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16 junho 2010

A Esmola da Compaixão - Irmão X

A ESMOLA DA COMPAIXÃO

De portas abertas ao serviço da caridade, a casa dos Apóstolos em Jerusalém vivia repleta, em rumoroso tumulto.

Eram doentes desiludidos que vinham rogar esperança, velhinhos sem consolo que suplicavam abrigo. Mulheres de lívido semblante traziam nos braços crianças aleijadas, que o duro guante do sofrimento mutilara ao nascer, e, de quando em quando, grupos de irmãos generosos chegavam da via pública, acompanhando alienados mentais para que ali recolhessem o benefício da prece. Numa sala pequena, Simão Pedro atendia, prestimoso. Fosse, porém, pelo cansaço físico ou pelas desilusões hauridas ao contacto com as hipocrisias do mundo, o antigo pescador acusava irritação e fadiga, a se expressarem nas exclamações de amargura que não mais podia conter.

- Observa aquele homem que vem lá, de braços secos e distendidos? - gritava para Zenon, o companheiro humilde que lhe prestava concurso - aquele é Roboão, o miserável que espancou a própria mãe, numa noite de embriaguez... Não é justo sofra, agora, as conseqüências? E pedia para que o enfermo não lhe ocupasse a atenção.

Logo após, indicando feridenta mulher que se arrasava, buscando-o, exclamou, encolerizado:

- Que procuras, infeliz? Gozaste no orgulho e na crueldade, durante longos anos... Muitas vezes, ouvi-te o riso imundo à frente dos escravos agonizantes que espancavas até à morte... Fora daqui! Fora daqui!...

E a desmandar-se nas indisposições de que se via tocado, em seguida bradou para um velho paralítico que lhe implorava socorro:

- Como não te envergonhas de comparecer no pouso do Senhor, quando sempre devoraste o ceitil das viúvas e dos órfãos? Tuas arcas transbordam de maldições e de lágrimas. . . O pranto das vítimas é grilhão nos teus pés. . .

E, por muitas horas, fustigou as desventuras alheias, colocando à mostra, com palavras candentes e incisivas, as deficiências e os erros de quantos lhe vinham suplicar reconforto.

Todavia, quando o Sol desaparecera distante e a névoa crepuscular invadira o suave refúgio, modesto viajante penetrou o estreito cenáculo, exibindo nas mãos largas nódoas sanguinolentas.

No compartimento, agora vazio, apenas o velho pescador se dispunha à retirada, suarento e abatido.

O recém-vindo, silencioso, aproximou-se, sutil, e tocou-o docemente.

O conturbado discípulo do Evangelho só assim lhe deu atenção, clamando, porém, impulsivo:

- Quem és tu, que chegas a estas horas, quando o dia de trabalho já terminou?

E porque o desconhecido não respondesse, insistiu com inflexão de censura:

- Avia-te sem demora! Dize depressa a que vens...

Nesse instante, porém, deteve-se a contemplar as rosas de sangue que desabotoavam naquelas mãos belas e finas. Fitou os pés descalços, dos quais transpareciam, ainda vivos, os rubros sinais dos cravos da cruz e, ansioso, encontrou no estranho peregrino o olhar que refletia o fulgor das estrelas...

Perplexo e desfalecente, compreendeu que se achava diante do Mestre, e, ajoelhando-se, em lágrimas, gemeu, aflito:

- Senhor! Senhor! Que pretendes de teu servo? Foi então que Jesus redivivo afagou-lhe a atormentada cabeça e falou em voz triste:

- Pedro, lembra-te de que não fomos chamados para socorrer as almas puras... Venho rogar-te a caridade do silêncio quando não possas auxiliar! Suplico-te para os filhos de minha esperança a esmola da compaixão...

O rude, mas amoroso pescador de Cafarnaum, mergulhou a face nas mãos calosas para enxugar o pranto copioso e sincero, e quando ergueu, de novo, os olhos para abraçar o visitante querido, no aposento isolado somente havia a sombra da noite que avançava de leve.

Pelo Espírito Irmão X
Do livro: Contos e Apólogos
Médium: Francisco Cândido Xavier

15 junho 2010

Perdão - Martins Peralva

PERDÃO

P. - Podemos utilmente pedir a Deus que perdoe as nossas faltas?

R. - Deus sabe discernir o bem do mal; a prece não esconde as faltas. Aquele que a Deus pede perdão de suas faltas só o obtém mudando de proceder. As boas ações são a melhor prece, por isso que os atos valem mais que as palavras.

A concessão paternal de Deus, no que se refere à reencarnação para a sagrada oportunidade de uma nova experiência, já significa, em si, o perdão ou a magnanimidade da Lei. (Emmanuel)


Em resposta a Pedro, o velho pescador galileu, informa o Divino Amigo que devemos perdoar não sete vezes mais sete vezes sete.

Em outra oportunidade, aconselha conciliação com o adversário "enquanto estivermos a caminho com ele", isto é, enquanto estivermos reencarnados.

O perdão, no conceito das religiões não-reencarnacionistas, significa "apagar as faltas".

Limpar a alma do pecado, ou seja, do mal praticado.

Eximir de responsabilidade.

Nos termos do perdão teológico, aquele que ofendeu alguém e recebe absolvições humanas, fica com a estrada livre para novos desatinos.

Há, como se vê, nesse tipo de perdão, visível estímulo a novos erros, novos enganos, novas ilusões.

O homem sente-se, inevitavelmente, estimulado a novas quedas, novas reincidências, com fatais prejuízos ao processo evolutivo, que se retarda no tempo.

A conceituação doutrinária do Espiritismo, em torno do tema "perdão", é bem outra.

Muito diversa, menos fácil, porém, inegavelmente, mais sensata, mais lógica.

O perdão, segundo a Doutrina Espírita, não alarga as portas do erro; pelo contrário, restringe-as, sobremaneira, por apontar responsabilidades para quem estima a leviandade e a injúria, a crueldade e o desapreço à integridade, moral ou física, dos companheiros de luta, na paisagem terrestre.

De acordo com os preceitos espíritas, não há perdão sem reparação conseqüente, embora os próprios Instrutores de Mais Alto lembrem a palavra evangélica, que nos incentiva à integridade com o Bem, no apostolado da fraternidade, através do ensinamento "o amor cobre a multidão dos pecados", que representa a única força "que anula as exigências da Lei de Talião, dentro do Universo Infinito" (Emmanuel)

O perdão que o Espiritismo e os amigos espirituais preconizam em verdade não é de fácil execução.

Requer muito boa-vontade.

Demanda esforço, esforço continuado, persistente.

Reclama perseverança.

Pede tenacidade.

É bem diferente do perdão teológico, que deve ter tido, em algum tempo, sua utilidade.

Não se veste de roupagem fantasiosa, não se emoldura de expressões simplesmente verbais.

Os postulados espíritas indicam-no por concessão de nova oportunidade de resgate e reparação dos erros praticados e dos males que deles resultaram.

Elevados Mensageiros do Pai, respondendo ao Mestre lionês, afirmaram que "O arrependimento concorre para a melhoria do Espírito, mas ele tem que expiar o seu passado".

Emmanuel assevera, desenvolvendo a tese doutrinária, que "a concessão paternal de Deus, no que se refere à reencarnação para a sagrada oportunidade de uma nova experiência, já significa, em si, o perdão ou a magnanimidade da Lei". ("O Consolador")

André Luiz esclarece que Deus "não castiga e nem perdoa, mas o ser consciente profere para si as sentenças de absolvição ou culpa ante as Leis Divinas" (O Espírito da Verdade).

Para a alma realmente interessada no perdão que não seja, apenas, um enunciado verbal, sem repercussões íntimas nas fontes augustas do sentimento, o ato de perdoar significa alguma coisa de grandioso e sublime, por isso mesmo difícil de executar.

Não se constitui da vã afirmativa: "eu perdôo", permanecendo o coração fechado a qualquer entendimento conciliador e a mente cristalizada nas vibrações menos fraternas.

Não há perdão real, legítimo, definitivo, evangélico, doutrinário, quando o ofendido não se inclina a ajudar o ofensor, a servi-lo cristãmente, a socorrê-lo nas necessidades de qualquer natureza, se preciso.

