nisso.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. XXIX,
do livro Jesus e vida,
pelo Espírito Joanna de Ângelis,
psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.
www.momento.com.br

23 fevereiro 2008

Viver em Paz - Emmanuel

VIVER EM PAZ
"..Vivei em paz..."
Paulo, (II CORÍNTIOS. 13:11.)

Mantém-te em paz.
É provável que os outros te guerreiem gratuitamente, hostilizando-te a maneira de viver; entretanto, podes avançar em teu roteiro, sem guerrear a ninguém.

Para isso, contudo - para que a tranqüilidade te banhe o pensamento -, é necessário que a compaixão e a bondade te sigam todos os passos.
Assume contigo mesmo o compromisso de evitar a exasperação.

Junto da serenidade, poderás analisar cada acontecimento e cada pessoa no lugar e na posição que lhes dizem respeito.

Repara, carinhosamente, os que te procuram no caminho...
Todos os que surgem, aflitos ou desesperados, coléricos ou desabridos, trazem chagas ou ilusões. Prisioneiros da vaidade ou da ignorância, não souberam tolerar a luz da verdade e clamam irritadiços... Unge-te de piedade e penetra-lhes os recessos do ser, e identificarás em todos eles crianças espirituais que se sentem ultrajadas ou contundidas.

Uns acusam, outros choram.
Ajuda-os, enquanto podes.
Pacificando-lhes a alma, harmonizarás, ainda mais, a tua vida.
Aprendamos a compreender cada mente em seu problema.

Recorda-te de que a Natureza, sempre divina em seus fundamentos, respeita a lei do equilíbrio e conserva-a sem cessar.

Ainda mesmo quando os homens se mostram desvairados, nos conflitos abertos, a Terra é sempre firme e o Sol fulgura sempre.

Viver de qualquer modo é de todos, mas viver em paz consigo mesmo é serviço de poucos.

Emmanuel (espírito)
Psicografia de Chico Xavier
Da obra: Fonte Viva

22 fevereiro 2008

Gravame Cruel - Joanna de Ângelis

GRAVAME CRUEL

Sob qualquer aspecto considerada, a ingratidão é sempre um estado de inferioridade daquele que a cultiva.

Resquício da barbárie, ela fere os sentimentos e estiola as promessas de desenvolvimento do bem nas almas frágeis que lhe sofrem o guante do primarismo.

O ingrato encontra-se enfermo, mascarando a doença com a rebeldia ou anestesiando-se nos vapores da fatuidade de que se reveste, para um posterior despertamento em situação lamentável de abandono e quebrantamento.

O egoísmo é, sem dúvida, o fomentador pérfido da ingratidão, desde que inspira merecimento quer a criatura não possui, mas exibe, perturbando-se na avaliação dos valores da personalidade.
Os que deixam seduzir pelas artimanhas dessa inferioridade latente, que deve ser vencida a penates de sacrifício, vigilância e ação correta na fraternidade, sabem conquistar favores para logo depois arrefecerem a gentileza sob a indiferença mórbida em que terminam por deixar-se intoxicar.

Há, no entanto, no esquema da ingratidão, uma forma que se faz mais brutal, caracterizada pela crueldades defluente da insensatez perversa: a dos filhos para com os pais!

A insolência do filho ingrato, que se atira sobre os pais indefesos que lhe sofrem a peçonha e a agressividade, é dos mais graves comprometimentos que o espírito encarnado assume para o futuro ressarcimento doloroso.

Arrojar na face dos genitores palavras de acusação e esbordoá-los com manoplas ígneas, constitui loucura em começo tomando curso para mais lamentáveis desequilíbrios.

A petulância e o atrevimento do filho ingrato, no desrespeito a quem lhe concedeu a forma física, o carinho, as horas insones como as da ansiedade durante os anos primeiros, ferem fundo, abrindo porém, os abismos em que mais tarde tombam esses desassisados.

Os filhos ingratos são o fruto doente da existência em que fracassam as esperanças deles próprios, porquanto, mesmo que triunfem na aparência, corroem-se na neurose interior de que se não conseguem libertar...

Pais sofridos e macerados por filhos ingratos, amai e orai mais por esses Espíritos doentes que se refugiaram no vosso coração, mediante formas que lhes emprestastes, e que eles não souberam valorizar.

