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24 maio 2016

A Lei Humana e a Lei Divina - Irmão José

 
A LEI HUMANA E A LEI DIVINA

A sociedade humana poderia ser regida somente pelas leis naturais, sem o recurso das leis humanas?

- Poderia, se os homens as compreendessem bem e tivessem vontade de praticá-las; então seriam suficientes. Mas a sociedade tem as suas exigências e precisa de leis particulares.  (O Livro dos Espíritos, questão 794)

Esclarecemos, de início, que a nossa própria visão – a dos espíritos que, presentemente, nos encontramos fora do corpo – é limitada à condição espiritual que alcançamos.

Não temos a pretensão da verdade integral. Qual ocorre à maioria dos espíritos, todos estamos ainda sujeitos à Lei do Progresso. 

Entendamos, no entanto, que mesmo as Leis Divinas reveladas aso homens adaptam-se à sua capacidade de assimilá-las.

No próprio Decálogo, o primeiro dos dez mandamentos foi, em parte, específico para o povo judeu: “Eu sou o senhor vosso Deus, que vos tirei do Egito, da casa da servidão”...

O terceiro mandamento, “Lembrai-vos de santificar o dia de sábado”, hoje já não deve ter aplicação literal, posto que todos os dias devem ser igualmente santificados pelo trabalho. Jesus esclareceu que o sábado havia sido feito em função do homem, e não o homem em função do sábado.

As Leis Divinas, as mesmas para todo o Universo, são, inegavelmente, imutáveis em sua essência; todavia, repetimos, adaptadas à condição espiritual de cada orbe e ao grupo de espíritos a que se dirigem.

A tendência natural é que as leis humanas evoluam no sentido das Leis Divinas, com elas se identificando. Vejamos, no entanto, que com referência ao Decálogo, foram as Leis Divinas que procuraram adequar-se à condição dos homens da época.

Séculos depois, Jesus viria ampliar-lhes a concepção, asseverando sempre: “Aprendestes o que foi dito... eu porém, vos digo...” Os homens, espíritos indisciplinados, ainda carecem de leis que os constranjam ao respeito aos semelhantes – base de toda instituição social.

É natural, pois, que algumas leis, como por exemplo, a pena de morte, ainda subsista em alguns países e, em outros que já a haviam banido, cogite-se de fazê-la voltar, até ser extinta de vez.

Sem que os valores morais da criatura se fixem, adquirindo estabilidade, os seus valores externos estarão sujeitos a variações. 

Estando em transição, subsistem , na Humanidade, indiscutíveis traços de primitivismo de que ela, pouco a pouco, encontra-se emergindo.

Recordemo-nos de que não faz muito tempo, a Teologia discutia, em intermináveis concílios, se a mulher era ou não dotada de alma. 

Aristóteles, um dos principais filósofos gregos, chegou a dizer que “a Natureza só faz mulheres quando não pode fazer homens. A mulher é, portanto, um ser inferior”.

Até a vinda de Jesus à terra, a mulher era aviltada e tida na condição de simples alimária pela sociedade machista da época. 

Escolhendo aparecer, redivivo, em primeiro lugar, a Maria de Magdala, em detrimento dos Apóstolos, o Cristo teve a intenção de dar à mulher um papel de relevância no Cristianismo, vencendo, neste sentido, a resistência dos primitivos cristãos, inclusive a de Paulo de Tarso, que chegou a escrever em sua primeira Carta aos Coríntios, capítulo 14, versículo 34: “As mulheres estejam caladas nas igrejas, porque não lhe é permitido falar...”.

Portanto, há ainda a longa estrada a ser percorrida pela legislação humana, par que, finalmente, ela venha a ser um verdadeiro reflexo da Legislação Divina, que imperará na consciência e no coração do homem.

Pelo Espírito Irmão José, mediunidade de Carlos A. Baccelli
Da obra "Segundo o Livro dos Espíritos"
Editora Didier, primeira edição, capítulo 48, novembro de 2009

25 abril 2015

No Tempo Oportuno - Irmão José


NO TEMPO OPORTUNO

“Porque as ideias são como as sementes: não podem germinar antes da estação própria e a não ser em terreno preparado.” - O Evangelho Segundo o Espiritismo Cap. XXIV, ítem 10

Inútil o esforço de se tentar convencer quem não esteja preparado para assimilar os ensinos espíritas.

