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16 agosto 2014

Mortes Violentas - O que acontece com os Espíritos? - Ismael Batista da Silva

 

MORTES VIOLENTAS – O QUE ACONTECE COM OS ESPÍRITOS?

Ontem e hoje, conversando e/ou teclando com muitas pessoas via internet, algumas delas me questionaram o que acontece com as pessoas que desencarnam com os seus corpos destroçados, como foi o caso do presidenciável Eduardo Campos e das demais pessoas que estavam no avião com ele? Como chegam ao mundo espiritual? Sentem, no outro lado da vida, as dores dos ferimentos e das rupturas do corpo físico? Sentem também destroçados?

Aprendemos com os Benfeitores Espirituais, que a morte do corpo físico, quase sempre, nem é notada pelo espírito, tamanha é a naturalidade da passagem de um plano para o outro.

Isso significa que muitos espíritos desencarnam e levam muito tempo para descobrir, perceberem que já deixaram o corpo material.

Aprendemos, também, com a doutrina espírita, que quando reencarnado, o espírito dispõe de dois corpos de manifestação: o corpo físico e o períspirito (corpo espiritual), sendo o segundo, o elo de ligação da alma e do corpo físico.

Isso significa que quando estamos em vigília, o espírito se vale do corpo físico e quando está desdobrado pelo sono ou quando desencarna, se vale do corpo espiritual para as suas manifestações e atividades.

Quando acontece da pessoa ir, aos poucos, perdendo a vitalidade para a vida física, ou seja, vai envelhecendo o corpo material, o espírito vai também desprendendo naturalmente desse corpo, até a sua total ruptura com ele. Assim sendo, muitas vezes, a morte poderá significar para o espírito a libertação de suas aflições da vida material.

Já quando o ser humano está em plena força física e desencarna, entra em um estado de perturbação, não entendendo o que está lhe acontecendo, vindo a ser ajudado pelos amigos espirituais e familiares que utilizam-se de hospitais ou casas transitórias para atender em suas primeiras necessidades. Geralmente os Benfeitores mantém o espírito em sono profundo pelo tempo que esse precisar, até que ele possa saber ou perceber a sua nova condição.

Em casos de morte violenta, onde o corpo físico se destroça por completo, como foi o caso dos ocupantes do avião acidentado em Santos, na questão de número 162 de O Livro dos Espíritos, os Benfeitores afirmam que, pelo fato, do homem, não raro, conservar a consciência de si mesmo durante alguns minutos até que a vida orgânica se extingui completamente, quase sempre, a apreensão da morte lhe faz perder a consciência antes do momento do suplício. 

Ou seja, essa apreensão pode durar alguns minutos, segundos, e nada mais ser observado pelo espírito. Casos existem que, por merecimento, a pessoa entra em sono profundo antes mesmo da sua morte física e nada vê ou percebe dela. Só no Mundo Espiritual irá saber do ocorrido e observar que, apesar de ter sido da forma que foi, seu corpo espiritual está intacto, sem nenhum arranhão sequer.

Lembro-me de uma noite de psicografia na Casa da Prece em Uberaba, quando Chico Xavier começou a ler as mensagens que chegaram por seu intermédio, uma me tocou profundamente.

 Tratava-se de um jovem ciclista de Santa Catarina, estudante de medicina, que numa manhã de sol, como de costume, saiu para pedalar e foi bruscamente atropelado por um caminhão. Sua mãe imaginava que pelos destroços de seu corpo físico, ele sofria muito no Mundo Espiritual. Em sua carta ele afirmava e acalmava sua mãe dizendo apenas lembrar-se de sua apreensão quando observou a aproximação do caminhão e nada viu e sentiu do acidente. Dizia:

- Mãe acredite em mim, cheguei aqui sem nenhum arranhão sequer. Foi tudo muito rápido. Fui carinhosamente envolvido pela vovó que me levou para um abrigo confortador. Não sofra minha mãe querida, pois não sofri nada como a senhora imagina.

Os Benfeitores afirmam que a única morte que lesa o períspirito e faz o espírito sentir a dor daquilo que exterminou a vida do corpo físico, é a morte pelo suicídio. Não é castigo, trata-se apenas do inicio do processo reeducativo que o espírito suicida precisará experimentar, para valorizar as suas existências corpóreas futuras, como instrumento de sua evolução.

Seja qual for o tipo de morte que uma pessoa tiver, a única coisa que o seu espírito precisará, é do conforto das preces e da aceitação daqueles que aqui ficaram. A morte só existe para o corpo físico porque o espírito é imortal. Deus não tem nenhum dos seus filhos morto. Confiemos mais na nossa imortalidade, pois com ela tudo mudará em nós.

Ismael Batista da Silva
Site Rede Amigo Espírita
 

15 agosto 2014

Pena de Morte - Claudia Schmidt

 

PENA DE MORTE

“As leis divinas são as únicas que são eternas; as leis humanas mudam com o progresso e ainda mudarão até que sejam colocadas em harmonia com as leis divinas.” O Livro dos Espíritos, questão 763.

Esquecidos das imperfeições das leis humanas, muitos filósofos, religiosos e cidadãos defendem a aplicação da pena de morte para crimes hediondos e para assassinatos cruéis ou violentos. Porém, nos países onde essa pena é lei os índices de criminalidade não diminuíram.

A Doutrina Espírita esclarece que a vida continua após a morte. O criminoso condenado à pena de morte estará, assim, liberto da matéria e poderá agir, como Espírito, vingando-se de seus carrascos, obsediando-os ou ligando-se a outros criminosos, ainda encarnados, para cometer mais crimes.

Muitos criminosos estão tendo, na encarnação atual, novas oportunidades de reparar erros, de acordo com a lei divina, infalível, e que tudo sabe. Não esqueçamos que muitos de nós já fomos algozes em vidas passadas e que, graças à bondade divina, tivemos ou estamos tendo novas oportunidades de acertar e reparar o mal realizado.

A morte não aniquila o mal; a reeducação, a regeneração, o perdão e o cumprimento da pena, sim, poderão auxiliar na transformação do indivíduo. Importante, portanto, oportunizar penas alternativas para que réus primários não adentrem nas escolas do crime que são as penitenciárias; que as prisões tenham oportunidades de trabalho, tratamento médico-psicológico e reeducação dos delinquentes, possibilitando a ressocialização e reintegração; e que não existam condenações vingativas, cruéis ou desumanas.

O condenado periculoso necessita de medida de segurança1, privando-o do convívio em sociedade, mas nunca deve ser transformado em mais uma vítima do orgulho e do egoísmo social.

É, pois, impossível mensurar o valor de uma vida ou da integridade física de alguém, seja vítima ou algoz. Matar um criminoso nunca será justiça, será sempre vingança (podendo ser pública, se instituída pelo Poder Público), correndo-se o risco de voltarmos ao tempo do “olho por olho”.

