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12 dezembro 2014

Causas, consequências e profilaxia do suicídio - Christiano Torchi

CAUSAS, CONSEQUÊNCIAS E PROFILAXIA DO SUICÍDIO

As estatísticas de órgãos oficiais são imprecisas quanto às taxas de suicídio no Globo, que apresentam variantes indefinidas de região para região.

O suicídio é considerado a décima causa de morte no mundo.

Os estudiosos não encontram uma explicação conclusiva para as disparidades das taxas e as causas do suicídio, visto que há uma combinação de fatores de diversas ordens:-

- Sociais, Econômicos, Psicológicos, Psiquiátricos e Ambientais que podem contribuir para a sua ocorrência.

Graças ao crescimento dos índices de suicídio, a Organização Mundial da Saúde (OMS) trata o evento como um problema de saúde pública desde a década de 90, iniciativa que também foi adotada pelo governo brasileiro a partir de 2005.

Não obstante todas as causas apontadas pelos estudiosos terrestres, quase sempre ligadas a fatores exógenos, na raiz do problema encontramos o enigma espiritual ignorado pelas ciências acadêmicas.

A tese espírita contribui muito para o combate e a erradicação do suicídio, porque, além dos fatores externos, estudados pela comunidade científica, avalia a própria experiência dos suicidas, os quais, utilizando-se de médiuns, vêm, pessoalmente, advertir os homens sobre a inutilidade e o equívoco desse gesto. 3 - Que razões levam uma pessoa a desertar de um bem tão precioso que é a vida, contrariando o instinto de conservação?

Como vacinar-se contra esse flagelo?

O desgosto da vida e o suicídio possuem diversas causas.

Pretendemos analisar apenas algumas delas, sob o ponto de vista dos princípios estudados pelo Espiritismo, sem intenção de esgotar o tema, até porque não há espaço para isso nestas páginas.

O materialismo, fundado na crença niilista, tem sido um dos grandes vetores desse flagelo.

Acreditando que a morte é o fim de tudo, muitas pessoas, desgostosas da vida, optam pela saída desditosa do suicídio.

É uma idéia que repugna à lógica e ao bom-senso.

Se a morte fosse a destruição completa do homem, muito ganhariam com ela os maus, pois se veriam livres, ao mesmo tempo, do corpo, do Espírito e dos vícios.

Basta um pouco de reflexão:-

- Por que lutar para ser bom, para progredir, se todos vamos ter o mesmo destino, independentemente de nosso comportamento?

A vida no corpo físico perderia completamente a razão de ser.

Seria inútil reencarnar.

A crença de que após a morte física vem o nada é incompatível com a perfeição, a justiça e a bondade de Deus.

O orgulho e a ignorância a respeito das leis espirituais também contribuem para isso.

Criaturas em desespero, numa atitude de rebeldia contra as Leis do Criador, não aceitando os reveses que a vida lhes impõe, em decorrência da lei de causa e efeito, procuram o suicídio como válvula de escape para seus problemas, que lhes parecem insuperáveis ou insolúveis, sem considerar que as dificuldades, por mais desafiadoras que sejam, constituem instrumentos de resgate, crescimento intelectual e espiritual.

Para não cederem em seus pontos de vista inflexíveis ou por não aceitarem uma derrota, uma doença aparentemente incurável, um desastre financeiro, 6 - Uma decepção amorosa, procuram o suicídio que, entretanto, lhes reserva amargas experiências.

A obsessão espiritual tem sido outra causa dos suicídios, muito pouco estudada pelos profissionais da saúde, muitos deles desconhecedores das Leis Naturais ora estudadas. A obsessão é o domínio que Espíritos inferiores exercem sobre certas pessoas.

Não raro, são inimigos do passado, ávidos de vingança contra o seu desafeto.

Por vezes, o assédio espiritual é tão grande que pode ocasionar problemas orgânicos sérios, inclusive lesões no cérebro, capazes de levar a pessoa à loucura, se não receber tratamento espiritual adequado, a tempo.

Outra causa predominante é o desleixo para com o corpo físico, instrumento do progresso, tais como o abuso dos alimentos, do álcool, do fumo, das drogas, dos remédios em excesso, do sexo desequilibrado, do ódio, da mágoa profunda etc.

Estes hábitos nocivos constituem fontes solapadoras das energias, que muito contribuem para que a morte física aconteça antes do tempo.

É conhecido como suicídio indireto ou inconsciente.

A pessoa não quer, deliberadamente, a morte, mas o estilo de vida adotado a conduz à morte prematura.

Considerando o estágio moral da coletividade, quase todos podemos ser considerados suicidas inconscientes.

Daí a importância do cultivo da religião, que nos oferece diretrizes para vivermos uma vida de qualidade, sem abusar das prerrogativas que o Criador nos concede para dela desfrutarmos.

As consequências do suicídio são terríveis para o Espírito e todos aqueles que contribuíram direta ou indiretamente para a sua prática.

Elas são as mais variadas e correspondem às causas e às circunstâncias que o produziram.

Há, entretanto, resultados que são comuns a todos.

Os Espíritos narram que a primeira coisa que descobrem, frustrados, após o gesto tresloucado, é que ninguém foge de si mesmo, ninguém morre.

O que se destrói é apenas o corpo físico.

A consciência continua palpitando em outra dimensão.

Por isso, o desapontamento e a desordem das faculdades mentais são assaz penosos, os quais, aliados ao remorso, os atingem em cheio.

Os sofrimentos, em vez de serem aliviados, como esperava o suicida, agravam-se superlativamente.

Experiência comum a todos os Espíritos que optaram por essa fuga impossível é a visão constante dos fatos que culminaram com a sua morte física, como se fosse um filme de sua própria vida, num morrer e remorrer sem tréguas.

A visão do corpo em estado de putrefação e a sensação de estar sendo devorado pelos vermes também é muito comum no Espírito suicida, o qual experimenta severas dificuldades para se desligar dos laços carnais.

Depois, vêm as flagelações nos planos espirituais inferiores, onde o enfermo se junta a outros Espíritos sofredores em situação semelhante, agravando a sua situação moral.

Não bastasse tudo isso, o suicida poderá ter dificuldades de acesso às reencarnações futuras, benditas oportunidades de recomeço para o Espírito, que lhe proporcionarão trégua nas dores superlativas e lhe permitirão a chance de reparar seu erro e as consequências do ato desatinado, que também flagela os entes queridos.

