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19 novembro 2014

Médiuns de toda parte - Emmanuel


MÉDIUNS DE TODA PARTE

“Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo”. – Jesus. (João, 17:18)

“A figueira que secou é o símbolo dos que apenas aparentam propensão para o bem, mas que em realidade, nada de bom produzem”. (ESE, Cap. 19.9)

Os médiuns são intérpretes dos espíritos.

Representam para eles os órgãos materiais que lhes transmitem as instruções.

Daí serem dotados de faculdades para esse efeito.

Nos tempos modernos de renovação social, cabe-lhes missão especialíssima: são árvores destinadas a fornecer alimento espiritual a seus irmãos. Multiplicam-se em número para que haja alimento farto.

Existem, por toda parte, entre os ricos e os pobres, entre os grandes e os pequenos, a fim de que, em nenhum ponto faltem, para que todos os homens se reconheçam chamados à verdade.

Se, porém, desviam do objetivo providencial a preciosa faculdade que lhes foi concedida; se a empregam em cousas fúteis ou prejudiciais; se a colocam em serviço dos interesses mundanos; se, ao invés de frutos sazonados dão maus frutos; se, se recusam a utilizá-la em, benefício dos outros; ou se nenhum proveito tiram dela, no sentido de se aperfeiçoarem, são comparáveis à figueira estéril.

Estas considerações tão ricas de oportunidade, à frente da extensão constante das tarefas espíritas na atualidade, não são nossas.

São conceitos textuais de Allan Kardec, no item 10, do capítulo 19 de “0 Evangelho, Segundo o Espiritismo”, escritos há quase um século.

Os médiuns são legiões.

Funcionam aos milhares, em todos os pontos do globo terrestre.

Seja na administração ou na colaboração, na beneficência ou no estudo, na tribuna ou na pena, no consolo ou na cura, no trabalho informativo ou na operação de fenômenos, todos são convocados a servir com sinceridade e desinteresse, na construção do bem, com base no burilamento de si próprios.

Acima de todos, representando a escola sábia e imaculada, que não pode responsabilizar-se pelos erros ou defecções dos alunos, brilha a Doutrina Espírita, na condição de Evangelho Redivivo, traçando orientação clara e segura.

Fácil concluir, desse modo, que situar a mediunidade na formação do bem de todos ou gastar-lhe os talentos em movimentações infelizes é escolha de cada um.

Emmanuel (Espírito). Livro da Esperança. (psicografado por) Francisco Cândido Xavier. Uberaba: Comunidade Espírita Cristã. Capítulo Sessenta e Cinco.

“A figueira que secou é o símbolo dos que apenas aparentam propensão para o bem, mas que em realidade, nada de bom produzem”. (ESE, Cap. 19.9)

Os médiuns são intérpretes dos espíritos.

Representam para eles os órgãos materiais que lhes transmitem as instruções.

Daí serem dotados de faculdades para esse efeito.

Nos tempos modernos de renovação social, cabe-lhes missão especialíssima: são árvores destinadas a fornecer alimento espiritual a seus irmãos.

Multiplicam-se em número para que haja alimento farto.

Existem, por toda parte, entre os ricos e os pobres, entre os grandes e os pequenos, a fim de que, em nenhum ponto faltem, para que todos os homens se reconheçam chamados à verdade.

Se, porém, desviam do objetivo providencial a preciosa faculdade que lhes foi concedida; se a empregam em cousas fúteis ou prejudiciais; se a colocam em serviço dos interesses mundanos; se, ao invés de frutos sazonados dão maus frutos; se, se recusam a utilizá-la em, benefício dos outros; ou se nenhum proveito tiram dela, no sentido de se aperfeiçoarem, são comparáveis à figueira estéril.

Estas considerações tão ricas de oportunidade, à frente da extensão constante das tarefas espíritas na atualidade, não são nossas.

São conceitos textuais de Allan Kardec, no item 10, do capítulo 19 de “0 Evangelho, Segundo o Espiritismo”, escritos há quase um século.

Os médiuns são legiões.

Funcionam aos milhares, em todos os pontos do globo terrestre.

Seja na administração ou na colaboração, na beneficência ou no estudo, na tribuna ou na pena, no consolo ou na cura, no trabalho informativo ou na operação de fenômenos, todos são convocados a servir com sinceridade e desinteresse, na construção do bem, com base no burilamento de si próprios.

Acima de todos, representando a escola sábia e imaculada, que não pode responsabilizar-se pelos erros ou defecções dos alunos, brilha a Doutrina Espírita, na condição de Evangelho Redivivo, traçando orientação clara e segura.

Fácil concluir, desse modo, que situar a mediunidade na formação do bem de todos ou gastar-lhe os talentos em movimentações infelizes é escolha de cada um.

Emmanuel (Espírito)
Livro da Esperança. (psicografado por) Francisco Cândido Xavier. Uberaba: Comunidade Espírita Cristã. Capítulo Sessenta e Cinco.

18 novembro 2014

Livre Arbítrio - Rildo G.Mouta

LIVRE ARBÍTRIO


Fala-se muito em livre-arbítrio, cidadania, liberdade. Mas, realmente, o que é e o que significa tudo isso?

A Doutrina Espírita, através de "O Livro dos Espíritos", questão 872, dá-nos resposta sábia a esta questão. Ensina-nos ela que o livre-arbítrio resume-se assim:
  1. O homem não é fatalmente levado ao mal;
  2. seus atos não foram previamente determinados;
  3. os crimes que comete não resultam de uma sentença do destino.
Daí ele poder, por prova ou expiação, "escolher uma existência em que seja arrastado ao crime, quer pelo meio em que se ache colocado, quer pelas circunstâncias que sobrevenham, mas será sempre livre de agir ou não agir".

Desta maneira, o livre-arbítrio existe para ele, tanto no plano espiritual, onde poderá escolher uma nova existência e as provas a sofrer, quanto no plano da carne, cedendo ou resistindo aos "arrastamentos" a que todos nós, de maneira voluntária, temos sido submetidos. A educação cabe o dever de combater essas tendências más.

Na verdade, em que consiste o livre-arbítrio para o Espírito? Em escolher, de acordo com seu grau de perfeição, quando no estado de erraticidade, as futuras existências corporais. Nem a reencarnação anula esta liberdade. Se o homem sucumbe diante das provas, multas vezes dolorosas, é porque ele mesmo as escolheu. 

Deve, então, apelar para Deus e os bons Espíritos, a fim de ajudá-lo a vencê-las. Se não possuísse livre-arbítrio, ou seja, livre escolha, não teria culpa por praticar o mal, nem mérito pela prática do bem.

Desta maneira, o homem não poderá arquitetar desculpa nenhuma pela prática de seus delitos, quando encarnado, tentando fugir deles, porque foi ele mesmo quem os escolheu, através de sua liberdade de pensar e livremente agir.

A Doutrina Espírita admite, no homem, o livre-arbítrio, que o impele à prática do bem ou do mal, pela ação mesma da sua livre vontade. Diz-nos Kardec na citada questão 872:

"Essa teoria da causa determinante dos nossos atos ressalta com evidência de todo o ensino que os Espíritos hão dado. Não só é sublime de moralidade, mas também, acrescentaremos, eleva o homem aos seus próprios olhos. Mostra-o livre de subtrair-se a um jugo obsessor, como livre é de fechar sua casa aos importunos. Ele deixa de ser simples máquina, atuando por efeito de uma impulsão independente da sua vontade, para ser um ente racional, que ouve, julga e escolhe livremente de dois conselhos um. Aditemos que, apesar disto, o homem não se acha privado de iniciativa, não deixa de agir por impulso próprio, pois que, em definitivo, ele é apenas um Espírito encarnado que conserva, sob o envoltório corporal, as qualidades e os defeitos que tinha como Espírito."