O amadurecimento espiritual, quase sempre, nada tem a ver com a cultura da inteligência; existem almas de instrução rudimentar, do ponto de vista moral, muito mais evolvidas que os homens que colecionam títulos acadêmicos...

A pronta aceitação da Doutrina por parte das criaturas tem a ver com o seu lastro espiritual de vidas pregressas e com a afinidade espontânea que revelem para com os seus postulados.

A muitos, é imprescindível convir, falta o desenvolvimento da percepção que lhes possibilita se identificarem com a Verdade.

O Espiritismo, pois, não será uma doutrina de massificação, como pretendem ser as religiões que mais se apegam à letra do que ao espírito do Evangelho. Os que, ao longo de suas experiências reencarnatórias, despertarem, caminharão naturalmente ao seu encontro, dele se tornando adeptos por livre e espontânea vontade.

Se, por vezes, sementes germinam rápido, levarão um período de tempo mais extenso a fim de produzirem os frutos que delas se esperam.

O Espiritismo é uma doutrina de encontro pessoal com a Verdade, e não uma filosofia que se imponha coletivamente, com pretensões de hegemonia religiosa.

Contam-se em mais de um bilhão os cristãos em todo o mundo, mas são poucos os que, nestes já vinte e um séculos, assimilaram o espírito do Cristianismo e lograram realizar o Reino de Deus em si mesmos.

Como nos advertiu o Senhor, não se deve colocar a candeia sob o alqueire; todavia, se são raros os que lhe atendem o alvitre divino na propagação da Fé, mais raros ainda são os que se mostram capazes de lhe fitar a luz, sem se deixarem deslumbrar por ela!...


Carlos A. Baccelli, pelo Espírito Irmão José
Livro: Pedi e Obtereis
Casa Editora Espírita Pierre-Paul Didier

08 abril 2014

Divulgação Espírita - Irmão José



DIVULGAÇÃO ESPÍRITA


Assim como o sedento procura as águas da fonte para saciar-se, a divulgação do Espiritismo acontece naturalmente.

Em Doutrina Espírita, ninguém necessita preocupar-se em propagá-la, ao ponto de promover o chamado "proselitismo de arrastamento", muito comum em certas religiões que desejam impor-se pelo número de seus adeptos. 

A propaganda espírita é feita principalmente através do exemplo dos que lhe abraçaram os princípios. 

Sem dúvida, não se deve deixar "a candeia sob o alqueire", conforme recomendação do próprio Cristo, no entanto não há que se preocupar em espalhar a luz da Verdade além dos limites do bom senso, evitando-se, a todo custo, uma reação de antipatia por parte daqueles que não pensam como nós.

Os Espíritos são mais eficientes na tarefa da divulgação do que os homens que se ocupam de semelhante mister, de vez que, em toda parte, se utilizam de instrumentos mediúnicos na produção do fenômeno que atrai a atenção das pessoas para os assuntos relacionados com a Vida Espiritual. 

Se os espíritas se dispuserem a estudar e a explicar a Doutrina em suas reuniões, tornando o livro e a mensagem espírita acessíveis ao grande público, já estarão cumprindo com a sua parte, sem necessidade alguma de disputar almas nas esquinas com os profitentes de outros credos. 

Com pouco mais de um século, o Espiritismo tem feito progressos admiráveis, justamente por não sustentar qualquer tipo de pretensão, respeitando a fé de todos. 

Kardec, na humildade que o caracterizava, chegou mesmo a declarar que o Espiritismo era o "mais poderoso auxiliar" das religiões em sua luta contra o materialismo. 

Silenciosamente, os grupos espíritas vão-se multiplicando e a idéia espírita vai-se ramificando em todos os caminhos, produzindo os frutos sazonados do amor e da paz.

Jesus, com um grupo de doze companheiros, trouxe o Evangelho ao mundo; Kardec, com uma reduzida equipe de cooperadores encarnados, fez com que o Espiritismo se espalhasse sobre a Terra... 