A ingratidão que vos doam e por vós aceita sem mágoa nem rancor, será, mais tarde, a estrela polar do vosso caminho, quando vencido o trâmite carnal.

Prossegui confiantes e entregai-os, sem angústia, a Deus, Pai de todos nós, que, pacientemente nos tem esperado no curso dos milênios.

Autoria de Joanna de Ângelis (espírito)
Psicografia de Divaldo Franco Livro: Otimismo

21 fevereiro 2008

De Pobres e Ricos - Momento Espírita

De Pobres e de Ricos

A maioria dos seres humanos deseja ser rico. Dinheiro representa privilégios, prazeres, poder. É um sonho generalizado que atinge quase todo mundo.

Quem é pobre deseja melhorar de vida. Quem já é rico almeja ser milionário. E o milionário? Esse também quer mais! Quer ter bilhões.

O doente acredita que o dinheiro vai lhe dar acesso a tratamento vip. Quem está saudável sonha com viagens, jantares em restaurantes sofisticados.

Anônimos querem a riqueza para se tornar celebridades.

Até os idealistas, sonhadores e santos querem dinheiro. Uns sonham em melhorar o Mundo, outros planejam construir hospitais e abrigos.

Todos acreditam que usarão acertadamente os recursos para o bem geral.

Há até quem ridicularize o provérbio popular que afirma que o dinheiro não traz felicidade. Com um sorriso irônico, sempre há quem desdenhe a sabedoria coletiva e contraponha:

Dinheiro pode até não trazer felicidade, mas ajuda um bocado.

Mas há alguns aspectos da vida que não estão acessíveis à influência do dinheiro. Aliás, o poder do dinheiro refere-se exclusivamente a coisas compráveis.

Naquelas coisas sutis – que são de domínio exclusivo da Divindade – o dinheiro é inútil. Ele não pode tornar mais belos os filhos dos ricos.

Nem a maior fortuna do Mundo compra consolo para a mãe que perde o filho. E, por mais nobre que seja, quem pode garantir que terá amor verdadeiro?

Sábias são as palavras de Jesus: Quem de vós poderá acrescentar um palmo à sua altura?

A natureza nos limita: quem pode viver sem ar? Ou sem comida, ou água? Quem pode evitar a morte, a velhice ou o sofrimento, por mais dinheiro que tenha acumulado?

São os limites impostos por Deus e que nos servem de advertência sobre a igualdade que reina sobre nós. Afinal, estamos submetidos às mesmas regras de nascimento, vida e morte.

Ricos e pobres, todos nascemos dependentes, enrugados, pequeninos. Nenhum filho de milionário nasceu com dentes ou pronunciando as palavras.

Mesmo que o berço seja de ouro, crianças ricas também estão sujeitas às mesmas limitações que atingem a infância pobre.

E assim crescemos – mendigos e milionários – contemplando o mesmo sol, tendo a mesma lua como testemunha silenciosa de nossas vidas.

Chuva, frio, calor nos atingem igualmente, sem aumentar ou diminuir perante a quantidade de dinheiro que carregamos.

E mesmo a morte, um dia chegará para todos. Encontrará alguns em nobres leitos, cobertos por lençóis finíssimos.

A outros surpreenderá em casas paupérrimas, solitários e maltrapilhos. Mas ela virá para todos.

O preço do caixão, a imponência do túmulo serão então apenas diferenças externas. No interior das sepulturas, a lei da decomposição do corpo físico alcançará aos corpos de magnatas e pobrezinhos.

Passadas algumas décadas, se misturados os esqueletos de ricos e pobres, quem poderá dizer quais daqueles brancos ossos era dono de mais dinheiro?

Após a morte do corpo, Deus nos pedirá contas somente do amor que nutrimos, do bem que espalhamos, da ética que cultivamos e da paz que construímos.

O dinheiro? Ah, o dinheiro ficará nos cofres do Mundo, utilizado por outros administradores temporários.

Pense nisso!

Redação do Momento Espírita
www.momento.com.br

20 fevereiro 2008

Materialista ou Espiritualista? - Albino A. C. de Novaes

Materialista ou Espiritualista?

