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15 maio 2020

Sobre sua Família - Joanes



SOBRE SUA FAMÍLIA


É empolgante a marca da Providência Divina no seio das existências humanas.

No sentido de proporcionar apoios e socorros, cooperações e ensinamentos, prepara o Criador o grupo de companheiros que chegarão ao mundo corporal nas malhas da familiaridade consangüínea.

Sabemos que, segundo as condições do nosso mundo, as relações familiares não são as assinaladas por perfeita harmonia, tendo-se em vista que, num campo de episódios relativos ao estágio provacional, as estruturas familiares devem estar submetidas a essa realidade.

Desse modo, são aproximados para a convivência doméstica, nas várias situações de parentesco, espíritos que são simpáticos no bem ou simpáticos nos equívocos; seres que se amam profundamente ou que começam a se amar; outros, ainda, que se abominam, presos pelas intenções divinas de libertá-los de suas deficiências na vivência em comum - intenções de que eles tenham esmerilhados os antagonismos, dissipadas as malquerenças, desfeitas as mágoas, transformados os ódios.

Desde os cônjuges que se ajudam nos passos do crescimento aos irmãos que reforçam os laços ternos das almas; desde os afins que se estimam e vibram com os bons sucessos recíprocos aos afetos que se valorizam e incentivam entre si. Desde esposos que se estranham aos irmãos que se agridem; desde filhos que se perturbam nos vales escuros da teimosia irracional aos afins que se toleram a custo, tudo isto forma painéis das vivências de inumeráveis grupos familiares.

Aparecem queixas diversas sobre familiares que se mostram atenciosos e cordatos com pessoas de fora o lar, mas que são indiferentes ou ásperos com os membros de casa.

Surgem reclamações sobre familiares que estão sempre prontos a aparentar grandezas, com presentes e gastos com os de fora, enquanto se fazem sovinas e coercitivos com os parentes no lar.

É na estrutura da família que cada um aprende o melhor para o seu progresso definitivo.

É na família que encontramos o cadinho especial no qual o fogo das lutas, o atrito das lides, o lixar das diferenças vão aperfeiçoando seus pares, que passam a obter conquistas difíceis e vitórias impensadas. É onde as bênçãos do crescimento individual se estabelecem sob o patrocínio da boa vontade.

Por mais complicado que se mostre o quadro da sua família terrena, ainda que você se sinta atado a forte processo de graves reajustamentos, ainda quando perceba que suas energias se esgotam no fragor das batalhas internas, e que tudo pareça conspirar contra a sua alegria doméstica, jamais se entregue ao desespero, nunca se perca no descaminho da rebelião.

Creia que o Pai Criador que os uniu não comete enganos, e que por isso você está no contexto ao qual faz jus, com as almas com as quais precisa se exercitar para a definitiva instalação do bem no grupo.

Honre-se com a chance que tem de estar vinculado ao seu grupo familiar; rejubile-se por ter a cabeça afagada pelas mãos enternecidas de sua mãe; vibre confiante pela presença paterna, ativa e vigilante, na estrada por onde você trilha; aprenda a retirar boas lições para a sua vida, através das várias diferenças dessa alma que o Senhor lhe ofereceu na pele de irmão carnal, guardando a certeza de que, apesar de todas as pelejas difíceis que vive a equipe doméstica, foi Deus que permitiu a união de todos, em razão das vivências mais ou menos distanciadas no tempo que tiveram.

Acerte-se com a própria consciência, a fim de comungar com as supremas leis do Criador. Verifique onde você tem sonegado atenção ao lar ou a partir de onde tem-se feito cruel com os que o amam, ou, pelo menos, o servem, esforçando-se por modificar essas indesejáveis posturas.

Desenvolva seus sentimentos de bem-querer dirigidos aos seus familiares. E mesmo quando sinta que se mostra difícil maior aproximação emocional com alguns deles, confiante na ação do tempo que Deus lhe dá e no fortalecimento dos seus recursos morais, aprenda a desculpar, a compreender, a servir, aplainando os caminhos do amor verdadeiro para com eles, do mesmo modo que você espera que cada um deles aja em relação a você.

Seja a convivência luminosa ou difícil, amorosa ou fria, calma ou exasperada, não se esqueça de que é o grupo familiar que você merece.

Compreenda a sua família, ainda que com esforços, a fim de que você, observando bem que ela é, saiba compreender-se a si mesmo, percebendo quem você é, porque está vinculada a ela, e de que experiências pretéritas você vem.

Meditação: Os que encarnam numa família, sobretudo como parentes próximos, são, as mais das vezes, Espíritos simpáticos, ligados por anteriores relações, que se expressam por uma afeição recíproca na vida terrena. Mas, também pode acontecer sejam completamente estranhos uns aos outros esses Espíritos, afastados entre si por antipatias igualmente anteriores, que se traduzem na Terra por um mútuo antagonismo, que aí lhes serve de provação. (Cap. XIV, item 8, segundo parágrafo - ESE).


Joanes
Médium: José Raul Teixeira
Livro: Para Uso Diário

14 maio 2020

O Bem no Limite das Forças - Rogério Miguez

 
O BEM NO LIMITE DAS FORÇAS

Para agradar a Deus e assegurar a sua posição futura, bastará que o homem não pratique o mal?  “Não; cumpre-lhe fazer o bem no limite de suas forças, porquanto responderá por todo mal que haja resultado de não haver praticado o bem.”1

Manancial aparentemente inesgotável de ensinamentos, O livro dos espíritos é um compêndio com imensos tesouros, sendo descobertos na medida em que o leitor amadurece espiritualmente, alcançando pouco a pouco a idade da razão. Leia-se uma, duas, mil vezes, e em cada leitura observam-se pérolas não percebidas anteriormente. Entre tantas excepcionais perguntas e respectivas respostas, sábias e elucidativas, uma se destaca por fornecer um guia seguro de conduta e comportamento para todos os espíritas e certamente no futuro para toda a humanidade. Referimo-nos à pergunta de número 642. Nesta, Allan Kardec, abordando a primeira Lei divina, a Lei Natural, em seu item terceiro, quando explora os conceitos sobre “o bem e o mal”, após várias considerações, expressa o desejo de entender como nos conduziremos para alcançar a tão almejada “salvação”, visto assim podermos interpretar desta forma o texto: “Agradar a Deus e assegurar a sua posição futura”.

Notam-se no conjunto duas recomendações de conduta regendo a nossa existência, considerando o aspecto moral: “não fazer o mal”; “fazer o bem”, contudo, há um destaque: […] responderá por todo mal que haja resultado de não haver praticado o bem. (Destaque nosso.)

Vemos claramente duas obrigações: uma de não fazer e uma de fazer, mas, com ênfase ao exercício da segunda no limite das forças, quando, mesmo não praticando o mal, há possibilidade de se incorrer em falta.

Observa-se no original francês, a orientação também escrita em itálico: “à cause du bien qu’il n’aura pas fait”, vindo dai a razão dos tradutores terem sido fiéis ao texto, mantendo o destaque original. E qual seria a justificativa de Allan Kardec, por ter registrado em itálico apenas esta parte da resposta? Teriam os Espíritos lhe sugerido escrever desta forma para alertar os futuros leitores sobre este particular e importantíssimo enfoque? Desconhecemos, contudo, independente do motivo, destaca-se o fato. Talvez seja este o lado menos observado em nossa conduta em relação ao próximo, afinal, não fazer o mal é “relativamente fácil” e fazer o bem “também o é”, mas fazer o bem até a exaustão não é uma conduta esperada de Espíritos vinculados a um mundo de provas e expiações em vias de se regenerar.

O que nos impede de concretizar esta ou aquela ação com possibilidade de redundar em um bem para o próximo, mesmo cientes de, na falta desta, um mal poder advir? O egoísmo é certamente um dos impeditivos, pois, quando a oportunidade se apresenta e, deliberadamente nos omitimos em agir por suposta falta de tempo, cansaço físico ou mental, desleixo, descaso, comodismo, leviandade, “cansaço de fazer o bem”, todas justificativas egoísticas, deixamos de atender a recomendação final da resposta.

Recorramos a um caso prático, entre muitos possíveis exemplos: há no Movimento Espírita atual uma situação deveras peculiar. Médiuns perturbados têm escrito inúmeros livros não espíritas, embora afirmem o contrário. Estes falsos livros espíritas têm se misturado com a lavra espírita qual erva daninha, precisando ser extirpada, conforme ensinamento de Jesus: “Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada” (Mateus 15:13.)

Entretanto, em nome da imparcialidade, da liberdade de escolha tão difundida pela Doutrina, continua-se a divulgar obras ditas espíritas, deixando para o leitor decidir se a obra é boa ou não. Omitem-se em “arrancá-las”, conforme recomendou Jesus, pois dá trabalho, asseveram.