É interessante observar-se que, no caso do Brasil, por exemplo, antes que a mensagem espírita aqui chegasse, através dos primeiros núcleos na Bahia, a Espiritualidade já havia preparado o terreno, tornando-o fértil ao desenvolvimento das sementes da Terceira Revelação. 

É que o trabalho dos Espíritos Superiores sempre se antecipa ao dos homens.

Por isto, a Doutrina Espírita não tem necessidade de oferecer-se como se fosse um artigo de mercado... 

Quando famintas, as pessoas haverão de procurá-la, porquanto pressentem nela a expressão da Verdade, que não carece de violentar consciências.

O que é bom divulga-se por si mesmo. 

Realizemos simpósios e congressos, veiculemos o jornal e o livro, mas evitemos contender, disputar ou polemizar entre nós mesmos e, muito mais, entre aqueles que estimam discutir como se religião fosse uma paixão clubística. 

Não nos preocupemos em convencer. 

Onde falham as palavras, o exemplo é o melhor argumento.


Livro:- Seara de Luz
Irmão José
Médium: Carlos A.Baccelli

05 dezembro 2013

"Meta a vencer: O EGOÍSMO" - Irmão José


Meta a vencer: O EGOÍSMO 

Com a graça do nosso pai e o esforço amoroso da nossa irmã, estou novamente junto de meus filhos para lembrar a necessidade que temos em expulsar o egoísmo do nosso coração. Muita literatura chega às mãos de cada filho que lê esta mensagem! Quantas leituras já fizeram falando da necessidade de trabalharmos o egoísmo? Muitas não é mesmo filhos? O maior missionário que o planeta já teve em prol da evangelização, trabalhou incansavelmente para nos trazer ensinamentos de como podemos trabalhar o egoísmo em nossa identidade espiritual.

Chico Xavier não só serviu de instrumento abnegado, traduzindo os ensinamentos oriundos do plano espiritual como foi exemplo vivo do que escrevia. Vocês conseguem se dar conta do tamanho das bênçãos que o Pai amoroso dispensa para conosco? Quero falar para vocês da simplicidade da vida! Ser simples é o caminho do equilíbrio.

Ser simples é ser ético, ser moral, viver conectado na teia do universo. Quando somos simples conseguimos chegar a nossa essência, vivenciamos os verdadeiros valores, não complicamos o que não é complicado. E trabalhar nosso orgulho é isso, buscar a simplicidade. Nosso grau de egoísmo é elevado por que ainda nos encontramos muito próximos do nosso estado de instinto e animalismo.

Somos, ainda, seres fisiológicos. Deixamos nos guiar pela ação intempestiva e momentânea. Mudamos nossas moradias externas, porém continuamos tendo ações e atitudes da época em que vivíamos em cavernas. Emmanuel, no cap. XI de "O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO", item 11 nos fala com simplicidade sobre o que é o Egoísmo e como podemos trabalhar a transição do homem fisiológico (guiado pelo instinto) para nos tornar homens Psicológico (com sentimentos, guiados pela fé raciocinada). Muito bem nos coloca que o egoísmo é a chaga da humanidade que precisa desaparecer da terra.

Sim, filhos é imperioso nossa reforma íntima, nossa renovação, acendermos o candeeiro interno para iluminar nosso caminho. Nosso mentor de Luz com muita clareza diz que cada um de nós necessita empregar esforços constantes para combater o egoísmo. Sábias suas palavras! Para extirparmos da terra o egoísmo, a arma principal é a simplicidade. Quando falamos "da Terra" a visão macro pode nos parecer impossível. Precisamos nos dar conta que nós individualmente somos a Terra.

Minha proposta de estudo e prática é esquecer a visão macro e nos deter na visão micro.Chegaremos então a nossa individualidade. É nesse universo individual que cada filho precisa trabalhar o egoísmo. Emmanuel nos traz exemplo histórico de egoísmo e caridade.O comportamento de Pilatos, infelizmente é o comportamento que a maioria de nós adotamos! Quando dizemos "O problema não é meu", "Não posso salvar o mundo"! São ilusões que criamos para acomodar nossa consciência! Filhos se tomaram conhecimento de uma realidade já estamos envolvidos com ela! Neste instante sei que suas mentes escreveram vários nomes de irmãos que identificaram nessa condição! E vocês filhos, quantas vezes agiram assim? A ação dos outros não pode interferir em seu campo energético! Não julguem, simplesmente melhorem o que precisa ser melhorado em vocês! O exemplo do Cristo, a caridade em ação é a nossa meta.