Uma análise do comportamento dos espiritualistas, parece demonstrar grande incoerência com os princípios que eles dizem adotar.

Podemos agrupar o pensamento filosófico em duas grandes correntes, conforme o título desse artigo.

Todas as religiões são necessariamente espiritualistas. Isso por que crêem no Criador de todo o universo e no princípio espiritual que nos habita.

Conhecendo algumas pesquisas e tomando por base a pequena amostra das pessoas do nosso relacionamento, podemos deduzir que a grande maioria dos indivíduos é espiritualista.

Os materialistas por acreditarem apenas na existência da matéria, estão certos que após a morte, nada encontrarão na outra dimensão. Cessando a carga elétrica do cérebro humano, será o NADA - o grande vazio.

A vida em todas as espécies seria simples obra do acaso, como se a ousadia dessa explicação, fosse mais lógica do que supor a existência de Deus - causa primária de todas as coisas. Não há para eles, objetivos maiores para a criação, assim como não existem leis que nos regem, senão as da matéria.

Ocorre então um fato curioso. Essa minoria que se diz materialista, adota um comportamento perfeitamente compatível com a filosofia abraçada. Procuram em síntese, viver intensamente a vida material, canalizando aos sentidos, o máximo de prazer que conseguem obter. O raciocínio é claro pois o corpo é todo o patrimônio que pensam possuir.

Por outro lado, os espiritualistas representando a grande maioria, revelam em geral uma postura profundamente incoerente com os postulados que dizem seguir. As suas atitudes descem muitas vezes, ao nível dos materialistas mais ignorantes. Medo de ser diferente, de ser marginalizado?

É difícil resistir aos apelos instintivos que nos envolvem na neblina do comodismo, mas é preciso insistir e concentrar esforços para manter metas edificantes na mente superconsciente.

Naturalmente não se espera uma transformação imediata em seres angelicais. Isso requer tempo e trabalho contínuo. Pequenas atitudes porém, podem ser melhoradas com certa facilidade e dependem apenas do nosso desejo sincero.

É preciso ainda, ter cuidado para não adotar um comportamento excessivamente passivo, o que poderá nos conduzir no terreno perigoso da indiferença. O candidato a reforma íntima pode e deve assumir um comportamento ativo e operante, servindo e sendo útil no caminho que adotou
e no nível evolutivo que se encontra. A questão é de decisão, vontade e coerência. Afinal, você é ou não espiritualista ? Então assuma!

Autoria de Albino A. C. de Novaes

19 fevereiro 2008

Males Encomendados - Richard Simonetti

MALES ENCOMENDADOS

"Pode um homem mau, com o auxílio de um mau Espírito que lhe seja dedicado, fazer mal ao seu próximo?
Não; Deus não o permitiria. "(Questão nº 351- Livro dos Espíritos)

Há pessoas que reclamam do chamado "malfeito".
Por ignorado motivo haveria alguém interessado em sua desdita.
Estariam sendo exercitados sortilégios para a evocação de entidades das sombras, com o propósito de causar-lhes embaraços variados, relacionados com família, negócios, saúde...
A experiência demonstra que isso pode acontecer. Há Espíritos que se especializam em influenciar as criaturas humanas, atormentando-as, atuando "por encomenda".
Se você, leitor amigo, traz indeléveis temores relacionados com essa presença, que não está sozinho.
Multidões tremem quando essa possibilidade é mencionada para explicar a origem de seus problemas. Mas considere algo fundamental:
Os agentes das sombras não têm o poder de criar o mal. Apenas o alimentam. Isso significa que ninguém pode ser atingido pelo mal senão por intermédio do mal que há em si mesmo.
Jamais seremos induzidos à violência se conquistamos a mansuetude. Nem ao vício, se legitimamente virtuosos. Nem ao roubo, se não houver espaço para a cobiça em nosso universo interior.

