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14 maio 2011

Débitos e Créditos - Raul Teixeira


Débitos e Créditos

O empresário Gordon Gould teve ensejo de expressar-se dizendo que, para ele, uma das coisas mais importantes desses tempos do mundo é a contabilidade de débitos e créditos. E ele alinhava uma série de razões para justificar o seu entendimento.

Vale lembrar que essa contabilidade de débitos e créditos nasceu no Século XV, mais propriamente em 1494 e foi criada por um monge franciscano chamado Luca Pacioli.

Esse monge franciscano criou essa metodologia exatamente para auxiliar aos mercadores, aos comerciantes, negociantes de Veneza que precisavam gerenciar suas economias crescentes.

Precisavam administrar seu dinheiro de uma forma eficiente e encontraram, no trabalho do monge franciscano Luca Pacioli, um elemento importantíssimo para que eles pudessem analisar perdas, ganhos, no bojo das suas realizações.

A partir daí, a Humanidade tem experimentado muito sucesso ao fazer uso dessa contabilidade: débito - crédito.

Isso entrou de tal modo na vida das comunidades do mundo inteiro que hoje faz parte dos cursos de contabilidade, de economia, de administração e usamos essa maneira de pensar, essa metodologia de lidar com valores, no nosso cotidiano.

Falamos em outros contextos a respeito de débito e crédito, em termos morais: Você tem débito comigo. Eu tenho crédito com você. Você tem créditos para comigo. Eu tenho débitos para com você.

A partir disso, a ideia de Luca Pacioli espalhou-se pelo mundo e é tão importante verificarmos que todos nós, de uma maneira ou de outra, teremos o nosso tempo de prestar contas do que estamos fazendo da nossa existência.

Não foi à toa que Jesus Cristo, um dia, exprimiu-Se dizendo que o administrador daria conta da sua administração.

Quando pensamos em administração, não é apenas a administração de negócios, de dinheiro mas, nesse sentido amplo, é a administração de nossa vida e, se não sabemos bem administrá-la, certamente contrairemos débitos.

Se conseguirmos bem administrar nossa vida, teremos os créditos decorrentes de nosso juízo, de nossa boa ação, da grandeza que criamos com a nossa vida na Terra.

Por isso é que nos cabe refletir, nos cabe pensar nessa dinâmica da vida de todos nós e de cada um em particular, que nos remete sempre a fazer esse balanço, entre os créditos que a Divindade nos confiou e os débitos que contraímos, face ao mau uso ou ao desuso desses créditos Divinos.

É por isso que percebemos que cada vez que usamos mal, por exemplo, o crédito da palavra, usamos mal o nosso falar, adquirimos débitos para o futuro.

Cada vez que utilizamos mal o crédito da visão, criamos problemas para o nosso amanhã.

O crédito dos nossos pés, da nossa inteligência, das oportunidades sociais, tudo isto vai fazendo parte dos elementos de que dispomos na Terra para viver da melhor maneira.

Você sabe quantas bênçãos a vida lhe ofereceu e lhe oferece? A família, os amigos, o trabalho, a saúde, as oportunidades variadas e não se justifica que, diante de tantas oportunidades, façamos mau uso. Nada obstante, muitas vezes, em nome da nossa loucura, da nossa inconsciência, acabamos por usar mal os créditos que a Divindade nos confiou e teremos que acertar isso um dia.

* * *

É importantíssimo, nesse capítulo de débitos e créditos, na contabilidade criada por Pacioli, verificarmos que, um dia, o Codificador Espírita Allan Kardec perguntou aos Bons Espíritos a respeito do que poderíamos fazer para superarmos as tentações do mal e para realizarmos com proveito a nossa jornada terrestre.

Os Nobres Guias da Humanidade responderam que um velho sábio da Antiguidade já nos houvera dito: Conhece-te a ti mesmo.

Allan Kardec voltou à carga e perguntou: Entendi o sentido desse autoconhecimento. O problema está exatamente em como fazê-lo. Como poderemos realizar isto?

O Espírito Santo Agostinho respondeu: Fazei como eu fazia quando estava no mundo. Ao final de cada dia, fazia o levantamento de como eu houvera vivido, aquilo que realizara em prejuízo do próximo, em meu próprio prejuízo. Aquilo que eu tivesse feito em contraposição às Leis Divinas.

Fazia uma tomada de débitos e créditos, dizemos nós e, graças a isso, ficamos com uma fórmula, digamos assim, para realizar esse esforço pelo autoconhecimento.

Não é fácil porque quase sempre nos ocultamos de nós mesmos ou, pelo menos, tentamos fazê-lo. Ao nos ocultar de nós mesmos, vamos dando desculpas que nada desculpam para os nossos atos: Eu fiz porque Fulano me provocou, eu deixei de fazer porque Beltrano não me ajudou.

Vamos sempre empurrando para longe, jogando para fora de nós as responsabilidades que são nossas.

Na medida em que queremos nos conhecer de fato, assumimos nossas falhas e nossos acertos. Aquilo que erramos, colocamos no prato simbólico de uma balança e aquilo que acertamos colocamos no outro prato da balança.

A partir daí, teremos o estabelecimento do peso entre débito e crédito, o que nos sobrará.

Quando estamos fazendo esforços por nos conhecer, não nos envergonhamos dos erros que ainda cometemos e nem queremos fugir dos acertos que empreendemos.

Há coisas maravilhosas que já fazemos. Para que esconder isso de nós? Para que fingir que não fazemos? Mas, ainda há muita sombra nas nossas atitudes e por que tentar ocultar isso de nós?

Se carregarmos uma mazela, uma ferida e negarmos que a conduzimos, quando é que vamos tratá-la?

O mais especial é quando assumimos que levamos uma chaga aberta porque então muitos se apresentarão para ajudar nesse processo do tratamento.

Cada qual de nós diante da vida carrega as coisas boas que já fez, as coisas felizes que faz, seus créditos. O bom uso daquilo que Deus nos deu, o bom uso daquilo que Deus nos dá são créditos mas, muitas vezes, fugimos do bom tom, nos perdemos nesses labirintos de equívocos e carregamos débitos.

Não há nenhum motivo para desesperação, não há nenhum motivo para que nos percamos desfigurados de remorsos, desejando morrer. O tempo de agora é o tempo da oportunidade. Desejaremos viver para corrigir o que ficou mal pintado em nossa tela.

É o tempo de acertar, corrigindo o passo que não tenha sido bem dado em nossa vida e, graças a isso, trabalharemos no sentido de que a contabilidade Divina possa reconhecer nossos créditos e justificar os nossos débitos com as coisas boas que fazemos.

Foi o Apóstolo Simão Pedro que fechou de forma notável esse ensinamento ao nos dizer que o amor cobre multidões de pecados.

Todos nós na Terra somos Espíritos nessa faixa de provações, de expiações, com necessidades de aprender, de pagar dívidas mas com a grande oportunidade de desenvolver em nós o amor sob todos os aspectos consideráveis, porque somente o amor cobre multidões de pecados.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 203, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná.

13 maio 2011

A Edução - Raul Teixeira


A Educação

Incontestavelmente, a educação é fundamental para a nossa vida no mundo.

Quase sempre nos referimos à educação de uma maneira muito subjetiva, como se educação fosse algo por demais transcendente.

Nada obstante, temos que nos dar conta de que podemos distribuir a educação em vários compartimentos.

Tudo aquilo que represente uma modificação nos nossos hábitos, nas nossas posturas, na nossa cultura, tudo aquilo que nos renova de alguma maneira, chamamos de educação.

Educar, sem dúvida, é a arte de moldar o caráter, de forjar o caráter, de construí-lo. E, dessa maneira, educação tem mil faces.

Podemos nos dizer pessoas educadas, quando sabemos conversar, deixarmos que o outro fale, esperarmos a nossa vez, sem interditar, sem interromper, sem gritar, sem esbravejar, sem desejar que a nossa palavra seja a última e definitiva. Isto representará uma educação dialogal. Sabemos dialogar.

Diálogo será sempre conversa de dois ou mais.

Poderemos ter a educação linguística quando conseguimos falar na nossa língua sem cometer desatinos linguísticos, sem incidirmos em tantas falhas que enfeiem o nosso idioma.

Porque mudamos de comportamento ao falar, obviamente isso será uma educação e aí temos a educação envolvida com outro elemento bastante especial, que é a instrução.

A instrução se refere sempre ao acúmulo de valores que a alma vai fazendo, que a mente vai fazendo, que o indivíduo vai realizando.

Todas as vezes que trabalhamos elementos de aprendizagem, estamos na faixa da instrução.

Eu preciso aprender determinadas palavras. Preciso aprender a tocar um instrumento. Preciso aprender a cozinhar determinado prato. Preciso aprender...

Se eu preciso aprender trazendo coisas de fora para dentro, naturalmente esse aprendizado se refere à instrução.

Obviamente, se eu preciso aprender determinada coisa, é para que essa coisa aprendida interfira no meu modo de ser, no meu caráter, na minha relação social, na vivência comigo mesmo e na vivência com os outros.

É por isso que é tão importante a educação.

Poderemos ter alguém que instrua, sem nenhum objetivo educacional, mas será impossível que alguém eduque, sem contar com a instrução. Porque a educação é o manejo que se faz da instrução, aquilo que nós sabemos de que modo utilizamos.

Por isso nos referimos à fala, conversa. Sabemos falar.

Mas como é que eu falo? Como é que eu me relaciono com as pessoas ao falar?

E a voz nos foi dada por Deus, para que pudéssemos viver em sociedade. Para que fosse um elemento relacional entre nós.

Dessa forma, educar é algo fundamental para a nossa vida na Terra.

Nesse campo educativo, vale a pena não nos esqueçamos, da questão instrucional.