As verdadeiras características do perdão com Jesus, apregoadas pelo espiritismo, são, realmente, singulares e difíceis:

- esquecimento do mal recebido,

- não nos regozijarmos com os insucessos do ofensor,

- auxiliarmos, discretamente, sempre que possível, ao adversário,

- usarmos a delicadeza sincera, no trato com os que nos magoaram o coração ou feriram a sensibilidade,

- vibrarmos, fraternalmente, em favor dos que nos desestimam.

Como se observa, perdoar, segundo o espiritismo não é problema a resolver por meio de afirmativas apressadas, sem vivência interior.

O maior beneficiário do perdão não é, como parece, aquele que o recebe, mas o que o concede.

O que é perdoado, se reconforta, recolhe, dos Céus, as mais profusas bênçãos - bênçãos que nenhum tesouro do mundo pode substituir ou suplantar, tais como,

- conservação da paz interior,

- preservação da saúde,

- alegria de transformar o adversário em amigo, pelo reconhecimento que o perdão desperta e suscita. da alma humana, tais sejam, por exemplo, a humildade, o altruísmo, a nobreza moral.

Quem não perdoa, permanece ligado ao adversário, encarnado ou desencarnado, pelas faixas escuras do pensamento hostil.

Quem não perdoa, insistindo na mágoa raivosa, permite se estabeleça, entre a sua e a mente do adversário, uma ponte magnética, através da qual circulam, em regime de vaivém, de idas-e-voltas consecutivas, as vibrações do ódio e da vingança.

Quem perdoa, liberta o coração para as mais sublimes manifestações do amor que eleva e santifica.

"a alma que se perdoa, retendo o mal consigo, assemelha-se a um vaso cheio de lama e fel."

"Jesus aconselhava-nos a perdoar infinitamente, para que o Amor seja em nosso Espírito como Sol brilhando em casa limpa.

Maravilhosos conceitos, extraídos das obras de André Luiz!

Aquele que perdoa dissolve, ainda hoje, e aqui mesmo, os antagonismos, nas águas puras e doces da compreensão.

Quem não perdoa transfere para amanhã, noutras existências, em qualquer parte do Universo Ilimitado, os dolorosos reajustes, que bem se poderiam extinguir na presente reencarnação.

Aquele que perdoa, transpõe os pórticos da espiritualidade, na morte do corpo físico, com a paz na consciência, a luz no Espírito, o consolo no coração.

Quem não perdoa, carrega consigo, no mundo extracorpóreo, a sombra e o remorso.

De "O Pensamento de Emmanuel"- Martins Peralva

14 junho 2010

Afinidade e Herança - Augusto Cezar Netto

AFINIDADE E HERANÇA

Indubitavelmente, em matéria de filhos, no Plano Físico, a lei das afinidades quase pode ser considerada por fator determinante da chamada hereditariedade psicológica.

Isto é simples e compreensível se raciocinarmos, quanto ao imperativo da preparação em quaisquer empreendimentos humanos que visem a determinados fins.

A produção em massa na agricultura exige providências específicas do lavrador.

O edifício, destinado a servir com segurança, reclama na formação e na estrutura a orientação da engenharia.

Preparo é um requisito importante nas escolhas do amor, quando o amor se alteia de nível e procura aperfeiçoar-se para a Vida Superior.

Compreendamos que a vida dos companheiros encarnados se conjuga com a vida dos companheiros desencarnados que lhes são afins.

A dipsomania, por exemplo, é um hábito que muito raramente se observa numa pessoa que se embriaga a sós.

Geralmente, a criatura se alcooliza em companhia de irmãos desencarnados que, embora desenfaixados da experiência física, ainda não encontraram energia para se desvencilharem dessa prática.

Quando isso ocorre, é justo considerar que por muito se esforcem os Instrutores Espirituais, encarregados de cooperar na execução de certo plano de reencarnações para determinado grupo familiar, nem sempre conseguem evitar a intromissão de um ou mais de um dos alcoólatras desencarnados, porquanto se ajustam eles de tal modo às forças genésicas de um dos parceiros do compromisso sexual que acabam na condição de filhos deles, revelando, mais tarde, as mesmas tendências compulsivas.

Isso, porém, não sucede à revelia da Justiça da Vida, na Espiritualidade Superior.

O filho ou os filhos dipsômanos mostrarão ao pai ou à genitora que cultivem o excesso de alcoólicos a inconveniência de semelhante costume.

Desse modo, o elemento considerado em clandestinidade deixará a posição de invasor para ser utilizado na condição de agente regenerativo.

O mesmo acontece com a cleptomania, com a promiscuidade sexual e outros hábitos que dificultam a elevação do espírito.

Sabemos que os semelhantes se atraem. Por outro lado, não desconhecemos que a reencarnação nos é concedida na face do Planeta por recurso de auto-educação, burilamento, evolução e melhoria em nós mesmos.

Fácil, assim, reconhecer que as alterações infelizes nos projetos de sublimação e progresso, a que nos cabe atender, correm claramente por nossa conta.

Pelo Espírito Augusto Cezar Netto
Do livro: Falou e Disse
Médium: Francisco Cândido Xavier

13 junho 2010

Prece de Gúbio - André Luiz

PRECE DE GÚBIO

Senhor Jesus!

Nosso Divino Amigo... Há sempre quem peça pelos perseguidos, mas raros se lembram de auxiliar os perseguidores!

Em toda parte ouvimos rogativas em benefício dos que obedecem, entretanto é difícil surpreendermos uma súplica em favor dos que administram.

Há muitos que rogam pelos fracos, para que sejam, a tempo, socorridos; no entanto, raríssimos corações imploram concurso divino para os fortes, a fim de que sejam conduzidos.

Senhor, Tua justiça não falha. Conheces aquele que fere e aquele que é ferido. Não julgas pelo padrão de nossos desejos caprichosos, porque o Teu amor é perfeito e infinito...

Nunca Te inclinaste tão somente para os cegos, doentes e desalentados da sorte, porque amparas, na hora justa, os que causam a cegueira, a enfermidade e o desânimo...

Se em verdade salvas as vítimas do mal, buscas, igualmente, os pecadores, os infiéis, e os injustos. Não menoscabaste a jactância dos doutores e conversaste amorosamente com eles no templo de Jerusalém. Não condenaste os afortunados e, sim abençoaste-lhes as obras úteis.

Em casa de Simão, o fariseu orgulhoso, não desprezaste a mulher transviada, ajudaste-a com fraternas mãos. Não desamparaste os malfeitores, aceitaste a companhia de dois ladrões, no dia da cruz.

Se tu, Mestre, o Mensageiro Imaculado, assim procedeste na Terra, quem somos nós, Espíritos endividados, para maldiçoarmo-nos, uns aos outros?

Acende em nós a claridade dum entendimento novo! Auxilia-nos a interpretar as dores do próximo por nossas próprias dores. Quando atormentados, faze-nos sentir as dificuldades daqueles que nos atormentam, para que saibamos vencer os obstáculos em Teu nome.

Misericordioso amigo, não nos deixes sem rumo, relegados à limitação dos nossos próprios sentimentos... Acrescenta-nos a fé vacilante, descortina-nos as raízes comuns da vida, a fim de compreendermos, finalmente, que somos irmãos uns dos outros. Ensina-nos que não existe outra lei, fora do sacrifício, que nos possa facultar o anelado crescimento para os mundos divinos.

Impele-nos à compreensão do drama redentor a que nos achamos vinculados. Ajuda-nos a converter o ódio em amor, porque não sabemos, em nossa condição de inferioridade, senão transformar o amor em ódio, quando os Teus desígnios se modificam, a nosso respeito. Temos o coração chagado e os pés feridos na longa marcha, através das incompreensões que nos são próprias, e a nossa mente, por isto, aspira ao clima da verdadeira paz, com a mesma aflição por que o viajor extenuado no deserto anseia por água pura.

Senhor, infunde-nos o dom de nos ampararmos mutuamente.Beneficiaste os que não creram em Ti, protegeste os que Te não compreenderam, ressurgiste para os discípulos que Te fugiram, legaste o tesouro do conhecimento divino aos que Te crucificaram e esqueceram...

Por que razão nós outros, míseros vermes do lodo ante uma estrela celeste, quando comparados contigo, recearíamos estender dadivosas mãos aos que nos não entendem ainda?

