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25 dezembro 2006

Convite de Natal - Maria Dolores

Convite de Natal

Enquanto a glória do natal se expande
Aqui, ali, além
Toda a Terra se veste de esperança
Para a festa do bem !

Natal ! ... Refaz-se a vida, alguém ressurge
Nos clarões com que o céu te anuncia ....
É Jesus pedir-te que repartas do teu pão de Alegria.

Para louvar-lhe os dons da presença Divina,
Não digas, alma irmã, que nada tens;
A riqueza do amor, no coração fraterno,
É o maior de teus bens...

Quando o dia se esvai e a noite desce
Ao comando da sombra que a domina,
Para varrer a escuridão da estrada
Basta a luz de uma vela pequenina.

O deserto se esfalfa em longa sede,
Na solidão em que se configura ...
Se chega simples fonte,
Ei-lo mudado em flórida espessura! ....

Ninguém sabe tão bem, senão aquele
Que a penúria desgasta ou desconforta,
O valor de uma veste contra o frio,
O Tesouro de um prato dado à porta.

A migalha de força é a base do universo,
Desde a furna terrestre à estrela mais remota !...
Todo livro se escreve, letra a letra,
Compõe-se a melodia, nota a nota

Alma irmã, no serviço da bondade
Jamais te afirmes desfavorecida
Pobres sementes formam ricas messes !
Assim também na vida . . .

O cobertor, o pão, a prece, o abraço,
Uma frase de paz e compreensão
Podem criar prodígios de trabalho
De reconforto e de ressurreição

Natal ! ... dá de ti mesmo o quanto possuas,
No amparo à retaguarda padecente;
Toda bênção de auxílio é socorro celeste,
Que Deus amplia indefinidamente.

Natal ! recorda o Mestre da Bondade !
Ele, o cristo e Senhor
Acendeu sobre a Terra o sol do Novo Reino
Com migalhas de amor!

Maria Dolores

(Do livro "Antologia Mediúnica do Natal",
psicografado por Francisco Cândido Xavier, pág 136, 1ª ed.- FEB)

24 dezembro 2006

Algo Mais no Natal - Emmanuel


ALGO MAIS NO NATAL

Senhor Jesus!

Diante do Natal, que te Lembra a glória na manjedoura, nós te agradecemos:

A música da oração;

O regozijo da fé;

A mensagem de amor;

A alegria do lar;

O apelo à fraternidade;

O júbilo da esperança;

A benção do trabalho;

A confiança no bem;

O tesouro de tua paz;

A palavra da boa nova;

E a confiança no futuro!...

Entretanto, ó Divino Mestre! De corações voltados para o teu coração, Nós te suplicamos algo mais!... .

Conceda-nos, Senhor, o dom inefável da humildade para que tenhamos a precisa coragem de seguir-te os exemplos!


Livro: Antologia Mediúnica do Natal - Emmanuel - Psicografia de: Francisco C. Xavier

23 dezembro 2006

Espírita e sua Missão - Marco Tulio Michalick

Espírita e sua Missão

Quando estamos prestes a voltar ao mundo carnal, nosso compromisso reencarnatório é traçado minuciosamente, para que possamos reparar os erros próprios e os cometidos contra outras pessoas no passado. Vir com a incumbência de ser espírita ou de se tornar espírita durante nossa estada no Mundo Material é uma benção, pois teremos condições de estudar o espiritismo e, principalmente, colocá-la em prática.

Sendo assim, vários companheiros que estão no Mundo Espiritual prestes a reencarnar têm seu destino acoplado ao nosso. Neste mister, temos uma equipe espiritual preparada para nos oferecer o auxílio necessário, a fim de que suportemos os percalços que a vida terrestre nos coloca pela frente, não permitindo que caiamos nos momentos difíceis ou nos desvirtuemos do caminho traçado nas situações alegres.

Muitos de nós já nascemos em berço espírita, enquanto outros chegarão ao Espiritismo por meio da dor ou espontaneamente, a convite de algum conhecido, identificando-se com os ensinamentos cristãos deixados por Jesus. No entanto, todos terão tarefas de grande relevância, podendo socorrer muitos necessitados tanto no Mundo Material quanto no Espiritual. Trabalhar com passes, esclarecimento nos trabalhos de desobsessão, vidência, audiência, psicofonia, psicografia e intuição são apenas algumas das várias atividades mediúnicas que a espiritualidade superior nos oferece para auxiliar o próximo e, conseqüentemente, a nós mesmos. Dessa forma, estaremos estudando e evoluindo mental e moralmente, fazendo uma reforma íntima de suma importância para nós e para aqueles que estão conosco.

Com todo esse suporte espiritual preparado, passamos a ser acompanhados por nossos amigos e mentores nesta missão. Porém, a vigilância deve ser total, pois Espíritos perturbados, às vezes, desafetos de outras vidas que não desejarão nos dar trégua nos momentos que virão, farão convites para que nos entreguemos à queda. Vingança, rancor e mágoa, quando instalados na mente do ser para que desempenhe determinados papéis maléficos, são perigosos para qualquer pessoa que tenha baixa sintonia vibratória.

Tanto o espírita como o indivíduo exerce função religiosa de qualquer crença estão sujeitos à obsessão da mesma forma que qualquer outra pessoa, devido aos seus pensamentos. Assim, não podemos dar brechas para as trevas, pois esse é o momento que os obsessores esperam para começar sua ação sobre seus antigos algozes ou desafetos. É muito comum o individuo, após entrar para o Espiritismo e ver seu trabalho fluir, pensar que tudo é feito apenas por ele e que é o maior e melhor médium que existe naquela função. Acaba deixando a vaidade tomar conta de seu ser, entregando-se aos elogios e ao ego, além das paixões terrenas, materiais ou carnais.

No livro Tormentos da Obsessão, de Manoel Philomeno de Miranda, psicografado por Divaldo Pereira Franco, traz informações edificantes para nós, espíritas, sobre a importância de um bom desempenho de nossas funções determinadas ainda no Mundo Espiritual, uma vez que muitos estão desencarnando em situações deploráveis, recebendo socorro em sanatórios em virtude das péssimas condições morais e psíquicas em que se encontram. “As tendências inatas, que são reflexos dos compromissos vividos, impelem-nos para as condutas que lhes parecem mais agradáveis e que não lhes exigem esforços para superar. As conexões psíquicas, por afinidade, facilitam o intercâmbio com os desafetos da retaguarda, e sem o necessário empenho que, às vezes, impõe sacrifício e renúncia, faz com que tombemos nas urdiduras bem estabelecidas para vencê-los, derrotá-los no empreendimento que deveria ser libertador”, explica.

Sabemos das dificuldades a vencer e as renúncias a fazer, mas quando nos prontificamos a realizar esse trabalho com amor e carinho, com certeza, teremos o auxílio da espiritualidade amiga. Da mesma forma, quando executamos essa tarefa como uma obrigação, não por satisfação, deixamos-nos tomar pelas queixas costumeiras, atraindo Espíritos com a mesma sintonia vibratória, que terão o imenso prazer em nos desviar do caminho traçado. Assim, devemos ter a consciência de que somos instrumentos do trabalho executado pela espiritualidade, o que não diminui nossa tarefa em nenhum momento, já que, com isso, estaremos auxiliando vários encarnados e desencarnados, construindo nossas obras, como Jesus ensinou.

“Eis por que o Espiritismo, representando o retorno de Jesus à Terra através de O Consolador, desempenha a missão sublime de despertar as consciências adormecidas, facultando o intercâmbio direto com o mundo de origem, onde se haurem as energias indispensáveis ao cumprimento da tarefa e se dispõem das lembranças para o prosseguimento dos compromissos. É também durante a vilegiatura carnal que têm curso os combates iluminativos, quando se devem reunir e confraternizar os antigos adversários, a princípio sob o sufrágio da dor, porquanto defraudaram as leis, sem que delas se possam evadir, para depois se renderem ao amor, a fraternidade”, esclarece Manoel Philomeno de Miranda em Tormentos da Obsessão.

A espiritualidade superior nos auxilia mesmo quando nos desvirtuamos do caminho, porém, temos o livre-arbítrio para decidirmos que rumo tomar. A perseverança e a fé devem permanecer em nossos corações, principalmente nas horas difíceis, pois não podemos tombar ante os primeiros obstáculos que aparecem pelo caminho. Além disso, seria lamentável chegarmos ao Mundo Espiritual e vermos que havia tanta coisa a fazer, com amigos espirituais nos apoiando, mas deixamos que a vaidade e as paixões mundanas tomassem nosso ser, fazendo-nos trilhar um caminho contrário ao que nos propomos antes de reencarnar. Também seria bastante triste saber que muitos dependiam de nós para sua evolução e falhamos com eles, bem como ter consciência de que chegamos tão perto e pusemos tudo a perder por interesses pessoais.

Só o fato de sermos espíritas, trabalharmos na seara do bem em favor dos nossos semelhantes, de estudar a doutrina espírita e de termos conhecimentos importantes sobre assuntos que muitas crenças ainda não compreenderam ou não querem entender faz que sejamos pessoas privilegiadas. Ao mesmo tempo, porém, a responsabilidade de não errar aumenta, devido aos ensinamentos de que dispomos. Como estamos em um processo de evolução, o erro é comum, entretanto, não podemos permitir que ele se transforme em um hábito. Assim, devemos sempre pedir a Deus, nosso Pai, que nos ilumine, a fim de que possamos desempenhar satisfatoriamente nosso trabalho, sem ostentação, tendo em mente o que disse Jesus: “Todo aquele que se rebaixa será elevado e todo aquele que se eleva será rebaixado”.

Revista Cristã de Espiritismo, edição nº 18, ano 2002

22 dezembro 2006

Saúde e Enfermidade - Rogério Coelho



Saúde e Enfermidade

Equilíbrio interior é que garante a saúde

"Teu Espírito é tudo; teu corpo é simples veste que apodrece: eis tudo”
O Livro dos Espíritos” - questão 196a

A Doutrina Espírita nos oferece pa­noramas nunca dantes imaginados para velhas questões filosóficas até então irresolúveis... Onde se poderia imaginar, por exemplo, que a "dor" é processo te­rapêutico e que a "educação" é poção medicamentosa?