Há mesmo outros, detentores de meios radiofônicos e televisivos, recursos provisoriamente sob nossa guarda, pois somos mordomos dos bens de Deus, insistindo em propalar opiniões controversas sobre a Doutrina, sob o mesmo falso “amparo moral”, qual seja: “em nome da honestidade”, dizem, oferecemos aos ouvintes e telespectadores uma gama de informações sobre o espiritualismo, deixando para os mesmos a responsabilidade de seguir este ou aquele rumo. Esta atitude seria muito nobre caso estes programas não pretendessem ser espíritas, visto alguns possuírem em suas designações a denominação espírita. Estariam corretos se estivessem alinhados com o espiritualismo, mas não com o Espiritismo, como se apresentam. No primeiro caso poderiam abordar questões em diversas áreas do conhecimento espiritualista, sem preocupação em faltar com a fidelidade a Allan Kardec e apresentar opiniões controversas, caso contrário, incorrem em grave responsabilidade, pois quando se divulga para um, é um quadro, para dezenas, outro cenário, agravada pelo conhecimento do que se está fazendo. Já foi dito: “a cada um segundo suas obras” (Romanos, 2:6), proporcionalmente ao entendimento do que se faz. E não podemos tomar exatamente esta situação como um possível exemplo da advertência contida ao final da resposta à pergunta 642?

Se não, imaginemos o leitor, o ouvinte, ou o telespectador, de posse de uma informação incorreta, levianamente disseminada, tomada como verdadeira, construindo o seu castelo de inverdades, pois em cima de uma pedra falsa, colocam-se outras, e mais a frente todo o castelo rui, desmorona, desfaz-se, surgindo a desilusão, a rebeldia, a queixa, a dor, em suma, o mal. A quem se responsabilizará por este desfecho? Se um cego tenta guiar um estropiado, é da Lei, acabam ambos caindo no precipício, mas com consequências diversas na queda, pois o entendimento de cada qual é diferente. Certamente o divulgador da pedra falsa, que não se esforçou por bem selecionar o joio do trigo, deverá responder com maior severidade aos rigores da Lei. É omissão grave, pois detêm temporariamente meios de difundir a Doutrina e orientar a muitos, entretanto, divulgam tudo, permanecendo indiferentes ao que é de fato Espiritismo ou não, e deixam aos seus seguidores a responsabilidade de como agir.

Esta conduta é semelhante a vender remédios sem a respectiva receita: se o doente comprar o remédio errado, que não se aplique à sua particular necessidade, o que vendeu se julga sem responsabilidade, pois afinal foi o desejo do comprador, mas se esquece, poderíamos acrescentar, haverá severa prestação de contas.

A liberdade possuída é relativa, depende de responsabilidade, e se ainda não a possuímos no seu pleno e amplo significado, é preferível se abster de fazer, ou fazer certo, no limite das forças.

Após esta brevíssima abordagem, vale a pena recordar a motivação de Allan Kardec quando formulou esta pergunta. Conta Irmão X, em Cartas e Crônicas2, que um dia Kardec, após tomar conhecimento de um sonho de Lutero, impressionado, adormeceu. “O grande reformador, em seu tempo, acalentava a convicção de haver estado no paraíso, colhendo informes em torno da felicidade celestial.”
2 Allan Kardec, durante o sono, foi levado por um emissário dos planos sublimes à região de grande sofrimento no espaço. Impressionado indaga quem estaria naquelas plagas de tantas agruras: os crucificadores de Jesus? os imperadores romanos? os algozes dos cristãos, dos séculos primitivos do Evangelho? […] O Codificador do Espiritismo pensou nos conquistadores da antiguidade, Átila, Aníbal, Alarico I, Gengis Khan…2 Nenhum deles povoava aquelas regiões, esclareceu o emissário, ali se encontravam “os cristãos infiéis”2 do mundo, plenamente educados quanto aos imperativos do “bem e da Verdade”, porém, fugitivos conscientes da “Verdade e do bem”.2

Chocado com a inesperada observação, Kardec regressou ao corpo e, de imediato, levantou-se e escreveu a pergunta que apresentaria, na noite próxima, ao exame dos mentores da obra em andamento e que figura como a questão de número 642 de O Livro dos Espíritos […].2

Vale lembrar, o texto de Irmão X intitula-se: Consciência espírita.

Autor: Rogério Miguez
Fonte:
Portal do Espírito

Referências:

1 - KARDEC, Allan. O Livro dos espíritos.Trad. Guillon Ribeiro. 93. ed. 1. imp. [Edição Histórica.]Brasília: FEB, 2013. q. 642.

2 - XAVIER, Francisco C. Cartas e Crônicas.Pelo Espírito Irmão X. 14. ed.2. imp.Brasília: FEB,2014. cap.7,p. 29 a 32.

Como agem os Vampiros Espirituais - Sylvinha Gonçalves



COMO AGEM OS VAMPIROS ESPIRITUAIS


Certa noite, cansado do Umbral, resolvi ir à festa. Entrei, sem a menor dificuldade, numa boate e me aproximei de um casal. Sentados na área externa do ambiente, o homem e a mulher tomam suas bebidas em grandes goles e riam descontroladamente, visivelmente embriagados.

– É agora! – Disse, animado

Simplesmente colei neles me beneficiando do álcool que fortemente exalavam. Ainda não era suficiente para o meu próprio “barato” e os influenciei para que comprassem mais bebida.

O homem se levantou e foi até o bar, enquanto que a mulher, para a minha alegria, tirou da bolsa um maço de cigarros, mas não encontrava o isqueiro. Agitada, começou a vasculhar a bolsa, mas eu, o localizando, dei meu comando e logo ela acendeu o seu cigarro. Aspirei profundamente a fumaça, ainda quente de seus pulmões, relaxando com minha parceira da noite.

Após uns minutos, avistei duas jovens, que eram bem mais vantajosas. Elas se dirigiram ao banheiro e peguei carona, pois sabia que o melhor estava por vir.

Ciente de suas intenções, distraí as duas mulheres que estavam na porta, fazendo com que elas desistissem e voltassem para a pista. Fiquei de sentinela, enquanto uma delas colocava sobre a pia um estojo espelhado com pó, oferecendo à amiga. Tudo sob controle, as duas se revezaram, limparam os narizes, lavaram as mãos e saíram.

Ainda não estava satisfeito. Foi então que segui um casal nada discreto, indo em direção à ala reservada somente aos casais. Facilmente os induzi à prática sexual, aproveitando-me das energias genésicas e disputando com outros, que grudaram em seus órgãos sexuais como lobos sobre um pedaço de carne.

Estava quase satisfeito – já bebera, fumara, experimentara as sensações do sexo, mas me faltava um pouco mais de emoção.

Deixei a casa noturna e peguei carona com uma turma de homens que planejavam um jogo, com aposta alta.

Na casa havia tudo o que eu já consumira. Fiquei na bebida e de olho no jogo. Percebi, pela conversa, qual era o indivíduo mais vulnerável e decidi atormentá-lo. Até agora eu apenas usufruíra, mas estava na hora de mais emoção e à custa dos panacas.

Célio era o seu nome. Faltava pouco para se divorciar. A esposa estava farta de suas noitadas, bebedeiras e das dívidas que contraíra. Eu o achei o alvo perfeito. Ele havia pedido dinheiro emprestado a um amigo, prometendo dividir com ele o prêmio e se perdesse, lhe pagaria uma caixa de bebidas.

Eu fiz de tudo para que Célio ganhasse a aposta. Confundi a cabeça dos jogadores, fiz com que trocassem as cartas, enfim, tudo entre xingamentos e brigas. Por fim, deixei que os ânimos se acalmassem para que Célio voltasse para casa… outra hora acertaria o que devia ao amigo.

Queria vê-lo em cena com a esposa, que o esperava, sem dormir, com os nervos alterados.

Nem bem entrara e Joana iniciou a discussão, o culpando, como sempre, por suas aventuras. Célio quis tranquiliza-la mostrando o dinheiro sujo e fazendo novas promessas de que tudo melhoraria, mas a mulher estava intratável e eu, eu dei uma forcinha, é claro. Para resumir, finalmente Joana pediu o divórcio e o resto, ah, o resto é resto; o que importa é que dei muita risada!

Já era de manhã e minha próxima parada foi na padaria, sendo que, logicamente eu não poderia comer, mas me fartaria através dos comilões. Me juntei a uma família, que fazia seu desjejum – um casal e dois filhos, dois meninos. A mesa era farta e eu abrira-lhes ainda mais o apetite. Comeram e beberam até não poderem mais e eu, igualmente estava cheio, cheio daquela energia toda.

Àquela hora, as lojas já estavam se abrindo. Para encerrar o meu passeio fui ao Shopping. Não foi difícil de localizar alguma madame. Acompanhei uma mulher bem vestida e a fiz parar em frente a uma vitrine de sapatos e bolsas. Agucei o seu interesse, dando dicas de sapatos e bolsas mais caros, sugestionando sua mente a se recordar dos cartões de crédito que ainda poderia usar.

Eu me sentia muito bem. Fiz a dondoca usar e abusar dos cartões. Ela estava feliz e eu, mais ainda, pois me alimentava de sua compulsão e euforia.

Agora era hora de voltar ao Umbral. Estavam me chamando e já me dava por satisfeito.

– Ah se estes encarnados soubessem como e o quanto podem ser manipulados! Eles podem e eu, quem disse que eu não posso? Vou, mas chamarei para o próximo passeio meus parceiros, assim nos divertiremos todos juntos! Afinal, tem para todos!


Autoria: Sylvinha Gonçalves

13 maio 2020

Propósito de vida - Momento Espírita



PROPÓSITO DE VIDA


Registra-se grande número de jovens concluindo o ensino médio sem propósitos de vida pela frente.