No momento que atravessamos, quando ocorrem tantas perversidades, por conta e risco de ser o planeta Terra um mundo de expiações e provas, compete-nos, como espíritas que somos, tudo fazer para aqui não voltarmos, após a presente existência.

 Como? Usando para o bem o nosso livre arbítrio, o que vai depender unicamente de nós.

Para finalizar, leiamos a resposta do Espírito de Verdade a Allan Kardec, quando da questão 843 de "O Livro dos Espíritos":

"Tem o homem o livre-arbítrio de seus atos?
- Pois que tem a liberdade de pensar, tem igualmente a de obrar. Sem o livre-arbítrio, o homem seria uma máquina."

Rildo G.Mouta
Dados colhidos em "O Livro dos Espíritos", 76ª ed. FEB, 1995
 

17 novembro 2014

Obsessão - Causas - Meios de combatê-la - Valdomiro Halvei Barcellos

OBSESSÃO - CAUSAS - MEIOS DE COMBATÊ-LA

 
A Obsessão jamais se efetua sem a participação do obsedado, seja por fraqueza, seja pelo seu desejo. No primeiro caso, freqüentemente, estão associadas as responsabilidades da Lei de Causa e Efeito e, no segundo Casio, as tendências de comportamento do homem.

Igualmente, fala Emmanuel, em “Estude e Viva”, lição 35, que “é forçoso recordar, sobretudo, que os alicerces de qualquer ambiente espiritual começam nas forças do pensamento”. Complementando seu esclarecimento: “sempre que você experimente um estado de espírito tendente ao derrotismo, perdurando h[á várias horas, sem causa orgânica ou moral de destaque, avente a hipótese de uma influenciação espiritual sutil”.

Coloca Emmanuel como fatores que mais revelam essa condição da alma, as dificuldades de concentrar idéias em motivos otimistas; indisposição inexplicável, tristeza sem razão aparente ou pressentimentos de desastre imediato, aborrecimentos imanifestos, pessimismos sub-reptícios, irritações surdas, hiperemotividade ou depressão e tantos outros motivos.

Os motivos, as causas da obsessão variam segundo o caráter do Espírito (LM, cap. XXIII,itens 245 a 254):
Vingança contra desafetos do passado.

Desejo de fazer os outros sofrerem, quase sempre por ignorância, inveja, covardia, etc..

Desejo de impor as suas idéias para dominar, desunir, destruir.

Divertimento com a impaciência da vítima, porquanto ao se zangar faz precisamente o quer ele quer.

Apego a pessoas por ligações afetivas do passado.

O meio mais eficaz de combater a obsessão, levando à sua cura, é através da mudança interior do obsedado, quebrando - se, assim, o elo entre a vítima e o obsessor, formado pela lei das afinidades; a aquisição de sentimentos elevados como a humildade, o perdão, a tolerância, a paciência, o arrependimento, condições de fortalecimento da alma para resistir aos arrastamentos sugeridos.

Um tratamento complementar consiste no trabalho de desobsessão, levando ao Espírito obsessor o esclarecimento dos princípios doutrinários, coadjuvando por um serviço de passes com fluidos salutares para fortificação perispiritual. Será necessário levar o espírito perverso a renunciar os seus desígnios: é preciso fazer nascer nele o arrependimento e o desejo de fazer o bem.

Em resumo, pode - se dizer que duas são as medidas essenciais: a reforma íntima de ambos, por suas imperfeições morais, e a prece a Deus e a vigilância nas atitudes, para se guardarem na proteção dos Bons Espíritos. 

O tratamento, todavia, deve ser feito, segundo as características de cada processo obsessivo, cujo reconhecimento decorre dos seguintes sintomas (LM, cap. XXIII, item 243.): 

Insistência de um Espírito em se comunicar, queira ou não o médium.

Ilusão que, não obstante a inteligência do médium, o impede de reconhecer a falsidade e o ridículo das comunicações recebidas.

Crença na infalibilidade e na identidade absoluta dos espíritos.

Disposição para afastar-se das pessoas que podem esclarece-lo.

Intolerância para asa críticas feitas às comunicações que recebe.

Necessidade constante e inoportuna de escrever.

Constrangimento físico qualquer, dominando - lhe a vontade e forçando - o a agir ou falar a contragosto seu.

Ruídos e desordens constantes ao redor do médium, dos quais é ele a causa de tudo ou o objeto.

André Luiz em “Missionários da Luz”, cap.XVII, mostra que o tratamento é diferente, conforme o grau de intensidade da obsessão.

Relata, inclusive, um caso de “possessão”, dizendo que a obsedada estava “cercada de entidades agressivas, seu corpo tornara - se como que a habitação do perseguidor mais cruel. Ele ocupava - lhe organismo, desde o crânio até os pés, impondo - lhe tremendas reações em todos os Centros de Energia Celular. Fios tenuíssimos, mas vigorosos , uniam, ambos, e, ao passo que o obsessor nos apresentava um quadro psicológico de satânica lucidez, a desventurada mulher mostrava aos colaboradores encarnados a imagem oposta, revelando angústia e inconsciência”. Deixa, finalmente, registrado que o tratamento deve ser sempre na base do amor e do esclarecimento.

No Cap IX de “Nos Domínios da Mediunidade”, André Luiz mostra, também, outro caso de possessão, ocorrido num doente de epilepsia, decorrente de dívidas do passado, em que mais uma vez esclarece a importância do amor no tratamento informando que a cura depende do entendimento de cada um. 

De modo geral, todos os homens estão sujeitos à obsessa, mas os médiuns, certamente, mais que os outros, enlaçados em tremendas provas, devem aprender, sem desanimar. E servir ao bem, sem esmorecer.

Diz Kardec (LM, cap. XXIII, item 251) que “não há nenhum processo material, nenhuma fórmula, sobretudo, nenhuma palavra sacramental, com o poder de expulsar os Espíritos obsessores. O que falta em geral ao obsedado é força fluídica suficiente. Nesse caso,, a ação magnética de um bom magnetizador pode dar - lhe uma ajuda eficiente”. Em “Obras Póstumas”, capítulo “Manifestações dos Espíritos”, §7°, item 58, Kardec menciona “quando dois homens lutam corpo a corpo, aquele que dispõe de mais fortes músculos é que abate o outro. Com um Espírito tem - se de lutar, não com o corpo a corpo, mas Espírito a Espírito, e é ainda o mais forte que triunfa. Aqui, a força reside na autoridade que se possa exercer sobre o obsessor, e essa autoridade está subordinada à superioridade moral”.

Por isso, “temos, pois, que nos persuadir de que não há, para alcançar - mos aquele resultado, nem palavras sacramentais, nem fórmulas, nem talismãs, nem sinais materiais quaisquer”.

Antes, pois, de pretender domar um Espírito mau, que se cuide o homem de domar a si mesmo, e isto ele consegue, através da boa vontade, secundada pela prece e pela vigilância: “Ajuda - te a ti mesmo, e o Céu te ajudará”.

