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12 setembro 2017

Os laços afetivos da adoção - Carlos Abranches



OS LAÇOS AFETIVOS DA ADOÇÃO


Somos seres essencialmente afetivos. Estamos ligados a tudo e a todos que nos despertam desejo de vínculo.

O que caracteriza o ser humano é esse movimento interior de investir energia psíquica sobre coisas e seres aos quais se vincula.

Uma nova encarnação se confirma pela união de duas células germinativas, cada qual com uma carga de investimento amoroso, motor e motivo de suas aproximações na fantástica trajetória de confirmação da vida.

Em vista disso, quando o bebê nasce, já traz consigo uma bagagem estrutural de afetos. Anterior a isso, o Espírito que conduz esse processo também já é depositário de valiosas expectativas, plenas de afeição e de carga amorosa dos que se dedicam ao sucesso de mais um projeto reencarnatório.

Tive contato com o pensamento da psicóloga polonesa Joanna Wilheim, radicada no Brasil desde a infância, quando veio para o país com os pais, fugidos da perseguição nazista, durante a Segunda Guerra Mundial. Assistente social e psicóloga clínica, Joanna se dedica há mais de 40 anos a investigar os meandros do psiquismo pré e perinatal. Com quase 80 anos, prossegue sendo uma pesquisadora incansável desse tema, além de manter seu trabalho diário como psicóloga, em São Paulo.

O texto que me chamou a atenção consta do livro Psicologia Pré-Natal.1 Nele, Joanna apresenta os pressupostos fundamentais de seu trabalho. Um dos capítulos tem o título “Vínculos afetivos e o bebê adotado”.

O argumento fundamental defendido pela autora é o seguinte: imagine um bebê que acabou de nascer, que saiu de dentro do corpo de sua mãe, a qual o albergou durante todo o período inicial de sua existência, e, de repente, se vê privado da possibilidade de retornar ao contato com ela.

Wilheim ressalta o marcante painel de emoções que agita a frágil intimidade do pequenino ser que, ao nascer, é separado de sua mãe para ser dado em adoção. Os espíritas costumamos considerar a adoção com os olhos da fraternidade e do desprendimento. Inúmeros autores espirituais reforçam essas perspectivas.2

Entre articulistas, destaco a opinião de Richard Simonetti, ao afirmar que “[…] o filho adotivo constitui sempre um treino dos mais nobres no campo da fraternidade. […] talvez raros serviços na Terra sejam tão compensadores em termos de Vida Eterna”.3

Hermínio Corrêa de Miranda4 apresenta opinião muito particular e carinhosa sobre o assunto, destacando que “se você percebeu por aquela criança o suave calorzinho do amor, tome-a nos braços e deixe que o amor o inspire. Se não lhe parece aconselhável levá-la para sua casa, mesmo assim dê-lhe seu amor, materialize esse amor em ajuda concreta, não excessiva, não sufocante e não possessiva, mas sob forma de apoio, para que ela possa viver onde está, minorando dificuldades, sem remover de seu caminho os obstáculos de que ela precisa para se fortalecer, ao aprender a superá-los”.

O que me chamou a atenção no pensamento de Joanna Wilheim é o ponto de vista pelo qual ela analisa a questão – o da criança adotada, de suas emoções, de sua ainda desconhecida capacidade de perceber o que ocorre consigo e que ficará registrado indelevelmente em seu inconsciente, com força bastante para interferir de maneira marcante em seu destino.

Somos seres necessitados de continuidade. É nela que se revela a coerência das escolhas, o resultado das opções de vida. Assim também ocorre com o bebê. É no espírito da continuidade que ele estabelece sua identidade, e as condições necessárias para isto lhe são dadas pelo contato com os pais.

Segundo Joanna, a dor que a ruptura deste contato produz na alma do bebê é muito grande. “Uma dor que ele sente sem entender o que sente, porque lhe faltam as ‘ferramentas’ para ele poder ‘se pensar’. Este imenso sofrimento da alma irá se expressar através de sintomas. Será à linguagem do corpo que a alma sofrida irá recorrer”. (Op. cit., p. 203.)

A psicóloga não se revela contra a adoção, mas assevera a importância de que esse processo seja feito de forma a preservar a integridade da criatura em foco.5 É por isso que ela destaca a importância de os pais adotivos falarem a verdade ao filho adotado sempre que possível, “desde os primeiros momentos da convivência”.

A condição ideal de uma adoção bem-sucedida, de acordo com a terapeuta, ocorre quando se preserva o sentimento de acolhida, sem que os pais se esqueçam de que o pequeno ser que passa aos seus cuidados foi, em primeiro lugar, rejeitado.

Ela pede que imaginemos a situação de um ser que passou nove meses de sua experiência intrauterina recebendo mensagens negativas de sua mãe: “eu não vou poder ficar com você”, “vou me livrar de você logo que você nascer”.

Ao agir assim, a mãe biológica evita vincular-se ao bebê que traz dentro de si, numa manobra psicológica defensiva para se proteger de sofrer.

E quais seriam as condições ideais de adoção? Para a psicóloga, seria fundamental que os pais adotivos estivessem presentes no nascimento do bebê, para lhe assegurar uma continuidade de ser. Para ela, o ideal seria que, logo depois de nascer, o bebê, após sentir o cheiro do corpo de sua mãe biológica, possa ser colocado em contato com o corpo de sua mãe adotiva.

Ela diz ainda que “se esse pequeno ser puder levar consigo uma peça de roupa com o cheiro de sua mãe biológica, eventualmente uma gravação da voz dela, explicando porque precisa deixá-lo aos cuidados de outra mulher, estariam criadas as condições que se aproximariam das ideais”. (Op. cit.,p. 111.)

Observando a dramática situação em que inúmeros recém-nascidos abandonados têm sido encontrados, quando não são vítimas de aborto (o noticiário comenta vários casos de bebês jogados em rios, em latas de lixo ou terrenos baldios), percebe-se que estamos ainda muito distantes das condições ideais sugeridas pela nobre psicóloga.

Mesmo assim, é nosso dever destacar os aspectos elevados da decisão de adotar uma criança, independentemente da melhor situação para que isso ocorra.

Sabemos que, por trás de uma opção desse teor, inúmeros mecanismos da realidade espiritual estão sendo operados para promover alterações significativas nos quadros cármicos das pessoas envolvidas.

