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03 fevereiro 2022

O Mundo Espiritual pelo Espiritismo - Adenáuer Novaes

 
O MUNDO ESPIRITUAL PELO ESPIRITISMO

A divisão clássica kardequiana dos espíritos em classes e ordens é apenas didática, estabelecida com o intuito de trazer um referencial de como se situam após a morte do corpo físico.

O estado psíquico, o estilo de vida, a habitação, o vestuário, bem como as crenças e motivações são múltiplas e, em muitos casos, desconhecidas dos encarnados. - Adenauer Novaes

A realidade além da vida física é de uma complexidade muito maior do que a conhecida através dos livros e relatos mediúnicos. Tais escritos e depoimentos se circunscrevem a nichos palidamente percebidos pelos espíritos e médiuns que se dedicam a educar o ser humano quanto à vida fora da matéria. A diversidade de situações, ambientes e estilos de vida é infinitamente maior do que se imagina. Isso não quer dizer que se trate de falsas informações ou de mistificação dos médiuns. São considerações importantes que, embora esclarecedoras, sofrem o filtro da linguagem e da cultura dos médiuns.

A grande maioria das informações espirituais sobre a vida fora da matéria é trazida com o objetivo de educar os que se encontram na dimensão mais densa. Esta educação é um preparo para uma vida equilibrada na sociedade material e para uma vida espiritual sem surpresas.

Os pressupostos teóricos dessa educação têm conduzido, ou pelo menos pretendido conduzir, o ser humano a uma adequada postura diante da vida material, de acordo com princípios cristãos. Por esse motivo, o mundo espiritual é mostrado muito semelhante ao imaginário construído pelo catolicismo. O que nele está ausente, também o esteve no céu apresentado pelo modelo católico. O sistema econômico, o sistema produtivo, bem como a sexualidade e as atividades de lazer são relegadas a um plano quase que inexistente. O mal do outro lado da vida é colocado em relação a algo feito do lado de cá. Parece que nada de ruim, exclusivamente pertencente ao outro plano da vida, acontece. Todo o mal está relacionado aos vícios, prazeres e vinganças do lado de cá da vida. Abordar tais assuntos pode não ser considerado edificante ou adequado. Claro que devem existir empecilhos que desconheço.

A divisão clássica kardequiana dos espíritos em classes e ordens é apenas didática, estabelecida com o intuito de trazer um referencial de como se situam após a morte do corpo físico. O estado psíquico, o estilo de vida, a habitação, o vestuário, bem como as crenças e motivações são múltiplas e, em muitos casos, desconhecidas dos encarnados.

Há muitas regiões espirituais inóspitas, bem como outras a serem desbravadas, à espera do espírito humano para lhes dar movimento e sentido transcendente. Em tais regiões podem vigorar princípios e modos de convivência muito diferentes dos adotados em outras, pois o Universo é livre para todos. Esta liberdade toda estará condicionada ao princípio divino existente em cada ser do Universo.

Apropriando-me dos conceitos emitidos a respeito da vida espiritual, mesmo considerando sua parcialidade, tentei alcançar uma visão mais ampla, sem destruir o que havia aprendido. Desde que adentrei o Espiritismo, tenho percebido a necessidade de não permanecer apenas com o que é aprendido, mas de buscar dentro de mim mesmo o que já foi vivenciado espiritualmente.

Entrei no Espiritismo como quem adentra uma escola. Não fui levado pela dor ou sofrimento. Circunstâncias naturais me levaram ao conhecimento da Doutrina Espírita. Minha curiosidade intelectual e um sentido interno de que a vida não se resumiria ao material foram determinantes, além de amigos me terem convidado a assistir uma ou outra palestra num Centro Espírita. Minha entrada no Espiritismo foi provavelmente algo espiritualmente ensaiado.

Com o tempo, realizando várias buscas e investigações intelectuais, estudando sistematicamente e filosofando sobre o que lia, fui aprendendo a distinção entre ser espírita e perceber-se espírito. Ser espírita me parecia uma profissão de fé, uma admissão num grupo religioso com suas regras e formas de identificação de adoção. Seus adeptos se apresentavam como cultores da caridade, crentes na imortalidade e num Deus único. Era notória a relevância do primeiro elemento identificador: praticante da caridade desinteressada. A relação com os espíritos, mesmo propagada, tinha importância secundária, salvo quando o objetivo fosse a própria caridade. Um certo ar de revolucionário social e de transformador da humanidade pairava entre os adeptos mais esclarecidos, transferindo para si o que acreditavam ser responsabilidade do Espiritismo.

Perceber-se espírito não exclui, de certa forma, a identificação como espírita, porém acrescenta uma profunda transformação interior e exterior. A visibilidade do sentido da própria vida passava a ser maior em face, não só da responsabilidade pessoal sobre o próprio destino, como também do compromisso em sentir Deus em si mesmo. A consciência dessa diferença me fez obstinadamente tentar realizar com o Espiritismo a percepção de ser espírito em mim e nas pessoas de minha convivência.

No mundo espiritual que sinto existir, cabe tudo o que há na humanidade encarnada e mais uma diversidade imensa de possibilidades de vida e de organização. Acredito em condições inimagináveis fora do corpo humano, as quais me permitem entender que o que me espera quando lá chegar é certamente maravilhoso.

Desenvolvi novos hábitos, novos gostos, novas formas de viver as experiências da vida, bem como a construção de instrumentos de transformação social. Passei a escrever sobre o assunto, visando levar às pessoas a consciência de que são espíritos. No percurso que passei a fazer, considero que mais importante do que tornar as pessoas espíritas é levá-las à consciência de que são espíritos.

Ao tomar consciência disso, passei a planejar a própria vida dentro de paradigmas que envolvem o espiritual. Posterguei certos desejos, apressei a realização de aprendizados novos, desliguei-me de hábitos inadequados aos meus propósitos, mudei de profissão, ampliei o alcance de minhas metas sociais, integrei-me mais à família consangüínea e desenvolvi metas próprias de transformação social. Ao tomar consciência de que eu mesmo era um espírito em evolução e que me importava sobremaneira com isso, voltei a ler os clássicos espíritas a fim de buscar novas e pessoais interpretações de conceitos, sem querer criar teorias absurdas ou diferentes. Percebi uma série de interpretações pobres e de alcance limitado em relação ao meu desejo de crescimento espiritual. Abandonei teorias antigas, mesmo aquelas alicerçadas no saber espírita que tinha apreendido e consolidei outras de utilidade adequada ao momento em que vivia.

Despreocupei-me em me mostrar alguém superior ou com qualidades morais que não possuía. Ocupei-me em enxergar de frente todo o lado negativo de minha personalidade, sem querer apressadamente livrar-me dele.