Passamos quase dois milênios rece­bendo as instruções da Boa Nova e nunca nos ensinaram ou sequer atinamos que o Evangelho de Jesus não é apenas roteiro de luz, mas receita de paz, de felicidade, de saúde e de alegria! ... Por isso a Dou­trina dos Espíritos apresenta-nos Jesus como o Sublime Médico das Almas.

Aprofundemos o "bisturi" do racio­cínio nas questões acima levantadas, com base nas informações passadas por Jesus, quando Ele disse: "Buscai primeiro o Reino de Deus e a Sua Justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” - Mateus, 6:33. 2 - Mateus, 6:25

Ora, com este mandamento o Mestre estava apontando o alvo para onde de­vemos concentrar o foco de interesses. Mas, refratários e calcetas, fizemos ouvidos moucos e pagamos o alto preço exigido pela negligência, tradu­zido em dores acerbas que sempre es­tiveram presentes em nossas experi­ências palingenésicas.

No excelente livro "Na Seara do Bem" *, encontramos:

"(...) A medicina espiritual considera a saúde como a exteriorização do equi­líbrio interior que alguém tenha alcan­çado, mediante a perfeita comunhão com as Leis Divinas; já a enfermidade repre­senta o extravasamento, o expurgo dos desequilíbrios mentais, por parte de quem ainda insiste em caminhar, de forma a con­trariar os sábios desígnios divinos. Este conceito a própria ciência terrestre já começa a compreender, afirmando que existem "doentes" e não "doenças".

Causas

Entendemos que as causas das en­fermidades têm suas raízes implantadas nas profundas raízes do Espírito, isto é, são de ordem espiritual. Por isso com­preendemos que o homem deve urgen­temente buscar os recursos de ordem espiritual visando o seu próprio bene­fício; e por recursos espirituais não nos referimos tão somente à fluidoterapia, que representa importante mecanismo de auxílio. Reportamo-nos à educação.

Sim, Educação. Se a causa das enfermidades estão nos deslizes que co­metemos ante as soberanas Leis da Vida, urge busquemos na educação, a ação dis­ciplinadora, sempre benéfica.

O homem precisa ser médico de si mesmo, analisando as próprias tendências e disposições mentais, renovando-se para melhor, trabalhando o psiquismo, corrigindo antigas viciações, esforçando-­se por ser alegre em vez de triste, otimista e não pessimista, ponderado, tranqüilo e confiante, em vez de desesperado.

Precisamos também considerar a dor como processo terapêutico.

A Sabedoria Divina permite-nos os equívocos, entretanto, retira dos nossos próprios erros, os necessários meios para a nossa recuperação. Nesse sentido, a dor se transforma em verdadeiro re­médio, pois colabora para o arrependi­mento sincero, propiciador das novas dis­posições mentais.

E Jesus?

Recordemo-nos que Jesus não curou todos os enfermos, embora pudesse fazê-­lo e se assim não agiu foi porque, naturalmente, nem todos estavam aptos a libertarem da enfermidade. Para a grande maioria a dor representava o processo terapêutico libertador, difícil e doloroso porém necessário. Entretanto, se o Mestre não curou a todos, ofertou, generoso, Humanidade inteira a sublime mensagem do Amor, caminho seguro para quantos desejem sinceramente a libertação dos erros, das enfermidades e do sofrimento com vistas a alcançarem a saúde espiritual, o equilíbrio, a paz sem mesclas (plenitude ...

(...) A tarefa de Jesus não era a , curar os corpos, mas sim a de salvar almas. Ele afirmou referindo-Se à importância dos valores espirituais: "Não é a Vida mais que o mantimento, e o corpo mais que o vestido? ...”

E, de conformidade com os seus ensinos, perguntamos por nossa vez: não é o Espírito mais que o corpo? Qual utilidade de curar o corpo e perder a alma? Não será melhor salvar a alma, mesmo que para tal mister o corpo venha a sofrer?

De igual maneira, a nossa tarefa nas Casas Espíritas não é realizar prodígios no campo da cura, nem tampouco a de atender às exigências dos que lá aportam desejando a solução rápida e eficaz para os seus males. Tão-somente devem, nos propor a colaborar com os companheiros encarnados no projeto do crescimento para Deus, auxiliando-os a superar as dificuldades criadas por eles, mesmos, mediante o uso inadequado do livre arbítrio. A medicina terrestre, assim como os recursos socorristas em nos esfera, representam a Misericórdia Divina; entretanto aprendemos com os nossos Maiores que não basta remediar e consolar, é imprescindível esclarecer e iluminar consciências.

(*) - Autoria do Espírito Antônio Carlos Tonini, psicografia de Luiz Antônio Ferraz, edição da Casa Editora "Pierre-Paul Didier" capitulo 2 onde o Dr. Cornelius (Espirito), ministra uma portentosa aula sobre tema em questão.


Nota:o autor é escritor e expositor espírita; atua e Muriaé -MG.
Revista Internacional de Espiritismo – Abril 2006

21 dezembro 2006

Recolherás como Pedires - Joanna de Ângelis

Recolherás como Pedires

“Numa palavra, qualquer que seja o caráter de uma reunião, haverá sempre Espíritos dispostos a secundar as tendências dos que a componham”. O Livro dos Médiuns 2ª parte, Capítulo 29º — Item 327.

Na abençoada Obra de Nosso Pai tudo são trocas. Receberás sempre consoante requereres. Desvairado, se te atiras ao coração querido, ferindo-lhe a sensibilidade, obterás somente reprimenda nascida no desgosto.

Inquieto, se buscas paz, afligindo os que te cercam no lar, recolherás azedume e animosidade.

Combalido, se procuras repouso, exigindo acomodação dos outros, receberás apenas repulsa e antagonismo.

Isto porque, a resposta procede dos termos da petição, de acordo com o merecimento da apresentação.

Não esqueças, entretanto, que o coração magoado é constrangido à aflição, os familiares atormentados escondem-se no desencanto e os outros, atacados por exigências, reagem, naturalmente.

Respeita a mão distendida ao alcance da tua mão e recebe-lhe a oferenda.

Nem ameaces o equilíbrio de quem se inclina a auxiliar-te.

Nem avances exigente para quem estugou o passo na caminhada, ao ouvir-te o apelo.

Aflição projetada traduz aflição que retornará.

Aversão espalhada pressagia antipatia para colheita futura.

Se desejas aspirar o aroma do amor, libertando-te das dificuldades pessoais com o auxilio alheio, não expresses confiança sob impropérios nem segurança de fé com chuvas de irritabilidade.

Favorece os meios simples para o trabalho eficiente e a obra crescerá em torno da tua planificação.

Ajuda para que te ajudem.

Ilumina para que te iluminem.

Coopera-servindo para que a inteligência ambiciosa não estiole a expressão do coração necessitado.

Pergunta-esclarecendo para que a inutilidade não te assinale a vida.

Fortalece o digno ideal da produção para que a produtividade te enriqueça.

Entende as dificuldades do próximo a fim de que ele te entenda, igualmente, a dificuldade.

Em qualquer dificuldade recorda o poder da oração e roga inspiração ao Céu, realizando sempre o melhor para que o melhor se faça em ti e através de ti sem olvidares que todo apelo encontra resposta, consoante o merecimento de quem pede e a forma como pede.

Livro: Espírito e Vida - Joanna de Ângelis - Psicografia de Divaldo Pereira Franco

20 dezembro 2006

Perispírito - Miramez

Perispírito

Assim como damos formas aos nossos pensamentos e, de certo modo, vida às nossas idéias, nós somos o produto dos pensamentos de Deus e recebemos vida pelo Seu poder magistral, pela arte que tem de criar. Somos filhos de Deus, como somos pais dos nossos pensamentos. Tudo que criamos povoa a nossa mente, a nos entregar os resultados das nossas intenções. Desde quando fomos criados pelo Senhor, começamos a viajar, do alfa ao ômega e do ômega ao alfa, porém, necessitamos de instrumentos para essa grande viagem, assim como na Terra precisa-se de roupas para vestir e de carros e outros instrumentos para viajar. Essa é a lei universal.

O espírito reveste-se de uma roupagem a que chamamos de perispírito, sem que esta seja definitiva. Ela é apurada, conforme a evolução do espírito, ou suprimida, de acordo com o mundo em que ele habita. Existem ainda variedades de corpos usados pelos espíritos de que muitas escolas espiritualistas igualmente dão notícias, pelas suas pesquisas. Compreendemos o caso de uma complexidade muito grande, mas fascinante, de modo a nos atrair a atenção para estudos mais sérios, dada a engenhosidade de sua formação.

Podes observar o fruto de uma árvore, o mais simples que seja: o seu líquido, a essência ou, se assim podemos o chamar, o néctar, sempre se encontra protegido por vários corpos, para que possa cumprir o seu dever de nutrir homens e animais, insetos e aves.

Verifiquemos o mel das abelhas, alimento salutar, fortificante incomparável para os homens, como vem sendo ele guardado pelas operárias de um apiário: é revestido por muitos processos, que os próprios homens não aprenderam ainda, por serem todos naturais, sem nenhuma perda da substância alimentícia e medicamentos, O espírito propriamente dito não foge a essa lei: se reveste de muitos corpos e destitui-se dos mesmos quando deles não precisa mais. Enquanto cresce, vai-se desvencilhando das roupagens, que são sempre grosseiras, e tornando-se livre, na liberdade de Deus, Nosso Pai e Criador.

O perispírito, para nós na Terra, é de grande valor: ele nos livra e nos protege de certos enervamentos ou contrações, que o es¬pírito poderia sofrer sem a sua proteção, ante o ambiente negativo e carregado de magnetismo inferior, O espírito reveste-se de corpos de acordo com o ambiente em que estagia, ou em que vai trabalhar, qual o vaqueiro que usa a roupa de couro, além da sua costumeira, para correr dentro do mato, como usa o cavalo que o protege e o ajuda no seu mandato. Eis aí o porquê da necessidade dos corpos usados pelos espíritos na sua jornada terrena.

O perispírito, para o espírito, ainda é uma veste grosseira, no entanto, para os homens, além de ser invisível é, uma substância delicada, com um poder ideoplástico extraordinário, obediente à vontade da alma que o usa como veste temporária. Ele se unifica em torno do Espírito por uma lei de atração criada pela chama divina que o sustenta e dirige, até quando lhe aprouver. Tem muitas funções, uma das quais é ser intermediário entre o corpo de carne e a alma. Por meio dele, o mundo físico é vitalizado, mantendo a coesão molecular, como a própria vida instintiva dos órgãos. Ainda existem outros pormenores que, com o passar dos tempos serão descobertos. Só temos a dizer que o perispírito é uma grande maravilha para os espíritos ainda em condições materiais.

