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12 maio 2010

Não Passe Recibo - Momento Espírita

Não Passe Recibo

Em cada momento da sua vida diária, você se verá a braços com desafios que exigirão muita prudência de sua parte, para que não se envolva em situações-problemas, muitas vezes difíceis.

Você sabe que a Terra vem passando por momentos graves em todas as áreas.

A violência tem-se tornado a grande intérprete desses tempos planetários, já que sua proposta é de fácil aceitação pela quase maioria dos humanos nos estágios em que se achem no mundo.

Se você estiver na rua, na condução, no lazer ou mesmo no lar, encontrará diversas pessoas, muitas delas companheiras suas ou familiares, cujos comportamentos, cujas posturas poderão causar-lhe chateações, irritações, capazes de estimular seu lado frágil ou sua intolerância.

Tenha muito cuidado para não ser vítima do seu próprio temperamento.

Exercite-se na conquista da tranqüilidade, acautelando-se contra a ira ou a revolta que podem apanhá-lo desprevenido.

A proposta escusa das equipes de espíritos das sombras é converter a vida social da terra num inferno verdadeiro, no qual cada pessoa não enxergue outra saída para os seus problemas, senão saídas violentas.

Não morda essa isca. Procure manter ou desenvolver sua paciência.

Você ouvirá palavras ditas rudemente e outras, como afiado gume que lhe irão penetrando fina e suavemente, mas cujo objetivo é infelicitar-lhe.

Verá em toda parte arrancadas bruscas de veículos em mãos nervosas.

Ouvirá palavrões estrondeando a sua volta. Deparará a provocação em forma de mau atendimento onde você paga e paga caro por qualquer serviço.

Você faceará a violência da calúnia, do mexerico, da zombaria e do desdém. Aprume-se no pensamento superior. Pense sempre em nível mais alto e não revide, não se deixe enredar.

Quando algo for muito forte para a sua sensibilidade ou para os seus nervos, afaste-se, física ou mentalmente, buscando nos ensinos de Jesus o amparo de que necessite.

Recorde o mestre ao ensinar-nos a "não contender com o mal".

Seja qual for a perturbação que ocorra a sua volta, mantenha-se em paz. Não tema carantonhas, não se agonize com ameaças. Não responda às agressões que serão apenas fogos cruzados. Não passe recibo às violências.

Se você obtiver êxito, sairá ileso desses pântanos viscosos formados pelos psiquismos doentes de "vivos" e "mortos".

Caso morda a isca ao invés de morder a língua, guarde a certeza de que seus destemperos o aproximarão da cadeia, do túmulo ou de inabordáveis remorsos que não o deixarão viver em harmonia.

A determinação das sombras é fazer tombar, é atrasar ou impedir o passo de todos os que demonstrem possibilidades mais nítidas de união com Jesus.

Ore, policie-se, fale e aja da melhor forma, para que, em pleno incêndio moral no mundo, você se mantenha resguardado pela redoma da paz que vem construindo com seus esforços para uma abençoada passagem planetária.

***

O infortúnio que, à primeira vista, parece imerecido tem sua razão de ser, e aquele que se encontra em sofrimento pode sempre dizer: "perdoa-me, Senhor, porque pequei."

Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no cap. 14 do livro "Para uso Diário", ed. Fráter Livros Espíritas.

11 maio 2010

Rumo a Angelitude - Irmão Saulo

RUMO A ANGELITUDE

Nos termos da Doutrina Espírita, do demônio nasce o homem e do homem nasce o anjo. Estamos todos no rumo da angelitude. Nossa humanidade (nossa natureza humana) caracteriza-se pela imperfeição, pelo predomínio dos instintos, pelos resíduos da animalidade ainda atuantes em nossa constituição psicossomática. Mas esses resíduos vão sendo eliminados na lapidação das vidas sucessivas. E como somos conscientes do processo de lapidação a que estamos sujeitos, podemos e devemos ajudar esse processo.

Basta um olhar atento ao nosso redor para verificarmos a realidade dessa concepção. As criaturas humanas estão dispostas numa escala progressiva que vai do bandido ao santo. O malfeitor de hoje será o cidadão honesto do futuro. E este, por sua vez, será o santo de amanhã, dependendo esse amanhã, em grande parte, do esforço evolutivo do interessado. Porque o ser consciente apressa ou retarda a sua própria evolução.

O chamado para o serviço do bem é a oportunidade que Deus oferece à criatura imperfeita para acelerar a sua caminhada rumo à perfeição. Quem não aproveita a oportunidade divina, apegando-se por comodismo ou displicência aos seus defeitos, desculpando-se com as imperfeições naturais que ainda carrega, furta-se ao cumprimento do dever espiritual. Mas as leis da evolução não o deixarão parado por muito tempo. Por isso ensinou Jesus: "Quem se apegar à sua vida perdê-la-á, mas quem a perder por amor a mim salvá-la-á".

O comodista será sacudido e alijado do seu comodismo, mais hoje, mais amanhã, pela vergasta da dor. O sofrimento é tão grande na Terra porque maior é o comodismo dos homens. A seara continua imensa e os trabalhadores ainda são tão poucos! Não somos anjos para ser perfeitos e puros, mas trazemos em nós as potencialidades da angelitude. Se não acelerarmos a nossa lapidação pelo serviço, o lapidário oculto - e que está oculto em nós mesmos - agirá como convém para completar a sua obra.

Por Irmão Saulo
Do livro: Na Era do Espírito
Médium: Francisco Cândido Xavier e J.Herculano Pires

10 maio 2010

Mediunidade e Psicoterapia - André Luiz

MEDIUNIDADE E PSICOTERAPIA

Os médiuns, como elementos de ligação entre a vida espiritual e o plano físico, serão sempre solicitados a dar uma palavra orientadora nas questões multiformes que afetam as pessoas que os procuram. Daí a indicação de exercitarem alguns princípios de psicoterapia e relações humanas.

A intensa vida moderna na Terra generalizou a carência de roteiros, planos, programas e observações para as criaturas deprimidas, tímidas, cépticas, recalcadas e frustradas em geral.

Com você, que inicia o esforço na tarefa mediúnica, seja pelo passe, pela psicofonia, pela psicografia ou nas formas variadas de assistência aos sofredores da alma e do corpo, estudemos algumas atitudes que favorecem a manifestação das Entidades amigas, no auxílio a terceiros, pelo conselho simples e natural.

Paciência e perseverança no bem devem estar conjugadas constantemente em sua presença e expressão.

Não demonstre estranheza ou perplexidade ante as revelações ouvidas, para que não esmoreça a confiança do coração que se abre a você.

Predisponha-se, com todos os recursos do seu campo mental, à simpatia pelos irmãos que lhe pedem opinião, sem mostrar-se superior.

Cultive invariável atenção perante as confidências alheias, testemunhando maior interesse afetivo pela solução aos problemas do interlocutor seja ele quem for.

Envide esforços para que a criatura exponha em pormenores e calmamente o caso que lhe motiva a preocupação, afim de que você possa ajudá-la, através de mais ampla visão dos fatos.

Evite julgar ou censurar precipitadamente a quem se confia a você, mesmo com reprovações inarticuladas.

Restrinja as indagações aos assuntos e momentos absolutamente necessários.

Pesquise os postulados básicos do Espiritismo, argumentando com as ocorrências em exame sob o crivo do discernimento espírita e exaltando a responsabilidade pessoal ante a existência eterna.

Sempre que possa, indique um núcleo de serviço espiritual compatível com as afinidades e necessidades da pessoa que comparece à busca de concurso fraterno.

Resguarde em segredo aquilo que não deva ser revelado, mantendo discrição e respeito para com todos os irmãos em experiência.

Jamais force resoluções taxativas, neste ou naquele sentido, mas exponha os vários caminhos possíveis, com as suas conseqüências prováveis, e deixe o livre arbítrio dos companheiros escolha o que mais lhes convenha.

Sustente equilíbrio, entendimento e bondade em suas manifestações, para que a autoridade moral e espiritual lhe favoreça o trabalho.

Leia constantemente para melhorar seus processos de análise das almas e suas técnicas de expor as soluções mais justas, conforme o seu modo de entender.

Sobretudo, saiba que são inimagináveis as possibilidades de socorro de um encarnado confiante no Alto e consciente de seus recursos íntimos, quando ligados aos Bons Espíritos que nos estendem a inspiração e o amparo da Vida Superior.

Pelo Espírito André Luiz
Do livro: Estude e Viva
Médiuns: Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira

09 maio 2010

Mater - Carlos Bittencourt

MATER

Ei-la!...- senhora e serva, entre humana e divina,

Por mais a dor, por dentro, a espanque ou despedace,

Carreia a paz no gesto e o sorriso na face,

Fala e desvenda o rumo, abençoa e ilumina.



Anjo renovador, tem no lar e no trabalho a oficina,

Onde o serviço exclui grande parte do prazer mendace,

Ao seu toque de luz, a esperança renasce,

Suporta, recompõe, trabalha, sofre, ensina.



Mãe, um dia, quis Deus mostrar-se à vida humana,

Fez-te santa e mulher, escrava e soberana,

Vinculada nos Céus, de homenagens prescisdes!...