Por outro lado, existem muitos que sabem perfeitamente o que querem para a sua vida.

Amy Heheestá nesse grupo e tinha seu propósito praticamente traçado aos dezenove anos.

Havia decidido abrir um hospital para crianças na África.

Por isso, Amy se dedicou a planejar todos os detalhes de um Centro Médico para tratar de crianças órfãs, com doenças terminais, no Quênia.

A ideia surgiu quando tomou conhecimento das lutas delas para sobreviver em instituições precárias e lotadas.

O sonho tornou-se realidade.

Ela e o marido Rob, fundaram, no Quênia, o Hospital Infantil Ovi, sem fins lucrativos.

Formada no programa de assistência médica da Universidade de Kentucky, vivencia o impacto de testemunhar, participando dos sofrimentos de seus pequenos pacientes que lutam contra a desnutrição, malária, ferimentos, câncer e HIV.

Ela vive feliz com o que faz pelo bem daquelas crianças que precisam de tratamento, atenção, amor e esperança.

* * *

Atualmente percebemos se multiplicarem as ações humanitárias espalhadas pelo mundo.

Muitos são os que se dedicam a atividades em benefício de crianças, adolescentes, adultos e idosos.

Isso mostra que nosso mundo caminha na direção do amor que Jesus nos exemplificou.

Amor verdadeiro, livre dos apegos materiais. Amor que exala o perfume da verdadeira caridade, que se doa integralmente.

Amor que faz do local de atendimento, por mais simples e humilde que seja, um lugar acolhedor, agradável, pleno de alegria.

Amor que ampara o assistido com gentileza e carinho. Amor que simplesmente ama.

Sabemos que não é fácil realizar tal intento, pois que necessitamos de valores morais e espirituais que demoramos a conquistar.

No entanto, todos podemos realizar esforços e, com boa vontade, participar de ações que visem o bem alheio.

Se não temos condições de arcar com um novo projeto, temos a possibilidade de nos associarmos a iniciativas que estão em andamento, seja oferecendo nosso trabalho ou colaborando com o que tivermos para ajudar a manter o atendimento.

Lembramos da Casa do Caminho, instituição criada, em Jerusalém, pelos Apóstolos, após a morte de Jesus.

Buscando colocar em prática Seus exemplos e a recomendação do Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei, os Apóstolos acolhiam os necessitados, oferecendo-lhes abrigo, alimento, tratamento condizente e os ensinamentos do Mestre de Nazaré.

À época, os portadores de certas enfermidades eram simplesmente abandonados. Aqueles portadores de hanseníase eram colocados para fora dos muros das cidades.

À semelhança dessa casa de amor, do passado, podemos nos dispor a algum voluntariado.

Ou quem sabe, auxiliar na manutenção de atividades de socorro existentes.

O que devemos nos esmerar é no exercício do amor, em especial aqueles que nos dizemos os seguidores do Galileu.

Pensemos nisso.


Redação do Momento Espírita com base em fatos da vida de Amy Hehe.

12 maio 2020

Lei de Destruição - Maria Lúcia Garbini Gonçalves



LEI DA DESTRUIÇÃO


Nós, Espíritas, já sabemos, graças à Terceira Revelação, o porquê de toda esta crise generalizada e grave que estamos passando.

Lembremo-nos da questão 780 do Livro dos Espíritos:

– A destruição é uma Lei da Natureza

– É necessário que tudo se destrua para renascer e se regenerar, porque isso a que chamais destruição não é mais que a transformação, cujo objetivo é a renovação e melhoramento dos seres vivos.

Lembremo-nos também do item do subtítulo Flagelos Destruidores.

Com que fim Deus castiga a Humanidade com flagelos destruidores?

-Para fazê-los avançar mais depressa. Não dissemos que a destruição é necessária para a regeneração moral dos Espíritos, que adquirem em cada nova existência um novo grau de perfeição? É necessário ver o fim para apreciar os resultados. Só julgais essas coisas do vosso ponto de vista pessoal, e as chamais de flagelos por causa dos prejuízos que vos causam; mas esses transtornos são frequentemente necessários para fazerem com que as coisas cheguem mais prontamente a uma ordem melhor, realizando-se em alguns anos o que necessitaria de muitos séculos”.

Só para citar um exemplo, na obra 1808, de Laurentino Gomes, vemos no capítulo O IMPÉRIO DECADENTE (Portugal): “Em 1755, uma catástrofe natural agravou a decadência econômica e ajudou a reduzir ainda mais a autoestima portuguesa. Na manhã de 1º de novembro, Dia de Todos os Santos, um terremoto devastador atingiu Lisboa, matando entre 15.000 e 20.000 pessoas. O abalo foi seguido de maremoto e um incêndio que ardeu durante seis dias. Igrejas, casas, palácios reais, mercados, edifícios públicos e teatros – tudo foi reduzido a pó e cinzas. Dois terços das ruas ficaram bloqueados pelo entulho. Só 3.000 das 20.000 casas continuaram habitáveis. Das quarenta igrejas da cidade, 35 desmoronaram. Apenas onze dos 65 conventos existentes antes do terremoto continuaram de pé. A famosa Biblioteca Real, com 70.000 volumes, construída com carinho e orgulho desde o século XIV, virou cinza e teve de ser inteiramente refeita.”

E porque aconteceu tudo isso? Portugal era um país que nada produzia, vivia da riqueza do Brasil Colônia, estava no total atraso da escravidão, do fanatismo religioso da Inquisição, da luxúria, sua riqueza era do dinheiro fácil, a ciência e a educação estavam estagnadas, a inovação e criatividade não tinham lugar. A melhora veio depois de muita destruição.

Temos muito mais exemplos a serem citados de quantas civilizações passaram pelo nosso planeta e foram destruídas para o bem do Progresso, pois o novo não pode ocupar o mesmo lugar do velho.

E sobre esta crise mundial do Covid–19? Não é a hora de apontarmos os culpados, nem de cultivar sentimentos de culpa, de raiva, de não aceitação.

A hora é de confiar em Deus, em Jesus, em Ismael, e em todos os Espíritos que nos enviam fótons de energias construtivas de todos os planetas. Se desencarnarmos, seremos amparados no mundo espiritual e talvez já começaremos a ajudar lá, e os entes queridos que ficarão precisarão continuar a vida normalmente. Se não desencarnarmos, poderemos ter dificuldades financeiras, que todos estão tendo, então a solução virá da pessoa que usar a razão e o equilíbrio. Os que têm fé em Deus, o fardo será definitivamente mais leve, pois sabem que tudo passa, que o Pai não dá um fardo mais pesado que podemos carregar, que estamos passando por uma limpeza. Os que não têm fé, os materialistas, estarão elegendo os culpados e, se tiverem bom senso e cultura, estarão apoiando-se na ciência. Quem for uma pessoa boa estará fazendo o melhor que puder, sendo ou não crente em Deus.

Na quarentena com a família, ou desenvolveremos a caridade, a oração, a tolerância, a união, ou odiaremos mais, brigaremos mais, até que não tenham mais alternativas, até que a família se destrua, será que é o que queremos?

A Lei da Destruição vem para acabar com a nossa psique doente também. Junto à família nesta quarentena, as nossas sombras precisarão ser mais evidentes PARA NÓS MESMOS. Quando há desentendimento é para olharmos o que temos que destruir dentro de nós, para que o homem novo venha, a sombra do outro não é da nossa conta. É um assunto muito sério, estamos recebendo “a little help from a Friend”, como cantam os Beatles, para acelerar os nossos lentos e ineficientes passos.

O Brasil não acordou para o fato que precisamos nos unir, só assim seremos mais fortes. Se não houver uma tolerância maior entre nós, será que mereceremos um planeta de regeneração?

Porque não olhamos para os FATOS, ao invés de humilhar e acusar hostilmente homens e mulheres? Se fizéssemos uma lista de todas as ações de dirigentes do Brasil sem dizer quem as praticou, e tivéssemos que escolher as que concordamos, veríamos que todos nós queremos o mesmo. Os dirigentes de todos os países no planeta estão reencarnados com imperfeições assim como nós; estão sob os efeitos das Leis de Deus assim como cada um de nós; fizeram um planejamento reencarnatório assim como nós, e, sobretudo, mereceram estar neste momento histórico do planeta assim como nós.

As Leis de Deus nos levam como a corrente de um rio. Se estivermos agindo diferente do que Jesus nos ensinou, estaremos nadando contra essa corrente e poderemos nos afogar de tão difícil que será. Agora é a hora, façamos a nossa escolha, pois a nossa Terra está a favor dessa corrente e a Lei da Destruição é a providência Divina agindo para a nossa felicidade aumentando o fluxo da corrente, para que ela nos leve para a Regeneração, pois estávamos como água estagnada. Jesus está no aguardo dos corajosos que compreenderam o que é caridade, o que é amar ao próximo como a si mesmo e a Deus sobre todas as coisas, pois estarão no caminho que ele iluminou.


