Total de visualizações de página

20 maio 2010

Ensino Universitário - Richard Simonetti

ENSINO UNIVERSITÁRIO

"A maior caridade que praticamos em relação à Doutrina Espírita é a sua divulgação." - Emmanuel

1. Por que há jovens espíritas que se sentem abalados em suas convicções ao entrar para os círculos universitários?

É que nunca assimilaram a Doutrina Espírita devidamente. Falta-lhes a base doutrinária. Por isso são facilmente influenciados pelo materialismo que impera ali.

2. Considerando a cultura e a inteligência dos catedráticos universitários, não seria razoável admitir que eles têm uma visão mais próxima da realidade, desvinculada de fantasias religiosas?

Se a premissa é falsa a conclusão nunca será verdadeira. Nenhum intelectual, por mais brilhante e erudito enxergará a realidade espiritual, se equivocadamente supõe que somos um aglomerado de ossos, carnes e músculos que pensa.

3. Não obstante, são professores de grande poder de persuasão, apoiados em vasta cultura. Como enfrentar esse pressionamento?

Estudando a Doutrina Espírita, a partir da ideia fundamental: somos Espíritos eternos em trânsito pela Terra. O que disso se afastar, por mais deslumbrante seja o raciocínio, é absolutamente quimérico.

4. Mas isso não será sempre mera questão de fé, incompatível com a racionalidade que impera nos círculos universitários?

A existência do Espírito está longe de ser mera questão de fé. Está demonstrada pela Ciência Espírita, a partir de "O Livro dos Médiuns".

5. Se eu me disser espírita, pretendendo explicar determinados fenômenos à luz da Doutrina, para demonstrar a realidade espiritual, vão rir de mim.

Menos mal. No passado matavam os cristãos pelo simples fato de proclamarem sua fé. Além do mais, você está subestimando o alcance da Doutrina Espírita. Há muita gente interessada dentro das universidades, até professores. Ninguém vai rir se você estiver bem consciente do que fala, com base doutrinária.

6. O que se poderia fazer, dentro das universidades, em favor de estudantes espíritas?

Procure identificá-los. Formem grupos de estudos no campus, convidando colegas para debates. Convidem os professores. É preciso mostrar o alcance da Doutrina, que ilumina o entendimento humano, principalmente em relação às ciências psicológicas.

7. E se encontrar resistência por parte da direção?

Não me parece provável. Isso seria de um obscurantismo incompatível com os tempos atuais. De qualquer forma, é impossível impedir que pessoas conversem. Podem até usar o método peripatético, de Aristóteles: debater ideias ao longo de uma caminhada pelo campus.

8. Teremos futuramente universidades espíritas?

Talvez. O mais importante é que futuramente as universidades descobrirão o Espiritismo, principalmente em relação à Medicina e à Psicologia. Saber-se-á, então, que é impossível cuidar com eficiência de problemas físicos e psíquicos da criatura humana sem admitir a existência do Espírito imortal.

De "Não pise na bola"
De Richard Simonetti

19 maio 2010

Advertência Amiga - Trancredo Noronha

ADVERTÊNCIA AMIGA

Enquanto no corpo, ainda mesmo quando extremamente beneficiados pela colaboração da fé renovadora, formulamos concepção muito diversa da “outra vida” que, no fundo, é a nossa vida real – aquela que nos retém invariavelmente, depois das experiências terrestres.

Não conseguimos imaginar a partida para a ocasião em que se verifica, porque, embora soubéssemos o veículo menos habilitado a maior permanência no mundo, aguardávamos novo ensejo de continuação ao lado dos nossos, no mesmo caminho.

Na realidade, o homem nunca se prepara à frente do túmulo e as nossas dificuldades crescem, ante as preocupações que a distância compulsória nos impõe.

O corpo perispiritual herda, por muito tempo, as deficiências da vestimenta da carne, principalmente quando o nosso poder mental se demora arraigado à luta que deixamos para trás. Compreendo, agora, que as melhores gemas e os tesouros mais preciosos passam por nós, na Terra, sem que cogitemos de amealhar-lhes os valores eternos.

Não conheço, hoje, mais alta riqueza que a do espírito e só agora observo que semelhantes bens devem ser procurados pela nossa compreensão, abertas às lições que o mundo nos oferece.

A romagem do espírito, na Terra, é longa e difícil e mais vale ao homem – viajar em trânsito no mundo, – o diamante da verdade e do amor, no coração burilado para Jesus, que os cofres repletos de preciosidades materiais, destinadas ao jogo dos fenômenos financeiros, efêmeros e menos edificantes.

A existência tem muita alegria para conferir-nos e, quando estiver ao nosso alcance, cresçamos no conhecimento divino, para melhor servir às Forças do Alto.

Jesus nos ajudará. Confiemos n’Ele. E, deixando que nossa alma se prenda a essa doce esperança de reunião final, em derredor da Luz Divina, peçamos ao Senhor nos conceda renovadas bênçãos de paz e confiança, para perseverarmos no bem, até ao fim do bom combate.

Pelo Espírito Tancredo Noronha
Do livro: Cartas do Coração
Médium: Francisco Cândido Xavier - Espíritos Diversos

18 maio 2010

Estrela da Benção - Augusto Cezar

ESTRELA DA BENÇÃO

Era uma criança tão linda que os pais nela perceberam a doce presença de uma estrela.

Sorria e dissipava as sombras que se lhe adensassem ao redor.

A quem se lhe abeirasse do berço, estendia as mãos abertas.

Cresceu amando a natureza e sabia colocar-se em oração, quando pronunciava o nome de Deus.

Muitas vezes, dela me aproximei, para recolher-lhe os pensamentos de ternura, à feição da abelha quando busca na flor o aroma nutriente.

A bela criança caminhou para a juventude e reconheci com alegria que a bondade de Deus a colocava sob proteção de um homem leal e generoso que ela própria cativara com os seus dotes de bondade e beleza.

Somente ai, ao vê-la no rumo de vida nova, é que percebia a realidade em que o Céu nos situava.

Ela residia espiritualmente, dentro de mim, qual a pérola entretecida nas entranhas da ostra, por lágrimas cristalizadas de uma saudade que nunca soube de onde vinha, mas eu, também, estava no coração dela em forma de sonho.

E tanto me vi no espelho de sua alma que, um dia, atendendo-lhe as preces formadas de cariciosas esperanças, permitiu a Divina Providencia que eu tomasse um novo corpo em seu amor e passei a viver nos seus braços de veludoso carinho.

Desde então, encontrei o paraíso que procurava.

Nessa criatura feita por Deus para minha felicidade, cessavam todas as minhas inquietações.

Se cada dia era um pedaço de minha viagem na Terra, cada noite nela recolhia as âncoras de meu barco para repouso e refazimento.

Entretanto, Deus, que nos concedera a oportunidade de construir um céu no mundo, solicitou conduzíssemos o nosso recanto de ventura para as lutas humanas, a fim de que outros corações aprendessem igualmente a ser felizes.

Voltei ao Grande Lar e agitei as campainhas da saudade.

Chorei por ela e ela chorou por min.

A separação nos doía, qual se fôssemos um só coração partido em fragmentos de angústia.

Ainda assim, as recordações do paraíso de união brilhavam comigo e pedi-lhe o apoio de que necessitava.

Ela veio a min com a devoção com que fui a ela no mundo e, juntos de novo, começávamos a semear esperança e amor entre as criaturas irmãs da Terra.

De almas unidas e mãos entrelaçadas, seguíamos de tarefa em tarefa e de caminho em caminho.

É para essa criatura maravilhosa que trago hoje meus parabéns pelo aniversário.