Meta que para começarmos a vislumbrar precisamos transpor o obstáculo do egoísmo! Nosso histórico milenar esta vastamente escrito com atitudes egoístas. Cuidemos para que nesta nova oportunidade nossa opção não seja de "donos da verdade".

Emmanuel também nos esclarece que "ao Espiritismo esta reservada à tarefa de fazer o planeta elevar-se na ordem dos mundos". Então filhos queridos, vocês já tem todas as ferramentas e todas as portas abertas para sua reforma moral. Porém tenham cautela, não sabemos tudo e por sermos espíritas não somos donos do conhecimento ou melhores que aquele irmão que ainda vive na ignorância. Cuidem para que vícios antigos não criem um caminho ilusório de melhora espiritual.

Encerro minha escrita lembrando a vocês da necessidade de "SER SIMPLES". Se conectem com a energia da simplicidade caminhando de pés descalços na grama, deixando o sol da manhã agir sobre seu corpo energético.

Se conectem com o auxílio do plano espiritual e confiem! Confiem na justiça e harmonia divina como um pássaro confia que a hora da liberdade chegou! Simplesmente bata asas e voa. É isso filhos! Suas asas estão prontas, vamos voar para o destino de luz que os espera? Fiquem com a serenidade e confiança do nosso mestre Jesus e um pedido especial do anjo Ismael para vibrarem muito pela terra do Cruzeiro. Maria de Nazaré e seu exército de Luz estão apostos para auxílio, aceitem!

Irmão José

Mensagem espírita, recebida durante sessão mediúnica no Grupo de Estudos Maria de Nazaré, transmitida pelo Irmão José, psicografado por Ariana, em 5 de novembro deste 2013. 

 

29 maio 2011

A Lei da Reencarnação - Irmão José


A LEI DA REENCARNAÇÃO

Ao passar deste mundo para o outro, o espírito conserva a inteligência que tinha aqui? — Sem dúvida, pois a inteligência nunca se perde. Mas ele pode não dispor dos mesmos meios para manifestá-la. Isso depende da sua superioridade e da idade do corpo que adquirir.

(“O Livro dos Espíritos”, questão 180).

Certas perguntas e respostas de O Livro dos Espíritos, a fim de serem mais bem assimiladas em seu conteúdo, necessitam de serem meditadas dentro do contexto em que foram formuladas.

A inteligência é patrimônio inalienável do espírito, que depende, para se manifestar, dos meios à sua disposição, notadamente de um instrumento físico mais ou menos adequado à sua livre expressão.

Um exímio violinista necessitará de instrumento à altura de sua habilidade, pois, caso contrário, sentir-se-á cerceado em sua capacidade de utilizá-lo.

Encarnando em mundos inferiores, é óbvio que o espírito, algo intelectualmente evolvido, quase sempre não disponha de um corpo compatível com seus anseios de raciocinar; muito embora possa ser portador de inteligência acima da média dos demais habitantes dos referidos orbes, ele não logrará avançar para além dos limites impostos pela sua condição cerebral...

Alguns espíritos, quando encarnam como vanguardeiros do progresso em meio a povos de natureza primitiva, conseguem, até certo ponto, sob o amparo de Entidades Superiores, impor-se à influência da matéria, interferindo, no que tange à genética, na constituição do corpo que irá ocupar. Outros, no entanto, ver-se-ão compelidos a expiar os deslizes cometidos no campo da inteligência em um corpo com reduzidos reflexos cerebrais, à feição de um doente cuja agressividade muitas vezes requer uma camisa-de-força que o contenha.

A Lei da Reencarnação, pois, em sua aplicabilidade, varia de espírito para espírito, de acordo com o seu grau de consciência e da evolução no mundo a que se destine.

A Reencarnação deste ou daquele espírito praticamente é possível em todas as Esferas, consideradas físicas e extrafísicas, consoante a disposição das partículas que compõem a matéria nas infinitas dimensões do Universo.