Especial atenção deve ser dada à educação da criança e do jovem, e, no caso do delinquente, à reeducação, proporcionando o arrependimento e sua transformação moral, a fim de que evite o mal e (no futuro) pratique o bem, pois todo criminoso também é um Espírito em evolução.

Uma sociedade que se diz cristã não pode ser conivente com a pena de morte, lei oposta à moral evangélica. Como cristãos, devemos despertar consciências a favor da vida, do perdão e do amor universal. Lembremos: Jesus foi condenado à pena de morte... 

Claudia Schmidt

(1) Providência substitutiva ou complementar da pena, considerando a periculosidade do condenado.

14 agosto 2014

O Álcool e seus malefícios - Blog Espiritismo na Rede


O ÁLCOOL E SEUS MALEFÍCIOS

O mundo atual está muito preocupado com o uso de drogas pesadas como a cocaína, o crack e outras, e há várias e justas razões para isso. Tais drogas agridem e destroem o homem física e moralmente, em pouco tempo.

Mas existe, correndo por fora e ganhando o páreo, uma outra droga que é aceita pela sociedade: chama-se bebida alcoólica.

As pesquisas realizadas mostram os índices alarmantes de jovens e adolescentes que ingerem bebida alcoólica frequentemente.

E a faixa etária de iniciação aos alcoólicos está caindo, ou seja, crianças já fazem uso deles.

A tal ponto que essa droga socialmente aceita surge na vida dos indivíduos antes mesmo da festa de 15 anos.

Os motivos que levam os alcoólicos a serem tão procurados pela garotada são simples.

Eles se encontram em um período em que a aprovação e a admiração dos amigos, da turma, é muito importante.

Bebem porque assim fica mais fácil chegar na garota, é mais fácil rir e ficar na onda.

O mais preocupante é que nem os pais, nem os jovens estão se dando conta que o vício está rondando. Os jovens acreditam que poderão parar quando quiserem. Que não são, nem serão dependentes.

A Organização Mundial de Saúde calcula que 10% dos adolescentes que bebem se tornarão alcoólatras. E 30% terão problemas com a saúde, acidentes de trânsito e outras consequências mais ou menos graves.

Não se imagina que tudo começa no que parece ser a inocente cervejinha.

É comum a cena no final de tarde: adolescentes, jovens e adultos ao redor de uma mesa, em animada conversa, regada a chopp ou cerveja.

As garrafas vão se acumulando sobre a mesa enquanto se joga conversa fora.

Os próprios pais não veem, normalmente, perigo ou problema algum em oferecer ao filho a cerveja. Como assistir ao futebol sem ela?

Como ir a uma pescaria sem a loira gelada?

Contudo, o abuso dos alcoólicos na adolescência acarreta muitos problemas no desenvolvimento psicológico.

Nessa época, o adolescente tem frustrações e angústias e, bebendo, perde a oportunidade de enfrentá-las. O que não lhe permite amadurecer. O alcoólico passa a ser uma bengala.

Quantos homens necessitam de um trago, de uma birita antes de fechar um contrato importante, de ir para a reunião para a concretização de um grande negócio?

Importante que se conscientizem os pais acerca do problema e ao invés de aderir à moda de tudo permitir, em matéria de bebida, passar a exemplificar a abstenção.

Primeiro, não bebendo. Segundo, não servindo. Terceiro, não adquirindo.

Algumas pessoas que não bebem nada que contenha álcool porque dizem não apreciar, mantêm em seu lar para servir aos amigos, variados licores e vinhos, uísque e cerveja. Ficam até num lugar todo especial, em local privilegiado da sala.

Não seria mais viável se oferecer ao amigo o que se tem de melhor e não aquilo que mais cedo ou mais tarde o poderá destruir?

Está na hora de pensar. E pensar firme. Pensar bem.


* * *

 O álcool inibe a censura fazendo com que as pessoas percam o autocontrole e a autocrítica.

A razão desse comportamento está justamente no etanol, álcool etílico usado nas bebidas, que é uma substância repressora do Sistema Nervoso Central.

A alteração do comportamento se dá, mesmo quando usado em pequenas doses.


Redação do Blog Espiritismo Na Rede  basedo  no artigo Alerta máximo  – para onde caminha a juventude, publicado no Hora H de 20 a 26/05/1996 e no artigo Alcoolismo destruidor de vidas, publicado no Correio Fraterno do  ABC, de maio de 1996.


13 agosto 2014

Um Vício Difícil de Vencer - Davilson Silva


UM VÍCIO DIFÍCIL DE VENCER

Qual o melhor meio de se combater este escolho: o Egoísmo? Longe de diminuir, ele cresce com as civilizações que o estimulam. O egoísmo será banido da Terra? Os Espíritos disseram que ele é necessário para que o mal que causa faça compreender a necessidade de sua erradicação da sede dos sentimentos, das emoções, da consciência.

O egoísmo constitui o mais inexorável de todos os vícios. (1) De todas as imperfeições humanas, essa é a mais difícil de extinguir por causa da influência ainda muito forte da matéria, entranhada no homem, da qual ele se encontra bem próximo, não podendo se libertar facilmente desse predomínio. O egoísmo, ou amor excessivo ao bem próprio sem considerar os interesses alheios, pode ser vencido sim; tudo depende de uma força: a espiritualização de nós mesmos.

O egoísmo também tem a ver com o conceito elevado que se dá à personalidade. Conforme a criatura humana se espiritualiza, vê nele o seuverdadeiro inimigo e procura combatê-lo. Tudo, porém, concorre para o domínio do egoísmo sobre a humanidade através de suas leis, de suas organizações sociais e educativas; o melhor meio de se combater essa chaga da humanidade é deixarmos de dar aquela excessiva importância ao bem próprio, reconhecendo de fato o que moralmente representamos. Assim é que se começa a dar combate ao egoísmo que faz com que a criatura só pense em si, exclusivamente em si.

Enquanto do egoísmo se deriva todo o mal que de Deus afasta o homem, as virtudes Dele aproximam. A virtude, o oposto desse grave defeito da alma que inclina o ser humano a atitudes negativas, é um sentimento que o impulsiona a considerar o próximo, a pesquisar as nossas próprias imperfeições. Lembremos daquele sábio conselho de um conhecido filósofo da Antiguidade: “Conhece-te a ti mesmo”.

Combate-se esse defeito pela raiz, desde os primeiros instantes do processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral do ser humano, visando à sua melhor integração individual e social. O autoconhecimento é a base que leva a criatura alcançar o sentido da solidariedade e fraternidade, sendo, em seguida, um passo para a reforma necessária das instituições humanas, sobretudo, da educação, não necessariamente essa educação das instituições de ensino, e sim a que pode de verdade formar homens de bem. Segundo o Espírito Emmanuel, só a escola educativa do lar possui uma fonte que renova: o Evangelho; e há, portanto, um só modelo de mestre: a personalidade excelsa de Jesus. (2)

Egoísmo: uma praga social, doença da alma que deveria ser combatida como deveras são combatidas as epidemias. Um vício difícil, mas não impossivel de se vencer. É certo que, nos dias de hoje, mais que em outras épocas, há os que possuem sentimentos de generosidade, de fraternidade; mas ainda falta muito para se atingir aquele nível de benevolência ensinada e exemplificada por nosso Mestre Jesus. Um dos meios para ver se já somos menos egoístas é este: a humildade de admitir onde terminam os nossos direitos e começam os dos outros. É tudo. 