É para eles, Senhor, para os que repousam aqui, em densas sombras, que Te suplicamos a bênção! Desata-os, Mestre da caridade e da compaixão, liberta-os para que se equilibrem e se reconheçam...

Ajuda-os a se aprimorarem nas emoções do amor santificante, olvidando as paixões inferiores para sempre. Possam eles sentir-Te o desvelado carinho, porque também Te amam, e Te buscam inconscientemente, embora permaneçam supliciados no vale fundo de sentimentos escuros e degradantes...

Pelo Espírito André Luiz
Do livro: A Luz da Oração
Médium: Francisco Cândido Xavier

12 junho 2010

O Diabo - Irmão X

O DIABO

- Imaginem - dizia-nos um amigo, em agradável tertúlia, no Plano Espiritual - se alguns desencarnados, em desespero, aparecessem, de improviso, entre as criaturas humanas, reclamando supostos direitos deixados na Terra. Gritando os tormentos que lhes dilaceram a alma, vomitando impropérios e blasfêmias, não seriam considerados um bando de demônios? Irreconhecíveis, urrando de dor selvagem, humilhados e vencidos, tentando, debalde, retomar as expressões físicas que ficaram nos cadáveres, seriam tomados por monstros infernais, repentinamente soltos na via pública.

- É verdade! - considerou um companheiro, melancolicamente - ninguém no mundo teria dificuldades em identificá-los como os velhos demônios da antiguidade. Os infelizes desse jaez, personificam perfeitamente, ante a observação popular, os Lucíferes, os Belcelins e os Astarots de recuados tempos. Os fantoches da dor sempre surgem ao entendimento infantil como gênios do mal.

Fez pequeno intervalo, sorriu e acentuou:

- Bastaria, porém, leve exame para que atingissem o conhecimento real; os diabos seriam, de fato, seres horrendos, mas não repugnantes, nem espantosos.

Ouvindo-lhe as referências, lembrava a personagem satânica do livro de La Sage, a perturbar as casas madrilenhas, levantando-lhes os telhados; e, demonstrando que me percebia os pensamentos mais íntimos, outro amigo acrescentou:

- As lendas de Asmodeu e Mefistófeles, no fundo, não terão origem diferente. Certo, a visão mediúnica favoreceu, entre os homens, a notícia dos tipos deploráveis que hoje conhecemos e dos quais Dante, em outro tempo, recebeu leves informes que enfeixou em seu poema célebre, de acordo com as suas tendências, conceitos e predileções de homem.

Nesse instante, um companheiro, ancião de muitas jornadas terrestres, fixou em nós um olhar percuciente e calmo e, valendo-se, talvez, da pausa mais longa, observou sensatamente:

-Todos sabemos que a criação inteira é obra infinita de Deus e não podemos ignorar que todos os seres do Universo, desde as notas mais baixas aos cânticos mais altos da Natureza, no campo ilimitado da vida, são portadores da Centelha Imortal da Divindade. Em todos os departamentos sem número dos mundos inumeráveis palpita o amor, existe a ordem, permanece o sinal da prodigiosa herança da vida. Por isso mesmo, irmãos, toda expressão diabólica é perversão da bênção divina. Onde esteja a perturbação da harmonia universal, aí se encontra o adversário do Senhor.

Vocês aludem, com muita oportunidade, aos mortos que se congregam em desespero, formando monstruosas paisagens, em que duendes, sem rumo, procuram em vão insinuar-se na existência dos homens da Terra. Se o olho humano pudesse identificá-los, possivelmente cessaria a continuação da vida na carne. Coletividades inteiras abandonariam o templo do corpo físico, tomadas de infinito e indomável pavor.

Escutávamos a palavra sábia em silêncio. E porque o intervalo se fizesse mais longo, o bondoso ancião, à maneira dos antigos filósofos gregos, rodeados de ouvintes atentos, continuou, com expressão significativa:

- Assistia pessoalmente a uma aula de sabedoria, numa das cidades espirituais dos círculos de Marte, quando surpreendi uma lição interessante. Velho orientador de entidades inexperientes e juvenis comentava a existência dos inimigos da Obra Divina e explicava-se:

- O diabo existe como personificação do desequilíbrio.

- Como poderíamos caracterizá-lo? - interrogou um dos presentes.

- É o protótipo da ingratidão para Deus - respondeu o venerável instrutor. O diabo é do Eterno o filho que menospreza a celeste herança. Recebe os tesouros divinos e converte-os em misérias letais. Das bênçãos que lhe felicita o caminho, faz maldições que estende aos semelhantes. Cego às belezas universais que o cercam, vive afirmando sua permanência no inferno, criação dele mesmo, em seu plano interior. É alma repleta de atributos sublimes que permanece, entretanto, na Obra do Pai, como gênio destruidor. É sábio de raciocínio, mas pérfido de sentimento. Seu cérebro elabora rapidamente as mais complicadas operações para a ofensiva do mal, todavia, seu coração é paralítico para o bem. Sua cabeça é fogo para a mentira, contudo, o seu peito é de gelo para a verdade. Escarra nas mãos que o acariciam, está sempre disposto a condenar, perverter e confundir os demais filhos de Deus, lançando a perturbação em geral, para que seus interesses isolados prevaleçam. Pela ciência e perversidade de que oferece testemunho, é um misto de anjo e monstro, no qual se confundem a santidade e a bestialidade, a luz e a treva, o céu e o abismo. Criatura desventurada pelo desvio a que se entregou voluntariamente é, de fato, mais infeliz que infame, merecendo, antes de qualquer consideração, nosso entendimento e piedade.

Nesse instante, em face da pausa do orientador, exclamou uma jovem do círculo, satisfeito pela possibilidade de cooperar no esclarecimento da tese em estudo:

- Conheço-o! Eu conheço o diabo!

- Você? - pergunta o instrutor, admirado. - Será possível?

- E ela, radiante, respondeu:

- Sim, já estive na Terra: Chama-se Homem!

Pelo Espírito Irmão X
Do livro: Lázaro Redivivo
Médium: Francisco Cândido Xavier

11 junho 2010

Filosofia de Vida - Emmanuel

FILOSOFIA DA VIDA
  • A vida não é isto que vemos na banalidade de todos os dias terrestres; é antes afirmação de imortalidade gloriosa com Jesus-Cristo. (Paulo e Estêvão)
  • A vida é ciosa dos seus segredos e somente responde com segurança aos que lhe batem à porta com esforço incessante do trabalhador que deseja para si a coroa resplendente do apostolado no serviço. (Roteiro)
  • A vida humana, apesar de transitória, é a chama que vos coloca em contato com o serviço de que necessitais para a ascensão justa. Nesse abençoado ensejo, é possível resgatar, corrigir, aprender, ganhar, conquistar, reunir, reconciliar e enriquecer-se no Senhor. (Pão Nosso)
  • A vida de um homem é a sua própria confissão pública. A conduta de cada crente é a sua verdadeira profissão de fé. (Vinha de Luz)
  • A vida do homem não consiste na abundância daquilo que possui, mas na abundância dos benefícios que esparge e semeia, atendendo aos desígnios do Supremo Senhor. (Vinha de Luz)
  • Saibamos viver, como devemos saber andar: com a firmeza dos fortes, com a Fé sempre candente e viva dos bons seguidores do Mestre Nazareno. (Reformador - maio/1949)
  • A hora moderna, saturada de doutrinação verbalista, através da hipertrofia da inteligência, exige entendimento e ação, ensino e prática, teoria e exemplo, palavras e obras, conclusões e fatos, ideal e realização. (Reformador - maio/1953)
  • A vida moderna, com suas realidades brilhantes, vai ensinando às comunidades religiosas do Cristianismo que pregar é revelar a grandeza dos princípios de Jesus nas próprias ações diárias. (Vinha de Luz)
  • A existência terrestre é um aprendizado em que nos consumimos devagarinho, de modo a atingir a plenitude do Mestre. (Renúncia)
  • A vida, em suas casualidades profundas, escapa aos vossos escalpelos e apenas o embriologista observa, no silêncio da penumbra, infinitésima fração do fenômeno assimilatório das criações orgânicas. (Emmanuel)
  • A vida é sempre um milagroso tecido da Divina Sabedoria. Às vezes, a aflição é véspera da felicidade, tanto quanto o prazer, frequentemente, é produção de angústia... (Ave, Cristo!)
De "Palavras de Emmanuel"
de Francisco Cândido Xavier
pelo Espírito de Emmanuel

10 junho 2010

A Luz da Paz - Augusto Cezar

A LUZ DA PAZ

E andei pelo mundo, procurando a luz da paz.