O termo reencarnação condicionou a mente humana à veste corpórea, como se o invólucro mais externo, no qual o espírito se apresenta nos demais mundos, tivesse sempre a mesma constituição do organismo físico, principalmente no que se refere à densidade.

Na resposta à questão acima aqui examinada por nós, os Espíritos condicionaram a atividade intelectual a ser exercida pelo espírito reencarnante, num outro mundo, à sua superioridade e à “idade do corpo que adquirir”! A colocação, bastante enfática, leva o estudioso da Doutrina a deduzir que, de fato, a Reencarnação não é menos Reencarnação porque, em certas circunstâncias, deixe de ocorrer segundo os estágios por ele conhecidos até o presente momento.

Em mundos de ordem hierárquica mais elevada, os espíritos candidatos à reencarnação não se ligam de imediato e tão estritamente ao corpo em sua fase embrionária, não estando, portanto, sujeitos à ação da amnésia temporária que acomete os homens, em sua generalidade.

Em relação às vidas anteriores, o esquecimento do passado será tanto mais profundo quanto menor a capacidade demonstrada pelo espírito de se impor ao corpo que venha a habitar, nas circunstâncias, também hereditárias, que lhe sejam adversas.

Seria interessante, para maior aproveitamento, os estudiosos confrontarem a pergunta acima com a de numero 183, do mesmo O Livro dos Espíritos: “Passando de um mundo para outro, o espírito para por nova infância? Resposta: “A infância é por toda parte uma transição necessária, mas não é sempre tão estúpida como entre vós”.

Página extraída do livro “Segundo O Livro dos Espíritos”, editora Didier
Carlos A. Baccelli /Irmão José

05 maio 2011

Uma Escola da Alma - Irmão José


UMA ESCOLA DA ALMA

O Centro Espírita é, de fato, uma escola da alma.

Não encontramos uma definição mais apropriada do que esta, para caracterizar o que deve ser a missão de um templo que se edifica em nome da Doutrina.

Afora o trabalho espiritual socorrista e as obras de benemerência social, os dirigentes de um Centro devem priorizar o estudo do Espiritismo para todos os seus frequentadores, mantendo reuniões sistemáticas em torno dos livros da Codificação, bem como daqueles que desenvolvam com fidelidade o pensamento de Allan Kardec, quer de autores encarnados ou desencarnados.

As referidas reuniões de estudo precisam ser acessíveis a todos, mormente aos médiuns que, não raro, revelam uma falta de informação muito grande sobre a Doutrina, dificultando o trabalho da Espiritualidade por seu intermédio.

Ao invés de apenas reuniões em que se efetuam simples comentários evangélicos, a maioria deles improvisados, sem a sequência de capítulos, como seria de desejar, dever-se-iam promover outras, de caráter público, onde o auxílio do passe e da fluidificação das águas não fosse dispensado,
mas em que predominasse o estudo mais aprofundado da Terceira Revelação.

Não estamos nos referindo a reuniões excessivamente longas e eruditas, distantes da simplicidade dos nossos postulados e do entendimento da maioria dos nossos irmãos.

Nem tampouco nos reportamos àquelas assembleias seletas, as quais obtêm acesso apenas os portadores de títulos acadêmicos.

Tocamos no assunto porque, como alguém já disse alhures, o Espiritismo, para os próprios espíritas, sem a intenção de generalizar, permanece sendo um grande desconhecido, de vez que mesmo as suas obras básicas, para esses, continuam inéditas em suas páginas.

O Centro Espírita não pode ser encarado somente como um hospital.

Jesus, embora curasse os doentes, aceitou para si o título de Mestre, como a nos dizer que é a ignorância a raiz de todos os males que afligem a Humanidade.

O Senhor curou e prossegue curando muitos corpos enfermos, mas o seu objetivo maior é o de curar almas.

Quanto mais o espírita estudar o Espiritismo mais se lhe solidificará a fé e, consequentemente, mais responsável se sentirá.

O Espiritismo é o Consolador da divina promessa, mas também é a Verdade da suprema libertação.

Se devemos socorrer, devemos, igualmente, esclarecer.