Bibliografia:

  • LM, cap.XXIII.
  • LE, questões 459 a 480.
  • OP, Manifestações dos Espíritos, §7°, item 58.
  • Missionários da Luz, cap.XVIII, André Luiz.
  • Nos Domínios da Mediunidade, cap.IX, André Luiz.
  • Estude e Viva, lição 35, Emmanuel.

Autoria: Valdomiro Halvei Barcellos


16 novembro 2014

A morte dói? - Orson Peter Carrara



A MORTE DÓI?

Quando morre alguém, sentimo-nos todos tomados por um sentimento de perda e dor. É natural, gostamos da pessoa e desejamos que continue vivendo conosco. Mas, a morte é a única certeza da vida e está enquadrada nos acontecimentos normais da existência de todo mundo. A todo instante, partem jovens e velhos, sadios e enfermos...

E muitos perguntam, talvez temerosos do momento em que também enfrentarão a circunstância e acerto de contas com D. Morte: ela dói? O que ensinam os espíritos a respeito?

Em O Livro dos Espíritos, há um capítulo inteiro sobre o assunto: é o III, do livro segundo, com o título Retorno da vida corpórea à vida espiritual. As questões 149 a 165 esclarecem o assunto. Para não ficarmos em simples transcrição das respostas dadas pelos espíritos, fizemos breve resumo de forma didática para melhor entendimento do assunto. Mas remetemos o leitor à pesquisa direta às questões citadas. 

  • No instante da morte, todo homem retorna ao mundo dos espíritos, pátria de origem;  
  • Uma vez no chamado outro mundo, conserva plenamente sua individualidade;
  • A separação da alma e do corpo não é dolorosa. O corpo sofre mais durante a vida que no momento da morte;
  • A alma se liberta com o rompimento dos laços que a mantinham presa ao corpo;  
  • A sensação que se experimenta no momento em que se reconhece no mundo dos espíritos depende do que fizeram em vida. Se foram bons, sentirão enorme alegria. Se foram maus, sentirão vergonha;
  • Normalmente reencontra aqueles que partiram antes, se já não reencarnaram;
  • A consciência de si mesmo vem aos poucos. Passa-se algum tempo de perturbação, convalescente, cujo tempo de duração depende da elevação de cada um;
  • Compreender antes o assunto exerce grande influência sobre o tempo de perturbação, mas o que realmente alivia a perturbação são a prática do bem e a pureza de consciência.

Indicamos ainda ao leitor, estudar o livro O Céu e o Inferno, também de Allan Kardec, onde há diversas descrições do momento da morte e do pós-morte, de espíritos nas mais variadas condições evolutivas. O livro Depois da Morte, de Léon Denis e Obreiros da Vida Eterna, de André Luiz/Chico Xavier também trazem muitas explicações sobre o interessante tema. Há, também, uma série enumerável de livros de mensagens enviadas por desencarnados aos entes queridos que ficaram. Entre eles, o famoso Jovens no além, de 1975, recebido por Chico Xavier. O filme Joelma 23º andar, baseado no incêndio ocorrido em São Paulo, mostra bem a questão da continuidade da vida.

Não tema a morte. Ela faz parte do processo evolutivo. Viva de maneira prudente, faça o bem que puder e quando soar seu momento, vá sem medo. Mas nunca a busque ou a precipite. Tudo tem seu momento na vida e todos temos algo a fazer num tempo programado. Para aqueles que foram antes, guarde a convicção de breve reencontro e ore pela felicidade deles. Eles receberão a mensagem de seu coração.

Orson Peter Carrara
 

15 novembro 2014

O Problema do Mal - Rodolfo Calligaris

(Imagem meramente ilustrativa)


O PROBLEMA DO MAL

Desde as mais priscas eras o homem tem observado que, a par das boas coisas que tornam a vida deleitável, outras existem ou acontecem que são o reverso da medalha, isto é, só causam aflições, dores e prejuízos.

Foi, por isso, induzido a crer seja o governo do mundo partilhado por duas potestades rivais: - Deus, fonte do Bem, e Satanás, agente do Mal.

Essa crença nos dois princípios antagônicos em luta pela hegemonia foi e continua sendo a base das doutrinas religiosas de todos os povos.

Entre estes, a idéia de que uns se salvam e outros se perdem para todo o sempre é geral, havendo até quem afirme que o número dos perdidos é muito maior do que a cifra dos bem-aventurados.

Quer isso dizer que o Mal seria mais forte que o Bem, e que Satanás estaria conseguindo derrotar a Deus, frustrando-Lhe os desígnios de salvação universal.

Em que pese a ancianidade de tais conceitos, são falsos e insustentáveis, diríamos mesmo, heréticos.

Com efeito, admitir o triunfo do Maligno, a dano da Humanidade, é o mesmo que negar ao Pai Celestial os atributos da onisciência e da onipotência, sem os quais não poderia ser verdadeiramente Deus.

O Espiritismo, que é o Paracleto anunciado pelo Cristo, contrariando os ensinos da Teologia tradicional, esclarece-nos que o Bem é a única realidade eterna e absoluta em todo o Universo, sendo o Mal apenas um estado transitório, tanto no pano físico, como no campo social e na esfera espiritual.

Para que se compreenda isto, é preciso, entretanto, considerar, não as conseqüências imediatas de tudo quanto observamos, mas sim os seus efeitos mediatos, futuros, porque só estes, ao longo dos anos, dos séculos ou dos milênios, é que farão ressaltar, nitidamente, a infalibilidade da Providência Divina frente aos destinos da Criação.

Certos fenômenos geológicos, por exemplo, podem ter sido considerados catastróficos à época em que se deram; foram eles, porém, que compuseram os continentes e formaram os oceanos, emprestando-lhes os aspectos maravilhosos que hoje nos extasiam, provocando-nos arroubos de admiração.

Muitas guerras internacionais e outras tantas revoluções intestinas, embora se constituam, como de fato se constituem, dolorosos flagelos para as gerações que nelas são envolvidas, dão ensejo, por seu turno, à queda de tiranos e opressores, à extinção de preconceitos e privilégios iníquos, à mudança de costumes arcaicos, ao progresso tecnológico e quejandos, resultando daí, em favor dos pósteros (que seremos nós mesmos, em novas reencarnações), a melhoria das instituições, maior liberdade de pensamento e de expressão, uma justiça mais perfeita, maior conforto nos sistemas de transporte, de comunicações, nos lares, etc.

Quando não, é por meio delas que os maus se castigam reciprocamente, consoante o ensinamento: «quem com ferro fere, com ferro será ferido». Um dia, ainda que longínquo, cansadas de sofrer o choque de retorno de suas crueldades, ditadas pelo egoísmo, pelo orgulho e outros sentimentos que tais, as nações aprenderão a valorizar a paz, buscando-a, então, sincera e veementemente, através da fraternidade e do solidarismo cristão.

Assim também acontece com nossas almas.

Criadas simples e ignorantes, mas dotadas de aptidões para o desenvolvimento de todas as virtudes e a aquisição de toda a sabedoria, hão mister de, vida pós vida, neste orbe e em outros, passar por um processo de burilamento que muito as fará sofrer.

