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14 setembro 2013

Escola - Espírito Carlos


ESCOLA

Porque o mandamento é uma lâmpada e a instrução uma luz e, as repreensões da disciplina são o caminho da vida. Pv. 6:23.

***

Os mandamentos espirituais são vidas iluminando vidas, em todas as direções.

A instrução é luz iluminando os caminhos da alma nos roteiros das existências.

A disciplina é a força que garante o Espírito em todas as tribulações.

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Para quem quer aprender existe escola por toda parte e para quem quer ensinar não falta aprendiz nos diversos caminhos. Aluno e mestre, despertai-vos para que surja a instrução corrigindo faltas e ampliando virtudes na linha do Cristo, que é sempre Amar.

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Acende uma lâmpada na tua vida, colhendo, no jardim do teu lar, as boas maneiras dos teus pais e procura multiplicá-las na semente da palavra que deves jogar no solo dos corações por onde transitas. O agricultor dinâmico tem sempre o celeiro cheio.

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Não feches os olhos diante da escola, ajuda os semelhantes a progredirem mais.

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Lembra que Jesus é o Mestre dos mestres. Professores e alunos harmonizam-se diante do Evangelho e dos livros. Não percas tempo, procura aprender e ensinar.

***

Mesmo que não tenhas forças para corrigir faltas e dar sequências em virtudes, faze o que puderes, qualquer esforço nesse sentido é abençoado.

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Jesus, diante das dificuldades dos discípulos no aprendizado do amor, abriu a Escola do Evangelho. Logo após, passaram a brilhar, bem próximo ao Cristo, os astros como um sol de amor e esperança, iluminando a humanidade.

***

A Terra é uma academia cósmica. Quem vive ou flutua com ela está aprendendo, não o que quer, mas o que Deus achar mais conveniente. E se compreendemos a vontade do Senhor, mais depressa servimo-nos de instrumento à luz do Cristo.

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Dentro do Cristianismo está cheio de autodidatas que aprenderam e estão ensinando o Evangelho de Jesus.


De “Gotas de Fé” 
De João Nunes Maia 
Pelo Espírito Carlos



13 setembro 2013

Prossegue Lutando - Joanna de Ângelis



PROSSEGUE LUTANDO

Levanta o espírito combalido e prossegue lutando:

a terra sofrida pelo arado mais produz;

a fonte visitada pelo balde mais dessedenta;

a árvore abençoada pela poda mais frutifica;

o coração mais visitado pela dor mais se aprimora.

Não te canses de lutar!

A reencarnação é oportunidade abençoada que os Céus concedem para refazimento moral, ajuste de contas e saldamento de dívidas.

Não te aflijas ante a imperiosa necessidade de resgatar.

Bendize as horas de dor, que passam como passam os momentos de prazer, avançando na tua luta, caindo para levantar, chorando por amor ao ideal e sofrendo por servir. Para onde sigas, defrontarás a luta em nome do trabalho sulcando o solo da humanidade.

A luta é clima em que são forjados os verdadeiros heróis e o sofrimento é a célula sublime que dá origem aos servidores verdadeiros.

Há mães que no sofrimento se converteram em anjos estelares; há corações que no sofrimento se transformaram em urnas sublimes de amor; há criaturas que no sofrimento se renovaram, fazendo de si mesmas sentinelas vigilantes, em defesa dos infelizes.

Prossegue lutando!

Esquece o próprio cansaço e escreve páginas de consolação; cessa de chorar e enxerga outras lágrimas com o lenço da tua compreensão; asserena tua inquietude e repete os excertos sobre a imortalidade, de que tua alma está impregnada pelos zéfiros do mundo espiritual, junto aos que nada conhecem do além-túmulo...

Há favônios cantantes que trazem blandícias de prece e te falam aos ouvidos, quando te aquietas para orar.
Não percas a oportunidade de sofrer nem te desalentes porque a dor te visita.

Quando menos esperares, um anjo incompreendido chegará de mansinho às portas do teu corpo e, selando teus lábios com o sinete da desencarnação, tomará tua alma de improviso. Abençoarás, então, ter prosseguido lutando.

E considerares que as provações que te visitam agora são aparentemente maiores do que tuas forças, recorda Jesus, o Anjo Crucificado, que no Gólgota, ainda pôde, sofrendo, prosseguir lutando, quando, atendendo à súplica do larápio infeliz, esperançou-o com o desejo de entrar no paraíso. E guarda a certeza de que, prosseguindo lutando, já estás no paraíso desde hoje.


De “Messe de Amor”
De Divaldo Franco
Pelo Espírito Joanna de Ângelis



12 setembro 2013

A Obesidade diante da Obessão, do Vampirismo e da Auto-Obsessão - Jorge Hessen


A OBESIDADE DIANTE DA OBSESSÃO, DO VAMPIRISMO E DA AUTO-OBSESSÃO

 

No Brasil, as doenças relacionadas à obesidade custam aos cofres públicos quase 500 milhões de reais, anualmente, segundo levantamento realizado pela UnB – Universidade de Brasília. Outra Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) de 2009 assinalou que 21,7% dos brasileiros, na faixa etária entre 10 e 19 anos, apresentam obesidade. Ao todo, há quase 15 milhões de brasileiros rechonchudos. O número equivale a quase metade dos gordos existentes nos Estados Unidos. (1)

Estamos perante uma epidemia mundial. O governo de Dubai (Emirados Árabes Unidos) está oferecendo ouro (isso mesmo, ouro!) como recompensa para incentivar as pessoas a perderem peso e levarem um estilo de vida mais saudável. Para cada quilograma perdido, os participantes receberão um grama de ouro, que atualmente vale em torno de quarenta e cinco dólares (cerca de cem reais), mas para receber o prêmio é necessário perder no mínimo dois quilogramas. O programa de governo árabe reflete o aumento da preocupação das autoridades dos países do Golfo Pérsico com a taxa crescente de obesidade da população devido à vida sedentária e consumo descomunal de alimentos fast-food. (2)

Pesquisando aqui e alhures sobre a “obesidade”, esbarramos com alguns textos curiosos, que inobstante excêntricos, revelaram-se atraentes. A exemplo do texto de Andrew Oitke, um suposto catedrático de Antropologia, em Harvard, que teria divulgado o livro “Mental Obesity” (!?)…(3), que segundo os leitores, tem insurgido contra as áreas da educação, jornalismo e relações sociais em geral. O hipotético livro “Obesidade mental” consigna, dentre outros incisivos contextos, que décadas atrás a humanidade tomou consciência dos perigos do excesso de gordura física por causa da alimentação desregrada. Todavia, e poucos se dão conta, há abusos no campo da informação e conhecimento que estão criando problemas tão ou mais sérios que adiposidade física.