Com jubilosa ternura, ajoelho-me pra beijar-lhe as mãos.

Que ninguém, no entanto, me pergunte quem é essa mulher que oculta no meu peito a bondade dos anjos, já que ela, em verdade, não tem cópias. Bastará que a vejam nos meus olhos, porque essa estrela da bênção tem para min a presença de Deus, nestas duas palavras:

-“MINHA MÃE!...”

Pelo Espírito Augusto Cezar
Do livro: Presença de Luz
Médium: Francisco Cândido Xavier

17 maio 2010

O Que Pensam de Nós - Cenyra Pinta

O QUE PENSAM DE NÓS

Não importa o que pensam ou falem de nós. Importa o que pensamos ou falamos dos outros. Está aí a nossa responsabilidade.

Quase nunca somos aquilo que parecemos ser. As convenções sociais, o meio ambiente, a nossa herança cármica, vários fatores nos levam a ser por fora o que não somos por dentro.

Outros julgam pelo que aparentamos por fora. Ninguém penetra no nosso íntimo. mesmo nós levamos largo tempo a nos visitar e a nos revermos por dentro para saber em que condições estamos. Habituamo-nos conosco externamente e chegamos a nos convencer de que somos aquilo que externamos.

Eis aí a razão de nossas decepções, nossas amarguras. Quando falam algo desagradável a nosso respeito e isso chega ao nosso conhecimento, ficamos revoltados, é que alguém viu, através da máscara tão bem afivelada a nossa face, a fisionomia que realmente possuímos.

Se dermos uma vistoria no nosso mundo interior, talvez descubramos que aquela referência desagradável a nosso respeito tem fundamento.

Iludimo-nos a nós mesmos, e por isso, em vez de nos irritarmos e nos aborrecermos com quem teve a coragem de levantar um pouco a nossa máscara, advertindo-nos sobre a deformação que descobriu, deveríamos ser-lhes gratos, pois poderemos, naquela parte defeituosa, procurar a melhor forma de corrigir o defeito.

Um exame de consciência, uma auto-analise, de quando em quando , não faz mal a ninguém; ao contrário, leva-nos a descobrir nossos pontos vulneráveis, nossos defeitos, e então procurar corrigi-los antes que alguém venha a ser atingido por eles e os desvende diante de todos.

Outros colocam-nos em pedestal, julgando-nos em estado espiritual elevado.

Também não devemos permitir que isso permaneça, pois, forçoso é reconhecer que ainda não nos libertamos da matéria e muitos defeitos ainda nos escravizam a ela. Podemos estar lutando para nos aperfeiçoarmos e darmos provas disso por meio de atos louváveis, mas daí a merecermos um pedestal vai muita distância. Somos humanos, sujeitos às mesmas falhas de todo mundo.

Quanto às referências pouco elogiosas ou de críticas aos nossos atos, podem ser provocadas por vários motivos, alguns até verdadeiros, mas de qualquer forma não nos devem atingir; pois precisamos aprender a ser nossos próprios juízes e saber que só responderemos pelo que fizermos e não pelo que julgam que fizemos.

Perante a lei do eterno, responderemos pelo que somos, não pelo que julgam que somos.

Esforcemo-nos por ser honestos em todas as nossas atitudes, e por fazer na vida tudo com dignidade e amor, ainda que muitas vezes tenhamos que desagradar a alguém.

Sabemos que, mesmo com esse esforço, só lentamente nos conheceremos intimamente.

Os instintos em nós usam muitos subterfúgios e nos iludem mesmo. Por isso, aceitemos as críticas, as censuras ou os elogios com naturalidade. podem todos ter razão; é provável que ora sejamos sinceros e justos, ora hipócritas; ainda não estamos em estágio tão elevado que possamos acertar sempre. Então deixemos que digam, que pensem a nosso respeito o que quiserem, pois cada um responde por si. Se acertarem, melhor para eles, se errarem responderão pelo juízo precipitado.

Devemos continuar a nossa diretriz sem nos afastarmos um milímetro da meta traçada. Perfeição deve ser o nosso lema. Vezes acertando, vezes errando, mas perseguindo sempre a meta que é a razão de nossa estrada no mundo.

Assim, que falem, que nos elogiem ou nos apupem ; isto não pode nem deve alterar o nosso rumo. Marcharemos em direção à luz. " A luz conquista as trevas". Que as trevas das desilusões, das amarguras, dos desenganos, provocadas ainda pela nossa ignorância, sejam, pois, vencidas em nós pela luz da eterna sabedoria.

De "Eu sou o caminho..."
de Cenyra Pinto

16 maio 2010

Abre a Porta - Emmanuel

Abre a Porta

"E havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo." - JOÃO, 20:22

Profundamente expressivas as palavras de Jesus aos discípulos, nas primeiras manifestações depois do Calvário.

Comparecendo à reunião dos companheiros, espalha sobre eles o seu espírito de amor e vida, exclamando: "Recebei o Espírito Santo."

Por que não se ligaram as bênçãos do Senhor, automaticamente, aos aprendizes?

por que não transmitiu Jesus, pura e simplesmente, o seu poder divino aos sucessores?

Ele, que distribuíra dádivas de saúde, bênçãos de paz, recomendava aos discípulos recebessem os divinos dons espirituais. Por que não impor semelhante obrigação?

É que o Mestre não violentaria o santuário de cada filho de Deus, nem mesmo por amor.

Cada espírito guarda seu próprio tesouro e abrirá suas portas sagradas à comunhão com o Eterno Pai.

O Criador oferece à semente o sol e a chuva, o clima e o campo, a defesa e o adubo, o cuidado dos lavradores e a bênção das estações, mas a semente terá que germinar por si mesma, elevando-se para a luz solar.

O homem recebe, igualmente, o Sol da Providência e a chuva de dádivas, as facilidades da cooperação e o campo da oportunidade, a defesa do amor e o adubo do sofrimento, o carinho dos mensageiros de Jesus e a bênção das experiências diversas; todavia, somos constrangidos a romper por nós mesmos os envoltórios inferiores, elevando-nos para a Luz Divina.

As inspirações e os desígnios do Mestre permanecem a volta de nossa alma, sugerindo modificações úteis, induzindo-nos à legítima compreensão da vida, iluminando-nos através da consciência superior, entretanto, está em nós abrir-lhes ou não a porta interna.

Cessemos, pois, a guerra de nossas criações inferiores do passado e entreguemo-nos, cada dia, às realizações novas de Deus, instituídas a nosso favor, perseverando em receber, no caminho, os dons da renovação constante, em Cristo, para a vida eterna.

Autor: Emmanuel
Médium: Francisco Cândido Xavier
Livro: Vinha de luz III - pág 17, mensagem 11

15 maio 2010

Em Defesa do Centro Espírita - Odilon Fernandes

EM DEFESA DO CENTRO ESPÍRITA

"... e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas." - 2 Timóteo, cap. 4 - v. 4

Infelizmente, são muitos - para não dizer a maioria - os médiuns que abrem mão do bom-senso; não se submetem à disciplina da Doutrina, que lhes contraria os interesses; e estabelecem sintonia com os espíritos autores de teorias fabulescas que nada têm a ver com a Fé Raciocinada.

No Mundo Espiritual, conforme dissemos alhures, existem espíritos independentes que controlam uma infinidade de médiuns - espíritos que invadem a seara espírita e começam a impor os seus pontos de vista, como se tivessem autoridade para falar em nome da Doutrina.

Desrespeitam o código de orientação ética da mediunidade e controlam grupos que, por sua vez, são controlados pelos médiuns que os lideram sem qualquer oposição.