Não vi em momento algum a necessidade de deixar de ser espírita ou de continuar ao lado de pessoas, dentro do Espiritismo, que não pensavam como eu e que permaneciam com uma visão espírita que me parecia ultrapassada. Compreendia, como compreendo, que cada um está em seu momento evolutivo e que deve ser respeitado, tanto quanto aceitava, e aceito, a possibilidade de estar equivocado em minhas idéias.

Vi que meu destino estava atrelado às minhas crenças a respeito da vida espiritual e que não poderia continuar percebendo-o da mesma maneira que no início.

A forma como vejo o mundo espiritual evoluiu de acordo com meu próprio crescimento interior. Percebi que meu mito pessoal se construía de acordo com minha antiga crença num mundo espiritual idealizado teoricamente, construído unicamente pelas leituras que fazia, sem acessar meu próprio conhecimento interior, naturalmente adquirido.

O mundo espiritual construído no imaginário humano difere daquele real e existente após a morte. A consciência coletiva do Movimento Espírita elaborou um mundo espiritual calcado em poucos depoimentos espirituais, sem o necessário senso crítico. Muitos médiuns se pautaram em seus próprios conhecimentos adquiridos no impacto das primeiras leituras em suas iniciações, não abrindo espaço para novas informações a respeito da vida espiritual. A maioria espírita não imagina o quanto a concepção de mundo espiritual interfere na vida e no destino dos que se dedicam à prática do Espiritismo. Quanto mais conscientes da necessidade de se apropriarem de seus próprios destinos e da responsabilidade que lhes cabe sobre a evolução, mais próximos estarão da felicidade. Quanto mais livres de conceitos idealizados, mais donos de si mesmos serão.

No mundo espiritual que sinto existir, cabe tudo o que há na humanidade encarnada e mais uma diversidade imensa de possibilidades de vida e de organização.

Acredito em condições inimagináveis fora do corpo humano, as quais me permitem entender que o que me espera quando lá chegar é certamente maravilhoso.

Muitas pessoas que acreditam que sofrerão após a morte, por terem feito algo contrário às regras que aprenderam, poderão ser surpreendidas com o contrário.
Outros que se vêem de forma negativa poderão descobrir que estavam equivocados ao pensar assim. A grande maioria se surpreenderá com o que a espera.

Uma visão menos pesada e menos culposa é necessária, pois Deus não é carrasco, para ter criado um sistema tão hermético e fechado, quase inacessível ao ser humano comum.

Um mundo espiritual mais livre e destituído de punições faz-se necessário à consciência humana, tão violenta da pelas crenças medievais existentes. No Espiritismo cabe uma vida espiritual mais humana e menos cheia de pecados.

O olhar espiritual trazido em mensagens psicografadas e psicofônicas, a respeito da vida na Terra, ainda é como se aqui fosse uma prisão e degredo de assassinos e de criaturas sempre venais. E os bons exemplos de pessoas sadias fora do círculo religioso? Onde estão aqueles que se esforçam pela sociedade justa e equilibrada e que não se dedicam à religião? E os empresários e profissionais liberais que se dedicam à dinâmica social? E os funcionários públicos que se tornam verdadeiros servidores do povo? E os ecologistas? Sinto falta do depoimento a respeito do bem que essas pessoas fazem à sociedade, cada um em seu ofício.

Adenáuer Novaes
Fonte:
Portal Casa Espírita Nova Era

05 novembro 2017

Reencarnação e ciência - Adenáuer Marcos Ferraz de Novaes



REENCARNAÇÃO E CIÊNCIA


Presente nas mais diversas culturas, a reencarnação desafia o tempo, permanecendo viva na mente e nas crenças do ser humano. Desde a mais remota antigüidade até os nossos dias, ela vem sendo a forma mais completa de explicar os diversos e complexos fenômenos da experiência humana. Sua credibilidade vem de evidências experimentais, de provas sob rigoroso controle científico. A reencarnação é hoje um fato cientificamente provado. Com fortes evidências sob o ponto de vista da ciência, já alcançou a atenção dos institutos de pesquisas das universidades. Não é difícil demonstrar, através de provas científicas, que a Reencarnação é uma lei universal e que a evolução humana se processa através dela. Reencarnar é o retorno a um novo corpo, através de um novo nascimento, via fecundação, da personalidade individualizada do ser humano. Retornar significa voltar com a mesma individualidade anterior. Apesar de mudar-se de nome não se passa a ser outra pessoa. A personalidade anterior se modifica a partir do nascimento, com um novo ambiente, porém o espírito é o mesmo. Encontramos como sinônimo de reencarnação o termo palingênese, que significa nascer de novo e o termo metempsicose, de origem grega, cujo significado aproxima-se do de reencarnação, porém, ao contrário do conceito espírita, que só admite o retorno a um corpo humano, aceita também o regredir às formas animais. Os mais antigos livros onde encontramos a doutrina da reencarnação são os Vedas, de cuja matriz surgiram grande parte das religiões e sistemas filosóficos da Índia, e que contêm hinos sagrados cuja origem remonta há muitos anos antes de Cristo. No Egito, as dinastias mais antigas acreditavam na preexistência da alma, antes do seu nascimento, assim como na sua pós-existência depois da morte, e nos muitos nascimentos da alma neste e em outros mundos.

Religiões significativas da Pérsia, principalmente o Zoroastrismo, na sua forma genérica popular e dinâmica, seguiam doutrinas contendo a reencarnação, sendo que no Zoroastrismo (século VII a. C.) há a concepção de uma espécie de justiça cósmica de que as almas recebiam os seus prêmios ou castigos merecidos nas vidas futuras. Há registros de que da Pérsia a crença da reencarnação foi levada à Grécia.

A religião ortodoxa Islâmica não aceita nenhuma doutrina de reencarnação. Apesar disso, algumas escolas esotéricas dentro do Islamismo – tais como os Sufis e os Drusos, defendem fortemente a reencarnação. Alguns místicos islâmicos e poetas sufis como Rumi, Hafiz e outros, defendiam abertamente a reencarnação.

De acordo com Flavius Josephus, o 1º historiador judeu do século I d. C., as três escolas antigas de pensamento e prática da religião judaica – os Saduceus, os Fariseus e os Essênios – diferenciavam-se acerca do destino da alma após a morte do corpo. Os Saduceus defendiam que a alma morre juntamente com o corpo. Os Fariseus mantiveram a imortalidade da alma, o renascimento das almas das pessoas boas noutros corpos e o castigo eterno das almas dos mais fracos. Os Essênios aceitavam a imortalidade e rejeitavam a reencarnação. O Velho Testamento contém passagens (Provérbios 8:22-31; Jeremias 1:4-5) nas quais o autor professa que teriam existido anteriormente ao nascimento físico, com destaque para Malachias (4:2-6) que previu o retorno de Elias à Terra.