Livro: Filosofia Espírita – volume 2 - Miramez - Psicografia de João Nunes Maia

19 dezembro 2006

Intuição Divina - Miramez

Intuição Divina

A telepatia entre os homens é um fato constatado. Constitui-se em experiências de todos os reinos do saber. Já se conhece as suas causas e seus efeitos, com largos exemplos, nos quatro cantos do mundo. Já se sabe que cada criatura pode transmitir as suas idéias aos seus semelhantes, por vezes sem estar consciente desse ato, comum a todos os seres. Muitos buscam a perfeição ou melhoramento nas transmissões dos seus pensamentos, através de escolas, ou exercícios específicos no silêncio das coisas que se operam na vida.

E é nessa verdade que encontramos outra mais sutil: se os encarnados podem se comunicar entre si, pelos fios dos pensamentos, os desencarnados igualmente o podem, e com mais propriedade, por se encontrarem livres das cadeias da carne. E, se os homens trocam suas idéias, na serenidade das vibrações, asseguradas por leis que sustentam a harmonia, e se esses mesmos homens desencarnados continuam esse processo de comunicação recíproca, como não pensar nas possibilidades de os desencarnados transmitirem seus pensamentos aos encarnados pelo mesmo mecanismo?

Eis aí a Mediunidade, que se estende em todas as direções, pelos caminhos da sensibilidade, na regência da lei do Amor, onde a fraternidade abriu caminhos por meios da Caridade. Os homens sensíveis, querendo, podem negar, pois têm livre escolha nas suas atitudes, porém, eles conhecem quando os pensamentos nascem da sua própria mente e quando procedem de fontes espirituais, dado o peso magnético das suas vibrações. A consciência registra todos os valores e dá a conhecer à mente instintiva e atuante a procedência da conversa mental.

Usamos as comparações acima citadas, para te dizer de algo excelente, para te dizer do avanço da razão, aprimorada na seqüência do tempo e pelas bênçãos de Deus: queremos falar da intuição, que será a faculdade comum do futuro, por enquanto latente em todos os seres. E ela o veículo divino capaz de orientar todas as criaturas e fazê-las felizes, filha do progresso espiritual, nascida no amanhecer das almas, ao despertarem para a luz, para o entendimento das leis espirituais. Essa intuição, no seu princípio se chamava instinto, dominando animais e homens nos seus primeiros passos. E se os homens primitivos já possuíam em suas consciências a idéia de Deus e viviam em tribos espalhadas pela Terra, sem condições de comunicação entre si, qual a origem dessa consciência de um Poder Supremo? E se não existe causa sem efeito, nem efeito sem causa, essa causa será, certamente, esse Deus que tanto amamos, que fala a tudo e a todos da sua existência, pelos processos compatíveis com os que devem e precisam escutar a sua voz dentro da alma.

A certeza da existência de Deus é a de que Ele existe. Não há outra lógica no mundo das deduções humanas e espirituais, e tudo que vive canta louvores ao Criador, na dimensão que lhe é própria; e nós, já na condição de Espírito humano, como sendo as flores da grande árvore plantada por Deus no jardim cósmico, cantemos juntos, encarnados e desencarnados, o hino de gratidão ao Supremo Senhor do Universo, pelo que somos e atingimos na escala da vida! Esse cântico deve ser manifestado pela vida reta, mesmo nas estradas tortuosas onde nos situamos. Busquemos a intuição divina, para que a Divina Intuição nos ampare e nos desperte para a verdade que nos fará livres!

Livro: Filosofia Espírita - Volume 1 - Miramez - Psicografia de João Nunes Maia

18 dezembro 2006

A Pena de Talião - Rodolfo Caligaris

A Pena de Talião

Pode parecer à primeira vista que justiça e misericórdia sejam virtudes antagônicas, que se excluam reciprocamente.

Daí a razão de muitos não compreenderem como possa Deus exercitá-las, sem que uma precise ser anulada para que a outra prevaleça.

Tudo, entretanto, se torna claro quando nos lembramos de que as boas qualidades morais são filhas do Amor e que este sentimento sublime sempre encontra meios de harmonizá-las.

Senão, vejamos.

A Justiça exige que toda infração à Lei seja punida e desde a origem dos tempos isso tem acontecido, infalivelmente.

Aliás, todos os grandes missionários religiosos que têm vindo à Terra, inspirados que foram pelo Alto, estabeleceram em seus códigos a pena de talião, ou seja, castigo igual à culpa.

O “olho por olho e dente por dente”, de Moisés, por exemplo, e o “quem com espada fere, com espada será ferido”, do Cristo, são preceitos que consagram esse princípio fundamental da Justiça.

Moisés, todavia, dava ao ofendido o direito de tirar desforra, pessoalmente e na proporção da ofensa recebida, enquanto o Cristo, surgindo entre nós quando era chegado o momento de os terrícolas darem início a uma fase mais avançada de sua evolução espiritual, trouxe como missão ensiná-los a quebrar as cadeias do mal a que se jungiam pela lei de ação e reação.

Introduziu nas relações humanas, então, uma nova ética: “amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos têm ódio e orai pelos que vos perseguem e caluniam”, exemplificando-a, ele mesmo, até às últimas consequências.

Não deixou, porém, de adverti-los, mui explicitamente: “Se perdoardes aos outros as faltas que cometerem contra vós, também vosso Pai celestial vos perdoará os pecados, mas, se não lhes perdoardes quando vos tenham ofendido, tão-pouco vosso Pai celestial vos perdoará os pecados.”

Analisando, a fundo, estas novas regras de conduta, percebe-se conterem elas a mesma justiça da pena de talião, com a diferença de que, ao invés de “castigo igual à culpa”, acenam com “premio igual ao merecimento”.

Reparemos bem:

Aquele que revida ao seu ofensor com igual ofensa, está exercendo a justiça, cobrando o que lhe devem, mas, por sua vez, terá de pagar na. mesma moeda toda injúria que fizer a outrem.

Já aquele que perdoa as ofensas recebidas, fica com um crédito do mesmo valor na contabilidade celeste, crédito esse que será levado em conta quando lhe aconteça cometer alguma falta. E quem não está sujeito a errar?

Por haver entendido perfeitamente esse mecanismo da Justiça Divina é que o colégio apostólico proclamava, amiúde: “suportai-vos uns aos outros”, “tende entre vós mútua caridade”, “o amor cobre uma multidão de pecados”, etc.

Talvez nos perguntem: no segundo caso, sendo o ofensor perdoado pelo ofendido, ficará sem a punição devida?

Absolutamente! A Providência cuidará disso e, seja na mesma existência ou em outra(s) posterior(es), ele “sofrerá o que tenha feito sofrer”, não porque apraza a Deus castigar os culpados, mas para que todos se corrijam, progridam e sejam felizes.

E é assim, deixando-nos experimentar os funestos resultados de nossas más ações, bem como nos ensejando a oportunidade de emendar-nos através das vidas sucessivas, que Deus se revela, a um só tempo, soberanamente justo e misericordioso, como convém Àquele que é o Santo do santos.

Quando transportarmos para a vida prática os luminosos ensinamentos do Cristo, preferindo perdoar a usar de represálias, retribuindo ao mal com o bem, a paz e a. alegria farão morada permanente em nossos corações, valendo isso dizer que já estaremos adentrando “o reino dos céus”.

(L.E.Capítulo 6º, questão 764)

Livro: As Leis Morais - Rodolfo Calligaris

17 dezembro 2006

Festa do Amigo Secreto da Casa do Caminho S.V

Festa do Amigo Secreto ocorrida no dia 09/12/06, com a participação dos membros da Casa do Caminho e alguns frequentadores.







O Mundo dos Espíritos - Miramez

O Mundo dos Espíritos

A razão nos diz que, se existem espíritos, haverá de existir o mundo onde eles habitam, que chamamos de o mundo dos espíritos. E é de senso comum entre os espiritualistas, que as dimensões de vida são inúmeras em todos os quadrantes do universo, caminhando com a Terra em torno do sol, e com este no espaço infinito.

Existem muitas faixas onde se organizam e se movimentam Espíritos com a mesma afinidade de vida. São levantados países, cidades e colônias sem conta, postos de socorro e variações de assistência por todos os lados, para o bem-estar de todas as almas que estagiam neste abençoado campo de vida. A Terra é uma cópia dessas construções, que podemos chamar fluídicas.

O mundo dos espíritos é mais real que o físico. A vida dos espíritos é semelhante à dos homens, porque estes, antes de reencarnarem, aprendem naquele plano o que devem fazer na Terra. Graças à Doutrina dos Espíritos, eles estão mais conscientes desta grande verdade. A missão das religiões de todo mundo deveria ser a de colocar a criatura mais próxima do mundo espiritual, possibilitando aos dois planos trabalharem juntos para a conquista do amor e da sabedoria.

A ciência dos homens está avançando para o espírito, por vezes sem o perceber. A qualquer hora, a bondade de Deus irá proporcionar o ambiente para o encontro, de sorte a alicerçar a fé, estendendo essa confiança pelas linhas da fraternidade. Hoje, já se sabe que a força mais poderosa se encontra oculta, e o estudo da personalidade humana está trazendo aos homens de ciência uma realidade mais profunda. Vive-se a era dos computadores em formas variáveis, mas que obedecem à programação da inteligência humana. Com toda a perfeição que possam ter, eles não raciocinam, pois lhes falta a inteligência, um dos atributos do espírito.

Muitos cérebros humanos têm sido dissecados e alguns setores da ciência, ao não encontrá-la, ainda perguntam: onde está a inteligência? A própria ciência está muda a essa pergunta. Os espíritos, pela mediunidade dos próprios homens, vêm dizer, respondendo à pergunta que inquieta a humanidade, que a inteligência é um atributo do espírito. Ela não foi gerada no corpo físico; é dom do espírito imortal. E é essa mesma inteligência que haverá de descobrir de onde ela veio e para onde vai, como muitos outros segredos da própria natureza, na gradação que é conveniente ao estado espiritual em que a criatura se encontra.