Prevalecendo-se de médiuns que com eles condescendem, certas entidades espirituais, que se recusam "a dar ouvidos à verdade", dominam núcleos espíritas e desvirtuam, neles, a aplicação da Doutrina. Opõem-se às reuniões de estudo, que as desmascarariam, e procuram afastar os companheiros de maior discernimento.

Eis um tópico que merece uma abordagem mais demorada. Se a casa espírita não tem proprietário, se pertence à comunidade, os irmãos sinceros na defesa dos postulados espíritas não devem ceder em seus direitos, opondo-se fraternalmente aos que intentam tomar o templo de assalto. Que se reúnam em conselho e discutam, entendendo que humildade não é conformismo.

Os que se omitem nos destinos do grupo mediúnico, a pretexto de tolerância e simplicidade, estão facilitando a ousadia das trevas. Não se trata de recorrer a qualquer tipo de violência: trata-se de erguer a voz em defesa da Verdade e não permitir que a casa espírita permaneça sob diretrizes comprometedoras.

Aceitaríamos, porventura, que a nossa casa fosse invadida e que não mais tivéssemos voz ativa dentro dela?

O patrimônio espírita - inclusive o material - há de ser preservado, porquanto o espaço de uma instituição espírita, por mais diminuto seja, é um ponto de referência importante para a Doutrina.

Os apóstolos, em Jerusalém, defenderam a Casa do Caminho, da qual inúmeras vezes, as trevas tentaram se apossar. Aquele abençoada núcleo do Cristianismo nascente não poderia cair nas mãos dos adversários do Cristo, sem que as atividades iniciais do Evangelho sofressem duros reveses.

Que, pois, os frequentadores e os conselheiros, que integram a diretoria e a vigilância espiritual do centro espírita, se conservem atentos, coibindo a ação de médiuns que, não raro, pretendem o patrimônio da casa. Neste sentido, que o estatuto que rege os destinos da instituição, devidamente redigido e registrado em cartório, conte com cláusulas que a preservem da ambição dos que, eternizando-se no poder, anseiam por eternizar as suas ideias, fazendo um Espiritismo à sua moda.

Que a democracia impere na casa espírita e que o rodízio entre os elementos que lhe constituem a diretoria impeça o aparecimento de quistos administrativos. Todavia que sempre impere o bom-senso e a fraternidade e, sobretudo, a autoridade moral de seus líderes.

A mediunidade mal orientada numa casa espírita é a principal porta de entrada da obsessão.

De "No mundo da mediunidade"
De Carlos A. Baccelli
Pelo Espírito Odilon Fernandes

14 maio 2010

A Recomendação Detestada - Irmão X

A RECOMENDAÇÃO DETESTADA

Em plena sessão de assistência fraterna, uma senhora mirrada e pálida dirigiu-se ao Espírito de Irmão Calimério, incorporado à médium do grupo, e expôs o seu caso, comovedoramente:

- Meu benfeitor, venho suplicar-lhe proteção!... Salve-me, por piedade!...

- Diga, irmã, em que lhe posso ser útil – respondeu, afável, o interpelado -; reconheço a minha deficiência, mas estou pronto a cooperar com você nas orações.

A sofredora criatura, como se tocada no imo das próprias chagas, prorrompeu em pranto e acentuou:

- Tenho meu lar em extrema luta. Meu esposo e eu debalde procuramos trabalho. Tenho quase certeza de que pesada falange de Espíritos malignos e conturbados nos segue de perto... Certo vidente já me afiançou que retenho forças mediúnicas, em franco desabrochar. Além disso, comumente me vejo em sonhos que são verdadeiros avisos. Ouço vozes noturnas, ao deitar-me, chamando-me em surdina ou implorando socorro que não sei como dispensar. De outras vezes, não somente durante a noite, mas também no curso do dia, vejo-me na posição de peça vibrátil, alimentada por pilhas elétricas, tais os incessantes choques de que sou vítima, qual se vivesse rodeada por diversas pessoas invisíveis a zombarem de minha fragilidade... Tenho procurado o patrocínio de médicos especializados, sem a mínima vantagem. Respiro entre injeções e comprimidos, castigada por regimes cruéis. Acredito que a intervenção espiritual me colocaria a salvo de semelhantes inquie tações...

E elevando o tom de voz, acrescentava:

- Por quem é, meu amigo, estenda-me braços protetores! Diga-me! Como devo proceder para sanar os óbices que me impedem o acesso às fontes da paz? Como livrar-me das determinações dos psiquiatras que me receitaram o internamento com aplicações de insulina?

Ante as lágrimas a inundarem o rosto da consulente, o respeitável mensageiro considerou:

- Noto a extenção de seus obstáculos. Não chore, porém. Reanime-se e viva. Há milhares de pessoas na mesma situação. O seu caso, efetivamente, resume-se em desarmonia vibratória no campo mental. Entidades desencarnadas, sedentas de emoção terrestre, se lhe aproximam da organização psíquica provocando pesadelos e outras complicações. Os médicos do mundo encontrarão sempre reais dificuldades para solucionar-lhe o enigma, porque os sedativos amolecem os nervos, mas não trazem a equação desejável. Você agora defronta com os imperativos da transposição de plano e de renovação da vida. É imprescindível, assim, o seu preparo interno, habilitando-se à sintonia com os mensageiros da esfera superior. E creia que a porta de acesso à posição devida é o trabalho infatigável no bem. Nossa casa é um templo de consolação e serviço. Venha, pois, minha amiga, e inicie o seu ministério de amor cristão. No estudo das realidades eternas e no serviço aos irmãos necessitados, acenderá a sua lâmpada para o caminho. À medida que seu esforço se faça mais dilatado, nas aquisições de sabedoria e de amor, maior brilho adquirirá sua luz. Não convém, entretanto, a sua vinda, até nós, entre hesitação e o cansaço prévio. Apareça, metodicamente, com o espírito de perseverança e fé vigorosa, convencida quanto às montanhas de imperfeições que nos cabe remover, no país de nossa alma, para que a bênção do Senhor resplandeça em nós mesmos. Não pense que nós, os desencarnados, estejamos livres da cadeia benéfica do dever. Não somos emissários infalíveis e, sim, trabalhadores do bem, com o vivo desejo de acertar. Venha e auxiliemos, juntos, aqueles que se encontram mais necessitados que nós mesmos...

A visitante, menos entusiasta, indagou, com desapontamento:

- Então, quer dizer que aqui não me podem curar de vez?

- Sim – esclareceu Calimério, com segurança -, podemos ajudá-la a restaurar-se. Cada Espírito é médico de si mesmo, sob a orientação de Jesus. Ninguém pode antepor-se à Lei. A árvore não cresce num minuto, o sábio não se forma num dia e não podemos criar um anjo à maneira dum pinto na chocadeira. Quem pretender melhoria e perfeição, trabalhará sem desânimo. Assim, pois, minha amiga, sigamos servindo com o mestre, para frente.

A senhora enferma e necessitada nada mais respondeu e, por ter ouvido a recomendação de serviço, ao invés de frases veludosas que a embalassem no colchão de ociosidade espiritual, enxugou os olhos, sob escura revolta, e foi a primeira a varar a saída, empertigada e solene, sem olhar para trás.

Pelo Espírito Irmão X
Do livro: Relatos da Vida
Médium: Francisco Cândido Xavier

13 maio 2010

Oração pelos Homens - Meimei

ORAÇÃO PELOS HOMENS

Deus de Infinita Bondade!

Perdoa-nos se te pedimos compaixão em favor dos homens, no Plano Físico.

Eles te solicitaram conhecimento superior e abriste-lhes escolas.