É importante que nossas crianças vão à escola, mas não apenas para terem conhecimentos na mente. Não apenas para desenvolver o cérebro, mas para que esses conhecimentos por elas adquiridos, possam transformar-lhes a vida.

Toda criança, todo menino, todo jovem bem educado transforma-se e em torno de si, transforma tudo que faz. Ele sabe dizer sim, ele sabe dizer não e entende porque deve dizer sim e porque deve dizer não.

Dessa maneira, não deveremos perder de vista a importância, a grandeza de mandarmos nossa criança à escola. Não para que ela seja sabichona, mas para que seja uma pessoa do bem.

É fácil encontrarmos alguém instruído agindo mal mas, se essa criatura não tem instrução, terá muito mais facilidade de agir no mal por não entender as razões do bem.

Deste modo, nos desenvolvemos moralmente, quando somos capazes de distinguir o que é bem do que é mal, quando temos essa habilidade de fazer boas escolhas na vida, de saber o que é fundamental para que sejamos felizes e que levemos outras pessoas a mesma felicidade.

* * *

O pensador David Premack escreveu que o Homo sapiens é o único primata que conseguiu desenvolver um sistema pedagógico ativo. Conseguiu construir uma pedagogia ativa.

Por causa disso, entendendo a pedagogia como essa arte de saber o que se deve ensinar, a quem, o nível daquilo que deveremos passar para alguém, considerando os níveis intelectuais, os níveis gerais de desenvolvimento desse alguém, obviamente que essa é uma construção do primata humano, do Homo sapiens.

Então, essa fala do notável Premack nos leva a refletir a respeito da importância de usarmos de uma boa pedagogia para ensinar as coisas que precisamos ensinar. Cada vez que temos diante nós uma criança, a primeira pergunta que nos fazemos é: O que ensinar para esta criança? O que repassar-lhe?

Quando nos fazemos tal tipo de pergunta, temos uma resposta que foi dada pelo Espírito Santo Agostinho, nas páginas de O Evangelho Segundo o Espiritismo, quando ele nos chama a observar nossa criança desde o berço, a fim de que possamos captar-lhe as inclinações.

A criança nos mostra como ela é e quem ela é, nas suas mínimas expressões, desde o berço.

O Benfeitor espiritual nos chama a analisar o comportamento do bebê. Como é que ele chora, como é que ele anuncia estar com fome, como é que ele anuncia estar desconfortável, com as roupas molhadas...

Pela maneira como ele se manifesta, os pais, os adultos já poderão observar como será a índole dessa criança.

Quando vamos identificando como é a criança teremos possibilidade de elaborar um projeto educacional para essa criança. E cada criança é diferente da outra.

Enquanto para uma deveremos ensinar as regras da boa convivência com os irmãozinhos ou com os coleguinhas, para outro não precisaremos mais. Mas ensinaremos para o outro a higienização do corpo, os hábitos salutares de banhar-se, de escovar os dentes, de pentear-se.

Começamos a perceber que, se prestarmos atenção nas nossas crianças desde muito novinhas, perceberemos como estabelecer um plano de educação.

O que passar para essa criança? O que passar para aquela outra criança?

Aí temos uma pedagogia ativa, não estamos flutuando em quimeras ou teorizações, estamos agindo em cima de observações práticas.

Na hora que o professor entrar na sala de aula, no primeiro dia e começar a dar matéria para seu aluno, ele terá perdido um tempo enorme, porque ele não checou, não verificou, não fez uma diagnose de como estão seus alunos em geral, para saber a partir de onde começar, como começar.

É importante verificarmos que uma geração bem educada é capaz de preservar a cultura dos seus ancestrais, a cultura do seu povo, a boa cultura social.

Mas, uma geração mal educada será capaz de destruir rapidamente, todas as conquistas, todas as invenções que as gerações anteriores tenham construído.

Então, ao verificarmos a importância de escolarizar nossa criança, de escolarizar o nosso jovem, teremos em mente que não os escolarizaremos, apenas para que eles sejam indivíduos que tenham conhecimento, mas para que saibam usar esses conhecimentos em prol da vida, em prol das suas vidas, sem dúvida. Mas fundamentalmente, em prol da sociedade na qual nasceram e onde vivem.

Dessa maneira, perceberemos a importância da educação como fator de crescimento espiritual. Já que entendemos que educar é a arte de formar o caráter, poderemos formá-lo mal, poderemos formá-lo bom. Diremos que alguém é mal-educado ou que alguém é bem-educado, mas ao educar bem o indivíduo, estaremos pensando no progresso social que começa no progresso individual.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 200, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná

12 maio 2011

A Luz Elétrica - Raul Teixeira


A Luz Elétrica

Foi um sonho, há muito tempo acalentado, esse de o homem poder viver num ambiente iluminado. Esse sonho foi motivo de múltiplas experiências de um americano notável chamado Thomas Alva Edison.

Em 1828 ele conseguiu, pela primeira vez, a lâmpada elétrica de filamento. Mas a lâmpada tinha um filamento de carvão. Não é difícil imaginar-se a sua pequena durabilidade.

A partir do momento em que a criatura humana conseguiu esse feito, a partir de Thomas Alva Edison, tudo se modificou na sociedade.

Cinquenta anos depois, Joseph Swan patenteou a lâmpada incandescente e ela passou a ser industrializada, mandada para todas as partes do mundo. Surjiram fábricas, em todas as partes do mundo e, com isto, o mundo se transformou.

É inconcebível hoje, para nossa mentalidade, um mundo sem luz elétrica.

Ficamos a pensar no que seria uma casa iluminada por tochas, por candelabros, por velas.

Hoje vemos nisso um toque romântico, um jantar à luz de velas. Contudo viver uma vida inteira tendo que ler, fazer os serviços domésticos, tratar de doentes, costurar utilizando-se de velas, de tochas, de lampiões, de lamparinas... Inconcebível!

Nesse mundo de hoje, na era da informática, quando se apertam botões e se acendem cidades inteiras, imaginemos o início do século XIX, quando surgiu a grande invenção de Thomas Edison.

Quando pensamos na luz elétrica e tentamos imaginar o que ela representou para o progresso do mundo, sentimos, no fundo d’alma, uma grandíssima emoção.

Aquele homem que pensava que podia conseguir o que veio por fim a lograr, realizou quase um milhar de experiências.

Amigos seus tentavam dissuadi-lo: Edison, desista. Afinal de contas, você já fez quase oitocentas experiências e todas redundaram em erro.

Mas Edison, pertinaz, afirmava: Agora já sei as quase oitocentas formas que não dão certo. Devo estar mais próximo do meu objetivo.

E estava certo Thomas Edison porque logo, logo ele viria a incandescer um pequeno troço de carvão.

Há invenções no mundo que são, incontestavelmente, Divinas e quando falamos dessa possibilidade de iluminar, de fazer luz, a lâmpada elétrica situa-se nesse patamar de uma invenção Divina.

A natureza nos fala da importância da luz porque nos deu, ao longo do dia, o brilho solar. Quando estamos vivendo sob o brilho do sol, complicado pensar na noite escura.

Quando estamos refletindo sobre a noite escura, temos a oportunidade de pensar no brilho do luar e nos beijos cintilantes das estrelas.

A natureza Divina nos fala sempre da luz. Diz o Velho Testamento, logo no primeiro versículo do primeiro capítulo do Gênesis: Era tudo treva. No princípio, eram as trevas e o Espírito do Senhor flutuava sobre a face do abismo.

Depois dessa narrativa, o biblista colocou: E o Senhor fez a luz. Faça-se a luz. Fiat lux. E a luz se fez.

A luz, então, é a grande mensagem do Criador diante das trevas que ainda obnubilam a vida humana.

* * *

Mais tarde, no texto do Novo Testamento, temos a figura emblemática de Jesus de Nazaré. Ele se dirige aos discípulos e à multidão que O cercava e afirma sem rebuços: Eu sou a luz do mundo. Aquele que andar em mim, jamais conhecerá as trevas.

Quando Jesus Cristo estabelece que Ele é a luz do mundo, não podemos e não devemos cogitar de que Ele seja uma luz física. Ele falava de uma luz mental, de uma claridade espiritual, de algo que Ele viera trazer ao mundo para retirar-nos das nossas sombras.

Sombras de ignorância, noites de maldade, escuridão dos tormentos. Então, Ele viera como um astro do dia, uma estrela de primeira magnitude, com essa coragem de dizer, em pleno período das sombras: Eu sou a luz do mundo.

Mas o Homem de Nazaré não Se deteve a dizer-nos que Ele é a luz do mundo. Propôs que nós também trabalhássemos por desenvolver a nossa própria claridade: Brilhe a vossa luz.

Ora, se não estamos tratando de escuridão física, estamos tratando dessa escuridão espiritual, essas sombras da ignorância que tomam conta de nós e fazem com que expressemos um temperamento rebelde, covarde, traiçoeiro.

Jesus propõe que façamos brilhar a nossa própria luz, porque somos lucigênitos. Fomos criados, gerados pela luz de Deus. Lucigênitos, gerados pela luz. A partir dessa concepção, temos o dever de trabalhar o quanto nos seja possível para sairmos das trevas do não saber, do não sentir, do não amar, do não viver.

Todas as vezes que imaginamos o nosso brilho pessoal, a nossa luz interior, compreendemos ou julgamos compreender o que Jesus Cristo nos quis transmitir ao nos incentivar para que deixássemos ou para que fizéssemos brilhar a nossa própria luz.

Em outro momento, nos textos de Mateus, assevera o Celeste Amigo: Quando os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz.

Os nossos olhos bons não são os olhos da face. É a nossa maneira de ver as coisas, nossa visão de mundo, nosso olhar sobre as pessoas.

Na medida em que formos misericordiosos, atenciosos, fraternos para com os outros e seus problemas, é natural que estaremos evoluindo, crescendo na direção do Altíssimo.