No Alasca, entre os índios da tribo Tlingits, é crença geral que os mesmos sinais e cicatrizes podem reaparecer no corpo do renascido. Entre os Esquimós, há inúmeros casos de pessoas que se recordam de suas vidas pregressas. Diversas tribos americanas, dentre elas os Peles-Vermelhas, aceitam a reencarnação. Os Winnibagos crêem na reencarnação. Crença idêntica existe entre os índios Chippeway. Eles estão certos de que, em seus sonhos, podem reviver acontecimentos de encarnações passadas.

A principal corrente do Cristianismo ortodoxo, o Catolicismo, nunca acolheu abertamente a doutrina da reencarnação nas suas crenças, enquanto pensadores importantes e seitas dinâmicas abraçaram uma ou outra versão da doutrina dos renascimentos terrestres. Um conselho Ecumênico importante (o 2º de Constantinopla, em 553 d. C.), de acordo com a crença comum anatematizou todas as concepções da preexistência da alma e do renascimento, que faziam parte das teses de Orígenes (185 – 254 d. C.), excomungado em 232 d. C. por adotar a reencarnação. Um dos expoentes máximos da Igreja, Clemente de Alexandria (preceptor de Orígenes) aceitava a reencarnação e, ainda mais, afirmava que São Paulo também professava tal crença.

Nos Diálogos de Platão - Fedon, Banquete e República a reencarnação é apresentada como um dos ensinos de Sócrates. Em República, livro X, p. 614 à 620, há o episódio de Er, filho de Armênio, originário da Panfília, que, após 12 dias de morte aparente, recupera-se e conta o que viu no mundo dos mortos. Relatou como se dá o retorno das almas para o renascimento. Anteriormente a Sócrates, pelo menos Pitágoras, Heráclito e Empédocles expressaram explicitamente idéias de reencarnação. Em Fedro, Platão atribuiu a Sócrates a doutrina da existência da alma antes de entrar neste mundo, assim como a sua sobrevivência. A despeito da Filosofia e em pleno século XX, as investigações sobre o tema tomaram novo impulso. Na França, com Albert Des Rochas, na Índia com Hamendras Nat Banerjee, nos Estados Unidos, com Ian Stevenson. Cada um à sua época desenvolvendo diferentes métodos de pesquisas, a partir de fatos concretos, trouxeram nova luz a respeito da reencarnação, principalmente introduzindo-a como objeto de investigação científica. As pesquisas em torno da reencarnação virificam-se em vários campos; dentre eles tem-se a Regressão de Memória e as Lembranças Espontâneas na Infância. Entre os estudiosos de regressão de memória destaca-se Albert Des Rochas, Edith Fiore, Denis Kelsey, Morris Netherton, Helen Wambach e Hermínio Miranda. Todos eles desenvolveram experiências em torno da regressão de memória com resultados surpreendentes, que extrapolaram os espaços científicos, penetrando nos consultórios de psicólogos como técnica terapêutica.

Nas pesquisas de Lembranças Espontâneas na Infância, destacam-se os trabalhos de Ian Stevenson, H. N. Banerjee e Hernani G. Andrade. São pesquisas de grande credibilidade pelas características da espontaneidade e da insuspeição em se tratando de crianças. Há milhares de casos catalogados com a confirmação das informações sobre vidas passadas que não se resumem a vagas memórias, mas, sim, a dados precisos, com nomes, datas, locais e detalhes importantes. Em tais pesquisas verificouse que, o intervalo de tempo entre uma e outra encarnação pode variar de dias a séculos.

A necessidade de se estabelecer um princípio diretor, justo e equânime para justificar a sociedade e suas complexas relações, coloca a reencarnação como o mecanismo capaz de exercer a justiça divina e de possibilitar o crescimento da sociedade. Nada poderia justificar as contingências do existir com a precisão com que a reencarnação o faz. As dificuldades e conflitos humanos passam pela necessidade de uma justificativa filosófica e até mesmo do ponto de vista do equilíbrio energético. A reencarnação é a chave para desvendar os mistérios provocados pelo vazio do conhecimento parcial que o homem tem sobre si mesmo.

Nem sempre a justiça que se processa pela via da reencarnação, dá-se imediatamente na encarnação seguinte do espírito. Os mecanismos educativos podem ocorrer na mesma existência, sem a necessidade da reencarnação, como também podem se dar após várias encarnações. O tempo que leva para que o processo educativo se instale, dependerá da ocorrência de fatores que propiciem o aprendizado do espírito. Às vezes, há a necessidade de se reunir pessoas várias num processo único, o que poderá levar séculos ou milênios. Deve-se salientar que ninguém, nenhum ser humano, estará isento do processo de educação. A reencarnação é mecanismo obrigatório no nível de evolução em que se encontra a humanidade terrestre. Ninguém está isento dela. Não há privilégios nem privilegiados.

Reencarnar sem a lembrança do passado é o mecanismo que possibilita a convivência de contrários e daqueles que elevaram a paixão ao seu grau máximo. Sem o esquecimento das experiências anteriores não é profícua a reencarnação. Reencarna-se para aprender, para educar-se.

Para crescer a partir de novos elementos, de uma nova oportunidade, num novo ambiente, onde se possa construir ou reconstruir seu próprio crescimento. Tal esquecimento não significa a perda do conhecimento adquirido nas existências anteriores. O espírito não involui. Não se perde o que já se sabe. Esquece-se temporariamente o que não é relevante para o crescimento do espírito. As qualidades, os defeitos, as emoções, os amores, os ódios, ficam latentes e participam, de forma subjacente nas relações do reencarnado, atuando de forma inconsciente.

Muitos espíritos que estiveram juntos em encarnações anteriores se separam para se reencontrarem mais adiante.

Alguns desafetos quando se vêem se “lembram” do passado. Pode ocorrer que a inimizade retorne. Como também os afetos quando se reencontram refazem a mesma ligação que tiveram no passado. O espírito “enxerga” o outro espírito, independente do corpo que tem e do grau de parentesco que possuem. Alguns espíritos não reencarnam na mesma época que seus afetos e ficam a velar por eles para que obtenham sucesso naquela encarnação. Ao libertar-se do corpo, seja durante o sono ou com a morte, o espírito vai aos poucos retomando sua memória integral.