A sociedade está mais empanturrada de preconceitos que de gorduras protéicas; mais intoxicada de lugares-comuns que de hidratos de carbono. Os cozinheiros desta volumosa “fast food” intelectual são os jornalistas e colunistas, os editores da informação e filósofos, os romancistas e diretores de cinema. Nessas dantescas perversões alimentares, os telejornais e telenovelas são os hamburgers do espírito, as revistas e romances são os pudins da imaginação. Com uma “alimentação intelectual” tão carregada de adrenalina, romance, violência e emoção, é normal que as pessoas nunca consigam uma vida saudável e equilibrada depois de ingeri-la.

Notemos: um jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamente de cadáveres de reputações, de detritos de escândalos, de restos mortais das realizações humanas. A informação das pessoas aumentou, mas é um conjunto de banalidades. Não é surpresa que, no meio da prosperidade e abundância, as grandes realizações do espírito humano estejam em decadência. A família é contestada, a tradição esquecida, a educação abandonada, a cultura banalizada, o folclore entrou em queda, a arte é fútil, paradoxal ou doentia. Floresce a pornografia, a arrogância, a imitação, a insipidez, o egoísmo. O homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos. Cremos que a sociedade precisa menos de passeatas, reformas, desenvolvimento, progressos do que de dieta mental.

Voltemos ao tema. A obesidade é uma doença crônica, grave, de custos elevados em todas as áreas da existência humana – individual e social. Especialmente a do tipo visceral está associada ao diabetes mellitus e a doenças coronarianas em homens e em mulheres. Os níveis crescentes de sobrepeso estão associados à incidência aumentada de alterações endócrincas, artrite de mãos e joelhos, doenças de vesícula biliar, apneia do sono, alterações dos lipídeos sanguíneos, alterações da coagulação e alguns tipos de neoplasias, como câncer de mama e de endométrio em mulheres, e câncer de cólon em homens.

Do ponto de vista espírita, cremos que a obesidade pode decorrer de fatores genéticos preponderantes e até mesmo das influências de espíritos vingativos. Embora a obesidade não seja classificada como um transtorno psiquiátrico, entendemos que a extensão dos efeitos da obsessão pertinaz (vampirismo) pode induzir a transtornos psíquicos levando o obsedado à ingestão exagerada de alimentos e acentuar-lhe os problemas emocionais (ansiedade, temores e fobias).

Allan Kardec, em o Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 28, define obsessão como sendo a “ação persistente que um Espírito mau exerce sobre um indivíduo.” (4) 

A obsessão é sempre um processo mantido, contínuo, persistente em que as forças em demanda estão se afrontando num processo bem estabelecido. O obsessor estará atuando sobre o encarnado em alguns flancos: mente a mente, através da constrição mental; perispírito a períspirito, através do envolvimento fluídico que poderá levar o corpo físico a degenerar.

Comer exageradamente pode induzir alguém à obsessão (vampirismo). A gula pode ser matriz de obsessão relacionada à satisfação de vícios e paixões. “Vampiro”, na definição de André Luiz, “é toda entidade ociosa que se vale indevidamente das energias alheias”. (5) 

A vampirização ocorre através de espíritos corrompidos, apegados a certas emoções materializadas, quando se aproximam dos encarnados, portadores dos mesmos vícios, para sugarem as suas emanações vitais. Destarte, a atitude de fumar, beber em excesso, falar mal dos outros (maledicência), da agressividade, da avareza, da sensualidade, da ingestão exagerada de alimento poderá estabelecer vínculos com entidades vampirizadoras, sugadoras das energias essenciais do obsedado.

Há ainda as obsessões anímicas, que são causadas por uma influência mórbida residente na mente do próprio paciente. Por causa de vícios de comportamento, ele cultiva de forma doentia pensamentos que causam desequilíbrio em sua área emocional. Muitas tendências auto-obsessivas são provenientes de experiências infelizes ligadas a vidas passadas. Angústia, depressão, mania de perseguição ou carências inexplicadas podem fazer parte de processos auto-obsessivos.

O auto-obsediado costuma fechar-se em seus pensamentos negativos e não encontra forças para sair dessa situação constrangedora. Esse posicionamento mental atrai Espíritos vingativos que, sintonizados na mesma faixa psíquica, agravam a situação. Não podemos olvidar que a imprudência e o ócio se responsabilizam por múltiplas enfermidades, como sejam obesidade, os desastres circulatórios provenientes da gula, as infecções tomadas à carência de higiene, os desequilíbrios nervosos nascidos da toxicomania e a exaustão decorrente de excessos vários. De modo geral, porém, a etiologia das moléstias perduráveis que afligem o corpo físico e o dilaceram guarda no corpo espiritual uma das suas matrizes.


Jorge Hessen


Referências bibliográficas:

(3) Não encontramos na Web o nome da editora, local e ano de publicação.

(4) Kardec Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, RJ: Ed. FEB, 1999, cap. 28

(5) Xavier, Francisco Cândido. Missionários da Luz, ditado pelo espírito André Luiz, RJ: Ed. FEB, 1990

 

11 setembro 2013

Inteligência e Emoção - Joanna de Ângelis

 
INTELIGÊNCIA E EMOÇÃO

Na construção dos equipamentos orgânicos para a evolução, a Divindade programou que o hemisfério direito do cérebro seja responsável pela beleza, pela arte, pelos sentimentos, tendo um caráter criativo e holístico, enquanto que o esquerdo responda pelo conhecimento, pela razão e pela lógica, demarcadamente separados pelo corpo caloso.

Na atualidade, não há como negar as notáveis conquistas da inteligência, responsáveis pela Tecnologia e por todos os extraordinários contributos da Ciência, tornando a vida na Terra mais confortável, com muitos males eliminados ou contornados, propiciando bem-estar, conforto e facilidades de todo porte. Nada obstante, não se pode desconhecer que esses instrumentos fabulosos de que se tem utilizado o conhecimento são também responsáveis por males incontáveis e desastres dantes jamais imaginados de se tornarem realidade.

Referimo-nos às armas ditas inteligentes com o seu poder de destruição superlativa, assim como as elaboradas quimicamente para matar, as biológicas portadores de epidemias terríveis, ao lado de outras tantas capazes de destruir a flora, a fauna, contaminar as águas e intoxicar a atmosfera com o único objetivo ganancioso do poder arbitrário e egotista de governantes desalmados.

Ao lado das comunicações virtuais de inestimável significado para o progresso do indivíduo, assim como das massas, encontra-se a perversa utilização para o crime de várias expressões, para a dissolução dos costumes, para a promiscuidade, para o comércio nefando de vidas em florações, para a drogadição, com todo o seu cortejo de tragédias, para a expansão da loucura, para a perda do sentido psicológico existencial...