Maria Lúcia Garbini Gonçalves

11 maio 2020

Ante a Epidemia - Alex Maia



ANTE A EPIDEMIA


Em tempo de epidemia muitos se preocupam e temem pela própria vida e bem-estar dos seus. Neste sentido seria bom refletirmos e nos perguntarmos: qual a lição que posso tirar desses momentos? O que posso realmente aprender? Do que tenho medo? Para analisarmos essas questões, nada melhor que olharmos para traz. Por isso, vou utilizar a Revista Espírita, uma de novembro de 1865 e outra de julho de 1867, material de valor inestimável, porém, pouco estudado por grande parte de nós espiritistas.

O MEDO DA CÓLERA, DOENÇA – CARTA DE CONSTANTINOPLA 1865

“.... Os jornais vos informaram do rigor com que o terrível flagelo acaba de assolar nossa cidade e seus arredores, posto atenuasse seus efeitos desastrosos. Algumas pessoas, que se dizem bem informadas, elevam o número de coléricos mortos a setenta mil, e outros a cerca de cem mil. A verdade é que fomos rudemente provados, e podeis imaginar as dores e o luto geral de nossas populações. É principalmente nestes tristes momentos dessa horrenda epidemia que a fé e a crença espíritas dão coragem; acabamos de dar a mais verídica das provas. Quem sabe se não devemos a essa calma da alma, a essa persuasão da imortalidade, a essa certeza das existências sucessivas, em que os seres são recompensados segundo seu mérito e seu grau de adiantamento; quem sabe, digo eu, se não é por essas crenças, bases de nossa bela doutrina, que nós todos, espíritas de Constantinopla que, como sabeis, somos bastante numerosos, devemos ter sido preservados do flagelo que se espalhou e ainda se espalha à nossa volta! Digo isto tanto mais quanto foi constatado, aqui e alhures, que o medo é o prenúncio mais perigoso da cólera, como a ignorância infelizmente se torna uma fonte de contágio...” Repos Filho, Advogado

Certamente seria absurdo acreditar que a fé espírita fosse um diploma de garantia contra a cólera. Mas, como está cientificamente reconhecido, o medo, ao mesmo tempo enfraquecendo o moral e o físico, torna as pessoas mais impressionáveis e mais susceptíveis de serem acometidas pelas doenças infecciosas; evidente, assim, que toda causa tendente a fortalecer o moral é um preservativo.

Sem dúvida os espíritas podem morrer de cólera, como todo o mundo, porque seu corpo não é mais imortal que o dos outros e porque, quando chegar a hora, é preciso partir, seja por esta ou por outra causa. A cólera é uma das causas que não tem como particularidade senão levar maior número de pessoas ao mesmo tempo, o que produz mais sensação. Parte-se em massa, em vez de individualmente – eis toda a diferença. O espírita sabe que, se morrer, apenas será despojado de um invólucro material, sujeito aos sofrimentos e às vicissitudes da vida, mas será sempre ele, com um corpo etéreo, inacessível à dor; que gozará de percepções novas e de maiores faculdades; que vai encontrar aqueles a quem amou e que o esperam no limiar da verdadeira vida, da vida imperecível. Quanto aos bens materiais, sabe que deles não mais necessitará, e que os prazeres que proporcionam serão substituídos por outros mais puros e mais invejáveis, que não deixam em seu rasto nem amarguras nem pesares. Assim, abandona-os sem dificuldade e com alegria, lamentando os que, ficando na Terra, ainda irão precisar deles. É como aquele que, tornando-se rico, abandona seus trajes velhos aos infelizes. Por isso, ao deixar os amigos, lhes diz: não me lastimeis; não choreis minha morte; antes me felicitai, por estar livre das preocupações da vida e por entrar num mundo radioso, de onde vos esperarei.

Quem quer que tenha lido e meditado nossa obra O Céu e o Inferno Segundo o Espiritismo e, sobretudo, o capítulo sobre o temor da morte, compreenderá a força moral que os espíritas haurem em sua crença, diante do flagelo que dizima as populações. Segue-se daí que devam negligenciar as precauções necessárias em casos semelhantes e baixar a cabeça ante o perigo? De modo algum: tomarão todas as cautelas exigidas pela prudência.

Além desta influência moral, o Espiritismo tem outra mais material. Sabe-se que os excessos de todo gênero são uma das causas que mais predispõem para a epidemia reinante. Assim, os médicos recomendam sobriedade em tudo, prescrição salutar, à qual muita gente tem dificuldade de se submeter. Admitindo que o façam, é sem dúvida um ponto importante, mas é de crer-se que uma abstenção momentânea possa reparar instantaneamente as desordens orgânicas causadas por abusos inveterados, degenerados em hábito, que consumiram o corpo e, por isto mesmo, o tornaram acessível aos miasmas deletérios? Fora da cólera, não se sabe quanto é pernicioso o hábito da intemperança nos climas tórridos, e naqueles onde a febre amarela é endêmica? Pois bem! O espírita – por efeito de suas crenças e da maneira pela qual encara o objetivo da vida presente e o resultado da vida futura – modifica profundamente os seus hábitos; em vez de viver para comer, come para viver; não pratica nenhum excesso; não vive como cenobita. Assim, usa de tudo, mas não abusa de nada. Isto deve ser, com certeza, uma consideração preponderante a acrescentar à que faz valer o nosso correspondente de Constantinopla.

EPIDEMIA DA ILHA MAURÍCIO - JULHO DE 1867

“Vários Espíritos nos anunciaram, uns claramente, outros em termos proféticos, um flagelo destruidor prestes a nos fulminar. Tomamos estas revelações do ponto de vista moral, e não do ponto de vista físico. De repente uma moléstia estranha irrompe nesta pobre ilha; uma febre sem nome, que reveste todas as formas, começa suavemente, hipocritamente, depois aumenta e derruba a todos os que pode atingir. É agora uma verdadeira peste; os médicos não a entendem; até agora, nenhum dos que foram atingidos se curaram. São terríveis acessos que vos prostram e vos torturam durante doze horas no mínimo, atacando, cada um por sua vez, cada órgão importante; depois o mal cessa durante um ou dois dias, deixando o doente acabrunhado até o próximo acesso, e assim se vai, mais ou menos rapidamente, para o termo fatal.

"Para mim, vejo em tudo isto um desses flagelos anunciados, que devem retirar do mundo uma parte da geração presente, e destinados a operar uma renovação tornada necessária.

"Eu mesmo fui atingido pela epidemia e estou na quarta recaída. Arruíno-me com o quinino. Isto prolonga a minha existência, mas, como receio, se as recaídas continuarem, caro senhor, palavra de honra! É muito provável que em pouco tempo terei o prazer de assistir como Espírito às vossas sessões parisienses e nelas tomar parte, se Deus o permitir. Uma vez no mundo dos Espíritos, estarei mais perto de vós e da Sociedade do que estou na Ilha Maurício. Num pensamento transporto-me às vossas sessões, sem fadiga e sem temer o mau tempo. Aliás, não tenho o menor receio, eu vo-lo juro; sou muito sinceramente espírita para isto. Todas as minhas precauções estão tomadas; e se vier a deixar este mundo, sereis avisados.

"Enquanto espero, caro senhor, tende a bondade de pedir aos meus irmãos da Sociedade Espírita que unam as suas às nossas preces pelas infelizes vítimas da epidemia, pobres Espíritos muito materiais, na maioria, e cujo desprendimento dever ser penoso e longo. Oremos também por aqueles, muito mais infelizes que, ao flagelo da moléstia, juntam o da desumanidade.

"Nosso pequeno grupo está disperso há três meses; todos os membros foram mais ou menos atingidos, mas, até agora, nenhum morreu”.

“Recebei, etc.”

“É preciso ser espírita de verdade para encarar a morte com este sangue-frio e essa indiferença, quando ela estende seus malefícios em redor de nós e quando se sentem os seus ataques. É que, em semelhante caso, a fé séria no futuro, tal qual só o Espiritismo pode dar, proporciona uma força moral que, ela mesma, é um poderoso preservativo, como foi dito a propósito da cólera. (Revista Espírita de novembro de 1865). Isto não quer dizer que nas epidemias os espíritas sejam necessariamente poupados, mas, em tais casos eles têm sido, até agora, os menos atingidos. Escusado dizer que se trata de espíritas de coração, e não dos que só o são em aparência.

"Os flagelos destruidores, que devem causar danos à Humanidade, não sobre um ponto do globo, mas em toda parte, são em toda parte pressentidos pelos Espíritos.

"Avança a hora, a hora marcada no grande e perpétuo relógio do infinito, a hora na qual vai começar a operar-se a transformação de vosso globo, para o fazer gravitar rumo à perfeição. Muitas vezes vos foi dito que os mais terríveis flagelos dizimariam as populações; não é preciso que tudo morra para se regenerar? Mas, o que é isto? A morte não é senão a transformação da matéria; o Espírito não morre, apenas muda de habitação. Observai e vereis começar a realização de todas essas previsões. Oh! Como são felizes aqueles que nessas terríveis provações foram tocados pela fé espírita sincera! Permanecem calmos no meio da tormenta, como o marinheiro aguerrido em meio à tempestade”.

Tão atual que parece o ano de 2020, ante a pandemia do COVID-19.

“...Assim, façamos a nossa parte o melhor que pudermos, sem esmorecimento e confiemos em Deus, Aproveitando cada segundo, cada minuto que, por certo, também passará. Tudo passa…exceto Deus. Deus é o suficiente” - Chico Xavier.