O retorno através da reencarnação se dá para o crescimento do espírito. É um processo educativo, e não punitivo. Encarado dessa forma, não há um número definido de encarnações para um espírito. Os processos não se dão de forma linear, isto é, não se passa pelo que se causou a outrem na mesma proporção. As circunstâncias a que um espírito está sujeito numa encarnação expiatória são sempre atenuadas pela Misericórdia Divina. A Lei de Causa e Efeito não é “olho por olho dente por dente”. Não se deve interpretar as doenças e outros sofrimentos senão como processos educativos. Errou-se no passado porque não se sabia como agir corretamente. Retorna-se para aprender até não mais se precisar reencarnar.

As idéias inatas, as simpatias e antipatias gratuitas, os gênios, de alguma forma parecem denunciar uma experiência anterior. O conhecimento não se produz de forma mágica. A reencarnação explica tais conhecimentos “inatos”, como oriundos de existências anteriores. Tudo então é aprendido pelo espírito. Nada lhe é “dado” de graça. Se no passado alguém adquiriu uma aptidão qualquer, ela hoje se manifestaria de alguma maneira.

Em muitos casos os reencarnantes retornam com marcas de nascença. Trazem cicatrizes denunciadoras de experiências pregressas. Marcas que, quando não são creditadas a fatores genéticos, reproduzem-se de uma a outra existência por mecanismos psíquicos. As experiências que produziram as marcas foram de tal forma intensas que gravaram o corpo físico, denunciando a existência de uma matriz comum onde ficam “guardadas” as impressões do espírito. Essa matriz é o perispírito. Da mesma forma que essas marcas, surgem fobias, traumas, que se revelam logo na primeira infância.

O conceito de reencarnação transcende ao aspecto da mera crença que está presente nas mais antigas culturas, tornando-se a base para a compreensão da razão de viver do homem. A reencarnação não foi concebida como uma teoria para explicar a realidade, mas é uma realidade que explica e suscita muitas teorias. As relações humanas estão carregadas das emoções do passado. Impulsos, estímulos, reações emotivas, atitudes diversas, não são apenas fruto da vontade e do meio ambiente, mas principalmente das experiências pregressas gravadas no psiquismo.

A personalidade integral, que sobrevive à morte, já possui experiências diversas em matéria de profissões, de línguas aprendidas, de tipos de sexo, de classe social, de condição econômica. O fato, por exemplo, de já ter experienciado viver nos dois tipos de sexo, concede ao ser humano habilidades para habitar nesse ou naquele corpo, sem que isso lhe cause qualquer problema quanto à sua relação com o sexo do corpo escolhido. Uma nova encarnação representa a construção de uma nova personalidade no novo meio em que se vai renascer. Os traumas e conflitos, dessa forma, aparecem tendo como uma das causas, talvez a principal, essa realidade interna, anterior, que contracena com a realidade externa. A solidão e as repetidas e constantes desilusões afetivas podem ser encaradas como resultantes de processos educativos, oriundos de experiências mal sucedidas no passado. O Espiritismo, com Allan Kardec, trouxe de volta a reencarnação como conhecimento fundamental de sua doutrina. Através do Espiritismo a reencarnação é analisada sob o ponto de vista sociológico e moral. A doutrina das vidas sucessivas é o alicerce da evolução. A frase “Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sempre, tal é a lei” resume o significado da reencarnação para o Espiritismo.


Adenáuer Marcos Ferraz de Novaes
Da obra; Conhecendo o Espiritismo - Capítulo 6


29 outubro 2017

Amor Impossível - Adenáuer Novaes



AMOR IMPOSSÍVEL


Se você ama alguém que não lhe pode corresponder, lembre-se daqueles que não têm um amor ao menos para chorar suas lágrimas. Se o amor é uma conquista, alguns ainda não a alcançaram.

Se a pessoa que você ama já tem compromisso, evite viver uma relação paralela que poderá machucar seu coração. Nossos sentimentos comandam nossa vida, deixá-los à deriva é perigo para nossa própria sobrevivência.

Ninguém que se aventura numa relação paralela consegue dela sair sem marcas. Os motivos que levam alguém a tal aventura geralmente se enraízam em vidas passadas.

Quem ama nem sempre consegue correspondência com o ser amado. Às vezes nos deparamos com os amores platônicos ou não recíprocos. Respeitar os limites do outro é fundamental para nosso equilíbrio psíquico.

Quando você se deparar com um amor proibido atravessando seu percurso de vida, olhe para si mesmo e conscientize-se de que você não merece pagar preço tão alto por uma ligação que não possa ser postergada.

Se o seu amor não é correspondido ou é platônico e o outro não sabe nem lhe dá atenção, não espere que um milagre resolva a situação. Lance-se ao seu próprio destino buscando realizações superiores.

Não lamente a saída de alguém de sua vida. Reenquadre a posição que você deve ocupar na vida perante o futuro, sem aquela pessoa. O outro que saiu, apenas desocupou o espaço por você constituído. Permita que algo nobre ocupe devidamente aquele lugar.

Se você se encontra em solidão, observe à sua volta e verá que, mesmo acompanhada, muita gente está só. A companhia do amor é a paz da consciência e o pensamento voltado para o futuro.

Por contingências reencarnatórias, o amor entre duas pessoas poderá estar separado pelos laços de parentesco, pelo compromisso do outro, por expiações ou pela preferência sexual. Nesses casos, aja com cautela e equilíbrio, considerando que a separação imposta pela vida representa processo educativo em curso.

Muitas vezes tetantamos colocar num ponto máximo de nossa vida, o amor a uma pessoa em lugar do amor a Deus, à vida ou, até mesmo, a si próprio.

Esse amor exagerado tende a anular.

quem a ele se entrega.

Em determinada fase de nossa vida nos encontramos com um outro que inunda nossa consciência alojando-se sem pedir licença, parecendo ser a única razão de existirmos. Muitas vezes se trata de fascinação movida por carências não atendidas. Valorização de si mesmo e autoestima, são fundamentais para o reequilíbrio psíquico.

As barreiras da posição social, do nível intelectual e outras erigidas pelo preconceito, são contingências que nos ensinam a grandeza da vida verdadeira, da qual somos originários e para a qual voltaremos como espíritos.

Se o amor possível está difícil, o impossível merece a nossa cautela para não se tornar uma armadilha cármica a nos aprisionar na teia das reencarnações expiatórias.

O amor não-amado, Jesus, soube entender os homens, face à ignorância espiritual da humanidade. O seu amor é o amor possível e libertador. O amor não correspondido é aquele que devemos esquecer a fim de buscarmos outro amor, que preencherá nossa vida de felicidade e paz. A fixação nele é porta aberta à obsessão e a anulação de si mesmo.

O amor impossível nos aprisiona e nos faz estacionar diante da vida. Sua presença em nossa consciência e em nosso coração, impede-nos de crescer e evoluir.