Por: Carlos Bittencourt (espírito)
Psicografia de Francisco Cândido Xavier
Livro: Mãe

08 maio 2010

Desajustados - Meimei

DESAJUSTADOS

São muitos em toda parte.

Mulheres devotadas trazem nos braços filhos desprotegidos que lhes foram entregues por determinados amigos que as deixaram a sós, desapercebidos das dificuldades de que se reconhecem cercadas, a fim de criá-los com segurança.

Criaturas sensíveis e leais abraçaram obras de elevada significação para os interesses comunitários, depois de se entregarem a companheiros que supuseram fiéis aos compromissos que assinam, encontram-se repentinamente abandonados por eles, quando mais necessitavam de apoio.

Jovens sozinhos que custeiam com sacrifício longos tratamentos das genitoras desorientadas e enfermas, sem a presença dos pais que os largaram nos labirintos do mundo.

Viúvas, moças e valorosas, que choraram sobre os maridos que a morte lhes furtou à convivência, obrigadas a trabalho difícil para a manutenção de pequeninos necessitados.

Essa aceitou atividades remuneradas, em setores que a revestem com todas as aparências de uma pessoa em desequilíbrio; e aquele outro buscou o amparo de alguém que lhe evite a falência nos deveres que desenvolve a benefício de muitos, expondo-se ao julgamento errôneo de quantos ainda não passaram pelo fogo do sofrimento.

Lembra-te: na retaguarda de quantos se observam lesados nas próprias forças existem sempre os autores das tribulações que carregam.

Se não podem oferecer-lhes auxílio e sustentação, não lhes censures a existência, marcada de aflições que nunca experimentaste no lar sem lágrimas.

Semelhantes criaturas guardam consigo o mérito de não haverem fugido às próprias obrigações, quando tudo as induzia ao desespero e ao esmorecimento.

Ante os desajustados da Terra, respeita-lhe o caminho e silencia quando não lhes consigas compreender as lutas entremeadas do pranto que desconheces.

Em verdade, hoje choram e sofrem, mas surgirá um dia em que serão abençoados e erguidos pela defesa de Deus.

Paciência e amor são os medicamentos da alma, capazes de curar qualquer relacionamento enfermiço.

Nem sempre conseguirás beijar a mão que te fere, mas, em qualquer tempo, dispões da possibilidade de oferecer-lhe a benção da tolerância.

Pelo Espírito Meimei
Do livro: Palavras do Coração
Médium: Francisco Cândido Xavier

07 maio 2010

Contrastes - Joanna de Ângelis

CONTRASTES

Corredores e salas suntuosos, abarrotados de arte, representando a composição e a técnica representativos da beleza dos tempos, somando quilômetros de encantamento e poder, contrastam, não obstante, com a paisagem sórdida dos guetos e favelas, onde milhões de criaturas se exaurem, pela fome e pela enfermidade, sob o impositivo da ausência de parcas moedas que lhes diminuiriam a miséria e a dor.

Museus refinados, exibindo jóias e ourivesaria caprichada, em inumeráveis espaços, retratam a força e a glória das gerações passadas, embora a orfandade e o abandono juvenil, que, padecendo de penúria, são armados pelo ódio e pelo descaso que sofrem, para a delinqüência e a loucura.

Cofres fortes, atulhados de moedas e barras de ouro, ocultando gemas de valor incalculável, que não vêem a luz do Sol, ao mesmo tempo em que a necessidade, corrompendo e malsinando milhões de vidas, que são destruídas pela abjeção em que se encontram, esquecidas pela abastança e pela fortuna.

Luxo em excesso, pregando renúncia.

Poder desmedido, ensinando submissão.

Egoísmo enfermiço, propondo fraternidade real.

Orgulho em demasia, convocando à humildade.

Este é um mundo de contrastes, de imperfeições!

Não bastassem as situações antípodas, chocantes, e, ao lado de tanta grandeza, aumenta a ferida purulenta, em chaga viva, dos vícios e licenças morais, amesquinhando e contaminando outras vias que apenas começam.

Ante o deslumbramento que produzem a arte a grandeza, que vês em toda parte, não feches os olhos à dor e à sordidez que se abraçam e passeiam em tua frente.

Depois de visitares o luxo e o refinamento em que vivem os triunfadores de breves momentos, não ignores a presença dos desditosos e miseráveis que enxameiam em todos os sítios.

Uns são as causas dos estados dos outros, isto é: os excessos de alguns produzem a escassez, e o acúmulo em poucas mãos responde pela ausência do necessário em verdadeiras multidões.

Aprende a lição que a vida te ministra nestes contrastes.

Ninguém escapa à morte do corpo. Aqueles detentores que pareciam eternos envelheceram, enfermaram e morreram como os seus vassalos escravos.

Os opulentos e os miseráveis morrerão, deixando tudo.

Nivelar-se-ão no túmulo, embora a diferença exterior de que se revistam as tumbas.

Deixarão tudo o que detêm e o que lhes faz falta...

Mas, voltarão à Terra. Talvez, conforme viveram, invertam-se as posições.

Antigos reis, chefes de Estados, ministros, prelados e religiosos, chefes de Igrejas, acumuladores dos tesouros que geraram miséria
de milhões, hoje mendigam à porta dos seus antigos palácios e templos, enxotados, de quando em quando, pelos novos detentores, iguais a eles outrora, enganados.

Donatários e poderosos voltaram, mas, sequer, podem olhar o que antes lhes parecia pertencer. Uns fazem-se ladrões e tentam recuperar, na
insânia em que ainda se debatem, o que supõem pertencer-lhes. Outros, tornam-se guardas de salas e corredores, vigiando as jóias frias, as
estátuas mortas que os não vêem, mas que eles prosseguem cuidando, avaros e infelizes.

É o mesmo mundo de contrastes.. .

Jesus, o ímpar amante da beleza, fez, porém, do homem, o mais grandioso altar e, da Natureza, o templo augusto, onde o amor é o tesouro mais poderoso e mais fácil de ser adquirido, para quem deseja viver, realmente, a Eternidade, sem contrastes, nem equívocos.

Pelo Espírito Joanna de Ângelis
Do livro: Roteiro de Libertação
Médium: Divaldo Pereira Franco - Editora Leal

06 maio 2010

A Terra - Emmanuel

A TERRA

A Terra é um magneto enorme, gigantesco aparelho cósmico em que fazemos, a pleno céu, nossa viagem evolutiva.

Comboio imenso, a deslocar-se sobre si mesmo e girando em torno do Sol, podemos comparar as classes sociais que o habitam a grandes vagões de categorias diversas.

De quando em quando, permutamos lugar com os nossos vizinhos e companheiros.

Quem viaja em instalações de luxo volta a conhecer os bancos humildes em carros de condição inferior.

Quem segue nas acomodações singelas, ergue-se, depois, a situações invejáveis, alterando as experiências que lhe dizem respeito.

Temos aí o símbolo das reencarnações.

De corpo em corpo, como quem se utiliza de variadas vestiduras, peregrina o Espírito de existência em existência, buscando aquisições novas para o tesouro de amor e sabedoria que lhe constituirá divina garantia no campo da eternidade.

Podemos, ainda, filosoficamente, classificar o Planeta, com mais propriedade, tomando-o por nossa escola multimilenária.

Há muitos aprendizes que lhe ocupam as instalações, na expectativa inoperante, mas o tempo lhes cobra caro a ociosidade, separando-os, por fim, de paisagens e criaturas amadas ou relegando-os à paralisia ou à cristalização, em largos despenhadeiros de sombra.

Outros alunos indagam, dia e noite...e, com as perquirições viciosas, perdem os valores do tempo.
Imaginemos um educandário, em cuja intimidade comparecessem os discípulos de primária iniciação, exigindo retribuições e homenagens, antes de se confiarem ao estudo das primeiras lições.

O menino bisonho não poderia reclamar esclarecimentos, quanto à congregação que dirige a casa de ensino onde está recebendo as primeiras letras.

E, ante a grandeza infinita da vida que nos cerca, não passamos de crianças no conhecimento superior.

Vacilamos, tateamos e experimentamos, a fim de aprender e amealhar os recursos do Espírito.

Compete-nos, assim, tão-somente, um direito: - o direito de trabalhar e servir, obedecendo às disciplinas edificantes que a Sabedoria Perfeita nos oferece, através das variadas circunstâncias em que a nossa vida se movimenta.

Ninguém se engane, julgando mistificar a Natureza.

O trabalho é divina lei. Pesquisar indefinidamente, na maioria das vezes é disfarçar a preguiça intelectual.

A vida, porém, é ciosa dos seus segredos e somente responde com segurança aos que lhe batem à porta com o esforço incessante do trabalho que deseja para si a coroa resplandecente do apostolado no serviço.

Do livro “Roteiro”
Por:Emmanuel
Médium: Francisco Cândido Xavier

05 maio 2010

Sacrificas-te? - Camilo

SACRIFICAS-TE?

Por certo supões que os Poderes Celestes olvidaram-te, na marcha áspera em que te encontras.