Adotar é, antes de mais nada, um ato de amor e de desprendimento. Tenhamos nós a sensibilidade apurada o suficiente para que, se decidirmos realizar esse gesto, o façamos com a grandeza do sentimento de amor paternal, depositando no ser que entra em nosso lar todo o desejo de resgatar em nós a dignidade de sermos pais fiéis e amorosamente dedicados a nossos filhos do coração.


Referências:

1 WILHEIM, Joanna. O que é psicologia pré-natal. São Paulo: Ed. Casa do Psicólogo, 1997.

2 Leia-se, por exemplo, o caso de Marita, em Sexo e destino (psicografado por Francisco C. Xavier e Waldo Vieira, pelo Espírito André Luiz). Primeira Parte, capítulo 7, (Ed. FEB). Ainda pela mediunidade mediunidade de Francisco C. Xavier, Emmanuel relata a experiência do jovem Silano, neto adotivo de Cneio Lucius, em Cinquenta anos depois, (Ed. FEB).

3 Artigo publicado em Brasil Espírita, 1972, sob o título “Filhos adotivos”, p. 2.

4 MIRANDA, Hermínio C. Nossos filhos são espíritos. Rio de Janeiro: Lachâtre, 1993. p. 54.

5 Joanna é enfática no que se refere à prática das barrigas de aluguel. Ela considera essa decisão contrária à saúde emocional do bebê. Afirma que “não devemos esquecer nunca que a primeira relação – a pré-natal com a mãe biológica – é uma relação de paixão. É ela que estabelece os sulcos sobre os quais todas as demais paixões da vida serão buscadas e irão se moldar”. A psicóloga acredita que o ser humano vai passar a vida buscando reencontrar essa paixão perdida.

 Carlos Abranches
Reformador – Dezembro/ 2008

11 setembro 2017

O suicídio - Divaldo P.Franco



O SUICÍDIO



Com caráter epidêmico, o suicídio alcança índices surpreendentes na estatística dos óbitos terrestres, havendo ultrapassado o número daqueles que desencarnam vitimados pela AIDS.

A Ciência, aliada à tecnologia, tem facultado incontáveis benefícios à criatura humana, mas não conseguiu dar-lhe segurança emocional.

Em alguns casos, a comunicação virtual tem estimulado pessoas portadoras de problemas psicológicos e psiquiátricos a fugirem pela porta abissal do autocídio, como se isso solucionasse a dificuldade momentânea que as aturde.

Por outro lado, sites danosos estimulam o terrível comportamento, especialmente entre os jovens ainda imaturos, que não tiveram oportunidade de experienciar a existência. De um lado, as promessas de felicidade, confundidas com os gozos sensoriais, dão à vida um colorido que não existe e propõem usufruir-se do prazer até a exaustão, como se a Terra fosse uma ilha de fantasia.

Embalados pelos muito bem feitos estimulantes de fuga da realidade, quando as pessoas se dão conta da realidade, frustram-se e amarguram-se, permitindo-se a instalação da revolta ou da depressão, tombando no trágico desar.

Recentemente a mídia apresentou uma nova técnica de autodestruição, no denominado “clube da baleia azul”, no qual os candidatos devem expor a vida em esportes radicais ou situações perigosíssimas, a fim de demonstrarem força e valor, culminando no suicídio. Se, por acaso, na experiência tormentosa há um momento de lucidez e o indivíduo resolve parar é ameaçado pela quadrilha de ter a vida exterminada ou algum membro da sua família pagará pela sua desistência.

O uso exagerado de drogas alucinógenas, a liberdade sexual exaustiva e as desarrazoadas buscas do poder transitório conduzem à contínua insatisfação e angústia, sendo fatores preponderantes para a covarde conduta.

O suicídio é um filho espúrio do materialismo, por demonstrar que o sentido da vida é o gozo e que, após, tudo retorna ao caos do princípio.

É muito lamentável esse trágico fenômeno humano, tendo-se em vista a grandeza da vida em si mesma, as oportunidades excelentes de desenvolvimento do amor e da criação de um mundo cada vez melhor.
Ao observar-se, porém, a indiferença de muitos pais em relação à prole, a ausência de educação condigna e os exemplos de edificação humana, defronta-se, inevitavelmente, com a deplorável situação em que estertora a sociedade.

Todo exemplo deve ser feito para a preservação do significado existencial, trabalhando-se contra a ilusão que domina a sociedade e trabalhando-se pelo fortalecimento dos laços de família, pela solidariedade e pela vivência do amor, que são antídotos eficazes ao cruel inimigo da vida – o suicídio!

1 N.R.: Transcrição de artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 20 de abril de 2017.


Divaldo P.Franco
Revista: Reformador
Setembro 2017 - Nº. 2262 Ano 135


10 setembro 2017

Normose - Divaldo P.Franco



NORMOSE


O admirável doutor Pierre Weil definiu a normose como o conjunto de normas, conceitos, valores, estereótipos de pensar ou de agir aprovados por um consenso ou maioria de pessoas de uma determinada sociedade, que levam a sofrimentos, doenças e mortes.

Desdobrando o tema, refere-se que os comportamentos normóticos apresentam-se sob quatro aspectos: hábito de pensar, de sentir e de agir; que tem consenso social como normal; de natureza patogênica ou letal e uma gênese pessoal ou coletiva, mediante processo introjetivo.

Tanto ele como os notáveis Drs. Jean-Yves Leloup e Roberto Crema, estudiosos do comportamento humano, elucidam que essa enfermidade pode conduzir a sociedade a um suicídio coletivo, do ponto de vista psicológico, em razão de acontecimentos que poderiam ser muito diferentes.

Somos herdeiros de tradições daninhas, fundamentadas no ego, que estabelecem regras de conduta programadas para conveniências egoicas em detrimento dos valores reais que nos deveriam conduzir a situações de legítima segurança.

Estabeleceu-se que a existência deve ser trabalhada para o encontro com a felicidade, normalmente vinculada a questões materiais, sensoriais, ao instinto de conservação da vida. Em realidade, o sentido, o objetivo básico da vida humana é o trabalho de superação das paixões e a perfeita identificação entre o ego e o Self, isto é, dar mais importância ao ser do que ao ter.