O estudo das propriedades do perispírito, considerado o modelo organizador biológico do corpo físico, auxilia a compreender o porquê de tantas enfermidades físicas e/ou mentais dolorosas que afetam milhares de reencarnantes, muitas delas radicadas no suicídio então praticado, as quais devem ser vistas não como punição divina, mas sim como o remédio amargo que corrige e reeduca o Espírito imortal, considerando que a Justiça Divina se encontra insculpida na própria consciência. É que a dor do remorso, sob o comando da mente, tem o condão de provocar alterações na estrutura atômica do perispírito, o que afeta, sensivelmente, a formação do futuro corpo físico.

O suicídio é uma violenta interferência nos mecanismos da Lei Divina, pois a vida é um bem supremo indisponível.

Se o homem não é capaz de criar, também não tem o direito de destruir o próprio corpo, primeiro empréstimo de Deus concedido ao seu detentor, para aperfeiçoamento do Espírito imortal.

Aquele que se mata, na vã esperança de rapidamente chegar ao “céu”, comete outra loucura.

Assim agem muitos fanáticos, destruindo-se e a tantos outros inocentes.

Os que assim procedem apenas retardam a sua entrada num mundo melhor e terão de pedir lhes seja permitido voltar, para concluírem a vida a que puseram termo, sob o influxo de uma ideia falsa.

O mesmo destino está reservado àqueles que se matam, com o intuito de se juntar aos entes queridos que os precederam na grande viagem.

Esse gesto estúrdio, em vez de aproximá- los, os afastará ainda mais dos seres que amam.

O Espiritismo, com este precioso cabedal de informações, apresenta-se como solução preventiva não somente aos Espíritos atormentados, mas também aos que gozam de boa saúde mental, alertando-os sobre os perigos e a inutilidade desse gesto insano.

Tais conhecimentos não apenas previnem como também consolam os familiares, ante a certeza da misericórdia divina que, além das atenuantes dos sofrimentos, conforme as circunstâncias, proporciona ao suicida a reparação do erro.

Por isso, ao tomarmos conhecimento de que alguém cometeu suicídio, não condenemos, mas elevemos o pensamento em prece a Deus.

Para que o irmão desventurado suporte, com resignação, os sofrimentos que carreou a si próprio, sempre lembrando que, para aqueles que continuam estagiando no plano físico, os maiores antídotos contra o suicídio são a vigilância, a oração e o trabalho em favor do próximo.

Christiano Torchi
Fonte: Reformador - Julho 2012


11 dezembro 2014

Males e Remédios - André Luiz



MALES E REMÉDIOS


1- Inconformação diante do sofrimento?

Olhe em derredor e reconhecerá legiões de pessoas que sofrem muito mais, sem as suas possibilidades de reconforto.

2- Desentendimento em família?

Oriente as crianças de casa e respeite os adultos, deixando a eles a faculdade de se decidirem, quanto às próprias realizações, qual acontece no mundo íntimo de cada um de nós.

3- Algum erro cometido?

Reconsidere a própria atitude e não se constranja em aceitar as suas deficiências, de modo a corrigi-las.

4- Erros alheios?

Observando-se quão difícil aprender sem errar, saibamos desculpar os desacertos dos outros, tanto quanto esperamos tolerância para os nossos.

5- Entes queridos em falha?

Deus que nos criou a todos saberá conduzi-los sem que tenhamos a obrigação de arrasar-nos ao vê-los adquirindo as experiências da vida, pela quais também nós temos pago ou pagaremos o preço que nos compete.

6- Provação?

Uma visita ao hospital pode dar a você a ficha de suas vantagens em relação aos outros.

7- Problemas?

Não se sabe de criatura alguma que evolua ou se aperfeiçoe, sem eles, incluindo aquelas que se supõem tranquilas por estarem fugindo provisoriamente de trabalhar.

8- Angústia?

Ao que se conhece, todo tratamento para a supressão da ansiedade está baseado ou complementado pelo serviço em favor de alguma causa nobre ou em auxílio de alguém.

9- Censura?

Um minuto de autoanálise nos fará sentir que não estamos muito certos, quanto à nossa própria resistência, se acaso estivéssemos no lugar daqueles que jazem caídos em desapreço.

10- Desilusões e fracassos no relacionamento afetivo?

Experimente Jesus.



Espírito de André Luiz
Psicografia: Francisco Cândido Xavier


10 dezembro 2014

O Mundo dos "Sem" - Inácio Ferreira


O MUNDO DOS “SEM”

Analisando a concepção que, infelizmente, muitos confrades espíritas continuam tendo sobre a Vida além da morte, não posso deixar de chegar à conclusão de que o Mundo Espiritual é o mundo dos “sem”...

Dos sem corpo e sem teto...

Dos sem fome e sem sede...

Dos sem roupa e sem sexo...

Dos sem necessidades fisiológicas...

Dos sem trabalho e sem escola... Enfim, dos sem compromisso algum!...

Sim, porque, segundo a equivocada ideia de certos adeptos da Doutrina, deste Outro Lado, o homem que desencarna não mais precisa de casa, não mais sente fome e sede, não mais carece de vestuário para lhe ocultar as partes pudendas, que ele, igualmente, não tem mais, não necessitando ainda de trabalhar e estudar...

Realmente, um Mundo vazio de iniciativa e, portanto, inexistente.

Um Mundo completamente avesso ao orbe terrestre, e que, assim sendo, não poderia, em nenhum aspecto, servir de matriz para ele – quer do ponto de vista cultural, quer do ponto de vista social!

Enquanto a Terra seria o mundo dos “com”, o Mundo Espiritual seria o mundo dos “sem”...

Dos sem sonhos e sem aspirações...

Dos sem tristeza e sem alegria...

Dos sem vontade e sem desejo...

Dos que apenas viveriam na expectativa de, um dia, voltar ao Mundo dos “com”!...

Que Mundo Espiritual mais sem graça, e... sem lógica esse!

Ele, então, de fato, não mais seria humano, mas, sim, super-humano! Mas, como?! A desencarnação, por si só, seria capaz de promover criaturas falíveis a seres angelicais?!

Claro que o Mundo Espiritual Superior deve ser mesmo o mundo dos “sem”...

Dos sem preconceitos...

Dos sem fanatismo...

Dos sem ignorância...

Todavia, o Mundo Espiritual imediato, em suas muitas esferas, ainda é o mundo dos “com”...

Dos comprometimentos cármicos...

Dos comparsas no crime...

Dos compadrios desonestos...

Dos cometimentos injustos...

Dos comércios clandestinos...

Sem que o espírita modifique a sua visão do Mundo Espiritual, por mais se esforce, ele não conseguirá, a partir da própria Terra, apreender a abrangência da Vida.

Por este motivo, temos repetido à saciedade:

Espírito é gente!

Mundo Espiritual é planeta!

O corpo carnal também é “perispírito”!

O perispírito, igualmente, é “corpo carnal”!

Ouça o que tenha ouvidos de ouvir...

Mas, sobretudo, o que não tenha medo da Verdade!...