Certamente, imaginas quer os teus sofrimentos, tuas lutas, teus suores são os mais ácidos achados pelas humanas rotas.

Não se faz necessário grande esforço para demonstrar que te encontras equivocado, se pensas dessa forma.

Nunca te esqueças de que Deus não adormece e Suas Leis, perfeitas em todos os níveis consideradas, e, por isso, estás exatamente onde deve estar, com quem precisas estar e como desejas ficar, tendo em vista que os teus esforços por fazer o melhor e ser feliz, estão atrelados aos fatores causais que detonaste em tempos mais ou menos distantes.

Por que te sentes aturdido, como se uma grande desolação estivesse a minar as tuas estruturas íntimas? Sentes-te sacrificado na cruz de pesados deveres, dos quais não consegues te afugentar.

Medita, então, sobre o teu caso.

Partindo do princípio de que o Criador é a Absoluta Perfeição, o que te ocorre, embora tenhas tu mesmo motivado, ocorre sob o olhar desse Criador, pela mesma razão porque te respeitou a liberdade de ação, traçando os rumos de tua evolução, mais ou menos lenta.

Diante dos teus olhos e perante a tua sensibilidade desfilam:

- esposos, cobradores incorrigíveis, a te exigirem cada dia mais sacrifícios, como se vivessem para perturbarem-te;

- filhos cruéis, desatenciosos, que, apesar do melhor que lhe deste, especializam-se em fustigar a tua alma cotidianamente;

- irmãos consangüíneos que, por razões várias, foram postos sob os teus cuidados, e, ante a necessidade de orientá-los, mantê-los, amá-los ou suportá-los, apesar de inúmeras vezes somente receberes ingratidão, desconsideração e exigências;

- amigos das linhas sociais, tanto quanto colegas de profissão, operando nas mesmas oficinas, passam a pesar sobre os teus ombros em processos de inumana competição, como se fossem inimigos encarniçados disputando, violentamente, os palmos do espaço social e profissional onde se acham;

- renúncias, quase sempre, a muitas coisas que gostarias de fazer, de usufruir, a fim de remanejares os recursos em benefício dos que te rodeiam como dependentes dos teus afetos e dedicações, sem que isso redunde na melhoria deles, que agem como se tu não fizesses mais do que a tua obrigação...

Medita, pois, medita.

Sacrificas-te?

Sim, sem dúvida.

Mas, retornando as concepções da perfeição divina, compreenderás que estás desenvolvendo a muita gente aquilo que deves, desde tempos pretéritos, a muita gente.

Porque te embrenhaste pelos matagais da irreflexão e dos desatinos, no passado, deves, agora, apoiar-te ao bordão da coragem, da confiança da Providência Maior para que te quites com a Lei, retomando os passos da renovação.

Assim, não te agastes com os sacrifícios que tenhas que fazer.

Unge-te com os ensinos de Jesus Cristo.

Ajusta-te à oração contrita e balsamizante.

Reveste-te de paciência para com os que te impõem duros testemunhos.

Trabalha, disposto a ressarcir e crescer, na convicção de que o final desses embates pode já estar próximo.

Não te esqueças de que sacrificar significa fazer sagrado, como indicam as bases latinas. Transforma, então, tuas lutas, dificuldades e lágrimas, em sagrada oferenda à Vida, a tua vida, para que, logo mais, te libertes da tua dúvida e te enriqueças com os legítimos valores da fé e do trabalho regenerador.

De "Revelações da Luz"
Médium: J. Raul Teixeira
Pelo espírito Camilo

04 maio 2010

Palavras de Luz - Tereza D'Avila

PALAVRAS DE LUZ

Por muito se adiante a Alma no tempo, há sempre tempo para que a Alma reconsidere a estrada percorrida, abastecendo-se de esperança no amor daqueles a quem ama, assim como viajante no mar provê a si mesmo de água doce, a fim de seguir à frente.

“Há tempo de semear e tempo de colher”- diz-nos a experiência na Escritura.

E se juntos partilhamos a promessa, não seria justo olvidarmo-nos uns aos outros no dia da realização.

“Deixai crescer reunidos o trigo e o joio, ate que venha a ceifa”- recomendou por sua vez o Senhor.

Entretanto, a palavra de Sua sabedoria não nos inclina à indiferença. E, lembrando-a, não curamos de ser o trigo porque hoje nos vejamos fora do escuro sedimento da carne e nem insinuamos sejais vós o joio por permanecerdes dentro dela.

Recordamos simplesmente, que todos trazemos ainda no campo das próprias Almas o joio da ilusão e o trigo da verdade, necessitados da mercê do Celeste Cultivador.

Irmãos, não é apenas por regalar-se o espírito na confiança que se lhe descortinarão as portas da Vida glorificada, mas sim por se lhe acendrarem o conhecimento e a virtude, através do trabalho bem sofrido e da caridade bem exercitada.

Outrora, buscávamos a Paz na quietude do claustro, na suposição de que a vitória pudesse brilhar a distância da guerra contra as nossas próprias faltas, e disputávamos a posse do Santo Sepulcro do Excelso Rei, ao preço de sangue e lágrimas dos semelhantes, como se lhe não devêssemos o próprio coração por escabelo aos pés Divinos.

Hoje, porém, dispomos de suficiente Luz para o caminho e não seria lícito permutar o Pão da Sabedoria pelo fel da loucura.

Enquanto os séculos de sombra e impenitência se escoam no pó do mundo, preparai nesse mesmo pó, erigido em tabernáculo de carne, os séculos futuros, em que nos reuniremos de novo para a exaltação do triunfo Eterno.

Enalteçamos o sacrifício, aprendendo a renunciar para possuir, a perder para ganhar e a morrer para viver.

Por algum tempo ainda padeceremos o cativeiro das nossas culpas e transgressões, mas, em breve, aceitando o trilho escabroso e bendito da cruz, exaltaremos, diante da Majestade Divina, a nossa libertação para sempre.

Que o Senhor seja louvado.

Pelo Espírito Teresa D’Ávila
Do livro: Instruções Psicofônicas
Médium: Francisco Cândido Xavier - Espíritos Diversos

03 maio 2010

Humildade - Cenyra Pinto

HUMILDADE

Humildade é simplicidade, é naturalidade.

Muitos interpretam humildade como pusilanimidade ou frouxidão de caráter. Os que assim pensam estão muito longe da verdade.

Ser humilde não é ser covarde, não é se aviltar nem rastejar. É apenas ser simples.

Certas pessoas, para atestar a sua humildade, se dizem insignificantes, esquecidas de que esse sentimento depressivo a seu próprio respeito entorpece e anula qualquer atividade sua. A sugestão é algo importante na nossa vida, e aquele que se deprecia, vai-se convencendo da sua incapacidade, perdendo, assim, o estímulo para qualquer investimento.

Se a própria pessoa se desvaloriza, se amesquinha diante dos outros, como esperar que alguém lhe dê qualquer incumbência de responsabilidade?

"A justiça começa por casa", diz um sábio rifão.

Ninguém é insignificante; todos têm seu valor. Cada um deve procurá-lo dentro de si e fazê-lo viver.

A parábola do óbolo da viúva, por exemplo, nos mostra o valor da ação sincera, embora aparentemente insignificante. Ela ofereceu o que possuía e o fez com amor.

Segundo o Mestre, não seremos julgados, no tribunal divino, pelo número de talentos que nos foi confiado, mas pela fidelidade na sua aplicação.

A tragédia mais pungente é a do talento que se perde por força de uso. E deixa de ser usado pela carência de esforço, de uma vontade resoluta.

Ser humilde é proceder como a viúva da parábola: fazer aquilo que estiver ao nosso alcance, o melhor que pudermos, com todo o nosso amor, para que o talento que nos foi confiado se multiplique.

Saibamos que da contribuição fiel de cada um de nós é que a evolução segue a sua trajetória. Contribuição consciente e perseverante.

Pode-se ser humilde e austero ao mesmo tempo, pois a humildade não nos compele a deixarmos as coisas erradas ao nosso lado, sem ajudarmos com a energia que se fizer necessária para consertar esses erros.

A humildade é ativa e vigilante porque conhece a sua missão.

Humildade, pois, é ausência total de vaidade e desligamento das coisas transitórias da Terra; é libertação integral.

Do livro "Vem..."
de Cenyra Pinto

02 maio 2010

Obra do Amor - Bittencourt Sampaio

OBRA DO AMOR

A bandeira de luz, desfraldada por Ismael, no Brasil, não convocou em vão os servos de Cristo ao trabalho da concórdia e do amor.

A revivescência do Evangelho abre a porta dos corações aos Espíritos do Senhor; e as realizações cristãs, como sementeiras abençoadas do Celeiro Divino, surgem como elevados tentames dos cooperadores humanos em luta com o joio do mundo velho.

Por vezes, as iniciativas são vacilantes e o esforço dos que se propõem à edificação sofre limitações que circunscrevem os cometimentos no campo material, entretanto, ao influxo de Ismael, compreendemos mais cedo, no Brasil, que a Doutrina Consoladora não se reduz a simples órgão de experimentação científica ou de reajustamento filosófico, nos quartos do conhecimento humano.