É a luta pela subsistência. São as enfermidades. As insatisfações. Os conflitos emocionais. Os desenganos. As imperfeições próprias daqueles com os quais convivemos. Enfim, as mil e uma vicissitudes da existência.

Nesse autêntico entrevero, usando e abusando do livre arbítrio, cada qual vai colhendo vitórias ou amargando derrotas, segundo o grau de experiência conquistada. Uns riem hoje, para chorarem amanhã, e outros que agora se exaltam, serão humilhados depois.

Tudo, porém, concorre para enriquecer nossa sensibilidade, aprimorar nosso caráter, fazer que se nos desabrochem novas faculdades, o que vale dizer, se dilatem nossos gozos e aumente nossa felicidade.

Bendito seja, pois, o Espiritismo, pela revelação dessa verdade, à luz da qual se nos patenteia, esplendorosamente, a Bondade infinita de Deus!

Rodolfo Calligaris
Revista Reformador de Janeiro de 1966


14 novembro 2014

Da Animalidade à Angelitude - Richard Simonetti




DA ANIMALIDADE À ANGELITUTE
 
Os Espíritos são os seres inteligentes da criação. Constituem o mundo dos Espíritos, que preexiste e sobrevive a tudo. 

Os Espíritos são criados simples e ignorantes. Evoluem, intelectual e moralmente, passando de uma ordem inferior para outra mais elevada, até a perfeição, onde gozam de inalterável felicidade.

As pessoas que têm animais domésticos surpreendem-se com seu comportamento. 

Em algumas iniciativas parecem dotados de discernimento, particularmente o cão, o que melhor se relaciona com o Homem. São incontáveis as histórias sobre sua vivacidade.

No entanto, as religiões tradicionais situam os irracionais por simples máquinas comandadas por programações biológicas – os instintos. 

Não seriam, portanto, imortais.


***

Em círculos religiosos obscurantistas, na Idade Média, acreditava-se que as crianças com sérias limitações mentais não possuíam alma. Daí se aproximarem do comportamento instintivo dos irracionais.

Ainda hoje, superada essa aberração, a questão constitui sério problema para a teologia ortodoxa, envolvendo a situação dos excepcionais após a morte.

Não podem ir para suposto inferno. Sem condições para exercitar o livre-arbítrio, não assumem responsabilidade por suas ações.

Mas, pela mesma razão, também não fazem por merecer o Céu. 

Por outro lado, há as crianças que morrem ao nascer.

Para onde vão suas almas, se não tiveram tempo para opções condenáveis ou louváveis?
A solução encontrada por teólogos medievais não satisfaz à lógica. 

As almas das crianças, bem como dos excepcionais, iriam parar no limbo, região intermediária isenta dos tormentos infernais, mas sem a plenitude das venturas celestiais. 

Certamente não estariam satisfeitas. Haveriam de reclamar pelo fato de Deus não lhes ter oferecido a possibilidade de conquistar as etéreas paragens.



***

Assim como os animais seriam seres à parte, na Criação, outros haveria, seres especiais, denominados anjos, superiores em inteligência, cuja principal função seria a de atuar como intermediários entre Deus e os homens. 

Cada ser humano teria o seu, designado pelo Criador para protegê-lo.

Poderíamos perguntar, como o fariam os animais se falassem:
– Por que Deus não me fez anjo? Por que a existência desses seres privilegiados, situados em patamar superior à Humanidade, não por méritos pessoais, mas por escolha divina?

É como um pai que, por vontade própria, gerasse filhos irracionais, ou débeis mentais, ou precariamente racionais, ou inteligências geniais, conforme lhe desse na veneta. 

Os anjos, embora superiores aos seres humanos, nem sempre foram virtuosos e obedientes. Muitos se rebelaram. Ao invés de ajudar os homens em nome de Deus, passaram a persegui-los em nome de suas ambições, procurando arrastá-los ao mal na Terra, para aprisionar e torturar suas almas no Além.
O diabo seria esse anjo rebelde.


***

Essas idéias são questionadas na atualidade, quando o homem vai atingindo sua maturidade intelectual, tornando-se mais exigente quanto aos princípios religiosos, esperando que sejam, sobretudo, racionais, que atendam à lógica.

Ideal seria uma teoria mais abrangente, uma idéia que permitisse explicar melhor a vida, os seres vivos e os propósitos de Deus, atendendo aos imperativos da Justiça.

É exatamente essa a proposta da Doutrina Espírita a partir de informações colhidas da Espiritualidade, sem especulações teológicas.

Segundo o Espiritismo, todos os seres vivos têm um princípio espiritual em evolução.

Poderíamos situá-lo como a “alma” dos irracionais.

Submetido à experiência reencarnatória, com breves estágios na Espiritualidade, obedece à sintonia vibratória que o liga a determinada espécie.

Desenvolvendo-se, habilita-se a encarnação em espécies superiores, como quem sobe os degraus de uma escada.

O princípio espiritual chegará um dia à complexidade necessária para conquistar a capacidade de pensar.
Será, então, um Espírito, um ser pensante.

Uma senhora, ouvindo a respeito do assunto, suspirou:
– Ah! Agora está explicado por que meu marido parece um gorila mal educado. É o próprio!

E ele:
– Agora sei por que minha mulher comporta-se como uma jararaca! Venenosa como ela só!

Ambos estão equivocados, caro leitor.

A transição entre o princípio espiritual e o Espírito ocorre em outros planos do Infinito, demandando largo tempo. 

Entre o irracional e o homem, há longos caminhos a percorrer, fora da Terra.


***

A idéia de que os animais têm um princípio espiritual que evolui, explica por que alguns demonstram lampejos de inteligência. 

Estão mais perto dela. Já a possuem, de forma rudimentar.

Pode parecer estranho, mas é perfeitamente lógico.

Segundo Darwin, o corpo que usamos levou bilhões de anos para ser preparado por Deus, na oficina da Natureza.

Ora, por que o Espírito, a personalidade imortal, que é incomensuravelmente mais complexo, deveria ser criado num passe de mágica por Deus, dotado da capacidade de pensar e de decidir seu destino?


***

Como não fomos criados todos ao mesmo tempo, já que Deus o faz incessantemente, é natural que encontremos Espíritos encarnados e desencarnados, menos evoluídos, mais evoluídos ou no estágio de evolução em que nos encontramos.

A todo momento, no contato com as pessoas, constatamos essa realidade. Não somos iguais, como diferentes são uma criança de cinco anos e um ancião de oitenta.

Os Espíritos mais evoluídos moral e intelectualmente tornam-se intermediários de Deus para ajudar seus irmãos menos experientes. 

Daí a existência dos anjos protetores. 

Não são seres privilegiados. Apenas irmãos nossos mais vividos, mais esclarecidos e conscientes, a cumprir os programas de Deus.

Como a evolução dos Espíritos está subordinada às suas iniciativas, pode ocorrer que avancem intelectualmente e se atrasem moralmente. Não raro, seguindo por caminhos de rebeldia, pretendem impor a desordem na Terra e o domínio sobre aqueles que se rendem à sua influência.

O diabo nada mais é que a representação desses Espíritos.

Situação transitória, porque Deus nos criou para a perfeição e lá chegaremos quer queiramos ou não, porque essa é a sua vontade.

O demônio de hoje será o anjo de amanhã, quando a vida lhe impuser penosas experiências de reajuste, reconduzindo-o aos roteiros do Bem.