Fui à Grécia, admirando o Partenon e lugares outros em que pontificaram sábios da antiguidade; dirigi-me a Roma, onde me acomodei nas escadas do Coliseu, refletindo nos cristãos perseguidos;

Viajei a Índia, onde partilhei as orações dos crentes que se banhavam nas águas do Ganges, em Benarés;

Segui para o Egito, maravilhando-me à frente das Pirâmides que imortalizam a pompa dos faraós;

Transitei pelas ruas de Meca e orei com os muçulmanos, entre as recordações do iluminado profeta do Islã;

Busquei Paris e conheci a Torre Eiffel, orgulho da França;

Visitei o Palácio de Versalhes, moradia de reis e fidalgos ilustres; encaminhei-me para Londres, encantando-me ali com a severa nobreza do Castelo da Torre;

Na Espanha, conheci o Escurial, nos arredores de Madri, cheguei a Granada e entrei no castelo do rei Broabdil que encerrou, naquele País, o domínio dos Árabes e voltei-me a Barcelona, onde admirei a fortaleza de Monjnich;

Apreciei a riqueza artística dos Jerôninos e usufrui as amenidades de Sintra, em Portugal;

Fui à Nova York onde expressei o meu respeito pela inteligência humana, diante dos arranha-céus que lhe assinalam a grandeza;

Caminhei através de todas as grandes cidades das Três Américas, mas não encontrei a luz da paz.

Saudoso do lar regressei a nossa casa em Vila Nova Conceição, em São Paulo.

Era noite e minha mãe lia o Evangelho. Abracei-a emocionado e li o texto exposto. Era a parábola do Bom Samaritano.

As palavras falavam em letras que me ficaram na memória:

- “Então, um doutor da lei, perguntou abeirando-se do Divino Mestre”:

- Senhor, que deverei fazer para possuir a vida eterna?

O Cristo sorriu e considerou:

- O que está escrito na Lei, o que lês nela?

O homem acentuou:

- Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, com as tuas forças de espírito e ao teu próximo como a ti mesmo.

Entretanto o Doutor da lei ainda inquiriu pra o tentar:

- Senhor, e quem é o meu próximo?

Jesus, explicou, usando brandura e paciência:

- Um homem que se dirigia de Jerusalém para Jericó saiu em poder dos salteadores que o despojaram, cobriam-no de ferimentos, deixaram-no semimorto.

Um sacerdote, que passou perto da vitima, estugou o passo e seguiu para frente, negando-lhe atenção.

Logo após, um levita passou pelo mesmo lugar, mas não se interessou pelo ferido, seguindo adiante.

Mas um samaritano, que viajava, comoveu-se ao ver o homem caído, desceu do animal e, aproximando-se do desconhecido, dirigiu-lhe palavras de conforto, balsamizou-lhe as feridas e colocando-o sobre o animal, levou-o à hospedaria onde lhe ofereceu abrigo e segurança.

Jesus fez a pequena pausa e interrogou:

- A seu ver, qual dos três era o próximo do infeliz?

O doutor respondeu:

- Aquele que usou de misericórdia para com ele.

Num gesto simples, o Cristo lhe observou:

- Então, vai e faze tu o mesmo.”

Chegados ao término da leitura, um telefone tilintou.

Minha mãe foi atender e compreendi para logo o que se passava.

Uma senhora jazia em estado grave e a amiga que suscitara a chamada pelo fio comunicou que o doente pedia o socorro de uma prece.

Minha mãe não teve duvidas.

Chamando o Papai Raul e dando-lhe ciência do problema, ambos, logo após, tomaram o carro na direção indicada.

Segui junto deles e pude ver a doente que se aproximava da agonia

Minha mãe e outras senhoras pediram a Misericórdia de Deus para a enferma e, embora se afastassem, entendi que o meu dever era permanecer ali na tarefa do auxilio.

Junto de Benfeitores que ali se mantinham, trabalhei todo à noite no aposento simples.

O dia amanheceu com melhoras positivas para a doente e, conquanto me sentisse cansado, reconheci que uma alegria diferente me nascia no coração.

Chorando de felicidade, reconhecia, por fim, que eu, que me decidira a transitar pela terra, procurando o dom sublime, encontrara-o ali, no gesto de minha mãe ao lado de meu pai Raul, compreendendo que o amor ao próximo que Jesus nos legou, sentido e praticado devidamente, é a única força que realmente nos concede a luz da paz por dentro do coração.

Pelo Espírito Augusto Cezar
Do livro: Presença de Luz
Médium: Francisco Cândido Xavier

09 junho 2010

Faze Bem a Ti Mesmo, na Pessoa dos Outros-

FAZE BEM A TI MESMO, NA PESSOA DOS OUTROS

Escuta, ó homem, esta grande verdade: todo mal que aos outros fazes duplamente o fazes a ti mesmo.

Para os outros, é um mal periférico - para ti mesmo é um mal central.

Para quem o sofre, é um mal extrínseco - para quem o pratica é um mal intrínseco.

Ninguém pode fazer mal ao próximo sem primeiro fazer mal a si mesmo.

Não pode deixar de ser mau quem o mal produz - mas pode ser bom quem sofre o mal.

"Não pode a árvore má produzir frutos bons - nem pode a árvore boa produzir frutos maus."

O efeito do mal é transitório no objeto que o sofre - mas é permanente no sujeito que o produz.

Não digas: "Fiz mal, arrependi-me - e é tudo como dantes" - ilusão funesta!

Pelo arrependimento, sim, foi lavada a nódoa moral - persiste, porém, na alma, a mancha psíquica.

O mal, conscientemente praticado, estratificou nas profundezas do subconsciente nova camada de hábito vicioso - e deste subsolo funesto irradiam ondas mortíferas para a zona do consciente.

Todo ato mau, ainda que revogado pelo arrependimento, favorece os elementos destruidores - e desfavorece os elementos construtores dentro do homem.

Todo ato mau facilita futuras quedas e recaídas - e dificulta a ressurreição.

Todo ato mau aumenta o declive do plano inclinado que o hábito vicioso criou em tua natureza - e quem pode manter-se firme num declive escorregadio?

Por isso, meu ignoto amigo, o maior bem que a ti mesmo podes fazer é fazer bem aos outros - o bem por amor ao bem.

O amor que aos outros faz bem faz tanto bem a ti mesmo que até te faz bom.

Por isso dizia o grande Mestre que devemos amar o próximo como a nós mesmos.

Educa-te, ó homem, a ti mesmo para o idealismo do bem.

Faze o bem por amor ao bem - dentro de ti mesmo e aos outros.

O único meio de fazeres bem aos outros e a ti mesmo é seres bom, intimamente bom.

O único meio de melhorares o mundo é praticares o Evangelho da bondade sincera, o Evangelho do amor desinteressado, o Evangelho da benquerença universal.

"Deus é amor - quem permanece no amor permanece em Deus." (São João)

"O reino de Deus está dentro de vós." (Jesus)

De "De Alma para Alma", de Huberto Rohden

08 junho 2010

Novas Responsabilidades - Bezerra de Menezes

Novas Responsabilidades

Filhos da alma:

que Jesus nos abençoe.

O século XXI continua guindado à mais alta tecnologia desbravando os infindáveis horizontes da ciência.

Antigos mistérios do conhecimento são desvelados. Enigmas, que permaneciam incompreensíveis, são decifrados e o materialismo sorri zombeteiro das mensagens sublimes do amor.

Paradoxalmente, os avanços respeitáveis dessas áreas do intelecto não lograram modificar as ocorrências traumáticas que têm lugar no orbe, na atualidade. No auge das conquistas das inteligências, permanecem as convulsões sociais unidas às convulsões planetárias no momento da grande transição que passa a Terra amada por todos nós.