Por mercê do Senhor, reconhecemos que a sua messagem sublime consubstancia o apelo generoso do Céu para que a luz divina resplendeça na Terra, o convite de mais alto para que o planeta se integre no Reino de Deus.

Daí, o característico religioso dos nossos trabalhos, a substância sublime do nosso depósito espiritual.

Com semelhante assertiva, não menosprezamos o racionalismo. Destacamos apenas a prioridade do serviço redentor do sentimento.

No coração permanece a seiva da vida. E é necessário purificar a seiva para que o fruto regenere e alimente.

O objetivo fundamental de Jesus, em seu apostolado terrestre foi sempre o homem.

“Levanta-te e anda”.
“A tua fé te salvou”.
“Não temas”.
“Segue-me tu”.

Seus apelos diretos ao coração ressoam na esteira dos séculos.

Não possuímos outra base para construir o mundo melhor, e as Forças Divinas não se aproximam de nós com o fim de arrebatar-nos a esferas superiores que não merecemos ainda, mas, sim como embaixadas de colaboração excelsa, de modo a concretizarmos o paraíso que nos será próximo.

Solucionemos os problemas exteriores da vida, estudemos os fenômenos da evolução, recorramos à análise no aprimoramento intelectual necessário, mas convertamo-nos, antes de tudo ao bem, fazendo-nos melhores, engrandecendo a vida e o mundo a que fomos chamados.

Diante da civilização perturbada e empobrecida pelos abusos do poder, pela extensão do egoísmo e pelos desvarios da inteligência materialista, temos nós os cooperadores do Espiritismo Evangélico, gigantesca tarefa de reconstrucão, iniciada a; mais de meio século.

Dádivas sublimes do Mestre constituem nosso crédito na atualidade. E, recebendo excessivamente da Divina Bondade, é lícito sejamos convocados a maiores testemunhos.

Dilatemos, em vista disso, nossa capacidade receptiva e iluminemos o santuário de nossa compreensão para que o Senhor se valha de nós como seus instrumentos.

É razoável que as interpretações se diferenciem na exposição das afirmativas individuais.

Nas tetras sagradas, a escada de Jacob não é símbolo inútil.

Cada ser descortinará o horizonte, segundo a posição em que se encontre na jornada ascendente do Espírito. Instalemos, desse modo, o Reinado de Deus em nós mesmos, respondendo aos títulos da confiança que nos foi conferida.

Ainda que estejamos aparentemente distanciados uns dos outros no setor das definições doutrinárias, encontramo-nos substancialmente identificação na mesma realização, porque somos discípulos imperfeitos do mesmo Mestre e humildes servos do mesmo Senhor.

Reunidos em espírito, sob o estandarte, de Ismael, atendamos ao chamado divino, compreendendo que não fomos trazidos ao campo de trabalho para as inutilidades da casuística, mas, para as atividades sublimes de auxílio, fraternidade e entendimento, na obra infinita do amor.

Pelo Espírito Bittencourt Sampaio
Do livro: Comandos do Amor
Médium: Francisco Cândido Xavier

01 maio 2010

Marcas Morais - Joanna de Ângelis

Marcas Morais

O ser humano, ao comprometer-se perante as leis divinas, fica assinalado por marcas que se lhe fixam, difíceis de ser removidas, mesmo quando superados os equívocos e integrado no conceito harmônico da sociedade, como permanente advertência para não mais incidir nos mesmos equívocos.

São esses sinais psicológicos que facultaram ao nobre neurologista suíço Jung os estabelecimentos dos arquétipos (marcas antigas), com os quais construiu a sua doutrina libertadora de muitos conflitos e de valiosas outras contribuições para o equilíbrio do Espiritismo na sua aljube carnal.

O erro,o vício, o ato criminoso encontram-se carregados de emoções que levam a sua vítima a situações embaraçosas durante muito tempo.

Ansiedade, culpa, medo são algumas das emoções que se manifestam após o comprometimento, assinalando no inconsciente a necessidade da liberação da mácula, mediante a sua diluição que se torna exequível pelas realizações iluminativas que se encontram ao alcance de todo aquele que deseja harmonia e saúde.

Desde o momento que ocorreu a fissão da psique, esquematizando as forças do Bem e do Mal e de todos os fenômenos antípodas, o discernimento passou a sofrer o assédio do ego para permanecer nas posturas cômodas do prazer, sem a indispensável renovação espiritual que faculta a sua diluição no self.

A atração da felicidade promove o esforço do ser para vencer os impulsos ancestrais que se insculpiram no cerne da vida, oferecendo os valores morais para consegui-lo.

Acepção do que é correto e pernicioso proporciona a opção por tudo aquilo que favorece com harmonia, abrindo um imenso elenco de trabalho com as ferramentas do amor, que passa a inspirar o comportamento.

Adquirida a consciência de que somente as ações corretas promovem o Espírito, mesmo quando pratica o erro, sente a náusea da permissividade que se permitiu e aspira pela correção imediata, fortalecendo e favorecendo os propósitos de elevação que se assinala com outras marcas, que expressam dignidade e evolução.

O longo período do primarismo condiciona o ser profundo à repetição das velhas fórmulas, que já não lhes satisfazem, porque havendo conhecido o lado superior do comportamento rico de emoções sem tormentos, não mais se tranquiliza nas atitudes antigas.

De tal forma se expressam esses sentimentos, que eles próprios possuem as forças necessárias para as mudanças, às vezes, assinaladas pelo sacrifício e pela renúncia.

A conversão do sentimento, portanto, ocorre na esfera íntima do ser humano, que passa a descondicionar-se dos hábitos perniciosos, gerando outros, que não são enobrecidos.

Felizes daqueles que podem assinalar-se por marcas que mudam de significado no transcurso da mesma existência.

Quando se pronuncia o nome Judas Iscariotes, logo a marca da traição é a marca mais visível da sua personalidade atormentada, embora muitas ações honestas e saudáveis que foram praticadas antes e depois do ato ignóbil.

Referindo-se a Simão Pedro, o apóstolo Galileu, a marca do negador é acionada rapidamente, apesar da sua posterior entrega total a Jesus até a sua morte estrênua na cruz de cabeça para baixo...

Evocando-se o nome de Maria de Madalena, a sombra da conduta irrefletida e insensata envolve-a, nada obstante a renovação moral que se impôs de tal maneira elevada, que lhe facultou ser a primeira testemunha da ressurreição.

Qualquer referência a João Evangelista e ei-lo identificado como o discípulo amado, em razão da sua afetividade.

Felizmente, alguns deles conseguiram novas marcas defluentes dos esforços de renovação que se transformaram em heroísmo e abnegação.

De igual maneira, qualquer personagem que se tornou célebre ou não no cenário terrestre, permanece assinalada pelo ferrete da alucinação que se permitiu ou pelo sinal de enobrecimento que lhe tipificou a existência.

Essas marcas exteriores também se encontram no psiquismo do indivíduo, muitas vezes, atormentando-o, embora inconscientemente, em especial, quando gera culpa e, por consequência, necessidade de reparação.

De igual maneira, aquelas da elevação moral transformam-se em estímulos, valiosos para o prosseguimento no esforço de autoiluminação.

O ser humano é um conjunto de experiências que lhe formam o caráter, a personalidade, impulsionando-o ao avanço, quando são nobres essas realizações, ou fazendo-o momentaneamente estacionar no sofrimento, na repetição da atividade até liberar-se do conflito culposo.

Essencialmente, é o Espírito que armazena os valores de ordem psíquica necessários ao crescimento interior e a conquista do espaço das oportunidades de bem servir.

Nisso, residem-lhe as conquistas inalienáveis que se transferem de uma existência para outra, favorecendo-o com o enriquecimento interno.

Todos os conflitos, portanto, que afetam ao ser humano, resultam das suas marcas morais que, negativas, aguardam a diluição pelo antídoto dos comportamentos relevantes que mantém, e quando positivas, auxiliando-o na ascensão interior...

* * *

Tem em mente que os teus atos possuem a força de assinalar-te psicologicamente, refletindo na emoção a qualidade das ações perpretadas.

O idealista que supera as condições negativas em que se encontra, obstaculizando-lhe a realização dos anelos que se faz portador, traz as marcas dos tentames anteriores que se concretizaram ou não, mas que lhe constituem motivo básico para a existência.

Os interesses da atualidade, de igual maneira, irão deixar os sinais correspondentes que lhe programarão os comportamentos do futuro.

Assim sendo, permite-te assinalar pelas marcas do Cristo, que são a bondade e o amor, a mansuetude e a caridade, enriquecendo-te de bênçãos de harmonia e de felicidade ainda nesta existência corporal.


Joanna de Ângelis

Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, na tarde de 26 de maio de 2009, em Berlim, Alemanha

30 abril 2010

A Importância da Educação - Raul Teixeira

A Importância da Educação

Há uma questão fundamental, na vida da sociedade, que tem sido alvo de muitas discussões, tanto em nível de família, em nível governamental, em nível geral. Essa questão é a que se relaciona à educação. Ninguém pode imaginar que uma sociedade se construa e se mantenha em boas bases, longe dos princípios educacionais.