Agora já se sabe muito mais que antes, com o advento do espiritismo e outras filosofias que vêm surgindo, por misericórdia de Deus, para o esclarecimento dos homens. Não importa que neguem a existência de Deus e- a Sua magnânima bondade. Ele, sendo Pai, espera o crescimento do filho e o coloca na escola da vida, no mesmo caminho por que passaram os outros mais velhos. Somos todos iguais diante do Senhor.

Os conhecimentos sobre os fatos espirituais que existem na Terra são enormes. Basta buscarmos com humildade, que se acumularão celeiros de conhecimentos, por amor de Deus, para o despertar dos homens, de sorte que eles possam reconhecer a fonte de onde promanaram e para onde devem ir, para a glória da vida e para a felicidade que o Senhor nos prometeu no Seu seio de amor. Na verdade, assim como existe um mundo material, existe também o mundo espiritual, onde a vida será mais vida, quando amarmos da maneira que Jesus nos ensinou.

Livro: Filosofia Espírita – volume 2 - Miramez - Psicografia de João Nunes Maia

16 dezembro 2006

O Livre Arbítrio - Rodolfo Calligaris

O Livre Arbítrio

O livre arbítrio é definido como “a faculdade que tem o indivíduo de determinar a sua própria conduta”, ou, em outras palavras, a possibilidade que ele tem de, “entre duas ou mais razões suficientes de querer ou de agir, escolher uma delas e fazer que prevaleça sobre as outras”.

Problema fundamental da Filosofia ética e psicológica, vem sendo estudado e discutido acaloradamente desde os primeiros séculos de nossa era, dando ensejo a que se formulassem, a respeito, várias doutrinas díspares e antagônicas até.

Acham alguns que o livre arbítrio é absoluto, que os pensamentos, palavras e ações do homem são espontâneos e, pois, de sua inteira responsabilidade.

Evidentemente, laboram em erro, porquanto não há como deixar de reconhecer as inúmeras influências e constrangimentos a que, em maior ou menor escala, estamos sujeitos, capazes de condicionar e cercear a nossa liberdade.

No extremo oposto, três correntes filosóficas existem que negam peremptoriamente o livre arbítrio: o fatalismo, o predestinacionismo e o determinismo.

Os fatalistas acreditam que todos os acontecimentos estão previamente fixados por uma causa sobrenatural, cabendo ao homem apenas o regozijar-se, se favorecido com uma boa sorte, ou resignar-se, se o destino lhe for adverso.

Os predestinacionistas baseiam-se na soberania da graça divina, ensinando que desde toda a eternidade algumas almas foram predestinadas a uma vida de retidão e, depois da morte, à bem-aventurança celestial, enquanto outras foram de antemão marcadas para uma vida reprovável e, consequentemente, pré-condenadas às penas eternas do inferno. Se Deus regula, antecipadamente, todos os atos e todas as vontades de cada indivíduo — argumentam —, como pode este indivíduo ter liberdade para fazer ou deixar de fazer o que Deus terá decidido que ele venha a fazer?

Estas duas doutrinas, como se vê, reduzem o homem a simples autômato, sem mérito nem responsabilidade, ao mesmo tempo que rebaixam o conceito de Deus, apresentando-O afeição de um déspota injusto, a distribuir graças a uns e desgraças a outros, unicamente ao sabor de seu capricho. Ambas repugnam às consciências esclarecidas, tamanha a. sua aberração.

Os deterministas, a seu turno, sustentam que as ações e a conduta do indivíduo, longe de serem livres, dependem integralmente de uma série de contingências a que ele não pode furtar-se, como os costumes, o caráter e a índole da raça a que pertença; o clima, o solo e o meio social em que viva; a educação, os princípios religiosos e os exemplos que receba; além de outras circunstâncias não menos importantes, quais o regime alimentar, o sexo, as condições de saúde, etc.

Os fatores apontados acima são, de fato, incontestáveis e pesam bastante na maneira de pensar, de sentir e de proceder do homem.

Assim, por exemplo, diferenças climáticas, de alimentação e de filosofia, fazem de hindus e americanos do norte tipos humanos que se distinguem profundamente, tanto na complexão física, no estilo de vida, como nos ideais; via de regra, a fortuna nos torna soberbos, enquanto a necessidade nos faz humildes; um dia claro e ensolarado nos estimula e alegra, contrariamente a uma tarde sombria e chuvosa, que nos deprime e entristece; uma sonata romântica nos predispõe à ternura, ao passo que os acordes marciais nos despertam ímpetos belicosos; quando jovens e saudáveis, estamos sempre dispostos a cantar e a dançar, já na idade provecta, preferimos a meditação e a tranqüilidade, etc.

Daí, porém, a dogmatizar que somos completamente governados pelas células orgânicas, de parceria com as impressões, condicionamentos e sanções do ambiente que nos cerca, vai uma distância incomensurável.

Com efeito, há em nós uma força íntima e pessoal que sobre excede e transcende a tudo isso: nosso “eu” espiritual!

Esse “eu”, ser moral ou alma (como quer que lhe chamemos), numa criatura de pequena evolução espiritual, realmente pouca liberdade tem de escolher entre o bem o mal, visto que se rege mais pelos instintos do que pela inteligência ou pelo coração. Mas, à medida que se esclarece, que domina suas paixões e desenvolve sua vontade nos embates da Vida, adquire energias poderosíssimas que o tomam cada vez mais apto a franquear obstáculos e limitações, sejam de que natureza forem. Não é só. Habilita-se também a pesar as razões e medir conseqüências, para decidir sempre pelo mais justo, embora desatendendo, muitas vezes, aos seus próprios desejos e interesses.

Um dia, como o Cristo, poderá afirmar que já venceu o mundo, pois, mesmo faminto, terá a capacidade de, voluntariamente, abster-se de comer; conquanto rudemente ofendido, saberá refrear sua cólera e não revidar à ofensa; e, ainda que todos ao seu derredor estejam em pânico, manterá, imperturbável, sua paz interior.

(L.E.Capítulo 10º, questão 843 e seguintes)

Livro: As Leis Morais - Rodolfo Calligaris

15 dezembro 2006

Independência do Espírito - Miramez

Independência do Espírito

O Espírito não é uma propriedade da matéria. São duas coisas distintas, e a resposta de “O Livro dos Espíritos” revela um segredo de difícil compreensão para os homens, dizendo que o Espírito se serve da matéria para intelectualizá-la. Sem o Espírito, a matéria não alcançaria esse empuxo espiritual e essa dinâmica inenarrável. Compreende-se, pois, que o estímulo do Espírito no reino das coisas materiais a eleva, de sorte a colocá-la acima do estado de inércia.

O Espírito é luz que vibra em alta ressonância na purificação do próprio ambiente e, se ele intelectualiza a matéria, o seu atributo desperta nela algo que dormia na profundidade física. A morada divina é o agente direto da Divindade onde quer que seja, na missão elevada de acender luzes e despertar valores.

Se o Espírito fosse uma das propriedades da matéria, seria de menor valor que esta. E o contrário que ocorre: a matéria é serva do Espírito em todos os ângulos da criação, é um instrumento do qual ele se serve, como condição ao seu aprendizado.

As coisas físicas constituem, para a alma, um regime agressivo, de maneira a despertar qualidades quietas na intimidade do ser espiritual. Foi esta a vontade de Deus quando a criou. A matéria é energia concentrada e a energia é a matéria em estado rarefeito. Existem muitas coisas entre um estado e outro, que escapam às nossas sensibilidades. Não devemos comparar nem dizer que a alma é filha da matéria. Espírito é Espírito, matéria é matéria.

Nossa independência é que nos caracteriza como individualidades mais ou menos livres de determinadas peias, criadas pela falta de liberdade, como os conglomerados físicos.

No amanhã serão conhecidos outros valores do Espírito, acima dos que já conhecemos e que dormem ainda no imo dalma, no berço da consciência, esperando o chamado divino da Divina Luz, que desperta os talentos mais valiosos, que a excelência da vida proporciona aos seres que completaram o curso do amor na faculdade da Terra, para começarem outro em dimensão mais pura.

O Espírito vai ficando cada vez mais independente das coisas inferiores, e integrado na dependência de Deus, como médium da luz, com a missão de transformar as trevas por onde venha a passar, divulgando conceitos altamente espiritualizados e ensinando pelo exemplo, para a concretização da harmonia em todos os corações e em tudo o que existe.

O Espírito não perde a sua individualidade como muitos pensam, ele é cada vez mais ele, na ascensão que deve percorrer e, o que é seu, é intransferível. Todavia, o celeiro de tesouros armazenados no seu coração espiritual é como que fonte doadora de recursos em todas as direções, como um sol a ajudar a vida e a enriquecer o ambiente, para que as vidas da retaguarda se conscientizem dos seus valores e acordem com as suas próprias forças.

Tudo que temos é conquista na direção que a Luz Maior nos capacitou a caminhar, porém, nunca conquistamos algo sem Deus. Ele é, por lei, o nosso motivo de viver. A matéria é um dos corpos do Espírito, intermediária dos outros na sutileza das afinidades, para que se complete uma unidade com várias divisões independentes.

O Espírito deve ser Espírito na luz de todos os entendimentos, e cada um, encarnado e desencarnado, deve se colocar naquela esperança da felicidade individual como também no esplendor do amor coletivo. Roguemos a Deus que nos ajude a compreender cada vez mais a independência da alma, pelo menos no tamanho em que ela se encontra, referindo-se a nós mesmos.

Livro: Filosofia Espírita - Volume 1 - Miramez - Psicografia de João Nunes Maia

14 dezembro 2006

Igualdade dos Espíritos - Miramez

Igualdade dos Espíritos

Os espíritos são iguais na sua genealogia, mas, diferentes no que se refere ao despertamento espiritual. Cada um se situa no grau de evolução conquistado; cada alma é, pois, um mundo diferente em todos os aspectos que se possa conceber, nos seus vários níveis de saber. A igualdade no aprimoramento se perde na infinita pauta da sabedoria universal. E Deus, onisciente, criou leis justas e sábias, no sentido de dar a cada um o que esse realmente merece, de acordo com o que oferta.

A grandeza da criação está na variedade, e a natureza nos dá uma amostra dessa beleza na fauna e na flora. A diversidade em todos os reinos do mundo mostra-nos a mão de Deus na construção do belo, nas mudanças de formas de tudo que existe. Em cada uma nota-se uma força inteligente no comando, com toda a certeza do que está fazendo.