Muitos problemas antiéticos passaram a tornar-se legítimos pela aceitação irrestrita das situações em que se apresentam. O suborno, a mentira, o fingimento, a falsa intimidade, que são de natureza inferior, tomaram conta da sociedade de tal forma que não poucos indivíduos sentem-se indispostos ou adoentados ante a situação calamitosa, que passou a quase legalidade…

Não são poucas as pessoas que têm coragem de assumir os valores nobres, de apresentar-se conforme a diretriz cristã do respeito à vida, experienciando impositivos que são estabelecidos pelo materialismo ou pela indiferença ética da própria sociedade.

É necessário coragem para viver-se conforme as próprias convicções, ser diferente, fora dos padrões estabelecidos pela falsidade.

Por exemplo, assevera o Dr. Crema, na maneira como procedemos nos aniversários, desejando muitos anos de vida, quando deveríamos desejar vida digna em todos os anos.

Na hora em que a criatura, autoamando-se, puder experienciar as suas realizações pessoais sem receio de críticas nem de perseguições, desde que não prejudique ninguém, estará plena.

Seria o caso de vivermos conforme nossas ideologias, sem a vigilância extravagante da censura e do desprezo social.

Sermos autênticos nas convicções e decididos nas realizações.


Divaldo P.Franco
Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião em 09-02-2017


09 setembro 2017

Aqui se Faz, aqui se Paga: Porque as Vezes a Expiação Continua na Terra -



AQUI SE FAZ, AQUI SE PAGA: 
PORQUE AS VEZES A EXPIAÇÃO CONTINUA NA TERRA



Dependendo da gravidade dos atos praticados e da condição espiritual de cada um, os Espíritos endividados sofrem após a morte pelos erros cometidos na existência terrestre e, após estágios em regiões de sofrimento no Mundo dos Espíritos, retornam à Terra para completar a expiação das mesmas faltas cometidas.

Quer dizer: sofrem lá e cá pelos mesmos motivos.

Daí não ser totalmente errado o ditado popular: “aqui se faz, aqui se paga”.

Mas já não seriam suficientes, para sua recuperação, as dores e sofrimentos no plano espiritual, após o desencarne?

O Mestre Kardec escreveu sobre isso na Revista Espírita:

Vejamos:

Pergunta (ao guia do médium). Por que a expiação e o arrependimento na vida espiritual não bastam para a reabilitação, sem que sejam necessários a eles acrescentar os sofrimentos corporais?
Resposta. Sofrer num mundo ou num outro, é sempre sofrer, e sofre-se tão longo tempo quanto a reabilitação não seja completa. Esta criança sofreu muito sobre a Terra; pois bem! isso não foi nada em comparação com o que ela sofreu no mundo dos Espíritos. Aqui tinha, em compensação, os cuidados e a afeição dos quais estava cercado. Há ainda esta diferença entre o sofrimento corporal e o sofrimento espiritual, que o primeiro é quase sempre voluntariamente aceito como complemento de expiação, ou como prova para avançar mais rapidamente, ao passo que o outro é imposto.

Mas há outros motivos para o sofrimento corporal: primeiro, é para que a reparação tenha lugar nas mesmas condições em que o mal foi feito; depois, para servir de exemplo aos encarnados. Vendo seus semelhantes sofrerem e disto sabendo a razão, são bem de outro modo impressionados do que saber que são infelizes como Espíritos; podem explicar melhor a causa de seus próprios sofrimentos; a justiça divina se mostra, de alguma sorte, palpável aos seus olhos. Enfim, o sofrimento corporal é uma ocasião, para os encarnados, de exercerem, entre eles, a caridade, uma prova para seus sentimentos de comiseração, e, frequentemente, um meio de reparar os erros anteriores; porque, crede-o bem, quando um infortunado se encontra sobre vosso caminho, não é o efeito do acaso. Para os pais do jovem François era uma grande prova ter um filho nessa triste posição; pois bem! eles cumpriram dignamente seu mandato, e disso serão tanto mais recompensados quanto agiram espontaneamente, pelo próprio impulso de seu coração. Se os Espíritos não sofressem na encarnação, é que não haveria senão Espíritos perfeitos sobre a Terra.

Dessa explicação oferecida pelo Mentor, podemos concluir:

Sofrimento após a morte:

- O sofrimento após o desencarne ocorre por conta dos erros cometidos em vida. Trata-se de uma consequência (Lei de Causa e Efeito) e uma forma de reabilitação do Espírito endividado por meio do corretivo da dor;

- Esse sofrimento após o desencarne favorece seu despertar, levando-o à percepção dos equívocos praticados. O Espírito toma conhecimento dos crimes que praticou e de suas consequências;

- Com o tempo, despertando sua consciência, arrepende-se. A partir desse ponto estará mais preparado para a reabilitação;

O sofrimento continua numa nova reencarnação para:

- Beneficiar o Espírito, retirando-o de zonas de sofrimento no Astral e situando-o entre pessoas que possam ajudá-lo a se recuperar;

- Situar o Espírito devedor junto àqueles a quem prejudicou (já reencarnados), possibilitando, por meio da convivência, a reconciliação com seus adversários;

- Oferecer, aos encarnados que o assistem, uma oportunidade de exercerem a caridade ao receberem com amor o Espírito devedor, muitas vezes, no seio da própria família.


Autor: Fernando Rossit
Referência: Revista Espírita, Allan Kardec, maio de 1867, “O Jovem Francois”.


08 setembro 2017

Eu não sou mais espírita! “Ex-espírita” será imaginável? - Jorge Hessen


  
EU NÃO SOU MAIS ESPÍRITA! 
"EX-ESPÍRITA" SERÁ IMAGINÁVEL?



Há poucos dias, um reconhecido divulgador do Espiritismo, utilizou-se das redes sociais para confessar que “não era mais espírita”. Ouvimos suas razões pelo “you tube” e percebemos a sua ingenuidade, motivo pelo qual deliberamos comentar seu ato. Todavia, antes de explanar sobre a deserção do propagandista insurgente e “ex-espírita”, asseguramos que não existe no dicionário kardequiano o termo “ex-espírita”. Até porque, uma vez ESPÍRITA, jamais serão desintegrados os ensinos revelados pelos Espíritos aos que foram racionalmente abrangidos. Portanto, os que se assumem “ex-espíritas” jamais foram ESPÍRITAS.