Respeitável chefe de família assume estranho comportamento.
Demora-se fora do lar, alegando compromissos profissionais. Torna-se monossilábico e distante. Situa-se inquieto e agressivo. - Nessa história tem mulher - comentam familiares e amigos. Observação acertada.
Envolveu-se com uma jovem bela e volúvel que o seduziu. Pretende afastá-lo do lar. Não mede esforços para isso. Chegou a contratar um "despachante do além", um médium habituado a evocar Espíritos para empreitadas menos dignas. Foi acertado que o alvo seria "amarrado" num enleio passional.
Iniciativas dessa natureza estão presentes no dia-a-dia de muitas pessoas.
A irresponsabilidade sustentada pelo egoísmo tem alcance ilimitado.
Quem cultiva a paixão por si mesmo não mede as conseqüências de seus desmandos, dos prejuízos que causa a outras pessoas. Interessa-lhe simplesmente a satisfação de seus caprichos. A jovem não está nem um pouco preocupada com o fato de que, atingindo seu objetivo, destruirá um casamento, traumatizando crianças e infelicitando uma esposa. Pensa nela mesma, na satisfação e nos benefícios que possa colher naquela relação indigna. - Que se dane o resto! - proclama indiferente.

O chefe de família foi envolvido, mas nem a jovem, nem o médium, nem o Espírito evocado exerceram influência irresistível. Ele não agiu por compulsão. Simplesmente lhe sugeriram a ligação, criando em sua tela mental imagens licenciosas que acolheu sem constrangimento. Resumindo:
Não criaram o adultério. Apenas exploraram sua tendência à infidelidade.
Imaginemos alguém à beira de um precipício. Nenhum Espírito vai jogá-lo no abismo. Mas poderá sugerir: - Salte! Veja como é bom! Você experimentará a sensação de voar!
Um prazer indescritível! Muitos, aceitando convites assim, mergulham em paixões e viciações. Experimentam, efemeramente, prazeres e alegrias, nos domínios das sensações. Invariavelmente, entretanto, "esborracham-se" no fundo do abismo, comprometidos em renitentes perturbações e angústias que lhes amarguram a existência.

Jesus nos legou a fórmula perfeita para evitar o envolvimento com o mal: "Vigiai e orai, para que não entreis em tentação". É preciso exercitar perene vigilância, não do próximo, mas de nós mesmos.
Vigiar nossos impulsos, as idéias que surgem em nossa mente, nossos desejos, tendo por parâmetro a moral evangélica que nos oferece o roteiro ideal para uma existência equilibrada e feliz.
O que cogitamos é compatível com o Evangelho? Se a resposta for negativa, detenhamo-nos imediatamente em oração, rogando a Deus forças para resistir â tentação. E Deus, que criou o Bem, nos ajudará para que ninguém, aqui ou no além, induza-nos a fazer o que não deve ser feito.

Há outro ângulo importante no exemplo citado: A esposa. Não foi ela agredida em sua sensibilidade? Não estará sujeita a uma série de problemas físicos e psíquicos, em face da injúria de que foi vítima? Não poderíamos dizer que lhe fizeram muito mal ? Aparentemente, sim. Sob a
óptica espiritual, onde está a realidade podemos considerar que há sempre um componente cármico em nossas dores.
O que nos parece um grande mal pode ser apenas o resgate de débitos relacionados com o passado. Quem sabe terá ela própria destruído lares alheios, em existências anteriores? Ninguém sofre injustamente.
Mal legítimo, por isso, é o que fazemos de errado, contrariando as leis divinas, com o que contraímos pesados débitos. O que fazem contra nós, impondo-nos sofrimentos, converte-se em crédito no resgate de nossas dividas, se bem administrado.

Normalmente, numa situação dessa natureza, a esposa deixa-se dominar pelo ódio. Pensa em matar o marido. Matar a intrusa. Matar-se.
Exige satisfações. Briga. Exaspera-se. Arma escândalo. Sobretudo, sente-se profundamente infeliz. Entra em estado de angústia e ansiedade.
Desorienta-se. Fica doente. Reação muito humana, mas nela está a origem de seus desajustes. Faltou-lhe a mesma iniciativa que teria preservado o marido: Consultar o Evangelho.
O que recomenda Jesus ante os males que nos façam? Todos sabemos. Está contido em pequeno verbo de grandioso alcance: Perdoar.