Todo o nosso ser espiritual, o nosso corpo espiritual, nosso corpo astral brilhará: Todo o teu corpo terá luz.

Quando refletimos sobre esses ensinamentos do Homem de Nazaré: Eu sou a luz do mundo; Brilhe a vossa luz; Quando os teus olhos forem bons todo teu corpo terá luz, não podemos esquecer de outra figura grandiosa, na História do Mundo Ocidental, a segunda expressão de amor que a Terra conheceu, depois de Jesus: Francisco Bernardone.

Sim, Francisco de Assis. No momento em que desejava apresentar-se ao Senhor como trabalhador legítimo, encorajado pelo ideal, naquela chamada oração simples, o pobrezinho de Assis, o doce cantador de Deus se expressou dizendo: Senhor, fazei de mim um instrumento da Vossa paz. E entre vários itens: Onde houver trevas que eu leve a luz.

Todos os grandes gênios espirituais do mundo valorizaram a luz. Não é à toa que o grande Siddhartha Gautama, o grande Buda, é chamado a Luz da Ásia.

Por isto, quando Jesus afirma ser a luz do mundo, Ele ultrapassa as dimensões de todas as terras, de todos os seres e se mostra de fato como a Luz, Modelo e Guia para todos nós.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 204, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná

11 maio 2011

Mente e Comportamento - Joanna de Ângelis


MENTE E COMPORTAMENTO

Na faixa vibratória na qual localizes a mente, daí haurirás a correspondente energia.

Quem desce ao charco respira umidade, da mesma forma que, em se elevando à montanha, aspirará oxigênio puro.

Situando o pensamento nas fixações amargas quão deprimentes de acontecimentos infelizes, vitalizá-los-ás, trazendo-os à realidade dos dias presentes, para o teu próprio infortúnio.

Agasalhando as idéias de sublimação pessoal, por mais se te pareçam difíceis de conseguidas, acostumar-te-ás com a possibilidade, e, de um para outro momento, estarás vivenciando esse estado superior.

Cada criatura vive, no mundo objetivo, conforme os seus estados íntimos, mentais.

Educar o pensamento, criando os hábitos da prece e da elevação moral, constitui uma tarefa-desafio, que deve ser enfrentada de imediato.

A mente plasma, no campo da ideação, os desejos, que depois se transformam em realidades que passam a participar da vida, na área das formas.

Ideoplastias variadas assaltam o homem, no seu trânsito evolutivo, conforme o lugar e a aspiração psíquica mais apetecível.

Fantasmas de enfermidades inexistentes, necessidades criadas por desequilíbrios, tormentos de largo tempo, frustrações de curso afligente, decorrem da preferência mental de quem lhes experimenta a compressão.

Ninguém consegue viver sem os hábitos que se lhes tornam "uma segunda natureza" influenciando grandemente a sua própria natureza.

Como pessoa alguma, na normalidade mental, não vive sem pensar, é claro que, não cultivando as boas, elaborará as más aspirações.

A mente responde pela vida.

O Espírito exterioriza, mentalmente, os estados em que transita, cabendo-lhe esforçar-se por modificar os quadros íntimos, crescendo em contínuo esforço na direção das metas libertadoras.

Considerando que tudo quanto empreendas resulta negativo, altera o clima mental e age com tranqüilidade, aguardando os resultados.

Tendo em vista as ocorrências afligentes que te surpreendem, abre-te, psiquicamente, ao amor, e descortinarás paisagens menos tristes.

Experimentando doenças ou dissabores freqüentes, reage, no campo das idéias, cultivando a saúde, e se te renovarão os quadros orgânicos e emocionais.

Insiste nos pensamentos positivos, como quem reconhece a existência dos espinhos na haste da roseira, porém, prefere deter-se extasiado ante a flor, embora cuidando-se daqueles.

Queixa, azedume, amargura, revolta, deves substituir por confiança, otimismo, renovação, paciência, do que resultará a tua paz.

Como não podes viver sem a presença das idéias, coloca aquelas que te promovam à saúde e ao bem-estar.

Respirarás, emocionalmente, conforme o clima em que situes os teus programas de evolução.

"Busca primeiro o reino de Deus – propôs Jesus com sabedoria – e tudo mais te será acrescentado."

JOANNA DE ÂNGELIS (espírito)
Psicografia de Divaldo Franco
Livro: Vigilância

10 maio 2011

Queixa e Reencarnação - Joanna de Ângelis


QUEIXA E REENCARNAÇÃO

O homem somente possui motivos para agradecer e louvar, jamais para queixar-se.

Se lhe falta a saúde, mediante o conhecimento da reencarnação sabe que expunge delitos cometidos em existência anterior contra o equilíbrio orgânico ou psíquico, de cuja falta ora se ressente.

Se experimenta a dificuldade financeira, pelo mesmo descobre que a escassez atual é decorrência do desperdício a que antes se entregou, levianamente.

Se recolhe calhaus e espinhos pela senda por onde peregrina, constata que a semeadura é sempre responsável pela colheita.

Se carpe amargura e abandono, detecta que tem aquilo que negou a outros corações quando lhe buscaram socorro e companhia.

Se vive sob os camartelos da aflição íntima, sem bálsamo que lhe minimize a agonia dilaceradora, percebe que repara exigências descabidas que lesaram vidas e as exauriram sob injunções perversas.

Para cada situação amarga defronta análoga dívida pretérita responsável pela situação hoje existente.

No entanto, são incontáveis os dons e os valores de que desfruta.

A reencarnação é a resposta para todas as ocorrências da vida humana.

Crescendo através de etapas, o Espírito é o responsável por todas as manifestações de felicidade ou de desdita que o surpreendem no processo evolutivo.

Queixar-se, portanto, é atitude negativa, anestesiante, mecanismo de evasão da responsabilidade.

Cabe a cada um corrigir o erro pela realização operante no bem.

A função básica do conhecimento é a libertação da ignorância com a consequente responsabilidade moral.

Quem sabe, melhor avança, mais seguro se movimenta.

O conhecimento Espírita, por sua vez, possui a superior característica de mudar para melhor a estrutura moral e emocional da criatura, a fim de que esta logre vencer os testes da evolução, a que todos são submetidos, no processo natural de crescimento interior e aquisição de paz.

Joanna de Ângelis (espírito)
Psicografia de Divaldo Franco
Livro: Vigilância

09 maio 2011

Servir para Merecer - Batuíra


SERVIR PARA MERECER


Finalizando as nossas atividades na noite de 4 de agosto de 1955, tivemos a palavra do grande companheiro Antônio Gonçalves Batuíra, denodado pioneiro do Espiritismo no Estado de São Paulo, que, de modo vibrante, nos convocou ao valor moral para mais alto padrão de eficiência da nossa tarefa espírita.

Meus irmãos, que a divina bondade de Nosso Senhor Jesus - Cristo seja louvada.

Pedir é mais que natural, no entanto, é razoável saber o que pedimos.

Habitualmente trazemos para o Espiritismo a herança do menor esforço, haurida nas confissões religiosas que nos viciaram a mente no culto externo excessivo, necessitando, assim, porfiar energicamente para que a vocação do petitório sistemático ceda lugar ao espírito de luta com que nos cabe aceitar os desafios permanentes da vida.

No intercâmbio com as almas desencarnadas, procedentes da esfera que vos é mais próxima, sois surpreendidos por todos os tipos de queda espiritual.

Sob tempestades de ódio e lágrimas, desesperação e arrependimento, consciências culpadas ou entorpecidas vos oferecem o triste espetáculo da derrota interior a que foram atiradas pelo próprio desleixo.

É que, soldados da evolução, esqueceram as armas do valor moral e da vontade firme com que deveriam batalhar na Terra, na aquisição do próprio aprimoramento, passando à condição parasitária daqueles que recebem dos outros sem darem de si e acabando o estágio humano, à feição de fantasmas da hesitação e do medo, a se transferirem dos grilhões da preguiça e da pusilanimidade à escravidão àquelas Inteligências brutalizadas no crime que operam, conscientemente, nas sombras.

Levantemo-nos para viver como alunos dignos do educandário que nos recolhe!

Encarnados e desencarnados, unamo-nos no dinamismo do bem para situar, sempre mais alto, a nossa oportunidade de elevação.

É inútil transmitir a outrem o dever que nos compete, porque o tempo inflexível nos aguarda, exigindo-nos o tributo da experiência, sem o qual não nos será possível avançar no progresso justo.

Todos possuímos escabroso pretérito por ressarcir, e, dos quadros vivos desse passado delituoso, recolhemos compulsoriamente os reflexos de nossos laços inferiores que, à maneira de raízes do nosso destino, projetam sobre nós escuras reminiscências.

Todos temos aflições e dúvidas, inibições e dificuldades, e, sem elas, certamente estaríamos na posição da criatura simples, mas selvagem e primitivista, indefinidamente privada do benefício da escola.

Clareemos o cérebro no estudo renovador e limpemos o coração com o esmeril do trabalho, e, então, compreenderemos que o Senhor nos emprestou os preciosos dons que nos valorizam a existência, não para rendermos culto às facilidades sem substância, engrossando a larga fileira dos pedinchões e preguiçosos inveterados, mas sim para que sejamos dignos companheiros da luz, caminhando ao encontro de seu amor e de sua sabedoria, com os nossos próprios pés.
Saibamos, assim, aprender a servir para merecer.

Pelo Espírito Batuíra
Do livro: Vozes do Grande Além
Médium: Francisco Cândido Xavier - Espíritos Diversos

08 maio 2011

Berço e Mãe - Maria Dolores


Berço e Mãe

Prosseguindo, Senhor, nos teus caminhos,
Em que a tua bondade nos conduz,
Deixa-me agradecer-te o berço generoso
Que me cedeste, um dia, ao anseio de luz.