Entretanto, em se iluminando pela inteligência, muitos deles apenas procuram destaque dinheiroso com menosprezo aos seus irmãos.

Rogaram-te liberdade e inspiraste-lhes leis justas e sábias,com que senhoreassem a independência, em regime de responsabilidade.

Contudo, muitos deles truncam ou confundem os textos legais para que os mais fortes se façam opressores dos mais fracos.

Insistiram contigo para que lhes desses melhores condições de vida com os familiares e enviaste-lhes os recursos preciosos ao levantamento de habitações confortáveis.

No entanto, posseando semelhantes valores, muitos deles amoleceram na ociosidade e no tédio que se lhes faz conseqüente, entregando os próprios filhos a mãos mercenárias pelas quais são orientados fora de Teu Nome, favorecendo-lhes a deriva para orgulho e viciação.

Suplicaram-te possibilidades de vencer a distancia e o tempo e permitiste-lhes a descoberta de engrenagens que os transportam facilmente de um pólo a outro da Terra.

Eles, porém, já conseguem abordar a própria Lua, sem que muitos deles se disponham a aceitar a mínima ponte de amor para a comunicação com vizinhos e amigos, no intuito de auxiliá-los.

Pediram-te providências que lhes suprimissem a dor e cedeste-lhes os medicamentos de misericórdia, com os quais se confiam sem preocupação aos tratamentos de alivio e cura.

Mas muitos deles desencaminham semelhantes bênçãos, convertendo-as em corredores para a fuga, anulando os talentos da vida no fogo da leviandade e no gelo da delinqüência.

Deus de Infinita Sabedoria1

Os homens na Terra e nós outros, os companheiros de evolução, vinculados ao mundo somos todos irmãos.

As conseqüências dos erros de alguns são as dificuldades de todos.

Compadece-te de nós e não nos deixes perpetrar o delito da ingratidão.

Pelo Espírito Meimei
Do livro: Somente Amor
Médium: Francisco Cândido Xavier

12 maio 2010

Não Passe Recibo - Momento Espírita

Não Passe Recibo

Em cada momento da sua vida diária, você se verá a braços com desafios que exigirão muita prudência de sua parte, para que não se envolva em situações-problemas, muitas vezes difíceis.

Você sabe que a Terra vem passando por momentos graves em todas as áreas.

A violência tem-se tornado a grande intérprete desses tempos planetários, já que sua proposta é de fácil aceitação pela quase maioria dos humanos nos estágios em que se achem no mundo.

Se você estiver na rua, na condução, no lazer ou mesmo no lar, encontrará diversas pessoas, muitas delas companheiras suas ou familiares, cujos comportamentos, cujas posturas poderão causar-lhe chateações, irritações, capazes de estimular seu lado frágil ou sua intolerância.

Tenha muito cuidado para não ser vítima do seu próprio temperamento.

Exercite-se na conquista da tranqüilidade, acautelando-se contra a ira ou a revolta que podem apanhá-lo desprevenido.

A proposta escusa das equipes de espíritos das sombras é converter a vida social da terra num inferno verdadeiro, no qual cada pessoa não enxergue outra saída para os seus problemas, senão saídas violentas.

Não morda essa isca. Procure manter ou desenvolver sua paciência.

Você ouvirá palavras ditas rudemente e outras, como afiado gume que lhe irão penetrando fina e suavemente, mas cujo objetivo é infelicitar-lhe.

Verá em toda parte arrancadas bruscas de veículos em mãos nervosas.

Ouvirá palavrões estrondeando a sua volta. Deparará a provocação em forma de mau atendimento onde você paga e paga caro por qualquer serviço.

Você faceará a violência da calúnia, do mexerico, da zombaria e do desdém. Aprume-se no pensamento superior. Pense sempre em nível mais alto e não revide, não se deixe enredar.

Quando algo for muito forte para a sua sensibilidade ou para os seus nervos, afaste-se, física ou mentalmente, buscando nos ensinos de Jesus o amparo de que necessite.

Recorde o mestre ao ensinar-nos a "não contender com o mal".

Seja qual for a perturbação que ocorra a sua volta, mantenha-se em paz. Não tema carantonhas, não se agonize com ameaças. Não responda às agressões que serão apenas fogos cruzados. Não passe recibo às violências.

Se você obtiver êxito, sairá ileso desses pântanos viscosos formados pelos psiquismos doentes de "vivos" e "mortos".

Caso morda a isca ao invés de morder a língua, guarde a certeza de que seus destemperos o aproximarão da cadeia, do túmulo ou de inabordáveis remorsos que não o deixarão viver em harmonia.

A determinação das sombras é fazer tombar, é atrasar ou impedir o passo de todos os que demonstrem possibilidades mais nítidas de união com Jesus.

Ore, policie-se, fale e aja da melhor forma, para que, em pleno incêndio moral no mundo, você se mantenha resguardado pela redoma da paz que vem construindo com seus esforços para uma abençoada passagem planetária.

***

O infortúnio que, à primeira vista, parece imerecido tem sua razão de ser, e aquele que se encontra em sofrimento pode sempre dizer: "perdoa-me, Senhor, porque pequei."

Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no cap. 14 do livro "Para uso Diário", ed. Fráter Livros Espíritas.

11 maio 2010

Rumo a Angelitude - Irmão Saulo

RUMO A ANGELITUDE

Nos termos da Doutrina Espírita, do demônio nasce o homem e do homem nasce o anjo. Estamos todos no rumo da angelitude. Nossa humanidade (nossa natureza humana) caracteriza-se pela imperfeição, pelo predomínio dos instintos, pelos resíduos da animalidade ainda atuantes em nossa constituição psicossomática. Mas esses resíduos vão sendo eliminados na lapidação das vidas sucessivas. E como somos conscientes do processo de lapidação a que estamos sujeitos, podemos e devemos ajudar esse processo.

Basta um olhar atento ao nosso redor para verificarmos a realidade dessa concepção. As criaturas humanas estão dispostas numa escala progressiva que vai do bandido ao santo. O malfeitor de hoje será o cidadão honesto do futuro. E este, por sua vez, será o santo de amanhã, dependendo esse amanhã, em grande parte, do esforço evolutivo do interessado. Porque o ser consciente apressa ou retarda a sua própria evolução.

O chamado para o serviço do bem é a oportunidade que Deus oferece à criatura imperfeita para acelerar a sua caminhada rumo à perfeição. Quem não aproveita a oportunidade divina, apegando-se por comodismo ou displicência aos seus defeitos, desculpando-se com as imperfeições naturais que ainda carrega, furta-se ao cumprimento do dever espiritual. Mas as leis da evolução não o deixarão parado por muito tempo. Por isso ensinou Jesus: "Quem se apegar à sua vida perdê-la-á, mas quem a perder por amor a mim salvá-la-á".

O comodista será sacudido e alijado do seu comodismo, mais hoje, mais amanhã, pela vergasta da dor. O sofrimento é tão grande na Terra porque maior é o comodismo dos homens. A seara continua imensa e os trabalhadores ainda são tão poucos! Não somos anjos para ser perfeitos e puros, mas trazemos em nós as potencialidades da angelitude. Se não acelerarmos a nossa lapidação pelo serviço, o lapidário oculto - e que está oculto em nós mesmos - agirá como convém para completar a sua obra.

Por Irmão Saulo
Do livro: Na Era do Espírito
Médium: Francisco Cândido Xavier e J.Herculano Pires

10 maio 2010

Mediunidade e Psicoterapia - André Luiz

MEDIUNIDADE E PSICOTERAPIA

Os médiuns, como elementos de ligação entre a vida espiritual e o plano físico, serão sempre solicitados a dar uma palavra orientadora nas questões multiformes que afetam as pessoas que os procuram. Daí a indicação de exercitarem alguns princípios de psicoterapia e relações humanas.