Davilson Silva

Referências:

(1) KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. Herculano Pires. 62. Ed. São Paulo: Lake — Livraria Allan Kardec Editora, 2001. Cap. 12, questão 913, p. 299.Davilson Silva

(2) XAVIER, Francisco C. O Consolador (ditado pelo Espírito Emmanuel). 17. Ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 1995. Cap. 5, questão 112, p. 74.

12 agosto 2014

Adolescentes antes da Hora - Redação do Blog Espiritismo Na Rede


ADOLESCENTES ANTES DA HORA

Namorar, ficar, pedir para sair com a galera, tudo está programado para depois dos quatorze anos, imagina-se. Mas, pequenos a partir dos oito anos já estão assustando os adultos com atitudes que deveriam ser de adolescentes com mais de quinze anos.

Sempre há quem aplauda e ache bonito que as crianças cresçam rápido. Afinal, estamos no Terceiro Milênio, a era da informática e da aldeia global.

Contudo, tudo isso faz muito mal. Para os adultos e para as crianças. É que elas começam a atropelar seu compasso de amadurecimento, ao qual até já se deu um nome: síndrome da adolescência precoce.

É síndrome porque não é uma adolescência de fato. Até em torno dos onze anos de idade, os pequenos não têm a devida estrutura psíquica para processar emoções que surgem em situações complexas vividas pelos maiores.

Um beijo sensual, uma tragada, um gole de bebida alcoólica ricocheteia no corpo e não encontra lugar para se encaixar. Não dá prazer. Só faz com que eles se achem importantes.

Mas sem prazer no que fazem, sem dar conta do que estão sentindo, acabam desgastados e sobrecarregados. Abre-se o caminho para a depressão e a agressividade.

Tentando ser o que não podem, correm o risco de ficar sem nenhum lugar. É por isso que a atitude dos pais se faz muito importante.

Dos seis aos onze anos é a fase em que a criançada tem tudo para ser tranquila, não rebelde.

É a hora de copiar os pais, de se pentear, se vestir, andar e falar como eles. É a fase em que os meninos grudam nos pais e as meninas são a sombra das mães.

Isto contribui para que se definam como masculino e feminino. Cabe aos pais auxiliar os seus filhos nessa fase.

Sua tarefa é assumir o lugar de importância máxima para seus imitadores e admiradores. Devem falar de si, das suas atividades, o que fazem, o que sentem. Ensinar a sentir.

E, naturalmente, dar limites. Só pode ser referência para uma criança, quem cuida dela. E só quem coloca limites realmente cuida.

É assim que se mostra aos pequenos o valor real no mundo. O valor de quem merece ser cuidado e que tem um duro trabalho de amadurecimento para realizar, em seu tempo certo.

Sem essa posição, sem essa ajuda, as crianças ficam à mercê de comportamentos ilusórios e com a falsa impressão de que só serão bons se forem como os grandes, mesmo que esses apenas pareçam ser grandes.

Vão se sentir inferiores e fazer tudo para parecer crescidos, a fim de acompanhar os demais. Poderão ficar ousados ou poderão ficar com aquela impressão amarga de que estão perdendo todo seu tempo, que a juventude lhes está escorrendo através dos dedos, enquanto os outros estão, sim, gozando a vida.

A tarefa da educação começa no berço, e não mais tarde. A criança e o adolescente, embora possam parecer ingênuos, puros, quase nunca o são.

Podem trazer experiências nem sempre positivas de existências anteriores. Em razão disso, é indispensável a educação, no seu sentido mais amplo e profundo, a fim de que adquiram valores verdadeiros, reais, superando as dificuldades.

Para esse nobre objetivo são indispensáveis o amor, o conhecimento e a disciplina. Somente assim, serão gravadas nessas almas, que estão reescrevendo a própria história, as lições que as deverão acompanhar para sempre.


Redação do Blog Espiritismo Na Rede baseado ,  na Apresentação, do livro Adolescência e vida, pelo Espírito Joanna de Angelis, psicografia de Divaldo
Pereira Franco, ed. Leal e no artigo Adolescentes antes da hora, de Ivan Capelatto e Ângela Minatti, do jornal Gazeta do Povo, de 8.8.1999

11 agosto 2014

Depressão - João Carlos Bacurau


DEPRESSÃO
 
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS ), nos últimos 20 anos , verificou-se elevados índices de depressão na população mundial , e segundo projeções , em 2015, poderá ser a segunda moléstia que mais diminuirá tempo de vida das pessoas , sendo superado apenas pelas doenças cardíacas.Portanto , ela pode ser considerada como o grande Mal do Século.

Podemos descrever a Depressão como uma grave patologia de diagnóstico complicado , que caracteriza-se por um sentimento agudo de tristeza que pode variar desde um grau leve a um profundo . podendo ou não ser associada a algum acontecimento e caracterizada por uma longa duração . Outros sintomas freqüentes são : acentuada queda de : energia , imunidade , libido , apetite , sono e principalmente auto-estima, confusão mental , fixação de idéias .

Atinge pessoas de ambos os sexos , com maior prevalência nas mulheres , em qualquer idade , inclusive na infância segundo trabalhos já publicados . Nota-se que nestes últimos 10 anos , os casos na adolescência tem aumentado consideravelmente .

Como podemos notar , esta doença mina as resistências humanas , derrubando o padrão vibratório de forma que a pessoa sozinha , dificilmente consegue enxergar uma recuperação a curto prazo .

Sabe-se que existem fatores desencadeantes , como por exemplo o uso de drogas , álcool , alguns tipos de medicamentos , hormonais , menopausa , andropausa , etc , mas há casos que a doença surge der repente sem nenhum sintoma prévio .

Apesar de induzir a pessoa a um desejo de solidão , podemos dizer que é um grito de socorro do espírito do Ser em busca de acolhida carinhosa e compreensiva de um coração amigo .

Ë preciso ficar atento que nem toda tristeza é um sinal de Depressão . Há certas ocasiões em que é natural sentirmos tristes : A perda de um ente querido , o fim de uma relação , a perda do emprego , etc são momentos difíceis pelo qual passamos , e de certa forma , temos que conseguir vencer aquele estado melancólico . Evidentemente , vivendo num mundo de Provas e Expiações , a Felicidade plena não é deste mundo , uma vez que ainda ocorre a prevalência do Mal , mas podemos e devemos vivenciar momentos de felicidade , não sendo normal vivermos num mar de tristezas e lamentações . Tudo que sentimos em excesso , é patológico , excetuando-se é claro , o pleno Amor .