Esse é o brinde mais belo que conservo
Nos meus ricos tesouros da lembrança,
Porquanto foi no mundo, Amado Amigo,
Que te encontrei o amparo sem mudança.

Em criança de colo, ante uma tela antiga,
Pela fé, minha mãe, me pedia te olhar:
"Fala, filha, quem é?...e eu dizia "Jesus!..."
E nunca me esqueci dessa benção do lar.

Depois, saí à luta, ao trabalho da escola,
A vida era lição, de instante para instante,
Mas foste sempre em mim, por toda parte,
O invisível pastor e o socorro incessante.

Senhor, tu que venceste o tempo e a morte,
Segues hoje conosco, dia-a-dia,
E te fazes clarão, hora por hora,
Nutrindo-nos no peito a força que nos guia.

É por isso, Jesus, que te relembro,
A fim de agradecer-te, estejas onde estejas,
Repetindo a cantar, na pauta da esperança:
"Sê bendito, Senhor!...Louvado sejas!..."

Espírito: Maria Dolores
Do livro: Tesouro De Alegria
Médium: Francisco Cândido Xavier - Espíritos Diversos

07 maio 2011

Igreja Livre - Emmanuel


IGREJA LIVRE

"Mas a Jerusalém que é de cima, é livre, a qual é mãe de todos nós." - Paulo. (Gálatas, 4:26.)

O exame isolado deste versículo sugere um tema de infinita grandeza para os discípulos religiosos do Cristianismo.

A palavra do apóstolo aos gentios recorda-nos a igreja liberta do Cristo, não na esfera estreita dos homens, mas no ilimitado pensamento divino.

O espírito orgulhoso e sectário, há tanto tempo dominante nas atividades da fé, encontra na afirmativa de Paulo de Tarso um antídoto para as suas venenosas preocupações.

Em todas as épocas, têm vivido na Terra os nobres excomungados, os incompreendidos valorosos e os caluniados sublimes. Passaram, nos círculos das criaturas, qual acontece ainda hoje, perseguidos e desprezados, entre o sarcasmo e a indiferença.

Por vezes, sofrem o degredo social por não se aviltarem ante as explorações delituosas do fanatismo; em outras ocasiões, são categorizados à conta de ateus pelas suas idéias mal interpretadas.

É que, de quando em quando, rajadas de ódios e dúvidas sopram nas igrejas desprevenidas da Terra. Os crentes olvidam o "não julgueis" e confiam-se a lutas angustiosas.

Semelhantes atritos, contudo, não alteram a consciência tranqüila dos anatematizados que se sentem sob a tutela do Divino Poder. Instintivamente, reconhecem que além da esfera obscura da ação física resplandece o templo soberano e invisível em que Jesus recolhe os servidores fiéis, sem deter-se na cor ou no feitio de suas vestimentas.

Benfeitores e servos excomungados dos caminhos humanos, se tendes uma consciência sem mácula, não vos magoe a pedrada dos homens que se distanciam uns dos outros pelo separatismo infeliz! Há uma Igreja augusta e livre, na vida espiritual, que é acolhedora mãe de todos nós! ...

Do livro "Vinha de Luz"
Pelo Espírito Emmanuel
Médium: Francisco Cândido Xavier

06 maio 2011

Endereços da Cruz - Emmanuel


ENDEREÇOS DA CRUZ

Por ensinamento vivo e silencioso, o Cristo deixou-nos a cruz por mensagem, destinada a múltiplos endereços.

Para os que buscam elevação – oferece o traço vertical, simbolizando o caminho reto para a Vida Superior.
Para os fortes – convite ao sacrifício pessoal pela felicidade dos outros.
Para os fracos – refazimento.
Para os desvalidos – esperança.
Para os bons – chamamento ao serviço espontâneo em favor do próximo.
Para os maus – apelo à regeneração.
Para os caídos – coluna de apoio para que se levantem.
Para os ociosos – intimação muda ao trabalho.
Para os diligentes – diretriz.
Para os transviados – ponto de retorno ao rumo certo.
Para os que choram – encorajamento.
Para os enfermos – proteção.
Para os solitários – companhia.
Para os cansados – refúgio.
Para os descrentes – desafio.
Para os irresponsáveis – advertência.
Para os perseguidos – socorro.
Para os ofensores – tolerância.
Para os aflitos – reconforto.
Para os desertores – lição.

E para todas as criaturas, quaisquer que sejam, como estejam e onde estejam, a cruz oferece o traço horizontal, expressando, em qualquer tempo, a Infinita Misericórdia de Deus, sempre de braços abertos.
A paz pode passar a residir hoje mesmo em nosso campo íntimo. Basta lhe ofereçamos o refúgio da compreensão e isso depende unicamente de nós...

Do livro "Paz"
Pelo Espírito Emmanuel
Médium: Francisco Cândido Xavier

05 maio 2011

Uma Escola da Alma - Irmão José


UMA ESCOLA DA ALMA

O Centro Espírita é, de fato, uma escola da alma.

Não encontramos uma definição mais apropriada do que esta, para caracterizar o que deve ser a missão de um templo que se edifica em nome da Doutrina.

Afora o trabalho espiritual socorrista e as obras de benemerência social, os dirigentes de um Centro devem priorizar o estudo do Espiritismo para todos os seus frequentadores, mantendo reuniões sistemáticas em torno dos livros da Codificação, bem como daqueles que desenvolvam com fidelidade o pensamento de Allan Kardec, quer de autores encarnados ou desencarnados.

As referidas reuniões de estudo precisam ser acessíveis a todos, mormente aos médiuns que, não raro, revelam uma falta de informação muito grande sobre a Doutrina, dificultando o trabalho da Espiritualidade por seu intermédio.

Ao invés de apenas reuniões em que se efetuam simples comentários evangélicos, a maioria deles improvisados, sem a sequência de capítulos, como seria de desejar, dever-se-iam promover outras, de caráter público, onde o auxílio do passe e da fluidificação das águas não fosse dispensado,
mas em que predominasse o estudo mais aprofundado da Terceira Revelação.

Não estamos nos referindo a reuniões excessivamente longas e eruditas, distantes da simplicidade dos nossos postulados e do entendimento da maioria dos nossos irmãos.

Nem tampouco nos reportamos àquelas assembleias seletas, as quais obtêm acesso apenas os portadores de títulos acadêmicos.

Tocamos no assunto porque, como alguém já disse alhures, o Espiritismo, para os próprios espíritas, sem a intenção de generalizar, permanece sendo um grande desconhecido, de vez que mesmo as suas obras básicas, para esses, continuam inéditas em suas páginas.

O Centro Espírita não pode ser encarado somente como um hospital.

Jesus, embora curasse os doentes, aceitou para si o título de Mestre, como a nos dizer que é a ignorância a raiz de todos os males que afligem a Humanidade.

O Senhor curou e prossegue curando muitos corpos enfermos, mas o seu objetivo maior é o de curar almas.

Quanto mais o espírita estudar o Espiritismo mais se lhe solidificará a fé e, consequentemente, mais responsável se sentirá.

O Espiritismo é o Consolador da divina promessa, mas também é a Verdade da suprema libertação.

Se devemos socorrer, devemos, igualmente, esclarecer.

Ao prefácio de O Livro dos Espíritos, sob o título de “Prolegômenos”, Allan Kardec escreveu: “Os Espíritos anunciam que os tempos marcados pela Providência, para uma manifestação universal, são chegados, e que, sendo os ministros de Deus e os agentes de sua vontade, sua missão é instruir e esclarecer os homens abrindo uma nova era para a regeneração da Humanidade. E o Espírito de Verdade, nas páginas luminosas de O Evangelho segundo o Espiritismo, nos conclama: “Espíritas, amai-vos, eis o primeiro mandamento; instrui-vos, eis o segundo.”

Incentivemos as reuniões públicas de estudo da Doutrina, sem nos preocuparmos, de início, com o número de seus frequentadores, e teremos, para breve, uma legião de companheiros conscientes e devotados à nossa Causa de Amor e Luz.

De “Seara de Luz”
Médium: Carlos A. Baccelli
Epírito: Irmão José

04 maio 2011

Na Hora do Desânimo - Emmanuel


Na Hora do Desânimo

TEMA: Nunca desanimar na seara do bem.

Desânimo em ação espírita-cristã é francamente injustificável.

Vejamos alguns apontamentos, suscetíveis de confirmar-nos o asserto.

Se fomos ludibriados, na expectativa honesta em torno de pessoas e acontecimentos, o desânimo nos indicaria o propósito de infalibilidade, condição incompatível com qualquer espírito em evolução; se incorremos em falta e caímos em desalento, isso mostraria que andávamos sustentando juízo excessivamente benévolo, acerca de nós mesmos, quando sabemos que, por agora, somos simples aprendizes na escola da experiência; se esmorecemos na tarefa que nos cabe, tão-só porque outros patenteiem dentro dela competência que ainda estamos longe de alcançar, nossa tristeza destrutiva apenas nos revelaria a reduzida disposição de estudar e trabalhar, a fim de crescer, melhorar-nos e merecer; se nos desnorteamos em amargura pelo fato de algum companheiro nos endereçar determinada advertência, nesse ou naquele passo da vida, tal atitude somente nos evidenciaria o orgulho ferido, inadmissível em criaturas conscientes das próprias imperfeições; se entramos em desencanto porque entes amados estejam tardando em adquirir virtudes que lhes desejamos, certamente estamos provisoriamente esquecidos de que também nós estagiávamos, no passado, em longos trechos de incompreensão e rebeldia.

Claramente, ninguém se rejubila com falhas e logros, abusos e desilusões, mas é preciso recordar que, por enquanto, nós, os seres vinculados a Terra, somos alunos no educandário da existência e que Espíritos bem-aventurados, em níveis muito superiores ao nosso, ainda caminham encontrando desafios da vida e do Universo, a perseverarem no esforço de aprender.