Os espíritos são de diferentes ordens, pelo grau alcançado por cada um, e certamente isso é uma hierarquia espiritual, não por imposição ou dádiva, mas, por conquista. É o próprio tempo que trabalha na maturidade do espírito. A superioridade alcançada pelo despertamento espiritual se faz onde quer que seja, sem afrontas, sem agressão e sem comércio; é uma luz que se irradia em todas as direções, abençoando e amando com um único impulso no coração, o da verdadeira fraternidade. No mundo físico pode-se observar como espelho, o corpo de carne de um simples camponês e o de um estadista, de uma doméstica e o de uma rainha. Os corpos são semelhantes sem que haja grandes diferenças, todavia, pelas conquistas alcançadas de uma faixa para outra, nota-se que cada qual se situa em um plano de vida diferente. Ao se verificar mais adiante, e observará que o corpo de um santo e o de um pecador são iguais nas suas estruturas. A formação biológica é a mesma, porém, a vida de um é diferente da do outro, mas Deus dá a ambos a mesma assistência. O que ocorre, é que o santo assimila mais as bênçãos do Senhor, compreende Suas leis e as respeita e o pecador ainda se encontra cego e surdo ao chamado de Deus. No mundo espiritual existem igualmente essas divisões, não por favorecimento, mas por justiça. Colhemos justamente o que plantamos na lavoura da consciência, e ela nos responde fielmente pelo que somos. Eis aIo amor dAquele que fez todas as leis, e assiste todas as criaturas, filhas do Seu magnânimo coração.

Nunca faltam escolas para todos, e cada um recebe o de que precisa na escala a que pertence, porém, o modo de ensinar de Deus é bem diferente do dos homens; Ele, o Senhor, ministra ensinamentos a cada um separadamente, atendendo suas necessidades com todo empenho de servir e todo o amor de Pai que nunca esquece Seus filhos. Nós outros é que somos, às vezes, rebeldes e custamos a aprender as lições, e em muitos casos aparece em nós a dor, para nos mostrar com mais energia os caminhos do aprendizado.

Estamos passando uma fase dolorosa na Terra, um fechamento de ciclo, de duras provações individuais e coletivas. É, pois, uma necessidade de limpeza cármica, como sendo a de um tumor na sociedade a que pertences. Não há outro recurso, a não ser o da própria dor, em formas variáveis, para despertar o coração da humanidade para o amor, aquele que Jesus viveu e ensinou. Um dia, certamente seremos todos iguais, mesmo em se falando daqueles espíritos que já atingiram a pureza: basta atingirmos a maturidade que eles já conquistaram!

Livro: Filosofia Espírita – volume 2 - Ditado por Miramez - Psicografia de João Nunes Maia

13 dezembro 2006

No Correio Fraterno - Irmão X

No Correio Fraterno

Meu amigo, diz você, em vernáculo precioso, que a crença nos Espíritos desencarnados é característico de miséria intelectual.

Em sua conceituação de garimpeiro da retórica, os problemas do Espiritualismo contemporâneo se resumem a uma exploração de baixa estirpe, alimentada por uma chusma de idiotas, nos quais o sofrimento ou a ignorância galvanizaram o complexo da fé inconsciente.

Com a maior sem-cerimônia deste mundo, assevera você que a convicção dos espiritistas de hoje é uma peste mental, surgida com Allan Kardec, no século passado, e acentua que o pensamento aristocrático da antiguidade jamais cogitou de semelhante movimentação idealística.

O seu noviciado no assunto é claro em demasia para que nos disponhamos a minuciosa escarificação do pretérito.

Se puder escutar-nos, no entanto, por alguns momentos, não nos meta a ridículo se lembrarmos que a idéia da imortalidade nasceu com a própria razão no cérebro humano.

Não sei se você já leu a história do Egito, mas, ainda mesmo sem a vocação de um Champollion, poderá informar-se de que, há milênios, a nobreza faraônica admitia, sem restrições, a sobrevivência dos mortos, que seriam julgados por um tribunal presidido por Osíris, dentro do mais elevado padrão de justiça.

Os grandes condutores hindus, há muitos séculos, chegavam a dividir o Céu em diversos andares e o Inferno em vários departamentos, segundo as Leis de Manu.

Os chineses, não menos atentos para com a suprema questão, declaravam que os mortos eram recebidos, além do túmulo, nos lugares agradáveis ou atormentados que haviam feito por merecer.

Os romanos viviam em torno dos oráculos e dos feiticeiros, consultando as vazes daqueles que haviam atravessado o leito escuro do rio da morte.

Narra Suetônio que o assassínio de Júlio César foi revelado em sonhos.

Nero, Calígula e Cômodo eram obsidiados célebres, perseguidos por fantasmas.

Marco Aurélio sente-se inspirado por entidades superiores, legando suas reflexões à posteridade.

Na Grécia, os gênios da Filosofia e da Ciência formulam perguntas aos mortos, no recinto dos santuários.

Tales ensina que o mundo é povoado por anjos e demônios.

Sócrates era acompanhado, de perto, por um Espírito-guia, a ditar-lhe conselhos pertinentes à missão que lhe cabia desempenhar.

Na Pérsia, o zoroastrismo acende a crença na lei de retribuição, depois do sepulcro, sob a liderança de Ormuzd e Arimã, os doadores do bem e do mal.

Em todos os círculos da cultura antiga e moderna, sentimos o sulco marcante da espiritualidade na evolução terrestre.

Acima de todas as referências, porém, invocamos o Evangelho, em cuja sublime autoridade você se baseia para menosprezar a verdade.

O Novo Testamento é manancial de Espiritismo divino.

O nascimento de Jesus é anunciado, por vias mediúnicas, não só à pureza de Maria, mas à preocupação de José e à esperança de Isabel, Ana e Simeão.

Em todos os ângulos da passagem do Mestre, há fenômenos de transubstanciação da matéria, de clariaudiência, de clarividência, de materialização, de cura, de incorporação, de levitação e de glória espiritual.

Em Caná, transforma-se a água em vinho; junto à corrente do Jordão, fazem-se ouvir as vazes diretas do Céu; no Tabor, corporificam-se Espíritos sublimados; em lugares diversos, entidades das trevas apossam-se de médiuns infelizes, entrando em contacto com o Senhor; no lago, o Cristo caminha sobre a massa líquida e, depois do Calvário, surge o Amigo Celeste, diante dos companheiros tomados de assombro, demonstrando a ressurreição individual, além da morte...

Tudo isto é realidade histórica, insofismável, mas você afirma que para crer em Espíritos será necessário trazer complicações na cabeça e chagas na pele.

Não serei eu, “homem-morto” há dezesseis anos, quem terá a coragem de contradizê-lo.

Naturalmente, se este correio de fraternidade chegar às suas mãos, um sorriso cor-de-rosa aparecerá triunfante em suas bochechas felizes; mas não se glorie, excessivamente, na madureza adornada de saúde e dinheiro, porque embora eu deseje a você uma existência no corpo de carne, tão longa quanto a de Matusalém, é provável que você venha para cá, em breves dias, ensaiando o sorriso amarelo do desencanto.

Livro: Pontos e Contos - Irmão X - Psicografia de Francisco Cândido Xavier

10 dezembro 2006

Sexo na Espiritualidade - Marco Tulio Michalick

Sexo na Espiritualidade

Quando desencarnamos e voltamos ao Mundo Espiritual, sentimos algumas necessidades habituais que tínhamos no Mundo Material e só poderão ser superadas com o tempo. A adaptação pode ser lenta ou rápida dependendo do grau de evolução de cada um. Fome, frio, dor, sono, higiene, sexo, são alguns destes casos em que o Espírito precisa se readaptar à nova morada. Com o tempo, ele saberá que pode substituir o alimento convencional da Terra pela água, o banho vai se tornando desnecessário à medida que o Espírito vai evoluindo, não sentirá sono como antes, o desejo sexual dará lugar ao amor recíproco; e aos poucos essas sensações são substituídas por outras, e algumas novas são acrescidas, como a volitação.

A literatura espírita revela que o sexo é algo divino, vazão de alegria e felicidade do homem e da mulher, mas ao mesmo tempo a porta sagrada e de entrada para nossa evolução. Ou seja, nada há de errado com o ato sexual desde que praticado de forma regular e respeitosa. Então como o sexo é tratado no Mundo Espiritual? Esse questionamento, à primeira vista, pode causar perplexidade porque muitos de nós pensávamos que o sexo não existisse no Mundo Espiritual. Talvez ele não apareça em colônias já em adiantado nível de evolução porque os Espíritos, que lá residem, vibrem em uma sintonia mais elevada. Essa vibração é alcançada pelo Espírito por meio da mentalização, estudo, trabalhos edificantes e proteção da espiritualidade Maior que forma uma espécie de escudo ao redor da colônia, não deixando que maus pensamentos e falanges do mal possam penetrá-la.

Próximo à crosta terrestre está localizado o Umbral que abriga os Espíritos com o teor vibratório muito baixo. Devido à sua condição de pouca evolução moral, no umbrífero eles mantêm relações sexuais com outros seres, em clima de vampirização. Por outro lado, há uma situação preocupante com os encarnados que têm o pensamento fixo em sexo. O que pode criar uma ligação entre os desencarnados que estão nesta sintonia.

Durante o sono, é comum os encarnados se desprenderem do corpo físico e irem para o Mundo Espiritual encontrarem-se com Espíritos afins, desencarnados ou encarnados, em lugares onde podem harmonizar suas mentes. No entanto, alguns encarnados vão à procura de sexo em esferas de mais baixa vibração. Isto acontece por meio de uma simples mentalização de encarnado para encarnado ou de encarnado para desencarnado, capaz de estabelecer uma faixa vibratória que os conduzirá para estes locais. Quando se trata de uma mentalização de desencarnado para encarnado, ela ocorre se estiverem na mesma faixa vibratória porque a pessoa mantendo uma conduta moral, cristã e mentalização elevada, onde prevalece o trabalho caridoso, essas entidades não conseguirão vampirizar o encarnado.

Esses Espíritos se encontram no Vale do Sexo do Mundo Espiritual ou em lugares do Mundo Material onde a prática da prostituição é intensa ou de vibração negativa. Nesse vale, o encarnado é diferenciado pelo desencarnado pelo cordão fluídico que o liga ao corpo físico. Quando a pessoa desperta de seu sono, não lembra dos acontecimentos, mas sua mente guarda o registro de uma sensação indefinido. Algo idêntico acontece com indivíduos que têm uma vida dupla, isto é, uma conduta social durante o dia, mas à noite para saciar os seus desejos carnais, freqüentam locais cuja energia é a mesma do vale do sexo.