A intensa vida moderna na Terra generalizou a carência de roteiros, planos, programas e observações para as criaturas deprimidas, tímidas, cépticas, recalcadas e frustradas em geral.

Com você, que inicia o esforço na tarefa mediúnica, seja pelo passe, pela psicofonia, pela psicografia ou nas formas variadas de assistência aos sofredores da alma e do corpo, estudemos algumas atitudes que favorecem a manifestação das Entidades amigas, no auxílio a terceiros, pelo conselho simples e natural.

Paciência e perseverança no bem devem estar conjugadas constantemente em sua presença e expressão.

Não demonstre estranheza ou perplexidade ante as revelações ouvidas, para que não esmoreça a confiança do coração que se abre a você.

Predisponha-se, com todos os recursos do seu campo mental, à simpatia pelos irmãos que lhe pedem opinião, sem mostrar-se superior.

Cultive invariável atenção perante as confidências alheias, testemunhando maior interesse afetivo pela solução aos problemas do interlocutor seja ele quem for.

Envide esforços para que a criatura exponha em pormenores e calmamente o caso que lhe motiva a preocupação, afim de que você possa ajudá-la, através de mais ampla visão dos fatos.

Evite julgar ou censurar precipitadamente a quem se confia a você, mesmo com reprovações inarticuladas.

Restrinja as indagações aos assuntos e momentos absolutamente necessários.

Pesquise os postulados básicos do Espiritismo, argumentando com as ocorrências em exame sob o crivo do discernimento espírita e exaltando a responsabilidade pessoal ante a existência eterna.

Sempre que possa, indique um núcleo de serviço espiritual compatível com as afinidades e necessidades da pessoa que comparece à busca de concurso fraterno.

Resguarde em segredo aquilo que não deva ser revelado, mantendo discrição e respeito para com todos os irmãos em experiência.

Jamais force resoluções taxativas, neste ou naquele sentido, mas exponha os vários caminhos possíveis, com as suas conseqüências prováveis, e deixe o livre arbítrio dos companheiros escolha o que mais lhes convenha.

Sustente equilíbrio, entendimento e bondade em suas manifestações, para que a autoridade moral e espiritual lhe favoreça o trabalho.

Leia constantemente para melhorar seus processos de análise das almas e suas técnicas de expor as soluções mais justas, conforme o seu modo de entender.

Sobretudo, saiba que são inimagináveis as possibilidades de socorro de um encarnado confiante no Alto e consciente de seus recursos íntimos, quando ligados aos Bons Espíritos que nos estendem a inspiração e o amparo da Vida Superior.

Pelo Espírito André Luiz
Do livro: Estude e Viva
Médiuns: Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira

09 maio 2010

Mater - Carlos Bittencourt

MATER

Ei-la!...- senhora e serva, entre humana e divina,

Por mais a dor, por dentro, a espanque ou despedace,

Carreia a paz no gesto e o sorriso na face,

Fala e desvenda o rumo, abençoa e ilumina.



Anjo renovador, tem no lar e no trabalho a oficina,

Onde o serviço exclui grande parte do prazer mendace,

Ao seu toque de luz, a esperança renasce,

Suporta, recompõe, trabalha, sofre, ensina.



Mãe, um dia, quis Deus mostrar-se à vida humana,

Fez-te santa e mulher, escrava e soberana,

Vinculada nos Céus, de homenagens prescisdes!...


Por: Carlos Bittencourt (espírito)
Psicografia de Francisco Cândido Xavier
Livro: Mãe

08 maio 2010

Desajustados - Meimei

DESAJUSTADOS

São muitos em toda parte.

Mulheres devotadas trazem nos braços filhos desprotegidos que lhes foram entregues por determinados amigos que as deixaram a sós, desapercebidos das dificuldades de que se reconhecem cercadas, a fim de criá-los com segurança.

Criaturas sensíveis e leais abraçaram obras de elevada significação para os interesses comunitários, depois de se entregarem a companheiros que supuseram fiéis aos compromissos que assinam, encontram-se repentinamente abandonados por eles, quando mais necessitavam de apoio.

Jovens sozinhos que custeiam com sacrifício longos tratamentos das genitoras desorientadas e enfermas, sem a presença dos pais que os largaram nos labirintos do mundo.

Viúvas, moças e valorosas, que choraram sobre os maridos que a morte lhes furtou à convivência, obrigadas a trabalho difícil para a manutenção de pequeninos necessitados.

Essa aceitou atividades remuneradas, em setores que a revestem com todas as aparências de uma pessoa em desequilíbrio; e aquele outro buscou o amparo de alguém que lhe evite a falência nos deveres que desenvolve a benefício de muitos, expondo-se ao julgamento errôneo de quantos ainda não passaram pelo fogo do sofrimento.

Lembra-te: na retaguarda de quantos se observam lesados nas próprias forças existem sempre os autores das tribulações que carregam.

Se não podem oferecer-lhes auxílio e sustentação, não lhes censures a existência, marcada de aflições que nunca experimentaste no lar sem lágrimas.

Semelhantes criaturas guardam consigo o mérito de não haverem fugido às próprias obrigações, quando tudo as induzia ao desespero e ao esmorecimento.

Ante os desajustados da Terra, respeita-lhe o caminho e silencia quando não lhes consigas compreender as lutas entremeadas do pranto que desconheces.

Em verdade, hoje choram e sofrem, mas surgirá um dia em que serão abençoados e erguidos pela defesa de Deus.

Paciência e amor são os medicamentos da alma, capazes de curar qualquer relacionamento enfermiço.

Nem sempre conseguirás beijar a mão que te fere, mas, em qualquer tempo, dispões da possibilidade de oferecer-lhe a benção da tolerância.

Pelo Espírito Meimei
Do livro: Palavras do Coração
Médium: Francisco Cândido Xavier

07 maio 2010

Contrastes - Joanna de Ângelis

CONTRASTES

Corredores e salas suntuosos, abarrotados de arte, representando a composição e a técnica representativos da beleza dos tempos, somando quilômetros de encantamento e poder, contrastam, não obstante, com a paisagem sórdida dos guetos e favelas, onde milhões de criaturas se exaurem, pela fome e pela enfermidade, sob o impositivo da ausência de parcas moedas que lhes diminuiriam a miséria e a dor.

Museus refinados, exibindo jóias e ourivesaria caprichada, em inumeráveis espaços, retratam a força e a glória das gerações passadas, embora a orfandade e o abandono juvenil, que, padecendo de penúria, são armados pelo ódio e pelo descaso que sofrem, para a delinqüência e a loucura.

Cofres fortes, atulhados de moedas e barras de ouro, ocultando gemas de valor incalculável, que não vêem a luz do Sol, ao mesmo tempo em que a necessidade, corrompendo e malsinando milhões de vidas, que são destruídas pela abjeção em que se encontram, esquecidas pela abastança e pela fortuna.

Luxo em excesso, pregando renúncia.

Poder desmedido, ensinando submissão.

Egoísmo enfermiço, propondo fraternidade real.

Orgulho em demasia, convocando à humildade.

Este é um mundo de contrastes, de imperfeições!

Não bastassem as situações antípodas, chocantes, e, ao lado de tanta grandeza, aumenta a ferida purulenta, em chaga viva, dos vícios e licenças morais, amesquinhando e contaminando outras vias que apenas começam.

Ante o deslumbramento que produzem a arte a grandeza, que vês em toda parte, não feches os olhos à dor e à sordidez que se abraçam e passeiam em tua frente.