Alex Maia
Centro Espírita Jesus de Nazaré - CEJN
Núcleo de Apoio e Evangelização Fraternidade Emmanuel – NAEFE
Março / 2020


10 maio 2020

Mãe, berço abençoado de amor - Adriana Machado



MÃE, BERÇO ABENÇOADO DE AMOR


Apesar do título, que descreve os nossos mais puros sentimentos em relação às nossas mães, quero iniciar nossa reflexão trazendo uma forma um pouco diferente de pensar e que, talvez, após o findar dessas linhas, possamos mudar um pouco os pensamentos e comportamentos que temos com as nossas mães.

COMO FILHA... SENDO MÃE

Quero deixar claro que estou escrevendo esta reflexão como filha, mas jamais deixando de extrair das minhas experiências como mãe alguns aprendizados. Peço que as mães que lerem esse texto possam também aplicar em suas vidas aquilo que daqui extraírem de positivo.

NOSSAS EXIGÊNCIAS EXACERBADAS

Por mais que algumas possam representar o papel fiel de mães amorosas, nós ainda não aceitamos menos delas do que o amor incondicional. Se assim é, pergunto: “isso é justo?” E a minha resposta é: “Não, não é”.

Pensem comigo: se nós, como filhos, podemos amá-las com o nosso jeito todo imperfeito, por que elas têm de sustentar um avanço moral e um estado emocional que nenhum ser humano neste planeta possui?

Em nossa ignorância, queremos delas uma perfeição que está fora do seu alcance e de qualquer outro ser terreno! Exigimos de seus corações maternos algo que elas ainda não podem nos dar!

E, como crianças birrentas que somos, construímos contra elas mágoas, indignações, rancores, vitimizações, e muito mais, por não admitirmos que elas não mantenham a nossa ilusão filial.

Ora, elas são pessoas tão imperfeitas como nós e que têm suas limitações, seus medos, suas dificuldades, suas lições de vida a vivenciar.

Ter se tornado mãe, seja por meio da concepção ou do coração, não a faz menos humana, não a torna uma supermulher.

BENÇÃOS DA MATERNIDADE

Admito, porém, que a maternidade provoca uma transformação íntima na maioria delas. Quando se está mãe pode-se perceber, dentre outras coisas, que:[1]

  • É possível amar alguém muito além do que já tinha experienciado;
  • Todo o seu ser se converge para a proteção daquele filho que dela depende e que o seu coração aprendeu a amar desde o primeiro minuto que o sentiu;
  • O laço criado pela maternidade jamais será desfeito e, se como filhos nós sentimos essa ligação, elas sentem muito mais;
  • Se torna, indiretamente, mãe de outros tantos seres porque se começa a entender que o amor vai além dos laços firmados.

É preciso concordar que tais transformações são significativas e que auxiliam, em muito, aquele ser maternal a enxergar a vida com olhos muitos mais sensíveis e espiritualizados.

ESTOU SENDO SEVERA? ENTÃO, EXPLICO...

Por que estou trazendo este assunto nesta forma de reprimenda? Porque não podemos continuar a exigir de nossas mães um amor que elas ainda não sabem amar.

Se estou complicando, eu explico para vocês: cada um de nós enxerga, sente e vivencia o amor de uma forma peculiar, porque esse será o resultado do nosso caminhar evolutivo. Com o tempo e esforço próprios, aprendemos e aperfeiçoamos o que (e como) sentimos algo e, por isso, no momento de aplicar esse sentimento, estaremos atrelados na forma e intensidade do amor que sabemos amar.

A CULPA DE NÃO SER PERFEITA PRECISA SER ABANDONADA

Pode parecer óbvio, mas, se muitas mães se culpam e se atormentam por sentirem que não amam seus filhos como “deveriam”, perdendo a paz interior, então, algo está errado!

Como nossa sociedade exige da mãe determinados comportamentos e sentimentos, ela tentará, mesmo que inconscientemente, mantê-lo, mas, infelizmente, aquilo que não lhe é natural, fugirá em alguns momentos de seu domínio, permitindo, aos que estão ao seu lado, que a critiquem ferozmente.

Enquanto a crítica estiver vindo do outro, ainda está bom, mas, o problema será quando esta mãe se condenar por aceitar as exigências alheias como se fossem possíveis de serem mantidas.

Vejo que é por essa razão também que muitas mulheres, hoje, já sobrecarregadas com suas funções cotidianas, acabam temendo abraçar este papel tão divino de ser mãe para não serem cobradas em mais uma incumbência, perdendo (e aqui é efetivamente perder) um ótimo aprendizado sobre o que é amar, se dedicar e se adaptar em prol de outro ser.

Ora, se com todas as suas imperfeições elas nos amam com desprendimento e sacrifício, por que não aceitarmos o muito que elas nos dão?

ENFRENTAR-SE COMO MÃE

O ponto é que, mais do que nós, filhos, elas (as mães) precisam entender que se somos todos diferentes, diferente também será como ela se doa, se sacrifica ou ama alguém! Que ela não deve mais se martirizar porque se enxerga amando mais a um filho do que o outro, pura e simplesmente, porque aquele lhe dá amor e o alimenta todos os dias, e este não se importa com ela, sendo-lhe ingrato e cruel.

Como sentir diferente? Mas, perceba o que disse acima: que ela ama mais a um do que o outro, mas ainda assim ela o ama!!

O amor de nossas mães é o indicativo mais do que perfeito do que é amar imperfeitamente, buscando a superação de si mesmas em cada dificuldade, em cada adversidade por amor a alguém que não seja elas próprias, nos trazendo a certeza de que amar é possível, só depende do nosso querer.

Mesmo aquelas mães que definitivamente não nos amaram (nos entregaram a adoção, por exemplo), nos deram a oportunidade de sermos amados por outras pessoas, de sermos quem somos, porque aqui estamos.

POR FIM...

Nossas mães são um berço de amor, porque não importa a idade que tivermos será em seu colo que nos consolaremos, nos confortaremos, nos aconchegaremos, mas, principalmente, porque com elas aprenderemos o que é amar além de nossas imperfeições e fazendo diferença na vida de um outro alguém.

Em tudo isso e muito mais, elas continuarão sendo um berço abençoado, o nosso melhor exemplo, o nosso cantinho de amor.




[1] Deixo claro que esta relação mínima que enumerei é muito pessoal e que muitas mães podem sentir uma ou outra coisa, sem ter de sentir, necessariamente, tudo ou alguma coisa.


09 maio 2020

Líderes Religiosos Contrários à Reencarnação - José Reis Chaves



LÍDERES RELIGIOSOS CONTRÁRIOS À REENCARNAÇÃO


A reencarnação é um fenômeno natural e divino. E, por isso, até está na Bíblia e outras escrituras sagradas. E por que será, então, que os líderes religiosos cristãos têm tanta ojeriza por ela, a ponto de alterarem textos bíblicos para ocultá-la?

Deus criou Adão e, figuradamente, soprou nas suas narinas a alma humana. Por essa ação divina, o homem é um ser biológico terreno, em que há uma alma encarnada, vivificando seu corpo, que é o habitat dela aqui na terra. E Deus criou os seres humanos machos e fêmeos com meios apropriados para que eles se tornassem co-criadores com Ele na sua obra da criação da Humanidade. Inclusive, essa co-criação dos novos seres humanos por meio dos seus dois sexos, com prazer, é exatamente a fim de atraí-los para a ação dessa procriação dos novos seres humanos, renovando, assim, constantemente os seres continuadores da Humanidade, os quais deveriam povoar toda a face da terra, como diz a Bíblia, como os grãos de areia das praias dos mares.

E, de acordo com um princípio racional, é normal o interesse de Deus de querer criar essa infinidade de corpos humanos, pois, eles são mortais, vindos do pó e voltando para o pó (Eclesiastes 12: 7). E esse mesmo versículo bíblico citado afirma também que o espírito humano retorna a Deus, demonstrando-nos que ele é imortal. E é por isso que os espíritos estão sempre precisando de novos corpos para continuar a sua evolução aqui em novas vidas terrenas. Sim, pois foi aqui que Deus, figuradamente, colocou Adão e Eva.

Conclui-se, pois, a ideia racional e lógica de que Deus, apesar de ter poder, de fato, de criar sempre novos espíritos humanos para cada um dos novos corpos que nascem, no entanto, Ele não faz isso, justamente porque não é necessário, já que os espíritos são imortais e, por isso, eles próprios podem continuar renovando sua ação de vivificar os novos corpos nascidos, reencarnando neles. Conclui-se também, pois, de modo também racional, que os espíritos, imortais que são, continuam na sua missão de busca de sua evolução moral ou da sua perfeição, até que, um dia, possam passar pela chamada porta estreita da salvação. E isso nos mostra ainda, claramente, a ideia da palingenesia ou reencarnação.

Mas por que os líderes religiosos cristãos são tão contrários a esse fenômeno da palingenesia? Porque o ego humano, que é o maior inimigo de nossa perfeição, quer que eles sejam vistos como sendo os nossos salvadores, e a reencarnação obscurece essa egoística pretensão deles. E, às vezes, eles nem sequer têm consciência dessa sua vaidade!


Autor: José Reis Chaves

08 maio 2020

Sobre espíritas beatos - José Herculano Pires



SOBRE ESPÍRITAS BEATOS

Herculano Pires: No Espiritismo não há rebanhos nem pastores!