Ao prefácio de O Livro dos Espíritos, sob o título de “Prolegômenos”, Allan Kardec escreveu: “Os Espíritos anunciam que os tempos marcados pela Providência, para uma manifestação universal, são chegados, e que, sendo os ministros de Deus e os agentes de sua vontade, sua missão é instruir e esclarecer os homens abrindo uma nova era para a regeneração da Humanidade. E o Espírito de Verdade, nas páginas luminosas de O Evangelho segundo o Espiritismo, nos conclama: “Espíritas, amai-vos, eis o primeiro mandamento; instrui-vos, eis o segundo.”

Incentivemos as reuniões públicas de estudo da Doutrina, sem nos preocuparmos, de início, com o número de seus frequentadores, e teremos, para breve, uma legião de companheiros conscientes e devotados à nossa Causa de Amor e Luz.

De “Seara de Luz”
Médium: Carlos A. Baccelli
Epírito: Irmão José

20 novembro 2010

O Joio e o Trigo - Irmão José

O JOIO E O TRIGO

"Mas, dormindo os homens, veio o seu inimigo, e semeou o joio no meio do trigo, e retirou-se." (Mateus, cap. 13 - v. 25)

Carecemos de estar atentos.

Em nosso atual estágio evolutivo, o joio estará sempre misturado ao trigo de nossas melhores intenções.

À feição da erva daninha que invade a plantação, comprometendo a colheita, o joio costuma aparecer em qualquer gleba da vida, alastrando-se sorrateiro...

Às vezes, é o companheiro invigilante que coloca em risco o andamento de determinada tarefa.

Às vezes, somos nós mesmos que, traídos pelas próprias imperfeições, escandalizamos os amigos que se escoravam em nossa conduta.

Jesus é claro ao dizer que ambos, o joio e o trigo, cresceriam lado a lado...

Observemos, no entanto, que o trigo é pão que mata a fome, ao passo que o joio é arbusto para a fogueira.

Fácil, assim, será distingui-los, de vez que se diferenciam por si mesmos.

O homem-trigo é aquele que é útil aos seus semelhantes; o homem-joio é o que prejudica o próximo...

O homem-trigo é o que produz bons frutos.

O homem-joio é estéril nas boas obras.

Quase sempre, os dois coexistem dentro da alma humana; ora predomina o homem-trigo, ora predomina o homem-joio...

O trigo de nossas virtudes está sempre ameaçado pelo joio de nossos vícios.

Assim como nós carecemos saber apartar a boa da má semente, aprendamos a separar nos outros as qualidades dos defeitos.

Não desprezemos ninguém pelo joio de seus erros; antes, destaquemos o trigo de seus acertos, a fim de que no próximo tanto quanto em nós a lavoura do bem supere o plantio do mal.

Para os homens, Madalena não passava de joio ameaçador; para Jesus, ela era o trigo da esperança na ressurreição...

Após ser joio para os cristãos, Paulo não se transformou em trigo para o Evangelho!

Não olvidemos que o trigo da Boa-Nova que o Divino Semeador espalhou no mundo cresceu em meio ao joio da descrença, do fanatismo, da violência...

Em qualquer plantação das instituições humanas encontraremos o joio e o trigo contrabalançando-se, como se a Vida nos dissesse que na Terra, por um bom tempo ainda, os homens haverão de oscilar, indecisos, entre a sombra e a luz.

Estamos longe de uma seara de trigo homogênea em qualquer setor de nossas atividades, materiais e espirituais. Judas não floresceu como joio no trigal do colégio apostólico?!

Desenvolvamos o discernimento, para que não venhamos lançar o trigo ao fogo, confundindo-o com o joio, porque, para quem souber discernir, não fará diferença que o joio coexista com o trigo; antes servirá de elemento aferidor de valores entre o que é certo e o que é errado.

De "Evangelho e Doutrina"
De Carlos A. Baccelli
Pelo Espírito Irmão José

31 julho 2009

Na Seara - Irmão José

NA SEARA

Na seara espírita onde foste chamado a servir, não critiques os companheiros, mesmo quando estejais a sós com alguém de tua inteira confiança.

Evita fomentar conversações inúteis, promotoras da desunião e da desconfiança.

Se te encontras imbuído do propósito de auxiliar, não apontes erros nos outros.

Não te esqueças que cada um deve colher os frutos de sua própria experiência e não queiras substituí-los no aprendizado que se lhes faz necessário.