Se não conseguimos realizar o amor que nos parece o máximo de nossa vida, lembremo-nos que um outro amor pode estar a nos esperar do outro lado da vida, confiante em nosso amadurecimento antes da partida.

O amor dos entes queridos, que nos antecederam na viagem de retorno ao mundo espiritual, bem como daqueles que pertenceram ao nosso passado reencarnatório, estará sempre presente em nossas vidas na medida em que permaneçamos trabalhando em favor do amor e para que o amor alcance os que dele carecem.

Amanhã poderemos estar diante de algo muito importante do que aquele amor que nos impede o crescimento. Na manhã seguinte, certamente o dia poderá ser mais acolhedor. Acredite no amor possível, é ele que nos faz crescer.

Jesus nos ensinou que o amor é sempre possível àquele que pensa no bem.

Adenáuer Novaes


28 outubro 2015

Infância e Mediunidade - Adenáuer Novaes


INFÂNCIA E MEDIUNIDADE

Tudo leva a crer que a mediunidade na criança é algo rudimentar. As percepções não são tão estruturadas como no adulto, visto que em seu psiquismo ainda não se completou o desenvolvimento adequado do ego para sustentar as invasões psíquicas possíveis. Os fenômenos mais comuns estão na área da vidência a desencarnados familiares da atual ou de outras vidas, cujas presenças no campo mediúnico da criança, por conta em geral da boa relação que tiveram, evocam-lhe recordações agradáveis, transmitindo-lhe bons fluidos, bem como lhe infundem confiança e tranquilidade para enfrentar os desafios futuros. Pode-se imaginar que a imaturidade física e psicológica na criança é um obstáculo ao desenvolvimento equilibrado da mediunidade, bem como ao seu uso. 

O desenvolvimento da mediunidade na infância é um risco que se corre em face dos desequilíbrios psíquicos que podem advir para a criança. Nem sempre o espírito encarnado que se encontra na infância estaria apto a lidar com a confusão mental que isso acarreta. Os pais devem conversar e educar seus filhos sem lhes impor comportamentos formais e padronizados típicos dos adultos. As obsessões em crianças não são comuns, não só pela sua conduta inocente, pela proteção de que gozam, como também pela pouca influência dos complexos inconscientes. Quando crianças estiverem sob influência espiritual obsessiva devemos, pois, procurar tratamento espiritual e psicológico. Este último, nos casos em que o comportamento da criança e sua compreensão de mundo estejam visivelmente comprometidos. Talvez pelo fato de estar camuflado num corpo muito infantil, o encarnado saia temporariamente (até a puberdade) do foco de desencarnados inimigos.

Escondem-se até que a reencarnação se complete no início da adolescência. Quando os pais notarem que seus filhos possam estar sofrendo algum tipo de obsessão (sono frequentemente agitado, comportamento inabitual, doenças sem diagnóstico específico, medos sem causa aparente, agressividade não típica, hiperatividade fora do comum, sentimento de perseguição por vultos estranhos, etc.) devem levá-los a tratamento médico-psicológico e a tratamento espiritual à base de passes. Crianças que apresentam transtornos psíquicos com influência espiritual obsessiva devem ser conduzidas a tratamento psicológico ou psiquiátrico, conforme seja o caso, e a tratamento espiritual, sem ser conduzida à reunião mediúnica ou ao desenvolvimento de sua faculdade. O que os pais devem fazer quando seus filhos apresentarem sinais precoces de mediunidade? Devem conversar, sem alardes, com eles a fim de se interarem sobre o que sentem ou veem. Consequentemente devem esclarecer-lhes sobre o assunto e, para tanto, devem, eles próprios, conhecer do que irão falar, ou procurar pessoas experientes em auxílio. Não são incomuns as referências a fenômenos mediúnicos com crianças, os quais, muitas vezes, perturbam mais aos pais do que a elas próprias. As percepções mediúnicas por parte de certas crianças, principalmente o contato mente a mente, são comuns e costumam assustar mais aos adultos, que ouvem-nas contar, do que a elas próprias. Nada há que comprove ser a mediunidade uma faculdade exclusiva do adulto ou que esteja relacionada à maturidade do corpo físico. Qualquer criança tem o potencial da faculdade mediúnica, podendo ser despertada a qualquer tempo. Não devem os pais estimular a mediunidade em seus filhos, tendo em vista a possibilidade de lhes dificultar a estruturação do ego.

A pouca quantidade de crianças que se conhece exercitando a mediunidade explícita se deve à não maturação do ego, ainda não consolidado para o exercício de uma faculdade, cuja possibilidade de cindir, por esse motivo, é grande. Não é adequado o exercício da mediunidade, a qual se pressupõe seja um contato com o mundo adulto de lá e de cá, em crianças antes da adolescência. A educação espirítica de crianças deve prioritariamente começar em casa e ser complementada em instituições pedagogicamente preparadas para tal, com conteúdos adequados ao ego em fase de consolidação. Essa educação não deve conter exercícios mediúnicos nem contatos explícitos com desencarnados em condições de sofrimento ou com intenções agressivas. 

A presença de crianças em reuniões mediúnicas de desobsessão é uma ocorrência que deve ser evitada, em face do desequilíbrio que pode ser gerado. Caso apresente mediunidade ostensiva, deverá ser orientada por educador espírita experiente no trato com a mediunidade. Seria de bom alvitre que o passe dado às crianças seja em reunião distinta dos adultos. O tratamento espiritual às obsessões em crianças deve se limitar ao passe individual. Em alguns casos deve ser administrado apenas em casa. Crianças desencarnadas podem dar comunicações mediúnicas através de médiuns adultos apresentando linguagem infantil. Isso é factível, pois alguns deles não assumem a idade adulta logo após a desencarnação. Aos poucos o espírito comunicante, ao ser esclarecido de sua condição e auxiliado por benfeitores espirituais, vai retomando sua condição de espírito lúcido, consciente de sua adultez.

Adenáuer Novaes
Do livro: Psicologia e Mediunidade

03 setembro 2012

Para Onde se Devem Levar as Pessoas - Adenáuer Novaes


Para Onde se Devem Levar as Pessoas

Quero levar as pessoas a entenderem a natureza de sua conexão com o criador da vida, conscientes de que nunca estiveram desconectadas ou na iminência de romper essa ligação. Que se conscientizem da sua íntima ligação, de tal forma que se percebam como um portal de realização do criador na dimensão concreta da consciência. Que passem a entender os limites da lógica humana para compreender a natureza da essência do Criador. Que possam acessar o Criador a partir do entendimento de que se é e o que se pensa a respeito de Deus.