Mas, o que temos visto costumeiramente é que a educação não tem sido bem trabalhada, bem desenvolvida por aqueles responsáveis por ela. Exatamente por uma deficiência básica, uma questão conceitual. O que se vem chamando de educação? O que é que nós entendemos por educação? O que as classes sociais admitem seja a educação?

A partir dessa questão conceptiva, todas as coisas começam a ganhar mais ou menos expressividade. Quando pensamos em educação, costumeiramente pensamos em instrução. As tradições culturais norteamericanas e europeias trataram de chamar de educação ao aprendizado intelectual.

Uma criatura muito bem instruída, dizia-se e afirma-se, ainda hoje, que é muito bem educada. Por terem estudado nos melhores colégios, por terem tido excelentes professores, por terem feito bons cursos, diz-se que essas pessoas têm ou tiveram uma boa educação.

Não resta dúvida que a questão educacional passa por esse viés instrucional, mas educação não é propriamente a instrução. Se a instrução representasse a educação, a Humanidade estaria um pouco melhor. Mas há dúvidas relativamente a isso exatamente porque, quando se fala em educação, se está referindo a essa arte ou a esse ofício de plasmar o caráter dos indivíduos.

Sempre que se trabalha o caráter das pessoas se está trabalhando a sua educação. Educar é a arte de moldar ou de formar os caracteres. Se se pensa a partir disso, temos que admitir que teremos boa educação e teremos má educação.

Se é a arte de formar o caráter dos indivíduos, encontramos indivíduos cujo caráter é muito mal formado. Ele foi educado para isso, recebeu implementos para isso, obteve incrementos para isso. Uma criança mal educada quase sempre nós dizemos que é sem educação. Ninguém é sem educação. Pode ter uma má educação mas tem educação.

É aquela criança que foi recebendo no seu habitat, no seu meio ambiente, de seus pais, dos adultos, das pessoas que com ela conviveram esses elementos que reforçaram as deficiências próprias. Cada vez que um pai, que uma mãe diga para o seu filho: Não me traga desaforo para casa, se apanhou bata também, está criando um violento deseducado. Não me traga desaforos para casa é crucial porque seria importante que os pais dissessem: Traga para casa, porque em casa conversamos, dialogamos, explicamos e desaguamos as pressões, as tensões daquilo que se viveu na rua.

Os antigos diziam que Quando um não quer dois não brigam. Essa é uma verdade. Então, é muitíssimo importante que verifiquemos que essa criatura violenta, muitas vezes aprendeu a ser violenta na contextualidade da sua família ou do seu grupo social.

São muitos os pais que ensinam aos filhos a tirar vantagem de tudo, a explorar as pessoas parvas, as pessoas tolas. Isso começa de casa, quando os próprios pais contratam servidores domésticos de baixo nível intelectual para lhes pagar salários de fome. A criatura trabalha como um boi ladrão, trabalha como um animal de tração e ganha salários de fome. Essa exploração, que as crianças vão aprendendo, desde sua própria casa, é deseducação ou, se quisermos, uma má educação.

Estaremos formando os nossos pequenos, nossos jovens para que sejam adultos exploradores. Daí começarmos a pensar, a refletir maduramente na importância do fenômeno educativo. Jamais teremos uma sociedade bem posta, jamais encontraremos uma sociedade bem estruturada, bem ordenada sócio- politicamente, sócioeconomicamente, sócio-políticoeconomicamente, longe das bases da educação.

* * *

A partir do momento que se der atenção ao fenômeno educacional, começaremos a plasmar uma nova estrutura da sociedade. Os nobres guias da Humanidade estabeleceram que, enquanto as instituições não mudarem seus valores estruturais, não adotarem posturas éticas, ético-morais de boa qualidade, será muito difícil que a Humanidade se modifique, uma vez que tudo conspira para manutenção do egoísmo.

A fim de que o egoísmo bata em retirada e que possamos pensar numa sociedade plural, com pessoas diferentes, de variados níveis, de variadas culturas, de múltiplos interesses, ao respeitarem-se reciprocamente, o fenômeno educacional ter-se-á implantado.

Uma das grandes deficiências do processo educativo está no educador. O educador, seja pai, mãe, professor, seja quem for é uma pessoa que carrega em si seus próprios conflitos, suas aberrações, suas insanidades, suas perversões. É muito difícil não deixar que essas coisas vazem, no momento ou durante o processo em que se elabore a educação.

Como é que se vai educar crianças ou jovens sem que esses valores estejam devidamente assentados na sua própria intimidade? Quando se falar para a criança ou para o jovem a respeito desses elementos educativos não se falará com verdade, não se falará com convicção, não se terá a crença necessária para que o ouvinte admita e assimile.

Será fácil para o educando ler na voz, na tremura da voz, no desvio do olhar do educador que aquilo que ele está propondo, aquilo que ele está falando, aquilo que ele está dizendo, não corresponde à verdade. Daí, a educação precisar trabalhar desde a figura do educador para que haja transparência na relação educador - educando, para que haja verdade, uma vez que temos entregue aos nossos jovens, às nossas crianças uma herança discurso muito bonita porque todos os governantes candidatos falam na grandeza, na importância da educação.

Ainda que eles estejam pensando na escolaridade, ainda que estejam admitindo essa educação escola, ainda assim é um discurso vazio porque eles não acreditam que a educação valha, porque uma vez que as comunidades estejam bem educadas nunca mais votarão neles. Uma vez que as comunidades estejam devidamente bem formadas, não aceitarão as falcatruas, as corrupções, toda essa vilania que estamos encontrando no mundo, nas estruturas sócio- políticas, econômicas, religiosas a que temos acesso.

É muito importante o fenômeno da educação, mas a educação mais eficaz não pode ser admitida, não pode ser tida como um mero verniz social. Não é educada a pessoa que fala manso, que dobra o pescoço para falar, que tem um monte de maneirismos, de trejeitos, de salamaleques ou de mis em scène.

Essa é uma pessoa maneirosa. A pessoa educada é aquela que vive de maneira educada, que imprime essa boa educação à sua vida, à sua relação com seus filhos, à sua relação com seu esposo, à sua relação com a família como um todo e, gradativamente, à sua relação com a sociedade.

É muito triste, é lamentável mesmo encontrarmos pessoas bem formadas academicamente, intelectualmente, mas que dizemos que tem pavio curto. Elas não conseguem ouvir nenhuma discordância, são incapazes de suportar alguém que não as aplauda, que não lhes apoie as ideias.

Não adianta ter uma boa cultura acadêmica se não consegue fazer bom uso dessa cultura acadêmica. Daí encontramos médicos, pneumologistas tabagistas! Como é que ele passa a verdade para o seu paciente ao pedir-lhe para que pare de fumar?

Encontramos pessoas que dão classe de moral, cuja língua é uma verdadeira chibata do comportamento alheio, da vida alheia. Encontramos pessoas que têm um discurso completamente alienado, distanciado do curso de sua vida.

A importância da educação é que para que banhemos o outro com as suas águas cristalinas é indispensável que nos banhemos primeiro. A educação é profundamente importante, por isso precisamos enfatizar que, sem as bases de uma educação - mudança de comportamento, uma educação que nos ensine a viver na Terra e a nos relacionar com os outros, muito dificilmente a nossa sociedade encontrará o desfecho feliz a que faz jus e que espera.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 159, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná. Programa gravado em julho de 2008. Exibido pela NET, Canal 20, Curitiba, no dia 21.02.2010.

29 abril 2010

Não Tenha Medo do Bem - Raul Teixeira

Não Tenha Medo do Bem

Para onde nos voltamos, hoje em dia, as notícias são as piores. Notícias de escândalos, notícias de dor, de misérias humanas. Temos tido a impressão, nesses dias humanos, nesses tempos terrestres, que a criatura é movida estranhamente a sangue, a vergonha, a corrupção, às notícias de morte.

Temos uma sensação estranha de que a engrenagem do psiquismo humano aprendeu a se nutrir de corrupção. São policiais mancomunados com o crime, são autoridades jungidas à corrupção. Criaturas que vendem a própria consciência a troco de algumas cédulas ricas em suas contas bancárias. Para onde nos voltamos, temos encontrado essa figura da tragédia, pelos caminhos humanos.

Começamos a nos perguntar se é isto mesmo o que nós esperamos encontrar no planeta. Para onde nos voltamos, as notícias televisivas, dos telejornais, dos jornais, as notícias radiofônicas são de acidentes nas estradas, de balas perdidas, estupros, contaminação dos mananciais, contaminação dos mares, por navios que derramaram substâncias. E para tudo haverá inquéritos intermináveis.

Parece que nos acostumamos a essa sombra que se abate sobre a Terra. Ninguém responde por nada, as criaturas fazem questão de alcançar os altos cargos, principalmente os cargos públicos. Há brigas, há guerras, há competições para que alguém seja diretor dali, comandante de acolá, dirigente mais adiante. Mas, quando surgem os problemas, ninguém sabe, ninguém viu.

As pessoas só veem os salários, nunca assumem responsabilidades. Para onde nos voltamos, as notícias são essas. Os desfalques, as falcatruas, o roubo, a conivência, até de autoridades. Até quando nos alimentaremos disso?