Em Obras Póstumas encontramos o artigo “Desertores”, nele aprendemos que “entre os ESPÍRITAS convictos, não há deserções, na lídima acepção do termo, visto como aquele que desertasse por motivo de interesse ou qualquer outro, nunca teria sido sinceramente ESPÍRITA; pode, entretanto, haver desânimos. Pode dar-se que a coragem e a perseverança fraqueiem diante de uma decepção, de uma ambição frustrada, de uma preeminência não alcançada, de uma ferida no amor-próprio, de uma prova difícil.”[1]

Se alguns “ex-espíritas” desertaram, aniquilando o ideal, admitindo extinguir a chama da Doutrina dos Espíritos sob qualquer pretexto, segundo as contingências históricas, podemos afiançar-lhes que o Espiritismo permanecerá despontando sucessivamente por meio de diversos instrumentos de desenvolvimento e expansão. Isto quer dizer que o Espiritismo prosseguirá sempre, conquanto alguns, às vezes, abandonem a luta ou retrocedam, devido às conveniências particularíssimas.

Digam o que disserem, ou façam o que fizerem ninguém será capaz de privar o Espiritismo do seu caráter revelador, da sua filosofia racional e lógica, da sua moral consoladora e regeneradora. Qualquer oposição é impotente contra a evidência, que inevitavelmente triunfa pela força mesma das coisas.

Muitos antagonistas de Kardec acreditavam que o Espiritismo se extinguiria por causa dos “espíritas” que se envolviam em desordem, arrogância ou deserção, onde centros espíritas se esvaziavam ou até fechavam as suas portas, entretanto os Espíritos não ficaram imóveis ou ociosos, ao contrário, solucionaram de maneira objetiva, provocando novos fenômenos e fatos transcendentes, a fim de manterem desperta as mentes humanas sob a pujante luz do Consolador Prometido.

É óbvio que alguém que verdadeiramente estuda e busca o aperfeiçoamento moral dentro dos ensinamentos do Espiritismo jamais (nunca mesmo!) será mental , intelectual e sentimentalmente a mesma pessoa. O Espiritismo não impõe nada, pelo contrário, expõe! Se é certo que todas as grandes ideias contam apóstolos fervorosos e dedicados, não menos certo é que mesmo as melhores dentre as ideias têm seus desertores. O Espiritismo não podia escapar aos efeitos da fraqueza humana.

Alguns “ex-espíritas” por algum tempo pregaram a união, semeando a separação; habilmente levantaram questões importunas e ferinas; despertaram o despeito da preponderância entre os diferentes grupos. Em verdade, todas as doutrinas têm tido seu Judas; o Espiritismo não poderia deixar de ter os seus e eles ainda não lhe faltaram. Kardec chamava-os de “espíritas de contrabando”, mas que também foram de alguma utilidade: ensinaram ao verdadeiro ESPÍRITA a ser prudente circunspeto e a não se fiar nas aparências. Sem dúvida, podem os tais “ex-espíritas” terem sido crentes, mas, sem contestação, foram crentes egoístas, nos quais a fé racional não ateou o fogo sagrado do devotamento e da abnegação.

Aos que que lutam com coragem e perseverança cujo devotamento é sincero e sem ideias preconcebidas os Bons Espíritos protegem manifestamente. É verdade! Os Bons Espíritos ajudam-nos a vencer os obstáculos e suavizam as provas que não possamos evitar-lhes, ao passo que, não menos manifestamente, abandonam os que desertam e sacrificam a causa da verdade às suas ambições pessoais e mesquinhas.

Quem sabe possamos também chamar de desertores os que pregam virtudes religiosas e sociais, acolhendo-se em trincheiras de usura, os que levantam casas de socorro, desviando recursos que deveriam ser aplicados para sanar as dores do próximo, as mães que, sem motivo, emudecem as trompas da vida no santuário do próprio corpo, embriagando-se de prazeres que vão estuar na loucura, os que passam as horas censurando atitudes de outrem, olvidando os deveres que lhes competem os que condenam e amaldiçoam, ao invés de compreender e abençoar, os que perderam a simplicidade e precisam de uma torre de marfim para viver.

Quando perpetramos a deserção voluntária dos nossos deveres, diante das leis que nos governam, decerto que imprimimos determinadas deformidades no corpo espiritual. Benfeitores da Vida Maior são unânimes em declarar que, em todas as ocasiões nas quais sejamos impulsionados a desertar das experiências a que Deus nos destinou na vida terrestre, devemos recorrer à oração, ao trabalho, aos métodos de autodefesa e a todos os meios possíveis da reta consciência, em auxílio de nossa fortaleza e tranquilidade, de modo a fugirmos do profundo poço da irrealização pessoal.


Referência bibliográfica:

[1] KARDEC, Allan. Obras Póstumas, Os desertores, RJ: Ed FEB, 2001

Jorge Hessen


07 setembro 2017

Esperança - Momento Espírita



ESPERANÇA


Se a noite o surpreendeu de coração ferido ou de cérebro açoitado por amargos arrependimentos, não se renda à dor que lhe parece irremediável...

Enquanto a sombra se estende ao longo do caminho, e a ventania sopra, qual lamentoso grito de angústia, fite as estrelas que cintilam nas alturas e siga adiante, ao encontro do novo dia.

Não pode? Tremem-lhe os pés sob o fardo da aflição? Enrijeceram-se as fibras de sua alma e não consegue nutrir um novo sonho?

Erga uma prece à esperança, esse gênio da luz que nos permite antever o porvir imenso.

Recolha-se à oração e ela virá, doce e infatigável enfermeira, balsamizar-lhe as chagas interiores e sustentar-lhe as energias semimortas.

Atenda-lhe o apelo carinhoso e prossiga sem desfalecimento.

Não permita que o elixir entorpecente da inércia ou o fel corrosivo do sofrimento o enfraqueça.

Aceite as sugestões do gênio amigo e reflita...

Sentirá no próprio coração dores maiores que a sua, os pavores dos grandes infelizes, as úlceras cancerosas de milhões que, até agora, você não conseguira ver.

Então, inefável consolo baixará do céu sobre a sua dor, aquietando-lhe a ânsia.

Inexprimíveis sentimentos desabrocharão em seu espírito, e seus braços se abrirão para acolher as dores ignoradas dos seres mais humildes da terra.

Nem todos sabem avaliar essa virtude celeste. Muitos a transformam em vinagre de impaciência ou em tortura mortal, convertendo-lhe a bênção em estilete da enfermidade.