Numa abordagem médica , a causa da Depressão permanece desconhecida . A explicação mais provável é de um desequilíbrio bioquímico dos neurônios responsáveis pelo controle do estado de humor . Sendo assim , seu tratamento nesta abordagem é químico , através de medicamentos específicos , chamados antidepressivos e vulgarmente chamados de a ” droga da felicidade” . Mas logo percebeu-se que o simples equilíbrio químico , não eliminava o problema .A associação a um acompanhamento e um reforço psicológico foi muito produtivo , uma vez que os portadores da depressão sempre encontram-se em condições psicológicas debilitadas com baixa auto-estima e incapacidade de acreditar no seu potencial de luta .

Mas , apesar dos cuidados apropriados médicos ( psiquiatra ) e psicológicos , ainda faltava um fator primordial , que aos poucos , a área médica começava a levar em conta . O fator do Espíritual .

Segundo uma visão integral do homem , este é constituído de mente , corpo e espírito , sendo assim o tratamento de qualquer patologia , deve ser embasado num tripé de ação : médica, psicológica e espiritual .

Na abordagem espírita , não se desconsidera o fator material da patologia , mas soma-se a este , os fatores emocionais e espirituais do Ser , aos quais estão intimamente ligados, necessitando assim de uma intervenção terapêutica associada , o que aumenta as chances de êxito num controle da doença ou até numa remissão total dos sintomas . Mas nunca devemos esquecer , que mesmo sob ação deste tripé terapêutico , é primordial a colaboração da pessoa , que apesar dele ser o maior interessado na cura , coloca-se muitas vezes como o maior entrave para o tratamento .

A visão e compreensão do Ser como espírito encarnado portador de uma historia anterior a esta vida , abre caminhos para uma ação direta sobre os reais motivos de tanta tristeza . Há casos onde a falta de perdão , ódio , resquícios de vidas pretéritas , atormentam os porões do nosso espírito , gerando desequilíbrios químicos , emocionais , abrindo de vez as portas ás energias negativas , oriundas de espíritos infelizes que se alimentam da infelicidade de outra pessoa através da obsessão.

Por isso , o tratamento não é fácil , e pode ser longo . A necessidade de se trabalhar o Espírito através de passes magnéticos e água fluidificada , reuniões de desobsessão , busca restabelecer as condições necessárias para que a pessoa possa dar os primeiros passos rumo ao equilíbrio bio-espiritual . A complementação através da informação e instrução por meio de palestras e posteriores cursos de formação , alimenta o espírito faminto por palavras que o contagiem alavancando suas defesas embasadas numa modificação vibracional , que desconectará da sintonia com mentes negativas .

Não podemos esquecer de algo que fornecerá a liga para que esse tripé terapêutico seja efetivo: a Terapia do Amor ....o amor oriundo da família ,dos amigos , é agente importantíssimo na recuperação da pessoa , Amor dos profissionais que o atenderão dentro da abordagem médica e psicológica específica e Amor dos benfeitores , encarnados e desencarnados que se unirão de forma humanista para salvar um Irmão do lamaçal psico espiritual que se encontra .



João Carlos Bacurau


10 agosto 2014

Mensagem destinada ao Dia dos Pais - Marcos

 


 MENSAGEM DESTINADA AO DIA DOS PAIS 


Pai é o exemplo a ser seguido.

O coração que bate e descompassa pela vida frente à ilusão e às desilusões de seus filhos.

Pai é saber fortalecer e preparar para as provas.

É amar acima de tudo os filhos que estejam certos ou errados mas que sempre necessitem de ajuda.

Pai é compreensão, é não saber tudo, mas querer achar as respostas de tudo que seus filhos possam perguntar.

Pai é amor, é educação, não medo ou bronca.

É aproximar-se de seus filhos como amigo e não afastar-se como o tirano. É fazer-se respeitar pelos filhos pelo exemplo e admiração que a eles cause e não pela força e medo por ser pai.

Ser pai é não gerar medo e sim ser fonte inesgotável de amor.

É não julgar para não ser julgado. É não querer que nossos filhos sejam aquilo que nem nós mesmos conseguimos ser e escondemos em mentiras que nunca poderão ser comprovadas pois a idade nos acomoda nas mentiras.

Ser pai é querer que nossos filhos sejam o melhor não de ninguém, mas deles mesmos.

É respeitar os limites e as vontades de nossos filhos pois o sangue é nosso mas o indivíduo está em cada um. 

É amar nossos filhos o suficiente para deixá-los ir mesmo quando parece-nos arriscado, pois um dia também arriscamos e se caímos também nos levantamos e isso faz parte da vida e aprendizado de cada um. 

Querer proteger seu filho é fazê-lo evitar as provas e testar a vida com toda sua beleza.

Aquele que não sofre também não experimenta o contentamento da vitória.

Quem não cai não descobre que é capaz de levantar-se.

Quem não se machuca não descobre que seja capaz de curar-se.

Quem não entristece-se e magoa-se jamais descobrirá como é boa a vida quando alegramo-nos e descobrimos ao ficarmos mais velhos que passamos por provas, superamos e fomos vitoriosos.

Ser pai é amparar, aconselhar, fortalecer e deixar viver.

Nossos filhos não são nossos, são de Deus nosso Pai de hoje e sempre.

Pai, não esqueças jamais o filho que foi e o filho que sempre será.


Marcos
Mensagem psicografada por Leonardo Fábio em 08.08.2009


09 agosto 2014

Sequelas - Joanna de Ângelis


SEQUELAS


O sofrimento desempenha na Terra uma ação relevante, qual seja a de contribuir para o desenvolvimento intelecto-moral dos seres.

Nas esferas primárias expressa-se no campo dos instintos, desenhando as primeiras sensações e emoções nervosas.

No ser humano, não tendo caráter punitivo, é processo de desgaste dos atavismos que o retém na retaguarda do progresso.

Graças à sua ação, alteram-se as aparências e desvelam-se os mecanismos internos, que se exteriorizam do Espírito em conquistas necessárias.

Não obstante, o sofrimento nem sempre consegue levar, de imediato, à meta aquele que lhe experimenta o concurso.

Nos indivíduos rebeldes, ainda mais vinculados à sensação, a sua presença causa revolta, em empurrando-os para a animosidadede, o ressentimento, o ódio, o desejo de autodestruição.

Naqueloutros de compleição emocional tímida resulta em processo de resignação estagnaria, sem produzir a renovação, que induz à luta por superá-lo.

Não obstante, existem muitos que o recebem de maneira dinâmica, estimulante, por compreenderem que é uma sequela de atos infelizes que ficaram no passado, ou de processos naturais do mecanismo evolutivo.

Entre os primeiros, as sequelas da rebeldia sistemática são: maior agudeza das aflições, continuidade dos transtornos, ausência de pausas refazentes. Isto porque, bloqueados neles os centros do discernimento, intoxicam-se com as próprias energias nefastas, ampliando a área e o tempo do processo-dor.