***

Da irracionalidade à angelitude há longa jornada.

A Doutrina Espírita nos diz que poderemos caminhar mais depressa, com mais segurança, com menos sofrimento, com menos problemas.

Sobretudo, podemos caminhar felizes e confiantes.

Como?

É simples.

Basta que nos disponhamos a desenvolver o conhecimento das Leis Divinas, com o estudo, e a sensibilizar o coração, com a prática do Bem.
 
Richard Simonetti
Extraído do Livro: Espiritismo, uma Nova Era


13 novembro 2014

Determinismo e Livre Arbítrio -


DETERMINISMO E LIVRE ARBÍTRIO

Determinismo é a doutrina que afirma serem todos os acontecimentos - inclusive vontades e escolhas humanas causados por acontecimentos anteriores. 

Segue-se que o ser humano seria destituído de liberdade de decidir e de influir nos fenômenos em que toma parte. O indivíduo faz exatamente aquilo que tinha de fazer e não poderia fazer outra coisa; a determinação de seus ates pertence à força de certas causas, externas e internas. É a principal base do conhecimento científico da Natureza, porque afirma a existência de relações fixas e necessárias entre os seres e fenômenos naturais: o que acontece não poderia deixar de acontecer porque está ligado a causas anteriores. A chuva e o raio não surgem por acaso; a semente não germina sem razão, etc.; há sempre acontecimentos prévios que preparam outros: chove porque houve primeiro evaporação, depois resfriamento e condensação do vapor; e assim por diante. 

Os mundos físico e biológico são, pois, regidos pelo determinismo - no nível macroscópico. Em o nível mental, também vigora o mesmo princípio, pois, os pensamentos têm uma causa, assim como as nossas ações, deles decorrentes; pensamentos e aros estão relacionados aos impulsos, traços de caráter e experiências caracterizam a personalidade.

A doutrina aposta é a do livre-arbítrio, que declara a vontade humana livre pira tomar decisões e determinar suas ações. Diante de várias opções oferecidas por uma situação real, o homem poderia escolher uma racionalmente e agir livremente de acordo com a escolha feita (ou não agir se o quisesse). Exige, portanto, capacidade de discernir e liberdade interior. 

O animal e o selvagem vêem as coisas em função da sua utilidade imediata na satisfação de instintos e impulsos primários; um pedaço de carne desperta interesse havendo fome para acalmar e só para esse fim. 

O civilizado, porém, percebe as coisas sob múltiplos aspectos; a carne poderia servir para alimentar a criação, ser examinada ao microscópio, fabricar ácidos aminados para a medicina usar, inspirar um drama ou poema, etc. Tem ele, conseqüentemente, de tornar urna decisão sobre a escolha a fazer. 

Podemos supô-lo livre para tanto, reconhecendo, contudo, que freqüentemente a condição mental do sujeito impõe restrições ao livre-arbítrio: irreflexão (impulsividade), hábitos fixos, inércia, imitação, moda, etc. Todavia, essas limitações não chegam a cassar a liberdade por completo nem eliminam a responsabilidade dos atos. Por ter de dormir três horas todas as tardes ou beber, ele sofrerá diminuição da liberdade de decisão e ação, mas é o dono desses hábitos e, daí, o responsável pelas conseqüências do que fizer.

O aspecto essencial da questão consiste em saber se o sujeito, ao praticar a ação, era livre ou não para praticá-la se há liberdade de escolha diante de várias possibilidades oferecidas por uma situação - ou se ele só poderia ter feito precisamente o que fez. ser livre não significa agir ao acaso, desordenadamente; vimos acima que as nossas ações têm uma causa, que não elimina nosso poder de determinação. Para abordar tal questão, faremos, primeiro, observar que ninguém parece se conduzir como autômato e as atividades usuais desempenhadas pelas pessoas levam a pressupor a existência de vontade própria. Elas estudam, compram, discutem, vão à igreja, respeitam a lei ou a desrespeitam, constroem pontes, etc. Alguém pode tomar uma decisão semanas antes e mantê-la até o fim ou mudar a direção dela. 

Depois, perguntaremos: 1) no mundo físico infra-atômico e no reino vivo infracelular vigoram as mesmas relações, absolutamente constantes, da escala macroscópica? 2) o determinismo psíquico está sujeito à mesma rigidez do determinismo físico mencionado?

A Ciência responde fornecendo elementos sugestivos. Na verdade, o determinismo férreo do mundo inanimado vigora para os grandes corpos considerados em pequeno número; daí o sucesso das leis de Newton na previsão do movimento dos corpos celestes, da trajetória de um projétil, etc. É diferente em se tratando de corpos mínimos e em grande número, tal é o caso das partículas elementares da matéria; entra em jogo a probabilidade, isto é, leis estatísticas. De fato, as partículas subatômicas, como os elétrons, não admitem previsão exata como aceitam os planetas e cometas, e.g. Corpos muitíssimo pequenos têm um comportamento diverso do de corpos visíveis. Não é possível estabelecer, ao mesmo tempo, a velocidade e a posição de uma daquelas partículas - e sem conhecer os dois valores não há previsão de movimento. 

Logo, existe neste nível indeterminação, como se cada corpúsculo material pudesse realizar uma escolha entre várias possibilidades. Também a radioatividade ou desintegração espontânea do rádio (metal) mostra isso. Uma quantidade qualquer do rádio leva 1.590 anos para reduzir-se à metade sozinha; é a vida média. Isto é calculável com exatidão, mas quando um átomo se desintegrará ninguém consegue determinar; tanto ele fragmentar-se-á no próximo segundo, daqui a uma hora ou dentro de 1.000 anos... Tudo acontece como se ele tivesse liberdade para decidir acerca do momento de desintegrar-se, sem que nenhuma força externa possa alterar isso.

Entre os seres ,vivos, os genes exibem um comportamento semelhante. Genes são grandes moléculas de ácido nucléico encarregadas da transmissão das características de um organismo para os que descendam dele. De suas combinações e alterações surgem as modificações observadas nos animais e nas plantas. O fato importante aqui é que essas alterações, ditas mutações, não se podem antecipar; elas surgem de modo descontínuo.

Estes dados experimentais dão novo aspecto ao problema do livre-arbítrio- A matéria, viva ou inanimada, rege-se pelo determinismo completo no conjunto, considerando o que é grande e visível. Na intimidade, porém, considerando o que é infinitamente pequeno, vigora o indeterminismo que só admite o cálculo de probabilidade. são dois níveis distintos de estrutura e comportamento, regulados por leis diferentes.

No mundo mental, emerge um novo fator, cujo desempenho é bastante imprevisível

Em 8 e 14, determinismo e livre-arbítrio foram explicados sumariamente. O que ali foi dito concorda com os aspectos fundamentais da questão segundo O Livro dos Espíritos e O Problema do Ser, da Destino e da Dor, questão que Ubaldi e Monteiro de Barros explanam sabiamente. Vamos agora distender um pouco mais as noções referentes a esse assunto relevante. 

Percebemos que, no homem, existem os dois princípios de ação. Como entender isso? Apelando para um princípio superior a eles.

Ora, vimos que o princípio central da Lei de Deus é a evolução. Nos reinos animal e humano inferior prevalece o determinismo; o instinto dá o melhor sem o perigo da escolha malfeita e o selvagem age movido por impulsos semelhantes. 