De um momento para outro, uma erupção vulcânica arrebenta as camadas que ocultam o magma, e as cinzas – atiradas acima de 10 mil metros da superfície terrestre – modificam toda a paisagem europeia ameaçando as comunicações, a movimentação, enquanto se pensa em outras e contínuas erupções que podem vir assinaladas por gases venenosos ou por lava incandescente... Fenômenos de tal monta podem ser detectados, mas não impedidos, demonstrando que a vacuidade da inteligência não pode ultrapassar a sabedoria das leis cósmicas estabelecidas por Deus.

E Gaia – a grande mãe planetária– estorcega, enquanto na sua superfície a violência irrompe em catadupas, ameaçando a estabilidade da civilização: política, econômica, social e, sobretudo, moral, caracterizando estes como os dias das antigas Sodoma e Gomorra das anotações bíblicas...

Poder-se-ia acreditar que o caos seria a conclusão final inevitável, entretanto, a barca terrestre que singra os horizontes imensos do cosmo não se encontra à matroca.

Jesus está no leme e os Seus arquitetos divinos comandam os movimentos que lhe produzem alteração da massa geológica, enquanto se operam as transformações morais.

Iniciada a era nova, surge, neste mesmo século XXI, o período prenunciador da paz, da fé religiosa, da arte e da beleza, do bem e do dever.

Assinalando esse período de transformação estamos convidados, encarnados e desencarnados, a contribuir em favor do progresso que nos chega de forma complexa, porém bem direcionada.

Avancemos com as hostes do Consolador na direção do porto do mundo de regeneração.

Sejam os nossos atos assinalados pelos prepostos de Jesus, de tal forma que se definam as diretrizes comportamentais.

...E que todos possam identificar-nos pela maneira como enfrentaremos dissabores e angústias, testemunhos e holocaustos, à semelhança dos cristãos primitivos que viveram, guardadas as proporções, período equivalente, instaurando na Terra o Evangelho libertador, desfigurado nos últimos dezessete séculos, enquanto, com Allan Kardec, surgiu o Consolador trazendo-nos Jesus de volta.

É compreensível, portanto, que os Espíritos comprometidos com o passado delituoso tentem implantar a desordem, estabelecer o desequilíbrio das emoções para que pontifique o mal, na versão mitológica da perturbação demoníaca. Em nome da luz inapagável daqueles momentosos dias da Galileia, particularmente durante a sinfonia incomparável das bem-aventuranças, demonstremos que a nossa é a força do amor e as nossas reflexões no mundo íntimo trabalham pela nossa iluminação.

Nos dias atuais, como no passado, amar é ver Deus em nosso próximo; meditar é encontrar Deus em nosso mundo íntimo, a fim de espargir-se a caridade na direção de todas as criaturas humanas.

Trabalhar, portanto, o mundo íntimo, não temer quaisquer ameaças de natureza calamitosa através das grandes destruições que fazem parte do progresso e da renovação, ou aquelas de dimensão não menos significativa na intimidade doméstica, nos conflitos do sentimento, demonstrando que a luz do Cristo brilha em nós e conduz-nos com segurança.

A Eurásia, cansada de tantas guerras, de destruição, da cegueira materialista, dos contínuos holocaustos de raças e de etnias, de governos arbitrários e perversos, clama por Jesus, como o mundo todo necessita de Jesus. Seus emissários, de Krishna a Bahá’u’lláh, de Moisés a Allan Kardec, de Buda aos peregrinos da não violência, de Maomé aos pacificadores muçulmanos, todos esses, ministros de Jesus, preparam-lhe, através dos milênios, o caminho para que através do Consolador – mesmo sem mudanças de diretrizes filosóficas ou religiosas – predomine o amor.

Sejam celebradas e vividas a crença em Deus, na imortalidade, nas vidas ou existências sucessivas, fazendo que as criaturas deem-se as mãos construindo o mundo de regeneração e de paz pelo qual todos anelamos...

Jesus, meus filhos, ontem, hoje e amanhã, é a nossa bússola, é o nosso porto, é a nave que nos conduz com segurança à plenitude.

Porfiai no bem a qualquer preço. Uma existência corporal, por mais larga, é sempre muito breve no relógio da imortalidade. Semeai, portanto, hoje o amor, redimindo-vos dos equívocos de ontem com segurança, agora, na certeza de que estes são os sublimes dias da grande mudança para melhor.

Ainda verteremos muito pranto, ouviremos muitas profecias alarmantes, mas a Terra sairá desse processo de transformação mais feliz, mais depurada, com seus filhos ditosos rumando para mundo superior na escalada evolutiva.

Saudamo-vos a todos os companheiros dos diversos países aqui reunidos, e em nome dos Espíritos que fazem parte da equipe do Consolador, exoramos ao Mestre inolvidável que prossiga abençoando-nos com Sua paz, na certeza de que com Ele – o amor não amado – venceremos todos os obstáculos.

Muita paz, filhos da alma e que Jesus permaneça conosco.

São os votos do servidor paternal e humílimo de sempre,

Bezerra.(*)

Mensagem psicofônica recebida pelo médium Divaldo Pereira Franco, na manhã de 09 de maio de 2010, no Encontro do Conselho Espírita Internacional, reunido em Varsóvia, Polônia. (*)Mensagem revista e ligeiramente alterada pelo seu Autor. Nota do médium.

06 junho 2010

Deus Espera Que Ames - Rosângela C.Lima

Deus Espera que Ames

Se tiveres um pouco de atenção e olhares em torno de ti, encontrarás os variados meneios da vida que se reportam ao amor do nosso Criador, em cada movimento.

Em toda parte a natureza está sempre oferecendo um pouco mais à vida, em homenagem ao Grande Pai, enquanto também se enriquece de luz, de cores e de harmonia.

Se de longe vires um canteiro, onde medram flores, alcançarás somente os matizes multicores das corolas; porém, se te aproximares sentirás que, quando beijadas pela brisa, as flores exalam benfazejos perfumes, dando um pouco mais em prol da beleza terrena.

Se olhares a exuberante queda d’água, que despenca da montanha, observarás apenas um soberbo espetáculo de força e vigor. Mas, se te acercares dessa catadupa, verás um risonho arco-íris que se desenha sobre as gotículas suspensas no ar, a fim de que, ao refletir os matizes da luz, possa ofertar um pouco mais em favor da beleza planetária.

Contemplas, ao longe, a neve que inspira friagem e desolação, na branca vastidão do inverno. Se, entanto, chegares mais perto, identificarás as miríades de cristais de formosíssimas estruturas, a refletir os raios do Sol, como pequenos brilhantes pingentes em qualquer lugar, no anseio de cooperar um pouco mais no embelezamento do mundo.

Se olhares o velho tronco de árvore, apodrecido pelo tempo e abandonado, terás à frente dos olhos tão-só um poleiro inusitado de múltiplas aves, no rumo de uma antiga cerca. Entretanto, se te avizinhares, registrarás o ninho aconchegante e bem arranjado que se abriga no oco vetusto, onde os filhotes piam, ensaiando o canto do futuro, a fim de tornar mais belas as paisagens terrestres.

Se, por entre ameaçadores zumbidos, o enxame de abelhas que se agita te deixa temeroso, não consegues te dar conta do que ocorre, de fato. Ao te aproximares, entretanto, encontrarás uma sociedade organizada, com os trabalhos devidamente distribuídos, sob instintivas ordem e obediência, gerando variados produtos para si mesma e para quem mais os possa utilizar, homens e animais, de modo a dar um pouco mais para a formosura do mundo.

Enfim, para onde te voltes, perceberás sempre o louvor que se estabelece em a natureza, dirigido ao nosso Deus.

Procura viver de tal maneira, coração amigo, que possas desmentir qualquer um que, por ver-te de longe, admita que és tão-só alguém à cata de atender às necessidades imediatas, que ajudam a manter o corpo, a espécie e as propriedades que adquiriste com esforços. Todavia, se já sabes o porquê de estares no mundo e o que te trouxe ao corpo carnal, novamente, saberás expressar, para quem se aproxime de ti, o anjo potencializado que és, por enquanto engolfado em árduas lutas humanas por brilhar e crescer, no rumo do Criador, de modo a dar beleza à vida que pulsa na Terra.