Nos segundos, a acomodação, de alguma forma, a revolta surda que conduz à submissão, de maneira alguma trabalham para a renovação, gerando sequelas de parasitismo e quase inutilidade evolutiva.

Somente quando luz o entendimento das suas causas é que sequelas são: conquistas de harmonia íntima, inteira moral, humildade legítima diante das Leis da Vida.

* * *

Portadores de enfermidades degenerativas que resvalam pelas rampas do desespero, da consciência de culpa, do recalcitrar ante o aguilhão, partem do corpo com as sequelas correspondentes impressas nos tecidos sutis da alma, no campo perispiritual, continuando a experimentar mais acentuadas aflições, até que, por exaustão, se resolvem à mudança mental e à diluição dos registros gravados.

Nos processos referentes aos transtornos psicológicos, sequelas idênticas surgem, atraindo mais ao convívio emocional os Espíritos inimigos que os atormentaram, agora prosseguindo em batalha mais inclemente.

Desse modo, em todos quantos desencarnam na aceitação parasitária das ocorrências aflitivas, as sequelas permanecem assinalando esses pacientes por largo tempo, já que não lutaram por sobrepor-se aos testemunhos da purificação.

Aqueles, entretanto, que se trabalharam emocional e espiritualmente, têm após o decesso tumular, como sequelas, as ausências das impressões perturbadoras, das dores que ficaram na roupagem em diluição.

Ninguém transita pelos patamares do crescimento íntimo sem o concurso do sofrimento, que proporciona, quando bem recebido, o direcionamento das aspirações para Deus e para o Bem, para a harmonia íntima, para a atitude de respeito e amor pela Vida.

O sofrimento surge, em muitos casos, como coroa de glória, que numerosos Espíritos nobres solicitam e recebem, tornando-se protótipos de perfeita sintonia com Deus e por amor à Humanidade.

Quando o sofrimento é aceito como força dinâmica, faculta o êxtase dos santos, dos artistas, dos pensadores, dos cientistas, porque afrouxa os laços materiais que retém o Espírito, permitindo-lhe pairar nas regiões de onde procede, haurindo ali mais força e energia para ensinar autossuperação e felicidade.

Quando Jesus proclamou que são bem-aventurados os aflitos, é evidente que se referiu somente àqueles cuja aflição não produza sequelas devastadoras que dilaceram a alma.

Aflitos e sofridos, sim, mas nem todos, em face das sequelas que produzam...


Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, em 4 de janeiro de 1999, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

08 agosto 2014

A Segunda Carta Magna da Humanidade - Amélia Rodrigues


A SEGUNDA CARTA MAGNA DA HUMANIDADE

Depois de enunciado o Sermão da Montanha, a Humanidade terrestre jamais seria a mesma, desculpando-se das suas atrocidades sob o pretexto de ignorância.

Jesus houvera estabelecido as regras da vida honorável, as diretrizes de segurança para a construção da sociedade justa e feliz, embora soubesse que as criaturas, ainda sem a necessária maturidade espiritual para vivenciar os ensinamentos profundos do amor, alterariam significativamente aquelas instruções sublimes, tombando, não poucas vezes, nos abismos da alucinação e do crime.

A Sua doce voz continuaria a cantar a mensagem de vida em abundância aos ouvidos moucos dos tempos, até o momento em que pudesse ser colocada em prática.

A verdade é que, à medida que os anos se sucederam, a musicalidade sublime pareceu silenciar nas páginas da História e os indivíduos volveram a ser lobos contra ovelhas, devorando-as, ao invés de beberem juntos no córrego da fraternidade a mesma linfa.

Embora o sacrifício dos mártires que assinalaram a História com abnegação e sacrifício em Sua memória, mais tarde, os Seus discípulos, unindo-se ao poder temporal, que Ele recusara, tornaram-se inimigos uns dos outros, quando se deveriam transformar em cirineus recíprocos em todas as circunstâncias.

Os Bem-aventurados já não eram aqueles que diziam amá-lO, mas sim as vítimas que eram levadas ao holocausto pelo Tribunal da Santa Sé e pelas Cruzadas, enlouquecidas pelo ódio e pela malversação dos ensinamentos transcendentais.

Já não se sentia a vibração do verbo incomum do Cantor galileu, e na acústica das almas era ouvido somente o tumulto da ira e da vingança contra heresias e condutas que não se encontrassem previstas na pauta da Teologia de ocasião.

É como se a sinfonia da montanha cedesse lugar ao clarim da guerra hedionda e fosse substituída pela belicosidade da incessante perseguição...

O manso Nazareno foi trocado pelo Messias assassino e perverso, apaixonado e cheio de preconceitos...

A noite medieval cobriu com trevas a luminescência da Boa Nova do Reino de Deus.

Embora ressurgissem missionários do amor e da compaixão em todas as épocas, chamando à ordem e à paz, nem sempre conseguiram vencer a pompa e o orgulho temporal, que tomaram conta da proposta libertadora, então encarcerada nos dogmas arbitrários e na força perversa da governança romana.

Jesus esmaeceu enquanto Seu falso representante tomou-Lhe o lugar.

À simplicidade da mensagem e à pureza do culto sem ostentação, a opulência e o luxo imperiais passaram a dominar os corações, ora sedentos de glórias mentirosas e de exaustivos gozos, distantes do Reino de amor e de ternura, cujas bases Ele implantara nos corações das gentes simples das praias e aldeias por onde esteve semeando a esperança.

Às curas comovedoras e contatos com a pobreza e a miséria física, econômica e moral das massas aflitas esquecidas, que se renovavam ante a Sua presença, a distância e o protocolo, a dominação e o temor.

Ampliando os horizontes de conquistas terrenas, em vez da transformação moral dos seres humanos, os herdeiros do Evangelho corromperam-se e tornaram-se algozes do seu próximo em disparatada corrida pela aquisição dos tesouros terrestres que Ele não valorizara, como se estivessem indenes à velhice, à doença e à morte...

Foi nesse momento tormentoso, de incontáveis padecimentos que João, o discípulo amado, trocou as glórias da Espiritualidade superior para mergulhar nas roupagens físicas e tentar reviver em toda a sua pulcritude e grandeza, o período inolvidável das praias da Galileia de antes, restaurando o esplendor da pobreza e da humildade sem jaça.

Depois de usar os recursos da opulência que lhe não preenchiam as ânsias do coração saudoso do amado Rabi, mergulhou na solidão, na noite escura da alma generosa, para despertar num amanhecer de espiritualidade transcendente e trazê-lO de volta ao mundo, vivenciando-O como nunca dantes alguém o fizera com tanta pujança e vigor.

Em plena treva ele acendeu a luz da alegria de viver, cantou a felicidade plena, mediante o autoabandono, apresentou-O, enquanto se diminuía, sacudiu a sociedade do seu e dos futuros tempos, para que retornasse aos inexcedíveis dias que haviam ficado no passado.