Quero levar as pessoas, indistintamente, à consciência de que são espíritos imortais, capazes de infinitas realizações. Que possam compreender que suas vidas lhes pertencem e que são autônomas para realizarem seus destinos. Como espíritos imortais são portadores de uma marca divina que lhes capacitam operar maravilhas à medida em que avançam na evolução intelecto-moral. Que percebam o poder pessoal de coagular pensamentos e idéias, construindo com elas um cenário, que tomam como realidade, no qual se inserem e laboram.

Quero levar as pessoas a respeitarem os outros, considerando cada individuo representante da divindade e sua legítima obra. Que compreendam que o outro deve ser reverenciado como sendo o principal sujeito com o qual se deve contracenar para evoluir. Que percebam a importância de que as coisas sejam realizadas incluindo o outro. Que sintam a importância da construção de uma sociedade justa, harmônica e organizada, na qual todos sejam e se sintam incluídos.

Quero levar as pessoas a entenderem que o amor é a força propulsora do Universo, sendo o motivo principal da vida. Que a vida acontece tendo como base o princípio da construção do sentimento de amor, que nada exige, e que surge independentemente da lógica humana.

Que a união entre duas pessoas é representativa do encontro com o divino. Que se deve começar a entender o amor a Deus a partir do amor a alguém de quem nada se possa cobrar.

Quero levar as pessoas à consciência da vida espiritual, numa dimensão acessível a todos. Que aprendam a se comunicar eficazmente com aqueles que já ultrapassaram a barreira da morte de forma tranquila e sem perturbações. Que a continuidade da consciência do eu seja o norte para os comportamentos enquanto estejam ligados a um corpo físico. Que nunca se esqueçam da continuidade eterna do eu no estabelecimento das relações interpessoais.

Quero levar as pessoas a alcançarem a felicidade possível na terra, trabalhando pela sua transformação, a fim de que se tornem aquilo para o qual foram designadas. Que entendam a felicidade como um conjunto de sensações que envolvem o corpo, mente, espírito e meio social. Que, pelo trabalho digno, conscientes de seu exercício constante, possam alcançar o que desejam. Que percebam a importância de contribuir para uma vida comunitária pacífica, doando parte de seu tempo em favor dos outros.

Quero levar as pessoas a serem tão solidárias com os outros como são com os que amam, para que não haja de forma alguma alguém infeliz. Que compreendam a importância de servir ao próximo, atendendo aos próprios anseios íntimos de caridade para com seus semelhantes. Que entendam as diferenças entre as pessoas, buscando valorizar aquilo em que são iguais, principalmente lutando pelos direitos e garantias individuais. Que persistam em implantar a liberdade de expressão humana, para que todos se percebam livres e maduros para usufruir do que a divindade lhes ofertou.

Quero levar as pessoas a se tornarem mais esperançosas e crentes que a vida foi feita para que todos alcancem a realização pessoal e coletiva. Que todos possam educar seu olhar sobre o Universo, vendo a grande maravilha divina, representação da psique humana, campo de realização do Espírito. Que não esperem externamente, de forma mágica, a realização do melhor, mas que configurem e plasmem em torno de sí mesmas o que pretendem alcançar de Deus.

Quero levar as pessoas a encontrarem o rítmo da vida, que pulsa a favor do crescimento e desenvolvimento dos espiritos, como um coração que nutre a totalidade de um organismo vivo. Que desenvolva seu próprio ritmo em consonância com a música cósmica que ressoa desde o princípio de tudo. Que possam respirar com satisfação o perfume da natureza, que permeia todas as coisas e que gratuitamente está disponível a todos.

Quero levar as pessoas a se sentirem pertencentes, filiadas ao mesmo Criador e nutridor da Vida. A se unirem em favor da solução de problemas comuns e a melhorarem a vida no planeta Terra. A se conectarem pelos fios invisíveis do sentimento de amor, que promove e alimenta a vida. A perceberem no outro o irmão como a si mesmas, vinculadas e unidas à mesma fonte geradora da vida.
Quero levar as pessoas a cultivarem a paciência, a humildade e o perdão, para que a convivência humana se torne leve e serena. Que as mágoas sejam diluídas e todos reconheçam o direito de discordância, como concernente aos diferentes graus de percepção da realidade. Que as virtudes conquistadas não se tornem elementos que estimulem a exclusão, nem motivo para que se construam castas na sociedade.

Quero levar as pessoas além da religião, para que encontrem a religiosidade que as aproximam do Criador. Quero levá-las para além do espiritismo, para que encontrem a verdadeira espiritualidade, que as torna mais próximas de sua verdadeira essência. Que possam se sentir sempre conectadas ao mundo de onde vieram, promovendo a disseminação do saber espiritual e a consciência da imortalidade do espirito.

Quero levar as pessoas a valorizarem a educação e a família como pontos centrais de desenvolvimento da sociedade. Que possam promover melhores condições de aprendizagem e de educação aos que retornam a uma nova vida. Que ampliem seus conceitos de família, acolhendo todo aquele que necessite de amor e de paz. Que valorize cada vez mais as aptidões fora do eixo lógico-matemático e lingüistico-verbal, ampliando os processos de aprendizagem dos outros tipos de inteligência.

Quero levar as pessoas a entenderem o mecanismo que promove a doença, buscando decifrar os sinais que a Vida oferta para compreensão das leis de Deus. Que possam levar a todos a compreensão de como entrar e sair da roda das encarnações sem ferir a ninguém, encontrando caminhos suaves de iluminação pessoal.

Quero que todos amem indistintamente, pois a vida é o amor que acontece.


Adenáuer Novaes (Salvador–BA)
Visite o website:www.larharmonia.org.br

05 abril 2012

Liberte-se de seu passado - Adenáuer Novaes


LIBERTE-SE DO SEU PASSADO

Para que você se liberte de seu passado, é preciso que tome consciência de que ninguém na Terra está seguro de nada, e que todos temos limitações. Seu passado não deve ser seu entrave. Considere que seus equívocos, assim como os limites que a vida o impôs, são motivos para que você cresça em busca de felicidade.

As pessoas que porventura o tenham magoado, devem ser colocadas à conta de auxiliares do seu processo de crescimento e de busca de felicidade. Elas, em si, não representam ameaça nem são culpadas. São, ou foram, apenas instrumentos úteis para que você se conhecesse mais. O que elas fizeram ou fazem a você, e que o incomoda, deve ser analisado como algo que o permite conectar-se ao que internamente ainda não está resolvido. Com elas, você não pode perder a oportunidade de descobrir seu mundo inconsciente, identificando os conteúdos que favorecem a ocorrência de situações de sofrimento a fim de solucioná-las.