Regozijemo-nos pela felicidade de já albergar conosco o desejo sadio de educar-nos, e, toda vez que o desânimo nos atire ao chão da dificuldade, levantemo-nos, tantas vezes quantas forem necessárias para o serviço do bem, na certeza de que não estamos sozinhos e de que muito antes de nossos desapontamentos e de nossas lágrimas, Deus estava no clima de nossos problemas, providenciando e trabalhando.

Livro: Encontro Marcado
Espírito: Emmanuel
Médium: Francisco Cândido Xavier

03 maio 2011

No Estudo da Fé - Irmão X


NO ESTUDO DA FÉ

De quando em quando, surgem movimentos de opinião, reclamando demonstrações mediúnicas em público, definitivas e surpreendentes.

As almas dos mortos deveriam comparecer, segundo a expectativa de muita gente, perante assembléias compactas, oferecendo palpites a ociosos ou personificando os mágicos de todos os tempos. Quando não pudessem fazer escamoteações ou provocar gargalhadas na assistência, seriam obrigadas a representar novos dramas no reencontro com os familiares, em situações patéticas e dolorosas, arrancando lágrimas aos crocodilos da indiferença.

E, apressados, são muitos os curiosos que exigem o espetáculo. Alguns, mais palavrosos, recordam Tomé, o discípulo investigador, e explanam a necessidade de negar sistematicamente; todavia, para o grande número dos que se julgam com o direito de aparecer como apóstolos inquiridores, não há um só desencarnado, consciente das obrigações próprias, com bastante audácia para tentar a personificação de Jesus-Cristo, em cópia grotesca e injustificável.

Os pobres amigos da inquietarão destrutiva dizem-se procuradores da fé. Exigem-na, exasperados. Desejam acreditar na vitória da vida sobre a morte, querem certificar-se da sobrevivência, mas não encontram as provas que solicitam. Na azáfama das reclamações descabidas, acusam pessoas honestas e respeitáveis. Os médiuns, no conceito deles, não passam de embusteiros e os cooperadores da causa das verdades espiritualistas são simplesmente papalvos que engoliram o “conto”. Habituados ao culto externo das religiões amigas da letra, que não lhes pedem senão algumas esmolas aos sábados e algumas orações labiais aos domingos, acreditam que bastaria um grande espetáculo com espíritos materializados, a fim de se sentirem senhores absolutos da Revelação Divina. E por isso, quando encontram ensejo de alguma experiência isolada, em que a oportunidade da aquisição de fé lhes banha o coração como fonte cristalina, agarram-se à superfície dos aconte cimentos e das coisas, apaixonadamente. Cercam-se de balanças e termômetros, de trenas e aparelhos elétricos, observando o médium, como se fora um pequeno deus, de cuja boca, transformada em cornucópia de maravilhas, aguardam supremas revelações da verdade. Os médiuns, porém, não obstante a delicadeza e complexidade da tarefa que receberam, são instrumentos humanos e relativos de uma verdade igualmente relativa, porque a morte do corpo não é a derradeira conquista de sabedoria.

Desiludidos na expectativa injusta, os pioneiros da investigação retiram-se desalentados e confundidos por si mesmos. Para eles, nessas circunstâncias, os sensitivos não satisfazem e os homens de fé são pessoas fanatizadas e imbecis.

Entretanto, essas velhas diretrizes dos estudantes irrequietos não passam de observação incompleta, originária de antigas e ridículas cristalizações da insensatez.

Como resolver problemas espirituais sem atitudes espirituais? Como exigir dos outros a solução de enigmas que nos dizem respeito? Poderia um médium construir no coração alheio o edifício da fé viva, se ele mesmo é um trabalhador que necessita atender às questões que lhe são próprias? Experiências mediúnicas, fatores recebidos da esfera superior, podem apenas fornecer convicções, como essa ou aquela escola científica proporciona convicções aos aprendizes, nesse ou naquele campo de atividades práticas.

A fé, a paz, o ideal, a confiança, a libertação, a sabedoria, constituem obras individuais de cada um. Ninguém possuirá a felicidade, se não construí-la dentro de si mesmo.

Naturalmente que em nossas palavras despretensiosas e humildes não vai qualquer crítica destrutiva à metapsiquica moderna.

Nos mercados, haverá sempre, em obediência a imperativos naturais que governam a existência humana, quem pese, examine e selecione os produtos alimentícios, tendo em vista a higiene e a saúde pública, mas é preciso convir que se os funcionários de contabilidade e inspeção não se aproveitarem dos artigos que observam, na alimentação própria, morrerão provàvelmente de fome.

Assim também, nos assuntos da crença. No seu campo de ação, é indispensável estabelecer o serviço de análise e ponderação, porque é da lei que o joio se desenvolva ao lado do trigo, até que venha a ceifa. Entretanto, consultar a fenomenologia, examinar a superfície dos fatos, verificar a existência do inabitual, conhecer a grandeza do ensino e menosprezá-lo com a indiferença, não constituem a solução legítima do problema da alma.

No estudo da fé, portanto, não bastará organizar demonstrações públicas de mediunidade, nem abrir espetáculos à curiosidade indiscreta dos negadores sistemáticos.

Quem se proponha à realizarão íntima para o bem, deve, antes de tudo, melhorar-se. Procure-se com alma e coração as verdades de Deus e as verdades de Deus responderão.

Os romanos que conquistaram a Bretanha, ao descerem das galeras, queimaram-nas na praia, assinalando a coragem com que enfrentariam, sozinhos, os perigos da terra desconhecida.

Quem não destruir as naus do preconceito, da opinião pretensamente infalível e da crítica precipitada, ante o novo continente de sabedoria que o Espiritismo descortina ao homem, a fim de lutar, com os recursos próprios, pela aquisição de valores eternos, sem comunicação com o plano inferior de que procede, dificilmente poderá alcançar a sublime vitória da conquista de si mesa.

Pelo Espírito Irmão X
Do livro: Lázaro Redivivo
Médium: Francisco Cândido Xavier

02 maio 2011

De Lá para Cá - Emmanuel


DE LÁ PARA CÁ

Ninguém julgue que a morte represente salvo-conduto para a beatitude celeste.

Muitas existências em que programa do bem padece frustração pela nossa rebeldia ou indiferença somente recolhem, depois do túmulo, a aflitiva purgação de nossos erros deliberados.

O inferno mental estabelecido por nós, dentro de nossas próprias almas, exige-nos o retorno à matéria densa para que as chamas do remorso ou do arrependimento se apaguem ao contato de novas lutas . . .

Aqui, é o usuário que deseja desvencilhar-se da obsessão do ouro usando a túnica da pobreza.

Ali, é o tirano que se propõe a aprender humildade nas linhas do anonimato e da angústia.

Mais além, é o delinqüente que suspira por reencontrar as vítimas de ontem a fim de resgatar os débitos contraídos.

Na conquista, porém, do recomeço, é indispensável se esforcem com devotamento e renúncia, por alcançar a reencarnação que os investirá na posse da oportunidade pretendida.

Para isso, empenha-se em rasgos de sacrifício, plantando entre os encarnados a bênção da simpatia, o indispensável passaporte para a estação do lar humano, em que se renovarão, à frente do progresso.

Eis porque, a experiência na Terra não representa mera aventura da alma e sim precioso tempo de aprendizado e serviço que não devemos menosprezar.

Pela instrumentalidade do Plano Físico, reaproximamo-nos de antigas dificuldades ou de passados desafetos para que a obra do amor se reajuste e se consolide, conosco e junto de nós.

Não menoscabes o ensejo de elevação que a atualidade te confere.

A máquina fisiológica em que provisoriamente estagias pode ser uma escada para a esfera superior ou declive sutil para regiões expiatórias, dependendo de ti fazê-la degrau para a luz ou novo salto ao despenhadeiro da sombra.

Valoriza a existência terrestre e caminha para diante, convertendo a luta redentora em recursos de ascensão.

Recorda que o tempo é o mordomo fiel da vida e se a Bondade do Senhor ter concedeu para hoje a riqueza do corpo físico, a justiça d'Ele mesmo, espera-te, amanhã, para a conta imprescindível.

Do livro "Atenção"
Pelo Espírito Emmanuel
Médium: Francisco Cândido Xavier

01 maio 2011

Em Torno do Pensamento - Antonio Cardoso


EM TORNO DO PENSAMENTO

Em verdade, já disse alguém, que tudo é amor em nosso caminho, porque todos vivemos nas situações a que nos afeiçoamos pelos laços da simpatia.
Sendo o amor, portanto, a raiz de todas as nossas atividades mentais, o pensamento é a base de todas as nossas manifestações, dentro da vida.
Senão vejamos:

A bondade é o pensamento em luz.
O ódio é o pensamento em treva.

A humildade é o pensamento que ajuda.
O orgulho é o pensamento que tiraniza.

O trabalho é o pensamento em ação.
A preguiça é o pensamento estanque.

A ignorância é o pensamento instintivo.
A cultura é o pensamento educado.

A alegria é o pensamento harmonioso.
A tristeza é o pensamento em desequilíbrio.

A conformidade é o pensamento pacífico.
O desespero é o pensamento desgovernado.

A exigência é o pensamento destruidor.
O serviço é o pensamento edificante.

A sobriedade é o pensamento simples.
O luxo é o pensamento complexo.

O carinho é o pensamento brando.
A aspereza é o pensamento enrijecido.

A compreensão é o pensamento elevado ao Céu.
O preconceito é o pensamento enquistado na Terra.

O respeito é o pensamento nobre.
O deboche é o pensamento imundo.

O auxílio fraterno é o pensamento que ampara.
A ironia é o pensamento que fere.

O crime é o pensamento perverso.
A santidade é o pensamento sublime.

O egoísmo é o pensamento exclusivo do “eu”.
O bem de todos e com todos é o pensamento da Lei Divina.