Deus quer que ames e que ofereças um pouco mais de ti à vida. Não te afugentes desse destino; não te negues a atender a esse anseio do nosso Pai Celestial. Vem, levanta-te e move-te para incrementar uma vida nova para ti; busca aprender sempre mais, a fim de mais te libertares das cadeias da ignorância; trabalha com afinco e alegria, para te tornares afinado instrumento nas mãos do Senhor, e ama, por fim, porque foste feito a Sua semelhança, e porque não deves mais deter o voo que te fará alcançar o teu próprio destino, destino de felicidade cujos fundamentos se acham no pulsar das constelações.

Ditado por: Rosângela C. Lima, mensagem psicografada por Raul Teixeira, em 06.03.2006, na Sociedade Espírita Fraternidade, Niterói-RJ

05 junho 2010

Depende de Nós - Clélia Rocha

Depende de Nós

O movimento da mãe natureza é de extraordinária beleza, quando conseguimos desenvolver o olhar capaz de percebê-lo.

A árvore sobranceira, ornada de flores ou apinhada de frutos, cuja copa abundante tornou-se abrigo de animais e de caminhantes humanos, ainda a pouco tempo não passava de singela semente, em cuja intimidade o Criador estruturou o futuro do bosque ou da floresta.

O palácio real, soberbo, que alberga nobres famílias ou que serve de palco de diversas decisões para comunidades, confortável e seguro, foi erguido tijolo a tijolo, pouco a pouco, até que se alcançasse as dimensões projetadas. Até pouco tempo antes, toda a alvenaria que o compõe se encontrava desfeita no barro informe, no corpo planetário, portando, potencialmente, as condições para tornar-se útil, sob o comando da humana inteligência.

A peça valiosa de linho, que veste indivíduos e que enfeita ambientes, emprestando-lhes elegância, requinte e frescor, ainda a pouco tremulava ao vento, verdejante, num formoso e ágil bailado. Não passaria de erva ressecada e abandonada, sem valor, se a inteligência do homem não a tivesse identificado, manufaturado e posto ao alcance de todos, transformando-a em valioso tecido.

Assim também, vemos que a criatura de bem, generosa e digna, ordeira e operosa, que engrandece a vida, onde quer que esteja, do mesmo modo que o delinquente atormentado e violento, calculista e frio, alvo da lamentação e do pavor onde se apresente, não são outros senão as crianças que cresceram sob os auspícios do amor e da liberdade ou sob a pressão do infortúnio e das limitações morais, respectivamente, levadas que foram por mãos devotadas e atenciosas ou por outras, displicentes e viciosas. Por seu turno essas mãos pertenceram a adultos malformados, que passaram adiante o seu despreparo, ou foram próprias de outros indivíduos bem estruturados, que multiplicaram sua grandeza.

É tempo de atentarmos para o fato de que o futuro do nosso planeta, no que diz respeito aos campos da ética e da moral quanto da ciência e da arte, será feliz ou desditoso, conforme se ache sob a governança de almas moralmente sadias ou espiritualmente doentes, em função dos direcionamentos por nós impressos no trabalho educacional.

Efetivamente, os que temos sob nossos cuidados o conduzimento da educação infanto-juvenil, estejamos certos de que esses tempos bem aprumados do mundo ou os dias de desestruturação planetária estarão na dependência da nossa mentalidade e da nossa sensibilidade. Dependerá de nós a ventura ou a desventura da humanidade porvindoura, inquestionavelmente.

A luz que coroará o mundo ou a sombra que o poderá toldar, estão sendo, desde agora, elaborados por todos os que temos o dever de orientar e bem educar, a começar pelos pais e pelos professores, até estender-se à mais ampla sociedade.

Ditado por: Clélia Rocha, mensagem psicografada por Raul Teixeira, em 26.02.2006, na Fazenda Recreio, em Pedreira-SP

04 junho 2010

Agradecimento - Rosângela

Agradecimento

Na vida terrestre, bem podemos entender que toda a relação entre os seres e o Criador da Vida é demarcada pelo fenômeno do agradecimento.

A natureza sabe ser grata pelas ofertas do Criador, dando aos humanos sublimados exemplos nesse sentido.

O solo costuma agradecer ao Pai do Céu pela confiança do lavrador, quando guarda em seu seio as sementes prenhes dos recursos potencializados do futuro vegetal. O agradecimento do solo, assim, é a promoção da germinação da semente aninhada sob sua calidez.

O vegetal agradece a Deus enfeitando-se de flores, muitas vezes detentoras de raros perfumes e de cores exóticas. As flores, por sua vez, agradecem a ramagem que as sustenta, homenageando a vida com a oferta de seus frutos.

A brisa rende graças ao Senhor por poder movimentar-se, celeremente, em todo lugar, e, por isso beija as florações, refrescando-as, carinhosamente. As florações são agradecidas à brisa refrescante embalsamando-a com seu perfume.

A corrente fluvial agradece pelo leito em que se estira, no seu rumo para o mar, fertilizando as suas margens, que se tornam áreas abençoadas pela fertilidade.

As aves são gratas à vida e, por isso, emitem seu mavioso canto, enchendo de sonora harmonia seus espaços.

O Sol é reconhecido ao Criador por sua natureza estelar, e, por esse motivo, além de projetar seu brilho sobre o corpo lunar, opaco, tornando-o formidável lâmpada que derrama prata sobre a imensidão, esparge sementes de vida por todos os planetas que se lhe tornaram satélites.

A lua se mostra agradecida ao Supremo Pai e coopera grandemente para os movimentos das marés, que, agitando a enorme massa líquida, contribui para o equilíbrio planetário.

Como bem podemos ver, é verdade que tudo se une em agradecimento ao nosso Pai Maior. Cada coisa ou cada ser, a seu modo, sabe ser penhorado.

Pense, então, a respeito das suas relações com a vida e sobre o modo como tem se mostrado grato a Deus. Importante é que, muito embora possamos orar a Deus, com entusiasmo ou com tristeza n’alma, no cerne da nossa oração possamos não apenas pedir, mas, também, louvar e agradecer ao Dispensador Absoluto, através de uma existência rica de belezas, plena de construções nobilitantes, para que se estabeleça em cada um de nós a sonhada ventura, patrimônio inalienável de quem aprende a agradecer pelas bênçãos que recebe a cada momento, contribuindo com os projetos do Pai pelos caminhos do mundo.

Ditado por: Rosângela, mensagem psicografada pelo médium Raul Teixeira, em 25.12.2002, na Sociedade Espírita Fraternidade, Niterói-RJ

03 junho 2010

Ajudem os Pequeninos - Clélia Rocha

Ajudem os Pequeninos

Enquanto gorjeiam pássaros coloridos pelo espaço azul, há outros que, feridos, caídos dos ninhos, são dependentes da boa vontade de quem os encontra, ou contarão com o faro aguçado de outros animais que lhes oferecerão perigos.

Há tantas aves que chilreiam pelas campinas ou que revoam sobre os canteiros em flor, exibindo a beleza da sua plumagem e, gárrulas, dançam em plena corte.

Há, por outro modo, aquelas avezitas detidas, engaioladas, limitadas, cujos matizes não se exibem nos espaços, e que não têm a liberdade de beijar o Sol ou de desfrutar dos ventos que sopram sob os anilados céus.

Da mesma forma que encontramos aves livres e leves, bem como outras reclusas e limitadas, temos as crianças.

Existem tantos lares-gaiolas, lares-prisões, lares-opressão, em contraste com poucos lares-canteiros, lares-bosques exuberantes, lares-céus azuis. Os primeiros são os que reprimem, que enxergam somente o lado sombrio de tudo, que mutilam o caráter, que inibem a criatividade, que maculam a pureza ou que perturbam a alma infantil, pela imperícia ou má vontade dos adultos que os manejam, enquanto que os segundos são os lares como Deus deseja para os Seus filhos recém chegados às experiências corporais: lares que observam, que norteiam, que corrigem, que cooperam para o acerto, que incentivam o bem, que valorizam as conquistas felizes, que deixam crescer os pequenos, enfim.

Há crianças que esperam que algum amigo ou vizinho possa resgatá-las dos tentáculos dos seus próprios ninhos, que as devoram, aos poucos; há outras, porém, aflitas diante da perspectiva ou da atuação da violência, ansiosas, neurotizadas. Outras mais, deprimidas em face do abandono a que são relegadas, esperam, desesperançadas o que o amanhã lhes propiciará.