Não deixe que o ódio ou a mágoa o impeça de ser feliz.

Esses dois são poderosos empecilhos ao amor e à paz. A felicidade passa pelo coração sem mágoas. Lembre-se de que tudo aquilo que você debita ao outro como culpa pelo seu sofrimento aponta para algo em você que ainda não se resolveu.

Quando a angústia atingi-lo, trazendo-lhe tristeza e melancolia, é preciso se lembrar do significado que ela representa. É necessário perceber que, a angústia que muitas vezes nos acomete a alma, advém da saudade de algo indefinido. Essa saudade que se transforma em angústia é a falta de confiança acrescida da incerteza quanto ao próprio futuro. Sentimos saudade de algo ou alguém que não sabemos onde, quando ou se ao menos vamos um dia encontrar.

Sentir saudade, chorar por alguém que não podemos sentir próximo, nos torna seres emocionalmente vinculados ao coração da pessoa querida. Isso, sem o desespero ou a posse, faz bem à alma. É bom sentir saudade e se lembrar de pessoas que fizeram parte de nosso passado e que estejam momentaneamente longe de nós. Pelas portas do coração não existem distâncias. No fio da saudade passa a energia do amor que conecta corações que se amam. Porém, não permaneça muito tempo na energia da saudade.

Ela pode viciar e levá-lo a ficar preso ao passado. Com a energia da saudade faça uma oração em favor da pessoa com quem você fez a conexão emocional.

Para se libertar do passado é preciso ter consciência de que ele não deve necessariamente ser esquecido, mas ressignificado. Não tente esquecê-lo, mas lembrar dele como uma experiência que se teve; seja ela boa ou ruim. Quando boa, deve ser lembrada com alegria. Quando ruim, deve ser lembrada como aquela que o ensinou algo.

Não se culpe pelo que fez no passado ou pelo que faz no presente. Se fez, está feito. Se ainda faz, não faça mais e assuma as consequências por isso. Lembre-se de que os erros cometidos são lições aprendidas.

O passado culposo e que se deseja esquecer representa o campo da experiência que se viveu, porém, não é a mancha eterna que nos macula a alma. A mácula em nós é a ignorância de acreditar que não temos direito à felicidade. Não há futuro sem passado e todo passado está revestido de ignorância. Não há quem não tenha vivido experiências equivocadas. Na Terra, ninguém esteve, ou está, livre de viver experiências consideradas transgressões à ordem vigente. Transgressões ou não, temos que aprender a vivê-las conscientemente.

Olhando para nosso passado temos, hoje, a clareza de ver que erramos, porém, na época agimos como sabíamos ou tínhamos condições. No futuro, avaliaremos o que fazemos hoje e poderemos também perceber os equívocos ou o que poderia ter sido evitado. Arrepender-se do que se viveu é inevitável, mas o arrependimento só surge mediante a ampliação da consciência e da capacidade de amar.

Muitas coisas que nos serviram ontem não nos servem hoje e isso evidencia que hoje somos melhores do que ontem. A culpa impede que percebamos o movimento da vida com liberdade e com o sentimento de realização íntima.

Nossa ignorância nos leva a criar juízes implacáveis na consciência que, de fato, não existem. Eles são frutos da educação, da cultura e de nossa ignorância quanto a nós mesmos. Precisamos colocar na consciência um Criador amoroso e benévolo, compreensivo e paciente, para que não nos punamos por tão pouco.

Tais juízes não são maus em si, mas se transformam por conta de nossa facilidade em dar-lhes o poder de nos comandar.

Não vivemos sem eles, mas, lhes atribuímos um caráter absoluto.

Muitas vezes, nos sentimos culpados por não alcançar certos desejos, acreditando que somos incapazes. Quando, por exemplo, um casamento não dá certo, por fatores múltiplos, é comum um dos cônjuges se perguntar onde foi que errou e lamentar a perda.

O equívoco pode pertencer a qualquer deles, porém, os fatores que levaram à separação física ou emocional estão influenciados por valores pessoais e sociais. Um fracasso não deve representar a perda da própria motivação de viver.

Ele representa uma deficiência na estratégia utilizada para alcançar a felicidade.

Na próxima experiência naquele campo em que se fracassou deverá ser utilizada outra estratégia. Pense também que você precisa modificar seu desejo. Ele poderá estar levando-o exatamente para o lado contrário de sua própria busca interior.

O tipo de desejo e a forma de alcançá-lo nem sempre estão conectados adequadamente.

Lembre-se de que você deve retirar de cada experiência algo de útil e bom para si próprio. Tudo que lhe acontece é um caminho trilhado que poderá ser repetido ou não, a depender de sua vontade. As situações adversas a enfrentar devem ser vividas em seu momento e não de forma antecipada. Quando isso ocorre, gera ansiedade a qual promove infelicidade. Se você sabe que vai vivê-la, prepare-se para fazê-lo com equilíbrio e de forma a extrair dela o melhor possível.

Nunca se esqueça de que somos filhos do Altíssimo e dele recebemos o bom estigma de alcançar a felicidade. Ela deveria estar em nosso presente e será nosso futuro. Em sua trajetória, deseje o próprio bem pessoal tanto quanto o de qualquer pessoa com quem se encontre. Faça o bem quando você puder, a qualquer pessoa que surja em seu caminho. Não olhe para o passado a ponto de se deter nele. Fixe o presente e o futuro.


Do Livro - FELICIDADE SEM CULPA 2ª edição
Autor - Adenáuer Novaes





Adenáuer Novaes (Salvador–BA) é conferencista, diretor da instituição filantrópica Fundação Lar Harmonia, do Centro Espírita Harmonia e do Centro Espírita Casa de Redenção Joanna de Ângelis, em Salvador.

É formado em Engenharia Civil, Filosofia, Psicologia e pósgraduado em Psicologia Junguiana. Trabalha como psicólogo clínico. Escreveu vários livros sobre Psicologia e Espiritismo. Realiza cursos, seminários e conferências pelo Brasil e já visitou vários países da Europa divulgando a Doutrina Espírita.

A Fundação Lar e Harmonia é uma instituição beneficiente, sem fins lucrativos, que tem suas ações voltadas para a promoção social do indivíduo em situação de carência, favorecendo-lhe condições para o seu desenvolvimento psíquico, social, emocional e espiritual. Mantém uma ESCOLA, que funciona em tempo integral destinada a 100 crianças carentes, uma CRECHE com capacidade para 200 crianças (início de funcionamento em 2001), e um trabalho de PROMOÇÃO SOCIAL com as famílias das crianças da Escola e da Creche. Mantém seus trabalhos através de doações, de eventos beneficentes, dos direitos autorais dos livros editados e cedidos a LFH, realização de cursos, seminários e workshops.