A imaginação exacerbada pelo conhecimento entorpece as emoções elevadas e contribui para as alucinadas fugas da realidade, para o prazer exaustivo e o gozo irrefreável, em nome do moderno, do oportuno e do inadiável. 

O tempo gasto na execução do anseio de estar em todo lugar ao mesmo tempo, desfrutando das concessões decorrentes de viagens fantásticas, de intercâmbios para o gozo exorbitante, esgota-se na ampulheta dos anos e logo surgem as frustrações atormentadoras, o tédio doentio, a indiferença pela vida e o desprezo dos valores éticos, relegados a plano secundário ou totalmente desconsiderados.

Criou-se um quase abismo entre o saber e o sentir, entre a inteligência e a emoção, gerando a perda da comunicação realmente afetiva, do espírito de gentileza e de bondade, do companheirismo, da autoiluminação pela conquista da consciência, reduzindo o ser humano à condição de máquina em funcionamento automático sem controle nem diretriz.

Vive-se a epopeia da cultura utilitarista e selvagem em detrimento da harmonia entre a inteligência e a emoção, para que seja possível o desenvolvimento e vivência das aspirações superiores da vida.

A existência tem como finalidade precípua a autoconquista, a transformação dos instintos violentos em emoções equilibradas, da agressividade defensiva em utilização da energia criadora, e não para o erotismo extravagante, para a fruição dos sentidos no mergulho da escuridão do ego, com total esquecimento do Espírito que se é.

* * *

O tradicional conceito em torno da voz do coração torna-se uma necessidade de atualização, por ensejar o aprimoramento dos valores éticos registrados no hemisfério direito, propiciando o seu enriquecimento emocional, que trabalhará em favor da conquista do bem que expressa a vontade e as leis de Deus.

A inteligência, portanto, desenvolvida e cultivada sem o controle das emoções radicadas nos princípios valiosíssimos do amor, torna-se alucinada, exacerbada pelo egoísmo de que se nutre, em detrimento das necessidades humanas que se movimentam em toda parte.

O coração humano é o grande motor responsável pela manutenção da vida física na viagem evolutiva, possuindo 40.000 células nervosas que são responsáveis por ações pensantes, quais se constituíssem um pequeno cérebro no seu conjunto, independendo das funções que são atribuídas ao órgão total.

Lentamente, após incontáveis padecimentos, o ser humano vai descobrindo que a inteligência sem a emoção dignificada transforma-se em conquista prejudicial, geradora de conflitos inomináveis e de condutas extravagantes quão alucinadas.

Como efeito, surge o impositivo de se trabalhar com a mesma intensidade o hemisfério direito, exercitando os valores da emotividade, da inspiração, do serviço de solidariedade humana, ao mesmo tempo em que se torna impostergável o dever de ampliar a área do afeto, vinculando-se aos ideais de enobrecimento e às pessoas lutadoras que se transformam em líderes do progresso social e moral da humanidade.

O conhecimento, que abre as janelas da alma para a percepção da realidade, quando não é nutrido pelo sentimento ético, conduz à cegueira da razão, que somente se direciona para o imediatismo do prazer e do interesse pessoal, com parcial ou total indiferença pelo que sucede em volta.

Assim tem sido o comportamento da sociedade nesses longos milênios de desenvolvimento da inteligência, na ânsia de ultrapassar os limites das ocorrências e no desespero de solucionar as dificuldades que parecem impedi-la de alçar voos cada vez mais amplos em busca do Infinito...

Enquanto o amor não vicejar nos sentimentos, contribuindo em favor da harmonia interna, do equilíbrio das emoções defluentes das sensações, ainda em fase primária de seleção, o sofrimento seguirá ao lado dos viandantes pelos caminhos carnais.

Desenvolver um programa de realizações internas, caracterizadas pelos sentimentos de compreensão em favor da família humana, torna-se uma urgente necessidade que não deve ser postergada, sem que surjam ocorrências nefastas, angustiantes.

Ninguém consegue viver em equilíbrio sem um projeto de existência alicerçado na afetividade, o que implica dizer que ninguém logra realizar-se durante a vida física sem um objetivo psicológico superior. Se esse objetivo é material, imediato, constituído pelos desejos egoicos, o sentido da vida logo desaparece e o ser derrapa em transtorno de comportamento, mergulhando em melancolia e asfixiando-se na depressão.

Unir, portanto, as aspirações da inteligência com as aplicações do sentimento, deve constituir a primeira meta a caminho dos ideais cósmicos, ínsitos no cerne do ser.

* * *

Sem dúvida, a inteligência é responsável pela grande horizontal das conquistas humanas, mas o sentimento é a grande vertical na direção de Deus.

No centro em que se encontram as duas vertentes, está o coração pulsando em amor e cantando as glórias do existir.

Joanna de Ângelis Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na manhã de 21 de maio de 2013, em Milão, Itália.


10 setembro 2013

E a Paz Chegou - Rabindranath Tagore




E A PAZ CHEGOU

O carro da guerra passou esmagador em desvario, deixando as marcas inapagáveis da desolação e da morte em toda parte. Uma nuvem de sofrimento cobriu o sol da esperança, enquanto as vozes em desespero misturavam-se ao murmúrio aflitivo das litanias.

A aldeia era uma pequena clareira na floresta do mundo ambicioso e temporal.

Os seus moradores nada sabiam da política perversa dos estranhos dominadores dos seus destinos.

A poeira que descia sobre as carnes trêmulas dos vencidos transformava-se em lama ensanguentada.

As crianças esmagadas não tiveram tempo de fugir, nem os seus pais atônitos de poder salvá-las ou salvar-se, e nem mesmo as virgens que se refugiaram no templo o conseguiram.

Somente dominava o crime com o terror que vencia tudo e todos.

Na turbulência alucinada pelo desespero, alguém arrancou a música aprisionada na garganta e suplicou em angústia por socorro e misericórdia: 

Oh! Doce amor dos desgraçados!

Desce a Tua ternura até nós e recolhe as nossas aflições na concha sublime das Tuas luminosas mãos.

Faze suavizar o peso em nossos ombros, carregados de opróbrio e de humilhação, com o bálsamo das doces esperanças da Imortalidade.

Toma nossas infinitas aflições e transforma-as em sorrisos como flores de incomparável delicadeza, ornando a Terra infeliz onde jazemos semimortos, de forma que se transforme num jardim de bênçãos para o futuro.

E silenciou, arquejante.

Somente se ouviam entre os gemidos, as onomatopeias da Natureza compadecida.

Krishna escutou-a e enfrentou Indra, o invejoso e temerário, que fugiu envergonhado para além das nuvens dos céus, permitindo que flechas de luz descessem sobre a aldeia vencida e triste, vestindo-a de claridade.