Pensemos nesses pequeninos, como pensamos em nossos pássaros, em nossas aves que correm risco de extinção, e tratemos de presenteá-los com a contribuição do acompanhamento maduro e afetuoso, da assistência escolar, da formação moral nobre e segura, das horas de ludicidade construtiva, a fim de que os auxiliemos a superar a infância difícil, a meninice em perigo, tal como costumam encontrar ao chegar à Terra.

Será muito importante evitar atulhar a mente infantil com os produtos da perturbação comum dos adultos, seja a torpeza do palavreado desvairado e obsceno, seja do noticiário criminoso e amedrontador. Que lhe poupemos do excesso de atividades que não lhe deem chance de vivenciar a sua infância. Para a criança deverá haver hora para tudo, para a escola e para o brinquedo, para o alimento e para o sono, para a festa e a vivência dela consigo mesma, sem que uma atividade não comprometa a outra, e para que ela aprenda a coordenar seu tempo, a disciplinar-se, forjando os dias de harmonia e de maturidade para os caminhos futuros.

Com Jesus, a nossa criança estará amparada, instruída e aconchegada, se nos dispusermos a dar-lhe o ninho dos nossos próprios braços e dos nossos corações, aprumado nas ramagens da nossa lúcida inteligência, como faria o Divino Mestre, que rogou para que ninguém impedisse de chegar até Ele os pequeninos.

Por: Clélia Rocha, mensagem psicografada pelo médium Raul Teixeira,em 08.02.2005, na Fazenda Recreio, Pedreira-SP

02 junho 2010

A Lei do Amor - Raul Teixeira

A Lei do Amor

O Evangelista João escreveu, no seu texto, que Deus é amor e que amou o mundo de tal modo que mandou Seu filho para que todos aqueles que no Seu filho cressem, nunca mais perdessem a vida, nunca mais perecessem. É muito importante pensarmos nisto. Deus é amor mas, muitas vezes, aprendemos a dizer essas frases e passamos a repeti-las mecanicamente. Poucas vezes nos damos o trabalho de nos deter no que é que esses textos significam, o que é que essas almas de escol, essas almas luminosas, que chegaram à Terra, desejaram nos dizer com o que disseram.

É a partir daí que verificamos que o amor é a essência da vida. Nada do que existe, nada do que existirá, em termos de vida planetária, em termos de vida cósmica, poderá ocorrer sem o amor. De fato, o amor é a alma da vida. Do mesmo modo que não conseguimos sobreviver no corpo físico sem o oxigênio, sem a respiração, sem a nutrição, não conseguimos viver animicamente, não encontramos saúde da alma fora das dimensões do amor. É tão importante amar que o Evangelista estabeleceu que Deus não é alguém que ama, mas que Deus é amor.

Quando pensamos em Deus, pensamos no amor. Mas, o amor se manifesta de multiplicadas formas. Dentro dos hábitos corriqueiros do mundo, pensamos no amor como relacionamento conjugal, fraternal, afetivo. Amor é a alma da vida. Alguém que plante uma árvore, que atire sementes ao solo, se não fizer isso com amor, isso míngua, se atrofia, a planta se estiola.

A mãe de família que cozinha, que serve a mesa, que lava, que passa, que atende a prole e ao marido, se não fizer isso com amor, terá acido nas suas mãos e fogo no seu olhar. Há que se ter amor para aguentar essa vida doméstica de todos os dias fazer-se as mesmas coisas.

É por causa disso que pensamos nessa magia do amor, que é Deus. Como o amor permeia as nossas realizações, as nossas relações, não nos custa verificar como é que nós nos encontramos, como é que nos temos encontrado relativamente a essa virtude. Quase sempre estamos aborrecidos com alguém, com algo, com a vida, com a política, com a economia, com os gastos, com a família, com os amigos. Poucas vezes nos abrimos para deixar o amor entrar em nós. No Evangelho segundo o Espiritismo, o Espírito Lázaro, um dos notáveis escritores da obra da Codificação Espírita, escreveu num de seus capítulos: Quando Jesus enunciou a Divina palavra amor, os povos estremeceram e os mártires, embriagados de esperança, desceram aos circos.

Somente a força do amor nos dá coragem. Quando um pai toma do seu filho doente e leva-o ao hospital, deixa-o ser submetido a intervenções cirúrgicas, é por amor. Senão o filho morre, senão fica aleijado, senão se acaba. Diante de alguém que nos agride, que nos ofende e silenciamos por minuto, tem que ser por amor para que não avancemos como se fôssemos uma fera, sobre aqueles que nos dizem o que não gostaríamos de ouvir. O amor é realmente a alma da vida. Não conseguimos nos imaginar fora da proteção do amor de pai, de mãe, de familiares. Não conseguimos imaginar-nos na Terra distanciados do amor de Deus que nos manda as primaveras, os outonos, os invernos, os verões, a cada ano, repetindo, em nome do amor, as quatro estações porque em cada uma delas retiramos o de que necessitamos para a nossa vida planetária. Só o amor de Deus.

* * *

Se não for por Deus, não conseguimos respirar. É esse Criador que acende todas as noites as estrelas, sem cansaço. Todos os dias nos dá a estrela solar, mesmo quando não a vemos nitidamente no céu nublado, é a claridade do sol filtrada através das nuvens densas.

Deus é amor. Mas vale recordar de que Jesus Cristo nos disse: Amai-vos uns aos outros tanto quanto vos tenho eu amado.Complicado imaginar que se possa amar como Jesus Cristo nos amou. No entanto, se essa foi uma proposta dEle, Ele sabia que precisaríamos realizar exercícios de amor. O amor não nos chega de repente, não brota em nós de repente. O que brota em nós de repente é a paixão, é o desejo.

O amor é fruto do tempo, das experiências, da convivência com coisas, com seres. Vamos aprendendo a ter esse olhar de profundidade para tudo, para as coisas e para as pessoas. É a partir daí que nasce o amor.

Alguém dirá: Eu amo o que eu faço. Não foi no primeiro dia. Possivelmente, no primeiro dia, tenha sido a coisa mais horrenda do mundo, mais perturbadora. Mas, à continuidade, passamos a tomar afeto por aquilo que fazemos. É o tempo que consagra o amor.

Amai-vos uns aos outros tanto quanto Eu vos tenho amado. Em outra ocasião, ainda nos disse o Mestre: Os meus discípulos serão reconhecidos por muito sem amarem. Que coisa importante ser discípulos de Cristo, identificados pela nossa capacidade de amar.

É tempo de começarmos a refletir a respeito do amor na Terra, que não se trata de abraços, beijinhos, afagos. Essa é uma dimensão do amor, do afeto conjugal, do amor fraternal. O amor é muito mais amplo. Se é o próprio Deus, abarca toda a Natureza.

Alguém que esteja na defesa das causas ecológicas, ama. Alguém que esteja na luta pelos direitos verdadeiros da Humanidade, nos direitos humanos, é porque ama. Alguém que quer defender as nossas camadas de ozônio para que o homem da Terra não adoeça, não se acabe de cânceres de pele, é porque ama. O cientista, que se interna num laboratório e se esquece, buscando vacinas, remédios, produtos que facilitem a vida da Humanidade terrestre, é porque ama.

A fonoaudióloga que, junto ao tartamudo, ao tatibitati, ao gago, à criança que sofreu traumas, realiza, diariamente, as mesmas lições, as mesmas terapias, sem imaginar quando terá sucesso... só amando. O fisioterapeuta, que toma da criança doente, do velho, do adulto, da pessoa que necessita dos seus préstimos e, sem saber quando terá êxito, trabalha, orienta, manipula com suas mãos luminosas, com os fluidos que saem de suas mãos, até conseguir bons resultados, é porque ama.

Daí, o amor permear todas as nossas ações. Para que sejam ações positivas, para que sejam ações do bem têm que estar nutridas pelo amor. É por causa disto que o Apóstolo Simão Pedro escreveu, numa de suas epístolas, que o amor e só o amor é capaz de cobrir multidões de pecados.