Espírito de Inácio Ferreira
Médium: Carlos A. Baccelli

09 dezembro 2014

Renovação - Ivan de Albuquerque




RENOVAÇÃO


Engajados nos iluminativos serviços da Seara de Jesus, faz-se imprescindível que o trabalhador modesto da Oficina de Luz empenhe-se, com todos os esforços para

ser amigo, abrindo mão da animosidade desgastante;

ser verdadeiro, deixando de lado a aparência enganadora;

ser moderado em todas as coisas, rompendo com o estouvamento nefasto;

ser autêntico junto àquilo em que crê, evitando contatos com a hipocrisia;

ser altruísta, desapegando-se da tormenta egoística;

ser trabalhador eficiente, sem atrelar-se à pachorra ou à preguiça que degenera a alma;

ser manso, desenlaçando-se dos vínculos com a violência;

ser prudente, sabendo isolar-se das armadilhas da imperícia;

ser homem de fé, cumprindo com os compromissos na esfera do bem renovador, em todo lugar;

ser disposto ao estudo sério, desligando-se da praça da ignorância que limita e oprime;

ser bom, sem pieguismo, desfazendo as nódoas do mal enquistante;

ser afetuoso, sem jungir-se à inconveniência;

ser caridoso, cooperando lucidamente com o crescimento dos irmãos do caminho evolutivo;

ser o cristão verdadeiro, mantendo-se fiel aos ensinos do Mestre, exemplificando com a própria vida o conteúdo que transmite através da palavra.

Somente desse modo, construindo sobre os escombros do homem velho enfermo, a edificação do homem realmente cristianizado, deparar-nos-emos com a realização dos propósitos divinos que são, em última análise, a condução da criatura humana para os Altos da renovação espiritual.


Ivan de Albuquerque

Psicografia de Raul Teixeira, em 30 de setembro de 1984, na Sociedade Espírita Renovação, em Curitiba, Paraná

08 dezembro 2014

Em Louvor do Serviço - Scheilla


EM LOUVOR DO SERVIÇO

Avancemos – intemeratos – no serviço que nos amplia a visão - Irmã Scheilla 

Enquanto irmanados nos serviços do Consolador, urge ajustar corações e mentes com o objetivo de melhor atender aos labores do Senhor.

Não há porque temer dificuldades, tendo em vista que não existe, sobre o chão do mundo, aquele que não se debate com problemas mais ou menos graves, requisitando maturidade e tolerância, de modo a solvê-los, devidamente.

Não há motivos para fugir dos compromissos na área do Consolador, atentos à referência do Mestre Jesus, quando afirma que a cada qual será concedido consoante as próprias obras...

Não procuremos justificativas para a divulgação do Mal, relembrando a expressão do Rabi Galileu, ao ensinar-nos que a boca expressa o conteúdo do coração, coadjuvado pela ternura do Apóstolo Pedro, quando assevera que somente o amor é capaz de neutralizar todos os pecados...

Não armemos situações para a omissão, com relação ao serviço aos semelhantes, elaborando, a cada dia, os mecanismos da própria renovação, estabelecendo os pilotis da vera Caridade. Ouçamos o Cristo em Sua verberação aos hipócritas, afirmando que onde estiver nosso tesouro, ali depositaremos as emoções, estabelecendo o coração...

Não encontremos razões para deixar de arrostar as lutas, as perseguições, as injustiças, por amor do Bem, reflexionando sobre a Boa Nova do Senhor, na assertiva de que são bem-aventurados os perseguidos por amor à justiça e à paz, pois que serão justiçados.

Não admitamos retirar os pés da caminhada de luz, por injunções sociais, pelo sofrimento ou pela agressão que se nos crave na contextura da alma por acúleos ferintes, observando o posicionamento de Jesus: Se fazem padecer ao tronco verde, que não farão aos lenhos secos, que representamos!?

*

Apressemo-nos na conquista do Reino dos Céus, a partir do cerne da alma, arrimados à certeza de que somente o serviço do autoiluminamento, por meio do que possamos oferecer de nós, em favor da Vida, receberemos as respostas da própria Vida, de vez que, conforme as advertências da Mensagem do Pai, somos, todos nós, heréus dos nossos serviços em prol ou contrários à luz.

Avancemos – intemeratos – no serviço que nos amplia a visão e liberta-nos dos grilhões de antanho, apresentando, em louvor do serviço do bem, nossa disposição e nossa fé, nosso esforço e nossa Vida toda ao Senhor da Vinha.

Que nada e ninguém logre deter-nos os passos no jornadear que ora empreendemos, para os Cimos da Paz. 

Scheilla 

Psicografia de J. Raul Teixeira, em 7.8.1981, na residência de Alice Couri, durante o Culto do Evangelho, em Muriaé, Minas Gerais.


07 dezembro 2014

O Perdão - Rodolfo Calligaris


O PERDÃO

"Se perdoardes aos homens as faltas que cometerem contra vós, também vosso Pai Celestial vos perdoará os pecados, mas se não perdoardes aos homens quando vos tenham ofendido, tampouco vosso Pai Celestial vos perdoará os pecados."  (Mateus, 6:14-15.)

Na época em que o Mestre andou pela Terra espargindo as luzes do Evangelho, essa lição deve ter causado estranheza a muitos, habituados que estavam à prática do "olho por olho e dente por dente". Não admira, pois ainda hoje há os que preferem nortear suas ações pelos velhos códigos de Moisés, achando que os preceitos de brandura e mansuetude, recomendados pelo Cristo, servem apenas para fazer covardes e vencidos.
Em verdade, porém, enquanto não aprendermos a perdoar reciprocamente as faltas que cometemos uns contra os outros, a dor e o sofrimento não serão banidos deste planeta.
Por não sermos capazes de perdoar, as prisões regurgitam de infelizes, os hospitais mantêm-se repletos, inúmeras famílias desarmonizam-se e dividem-se, e os tribunais permanecem pejados de processos e querelas de todas as naturezas.
Ódios, rancores e desejos de represália lançam ondas mentais inferiores, maléficas, à atmosfera que nos envolve, tornando-a escura, pesada, tensa, e, mergulhados em tal ambiente, homens e nações vivem nervosos, agitados e irritadiços, em constantes atritos ou conflitos domésticos, sociais e internacionais.

No texto em epígrafe, o Mestre faz-nos sentir que, de um modo geral, todos temos dívidas para com Deus, o qual, em Sua misericórdia, está sem predisposto a no-las perdoar, desde que procedamos da mesma forma para com nossos irmãos.

Tal qual o mau servo da parábola do credor incompassivo (Mateus, 18:21-35), porém, queremos que Deus perdoe a multidão de nossos pecados, mas negamo-nos a desculpar a menor falta que outrem cometa contra nós.