A partir daquele momento, todas as dores da Terra foram se transformando em rosais e festões de primavera eterna, a fim de que um Rei, que é o maior de todos os reis, um Deus que supera todos os outros deuses, aplacasse a crueldade onde surgisse e uma doce esperança nunca abandonasse aqueles que amam e confiam, deixando de ser desventurados.

O monstro da guerra, surpreendido, tentou fugir, ressurgindo, aqui e ali, todavia, a partir de então, a aldeia dos corações humanos ficou em harmonia, instalando-se um reino diferente que nunca mais desaparecerá do mundo.

Esse Rei Triunfante deu a Sua vida por todas as vidas, e o Seu canto de perdão elevou a humanidade aos Cimos anelados, superando reinos e principados, por entender-se para sempre o infinito da Imortalidade. 

Ei-lO novamente cantando o sermão da paz e da renovação da vida, quando parecia estar esquecido!


Pelo Espírito Rabindranath Tagore - Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na manhã de 2 de agosto de 2013, durante o 5º Congresso Espírita de Mato Grosso, em Cuiabá, MT. 



09 setembro 2013

Um Fofoqueiro no Centro - Wellington Balbo


UM FOFOQUEIRO NO CENTRO

Realizava palestra em determinada cidade do interior de um estado brasileiro qualquer, quando após a apresentação um senhor me procura e narra sua experiência.

“Moço, corria o ano de 1977 e eu labutava num centro espírita aqui da cidade. Nesta casa tínhamos um companheiro complicado, sujeito do vinagre, azedo, sua boca era um veneno só. Falava mal de todos, disseminava a fofoca, enfim, homem terrível de conviver. Mas eis que a vida não manda avisar quando a senhora da foice virá buscar e num certo dia recebemos a notícia do desencarne daquele indivíduo. Ataque cardíaco, fulminante! Enfim, estávamos livres dele!

Bom... o tempo passou e eu me esqueci completamente daquela pessoa desagradável, até que no ano de 1997, numa reunião mediúnica, eu tenho vidência e vi um homem sorridente vindo em minha direção. Ele estava bem, como se fosse uma entidade bem resolvida com seus traumas. Por Deus! Identifiquei a presença daquele fofoqueiro. Era ele. Mas como? Como alguém tão malvado poderia apresentar-se bem no mundo dos Espíritos? Até que o mentor da reunião disse-me: Amigo, admira-se de nosso irmão? Pois bem, e eu me admiro de você... Não percebeu que já se passaram 20 anos? Pelo visto, ele caminhou e você ficou estagnado, a julgar os outros, esquecendo-se de que com o tempo, seja aqui ou no além todos crescemos!”

Jesus! Como ficamos presos ao que passou. Não sem motivo Deus estabeleceu como condição reencarnatória o esquecimento temporário. Claro, é preciso desvencilhar-se do passado e de todos os passados, tanto o nosso quanto o dos outros.

Passado apenas para agregar experiência, jamais servir como elemento de condenação. Cada um de nós arca com as conseqüências de seus atos passados que repercutem, não raro, de forma dolorosa no presente. Portanto, o que não precisamos é de julgamentos, sentenças, vibrações contrárias, haja vista que responderemos pelos nossos atos.

Todavia, o mais interessante é nossa visão limitada, de rótulos, que estigmatiza este ou aquele pelos seus equívocos do passado.

Sem perceber, sem refletir, condenamos o outro às trevas quando fechamos o caminho para a luz.

Explico-me: O sujeito errou demais e tenta recomeçar, vai na igreja, no centro ou sei lá, e vamos nós: “Você viu o fulano? Fez um monte de besteira na vida e hoje vai ao centro”. Isso é cruel de nossa parte. As pessoas têm o direito de recomeçar suas vidas, de levantar a poeira e dar a volta por cima.

O que devemos fazer? Simples, orar por elas, orar para que prossigam firmes em seus propósitos. Não podemos ser nós os fiscais da vida alheia, aqueles que tentam impedir o outro de recomeçar. Que bom, que bom poder reconhecer os erros e  procurar uma religião, enfim, mudar de vida.

Deus possibilita-nos todas as chances do mundo. Ninguém está deserdado ao erro, ao equívoco, ao vício.
Irmã Rosália, em O Evangelho segundo o Espiritismo deixa a mensagem de que não incomodar com as faltas alheias é caridade moral.

É bem por ai. Caridade moral. Com a mesma ênfase que atendemos o pobre, o necessitado do pão material precisamos atender aquele que necessita do pão do espírito, ou seja, da compreensão, do carinho, da porta aberta para recolocar as coisas no lugar e seguir adiante. Nada de colocar o outro num balaio, estigmatizar. Quem nesta vida não erra?

Se ainda não conseguimos esquecer nossos erros desta existência, que ao menos não lembremos os dos outros para que eles possam recomeçar; recomeçar a busca pela felicidade... afinal, todos temos o direito de prosseguir, e se não queremos nós prosseguir, que ao menos não impeçamos os outros de “ajeitar” novos caminhos rumo ao progresso.

Pensemos nisto!





08 setembro 2013

A Batalha Mais Difícil - Bezerra de Menezes

 

A BATALHA MAIS DIFÍCIL

Meus Filhos! Permaneça conosco a paz do Senhor!

Recrudescem as lutas e os anunciados tempos de transição chegam em fragorosas batalhas travadas. É indispensável a aferição de valores que devem caracterizar os combatentes.

Dificuldades e desafios apresentam-se no planeta em todas as áreas do conhecimento e do comportamento. As estruturas mal construídas do passado esboroam-se ante o fragor das demolições incessantes.

A árvore que não foi plantada pelo Bem é derrubada, e as casas edificadas sobre as areias movediças ruem desastrosamente. Mas a obra do bem permanece suportando os vendavais, enfrentando todos os desafios...

Não nos preocupemos com esses momentos que nos chegam, estabelecendo entre as criaturas o desequilíbrio e estimulando à debandada.

Os discípulos da verdade devem permanecer fiéis aos postulados que abraçam, vivenciando-os. Não seja, pois, de estranhar, que a incompreensão sitie os nossos passos e obstáculos imprevistos apareçam pela senda que percorremos.

Devemos contar com a consciência ilibada e nunca aguardar o aplauso da insensatez. Nosso modelo é Jesus, para Quem não houve lugar no mundo.

O Codificador igualmente seguiu-Lhe as pegadas e soube arrostar as consequências do messianato a que se entregou, incorruptível e tranquilo. 