Recordando a ti mesmo o quanto já te equivocaste, exercita a paciência e a compreensão para com aqueles que não te escutam os alvitres.

Valorizas os companheiros, destacando-lhes o esforço e a boa vontade nas tarefas que desempenham, sem exigir deles a perfeição que também não podes oferecer.

Não permitas que os assuntos levianos se alastrem no grupo a que pertences, minando-lhes as bases com a infiltração da intriga, que acaba por derrubar as mais sólidas construções de fraternidade.

Quando não tenhas o que conversar, relativamente às tarefas em pauta, antes que o tema descambe para a maledicência, provoque o diálogo em torno de uma das lições da Doutrina, canalizando as tuas idéias para o que seja proveitoso.

Educar a palavra é educar a alma em profundidade.

Se foste chamado a dirigir um grupo de amigos vinculados ao Espiritismo, reflete na responsabilidade de que te encontras transitoriamente investido e procura mantê-los unidos através do teu exemplo.

Não cultives preferências por este ou aquele.

Divide a tua atenção e o teu carinho, por igual, com todos eles.

Aprende a ouvir, para que saibas falar.

Lembra-te de que um dos maiores problemas que Jesus enfrentou, para nos ensinar o seu Evangelho, foi o do relacionamento entre os irmãos

que lhe constituíam o colégio apostólico.

Não alimentes aversão por quem pensa diferente de teus pensamentos.

"Quem não é por nós, é contra nós; e quem conosco não ajunta, espalha."

Não te arvores em juiz de quem quer que seja.

Os Espíritos Superiores que ditaram a Doutrina a Allan Kardec agitam quase que em completo anonimato, assinando as mais belas páginas apenas como "Um Espírito Familiar", "Espírito Amigo", "Guia Protetor", "João", "Lázaro", "Cáritas", "Simeão"...

Afastemos o personalismo de nossas cogitações.

Não queiramos ser o que sabemos que não somos.

Impessoalizemo-nos.

Quando não possas concordar com a orientação doutrinária deste ou daquele grupo, que acredita estar no caminho certo, ou quando ainda não consigas entender o posicionamento deste ou daquele companheiro de ideal, que defende firmemente o seu ponto de vista, silencia e espera.

De tua parte, sê sempre aberto ao diálogo, fugindo ao extremismo das idéias.

Se assim o fizeres, certamente errarás menos e colaborarás de forma mais eficiente na construção do Reino de Deus sobre a face da Terra.

De "Seara de Luz",
de Carlos A. Baccelli,
pelo Espírito Irmão José

25 junho 2009

Na Seara Espírita - Irmão José

Na Seara Espírita

Na seara espírita onde foste chamado a servir, não critiques os companheiros, mesmo quando estejais a sós com alguém de tua inteira confiança.

Evita fomentar conversações inúteis, promotoras da desunião e da desconfiança.

Se te encontras imbuído do propósito de auxiliar, não apontes erros nos outros.

Não te esqueças que cada um deve colher os frutos de sua própria experiência e não queiras substituí-los no aprendizado que se lhes faz necessário.

Recordando a ti mesmo o quanto já te equivocaste, exercita a paciência e a compreensão para com aqueles que não te escutam os alvitres.

Valorizas os companheiros, destacando-lhes o esforço e a boa vontade nas tarefas que desempenham, sem exigir deles a perfeição que também não podes oferecer.

Não permitas que os assuntos levianos se alastrem no grupo a que pertences, minando-lhes as bases com a infiltração da intriga, que acaba por derrubar as mais sólidas construções de fraternidade.

Quando não tenhas o que conversar, relativamente às tarefas em pauta, antes que o tema descambe para a maledicência, provoque o diálogo em torno de uma das lições da Doutrina, canalizando as tuas idéias para o que seja proveitoso.

Educar a palavra é educar a alma em profundidade.

Se foste chamado a dirigir um grupo de amigos vinculados ao Espiritismo, reflete na responsabilidade de que te encontras transitoriamente investido e procura mantê-los unidos através do teu exemplo.

Não cultives preferências por este ou aquele.

Divide a tua atenção e o teu carinho, por igual, com todos eles.