Porque são essas notícias que têm vendido jornais e revistas. O escândalo é que tem mantido as verbas das grandes emissoras. Temos a impressão que nada de bom acontece no mundo. Os desastres ocorridos no Japão, na China, na Índia entram em nossa casa como se tivessem acontecido na nossa rua! As mortes, os crimes, acontecidos em qualquer parte do Oriente nos aturdem, como se fossem fatos da nossa praça, no bairro onde moramos.

É justo isso? É lógico que essas coisas aconteçam? Em nome da informação, periodistas, jornalistas, em nome de que interesses nós não sabemos, explicam para a coletividade como é que se produz a droga, onde é que se acha a droga, como é que a polícia descobriu, o que deveria ser segredo de trabalho, segredo profissional.

E, desse modo, vamos vendo que as tragédias ocorridas nas cidades grandes agora também estão nas cidades menores. Em qualquer recanto do nosso país, as mesmas tragédias das megalópoles, dos grandes centros urbanos. É preciso que façamos uma pausa para analisar isto que estamos consumindo, sem nenhuma reflexão.

Passamos horas e horas consumindo o que está nas páginas de sangue dos jornais e absorvendo aquilo que vemos pelas cenas televisivas que nos são mostradas. Até quando pagaremos para sofrer? Para nos encharcar dessas notícias tão infaustas, tão desesperadoras, como se estivéssemos com medo do bem? Há que se mudar essa fase para que o mundo encontre a saída que espera.

* * *

Se sairmos desse carreiro de tragédias ao qual nos acostumamos pouco a pouco, se deixarmos um pouco de ouvir e de assimilar as ideias de assaltos, de sequestros, de homicídios, começaremos a ter olhos para o lado bom das coisas.

Não significa que tenhamos que ser pessoas ingênuas e que acreditemos que, em nossa sociedade, essas coisas não ocorram. Sabemos que elas ocorrem, no entanto, se olharmos com outra visão, se tivermos um pouco mais de boa vontade para com o bem, passaremos a ver, em nossa comunidade, quantas são as famílias que adotam crianças órfãs e que não merecem nenhum destaque nas mídias; quantas são as instituições que acolhem velhinhos, pobres ou não, e que os atendem com carinho, que lhes dão um novo lar. Muitas vezes, velhinhos cujos filhos os abandonaram, nem sempre filhos pobres, filhos que se envergonhavam deles.

Se olharmos um pouco mais, encontraremos a criação de escolas patrocinadas por gente simples do Interior, que se reuniu e que resolveu alfabetizar. Lavradores, donas de casa, adultos. Encontraremos pessoas ligadas à música, que criaram orquestras de grande qualidade, com meninos que estavam pedindo nas ruas, com meninas que estavam se prostituindo, nos sinais de trânsito, nas estradas e que, hoje, estão ganhando a vida, graças à arte da sua musicalidade.

Se prestarmos atenção no bem, veremos jovens que saíram dos guetos, das favelas, que acreditaram que podiam, que receberam apoio de algum mecenas. São bailarinos, são cantores, são artífices os mais variados, espalhados pelo Brasil e por tantos lugares do mundo. Porque o bem age sempre. Se dermos oportunidade ao bem, ele funciona. Enquanto ouvimos falar dos jovens que se matam de overdose, jovens que se acabam nas festas rave, jovens deprimidos vestidos de negro e pálidos, esquecemos daqueles outros que trabalham de dia, que estudam à noite, que passam os finais de semana cuidando dos seus deveres comuns para que, durante a semana, trabalhem de dia, estudem à noite, para que possam vencer. Não merecem uma linha no jornal. Mas, se um jovem cheira cola, merece meia página; se assalta, se arrebenta as caixas dos bancos merece respaldo do noticiário. Que mundo é que estamos querendo? Que paz estamos buscando? Se o bem não tem merecido comentário, se o bem não tem se tornado notícia?

Apenas o mal. Para as mentalidades frágeis, é mais vantajoso fazer o mal. Ninguém fala de um notável professor que tem uma técnica excelente de alfabetizar seus alunos ou de retirá-los da ignorância. Ninguém fala de um médico da nossa cidade que descobriu uma terapia nova para velhos males da saúde. Ninguém. Absolutamente ninguém. Quando nos reunimos, nós que nos dizemos religiosos, é para comentar o mal. Raramente comentamos o bem. As curas que Deus tem feito recair sobre Seus filhos, pelas mãos de médicos abnegados, pelas mãos de Espíritos queridos que nos inspiram, que nos tratam com essas energias formidáveis do mundo superior.

Nada disso merece notícia porque as pessoas nem acreditam em Deus, nem acreditam nos seres espirituais, nem acreditam nessas coisas. É importante não termos medo do bem. Onde estivermos, falemos o bem.

Como é que a gente vai falar do bem? Falemos dos nossos filhos, as notas que tiraram, os estudos deles, estão tocando violão, piano, estão cantando, estão ajudando na obra da Instituição como voluntários, estão trabalhando no escotismo. Vamos falar das coisas boas. Não importa que as pessoas digam que nós só falamos dos nossos filhos, se eles são da luz, se eles são do bem. Vamos falar o que convém à sã doutrina, propôs o Apóstolo Paulo.

Não tenhamos medo do bem porque será graças ao bem que nós alcançaremos esse Caminho, essa Verdade e essa Vida que Jesus Cristo representa para nós.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 185, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná. Programa gravado em janeiro de 2009. Exibido pela NET, Canal 20, Curitiba, no dia 28.02.2010

28 abril 2010

Competições - Raul Teixeira

Competições

Quando olhamos a Magna Grécia, nos tempos mais recuados de sua História, encontraremos ali a pratica das Olimpíadas. Foi na Grécia que teve começo esse pensamento olímpico, quando jovens, para homenagear aos deuses, para honrar a paz, festejar as estações primaveris, se colocavam em pelejas notáveis. Batiam-se, competiam, no sentido de superar os próprios limites dos seus corpos.

Era bonito de se ver, nas terras atenienses quanto em Esparta, como a juventude se posicionava diante das próprias possibilidades. Treinavam à exaustão. Corriam, atiravam dardos, setas, faziam de tudo em honra das Olimpíadas. Aí começamos a pensar nos móveis daquelas competições. O que é fazia aqueles jovens competir? Era o desejo da autossuperação.

Naturalmente, isso se constituía numa competição muito saudável porque exigia dos jovens disciplina. Disciplina de treinos, de nutrição alimentar, disciplina de hábitos, disciplina geral. Ora, quando temos uma juventude disciplinada em torno de um esporte, em torno de lazer, em torno de uma Olimpíada para verificar quem é capaz de superar, não apenas o recorde do outro, mas o seu próprio recorde, verificamos como é saudável essa competição.

Nas nossas sociedades contemporâneas, encontramos ainda as competições. As escolas, na sua estrutura acadêmica, levam os alunos a competir uns com os outros. Aqueles alunos que desejam ser os primeiros da classe têm que estudar bastante, devem se esforçar bastante. Há aqueles alunos que querem ser os melhores na Educação Física, nos torneios desportivos. Eles têm que se disciplinar muito, obedecer a regras, adotar determinadas alimentações, certas posturas, dormir cedo.

Como é importante para o indivíduo em formação esse tipo de orientação que as competições costumam oferecer. Sempre que vemos essa forma de competir, vemos que é saudável. Se existe um número de vagas que deve ser preenchido por um número pequeno de pessoas, há que se fazer concursos. Então, os concursos são todos competitivos. São experiências competitivas da sociedade com as quais já nos aclimatamos. Estudamos, nos preparamos e vamos fazer os concursos. Vamos competir. Em verdade, não estamos competindo no sentido de prejudicar os outros, estamos competindo no sentido de que disputamos com os outros os mesmos espaços, que são poucos, as mesmas vagas, que são poucas.

Daí começamos a ver a competição tendo esse caráter social bastante plausível, bastante respeitável e necessário, uma vez que não há vaga para todo mundo, em determinado concurso, seja escolar, acadêmico, seja profissional. Não há uma empresa do governo ou privada que possa empregar todos os homens e mulheres de uma sociedade. Há um número limitado de vagas e, para que se as disputem, as pessoas têm que prestar concursos. São competições. É muito válida essa espécie de competição.

A competição passa adotar um caráter nefasto, negativo quando partimos para o erro, para querer passar por sobre as pessoas a qualquer custo. Quando queremos bater os outros, pagando qualquer preço. Saímos do campo da ética, fugimos às experiências éticas e começamos a buscar aquilo que não corresponde ao espírito olímpico da Grécia, a autossuperação. Estaremos mesmo, sem portarmos as devidas condições, querendo tirar o lugar dos outros. É bem diferente da primeira proposta que era conquistar o nosso lugar. Agora encontramos os que querem tirar dos outros esse lugar que os outros conquistaram devidamente.