Lamentamos que as maiores dificuldades sejam intestinas em nosso Movimento, mas compreendemos que as criaturas se demoram em diferentes patamares de consciência, possuindo a ótica própria para observação dos fatos e interpretação da mensagem. Mas, já que não nos é lícito impor a proposta espírita libertadora, não nos preocupemos com as imposições que nos chegam, visto que todos estão informados dos fins dos tempos e o egrégio Codificador da Doutrina asseverou-nos que o mundo de provas e de expiações cederia lugar ao mundo de regeneração.

Através dos tempos se tem informado que essa modificação se dará por meio de fenômenos sísmicos dolorosos; através de lutas cruentas, em guerras intermináveis; mediante os conflitos humanos. No entanto, se observarmos a História, encontraremos todos esses acontecimentos assinalando períodos de transição.

A grande luta deste momento se travará no país da consciência de cada discípulo de Jesus. As convulsões serão de natureza interna. A batalha mais difícil será a da superação das más inclinações, administrando-as e direcionando-as para o Bem.

Por mais difíceis se nos apresentem as acusações, e por mais terrível seja a morbidez direcionada para impossibilitar-nos o avanço, mantenhamos a serenidade. Que receio nos podem proporcionar aqueles que apenas falam contra nós?!

Atuando no bem e sabendo confiar no tempo, levaremos a mensagem de libertação da Doutrina Espírita às diferentes Nações da Terra, pulcra, conforme no-la legaram os Espíritos por intermédio de Allan Kardec e dos seus discípulos mais dedicados.

O Movimento expande-se; nada pode deter a marcha da Doutrina Espírita, nem mesmo aqueles que, dizendo-se adeptos da palavra do Codificador, erguem-se para zurzir-nos com as expressões destrutivas, utilizando-se das armas da impiedade disfarçada de dedicação à Causa.

O servidor da verdade permanece-lhe fiel, não divulgando o mal, mas apresentando o bem; mesmo do erro tirando a melhor parte, aquela que serve de lição para não se voltar ao engano ou não se estabelecerem novos compromissos negativos.

Confiai, filhos dedicados! Vossos passos na Terra devem deixar sinais que possam servir de roteiro para os que vierem depois.

O nosso compromisso é com Jesus, o Amor, e com Allan Kardec, a razão, para que a religião cósmica da verdade domine os corações humanos, restaurando no planeta a era da legítima fraternidade.

O Espiritismo vem desempenhando o papel para o qual foi codificado!

Não nos detenhamos na análise dos impedimentos, dos erros, mas examinemos a extensão dos benefícios que hoje conduzem milhões de vidas que se norteiam para o Bem.

Não guardemos qualquer ressentimento, nem nos deixemos entristecer ou entibiar, quando as forças parecerem diminuídas. Não nos permitamos desanimar, porquanto o nosso é um trabalho pioneiro, a nossa é uma tarefa caracterizada pelo estoicismo.

Nossa jornada deve estar assinalada pelo amor, e é natural que ainda não haja lugar para ele entre muitos Espíritos que se encontram em níveis de evolução diferentes.

Avancemos unidos! O ideal de unificação vem do mundo espiritual para a Terra. 

Se não formos capazes de discutir as nossas dificuldades idealísticas em clima de paz, de fraternidade, de respeito mútuo, de dignificação dos indivíduos e das Instituições, que mensagem podemos oferecer ao mundo e às criaturas estúrdias deste momento?! Tem-se a medida do valor moral do homem pelas resistências que vive nas lutas que trava. Os ideais tornam-se grandiosos pelo que provocam nos inimigos gratuitos do progresso.

A Doutrina Espírita, repitamos, é Jesus, meus filhos, em nova linguagem perfeitamente compatível com os arroubos da Ciência e os fatos demonstrados pela experimentação de laboratório, assim como pelas conquistas tecnológicas. Mas, a criatura humana, que é o laboratório da própria evolução, no seu encontro com Jesus através da fé racional, clara e nobre, é o campo onde o bem se instalará em definitivo, como célula do organismo social. E dessa criatura transformada teremos a sociedade melhor que o Espiritismo deve construir.

Fiquem, no passado, todos os problemas-desafio... Fiquem, no silêncio das nossas palavras e no verbo das nossas ações edificantes, os nossos propósitos de servir, confiando que a casa construída na rocha sobreviverá aos fatores externos que, aparentemente, a ameaçam, e o ideal sobrepairará conduzindo todos ao imenso fanal da plenitude.

Senhor de nossas vidas, prossegue conduzindo-nos!

Ovelhas tresmalhadas que somos do Teu rebanho, apieda-Te da nossa tibieza de caráter, da nossa fragilidade moral e conduze-nos com a Tua paciência de Pastor multimilenário, que nos aguarda pelas trilhas da evolução. Despede-nos, Excelente Filho de Deus, enriquecidos de paz e de entusiasmo, na certeza de que nunca nos deixarás a sós, mesmo quando, por qualquer circunstância, nos resolvamos afastar de Ti; concede-nos então outra oportunidade, permanecendo conosco por todo o tempo.

Que assim seja!

Muita paz, meus filhos!E que o Senhor permaneça conosco, são os votos do servidor humílimo e paternal de sempre.

Bezerra

Psicofonia de Divaldo Pereira Franco, no encerramento da reunião ordinária do Conselho Federativo Nacional, em Brasília-DF, no dia 10 de novembro de 1996.



07 setembro 2013

O justo não pode pagar pelo pecador - Pedro de Almeida Lobo



O JUSTO NÃO PODE PAGAR PELO PECADOR
     
Analisando sem achismo pessoal, fanatismo religioso, extremismo comportamental ou discriminação preconcebida, com certeza absoluta chega-se a conclusão de que no mundo existem muitas injustiças, porém, ninguém vive injustiçado. Cada indivíduo é o único responsável, perante a Justiça Divina, por tudo que lhe acontecer. Não há como pulverizar responsabilidade, tampouco, culpas. Por essa afirmativa é crível afirmar-se que ninguém poderá ser responsabilizado pelos erros dos outros.

Com essa observação lógica, claudica aquele argumento secular: - “o justo paga pelo pecador”.

Acreditar que isso poderia acontecer seria no mínimo:

- desdenhar-se do amor, da bondade e principalmente da verdadeira Justiça Divina;
- duvidar peremptoriamente da seriedade, e de um dos sacrossantos e encorajadores ensinamentos trazidos por Jesus, o Cristo: - “A cada um será dado conforme a sua obra”;
- evidenciar o descrédito no adágio popular consagrado desde antanho: - “nada acontece por acaso”;
- ignorar a veracidade filosófica quando diz: - “não há efeito sem causa, tudo tem uma razão de ser”; e
- sepultar nas profundezas da ignorância a “Lei de causa e efeito, ação e reação”, que é Universal.

Agora fica o impasse.

É desumano não sensibilizar-se diante das dores físicas, psicológicas, morais, espirituais pelas quais um ser humano é acometido?