Assim agindo, lavramos nossa própria condenação, pois nossa intolerância, nossa incapacidade de suportar as fraquezas e os erros alheios, quando nos sentimos prejudicados, têm como efeito a invalidação de nossas súplicas de perdão ao Criador, porquanto é da Lei que, para RECEBER, é preciso primeiramente DAR.

Portanto, se não cobrimos com o manto do perdão as faltas cometidas contra nós, nossas infrações às Leis Divinas também permanecerão descobertas na presença de Deus.

Esse perdão, todavia, tem de ser sincero, e não apenas de lábios; deve compreender o esquecimento completo e absoluto das ofensas. Deus não se satisfaz com aparências nem com simulacros, sabe o que vai no íntimo de cada coração, e só levará em conta o indulto verdadeiro.

Há os que dizem, em se referindo a seus ofensores: "Perdôo-lhes, mas não esqueço o mal que me fizeram." Ou então: "Perdôo-lhes, mas não me reconciliarei com eles." Ou ainda: "Perdôo-lhes, mas nunca mais quero tornar a vê-los em minha vida."

Outros afirmam, também, haver perdoado a seus desafetos, mas, se acontece serem eles atingidos por alguma infelicidade, alegram-se intimamente com isso, e comentam ou pensam: "Bem-feito! Receberam o que mereciam."
Esses tais terão perdoado, realmente? Não, e Deus tampouco lhes perdoará as culpas. 

Toda e qualquer manifestação de mágoa ou ressentimento indica que subsiste no espírito do ofendido a lembrança daquilo que ele diz ou imagina haver perdoado; prova que a brasa da aversão não está totalmente extinta, mas apenas recoberta por uma camada de cinza, podendo ser reavivada ao sopro de um novo incidente qualquer.

Aprendamos, pois, com o Cristo, a ser mansos e ternos de coração.

Aconteça-nos o que acontecer, não cedamos, nunca, a pensamentos de ódio e de vingança; isto poria em ação forças destrutivas que, mais cedo ou mais tarde, reagiriam contra nós mesmos.

Certamente, os agravos que nos façam não ficarão impunes, mas deixemos a cargo da Providência Divina a justa retribuição.

Eis, para finalizar, mais uma recomendação do Novo Testamento:
"Não vos vingueis a vós mesmos... eu recompensarei, diz o Senhor. Pelo contrário, se o vosso inimigo tiver fome, dai-lhe de comer; se tiver sede, dai-lhe de beber... Não vos deixeis vencer do mal, mas vencei o mal com o bem." (Romanos, 12:19-21).


De “O Sermão da Montanha”, de Rodolfo Calligaris


06 dezembro 2014

O Egoísmo e o Orgulho - Allan Kardec



O EGOÍSMO E O ORGULHO
Suas causas, seus efeitos e os meios de destruí-los.

É bem sabido que a maior parte das misérias da vida tem origem no egoísmo dos homens. Desde que cada um pensa em si antes de pensar nos outros e cogita antes de tudo de satisfazer aos seus desejos, cada um naturalmente cuida de proporcionar a si mesmo essa satisfação, a todo custo, e sacrifica sem escrúpulo os interesses alheios, assim nas mais insignificantes coisas, como nas maiores, tanto de ordem moral, quanto de ordem material. Daí todos os antagonismos sociais, todas as lutas, todos os conflitos e todas as misérias, visto que cada um só trata de despojar o seu próximo.

O egoísmo, por sua vez, se origina do orgulho. A exaltação da personalidade leva o homem a considerar-se acima dos outros.

Julgando-se com direitos superiores, melindra-se com o que quer que, a seu ver, constitua ofensa a seus direitos. A importância que, por orgulho, atribui à sua pessoa, naturalmente o torna egoísta.

O egoísmo e o orgulho nascem de um sentimento natural: o instinto de conservação. Todos os instintos têm sua razão de ser e sua utilidade, porquanto Deus nada pode ter feito inútil. Ele não criou o mal; o homem é quem o produz, abusando dos dons de Deus, em virtude do seu livre-arbítrio. Contido em justos limites, aquele sentimento é bom em si mesmo. A exageração é o que o torna mau e pernicioso. O mesmo acontece com todas as paixões que o homem frequentemente desvia do seu objetivo providencial. Ele não foi criado egoísta, nem orgulhoso por Deus, que o criou simples e ignorante; o homem é que se fez egoísta e orgulhoso, exagerando o instinto que Deus lhe outorgou para sua conservação.

Não podem os homens ser felizes, se não viverem em paz, isto é, se não os animar um sentimento de benevolência, de indulgência e de condescendência recíprocas; numa palavra: enquanto procurarem esmagar-se uns aos outros. A caridade e a fraternidade resumem todas as condições e todos os deveres sociais; uma e outra, porém, pressupõem a abnegação. Ora, a abnegação é incompatível com o egoísmo e o orgulho; logo, com esses vícios, não é possível a verdadeira fraternidade, nem, por conseguinte, igualdade, nem liberdade, dado que o egoísta e o orgulhoso querem tudo para si.

Eles serão sempre os vermes roedores de todas as instituições progressistas; enquanto dominarem, ruirão aos seus golpes os mais generosos sistemas sociais, os mais sabiamente combinados. É belo, sem dúvida, proclamar-se o reinado da fraternidade, mas, para que fazê-lo, se uma causa destrutiva existe? Ë edificar em terreno movediço; o mesmo fora decretar a saúde numa região malsã. Em tal região, para que os homens passem bem, não bastará se mandem médicos, pois que estes morrerão como os outros; insta destruir as causas da insalubridade. Para que os homens vivam na Terra como irmãos, não basta se lhes deem lições de moral; importa destruir as causas de antagonismo, atacar a raiz do mal: o orgulho e o egoísmo.

Essa a chaga sobre a qual deve concentrar-se toda a atenção dos que desejem seriamente o bem da Humanidade. Enquanto subsistir semelhante obstáculo, eles verão paralisados todos os seus esforços, não só por uma resistência de inércia, como também por uma força ativa que trabalhará incessantemente no sentido de destruir a obra que empreendam, por isso que toda ideia grande, generosa e emancipadora, arruína as pretensões pessoais.

Impossível, dir-se-á, destruir o orgulho e o egoísmo, porque são vícios inerentes à espécie humana. Se fosse assim, houvéramos de desesperar de. todo progresso moral; entretanto, desde que se considere o homem nas diferentes épocas transcorridas, não há negar que evidente progresso se efetuou. Ora, se ele progrediu, ainda naturalmente progredirá. Por outro lado, não se encontrará homem nenhum sem orgulho, nem egoísmo? Não se veem, ao contrário, criaturas de índole generosa, em quem parecem inatos os sentimentos do amor ao próximo, da humildade, do devotamento e da abnegação?