Um espírita que se sujeita às lições de um mestre pessoal não é espírita, é um beato seguindo Antônio Conselheiro. O despertar da consciência na experiência é o seu caminho único de progresso. Ele não confia em palavras, mas nos fatos. Não busca a ilusão de uma salvação confessional, mas aprofunda-se no conhecimento doutrinário para saber por si mesmo onde pisa e para onde vai…

Os que precisam de mestres não confiam em si mesmos, fazem-se ovelhas de um rebanho. No Espiritismo não há rebanhos nem pastores: há trabalho a fazer, afinidades a estabelecer entre companheiros em pé de igualdade, toda uma batalha a vencer, há os pesados resíduos teológicos, supersticiosos e obscurantistas que esmagam a ingenuidade das massas. O Espiritismo é uma tomada de consciência da responsabilidade do homem na existência, da sua liberdade e da sua transcendência.

Os espíritas que ainda se alimentam de leite — como escreveu Paulo — precisam tratar de crescer e alimentar-se de coisas sólidas, consistentes.

Jose Herculano Pires
Obra:  Curso Dinâmico de Espiritismo, página 27.
Editora Paidéia.

07 maio 2020

A Religião - Joanna de Ângelis



A RELIGIÃO

A religião bem orientada, pelo conteúdo psicológico de que se reveste, desempenha um papel de alta relevância em favor do equilíbrio de cada pessoa e, por extensão, do conjunto social, no qual se encontra localizada.

A religião que se fundamenta, no entanto, na conduta científica de comprovação dos seus ensinamentos, que documenta a realidade do Espírito imortal e a sua transitoriedade nos acontecimentos do corpo, como é o caso do Espiritismo, melhores condições possui para auxiliá-la na escolha do caminho a trilhar com os próprios pés, propondo-lhe renovação interior e adesão natural aos princípios que promovem a vida, que a dignificam, portanto, que representam o Bem.

Por outro lado, proporciona-lhe uma conduta responsável, esclarecendo-a que cada qual é responsável pelos atos que executa, sendo semeadora e colhedora de resultados, cabendo-lhe sempre enfrentar os desafios de superar-se, porque toda conquista valiosa é resultado do esforço daquele que a consegue. Nada existe que não haja sido resultado de laborioso esforço.

Ainda mais, faculta-lhe o entendimento de como funcionam as Leis da Vida, em cuja vigência todos os seres somos participantes, sem exceção, cada qual respondendo de acordo com o seu nível de consciência, o seu grau de pensamento, as suas intenções intelecto-morais.

Abre, ademais, um elenco de novas informações que a capacitam para a luta em prol da saúde, explicando-lhe que existe um intercâmbio mental e espiritual entre as criaturas que habitam os dois planos do mundo: o espiritual ou da energia pensante e o físico ou da condensação material.


Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo P. Franco
Livro: Amor, imbatível amorJoanna de Ângelis & Divaldo P. Franco

06 maio 2020

Medo – Inimigo Invisível



MEDO - INIMIGO INVISÍVEL


— E, tendo medo, escondi na terra o teu talento… Mateus, 25:25

Assim como aconteceu com o servo da parábola, nossos passos de agora estão revestidos de temor, pois a situação vivida não é exatamente a que almejávamos. Da mesma forma, por mais rude que seja o momento atual, a pior maneira de enfrentá-lo será o temor generalizado.

No entanto, como falar em benemerência quando todos estamos nos sentindo impotentes e inseguros?

A humanidade já vivenciou inúmeros momentos dolorosos. Um dos mais icônicos foi a condução de Jesus ao madeiro infame, seguida da defecção dos discípulos e dos martírios dos seus seguidores. Mesmo assim, horas antes da suprema agonia, o Mestre, antevendo a dor e o desapontamento que se seguiriam, com vigorosa serenidade assim se pronunciou:

… a vossa tristeza se converterá em alegria. João, 16:20

A grandiosidade do Cristo vislumbrou, naquela bagagem de sofrimentos, a construção de fortes alicerces para uma nova vida, repleta de paz e alegria para a humanidade.

Isso significa que devemos, resignadamente, suportar os embates dos tempos atuais, conformando-nos com uma vida futura, na espiritualidade maior? Também isso.

Acima de tudo, porém, nas proféticas palavras de Jesus, devemos reconhecer que o momento delicado e doloroso por que passa a humanidade surgiu como adubo divino, para que ressurjam os bons sentimentos.

A autêntica alegria cristã não compactuará com os desmandos da inconsciência, vigorosamente defendidos por aqueles que se distanciaram da justiça divina. Ela surgirá com a conscientização das criaturas de que a dor surge quando falha o sentimento.

O triste quadro social que, infelizmente, começa a tomar corpo no mundo, em proporções epidêmicas, principalmente nos grupamentos distantes da espiritualidade e do trabalho edificante, reflete o modelo de vida daqueles que estão procurando a felicidade no lugar errado.

Encerremos com uma curiosa história de Humberto de Campos, que nos mostra como o medo pode modificar até uma guerra.

Reunidas em Pirajá, as tropas brasileiras desenvolviam daí, em 1822, o cerco do general Madeira, encurralado na Bahia com o restante das forças portuguesas. A 8 de dezembro, Madeira lança um contingente de 2.000 homens contra a ala direita dos sitiantes, levando-os de roldão.

Chegam reforços de parte a parte, e os lusitanos vão triunfar, quando o coronel brasileiro Barros Falcão, prevendo a derrota e querendo salvar o resto dos seus homens, ordena ao clarim Luiz Lopes, português de nascimento, mas que abraçara, aí, a causa da independência:

— Toca “retirar!”

O soldado leva o clarim à boca e o toque que se ouve é:

— “Avançar, cavalaria!”

E logo outro:

— “Degolar!”

Apavorados com o que ouviam, os portugueses, quase vitoriosos, recuam, os brasileiros ganham ânimo e avançam de novo. Estava ganha a batalha.

Sem a presença do Cristo em nossas vidas, seremos frágeis criaturas, expostas aos desenganos e aos sofrimentos reparadores. Útil seria, para a proteção de nossa vulnerabilidade física e espiritual, que considerássemos o planeta como uma imensa escola de trabalho, pois ainda somos seres necessitados de aprimoramento e iluminação. Fonte: Kardec Rio Preto


Sidney Fernandes

Referências: A Presença de Deus, de Richard Simonetti; Caminho, Verdade e Vida, de Emmanuel; Pontos e Contos, de Irmão X; Fonte Viva, de Emmanuel; O Brasil Anedótico, de Humberto de Campos.



05 maio 2020

Perguntas e respostas: Iluminismo e Espiritismo - Sérgio Biagi Gregório



PERGUNTAS E RESPOSTAS:: ILUMINISMO E ESPIRITISMO


1) O que se entende por iluminismo?

O iluminismo, ou filosofia das luzes, é o movimento filosófico do século XIX, que se caracteriza pela confiança no progresso e na razão, pelo desafio à tradição e à autoridade e pelo incentivo à liberdade de pensamento.

2) O iluminismo é uma ideia nova?

Não. Os compromissos por ele adotados já faziam parte da filosofia antiga, que se esmerava em criticar todo o tipo de crença e de conhecimento. Além disso, procurava usar os novos conhecimentos para os fins práticos da vida. O iluminismo moderno nada mais é do que a aplicação desses compromissos ao período que vai da Revolução inglesa de 1688 até à Revolução Francesa de 1789.

3) No que se fundamenta o iluminismo?

O iluminismo visa à emancipação do ser humano e de toda a humanidade por meio das luzes da razão. A chamada idade da razão tem por objetivo a sua própria autonomia, no sentido de vencer as trevas da superstição, da ignorância, do fanatismo e da intolerância tanto moral quanto religiosa. A razão se torna uma nova divindade.

4) De que maneira quer alcançar a felicidade e o progresso?

O iluminismo assume os pressupostos hedonistas e utilitaristas, em que a felicidade já não é mais utópica, mas encontra-se atrelada ao progresso material e moral da humanidade. Consequentemente, o seu carro chefe é a revolução industrial e o descobrimento de novas técnicas para transformar os bens naturais em bens úteis.

5) Quais países contribuíram para a disseminação do iluminismo?

Principalmente a França e a Alemanha. O iluminismo francês está centrado em Voltaire, Montesquieu e Rousseau que, apesar das diferenças de abordagem, têm dois pontos em comum: confiança na razão e repúdio à religião. O iluminismo alemão tem como lema o sapere aude kantiano, que é a saída dos homens do estado de minoridade devido a eles mesmos. A minoridade é a incapacidade de utilizar o próprio intelecto sem a orientação de outro.

6) Qual o papel das ciências na propagação do iluminismo?

A razão suspeitava de tudo. Para a comprovação dos fatos, precisava de provas. Daí, o aparecimento das diversas ciências, cujo método teórico-experimental, em todos os campos do saber, preparava a revolução industrial, a revolução da energia.

7) Que tipo de influência o iluminismo exerceu na codificação espírita?

O Espiritismo surgiu na época certa, quando as ciências já estavam desenvolvidas e o método teórico-experimental era aplicado em tudo o que se pensava saber. Se tivesse sido cogitado antes, poderia não vingar. Havia necessidade de aliar a razão à fé, ou seja, tornar a fé raciocinada.