Poeta e cantor, sensibilizou os homens e as aves do céu, os animais e as plantas, enquanto abraçou toda a Natureza, num momento de êxtase e de ternura, assinalando-a para sempre, na condição de dileto embaixador do Reino de venturas.

No seu breve périplo, de apenas quarenta e cinco anos, modificou a visão histórica da Mensagem, vivendo-a integralmente e ensinando a todos que se lhe acercaram a experimentar a felicidade de nada ter, exceto o privilégio elegido de O imitarem.

Quando as forças se exauriam, no leito da agonia, ainda pôde cantar uma das suas mais belas canções, que ficaria para a Humanidade como a Segunda Carta Magna de orientação para todas as criaturas:

Altíssimo, Todo-poderoso e bom Senhor, em Teu louvor, glória, honra e toda bênção,

A Ti só essas coisas, ó Tu Altíssimo, e nenhum homem é digno de nomeá-lO.

Louvado sejas, Senhor, com todas as Tuas criaturas, especialmente, meu senhor e irmão Sol, através do qual nos dá o dia, a luz.

Ele é belo, irradiando um grande esplendor e de Ti, ó Altíssimo, ele nos oferece o símbolo.

Louvado sejas tu, meu Senhor, pela irmã Lua e pelas Estrelas.

No céu tu as formaste claras, preciosas e belas.

Louvado sejas Tu, meu Senhor, pelo irmão Vento, e pelo ar e pelas nuvens,pelo azul calmo e por todos os tipos de tempo.

Graças a eles Tu manténs com vida todas as criaturas.

Louvado sejas Tu, meu Senhor, pela irmã Água que é tão útil e tão sábia, preciosa e casta.

Louvado sejas Tu, meu Senhor, pelo irmão Fogo através do qual Tu iluminas a noite.

Ele é belo e alegre, indomável e forte.

Louvado sejas Tu, meu Senhor, pela irmã nossa mãe a Terra, que nos carrega e nos alimenta, que produz a diversidade dos frutos com as flores matizadas e as ervas.

Louvado sejas Tu, meu Senhor, por aqueles que perdoam por amor de Ti que suportam provações e doenças, felizes se conservam a paz, porque de Ti, Altíssimo, eles serão coroados.

Louvado sejas Tu, meu Senhor, por nossa irmã a Morte corporal, porque nenhum homem vivo dela pode escapar.

Infelicidade para aqueles que morrem em pecado mortal, felizes aqueles que estiverem fazendo Tua vontade quando ela os surpreender porque a segunda morte não poderá prejudicá-los.

Louvai e bendizei o Senhor, Dai-lhe graças e servidão Com toda a humildade.

Quando silenciou a voz e retornou à Pátria, no dia seguinte, deixou o extraordinário legado de mansidão, de misericórdia, de amor, de exaltação ao Pai e glória à vida em todas as suas expressões.

O clarão de Assis prossegue até hoje, mesmo após as vicissitudes e transformações que se operaram na confraria que ele deixou, demonstrando que é possível viver-se o Sermão da Montanha e aplicar-se no íntimo o Canto do Irmão Sol e de todas as criaturas.

Sempre Jesus, que o tempo não dilui, na mente e nos corações de todos os seres humanos que O conheceram de qualquer maneira possível.

Amélia Rodrigues
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, no dia 24 de fevereiro de 2014, em Los Angeles, USA.

07 agosto 2014

Perdão Radical - Amélia Rodrigues


PERDÃO RADICAL

As sublimes lições não paravam de iluminar as consciências dos discípulos interessados no conhecimento da Verdade.

Cada momento em companhia do Mestre amado revestia-se de um aprendizado inolvidável.

Jamais houvera alguém que pudesse, como Ele o fazia, cantar a beleza da sabedoria com a linguagem singela de um lírio alvinitente em pleno chavascal.

As Suas palavras eram como pérolas reluzentes que formavam colares luminosos na consciência dos ouvintes.

Ele nunca se repetia. Com as mesmas palavras entretecia variações incomuns em torno dos temas do cotidiano, oferecendo soluções simples, às vezes, profundas, com a mesma naturalidade com que se referia ao Pai, o Seu Abba.

Ressoavam nos refolhos das almas o canto incomparável do Sermão da Montanha, que se lhes tornara o novo norte para o avanço no rumo da augusta plenitude.

Cada bem-aventurança era portadora de um novo conteúdo, como sendo a diretriz soberana do amor em relação ao futuro da Humanidade.

Ninguém ficava à margem, nenhum sentimento era esquecido e a fonte de inexaurível sabedoria continuava a fluir a água lustral dos ensinamentos imortais.

Ele parecia ter pressa de preparar os amigos, embora não fosse apressado.

Eram tantas as necessidades humanas que não era possível desperdiçar o tempo em cogitações da banalidade e emprego das horas em pequenezes habituais do comportamento.

Mais de uma vez Ele falara sobre a emoção do amor e a bênção do perdão, sendo porém enfático em todas elas.

O perdão é sempre melhor para aquele que o concede.

Para que não ficasse esquecido entre as preocupações que assaltavam os amigos, na sua labuta diária, Ele voltava ao tema com novas composições.

Já lhes dissera que se fazia indispensável perdoar setenta vezes sete vezes, o que significava perdoar incessante, ininterruptamente...

Naquela oportunidade ímpar, complementou o ensinamento, referindo-se à conduta pessoal de cada criatura:

Portanto, se estiveres apresentando a tua oferta no altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai conciliar-te primeiro com teu irmão, e depois vem apresentar a tua oferta...

... Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao guarda e sejas lançado na prisão. Em verdade, vos digo que de maneira nenhuma saireis dali enquanto não pagardes o último ceitil. (*) Mateus: 5:23 a 26. Nota da autora espiritual.

Tratava-se da aplicação da misericórdia nos relacionamentos, de modo a manter-se a consciência de paz.

Nesse sentido, a compaixão em relação aos erros alheios assumia papel de preponderância, mas os amigos aturdidos compreendiam que lhes era muito difícil a mudança de conduta, habituados ao desforço em relação àqueles que os prejudicavam.

Assim pensando, após a exposição do Senhor, Tiago perguntou-Lhe, recordando-se da severidade da Lei Antiga:

Como é possível, Mestre, permitir-se que o agressor fique impune, após a prática do seu ato perverso?

O Iluminado olhou-o com imensa ternura, por saber que ele era cumpridor dos deveres, severo em relação a si mesmo, portanto, exigente no que diz respeito ao comportamento dos outros e compreendeu-lhe a inquietação.

Após um breve silêncio, ante o zimbório celeste, recamado de estrelas que lucilavam ao longe, respondeu benigno:

As águas do rio limpam as margens e o leito por onde correm, transformando e decompondo o lixo e a imundície em rico adubo mais adiante, levados pela correnteza.