O perdão legítimo é filho da compreensão. Fundamental à esposa:
Compreender que a jovem leviana que feriu de morte seu casamento agiu sob inspiração da imaturidade, envolvida pelas sombras. Compreender, como dizia sabiamente antiga lidadora espírita, que para preservar a própria integridade é preciso, em situações assim, ver no cônjuge um filho transviado, vitimado pelas próprias fraquezas. Compreender que se não relevamos e seguimos adiante, atinge-nos em plenitude o mal que nos endereçam, como fogo a propagar-se em tecido encharcado de gasolina.

Livro: "Vive em Plenitude"
Autoria de Richard Simonetti

18 fevereiro 2008

Os Espíritos Protetores - Amigos Invísiveis- José Herculano Pires

 
OS ESPÍRITOS PROTETORES — AMIGOS INVÍSIVEIS

Teremos realmente amigos invisíveis, que nos seguem na vida terrena com a ternura e a dedicação de verdadeiros anjos da guarda, segundo ensina a Doutrina Espírita?

Para responder a esta pergunta, devemos lembrar, primeiramente, que a existência dessas entidades benignas não foi inventada pelo Espiritismo.

Desde as aulas de catecismo, nas igrejas católicas, ouvimos falar nos anjos da guarda, e na maioria das grandes religiões universais encontramos essa teoria, sob diferente formas, mas sempre idêntica no conteúdo.

Nas religiões clássicas, do mundo greco-romano, eram os deuses mitológicos que velavam pelas criaturas. Nas chamadas religiões orientais, que no fim dos tempos invadiram o Império Romano, e entre elas o Cristianismo, a teoria dos anjos guardiões estava presente.

E tanto na Mesopotâmia quanto na China ou na Índia antiga, na Grécia arcaica ou na Roma camponesa, que antecederam o mundo clássico, assim como na Palestina e entre os povos selvagens da América, da Ásia, da África e de todo o mundo, o culto dos ancestrais sempre existiu.

Os manes, penates e deuses lares, ou deuses familiares, dos romanos e dos egípcios, dos babilônios e dos assírios, dos fenícios e dos cananitas, dos judeus e dos macedônios, nada mais eram do que espíritos amigos, que velavam pelas pessoas e pelas famílias.

Por toda parte e em todas as épocas, no mundo inteiro, a investigação histórica e a pesquisa antropológica nos mostram a existência invariável dessa crença nos espíritos protetores. Entre os povos selvagens e no seio das maiores e mais esplendentes civilizações, ela se faz sentir como uma espécie de convicção universal, de intuição natural, que o homem carrega consigo em todas as latitudes do globo.

Sócrates, na Grécia, e Joana D’Arc, na França, ouviam as vozes amigas dos seus protetores. Descartes, o filósofo que se considerou inspirado pelo Espírito da Verdade, também tinha o seu protetor. A existência dos amigos invisíveis é uma realidade incontestável.

Mesmo que a consideremos como simples crença, é impressionante o fato de a encontrarmos em toda parte e em todos os graus de cultura.

O Espiritismo é a primeira doutrina que não apenas afirma a existência dos espíritos protetores, mas também procura demonstrá-la e ao mesmo tempo explicá-la à luz da razão.

Para os espíritas, essa existência não constitui uma crença, mas uma certeza, comprovada pela experiência. Essa posição espírita diante do problema dos amigos invisíveis é confirmada pela de outras doutrinas espirituais, como a Teosofia, que surgiu pouco depois da doutrina espírita e estuda com profundidade o problema dos “auxiliares invisíveis”.

É curioso que as demais doutrinas recusem o meio natural de comprovação da existência dos amigos invisíveis, que é a mediunidade.

A própria doutrina teosófica, que em muitos pontos se aproxima da espírita, admite a prova mediúnica, mas ao mesmo tempo evita empregá-la.

Isso porque há velhos preconceitos, formulados pelas antigas ordens ocultistas, que consideram a mediunidade perigosa, em vez de considerarem os benefícios que ela produz e tem produzido em todos os tempos.

O Espiritismo estudou profundamente a mediunidade e nada tem a temer da sua utilização. Pelo contrário, só tem a se beneficiar com ela, beneficiando ao mesmo tempo o mundo.

Através da mediunidade, a teoria espírita dos espíritos protetores foi dada a Kardec, segundo a podemos ler em “O Livro dos Espíritos”, no capítulo nono da primeira parte.