O número delas, positivamente, é maior do que o dos egoístas; se assim não fosse, não seriam estes últimos os fautores da lei. Há muito mais criaturas dessas do que se pensa e, se parecem tão pouco numerosas, é porque o orgulho se põe em evidência, ao passo que a virtude modesta se conserva na obscuridade.

Se, portanto, o orgulho e o egoísmo se contassem entre as condições necessárias da Humanidade, como a da alimentação para sustento da vida, não haveria exceções. O ponto essencial, pois, é conseguir que a exceção passe a constituir regra; para isso, trata-se, antes de tudo, de destruir as causas que produzem e entretêm o mal.

Dessas causas, a principal reside evidentemente na ideia falsa que o homem faz da sua natureza, do seu passado e do seu futuro. Por não saber donde vem, ele se crê mais do que é; e não sabendo para onde vai, concentra na vida terrena todo o seu pensar; acha-a tão agradável, quanto possível; anseia por todas as satisfações, por todos os gozos; essa a razão por que atropela sem escrúpulo o seu semelhante, se este lhe opõe alguma dificuldade. Mas, para isso, é preciso que ele predomine; a igualdade daria, a outros, direitos que ele só quer para si; a fraternidade lhe imporia sacrifícios em detrimento do seu bem-estar; a liberdade também ele só a quer para si e somente a concede aos outros quando não lhe fira de modo algum as prerrogativas. Alimentando todos as mesmas pretensões, têm resultado os perpétuos conflitos que os levam a pagar bem caro os raros gozos que logram obter.

Identifique-se o homem cem a vida futura e completamente mudará a sua maneira de ver, como a do indivíduo que apenas por poucas horas haja de permanecer numa habitação má e que sabe que, ao sair, terá outra, magnífica, para o resto de seus dias.

A importância da vida presente, tão triste, tão curta, tão efêmera, se apaga, para ele, ante o esplendor do futuro infinito que se lhe desdobra às vistas. A consequência natural e lógica dessa certeza é sacrificar o homem um presente fugidio a um porvir duradouro, ao passo que antes ele tudo sacrificava ao presente. Tomando por objetivo a vida futura, pouco lhe importa estar um pouco mais ou um pouco menos nesta outra; os interesses mundanos passam a ser o acessório, em vez de ser o principal; ele trabalha no presente com o fito de assegurar a sua posição no futuro, tanto mais quando sabe em que condições poderá ser feliz.

Pelo que toca aos interesses terrenos, podem os humanos criar-lhe obstáculos: ele tem que os afastar e se torna egoísta pela força mesma das coisas. Se lançar os olhos para o alto, para uma felicidade a que ninguém pode obstar, interesse nenhum se lhe deparará em oprimir a quem quer que seja e o egoísmo se lhe torna carente de objeto. Todavia, restará o estimulante do orgulho.

A causa do orgulho está na crença, em que o homem se firma, da sua superioridade individual. Ainda ai se faz sentir a influência da concentração dos pensamentos sobre a vida corpórea. Naquele que nada vê adiante de si, atrás de si, nem acima de si, o sentimento da personalidade sobrepuja e o orgulho fica sem contrapeso.

A incredulidade não só carece de meios para combater o orgulho, como o estimula e lhe dá razão, negando a existência de um poder superior à Humanidade. O incrédulo apenas crê em si mesmo; é, pois, natural que tenha orgulho. Enquanto que, nos golpes que o atingem, unicamente vê uma obra do acaso e se ergue para combatê-la, aquele que tem fé percebe a mão de Deus e se submete. Crer em Deus e na vida futura é, conseguintemente, a primeira condição para moderar o orgulho; porém, não basta. Juntamente com o futuro, é necessário ver o passado, para fazer ideia exata do presente.

Para que o orgulhoso deixe de crer na sua superioridade, cumpre se lhe prove que ele não é mais do que os outros e que estes são tanto quanto ele; que a igualdade é um fato e não apenas uma bela teoria filosófica; que estas verdades ressaltam da preexistência da alma e da reencarnação.

Sem a preexistência da alma, o homem é induzido a acreditar que Deus, dado creia em Deus, lhe conferiu vantagens excepcionais; quando não crê em Deus, rende graças ao acaso e ao seu próprio mérito. Iniciando-o na vida anterior da alma, a preexistência lhe ensina a distinguir, da vida corporal, transitória, a vida espiritual, infinita; ele fica sabendo que as almas saem todas iguais das mãos do Criador; que todas têm o mesmo ponto de partida e a mesma finalidade, que todas hão de alcançar, em mais ou menos tempo, conforme os esforços que empreguem; que ele próprio não chegou a ser o que é, senão depois de haver, por longo tempo e penosamente, vegetado, como os outros, nos degraus inferiores da evolução; que, entre os mais atrasados e os mais adiantados, não há senão uma questão de tempo; que as vantagens do nascimento são puramente corpóreas e independem do Espírito; que o simples proletário pode, noutra existência, nascer num trono e o maior potentado renascer proletário.

Se levar em conta unicamente a vida planetária, ele vê apenas as desigualdades sociais do momento, que são as que o impressionam; se, porém, deitar os olhos sobre o conjunto da vida do Espírito, sobre o passado e o futuro, desde o ponto de partida até o de chegada, aquelas desigualdades somem e ele reconhece que Deus nenhuma vantagem concedeu a qualquer de seus filhos em prejuízo dos outros; que deu parte igual a todos e não aplanou o caminho mais para uns do que para outros; que o que se apresenta menos adiantado do que ele na Terra pode tomar-lhe a dianteira, se trabalhar mais do que ele por aperfeiçoar-se; reconhecerá, finalmente, que, nenhum chegando ao termo senão por seus esforços, o princípio da igualdade é um princípio de justiça e uma lei da Natureza, perante a qual cai o orgulho do privilégio.

Provando que os Espíritos podem renascer em diferentes condições sociais, quer por expiação, quer por provação, a reencarnação ensina que, naquele a quem tratamos com desdém, pode estar um que foi nosso superior ou nosso igual noutra existência, um. amigo ou um parente. Se o soubesse, o que com ele se defronta o trataria com atenções, mas, nesse caso, nenhum mérito teria; por outro lado, se soubesse que o seu amigo atual foi seu inimigo, seu servo ou seu escravo, sem dúvida o repeliria. Ora, não quis Deus que fosse assim, pelo que lançou um véu sobre o passado. Deste modo, o homem é levado a ver, em todos, irmãos seus e seus iguais, donde uma base natural para a fraternidade; sabendo que pode ser tratado como haja tratado os outros, a caridade se lhe torna um dever e uma necessidade fundados na própria Natureza.