Mesmo numa relação conjugal, em que deve haver uma cumplicidade que inclui o sexo, além do apoio mútuo, se uma das partes sentir-se rejeitada ou mal amada, acabará procurando satisfação em esferas mais baixas, que podem estar no campo material ou espiritual. Portanto o sexo deve ser visto como uma obra de Deus, e nós devemos saber utilizar essas energias como um bem divino e não como um desejo animalesco que nunca está satisfeito, à procura de novos encontros tanto em um Mundo quanto no outro. Ele é uma força poderosa que existe no organismo espiritual que, se liberada indiscriminadamente, pode levar o ser humano à desilusão, à loucura, provocando graves enfermidades.

O Espírito iluminado de Emmanuel, no livro Vida e Sexo, psicografado por Chico Xavier, escreve a seguinte mensagem: “A energia sexual, como recurso da lei de atração, na perpetuidade do Universo, é inerente à própria vida, gerando cargas magnéticas em todos os seres, à face das potencialidades criativas de que se reveste”.

André Luiz em Ação e Reação, também psicografado por Chico Xavier, escreve com sabedoria: “Examinando como força atuante da vida, à face da criação incessante, o sexo, a rigor, palpitará em tudo, desde a comunhão dos princípios subatômicos à atração dos astros porque, então, expressará força de amor, gerada pelo amor infinito de Deus”.

As mensagens acima revelam quanto o sexo é importante para nossas vidas e evolução espiritual. Trata-se de uma energia que dosada e centralizada, deve ser canalizada para uma vida em comunhão com o bem e psiquicamente tranqüila.

Pesquisa realizada pela Unesco e divulgada pela revista Veja, indica que os jovens, atualmente, começam a ter uma vida sexual precoce: as meninas aos 15 anos e os meninos 14. Outro dado relevante é que normalmente a primeira relação não foi com o namorado e sim com um “ficante”, ou seja, um desconhecido, praticamente. No que se refere à gravidez, um levantamento feito pela Universidade Federal de São Paulo revela que nascem cerca de um milhão de bebês, por ano, de mães solteiras entre 15 e 19 anos. E que de cada 100 adolescentes que engravidam sem um planejamento, 25 já têm pelo menos um filho.

Os números colocados acima são de vital importância porque nos dão uma visão da vida sexual dos jovens no planeta. Sabemos da importância dessa relação, daí a nossa preocupação de não vermos o ato sexual como uma necessidade carnal e sim como algo sublime que nos proporciona o amor sincero, a família, o prazer de viver, de sentir-se bem, de evoluir.

Texto original publicado na Revista Cristã de Espiritismo, edição nº 20, ano 2003

09 dezembro 2006

Os Limites do Livre-arbítrio - Elson de Souza Ribeiro

Os Limites do Livre-arbítrio

O que vem a ser um indivíduo livre? Segundo o dicionário, “livre é o sujeito que tem seus direitos civis e políticos, amparados por lei”.

Porém, as leis nos indicam que essa liberdade de agir e decidir é relativa. Tanto é que, quando o direito do outro é desrespeitado, mesmo que seja de forma precária, entra em cena o elemento punição. Se na Terra, que é um planeta atrasado, de provas e expiações, existe uma lei que limita a liberdade de agir, imagine nos planos superiores.

Na questão 121 do Livro dos Espíritos, Allan Kardec pergunta: "por que é que alguns espíritos seguiram o caminho do bem e outros o do mal"? E os espíritos respondem: "não têm eles o livre-arbítrio? Deus não os criou maus; criou-os simples e ignorantes, isto é, tendo tanta aptidão para o bem quanto para o mal. Os que são maus, assim se tornaram por vontade própria".

A resposta sábia dos espíritos para essa questão nos leva a fazer uma reflexão. Em que momento somos realmente livres? No momento em que fazemos o bem ou o mal? A liberdade para o bem está harmonizada com as leis da vida, com as leis eternas, enquanto que o mal tem muito mais vínculo com o desconhecimento delas.

Graças às obras complementares que vieram depois das obras de Kardec (especialmente de André Luiz), é possível perceber que o livre-arbítrio pode ser limitado. Aliás, isso é comprovado desde o planejamento que os Espíritos Superiores fazem para o reencarnante, quando este não tem condição para fazer sua escolha. Ou seja, ele vem pela via compulsória.

No capítulo 7 do livro No Mundo Maior, psicografado por Chico Xavier, André Luiz nos apresenta um caso de reencarnação compulsória. Um garoto de oito anos, conta Calderaro, “não fala, não anda, não chega a sentar-se, vê muito mal, quase nada ouve na esfera humana”. O que teria feito esse espírito no pretérito? Há quase dois séculos, decretara a morte de muitos compatriotas numa insurreição civil, semeando ódio e ruínas.

No capítulo 14, da mesma obra, temos mais um exemplo das limitações do livre-arbítrio. Dessa vez é o caso de Antídio, um velho conhecido de Calderaro que, a cada vez que recebe assistência espiritual, volta a cair nas tentações do alcoolismo. Diante da indisciplina de Antídio, os benfeitores espirituais vão ministrar o que eles chamaram de "recurso da enfermidade provisória". Trocando em miúdos, Antídio conhecerá a prisão do leito, durante alguns meses, graças a uma nefrose cardíaca, para harmonizar o cosmo psíquico. Neste período nada adiantaria apelar para medicamentos. Toda essa enfermidade provisória serviria para que o doente não esquecesse das obrigações sagradas e da nobreza do ato de viver.

Portanto, nos dois casos citados, nós podemos perceber as restrições que a justiça Divina faz com aqueles que não corresponderam à expectativa. Conseqüências? Aflição, desencanto, cansaço, tédio, sofrimento, cárcere etc.; a prisão regeneradora. Somos livres na escolha que fazemos. Mas já não somos livres das conseqüências desta escolha. Cada atitude (positiva ou negativa) gerará conseqüências. E uma das conseqüências poderá ser, até, a suspensão temporária do livre-arbítrio. O Plano Espiritual Superior estabelece para os devedores reincidentes algumas restrições no seu conforto para sanar seus débitos. Em razão disso, não poderão viver à farta, mas sim com abstinência e suor. Castigo de Deus? Não. Conseqüências das más escolhas, má utilização do livre-arbítrio. O inferno ou o céu é um problema de direção espiritual. Busquemos a adesão do Senhor, no entanto, saibamos que todos os problemas criados por nós serão resolvidos por nós mesmos.

Fonte: Revista Espírita Allan Kardec

08 dezembro 2006

A obsessão e suas Máscaras - Marlene R.S.Nobre

 
A OBESSÃO E SUAS MÁSCARAS


É comum no meio espírita, ouvirmos dizer que o espírito é o próprio pensamento. Creio que estamos diante de uma simplificação. Provavelmente, os confrades querem dizer que, através do pensamento, o espírito dá-se a conhecer, exterioriza a sua natureza intrínseca. Sem dúvida, através do pensamento, ele influencia o meio à sua volta, moldando o fluido cósmico universal, e produzindo matéria mental ou correntes de pensamento.

Quanto à natureza verdadeiramente intrínseca do espírito, estamos ainda longe de conhecer, assim como nada sabemos sobre a matéria mental. André Luiz diz em Evolução em Dois Mundos que, no mundo espiritual, os estudiosos já sabiam praticamente tudo sobre o perispírito e que se debruçavam, então, sobre o estudo da natureza do espírito.

Um dos fatos observados é que a obsessão pode ter início entre os desencarnados. Nos livros da coletânea André Luiz, isso fica claro através de inúmeros exemplos de perseguições entre os desencarnados, como se percebe no caso de Antônio Olímpio no livro Ação e Reação.

Os processos depressivos são muito complexos, porque vão desde estados de tristeza, mais leves e simples, até aos mais complicados de apatia e total abandono de si próprios. Estão radicados nos chamados processos de adinamia do corpo espiritual ou perispírito, os quais, por sua vez, se originam no complexo de culpa e na falta de cultivo da fé em Deus.

Como vemos, pode ser um processo obsessivo anímico (auto-obsessão), provocado por um acontecimento da existência em curso, como por exemplo, os casos de depressão que irrompem na menopausa, mas cuja origem pode estar ligada a abortos provocados na juventude.

Esse complexo de culpa pode também estar radicado nas vidas anteriores, provocando surtos de depressão periódica. Na maioria dos casos, porém, deve-se levar em conta o componente espiritual, porque quando a mente enferma, naturalmente atrai companhias que estejam na mesma sintonia, na mesma freqüência dos pensamentos emitidos.

Temos aí o fenômeno anímico-obsessivo, alimentando o processo. Como lembra Bozzano, é raro o fenômeno anímico isolado. Dada a facilidade de acoplamento das mentes em desajuste é mais certo falarmos em ocorrência anímico-espiritual. Nos casos de depressão, deve-se levar em conta a necessidade de evangelização coletiva de encarnados e desencarnados.

É preciso sempre lembrar que só o Bem anula o Mal.



Extraído da Revista Espírita Allan Kardec – nº 47

07 dezembro 2006

Espíritos inferiores - Miramez

Espíritos Inferiores

Essa é uma categoria de espíritos que nunca podemos determinar dentro de uma só espécie. Existe nela variedade de sentimentos, como de posição na escala de elevação espiritual, contudo, são almas ainda inferiores que desconhecem o valor do bem, e não sentem tendência alguma para a caridade, antes, procuram menosprezar o bem e mesmo atrapalhar quem começa a melhorar as suas condições de benevolência. São espíritos zombeteiros, brincalhões e muitas vezes, maus, mentirosos, egoístas e orgulhosos. Adoram discussões, por saberem que as irritações que fervem nas idéias incompatíveis desarmonizam o ambiente. Por esses sentimentos inferiores, os sensitivos passam a conhecer quem está se aproximando das suas faculdades e devem corrigir e desconfiar dos seus próprios procedimentos.