Vigiemos, assim, as nossas idéias, porque, se transparece claramente das lições de Jesus que a cada um de nós será conferido segundo as nossas obras, não podemos olvidar que todos os nossos pensamentos são filhos do amor que nos preside os interesses na vida e que todas as nossas obras são filhas de nossos pensamentos.

Do livro "Vozes do Grande Além"
Pelo Espírito Antonio Cardoso
Médium: Francisco Cândido Xavier, Espíritos Diversos

30 abril 2011

Sentes-te Frágil - Camilo


SENTES-TE FRÁGIL

Nada obstante os teus trabalhos e esforços, relativamente à compreensão de ti próprio, sentes, volta e meia, uma grande frustração por perceberes a tua fragilidade perante os mais diversos fenômenos da existência.

Sabes que, do fundo d’alma, anelas por ser nobre, por servir, por avançar para Deus com alegria. Contudo, ao mesmo tempo, dás-te conta de uma timidez que soterra teus impulsos de falar bem alto sobre as tuas crenças, desejos, realizações.

Revives, pelas evocações históricas, a saga dos enobrecidos homens e mulheres que construíram as sociedades do mundo, vezes sem conta empunhando bandeiras de estoicismo, dispostos a darem as próprias vidas por seus ideais. Porém, anotas, contristado, que te falta essa força interior para que, pelo menos, deles de acerques.

O que se passa? Sentes-te frágil? Imaginas-te um grande incapaz, debatendo-te como mariposas ao redor dos focos luzentes?

Importa que não mergulhes nas valas de depressões desastrosas. Vale que te aconselhes com as meditações sobre como e quando tudo começou. Ou, por outro, desde quando te deste conta dessa situação contigo.

Se desejas modificações em tua vida, no sentido do progresso espiritual, busca em Jesus Cristo a orientação e o reforço indispensáveis.

É necessário que percebas qual o nível dos teus conflitos de fragilidade. Inicia um esforço pelo autoconhecimento. Não te negues à dedicação nos campos do bem, realizando o que já sejas apto, sem querer competir com veteranos experientes, sem te deteres na insipiência dos iniciantes.

És, no mundo terrestre, uma criatura antiga, e os teus sentimentos de fragilidade se vinculam às omissões propositais ou às carências resultantes do teu pretérito.

Se relaxaste ou se ignoraste, por vários motivos, isso não será o mais importante hoje. O mais importante é que confies no Senhor, fazendo a tua parte para que logres o fortalecimento íntimo, o enrijecimento da vontade do bem, certo de que os Mensageiros do Cristo, estão e estarão a serviço do teu avanço para a luz.

Reergue-te dessa frustração. Age para que te fortifiques. Coopera, onde estejas, com a ajuda dos teus pensares, dos teus falares, treinando para as ações que falarão da tua assimilação feliz de tudo que é salutar e corajoso, governando os impulsos, esforçando-te por romper as tuas barreiras geradoras ou insufladoras dos temores..

Assim, aos poucos, de frágil far-te-ás forte, iluminado pelas claridades de Deus, impulsionando-te ao continuado crescimento, sem medos, sem fragilidades, com firmeza.

De “Revelações da Luz”
De J. Raul Teixeira
Pelo Espírito Camilo

29 abril 2011

Juventude - Eurípedes Barsanulfo


JUVENTUDE

Todos sabemos que a juventude no corpo somático pode ser considerada um amanhecer, todavia, é mister receber a madrugada da esperança com harmonia interior, a fim de que a esperança não se converta em taça de conteúdo ácido ou amargo.

Juventude é também entusiasmo. No entanto, quando o entusiasmo não frui a condição da experiência, se transforma em loucura e anarquia.

Juventude é bênção. Entretanto, conduzida pela indisciplina, deixa-se arrastar a lamentáveis perigos.

Juventude é porta de serviço. A porta, porém, que jaz aberta, ao abandono, se transmuda em valhacouto de salteadores e vagabundos.

Juventude é igualmente o amanhã. Não obstante, se o hoje não se edifica sobre os alicerces das ações superiores, o porvir surge assinalado pelas sombras dos remorsos e arrependimentos tardios quanto inoperantes.

Assim, convém joeirar desde hoje o solo do futuro com as ferramentas da ação nobilitante. Indispensável agir dentro da tônica do Evangelho Restaurado, a fim de que as emoções não desçam ao padrão das sensações primitivas, nem a inteligência venha a jazer, subalterna, sob os implementos e impositivos das constrições do passado...

O espírita é alguém que encontrou a rota. Após achá-la, não se pode permitir a posição insensata ou frívola de quem não persegue coisa alguma, anulando-se nas ações intempestivas e desastrosas.

O espírita é o ser que descobriu tesouros inapreciáveis, não se podendo permitir a veleidade de atirar fora as preciosas gemas ouríferas das oportunidades não fruídas.

Inadiável o dever de seguir e viver o Evangelho puro de Nosso Senhor Jesus Cristo, na sua beleza e seriedade primitivas, conforme os impositivos estabelecidos pelo próprio Rabi Galileu, que até hoje trabalha em regime de tempo integral, a favor da nossa libertação triunfante.

Jesus, hoje, é o mesmo de ontem, ensinando-nos comportamento austero face às grandes concessões da corrupção hodierna e dos desajustes de toda ordem que campeiam vitoriosos.

Não nos equivoquemos, nem realizemos a experiência espiritista, como se nos encontrássemos sob a compulsória de leis irreversíveis, dominando nossa ignorância. Assumimos um compromisso voluntário antes do berço, responsabilizando-nos pela desfraldar da bandeira da Boa Nova, numa Humanidade sedenta de paz, bem como concordamos em reacender a tocha do Evangelho Vivo, no momento em que dominam as sombras da perturbação, facultando ao homem entrar em colapso, não obstante as suas conquistas técnicas.

Este momento é, portanto, de integração no espírito de Cristo.

Não negaceemos ante o dever; não regateemos esforços.

Integremo-nos na ação libertadora e marchemos intimoratos e intemeratos, na certeza de que Jesus marcha conosco esperando que cumpramos com o nosso dever.

Juventude! O meio-dia começa nos primeiros minutos após a meia-noite, assim como o futuro corre mediante as rodas do presente. É necessário calçar as sandálias da humildade e plasmar no espírito que tem sede de amor o código de equidade e de justiça, a fim de que o arrependimento tardio não assinale as horas futuras, após a impulsividade ou a intemperança.

Avancemos, portanto, servindo, amando e instruindo-nos, porque se o serviço fala da qualidade das nossas convicções, se o amor nos desvela os sentimentos e a instrução nos conduz aos píncaros da sabedoria, só a caridade, como consequência, são as mãos do Cristo, transportando-nos à montanha da sublimação evangélica, onde nos integraremos no vero ideal da felicidade que perseguimos.

Eurípedes Barsanulfo
Ribeirão Preto, SP, em 13 de março de 1971
Fonte: Sol de Esperança De Divaldo Pereira Franco - Diversos Espíritos

28 abril 2011

A Rigor - André Luiz


A RIGOR

Espírito Santo - falange dos Emissários da Providência que superintende os grandes movimentos da Humanidade na Terra e no Plano Espiritual.

Reino de Deus - estado de sublimação da alma, criado por ela própria, através de reencarnações incessantes.

Céu - esferas espirituais santificadas onde habitam Espíritos Superiores que exteriorizam, do próprio íntimo, a atmosfera de paz e felicidade.

Milagre - designação de fatos naturais cujo mecanismo familiar à Lei Divina ainda se encontra defeso ao entendimento fragmentário da criatura.

Mistério - parte ignorada das Normas Universais que, paulatinamente, é identificada e compreendida pelo espírito humano.

Sobrenatural - definição de fenômenos que ainda não se incorporam aos domínios do hábito.

Santo - atributo dirigido a determinadas pessoas que aparentemente atenderam, na Terra, a execução do próprio dever.

Tentação - posição pessoal de cativeiro interior a vícios instintivos que ainda não conseguimos superar por nós mesmos.

Dia de juízo - oportunidade situada entre dois períodos de existência da alma, que se referem à sementeira de ações e à renovação da própria conduta.

Salvação -libertação e preservação do espírito contra o perigo de maiores males, no próprio caminho, a fim de que se confie à construção da própria felicidade, nos domínios do bem, elevando-se a passos mais altos de evolução.

*

O Espiritismo tem por missão fundamental, entre os homens, a reforma interior de cada um, fornecendo explicações ao porquê dos destinos, razão pela qual muitos conceitos usuais são por ele restaurados ou corrigidos, para que se faça luz nas consciência e consolo nos corações. Assim como o Cristo não veio destruir a Lei, porém cumpri-la, a Doutrina Espírita não veio desdizer os ensinos do Senhor, mas desenvolvê-los, completá-los e explicá-los “em termos claros e para toda a gente, quando foram ditos sob forma alegóricas”.

A rigor, a verdade pode caminhar distante da palavra com que aspiramos a traduzi-la.

Renove, pois, as expressões do seu pensamento e a vida renovar-se-lhe-á inteiramente, nas fainas de cada hora.

André Luiz (espírito)
Psicografia de Francisco Cândido Xavier
Livro: O Espírito da Verdade

27 abril 2011

Morte com Dignidade - Joanna de Ângelis


MORTE COM DIGNIDADE

A eutanásia, ou a técnica da "morte fácil", conforme elucida a sua etimologia, prossegue sendo grave compromisso moral, que o homem moderno insiste por legalizar, em lamentável teimosia relativamente às Soberanas Leis que regem a vida.

Por mais preciso que se apresente o diagnóstico médico em relação às enfermidades, sempre se há de contar com a imprevisibilidade orgânica de cada paciente, segundo sua programação evolutiva.