Jesus assentou o princípio da caridade, da igualdade e da fraternidade, fazendo dele uma condição expressa para a salvação; mas, estava reservado à terceira manifestação da vontade de Deus, ao Espiritismo, pelo conhecimento que faculta da vida espiritual, pelos novos horizontes que desvenda e pelas leis que revela, sancionar esse princípio, provando que ele não encerra uma simples doutrina moral, mas uma lei da Natureza que o homem tem o máximo interesse em praticar. Ora, ele a praticará desde que, deixando de encarar o presente como o começo e o flui, compreenda a solidariedade que existe entre o presente, o passado e o futuro. No campo imenso do infinito, que o Espiritismo lhe faz entrever, anula-se a sua importância capital e ele percebe que, por si só, nada vale e nada é; que todos têm necessidade uns dos outros e que uns não são mais do que os outros: duplo golpe, no seu egoísmo e no seu orgulho.

Mas, para isso, é-lhe necessária a fé, sem a qual permanecerá na rotina do presente, não a fé cega, que foge à luz, restringe as ideias e, em consequência, alimenta o egoísmo. É-lhe necessária a fé inteligente, racional, que procura a claridade e não as trevas, que ousadamente rasga o véu dos mistérios e alarga o horizonte. Essa fé, elemento básico de todo progresso, é que o Espiritismo lhe proporciona, fé robusta, porque assente na experiência e nos fatos, porque lhe fornece provas palpáveis da imortalidade da sua alma, lhe mostra donde ele vem, para onde vai e por que está na Terra e, finalmente, lhe firma as ideias, ainda incertas, sobre o seu. passado e sobre o seu futuro.

Uma vez que haja entrado decisivamente por esse caminho, já não tendo o que os incite, o egoísmo e o orgulho se extinguirão pouco a pouco, por falta de objetivo e de alimento, e todas as relações sociais se modificarão sob o influxo da caridade e da fraternidade bem compreendidas.

Poderá isso dar-se por efeito de brusca mudança? Não, fora impossível: nada se opera bruscamente em a Natureza; jamais a saúde volta de súbito a um enfermo; entre a enfermidade e a saúde, há sempre a convalescença. Não pode o homem mudar instantaneamente o seu ponto de vista e volver da Terra para o céu o olhar; o infinito o confunde e deslumbra; ele precisa de tempo para assimilar as novas ideias.

O Espiritismo é, sem contradita, o mais poderoso elemento de moralização, porque mina pela base o egoísmo e o orgulho, facultando um ponto de apoio à moral. Há feito milagres de conversão; é certo que ainda são apenas curas individuais e não raro parciais. O que, porém, ele há produzido com relação a indivíduos constitui penhor do que produzirá um dia sobre as massas. Não lhe é possível arrancar de um só golpe as ervas daninhas. Ele dá a fé e a fé é a boa semente, mas mister se faz que ela tenha tempo de germinar e de frutificar, razão por que nem todos os espíritas já são perfeitos.

Ele tomou o homem em meio da vida, no fogo das paixões, em plena força dos preconceitos e se, em tais circunstâncias, operou prodígios, que não será quando o tomar ao nascer, ainda virgem de todas as impressões malsãs; quando a criatura sugar com o leite a caridade e tiver a fraternidade a embala-lo; quando, enfim, toda uma geração for educada e alimentada com ideias que a razão, desenvolvendo-se, fortalecerá, em vez de falsear? Sob o domínio destas ideias, a cimentarem a fé comum a todos, não mais esbarrando o progresso no egoísmo e no orgulho, as instituições se reformarão por si mesmas e a Humanidade avançará rapidamente para os destinos que lhe estão prometidos na Terra, aguardando os do céu.

Do livro "Obras Póstumas", 38, Allan Kardec

05 dezembro 2014

Suicídio - Ana Gaspar


SUÍCIDIO

Allan Kardec no livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 5, diz que “a calma e a resignação adquiridas na maneira de encarar a vida terrena, e a fé no futuro, dão ao espírito uma serenidade que é o melhor preservativo da loucura e do suicídio”.

A incredulidade, a simples dúvida quanto ao futuro, as idéias materialistas, são os maiores incentivadores do suicídio: elas produzem a frouxidão moral.

Dr. Jorge Andréa, no livro Enfoques Científicos na Doutrina Espírita abordando essa mesma temática tece as seguintes considerações.

“O homem moderno materializou-se, exaltando a deusa máquina e o deus técnica, não percebendo a fragilidade desses totens de barro. Deus em que confiou e acreditou esborrou-se ao menor dos ventos. Não acontecendo o mesmo com aqueles que asseguram os seus alicerces psicológicos-emocionais numa ética valorosa que o espiritualismo pode oferecer; e mais ainda, numa fé lógica, harmoniosa e inteligível por ser raciocinada, aos que se acercam do estofo dinâmico que caracteriza a Doutrina Espírita. O suicídio, como resultado de um imenso desequilíbrio emocional poderá ser um ato voluntário, porquanto existem outros fatores que concorrem para um suicídio, lento e despercebido e por isso, considerado involuntário, ou seja, suicídio consciente e inconsciente.”

As conseqüências são dolorosas. Não morrerão, ninguém se destrói ante a morte.

Há, sem dúvida, agravante e atenuantes, no exame do suicídio. Eliminam, no mundo espiritual com muito sofrimento o ônus da atitude desequilibrante e quando retornarem a Terra em novas reencarnações terão que passar por expiações aflitivas.

Joanna de Angelis no livro Após a Tempestade, nos fala dessas conseqüências: “aqueles que esfacelam o crânio, reencarnam com a idiotia, surdez-mudez, conforme a parte do cérebro afetada, os que tentaram o enforcamento, reaparecem, com os processos da paraplegia infantil; os afogados com enfisema pulmonar, tiros no coração, cardiopatias congênitas irreversíveis, os que se utilizam tóxicos e venenos,… sob o tormento das deformações congênitas, úlceras gástricas e cânceres. É Joanna ainda que nos diz: ‘Espera pelo amanhã, quando o teu dia se te apresente sombrio e apavorante. Se te parecem insuportáveis às dores, lembra-te de Jesus, ora, aguarda e confia.’”

Lembremo-nos de Kardec quando coloca no O Evangelho segundo o Espiritismo “Com o Espiritismo a dúvida não sendo mais permitida, modifica-se a visão da vida”.