Aprende a ouvir, para que saibas falar.

Lembra-te de que um dos maiores problemas que Jesus enfrentou, para nos ensinar o seu Evangelho, foi o do relacionamento entre os irmãos que lhe constituíam o colégio apostólico.

Não alimentes aversão por quem pensa diferente de teus pensamentos.

"Quem não é por nós, é contra nós; e quem conosco não ajunta, espalha." Não te arvores em juiz de quem quer que seja.

Os Espíritos Superiores que ditaram a Doutrina a Allan Kardec agitam quase que em completo anonimato, assinando as mais belas páginas apenas como "Um Espírito Familiar", "Espírito Amigo", "Guia Protetor", "João", "Lázaro", "Cáritas", "Simeão"...

Afastemos o personalismo de nossas cogitações.

Não queiramos ser o que sabemos que não somos.

Impessoalizemo-nos.

Quando não possas concordar com a orientação doutrinária deste ou daquele grupo, que acredita estar no caminho certo, ou quando ainda não consigas entender o posicionamento deste ou daquele companheiro de ideal, que defende firmemente o seu ponto de vista, silencia e espera.

De tua parte, sê sempre aberto ao diálogo, fugindo ao extremismo das idéias.

Se assim o fizeres, certamente errarás menos e colaborarás de forma mais eficiente na construção do Reino de Deus sobre a face da Terra.

Livro: Seara de Luz
Irmão José e Carlos A. Baccelli

27 maio 2009

Vida Transitória - Irmão José

VIDA TRANSITÓRIA

"Porque, que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanecer." (Tiago, Cap. 4 - v. 14)

A pergunta de Tiago - "Porque, que é a vossa vida?" - soa como uma trombete aos ouvidos dos que voluntariamente dormem embalados no berço da ilusão... A sua resposta - "É um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece" - é a verdade que os homens apegados à vida material não estimam ouvir.

Quantos receiam pensar na morte?! No entanto, não há realidade mais concreta para os que vivem no mundo.

Se os homens soubessem como é frágil a vida no corpo, "um vapor que aparece por um pouco", certamente haveriam de valorizar mais o espírito.

Qual Tiago, Pedro, em sua 1ª Epístola, cap. 1 - v. 24, afirma: Porque toda carne é como erva, e toda a glória do homem como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor..."

Por mais apego à vida física, o homem não é senhor dos seus dias.

Ninguém sabe precisar com clareza o que o aguarda amanhã.

Basta que uma simples célula adoeça para que um órgão vital seja comprometido.

Um microscópico coágulo numa artéria pode ser o mensageiro da morte.

Uma queda insignificante na via pública, a que todos estão sujeitos no dia a dia, talvez seja o motivo do óbito de quem se considera na plenitude das forças orgânicas.

Quantos deitam-se para não mais se levantar, surpreendidos que são pela morte no próprio leito?!

Para que o homem viva espiritualmente a sua existência física, ele não pode deixar de pensar na proximidade da morte.

Para que o espírito encarnado invista nos valores reais, é necessário que ele considere a transitoriedade dos bens que usufrui, por empréstimo, no mundo das formas perecíveis.

Conta-se que Francisco de Assis, indagado certa vez, quando cuidava do jardim, qual seria a sua atitude se soubesse que morreria no dia seguinte, sem deter-se na humilde tarefa a que se entregava, ele respondeu ao frade que o questionara: "Continuaria regando as minhas flores!..."

Os que vivem em espírito não se perturbam ante a idéia da morte.

Quando os homens se conscientizarem em profundidade de que estão sobre a Terra "por um pouco", eles viverão com senso de eternidade, como os primitivos cristãos que não hesitavam enfrentar a morte nos circos do martírio, porque sabiam que estavam investindo na felicidade futura.

Por isto, repetindo ainda o apóstolo Tiago: "Eia agora vós, que dizeis: Hoje, ou amanhã, iremos a tal cidade, e lá passaremos um ano, e contrataremos, e ganharemos."

Faça o homem agora o que tenciona fazer por sua alma, porque depois já poderá não contar com as oportunidades com que a vida lhe acena neste exato momento.

De "Evangelho e Doutrina",
de Carlos A. Baccelli,
pelo Espírito Irmão José