Será justo não apiedar-se quando catástrofes tenebrosas devastam habitações e ceifam vidas de pessoas incautas?

Evidentemente que seria desumano. Entretanto, é injusto atribuí-las aos desígnios ou a vontade soberana de Deus. Ele jamais usará da Sua Suprema Soberania para fazer Seus filhos sofrerem sem uma causa justa.

O sofrimento está diretamente proporcional à culpabilidade de casa um. Caso contrário, o senso de justiça torna-se inexistente. O ser humano já nasceria predestinado às vicissitudes nefastas que o levaria à miséria humana de todos os jaezes sem perspectivas de dias melhores. Nesse caso de que adiantaria para ele seguir os mandamentos de Lei do Amor preconizados e ensinados pelo Cristo?

O bom-senso induz a pensar que o Cristo está certo. “A cada um conforme a sua obra”. Portanto, ao justo não é concebível pagar pelos pecados dos outros. (Lobo)



06 setembro 2013

Amar é uma Decisão - Momento Espírita


 AMAR É UMA DECISÃO

Um homem foi visitar um sábio conselheiro e disse-lhe que estava passando por muitas dificuldades em seu casamento. Falou-lhe que já não amava sua mulher e que pensava em separação...


O sábio o escutou, olhou-o nos olhos e disse-lhe: Ame-a!

Mas já não sinto nada por ela! Retrucou o homem.

Ame-a! Disse-lhe novamente o sábio.

Diante do desconcerto do homem, depois de um breve silêncio, o sábio lhe disse o seguinte:

Amar é uma decisão. É dedicação e entrega. É ação...

Portanto, para amar é preciso apenas tomar uma decisão.

Quando você se decide a cultivar um jardim, você sabe que é necessário preparar o terreno, semear, regar, esperar a germinação e a floração.

Você sabe que haverá pragas, ervas daninhas, tempos de seca ou de excesso de chuva, mas se você está decidido a ter um belo jardim, jamais desistirá, por maiores sejam as dificuldades.

Assim também acontece no campo do amor. É preciso dedicação, cuidado, espera.

Assim, se quiser cultivar as flores da afeição, dedique-se. Ame seu par, aceite-o, valorize-o, respeite-o, dê afeto e ternura, admire-o e compreenda-o...

Isso é tudo...

Apenas ame!

O amor é lei da vida. Se não houvesse amor, nada faria sentido.

Busquemos, então, meditar sobre o que temos e o que não temos, sobre quem somos e sobre quem não somos, a respeito do que fazemos e do que não fazemos, guardando a convicção de que, sem a presença do amor naquilo que temos, no que fazemos e no que somos, estaremos imensamente pobres, profundamente carentes, desvitalizados.

A inteligência sem amor nos faz perversos.
A justiça sem amor nos faz insensíveis e vingativos.
A diplomacia sem amor nos faz hipócritas.
O êxito sem amor nos faz arrogantes.
A riqueza sem amor nos faz avaros.
A pobreza sem amor nos faz orgulhosos.
A beleza sem amor nos faz ridículos.
A autoridade sem amor nos faz tiranos.
O trabalho sem amor nos faz escravos.
A simplicidade sem amor nos deprecia.
A oração sem amor nos faz calculistas.
A lei sem amor nos escraviza.
A política sem amor nos faz egoístas.
A fé sem amor nos torna fanáticos.
A cruz sem amor se converte em tortura.
A vida sem amor... bem, sem amor a vida não tem sentido...

As flores que espalham aromas nos canteiros são mensageiras do amor de Deus falando nos jardins...

Os passarinhos que pipilam nos prados e cantam nos ramos são a presença do amor de Deus transparecendo nos ninhos...

As ondas gigantescas, que se arrebentam nas praias, mostram o amor de Deus engrandecendo-Se no mar, tanto quanto o filete transparente de águas cantantes, que beija a face da rocha, canta o amor de Deus, jorrando suave pela fenda singela.

A fera que ruge na selva, quanto os astros que giram na amplidão enaltecem o amor Divino, enquanto falam dessa cadeia que une os seres e as coisas da Casa de Deus.

A criança que sorri, feliz, quanto aquela que chora, no regaço materno ou num leito hospitalar, igualmente, reflete o amor distendendo esperança, conferindo oportunidades aos Espíritos, como dádivas de Deus.

O homem sábio, pelos conhecimentos que lhe robustecem o cérebro, e aquele que se enobrece no trabalho do bem, pela luz que lhe emana do íntimo, apresentam o amor de Deus, alevantando a vida.

Essas e outras facetas do amor é que fazem com que a vida tenha sentido...


Por Redação do Momento Espírita, com base em história de autoria ignorada e no cap. 22 do livro Rosângela, pelo Espírito Rosângela, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter. Disponível no livro Momento Espírita, v. 3 


05 setembro 2013

Como envelhecer feliz? - Hammed


COMO ENVELHECER FELIZ?

Estudando as atitudes comportamentais dos idosos na Terra, observamos que, apesar de o corpo físico estar passando pelos fenômenos responsáveis pelo envelhecimento, o centro da personalidade permanece inalterado. Continuam presentes as características particulares e as tendências naturais dos indivíduos durante a velhice orgânica. Concluímos que a pessoa continua conduzindo-se com o mesmo jeito de ser e atuando com sua própria coletânea de gostos e habilidades inatas. Observamos que, mesmo acumulando diversas experiências e aprendizagem na caminhada terrena e efetuando expressivas mudanças de comportamento, os idosos continuam procedendo de acordo com tudo aquilo que sempre foram.

Dessa forma, entendemos que, apesar do crescimento espiritual que desenvolvem durante toda uma existência na matéria densa, renovando suas atitudes e defrontando com um extenso campo de transformações biológicas e sociais na idade avançada, guardam sua própria individualidade. O Criador não dá cópias. Cada um de nós é um projeto da Natureza, nascido de Deus, com expressões singulares e especiais. Todos temos em comum o fato de pertencermos à mesma espécie, quer dizer, somos da mesma natureza, somos semelhantes, mas não iguais.

Há os que dizem que a velhice é somente perda, isolando os velhos de sua convivência, sem se darem conta de que obedecem, obrigatoriamente, ao comando de um impulso de medo, pois os idosos representam para eles um espelho em que enxergam, hoje, a realidade que os espera no futuro.

“(…) Deus fez do amor filial e do amor paterno um sentimento natural. Foi para que, por essa afeição recíproca, os membros de uma família se sentissem impelidos a ajudarem-se mutuamente, o que, aliás, com muita frequência se esquece na vossa sociedade atuai” (1)

O esquecimento e o desprezo a que relegamos os velhos, a atitude nociva de considerá-los vivendo “a segunda infância”, de condená-los à monotonia denominando-os de “desatualizados ”, é porque não sabemos lidar com a questão do homem idoso. Em verdade, quase nada sabemos em matéria de velhice e, por isso, inconscientemente, ajudamos os anciãos a se precipitarem, de forma prematura, no abismo da doença e da morte.