Os espíritos inferiores dominam grande parte dos homens na Terra, em todas as suas atividades; na política, na ciência e na religião são onde eles mais atuam, encontrando médiuns que com eles se afinam completamente, sem desconfiarem da existência dessas companhias indesejadas. São falanges espraiadas em todo o globo, e infelizmente encontramos muitos deles nos lares onde se vê muita discórdia e mesmo separações. É nesse sentido, de desativar essas falanges de espíritos inferiores e educá-los, que aconselhamos o Culto do Evangelho no Lar, força poderosa, capaz de devolver a paz entre os irmãos, que aceitaram viver juntos. As organizações de caridade são também muito atuadas por eles, que não têm outro serviço, a não ser perturbar os ambientes que desejam e trabalham para a paz. O melhor remédio para a defesa dessas entidades é a educação individual. Cada espírito, encarnado e desencarnado, deve praticar a auto-educação, não entrando em sintonia com essas entidades malfeitoras; é o Evangelho vivido, e não somente pregado, como se vê em todo o mundo.

Os nossos pensamentos podem ser um ninho de espíritos inferiores, como a boca depende do uso que fazemos das nossas faculdades. Os que querem ser enganados estão alimentando sentimentos inferiores, e os poucos que gostam da verdade, da honestidade, do perdão, da caridade e do amor na verdadeira acepção da palavra, trabalham para a sua própria paz íntima.

O quadro da Terra é algo triste, no que tange ao ambiente interior, não obstante, os recursos estão e vão ser usados para o devido saneamento espiritual. Cabe a nós outros, já despertados para o bem comum, fazer parte daqueles que saiam a semear com Jesus, sem reclamar, sem exigir e sem blasfemar, para que não percam as sementes de luz deitadas nas leiras dos corações. A última categoria dos espíritos não se compõe de almas totalmente más, no sentido da palavra expressa, mas que carregam consigo toda espécie de deturpação da verdade. O seu ambiente constitui um ninho de serpentes, de todas as más qualidades que se possa imaginar... Entretanto, são irmãos que precisam da nossa assistência, mas, ao dá-la, é sempre bom nos lembrar da advertência de nosso Senhor Jesus Cristo, quando nos fala: Vigiai e orai. Muitos deles confundem-se com os encarnados, pelas aparências de sentimentos, mas a Doutrina Espírita, na feição do Evangelho Redivivo, está no mundo para limpar a eira das nações e colocá-las à frente de todas as decisões que possam tomar a palavra e a vivência daquilo que conheces pelo nome de Amor.

Livro: Filosofia Espírita – volume 2 - Miramez - Psicografia de João Nunes Maia

06 dezembro 2006

Fatalidade e Destino - Rodolfo Calligaris

Fatalidade e Destino

Fatalidade e destino são dois termos que se empregam, amiúde, para expressar a força determinante e irrevogável dos acontecimentos da vida, bem assim o arrastamento irresistível do homem para tais sucessos, independentemente de sua vontade.

Estaríamos nós, realmente, à mercê dessa força e desse arrastamento?

Raciocinemos:

Se todas as coisas estivessem previamente determinadas e nada se pudesse fazer para impedi-las ou modificar-lhes o curso, a criatura humana se reduziria a simples máquina, destituída de liberdade e, pois, inteiramente irresponsável.

Subseqüentemente, os conceitos de Bem e Mal ficariam sem base, tornando nulo todo e qualquer princípio ditado pela Moral.

Ora, é evidente que, quase sempre, nossas decepções, fracassos e tristezas decorrem, não de nossa “má estrela”, como acreditam os supersticiosos, mas pura e simplesmente de nossa maneira errônea de proceder, de nossa falta de aptidão para conseguir o que ambicionamos, ou por uma expectativa exageradamente otimista sobre o que este mundo nos possa oferecer.

Importa reconhecermos, entretanto, que, embora grande parte daquilo que nos acontece sejam consequências naturais de atos consciente ou inconscientemente praticados por nós, ou por outrem, com ou sem a intenção de atingir-nos, vicissitudes, desgostos e aflições há que nos alcançam sem que possamos atribuir-lhes uma causa cognoscível, dentro dos quadros de nossa existência atual.

Sirvam-nos de exemplo certos acidentes pessoais, determinadas doenças e aleijões, desastres financeiros absolutamente imprevisíveis, que nenhuma providência nossa ou de quem quer que seja teria podido evitar, ou o caso de pessoas duramente feridas em suas afeições ou cujos reveses cruéis não dependeram de sua inteligência, nem de seus esforços.

As doutrinas que negam a pluralidade das existências, impossibilitadas de apresentar uma explicação satisfatória para essa importante questão, limitam-se a dizer que os desígnios de Deus são imperscrutáveis, ou a recomendar paciência e resignação aos desgraçados, como se isso fôsse suficiente para saciar a sede das mentes perquiridoras e tranquilizar os corações dilacerados pela dor.

A Doutrina Espírita, ao contrário, com a chave da reencarnação, faz-nos compreender claramente o porquê de todos os problemas relacionados com a nossa suposta “má sorte”.

Os acontecimentos que nos ferem e magoam, no corpo ou na alma, sem causa imediata nem remota nesta vida, longe de se constituírem azares da fatalidade ou caprichos de um destino cego, são efeitos da Lei de Retorno, pela qual cada um recebe de volta aquilo que tem dado.

Em anterior(es) existência(s), tivemos a, faculdade de escolher entre o amor e o ódio, entre a virtude e o vicio, entre a justiça e a iniquidade; agora, porém, temos que sofrer, inexoràvelmente, o resultado de nossas decisões, porque “a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória”.

Quando assim não seja, as dificuldades e os sofrimentos por que passamos fazem parte das provas por nós mesmos escolhidas, antes de reencarnarmos, com o objetivo de desenvolver esta ou aquela boa qualidade de que ainda nos ressentimos, ativando, destarte, nosso aperfeiçoamento, a fim de merecermos acesso a planos mais felizes onde a paz e a harmonia reinam soberanamente.

Em suma, algumas circunstâncias graves, capazes de ensejar nosso progresso espiritual, podem, sim, ser fatais; mas já vimos que somos nós próprios, no exercício do livre arbítrio, que Lhes geramos as causas determinantes.

Nosso presente nada mais é, portanto, que o resultado de nosso passado, assim como nosso futuro está sendo construído agora, pelos pensamentos, palavras e ações de cada momento.

Tratemos, então, de dignificar nossa presença à face da Terra, agindo sempre em conformidade com as leis divinas, para que nossas agruras de hoje se transformem, amanhã, somente em bênçãos e alegrias, bem-estar e tranquilidade.

(L.E.Capítulo 10º, questão 851 e seguintes.)

Livro: As Leis Morais - Rodolfo Calligaris

05 dezembro 2006

Diversidade das Raças e das Coisas - Miramez

Diversidade das Raças e das Coisas

A diversidade em toda a criação de Deus é mostra de Sua inteligência soberana. A beleza que constitui as coisas do Senhor está nas variações sem perda da harmonia, que sublimam todos os ritmos. Tudo muda, de segundo para segundo, embelezando cada vez mais a natureza, nas linhas a que fomos chamados a servir. Um dia não é igual ao outro. O Céu que se contempla da Terra mostra diferenças dia a dia e noite a noite. As pessoas têm suas mudanças e reações variadas. Os animais e os pássaros, a flora e a fauna se alteram constantemente. Todas as formas se integram e desintegram com freqüência, pela força do progresso. Se assim podemos dizer, tudo que existe está em contínua modificação. Esta é uma lei cósmica que opera em toda a criação. Não há somente diversidade nas raças humanas, mas variedades em todas as coisas que Deus criou e nós, na profundidade das nossas consciências, gostamos de variações. Sentimos um prazer indefinível nas mutações.

Em se falando do espírito encarnado, as diferenças físicas vêm da vontade do Criador, que certamente achou melhor que assim fosse, para a nossa própria alegria. Entretanto, estabeleceu leis que pudessem regular essas mudanças, como sendo um aprendizado para determinada faixa evolutiva das criaturas e dos próprios animais, vegetais e minerais. Primeiro, uma raça humana desceu para a carne, com certo preparo no mundo espiritual, para esse ou aquele continente, trazendo as características adequadas ao lugar onde iriam nascer. Depois, foram reforçados os caracteres próprios do local aonde foram chamados a viver.

O corpo de carne é, pois, obediente às leis físicas, bem como atende às heranças do empréstimo biológico. Tudo que existe na Terra foi idealizado nos planos do espírito por engenheiros siderais, que copiam e entendem a lei de Deus, executando sempre a Sua vontade. Se existe diversidade no mundo físico, muito mais no mundo moral de cada criatura. Se no mundo moral há diversidade em tudo, no mundo espiritual muito mais. Existe uma infinidade de divisões, sem que a natureza se mostre aflita ou deixe faltar alguma coisa para a sua própria segurança.

Bastou que o mundo dos espíritos preparasse um casal de seres de cor, para que reinasse uma prole enorme na região escolhida. Assim ocorreu com todas as raças de todos os viventes que existem na Terra. Bastou que os benfeitores espirituais, em nome de Deus, materializassem uma semente de uma determinada espécie, para que ela enchesse a Terra com infinitos descendentes. Assim sucede em todos os reinos. Aí está a chave da diversidade das coisas, de tudo que existe no mundo e nos mundos.

O senhor assegurou para tais diversidades os climas correspondentes, criando a lei da afinidade para sustentar assim aquilo que deveria ser. Deixou para o homem alguma coisa a ser feita, no sentido de que ele pudesse cooperar nessas mudanças, formando novos tipos de acasalamento de raças diferentes, como também animais e plantas, dando novas cores às belezas já estabelecidas pela Divindade.

Deves estudar mais a natureza, no livro da vida que se abre nas páginas do tempo, que ele te dirá algo mais daquilo que não podemos dizer. A consciência de quem estuda despertará em sua plenitude, pela observação sincera de filho de Deus, porque ela guarda todos os mistérios da vida, com a capacidade de revelar gradativamente as leis, na seqüência das necessidades. Isto é Deus em nós, operando em nós!

Livro: Filosofia Espírita – volume 2 - Miramez - Psicografia de João Nunes Maia

04 dezembro 2006

Os Dois Mundos - Miramez

Os Dois Mundos

Falamos dois mundos, um material e outro espiritual, mas na verdade, existem inúmeras esferas de vida no plano do espírito, de acordo com a evolução dos mesmos e, por vezes, umas interpenetrando as outras. No mundo físico, existem igualmente muitos estágios de vida, sem que uns fiquem invisíveis aos outros, como ocorre no plano do espírito. Porém, no plano espiritual, os superiores podem observar os inferiores, mas estes não têm capacidade de vê-los, a não ser quando os luminares acham conveniente.