Diante de todos os nossos equívocos humanos, de nossos erros, de nossos agravos é por causa do amor que o Criador nos permite voltar à Terra, recomeçar experiências, retomar contatos, reestruturando, pouco a pouco, para esse dia sem ocaso que nos espera, para esse dia de intensa e inapagável luz.

É pelo amor e somente pelo amor que estamos hoje no mundo, ainda que estourem bombas, ainda que haja palavras de impropérios aqui e ali, ainda que haja maus homens, enfermas criaturas. Nada disso ocorre sem que o amor de Deus esteja sobrepairando e mesmo do mal que a criatura humana intenta realizar, no auge de sua enfermidade moral, Deus retira o bem para que ela tenha algum mérito e para que todos possamos ser felizes porque Deus é amor. Nunca esqueçamos disso.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 196, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná. Programa gravado em janeiro de 2009. Exibido pela NET, Canal 20, Curitiba, no dia 14.03.2010

01 junho 2010

Suicídio e seus Contornos - Raul Teixeira

Suicídio e seus Contornos

É sempre lamentável saber que alguém se suicidou. Todos temos algum caso sobre isso na nossa família, no nosso círculo de amigos ou pelas notícias que temos nos jornais, diariamente, não só no nosso país, mas em toda parte do mundo. O suicídio representa uma cota bastante larga de ocorrências no mundo inteiro. Há países tidos como de Primeiro Mundo, como é o caso da Suíça, da Noruega, da Holanda, da Suécia, em que os casos de suicídio se contam em cifras alarmantes. Chega-se a dizer que são os países onde há maior índice de autocídio, na Europa. Encontramos, no Japão, cifra de suicídios tremenda e, no nosso Brasil, no nosso país, há cidades onde a cota de suicidas cresce a cada dia.

Ficamos a nos perguntar de onde é que vem esse impulso autodestrutivo? De onde é que vem tudo isso? Quando estudou a questão, Sigmund Freud estabeleceu que todas as pessoas que matam alguém, que se tornam homicidas, também poderiam ser suicidas. Ele afirma que o suicida é uma pessoa que queria matar outra. Por qualquer impossibilidade, matou-se para culpar a outrem. É muito comum que suicidas deixem cartas, bilhetes incriminando pessoas, instituições, sociedades, confirmando esse estudo de Freud.

Tudo isso é importante, tudo isso é científico mas, ficamos procurando às razões que levam a criatura à autodestruição. Fundamentalmente, é a descrença na vida. Matam-se os indivíduos que admitem que a vida se acaba com a morte. Se eles tivessem a certeza de que a morte não destrói a vida, nos faz sair dos corpos mas não sair da vida, não se matariam. Trocar seis por meia dúzia. Nem é trocar seis por meia dúzia, simplesmente, porque quando alguém se mata, não chega no Além e continua vivendo com a tranquilidade ou com os problemas que estava vivendo aqui. Chega ao Além com esse acréscimo do complexo de culpa que se lhe instala porque, quando o indivíduo destruiu o seu corpo, seu casulo, seu doce jumento para sumir, para desaparecer, para deixar de ser e constata que, depois dessa tragédia, continua sendo, existindo, vivendo, é uma tremenda frustração.

Passa então o Espírito a conviver com essa frustração de saber que a morte não mata; nos retira do corpo mas não nos retira da vida. E isso é importantíssimo. Quando nos apercebemos dessa importância de não atentarmos contra a vida do corpo, tendo em vista que não iremos morrer, tendo em vista que ninguém morre, nós apenas desencarnamos, saímos da carne, é necessário perceber de que outras maneiras podemos nos matar.

Não é somente tomando de uma arma branca ou de uma arma de fogo. Não será somente ingerindo uma poção venenosa, fatal. Não será apenas dirigindo perigosamente no trânsito, que alcançamos o suicídio. O suicídio tem outras máscaras, tem contornos, tem nuanças que, muitas vezes, nos escapam. São exatamente esses contornos, essas nuanças que deveremos procurar entender para verificar se, na pauta do nosso cotidiano, não estaremos nos suicidando sem que disso nos apercebamos. É muito comum que as pessoas no mundo, mesmo aquelas que frequentam circuitos de crença religiosa, aquelas que se dizem religiosas tenham uma relação muito estranha com a vida e com a morte. Muita gente não sabe que vai continuar a viver depois da morte física. É importante saber.

* * *

Na Terra, conhecemos as várias modalidades de suicídios. Sabemos que muita gente apela para recursos, os mais diversos, para fugir do corpo físico. Mas é muito importante nos darmos conta de que há formas de suicídios que nem imaginamos. Na lei humana, nas cátedras do Direito se costumam considerar alguns crimes como crimes dolosos: aqueles que são cometidos com a intenção de quem os cometeu de alcançar aquele resultado. E há os que são chamados de crimes culposos, quando os indivíduos cometem um desatino, um erro, um crime, sem que tivessem a intenção de cometê-lo. Naturalmente que, no campo do suicídio, também podemos pensar em suicídio doloso e em suicídio culposo.

Há indivíduos, conforme dissemos, que lançam mão de uma arma branca, de uma arma de fogo, de uma poção venenosa, que se atiram de lugares altos para que se arrebentem nos mares, nas águas, nas pedras, seja onde for; que amarram bombas ao corpo e estouram e se arrebentam para arrebentar a terceiros. Esses são os suicidas dolosos. Sabiam que iam morrer, queriam se matar, seja qual for a motivação, seja chamado o suicídio honroso, suicídio pela honra, como se fazia no Japão, o harakiri; como no Vietnã, os bonzos, os sacerdotes budistas que ateavam fogo sobre o corpo e ficavam na posição de lótus, esperando morrer. Seja como for, esses são suicídios dolosos.

Mas a grande massa da Humanidade comete os suicídios culposos. Imaginemos uma pessoa que, ao longo da vida, fume desbragadamente. Vai queimando seu fluido vital. Beba desbragadamente. Vai queimando seu fluido vital. Pessoas que são irritadas o tempo todo, por qualquer coisa, aquelas que têm pavio curto demais e, por quaisquer coisas se estressam. Elas vão queimando vitalidade. As pessoas depressivas e que nada fazem para tratar a depressão, vão mergulhando, chafurdando, imergindo nesses pântanos de morte. São suicidas indiretos ou suicidas culposos. De alguma sorte, eles estão se matando.

Mas encontramos, dentre esses, aqueles que comem demasiadamente. Não comem para viver, vivem para comer, seja por ansiedade, seja por qual motivo for, por gulodice mesmo. Eles estão consumindo o corpo indevidamente.

Aqueles que se lançam a esportes radicalíssimos que, a qualquer momento, podem morrer. São suicidas potenciais, são suicidas indiretos, são suicidas culposos. Estão expondo o corpo a perigos desnecessários, seja em nome do que for.

Temos aqueles indivíduos que fogem do convívio com a Humanidade, que se isolam em mosteiros, em grutas, imaginando, no seu egoísmo, que, dessa maneira, estarão servindo a Deus. Ninguém serve a Deus no isolamento, a menos que esse isolamento seja para atender às necessidades do mundo. Servimos a Deus no mundo, lidando com as lutas, com as coisas, com as pessoas, trabalhando para que esse mundo melhore mas, não fugindo dele. Porque fugindo, eu consumo essa energia egoisticamente e patrocino a minha morte, antes do tempo, porque eu não troco mais energias de vida, fluidos de vida com os meus irmãos, com as outras pessoas.

Encontramos os suicidas indiretos ou os suicidas culposos, nas nossas atitudes diárias! Quando passamos aquelas noites longas sem dormir, por nada, cantando, brincando, festando. E o corpo se ressentindo da noite indormida ou mal dormida. Quando passamos no baile a noite inteira, várias vezes. Há ocasiões que a gente precisa ficar mas, há outras que não precisamos ficar. É preciso, então, que haja esse cuidado com a nossa vida, com o nosso corpo, com a nossa saúde.

A vida na Terra é tão rica, é tão importante e ninguém imagina que, ao provocar a própria morte direta ou indiretamente, estará escapando dos compromissos que tem com a evolução. Todos cresceremos ainda que seja sob o crivo das dores que provocamos.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 166, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná. Programa gravado em julho de 2008. Exibido pela NET, Canal 20, Curitiba, no dia 07.03.2010