8) Allan Kardec era um iluminista?

Antes de tudo, Allan kardec era um cientista e, como tal, tinha muito apreço pela relação causa-efeito. Não resta dúvida que recebera influência do iluminismo, pois não vivia à margem do acontecia na França. Observe a sua posição com relação aos fenômenos das mesas girantes. Enquanto o seu amigo falava que as mesas se moviam, ele aceitava tranquilamente. Foi só relatar que, além de se mover, as mesas também falavam, ele colocou em dúvida tal afirmação e foi procurar a causa, ou seja, de onde vinha aquela voz, já que uma mesa não tem cérebro.

9) Como síntese do conhecimento, o Espiritismo inclui o iluminismo?

Sim. O Espiritismo prende-se a todos os ramos da Filosofia, da Metafísica, da Psicologia e da Moral. É a síntese de todo o processo de conhecimento, desde a filosofia de Sócrates e Platão, considerados os seus precursores. É a mais completa Doutrina de consolo até hoje aparecida na face da terra. Em seu conteúdo doutrinal, toca em todos os pontos centrais de qualquer filosofia ou religião, como é o caso de Deus, do Espírito, da matéria, da sobrevivência da alma após a morte e da comunicação com os Espíritos.


Sérgio Biagi Gregório
Pesquisador voluntário em Filosofia e Espiritismo. Desenvolve atividades no Centro Espírita Ismael. 


04 maio 2020

Escola Soberana - Orson Peter Carrara



ESCOLA SOBERANA


A expressão que usamos como título é de Emmanuel. 
Está no livro Roteiro, no capítulo 10.
Referido livro tem Prefácio datado de 10 de junho de 1952.

O autor classifica a Religião como a escola soberana para formação moral do povo. Apesar das variadas manifestações religiosas no planeta, com tantas interpretações – muitas vezes divergentes e conflitantes (conflitos esses causados pelos diferentes níveis de maturidade) entre si –, realmente ela se constitui no norteamento para o ser humano. Não importam as diferenças, isso é secundário. O que vale é a busca da Divindade, a valorização da conexão com Deus – ainda que se dê nomes diferentes e mesmo o entendimento sofra tantas variações. Isso igualmente é absolutamente secundário.

O que se deve destacar é que a Religião, com ou sem rituais, com ou sem as características próprias de cada manifestação e nível de entendimento particular, a religião propõe a busca de valores internos e a construção continuada do elo de ligação com o Poder Absoluto que governa a vida. Essa proposta – e repetimos: mesmo com tantas formas diferentes de interpretação – modifica o ser humano, oferece-lhe guarida e especialmente propõe uma conduta nova, renovada, estimulando a solidariedade, o amor na convivência, incentivando o cultivo da fé, aquela mesma que “remove montanhas”.

A fé é latente em todos nós, precisa igualmente ser buscada, incentivada, construída, cultivada. Esse o papel da religião. Esse papel prioritário provoca as mudanças interiores que melhoram a vida íntima, que se projeta para a vida social.

É escola soberana porque vai além do papel escolar de instruir, pois que alcança o sentimento modificando-o para melhor.

No mesmo capítulo, o autor conclui com sabedoria, após referir-se ao papel da ciência e da filosofia, que “(...) somente a fé, com seus estatutos de perfeição íntima, consegue preparar nosso Espírito imperecível para a ascensão à gloria universal.”

Convido o leitor a pensar no trecho transcrito, por item:

a) Estatutos de perfeição íntima – Imaginemos o alcance da expressão. Estatutos lembram ordenação, direcionamento, acordo a ser cumprido para atingir-se determinado objetivo. É o papel da fé. Seus capítulos estabelecem a conquista da perfeição – ainda que relativa – intelecto-moral do ser humano. Conquista que só será alcançada mediante disciplina e observação dos códigos compreendidos e vividos;

b) Espírito imperecível – Aqui nem é preciso alongar-se. Nossa condição imortal por si só já explica o sentido. Essa condição inerente às criaturas de Deus indicam a perenidade da vida, suas lutas e suas conquistas;

c) Ascensão à glória universal – Que agradável e confortador ler a afirmativa. Somos destinados à felicidade decorrente da perfeição, ainda que relativa, repita-se. Perfeição que tem significado de glória ou conquista de extraordinárias qualidades, capacitando o espírito para viver a felicidade operosa como co-Criador, já liberto das amarras da imperfeição. Felicidade plena e especialmente operosa em favor do bem.

Tudo isso é muito confortador e convida-nos ao esforço constante pela valorização da religião – não importa qual, mas sim aquela que nos faz melhores – levando-a ao coração de nossos filhos, cultivando-a em nós mesmos, para viver o verdadeiro sentido da Religião, que é a conexão com Deus, fazendo-nos melhores.


Por Orson Peter Carrara

03 maio 2020

A Arte de Cultivar Virtudes - Momento Espírita



A ARTE DE CULTIVAR VIRTUDES


Um avô e seu neto, caminhando pelo quintal, ora se agachando aqui, ora ali, em animada conversação, não é cena muito comum nos dias atuais.

O garoto, de 4 anos de idade, aprendia a cultivar e a cuidar das plantas com o exemplo do seu avô, que tinha tempo para o netinho sempre que este o visitava.

Era por isso que o pequeno Nícolas acariciava as mudinhas que havia plantado e dizia: "quem planta colhe, né vovô? Mas o avô não é habilidoso apenas no cultivo de plantas, é hábil também na arte de cultivar virtudes.

Entre uma conversa e outra, entre a carícia numa flor e uma erva daninha que arrancava, ele ia cultivando virtudes naquele coração infantil.

Ia ensinando que para obter frutos saborosos e flores perfumadas é preciso cuidado, dedicação, atenção e conhecimento.

E que, acima de tudo, é preciso semear, pois sem semeadura não há colheita.

O cuidado do pequeno Nícolas pelas plantas era fruto do ensinamento que recebeu desde pequenino, pois nem sempre foi assim.

Quando começou a engatinhar, suas mãozinhas eram ligeiras em arrancar tudo o que via pela frente, como qualquer bebê que quer conhecer o mundo pela raiz...

E, se não tivesse por perto alguém que lhe ensinasse a respeitar a natureza, talvez até hoje seu comportamento fosse o mesmo, como muitas crianças da sua idade ou até maiores.

Importante observar que as melhores e mais sólidas lições as crianças aprendem no dia-a-dia, com os exemplos que observam nos adultos.

É mais pela observação dos atos, do que pelos conselhos, que os pequenos vão formando seus caracteres.

Se a criança cresce em meio ao desleixo, ao descuido, às mentiras, ao desrespeito, vendo os adultos se agredindo mutuamente, ela aprenderá essas lições.

Assim, se temos a intenção de passar nobres ensinamentos a alguém, se faz necessário que prestemos muita atenção ao nosso modo de vida, às nossas ações diárias.

Como todo bom jardineiro, os educadores devem ser bons cultivadores de virtudes e valores.

Devem observar com cuidado as tendências dos filhos e procurar semear na alma infantil as sementes das quais surgem as virtudes, ao tempo em que as preservam das ervas-daninhas, das pragas, da seca e das enchentes. Sem esquecer o adubo do amor.

A alma da criança que cresce sem esses cuidados básicos por parte dos adultos, geralmente se torna campo tomado pelas ervas más dos vícios de toda ordem.

E, de todas as ervas más, as mais perigosas são o orgulho e o egoísmo, pois são as que dão origem às demais.

Por isso a importância dos cuidados desde cedo. E para se ter êxito nessa missão de jardineiro de almas, é preciso atenção, dedicação, persistência, determinação.

O campo espiritual exige sempre o empenho do amor do jardineiro para que possa produzir bons resultados.

E o empenho do amor muitas vezes exige alta dose de renúncia e de coragem. Coragem de renunciar aos próprios vícios para dar exemplos dignos de serem seguidos.

Os jardins da alma infantil são férteis e receptivos aos ensinamentos que percebem nas ações dos adultos.

Por essa razão vale a pena dedicar tempo no cultivo das virtudes, antes que as sementes de ervas-daninhas sejam ali jogadas, nasçam e abafem a boa semente.

* * *

Para que você seja um bom cultivador de almas, é preciso que tenha em sua sementeira interior as mudinhas das virtudes.

Somente quem possui pode oferecer.

Somente quem planta, pode colher.

Pense nisso, e seja um cultivador de virtudes.


Equipe de Redação do Momento Espírita


02 maio 2020

Fé: A substância da Esperança - Hermínio C.Miranda



FÉ: A SUBSTÂNCIA DA ESPERANÇA


Quando a fé racional explodiu com todo o seu impacto na Doutrina dos Espíritos.

Embora com ligeiras variações, tanto Mateus como Lucas narram, em substância, a mesma história do centu- rião romano, um dos mais tocantes episódios dos tempos evangélicos. Ambos colocam o incidente logo após o famoso Sermão do Monte, quando Jesus entrava em Cafamaum.

Mateus conta que o centurião foi pessoalmente ao Mestre, enquanto Lucas diz que o romano enviou-lhe uma delegação de anciãos judeus para formularem o pedido. Ambos, porém, deixam entrever que o soldado não estava preocupado com a perda do seu criado e sim realmente penalizado diante da dor que o pobre estava sofrendo com a sua paralisia. Jesus prontamente sentiu a sinceridade do homem e se propôs a curar o servo doente:

Eu irei e o curarei — diz, segundo Mateus.