E ainda através da mediunidade, essa teoria consoladora e bela vem se confirmando, em todo o mundo, e ao mesmo tempo se enriquecendo com episódios maravilhosos, nos quais a verdade das relações espirituais entre os homens e seus amigos invisíveis transparece cada vez mais. Procuremos estudar essa teoria, examinando-a em seus vários aspectos.

Mais do que nunca, o mundo angustiado de hoje necessita desse esclarecimento e desse conforto, que a teoria dos espíritos protetores nos oferece, com a garantia de sua veracidade, pela prova dos fatos mediúnicos. Continuaremos a tratar do assunto, nos próximos números dessa revista.

José Herculano Pires, (sob o pseudônimo de Irmão Saulo)
Especial para revista E.V.

17 fevereiro 2008

Previsões que Deram Errado - Momento Espírita

Previsões que deram errado

Como você lida com os obstáculos que o Mundo apresenta em sua caminhada?

Como você recebe as oposições das pessoas, em relação a suas habilidades, ao seu potencial?

Do que realmente somos capazes?

Alguns casos célebres de previsões e julgamentos do Mundo que deram errado, talvez possam iluminar estas reflexões e inspirar nossa jornada:

Após o primeiro teste cinematográfico de Fred Astaire, o memorando do Diretor de testes da MGM, datado de 1933, dizia assim:

Não sabe representar! Ligeiramente calvo! Dança um pouco.

Astaire conservou este memorando pendurado sobre a lareira, em sua casa, em Beverly Hills.

Beethoven segurava o violino desajeitadamente, e preferia tocar suas próprias composições, ao invés de aperfeiçoar sua técnica.

Seu professor julgava-o um compositor sem futuro.

Os pais do famoso cantor de ópera Enrico Caruso, queriam que ele fosse engenheiro.

Seu professor lhe disse que ele não tinha voz e que não poderia cantar.

Um dos professores de Albert Einstein o descreveu como: Mentalmente lento, insociável e eternamente mergulhado em seus sonhos imbecis.

Louis Pasteur foi apenas um aluno mediano nos estudos do ensino fundamental. Ficou em décimo quinto lugar entre os 22 alunos de Química.

Dezoito editores recusaram a história de 10.000 palavras de Richard Bach sobre a gaivota sublime. Finalmente, em 1970, uma editora resolveu publicá-la.

Em 1975, já havia mais de sete milhões de exemplares vendidos, apenas nos Estados Unidos.

Todos esses expoentes mostraram ao Mundo que seu julgamento estava errado.

Mostraram que somos nós apenas, na intimidade de nossa força de vontade, de nosso brilhantismo secreto, os únicos aptos para saber do que realmente somos capazes.

Os julgamentos do Mundo, das pessoas, são completamente insuficientes para avaliar o imo de nosso ser.

Avaliam situações momentâneas, cenas estanques, experiências isoladas, mas nunca aquilatam a potencialidade da alma.

Assim, todos esses gênios e tantos outros anônimos na Terra, de tempos em tempos surpreendem o Mundo com seu esplendor.

Ninguém melhor do que eles conheceu a palavra obstáculo.

Mas, certamente, não encararam as adversidades, as barreiras, como a maioria de nós ainda as enfrenta.

Onde ainda vemos impedimento, oposição, eles vêem superação, vêem oportunidade.

Oxalá se faça próximo o dia em que possamos olhar para trás, em nossas vidas, após uma grande conquista, e dizer: O Mundo estava errado. Eu fui capaz.

Celebremos a auto-superação sempre que possível.

Instauremos este hábito em nossos filhos desde pequenos, mostrando-lhes que as derrotas fazem parte do caminho, e que, ao invés de nos puxar para trás, quando bem compreendidas, nos impulsionam para frente.

E quando das vitórias, ao invés de erroneamente inflar-lhes o orgulho, fazendo comparações tolas com os outros, lembremos de lhes mostrar que estão melhores do que eram, e que isto é o mais importante.