Depois de visitares o luxo e o refinamento em que vivem os triunfadores de breves momentos, não ignores a presença dos desditosos e miseráveis que enxameiam em todos os sítios.

Uns são as causas dos estados dos outros, isto é: os excessos de alguns produzem a escassez, e o acúmulo em poucas mãos responde pela ausência do necessário em verdadeiras multidões.

Aprende a lição que a vida te ministra nestes contrastes.

Ninguém escapa à morte do corpo. Aqueles detentores que pareciam eternos envelheceram, enfermaram e morreram como os seus vassalos escravos.

Os opulentos e os miseráveis morrerão, deixando tudo.

Nivelar-se-ão no túmulo, embora a diferença exterior de que se revistam as tumbas.

Deixarão tudo o que detêm e o que lhes faz falta...

Mas, voltarão à Terra. Talvez, conforme viveram, invertam-se as posições.

Antigos reis, chefes de Estados, ministros, prelados e religiosos, chefes de Igrejas, acumuladores dos tesouros que geraram miséria
de milhões, hoje mendigam à porta dos seus antigos palácios e templos, enxotados, de quando em quando, pelos novos detentores, iguais a eles outrora, enganados.

Donatários e poderosos voltaram, mas, sequer, podem olhar o que antes lhes parecia pertencer. Uns fazem-se ladrões e tentam recuperar, na
insânia em que ainda se debatem, o que supõem pertencer-lhes. Outros, tornam-se guardas de salas e corredores, vigiando as jóias frias, as
estátuas mortas que os não vêem, mas que eles prosseguem cuidando, avaros e infelizes.

É o mesmo mundo de contrastes.. .

Jesus, o ímpar amante da beleza, fez, porém, do homem, o mais grandioso altar e, da Natureza, o templo augusto, onde o amor é o tesouro mais poderoso e mais fácil de ser adquirido, para quem deseja viver, realmente, a Eternidade, sem contrastes, nem equívocos.

Pelo Espírito Joanna de Ângelis
Do livro: Roteiro de Libertação
Médium: Divaldo Pereira Franco - Editora Leal

06 maio 2010

A Terra - Emmanuel

A TERRA

A Terra é um magneto enorme, gigantesco aparelho cósmico em que fazemos, a pleno céu, nossa viagem evolutiva.

Comboio imenso, a deslocar-se sobre si mesmo e girando em torno do Sol, podemos comparar as classes sociais que o habitam a grandes vagões de categorias diversas.

De quando em quando, permutamos lugar com os nossos vizinhos e companheiros.

Quem viaja em instalações de luxo volta a conhecer os bancos humildes em carros de condição inferior.

Quem segue nas acomodações singelas, ergue-se, depois, a situações invejáveis, alterando as experiências que lhe dizem respeito.

Temos aí o símbolo das reencarnações.

De corpo em corpo, como quem se utiliza de variadas vestiduras, peregrina o Espírito de existência em existência, buscando aquisições novas para o tesouro de amor e sabedoria que lhe constituirá divina garantia no campo da eternidade.

Podemos, ainda, filosoficamente, classificar o Planeta, com mais propriedade, tomando-o por nossa escola multimilenária.

Há muitos aprendizes que lhe ocupam as instalações, na expectativa inoperante, mas o tempo lhes cobra caro a ociosidade, separando-os, por fim, de paisagens e criaturas amadas ou relegando-os à paralisia ou à cristalização, em largos despenhadeiros de sombra.

Outros alunos indagam, dia e noite...e, com as perquirições viciosas, perdem os valores do tempo.
Imaginemos um educandário, em cuja intimidade comparecessem os discípulos de primária iniciação, exigindo retribuições e homenagens, antes de se confiarem ao estudo das primeiras lições.

O menino bisonho não poderia reclamar esclarecimentos, quanto à congregação que dirige a casa de ensino onde está recebendo as primeiras letras.

E, ante a grandeza infinita da vida que nos cerca, não passamos de crianças no conhecimento superior.

Vacilamos, tateamos e experimentamos, a fim de aprender e amealhar os recursos do Espírito.

Compete-nos, assim, tão-somente, um direito: - o direito de trabalhar e servir, obedecendo às disciplinas edificantes que a Sabedoria Perfeita nos oferece, através das variadas circunstâncias em que a nossa vida se movimenta.

Ninguém se engane, julgando mistificar a Natureza.

O trabalho é divina lei. Pesquisar indefinidamente, na maioria das vezes é disfarçar a preguiça intelectual.

A vida, porém, é ciosa dos seus segredos e somente responde com segurança aos que lhe batem à porta com o esforço incessante do trabalho que deseja para si a coroa resplandecente do apostolado no serviço.

Do livro “Roteiro”
Por:Emmanuel
Médium: Francisco Cândido Xavier

05 maio 2010

Sacrificas-te? - Camilo

SACRIFICAS-TE?

Por certo supões que os Poderes Celestes olvidaram-te, na marcha áspera em que te encontras.

Certamente, imaginas quer os teus sofrimentos, tuas lutas, teus suores são os mais ácidos achados pelas humanas rotas.

Não se faz necessário grande esforço para demonstrar que te encontras equivocado, se pensas dessa forma.

Nunca te esqueças de que Deus não adormece e Suas Leis, perfeitas em todos os níveis consideradas, e, por isso, estás exatamente onde deve estar, com quem precisas estar e como desejas ficar, tendo em vista que os teus esforços por fazer o melhor e ser feliz, estão atrelados aos fatores causais que detonaste em tempos mais ou menos distantes.

Por que te sentes aturdido, como se uma grande desolação estivesse a minar as tuas estruturas íntimas? Sentes-te sacrificado na cruz de pesados deveres, dos quais não consegues te afugentar.

Medita, então, sobre o teu caso.

Partindo do princípio de que o Criador é a Absoluta Perfeição, o que te ocorre, embora tenhas tu mesmo motivado, ocorre sob o olhar desse Criador, pela mesma razão porque te respeitou a liberdade de ação, traçando os rumos de tua evolução, mais ou menos lenta.

Diante dos teus olhos e perante a tua sensibilidade desfilam:

- esposos, cobradores incorrigíveis, a te exigirem cada dia mais sacrifícios, como se vivessem para perturbarem-te;

- filhos cruéis, desatenciosos, que, apesar do melhor que lhe deste, especializam-se em fustigar a tua alma cotidianamente;

- irmãos consangüíneos que, por razões várias, foram postos sob os teus cuidados, e, ante a necessidade de orientá-los, mantê-los, amá-los ou suportá-los, apesar de inúmeras vezes somente receberes ingratidão, desconsideração e exigências;

- amigos das linhas sociais, tanto quanto colegas de profissão, operando nas mesmas oficinas, passam a pesar sobre os teus ombros em processos de inumana competição, como se fossem inimigos encarniçados disputando, violentamente, os palmos do espaço social e profissional onde se acham;

- renúncias, quase sempre, a muitas coisas que gostarias de fazer, de usufruir, a fim de remanejares os recursos em benefício dos que te rodeiam como dependentes dos teus afetos e dedicações, sem que isso redunde na melhoria deles, que agem como se tu não fizesses mais do que a tua obrigação...

Medita, pois, medita.

Sacrificas-te?

Sim, sem dúvida.

Mas, retornando as concepções da perfeição divina, compreenderás que estás desenvolvendo a muita gente aquilo que deves, desde tempos pretéritos, a muita gente.

Porque te embrenhaste pelos matagais da irreflexão e dos desatinos, no passado, deves, agora, apoiar-te ao bordão da coragem, da confiança da Providência Maior para que te quites com a Lei, retomando os passos da renovação.