Felizes, porém, daqueles que lhe guardam a sublime claridade no âmago do espírito, porque verão a sabedoria do tempo, adquirindo com a vida a ciência da paz.

Espere! Diz a noite o dia voltará.

Espere! Clama a semente o fruto não tarda.

Espere! Anuncia a justiça e tudo recomporei.

Bem-aventurados, pois, quantos no mundo sabem aprender, servir e esperar!

* * *

Suporte com coragem o fardo de sua dor, avançando na estrada da vida heroicamente, ainda que seja um centímetro por dia...

Lembre-se de que hoje, a noite maternal lhe enxugará o pranto com o repouso obrigatório, e de que amanhã o dia voltará, renovando todas as coisas.

Lembre-se, ainda, que a esperança sempre surge com os primeiros raios da aurora.


Equipe de Redação do Momento Espírita, com base em mensagem homônima do Espírito Vianna de Carvalho, e cap. Reflexões, do Espírito Mariano José P. Fonseca psicografia de Chico Xavier, do livro Falando à Terra, ed. FEB



06 setembro 2017

Nota de Esperança - Emmanuel



NOTA DE ESPERANÇA



Nas horas de crise, reflitamos na própria libertação espiritual, a fim de seguirmos, em paz, nas trilhas do cotidiano.

Queixas-te, por vezes, de cansaço e tensão, nervosismo e desencanto. 

A experiência terrestre, com as mutações de que se caracteriza, através de impactos incessantes, freqüentemente, martela-te o pensamento ou destrambelha-te as forças. Ainda assim, é imperioso te refaças, dissolvendo todas as impressões negativas na fonte do entendimento. 

Começa por não te permitires a mínima excursão nos domínios obscuros do pessimismo ou da intolerância.

Observa as ocorrências, por piores que sejam, cooperando em tua área de ação, tanto quanto possível, a benefício de todos os que te cercam e aceita as criaturas como são, sem exigir delas o figurino espiritual em que talhas o teu modo de ser. A diversidade estabelece a harmonia da natureza.

O cravo e a rosa são flores sem se confundirem.

O Sol e a vela acesa são luzes com funções diferentes.

À vista de semelhantes realidades, nos dias de inquietação, não te irrites contra os outros e nem firas a outrem, de modo algum.

Muitas vezes, a aflição é o sinônimo de nossa própria intemperança mental, à frente de abençoadas lições da vida.

Faze, dessa forma, nas circunstâncias difíceis, o melhor que puderes sem o risco de perder a paz interior que te assegura o equilíbrio.

Sobretudo, saibamos entender para auxiliar. 

Se alguém te impõe amargura ou desapontamento, oferece em troca simpatia e colaboração ao invés de vinagre ou reproche.

Se o empreendimento fracassa, reconsideremos o trabalho de novo com mais segurança.

Ajuda e ajudar-te-ão.

Dá e receberas.

Garante a luz e a luz clareará o caminho.

Nada te prenda à perturbação, a fim de que possas te desvencilhar facilmente da treva, de modo a avançar e servir.

Por mais escura que seja a noite, o Sol tornará ao alvorecer. E por mais complicada ou sombria se nos faça a senda de provas, é preciso lembrar que para transpô-la, todos temos, invariavelmente, em nós e por nós, a luz inapagável de Deus.


Pelo Espírito Emmanuel
Do livro: Mãos Unidas
Médium: Francisco Cândido Xavier 

05 setembro 2017

Joanna de Ângelis : Um exemplo de mulher na evolução dos Tempos - Adilton Pugliese



JOANNA DE ÂNGELIS
UM EXEMPLO DE MULHER NA EVOLUÇÃO DOS TEMPOS


Uma das mulheres vem mantendo, de forma comovedora, sua fidelidade ao Cristo há mais de 2000 anos, desde o início da Era Cristã,quando ela, na personalidade de Joana, esposa de Cusa, intendente de Ântipas, acompanhava as pregações do Mestre às margens do lago de Cafarnaum.

Ela possuía a verdadeira fé, mas vivia atormentada com as amarguras domésticas, porque o seu companheiro de lutas não aceitava as claridades do Evangelho, o esposo não tolerava a doutrina do Mestre. Atendida fraternalmente por Jesus, é aconselhada a “amá-lo ainda mais”, recomendando-lhe permanecer sempre fiel.

No ano de 68, “quando as perseguições ao Cristianismo iam intensas”, Joana de Cusa é submetida ao poste do martírio e, quando desafiada pelos verdugos a abjurar a sua fé, que lhe diziam: - O teu Cristo soube apenas ensinar-te a morrer? Ela, reunindo todas as suas forças, responde:- Não apenas a morrer, mas também a vos amar!... É neste momento decisivo que ela escuta a voz carinhosa e inesquecível:- Joanna, têm bom ânimo!...Eu aqui estou...

Mais de 1500 anos depois vamos encontrá-la reencarnada no México, em San Miguel Nepantla. Que perfil nos interessa nessa encarnação dessa fidelíssima servidora do Cristo? Um escritor, poeta e crítico mexicano, Octavio Paz, escreveu um livro de 709 páginas para fazer uma espécie de ressurreição da vida e do mundo de Juana de Asbaje Y Ramírez de Santillana, nascida em 12 de novembro de 1651.

Foi uma mulher inteligente, que desde menina pedia à mãe para vesti-la de homem para ela poder ir a Universidade. Era a necessidade do saber, do conhecimento, certamente preparando-se para as tarefas do futuro.É nesse estágio reencarnatório que aprende, sozinha, o idioma português.

Aos 16 anos entra para a Ordem das Carmelitas Descalças, mas não suporta a vida ascética. Aos 18 anos, então,tomou o véu de noviça no Convento de São Jerônimo, e adota o nome de Sóror Inês de la Cruz. Tinha enorme biblioteca- era conhecida como a monja da biblioteca. Juana nasceu numa época de grande restrição à mulher.

Teve vários perseguidores, que não aceitavam a sua excepcionalidade: a de seu sexo e de sua superioridade intelectual. Um deles foi o Arcebispo da Cidade do México, Aguiar y Seijas, cuja misoginia o levava a propagar que caso uma mulher entrasse em sua casa, mandaria trocar o piso.

O que marcou a reencarnação de Sóror Juana Inês de la Cruz foi sua constante preocupação pela situação da mulher, especialmente a mexicana, a qual era totalmente marginalizada, levando-a promover um movimento, tornando-se, então, a primeira feminista das Américas.