Redação do Momento Espírita.
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16 fevereiro 2008

Lição Numa Carta - Irmão X

LIÇÃO NUMA CARTA

Ao lado de João Firpo, desencarnado ao impacto do fogo que lhe devorara a casa velha, numa noite de expiação e de assombro, estava a carta, datada por ele quatro dias antes, endereçada a um irmão e que o morto evidentemente deitaria ao correio, na primeira oportunidade.

Enquanto bombeiros improvisados lhe retiravam o corpo inerte e benfeitores da Vida Maior lhe amparavam o Espírito liberto em doloroso trauma, copiei a curiosa missiva que revoava nas cinzas da tragédia, a fim de transmiti-la, com objetivos de estudo e meditação, aos companheiros do mundo.
Eis, assim, na íntegra, o valioso documento:
"Meu caro Didito:
Espero que estas linhas encontrem você com saúde e paz, junto dos nossos.

Graças a Deus, estou bem. Você se afligiu à toa com a notícia de meu resfriado. Tudo não passou de um defluxo de brincadeira. Estou mais forte que a peroba do Brejo Grande, comendo por quatro caboclos na roça. Seja velho quem quiser. Com os meus sessenta e sete janeiros, não passo sem banho no rio e tutu no prato. Moro sozinho porque não nasci para confusão. Dona Belinha vem diariamente fazer-me as refeições, assear a casa e isso chega.

Sobre o caso do sonho que você teve comigo, conforme seu conselho fui à reunião espírita no sítio do Totonho. A mulher dele é médium de verdade. Há muito tempo eu não assistia a uma incorporação tão perfeita. Realmente, mãe falou por ela. Não tenho dúvida. Aquela voz boa e cansada que nós dois não esquecemos. Coitada de mãe! Está preocupada comigo, não sei porquê.

Falou muito sobre a morte, coisa em que não penso. Fiz todos os exames de saúde que o médico recomendou, no mês passado, e tudo deu certo. Positivo. Por outro lado, não viajo. Porque será que a velha mostrou medo de que eu venha a bater a pacuera, de um momento para outro?

Imagine que ela abortou um segredo. Disse coisa séria quanto ao dinheiro que venho guardando para a formação do nosso lar de velhinhos, compromisso antigo. Avalie você que mãe conversou, conversou e, depois, me pediu empregar enorme importância na compra do terreno para a obra, aconselhando-me colocar a parte restante com amigos responsáveis para o custeio na construção.

Considere o meu aperto. Que é que há? Não é fácil entregar assim de mão beijada quase todas as minhas economias de trinta anos. Concordo com a providência, pois temos nosso projeto e promessa há mais de vinte anos. Não negarei os cobres, mas preciso de um mês para pensar.

Terrenos e amigos já estão apalavrados, desde o nosso encontro aqui, há tempos, mas dinheiro, meu caro!... Não posso aceitar o negócio, assim do pé para a mão. Você sabe que a velha sempre foi aflita. Quando queria uma coisa, queria mesmo. Tenho conservado minhas economias com cautela. Não confio em bancos e em mãos dos outros, a grana começa prometendo bons juros e depois cria pernas para correr e cair no buraco. É impossível tratar de problema assim tão grave, sem prazo para refletir. Disse mãe que já tive muito tempo para resolver, mas eu não acho.

Comunico a você que não recusarei a doação; entretanto, o assunto não é sangria desatada. No mês que vem, cuidaremos de tudo.
Sem mais, venha, logo que possa, comer de nosso feijão bravo e receba um abração do mano.
Firpo!"

Esta era a carta que o rico desencarnado tinha escrito e aguardava ensejo para mandar.

O Plano Espiritual lhe havia dado, cinco dias antes, em aviso urgente para a felicidade dele próprio. João, no entanto, exigia prazo a fim de atender. Acontece, porém, que a provação não conseguira esperar. Acontece, porém, que a provação não conseguira esperar.

Um incêndio de grandes proporções no madeiramento da pequena moradia lavrara, noite alta, obrigando-o a largar o corpo sufocado sem remissão.

O dinheiro a que se referira, com tanto carinho, decerto jazeria ali, inteiramente queimado, porque metal não havia.

De interessante nos escombros, apenas a carta que nos pareceu um recado precioso, lançado pelo livro da vida, sobre um monte de pó.

Ditado por Irmão X

Psicografia de Francisco Cândido Xavier