Não pode existir violência em campo algum de vida. A lei nos pede respeito aos direitos dos outros, principalmente pelo que eles expressam na escala da evolução espiritual. Há alguns espiritualistas que perguntam: Por que existe o plano físico? O espírito não poderia evoluir sem investir-se da matéria? Isso não nos compete responder, mas podemos analisar desta maneira: sendo Deus a Inteligência Suprema, a Perfeição sem mescla, não iria fazer o mundo físico sem necessidade. Logo que foi feito, necessitamos dele. Esta é a lógica. Qual a necessidade que temos e a posição que adotamos, para julgar o Criador? Precisamos do estágio na matéria bruta, como porta para o despertamento gradativo das nossas qualidades, e um mundo de certa forma está interligado com o outro, às vezes de manera que se desconhece, mas um é motivo de trabalho e experiências para o outro, na pauta das escalas espíritas.

O mundo físico, ou seja, a Terra, está sendo sempre visitada por grandes personalidades espirituais em trabalhos que escapam aos sentidos humanos, em intenso movimento de amor. E a presença deles incentivar-nos-á para a benevolência, no empuxo da grande fraternidade cósmica, onde fazem parte as entidades redimidas, onde existe a pureza do amor.

Não se deve pensar que, por estar na Terra, o espírito se encontra órfão da bondade de Deus. O Senhor está presente muito mais do que se imagina ou mesmo pensam os santos. Deus e Seus agentes estão presentes nas águas que se bebe, no ar que se respira, nos alimentos que garantem a vida física. Ele está nas trevas e na luz, na alegria e na dor, na paz e nas tribulações. Ele, o Senhor, é a vida que pulsa em toda a parte. Para que Ele fique mais visível ainda, basta que busquemos encontrá-lo, e os meios acertados são aqueles ensinados por Jesus Cristo. Não se deve perder tempo em pensar e dizer: “por que Deus fez isso ou aquilo”? O que Deus fez está certo e Ele ainda estabeleceu leis de modo a serem cumpridas. Não existe outro caminho para se encontrar a felicidade.

O mundo físico, na profundidade que devemos crer, é o mesmo mundo dos espíritos, onde a matéria tomou outra dimensão, a dimensão divina. E a matéria não deixa de ser energia sublimada que se coagulou por bênção desse mesmo Deus. No fim, reconhecemos que tudo veio da Suprema Inteligência e como filhos do Seu coração, somos todos irmãos, interligados uns aos outros pela luz benfeitora do amor dessa mesma Divindade.

Lembrando o assunto desta mensagem, o mundo material poderia deixar de existir sem que o mundo espiritual se perturbasse, se, repetimos, Deus o quisesse. No entanto, se Ele fez os dois planos de vida onde habitamos, agradeçamos ao Senhor por tamanha dádiva, e procuremos compreende-lo até onde suportamos.

Livro: Filosofia Espírita – volume 2 - Miramez - Psicografia de João Nunes Maia

03 dezembro 2006

Cinco Lembretes Anti-Suicído - Rita Foelker

CINCO LEMBRETES ANTI-SUICÍDIO

1. A vida não se acaba com a morte. A morte não significa o fim da vida, mas somente uma passagem para outra vida: a espiritual.

2. Os problemas não se acabam com a morte. Elas são provas ou expiações. que nos possibilitam a e, evolução espiritual, quando os enfrentamos com coragem e serenidade. Quem acredita estar escapando dos problemas pela porta do suicídio está somente adiando a sua solução.

3. O sofrimento não se acaba com a morte. O suicídio só faz aumentar o sofrimento. Os Espíritos de suicidas que puderam se comunicar conosco descrevem as dores terríveis que tiveram de sofrer, ao adentrar o Mundo Espiritual, devido ao rompimento abrupto dos liames entre o Espírito e o corpo. Para alguns suicidas, o desligamento é tão difícil, que eles chegam a sentir seu corpo se decompondo. Além disso, há o remorso por ter transgredido gravemente a lei de Deus, perante a qual suicidar-se equivale a cometer um assassinato.

4. A morte não apaga nossas faltas. A responsabilidade pelas faltas cometidas é inevitável e intransferível. Elas permanecem em nossas consciências até que a reparemos.

5. A Doutrina Espírita propicia esperança consolação quando oferece a certeza da continuidade infinita da vida, que é tanto mais feliz quanto melhor suportamos as provas do presente.

Livro: "Palavras Simples, Verdades Profundas" - Rita Foelker

02 dezembro 2006

Ressentimento - Emmanuel

Ressentimento

O ressentimento não é somente um peso morto, à feição de chumbo na flama alígena de nossa prece, compelindo-a a descer, anulada, nas sombras da frustração e, em verdade, não é apenas o tóxico que envenena a membrana gástrica, provocando moléstias de abordagem difícil...

É também o fermento da treva que, a exteriorizar-se de melindres inconseqüentes, avança qual projétil invisível sobre companheiros invigilantes, debuxando as linhas da lama em que a maledicência e a calúnia proliferam sem peias, ferindo almas e consciências, tanto quanto depredando ou destruindo instituições generosas e veneráveis que nos rogam compreensão e devotamento a fim de que produzam redenção e progresso no campo da humanidade.

Cada vez que o desgosto te bata à porta, aprende a esquecê-lo com toda a alma.
Lembra-te de que todos somos devedores insolventes da Tolerância Divina e que, por isso mesmo em nossas imperfeições e fraquezas, não prescindimos da caridade recíproca, a fim de que nos mantenhamos de pé.

Jamais olvidemos quão profunda é a nossa dificuldade para retificar em nós mesmos as qualidades que nos desagradam nos outros e banhemos o pensamento no grande amor, para que a fraternidade real nos abençõe o caminho.

Seja qual for o grau da ofensa recebida, não te esqueças de que somente a fonte do perdão irrestrito possui bastante poder para extinguir o lodo da miséria e da ignorância, porquanto pretendendo justiçar-nos com a forma das próprias mãos, invariavelmente, caímos na delinqüência e no desespero que nos agravam a detenção nas cadeias do crime ou nas algemas da crueldade.

Ditado por Emmanuel - Psicografia - Francisco Cândido Xavier

01 dezembro 2006

Obsidiados - Joanna de Ângelis

Obsidiados

“972. Como procedem os maus Espíritos para tentar os outros Espíritos, não podendo jogar com as paixões? “As paixões não existem materialmente, mas existem no pensamento dos Espíritos atrasados. Os maus dão pasto a esses pensamentos, conduzindo suas vítimas aos lugares onde se lhes ofereça o espetáculo daquelas paixões e de tudo que as possa excitar’’.
O Livro dos Espíritos

Jornadeiam sob dramas angustiantes que vivem mentalmente.

O pensamento dirigido por lembranças vigorosas do passado não consegue romper os laços que o vincula à rememoração continuada.

Atormentados em sinistros dédalos íntimos, desfazem a máscara da aparência sob qualquer impacto emocional.

Irritadiços, vivem desgovernados.

Traumatizados, são sonâmbulos em plena inconsciência da realidade.

Trânsfugas, não conseguem fugir aos cenários de sombras onde residem psiquicamente.

Refletem nas atitudes o próprio desgoverno e sofrem aflições que procuram ocultar, amedrontados.

A maioria esconde o pavor por detrás da aspereza em que se enclausura.

Uns enxergam os adversários do mundo íntimo em todos os que os cercam.

Outros ouvem em todas as expressões verbais o sarcasmo de que são vítimas incessantes.

Transitam, atordoados, monologando ou travando diálogos de vil hostilidade.

Nos painéis da tua mente muitas outras mentes procuram refúgio, constrangendo-te ao recuo.

Falam contigo, procurando recordar-te...

Apresentam-se à hora do parcial desprendimento pelo sono, tentando imprimir nos centros sensíveis os seus espectros em cujas fáceis a dor e a revolta se refletem.

Atropelam-te, imiscuindo-se nas tarefas que te dizem respeito e interferindo mesmo em questões insignificantes do dia-a-dia.

Inspiram-te sombrias maquinações.

Transmitem sugestões malévolas.

Zombam da tua resistência.

Assediam a tua casa psíquica.

Também eles, os outros companheiros do envoltório carnal, igualmente sofrem a compressão desses desencarnados em estado pestilencial do ódio.

Como tu, também lutam tenazmente.

Alguns já se renderam, deixando-se arrastar submissos.

Diversos estão recorrendo aos estupefacientes a fim de fugirem, caindo, logo depois, indefesos, nas ciladas bem urdidas em que se demoram hipnotizados.

Muitos buscam a ação dos eletrochoques e da insulina e repousam apagados sem recobrarem, logo mais, a paz, voltando às evocações logo cessam os efeitos psicoterápicos de um ou de outro.

E há os que procuram em vão, na infância, as causas de suas aflições, deixando-se analisar...

Ignoram, todos eles, as causas transcendentes dos sofrimentos, a anterioridade das obsessões.

Com todo o respeito que nos merecem os métodos da Ciência e as modernas doutrinas psicológicas, associa a prece e o passe às demais terapêuticas de que te serves.

Faze da prece um lenitivo constante e do passe um medicamento refazente.

Renova a mente com o recurso valioso da caridade fraternal.

Sai da cela pessoal e visita outros encarcerados, trabalhando por eles, socorrendo-os, se estiverem em situação mais grave e danosa.


Insculpe no pensamento as asas da esperança e alça a mente às Regiões da Luz, assimilando o hálito divino espalhado em toda a parte.

Sentirás estímulo para lutar e ajudarás, através das atitudes de renovação, os próprios perseguidores desencarnados.

Ora por eles, os teus sicários.

Serve-te do passe evangélico e procura assimilar as energias que te serão transmitidas.

Mas, sobretudo, faze o bem, ajuda sem cessar, harmoniza-te e tem paciência.

O tempo é um benfeitor anônimo.

Diante de obsessores e obsidiados o Excelso Psicólogo manteve sempre a mesma atitude: amor pelo enfermo na carne e piedade pelo enfermo desencarnado, libertando um e outro com o beneplácito da sua misericórdia e os conclamando. a realizarem a tarefa de renovação pelo trabalho, em incessante culto ao perdão pelo amor, em cujas páginas se inscrevem a paz e a felicidade sem jaça.

Livro: Espírito e Vida - Joanna de Ângelis - Psicografia de Divaldo Pereira Franco