O livre-arbítrio é progressivo e relativo, evoluindo do determinismo físico à medida que a consciência (razão) se desenvolve. Crescendo a razão, aumenta a liberdade de decidir; os padrões fixos de comportamento cedem lugar à opção inteligente. Em suma, o livre-arbítrio é uma conquista evolutiva. E, com ele, desponta um novo fator moral - responsabilidade ou necessidade de enfrentar as conseqüências dos atos praticados, que a Lei impõe a todos. Vimos acima que há restrições internas ao desempenho da liberdade. Convém observar que há também restrições externas no campo da atuação; o determinismo do mundo material interfere com a liberdade dos atos; ninguém pode impedir a neve de cair ou o vento de soprar, prendendo-o em casa e alterando programas traçados. Além disso, o apego às coisas materiais reduz a independência da ação do espírito.

Mas, em que sentido é livre o espírito humano? Percebemos nitidamente que, sob vários aspectos, não o é; que há inúmeros acontecimentos inevitáveis, razão do conceito de fatalidade, que devemos reformar.

A liberdade de decidir e agir existe antes da ação ser executada. Posta em movimento o agente prende-se aos efeitos das causas que gerou. Entra em cena a lei de causa e efeito ou de ação e reação, estudada a seguir, e da qual não é possível separar nitidamente as questões em pauta. Segue-se daí que a liberdade é condicionada, conforme conceitua Bozzano e que o livre-arbítrio é relativo - pois dependem do que se fez antes.

Todos gozamos, em graus diversos, de livre vontade e estamos presos ao determinismo. A liberdade reside no presente; podemos agir com independência por meio da faixa de consciente atual, que atende às necessidades da vida presente. A determinação promana do passado culposo. As causas que geramos no passado pelas próprias ações constituem a área de determinismo, conservada em estado inconsciente. 

Temos de reabsorver as conseqüências das más ações, o que a liberdade do presente garante porque, com ela, podemos emitir novos impulsos que venham corrigir os precedentes. Originando novas causas com o bem, hoje, é possível neutralizar as causas pretéritas do mal e reconquistar o equilíbrio. Muitas situações são armadas contra a nossa vontade:

as ações passadas constituem a faixa determinada do destino, da qual não há fuga. Mesmo nas piores condições, esclarece André Luiz (Ação e Reação), como uma prisão em cela, ainda vigora certa dose de liberdade de decidir, que poderá ser empregada para melhorar ou piorar a própria situação conforme o comportamento adotado; podemos sempre, na expiação, agravar ou atenuar nossa posição perante a Lei.

O livre-arbítrio do próximo não pode ser violado mediante a imposição de atitudes que ele deve assumir espontaneamente, por convicção própria. Onde há duas pessoas, há direitos a respeitar. A liberdade de um termina onde começa a de outro. semelhante violação significa débito a pagar.

Funciona melhor o livre-arbítrio no Espaço. O espírito tem conhecimento do que lhe cumpre passar e realizar na Terra e concordou com isso. A chamada "fatalidade" é a escolha feita, antes da encarnação, de uma expiação ou prova. Foi exercida a liberdade nessa ocasião. Depois, é como se o espírito houvesse traçado para si mesmo uma sorte de destino infalível. É uma escolha ou ajuste de interesse para a evolução moral e terá de cumprir-se inexoravelmente. Mas, nem tudo o que nos acontece deriva do passado.

Queimar a mão poderá ser simplesmente imprudência; ter uma indigestão é sinal de excesso praticado.

A seguir, no tratamento da lei de causa e efeito, haverá forçosamente alguma repetição em vista das íntimas relações dela com o problema da liberdade de decisão e ação.

Carlos Toledo Rizzini
 Evolução para o Terceiro Milênio - Edicel

12 novembro 2014

O Deficiente após a morte - Sidney Batista

 

O DEFICIENTE APÓS A MORTE

Antes deste breve estudo, importa saber que "o espírito" é revestido de um envoltório fluídico, semi-material, ou perispírito, cuja matéria se eteriza a medida em que ele se purifica. Possui Forma flexível e expansível, amoldando-se à vontade (ou necessidade) do espírito.

No livro "Perante a Eternidade", um espírito que na vida carnal fôra deficiente, conta-nos alguns aspectos do que ocorre com eles após a morte do corpo físico. Os que sofrem com resignação têm no corpo doente a cura do espírito; os que se revoltam, foram maus, desencarnam e continuam deficientes, às vezes em estado pior.

Conversei com urna senhora que, encarnada, foi cega. Por sua extrema revolta, cometeu muitos erros, desencarnou e ficou quinze anos cega, vagando pelo Umbral. Outros, socorridos, são internados em hospitais daqui e são curados com passes e tratamento.

Para as pessoas boas tudo é mais fácil. Como o caso de um senhor que conheci encarnado, cego de nascença. Pessoa boníssima, trabalhava para seu sustento. Contou me que sua desencarnação foi como "dormir"; ao acordar, abriu os olhos e enxergou, embora visse tudo embaralhado. Gritou de felicidade. Um médico do hospital para onde fora levado lhe explicou sua situação de desencarnado, aplicou-lhe passes e ele passou a enxergar nitidamente.

Conversei com um rapaz que foi, encarnado, paralítico. Com dificuldade movia somente a cabeça e as mãos. Encarnou assim e desencarnou na adolescência. Falando de sua vida, contou-me que destruiu, na outra existência, seu corpo perfeito num suicídio, pulando de um penhasco, e o remorso impediu-o de reconstruir o perispírito. Logo que tornou conhecimento de sua morte, pôde se mexer e com algumas horas de tratamento, quando lhe foram anuladas as impressões do corpo físico, pôde andar. Terminou, contente, sua narração, falando que aprendera a dar valor ao corpo Físico e que é muito feliz por Deus ser Pai amoroso e não punir, pela eternidade (inferno eterno), erros de momento.

Conversei com muitos que foram deficientes, surdos mudos, aleijados, débeis mentais. Os bons foram socorridos de imediato e, após tratamento, tornaram-se sadios. No meu caso, a primeira impressão que tive ao desencarnar é que continuava sem o membro extraído. Muitos necessitam tratamento psicológico para que seja reconstituído o membro que lhe faltava. Em casos de crianças e adolescentes, a reconstituição é mais fácil, por não estar enraizada a falta do membro. Crianças aceitam sugestões mais facilmente, tornando-se perfeitas em curtos períodos.

Conheci um homem no tratamento psicológico que, encarnado, teve o corpo perfeito. Desencarnou e o remorso fez com que seu braço direito desaparecesse. Quando encarnado, num impulso de raiva, surrara sua mãe. Ela caiu, bateu a cabeça e desencarnou. Quando ele desencarnou, sofreu muito no Umbral. Quando o remorso o visitou não quis o braço e este desapareceu. (Sendo o perispírito suscetível à ação da mente, o remorso externo convergiu seus fluídos destruidores para o braço que agrediu a mãe). Faz tratamento na colônia. Se encarnar assim, o feto, o corpo de carne, não terá o braço direito.

Enfim, sabemos que os deficientes resignados, boas surpresas terão ao desencarnar. Não é o pai amoroso que nos faz doentes. Nós, pelos nossos erros, causamos deficiências. Pelo sofrimento, pela aceitação é que nos curaremos e nos tornaremos sadios. Bendito seja o Pai pelas grandes lições que temos. Podemos, com um corpo deficiente, reparar erros que, em muitas crenças, nos trariam o castigo eterno.