Foi poeta e musicista. Houve um instante de inquietação em sua vida , quando interrogou:onde está a felicidade? Orando, e fazendo profunda reflexão, lembrou, talvez, que deveria proceder como o moço rico da parábola evangélica. Precisava dar tudo o que tinha e dedicar-se aos pobres, à caridade.

E é o que faz a partir daí. Em abril de 1695, grave epidemia varreu o México, ceifando inúmeras vidas, entre elas a de Sóror Juana Inês de la Cruz, aos 44 anos de idade, em 17.04.1695.

Sessenta e seis anos depois renasceria no Brasil, em 11.12.1761, e seria a personalidade Sóror Joana Angélica de Jesus. Seus registros terrestres não explicam a sua renúncia ao mundo e a opção pela clausura de um mosteiro da ordem contemplativa. Só os registros das vidas passadas, desde 68 d.C., COMO Joana de Cusa, passando pela religiosa Juana Inés de la Cruz, podem explicar essa opção, pois aos 21 anos ingressou no Convento da Lapa, em Salvador, BA., fazendo profissão de irmã das religiosas reformadas de Nossa Senhora da Conceição da Lapa e , por incontáveis méritos,chegou a Abadessa em 1815.

Em 20.02.1822 ela desencarna, trespassada por uma baioneta, enfrentando às portas do Convento, os soldados do Brigadeiro Madeira, nomeado por Portugal para pôr fim ao movimento de independência. Seria a Heroína da Independência do Brasil.

No mundo espiritual, 40 anos após a sua desencarnação no Brasil, ei-la na França, ao lado de Allan Kardec, colaborando com a Codificação Espírita. Imaginamos o número incalculável de Espíritos que se ofereceram para colaborar com o advento da Terceira Revelação! E ela foi um dos escolhidos.

Em abril de 1864, ao lançar em Paris a terceira obra da Codificação Espírita, O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec insere duas mensagens desse Espírito, que se assina Um Espírito Amigo: um texto sobre A Paciência , no capítulo IX, item 7 e outro capítulo XVIII, item 15,Instrução dos Espíritos, intitulado Dar-se-á Àquele que Tem, ambos ditados em 1862 nas cidades francesas de Havre e Bordéus, respectivamente.

Continuando a sua trajetória iluminativa, em 1948 ela revela-se ao médium Divaldo Franco, assinando suas primeiras comunicações como Um Espírito Amigo e, mais tarde, em 1956, solicitada pelo médium a identificar-se, pede que seja chamada de Joanna de Angelis, passando a desenvolver a sua grandiosa tarefa, conhecidíssima em todo o Brasil e no Exterior, agora verdadeira Heroína da Independência do Homem, para liberta-lo do materialismo.

Há, dentro de suas existências na Terra, um ponto que gostaria de realçar. Quando em 1970 Divaldo Franco visitou o Monastério de Santa Clara, em Assis, na Itália, o Espírito Joanna de Angelis,diante do corpo em conservação de Clara de Assis, desvela um outro ângulo de suas existências.

Esse momento, em nosso entendimento, revela sua reencarnação como Clara de Assis, no século XII, na cidade de Assis , na Itália. Relatam seus biógrafos que durante a gestação, sua mãe tinha medo, era o primeiro filho. Um dia correu à igreja . Lá ouviu uma voz: “não tenhas medo, com felicidade serás mãe de uma menina, e esta filha há de aclarar o mundo com o seu esplendor”.

Finalmente, no dia 16.07.1194, o castelo dos Condes de Favarone e Hortolona comemora o grande momento:o nascimento de sua primogênita. A mãe insistiu em chamar-lhe de Clara, pois em seus ouvidos soava a promessa: ela há de aclarar o mundo inteiro com o seu espelendor...

No ano de 1211, com 17 anos, ouviu um jovem de 29 anos pregar a Quaresma na Catedral de Assis e ficou arrebatada, não apenas com a eloqüência da palavra , mas com o gesto da vida daquele jovem. O jovem era Francisco de Assis(26.09.1182 – 04.10.1226), que desde o ano de 1206 havia criado um grande impacto em sua cidade natal.

Jovem rico, filho do grande comerciante Pedro Bernadone que, de repente, após retornar da guerra, no sul da Itália, passara a pregar o desapego às coisas materiais e o amor à mais absoluta pobreza.

Em 18.03.1212, Clara toma uma decisão: abandonar a família e seguir Francisco, o que consegue. Mais tarde ela se tornaria a primeira mulher franciscana e, com ela, nasceria a Segunda Ordem Franciscana, a das mulheres. Em 15.08.1253, ela desencarna aos 59 anos, após uma vida de prodígios e dedicação aos pobres.

Identificamos dias interessantes e significativas conexões reencarnatórias entre Clara de Assis e Joanna Angélica de Jesus: Em 1241, a Itália é invadida por Frederico II, com bandos armados à busca de riqueza e aventuras e chegaram à cidade de Assis.

Clara enfrenta a soldadesca com a imagem do Santíssimo Sacramento na mão, na porta do Mosteiro, defendendo as irmãs de ideal e a cidade; em 20.02.1822(581 anos depois) ela enfrentaria, às portas de outro Mosteiro, o da Lapa, em Salvador, os soldados do brigadeiro Madeira, comandante das tropas portuguesas.

As tradições relatam comovedor momento, narrado por Divaldo Franco em suas palestras, envolvendo essas duas elevadas almas, a de Clara e a de Francisco: numa tarde de inverno, ambos voltavam de Espoleto para Assis. A neve cobria o caminho, vestia as oliveiras...É quando Francisco declara: - Irmã devemos nos separar aqui. – E quando tornaremos a nos encontrar, irmão? Pergunta Clara. – Quando a primavera chegar com suas flores, responde Francisco.

E separaram-se. Francisco faz um sinal da cruz e desaparece como que diluído na neblina. Clara ajoelha-se na brancura do caminho, enquanto, em Assis, os sinos repicavam. E de repente... Uma carícia primaveril a envolveu. Abriu os olhos.

A neve sumira. Por toda parte rosas. Rosas à beira dos caminhos. Rosas nas oliveiras e ciprestes. Rosas na amplidão. Por toda parte rosas. Colheu-as às braçadas e correu ao encalço de Francisco, gritando: - Irmão, irmão,a primavera voltou. Não nos separemos mais...