Assim também o amor de misericórdia transforma a agressão em bênção para a vítima, auxiliando o inimigo a purificar-se, ao largo do percurso evolutivo. Quando se perdoa, isto não implica anuência com o erro, com o crime, com o descalabro do outro. Não se trata de desconhecer a atitude infeliz, mas objetiva não retaliar o outro, não aguardar oportunidade para nele desforçar-se.

Não devolver o mal que se sofre é o início do ato de perdoar. Compreender, porém, que o outro, o agressor, é infeliz, que ele se compraz em malsinar porque é atormentado, constitui a melhor reflexão para o perdão radical, o perdão sem reservas.

Ninguém tem o direito de oferecer ao Pai suas orações e dádivas de devotamento, se tem fechado o coração para o seu próximo, aquele que, na sua desdita, derrama fel sobre os outros e cobre a senda que percorrerá no futuro com os espinhos da própria insanidade.

Ter adversário é fenômeno normal na trajetória de todas as criaturas, no entanto, deve-se evitar ser-lhe também inamistoso, igualando-se em fraqueza moral e desdita interior. Quem assim se comporta também sofrerá julgamento da autoridade, a quem seja apresentada queixa, e essa poderá exigir-lhe o ressarcimento do mal até o último e mínimo ultraje.

É o que ocorre com qualquer ofensor ou ofendido magoado. É obrigado a refazer o caminho sob a jurisdição divina, até quitar-se de todas as mazelas e débitos morais.

O interrogante, no entanto, insistiu:

Como então fica a justiça diante daquele que lhe desrespeita os códigos austeros?

O Amigo compassivo compreendeu a inquietação do companheiro e elucidou:

A questão da justiça não pertence ao ofendido, mas aos legisladores que aplicarão a penalidade corretora que se enquadre nos códigos legais. E quando isso não ocorre, a sabedoria divina impõe-se ao calceta, que carrega na consciência o delito, fazendo-o ressarcir os danos com a sua cooperação ou sofrendo os efeitos do mal que praticou, imputando-se sofrimentos reparadores. Ninguém consegue fugir à consciência indefinidamente, porque sempre há um despertar para a realidade transcendental.

Mas, Mestre, nesse caso, todos os crimes de qualquer porte devem ser perdoados e esquecidos? - Instou, inquieto, Serenamente, Jesus retorquiu:

Não há crime imperdoável. Há, sim, mágoas exageradas. Quem não tem condutas reprocháveis ao longo da existência, por mais austero seja em relação a si mesmo, observando os Códigos da justiça e da religião? Quantas vezes, em momentos de infelicidade e de ira, pessoas boas e generosas, devotadas ao Pai e ao dever, rebelam-se e agem incorretamente? Será justo desconhecer-lhes toda uma trajetória de dignidade por um momento de alucinação, de torpor mental pela ira asselvajada que lhe tomou a consciência?

É necessário, portanto, perdoar-se todas as formas de agressão, entregando-as ao amor do Pai Incomparável, a tomar nas mãos a lei e a justiça, aplicando-as conforme o desconforto de que se é objeto.

Assim fazendo, torna-se digno de também ser perdoado.

Esse é o sublime comportamento do amor, em forma de benignidade para com o próximo, o irmão da retaguarda evolutiva.

Depois do silêncio que se abateu natural, no círculo de amigos, Ele adiu gentilmente:

Convém recordar-se, igualmente, que todos necessitam do perdão para as suas ações infelizes, desse modo, devendo perdoar-se, purificar a mente, permitir-se o direito de errar, compreendendo a sua humanidade e fraqueza, mas não permanecendo no deslize moral nem se comprazendo em ficar na situação a que foi arrojado.

O autoperdão é conquista do amor que se renova e compreende que se está em processo de renovação e de autoiluminação.

Assim, portanto, rogando-se ao Pai perdão pelos próprios delitos, amplia-se o pensamento e alcança-se o agressor digno de ser perdoado também.

A noite prosseguia rica de suaves perfumes e incrustada dos diamantes estelares, registrou a lição imorredoura do perdão a todas as ofensas.


Amélia Rodrigues 
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, no lar de Armandine e Dominique Chéron, na manhã de 5 de junho de 2014, em Vitry-sur-Seine, França.   

06 agosto 2014

Para que Somos Imortais - Amilcar Del Chiaro

PARA QUE SOMOS IMORTAIS

  Já nos perguntaram: o que o Espiritismo fez de bom para a humanidade? A nossa resposta foi simples. Perguntamos, por nossa vez, se a pessoa disporia de tempo para ouvir o relato que tínhamos a fazer. Ela disse que não, por isso queria um resumo do que pretendíamos dizer. Começamos falando das consolações extraordinárias aos sofredores, aos quem perdem um ente querido, para depois falar da imortalidade.

Dissemos, então: o Espiritismo veio trazer a imortalidade ao homem. Nosso amigo protestou dizendo que todas as religiões pregam a imortalidade, ao que respondemos: a Doutrina Espírita não prega, ela prova que somos imortais, e mais ainda, para que somos imortais, porque isso faz toda a diferença.

Ser imortal para sofrer os tormentos do inferno ou os gozar no paraíso, às vezes, separados dos que amamos, é irracional. O Espiritismo demonstra a imortalidade racional, dinâmica. Somos imortais para crescer, evoluir, alcançar a perfeição, e isto será conseguido através das reencarnações.

Nosso amigo argumentou: ora, a reencarnação não é para pagar as dívidas, os pecados?

Não! Embora seja também para isso, a sua finalidade primeira é o aperfeiçoamento do ser. Deus criou-nos simples e ignorantes, mas propensos a aprender o bem e o mal. Através da extraordinária jornada "palingenésica", ou seja, das reencarnações, partimos deste ponto e miramos o alvo que é a perfeição. Nada prova melhor a imortalidade do que duas coisas, as comunicações dos espíritos dos homens que viveram na Terra, e a reencarnação.

O Espiritismo foi o primeiro a penetrar nesse mundo coberto pelo pano negro do luto, e vedado pelos mistérios das religiões oficiais. Por meio da mediunidade, que é um instrumento tão importante quanto o telescópio é para a astronomia e o microscópio para a medicina, os pesquisadores, a começar por Allan Kardec, adentraram esse mundo invisível, conversaram com os seus habitantes e construíram uma ponte por onde podemos passar para lá, e os espíritos podem vir até nós e comunicarem-se por meios físicos ou inteligentes.

É grande a quantidade de espíritos desconhecidos que não podem provar quem foram, quando viveram na Terra e o que fizeram. Contudo é inumerável a quantidade dos que provaram as suas existências como seres encarnados, com detalhes íntimos irrecusáveis.

Quanto à reencarnação, ela é provada cientificamente, com as investigações de cientistas renomados, como De Rochas, no final do século XIX, Banerjí, Ian Stevenson , Puarick e aqui no Brasi, Hernani Guimarães Andrade.

Confirmam eles que a reencarnação está em plena harmonia com as leis da natureza.

Filosoficamente o Espiritismo é que tem as respostas para as perguntas: quem somos? Por que e para que estamos na Terra? De onde viemos? Para onde vamos? Como harmonizar liberdade com responsabilidade?