Assim, não te agastes com os sacrifícios que tenhas que fazer.

Unge-te com os ensinos de Jesus Cristo.

Ajusta-te à oração contrita e balsamizante.

Reveste-te de paciência para com os que te impõem duros testemunhos.

Trabalha, disposto a ressarcir e crescer, na convicção de que o final desses embates pode já estar próximo.

Não te esqueças de que sacrificar significa fazer sagrado, como indicam as bases latinas. Transforma, então, tuas lutas, dificuldades e lágrimas, em sagrada oferenda à Vida, a tua vida, para que, logo mais, te libertes da tua dúvida e te enriqueças com os legítimos valores da fé e do trabalho regenerador.

De "Revelações da Luz"
Médium: J. Raul Teixeira
Pelo espírito Camilo

04 maio 2010

Palavras de Luz - Tereza D'Avila

PALAVRAS DE LUZ

Por muito se adiante a Alma no tempo, há sempre tempo para que a Alma reconsidere a estrada percorrida, abastecendo-se de esperança no amor daqueles a quem ama, assim como viajante no mar provê a si mesmo de água doce, a fim de seguir à frente.

“Há tempo de semear e tempo de colher”- diz-nos a experiência na Escritura.

E se juntos partilhamos a promessa, não seria justo olvidarmo-nos uns aos outros no dia da realização.

“Deixai crescer reunidos o trigo e o joio, ate que venha a ceifa”- recomendou por sua vez o Senhor.

Entretanto, a palavra de Sua sabedoria não nos inclina à indiferença. E, lembrando-a, não curamos de ser o trigo porque hoje nos vejamos fora do escuro sedimento da carne e nem insinuamos sejais vós o joio por permanecerdes dentro dela.

Recordamos simplesmente, que todos trazemos ainda no campo das próprias Almas o joio da ilusão e o trigo da verdade, necessitados da mercê do Celeste Cultivador.

Irmãos, não é apenas por regalar-se o espírito na confiança que se lhe descortinarão as portas da Vida glorificada, mas sim por se lhe acendrarem o conhecimento e a virtude, através do trabalho bem sofrido e da caridade bem exercitada.

Outrora, buscávamos a Paz na quietude do claustro, na suposição de que a vitória pudesse brilhar a distância da guerra contra as nossas próprias faltas, e disputávamos a posse do Santo Sepulcro do Excelso Rei, ao preço de sangue e lágrimas dos semelhantes, como se lhe não devêssemos o próprio coração por escabelo aos pés Divinos.

Hoje, porém, dispomos de suficiente Luz para o caminho e não seria lícito permutar o Pão da Sabedoria pelo fel da loucura.

Enquanto os séculos de sombra e impenitência se escoam no pó do mundo, preparai nesse mesmo pó, erigido em tabernáculo de carne, os séculos futuros, em que nos reuniremos de novo para a exaltação do triunfo Eterno.

Enalteçamos o sacrifício, aprendendo a renunciar para possuir, a perder para ganhar e a morrer para viver.

Por algum tempo ainda padeceremos o cativeiro das nossas culpas e transgressões, mas, em breve, aceitando o trilho escabroso e bendito da cruz, exaltaremos, diante da Majestade Divina, a nossa libertação para sempre.

Que o Senhor seja louvado.

Pelo Espírito Teresa D’Ávila
Do livro: Instruções Psicofônicas
Médium: Francisco Cândido Xavier - Espíritos Diversos

03 maio 2010

Humildade - Cenyra Pinto

HUMILDADE

Humildade é simplicidade, é naturalidade.

Muitos interpretam humildade como pusilanimidade ou frouxidão de caráter. Os que assim pensam estão muito longe da verdade.

Ser humilde não é ser covarde, não é se aviltar nem rastejar. É apenas ser simples.

Certas pessoas, para atestar a sua humildade, se dizem insignificantes, esquecidas de que esse sentimento depressivo a seu próprio respeito entorpece e anula qualquer atividade sua. A sugestão é algo importante na nossa vida, e aquele que se deprecia, vai-se convencendo da sua incapacidade, perdendo, assim, o estímulo para qualquer investimento.

Se a própria pessoa se desvaloriza, se amesquinha diante dos outros, como esperar que alguém lhe dê qualquer incumbência de responsabilidade?

"A justiça começa por casa", diz um sábio rifão.

Ninguém é insignificante; todos têm seu valor. Cada um deve procurá-lo dentro de si e fazê-lo viver.

A parábola do óbolo da viúva, por exemplo, nos mostra o valor da ação sincera, embora aparentemente insignificante. Ela ofereceu o que possuía e o fez com amor.

Segundo o Mestre, não seremos julgados, no tribunal divino, pelo número de talentos que nos foi confiado, mas pela fidelidade na sua aplicação.

A tragédia mais pungente é a do talento que se perde por força de uso. E deixa de ser usado pela carência de esforço, de uma vontade resoluta.

Ser humilde é proceder como a viúva da parábola: fazer aquilo que estiver ao nosso alcance, o melhor que pudermos, com todo o nosso amor, para que o talento que nos foi confiado se multiplique.

Saibamos que da contribuição fiel de cada um de nós é que a evolução segue a sua trajetória. Contribuição consciente e perseverante.

Pode-se ser humilde e austero ao mesmo tempo, pois a humildade não nos compele a deixarmos as coisas erradas ao nosso lado, sem ajudarmos com a energia que se fizer necessária para consertar esses erros.

A humildade é ativa e vigilante porque conhece a sua missão.

Humildade, pois, é ausência total de vaidade e desligamento das coisas transitórias da Terra; é libertação integral.

Do livro "Vem..."
de Cenyra Pinto

02 maio 2010

Obra do Amor - Bittencourt Sampaio

OBRA DO AMOR

A bandeira de luz, desfraldada por Ismael, no Brasil, não convocou em vão os servos de Cristo ao trabalho da concórdia e do amor.

A revivescência do Evangelho abre a porta dos corações aos Espíritos do Senhor; e as realizações cristãs, como sementeiras abençoadas do Celeiro Divino, surgem como elevados tentames dos cooperadores humanos em luta com o joio do mundo velho.

Por vezes, as iniciativas são vacilantes e o esforço dos que se propõem à edificação sofre limitações que circunscrevem os cometimentos no campo material, entretanto, ao influxo de Ismael, compreendemos mais cedo, no Brasil, que a Doutrina Consoladora não se reduz a simples órgão de experimentação científica ou de reajustamento filosófico, nos quartos do conhecimento humano.

Por mercê do Senhor, reconhecemos que a sua messagem sublime consubstancia o apelo generoso do Céu para que a luz divina resplendeça na Terra, o convite de mais alto para que o planeta se integre no Reino de Deus.

Daí, o característico religioso dos nossos trabalhos, a substância sublime do nosso depósito espiritual.

Com semelhante assertiva, não menosprezamos o racionalismo. Destacamos apenas a prioridade do serviço redentor do sentimento.

No coração permanece a seiva da vida. E é necessário purificar a seiva para que o fruto regenere e alimente.

O objetivo fundamental de Jesus, em seu apostolado terrestre foi sempre o homem.

“Levanta-te e anda”.
“A tua fé te salvou”.
“Não temas”.
“Segue-me tu”.

Seus apelos diretos ao coração ressoam na esteira dos séculos.

Não possuímos outra base para construir o mundo melhor, e as Forças Divinas não se aproximam de nós com o fim de arrebatar-nos a esferas superiores que não merecemos ainda, mas, sim como embaixadas de colaboração excelsa, de modo a concretizarmos o paraíso que nos será próximo.