A união entre Joanna de Ângelis e Jesus; dela com Francisco de Assis ecom o médium Divaldo Franco, em séculos de vínculos fraternais e de labor em benefício da humanidade , é o exemplo máximo, a excelência da harmonia íntima, da mensagem da eterna amorosidade.

Certamente que, para lograrmos esse estado de harmonia que os atingiu, é preciso que semeemos rosas sem espinhos à beira dos caminhos,dos nossos caminhos redentores e com todos aqueles com quem nos encontrarmos e então, também nós, um dia, quando conseguirmos construir a primavera definitiva, na história de nossas vidas, nunca mais nos separemos de Deus e de suas Leis.


Adilton Pugliese
Artigo retirado da Revista Presença Espírita de números 238- set/out de 2003 e 239 – nov/dez de 2003

04 setembro 2017

Qual é o momento da reencarnação - Dr. Ricardo Di Bernardi



QUAL É O MOMENTO DA REENCARNAÇÃO?


"Se o óvulo em geral é um solitário à procura de um companheiro ideal, os pretendentes à sua posse definitivae à união completa são muitos. 

Trezentos ou mais de duzentos milhões de espermatozoides, uma população igual a de muitos países somados se acotovelarão na busca desenfreada de um só troféu. Diz a biologia que o mais apto vence a corrida e fecunda o óvulo. Mas, como mais apto? Por que, às vezes, um espermatozoide portador das mais profundas anomalias genéticas supera todos os demais? Estudando a ciência espírita, encontramos a resposta satisfatória para esse “capricho do acaso”.

Genes e magnetismo

Cada espermatozoide traz, em seu bojo, os cromossomos que contêm os genes para todas as características físicas do novo corpo a ser formado. Os genes, moléculas de DNA, são partículas de altíssima complexidade.

Os espermatozoides, conforme os genes que transportam, têm uma vibração energética peculiar. Conforme o padrão genético que levem, emitem uma frequência de onda correspondente.

Dizemos que possuem uma aura energética peculiar ao que carregam. O óvulo, como toda célula viva, possui um campo de fluido vital ao seu redor. Esse fluido vital, ou energia vital, é um campo de força que atrai as energias da entidade reencarnante. O Espírito, ou seja, a entidade reencarnante liga-se ou se prende ao fluido vital (bionergia) do óvulo.

Dessa forma, o óvulo passa a irradiar ou a refl etir as vibrações do espírito. Há um intenso halo de energia que se projeta ou irradia do óvulo, que agora está imerso nas vibrações do espírito. Esse campo de força ou halo energético passa a atrair, por sintonia de onda, aquele espermatozoide que contém os genes que ele necessita, ou seja, que ele merece.

Conforme o carma da entidade espiritual, expresso pelas suas matrizes perispirituais e refl etidas no óvulo, são atraídos os genes que se afinizam com a mensagem energética, transmitida inconscientemente pelas unidades vibratórias do perispírito e recebidas pelas moléculas de DNA (ácido desoxirribonucleico) do espermatozoide correspondente. São quase 300 milhões de opções diferentes de organismos biológicos apresentadas pelos espermatozoides. Razão por que somos tão especiais ou diferentes uns dos outros. Esse aparente desperdício é a sábia lei da natureza, fornecendo múltiplas opções para que a justiça divina se cumpra por meio das leis biológicas.

Herança cármica  

Inconscientemente, eis que o espírito reencarnante que semeou livremente nas vidas passadas e gravou os registros dessa semeadura no seu perispírito, agora impregna o óvulo materno pelas vibrações do seu merecimento e recebe no espermatozoide a colheita obrigatória!

O gameta masculino, adequado às suas necessidades cármicas, é rapidamente como que “puxado” por sintonia magnética para o óvulo e ocorre a fecundação ou concepção. Não é pois o “acaso biológico” que determina que um espermatozoide fecunde o óvulo, mas a lei de retorno, da colheita obrigatória, ou lei de ação e reação.

Espermatozoide mais apto, portanto, é aquele que mais sintoniza com as vibrações do nosso personagem, o espírito reencarnante já imantado ao óvulo.

No entanto, até esse momento não houve a Reencarnação propriamente dita. A união do espírito reencarnante ligando-se diretamente às moléculas físicas dá-se no instante em que ocorre o grande choque biológico: a penetração do espermatozoide no interior do óvulo.

No momento da fecundação, milhões de átomos e moléculas das duas células entram em fervilhante atividade organizada. Essa grande atividade, verdadeira explosão de fenômenos, ocorre em uma maravilhosa orquestração regida pela sabedoria universal. Nesse instante solene, o da concepção, as moléculas do corpo espiritual do espírito reencarnante entram, por assim dizer, na intimidade da célula-ovo. Inicia-se assim, nesse instante, em termos físicos, a reencarnação propriamente dita.

A grande “explosão” de reações entre o espermatozoide e o óvulo e a interação entre seus campos áuricos é que propicionou a abertura energética para a fixação dos fluidos perispirituais do nosso personagem às moléculas orgânicas. Foi necessário um momento específico para oportunizar a abertura do campo para a outra dimensão interpenetrar a matéria."

Dr. Ricardo Di Bernardi
Trecho extraído do livro "Gestação; Sublime intercâmbio" 
Do autor e homeopata Dr. Ricardo Di Bernardi

03 setembro 2017

Em provação - Bezerra de Menezes


 

EM PROVAÇÃO


"Filhos da minha alma...

O mar da vida segue encapelado e as ondas da provação humana se sucedem. São muitos os ignorantes das verdades espirituais que são tragados pelo egoísmo, que só faz crescer nos dias atuais.

Ali é um esposo que deserta dos compromissos assumidos. Mais além é um filho que se arroja aos vícios, perdendo a vida na dependência química das ilusões. Acolá é a esposa que se perde nos convites tormentosos. E nesse instante doloroso os corações invigilantes são arrebatados do melhor caminho.

Embora tudo pareça desolação e tempestade, Jesus segue firme como timoneiro amoroso na vida das criaturas. Ele segue no leme, mas somos nós que elegemos para nossa vida o oceano de ventura ou de tormentas. Nada segue à revelia das leis celestiais.

Não existe um único coração que se encontre desgarrado das ovelhas escolhidas. Onde os olhos e os interesses humanos enxerguem o caos tudo está sob controle na ordem do livre arbítrio de cada um. Estamos todos na mesma nau!