O pavor, que decorre da possibilidade do sofrimento, demonstra a predominância do comportamento utilitarista do homem, que se esquece da sua realidade última e íntima, que é o ser espiritual, ao invés da carne transitória de que se reveste.

O estabelecimento de dados que permitam ao médico encerrar a existência de um paciente terminal, é roteiro falho, em se considerando que as resistências morais variam de criatura para criatura, não podendo, deste modo, um conceito de dor ter validade geral entre indivíduos infinitamente diferentes.

Outrossim, a atitude de alguém que opta, em plena saúde, pela aceitação da eutanásia, quando se lhe manifestem determinadas ocorrências na área do equilíbrio físico ou mental, não pode ser considerada definitiva, porquanto, a cada instante, muda-se de emoção, altera-se a forma de encarar-se os fatos e de considerar-se os acontecimentos...

"Morrer com dignidade", não pode ser a aplicação imoral da eutanásia, que degenera em homicídio, desde que a vida é patrimônio de Deus, que sabe quando e como alterar-lhe o curso, no corpo e fora dele.

Partindo-se do direito que muitos indivíduos se arrogam de escolher para a própria morte a mais agradável maneira, o candidato que assim procede, igualmente sucumbe vitimado por suicídio covarde a que se precipita, quando lhe cabe o dever de preservar o corpo, até que este cumpra a finalidade para a qual foi elaborado.

A dignidade de morrer está na resignação, na conduta, mediante a qual, a mesma é enfrentada, elevando o Espírito e o felicitando em definitivo.

*

A dor é bênção a que fazes jus.

A tua será a morte que mais facilmente te propiciará a vida em abundância.

Assim, vive cada momento, com elevação e nobreza, lutando para preservar o corpo nas vilegiatura em que este se encontra.

Os últimos instantes, na enfermidade, podem significar-te glória ou desdita no além-túmulo.

**

Sofrerás, apenas, o de que necessites, para seres livre.

Padecerás, somente, enquanto estejas incurso nos débitos contraídos.

Penarás, ante a injunção que mereças, e não mais.

Se buscas fugir à Lei, tombarás nas suas malhas, adiante, em situação mais penosa e circunstância mais angustiante.

***

Nunca fugirás à consciência, nem te evadirás da vida.

Sem nenhuma apologia pelo sofrimento, eutanásia jamais!

****

Deus é nosso Pai de Amor e , a benefício das Suas criaturas, permite que a ciência prolongue a vida; e, da mesma forma em que surgem os fomentadores do suicídio e do homicídio através da eutanásia, favorece a Humanidade com os apóstolos do amor, que se fazem, na Medicina, os sacerdotes dignificadores da Vida.

De "Alegria de Viver"
De Divaldo Pereira Franco
Pelo Espírito Joanna de Ângelis

26 abril 2011

A Fé Indispensável - Joanna de Ângelis


A FÉ INDISPENSÁVEL

A fé é um alimento espiritual de que ninguém pode prescindir.

Encontra-se insculpida nos recessos do espírito, e mesmo quando solapada pelos interesses mesquinhos ou esmagada pelas circunstâncias inditosas, prossegue e revela-se com mil faces, em variadas expressões.

Apresenta-se espontânea, natural, graças aos impositivos da própria vida.

Inconscientemente se manifesta na tácita aceitação dos múltiplos fatores que organizam a existência humana, tanto quanto surge nas atividades, sem que o homem lhe perceba a injunção, sem a qual, suspeitoso e inconformado, se estiolaria, padecendo dominadores e injustificados receios.

A fé humana está presente em todos cometimentos da própria conjuntura física.

A fé divina, no entanto, em considerando as frágeis expressões em que as organizações religiosas a têm apresentado, surge e esmaece no espírito, conforme as disposições que o dominam no dia-a-dia da romagem carnal na busca do destino, da vida imperecível.

* * *

A fé religiosa somente sobrevive se calcada na razão e na envergadura superior dos fatos que lhe servem de base.

Conquista intelectual se robustece, mediante exercício e análise, estudo e observação, com que se fixa, produzindo os milagres da transformação íntima da criatura que se encoraja à abnegação e mesmo ao sacrifício, ao holocausto. É elemento vitalizador dos ideais de enobrecimento e sustentáculo da caridade.

* * *

Transitam em muitas direções aqueles que iniciam as abençoadas experiências evolutivas e, destituídos da experiência da fé, se apresentam céticos e frios.

Não tiveram tempo de vivê-la ou de comprová-la.

Outrossim, alguns que se aninharam em muitas escolas religiosas do passado, formando nelas os conceitos espirituais, ao defrontarem a realidade do além-túmulo, decepcionaram-se por não encontrar as glórias de mentira que anelavam, tornando-se, lamentavelmente, descrentes desde então.

Conquista que requer zelo e esforço, a fé, além de ser virtude preciosa, também se reveste do valor racional, sem o que não suporta as vicissitudes, nem os sofrimentos.

* * *

Disse Jesus a Jairo, o chefe da Sinagoga que lhe rogava socorro para a filha considerada morta: "Não temas, crê somente", e chegando à casa da enferma despertou-a para a saúde e a vida.

Busca Jesus nos momentos difíceis quando bruxuleiem os fulgores da tua fé e reveste-te da necessária humildade, a fim de submeter-te aos impositivos da evolução embora o tributo de aflição e lágrima que seja necessário oferecer.

Não duvides, porém, do auxílio divino, em todos os dias da tua vida.

A fé é uma necessidade imprescindível para a felicidade, fator essencial para as conquistas íntimas nos rumos da evolução.

De "Rumos Libertadores"
De Divaldo Pereira Franco
Pelo Espírito Joanna de Ângelis

25 abril 2011

Brilhe Vossa Luz - Enmmanuel


Brilhe Vossa Luz

Meu amigo, no vasto caminho da Terra, cada criatura procura o alimento espiritual que lhe corresponde à posição evolutiva.

A abelha suga a flor, o abutre reclama despojos, o homem busca emoções. Mas ainda mesmo no terreno das emoções, cada espírito exige tipos especiais.

Há sofredores inveterados que outra coisa não demandam além do sofrimento, pessimistas que se enclausuram em nuvens negras, atendendo a propósito deliberado, durante séculos. Suprem a mente de torturas contínuas e não pretendem construir senão a piedade alheia, sob a qual se com prazem. Temos os ironistas e caçadores de gargalhadas que apenas solicitam motivos para o sarcasmo de que se alimentam.

Observamos os discutidores que devoram páginas respeitáveis, com o único objetivo de recolher contradições para sustentarem polêmicas infindáveis.

Reparamos os temperamentos enfermiços que sorvem tóxicos intelectuais, através de livros menos dignos, com a incompreensível alegria de quem traga envenenado licor.

Nos variados climas do mundo, há quem se nutra de tristeza, de insulamento, de prazer barato, de revolta, de conflitos, de cálculos, de aflições, de mentiras...

O discípulo de Jesus, porém - aquele homem que já se entediou das substâncias deterioradas da experiência transitória -, pede a luz da sabedoria, a fim de aprender a semear o amor em companhia do Mestre...

Para os companheiros que esperam a vida renovada em Cristo, famintos de claridade eterna, foram escritas as páginas deste livro despretensioso.

Dentro dele, não há palavras de revelação sibilina.

Traduz, simplesmente, um esforço para que nos integremos no Evangelho, celeiro divino do nosso pão de imortalidade.

Não é exortação, nem profecia.

É apenas convite.

Convite ao trabalho santificante, planificado no Código do Amor Divino.

Se a candeia ilumina, queimando o próprio óleo, se a lâmpada resplende, consumindo a energia que a usina lhe fornece, ofereçamos a instrumentalidade de nossa vida aos imperativos da perfeição, para que o ensinamento do Senhor se revele, por nosso intermédio, aclarando a senda de nossos semelhantes.

O Evangelho é o Sol da Imortalidade que o Espiritismo reflete, com sabedoria, para a atualidade do mundo.

Brilhe vossa luz! - proclamou o Mestre.

Procuremos brilhar! - repetimos nós.

Emmanuel
Pedro Leopoldo, 25 de novembro de 1951
Texto extraído do livro "Vinha de Luz", Chico Xavier


24 abril 2011

Ensaio de Compaixão - Meimei


ENSAIO DE COMPAIXÃO

E fiquei a pensar, indagando de mim própria quanto ao motivo de analisar, com tanta volúpia, os defeitos alheios...

Se notícias de um delito espetacular me alcançassem os ouvidos, fixava-me na busca de pormenores da ocorrência, a fim de desenhar na memória a figura do agressor; se algum problema de sovinice me viesse ao conhecimento, procurava as causas do desajuste para reprovar intimamente quem estivesse cultivando a cobiça; se algum desequilíbrio emotivo aparecesse, alterando negativamente essa ou aquela pessoa, empenhava-me a conhecer o portador de semelhante irregularidade, de modo a evitar-lhe a presença; se algum distúrbio, surgisse, complicando grupos sociais, mentalizava-lhe as origens, para censurar aqueles que o provocassem prejudicando o caminho de muita gente.

- Por que - perguntava a mim mesma - essa inclinação para condenar instintivamente os outros, sem a menor consideração? Por que me arraigar no mal se conhecia a estrada do bem?

Foi quando um mentor amigo acorreu em meu socorro e observou:

- Filha, o aperfeiçoamento é a obra de muito esforço em longo tempo. Já passei pelo hábito das indagações inúteis e só consegui a superação desejada, colocando-me no lugar dos irmãos que supomos errados.

E prosseguiu, depois de pequeno intervalo:

- Qual seria o seu comportamento, se visse o assassinato de um filho, sob os seus próprios olhos? Como reagiria você perante uma filha que trocasse a tranquilidade do lar pelas aventuras infelizes? Como procederia você a fim de proteger vários filhos pequeninos com o esposo em penúria, dentro de longo período de hospitalização? E se um obsessor com larga força de afinidade sobre o seu psiquismo, a induzisse, através de hipnoses reiteradas à degradação de si própria, o que faria?