Lucas narra que ele se achava a caminho da casa do centurião quando este lhe mandou a mensagem que constitui a essência do episódio:

Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa. Por isso, nem mesmo me achei digno de ir procurar- -te. Dize, porém, uma só palavra e meu criado ficará bom.

Contam os evangelistas que o romano prosseguiu dizendo que, como soldado, ele tinha superiores hierárquicos a quem obedecia, tanto quanto subordinados, aos quais bastava dar uma ordem para que a cumprissem.

A leitura de Lucas nos esclarece que, embora fazendo parte do exército invasor que trazia a Palestina subjugada a César, o centurião era estimado entre os judeus — “é amigo de nossa gente e ele mesmo nos fundou uma sinagoga”, disseram os velhos. Extraordinário homem, esse bom centurião, tolerante para com os oprimidos ao ponto de granjear-lhes a simpatia e até fundar-lhes uma sinagoga.

Na sua aguda percepção, Jesus deve ter notado de imediato os méritos do homem tanto quanto a sinceridade do seu pedido em favor do criado doente. Mas, o que mais fundo tocou o coração do Mestre foi a fé que ele demonstrou no jovem profeta de Israel e no seu Deus, tão diferente dos deuses pagãos.

Vale a pena desenhar mais nitidamente o quadro para alcançarmos bem toda a grandeza do incidente.

A Palestina sempre foi uma espécie de encruzilhada do mundo. Por ali passaram com freqüência os grandes conquistadores, em busca das riquezas lendárias do oriente. Por isso, Will Durant escreve que o povo judeu teve a sua história tumultuada, por tentar viver no meio de uma estrada movimentada.

Depois de Alexandre, cujo vulto já desaparecera na poeira dos séculos, vieram os romanos que, desde o ano 63 antes do Cristo, começaram a interferir nos negócios políticos dos judeus, ao tempo de Pompeu. A dominação total não tardaria, com a invasão e a ocupação e todo o seu cortejo de pressões e crueldades, que eram duros os tempos e o coração dos homens.

Emmanuel nos conta — em ‘‘Paulo e Estêvão” — as aflições que delegados romanos prepotentes impuseram à família daquele que seria o primeiro mártir do Cristianismo.

Não é de admirar-se, pois, que o povo de Israel suspirasse pelo Messias que, segundo a letra das profecias, viria em todo o seu poder e majestade, para expulsar os romanos e restabelecer na terra sagrada o governo livre do estado judaico.

Roma era onipresente na Palestina, na figura dos soldados quase sempre impiedosos, agentes do Cesar distante, temido e odiado. Eram eles o símbolo daquele poder esmagador que extraía impostos elevados de um povo empobrecido, sufocava em sangue e lágrimas os anseios de liberdade, confiscava bens e profanava as ruas e até os templos com imagens e figuras que os livros sagrados proibiam taxativamente.

E, pois, digno de respeito, um comandante romano que tenha conquistado as boas graças do povo esmagado.

E mais notável ainda que tenha tido a corajosa humildade de solicitar a ajuda de Jesus para salvar um servo modesto, figura social que naqueles tempos ásperos se colocava pouco acima do mendigo. E surpreendente que tenha levado tão alto o seu respeito pelo jovem pregador que nem mesmo a sua casa achou-a digna de recebê-lo. Podemos presumir que sua residência fosse bem melhor que a maioria das casas ocupadas pelos próprios judeus. Os invasores sempre tomam para si o que há de melhor. Acima de tudo, porem, o que ressalta deste episódio, tão profundamente humano, é a fé que o romano demonstrou em Jesus, a ponto de não achar nem mesmo necessário qúe ele viesse ver o servo doente; bastaria — como bastou — o poder do pensamento e da vontade daquele doce profeta da paz.

Até mesmo Jesus se admirou daquela demonstração inesperada. Voltou-se para os que o seguiam para exaltar o gentio, pois que “nem em Israel” achara tamanha fé. Segundo Mateus, Jesus aproveitou mesmo a oportunidade para conclamar a universalidade do seu pensamento, exatamente porque se baseava em conceitos que atraíam tanta gente, mesmo fora dos círculos judaicos: “Digo-vos, porém, que virão muitos do oriente e do ocidente e se assentarão à mesa com Abraão e Isaac e Jacó no reino dos céus, mas os filhos do reino serão lançados nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes” (Mat. 7, vv. 11 e 12).

Ao que parece, o Mestre previa, nessa passagem, que incontáveis multidões não-israelitas haveriam de aderir à sua doutrina, enquanto que os judeus que não cumprissem a lei de Deus seriam precipitados nas trevas de suas próprias angústias. Sua doutrina era, assim, para todos, como muito bem o entendeu Paulo, pouco depois. Não seria mais uma seita judaica; era uma nova filosofia de vida para todos os povos da Terra. O suporte básico dessa pregação era a fé.
Vai — disse ao centunão — e faça-se segundo tu creste.

Os séculos escorreram lentamente sobre a cena de Cafamaum e o conceito singelo e profundo da fé passou por muitas alterações e distorções. Achava Paulo que a fé salvava o justo (Epístola aos Romanos). Entendeu Lute- ro, apoiado nesse mesmo pensamento pauliniano, que somente a fé era capaz de salvar, de nada adiantando as nossas intenções e as nossas obras. A fé sozinha cobriria as nossas iniqfiidades e imperfeições, levando-nos sãos e salvos ao reino de Deus.

Na Idade Média, trágica época de obscurantismo e intolerâncias, a fé adquirira a rigidez cadavérica dos dogmas, esquecida de suas origens e da sua finalidade. Quiseram proclamar que somente um caminho havia para Deus e quem não quisesse trilhar aquela vereda deveria morrer o quanto antes, para não contaminar o resto do rebanho.

As primeiras tentativas de racionalizar a fé, na altura do século 12, levaram Abelardo à desgraça e ao opróbrio, quando se levantou em defesa da Igreja a voz de Bernardo. A fé não era para ser discutida, nem racionalizada, nem submetida aos esquemas frios da filosofia e da lógica. Tudo a ela se subordinava, até mesmo a filosofia. Qualquer raciocínio que contrariasse uma questão de fé eraimediata- mente rotulado de heresia e tenazmente combatido. Os homens tinham de renunciar à tentativa de reconciliar razão e fé. Nada tinha a ver uma com a outra; eram ramos autônomos do pensamento e nos pontos em que se chocavam tinham de predominar, necessariamente, sem discussão, os postulados da fé, tal como a entendiam os teólogos. O homem tinha que crer não só quando o dogma era absurdo, mas exatamente porque era absurdo, pois a fé alcançava onde a razão se recusava a chegar.

Mas que era a fé? Paulo tentara a sua definição. Diz o grande apóstolo, no capítulo 11, versículo lí, da Epístola aos Hebreus, que a fé é a substância das coisas que se esperam e a evidência das coisas que não a vêem.

Muito se tem dito depois de Paulo a respeito da fé, mas acho que jamais se disse tão bem e tão belo. Substância da esperança, evidência daquilo que não podemos ver… Que melhor maneira de conceituar algo tão diáfano como a fé?

Tocaria, porém, ao Espiritismo de Kardec o coroamento da tarefa: não apenas conciliar razão e fé, mas, ainda além, declarar que a fé somente é legítima quando passar pelo teste da razão. Chegara, afinal, a era do Consolador. Viera no tempo certo, porque antes disso os homens não estavam prontos para a renovação dos conceitos esclerosados da teologia milenar. Por outro lado, a sofisticação científica e filosófica, que a civilização trouxera no seu bojo, retirava do homem a simplicidade indispensável à aceitação daquela fé tão pura e firme que Jesus identificara no centurião. Os homens haviam começado a inquirir o porquê das coisas e a buscarem os suportes da fé. Quando a fé surgia desapoiada na razão, era rejeitada e não havia mais o que colocar no lugar dela, até que explodiu, com todo o seu impacto, a Doutrina dos Espíritos.

Por tudo isso, nós, que hoje estamos nesta posição, podemos olhar com tranqüilidade o nosso futuro espiritual e o futuro da Humanidade a que pertencemos. Estamos bem equipados para enfrentar a desorientação que predomina no mundo em que vivemos. A nossa fé é estruturada naquela substância da esperança de que nos falava Paulo, uma esperança que o ensino dos mentores espirituais converteu em certeza. Quanto à evidência do que não vemos, ela salta à nossa visão espiritual, no trato quase que diário com tantos irmãos espirituais invisíveis que, antes de nós, partiram para a outra margem da vida.

Se o centurião podia crer sem discutir e sem racionalizar, por que haveremos nós, espiritas, de temer pelo futuro da Humanidade se já nos foi dado crer ao mesmo tempo com a cabeça e o coração?

Deus abençoe a Kardec, instrumento bendito dessa mensagem de paz e de amor. Até que chegássemos a esse patamar do pensamento filosófico-religioso, toda uma legião de bons trabalhadores lutaram e sofreram para nos legar aquilo a que Paulo chamou substância da esperança.


Hermínio C.Miranda
Extraído do livro Candeias na noite escura, FEB, 2014.