Ana Gaspar

Para Ler Mais:

O Evangelho Segundo o Espiritismo – Allan Kardec
Enfoques científicos na Doutrina Espírita – Jorge Andréa
Após a Tempestade – Joanna de Ângelis, psic. de Divaldo P. Franco


04 dezembro 2014

Conversando com Deus - Richard Simonetti

 
CONVERSANDO COM DEUS


Ao sul da Índia e a leste da África, há um país cujo território é feito de pequenas ilhas, mais de mil, espalhadas numa extensão de oitenta mil quilômetros quadrados. Seu nome, Maldivas, vem do sânscrito maladiv, que significa guirlanda de ilhas, todas belíssimas, como uma grinalda de flores.

Os visitantes confirmam: as ilhas são maravilhosas, uma rara combinação de céu azul, mar límpido, águas mansas, alvas praias, peixes em profusão, frutos e flores – verdadeiro paraíso.

O que mais impressiona é a tranquilidade dos maldivenses. Não obstante a pobreza do país, vivem felizes, sem os problemas de violência, roubo e vício que conturbam as sociedades atuais.

Em princípio se poderia dizer que o caráter risonho e cordial do povo maldivo vem da placidez do oceano, da beleza das ilhas, da exuberância da Natureza. Não é só isso, porquanto em outros lugares a Natureza mostra-se igualmente generosa, mas a existência é conturbada.

Exemplo típico temos no Rio de Janeiro, uma das cidades mais belas do Mundo. Quando contemplamos a Baía da Guanabara, do alto do Corcovado, e nos deslumbramos com a magnificência da paisagem, sentimos a presença de Deus e compreendemos a exaltação do sambista ao cantar a cidade maravilhosa, cheia de encantos mil… No entanto, o Rio enfrenta graves problemas, envolvendo drogas, assassinatos, assaltos, prostituição… A cidade maravilhosa continua linda, como sempre, mas a vida está cada vez pior.

Qual seria, pois, o segredo dos maldivenses? Os pesquisadores têm constatado que a fórmula mágica que lhes sustenta a cordialidade, o bom humor e a urbanidade, é a oração. Cinco vezes por dia, em horários determinados, a população, formada por muçulmanos sunitas, entrega-se à oração, nos templos e pequenas igrejas que existem em grande quantidade.

Não dura mais que alguns minutos, mas é o suficiente para iluminar o dia, mantendo-os conscientes da presença de Deus e da necessidade de cumprir os preceitos morais de sua religião.

Certamente passaríamos por uma mudança radical, se ao longo do dia, lembrássemos de Deus. Muitos problemas seriam evitados, muitas dificuldades superadas, se nos habituássemos a conversar com Deus com maior frequência.

Há uma situação curiosa em relação à oração. A pessoa conversa com Deus e parece que tudo piora.

– Não sei o que acontece comigo. Quando oro minha cabeça fica conturbada, sinto-me estranho.

Ocorre que a oração funciona como um mergulho na intimidade de nossa própria consciência, uma espécie de varrer e colocar em ordem a casa mental. Quando usamos a vassoura, sobe a poeira. Pode nos incomodar em princípio, mas depois o ambiente fica melhor, mais limpo, mais saudável.

A introspeção, esse voltar para dentro de nós mesmos, revolve o entulho de nossas fraquezas, de nossos pensamentos negativos, das más palavras, e em princípio poderemos sentir algum desconforto.

Com perseverança, buscando cumprir a vontade do Senhor, expressa nas lições de Jesus, em breve teremos muita paz em nosso coração.

A oração, dizem os mentores espirituais, deve ser algo tão natural, tão instintivo em nossa vida, como a respiração. Devemos lembrar de Deus em todas as horas de nossos dias, para que sintamos sua presença em todos os dias de nossa vida.

Principalmente na hora de dormir é importante pensar em Deus, pedindo sua proteção para um sono reparador e um despertar tranquilo. Estaremos, então, preparados para o novo dia, como está na singela oração de Robert Louis Stevenson, famoso escritor americano:

Senhor, quando o dia voltar,
          
Fazei que eu desperte
          
Trazendo no rosto e no coração
          
A alegria das alvoradas,
          
Disposto ao trabalho,
          
Feliz se a felicidade for o meu quinhão,
          
Resignado e corajoso,
          
Se me couber, nesse dia,
          
Uma parcela de sofrimento.


Richard Simonetti – richardsimonetti@uol.com.br


03 dezembro 2014

Apegos e Desapegos - Wellington Balbo


APEGOS E DESAPEGOS

Na nossa infância espiritual, apegamo-nos às coisas do mundo. Não podemos, ainda, compreender e vivenciar a vida espiritual, pois sequer cogitamos nela como real existência. Parece-nos lógico valorizar somente aquilo que nos traz prazer à vida; enaltece nossa vaidade; está ao nosso alcance. Algo palpável. Concreto.

É compreensível, pois a criança se apega aos seus brinquedos e lhes dá um valor infinitamente maior do que o brinquedo tem. A alma primária ainda estagia no grau evolutivo a que pertence. Está, ainda, ensaiando para a vida onde o conhecimento lhe trará a responsabilidade desejada. Não se exige que a árvore dê frutos saborosos antes de passar pelas fases do crescimento, ou que o fruto seja saboroso antes do amadurecimento.

No vaivém do berço/túmulo, túmulo/berço, o Espírito vai saindo da infância. Vai-se soltando vagarosamente do chão lamacento e tecendo asas para ganhar alturas. Nessa subida, vai-se desapegando das coisas do mundo, pois percebe que não é dono de nada, que tudo pertence a Deus. Percebe que somos apenas os administradores, os usufrutuários de tais bens. E faz uma descoberta importante: Posso levar os bens tão duramente conquistados, para o mundo espiritual? Não. Tudo que é do mundo fica no mundo. Levaremos tão somente os bens espirituais, na forma de luz e felicidade espiritual.

Porém, a luta contra as tendências negativas é hercúlea. Muito temos, ainda, a aprender; a consubstanciar virtudes; a substituir o instinto animal egoísta, conservado ao longo do caminho evolutivo, por sentimentos humanizados que tragam luz e paz.

Hoje estamos vivendo dias de turbulência espiritual. A violência, a frieza, os preconceitos de toda ordem, a inversão de valores, fazem tremer as almas mais sensíveis. O apelo ao consumismo, a alienação que as drogas proporcionam, as obsessões espirituais onde pessoas não titubeiam em roubar, matar, a fim de adquirir bens materiais falam por si mesmas que o mundo não suportará por muito mais tempo tal estado de coisas.

Os espíritas são denominados trabalhadores da última hora. Deus, na sua infinita bondade, permitiu que Jesus trouxesse à Terra sua doutrina esclarecedora, a fim de que pudéssemos segui-la no seu ciclo evolutivo.

Todavia, infelizmente, parece que está difícil sairmos da infância espiritual, pois nos apegamos mais do que nunca aos bens materiais, à vida de sensações ainda grosseiras que nos entorpece a alma e nos faz distanciar da espiritualidade superior.