Ante o meu silêncio, o amigo aditou:

- Pensemos por nós mesmos. Certamente as Leis de Deus nos concedem facilidades para julgar as nódoas alheias, a fim de observarmos as nossas próprias fraquezas, aprendendo compreensão e misericórdia, de maneira a nos corrigir sem exercícios difíceis de suportar...

O instrutor despediu-se, sorrindo, e concluí que, pela Bondade do Senhor, ali tivera, no chamado Mais Além, o meu primeiro ensaio de compaixão.

Psicografado por Francisco Cândido Xavier
Pelo Espírito de Meimei
Mensagem extraída do livro "Esperança e Vida" - Editora Ideal

23 abril 2011

O Descobridores do Homem - Neio Lúcio


OS DESCOBRIDORES DO HOMEM

Finda a leitura de alguns trechos da história de Job, a palestra na residência de Simão versou acerca da fidelidade da alma ao Pai Todo-Poderoso.

Diante da vibração de alegria em todos os semblantes, Jesus contou, bem-humorado:

— Apareceu na velha cidade de Nínive um homem tão profundamente consagrado a Deus que todos os seus contemporâneos, por isso, lhe rendiam especial louvor.

Tão rasgados eram os elogios à sua conduta que as informações subiram ao Trono do Eterno.

E, porque vários Arcanjos pedissem ao Todo-Poderoso a transferência dele para o Céu, determinou a Divina Sabedoria fosse procurado, na selva da carne, a fim de verificar-se, com exatidão, se estava efetivamente preparado para a sublime investidura.

Para isso, os Anjos Educadores, a serviço do Altíssimo, enviaram à Terra quatro rudes descobridores de homens santificados — e a Necessidade, o Dinheiro, o Poder e a Cólera desceram, cada qual a seu tempo, para efetuarem as provas indispensáveis.

A necessidade que, em casos desses, sempre surge em primeiro lugar, aproximou-se do grande crente e se fez sentir, de vários modos, dando-lhe privações, obstáculos, doenças e abandono de entes amados; entretanto, o devoto, robusto na confiança, compreendeu na mensageira uma operária celeste e venceu-a, revelando-se cada vez mais firme nas virtudes de que se tornara modelo.

Chegou, então, a vez do Dinheiro.

Acercou-se do homem e conferiu-lhe mesa lauta, recursos imensos e considerações sociais de toda sorte; mas o previdente aprendiz lembrou-se da caridade e, afastando-se das insinuações dos prazeres fáceis, distribuiu moedas e posses em multiplicadas obras do bem, conquistando o equilíbrio financeiro e a veneração geral.

Vitorioso na segunda prova, veio o Poder, que o investiu de larga e brilhante autoridade.

O devoto, contudo, recordou que a vida, com todas as honrarias e dons, é simples empréstimo da Providência Celestial e usou o Poder com brandura, educando quantos o rodeavam, por intermédio da instrução e do trabalho bem orientados, recebendo, em troca, a obediência e a admiração do povo entre o qual nascera.

Triunfante e feliz, o crente foi visitado, enfim, pela Cólera.

De maneira a sondar-lhe a posição espiritual, a instrutora invisível valeu-se dum servo fraco e ignorante e tocou-lhe o amor próprio, falando, com manifesta desconsideração, em assunto privado que, embora expressão da verdade, constituía certo desrespeito a qualquer pessoa de sua estatura social e indiscutível dignidade.

O devoto não resistiu.

Intensa onda sangüínea lhe surgiu no rosto congesto e ele se desfez em palavras contundentes, ferindo familiares e servidores e prejudicando as próprias obras.

Somente depois de muitos dias, conseguiu restaurar a tranqüilidade, quando, porém, a Cólera já lhe havia desnudado o íntimo, revelando-lhe o imperativo de maior aperfeiçoamento e notificando ao Senhor que aquele filho, matriculado na escola de iluminação, ainda requeria muito tempo, na experiência purificadora, para situar-se nas vibrações gloriosas da vida superior.

Curiosidade geral transparecia do semblante de todos os presentes, que não ousaram trazer à baila qualquer nova ponderação.

Estampando no rosto sereno sorriso, o Cristo terminou:

— Quando o homem recebe todas as informações de que necessita para elevar-se ao Céu, determina o Pai Amoroso seja ele procurado pelas potências educadoras.

A maioria dos crentes perdem a boa posição, que aparentemente desfrutavam, nos exercícios da Necessidade que lhes examina a resistência moral; muitos voltam estragados das sugestões do Dinheiro que lhes observa o desprendimento dos objetivos inferiores e a capacidade de agir na sementeira do bem; alguns caiem, desastradamente, pelas insinuações do Poder que lhes experimenta a competência para educar e salvar os companheiros da jornada humana, e raríssimos são aqueles 15 que vencem a visita inesperada da Cólera, que vem ao círculo do homem anotar-lhe a diminuição do amor próprio, sem a qual o espírito não reflete o brilho e a grandeza do Criador, nos campos da vida eterna.

O Mestre calou-se, sorriu compassivamente, de novo, e, porque ninguém retomasse a palavra, a reunião da noite foi encerrada.

Pelo Espírito Neio Lúcio
Do livro: Jesus no Lar
Médium: Francisco Cândido Xavier

22 abril 2011

Auto-Flagelação -


AUTO-FLAGELAÇÃO

"O ser humano, em sua expressão fisiológica, pode ser comparado a uma usina inteligente, operando no campo da vida em câmbio de emissão e recepção. Toda vez que enlouquece na cólera ou na crueldade, contrariando os dispositivos da Lei de Deus, que é amor, exterioriza correntes de enfermidade e de morte, que, atingindo ou não o alvo de sua intemperança, se voltam fatalmente contra ele mesmo, pelo princípio inelutável da atração..."

"Meus amigos:

Embora não nos seja possível, por enquanto, apreciar convosco a fisiologia da alma, como seria desejável, de modo a imprimir ampla clareza ao nosso estudo, para breve comentário, em torno da flagelação que muitas vezes impomos, inadvertidamente, a nós mesmos, imaginemos o corpo terrestre como sendo a máquina da vida humana, através da qual a mente se manifesta, valendo-se de três dínamos geradores, com funções específicas, não obstante extremamente ligados entre si por fios e condutos, de variada natureza.

O ventre é o dínamo inferior.
O tórax é o dínamo intermediário.
O cerebelo é o dínamo superior.

O primeiro recolhe os elementos que lhe são fornecidos pelo meio externo, expresso na alimentação usual, e fabrica uma pasta aquosa, adequada à sustentação do organismo.

O segundo recebe esse material e, combinando-o com os recursos nutritivos do ar atmosférico, transmuta-o em líquido dinâmico.

O terceiro apropia-se desse líquido, gerando correntes de energia incessante.

No dínamo-ventre, detemos a produção do quilo.
No dínamo-tórax, presenciamos a metamorfose do quilo em glóbulo sanguíneo.
No dínamo-cerebelo, reparamos a transubstanciação do glóbulo sanguíneo em fluido nervoso.

Na parte superior da região cerebral, temos o córtex encefálico, representando a sede do espírito, algo semelhante a uma cabine de controle, ou a uma secretária simbólica, em que o <> coordena as suas decisões e produz a energia mental com que governa os dínamos geradores a que nos reportamos.

O ser humano, desse modo, em sua expressão fisiológica, considerado superficialmente, pode ser comparado a uma usina inteligente, operando no campo da vida, em câmbio de emissão e recepção.

Concentramos, assim, força mental em ação contínua e despendemo-la nos mínimos atos da existência, através dos múltiplos fenômenos da atenção com que assimilamos as nossas experiências diuturnas, atuando sobre as criaturas e coisas que nos cercam e sendo por elas constantemente influenciados.

Toda vez, contudo, em que nos tresmalhamos na cólera ou na crueldade, contrariando os dispositivos da Lei de Deus, que é amor, exteriorizamos correntes de enfermidade e de morte, que, atingindo ou não o alvo de nossa intemperança, se voltam fatalmente contra nós, pelo princípio inelutável da atração que podemos observar no imã comum.

Em nossas crises de revolta e desesperação, de maledicência e leviandade, provocamos sobre nós verdadeira tempestade magnética que nos desorganiza o veículo de manifestação, seja nos círculos espirituais em que nos encontramos, ou, na Terra, enquanto envergamos o envoltório de matéria densa, sobre a qual os efeitos de nossas agressões mentais, verbais ou físicas, assumem o caráter de variadas moléstias, segundo o ponto vulnerável de nossa usina orgânica, mas particularmente sobre o mundo cerebral em que as vibrações desvairadas de nossa impulsividade mal dirigida criam doenças neuropsíquicas, de diagnose complexa, desde a cefalagia à meningite e desde a melancolia corriqueira à loucura inabordável.

Toda violência praticada por nós, contra os outros, significa dilaceração em nós mesmos.

Guardemo-nos, assim, na humildade e na tolerância, cumprindo nossos deveres para com o próximo e para com as nossas próprias almas, porque o julgamento essencial daqueles que nos cercam, em verdade, não nos pertence.

Desempenhando pacificamente as nossas obrigações, evitaremos as deploráveis ocorrências da autoflagelação, em que quase sempre nos submergimos nas trevas do suicídio indireto, com graves compromissos.

Preservando-nos, pois, contra semelhante calamidade, não nos esqueçamos da advertência de nosso Divino Mestre no versículo 41, do capítulo 26, das anotações do apóstolo Mateus: - "Orai e vigiai, para não entrardes em tentação."

Dias da Cruz

"Do livro "Vozes do Grande Além"
Pelo Espírito Dias da Cruz
Médium: Francisco Cândido Xavier, 29/09/1955