Sidney Batista
Fonte: Jornal O Girassol
Revista Espírita Allan Kardec, nº 38.

11 novembro 2014

No Velório, Tenha Piedade do Morto - Jávier Godinho




NO VELÓRIO, TENHA PIEDADO DO MORTO
  
Quem vai a um velório sem consciência de que aquele é um lugar de muito respeito, de oração sentida e de bons pensamentos, não imagina o mal que pode estar causando ao morto. Sua falta de educação e sua insensibilidade são dolorosas a quem se despede deste mundo.

Em primeiro lugar, o espírito que deixa o corpo entra imediatamente num ciclo de perturbação, para se desligar do corpo que não lhe serve mais, o que pode demorar poucas horas, meses ou até anos, variando de acordo com seu adiantamento moral. Nessa passagem, o espírito prepara-se para longo sono, do qual despertará sem noção de tempo e espaço, até se adaptar à nova dimensão. Será como um mergulhador que retorna numa cápsula do fundo do mar para a quarentena de adaptação a seu ambiente natural.

Assim, num momento tão crucial, ter em sua volta pessoas que, a título de dele se despedir, fazem do cemitério uma esquina a mais do Café Central, discutindo política, negócios e futebol, quando não coisas piores, obviamente lhe tornará mais penosa a travessia entre dois mundos. Mais do que nunca, o espírito precisa de vibrações de harmonia, que só se formam através da prece sincera e de ondas mentais positivas.

Ensina O Livro dos Espíritos que a separação não se opera instantaneamente. A alma se liberta gradualmente e não escapa como um pássaro cativo que, de repente, ganhasse a liberdade. Esferas material e espiritual se tocam e se confundem e o espírito se liberta, pouco a pouco, dos laços que o prendem ao corpo. Os laços se desatam, não se quebram. É por isso que desenlace é sinônimo de falecimento. Em vida, o espírito fica preso ao corpo através do seu envoltório semi-material ou perispírito. A morte é a destruição somente do corpo e não do perispírito.

A perturbação que se segue à morte nada tem de dolorosa para o justo, aquele que esteve na Terra sintonizado com o Céu, errando por ser humano, mas decidido na prática sistemática do bem. Para os que viveram presos ao egoísmo, escravos dos vícios e ambições mundanas, a morte é uma noite, cheia de horrores, ansiedades e angústias. Nos casos de morte coletiva, todos os que perecem ao mesmo tempo nem sempre se revêem. Na perturbação comum, cada qual vai para seu lado ou se preocupa apenas com aqueles que lhe interessam.

No seu instrutivo livro Quem tem medo da morte?, Richard Simonetti considera que basicamente o espírito permanece ligado ao corpo enquanto lhe são muito fortes as impressões da existência física. Os materialistas, que fazem da jornada terrena um fim em si, que não cogitam objetivos superiores, escravos de paixões, ficam retidos por muito tempo, até que a impregnação animalizada de que se revestem seja reduzida a níveis compatíveis com o desligamento.

Certamente os benfeitores espirituais podem fazer de imediato o desligamento, o que não é aconselhável, porquanto o falecido teria dificuldades maiores para se reajustar às realidades espirituais. O que aparentemente sugere castigo para quem não viveu existência condizente com os princípios cristãos, é na verdade misericórdia divina. Não obstante o constrangimento e as sensações desagradáveis que venha a enfrentar, na contemplação de seus despojos carnais em decomposição, tal circunstância é menos traumatizante do que o desligamento precipitado.

O burburinho das conversas vazias e dos comentários irresponsáveis, assim como os desvarios dos inconformados e o desequilíbrio dos descontrolados, repercutem negativamente na percepção de quem está indo embora. Quem conhece os problemas que envolvem o viajor tem o indeclinável dever de contribuir para que os velórios se transformem em ambientes de compostura e serenidade. Richard Simonetti ensina-nos esse caminho:
– Sejamos comedidos. Cultivemos o silêncio, conversando, se necessário, mas em voz baixa, de forma edificante. Falemos no morto com discrição, evitando pressioná-lo com lembranças e emoções passíveis de perturbá-lo, principalmente se forem trágicas as circunstâncias do seu falecimento. E oremos muito em seu benefício. Se não conseguirmos manter semelhante comportamento, melhor será que nos retiremos, evitando engrossar o barulhento coro de vozes e vibrações desrespeitosas, que tanto atrapalham o morto.

Como quem não ouve conselho ouve coitado, fica aqui a receita da lógica e da razão, porque recebemos exatamente o que oferecemos aos nossos semelhantes. Lembremo-nos de que, mais dia menos dia, também nos encontraremos de pés juntos, deitados numa urna mortuária e ainda atados às impressões da vida física. 

Desejaremos, então, que nos respeitem a memória e não conturbem nosso desligamento, amparando-nos nos valores inestimáveis do silêncio e da oração, da tranqüilidade e da compreensão, a fim de atravessarmos com segurança, conforto e rapidez, os umbrais da Vida Eterna. E pela lei de causa e efeito, vigente em tudo no Universo, teremos em nós o que fizemos aos outros.

Fonte: Jávier Godinho - Diário da Manhã 

10 novembro 2014

Sorria hoje! - Aluney Elferr Albuquerque Silva



SORRIA HOJE!

Muito se diz por aí, que ser feliz está sendo cada vez mais difícil.

 Encontramos diversas pessoas que dizem quando escutam, por exemplo, uma boa piada, “ah, eu nunca mais tinha sorrido assim”.

Outras tantas exclamam: “com tudo o que acontece no mundo, sorrir é um caso muito sério”. 

Para essas colocações, temos observações, que gostaríamos de expor, antes de falar em nosso assunto central, mas não temos a pretensão de induzir ninguém a pensar como pensamos, primeiro gostaríamos de mostrar que existe um outro lado e que muitas vezes nosso ponto de vista esta muito limitado. 

Você já viu alguma casa bonita? – mas aquelas que você gostaria de viver? – aquela que possui o jardim ideal, a varanda ventilada, a sua cor preferida, já viu? – acredito que sim, então imagine-se morando nela e tendo que fazer uma reforma geral em toda a sua estrutura! Jardim, varanda, pintura, quartos e tudo mais. 

Então vamos começar a reforma, e como ela vai ficar durante a reforma? Bonita ou feia?

O que nos leva a entender que as coisas quando passam por reformas, ficam temporariamente sem sua beleza natural, ou pelo menos empalidece, para se tornar no amanhã algo ainda mais belo e melhor.

As construções do homem por serem, na grande maioria, egoísta e orgulhosa, tendem a obscurecer as belezas naturais, então de tempos em tempos as grandes reformas terrenas acontecem para equilibrar e rearmonizar o que estava desgastado e desarmonizado, para assim colhermos o que refletirmos em nossos atos tresloucados. 

Mas, temas como esses não nos devem “murchar” as esperanças, pois, acreditar em nós mesmos é um desafio, um dever, que nos fará mais felizes.

Fazer mossa parte, mediante todas essas catástrofes é necessário, continuar vivendo e vivendo com qualidade.