* * *

Quando a pessoa chega nesse ponto de querer passar sobre as outras, a qualquer custo, estamos diante de sérios gravames. Esse tipo de competição desonesta pode levar os indivíduos a cometer crimes, desatinos, causando infortúnio a si mesmos e causando infortúnio aos outros. Quando encontramos indivíduos dispostos a comprar diplomas, a comprar trabalhos acadêmicos, que serão colocados em seus nomes, quando vemos indivíduos falsificando documentação para tirar o espaço de outros, as vagas de outros, o lugar de outros, essa não é uma competição honesta.

Quando encontramos aqueles que compram o voto do povo e aqueles que vendem seus votos, já não é uma competição salutar. Estamos diante de uma selvageria social. É muitíssimo importante pensar numa competição que nos dê alegria de viver, a partir de cujas experiências consigamos ainda olhar nos olhos das pessoas. Ter essa certeza de que o que conseguimos foi à custa do nosso próprio esforço.

Mas, encontramos na sociedade contemporânea a prática dos nepotismos, dos apadrinhamentos sociais, políticos, religiosos quando os meus parecem ter mais valor do que os outros e os dos outros. Isso nós só poderíamos saber se houvesse uma honesta competição. Se os nossos parentes, se os nossos afetos, se os nossos amigos têm tantos potenciais, têm tanto valor, por que é que se negam a competir com os outros? Por que fogem dos concursos? E por que as autoridades não fazem os concursos, se têm tanta confiança nas possibilidades dos seus apadrinhados?

É nesse momento que a sociedade eclipsa-se, é nesse momento que a sociedade se atormenta, é nessa hora que a competição vira tragédia. Competir não é o problema, desde que seja transparente, desde que seja honesta a competição. Quando partimos para esse bas fond, para esse fim de linha, para esse pântano dos interesses escusos das atividades soezes, aí a competição ganha outro sentido. É por isso que precisamos aprender a valorizar a nossa própria luta, cada qual aprender a estudar, a desenvolver seu próprio potencial. É lamentável encontrar alguém que não goste de estudar, que se negue ao aprimoramento pessoal, convicto de que, na hora em que precise de dinheiro, haverá um padrinho para colocá-lo onde ele não merecia estar.

É muito triste ver que alguém, nesse estado de coisas, nessa situação, se candidata a, isso sim, a sofrimentos terríveis nessa mesma existência ou em existências futuras, em outras encarnações. Tudo aquilo que não conquistamos com o nosso mérito, não nos pertence, é uma usurpação e essa usurpação nos custa muito caro, cada vez que a cometemos.

Foi Jesus Cristo que disse-nos: A cada um será dado conforme suas obras. Em termos espirituais, isso é verdade, nós somente recebemos aquilo que fizemos por merecer. Mas, no campo das sociedades humanas, não. Encontramos muita gente ocupando cargos que não mereceriam ocupar. Ocupando posições sociais, políticas, econômicas, funcionais, de modo geral, para o que não fizeram nenhum esforço a não ser o de arranjar os apadrinhamentos. Isso é contra a sociedade saudável que estamos querendo construir. Isso é contra a ética, contra os bons costumes.

Que a competição exista, mas que seja uma proposta de autossuperação. Que cada qual de nós faça seu esforço. Não é porque eu sou negro, amarelo, pobre, branco, que eu seja dessa etnia ou de outra etnia, que eu more no bairro X, Y, Z que eu tenho que merecer tratamento especial. A competição é saudável, quando saudável é o caráter daqueles que selecionam.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 176, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná. Programa gravado em setembro de 2008. Exibido pela NET, Canal 20, Curitiba, no dia 10.01.2010

27 abril 2010

A Amizade - Raul Teixeira

A Amizade

Dentre os ensinamentos notáveis de Jesus Cristo, destacamos um que nos chama muito a atenção. Em dado momento, afirmou Ele, o verdadeiro amigo é aquele que dá a sua vida pela vida do amigo.

Se levarmos ao pé da letra essa afirmativa de Jesus Cristo, não acharemos amigos na Terra. São raras as criaturas capazes de dar a sua vida pela vida do outro. Isso, em termos literais. Se pensarmos, porém, no sentido figurado dessa imagem, acharemos muitos amigos. Porque dar a vida ao outro não significa propriamente morrer pelo outro. Dar a vida é dedicar-se ao outro. Isso é um trabalho da amizade, é um trabalho dos amigos. Somente os amigos podem se dedicar um ao outro.

Muitas vezes encontramos essas amizades tão profundas, tão viscerais, tão importantes na própria família. Costumam ser os melhores amigos dos filhos, os seus pais. A mãe faz de tudo pelos seus filhos, renuncia por eles, dá a vida por eles. Os pais, para os quais não há fim de semana, não há descanso, não há repouso, não há férias, desde que os filhos tenham escola, lazer, comida, roupa, brinquedo. São verdadeiros amigos, mesmo quando os filhos não se dão conta disso e se tornam máquinas de exigência para com seus pais.

Esses pais correspondem aos melhores amigos que os filhos têm. Dão-lhes de tudo e dá um prazer muito grande ao filho perceber que seus pais não lhe cobram nada. É muitíssimo importante esse apercebimento de que a amizade é alguma coisa que segue essa trilha, a gratuidade.

Por isso a amizade não se cobra, por isso a amizade é espontânea. Ela é forjada em bases de sintonia, de afinidade.

Temos amigos dos mais curiosos. Cada qual de nós os tem. Amigos que são religiosos, amigos que são ateus, amigos que são religiosos só de superfície, no fundo não são nada. Amigos que são ateus convictos, outros que são ateus de brincadeirinha. Temos amigos que são falantes, outros quietos. Amigos que são fofos, gordinhos. Outros são magricelas. Temos amigos que são figuras importantes no esporte, nas artes, na política, na vida científica, da cidade, do society. Temos amigos pobrezinhos, do gueto, da favela, do morro, dos lugares pobres.

Não importa. Quando nosso coração pulsa de maneira diferente junto deles, eles se tornam nossos amigos, gostamos deles e eles gostam de nós.

É tão importante a amizade porque, muitas vezes, o amigo tem conosco maior abertura e nós com ele, do que tem com seus consangüíneos, como nós também, às vezes, temos mais liberdade de tratar assuntos íntimos com os amigos do que com familiares consanguíneos.

Por isso a amizade é tão importante. Diante dos amigos, respeito. Não é pelo fato de alguém ser nosso amigo, nossa amiga que nós lhe podemos dizer qualquer coisa, agredi-lo com palavras, com censuras indevidas. Não se justifica.

Quanto mais gostamos das pessoas, mais as deveremos respeitar. Podemos até discordar dos pontos de vista dos amigos, mas isso não é motivo para que briguemos, para que nos indisponhamos com eles. Não, não. É importantíssimo que nossos amigos tenham trânsito livre na nossa intimidade como nós queremos transitar livremente junto deles, na intimidade da convivência com eles.

É muito importante essa consciência de que o amigo é aquele capaz de dar a sua vida pela vida do outro amigo. Daí, a amizade ser quase irmandade. Uma pessoa que é amiga é uma pessoa irmã.

* * *

Essa alma irmã, que se tornou amiga da nossa, merece de nós a fidelidade na amizade. É muito importante sermos amigos fiéis, daqueles que se diz são amigos para toda obra, paus para toda obra, amigos em quaisquer circunstâncias.

Encontramos na Terra alguns que são amigos da onça. Só são nossos amigos quando tudo está bem, quando temos dinheiro, quando a casa está farta, quando gastamos com eles, quando lhes prestamos ajuda. Quando as coisas ficam diferentes, quando acaba o dinheiro, quando acaba a fama, quando já não lhes podemos prestar qualquer assistência desaparecem do nosso convívio.

Mas temos amigos com os quais fazemos as mesmas coisas. Há amigos que só buscamos quando estamos precisando. Há amigos que só recorremos, só lembramos de lhes telefonar quando as coisas estão difíceis para nós.

Num revés da vida, num problema afetivo, conjugal, aí nós os procuramos. Seria tão importante se aprendêssemos a ser fiéis aos nossos amigos e fôssemos amigos deles em quaisquer ocasiões.

Do mesmo modo, gostamos dos amigos que nos são amigos em qualquer clima da vida, em qualquer momento do mundo. Ao lado dessa fidelidade ao amigo não há porque desconfiar deles. Se as pessoas são nossas amigas por que desconfiar delas?

Amigos verdadeiros. Não confundamos a ideia de amigos com colegas. Na nossa repartição de trabalho, temos muitos colegas que a gente não se visita, não vai à casa deles, eles não vão à nossa casa. São colegas ali do ambiente, do métier profissional.

Temos colegas da rua, do campo de futebol, da peleja, da bola, da pelada. Temos colegas de todo o tipo mas não passam de colegas.

A amizade pressupõe uma confiança, uma abertura, uma transparência que o coleguismo não importa. É muitíssimo importante que os nossos amigos sejam valorizados por nós. Não nos esqueçamos de que, um dia, Jesus Cristo nos disse, conforme os textos exarados no Evangelho de João: Já não vos chamo de servos, porque o servo não sabe o que faz o seu Senhor. Tenho vos chamado amigos porque tudo quanto aprendi do meu Pai, vos tenho revelado. Notemos bem porque é que Jesus Cristo nos diz que Ele é nosso Amigo: Tudo quanto aprendi do meu Pai vos revelei. Então, o amigo tem esse caráter de abertura, de não esconder do outro, de não mentir para o outro mas de oferecer ao outro a mesa farta da nossa sinceridade, a mesa farta da nossa honestidade.