Moralmente, ou religiosamente, só a reencarnação explica a dor, a infelicidade, o sofrimento, as injustiças, as desigualdades e os males que afligem a humanidade. Por tanto é o Espiritismo que pode impulsionar a reforma moral dos indivíduos, e a transformação social da humanidade.

Nosso amigo disse, basta, porque se não, começarei a me perguntar: por que não sou espírita? 



 

05 agosto 2014

O Espírita e a Omissão - José Medrado


O ESPÍRITA E A OMISSÃO

Existem algumas práticas nocivas ao processo de se sociabilizar a doutrina espírita, em um patamar, onde a construção de um homem melhor não nasça de uma atitude contemplativa. Torna-se indispensável o posicionamento cidadão do espírita, reivindicando, contestando, agindo em benefício de um mundo melhor, mais justo e equânime. Não se pode, em forma de uma atitude pseudo-superior, estar à parte do mundo, de suas misérias e dificuldades, só pensando em “Nosso Lar” ou nas “Violetas na janela”.

O cristão espírita é destemido e confiante, pois obra para melhorar a sociedade, em seu conjunto de ação por um mundo melhor.

Estar à margem das discussões sociais do mundo em que vive é pura arrogância de quem não se sente inserido em um contexto de ação e transformação.

A questão n º 573 de O Livro dos Espíritos nos posiciona com clareza meridiana: "Em que consiste a missão dos Espíritos Encarnados? - Em instruir os homens, em lhes auxiliar o progresso; em lhes melhorar as instituições, por meios diretos e materiais". Ora, como melhorar as instituições sem estar nelas, dando o exemplo de comprometimento com o bem coletivo?

Assim, teremos sempre que repudiar toda e qualquer ação que atente contra a sociedade em que nos encontramos. Não iremos fazer das nossas tribunas espíritas palcos de desagravos ou de avaliação desta ou daquela conduta, mas não poderemos deixar de nos indignar com a miséria do salário mínimo, com as filas do INSS, com a incúria dos governantes diante da corrupção, violência, desmandos.

O grande e admirável pensador espírita Deolindo Amorim, em O Espiritismo e os Problemas Humanos, peroliza: "Para os espíritas, finalmente, o Cristianismo não é apático. Se, na realidade, o cristão ficasse apenas na fé, rezando e contemplando o mundo à grande distância, sem participar do trabalho de transformação do homem e da sociedade, jamais a palavra do Cristo teria a influência ponderável. O verdadeiro cristão, o que tem o Evangelho dentro de si, e não apenas o que repete versículos e sentenças, não pode cruzar os braços dentro de um mundo arruinado e poluído pelos vícios, pela imoralidade e pelo egoísmo".

Assim, não deveremos ser alienados. Os nossos órgãos representantes, ainda que de uma forma não hierarquizada – graças a Deus – poderiam se manifestar repudiando tudo que vai de encontro aos princípios de igualdade, solidariedade e fraternidade, que balizam a ação espírita no mundo.

Não haveremos de continuar achando que somos os “puros” que não poderemos nos “misturar” com estes espíritos inferiores. Precisamos agir com a firmeza de que Jesus nos instruiu: sim, sim; não, não.

No dia em que o ser humano deixar de se indignar, ele será uma máquina, um robô programado apenas para existir, nunca para viver, pois viver significa se comprometer, expor-se, lutar. Fazer de sua vida uma história de acréscimo do novo, em si e na sociedade em que atua.

A omissão jamais trará paz de consciência, ainda que a anestesie.

Autor:  José Medrado

 

04 agosto 2014

A Verdade dos Outros - Momento Espírita


A VERDADE DOS OUTROS

No primeiro dia de aula, o professor trouxe um vidro enorme:

Isto está cheio de perfume. — Disse aos alunos.

Quero medir a percepção de cada um de vocês. Na medida em que sintam o cheiro, levantem a mão.

E abriu o frasco. Num instante, havia duas mãos levantadas. E logo cinco, dez, trinta, todas as mãos levantadas.

Posso abrir a janela, professor? — Suplicou uma aluna, enjoada de tanto perfume. Outras vozes fizeram eco.

O forte aroma, que pesava no ar, tinha se tornado insuportável para todos.

Então, o professor mostrou o frasco aos alunos, um por um: estava cheio de água. Eles não podiam acreditar no que acabara de acontecer...

Até quando vamos comprar verdades com tanta facilidade assim?

Isso já nos levou a tantos desastres...

Ao invés de encontrar as nossas próprias verdades, o nosso próprio entendimento a respeito das coisas, preferimos, por ignorância ou comodismo, acreditar nas verdades dos outros.

Dessa forma, tornamo-nos uma massa facilmente sugestionável, manipulável, facilmente fascinável por essa ou aquela ideia, por mais absurda que possa ser.

Divulgamos boatos apenas por ouvir dizer e condenamos pessoas, após ter escutado apenas um lado, destruindo vidas inconsequentemente, pelo descuido com o verbo.

Desenvolvemos um prazer tolo pela fofoca que, em muitos casos, se torna um vício deveras perigoso, para quem a divulga e para quem é alvo dos comentários jocosos.

Somos capazes de construir nossas próprias verdades, nosso próprio entendimento sobre as coisas da Terra e do céu.

Mesmo no campo religioso precisamos aprender a associar a fé à razão, para que ela não seja construída em bases frágeis – a fé cega.

Fé raciocinada é sinônimo de segurança. Somente crer depois que compreendermos, depois que fizer sentido dentro de nós, e não porque Fulano ou Beltrano falou, ou porque está escrito aqui ou ali.

Quando ouvimos falar sobre fundamentalismo religioso nos assustamos, mas, muitas vezes, esse tipo de prática está mais próxima do que imaginamos e, em outras esferas de nossa vida, quando fazemos as coisas sem refletir sobre elas, apenas porque sempre foi assim.

Por isso, prestemos muita atenção em nossas existências, se não estamos comprando verdades prontas dos outros, sem que elas façam sentido em nós.

Se não estamos acreditando nisso ou naquilo apenas por dizer, ou apenas por acreditar, por ser cômodo, ou por não ter nada melhor para crer.

Não podemos mais agir como uma massa sem cérebro, que é facilmente seduzida por novidades, por ideias esdrúxulas ou por promessas fantásticas.

Se desejamos mudar nossos líderes, mudemos a nós mesmos primeiro e nos tornemos capazes de escolher melhor os que nos representam nessa ou naquela posição.

Finalmente, tenhamos cuidado com nosso verbo, para que nossa verdade não seja também imposta ao outro com violência. Todos têm o direito de pensar, de escolher, de raciocinar.

Cada um tem o direito e o dever de ter a sua verdade. Respeitemo-nos. Respeitemos a verdade de cada um.

Por Redação do Momento Espírita, com base no cap. Celebração da desconfiança, de O livro dos abraços, de Eduardo Gaelano, ed. LPM.