Não olvidemos, porém, que, a cada dia que passa, todos nós estamos envelhecendo. Os processos orgânicos degenerativos são paulatinos e gradativamente notados. Isso levou a inesquecível escritora francesa do século XVII Marie de Rabutin-Chantal, marquesa de Sévigné, a escrever a um parente que se encontrava preocupado por ter-se tornado avô: “A rampa, de tão suave, é quase imperceptível. É como o ponteiro do relógio, que quase não se vê mover”. O poder da Natureza não está em nossas mãos, e a velhice é uma vereda obrigatória para todos.

Uma outra problemática a ser considerada na velhice é o apego às tradições ou o preconceito contra as novidades, que, em verdade, não são atuais. Sempre se repudiaram as novas ideias eos novos hábitos, pois, quase sempre, as mudanças levam a uma certa insegurança psicológica, havendo pessoas que sentem verdadeiro horror diante de novos costumes e conceitos.

Não só na terceira idade, mas em todas as etapas da vida, deve-se fugir dos hábitos, opiniões e ideias conservadoras, porquanto não se pode adotar nada em caráter definitivo. Em se tratando de regras socialmente estabelecidas, vale lembrar esta excelente afirmação: “O mais eficaz dos hábitos é o hábito de saber quando se deve mudar de hábito”.

A história de vida de cada criatura é importante para determinar sua capacidade de mudar e de crescer durante a idade avançada. No entanto, na arte de bem envelhecer, podemos dar origem a novas forças e novas aptidões que não puderam ser desenvolvidas anteriormente nas outras fases da vida.

Para o ser humano que vive o entardecer da jornada na Terra, pode surgir a tão almejada estabilidade emocional, decorrente de maior liberdade interior, novas perspectivas e uma visão translúcida da vida. Será ainda possível que ele atinja maior autocompreensão, maior respeito às decisões alheias e maior honestidade consigo mesmo. Podemos nomear tudo isso como sendo a colheita benéfica dos “frutos do outono”.

Sabe-se que o ser existencial nunca é um produto acabado; ele se apura, esmera-se e reassume, modificando-se continuamente. O desenvolvimento evolucional é permanente, mas não instantâneo.

No curso da vida de cada indivíduo, surgem novas e inesperadas tarefas, fazendo com que se desembaracem as antigas fibras e se possa acompanhar o fluxo de uma nova textura de experiências inéditas.

O envelhecimento não é uma perda para aqueles que mantêm uma vida extremamente ativa, para os que continuam combatendo o confinamento de seu mundo íntimo. Não confundamos, no entanto, idosos que se confinam interiormente – por abstração e alheamento dos acontecimentos habituais – com aqueles que fazem o exercício da introspecção e da contemplação, técnicas altamente positivas.

Está provado que atividade e longevidade guardam uma íntima relação com ação e reação. Deixar inertes as forças físicas e mentais faz com que elas se degenerem, visto que a ação laboriosa protege-nos de grandes males, como o tédio e a solidão.

Na Natureza nunca há perda. Quando finda uma etapa de nossa existência, outra vem ocupar a lacuna deixada, porque nossas vidas sucessivas estão entregues ao Poder Perfeito do Universo, que tudo cuida e desenvolve. O calendário na Terra pode estar passando; entretanto, temos agora o momento perfeito e a idade precisa que nos possibilitam discernir que devemos dar à vida seu alto e justo valor, seja qual for a faixa etária que estivermos atravessando.

(1) O Livro dos Espíritos, Questão 681: A lei da Natureza impõe aos filhos a obrigação de trabalharem para seus pais? Certamente, do mesmo modo que os pais têm que trabalhar para seus filhos. Foi por isso que Deus fez do amor filial e do amor paterno um sentimento natural-Foi para que, por essa afeição recíproca, os membros de uma famíia se sentissem impelidos a ajudarem-se mutuamente, o que, aliás, com muita frequência se esquece na vossa sociedade atual.

Livro As Dores da Alma, item Perda 
Espírito Hammed 
Psicografia de Francisco do Espírito Santo Neto



04 setembro 2013

Assassinato da Família Paulistana e o Ensinamento Espírita - Wellington Balbo


ASSASSINATO DE UMA FAMÍLIA ESPÍRITA

Alguns acontecimentos abalam toda a sociedade e chocam a opinião pública tamanha frieza e crueldade dos seus protagonistas. E a mídia, claro, faz seu papel de informar, algumas vezes de forma correta, outras de maneira bem sensacionalista, o que colabora sobremaneira para que se crie bandeiras, times, com algumas pessoas torcendo fanaticamente contra e outras a favor dos protagonistas da notícia em voga.

Culpado! Dizem alguns.

Monstro! Asseveram outros.

Foi este ou aquele! Afirmam precipitados.

No entanto, a verdade não raro está oculta, encoberta por uma bem tramada história. E vamos nós no embalo a emitir julgamentos com pálidos conhecimentos do que de fato ocorreu.

A Doutrina Espírita, porém, tem o papel e dever de dar o contraexemplo em face das notícias sensacionalistas e acordar as pessoas para a realidade. 

No caso da família da zona Norte de São Paulo que teve todos os seus membros assassinados de forma brutal no último dia 5 de agosto de 2013 e suspeitas de que foi um jovem de 13 anos o autor de tamanha barbárie contra a própria família, o que diz o Espiritismo a respeito de fatos como este?

Bem, tendo Jesus como modelo e guia o Espiritismo ensina que, embora não seja proibido ter opinião, é preciso, ao externalizá-la, usar a caridade e o não julgar. Exatamente! Não julgar, porquanto não conhecemos a verdade, não sabemos mesmo se foi o garoto o autor do crime, e diante de nossa ignorância não podemos emitir palavras apenas por emitir, sem compromisso com a caridade, ou pensamentos que só irão afetar os envolvidos em tão trágico acontecimento.

Somos seres que pensam, e nosso pensamento tem enorme poder, atingem o outro, colaboram ou ajudam a desestabilizar almas que já estão em conflito.

Allan Kardec comenta em A Gênese: “Que um homem tenha, por exemplo, a idéia de matar um outro, por impassível que seja seu corpo material, seu corpo fluídico é posto em ação pelo PENSAMENTO do qual reproduz todas as nuanças; ele executa fluidicamente o gesto, o ato que tem o desejo de realizar; seu PENSAMENTO cria a imagem da vítima, e a cena inteira se pinta, como num quadro, tal qual ela está em seu espírito.”