Nós, os “trabalhadores da última hora”, temos de redobrar a atenção. Em nós, e não no nosso semelhante. Vamos nos olhar para dentro a fim de ver se não estamos agindo de forma equivocada, adorando a Deus e a Mamon. Cuidado para não ficarmos em cima do muro; mostrarmos humildade enquanto pregamos o evangelho com a arrogância estampada no semblante. Cuidado para não cultivar a avareza como se fôssemos viver eternamente aqui.

Amigos, é claro que os bens do mundo estão aí e devem ser aproveitados desde que não traga prejuízo a ninguém e que não sejamos escravos deles. Porém, que não haja excessiva preocupação de nossa parte em guardar, guardar, pois conforme as palavras da Bíblia sobre o homem que construiu celeiros enormes para guardar sacas e sacas de grãos e que depois disse a si mesmo: Agora vou descansar em paz, pois terei alimento para muitos e muitos anos. Então ouviu uma voz que lhe disse: Insensato, para que tanta preocupação em guardar tanto, se esta noite virei buscar sua alma?

Autor: Wellington Balbo

02 dezembro 2014

Você é um e não só mais um - Cristina Sarraf



VOCÊ É UM E NÃO SÓ MAIS UM

A reunião transcorre bem, com seus componentes unidos e firmes face aos objetivos assumidos.

São companheiros de muitos anos; aprenderam a se respeitar e manter-se em sintonia, mesmo nos dias em que não se reúnem, para sustentarem a possibilidade de homogeneidade, que traz resultados mais profundos e eficientes aos trabalhos, além de crescimento pessoal e coletivo.

As tarefas que compõem a reunião foram cumpridas.

Um Espírito, amigo do grupo, se aproxima de um dos médiuns, pede a palavra, cumprimenta a todos externando a alegria de poder se comunicar, e diz:
– Vocês tem se mantido nos propósitos desta reunião e ela está indo bem.

São criaturas humanas e tem suas dificuldades e compromissos, que muitas vezes os embaraçam, tanto na vida diária, quanto nas reuniões mediúnicas. Mas isso é perfeitamente natural e ninguém, em sã consciência, esperaria perfeições dos componentes de um grupo mediúnico.

Na verdade, todos estamos aprendendo; tanto vocês quanto nós!

Cada um tem suas características próprias e por isso colabora de uma forma específica. A soma das características de todos faz a unidade da reunião, indicando que ela atende a determinadas necessidades e não a outras. Ou seja, como equipe, não trazemos Espíritos que não encontrem aqui, as condições de serem ajudados.

Mas há um detalhe a ser destacado, pela importância dele: para cada Espírito que vem receber a colaboração, é a energia com qualidades próprias de um de vocês encarnados, que mais efetivamente serve para tocá-lo.

Ou porque combina mais, ou porque alivia algum desconforto, ou pela emoção que desperta… o fato é que sem que percebam, cada um ajuda mais particularmente a um e não a outro dos atendidos, por causa dessa qualidade específica.

A questão, para que examinem, está no fato de que, algumas vezes, aqui são trazidos Espíritos que precisam dos fluidos de um de vocês e essa pessoa, nesse dia, está ausente.

É evidente que há razões impeditivas circunstanciais, e somos nós os primeiros a compreender isso. Portanto, não vejam nenhuma censura nessas palavras. Até porque, mesmo entre nós, os desencarnados que compomos a reunião, há dias em que alguém não pode comparecer…

Por que falar, então?

Para que fiquem atentos ao assédio das interferências, que sutilmente os envolvem com razões menores, as quais vocês aceitam e faltam. Prejudicando, com isso, a possibilidade de um trabalho mais eficiente e também a si mesmos, pelos vínculos que vão se formando, com quem vocês não gostariam de estar ligados.

Claro que os demais vão se esforçar por preencher essa lacuna, e também nós fazemos isso, da melhor forma que possamos. Mas aquele “material” específico não se pode suprir!

Cada um é um e não penas só mais um, na reunião.

Examinem o assunto com calma e observação atenta.

Vejam que ele se estende também, para outros lados das suas vidas…

Paz e gratidão!


Autoria: Cristina Sarraf

 

01 dezembro 2014

Necessidade Imediata - Orson Peter Carrara


NECESSIDADE IMEDIATA

As dificuldades, de todas as ordens, enfrentadas atualmente pela humanidade tem sua origem basicamente num único detalhe: o desconhecimento ou a ausência da noção dos objetivos de viver. Detalhe presente na esmagadora maioria dos habitantes do planeta.

Há uma necessidade imperiosa de que todos saibam o que são, de onde vêm, para onde vão, porque estão no planeta, como e porque devem agir desta ou daquela forma.

A concepção atual vigente, sobre o mundo e a vida, é a causa principal dos grandes problemas sociais e morais que tanto infelicitam a vida na Terra. A noção de que não somos este corpo físico, mas estamos nele, e de que a vida principal é a do espírito, altera completamente a visão de mundo e proporciona conduta mais equilibrada e feliz.

Sem conhecimento do objetivo da existência não há fortaleza para enfrentamento dos embates existenciais, nem solidariedade, nem motivação ou comprometimento pelo bem coletivo. Este desconhecimento é gerador do egoísmo que destrói vidas e do orgulho que distancia pessoas. Porém, entendendo os objetivos da vida humana, que outros não são senão o desenvolvimento moral e intelectual do espírito que estagia no planeta justamente para o aprendizado que lhe fará evoluir, as ligações humanas ou o relacionamento entre as criaturas adquirem outro enfoque. Aí seremos capazes de ver em cada pessoa um irmão de caminhada, alguém como nós, também necessitado de atenção, de carinho, de estímulos para o próprio desenvolvimento, e limitado como todo mundo o é.

Caem por terra quaisquer razões de tolo orgulho ou vaidade descabida. Ficam sem razão as atitudes violentas, precipitadas, de desprezo e mesmo de desespero. Ora, estando conscientes de que nos encontramos num estágio de aprendizado, todos no mesmo barco, onde os interesses são os mesmos, por que os atritos, as violências e as atitudes egoístas?

Há mesmo, ao contrário, enorme motivação para o estudo, a pesquisa, o crescimento moral e intelectual e principalmente para a adoção da solidariedade e da compreensão nos relacionamentos. Surgem as atitudes de respeito, tolerância e compreensão, uns para com os outros. A fé se fortifica, porque embasada no raciocínio, e desaparecem as aflições causadas pela dúvida dessa grande realidade: somos criaturas imortais cumprindo estágio de aprendizado. Nada mais que isso. É o que ensina o Espiritismo. Convidamos o leitor a conhecer mais sobre o assunto.


 Autor: Orson Peter Carrara