27 novembro 2011

Amor e Carma - Adenáuer Novaes


AMOR E CARMA

Muitas criaturas se ligam a outras por impositivos da Lei de Causa e Efeito, que geralmente faz com que o credor se uma ao devedor de si mesmo. Nas dificuldades de relacionamento, costuma-se evocar esse princípio como justificativa para as desavenças domésticas, porém, deve-se estar atento para as imperfeições próprias de cada um e que não estão relacionadas com o modo de ser do outro.

O casamento é portal de crescimento, qualquer que seja o passado dos cônjuges. Ligar-se a alguém é sempre opção de cada um, sem que signifique necessariamente anterior ligação cármica.

Quando o amor está presente numa relação, ele é capaz de suplantar qualquer carma passado, desde que o indivíduo não projete no outro suas próprias imperfeições.

O amor transcende a matéria da carne renascendo a cada nova etapa da Vida do espírito. Os vínculos afetivos entre as criaturas se fortalecem a cada encarnação, objetivando o amor puro e sincero.

Os vínculos que firmamos numa encarnação não quebram aqueles que fizemos nas vidas anteriores. O verdadeiro amor não se acaba nem diminui com a convivência do ser amado com outrem. Casar com alguém não significa prender-se àquela pessoa nas encarnações futuras. Os vínculos se fortalecem pelo amor, porém, podemos estar ligados a alguém se o agredimos numa existência e ele não se equilibrou, necessitando novamente de nossa presença em sua vida para o aprendizado mútuo.

Entregar-se ao comando do amor é libertar-se dos atavismos que nos prendem ao sofrimento. Quem se deixa viver pelo amor alcança a plenitude libertando-se de carmas passados, entendendo o sofrimento como processo educativo salutar.

Transformar seu carma negativo em positivo é colocar a energia do amor a serviço do Bem Maior. Só o amor pode mobilizar e alterar o destino no sentido do crescimento espiritual.

O amor nunca se acaba. Por mais inconseqüentes sejam as atitudes do outro, o amor verdadeiro permanece, desculpando e amparando o ser amado que momentaneamente desequilibrou-se.

Quando o amor já vem ferido de outras vidas, costuma reaparecer nas uniões provacionais. Se você se encontra nessa situação, verifique o que ainda não aprendeu com a nova união. É importante fazê-lo antes que seja tarde, para sua felicidade.

As uniões ditas cármicas podem se tornar uniões felizes desde que um dos cônjuges se disponha ao amor e a tornar o outro feliz. Repense sua união a fim de não ter que retornar nas mesmas circunstâncias.

Se você não mais deseja reencarnar na companhia de determinada pessoa, não a agrida. Termine a relação sem gerar carma negativo. Aprenda a conviver, como amigos.

Perceba que o amor de Deus coloca a serviço do ser humano Sua misericórdia, para diminuir os efeitos das atitudes negativas do passado, permitindo-lhe sua recuperação.

Não espere tempo algum para ajudar alguém com seu amor, sob pretexto da necessidade de que haja sofrimento para o progresso espiritual dele. Se possível, diminua aquele sofrimento.

Aprende você e aprende o outro.

Ninguém é dono da vida de ninguém. A desencarnação promove a alforria necessária para muitos indivíduos que se sentem presos na vida a alguém. Liberte-se libertando o outro da posse excessiva.

Não se obrigue a vincular-se a alguém por pena ou piedade.

Verifique suas necessidades evolutivas e o bem que você poderá fazer ao outro lhe permitindo sentir-se em igualdade de condições com seus semelhantes. Se a vida o colocou ao lado de alguém que necessita de cuidados, faça-o com consciência de seu papel e de sua responsabilidade.

O carma do filho deficiente coloca frente a frente antigos amores e, às vezes, antigos desafetos. A mãe que se dedica ao filho deficiente é duas vezes mãe, pois coloca acima de tudo o amor pelo seu filho que é diferente dos outros.

Não guarde mágoa em seu coração. Não o manche com a tinta negra do ódio. O verdadeiro amor não se magoa, pois compreende a atitude do outro, própria de seu nível de evolução.

***

Jesus reencarnou sem carma para nos ensinar, através de sua mensagem, como aprender com nossos equívocos do passado.

Fonte: capítulo 10 do Livro "Amor Sempre" de Adenáuer Novaes

Adenáuer Novaes (Salvador–BA) é conferencista, diretor da instituição filantrópica Fundação Lar Harmonia, do Centro Espírita Harmonia e do Centro Espírita Casa de Redenção Joanna de Ângelis, em Salvador.

14 janeiro 2011

Quero uma Religião - Adenáuer Novaes

Quero uma Religião

Quero uma religião que não me proíba, mas que me eduque; que não me incrimine, mas que me ofereça soluções; que não me reprima, mas que me ensine a encontrar melhores formas de expressão; que não me condene, mas que ofereça um adequado senso de justiça; que não me inferiorize, mas que me aproxime do Criador da Vida.

Quero uma religião que me deixe sorrir nas manhãs de domingo, permitindo que minha prece seja o olhar para a natureza. Quero uma religião que, nos dias mais escuros do meu viver, dela não me lembre quando sentir medo e nela não me abrigue feito criança em consolações pueris. Quero uma religião que me incentive a oferecer rosas aos doentes e a levar alegria aos enterros, e a só chorar quando souber que a dor foi compreendida e que o morto vive e está bem.

Quero uma religião que me oriente a reverenciar a inocência e a aplaudir de pé os que respeitam a sabedoria dos mais velhos. Quero uma religião que possa encontrá-la com quem estiver, por onde for, também no coração dos que ferem e gritam achando ter razão. Quero uma religião que abrigue aqueles que se arriscam em viver e abençoe os que se perdem nos labirintos escuros da própria ignorância.

Quero uma religião que possa senti-la na compaixão, seja com a abundância dos perdulários ou com a miséria dos aparentemente incapazes, sem que me falte a necessária solidariedade. Quero uma religião que me faça sentir irmão de quem me contraria ou me rouba a esperança, também dos que me reverenciam inocentemente. Quero uma religião que retire a venda de minha cegueira, sem me tirar a ignorância completa, educando-me para a continuidade do aprendizado.

Quero uma religião que não exclua nem estigmatize nenhuma criatura, nem crie castas de eleitos ou de salvos pela adoção de princípios lógicos. Quero uma religião cujo cântico e cuja liturgia incluam a voz da alma e o pulsar dos corações, para que um dia, quando não mais precisar de nada, eu encontre a mim mesmo.

Do livro Religião Pessoal
De Adenáuer Novaes