Solucionemos os problemas exteriores da vida, estudemos os fenômenos da evolução, recorramos à análise no aprimoramento intelectual necessário, mas convertamo-nos, antes de tudo ao bem, fazendo-nos melhores, engrandecendo a vida e o mundo a que fomos chamados.

Diante da civilização perturbada e empobrecida pelos abusos do poder, pela extensão do egoísmo e pelos desvarios da inteligência materialista, temos nós os cooperadores do Espiritismo Evangélico, gigantesca tarefa de reconstrucão, iniciada a; mais de meio século.

Dádivas sublimes do Mestre constituem nosso crédito na atualidade. E, recebendo excessivamente da Divina Bondade, é lícito sejamos convocados a maiores testemunhos.

Dilatemos, em vista disso, nossa capacidade receptiva e iluminemos o santuário de nossa compreensão para que o Senhor se valha de nós como seus instrumentos.

É razoável que as interpretações se diferenciem na exposição das afirmativas individuais.

Nas tetras sagradas, a escada de Jacob não é símbolo inútil.

Cada ser descortinará o horizonte, segundo a posição em que se encontre na jornada ascendente do Espírito. Instalemos, desse modo, o Reinado de Deus em nós mesmos, respondendo aos títulos da confiança que nos foi conferida.

Ainda que estejamos aparentemente distanciados uns dos outros no setor das definições doutrinárias, encontramo-nos substancialmente identificação na mesma realização, porque somos discípulos imperfeitos do mesmo Mestre e humildes servos do mesmo Senhor.

Reunidos em espírito, sob o estandarte, de Ismael, atendamos ao chamado divino, compreendendo que não fomos trazidos ao campo de trabalho para as inutilidades da casuística, mas, para as atividades sublimes de auxílio, fraternidade e entendimento, na obra infinita do amor.

Pelo Espírito Bittencourt Sampaio
Do livro: Comandos do Amor
Médium: Francisco Cândido Xavier

01 maio 2010

Marcas Morais - Joanna de Ângelis

Marcas Morais

O ser humano, ao comprometer-se perante as leis divinas, fica assinalado por marcas que se lhe fixam, difíceis de ser removidas, mesmo quando superados os equívocos e integrado no conceito harmônico da sociedade, como permanente advertência para não mais incidir nos mesmos equívocos.

São esses sinais psicológicos que facultaram ao nobre neurologista suíço Jung os estabelecimentos dos arquétipos (marcas antigas), com os quais construiu a sua doutrina libertadora de muitos conflitos e de valiosas outras contribuições para o equilíbrio do Espiritismo na sua aljube carnal.

O erro,o vício, o ato criminoso encontram-se carregados de emoções que levam a sua vítima a situações embaraçosas durante muito tempo.

Ansiedade, culpa, medo são algumas das emoções que se manifestam após o comprometimento, assinalando no inconsciente a necessidade da liberação da mácula, mediante a sua diluição que se torna exequível pelas realizações iluminativas que se encontram ao alcance de todo aquele que deseja harmonia e saúde.

Desde o momento que ocorreu a fissão da psique, esquematizando as forças do Bem e do Mal e de todos os fenômenos antípodas, o discernimento passou a sofrer o assédio do ego para permanecer nas posturas cômodas do prazer, sem a indispensável renovação espiritual que faculta a sua diluição no self.

A atração da felicidade promove o esforço do ser para vencer os impulsos ancestrais que se insculpiram no cerne da vida, oferecendo os valores morais para consegui-lo.

Acepção do que é correto e pernicioso proporciona a opção por tudo aquilo que favorece com harmonia, abrindo um imenso elenco de trabalho com as ferramentas do amor, que passa a inspirar o comportamento.

Adquirida a consciência de que somente as ações corretas promovem o Espírito, mesmo quando pratica o erro, sente a náusea da permissividade que se permitiu e aspira pela correção imediata, fortalecendo e favorecendo os propósitos de elevação que se assinala com outras marcas, que expressam dignidade e evolução.

O longo período do primarismo condiciona o ser profundo à repetição das velhas fórmulas, que já não lhes satisfazem, porque havendo conhecido o lado superior do comportamento rico de emoções sem tormentos, não mais se tranquiliza nas atitudes antigas.

De tal forma se expressam esses sentimentos, que eles próprios possuem as forças necessárias para as mudanças, às vezes, assinaladas pelo sacrifício e pela renúncia.

A conversão do sentimento, portanto, ocorre na esfera íntima do ser humano, que passa a descondicionar-se dos hábitos perniciosos, gerando outros, que não são enobrecidos.

Felizes daqueles que podem assinalar-se por marcas que mudam de significado no transcurso da mesma existência.

Quando se pronuncia o nome Judas Iscariotes, logo a marca da traição é a marca mais visível da sua personalidade atormentada, embora muitas ações honestas e saudáveis que foram praticadas antes e depois do ato ignóbil.

Referindo-se a Simão Pedro, o apóstolo Galileu, a marca do negador é acionada rapidamente, apesar da sua posterior entrega total a Jesus até a sua morte estrênua na cruz de cabeça para baixo...

Evocando-se o nome de Maria de Madalena, a sombra da conduta irrefletida e insensata envolve-a, nada obstante a renovação moral que se impôs de tal maneira elevada, que lhe facultou ser a primeira testemunha da ressurreição.

Qualquer referência a João Evangelista e ei-lo identificado como o discípulo amado, em razão da sua afetividade.

Felizmente, alguns deles conseguiram novas marcas defluentes dos esforços de renovação que se transformaram em heroísmo e abnegação.

De igual maneira, qualquer personagem que se tornou célebre ou não no cenário terrestre, permanece assinalada pelo ferrete da alucinação que se permitiu ou pelo sinal de enobrecimento que lhe tipificou a existência.

Essas marcas exteriores também se encontram no psiquismo do indivíduo, muitas vezes, atormentando-o, embora inconscientemente, em especial, quando gera culpa e, por consequência, necessidade de reparação.

De igual maneira, aquelas da elevação moral transformam-se em estímulos, valiosos para o prosseguimento no esforço de autoiluminação.

O ser humano é um conjunto de experiências que lhe formam o caráter, a personalidade, impulsionando-o ao avanço, quando são nobres essas realizações, ou fazendo-o momentaneamente estacionar no sofrimento, na repetição da atividade até liberar-se do conflito culposo.

Essencialmente, é o Espírito que armazena os valores de ordem psíquica necessários ao crescimento interior e a conquista do espaço das oportunidades de bem servir.

Nisso, residem-lhe as conquistas inalienáveis que se transferem de uma existência para outra, favorecendo-o com o enriquecimento interno.

Todos os conflitos, portanto, que afetam ao ser humano, resultam das suas marcas morais que, negativas, aguardam a diluição pelo antídoto dos comportamentos relevantes que mantém, e quando positivas, auxiliando-o na ascensão interior...

* * *

Tem em mente que os teus atos possuem a força de assinalar-te psicologicamente, refletindo na emoção a qualidade das ações perpretadas.

O idealista que supera as condições negativas em que se encontra, obstaculizando-lhe a realização dos anelos que se faz portador, traz as marcas dos tentames anteriores que se concretizaram ou não, mas que lhe constituem motivo básico para a existência.

Os interesses da atualidade, de igual maneira, irão deixar os sinais correspondentes que lhe programarão os comportamentos do futuro.

Assim sendo, permite-te assinalar pelas marcas do Cristo, que são a bondade e o amor, a mansuetude e a caridade, enriquecendo-te de bênçãos de harmonia e de felicidade ainda nesta existência corporal.


Joanna de Ângelis

Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, na tarde de 26 de maio de 2009, em Berlim, Alemanha