Já não vos chamo servos porque o servo não sabe o que faz o seu Senhor foi a expressão de Cristo. Tenho vos chamado amigos. Por quê? Porque tudo quanto aprendi do meu Pai vos tenho revelado. É natural que pensemos que essa também é uma expressão simbólica porque Cristo não poderia nos ter passado Tudo o que Ele aprendeu do Pai Celeste.

Não porque não quisesse mas porque não poderia. Nós não suportaríamos toda a verdade que Cristo aprendeu de Deus, nas limitações em que ainda nos encontramos hoje, mais de dois milênios passados do Seu berço. Imaginemos ao Seu tempo. Éramos ainda muito mais frágeis, intelectualmente, moralmente, emocionalmente. Daí, Ele dizer que tudo quanto o Pai lhe ensinara, Ele nos estava passando. Tudo o que correspondia ao grau de nossa capacidade de assimilação, de aprendizagem.

Então, o amigo também tem que ter esse cuidado com seus amigos. Passamos para o amigo todas as coisas que ele suporta, que ele consegue administrar para que não joguemos todo o peso da nossa intimidade, da nossa mentalidade, da nossa vivência sobre ele e ele não suporte e não tenha condições de segurar.

A amizade é quase irmandade. Ser amigo é ser fratello, é ser irmão. Por isso, vale a pena ampliarmos o leque de nossa amizade no mundo e diminuir tanto quanto possamos as inimizades, enquanto na Terra.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 181, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná. Programa gravado em setembro de 2008. Exibido pela NET, Canal 20, Curitiba, no dia 03.01.2010.

26 abril 2010

Atividades para a Paz - Raul Teixeira

Atividades para a Paz

Nunca se ouviu falar tanto de paz na Terra, como nestes tempos que estamos vivendo. Para tudo e para qualquer coisa, fala-se da paz. Desde há muito se conhecia a pomba da paz. Há muito se fala da bandeira da paz, dos tratados de paz ou de armistício.

Mas, afinal de contas, o que vem a ser mesmo a paz? É muito difícil para quem não é pacífico saber o que venha ser a paz. Para muita gente, a paz é a postura das águas paradas; para outros, a paz é a inércia, é o não fazer nada, é o não ter que se incomodar, se importunar, que sair do seu lugar, não ter ninguém que o aborreça, que o importune, que o chateie. Parece que a paz se torna, para muita gente, uma virtude estanque, parada, ancilosada, quando, em realidade, a paz é exatamente o oposto.

Quando vemos a superfície espelhada no lago jamais suporemos que na intimidade do lago exista paralisia. Há vida que ferve, há vida que exubera. Existe vida que se mostra, que se multiplica, que se revigora.

Quando se fala em harmonia ou em paz estamos tratando de uma postura de vida porque a paz é uma virtude ativa e também pró-ativa. A paz engendra outras tantas virtudes. A paz realiza muitíssimos trabalhos. Por causa disso, cada vez mais é preciso aprender a identificar que paz é essa a que estamos nos referindo. É a paz dos cadáveres? A preguiça rançosa dos cadáveres? Ou estamos falando em paz: atividade, atitude, consciência tranquila, disposição para o bem, para o trabalho, para a luta? Isso é paz.

Quando pensamos nos ases da paz que o mundo conheceu, à semelhança de Gandhi, o grande líder da paz indiana, vemos que a vida de Gandhi teve de tudo, menos inércia. Era um homem de atividade. Atividade social, na política, atividade religiosa. Era um homem de atividades em prol do bem geral. Era um homem de paz.

Quando pensamos em Teresa de Ávila, a conhecida Santa Teresa D’Ávila, freira, religiosa por excelência, constatamos que ela não vivia rezando pelos cantos o dia inteiro. Ia à luta, buscava recursos para seus velhos, buscava elementos que pudessem ajudá-la a manter, a construir e a manter o lar de idosos. Sofreu o convite devastador de um príncipe, um convite indecoroso, indecente, trocando-o por uma ajuda que ela rechaçou com a maior tranquilidade. Verificamos, na vida dessa mulher de paz que a sua paz tinha de tudo, menos inércia.

Lembramo-nos do Prêmio Nobel da Paz, que foi Madre Teresa de Calcutá. Naquela mulher pequena e magra havia tudo, menos inércia. Alfabetizou crianças, cuidou de leprosos, tuberculosos, de velhos abandonados jogados às lixeiras da Índia. Era uma mulher ativa, exuberantemente ativa e era da paz.

Quando nos lembramos desses vultos tão recentes na Humanidade, lembramos de Martin Luther King Junior que, em 1968, tão próximo de nós, fez a grande marcha sobre Washington contra o apartheid americano, o preconceito étnicoamericano.

Verificamos que a paz carrega em seus ingredientes essa capacidade de sairmos do lugar, de nos movimentarmos; essa capacidade de agir, de fazer, de provocar mudanças positivas para a sociedade. É por causa disso que, todas as vezes que falarmos de paz, será necessário estabelecermos se estamos falando verdadeiramente de paz ou se nos referimos à inércia dos mortos, à inércia do pântano, à inércia da morte.

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Sendo a paz essa virtude, por excelência, que está dentro da criatura e que é bem diferente do que se costuma imaginar, evocamos um dos ensinamentos do Homem de Nazaré, quando nos disse: A minha paz vos deixo, a minha paz vos dou, mas não vo-la dou como o mundo a dá. Neste ensinamento de Jesus Cristo percebemos algo fabuloso porque, em verdade, ninguém pode dar do que é seu, espiritualmente, para o outro. Mas Jesus Cristo nos dizia que deixava Sua paz como modelo para nós, como proposta e, mesmo assim, não deixava da mesma maneira que o mundo deixa. A paz do mundo, vale a pena rever, é como a paz dos cadáveres, a paz da inércia, a paz do não fazer nada. É uma paz que não deveria ser chamada de paz, é uma tranquilidade, um sossego, um ócio. A paz do Cristo é trabalho dignificante.

Notamos, ao longo da História, homens e mulheres que se dedicaram ao trabalho da paz e o fizeram com rara maestria. Se olharmos, por exemplo, o gênio de Madre Teresa de Calcutá: com que garra essa mulher trabalhou pela paz. Em sua vida encontraríamos todos os problemas, menos a inércia. Alfabetizou crianças, amparou a leprosos, tuberculosos, retirou das lixeiras os velhos que eram ali atirados pelos próprios filhos. Madre Teresa foi Prêmio Nobel da Paz, tamanho o trabalho que realizou nesse campo da paz.

Mas, se olharmos a saga de Gandhi, de Mohandas Gandhi nós acharemos em sua vida tudo, menos a inércia. Porque foi um grande líder político, social, religioso, um homem de massa, um homem que falava para que os outros ouvissem, falava com bom senso. Lutou contra um império inteiro que dominava seu país, apanhou, foi preso, sofreu, preservando a paz. Decidiu não fazer qualquer movimento contra a violência, porque ele afirmava que qualquer movimento contra a violência seria igualmente violento, teria que ser igualmente violento. Ele propôs um movimento pela paz.

Era o movimento da não violência e é por causa disso que percebemos que todas as pessoas que lidam em prol da paz são criaturas ativas, dedicadas, trabalhadoras do seu ideal, operosas no seu ideal.

Temos que destacar, então, o que é a pessoa pacífica da criatura passiva. Vale a pena lembrar ou relembrar que o individuo pacífico não está protegendo a própria pele, não tem interesses personalísticos. Ele visa o bem comum, ele está sempre propenso a trabalhar em prol do bem comum. A criatura passiva está pensando em si, em não se incomodar, em não se aturdir. É por causa disso que vemos tanta gente que dá abraço simbólico nas árvores mas derruba as plantas, corta as florestas. Encontramos pessoas que dão abraços simbólicos em prédios públicos que depois vão pichar.

Outros que abraçam os lagos, as fontes, os rios, mananciais diversos em nome da paz, do verde, da ecologia mas atiram-lhes detritos, atiram, pelas janelas dos seus veículos, ou dos ônibus, latas, garrafas, sacos plásticos, pets, em nome da sua passividade. O pacifico procuraria uma lixeira para preservar a natureza, o passivo atira em qualquer lugar, ajustando-se à ideia de que aquilo já estava sujo, já estava assim. Empurra cada vez mais os problemas para frente, alegando que os problemas já existiam.

É a paz que carregamos por dentro de nós que gradativamente explode, vaza da nossa realidade e faz com que as pessoas em torno se banhem na nossa paz. Essa paz que extravasa de nós contagia a sociedade em que vivemos e a sociedade em que vivemos apaziguada, com a nossa influência, com a nossa participação, espalhará a paz para o mundo e todos seremos, sem dúvida, muito mais felizes.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 155, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná. Programa gravado em julho de 2008. Exibido pela NET, Canal 20, Curitiba, no dia 27.12.2009.