Muitos dizem, que a paz deve começar efetivamente acontecer, mas pouco se preocupam em começá-la em si mesmos. Não há como cobrarmos as ocorrências externas se não as concretizarmos dentro de nós mesmos. Viver um dia feliz, nos pertence, sorrir para alegrar nossa vida e deixar fluir de nós força suficiente para empolgar os outros, é nosso dever.

Então, vamos olhar sob um novo prisma, os acontecimentos e ver que somos importantes, pois, temos condições de melhorar ou piorar os fatos, e só por isso, já temos certo “poder”.

Vamos começar um dia na luz da oração, e percebamos o dia como sendo mais uma oportunidade de ser feliz. O tudo sem Deus, é nada! O nada com Deus, é tudo!

Somos criaturas, criadas por Deus, criaturas especiais, feitas do Amor, para a felicidade.

Se te maculam a imagem com zombarias, o exemplo bem aplicado apaga mil conjecturações.

E te machucam com palavras duras, a tua ferida se cobrirá de balsamo, somente quando o perdão vier.
Se reclamam te contributo, auxilia mais.

Somente você tem a permissão de se deixar infelicitar pelas asperezas dos outros.

Levante a cabeça, sorria, hoje, faça a sua parte e siga adiante.

Sorrir, hoje, um ensaio para sorrir sempre.


Autor: Aluney Elferr Albuquerque Silva


09 novembro 2014

Honorabilidade - Joanna Ângelis


HONORABILIDADE


Estatuiu-se, na sociedade terrestre, que as conquistas de qualquer expressão exaltam o indivíduo e proporcionam-lhe honorabilidade e respeito. O progresso, portanto, atrela-se a qualidades morais, mesmo quando não exista qualquer correlação de identidade.

O desenvolvimento intelectual, a conquista de recursos econômicos, o destaque na Arte, na política, em qualquer que seja a área, produz respeitabilidade, honradez, e o seu portador passa a receber a bajulação dos parvos e dos aproveitadores, dos oportunistas sempre à espera de compensações. Entrementes, o progresso material nem sempre faz-se acompanhar daquele de natureza moral.

Nem todas as aquisições que deslumbram e projetam o ser humano têm procedência digna, sendo muitas assinaladas pela astúcia ou pela desonestidade, por métodos escusos ou heranças de procedência vergonhosa.

A honorabilidade resulta da vivência dos valores éticos adotados, dos costumes saudáveis, das condutas retas.

Mais facilmente se encontra nos sofredores a presença honrosa da dignidade, que constitui alicerce moral de segurança, sobre o qual são edificados os sentimentos de elevação e de paz, mesmo quando não existem os recursos aplaudidos pelos interesses da comunidade.

Considerando-se o hedonismo, o existencialismo e o individualismo que se estabeleceram como programas sociais da atualidade, não são de surpreender as ocorrências danosas que se instalam no comportamento geral com aspectos terríveis, avassaladores.

Violência, crimes de diversas ordens, rivalidades entre os indivíduos, traições, indiferenças pelo próximo e os seus problemas, constituem os frutos espúrios do comportamento ideológico da imensa maioria dos cidadãos do mundo.

Quando se lhes apresentam pautas morais de coragem ante as naturais vicissitudes, roteiros de elevação diante dos desafios evolutivos, propostas de dignificação e condutas éticas, são considerados fora de época, desequilíbrio mental, perturbação masoquista, porque estes são os dias para o prazer em que se deve beber a taça do consumo até as últimas gotas.

A princípio tem-se a impressão de que o licor da juventude e do estonteante gozo é absorvido até o momento quando esse conteúdo converte-se em fel e veneno, passando a destruir aqueles que o libam.

A filosofia dominante, eminentemente egotista, é a do ter mais e sempre mais, do destacar-se para aproveitar o momento fugaz até a exaustão.

Especialistas em atividades de divertimento e de sensações renovadas não se dão conta de que, enquanto elaboram planos de júbilos infindáveis, mais se acercam da desencarnação. Quando surpreendidos pelas enfermidades que alcançam a todos, pelos desencantos de algum insucesso, pelos acidentes orgânicos paralisantes e aqueles de outra natureza, não dispõem de resistência emocional para a sua administração.

Acreditam-se, inconscientemente, invulneráveis, inatingíveis pelo sofrimento que somente elege os outros, a ponto de viverem anestesiados em relação aos valores existenciais e à fragilidade de que se constitui o ocaso carnal no qual se encontram.

Quanta ilusão nos propósitos de viver apenas para desfrutar!


*


É natural que todos os seres humanos anelem pela felicidade. O fundamental, no entanto, é saber-se em que a mesma consiste. Ignorando-se o de que se constitui, abraçam-se as sensações fortes, o armamento preventivo contra a solidariedade, a fim de não se exporem, e fogem sempre na busca da alegria que não deve cessar. Alcançando-a, não se dão conta de como é rápida a sua presença na emoção, logo cedendo lugar à ânsia de novos e incessantes júbilos.

O corpo, porém, não está programado somente para as sensações, mas sobretudo para as emoções e, quando essas se derivam do exterior, abrem espaço para o vazio existencial, para a sensação de inutilidade.

A felicidade, sem dúvida, é emoção profunda e duradoura de plenitude que o Espírito vivencia quando consegue conciliar a consciência tranquila como resultado do caráter íntegro e das emoções pacificadoras.

Honoráveis são todos aqueles que conseguem superar as más inclinações e se dignificam no esforço da autoiluminação.

Nesse sentido, a oferta de Jesus, desde há quase dois mil anos, diz respeito à imortalidade e não apenas à maneira como deve ocorrer o trânsito carnal que passa célere, mas tem como objetivo essencial trabalhar-se em favor do futuro espiritual inevitável.

É natural que se aspirem pelas alegrias, comodidades, satisfações, bem-estares. Isto, porém, resultará das condutas mentais que dão lugar aos acontecimentos que se desenrolam durante a existência.

Transferindo-se de uma para outra reencarnação, as realizações apresentam-se em novas formulações que são os desafios evolutivos para serem enfrentados e superados.

As distrações e fugas do dever não conseguem impedir que, no momento próprio, apresentem-se como impositivos inevitáveis para acontecerem.

A consciência lúcida em torno da imortalidade propicia inefável alegria, por facultar os meios hábeis para o comportamento nos momentos difíceis da reabilitação moral.

Ninguém existe que possa impedir o despertar para a realidade, fenômeno resultante da sucessão do tempo que impõe amadurecimento psicológico, porquanto, qualquer fuga, em vez de libertar do compromisso, mais o complica e o adia, para ressurgir à frente.


*


Não te escuses ao chamado pela dor para a conquista da honorabilidade.

Se conheces algo da doutrina de Jesus, sabes que ela é um hino de louvor à vida e uma exaltação contínua ao amor em todas as facetas em que se apresente.

Reflexiona em torno de como te encontras e o que podes fazer para alcançar a meta que te está destinada: a perfeição relativa, o estado de reino dos Céus na mente e no coração.

Honoráveis foram os mártires de todo jaez, que não temeram o sacrifício, inclusive, o da própria existência.

Todo aquele que transforma a existência em um evangelho de amor no reto cumprimento do dever torna-se honorável.

Esforça-te para entender a finalidade existencial e segue, firme e abnegado, a trilha do teu compromisso para com a vida.


Joanna de Ângelis 
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnica de 6 de agosto de 2014, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.