Observe que temos grande responsabilidade sobre o que pensamos, as atitudes têm início sempre em nossa mente. Daí porque devemos ter a prudência para não lançarmos dardos mentais aos espíritos envolvidos em acontecimento tão doloroso. Infelizmente nossos pensamentos são um tanto quanto indisciplinados e nada caridosos, e em face de atitudes infelizes dos outros lá estamos nós a lançar nossos julgamentos, não raro impiedosos.

Qual a postura de um cristão?

A de tranqüilidade evitando qualquer exasperação e, se possível, orar para os envolvidos, a fim de que a prece feita de coração possa alcançá-los e suavizar um pouco suas dores.

Se procurarmos praticar a empatia, ou seja, nos colocarmos no lugar do outro, verificaremos que fatos assim podem acontecer em nossa família, com nossos afetos. Como, então, gostaríamos que os outros agissem? Urrando palavras de ódio, afirmações sem certeza da verdade? Ou preferiríamos que guardassem silêncio ante nossa dor e nos respeitassem, orando para que o tempo auxilie-nos a superar tão intrincado drama?

Obviamente que quereríamos a caridade, a postura serena e cristã.
Recado dado. 

Não sabemos o dia de amanhã, não sabemos o que nos espera e o que o futuro nos reserva.

O notável Shakespeare tem pensamento interessante:

“Deixe vir o que me aguarda”.

O que será que nos aguarda no futuro?

Definitivamente não sabemos. Sabemos apenas que necessitaremos da caridade alheia, de preces e muito amor para superarmos os nossos próprios desafios.
Pensemos nisto.




03 setembro 2013

Onde está a felicidade? - Patrícia

 

ONDE ESTÁ A FELICIDADE?

Ninguém muda de imediato. Para nos transformarmos, necessitamos de muita compreensão. Temos sempre muitas possibilidades de ser felizes, só que quase sempre não as percebemos. Muitas vezes, prefere-se desejar algo que não se tem, na ilusão de ser ou ter. Colocamos muito nos atos externos ou em terceiros a nossa tão falada felicidade. E, na maioria das vezes, ao conseguir o que almejamos, a euforia passa logo, e voltamos a desejar outras coisas. A tão sonhada felicidade está dentro de nós, não importa onde estejamos e o que façamos; os atos externos não devem influir em nossa paz interior.

Muitos acham que só serão felizes desencarnados. Outros, que só a vida encarnada lhes trará alegrias. Ao colocar fatos externos como condições para sermos felizes, não o somos. Como também não devemos esperar que outros resolvam para nós nossas dificuldades. Enquanto não solucionarmos nossos conflitos de ter e ser, seremos insatisfeitos em qualquer lugar que estivermos. A felicidade duradoura está na paz conquistada, na harmonia, no equilíbrio, na alegria de ser útil, no bem e no caminhar para o progresso. Creio que irá gostar da vida, quando sua felicidade não depender de nada ou de ninguém; quando não esperar recompensas, retorno; não exigir nada; quando você amar a si mesmo, à vida e a todos os que a rodeiam.

Livro O Vôo da Gaivota
cap. Colóquio Interessante
Espírito Patrícia
Psicografia de Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho

02 setembro 2013

O Orgulho é o Terrível Adversário - Clóvis Ramos


O ORGULHO É O TERRÍVEL ADVERSÁRIO

O orgulho é o terrível adversário da humildade. Se o Cristo prometia o reino dos céus aos mais pobres, é que os grandes da Terra imaginam que os títulos e as riquezas são as recompensas concedidas ao seu valor, e que sua essência é mais pura do que a do pobre. Eles acreditam que isso lhes é devido, e eis que, quando Deus as retira, acusam-no de injusto. Oh, escárnio e cegueira! Acaso Deus vos diferenciará pelo físico? O corpo do pobre não é da mesma substância que o do rico? Fez o Criador duas espécies de homens?

O ricaço, enquanto dormes sob os dourados tetos, resguardado do frio, não sabes tu que inúmeros irmãos teus, que te ajudam, dormem sobre esteiras? O infeliz, que tem fome, não é teu semelhante? A esta palavra rebela-se teu orgulho. Concordas em lhe dar uma esmola, nunca a lhe estender a mão.

Oh, lança um olhar de humildade sobre ti mesmo. Volve os olhos para as realidades das coisas deste mundo, para o que compõe a grandeza e a desonra no outro. Pondera que a morte será implacável tanto contigo como com os outros, e que os seus títulos não te livram dela. Que a morte pode ferir-te amanhã, hoje mesmo, neste instante, e se tu te amortalhares no teu orgulho, então muito serás digno de lástima, de compaixão. 

Espera e ora. A felicidade não é ainda deste mundo. Aos pobres oprimidos e confiantes em Deus, é concedido o reino dos céus.

Por que chorar? Ergue o teu olhar compassivo e sereno para Deus, que alimenta até os passarinhos. Tem confiança nELE e não ficarás abandonado.

Vós todos que sofreis as injustiças dos homens, sede tolerantes com os erros dos vossos irmãos, sabendo que também não sois irrepreensíveis. Isto é igualmente caridade e humildade. Se sofreis calúnias, suportai essa provação. Que vos importa o julgamento do mundo? Se a vossa conduta é pura, o Senhor não vos pode recompensar? Receber com humildade as humilhações dos homens é sábio e admitir que só Deus é grande e poderoso.

Será preciso, meu Deus, que Jesus venha segunda vez à Terra ensinar aos homens as leis que eles esqueceram? Deverá Ele de novo expulsar os vendilhões do templo, que maculavam a tua casa de oração? E quem sabe, ó homens, se vos concedendo Deus essa graça, não o renegaríeis como outrora, considerando-o um blasfemador por invectivar o orgulho dos fariseus modernos e não faríeis palmilhar ainda, o caminho do Calvário?

O Cristo nos deixou a sua doutrina, dando-nos o exemplo de todas as virtudes, e vós desprezastes esses exemplos e ensinos. Conservando cada um as suas paixões vos tornais um Deus ao vosso sabor, segundo uns, sanguinário e terrível, segundo outros, descuidado dos interesses do mundo. O Deus que fabricastes é, ainda, o bezerro de ouro, que cada qual apropria a seu gosto e vontade.

Sede bons e caridosos sem ostentação, quero dizer, fazei o bem com humildade: cada qual desmanche pouco a pouco o altar erguido ao orgulho, em uma palavra, sede verdadeiramente cristãos, e alcançareis o reino da verdade.

Por que vos lastimais das calamidades que amontoastes sobre as vossas cabeças? Desde que esquecestes a santa e divina moral do Cristo, não vos espanteis de que o cálice da iniquidade tenha transbordado em toda parte.

De "O perfume do Evangelho" 
De Clóvis Ramos