Confiemos e trabalhemos para que nossa embarcação cruze a tempestade para os mares de bonança. Abracemos o evangelho por rota segura confiando no amor do Pai. Façamos da caridade o estandarte da nossa vida, para nos protegermos do egoísmo que ainda atormenta os corações.

Confiando e trabalhando, perdoando e amando, haveremos de vencer as tormentas provacionais que assolam a humanidade. Onde o amor prevalece a paz se estabelece. Estejamos unidos para que Jesus esteja em nossos corações e juntos aportemos no mundo renovado.

São os votos do meu coração paternal.

Do servidor humílimo de sempre...


Mensagem do Dr. Bezerra de Menezes psicografada pelo médium Adeilson Salles.

02 setembro 2017

Auto Mutilação - "Analgésico para dor da alma" - Adeilson Salles

 

AUTO MUTILAÇÃO
"ANALGÉSICO PARA DOR DA ALMA"


Um problema que vem aumentando na última década, e que vem assustando pais e educadores em geral.

O Cutting, ou Automutilação é sem dúvida alguma um transtorno emocional, que necessita tratamento e apoio da família.

Esse transtorno costuma surgir na adolescência e é preciso ser abordado com cuidado, para que um comportamento equivocado, que pode ser curado, não resvale em situações mais dolorosas como o suicídio.

O adolescente que prática a automutilação não quer ser descoberto pelos pais, mas se isso vier a ocorrer, é importante que a família tenha compreensão, e não agrave a situação através de reprimendas inadequadas, e reações alarmantes.

É importante compreender, que o jovem que se auto-mutila está com dificuldades emocionais em lidar com alguma frustração, ou alguma perda.

Pode parecer paradoxal e estranho, mas a mutilação é utilizada como "analgésico" para uma dor que a alma sente.

Os escândalos, ou a repreensão violenta tendem a erguer uma barreira entre os pais e o jovem que se auto-mutila, daí a necessidade de palavras acolhedoras e compreensivas.

Sem dúvida, o tratamento profissional na área da saúde mental é importante para ajudar quem enfrenta essa dificuldade.

A princípio os cortes são feitos em locais do corpo que podem ser escondidos facilmente.

E os sentimentos que deflagram esse processo podem ser: sensação de vazio, angústia, raiva de si mesmo, tristeza com ou sem motivo e até para relaxar são outros motivos apontados.

Na dimensão espiritual, o jovem aturdido, que pratica o Cutting, é presa fácil de espíritos perturbados e vingativos, que podem incitar o aumento da tristeza, e da perda de autoestima e confiança na vida.

Processos obsessivos graves podem ser deflagrados a partir desse comportamento.

A automutilação pode ser provocada por processo endógeno, ou seja, por dificuldade do espírito encarnado em lidar com seus dramas íntimos, aquilo que ele trouxe de suas vidas passadas.

Ocorre também o processo exógeno, ou seja, a dificuldade do espírito em lidar com o meio onde vive.

A dificuldade na aceitação do seu contexto de vida.

Na maioria dos casos esse processo passa, mas devido ao crescente aumento dos transtornos emocionais nos dias atuais, é preciso que esse problema seja tratado com o cuidado necessário, de maneira holística para que o nosso jovem receba ajuda eficiente.

Presença da família, amor, compreensão e orientação espiritual adequada contribuem definitivamente para que esses dramas sejam vencidos.

Devemos tomar cuidado com o peso das nossas palavras.

Muita Paz!


Adeilson Salles


01 setembro 2017

Surpresas da Existência - Divaldo P.Franco

 

SURPRESAS DA EXISTÊNCIA


Na cidade de Évora, em Portugal, os franciscanos do passado, desejando encontrar um método eficaz para fixar-se nos postulados da imortalidade da alma, construíram uma capela com ossos humanos, especialmente de pessoas que se encontravam sepultadas em volta das igrejas.

Com as alterações naturais do tempo, o recinto que era dedicado a orações, meditação e profundas reflexões, transformou-se em lugar de turismo.

À entrada encontra-se uma frase muito peculiar: Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos.

Surpreendentemente é uma grande verdade e deveríamos, com certa frequência, pensar na realidade que somos: espíritos imortais!

Observamos que a maioria das criaturas humanas, mesmo aquelas que se vinculam a doutrinas religiosas, vivem como se a sua fosse uma existência eterna, fadada ao prazer e às comodidades, como privilégios que merecem.

Para que sejam alcançadas essas metas frívolas dos gozos ligeiros, entregam-se, não poucas vezes, a comportamentos lamentáveis, distantes de todo e qualquer conceito ético-moral, de respeito a si mesmo, à sociedade, à vida.

Enriquecer, adquirir prestígio social e fama, aumentar o orgulho e a ostentação, zombar do bom senso e das condutas retas, parecem constituir objetivos que devem ser alcançados a qualquer custo.

Os desatinos morais e os crimes de toda ordem predominam em nossa cultura, aureolados como normais, tal o cinismo de quem os comete.

Olvidam-se que a morte espreita, e que, a cada momento, todos somos arrancados do mapa existencial, exatamente quando pensamos estar em máxima segurança.

A fatalidade dessas ocorrências nefastas tem afetado o Brasil, numa sucessão de lances dolorosos, nos quais mulheres e homens notáveis, que trabalham e zelam pelo bem, que confiam no destino histórico da nacionalidade, causando impactos terríveis e dores indefiníveis.

Estamos vivendo um desses momentos cruéis com a desencarnação por acidente aéreo do Exmo. Sr. Ministro do Supremo Tribunal Federal, Dr. Teori Zavascki, cuja existência fez-se caracterizar pela honradez e nobreza de caráter.

Essa tragédia dantesca dá-se num momento muito grave no país, quando S. Exa. deveria prosseguir na tarefa nobre a que se dedicava, trabalhando pela dignidade e justiça contra a corrupção de autoridades insensatas e de outros cidadãos criminosos que se locupletaram nos bens públicos e nos valores que poderiam solucionar os graves problemas do país…

Várias hipóteses têm sido levantadas para esclarecer o infausto acontecimento, no entanto, merece considerarmos que nada impede que se manifeste a Justiça Divina, alcançando-nos a todos, cujos ossos estão sendo esperados por aqueles que edificaram a capela portuguesa.


Divaldo Franco escreve quinta-feira, quinzenalmente.
Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 26/01/2017